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13° LIÇÃO 4 TRI 2013 TEMA A DEUS TODO O TEMPO


TEMA A DEUS TODO O TEMPO
Data 29 de Dezembro de 2013                HINOS SUGERIDOS 258, 396, 423.
TEXTO AUREO
"De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem” (Ec 12.1 3).

VERDADE PRATICA
Obedecer aos mandamentos do Senhor é a prova de que vivemos uma vida justa diante dos homens e de Deus.
LEITURA DIÁRIA
Segunda       - Gn 2.7                                         Conhecendo a criatura
Terça             - Ec 12.1                                       Conhecendo o Criador
Quarta           - Ec 1 1.9,10; Jo 21.18ª                 Conhecendo a mocidade
Quinta            - Ec 12.1-7; Jo 21.18b                  Conhecendo a velhice
Sexta             - Ec 12.7; 1 Ts 5.23                      Conhecendo o ser humano
Sábado          - Ec 12.13,14                                Um dia prestaremos contas
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE Eclesiastes 12.1-8
1 - Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer; Não tenho neles contentamento;
2 - antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva;
3 - no dia em que tremerem os guardas da casa, e se curvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas;
4 - e as duas portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as vozes do canto se baixarem;
5 - como também quando temerem o que está no alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua eterna casa, e os pranteadores andarão rodeando pela praça;
6 - antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço,
7 - e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu,
8 - Vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo é vaidade.
INTERAÇÃO
Prezado professor, estamos encerrando mais um trimestre. De todos os assuntos que estudamos nesta lição, os que nos trazem mais perplexidades são as perspectivas apresentadas acerca da imprevisibilidade da vida, o movimento dinâmico que ela apresenta e as contingências da nossa existência. O homem que não confia em Deus pensa que foi lançado a esmo no mundo. Aqui, é que o crente em Jesus se distingue daqueles que não creem em Deus. Quando amamos e tememos ao Senhor de todo o nosso coração, compreendemos a vida como algo finito no mundo, mas na esperança de brevemente encontrarmo-nos em plenitude com um Deus “que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível” (1 Tm 6.16).
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Saber que somos criatura; Deus, o Criador.
Explicar os dois grandes momentos da vida (juventude e velhice) e as duas dimensões da existência humana (corporal e espiritual).
Guardar os mandamentos do Senhor e praticar a sua justiça.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, sugerimos como atividade pedagógica que faça o resumo dos principais pontos que foram abordados na lição ao longo desse trimestre. Essa atividade visa introduzir a aula dessa semana. Aproveitamos a oportunidade para sugerir alguns pontos a serem relembrados: (1) O adultério; (2) O cuidado com o uso da língua; (3) A imprevisibilidade e as contingências da vida. O professor poderá ampliar esses pontos de acordo com a necessidade da sua classe.
PALAVRAS-CHAVE Temor: Sentimento profundo de respeito e obediência.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Salomão chega ao final de suas reflexões acerca da vida “debaixo do sol”, O pregador conclui o seu ensino no capítulo 12 de Eclesiastes, contrastando vividamente A os distintos momentos da vida humana: juventude e velhice, alegria e tristeza, vida e morte, presente e futuro, temporal e eterno, O estilo adotado por Salomão deixa-nos a sensação de que ele processa a sua reflexão de trás para frente.
O autor fala da juventude a partir de uma análise realista da velhice. Fala da vida com os olhos fitos na morte. Fala do temporal com os olhos voltados ao eterno. Fala da criatura a partir do Criador. E fala do prazer da vida sem perder de vista o julgamento final. Nessa última lição, veremos como o ensinamento do pregador nos ajuda a construir uma fé sadia e fundamentada no temor do Altíssimo.
I - UMA VERDADE QUE NÃO PODE SER ESQUECÍDA
1. Somos criatura. O último capítulo de Eclesiastes inicia-se com uma exortação a que nos lembremos do nosso Criador. Uma das doutrinas mais bem definidas da Bíblia é a da criação. Pela fé cremos no Deus criador do universo (Hb 11.3). Mas aqui, não temos o interesse apologético de provar a existência de Deus, pois Salomão parte do princípio de que Deus é, e que os seus leitores têm isso muito bem resolvido.
Com a expressão “lembra-te do teu Criador”, o sábio ensina aos homens que eles não passam de criaturas. O termo hebraico para lembrar, zakar, reforça essa ideia. Ele significa recordar, trazer a mente, fazer um memorial. É como se o k pregador dissesse: “Coloque isso em sua mente e, se possível, faça um memorial. Não esqueça que você é criatura e que há um Criador”.
2. Há um Criador. Se em Eclesiastes 12.1 o pregador revela Deus como o Criador, no versículo 13, o livro mostra o Pai Celeste como o Supremo Juiz. Foi Deus quem criou e modelou a criatura a quem Ele chamou de homem! Este fato nos obriga a enxergar o ser humano como criatura e Deus como o Criador. O homem como ser temporal e Deus como o Eterno. Portanto, a partir dessa compreensão, podemos encarar a vida com mais humildade e prudência.
SINOPSE DO TÓPICO (1)
Uma verdade que não pode ser esquecida: somos criatura; há um Criador.
II - OS DOIS GRANDES MOMENTOS DA VIDA
1. A juventude. Salomão passa a falar sobre a juventude, ou seja, o estágio da vida que representa o período de maior vigor. Ele se vale de várias figuras para demonstrar a nossa finitude e o quão frágeis somos. Em Eclesiastes 11.9, Salomão havia falado da juventude, destacando-a como uma fase de recreação e de satisfação.
Tais metáforas criam a imagem da exuberância, elemento característico da mocidade. Elas denotam que, nessa fase da vida, as pessoas não se preocupam com lembranças, memoriais ou história. É como se não houvesse um referencial. Mas em o Novo Testamento, o autor sagrado mostra 1 esse referencial (Hb 12.2)—Jesus Cristo — e exorta-nos a viver a vida com os olhos fitos no Mestre.
2. A velhice. No Eclesiastes, a juventude é vista como um estágio inicial e intenso da vida, enquanto a velhice aparece como o último estágio da existência, onde nada mais parece fazer sentido. O corpo físico, outrora forte, robusto e cheio de vigor, agora se mostra enfraquecido pelos anos da vida.
De forma metafórica, o sábio prova que a velhice é bem diferente da juventude. O prazer não é como antes (12.1), o sol não brilha com o mesmo esplendor (12.2), e o metabolismo do corpo não funciona como no passado (Ec 12.3- 5). Enfim, a velhice mostra-nos como somos frágeis, sujeitos a quebrar a qualquer instante (12.6).
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Os dois grandes momentos da vida que o sábio apresenta no Eclesiastes são a juventude e a velhice.
III - AS DIFERENTES DIMENSÕES DA EXISTÊNCIA HUMANA
1. Corporal. Os sentimentos e fatos experimentados na vida — alegrias ou tristezas, acertos ou erros, o presente ou o passado — apenas são possíveis por causa da dimensão corporal de nossa existência. O rei Salomão chama-nos a atenção para esse fato ao dizer que “o pó volte à terra, como o era” (Ec 12.7a). O texto bíblico denota que possuímos um corpo sujeito às limitações de espaço e tempo. Por isso, não devemos esquecer que somos absolutamente finitos. Isso não significa que não temos valor. Ao contrário, a Escritura demonstra que a dimensão temporal é tão importante quanto a espiritual. Em 1 Coríntios 6.19,20, não há dualismo entre corpo e espírito, como se este fosse bom e aquele mau. Portanto, devemos cuidar do nosso corpo e usá-lo sempre para a glória de Deus.
2. Espiritual. Eclesiastes 12.7b revela que possuímos uma dimensão espiritual da vida, pois o nosso espírito voltará “a Deus, que o deu”. O contexto do capítulo 12 de Eclesiastes faz um contraste „ entre o temporal e o eterno, não deixando dúvidas que o termo hebraico ruach, traduzido por fôlego, hálito e espírito, significa I precisamente “espírito” como a parte imaterial do homem (1 Ts 5.23; 2 Co 5.8; Fl 1.23).
Assim como cuidamos da nossa dimensão material, devemos cuidar da espiritual (2 Co 7.1; 1 Tm 4.8). E apesar de o homem ser constituído por duas dimensões existenciais — a humana e a espiritual —, elas não são independentes entre si, pois o homem é um ser integral (1 Ts 5.23).
SINOPSE DO TÓPICO (3)
As duas distintas dimensões da existência humana encontradas no livro de Eclesiastes são a corporal e a espiritual.
IV - PRESTANDO CONTA DE TUDO
1. Guardando o mandamento. Após falar da brevidade da vida e da necessidade de se buscar em Deus um sentido para ela, o sábio conclui que o dever de todo homem é temer a Deus e guardar os seus mandamentos (Ec 12.13). Aqui, há duas coisas que precisam ser ditas. Primeira, a vida é dinâmica, mas precisa de regras e normas. Segunda, é nosso dever ouvir e guardar a Palavra do Senhor no coração.
O mandamento divino é constituído de princípios eternos e, para o nosso próprio bem, temos de observá-los e acatá-los integralmente fazendo tudo quanto o Criador requer de nós, pois esta é a vontade de Deus (1 Jo 5.3).
2. Aguardando o julgamento. Nas últimas palavras do §l Eclesiastes, há uma séria advertência sobre o julgamento a que todo ser humano estará sujeito. O pregador diz que “Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau’’ (Ec 12.14). As nossas obras e ações serão avaliadas por Deus, pois para Ele os valores estão bem definidos: o certo e o errado nunca mudam.
O termo hebraico mishpat, usado nas últimas palavras de Salomão, possui o sentido jurídico de tomada de decisão. Chegará, pois o dia da prestação de contas de todos os homens. O Justo Juiz decidirá o nosso destino (Rm 14.10,12). Tais palavras não são intimidatórias, mas um convite a vivermos com responsabilidade diante de Deus e da sociedade.
SINOPSE DO TÓPICO (4)
Todo homem não deve esquecer isto: Um dia prestaremos contas de tudo a Deus.
CONCLUSÃO
A vida é um contraste entre a alegria e a tristeza, entre a juventude e a velhice, entre a vida e a morte, entre o passado e o presente. Não há como fugir a essa realidade. Sabendo que a nossa vida “debaixo do sol” é tão fugaz, cabe-nos procurar vivê-la da melhor maneira possível, pois esse é um dom do Criador. Salomão, em sua singular sabedoria, nos ensina: tema a Deus em todo o tempo. Só assim seremos felizes.
VOCABULÁRIO
Esmo: Cálculo apenas aproximado; estimativa, conjetura.
Intimidatória: Ato ou efeito de intimidar. Provocar apreensão, receio ou temor.
Fugaz: Rápido, ligeiro, veloz. O que desaparece rapidamente,
AUXILIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Teológico
“[Os jovens] devem ser ensinados a considerar a Deus como supremo.
Ele expõe a verdade de que ‘o temor do Senhor é o princípio da ciência’ ([Provérbios 1] v.7); é a parte principal do conhecimento; é o que inicia o conhecimento, isto é, (1) de todas as coisas que devem ser conhecidas, esta é a mais evidente - que Deus deve ser temido, deve ser reverenciado, servido e adorado; este é o princípio do conhecimento, e não sabem nada os que não sabem isto. (2) Para adquirir todo o conhecimento útil, é extremamente necessário que temamos a Deus; nós não somos qualificados para nos beneficiar das instruções que nos são dadas, a menos que nossas mentes sejam possuídas por uma santa reverência por Deus, e que cada pensamento em nós seja levado à obediência a Ele. Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, deve conhecer a sua doutrina (Jo 7.17). (3) Assim como todo o nosso conhecimento deve se originar do temor a Deus, ele também tende a este temor, como sua perfeição e centro. Sabem o suficiente os que sabem como temer a Deus, que são cuidadosos em todas as coisas, para agradar a Ele e temerosos de ofendê-lo em alguma coisa; este é o Alfa e o Ômega do conhecimento” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento - Jó a Cantares de Salomão. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.720).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Teológico
“[Prestando contas à luz do Sermão do Monte]
Em um importante sentido, todo o Sermão do Monte representa uma simples expansão desse apelo compassivo. Começando no mesmo ponto de partida — um lamento sobre a iminente destruição de Jerusalém — Cristo simplesmente amplia a sua perspectiva e transmite aos discípulos um extenso apelo que inclui desde o futuro escatológico até o momento do seu retorno e do juízo que o acompanhará. Portanto, esse mesmo espírito que inspirou o pranto de Cristo sobre a cidade de Jerusalém, permeia e dá um colorido a todo o Sermão do Monte. E Mateus, que estava presente e ouviu em primeira mão, registrou tudo isso no seu Evangelho, que é como um farol para todos os pecadores, em todos os tempos. Trata-se do último e terno apelo do Senhor para o arrependimento, antes que seja tarde demais.
Examinando esse sermão também vemos que todos os vários apelos de Jesus para sermos fiéis e todas as suas advertências para estarmos preparados ficam reduzidos a isso: eles representam um compassivo convite para nos arrependermos e crermos. Ele está nos prevenindo de que devemos nos preparar para a sua vinda porque, quando retornar, Ele trará o Juízo Final. E, ao concluir o seu sermão, Ele descreve detalhadamente esse juízo.
Essa parte remanescente do Sermão do Monte transmite uma das mais severas e solenes advertências sobre o juízo em toda a Escritura. Cristo, o Grande Pastor, será o Juiz, e irá separar suas ovelhas dos bodes. Estas palavras de Cristo não foram registradas em nenhum dos outros Evangelhos. Mas Mateus, pretendendo retratar Cristo como Rei, mostra-o aqui sentado no seu trono terreno. Na verdade, esse juízo será o primeiro ato depois do seu glorioso retorno à Terra, sugerindo que esta será a sua primeira atividade como governante da Terra (cf. SI 2.8-12). Esse evento inaugura, portanto, o Reino Milenial, e é distinto do juízo do Grande Trono Branco descrito em Apocalipse 20, que ocorre depois que a era milenial chega ao fim. Nesse caso, Cristo está julgando aqueles que estarão vivos no seu retorno, e irá separar as ovelhas (os verdadeiros crentes) dos bodes (os descrentes). Os bodes representam a mesma classe de pessoas que são retratadas como servos maus, como virgens imprudentes, e como o escravo infiel nas parábolas imediatamente precedentes” (MACARTHUR JR., John. A Segunda Vinda. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, pp.l 80-81).
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento - Jó a Cantares de Salomão. 1 .ed. Rio dejaneiro: CPAD, 2010.
MELO, Joel Leitão de. Eclesiastes versículo por versículo. Rio de Janeiro: CPAD, 1999. PALMER, Michael D. (Ed.) Panorama do Pensamento Cristão, l. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
EXERCÍCIOS
1. Como o pregador conclui o seu ensino em Eclesiastes capítulo 12?
R: Contrastando vividamente os distintos momentos da vida humana: juventude e velhice, alegria e tristeza, vida e morte, presente e futuro, temporal e eterno.
2. Com a expressão “lembra-te do teu Criador”, o que o sábio quer ensinar ao homem?
R: O sábio ensina aos homens que eles não passam de criaturas.
3. Em o Novo Testamento, qual é o referencial que o autor sagrado usa para exortar-nos a viver a vida com os olhos fitos no Mestre?
R: Jesus Cristo.
4. Segundo a lição, o que Coríntios 6.19,20 ensina-nos acerco do corpo e espírito?
R: Que não há dualismo entre corpo e espírito, como se este fosse bom e aquele mau.
5. Qual o dever de todo o homem?
R: Temer a Deus e guardar os seus mandamentos.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 56, p.42.
TEMA A DEUS TODO O TEMPO
O capítulo 12 de Eclesiastes encerra as reflexões de Salomão a respeito da vida. O pessimismo ainda pode ser visto neste último capítulo. Salomão finaliza fazendo uma reflexão sobre diferentes fases da vida. Ele reconhece que a vida é passageira. Tiago a compara a um vapor "que aparece por um pouco e depois desvanece" (Tg 4.14). Ela é muito breve, por isso precisamos vive-la de modo completo, isto é, temendo a Deus e obedecendo aos seus mandamentos.
Talvez, um dos conselhos mais importantes que Salomão nos oferece em todo o livro é: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade" (Ec 12.1). A juventude não dura para sempre. O homem tem tentado, ao longo dos anos, encontrar uma fórmula mágica capaz de preservar a juventude e o vigor, porém sabemos que isso é impossível. Devemos cuidar bem da nossa saúde, pois todos nós teremos que enfrentar a velhice e para isso precisamos estar preparados. "Os dias maus" no versículo primeiro do capítulo 12 é uma referência à velhice e não à morte. Segundo o Comentário Bíblico Beacon "a velhice é vista como um tempo de luz efêmera e de dias escuros de inverno. As nuvens dão a entender depressão e a chuva pode ser entendida como lágrimas" (Ec 12. 1 b-5). Salomão é bem pessimista, pois, cada etapa da vida é única e tem a sua beleza. Deus está com aqueles que o temem até a sua velhice: "E até à velhice eu serei o mesmo e ainda até às cãs eu vos trarei; eu o fiz, e eu vos levarei, e eu vos trarei e vos guardarei" (Is 46.4). O Senhor não nos abandona em nenhuma etapa da nossa vida. Nós é que abandonamos o Senhor, como fez Salomão.
Não gostamos de falar a respeito da morte, porém ela é parte integrante da vida (Ec 12.6-8). Salomão se utiliza de várias metáforas nos versículos 6 a 8 do capítulo doze, para mostrar que a vida do homem termina de maneira súbita, por isso é necessário temer a Deus em todo tempo. Faça tudo que você puder fazer para Deus hoje, pois talvez não tenhamos tempo amanhã. Porém se vivermos hoje para o Senhor, não nos importará se a vida terminar de repente.
Viver de modo sábio é temer a Deus e aguardar os seus mandamentos. O temor a Deus é o princípio da sabedoria e da vida abundante. Quem teme a Deus vive todas as fases da vida de modo a agradar a Deus. Desperdiçar qualquer fase da vida, longe de Deus, é loucura.
Temer a Deus é reconhecer nossas limitações e a grandeza do nosso Criador. Tema a Deus e viva de modo pleno cada fase da sua vida, pois Jesus nos prometeu jamais nos deixar sozinhos: "Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28.20).
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Salomão chega agora ao final das suas reflexões sobre o viver debaixo do sol. Como era de se esperar, ele faz um contraste com vívidas palavras sobre a vida e seus diferentes momentos. São estágios bem definidos: Juventude e velhice; alegria e tristeza; vida e morte; presente e futuro; o temporal e o eterno.
O texto deixa-nos a sensação de que a sua reflexão é feita de trás para frente, do fim para o começo. Ele fala da juventude, mas é a partir de uma análise nua e crua da velhice. Fala da vida, mas é com os olhos fitos na morte; ele fala do presente, mas é a partir do futuro; fala da vida, mas é a partir da morte; fala do temporal, mas seus olhos estão voltados para o eterno; fala da criatura, mas seu alvo é o Criador; fala do nosso aprazimento aqui, mas sem perder de vista o julgamento final.
Aprendamos, pois, como esse entendimento nos ajuda na construção de uma fé sadia e fundamentada no temor do Senhor.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 150.
Continuamos aqui com a seção geral que diz que os jovens e os idosos demonstram a inutilidade das coisas (Eclesiastes 11.1 e 12.8). Os vss. 1-8 deste capítulo ilustram graficamente como os homens idosos cumprem seu papel no quadro da vaidade geral: seu corpo vai-se desintegrando, dói e ele sofre até que a morte o arrebata e o conduz ao pó para o qual está predestinado a retornar. Novamente é demonstrado, incansavelmente, que o ser humano veio do pó e ao pó haverá de voltar. O epílogo, adicionado pelo editor piedoso (vss. 9-14), tenta terminar o livro com uma distorção ortodoxa, a fim de torná-lo mais aceitável aos leitores judeus médios. Mas o triste, louco e mau filósofo termina seu tratado em atitude de desespero, que é a maneira como ele o começou (Eclesiastes 1.3): tudo é vaidade e vexação de espírito, tudo é apenas perseguir o vento, tudo é inutilidade. Alguns intérpretes acreditam que até mesmo esta seção, vss. 1-8 tem certos toques do editor ortodoxo, o qual, periodicamente, tentou corrigir o ponto de vista pessimista do filósofo.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2738.
O pregador sábio e contrito está aqui fechando 0 seu sermão; e ele o fecha não apenas como um bom orador, mas também como um bom pregador, o que provavelmente o fez deixar as melhores impressões e pelo que ele desejou ser poderoso e duradouro em relação aos seus ouvintes. Aqui temos: I. lima exortação às pessoas jovens, para que comecem cedo a ser religiosas e não deixem isso para a velhice (v. 1), reforçada com argumentos tirados das adversidades da velha idade (w. 1-5) e da grande mudança que a morte fará em nós, w. 6,7. II. Uma repetição da grande verdade que ele assumiu para provar em seu discurso, a vaidade do mundo, v. 8. III. Uma confirmação e recomendação do que ele escreveu neste e em seus outros livros, como digno de ser devidamente pesado e considerado, w. 9-12. IV A grande questão resumida e concluída, com uma responsabilização a todos para serem verdadeiramente religiosos, em consideração ao julgamento que está por vir, w. 13,14.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 951.
I - UMA VERDADE QUE NÃO PODE SER ESQUECIDA
1. Somos criatura.
O livro de Eclesiastes inicia o capítulo 12 com uma exortação: “Lembra-te do teu Criador”. Uma das doutrinas bem definidas na Bíblia é a da criação por Deus de todas as espécies. Deus é o criador, e o homem como um dos seres viventes é a criatura (Gn 2.7). Mas o texto aqui não está interessado em provar a existência de Deus, para Salomão, que era teísta e escreveu para teístas também, esse era um fato bem definido. O que o sábio quer é que seus leitores não se esqueçam das suas temporalidades, que são homens e como tais não se passam de criaturas. O hebraico reforça mais ainda essa necessidade de ter isso bem definido em mente quando usa o termo zakar, que além de lembrar, significa também recordar, trazer à mente, fazer um memorial. A ideia é: lembre-se, ponha isso na sua mente e se possível faça um memorial, mas não se esqueça que você é uma criatura e que possui um Criador.
“Finalmente estamos prontos”, observa o comentarista bíblico Derek Kidner, “se a nossa intenção tem sido essa, para olhar além das vaidades terrenas para Deus, que nos fez para si. O título Criador foi bem escolhido, fazendo-nos lembrar a partir de passagens anteriores no livro, que só Deus vê o padrão da existência como um todo (3.11), que nós estragamos a obra de suas mãos com as nossas “astúcias” (7.29) e que a sua criatividade é contínua e inescrutável (11.5). A nossa parte, lembra-te dele, não é um ato perfunctório ou puramente mental: é deixar de lado a nossa pretensão à autossuficiência, entregando-nos a Ele. Isto é o mínimo que as Escrituras exigem do homem em seu orgulho ou em situações extremas. No seu sentido melhor e mais forte, a lembrança pode ser uma questão de fidelidade apaixonada, uma lealdade tão intensa quanto a do salmista para com sua terra natal: “Apegue-se me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria”.
 “Quando a lembrança significa tudo isto”, continua Kidner, “não pode haver meias medidas ou contemporização. A juventude e o todo da vida não são suficientes para extravasá-la. É neste espírito que de novo somos instados a enfrentar nossa mortalidade. Desta última vez o trecho é mais demorado. Ao mesmo tempo é uma das mais belas sequências de figuras de palavras deste mestre da linguagem, uma realização suprema de sua dupla ambição: achar “palavras agradáveis” e “palavras de verdade” (v.10).
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 151-152.
O lugar do homem na criação. O conceito de criação a partir do nada se aplica, é claro, à formulação do cosmos, e não exaure o ensino bíblico quanto ao assunto da criação. Portanto, o homem não foi criado ex nihilo. mas a partir de material previamente preparado, o "pó da terra” (Gn 2.7), assim como as feras do campo e as aves do céu (Gn 2.19). Isto tem sido descrito como criação secundária, para indicar uma atividade que faz uso de material já existente, mas que é, não obstante, integral ao conceito original da criação. A harmonia que é apresentada no mundo e em seus habitantes é, de fato, uma ordem divinamente imposta, na qual cada criatura cumpre a vontade de Deus. Em cada situação o decreto criativo não traz meramente entidades à existência, mas as relaciona com alguma função específica dentro da estrutura mais ampla. Por causa do relacionamento pessoal que existe entre Deus e sua criação, não pode haver espaço nas Escrituras para a idéia da “natureza” como uma força autônoma, colocada em movimento por uma Causa Prima. Deus é descrito como estando todo o tempo no controle do mundo (cp. Jó 38.33; Jr 5.24, etc.), o qual precisa de sua contínua supervisão se quiser permanecer (cp. SI 104.29,30). Onde existe a expressão de regularidade das forças naturais, como na promessa feita a Noé (Gn 8.22), esta está baseada nas misericórdias e fidelidade da aliança de Deus.
Embora a intenção do mundo seja exibir a glória de Deus, foi também formado como o local de habitação para o homem (Is 45.18), a coroa da criação divina. O homem foi formado da terra para a qual finalmente retornará quando morrer. Enquanto que os animais e as plantas estão em relacionamento indireto com o Criador, visto que foram formados pela terra, o homem é o produto direto da atividade criadora, e é dignificado de uma maneira especial por ser o recipiente do “sopro da vida” de Deus. Em ambos os relatos, ênfase é dada à natureza do homem como a mais alta forma de vida criada, onde em Gênesis 1.26,27 o homo sapiens é descrito como feito à imagem divina. Isto só pode significar que o homem, em sua existência corporal completa, foi moldado segundo a imagem de Deus. O fato de que o mesmo conceito foi aplicado a Sete, como filho de Adão (Gn 5.3), argumenta firmemente contra qualquer tentativa de reduzir a imago dei ao “eu espiritual” à “alma” do homem, ou a qualquer conceito similar. A referência em Gênesis 2.7 também é iluminadora neste aspecto, porque fala do homem se tomando um nepesíhayyãh. A tradução “alma vivente” é menos satisfatória do que “personalidade”, visto que é a totalidade do homem que está novamente em vista aqui. O pensamento hebreu via consistentemente o homem como uma personalidade, e as várias referências do AT aos relacionamentos entre emoções e mudanças corporais demonstram uma preocupação para com a integração da personalidade, do tipo que tem sido re-enfatizado pela medicina psicossomática moderna. O homem não é simplesmente um “corpo” no qual uma “alma” foi colocada. Antes, ele é uma personalidade viva com extensão física no tempo e no espaço. Quando vivendo pela lei divina ele não é nem “corpo” nem “alma”, mas um ser unificado, no qual todos aos aspectos da existência são designados para funcionar de uma maneira integrada para a glória de Deus. O homem é realmente a imagem viva de Deus na terra, e por isso a ele é dada a tarefa de servir como o representante divino e de dirigir os caminhos daqueles aspectos da criação que são postos sob seu controle (Gn 1.28). Embora ele tenha sido feito à imagem de Deus, é ainda inferior à deidade em estatura (Sl 8.6-8). Não obstante, é coroado com a glória e honra, porque foi feito especialmente para gozar da comunhão com o Criador. Diferentemente da criação animal, que deve obedecer a impulsos e leis instintivos, foi dada ao homem a liberdade de escolha como parte de sua herança espiritual. Embora sua vocação primária seja servir a Deus no mundo natural, ele é singular no sentido de ser a única criatura que pode responder a Deus em desobediência, assim como em fé e confiança. O homem pode insultar a Deus, assim como louvá-lo, e pode se separar da presença divina ou manter a comunhão com a mesma facilidade. Certamente esta última era a intenção clara do Criador, já que nenhuma outra espécie pode articular louvores divinos. Portanto, o homem foi feito para se comunicar com Deus de forma inteligente e significativa, um ideal que depois foi atribuído à nação de Israel num relacionamento de aliança com Deus (Is 43.21).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 1219-1220.
CRIATURA(S) Em hebraico, uma criatura, epesh, é qualquer ser vivente (Gn 1.21,24; 2.19), como por exemplo, quando Deus soprou "o fôlego da vida" no homem, ele se tornou uma "alma" vivente (nepesh, Gn 2.7). A palavra também é usada para se referir a todos os seres animados criados, tanto humanos como animais, em toda a criação (Gn 2.19; Em 8.19-22). Porém, nas demais passagens, aplica-se especificamente a animais ou criaturas aquáticas (Gn 1.20,21,24; 9.10,12,15,16; Lv 11.46). No NT a palavra assim traduzida (gr. ktisis) também significa: (1) uma coisa individual ou um ser criado, "coisa criada" ou "criatura" (Rm 8.39; Hb 4.13); (2) a soma total de todas as coisas criadas, "criação" (Mc 13.19; 2 Pe 3.4).
Paulo descreve um homem redimido como uma "nova criatura" (2 Co 5.17; Gl 6.15). Uma vez que a palavra grega é ktisis, o apóstolo quer dizer que um homem redimido é uma "nova criação".
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 475.
Heb 11.3 Ao contemplar a origem do mundo observável da natureza, o escritor reconhece a necessidade de um salto da fé. Se a explicação fosse restrita a fenômenos que podem ser testados, nenhuma fé seria necessária.
O invisível seria automaticamente excluído, porque somente as coisas que podem ser vistas seriam consideradas como dados válidos. Mas as palavras Pela fé entendemos demonstram que o conhecimento não é independente da fé. Esta declaração tem alguma aplicação ao conceito científico do mundo. A ciência não poderia rejeitar a idéia de que o universo foi formado pela palavra de Deus, porque este conceito não depende de uma avaliação científica dos fatos “vistos.” 0 escritor reconhece que a aceitação de um ato criador especialmente de Deus é possível somente à fé. Mas por que introduz o assunto a esta altura da sua discussão? Que relevância tem para este catálogo dos homens de fé? A resposta acha-se no fato de que não pode considerar o mundo dos homens à parte do seu meio-ambiente. Pelo contrário, o interesse que Deus tem na fé dos indivíduos é condicionado pelo Seu propósito na criação. Se a fé é exercida pelos homens na terra, deve dizer respeito ao fato que tudo quanto existe na terra está sob o controle de Deus. O escritor já deixou claro em 1.2 que o Filho foi o agente através de quem Deus criou o mundo, embora empregue aqui um verbo mais expressivo (katêrtisthai) para o ato da criação.
Neste contexto significa “mobiliar completamente ou equipar” e assim chama a atenção à perfeição do número total de atos criadores e vê a totalidade como uma unidade equilibrada e completa. É a função da fé fazer este discernimento.
O resultado da fé é declarado assim: o visível veio a existir das coisas que não aparecem. Quer dizer que a fé postula que um poder invisível foi a causa eficaz do mundos dos fenômenos. Este é um ponto de vista em plena harmonia com a narrativa da criação em Gênesis. Esta idéia da criaçãoex nihilo não era favorecida pelo mundo grego contemporâneo.
DONALD GUTHRIE .Comentário Bíblico Cultura Cristã. Hebreus. Editora Vida Nova. pag. 213.
Heb 11.3 A fé não é somente uma experiência interior da presença de Deus. A fé também proporciona entendimento de acontecimentos que não podem ser elucidados racionalmente. É isto que o apóstolo enfatiza com as palavras: Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem. Ninguém estava presente por ocasião da criação do mundo. Deus estendeu o véu do mistério para o nosso entendimento humano sobre a formação do cosmos e o começo da esfera terrestre, um véu que os seres humanos provavelmente jamais retirarão. O fato de que neste contexto o apóstolo nos remete à primeira página da Bíblia pode nos mostrar que no relato da criação na Bíblia não se trata de lendas antigas ou concepções mitológicas há muito ultrapassadas, mas de uma revelação confiável de Deus, que no entanto é acessível somente à fé. Precisamente neste ponto a fé se revela como autêntico “sexto sentido” (cf. 1Jo 5.20). À pessoa que crê foi concedido um entendimento da realidade que sempre estará inacessível para o descrente. O v. 3, portanto, intensifica a afirmação que o apóstolo fez no começo do presente trecho, de que a fé “é uma convicção interior de coisas que não se veem” (tradução do autor).
Fritz Laubach. Comentário Esperança Cartas aos Hebreus. Editora Evangélica Esperança.
2. Há um Criador.
Na reflexão de Salomão, Deus aparece do começo ao fim. Em Eclesiastes 12.1, ele fala de Deus como o Criador e em Eclesiastes 12.13, ele mostra Deus como o supremo Juiz. Deus está desde o começo até ao fim! A ideia que o hebraico bara, traduzido como criar, passa é o de moldar e formar a partir do nada. É a mesma palavra usada em Gênesis 1.1, quando diz que “no princípio criou (hb. bara) Deus os céus e a terra”. Foi Deus quem criou, moldou e deu forma a criatura a quem Ele chamou de homem! E mais, criou a partir do nada! Sem Deus o homem é um nada! Forçosamente esse fato nos remete a enxergarmos o homem como a criatura, Deus como o Criador; o homem como ser temporal, Deus como o ser eterno! Esse fato nos ajuda também a encarar a vida com mais humildade e prudência.
Em seu excelente livro Quem é Deus — elementos de teologia filosófica, o teólogo Battista Mondin comenta:
Para o homem, Deus é tudo: sua causa primeira seu fim último, a fonte de sua vida, a luz da sua inteligência, a chama da sua esperança, o objeto do seu amor. Por isso, o homem jamais deve cessar de buscá-lo com todas as forças do espírito, da mente, da vontade, em todos os instantes da sua vida. De fato, “os homens sempre procuram Deus, talvez nos ídolos, nos líderes políticos, no fragor do terrorismo, nos ídolos da música ou do esporte. Procuram alguma coisa de essencial, mesmo sem sabê-lo. Buscam a divindade (...) [...] Deus não pode ser tratado como uma moda, como não podem ser vistos como moda os átomos e as moléculas, a energia atômica e solar, a vida humana, a existência pessoal, o céu e a terra, o homem e o mundo. Com Deus está em jogo toda a nossa existência, presente e futura, a maneira de entender a vida, nosso projeto de humanização, os valores fundamentais aos quais confiamos a realização de nós mesmos. A realidade de Deus não nos é estranha; aliás, é a mais importante que existe; ela delimita o horizonte dos nossos pensamentos, das nossas ações, dos nossos afetos, dos nossos desejos, do nosso próprio ser. Como (e mais do que) o ar que respiramos, a água que bebemos, a luz que nos ilumina. Deus não pode ser uma moda. Ele é a realidade primeira, fundamental, onipresente e onicompreensiva, que nos tira do nada com um puríssimo ato de amor, e com igual amor nos mantém no ser. É para Deus, pois, que corre espontâneo e insistente o nosso pensamento; para ele corre incansavelmente, como “a corça para a nascente da água.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 152-153.
Ec 12.1 Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade. Antes de chegar ao estado lastimável da idade avançada, o autor sagrado recomenda aos jovens que se lembrem de seu Criador. Diversas interpretações têm sido vinculadas a este versículo:
1. Presumivelmente, com o Criador em sua consciência, o jovem agirá corretamente, guardará a legislação mosaica e viverá, dessa maneira, uma vida longa e próspera (Pro. 4.13; Deu. 4.1; 5.33; Eze. 20.1). Mas se esse for, realmente, o sentido, então é provável que este versículo seja uma glosa por parte do editor piedoso, que tentou fazer o livro de Eclesiastes conformar-se melhor à ortodoxia dos judeus.
2. Ou, então, mediante leve emenda, podemos mudar o Criador por cisterna, um sinônimo hebraico para esposa (ver Eclesiastes 9.9). Nesse caso, o triste filósofo estava novamente volvendo os olhos para o seu lema: viver os pequenos prazeres da vida, um dos quais é viver bem com uma boa esposa.
3. Ou talvez este versículo seja determinista: lembra-te que o teu Criador determinou de antemão todas as coisas. Portanto, vive da melhor maneira que puderes; tira vantagem da tua juventude, pois em breve chegará a noite escura da idade avançada e, então, virá o nada finai. Isso nos faria retroceder a Eclesiastes 11.9-10 e formaria, segundo pensamos, uma declaração aceitável por parte do filósofo.
4. Ou, ainda, serve a Deus com o viço da tua juventude; dá o que tens de melhor para o teu Senhor; não Lhe dês as fezes da tua idade avançada; não te tornes piedoso na velhice, entregando a Deus o que tiveres de resto. Se esse é realmente o sentido do versículo, então temos aqui o editor piedoso em ação.
Dá de teu melhor ao Mestre,
Dá da força de tua juventude.
Vestido na armadura inteira da salvação,
Junta-te na batalha pela verdade.
(Sra. Charles Barnard)
Essas palavras expressam um belo sentimento cristão; mas não temos certeza se é isso o que significa a passagem de Eclesiastes 12.1. Talvez a terceira das quatro posições anteriores seja a correta.
“Quando os homens se tornam virtuosos na idade avançada, eles somente fazem a Deus um sacrifício daquilo que o diabo deixou” (Alexander Pope).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2738.
LEMBRA-TE (12.1-8). O homem é uma criatura do tempo. No fim, sua situação de criatura se evidencia inequivocamente em sua dissolução. Certamente que é sabedoria elementar tomar em consideração esse "horizonte" último (Heidegger) em qualquer tentativa de traçar o padrão da existência. Eclesiastes recomenda o franco reconhecimento de nosso estado de criaturas, mesmo na juventude, o período em que isso parece menos evidente e quando a vida parece inextinguível. É somente quando vista nessa perspectiva é que a juventude pode ser corretamente entendida e corretamente desfrutada. O "problema da juventude" que tem assumido proporções tão grandes em nossa época é, em grande escala, consequência de uma falsa perspectiva, em que o horizonte fica indefinido, é a brincadeira de um homem cego com a morte, o que é uma das principais estultícias de nossa era.
Lembra-te do teu Criador (1). É notório como Eclesiastes mostra sua mão aqui. A visão da idade e da morte produz nele não memento morti (lembra-te que deves morrer), mas memento Creatoris (lembra-te do teu Criador). Por esse conceito ele se distingue claramente de todos os céticos, cínicos e epicureus, com quem ele frequentemente tem sido confundido.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Eclesiastes. pag. 25.
I. Você não são o seu próprio, você não tem direito de vocês. Deus fez você, ele é o seu Criador: ele fez que você pode ser feliz, mas você pode ser feliz somente nele. E como ele te criou, para que ele preserva a você, ele se alimenta, roupas, sustenta. Ele fez você capaz de conhecer, amar e servir a ele neste mundo, e de desfrutar-lo em sua própria glória, para sempre. E quando você desfez-se pelo pecado, ele enviou seu Filho para redimi-lo pelo seu sangue, e ele envia o seu Espírito para iluminar, convencer, e tirar-lo longe de infantilidade, de vão e insignificante, bem como de pecadores, perseguições.
II. Lembrar ele, consideram que ele é o seu Criador, o seu Pai amoroso e afetuoso. Na juventude memória é forte e tenaz, mas, através da perversão do coração por causa do pecado, os jovens podem se lembrar de qualquer coisa melhor do que Deus. Se você receber uma gentileza de um amigo, você pode se lembrar que, e sentir gratidão por ele, e que a pessoa é, portanto, amor para você. Alguma vez lhe deu benefícios como o seu Criador? Seu corpo e alma vieram dele, ele lhe deu os seus olhos, ouvidos, língua, mãos, pés, etc Que bênçãos são estes! Como excelente! Como útil! Como necessário e você vai esquecer-se dele?
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
12.1 — Lembra-te do teu Criador. Salomão não está sugerindo um mero reconhecimento da pessoa de Deus; usando termos bíblicos vigorosos, ele convoca o homem aos atos adequados que acompanham esse reconhecimento. Por exemplo, quando o Senhor se lembrou de Ana (1 Sm 1.19), Ele fez mais do que simplesmente trazê-la à memória; Ele agiu em seu favor, e ela concebeu um filho. Ao lembrarmo-nos dele, devemos fazê-lo com pensamentos, palavras e ações.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 1005.
II - OS DOIS GRANDES MOMENTOS DA VIDA
1. A juventude.
Salomão, portanto, discorrerá sobre a mocidade, da juventude se valendo de várias figuras que retratam com vivacidade esse estágio da vida. O alvo é mostrar a nossa finitude e com isso nos fazer enxergar quão frágeis somos diante da vida. “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade” (Ec 12.1). Em Eclesiastes 11.9, ele já havia falado da juventude como uma fase de “recreação”, de “satisfação” e “primavera”. Todas essas metáforas criam uma imagem de exuberância que é característica da juventude. Na juventude, portanto, ninguém costuma se preocupar com lembranças, fazer memorial, guardar a história. Daí a exortação da necessidade de termos um referencial na vida e andarmos sempre com os olhos fitos nele. Em o Novo Testamento o autor sagrado mostra quem é esse referencial (Hb 12.2).
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 154.
JUVENTUDE
Os antigos conceitos sobre a infinda e a juventude são muito imprecisos para nós. Não existe qualquer termo, no hebraico ou no grego, para indicar o período da puberdade e da adolescência, o que significa que os conceitos sobre a idade juvenil são, realmente, vagos. Todavia, pode-se dizer que as mulheres eram chamadas de «virgens» ou «donzelas» enquanto não se casassem, sem importar a idade; e um homem era considerado jovem desde a .infância até à idade adulta, a que, conforme a concepção dos antigos, chegava aos vinte e um anos.
Há uma certa variedade de vocábulos hebraicos que podem ser traduzidos por «jovem», conforme se vê na lista abaixo (damos apenas os termos principais).
1. Bachur, «jovem», «solteiro». Palavra que é empregada por quarenta e cinco vezes no Antigo Testamento, conforme se vê, por exemplo, em Deu. 32:25; Jui, 14:10; Rute 3:10; I Sam. 8:16; II Crô. 36:17; Sal. 78:63; Pro. 20:29; Ec1. 11:9; Isa, 9:17; ler. 6:11; Lam. 1:15; Eze. 9:6; 1001. 2:28; Amós.2:11.
2. Naar, «jovem», literalmente, «em crescimento». Palavra usada por cerca de cento e oitenta vezes com esse sentido, porquanto também significa «servo», «criado.., conforme se vê, por exemplo, em Gên, 14:24; 18:7; ExQ. 10:9; Núm. 11:27; Deu. 28:50; Jos. 6:21; Juí. 8:14; I Sam. 1:24; II Sam. 1:5; I Reis 11:28; II Reis 4:22; I c-e, 12:28; 11 Crô. 13:7; Est. 3:13; Jó 1:19; Pro. 1:4; Isa, 13:18; Jer. 51:22; Lam. 2:21. A forma feminina dessa palavra hebraica, naarah, aparece por sessenta e duas vezes, conforme se vê, para exemplificar, em Gên. 24:14; Deu. 22:15,16; Jui, 19:3-6,8,9; Rute 2:5,6, I Sam. 25:42; I Reis 1:3,4; Jui. 21:12; Ester 2:2,3; Jó 41:5; Pro. 9:3,27; Amós 2:7.
3. Neurim, «jovens», «juventude». Esse termo ocorre por quarenta e seis vezes, conforme se vê, por exemplo, em Gên. 8:21; Lev. 22:13; Núm. 30:3; I Sam. 17:33; 11 Sam. 19:7; I Reis 18:12; re 13:26; Sal. 25:7; 71:5,17; Pro. 2:17; Jer. 2:2; Lam. 3:27; JoeI1:8.
4. Alumim, «jovens .., «juventude». Palavra que aparece por quatro vezes no Antigo Testamento: Jó 20:11; 33:25; Sal. 89:45; Isa. 54:4.
Embora outros termos também possam ser interpretados como «jovem.. ou «juventude», eles têm outros significados mais primários, pelo que não os mencionamos aqui.
No Novo Testamento, por igual modo, temos várias palavras gregas envolvidas, a saber:
1. Neôtes, «juventude». Esse vocábulo foi usado por quatro vezes: Mar. 10:20; Luc. 18:21; Atos 26:4 e I Tim.4:12.
2. Neanias, «jovem». Palavra empregada por quatro vezes: Atos 7:58; 20:9; 23:17,18.
3. Neanlskos, «jovem, na flor da vida». Vocábulo que ocorre por onze vezes: Mat. 19:20,22; Mar. 14:5).; 16:5; Luc. 7:14; Atos 2:17 (citando Joel 3:1); 5:10; 23:18,22; I João 2:13,14.
O primeiro desses vocábulos gregos, neôtes, literalmente significa «novato», e, por extensão, «juventude», no sentido de «maço», «adolescente». Foi comumente empregado pela Septuaginta para traduzir os termos hebraicos alistados acima. O homem que veio indagar de Jesus o que fazer para obter a vida eterna, ao ser instruído que deveria guardar os mandamentos, comentou: «Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude». E o trecho paralelo de Mateus 19:20 acrescenta a esse comentário do homem, uma pergunta: «...que me falta ainda? Tal pergunta é extremamente importante em nossa consideração, porquanto mostra que o homem imediatamente percebeu que a guarda dos mandamentos não era suficiente para a salvação de sua alma. E como se ele tivesse dito: «Tenho observado os mandamentos por toda a minha vida adulta, e isso não me salvou! ..
Paulo mostrou que era bom conhecedor da cultura e dos costumes judaicos, desde a sua «mocidade», conforme diz nossa versão portuguesa, em Atos 26:4. Timóteo, encarregado da liderança cristã, pelo apóstolo Paulo, tinha uma desvantagem material, a sua pouca idade. Por isso é que Paulo recomendou: «Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé. na pureza" (I Tim. 4:12). Em outras palavras, ele deveria lutar contra aquelas tendências que. usualmente. caracterizam. Aos jovens, quanto ao seu lado pior - um procedimento leviano, o egoísmo quase infantil, uma fé pouco desenvolvida e a tendência natural para as questões sexuais, com pouca pureza de pensamentos. Paulo repete esses conselhos a Timóteo, em sua segunda epístola a esse jovem, conforme se lê em II Tim. 2:22: «Foge. outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que. de coração puro, invocam o Senhor. E repele as questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram contendas...
Há uma grude potencialidade nos jovens de ambos os sexos, quando se tomam servos de Deus. Disso as Escrituras nos dão abundantes provas. Basta que nos lembremos de jovens como José, Samuel, Davi.
Maria, o próprio Timóteo, e tantos outros, para termos ilustrações preciosas dessa grande verdade. Do alto de sua grande experiência, escreveu o apóstolo João aos jovens crentes: «Jovens. eu vos escrevo porque tendes vencido o maligno.. , Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o maligno" (I João 2:13 e 14). Isso mostra-nos do que um jovem, impulsionado e ensinado pelo Espírito de Cristo, é capaz.
Os jovens, geralmente, são acusados de pouco juízo e de muitas infantilidades, e isso, na maioria das vezes, com toda a razão. Sabedor desse fato foi que Paulo recomendou a Tito: «Quanto aos maços, de igual modo, exorta-os para que. em todas as causas, sejam criteriosos.. (Tito 2:6). Mas, se for vencida essa tendência para a falta de sobriedade mental, um jovem pode ser de grande utilidade no reino de Deus.
De fato, todas as melhores qualidades de caráter podem chegar a residir em um jovem, embora. Nos anos de maior maturidade, ele venha a tornar-se um servo de Deus ainda mais bem preparado. Foi o caso, por exemplo, de Daniel e seus três companheiros judeus de exílio, Hananias, Mísael e Azarias. Verdade é que eles eram seletos. porquanto pertenciam à linhagem real de Judá. Mas, o grande segredo daqueles quatro jovens judeus encontra-se em Daniel 1:17: «Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos», Eles destacavam-se dos demais jovens, e até mesmo sobressaíam a sábios de mais idade, porque o Espírito de Deus estava com eles.
«Em toda matéria de sabedoria e de inteligência, sobre que o rei (Nabucodonosor) lhes fez perguntas. os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo' o seu reino.. (Dan. 1:20). E a fortaleza de fé daqueles jovens judeus também foi notável. De certa feita, ameaçados de, serem mortos na fornalha de fogo, três deles. Hananias, Misael e Azarías, responderam com grande maturidade e com uma fé que não vacilava: «Se o nosso Deus. a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente. e das tuas mãos, ó rei. Se não. fica sabendo, o rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.. (Dan. 3:17,18). Bem poucas pessoas adultas teriam demonstrado tão corajosa e inflexível decisão em sua fé. E sabemos que o Senhor honrou a fé daqueles jovens. deixando uma profunda lição objetiva para pessoas de todas as idades. Deus jamais se mostra indiferente para com aqueles que se põem ao seu lado, com fé e coragem.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 688-689.
Ec 11.9 Alegra-te, jovem, na tua juventude. Que podemos dizer agora aos jovens tão plenos de entusiasmo? Devemos dizer-lhes as mesmas coisas que dizemos aos homens maduros. Vocês têm a juventude, usem-na nos pequenos prazeres da vida, animem o coração com as coisas que parecem boas; cumpram o que seus olhos pedem, obtendo coisas boas e agradáveis. Mas Deus implantou no entretecido da própria existência Seus inevitáveis julgamentos contra os excessos. Por outra parte, provavelmente vocês sofrerão grandes reversões, independentemente de viverem em meio a excessos ou de maneira moderada. Contudo, se vocês quiserem tirar proveito dos pequenos prazeres da vida, isso é o melhor que poderão fazer.
Além disso, tentem tirar da mente, enquanto vocês são jovens, o fato da negridão do nada que fatalmente virá. Essa condição em breve chegará. O triste filósofo novamente enfatizou seu lema de vida: os prazeres moderados, com os quais um homem poderá apimentar sua vida, para aliviar um pouco suas misérias. Dou notas expositivas completas sobre esse aparente epicurismo, em Eclesiastes 2.24-25. A verdadeira posição do autor, entretanto, era a do niilismo: não existem valores reais e duradouros na existência humana. Portanto, temos aqui um pacote entristecedor, como sempre: Epicurismo (um valor falso), misturado ao Pessimismo (a verdade real das coisas) e ao Niilismo (a verdadeira avaliação da vida). Ver esses termos na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.
O triste filósofo apresentou-nos o falso summum bonum da vida. Ele não tinha coisa alguma melhor para dizer, razão pela qual o disse novamente. Sua doutrina era reptiliana. Ele nunca adquiriu asas para voar acima de sua melancólica doutrina.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2738.
Na juventude as energias e alegrias são tão reais que chega a ser difícil considerar os outros três fatores; por isso, o Pregador precisa dar o conselho de Deus. As pessoas podem e devem aproveitar a vida. Alegra-te, jovem, na tua mocidade, [...] e anda pelos caminhos do teu coração (9). Hendry escreve que as pessoas deveriam aceitar a juventude com suas bênçãos e oportunidades, com o reconhecimento sóbrio de que tanto a juventude como a idade estão sujeitos aos desígnios de Deus”.
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 464.
O conselho sadio (vv. 9 e 10).
Regozija-te. É um corolário dado por Eclesiastes à doutrina do tempo. Agora é o teu tempo, diria noutras palavras, porque vem o tempo quando dirás: "Passou o meu tempo." O tempo dos jovens em nada Interfere cora o tempo dos idosos; cada qual tem o seu tempo, e se os anciãos deixaram passar o seu tempo e agora não o terão mais, quem será culpado? Por
isso o moço é aconselhado a alegrar-se na sua juventude (v. 9). Não é, entretanto, uma tentativa de levar além dos limites a juventude, como querem certos velhotes, ao se fazerem passar por moços. As bênçãos da juventude sadia, equilibrada, são uma bênção dada pelo Criador, quando a vida tem mais encantos e mais sorrisos, quando o nosso sistema celular funciona com vigor. Depois passou. Uma compreensão dos valores da mocidade é necessária e um sadio comportamento, a um equilibrado modus vivendi. Não acreditamos nessas extravagâncias de muitos moços que, por causa da sua mocidade, se vestem extravagantemente, como os hippies, ou se portam loucamente, como os tolos. Equilíbrio e boa saúde é o que se preconiza na mocidade. Recreie-se o teu coração... e anda pela vista dos teus olhos, mas... Este terrível MAS é como o freio posto na boca do cavalo, para não ir para onde o capim está mais verde, porque pode ser capim do vizinho. O moço deve alegrar-se, mas ter cuidado; e em nenhum estágio da vicia se requer maior cautela do que na mocidade, pois os impulsos, os apetites carnais e sexuais são como demônios desenfreados, que podem arrastar o jovem por caminhos que lhe arruinam a vida. Nunca a mocidade esteve tão mal orientada por idéias liberais ou libertinas como atualmente. O desenvolvimento de doenças venéreas nos Estados Unidos é qualquer coisa que está assombrando, as autoridades, e já se prevê que, em pouco tempo, se igualarão às da Suécia e da Noruega, os países onde é mais devastadora esta doença social. É o resultado do desenfreamento da mocidade, o tal "amor livre", que está arruinando a juventude e a família. Em cada cinco moças não se encontra uma virgem; e, perguntando-se a 10 jovens o que pensavam da virgindade como pré-requisito para o casamento, deram os ombros, como se fosse exigência do passado. Os resultados dessa liberalidade social aí estão para todos verem. Sempre houve doenças sociais, mas nunca nessa escala moderna, por causa dessa liberdade sem limites em que a mocidade se encontra. O alegrar-se o moço e andar pela vista dos seus olhos é normal. MAS... Para não sobrecarregar estas notas, deixamos de incluir aqui algumas estatísticas aterradoras, parte do trivial da vida social moderna. Para um moço ser alegre e feliz não precisa resvalar-se para a vala da libertinagem, pois os seus recursos de jovem também se gastam e, quando mais tarde
precisar deles, não os terá mais. Moço, alegra-te na tua juventude e recreie-se o teu coração, MAS... sabe que de tudo vais dar contas a Deus.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
HEBREUS 12:2. Outra palavra incomum é o verbo traduzido olhando firmemente para... Jesus (aphorõntes eis) que sugere a pessoa desviando firmemente o seu olhar doutras pessoas e dirigindo sua atenção à Jesus. Sugere a impossibilidade de olhar em duas direções ao mesmo tempo. Em qualquer certame, o olhar fito somente na meta final é essencial, e o escritor transforma este pensamento no meio de focalizar o próprio Jesus. Na verdade, a injunção ética é absorvida numa declaração doutrinária. Não é sem razão que o nome escolhido aqui é Jesus, enfatizando, assim, a Sua humanidade (como no capítulo 2). Um alvo deve ser reconhecível, e o escritor está exortando seus leitores a fixar seus olhares no mais perfeito exemplo de humanidade.
As descrições adicionais, Autor (archègon) e Consumador (teleiòtên), são altamente sugestivas. No seu conjunto, abrangem a gama total das atividades de Jesus com relação à nossa fé. Embora a palavra archêgos possa ter o significado de “fundador” (assim MM) no sentido de Autor, também pode ter o significado de “líder” ou “pioneiro” (cf. o comentário sobre 2.10).
Talvez alguém pense que Jesus não foi o pioneiro da fé para os que foram mencionados no capítulo 11, porque veio historicamente depois deles. Mas o escritor parece considerar Jesus como Aquele que forneceu a inspiração para todos os santos da antiguidade. A segunda palavra ocorre no Novo Testamento somente nesta passagem e não ocorre na Septuaginta. Retrata o mesmo pensamento de outras partes da Epístola onde ocorre o verbo cognato (teleioõ, usado 9 vezes). O objeto destas atividades de Jesus é descrito como sendo a fé (tês pisteõs), uma expressão usada aparentemente para resumir a totalidade da posição cristã.
A ligação de alegria com sofrimento neste versículo, ecoa um tema constante no Novo Testamento. Até mesmo na véspera da Sua Paixão, Jesus falava da Sua alegria e do Seu desejo de que Seus discípulos participassem dela (Jo 15.11; 17.13). É altamente provável que os discípulos se lembrassem deste fato notável quando, mais tarde, refletiram sobre a Paixão de Jesus. O escritor não considera necessário delongar-se aqui sobre o tema da alegria, mas atribui alguma importância ao fato de que lhe estava proposta, o que sugere que estava acima de todas as outras coisas. Há certa correlação entre a carreira que nos está proposta e a alegria que estava proposta a Jesus. Nos dois casos os processos de salvação estão nas mãos de Deus.
O sofrimento está focalizado na cruz. A ideia de perseverança já foi introduzida no v. 1, mas aqui temos o seu exemplo supremo. É reforçada pela cláusula acompanhante; não fazendo caso da ignominia, atitude esta que não desconhece a ignomínia, mas que a considera sem importância em comparação com a alegria.
A posição de Jesus, assentado à destra do trono de Deus, ecoa a ideia expressa em 1.3 e 8.1. A Paixão é vista como parte do caminho ao trono.
Como ocorre tão frequentemente no Novo Testamento, a cruz é imediatamente ligada com a glorificação. Nunca é vista como um fim em si mesma, porque, neste caso, sugeriria uma tragédia ao invés de um triunfo.
DONALD GUTHRIE .Comentário Bíblico Cultura Cristã. Hebreus. Editora Vida Nova. pag. 234
Heb 12.2 Na condução da luta, toda guerra requer uma tática correspondente às condições reais. A luta espiritual da fé requer o enquadramento nas regras da luta espiritual. Aquilo a que o apóstolo Paulo alude com as palavras: “As armas da nossa milícia não são carnais” (2Co 10.4), é melhor explicado em 2Tm 2.5: “O atleta que toma parte numa corrida não recebe o prêmio se não obedecer às regras
da competição” (BLH). O presente versículo contém regras decisivas para a luta da fé: olhar firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus. Uma tradução exata deveria ser: “Tirar o olhar” – em direção a Jesus. Devemos desviar nossa visão da tribulação e do pecado, fixando o olhar da fé em Cristo. Na vida espiritual vale a lei: o que miramos ganha poder sobre nós. Quando nos deixamos aprisionar pelas preocupações e dificuldades do cotidiano, nossa vida de fé perderá a alegria. O olhar para as ondas fez com que Pedro desanimasse e afundasse (Mt 14.30). Levantar os olhos para Jesus significa contar com a realidade do Deus invisível, olhar para o Invisível. Sem dúvida, a ação prática do cristão também faz parte disto: “fixar o olhar em Cristo” com certeza não significa que fiquemos por longo tempo olhando para uma cruz de madeira ou metal, que está posta sobre um altar ou pendurada na parede de uma casa de oração. Tampouco significa que nos aprofundemos contemplativamente na pintura de Cristo de uma artista famoso. Ambas as coisas certamente poderão ser um auxílio para a meditação. Em contrapartida, podemos repetidamente “olhar para Cristo” ao lermos a Bíblia com devoção, e do mesmo modo na comunhão com outros cristãos, quando escutamos conjuntamente a palavra de Deus proclamada e nos encontramos com os membros da igreja para a oração. Afinal, não estamos lidando com um Senhor ausente, ou até com alguém há muito falecido. Todos os membros da igreja de Jesus vivem da força do Cristo presente. O Espírito Santo quer nos conscientizar em cada tribulação, em cada provação da fé, de que Jesus Cristo vive pessoalmente em nós. Quando tomamos “da sua plenitude, com graça sobre graça” (Jo 1.16 [RC]), quando vivemos hoje no poder do Senhor ressuscitado, concretizamos o que o relato do evangelista declara acerca dos discípulos: “a ninguém viram, senão Jesus” (Mt 17.8). Afinal, ele não somente é o Iniciador da fé, o “Líder” da procissão de testemunhas da fé que o apóstolo expôs diante de nós em Hb 11. Jesus também é o Consumador da nossa fé. Nas palavras do apóstolo reside uma exortação incontornável para a humildade e modéstia. Ninguém de nós levou-se a si próprio para a fé. A participação da salvação é presente divino. “Somos feitura dele” (Ef 2.10). Ao mesmo tempo reside nestas palavras uma promessa consoladora da esperança que auxiliará almas atribuladas. Deus não deixará pela metade a obra graciosa que começou. Ele próprio está empenhado no aperfeiçoamento de nossa jornada de fé (Hb 10.14). Neste ponto unem-se pensamentos de Hb com as palavras do apóstolo Paulo: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). Por ter alcançado o alvo, Jesus tem a capacidade de trazer consigo outros através do seu exemplo. Em troca (“por causa” [BLH]) da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Aflição e aperto, pelos quais a igreja tem de passar, aparecem numa luz diferente quando ganhamos a visão para o sentido oculto de todo sofrimento. Já em Hb 1.2-4 e 2.5-9, assim como em Hb 10.5-7, o apóstolo indicou que a trajetória do Cristo na auto-entrega de sua vida na cruz conduz à glória (cf. Fp 2.5-11). Mais uma vez reluz, agora, a glória oculta de Cristo. Ele trilhou voluntariamente o caminho da vergonha. Por isto Deus o coroou com glória eterna. A frase relativa em grego é introduzida com as palavras: hos anti tes prokeiménes autou charás e pode ser entendida em sentido duplo, porque o termo anti pode ser traduzido de duas maneiras: como “em lugar de” e “por”. Em decorrência, por um lado o sentido pode ser que: Jesus suportou a cruz em lugar da alegria que estava diante dele. Ele poderia ter permanecido junto do Pai na glória. O mundo da paz eterna e da alegria inexprimível era seu ambiente de vida. Mas Jesus empenhou tudo para a nossa remissão. Ele abandonou a existência na glória, tornou-se pessoa e morreu na cruz. Quando escolhemos a outra possibilidade de tradução, a frase expressará que Jesus suportou a cruz pela (com vistas à) alegria que estava diante dele. Neste caso, não pensamos em primeiro lugar na alegria celestial, a qual abandonou, mas sim na alegria de uma redenção eterna para todo o mundo perdido, a qual conquistou por meio de sua morte na cruz. O prêmio da alegria, pelo qual Jesus empenhou tudo, foi a exaltação à destra de Deus: ao se cumprir a profecia do Sl 110.1 no dia da ascensão, Deus confirmou a eterna condição de Jesus como Filho de Deus.
Fritz Laubach. Comentário Esperança Cartas aos Hebreus. Editora Evangélica Esperança.
Heb 12.2 — Olhando, aqui, significa fixando os olhos de forma confiante. Precisamos concentrarmos de forma constante em Cristo, em lugar de nas circunstâncias.
Consumador. Cristo fez tudo o que foi necessário para que ganhássemos fé e nela permanecêssemos. E Ele nosso exemplo e modelo, porque se concentrou no gozo que lhe estava proposto. Sua atenção não estava enfocada na agonia da cruz que o esperava, mas na vitória sobre o mal, para glória do Pai; não no sofrimento, mas na salvação que iria propiciar à humanidade e na recompensa que isso traria para todos.
Assentou-se. Jesus está à destra do trono do Pai, para, ao final, vir a ser entronizado também (Ap 3.21).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 662.
2. A velhice.
Se a juventude é vista como um estágio onde se começa a viver a vida com toda a sua intensidade, a velhice aparece como um estágio final onde nada disso parece fazer mais sentido. Aqueles corpos fortes, cheios de vigor, agora estão alquebrados pelos anos e dando sinais claros que estão parando. O sábio não doura pílula, mas mostra de uma forma metafórica como a velhice é bem diferente da juventude. O prazer já não será aquele de antes, o sol não terá mais aquele mesmo esplendor, braços, pernas e dentes já não serão tão fortes, os olhos já não enxergam tão bem, a voz se torna fraca e os ouvidos já não escutam com precisão, o apetite já não é mais o mesmo e os cabelos já embranqueceram. Enfim, é um vaso frágil e sujeito a quebrar a qualquer instante!
Lançando mais luz sobre este texto, o Comentário Bíblico Vida Nova sublinha:
A redução da luz (2a) se refere a diminuição da capacidade de se alegrar. O retorno das nuvens (2b) se refere à sucessão de perplexidades, quando a velhice se aproxima. Guardas da casa é uma referência aos braços; os homens outrora fortes, as pernas; os moedores da boca, aos dentes; os teus olhos nas janelas é uma referência à visão (3). O versículo 4 faz várias referências à audição debilitada, ao envolvimento reduzido com o mundo exterior e ao sono irregular. O verso 5 (deixando a representação um pouco de lado) fala do medo de altura. Como floresce a amendoeira é uma alusão ao cabelo embranquecendo. Gafanhoto retrata o andar desajeitado. Perecer 0 apetite significa que o desejo sexual diminuiu. A morte (a casa eterna) e o pranto vêm em seguida. O verso 6 apresenta duas figuras da morte: em uma, um copo de ouro está preso ao fio de prata; a morte rompe a corrente. A segunda figura é a de um cântaro quebrado junto à fonte. A morte ocorre quando a roda se desfaz, o cântaro se quebra, e as águas da vida não são mais renovadas. O versículo 7 dispensa o recurso as figuras.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 155-156.
Ec 12.2 Antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do esplendor da tua vida. Este versículo reforça o vs. 1 deste capítulo. O sol traz o que é doce e agradável (Eclesiastes 11.7) e a luz (o dia da juventude) fica tão brilhante que enche a vida com uma falsa esperança. Além disso, há o brilho da lua e das estrelas. Todos esses corpos luminosos dão luz a este mundo tenebroso; assim, a juventude tem a sua luz, e faz-se dia ou, pelo menos, uma noite devidamente iluminada. Mas a terra inteira ficará entre trevas quando chegar a noite da idade avançada; então, haverá a noite eterna, quando a morte apagar todas as lâmpadas. E mesmo depois que as chuvas cessarem e o sol romper novamente, luminoso, as nuvens retomarão para criar outra tempestade. Isso posto, a natureza é imprevisível, e a traiçoeira juventude será suplantada pela ainda mais traiçoeira idade avançada. Portanto, o conselho do triste filósofo à juventude é: “Anda na luz da juventude, enquanto ela perdurar”, pois a verdade é que não perdurará por longo tempo. Quando você for velho, olhará para trás e dirá: “Como foi que eu envelheci?”. Você olhará para o espelho e não acreditará no que estiver vendo.
Ec 12.3 No dia em que tremerem os guardas da casa. A casa é o corpo humano. Nos sonhos e nas visões, uma casa com frequência simboliza o corpo humano. Agora estamos chegando ao exame do que acontece ao corpo (casa) do homem velho. As pessoas que cuidavam da casa, para ter certeza das boas condições de saúde, tomavam precauções para preservar essas boas condições físicas. Mas quando chegavam as tempestades da idade avançada, os guardas do corpo (talvez sejam as mãos e os pés) eram derrotados e postos em fuga. Os homens fortes que tinham por incumbência proteger a casa falhavam quando soldados inimigos se aproximavam e ameaçavam a pessoa de morte. Ou talvez as ameaças partissem de elementos criminosos que invadiam a casa. Assim sendo, o corpo de um homem idoso fica sujeito aos ataques de grande variedade de inimigos que matam seus defensores.
Os moedores da boca eram as mulheres que supriam a casa com alimentos. Quando inimigos se aproximavam, os moedores deixavam suas tarefas e fugiam. Essas mulheres representavam as medidas tomadas para preservar a saúde do corpo, como o alimento. O alimento nutre o corpo e o mantém vivo, mas chegaria
o tempo em que esse ofício nada significaria. As pessoas olhavam pelas janelas para ver o que estaria ocorrendo do lado de fora; talvez homens maus ficassem sob vigilância, ou talvez isso represente maus acontecimentos. Os moedores, pois, olham para fora, cuidando das tribulações, a fim de evitá-las. Os moedores talvez simbolizem os olhos dos homens, que são um dos fatores da defesa do indivíduo. Assim, também esses moedores podiam falhar, conforme o homem envelhecesse. A visão do homem falha, do mesmo modo que as demais faculdades físicas. Mas os moedores também podem ser os dentes, que se enchem de cáries e caem. Esse é um símbolo nos sonhos e nas visões de morte.
“Naquele tempo, teus braços perderão as forças; tuas fortes pernas tornar-se-ão fracas e tortas; teus dentes cairão, e já não poderás mastigar; teus olhos não mais verão com clareza” (NCV). Símbolos possíveis: “guardas" = mãos, braços e pernas; “homens outrora fortes” = defesas naturais do corpo; “moedores" = dentes; “teus olhos nas janelas” = olhos.
Ec 12.4 Os teus lábios, quais portas da rua. No hebraico, “portas" está no número dual, indicando “portas duplas”, ou seja, portas com duas folhas. Poderiam estar em vista os maxilares ou os lábios, ou, mais provavelmente, os ouvidos. Os ouvidos também falham quando um homem envelhece. A surdez corta um homem do mundo externo, fato ilustrado inúmeras vezes. Moer os grãos de cereais faz um forte ruído, mas um homem quase surdo não se preocupa com isso. Quando a música está tocando na casa, o pobre homem não pode ouvi-la ou apreciá-la. Ironicamente, porém, o barulho suave dos passarinhos, que cantam ao amanhecer, o despertam e perturbam o seu sono! E assim, o homem idoso não pode descansar à vontade. Devido a muitos anos de formação de hábitos, o homem velho acorda de manhã cedo, mas para quê? Ele nada tem para fazer, exceto continuar ali, deitado, com pensamentos lúgubres. Talvez as “aves” aqui mencionadas sejam os maus presságios. Essas aves levantam suas vozes; o homem, quase surdo, as ouve muito bem. A morte já está a caminho. Cf. Sal. 102.6-7 e Sof. 2.14.
As atividades do dia, no Oriente Próximo e Médio, começavam ao amanhecer, sem relógio despertador. Os galos viviam cantando nessas horas matinais, e outro tanto faziam os pássaros. Os homens levantam-se com o ruído produzido pelas aves, e o homem idoso e doente desperta, mas não tem forças para levantar-se.
Ec 12.5 Quando também temeres o que é alto. Mais descrições sobre a lamentável idade avançada e sobre a morte. A essência da declaração é: um homem vive cheio de temores e ansiedades, tais como aqueles que atacam as pessoas que temem lugares elevados; ele temerá dar um passeio a pé, receando cair e quebrar as pernas frágeis; os cabelos tornam-se brancos como as flores de uma amendoeira, pois o dia de sua juventude definitivamente terminou; ele está aleijado e, se pode continuar andando, manqueja como se fosse um gafanhoto. Seus desejos o abandonam, incluindo-se o impulso sexual, e ele se torna um impotente! Essa é uma das coisas mais temidas pelos homens idosos. Então, o homem morre e isso significa o fim de tudo. Poucos amigos reúnem-se em seu funeral e ali lamentam, talvez artificialmente, a sua morte; mas a maioria dos presentes diz: “Oh, ele era apenas um homem velho, chegou o seu tempo”. E amanhã, quem se lembrará dele?
Símbolos Empregados:
1. O lugar alto espanta muita gente (e não somente as pessoas idosas); simboliza todas as espécies de coisas que causam ansiedades e temores nos idosos.
2. A amendoeira, cuja castanha era um fruto muito apreciado como acepipe, agora tem somente flores brancas, simbolizando as cãs da pessoa idosa. O idoso não tem mais estômago para alimentos saborosos.
3. O gafanhoto é um inseto que voa muito bem, mas, se tenta caminhar, só sabe arrastar-se pelo chão. Um homem idoso é como um gafanhoto que perdeu as asas. Ele só se arrasta pelo chão, daquela maneira típica.
4. A alcaparreira (tradução da Septuaginta), que supostamente tinha propriedades afrodisíacas, não mais surte efeito no homem idoso. Ele se tornou impotente. Além disso, seu estômago não mais lhe permite comer como antes. De modo geral, seus desejos estão amortecidos ou mortos.
Casa eterna. Ou seja, o sepulcro, o lugar do silêncio eterno. Não se encontra aqui a esperança da vida eterna e do lar eterno, nos céus, embora alguns estudiosos cristianizem este versículo para significar precisamente isso. Tal ideia é completamente estranha ao sistema do triste filósofo (ver Eclesiastes 3.18-20).
Ec 12.6 Antes que se rompa o fio de prata. Mais símbolos sobre esta fútil vida terrena:
1. Um fio de prata pode ser usado para suspender uma taça preciosa ou outro objeto de decoração. Se esse fio se romper, então o enfeite se despedaçará no chão, tornando-se inútil. Esta parte do presente versículo tem sido tradicionalmente compreendida como o fio de prata, uma forma de energia que se parece com uma corrente de prata, corda fina que liga o corpo físico ao corpo espiritual e imaterial, ou alma. Essa energia tem cerca de 5 cm de espessura, parecida com filamentos de eletricidade, que formam uma espécie de cadeia. Trata-se de uma corda umbilical espiritual, e, quando esse fio se rompe, há separação final entre o corpo físico e a alma. E então que a pessoa morre. Esse tio de prata já foi visto por pessoas que têm alguma experiência fora do corpo, ou por aqueles que entram nos primeiros estágios da morte, que se chama “experiências de quase-morte”. Ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o artigo chamado Experiências Perto da Morte. Ver também, no Dicionário, o verbete intitulado Corda (Cordão) de Prata. É possível que essa parte do versículo seja um reflexo de antigas experiências nas quais os homens viram essa corda ou fio de prata. Mas é indiscutível que o nosso filósofo pessimista não fazia esse tipo de aplicação da questão. Isso, entretanto, não nega a veracidade de tal experiência.
2. O vaso ou objeto ornamental que estava suspenso pelo fio de prata, quando este se rompeu, se quebrou. Talvez esta parte do versículo seja independente da outra. Um homem pode quebrar acidentalmente um vaso precioso, sem que seja dito como a coisa sucedeu. Isso simboliza a morte. O vaso é o homem ou seu corpo. O corpo se “parte", morre, e é o fim da história daquele homem na terra.
3. Um pote quebra-se acidentalmente nas mãos de uma mulher que o levara à fonte ou ao poço, e torna-se inútil. Temos aí outra figura simbólica da morte.
O pote quebrado não mais contém água em seu interior. Antes, morreu.
4. A roda junto ao poço, o aparelho que era empregado para tirar água do poço, quebra-se e torna-se inútil. Por semelhante modo, o corpo de um homem, cheio de mecanismos e funções maravilhosas, desconjunta-se completamente e torna-se inútil. O homem está morto. Estabelece-se a putrefação. Talvez a roda (o sarilho), o aparelho que há à beira do poço, faça alusão ao coração.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2738-2739.
Idade Avançada (12.1b-5)
Os maus dias (1) aqui se referem à velhice, não à morte, como no capítulo 11.8. O mal desses dias está na sua miséria e limitações (cf. 2 Sm 19.33-35). Não tenho neles contentamento se refere às experiências anteriores da vida que ofereciam alegria. Em toda literatura ninguém retratou de maneira tão comovente a velhice. Aqui de fato está “a música da mortalidade”. O texto é obscuro em alguns lugares, e a linguagem é a imagem do poeta. Não se tem concordância de interpretação em relação a algumas frases, mas o significado está claro e é maravilhoso em quase todas as traduções.
A velhice é vista como um tempo de luz efêmera e de dias escuros de inverno. As nuvens (2) dão a entender depressão e a chuva pode ser entendida como lágrimas. (AT Amplificado). “O esplendor e a alegria, o calor e os raios de sol, se esvaíram”.4 Os guardas da casa (3) são os braços que se enfraquecem e as mãos que tremem. Os homens fortes são as pernas que se curvam com a idade. Os moedores são uma figura retórica para os dentes. A tradução literal é: “criadas moedoras”; é uma referência ao costume do Oriente segundo o qual os grãos eram moídos pelas mulheres. A expressão se escurecerem os que olham pelas janelas é uma referência aos olhos que já não enxergam.
Rankin6 interpreta todo o versículo 4 como um processo de surdez. Assim as janelas seriam os ouvidos6 que, quando fechados, deixam para fora os sons da rua. O ruído da moedura é o som habitual da vida na casa. A voz das aves é como soa a voz do surdo: aguda e parecida com a dos pássaros.7 Para o surdo “todas as notas de uma música ficam mais fracas” (Smith-Goodspeed).
No versículo 5, a imagem da casa é deixada de lado, mas a descrição da velhice continua. O que está no alto descreve o temor em relação às alturas por causa da instabilidade, tontura ou brevidade da respiração. Espantos no caminho é uma referência aos perigos de uma caminhada devido à falta de agilidade e risco de quedas. A amendoeira florescente (aberta em flores brancas) é uma figura de linguagem poética para os cabelos grisalhos. O gafanhoto for um peso é geralmente interpretado como se até mesmo um objeto pequeno fosse difícil de ser carregado.8 Perecer o apetite é traduzido de maneira mais literal como: “o negociante de bagas é ineficiente” (Smith- Goodspeed). No tempo de Qoheleth, essa baga [tipo de fruto carnoso e comestível] era usada para estimular o desejo sexual; por essa razão, a versão Berkeley diz que “o desejo do homem se vai” (nota de rodapé). Um significado mais amplo, e um fato real da vida, é sugerido pela ARC, isto é, que todos os apetites naturais já não são tão intensos como no início da vida. Moffatt convenientemente conclui essa descrição do período final da vida da seguinte forma:
Então o homem vai para o seu longínquo, longínquo lar, e pranteadores passam pela rua.
Mas devemos nos lembrar de algumas coisas que Qoheleth não incluiu. Atkins expressa a sua conclusão de forma muito interessante: “Se a velhice não for perseguida por fantasmas demais como remorsos e medos, pode ser um tempo gracioso de tranquilidade, com os tesouros das lembranças, a recompensa dos filhos dos filhos, a abençoada camaradagem da mente e do espírito — e do descanso. Como um fim de tarde num dia de verão, quando as nuvens já cobriram quase todo o céu, mas a luz ainda tarda mais um pouco, e ainda se ouvem algumas notas musicais dos pássaros nas copas das árvores, e esse crepúsculo é paz. Pode ser de fato mais do que isso; pode ser a estação para ceifar e armazenar a última colheita da vida.
3. A Morte Faz Parte da Vida (12.6-8)
Tão certo como a manhã que vem após a noite, a morte vem após a velhice. E mesmo que o raciocínio do versículo 6 venha naturalmente do versículo 5b, o conectivo antes (6) remete ao versículo 1: Lembre-se do seu Criador antes que se quebre a cadeia de prata. A imagem do copo de ouro talvez venha dos móveis do templo, onde esse recipiente continha o óleo que mantinha acesa a chama das lâmpadas dos castiçais (cf. Zc 4.23). No entanto, aqui a imagem é de um copo de ouro suspenso por uma cadeia [um cordão] de prata. O cordão é cortado; o copo cai e se quebra (“se despedaça”). As duas figuras seguintes representam a vida como um instrumento essencial para a continuação da existência. E um cântaro, sem o qual ninguém pode beber da fonte, e uma roda sem a qual ninguém consegue tirar água do poço.
Todas essas metáforas representam a vida terrena como algo que termina subitamente e que não tem a possibilidade de ser recuperado — o cordão é cortado; o copo despedaça, o cântaro e a roda estão quebrados. Agora Qoheleth medita a respeito do que a Bíblia diz sobre a criação do homem (cf. Gn 2.7): e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu (7). Pela última vez, Eclesiastes dá o seu parecer a respeito da vida que um homem acredita terminar na sepultura: “Completamente fútil [...] tudo é fútil!” (8, Moffatt).
Nos versículos 1-7, encontramos uma advertência divina: Lembra-te do teu Criador. 1) Lembre-se dele nos dias da sua juventude, 1; 2) Lembre-se dele antes que os dias da velhice venham, 2-5; 3) Lembre-se dele antes que você seja chamado para se encontrar com Deus, 6 e 7.
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 465-466.
Recordar (12:1-8). Esta terceira instrução significa mais do que simplesmente "pensar em Deus". Quer dizer: "prestar atenção, considerar com a intenção de obedecer". Essa é a versão de Salomão para Mateus 6:33: "buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça". Como é fácil deixar o Senhor de lado quando nos envolvemos com os prazeres e as oportunidades da juventude! Sabemos que os "dias de trevas" (11:8) e os "maus dias" (12:1) estão a caminho, de modo que precisamos lançar alicerces espirituais firmes o quanto antes em nossa vida. Nesses anos de juventude, o céu é claro (11:7), mas chegará o tempo em que haverá trevas e uma tempestade atrás da outra.
Os versículos 3 a 7 oferecem uma das descrições mais imaginativas da velhice e da morte em toda a literatura. Os estudiosos não apresentam um consenso quanto aos detalhes, mas a maioria deles considera essa passagem um retrato de uma casa caindo aos pedaços e que, por fim, se transforma em pó. A habitação é uma das metáforas bíblicas para o corpo humano (Jó 4:19; 2 Co 5:1,2 [tabernáculo]; 2 Pe 1:13 [tabernáculo]), e derrubar uma casa ou tenda é um retrato da morte. O significado pode ser:
Os guardas da casa - nossos braços e mãos ficam trêmulos.
Homens fortes - nossas pernas, joelhos e ombros enfraquecem e andamos encurvados. Moedores - perdemos os dentes.
Janelas - a visão começa a se deteriorar.
Portas - a audição começa a falhar ou fechamos a boca pois perdemos os dentes.
Levantar - despertamos logo cedo, com o canto dos pássaros, desejosos de dormir um pouco mais.
Música - nossa voz começa a tremer e enfraquecer.
Medo - sentimos pavor de alturas e medo de cair quando andamos na rua.
Amendoeira - se ainda restam cabelos, ficam brancos como as flores da amendoeira.
Gafanhoto -arrastamo-nos de um lado para outro, como gafanhotos no final do verão.
Apetite - perdemos o apetite ou, talvez, o desejo sexual.
Casa eterna - vamos para o lar eterno e as pessoas choram por nossa morte.
O versículo 6 descreve um copo de ouro - uma lamparina - pendurado do teto por um fio de prata. O fio rompe-se, e o copo se despedaça. O "fio" tão frágil da existência arrebenta, e a luz da vida se apaga. Somente as pessoas mais ricas podiam ter lamparinas caras como essas, de modo que Salomão talvez esteja fazendo uma alusão ao fato de a morte vir para todos.
O versículo também descreve um poço com uma roda usada para puxar um jarro cheio de água. Um dia, a roda se quebra, o jarro se despedaça e chega o fim. A fonte de água é uma imagem de vida (Sl 36:8, 9; Ap 21:6). Quando os mecanismos da vida param, a água deixa de fluir. O coração para de bombear, o sangue para de circular e vem a morte. O espírito deixa o corpo (Tg 2:26; Lc 23:46; At 7:59), o corpo começa a se deteriorar e, a seu tempo, se transforma em pó.
Pela última vez em seu discurso, o Pregador diz: "vaidade de vaidade [...] tudo é vaidade" O livro encerra onde começou (1:2), enfatizando a futilidade da vida sem Deus. Quando olhamos para a vida "debaixo do sol", tudo parece fútil. Mas, quando temos Jesus Cristo como nosso Salvador, "no Senhor, o [nosso] trabalho não é vão" (1 Co 15:58).
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 509-510.
12.2 — Esta passagem contém metáforas de um dos sinais típicos da velhice: o enfraquecimento da visão.
12.3 — Os versículos 3-6 listam as enfermidades que vão acometendo a pessoa à medida que ela envelhece, prejudicando-a no ato de servir a Deus. Se a casa representa o corpo que envelhece, então os guardas são os braços e as pernas. Estas se curvam pela fragilidade, o que se verifica na sentença se curvarem os homens fortes; por isso, não se deve confiar na sustentação dos joelhos.
A expressão cessarem os moedores alude aos dentes, que, cada vez mais raros e fracos, não conseguem mastigar a comida tão bem quanto antigamente. Por fim, o último traço característico dessa fase da vida é apontado na declaração se escurecerem os que olham pelas janelas, referindo-se aos olhos quando começam a perder a visão.
12.4 — A linguagem conotativa em as duas portas da rua se fecharem é semelhante à que foi empregada no livro de Jó para designar as mandíbulas do leviatã como as portas do seu rosto (Jó 41.14). Sendo assim, também é possível que neste versículo o autor se refira a lábios e mandíbulas. Dando continuidade a essa ideia, o termo baixo ruído da moedura ilustra o pouco ou nenhum barulho feito ao mastigar alimentos macios na velhice, depois da perda ou do enfraquecimento dos dentes. Para concluir as metáforas desta passagem, as vozes do canto se baixarem remete à audição; portanto, a capacidade de deleitar-se com a música diminui.
12.5 — A sentença temerem o que está no alto se reporta às coisas banais do cotidiano que passaram a ser ameaçadoras. Mais um sinal da idade avançada é o eufemismo florescer a amendoeira, ou seja, branquear-se o cabelo. Quando o gafanhoto for um peso talvez se refira ao passo claudicante do idoso que manca apoiado em sua bengala. Quanto ao ato de perecer o apetite, geralmente é entendido como o desejo sexual que vai desaparecendo. Então, vem a morte, a ida para a eterna casa.
12.6 — Alguns dizem que cadeia de prata se refere à coluna vertebral, assim como se despedace o copo de ouro, ao cérebro. Uma das hipóteses quanto à expressão se despedace o cântaro junto à fonte é que isso aluda a um coração falho. Ainda neste sentido, o sistema de veias e artérias que se difundem a partir do coração pode ter parecido aos antigos com as traves de uma roda, por isso a frase se despedace a roda junto ao poço. Uma explicação alternativa deste versículo é que as quatro imagens são diferentes descrições da morte. Não se pretende que haja representações do físico como nos versículos 3-5, e sim se descreve a destruição de quatro itens significativos para demonstrar a finitude desta vida.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 1005.
III - AS DIFERENTES DIMENSÕES DA EXISTÊNCIA HUMANA
1. Corporal.
Tudo o que vivemos na vida, suas alegrias como as suas tristezas, seus acertos como também seus erros, seu presente como seu passado, só são possíveis em razão da existência de nossa dimensão corporal. Possuímos um corpo e Salomão chama a atenção para esse fato: “E o pó volte à terra, como o era” (Ec 12.7a). Esse texto mostra que o nosso corpo está sujeito às limitações do espaço e do tempo. Aqui debaixo do sol não deveríamos nos esquecer de que nosso corpo possui essa dimensão temporal. A propósito, a física define nosso corpo sendo um estado limitado da matéria. Nosso corpo possui limites! Por isso o que seremos amanhã depende muito do que fazemos com o nosso corpo agora.
A Escritura não vê nosso corpo como sendo algo mau ou ruim. Não, pelo contrário, a Bíblia mostra que a nossa dimensão temporal é tão importante quanto a espiritual (1 Co 6.19,20). Devemos, pois, cuidar do nosso corpo e fazer uso dele para a glória de Deus.
A real importância da dimensão corporal do homem não tem sido bem entendida na nossa cultura ocidental. Isso se deve à influência da cultura grega que herdamos. Para os gregos, que se valiam de métodos metafísicos nas suas análises antropológicas, a parte mais importante do homem era a sua alma e não o seu corpo. Para eles, a alma seria a mais perfeita, portanto, a causa da existência e não o corpo que seria o seu efeito. Todavia os judeus, tendo em Filo de Alexandria o seu expoente maior, e o cristianismo paulino já viam o homem nas dimensões: somática (corpo); psíquica (alma) e espiritual (espírito).
O filósofo Battista Mondin mostra a importância da nossa dimensão corporal, pois sem um corpo:
- Não podemos nos alimentar.
- Não podemos nos reproduzir.
-Não podemos aprender.
-Não podemos nos comunicar.
-Não podemos nos divertir.
Ele destaca ainda que é mediante o corpo que o homem é um ser social. Os fantasmas nos assustam porque não tem corpo. É mediante o corpo que o homem é um ser no mundo.5
Valorizemos e, portanto, cuidemos do nosso corpo!
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 156-157.
CORPO
Embora existam cerca de catorze vocábulos hebraicos de alguma maneira ligados ao corpo físico, alguns dos quais indicando porções do corpo como «costas», «barriga», etc., não há nenhum vocábulo que indique o corpo inteiro. A mais comum dessas palavras hebraicas é basar, que significa «carne». Porém. no Novo Testamento encontramos o termo grego soma, «corpo» (usado por cerca de cento e trinta vezes) e o termo grego ptoma, «cadáver» (usado por sete vezes: Mat. 14:12,24:28; Mar. 6:29, 15:45; Apo. 11:8,9). A palavra soma aparece desde Mat. 5:23 até Apo. 18:13. :B usada para indicar o corpo humano, bem como os corpos dos animais (Tia. 3:3; Heb. 13:11), os corpos vegetais, e até mesmo os corpos celestiais([ Cor. 15:35-44). E, no plural, os corpos de escravos (Apo. 18:13).
Em algumas passagens da, Bíblia, o termo «corpo» é contrastado com a «alma» (Miq. 6:7; Mat. 10:28). O corpo físico é o instrumento ou veículo da vida da alma neste mundo (Deu. 12:23; Isa. 53:12; II Cor. 5:10). Pode indicar a personalidade inteira (Fil. 1:20; Rom. 12: 1). Posteriormente, a teologia dos hebreus concebeu o sopro de Deus sobre o corpo, conferindo-lhe a alma residente. A teologia anterior dos hebreus compreendia isso como a mera animação da estátua de barro que Deus havia formado, sem qualquer ideia de uma alma eterna. Seja como for, o corpo físico é a manifestação inferior do ser humano, ao passo que a alma é representante do mundo dos espíritos, do qual o homem também participa. Jesus ensinou a importância secundária do corpo (Mat. 6:25-34). E Paulo reconheceu o estado de humilhação do corpo (Fil. 3:21), exortando-nos a discipliná-lo, para que obtenha uma boa expressão espiritual (I Cor. 9:27; Rom, 8:13). Além disso, o corpo físico deve ser usado para o Senhor, por ser expressão ou instrumento do espírito (I Cor. 6:13; Rom, 12:1; I Tes. 5:23).
Qualquer coisa que façamos que seja prejudicial ao corpo físico, constitui uma ofensa contra o 'Espírito, que usa nosso corpo como um lugar de sua habitação e expressão (I Cor. 6:13 ss). Isso contraria o ponto de vista gnóstico que fazia a matéria ser má, e que afirmava que visto que o corpo físico é material, seria a sede da maldade humana, ao passo que a alma humana não seria corrompida. Pode-se mergulhar um vaso de ouro na lama, sem alterar suas qualidades e virtudes. Assim também, para o gnosticismo, pode-se buscar o corpo das maneiras mais devassas, sem que ISSO prejudique a alma. De fato, de conformidade com esse ponto de vista, é vantajoso abusar do corpo, a fim de levá-lo ao fim mais prematuro possível. Todavia, o evangelho cristão rejeita a ideia da pecaminosidade exclusivamente do corpo, embora seja instrumento facilmente posto a serviço do pecado (Rom. 6:12,13). Outrossim, na qualidade de templo do Espirito, reveste-se de grande dignidade. Podemos agradecer a Deus pela saúde física, que nos permite realizar as coisas que a nossa missão requer. O Novo Testamento ensina a real encarnação do Logos em um corpo humano (João 1:14). Isso indica que não se pode pensar que o corpo físico do homem seja a sede mesma do pecado. Platão, por outro lado, chamava o corpo de prisão e sepulcro da alma, ensinando um caminho de reformas morais e de progresso, com o intuito de liberar a alma do corpo, a fim de que a alma pudesse atingir as dimensões dos espíritos puros. O evangelho cristão não é tão severo contra o corpo, mas promete aos remidos um novo corpo, de natureza espiritual, que venha a tomar-se o veiculo da alma, para expressão nos mundos celestiais (I Cor. 15:44 ss; Fil. 3:21). Quanto a um comentário pleno sobre isso, ver Fil, 3:21 no NTI.
O corpo físico foi criado por Deus, sendo bom em si mesmo, embora represente, indubitavelmente, um rebaixamento da potencialidade humana, e mesmo uma punição por causa do pecado, envolvendo-o em coisas terrenas e animais. Apesar disso, o homem tem um destino físico, inteiramente distinto de seu destino espiritual. Mesmo neste mundo, a humanidade avança para propósitos terrenos mais nobres, e cada individuo participa desse esforço, positiva ou negativamente. Mas, embora distinto do elevadíssimo destino espiritual, esse destino terreno está relacionado àquele. Assim sendo, para exemplificar, um cientista que faça bem o seu papel, e assim ajude a aprimorar a qualidade de vida de seus semelhantes, está agindo na qualidade de servo de Deus, ainda que não tenha consciência disso. Mas, todas as almas, - finalmente, haverão de seguir pela vereda da expressão espiritual, nos mundos não-materiais, a despeito de seguirem, então, por caminhas opostos.
Este mundo físico reveste-se de um destino; e os mundos espirituais envolvem destinos mais elevados. Em nossa experiência total, participamos de ambos os destinos, como uma escola com graus inferiores e difícil superiores de aprendizado.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 928-929.
Ec  12.7 E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.
Este é um dos mais citados versículos do livro de Eclesiastes, mas os intérpretes não concordam quanto ao seu significado. É claro que o corpo retorna ao pó, conforme encontramos em Eclesiastes 3.18-20. O homem é uma criatura feita de pó que ao pó retornará. A alusão é à formação do homem do pó da terra (ver Gên. 2.7). Mas um homem, formado do pó da terra, volta ao pó, do qual ele é formado (ver Gên, 3.19),
Os intérpretes não estão de acordo sobre o significado, aqui, da palavra “espírito”. Consideremos os pontos abaixo:
1. Este versículo pode ter sido uma adição feita pelo editor piedoso, que agora aproveitava a oportunidade para reverter o pessimismo do triste filósofo. Se ele admitiu que o corpo é temporal e retorna ao pó, também disse que há no homem uma parte imaterial, o espírito (ou alma), que retorna a Deus por ocasião da morte, pois foi Ele quem o deu ao homem; o espírito pertence a Deus. É provável que quando o livro de Eclesiastes foi escrito, idéias gregas e orientais tivessem sido adotadas por alguns judeus; assim, esse tipo de doutrina, que durante séculos foi comum a alguns povos e sistemas, tivesse sido defendida, ao menos, por alguns judeus. A noção da existência da alma começou a penetrar no pensamento dos hebreus nos salmos e profetas, de onde tal ponto de vista não seria anacrônico, para alguns judeus.
2. Quiçá o próprio filósofo, já no final de seu tratado, tenha adotado o ponto de vista mais otimista que aquele que ocorre por ocasião da morte. Essa idéia, entretanto, é altamente improvável. Se houver aqui alguma declaração atinente à sobrevivência da alma, ela pertence ao editor piedoso, e não ao filósofo pessimista que escreveu a maior parte do livro de Eclesiastes.
3. Talvez o triste filósofo seja o autor deste versículo, mas nesse caso ele não falava em sobrevivência da alma. Deus deu ao homem o hálito animador, por ocasião da criação (ver Gên. 2.7), pelo que o homem passou a viver como um ser vivo, animado. Mas quando Deus recolhe o hálito do homem, o próprio homem morre, finalmente.
"... é evidente que Salomão não se referia aqui ao retorno de espíritos humanos individuais a Deus, a fim de serem julgados. Descrições similares da morte (como a dissolução do corpo e a retirada do hálito, por parte de Deus) acham-se presentes em Jó 34.14,15 e Sal. 104.29,30. Cf. também Jó 10.9” (Donald R. Glenn, in loc.). Em contraste, temos a observação feita por Gaius Glenn Atkins, in loc.: “Terra para terra, pó ao pó, por ocasião do sepultamento dos nossos mortos, um réquiem tão antigo como a própria mortalidade e, no entanto, há um resplendor final de esperança que o Koheleth (o pregador) reconheceu; uma esperança que o sepulcro não poderia conter nem a argila dissolver. Pois Deus havia soprado sobre a argila e o homem se tornara um espírito vivo, e aquilo que foi extraído do abismo incomensurável, agora, volta novamente de onde veio”.
Um belo objeto serve de alegria para sempre; sua força de atração aumenta; nunca se reduzirá a nada.
(John Keats)
Tenciono chegar a Deus,
Pois é para Deus que viajo tão depressa;
Pois no peito de Deus, meu próprio lar,
Depositarei meu espirito, finalmente.
(Johannes Agricola)
Esses são sentimentos belos e verdadeiros, sem dúvida, mas, se for indagada qual dessas três interpretações é pretendida pelo presente versículo, suponho que seja a de número 3. O triste filósofo permaneceu triste até o fim. Ele não tinha asas, continuou advogando sua doutrina reptiliana. O pó assinala a história à beira do túmulo, mas há sinetes a tocar do outro lado. O triste filósofo, todavia, não os ouvia.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2740, 2742.
Antes que o pó volte à terra (v.7).
De tudo quanto foi dito, é bom lembrar de um fato, a que ninguém foge: Entregar o espírito a Deus, que o deu. E o pó volte à terra e o espírito volte a Deus, que o deu (v. 7).
Esta criatura redime o autor de Eclesiastes de todas as supostas omissões quanto ao destino das almas. Os versos do capítulo 3:16-21 e 9: 1-3 estão perfeitamente esclarecidos. O espírito de Deus nos é dado juntamente com o corpo, e quando este vai ao pó, de onde veio, ele volta ao lugar de onde procedeu - Deus. Cada coisa no seu lugar. A doutrina ou ensino da Imortalidade da alma humana, além de ser uma flagrante heresia bíblica é uma impossibilidade juridico-divina. A doutrina da imortalidade é um fato e uma necessidade para que a vida continue. Voltamos a repetir que o jovem não conserva para sempre a sua juventude; esta passa como as flores da amendoeira; igualmente a vida, como tudo na terra, perece. Só o espírito, dado por Deus, volta à sua origem. Foi por isso que Moisés insistiu em declarar que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e esta semelhança não é corpórea, porque Deus é espírito (João 4:24). Sugere o autor dum artigo sobre Eclesiastes, G.S. Hendry, (1) que esta declaração de 12:7 não é conclusiva da doutrina enunciada em 3:16-21, Isto é, no que tange à imortalidade da alma humana. A nosso ver, se este verso não é conclusivo, então não há nada a se concluir no mundo dos homens. Se o enunciado - o espírito voltar para Deus que o deu - não ensina a Imortalidade da alma humana, francamente, não entendemos mais nada. Então por que o autor não disse apenas: E o corpo volte à terra como era? Qual a razão de adicionar uma cláusula diferente quanto ao espírito como está no texto? Afinal, já o vulgo diz: "Se todos pensassem do mesmo modo, este mundo não virava."
(1) G. S. Hendry, artigo sobre Eclesiastes, no Novo Comentário da Bíblia, p.667.
Alguns comentadores entendem, da leitura do verso 6 do capítulo 12, que o rompimento do fio de prata e o despedaçar do copo de ouro, mais a quebra do cântaro junto à fonte e o destroço da roda junto ao poço, sejam uma prova da destruição da pessoa - alma e corpo; nada sobra deste aniquilamento.
Que esta doutrina representa o fim da vida, não temos dúvida, e é o que espera todo mortal neste mundo. Todavia, levantamos uma exceção quanto ao espírito, que o escritor sagrado declaradamente diz ser o sopro de Deus, o fôlego de vida (Gên. 2: 7). Pensa o autor do artigo em o Novo Comentário da Bíblia que o Eclesiastes, avançando um tanto além da posição assumida em 3:21... suas palavras aqui, apesar de sugestivas, não são de tal ordem que formem o fundamento de uma esperança de imortalidade. 
(1) G. S. Hendry, artigo sobre Eclesiastes, no Novo Comentário da Bíblia, p. 666.
Se tivéssemos de admitir que estes vocábulos não acrescentam coisa alguma a 3:21, teríamos de confessar que as palavras perderam o sentido. Quando o escritor sagrado diz que O Pó VOLTE À TERRA COMO ERA E O ESPIRITO VOLTE A DEUS, QUE O DEU, concluiu tudo. Não há necessidade de mais argumentos. Se o espírito volta para Deus, como é que vai ser destruído junto com o corpo?
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Então o pó volte à terra, como o era, eo espírito volte a Deus, - 5. Putrefação e solução de ocorrer; toda a massa torna-se decomposto, e no decorrer do tempo é reduzido ao pó, do qual ele foi originalmente feito, enquanto o espírito, (haruach), que o espírito, que Deus em primeiro soprou nas narinas de homem, quando em consequência se tornou uma alma vivente,
um inteligente, animal racional, discursando, retorna a Deus que o deu. Aqui, o homem sábio faz uma distinção mais evidente entre o corpo ea alma: eles não são a mesma coisa, não são tanto a matéria. O corpo, que é matéria, retorna ao pó, a sua original, mas o espírito, que é imaterial, retorna a Deus. É impossível que duas naturezas podem ser mais distintos, ou mais enfaticamente distinguidos. O autor deste livro não era um materialista. Assim termina esta afetando, mas elegante e acabada imagem, da velhice e da morte. Veja uma descrição da velhice semelhante, mas muito inferior, para isso, na Agamenon de Esquilo, 5:76-82. Foi por vezes que a circulação do sangue, o que foi considerado uma descoberta moderna pelo nosso conterrâneo Dr. . Harvey, em 1616, era conhecido por Salomão, ou quem foi o autor deste livro: as fontes, cisternas, jarro, e roda, dando rosto suficiente para a conclusão.
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
2. Espiritual.
Se por um lado possuímos uma dimensão corporal, por outro Eclesiastes 12.7 revala também que possuímos uma outra dimensão — a espiritual: “E o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 12.7b). Aqui são duas dimensões, mas não independentes uma da outra. O homem é um ser integral, constituído de espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23). Salomão omite em Eclesiastes 12.7 a parte psíquica, porque já falou dela com exaustão em todo o livro de Eclesiastes, especialmente no capítulo 12.1-6. O hebraico ruach é traduzido como vento, fôlego, hálito e espírito.
O contexto desse capítulo, que faz um contraste entre o temporal e o eterno, não deixa dúvida de que esse termo significa “espírito” como a parte imaterial da qual o homem é constituído (1 Ts 5.23; 2 Co 5.8; Fp 1.23). Assim como cuidamos da nossa parte matéria devemos também cuidar da espiritual (2 Co 7.1; 1 Tm 4.8).
Se por um lado corremos o risco de negligenciar a nossa dimensão corpórea, por outro corremos o risco de superestimar a dimensão espiritual. Há cristãos que espiritualizam tudo! Caem numa passividade mental extremamente perigosa. Um outro dia um amigo pastor contou-me uma história cômica, mas que na verdade revela o erro onde muitos crentes estão caindo. Há na sua igreja um irmão que dizia não fazer nada sem Deus mandar. Não usava sua razão para nada, caiu numa total passividade mental. Meu colega observou que a situação chegou ao extremo quando certo dia recebeu uma ligação daquele irmão. Ainda não eram seis horas da manhã quando aquele irmão ligou perguntando ao pastor se poderia ir ao banheiro!
Como pastor também já pastoreei crentes assim. Nos casos que acompanhei pude constatar nesse irmão um tipo de esquizofrenia profunda que necessitava urgentemente de tratamento. São pessoas que começam a dialogar com uma voz interior e que passam a ser totalmente dependentes dos comandos dado por essa voz. Acreditam que essa voz seja Deus, mas na verdade trata-se de um distúrbio mental que precisa ser tratado com oração e medicamentos.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 157-158.
ESPIRITO O princípio essencial e ativador ou a força animadora dentro dos seres humanos vivos.
No Antigo Testamento. O substantivo hebraico ruah ocorre 377 vezes no Antigo Testamento e normalmente é traduzido como "fôlego", "vento" ou "espírito" (por exemplo, Gn 6.17; 8.1; 41.8). Em Ezequiel 37.1-14 os três diferentes significados podem ser observados. no versículo 96 significa "ventos", nos versículos 5,6,8,10 "fôlego" e no 14, "espírito". O substantivo deriva de um verbo que significa expelir o ar pelo nariz com violência. Com respeito aos seres humanos, ruah algumas vezes representa o "centro da vida" e é praticamente um sinônimo de nephesh, "alma". No entanto, em geral, nephesh é a própria pessoa como um indivíduo, ao passo que ruah deve ser entendido como o princípio animador (Jó 32.8,18; SI 143. 4,7). O homem não tem poder para reter seu espírito (Ec 8.8; SI 104. 29) e quando morre, seu espírito deixa seu corpo (SI 146.4). A palavra hebraica ruah também é usada como um termo psicológico para denotar vitalidade, animação ou vigor (Jz 15.19; 1 Rs 10.5), moral ou coragem (Js 2.11; 5.1; Is 19.3), temperamento ou ira (Jz 8.3), disposição básica (Nm 14.24; SI 51.10; Is 54.6), ca-ráter moral (Ez 11.19; 36.26) e impulso ou atitude dominantes (Pv 16.18,19; Nm 5.14; Is 57.15). Várias vezes um espírito mau ou demónio é indicado por ruah (1 Sm 16.14-16,23; 18.10; 19.9; Os 4.12; 5.4) e o espírito de mentira de 1 Reis 22.19-25 é obviamente um ser pessoal. Mais de 80 vezes a palavra refere-se ao Espírito de Deus, o Espírito do Senhor, o Espírito Santo. No Novo Testamento. A palavra grega pneuma tem uma variedade de significados semelhante aos de ruah. "Vento" é obviamente o significado em João 3.8a: "O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz". Em 2 Tessalonicenses 2.8 lemos a expressão "assopro da sua boca". Uma característica teologicamente mais importante, é que o espírito é o que dá vida ao corpo. O espírito da filha de Jairo retornou ao seu corpo e ela levantou-se imediatamente (Lc 8.55). Após a morte da pessoa justa, sua pneuma continua vivendo como um ser independente nos céus (Hb 12.23).
Psicologicamente, pneuma denota a parte não material da personalidade humana em expressões como "purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito" (2 Co 7.1) e "para ser santa, tanto no corpo como no espírito" (1 Co 7.34). O espírito pode simplesmente significar o próprio ser de cada pessoa: "recrearam o meu espírito e o vosso" (1 Co 16.18; cf. 2 Tm 4.22). Mais especificamente, no entanto, pneuma é a fonte ou berço do discernimento de uma pessoa (Mc 2.8), das emoções (Mc 8.12; Jo 11.33; 13.21; At 17.16; 18.25) e da vontade (Mt 26.41; At 19.21) E o espírito do homem dentro dele que pode "conhecer" os seus pensamentos, ou seja, compreender seu estado humano (1 Co 2.11). Através do novo nascimento, o espírito do homem torna-se vivo para Deus e sensível à voz interior do Espírito Santo (Rm 8.16). Como o espírito é constantemente renovado, ele é capaz de governar as atitudes da mente (Ef 4.23). O espírito capacita uma pessoa a pensar em termos espirituais, porque por sua vez é controlado pelo Espírito de Cristo que compartilha a mente e a atitude de Cristo com o crente (1 Co 2.16). Assim, o espírito humano regenerado, quando humildemente submisso a Cristo, é capaz de ter mansidão e bondade em relação às outras pessoas (1 Co 4.21; Gl 6.1). Tal disposição é caracterizada como um "espírito manso e quieto" (1 Pe 3.4).
O Novo testamento, frequentemente, refere-se a espíritos como seres não físicos independentes. Normalmente estes seres-espíritos são iníquos, ou demónios; mas os anjos também são classificados como espíritos (Hb 1.4,14). Para uma discussão sobre o Espírito de Deus, veja Espírito Santo. Veja Anjo; Antropologia: A natureza do homem; o homem interior; Espírito Santo; Alma; Demonologia; Ventos. J. R.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 680-681.
1 Ts 5.23:— A oração de Paulo pelos tessalonicenses é que eles possam ser santificados em todas as instâncias de seu ser, espírito, e alma, e corpo. Cada uma deve dar evidências de que ele está separado como uma pessoa santa para Deus. Como resultado, os cristãos serão irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Os cristãos já são santos no sentido de que foram separados para Deus. Paulo exorta os tessalonicenses a expressarem santidade nesta vida para que o Senhor aprove a conduta deles em Sua volta. Irrepreensíveis significa livres de motivos para repreensão e arrependimento.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 570.
A vida piedosa (vv. 22-24). O propósito da adoração é nos tornar cada vez mais semelhantes a Cristo em caráter e em conduta.
William Temple, falecido arcebispo de Canterbury, deu a melhor definição de adoração que já ouvi: "Adorar é avivar a consciência pela santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purificar a imaginação pela beleza de Deus, abrir o coração para o amor de Deus e dedicar a volição ao propósito de Deus".
Paulo enfatiza o equilíbrio na vida cristã com seu aspecto negativo: "Abstende-vos de toda forma de mal" (1 Ts 5:22) e com seu aspecto positivo: "O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo" (1 Ts 5:23). Algumas igrejas pregam apenas o aspecto negativo, o que resulta em vidas e ministérios desequilibrados. Santificar significa "separar para o uso exclusivo de Deus". Existe uma santificação posicionai (Hb 10:10); fomos separados para Deus de uma vez por todas.
Existe, também, uma santificação prática (2 Co 7:1), ao lidarmos diariamente com nossos pecados e crescermos em santidade.
Tudo isso culminará na santificação perfeita (1 Jo 3:2), quando virmos Cristo e nos tornarmos eternamente semelhantes a ele. A expectativa de ver Jesus Cristo é a grande motivação para a vida de santidade.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 246.
1 Ts 5.23 A carta chegou ao fim. Mas todo autor de uma carta tem a necessidade natural de mais uma vez expressar, no final, os desejos que traz no coração em favor do outro, depois de dizer tudo o que havia para dizer, agradecer, exortar e comunicar. Esse voto final dos três é: “santificação e preservação”. Há pouco lembraram os perigos que ameaçam a igreja, assim como falaram (1Ts 3.1-5) das preocupações que tiveram por essa igreja sob a cruz. A história da igreja em Tessalônica na verdade segue, e com ela segue a história de cada cristão individualmente. Como será ela? Sempre adiante e mais cabalmente santificada e preservada inteiramente em Espírito, alma e corpo – se esse fosse o grande fio condutor dessa história!
Werner de Boor. Comentário Esperança Carta aos 1 Tessalonicenses. Editora Evangélica Esperança.
2 Cor 5.8 “Entretanto, temos bom ânimo, preferindo emigrar do corpo e imigrar até o Senhor (ou: ter nossa pátria junto do Senhor).” Desse modo a morte é colocada sob uma nova luz. Conquistamos, assim, um ânimo completamente novo, “bom ânimo”. Já não é apenas questão de gemer, mas torna-se algo que nós “preferimos”. Essa perspectiva da morte corresponde exatamente ao que Paulo escreverá alguns anos mais tarde aos filipenses (Fp 1.23).
Neste v. 8 Paulo fala indubitável e claramente de ir até o Senhor logo no momento de sua morte. “Emigrar do corpo” não é uma descrição da “transformação” na parusia, do “ser revestido”, mas do morrer. Esse “emigrar do corpo” faz com que “tenhamos nossa pátria junto do Senhor”. A declaração corresponde com precisão à de Fp 1.23. Em ambas as passagens Paulo enfoca o “ganho” da morte e a partir disso chega a concordar com a morte que supera o “gemer” e praticamente alicerça um “preferir” a morte. Contudo Paulo não precisa anular o que afirmou nos v. 2-4! O que foi dito nesses versículos é verdadeiro e continua válido. A aparente “contradição” entre a primeira e a segunda parte da passagem é apenas a expressão da vitalidade de nossa vida interior, que não pode ser formulada lógica e linearmente. De fato é assim que tememos o morrer como um duro despedaçar-se, ser despido e emigrar e que apesar disso o saudamos como um retorno do estrangeiro para casa, para nosso Senhor. Não obstante, persiste o anseio de presenciar a parusia do Senhor e entrar diretamente, sem morrer, na plenitude de vida da nova existência.
Werner de Boor. Comentário Esperança 2 Cartas aos Coríntios. Editora Evangélica Esperança.
2 Co 5.8Aqui está expressa a confiança dos cristãos nos termos mais definidos: Visto que, por isso, estamos sempre com boa coragem e sabemos que, enquanto em nossa casa do corpo, estamos ausentes de nosso lar no Senhor. Porque Paulo e todos os cristãos têm o penhor do Espírito, sentem sempre Sua presença animadora em seus corações pela palavra, sempre estão em consolação certa. E isto é verdade, mesmo que saibam que enquanto estão em casa neste corpo, estão ausentes do lar verdadeiro e permanente no Senhor. Temos neste mundo, tão somente, uma residência breve e temporária que, por enquanto, chamamos de lar; há, porém, uma aspiração pelo lar, uma saudade pelo céu, que sempre caracteriza os cristãos. Isto também está expresso na sentença parentética: Pois andamos por fé, não por aparência. A fé é a esfera em que temos nossa existência aqui sobre a terra, que é o estado em que sempre nos encontramos; mas quando vem o cumprimento, veremos e contemplaremos face à face o que aqui esperávamos e em que críamos. Agora estamos ausentes do Senhor, distantes do lar; então estaremos em casa, lá onde desde a nossa conversão somos cidadãos, Fp. 3. 20.
Mas assim como os cristãos, que são os possuidores do penhor do Espírito, têm sempre em destaque em seus corações o sentimento de coragem e certeza, assim este sentimento se destaca especialmente e em toda sua força quando chega o tempo de seu retorno ao lar: Temos bom ânimo e boa disposição para deixar nossa casa no corpo e estar em casa com o Senhor. Vivemos, como peregrinos e estrangeiros, nesta tenda frágil de nosso corpo mortal e andamos de lugar a lugar, não tendo aqui cidade permanente. Por isso o prospecto da morte, longe de nos encher de medo e desânimo, antes devia inspirar em nossos corações nova esperança, confiança e coragem, visto que sabemos que, apesar de seu aspecto ameaçador, só nos abre as portas ao lar de nosso Pai. Somos, por isso, sempre de bom ânimo, sabendo que o Senhor nos aceitará como os Seus e que Sua graça, que já aqui nos veste com as vestes de salvação, no lar glorioso lá de cima nos revestirá com as vestes de Sua glória. Estaremos em casa com o Senhor, em cuja presença há plenitude de alegria, e á cuja mão direita há delícias perpétuas, Sl. 16. 11.
O apóstolo, contudo, tendo à sua frente um alvo como este, conserva seu coração e sua mente fixos sobre o verdadeiro lar lá no alto: Por esse motivo também nós fazemos nosso alvo que, estejamos em casa ou ausentes de casa, Lhe sejamos agradáveis. Este estado de espírito é  necessário quando desejamos que nossas esperanças e nossas ambições se cumpram; isto significa desenvolver nossa salvação com temor e tremor, com uma singeleza de coração que não pode ser desviada de seu objetivo. Pois, seja que o Senhor, quando vier, nos ache no corpo, ou ainda vivendo na tenda desta carne mortal, ou seja que nos encontre fora do corpo, tendo a morte separado a alma de sua frágil habitação, uma coisa é certa, a saber, que no tempo presente nos empenhemos para viver de tal modo como Lhe agrada. E nisso somos impelidos para frente por meio do pensamento sobre o juízo final: Pois todos devemos ser manifestos perante o trono do juízo de Cristo, para que cada um receba as coisas feitas pelo corpo, conforme o que fez, seja bom ou mau. Cristo está por vir para julgar a todos, os vivos e os mortos; todos eles precisam comparecer diante Dele. Serão revelados ao mundo, a todas as pessoas, bem como a eles próprios, seu caráter, até mesmo seus pensamentos secretos, exatamente como sempre foram conhecidos ao próprio Juiz. E quando a sentença é pronunciada, cada um receberá o salário de suas obras que fez no corpo, enquanto esteve no mundo. Notamos que o poder do julgamento, ainda que, via de regra, atribuído ao Pai, contra quem são direcionados todos os pecados, Sl. 61. 13; Jr. 17. 10, é aqui, como em João 5. 22; Mt. 25. 31-46, e alhures, atribuído ao Filho, o que é um fato que coloca Sua divindade acima de qualquer dúvida. O juízo é inevitável, e será eminentemente justo e, todos os sentidos. Aqueles que deram provas de sua incredulidade, praticando atos maus e perversos, serão recompensados na mesma espécie, recebendo uma punição em proporção aos seus atos perversos. E aqueles que praticaram o bem, que assim deram evidência da fé de seus corações, receberão uma recompensa graciosa das mãos do Juiz, que os tornará participantes da glória celeste. Desta forma o pensamento do juízo futuro é uma das razões que incitam e estimulam o cristão a uma vida de santificação.
KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento. Editora Concordia Publishing House.
2 Co 5.8; Paulo reforça o início do versículo 6 repetindo a mesma cláusula, “estamos confiantes”, e acrescentando a expressão na verdade. Mas o que ele está dizendo sequencialmente é o oposto do pretendido lema coríntio: “Enquanto estamos em casa no corpo, estamos longe do Senhor” (v. 6). Ele inverte as palavras desse lema e comunica como está ansioso por estar com o Senhor. Ele registra o mesmo ensino em outro lugar: “Tenho o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1.23). Paulo quer deixar seu corpo físico e entrar no céu, à presença do Senhor.
Essas palavras não teriam causado nenhuma dificuldade se Paulo não tivesse escrito que ele não desejava ser despido, e sim vestido (vs. 3, 4). Como pode Paulo, que aborrecia a ideia de uma separação de corpo e alma, dizer que prefere estar longe do corpo? O desejo dominante de Paulo é estar com Cristo, pois isso para ele é vida, e morrer é lucro (Fp 1.21). Ele tem de escolher um de três estados diferentes:
1. estar vivo na volta de Cristo e receber um corpo transformado e glorificado;
2. morrer, deixar o corpo e estar em casa com o Senhor com uma alma despida;
3. permanecer no corpo por causa dos compromissos para servir à Igreja (Fp 1.24-26).
Dessas três escolhas, Paulo opta pela primeira. Mas se o Senhor tardar e a morte o apanhar, ele optaria pela segunda. Apesar de tudo, por causa do progresso da Igreja, ele tem de escolher a última opção.
Resumindo, se há uma demora na vinda de Cristo, ele optaria pela segunda.
Como interpretamos o conflito aparente na apresentação de Paulo? Talvez ajude um paralelo que se pode descobrir observando a comissão de Paulo como apóstolo aos gentios e sua atitude de estar pronto a morrer pelo Senhor (Atos 20.24; 21.13). Ele pediu que a igreja de Roma orasse por ele para que pudesse visitá-los no caminho à Espanha (Rm 15.23-25, 30-32), mas ao mesmo tempo ele estava disposto a enfrentar a morte em Jerusalém. O conflito se resolve quando entendemos que Paulo vivia pela fé e confiava no Senhor. Estava pronto a servir ao Senhor, mas também a morrer por ele e então “estar em casa com o Senhor”. O grego é mais descritivo, contudo, do que as traduções conseguem passar, pois expressa movimento e repouso: “para ir embora para casa [e estar com] o Senhor” (comparar NEB “ir morar com o Senhor”).
O Senhor sempre está perto de seu povo (Sl 119.151; 145.18), e quando ele os chama à glória, esse relacionamento continua (Ap 22.7, 12, 20). Eles deixam o corpo e estão para sempre na presença do Senhor.
A expressão estar em casa descreve um estado que começa no momento da morte.
HENDRIKSEN. William. Exposição de2 Coríntios. Editora Cultura Cristã. pag. 252-254.
Fl 1.23 - Paulo se sentia em aperto de todos os lados, como uma cidade sitiada sem esperança de ver-se livre de sua aflição. Ele estava dividido entre a possibilidade de encontrar-se com o Senhor e a sua paixão por ministrar aos filipenses.
Neste versículo, o desejo significa mais do que uma vontade; indica uma forte ânsia. Em relação à profissão de Paulo como fabricante de tendas, o termo partir quer dizer levantar acampamento ou desfazer a tenda com o intuito de preparar-se para viajar para outro lugar.
Paulo via a morte não como o fim da vida, mas como um momento de transição de um lar para outro. Em sua mente, não havia uma comparação real entre a vida e a morte porque esta era muito melhor (literalmente, “muito mais superior”).
Jesus disse que prepararia um lugar para nós (Jo 14). Esse lugar já está preparado na casa do Pai.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 525.
No versículo 23, ele aponta o seu constrangimento de desejar partir: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor”. Todos os cristãos vivem esse conflito e essa tensão. Nossa Pátria está no céu (3.20). Nosso nome está escrito no livro da vida (4.2). A morte para nós é lucro (1.21). No entanto, ainda temos um trabalho a fazer aqui (1.22). Estamos no mundo como embaixadores de Deus, como ministros da reconciliação, como cooperadores de Deus. Andar com Deus e fazer a Sua obra é a razão de ainda continuarmos neste mundo. O cristão não foge da vida nem teme a morte. Ele abraça a vida e a morte com a mesma empolgação. Na vida, Cristo está com ele; na morte, ele está com Cristo. Na vida, ele realiza a obra de Cristo; na morte, ele desfruta a glória de Cristo.
Em segundo lugar, a preferência da morte (1.23). Paulo, após afirmar que morrer é lucro, agora afirma que ele prefere a morte à vida. No versículo 23, Paulo nos fala sobre três aspectos importantes da morte do cristão: A natureza da morte. Paulo fala da morte como uma partida. Ralph Martin diz que essa palavra “partir” não deve ser interpretada como um anseio por imortalidade, a qual os gregos procuravam atingir mediante o derramamento do corpo físico, permitindo, assim, que o espírito escapasse de sua prisão. A metáfora do verbo poderia ter sido emprestada da terminologia militar (retirar-se do campo) ou da linguagem náutica (libertar o barco de suas amarras).
O pano de fundo geral, mais imediato, não é o debate filosófico, grego, a respeito da imortalidade da alma, que procura libertar-se do corpo, na hora da morte, mas a esperança de uma união mais íntima com Cristo. Essa palavra grega analyein é muito sugestiva. Ela tem um rico significado.
Primeiro, ela significa ficar livre de um fardo. Esse era um termo usado pelos agricultores em referência ao ato de remover o jugo dos bois. Paulo havia levado o jugo de Cristo, que era suave (Mt 11.28-30), mas também carregou inúmeros fardos em seu ministério (ICo 11.22—12.10). Partir e estar com Cristo significa colocar de lado todos os fardos, pois o seu trabalho na terra estaria consumado.
A morte é o alívio de toda fadiga (Ap 14.13). A morte é descanso (Hb 4.9). A morte é entrar na posse do reino e no gozo do Senhor (Mt 25.34). Segundo, ela significa levantar acampamento. A ideia central aqui é a de desatar as cordas da tenda, remover as estacas e prosseguir a marcha. A morte é colocar-se em marcha. Cada dia dessa marcha é uma jornada que nos aproxima mais do nosso lar. Até que enfim se levantará pela última vez o acampamento neste mundo e se transferirá para a residência permanente na glória. A tenda em que vivemos é desarmada pela morte. A morte é uma mudança de endereço. Deixamos uma tenda frágil e mudamos para uma casa feita não por mãos, eterna no céu (2Co 5.1).
Deixamos um corpo de humilhação e nos revestimos de um corpo de glória (3.21). Deixamos este mundo onde passamos por aflição e entramos na casa do Pai, onde Deus enxugará dos nossos olhos toda lágrima.
Terceiro, ela significa desatar as amarras do barco, levantar a âncora e lançar-se ao mar. Morrer é empreender essa viagem.
Vivendo sem medo do futuro viagem para o porto eterno e para Deus, diz William Barclay. A morte é uma viagem rumo à eternidade. E uma jornada para a casa do Pai, para o paraíso, para o seio de Abraão, para a Jerusalém celeste.
Em terceiro lugar, a bênção da morte. Paulo diz que morrer é partir para estar não no purgatório, nem no ui mulo, ou em sucessivas reencarnações, mas estar com Cristo. Morrer é deixar o corpo e habitar imediatamente com o Senhor (2Co 5.8). Morrer não é partir para o além,
mas partir para estar com Cristo no céu. A morte não é uma viagem rumo às trevas, ao desconhecido, ao tormento ou à solidão. A morte é uma partida para estar com Cristo, para se ter íntima, perfeita e eterna comunhão com Ele. Em quarto lugar, a superioridade da morte. Paulo diz que morrer é estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. O advérbio triplo em grego (literalmente: “antes muito melhor”) significa “sem comparação, o melhor”, isto é, um superlativo superenfático. O céu é melhor. A glorificação é melhor. Estar com Cristo com um corpo de glória é melhor. Ver a Jesus glorificado e desfrutar a Sua companhia eternamente é melhor. Estar na casa do Pai, onde não há mais dor, lágrima nem luto, é melhor.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 93-95.
2 Co 7.1 Por essa razão o apóstolo parte, nas frases finais do trecho, expressamente das “promessas”, e não dos mandamentos e exigências, ressaltando: “Tendo, pois, ó amados, essas promessas.” Justamente agora Paulo interpela os coríntios como “amados”, amados por ele e amados por Deus. Caracteriza “essas promessas” dessa forma por causa de sua magnitude e beleza. São puro “evangelho”, pura graça transbordante. Por isso
não apenas demandam uma configuração correspondente conseqüente de nossa vida, mas geram em nós o desejo pela purificação completa: “Queremos nos purificar de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.” O apóstolo conta com a circunstância de que também os coríntios “queiram”, por reconhecimento próprio e claro e pela alegria pessoal com a elevada condição de vida que podem ter como “filhos” e “filhas” do Onipotente. Queremos nos purificar “de toda a impureza, tanto da carne como do espírito”. Aqui Paulo não usa as palavras “carne” e “espírito” no sentido específico que geralmente têm nos seus textos, quando chama de “carne” a nossa particularidade natural egocêntrica e quando, no caso do “espírito”, estabelece relação com o Espírito de Deus. Emprega-as agora de modo semelhante ao uso que faz de “corpo e espírito” em 1Co 7.34 e de “corpo, alma e espírito” em 1Ts 5.23. Nossa vida exterior e nosso ser interior são por natureza maculados desde a queda no pecado e são repetidamente manchados. É significativo que nesse contexto também se faça referência expressa à “impureza do espírito”. O idealismo acredita que o “espírito” seria o elemento nobre e divino no ser humano. Na verdade, porém, justamente o espírito humano pode apresentar as mais perigosas e maléficas máculas, o orgulho, o frio desamor, a arrogância. Em razão disso é preciso que justamente nosso espírito também seja radicalmente purificado. Porque perante o santo Deus somente persistirão pessoas puras. Na presença de Deus, aquele que tem lábios impuros somente pode clamar: “Ai de mim! Estou perdido!” (Is 6.5). Por isso carecemos da purificação constante, que ainda não se realizou de uma vez por todas quando nos convertemos a Deus. Trata-se da purificação de “toda” a impureza. Não podemos simplesmente escolher, deixando certas máculas prevalecerem, considerando-as desimportantes segundo nossa própria opinião. Contudo, a vontade de nos purificarmos de “toda impureza” seria tolhida de antemão se contássemos com a possibilidade de que a purificação poderia não ter êxito e a “santidade” não ser alcançada. Por isso Paulo diz que “aperfeiçoamos a santidade”. Fazemo-lo “no temor de Deus”. A nova aliança sob a graça, a vida na condição de filhos e filhas de Deus não exclui o “temor”, mas o inclui, como Atos dos Apóstolos nos mostra justamente pela primeira época da igreja (At 5.5; 5.11; 9.31). Até mesmo a mais clemente proximidade que Deus como “Pai” concede a seus “filhos” e “filhas” desperta o “temor”, por ser proximidade com um Deus presente e santo. Este temor teme todos os pecados como incompatíveis com Deus e “aperfeiçoa a santidade”. Pedro o declarou à igreja em unanimidade com Paulo: “Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação” (1Pe 1.17). A redenção pelo precioso sangue de Cristo não torna isso desnecessário, mas constitui um motivo renovado e poderoso para a santificação (1Pe 1.18s), para uma santificação que com sua seriedade de fato “aperfeiçoa a santidade” e não se contenta pura e simplesmente com uma santificação rudimentar.
Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos Filipenses. Editora Evangélica Esperança.
2 Cor 7.1 O primeiro versículo completa o apelo do capítulo 6, que é, não receber em vão a graça de Deus. E para tornar seu pedido muito impressionante e atraente, o apóstolo se inclui na admoestação: Amados, visto que agora temos estas promessas, purifiquemo-nos de qualquer poluição da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus. Gloriosas e sublimes foram as promessas de que o apóstolo os lembrara, em especial o fato que eram o templo do Deus vivo. Todavia, um tal privilégio, como foi natural, impôs-lhes obrigações, como também sobre todos os cristãos, a saber, as de remover toda e qualquer poluição, qualquer contaminação, do modo como ela se origina de todas as associações mas, com descrentes e gentios de todas os tipos. Uma comunhão como esta polui a perfeita pureza da comunhão pessoal do cristão com Deus. Ela não só macula do espírito, mas também o corpo. Ela é incompatível com a correta recepção da graça de Deus, tal como o evangelho a oferece. Cada cristão antes precisa sentir a necessidade de crescer, dia a dia, no correto temor e na correta reverência a Deus, tornando-se, deste modo, mais perfeito na santidade. Este devia ser o estado de espírito, ou a disposição, de todos os cristãos, que tenham o propósito de andar ante de Deus e ser perfeitos, Gn. 17. 1. A consagração a Deus, que começou no batismo pela fé, precisa ser atualizada, desenvolvida, e aperfeiçoada durante a vida toda, e isto sempre com o sentido da proximidade, da presença, de Deus, a quem nada está oculto.
Agora Paulo, tendo em mente este pensamento de desafiar a imitação deles, repete seu apelo do cap. 6. 13: Recebei-nos, isto é, fazei espaço para nós em vossos corações; fazei que a antiga desagradável estreiteza em simpatia seja algo do passado. Ele está desejoso para possuir o amor deles, está preocupado com o fato que se magoaram com sua carta, tem o desejo para estar novamente certo do afeto deles. Por isso lhes assegura: A ninguém fizemos algo errado, a ninguém corrompemos, de ninguém buscamos alguma vantagem. Aqui temos o motivo do seu apelo para ser aceito por eles em seus corações. Todas as acusações contra sua conduta moral não tiveram fundamento. Pois, a ninguém fizera qualquer injustiça, em seu trato com eles não violara os direitos de ninguém por meio dum desnecessário rigor de disciplina. A ninguém seduzira por meio duma doutrina falsa, sendo que ele não fora um enganador. Em todo seu trato com eles não tentara tirar proveito deles, também não quando os lembrou do dever de proverem por seus mestres, e nem quando lhes recomendou um método sistemático para coletar pelos pobres de Jerusalém. Mas para que os cristãos de Corinto não sentissem nesta defesa do apóstolo sua falta em não tê-lo defendido contra os ataques de seus difamadores, ele se apressa para acrescentar: Não digo isto com o objetivo de vos condenar, pois, anteriormente, afirmei que estais em nossos corações para juntos morrermos e para juntos vivermos. Não deviam interpretar suas palavras como uma sentença de condenação, visto que não os acusava de desconfiarem dele. Ao contrário, permanecia como verdadeiro o que lhes assegurara antes, cap. 1. 6; 6. 11, que, exatamente como se sentia certo do afeto deles para com ele, seu coração estava alargado em solidariedade amável por eles. Em seu coração estava a imagem deles, estando inseparavelmente unidos a ele em amor, a ponto de não estarem ausentes de seu coração fosse na morte ou na vida. E o termo grego que ele emprega supõe que este sentimento foi mútuo, que sua devoção pelo bem-estar deles foi correspondido pelo amor deles por ele. Este fato faz com que ele continue com toda alegria: Grande é minha franqueza para convosco, grande é o meu gloriar-me por causa de vós. A certeza da solidariedade amável deles lhe dá a confiança de confessar-se de modo tão franco a eles, de envaidecer-se tão confiantemente por causa deles, e isto, não só nesta carta, mas na ocasião de suas visitas a outras congregações. A exultação de seu coração sobre o progresso espiritual deles foi tamanho que exclamou: Estou tomado de conforto, sim, mais do que isto, estou inundado de alegria em todas as minhas aflições. Para o ministro fiel sempre há infortúnio, desgraça e tristeza, seja por causa da perseguição do mundo como por motivo da apostasia e da oposição dentro das congregações. Mas tudo isto é encoberto pelo consolo que vem do sucesso do evangelho, como aquele efeito do qual o coração do apóstolo se enche de alegria a ponto de transbordar. Esta não já não pode conter em silêncio seu sentimento, mas precisa irromper em feliz exultação. A experiência de todos os pastores que são inabalavelmente fiéis no desempenho de suas obrigações, é consolo e alegria que encobre a aflição e a tristeza.
KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento. Editora Concordia Publishing House.
1 Tm 4.8 Olha para frente (v. 8). O atleta grego ou romano que vencia a competição era recompensado pela multidão e, normalmente, recebia uma coroa de fouros ou uma guirlanda com folhas de carvalho. A palavra grega para "coroa" é stephanos - a coroa do vitorioso, de onde vem o nome Estêvão (a coroa do rei era chamada de diadema).
Mas Paulo não receberia uma coroa de folhas que murchariam, e sim a coroa imarcescível de justiça.
Jesus Cristo é o "reto juiz" que sempre julga corretamente. Os juízes de Paulo em Roma não eram justos. Se fossem, o teriam libertado. Paulo foi julgado em diversos tribunais, mas estava prestes a encontrar-se com seu último Juiz, seu Senhor e Salvador Jesus Cristo. Quem está pronto para encontrar-se com o Senhor não precisa temer o julgamento de homens. A coroa da justiça é a recompensa de Deus por uma vida fiel e justa; o incentivo para viver em retidão e santidade é a volta de Cristo. Uma vez que Paulo amava essa volta e esperava por ela, era justo em sua vida e fiel em seu serviço. Por isso, o apóstolo usa a volta de Jesus Cristo como base para sua admoestação neste capítulo (ver 2 Tm 4:1).
Não somos chamados para ser apóstolos, mas, ainda assim, podemos ganhar a mesma coroa que Paulo recebeu. Se amarmos a volta de Cristo, vivermos em obediência a sua vontade e realizarmos a obra para
a qual ele nos chamou, seremos coroados.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 332-333.
1 Tm 4.8 — Para pouco aproveita contrasta o valor de curto prazo do exercício físico com os benefícios de longo prazo da piedade para tudo. A disciplina na piedade influencia a vida do cristão, tanto no presente como no futuro. O aspecto presente inclui obediência e uma vida de propósitos (Jo 10.10). O futuro envolve maiores recompensas no Reino de Cristo, que está por vir (1 Co 3.10- 5; 2 Co 5.9,10).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 596-597.
1 Tm 4.8 Exercício físico: o exercício do corpo é entendido aqui em sentido literal. A ascese física dos hereges não podia ser inteiramente condenada. Por causa da prática da oração, a abstinência sexual por ser tão sensata como abs-ter-se de “todas as coisas”, quando se trata de uma luta que demanda todas as forças. E Paulo está ciente do significado e da necessidade da disciplina e do exercício físicos. Afinal, declara a seu próprio respeito: “Disciplino meu corpo e o domestico.” Numa tradução adequada isso significa: mantenho meu corpo exercitado (em condições) por meio de um treinamento direcionado que leva em conta as fraquezas específicas, a fim de que eu o domine e não resultem desvantagens e impedimentos às minhas incumbências como arauto do evangelho por causa de um corpo indisciplinado ou mole.
Utilidade apenas restrita: O pequeno proveito do exercício físico não deve ser entendido em termos depreciativos ou interpretado como se no fundo treinar o corpo tivesse pouca utilidade ou até mesmo fosse completamente inútil. O pouco faz parte do transitório e é comparado a “todas as coisas” que abarcam coisas transitórias e não-transitórias.
A beatitude é útil para tudo. A referência à devoção que determina todas as áreas da vida não é originária de um utilitarismo superficial (interesse centrado na utilidade) ou pragmatismo (derivar normas e formas de conduta válidas de sua mera finalidade), porque o exercício e proveito da devoção somente são válidos porque possuem promessa. O ser humano não pode merecer nem forçar a obtenção da promessa de Deus. Somente pela fé ele pode receber tanto o Espírito Santo como a devoção, o que não contradiz a circunstância de que pelo exercício persistente no cumprimento da vontade de Deus de fato se obtém a promessa.
Para a vida atual e futura. Nas past está irrestritamente viva a consciência de uma devoção que conhece a grande diferença entre o hoje e futuro eterno e ao mesmo tempo a relação cheia de tensões entre “agora” e “outrora” (QI 9). Não constatamos coisa diferente nos evangelhos, onde os discípulos recebem na era atual cem vezes mais, e para a vida vindoura lhes está prometida a perfeição em Deus. Uma vez que a busca e o esforço se dirigem ao reino de Deus e à sua justiça, as coisas terrenas podem ser acrescentadas ao ser humano sem que ele perverta a dádiva em posse arbitrária nem seja possuído por ela. Quem busca diretamente prazer, ou poder, ou posse, ou alegria, sai de mãos vazias e torna-se refém do vício. O mais importante, que tornará a vida algo que vale a pena ser vivido, não pode ser produzido nem intencionado. É concedido aos que confiam na promessa de Deus e se exercitam nessa confiança que supera todo o temor e toda a avidez.
O ser humano vive do pão e de toda palavra que sai da boca de Deus. Somente quando ao pão terreno se acrescenta a palavra de Deus, o ser humano inteiro recebe seu alimento completo. Por isso Timóteo deve se nutrir das palavras da fé, seguir a doutrina com obediência, exercitar-se para o crescimento na beatitude, e então também lhe será concedido tudo aquilo pelo que os gentios se empenham em vão.
Werner de Boor. Comentário Esperança 1 Carta Timóteo. Editora Evangélica Esperança.
IV - PRESTANDO CONTA DE TUDO
1. Guardando o mandamento.
Prestando contas de tudo
Guardando o mandamento
Após falar da brevidade da vida e da necessidade de se buscar em Deus um sentido para a mesma, o sábio conclui: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Ec 12.13). Há duas coisas que precisam ser sublinhadas nesse conselho. A primeira é que a vida é dinâmica, mas precisa de regras, normas ou mandamentos para ser vivida. É um chamado à observância da Palavra de Deus. Essa Palavra, ou mandamento, (hb. mitsvah) é constituída de preceitos, que são fundamentados em princípios. Para nosso próprio bem, devemos observar a sua letra e também o seu espírito. Em segundo lugar, o sábio diz que é um dever nosso guardar essa Palavra ou mandamento. Dever é algo que está acima da minha vontade ou desejos. Posso não gostar de remédios, mas para o bem da minha saúde preciso tomar o medicamento receitado. Posso não ter a mínima vontade de pagar impostos, mas se não o fizer vou arcar com as consequências. Se Deus mandou devemos obedecer.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 158.
DEZ MANDAMENTOS
História da Interpretação
O AT sustenta que a lei é o padrão do comportamento aceitável. Ocasionalmente o aspecto cerimonial é proeminente, mas os profetas enfatizam os aspectos éticos. As mensagens deles são mais bem compreendidas contra o contexto do Decálogo (por exemplo, Jr 7.9).
Jesus aplicou o Decálogo ao plano da motivação. Paulo em suas epístolas aos Romanos e Gálatas enfatizou que a lei é escrita no coração e é proclamada para dar conhecimento do pecado. O NT, assim como o AT, liga o Decálogo a Moisés. Exceto pelos Gnósticos (veja Gnosticismo), os Patriarcas da Igreja geralmente reconhecem a origem Mosaica da lei. Justino mantinha uma diferença entre a lei moral e a cerimonial. Académicos medievais tanto cristãos como judeus ensinavam a origem Mosaica da lei. Aquino introduziu uma divisão tripla da lei: moral, cerimonial e judicial. Os reformadores explicaram o Decálogo, declararam sua autoria Mosaica e fizeram ecoar a ênfase Paulina. Wesley promulgou os pontos de vista de Paulo. Justino e os reformadores sustentaram que a lei leva ao Evangelho, enquanto que o Evangelho leva a uma maior obediência à lei. A "crítica elevada" levou à primeira negação da tradição Mosaica. Partes do Decálogo foram consideradas como o resultado do desenvolvimento evolutivo de adoração ancestral, ambiente nómade, ou de uma vida agrícola fixa. Alguns pensavam que Moisés inicialmente criou a lei, e que ela evoluiu. Outros sustentavam que a lei é tão altamente evoluída que Moisés não tinha ligação com ela, mas que Moisés criou apenas um Decálogo ritual.
As tendências atuais dos estudos bíblicos indicam um crescente apoio à origem Mosaica. As qualidades nobres do Decálogo estão sendo datadas como cada vez mais antigas.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 547-548.
Ec 12.13 De tudo que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus. Encontramos aqui a alegada conclusão do livro. Mas essa conclusão foi preparada pelas escolas ortodoxas de sabedoria, centradas no conhecimento da lei e na sua obediência, tudo fomentado e interpretado pelas escolas de sabedoria. A conclusão do triste filósofo, contudo, vemos em Eclesiastes 12.8: “Vaidade de vaidade... tudo é vaidade”. Foi assim também que esse tratado começou (ver Eclesiastes 1.2). Mas, nas escolas de sabedoria, os homens eram homens “da lei”. A lei era o guia (Deu. 6.4 ss.); a lei transmitia vida (Pro. 4.13); a sabedoria consistia em conhecer e obedecer à lei; a lei tornava distintos a nação ou o indivíduo. Todos os deveres do indivíduo giravam em torno do conhecimento e da observância da lei. O summum bonum do indivíduo sábio e ortodoxo consistia em obedecer à lei. Mas o summum bonum do triste filósofo eram os pequenos prazeres da vida (Eclesiastes 2.24-25), e até mesmo isso ele considerava um falso valor. Os homens das escolas de sabedoria consideravam inteiramente possível a obtenção do saber, porquanto a obediência à lei era considerada a própria sabedoria. Mas o triste filósofo não pensava que a sabedoria pudesse ser obtida por homem nenhum (ver Eclesiastes 8.16-17). Os homens das escolas de sabedoria aplicavam o seu conhecimento para o bem, mas o mau filósofo pensava que ninguém era verdadeiramente bom (Eclesiastes 7.16-17). A conclusão que encontramos no vs. 13 seria boa para o livro de Provérbios, mas, por certo, não é a conclusão a que chegou o filósofo que escreveu Eclesiastes.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2743.
Ec 12.13 — Temer a Deus é um dos grandes temas de Eclesiastes e da literatura de sabedoria no Antigo Testamento. Temer a Deus implica obedecer- lhe a Ele com respeito, reverência e admiração, servir-lhe com atitudes puras e afastar-se do mal e da adoração a qualquer outra coisa em Seu universo.
As palavras guarda os seus mandamentos remetem aos mandamentos da Lei. Jesus os resumiu a amarás ao Senhor, teu Deus e o teu próximo como a ti mesmo (Mt 22.34-40).
Só somos completos e íntegros quando tememos a Deus e obedecemos aos Seus mandamentos, porque este é o dever de todo homem. Que importância há em viver? Se seguirmos as orientações de Eclesiastes, teremos um relacionamento com Deus e encontraremos no Senhor a vida.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 1006.
A vida é um exercício de mordomia: tema a Deus (Ec 12:13, 14)
Nossa vida não nos pertence, pois a vida é uma dádiva de Deus (At 17:24-28). Somos mordomos de nossa vida e, um dia, teremos de prestar contas do que fizemos com essa dádiva. Algumas pessoas só estão gastando a vida, enquanto outras estão desperdiçando a vida; algumas investem a vida. Como disse Corrie ten Boom: "No final das contas, a medida da vida não é sua duração, mas sim sua doação". A fim de que nossa vida tenha valor, devemos cumprir três obrigações. Temer a Deus (v. 13).
 Eclesiastes termina onde o Livro de Provérbios começa (Pv 1:7): com uma admoestação para temer a Deus (ver 3:14; 5:7; 7:18 e 8:12, 13). O "temor do Senhor " é a atitude de reverência que o povo de Deus demonstra para com ele por amor e respeito a seu poder e a sua grandeza. A pessoa que teme ao Senhor atenta para sua Palavra e obedece a ela. Não tenta o Senhor desobedecendo deliberadamente ou "brincando com o pecado". Um medo não santo faz as pessoas fugirem de Deus, enquanto um temor santo coloca-as de joelhos em amorosa sujeição a Deus.
"O mais impressionante sobre o temor do Senhor", escreveu Oswald Chambers, "é que, quando tememos a Deus, não temos medo de nenhuma outra coisa; ao passo que, quando não tememos a Deus, temos medo de todo o resto". O profeta Isaías expressa-se perfeitamente em Isaías 8:13, e o salmista descreve uma pessoa assim no Salmo 112.
Guardar os mandamentos de Deus (v. 13).
Deus criou a vida e somente ele sabe como deve ser conduzida. Ele escreveu o "manual de instruções", e quem é sábio lê e obedece.
"Quando tudo mais falhar, leia as instruções!" O temor do Senhor deve resultar numa vida de obediência, de outro modo, esse "temor" é apenas uma fraude. O cristão devoto terá o desejo de gastar tempo diariamente estudando as Escrituras, conhecendo melhor o Pai e descobrindo sua vontade. "O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino" (Pv 1:7).
A última oração do versículo 13 pode ser traduzida por: "esse é o fim do homem" (ou seja, seu propósito na vida) ou "isto é para todos os homens". Campbell Morgan sugere: "essa é a totalidade do ser humano". Assim ele escreve: "Em sua inteireza, o ser humano deve começar com Deus; a totalidade do homem, o temor de Deus". Quando Salomão examina a vida "debaixo do sol", tudo parece fragmentado, e o rei não consegue divisar um padrão. Porém, ao considerar a vida do ponto de vista de Deus, tudo se junta de modo a constituir um todo. Se o homem deseja essa inteireza, deve começar com Deus.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 510-511.
Novamente os mandamentos tornam-se relevantes. Já lemos a esse respeito em 1Jo 2.3s e vimos que isso não é uma recaída em algum tipo de legalismo ou justiça por obras. Agora o apóstolo diz mais uma vez, com total seriedade: “Porque este é o amor a Deus, que guardamos os seus mandamentos; e seus mandamentos não são difíceis.” Foi o que João aprendeu pessoalmente de seu Senhor. Jesus enunciou este ensinamento ainda na última noite: “Se guardardes os meus
mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço.” (Jo 15.10). Nesse ponto Jesus acrescenta: “Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.” (Jo 15.11). De modo algum se trata de um penoso cumprimento da lei, que constrói uma justiça própria perante Deus. Estão em jogo o amor e a alegria! No entanto, novamente importa ao apóstolo, assim como a seu Senhor, que não transformemos o “amor” em uma questão sentimental inerte. Em 1Jo 2.17 vimos: o próprio Deus é “vontade”, justamente por ser verdadeiramente “amor”. Assim também o nosso amor, sendo genuíno, é uma vontade que pratica a vontade de Deus, e por isso perdura eternamente (1Jo 2.17). A boa e salutar vontade de Deus, no entanto, está manifesta em seus “mandamentos”. Nós os “guardamos” porque queremos “amar” e persistir no amor de Deus. Nós os “guardamos” como fez Jesus, o Filho. Fazemo-lo porque somos “nascidos de Deus” e, por conseguinte, “filhos no Filho”.
Em vista disso João assevera expressamente: “E seus mandamentos não são difíceis.” Porém, será isso verdade? Não aprendemos exatamente o contrário, que eles são sumamente difíceis, e até mesmo completamente inexeqüíveis? Porventura Paulo não o ilustrou assim: “Sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para morte” (Rm 7.9s)? Entretanto, esse ser humano que “morre” sob o mandamento não é o “nascido de Deus” que João vê diante de si, não é aquele que, amado por Deus, “ama” pessoalmente e de verdade. Também Paulo fala de forma muito diferente acerca da pessoa renovada a partir do Espírito de Deus, em Rm 8, e ele sabe e atesta que “o amor é o cumprimento da lei” (Rm 13.10). Para o amor “não é difícil” cumprir os mandamentos. Para ele isto constitui uma “alegria”, assim como o alimento do Filho de Deus era realizar a vontade daquele que o enviou (Jo 4.34).
Werner de Boor. Comentário Esperança 1 João. Editora Evangélica Esperança.
1 João 5.2,3. Na verdade, tão certa e inevitavelmente o amor ao Progenitor celeste leva consigo amor a Seus filhos na terra, que podemos dizer, nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus. É impossível amar os filhos de Deus (como tais) sem amar a Deus, como o é amar a Deus sem amar Seus filhos (4:20, 21). Uma relação familiar une os dois amores. O amor a Deus tem uma segunda consequência inevitável, a saber, obediência. Se amamos verdadeiramente a Deus, não somente amamos Seus filhos, mas também praticamos os seus mandamentos. No versículo 3 João vai mais adiante. Tão inexorável é a conexão entre os dois, que o amor a Deus, que num sentido resulta na obediência, noutro pode ser identificado com ela. O amor a Deus não é tanto uma experiência emocional como obediência moral. Na verdade, quer demonstrado a Deus quer ao homem, agapé é amor prático e ativo. O amor aos irmãos expressa-se “de fato e de verdade”, em serviço sacrificial (3:17,18); o amor a Deus, em guardar os Seus mandamentos. Jesus disse a mesma coisa acerca do sentido do amor a Ele (Jo 14:15, 21).
Tampouco havemos de achar difícil expressar o nosso amor mediante a obediência, pois os seus mandamentos não são penosos (AV, “dolorosos”; Moffatt, “penosos”; RSV e NEB, “pesados”). Os minuciosos regulamentos dos escribas e fariseus eram “fardos pesados e difíceis de carregar” (Mt 23:4, ARA como a RSV; Lc 11:46), mas o jugo de Jesus é suave e o Seu fardo é leve (Mt 11:30). A vontade de Deus é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12:2). É a vontade de um Pai perfeitamente sábio, cheio de amor, que procura o nosso bem-estar supremo.
J.R.W. STOTT, Comentário Bíblico Cultura Cristã. 1 João. Editora Vida Nova. pag. 149-150.
2. Aguardando o julgamento.
As últimas palavras de Eclesiastes, são: “Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Ec 12.14). São palavras de advertências sobre o julgamento a que todos nós estamos sujeitos. Nossas obras e nossas ações serão medidas. Para Deus os valores são bem definidos, há aquilo que será sempre certo e aquilo que será sempre errado. Há as obras boas e as obras más. O termo hebraico mishpat usado aqui possui o sentido jurídico de tomada de decisão. Chegará o dia em que o Justo Juiz decidirá o nosso destino (Rm 14.10,12). Não são palavras intimidatórias, mas palavras que nos chamam a viver com responsabilidade diante dos homens e de Deus.
A vida, pois, é um contraste entre a alegria e tristeza; juventude e velhice; vida e morte; passado e futuro. Não há como fugir da realidade da vida. Sabendo, pois, que a nossa vida debaixo do sol é tão fugaz, cabe a nós procurar viver da melhor maneira possível esse dom do Criador. Salomão, em sua sabedoria, nos deixa a receita: tema a Deus em todo o tempo.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 159.
JULGAMENTOS ou JUÍZOS Os principais termos traduzidos como "julgamento" são o heb. mishpat e os gregos krima e krisis. Derivada de shaphat, "julgar", a palavra heb. denota um dinâmico "fazer o certo" como resultado de distinguir entre o certo e o errado (1 Rs 3.9). Entre o povo da aliança de Deus, o julgamento é baseado em sua revelação e instrução (tora) para eles. Deve ser uma atividade religiosa (Mq 6.8) para punir o malfeitor, justificar o justo, e livrar o fraco da condenação injusta, a fim de realizar a verdadeira justiça (Is 1.17; Zc 8.16,17). Mishpat é o direito fundamental, frequentemente ocorrendo no sentido da lei, sendo geralmente traduzido, então, como "ordenança" (2 Rs 17.34,37; Is 58.2). O juízo de,Deus é perfeitamente justo, não arbitrário. É "uma mistura de confiança e misericórdia, de lei e amor" (Morris, The Biblical Doctrine ofJudgment, p. 21). O juízo do Senhor é a operação de sua misericórdia e de sua ira, trazendo libertação para os mansos (SI 25.9; Dt 10.18; Is 30.18ss.), bem como a condenação para os ímpios (Dt 32.41). O "conceito de juízo" do AT "tem uma base legal que emerge como aquela atividade judicial de discriminação, de acordo com o direito, que separa os justos dos ímpios e, como resultado, toma uma atitude" (ibid., p. 29). No NT, quando as duas palavras gregas podem ser distinguidas em significado, krisis sugere mais o processo do julgamento, o seu funcionamento (Jo 3.19), enquanto krima denota condenação, a sentença proferida pelo juiz (Rm 2.2,3; Tg 3.1; Jd 4).
Julgamentos dos Homens
As Escrituras ensinam que, sob as limitações adequadas, os homens deveriam ser livres para formar e expressar julgamentos privados relativos à Palavra de Deus, ao estado, e a seus companheiros. Os homens devem governar uns aos outros, bem como julgar a si mesmos.
1. Os protestantes geralmente defendem que a Bíblia é um livro para o povo, para ser lido e entendido pelo próprio povo. Os profetas do AT falaram para toda a nação, e os Evangelhos e as epístolas eram para o uso e instrução popular. O Espírito Santo é o Mestre Supremo para cada homem (1 Jo 2.20,21,27). Os católicos romanos têm sustentado que a Igreja é o intérprete infalível e divinamente autorizado da revelação das Escrituras, e que o indivíduo deve se submeter sem reservas ao julgamento da igreja. Os protestantes reivindicam que somente a Bíblia - e não a tradição e as decisões papais formais - é a regra única e suficiente de fé e prática.
2. O governo civil ou humano é claramente reconhecido pelas Escrituras como, residindo na autoridade divina (Gn 9.5,6; Ex 18.13-26). A obediência ao estado em geral, portanto, é um mandamento de Deus (Rm 13.1-5; 1 Pe 2.13-15). Mas está igualmente claro que a fim de exigir a obediência de cidadãos ou indivíduos, o estado deve manter a sua ação em sua própria esfera. A função do governo humano é proteger a vida e a propriedade, e preservar a ordem social. Todos os legisladores e juízes devem se lembrar que estão sujeitos ao julgamento de Deus, e devem exercitar o seu ofício de forma imparcial, e com a devida moderação. Quando o estado, porém, tenta forçar a anuência a doutrinas religiosas, ou sancionar leis que exijam a desobediência aos mandamentos de Deus, então o direito de um julgamento privado deve ser declarado. Como Pedro declarou, "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (At 5.29).
3. O juízo privativo e não oficial de outros é necessário a fim de proteger a própria vida e o caráter de uma pessoa. Devemos constantemente analisar a conduta e o caráter dos outros para a nossa própria direção, segurança e utilidade. Por exemplo, devemos ter cuidado com os falsos profetas aos quais devemos ser capazes de reconhecer por seus frutos (Mt 7.15-20). Devemos provar e examinar todas as coisas, retendo o que é bom e evitando o mal (1 Ts 5.21,22). Precisamos ser capazes de distinguir, abundando em conhecimento e discernimento (Fp 1.9,10). A proibição de julgar (Mt 7.1) não se opõe a isto (cf. 7.6), mas se refere a criticar e condenar. Somos proibidos de usurpar o lugar de Deus como juiz, ou de fazer julgamentos precipitados, injustos e severos sobre os outros (veja o tópico "Judgment", no Unger's Bible Dictionary, pp. 620ss.). 4. O cristão é exortado a examinar-se a si mesmo (2 Co 13.5), e a julgar o seu próprio caminhar. Este autojulgamento refere-se à crítica do crente quanto aos seus próprios caminhos (1 Co 11.31,32), e isto resulta em sua observação e na confissão de seu pecado (1 Jo 1.7-9). Segue-se então a restauração a uma plena comunhão através da defesa de Jesus Cristo (1 Jo 2.1,2).
Juízos de Deus
1. A base do juízo divino. Para a pessoa não salva, este assunto depende inteiramente de suas obras. Eles não estão sem um conhecimento da verdade, pois são: (a) os destinatários da revelação geral e, portanto, indesculpáveis (Rm 1.18-20); (ò) eles alguma vez conheceram a Deus, mas transformaram o que sabiam em uma mentira (w. 21-24); (c) eles têm a obra da lei escrita em seus corações (Rm 2.15). Deus os julgará de acordo com a verdade (Rm 2.2); de acordo com os seus atos (v.6); pela lei se eles a possuírem, e pela obra da lei escrita em seus corações, se não a possuírem (w.12-15).
Alguns serão punidos com alguns açoites e outros com muitos, de acordo com o grau de sua responsabilidade e a gravidade de seus pecados (Lc 12.48), mas nenhum deles será salvo (Rm 2.19,20; Ef 2.9). Para os crentes resta apenas um juízo de avaliação e galardão, uma vez que o Senhor Jesus Cristo guardou a lei no lugar deles, sofreu e morreu em seu lugar (Is 53.5,10,11) sob a penalidade da lei infringida (2 Co 5.21).
2. A descrição dos juízos divinos. Os teólogos sempre sustentaram que há um julgamento geral. Este é um dogma fortemente arraigado na teologia cristã, e é um resultado que vem mais da racionalização do que de uma exegese bíblica completa. Mas um cuidadoso estudo indutivo de todas as Escrituras envolvidas, demonstra que há pelo menos sete juízos divinos distintos descritos na Bíblia. a. O juízo da cruz. O Senhor Jesus Cristo, como a nossa expiação substituta, suportou o castigo pelos nossos pecados na cruz (Is 53; Hb 10.10-12; 1 Pe 2.24). Ele tomou sobre si a maldição do pecado (Gl 3.13) e se tornou o portador de nossos pecados (Jo 1.29; 2 Co 5.21; Hb 9.26-28), e antes de finalmente entregar o seu espírito a Deus, Ele pôde dizer "Está consumado" (Jo 19.30). Quando reconhecemos os nossos pecados e aceitamos a Cristo como o nosso Salvador, Deus nos identifica com o seu Filho e nos vê simultaneamente de duas formas: como tendo mor rido através de nosso Representante, e ressuscitado com Ele em novidade de vida (Rm 5.12ss.; 6.3-5; 1 Co 15.22). Por esta razão lemos em Romanos 8.1: "Portanto, agora, nenhuma condenação [juízo de maldição] há para os que estão em Cristo Jesus". Como resultado, o crente nunca mais será julgado por seus pecados. Deus os lançou para trás de suas costas, e não se lembrará mais deles (Is 38.17; 43.25; SI 103.12; Jr 31.34; Hb 10.17).
b. O juízo do caminhar do crente. Este vem na forma de correção divina e de castigo (1 Co 11.30-32; Jo 15.1-8; Hb 12.3-15). Deus o inflige sobre o cristão para que este não seja julgado com o mundo (1 Co 11.32). Ele pode tomar a forma de aflições severas nas mãos de Satanás a fim de subjugar a sua natureza carnal (1 Co 5.5). Pode terminar com a remoção do cristão pela morte, caso ele não se arrependa (1 Co 11.30). O "pecado para morte" mencionado em 1 João 5.16, porém, é punido com a morte eterna no caso daquele que deliberadamente continua em pecado (Hb 10.26) e persistentemente nega a encarnação do Filho de Deus (1 Jo 2.22; 4.3; 2 Jo 7) ou a sua divindade. Veja Pecado para Morte.
c. Ojuízo das obras do crente. Uma vez que os seus pecados já foram julgados na pessoa de seu substituto, o Senhor Jesus Cristo (Rm 8.3; 2 Co 5.21; 1 Pe 2.24), o cristão não é julgado novamente por seus pecados junto com o mundo (1 Co 5.5). Ele deve, porém, comparecer ou se apresentar perante o que é chamado de o tribunal (gr. bema) de Cristo (2 Co 5.10; Rm 14.10), "para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal". Suas obras devem ser manifestas abertamente no bema ou tribunal do juiz (cf. At 25.6,10,17). Este termo também se refere à base ou à plataforma em um anfiteatro onde os prémios, eram dados, como em Cesaréia (At 12.21). É altamente necessário que o serviço de cada filho de Deus seja examinado e avaliado (Mt 12.36; 2 Co 9.6; Gl 6.7,9; Ef 6.8; Cl 3.24-25). Como resultado deste julgamento das obras do crente haverá galardão ou perda dele. Mesmo no segundo caso, se sua obra for queimada, o crente verdadeiramente nascido de novo "será salvo, todavia como pelo fogo" (1 Co 3.12-15).
Visto que devemos reinar com Cristo e alguns serão designados governantes de cinco e alguns de dez cidades em seu reino milenial, este julgamento deve ocorrer antes do retorno dos santos para governar com Cristo (Zc 14.5; Jd 14; Ap 20.4). Este pode ser um processo contínuo, cada santo sendo julgado por suas obras imediatamente ao passar desta vida para estar com o Senhor (1 Co 3.12-15). Outra possibilidade é que o tribunal de Cristo seja estabelecido no céu depois do arrebatamento da Igreja e antes da volta gloriosa de Cristo à terra para estabelecer o seu reinado em Jerusalém. Veja Tribunal.
d. O julgamento de Israel. O Senhor julgará a sua nação escolhida, Israel, quando voltar com todos os seus santos, antes de estabelecer o seu reino (Ez 20.33-44; Ml 3.2-6). Esta ação é a etapa final de seu juízo contínuo da nação de Israel, predito com tanta frequência (por exemplo, Dt 28.15-68; Is 1; 3; 5 etc; Jr 2-9) e executado de forma tão severa na história.
e. O julgamento das nações. Este é o julgamento mais difícil de localizar e definir. E mencionado em duas partes. Primeiro, o juízo derramado por Cristo ao vir para punir aquelas nações que se uniram sob o governo do Anticristo para destruir Israel (Jl 3.12-16; cf. Zc 12.1,9; 14.2ss.). Tal destruição é o clímax dos juízos de Deus contra nações específicas que prejudicaram o seu povo escolhido, Israel, como anunciado pelos profetas do AT (por exemplo, Is 13-23; Jr 46-51; Ez 25-32). Segundo, um julgamento de todas as nações depois da segunda vinda de Cristo (Mt 25.31-46).
O Senhor não pode assumir seu governo milenial sobre a terra sem primeiro julgar as nações pelo que têm feito. Em Mateus 25.32 a palavra "nações" é uma tradução do termo gr. ethne, o equivalente do termo heb. goyim, que também significa "povos", "gentios". Aqui eles parecem ser todos os povos civis não mortos na batalha do Armagedom, quando seus exércitos foram destruídos (Ap 16.14,16; 19.19-21). A base deste julgamento deve ser o modo como estes povos, como indivíduos, trataram "um destes meus pequeninos" (Mt 25.40), e se refere ao tratamento que dispensaram tanto aos cristãos (Hb 2.11-14) como ao povo mais antigo de Deus, Israel (SI 22.22; 69.8).
O dilema da dificuldade em decidir a natureza deste julgamento, reside no fato de ele falar do povo anteriormente perdido recebendo a bênção eterna ou a condenação eterna com base nas suas obras. Visto que nenhum homem pode ser justificado por suas obras (Rm 3.19,20; Gl 2.16), não se pode formar uma parte de nenhum julgamento geral dos justos e dos ímpios. No entanto, por esta mesma razão, isto se adequa à situação existente na segunda vinda de Cristo e descreve o juízo devido às "nações" por suas ações em relação aos crentes e israelitas durante a Grande Tribulação.
A única dificuldade que permanece com qualquer interpretação é a declaração de que enquanto os bodes irão "para o tormento eterno", os justos irão "para a vida eterna" (Mt 25.46). Se estas passagens forem tomadas como uma simples referência à entrada no reino milenial sem implicar na salvação, então podemos compreender o veredicto. Ela pode significar uma vida que conduza à vida eterna uma vez que é uma e a mesma com o Senhor. A explicação mais provável é que as Escrituras falam de um arrependimento nacional de todo o Israel naquele tempo (Zc 12.10-13.1; Dt 30.1-10; Os 5.15-6.3; Ap 1.7), e da salvação daquela nação em um dia (Is 66.8; Zc 3.9; Rm 11.26); o mesmo irá ocorrer àquelas nações que trataram bem aos cristãos e aos judeus. Tendo a permissão de entrar no reino, eles irão imediatamente se arrepender, reconhecer a Cristo, ser salvos e, portanto, podem ser citados por Cristo como entrando na vida eterna.
f. O julgamento dos anjos. O cristão deverá tomar parte neste evento (1 Co 6.3). Parece ocorrer no momento do julgamento de Satanás e está ligado ao juízo do Grande Trono Branco (Ap 20.11ss.; cf. 2 Pe 2.4; Jd 6).
g. O julgamento dos ímpios. Não há nenhuma indicação de algum julgamento dos ímpios antes de Apocalipse 20.11, exceto no caso das nações ímpias em Mateus 25. Somente os mortos justos serão ressuscitados no início do reinado milenial de Cristo (Ap 20.4), e a segunda morte não terá poder sobre eles. Todos os ímpios, em contraste, chamados de "os outros mortos", não reviverão até que os mil anos tenham terminado (v. 5). Eles são os participantes do juízo final. Seu julgamento se baseia em duas coisas: em suas obras, que sozinhas não podem salvá-los; e na presença ou ausência de seus nomes no livro da vida. Todos aqueles que não forem encontrados no livro da vida deverão ser lançados no lago de fogo (v. 15).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1115-1118.
Ec 12.14 Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras. Este versículo é, por igual modo, contrário ao que o triste filósofo pensava. Para ele, todas as coisas são absolutamente predeterminadas e tendem a manifestar-se como princípios opostos (Eclesiastes 3.1-11). Um homem bom poderia ter um mau destino, ao passo que um homem ruim poderia terminar de maneira próspera e feliz. O que determinaria tais coisas é a vontade inexorável de Deus, e não o que o próprio indivíduo faz. Ver Eclesiastes 3.16,18-20 e 9.11,12. A mensagem deste livro é a de Rom. 9.16: “... não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia”. A afirmação das escolas de sabedoria era que um homem colhe aquilo que semeia. Mas a afirmação do louco filósofo era que um homem bom colhe o mal, ao passo que o homem ruim colhe o bem. Não obstante, ambos terminam no nada da morte, indistintamente (Eclesiastes 3,19-20; ver também Eclesiastes 8.10-14). O vs. 14 é especialmente pertinente neste contexto. Todas essas vãs condições e acontecimentos teriam inspirado o triste filósofo a apresentar o seu summum bonum da vida humana como os pequenos prazeres. Ver esse pensamento em Eclesiastes 2.24,25; 3.12,22; 5.17; 8.15; 9.7-10; 10.19;
11.7,9,11 e 12.1. Mas até mesmo a isso ele chamou de falso valor. O nosso filósofo era um niilista, não uma figura das escolas de sabedoria, e não há como reconciliar os livros de Provérbios e Eclesiastes, na filosofia básica.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2743.
Preparar-se para o julgamento final (v. 14).
"Deus julgará o justo e o perverso" (3:17). "Sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas" (11:9). Pode parecer que os seres humanos estão escapando impunes de suas transgressões (8:11); porém, mais cedo ou mais tarde, seus pecados serão desmascarados e julgados com justiça. Aqueles que não creram no Senhor Jesus Cristo serão condenados para sempre.
"O caráter eterno do castigo é uma idéia que oprime o coração", disse Charles Spurgeon. "O Senhor é tardio em irar-se; mas quando sua ira for suscitada - como acontecerá contra aqueles que, por fim, rejeitarem o seu Filho -, ele apresentará toda a sua onipotência e esmagará os inimigos." Em seis ocasiões ao longo de seu discurso, Salomão diz para gozar a vida enquanto podemos; porém, em momento algum nos aconselha a gozar o pecado. As alegrias do presente dependem da segurança do futuro.
Se aceitamos Jesus Cristo como nosso Salvador, nossos pecados já foram julgados na cruz; e "agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8:1; e ver Jo 5:24). Porém, aqueles que morrem sem crer em Cristo enfrentam o julgamento diante de seu trono e se perdem para sempre (Ap 20:11-15).
Vale a pena viver? Sem dúvida, desde que estejamos verdadeiramente vivos pela fé em jesus Cristo. Então, seremos capazes de encontrar o contentamento, quaisquer que sejam as circunstâncias que o Senhor permitir em nossa vida.
"Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida" (1 Jo 5:12).
Você pode receber a vida em Cristo e ser contente!
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 511.
Porque Deus há de trazer a juízo toda obra - Esta é a razão por que devemos "temer a Deus e guardar os seus mandamentos."
1. Porque haverá um dia de julgamento.
2. Toda alma do homem deve estar naquele tribunal. 3.Deus, o sábio infinitamente, o Deus de coração a busca, será juiz. 4.Ele trará à luz cada coisa secreta - tudo o que tem sido feito desde a criação, por todos os homens; se esquecido ou inscrito; se feito em segredo ou em público.
5. Todas as obras do divino, assim como todas as obras dos ímpios, serão julgados no mesmo dia, o bem que o santo se esforçou para esconder, assim como o mal que os ímpios se esforçou para esconder.
Este, então, será a conclusão de toda a história mortal. E, embora neste mundo tudo seja vaidade; ainda lá ", vaidades será vão, não mais." Cada coisa ou bem, ou mal, terá seu próprio bom resultado, estável eterna. Ó Deus! preparar o leitor a desistir de suas contas com alegria naquele dia! Amém.
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
Rm 14.10-12 Depois da intercalação dos v. 4-9, Paulo pode esperar por concordância, motivo pelo qual tem condições de repetir as exortações do v. 3. Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Porém, fundamento motivador de nossa atitude não é somente a soberania atual de Cristo, mas também a futura: Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Como está escrito (Is 49.18; 45.23): Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará (com reverência) louvores a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. De acordo com essas afirmações, o acerto final se dará perante Deus, mas seu executor em tudo é Cristo. Para comparar, veja a interpretação de Rm 2.16. Encontraremos Deus na face do Senhor Jesus Cristo. Foi a ele que Deus entregou não somente nosso passado e presente, mas também nosso futuro.
 Adolf Pohl. Comentário Esperança Cartas aos Filipenses. Editora Evangélica Esperança.
Romanos 14:10-12
Há uma razão fundamental, básica por que não temos direito de julgar a outros; e essa razão é que nós mesmos estamos sob o juízo. É a própria essência da humanidade que nós não sejamos os juízes, mas os julgados. Para provar isto, Paulo cita Isaías 45:23. Este era um pensamento com aquele que todo judeu estaria de acordo. Há uma declaração rabínica: "Não deixe que sua imaginação te faça crer que a tumba é um refúgio; por mandato foste feito, por mandato nasceste, por mandato vives, por mandato morres e por mandato deves agir e reconhecer o Rei dos reis, o Santo, bendito seja." A única pessoa que tem direito a julgar alguém é Deus e, menos que ninguém, o homem, que deverá confrontar no tribunal o juízo de Deus, tem direito alguém de julgar a um semelhante que também estará perante esse tribunal.
Justamente antes disto Paulo tinha estado refletindo sobre a impossibilidade de uma vida isolada. Mas há uma situação em que o homem está isolado, e é quando o homem deve comparecer perante o trono do juízo de Deus.
Nos antigos tempos da república romana, na esquina do Fórum mais afastada do Capitólio, estava o tribunal, o assento da justiça, onde o pretor urbano se sentava a administrar justiça. Nos tempos de Paulo, a justiça requeria mais de um assento; de modo que também nas grandes basílicas, nos grandes pórticos de colunas ao redor do Fórum, os magistrados sentavam-se para administrar justiça. O romano conhecia muito bem o espetáculo que oferecia um homem, de pé em frente do assento da justiça. Isto é o que acontece a todo homem; e é um juízo que cada qual deve confrontar sozinho.
Às vezes, neste mundo, pode usar-se méritos de outra pessoa. Muitas vezes um jovem se salvou de alguma pena ou condenação, por consideração de seus pais; muitas vezes um marido foi perdoado por consideração a sua esposa ou seu filho; mas no juízo perante Deus, o homem comparece sozinho. Às vezes, quando morre algum grande, o ataúde, no serviço fúnebre, está na frente da congregação que chora por ele sobre ele jazem suas togas acadêmicas, ou as insígnias de suas dignidades oficiais; mas não pode levá-las consigo. Nus viemos ao mundo, e nus o abandonamos. Comparecemos perante Deus na terrível solidão de nossa alma; a Deus não podemos levar nada mais que o eu e o caráter que estivemos construindo na vida.
Mas não é esta ainda toda a verdade. Não estamos sozinhos perante o tribunal de Deus, porque a nosso lado está Jesus Cristo. Não precisamos ir despojados de tudo; podemos ir revestidos com os méritos que lhe pertencem.
Collin Brooks, o famoso escritor e jornalista, escreve em um de seus livros: "Deus pode ser mais bondoso do que pensamos. Se não puder dizer: 'Bem, servo bom e fiel!', pode ser que enfim exclame: 'Não se preocupe, servo mau e infiel; não me desagrada totalmente'."
Esta foi uma curiosa maneira de declarar sua fé; mas não é só isso. Não é que Deus simplesmente não se desgoste, é que, pecadores como somos, ama-nos pela graça de Jesus Cristo nosso Senhor. Verdade é que, devemos confrontar o juízo perante Deus sozinhos, na nudez de nossas almas; mas se tivermos vivido com Cristo na vida, estaremos a seu lado na morte, e, diante de Deus, ele será nosso advogado defensor.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Romanos. pag. 199-200.
Rm 14.10. Se Cristo é o Senhor, por que então o cristão mais fraco deve condenar seu irmão? Se Cristo é o Senhor, porque o cristão mais forte deve desprezar seu irmão? Ambos, o cristão mais forte e o mais fraco – todos (nós) – compareceremos perante o tribunal de Deus. A E.R.C. diz, ante o tribunal de Cristo, mas todos os melhores manuscritos dizem aqui de Deus. Em II Co. 5:10, Paulo fala do "tribunal de Cristo". A modificação é de pouca importância, uma vez que o próprio Jesus nos disse que o Pai não julga ninguém, mas entregou "ao Filho todo o juízo" (veja Jo. 5:22, 23, 27, 29). Deus julga os homens no sentido de que os julga através do Seu Filho.
11,12. Paulo cita Is. 45:23, da LXX, para mostrar que todos os homens devem comparecer diante de Deus em juízo; depois conclui: Todos nós daremos conta de nós mesmos (a Deus). A Deus não consta do texto original.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular. Romanos. pag. 104.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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