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7° LIÇÃO 1° TRI 2014 OS DEZ MANDAMENTOS DO SENHOR


OS DEZ MANDAMENTOS DO SENHOR
Data:16 de Fevereiro de 2014                             HINOS SUGERIDOS 262, 285, 306.
TEXTO ÁUREO
“Porque o fim da lei é Cristo para justiça , de todo aquele que crê” (Rm 10.4).

VERDADE PRÁTICA
A Lei expõe e condena os nossos pecados, porém, o Senhor Jesus Cristo, pelo seu sangue expiador, nos perdoa e nos justifica mediante a fé.
LEITURA DIÁRIA
Segunda       - Jo 1.16,17     A lei de Moisés e a graça de Deus
Terça            - Rm 1.16,17   O crente vive em Cristo a partir da fé
Quarta          - Gl 4.4,5          Cristo veio alcançar os que estavam sob a Lei
Quinta           - 1 Co 1.30,31 Cristo - sabedoria, justiça, santificação e redenção
Sexta            - Rm 10.8,17    A fé pela Palavra quando crida e obedecida
Sábado         - Gl 2.16           A justificação nos vem pela fé em Cristo
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Êxodo 20.1-5,7-10,12-1 7
1 - Então, falou Deus todas estas palavras, dizendo:
2 - Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
3 - Não terás outros deuses diante de mim.
4 - Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
5 - Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso [...].
7 - Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
8 - Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
9 - Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra,
10 - mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas.
12- Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.
13 - Não matarás.
14 - Não adulterarás.
1 5 - Não furtarás.
16 - Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
17 - Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.
INTERAÇÃO
O Decálogo expressa o propósito de Deus para o povo de Israel: uma nação que andasse em justiça, odiasse o pecado e amasse a santidade. Caso seguissem esse estilo de vida, os judeus resplandeceriam como luz às nações vizinhas. Mas Israel falhou nesta missão e voltou-se contra Deus. Entretanto, a queda do povo judeu trouxe salvação aos gentios. Todavia, isso não deve orgulhar ou ensoberbecer a Igreja do Senhor, representante do Reino de Deus no mundo; pelo contrário, a comunidade dos santos deve temer a Deus e ouvir o conselho do apóstolo Paulo: "Porque, se Deus não poupou os ramos naturais [Israel], teme que te não poupe a ti também [igreja]’’ (Rm 11.2 i).
OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
Conhecer os propósitos dos Dez Mandamentos.
Compreender o conceito de cada mandamento.
Saber que os Dez Mandamentos referem-se a relação do homem com Deus e o próximo.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, utilize o esquema da página seguinte para concluirá lição. Os objetivos desta atividade são: recapitular os mandamentos estudados e analisar as duas relações humanas implícitas no Decálogo.
Explique à classe o quanto é óbvio que a interpretação dos quatro primeiros mandamentos se distingue dos outros seis, pois os quatro primeiros tratam do relacionamento do homem com Deus e os outros seis, do homem com o próximo. Conclua a aula afirmando que, além do aspecto espiritual, o Decálogo apresenta um caráter social da Lei cuja garantia da dignidade humana torna-se uma ordenança divina.
PALAVRA-CHAVE
Mandamento: Disposição escrita em que se determina a realização de um ato, de uma diligência; mandato.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Hoje estudaremos o capítulo 20 do livro de Êxodo. É uma síntese concernente aos Dez Mandamentos que foram entregues por Deus a Moisés. Muitos pensam que os preceitos morais da Lei foram somente para o Antigo Pacto. Todavia, Jesus ressaltou, no Sermão do Monte, que os preceitos morais da Lei são eternos e imutáveis, por isso precisamos conhecê-los.
I - OS PROPÓSITOS DA LEI
1. O Decálogo (Êx 20.3- 17). O termo Decálogo literalmente significa “dez enunciados” ou “declarações” (Êx 34.28; Dt 4.13). Ele foi proferido por Deus no Sinai (Êx 20.1), mas também escrito por Ele em duas tábuas de pedra (Êx 31.18). O Decálogo exprime a vontade de Deus em relação ao ser humano. É, na verdade, um resumo da lei moral de Deus.
2. Objetivos do Concerto divino. A lei foi dada por Deus a Israel com os seguintes objetivos:
a) Prover um padrão de justiça. A lei entregue pelo Senhor a Moisés é um padrão de moralidade para o caráter e a conduta do homem seja ele judeu, seja ele gentio (Dt 4.8; Rm 7.12).
b) Identificar a malignidade do pecado. “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse”; isto é, fosse devidamente conhecida (Rm 5.20). “Pela lei vem o conhecimento do pecado”, ou seja, o conhecimento pleno da transgressão (Rm 3.20; 7.7). A lei não faz do ser humano um pecador, mas faz com que ele se reconheça como um transgressor. Ela expõe a malignidade do pecado, mas ao mesmo tempo aponta o caminho da sua expiação pela fé em Deus através dos sacrifícios que eram oferecidos no Tabernáculo (Lv 4—7).
c) Revelar a santidade de Deus. O Senhor revela a sua santidade por intermédio da lei mosaica (Êx 24.15-17; Lv 19.1,2), de igual forma, em o Novo Pacto, Ele revela a todo o mundo o seu amor através do seu Filho Jesus (Jo 3.16; Rm 5.8). A lei foi dada por Deus para conduzir a humanidade a Cristo (Rm 10.4).
SINOPSE DO TÓPICO (1)
A Lei de Deus, entregue a Moisés tinha os seguintes propósitos para Israel: prover um padrão de justiça; identificar e expor a malignidade do pecado; revelar a santidade de Deus.
II - OS DEZ MANDAMENTOS (ÊX 20.1-17)
1. O primeiro mandamento. “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). Neste primeiro mandamento, Deus se revela como o único e verdadeiro Deus (Dt 6.4). Naquela época havia entre as nações falsos deuses. Um exemplo disso é o Egito, onde ’ o povo de Israel estivera por 430 anos. Nossa adoração e culto devem ser dirigidos somente ao único e verdadeiro Deus. Não devemos cultuar nem os anjos (Ap 19.10), nem os homens (At 10.25,26) ou quaisquer símbolos. O primeiro mandamento da lei, reafirmado em o Novo Testamento, foi a respeito da adoração somente a Deus (1 Co 8.4-6; 1 Tm 1.17; Ef 4.5,6; Mt 4.10).
2. O segundo mandamento. “Não farás para ti imagem de escultura” (Êx 20.4-6). Aqui Deus proíbe terminantemente o uso de imagens idolátricas. “Deus é Espírito”, disse Jesus (Jo 4.24). Então, não há como adorá-lo por meio de imagens. Querer adorar a Deus por meio de imagens visíveis é falta de fé, pois Cristo é a imagem de Deus (Cl 1.13-23). É abominação ao Senhor a idolatria, ou seja, ter ídolos e ser idólatra (Dt 7.25). Na vida do crente, um ídolo é tudo o que ocupa o primeiro lugar em sua vida, em seu coração, em seu tempo e em sua vontade. Esse “ídolo” pode ser acúmulo de riqueza, a busca pela grandeza, pelo sucesso e pela fama. Pode ser também a busca pela popularidade, pelo prazer desenfreado. Há muita gente na igreja se arruinando espiritualmente por causa dos “ídolos do coração”.
3. O terceiro mandamento. “Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão” (Êx 20.7). O nome de Deus representa Ele mesmo; sua divina natureza; seu infinito poder e seu santo caráter. Este mandamento, portanto, diz respeito à santidade do Senhor. Tomar o nome do Todo-Poderoso em vão é mencioná-lo de modo banal, profano, secular e irreverente.
4. O quarto mandamento. “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êx 20.8-11). O sábado era um dia de descanso e de adoração a Deus. O termo sábado vem do hebraico shabbath (cessar; interromper). Em Gênesis 2.3 está escrito que: Deus “descansou” (literalmente “cessou”, no sentido de alguém interromper o que estava fazendo). A expressão “lembra-te”, usada pelo autor no versículo 8, indica que o sábado já fora dado por Deus no princípio, e que já era observado para descanso do trabalho e adoração a Deus (Gn 2.1-3; Êx 20.10). É importante ressaltar que em o Novo Testamento não há um só versículo que ordene a guarda do sábado como dia fixo santificado para descanso e adoração ao Senhor. O sábado foi dado como um “sinal” do pacto do Sinai entre Deus e Israel. Assim, o sábado assinala Israel como povo especial de Deus (Êx 31.12,13,17; Ez 20.10-12). A respeito dos demais mandamentos não está dito que eles são “sinais”. Para nós, o princípio que permanece é um dia de descanso na semana, para nosso benefício físico e espiritual (Cf. Mc 2.27,28). Nós, cristãos, observamos o domingo como dia de culto, pois Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana (Lc 24.1-3).
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Do primeiro ao quarto mandamento, o Decálogo apresenta leis para situar a relação do homem com Deus.
III - A CONTINUAÇÃO DOS MANDAMENTOS DIVINOS
1* O quinto mandamento. “Honra a teu pai e a tua mãe” (Êx 20.12). Honrar é respeitar e obedecer, por amor, à autoridade dos pais, e com eles cooperarem tudo. É o primeiro mandamento contendo uma promessa de Deus: “Para que se prolonguem os teus dias.”
2. O sexto mandamento. “Não matarás” (Êx 20.13). No original, o termo rasah equivale a matar o ser humano de modo doloso, premeditado, planejado. Este mandamento ressalta a sacralidade da vida humana como dádiva de Deus (At 17.25-28). Há também aqueles que matam o próximo no sentido moral, social e espiritual, mediante a mentira, a falsidade, a difamação, a calúnia, a maledicência e o falso testemunho (1 Jo 3.15). Atualmente há muitos que foram atingidos mortalmente em sua honra e praticamente “morreram”.
3. O sétimo mandamento. “Não adulterarás” (Êx 20.14). Este mandamento do Senhor está vinculado à sacralidade, pureza e respeito absoluto ao sexo, ao matrimônio e à família. O adultério é um ato sexual ilícito e pecaminoso, de um cônjuge com outra pessoa estranha ao casamento. Enquanto a lei condenava a prática do ato, o Novo Testamento vai além — condena os motivos ocultos no coração que levam ao adultério (Mt 5.27,28). Portanto, mais que condenar o ato praticado, Deus espera que em todo o tempo dominemos nossos desejos e nos submetamos ao domínio do Espírito Santo.
4. O oitavo mandamento. “Não furtarás” (Êx 20.15). Furtar é apoderar-se oculta ou disfarçadamente daquilo que pertence a outrem. Isso abrange toda forma de desonestidade, de mentira, de ocultação, por palavra e por atos. É preciso respeitar os bens dos outros. Ter honestidade e pureza nos atos; no viver, no agir, no proceder.
5. O nono mandamento. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx 20.16). Este mandamento do Senhor trata da nossa honestidade e sinceridade no uso da palavra em relação aos outros. Falso testemunho é falar mal dos outros; acusar e culpar injustamente; difamar; caluniar; mentir (Tg 4.11).
6. O décimo mandamento. “Não cobiçarás” (Êx 20.17). Este mandamento é o respeito ético a tudo o que pertence aos outros. Isto abrange o controle e o domínio dos apetites da alma, dos impulsos, desejos e vontade do crente. Cobiçar é querer o que pertence a alguém. Querer as coisas dos outros é um desejo insano que precisa ser debelado.
SINOPSE DO TÓPICO (3)
Do quinto ao décimo mandamento, o Decálogo apresenta leis que tratam da relação do homem com o próximo.
CONCLUSÃO
A Lei expõe e condena os nossos pecados, porém, o Senhor Jesus Cristo, pelo seu sangue expiador, nos perdoa e nos justifica mediante a fé.
RESUMO DO DECÁLOGO
1 ° Mandamento................................... Não terás outros deuses diante de mim
2° Mandamento................................... Não farás imagens de escultura.
3o Mandamento.................................... Não tomarás o nome de Deus em vão.
4o Mandamento.................................... Lembra-te do sábado, para o santificar.
5o Mandamento................................... Honra o teu pai e a tua mãe.
6o Mandamento................................... Não matarás.
7o Mandamento................................... Não adulterarás.
8o Mandamento.................................... Não furtarás.
9o Mandamento..................................... Não dirás falso testemunho.
10° Mandamento.................................... Não cobiçarás.
Texto adaptado da obra “Manual do Pentateuco". editada pela CPAD.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de janeiro: CPAD, 1 995.
HAMILTON, Vitor P. Manual do Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. I.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
COHEN, Armando Chaves. Comentário Bíblico Êxodo. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1 998.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Teológico
“O Dez Mandamentos
Os Dez Mandamentos, aqui registrados (cf. Dt 5.6-21), foram escritos pelo próprio Deus em duas tábuas de pedra e entregues a Moisés e ao povo de Israel (31.18; Dt 4.1 3; 1 0.4). A guarda dos mandamentos proveu um meio de Israel procurar viver em retidão diante de Deus, agradecido pelo seu livramento do Egito; ao mesmo tempo, tal obediência era um requisito para os israelitas habitarem na Terra Prometida (Dt 41.14; 14 [...]).
(1) Os Dez Mandamentos são o resumo da lei moral de Deus para Israel, e descrevem as obrigações para com Deus e o próximo. Cristo e os apóstolos afirmam que, como expressões autênticas da santa vontade de Deus, eles permanecem obrigatórios para o crente do NT (Mt 22.37-39; Mc 12.28-34; Lc 10.27; Rm 13.9; Gl 5.1 4; Lv 1 9.1 8; Dt 6.5; 1 0.1 2; 30.6). Conforme esses trechos do NT, os Dez Mandamentos resumem-se no amor a Deus e ao próximo; guardá-los não é apenas uma questão de práticas externas, mas também requer uma atitude do coração [...]. Logo, a lei demanda uma justiça espiritual interior que se expressa em retidão exterior e em santidade.
(2) Os preceitos civis e cerimoniais do AT que regiam o culto e a vida social de Israel [...] já não são obrigatórios para o crente do NT. Eram tipos de sombras de coisas melhores vindouras, e cumpriram-se em Jesus Cristo (Hb 10.1; Mt 7.12; 22.37-40; Rm 13.8; Gl 5.14; 6.2). Mesmo assim, contêm sabedoria e princípios espirituais a todas as gerações [...]” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.145).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Bíbliológico
“A Estrutura do Decálogo
É bastante óbvio que a intenção dos quatro primeiros mandamentos difere da intenção dos outros seis. Os quatro primeiros tratam do relacionamento com Deus, enquanto os outros seis regulam relacionamentos interpessoais. Talvez seja significativo que o mandamento acerca dos pais seja o primeiro no âmbito interpessoal | [...]. Ocorre uma guinada do Criador para o procriador; a vida de uma pessoa se deve a ambos.
Ao ser perguntado sobre o mais importante mandamento (como 1 se eles pudessem ser organizados hierarquicamente), Jesus citou | Deuteronômio 6.5: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento’ (Mt 22.37), o que reduziu o primeiro mandamento a uma única frase. Apesar de ' não lhe pedirem maiores esclarecimentos, Jesus prosseguiu falando: ‘e o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti i mesmo’ (Mt 22.39). Isso condensa em uma única oração os últimos seis mandamentos. Observe que Jesus insiste que o amor pode ser determinado. Isso não seria uma profanação do amor? O amor não é algo a ser voluntariamente dado? Ao colocar o amor num contexto de exigência ou mesmo de imposição, Jesus dá a entender que o amor por Deus e pelo próximo se baseia na vontade, não em emoções.
Logo após ser orientado por Jesus sobre o cumprimento do mandamento como requisito para a vida eterna, o rico perguntou:
1 ‘Quais? Jesus não disse nada sobre os quatro primeiros mandamentos, mas apenas sobre o segundo grupo. Até mesmo a ordem que ; eles são citados é interessante: sexto, sétimo, oitavo, nono e quinto. A falta de amor entre irmãos impede a possibilidade do amor de Deus e torna obscura qualquer expressão de amor por Deus (uma das mensagens de 1 João)” (HAMILTON, Vitor P. Manual do Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
EXERCÍCIOS
1. Qual o significado do termo “Decálogo”?
R: O termo Decálogo literalmente significa dez enunciados ou declarações.
2. De acordo com a lição, o que o Decálogo exprime?
R: O Decálogo exprime a vontade de Deus em relação ao ser humano.
3. Quais os objetivos do Concerto divino?
R: Prover um padrão de justiça; identificar e expor a malignidade do pecado; revelara santidade de Deus.
4. O que significa tomar o nome de Deus em vão?
R:É mencioná-lo de modo banal, profano, secular e irreverente.
5. Fale a respeito do décimo mandamento.
R: Este mandamento é o respeito ético a tudo o que pertence aos outros. Isto abrange o controle e o domínio dos apetites da alma, dos impulsos, desejos e vontade do crente.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 57, p.39.
Depois de caminharem pelo deserto e verem a provisão do Senhor, o povo chegou ao monte Sinai. Ali Deus falou diretamente com todo o povo na entrega do Decálago (Dt 4.13). Podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que o Decálogo é o ponto alto do Pentateuco. É o mais perfeito e justo código de leis da humanidade, estudado até hoje pelos juristas.
Qual o propósito dos Dez Mandamentos? Sem lei não existe transgressão. O propósito era expor e condenar os pecados dos israelitas e os nossos (Gl 3.24). O objetivo era mostrar que sem Deus, o homem não conseguiria obedecer plenamente à lei moral (Gl 3.11). A lei apontava para o Senhor Jesus Cristo, pois Ele nos resgatou da maldição da Lei (Gl 3.13). Segundo o Comentário Bíblico Moody "a lei não foi dada como meio de salvação. Foi dada a um povo já salvo a fim de instruí-lo na vontade do Senhor".
Talvez você esteja se perguntando: A lei moral (os Dez Mandamentos) é para o crente atual? Sim! A lei não serve para a nossa salvação, pois esta é mediante a fé, todavia devemos observá-la. Jesus não veio revogar a lei e os profetas, todavia Ele criticou os excessos que eram cometidos (Mt 5.17). Observe o que Jesus falou em relação a alguns mandamentos: Compare o sexto mandamento, "não matarás" (Êx20.13), com a declaração de Jesus: [...] qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo (Mt 5.22). Agora compare o sétimo mandamento, "não adulterará" (Êx 20.14) com as seguintes palavras do Mestre: [...] "qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela" (Mt 5.28).
Podemos afirmar que os quatro primeiros mandamentos são uma referência ao nosso relacionamento com Deus. "Não terás outros deuses diante de mim" (Êx 20. 3); "Não farás para ti imagem de escultura" (Êx 20.4-6); "Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão" (Êx 20.7) e "Lembra-te do dia de sábado, para o santificar" (Êx 20.8). Segundo o Comentário Bíblico Moody "o primeiro mandamento resguarda a unidade de Deus, o segundo a sua espiritualidade, e o terceiro sua divindade ou essência".
Do quinto mandamento em diante Deus trata do relacionamento do homem com o seu próximo.
Segundo o pastor Claudionor de Andrade no seu Dicionário Teológico "teologicamente falando, a Lei de Deus, contida no Pentateuco, é a expressão máxima da vontade divina quanto à condução dos negócios, interesses e necessidades humanos em família, na sociedade e no Estado".
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
OS DEZ M ANDAMENTOS, 20.1-17
Deus falou (1) com o povo do monte em chamas. O texto em Deuteronômio declara nitidamente que Deus “no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz” (Dt 5.22) deu estes mandamentos para a assembleia. Não sabemos como Deus falou em voz audível, mas Israel entendia que a voz que ouviam era de Deus. Esta era “uma voz audível e terrível, a voz de Jeová, soando como trombeta pela multidão (19.16: 20.18)”.14 Este modo de descrever o evento não indica que Deus tenha cordas vocais como o homem, mas assevera que Deus criou um som audível que, de forma inteligível, enunciava suas palavras para o homem. Depois que ouviram aquela voz, preferiram que Moisés (19) lhes falasse.
E importante saber que era o SENHOR, teu Deus (2), que estava falando. Nos dias de hoje, quando se fala em “nova moralidade” e quando há teólogos que anunciam que “Deus está morto”, precisamos saber onde está a autoridade divina. Estas palavras foram ditas por Deus ao povo como normas orientadoras para toda a humanidade.
Não basta afirmar que são pertinentes apenas para a época em que foram dadas. “Deus queria que os israelitas entendessem claramente que fora Ele mesmo que lhes dera os mandamentos.”
Além disso, as pessoas ouviram todas estas palavras (1). No original hebraico, os Dez Mandamentos são chamados “dez palavras” (34.28; Dt 4.13; 10.4; daí o título Decálogo, lit., “dez palavras”). Estes dizeres não foram copiados do Egito ou de outras nações, como alguns suspeitam. “As declarações do monte Sinai são nobres e inteiramente diferentes de qualquer coisa encontrada em todo o conjunto da literatura egípcia.” Deus deu estas palavras não como meio de salvação, porque este povo já estava salvo do Egito, mas como norma de conduta. Levando em conta que a obediência era uma cláusula para a continuação do concerto (19.5), estas palavras se tornaram a base de perseverança na qualidade de povo de Deus. Paulo deixou claro que a observância da lei não é meio de salvação pessoal, pois a justificação é pela fé em Cristo (G1 2.16). A lei conduz a Cristo, mas não salva (G1 3.24). “Se não é verdade que podemos cumprir a lei para ganhar o céu, é igualmente falso que podemos quebrá-la sem sermos punidos ou sentirmos remorso.” Deduzimos que esta lei moral foi dada como fundamento providencial para a fé do povo de Deus. Quem o ama observa sua lei. Dividir a lei em lei moral, lei cerimonial e lei civil é, por um lado, útil, e, por outro, enganoso. Lógico que a lei moral do Decálogo é básica e expressa a responsabilidade de todos os homens. Mas as outras leis dadas a Israel também eram igualmente obrigatórias.
As leis de Deus eram demonstração de sua justiça por meio de símbolos e forneciam uma disciplina pela qual os israelitas poderiam ser conformados à santidade de Deus."
As leis sociais e cerimoniais mudam, mas as relações fundamentais entre Deus e o homem, e entre os homens, conforme exaradas no Decálogo, são eternas.
A divisão dos Dez Mandamentos é entendida de modos variados. seguindo Agostinho, a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Luterana consideram os versículos 2 a 6 o primeiro mandamento e dividem o versículo 17, que trata da cobiça, em dois mandamentos.
O judaísmo hodierno reputa que o versículo 2 ordena a crença em Deus e é a primeira palavra; e combina os versículos 3 a 6 na segunda. A divisão aceita nos primórdios da igreja torna o versículo 3 o primeiro mandamento e os versículos 4 a 6 o segundo. Esta posição foi “apoiada por unanimidade pela igreja primitiva, e é mantida hoje pela Igreja Ortodoxa Oriental e pela maioria das igrejas protestantes”.
Os primeiros quatro mandamentos compõem a primeira tábua do Decálogo e mostram a relação apropriada do homem com Deus. Têm seu cumprimento no primeiro grande mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22.37). Os últimos seis mandamentos lidam com as relações humanas e cumprem-se no amor ao próximo como a si mesmo.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 187-189.
LEI E A GRAÇA
É da maior importância compreender o verdadeiro caráter e o objeto da lei moral, como nos é apresentada neste capítulo. Existe uma tendência no homem para confundir os princípios da lei com graça, de sorte que nem a lei nem a graça podem ser perfeitamente compreendidas. Alei é despojada da sua austera e inflexível majestade, e a graça é privada de todos os seus atrativos divinos. As santas exigências de Deus ficam sem resposta, e as profundas e múltiplas necessidades do pecador permanecem insolúveis pelo sistema anómalo criado por aqueles que tentam confundir a lei com a graça. Com efeito, nunca podem confundir-se, visto que são tão distintas quanto o podem ser duas coisas. Alei mostra-nos o que o homem deveria ser; enquanto que a graça demonstra o que Deus é. Como poderão, pois, ser unidas num mesmo sistema?- Como poderia o pecador ser salvo por meio de um sistema formado em parte pela lei e em parte pela graça? Impossível: ele tem de ser salvo por uma ou por outra.
A lei tem sido às vezes chamada "a expressão do pensamento de Deus". Mas esta definição é inteiramente inexata.. Se a considerássemos como a expressão daquilo que o homem deveria ser, estaríamos mais perto da verdade. Se eu considerar os dez mandamentos como a expressão do pensamento de Deus, então, pergunto, não há nada mais no pensamento de Deus senão "farás" isto e "não farás" aquilo? Não há graça, nem misericórdia nem bondade? Deus não manifestará aquilo que é, nem revelará os segredos profundos desse amor que enche o Seu coração? Não existe nada mais no coração de Deus senão exigências e proibições severas"? Se fosse assim, teríamos de dizer que "Deus é lei" em vez de dizermos que" Deus é amor". Porém, bendito seja o Seu nome, existe muito mais em Seu coração do que jamais poderão expressar os "dez mandamentos" pronunciados no monte fumegante. Se quero saber o que Deus é, devo olhar para Cristo; "porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade" ( l2:9). "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (Jo 1:17). Certamente, na lei achava-se uma certa medida de verdade; continha a verdade quanto àquilo que o homem deveria ser. Como tudo que emana de Deus, a lei era perfeita — perfeita para alcançar o fim a que era destinada; porém esse fim não era, de modo nenhum, revelar, perante pecadores culpados, a natureza e o caráter de Deus. Não havia graça nem misericórdia. "Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia" (Hb 10.28).
"O homem que fizer estas coisas viverá por elas" (Lv 18:5; Rm 10:5). "Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Dt 27:26; Gl 3:10). Nada disto era graça. Com efeito, o monte Sinai não era o lugar para se procurar tal coisa. Jeová revelou-Se ali em majestade terrível, no meio da obscuridade, trevas, tempestade, trovões e relâmpagos. Estas circunstâncias não são aquelas que acompanham uma dispensação de graça e misericórdia; mas eram próprias de uma dispensação de verdade e justiça: e a lei não era mais que isso.
Na lei Deus declara o que o homem deveria ser, e pronuncia a maldição sobre ele se o não for. Ora quando o homem se examine à luz da lei descobre que é precisamente aquilo que a lei condena. Como poderá ele, portanto, obter a vida por meio da lei. A lei propõe a vida e a justiça como os fins a alcançar, guardando-a; mas mostra-nos, desde o primeiro momento, que nos encontramos num estado de morte e iniquidade. Precisamos desde o primeiro momento das mesmíssimas coisas que a lei propõe alcançar-nos no fim. Como vamos nós, portanto, obtê-las? Para cumprir aquilo que a lei requer é preciso que eu tenha vida; e para ser o que a lei exige devo possuir a justiça; e se eu não tiver vida e justiça sou "maldito". Porém, o fato é que eu não tenho uma nem a outra. Que devo então f azer4- Eis a questão. Que respondam aqueles que querem ser "doutores da lei" (1 Tm 1.7): que deem uma resposta própria para uma consciência reta, curvada sob o sentido duplo da espiritualidade e inflexibilidade da lei e a sua carnalidade desesperada.
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
I - OS PROPÓSITOS DA LEI
1. O Decálogo (Êx 20.3- 17).
Os Propósitos da Lei
Quando Deus libertou Israel do Egito, não os deixou vagando indefinidamente, sem rumo. Deus os enviou para uma terra abençoada, que daria seus frutos nas estações certas e tornaria a vida dos israelitas muito agradável. Eles receberiam essa terra por uma obra da graça de Deus. Nela eles seriam uma nação regida pelo próprio Deus, teriam seu espaço para viver, trabalhar, comemorar datas festivas e, acima de tudo, adorar a Deus.
Mas antes de chegar nessa nova terra, eles precisavam entender que deveriam ter regras específicas de convivência com Deus, com seu próximo e consigo mesmos. Eles não seriam pessoas sem regras, que poderiam fazer o que quisessem sem prestar contas de suas atitudes. Por isso, eles deveriam ter uma lei que organizasse a vida.
Essa lei foi dada por Deus. Os Dez Mandamentos, como são conhecidos, foram dados ao povo de Israel pelo Senhor, a fim de que os israelitas pautassem sua existência pelo que Deus queria.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 67.
LEI É PERFEITA
Mas, pode perguntar-se, "a lei não é perfeita? E se é perfeita que mais pode desejar-se? A lei é divinamente perfeita. Na verdade, a própria perfeição da lei é a razão de amaldiçoar e matar aqueles que não são perfeitos e pretendem subsistir perante ela. "A lei é espiritual, mas eu sou carnal" (Rm 7:14). É inteiramente impossível fazer-se uma ideia justada perfeição e espiritualidade da lei. Porém, esta lei perfeita estando em contato com a humanidade caída—esta lei espiritual entrando em contato com a mente carnal—só podia produzir a "ira" a "inimizade" (Rm 4:15; 8:7). Por quê1?- É porque a lei não é perfeita?- Ao contrário, é porque ela o é e o homem é pecador. Se o homem fosse perfeito cumpriria a lei em toda a sua perfeição espiritual; e até mesmo no caso de crentes verdadeiros, embora tragam ainda consigo uma natureza corrompida, o apóstolo ensina-nos: "Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o espírito" (Rm 8:4): "...porque quem ama aos outros cumpriu a lei... O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13:8 e 10). Se eu amar o próximo não furtarei aquilo que lhe pertence; pelo contrário, procurarei fazer-lhe todo o bem que puder. Tudo isto é claro e fácil de compreender por uma alma espiritual; mas não toca na questão da lei, quer seja como fundamento de vida do pecador ou de regra de vida para o crente.
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
2. Objetivos do Concerto divino.
Os objetivos de Deus com a Lei foram inicialmente:
Providenciar um padrão de justiça que pudesse ser alcançado. Quando pensamos que Deus deu sua lei ao povo de Israel, podemos pensar que a abrangência dessa lei refere-se apenas aos judeus. Entretanto, é preciso fazer aqui uma observação: princípios e regras devem ser analisados em nosso estudo. Princípios são ordenações gerais que têm por objetivo regular determinadas situações. Esses princípios são expostos em regras, ou seja, quando Deus desejou proteger o fruto do trabalho dos israelitas, ordenou que não se furtasse. Os princípios desse mandamento são a proteção da propriedade e a valorização do trabalho, e eles são expostos na regra “não furtarás”. Portanto, os princípios estão no topo, e as regras, na base. Regras podem variar com o passar do tempo, com o local e o povo, mas os princípios não (Dt 4.8; Rm 7.12).
A lei de Deus também mostra o pecado do homem. Ela não faz do homem um pecador, mas mostra o quanto ele é inclinado a desobedecer às regras e princípios que Deus determinou. Paulo comenta isso em Romanos 5.20: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse”, isto é, fosse devidamente conhecida. “Pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20), ou seja, o conhecimento pleno dele. “Mas eu não conheci o pecado senão pela lei” (Rm 7.7). Ou seja, Paulo deixa claro que a lei traz o conhecimento de nossos pecados. Ela não os cria, mas os denuncia. A lei mostra ainda a santidade de Deus. Deus é santo, e não pode tolerar o pecado. A lei mostra que o padrão de Deus para uma vida justa deve ser buscado pelo homem. Com o passar do tempo, percebeu-se que essa busca pela justiça não poderia ser alcançada sem a ajuda de um Salvador, a quem Deus enviou ao mundo, seu Filho Jesus Cristo. Apenas por Ele podemos nos aproximar da santidade de Deus e buscá-la para um viver santo neste mundo decaído.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 68-69.
O Propósito da Lei
A verdade é que, como nos ensina o apóstolo, a lei veio para que a ofensa abundasse (Rm5:20). Isto mostra-nos claramente o verdadeiro objetivo da lei: veio a propósito para que o pecado se fizesse excessivamente maligno (Rm 7:13). Era, em certo sentido, como um espelho perfeito enviado para revelar ao homem o seu desarranjo moral. Se eu me puser diante de um espelho com o meu vestuário desarranjado, o espelho mostra-me o desarranjo, mas não o põe em ordem. Se eu fizer descer sobre um muro tortuoso um prumo, o prumo mostra a tortuosidade, mas não a altera. Se eu sair numa noite escura com uma luz, esta revela-me todos os obstáculos e dificuldades que se acham no caminho, mas não os remove. Além disso, o espelho, o prumo, e a luz não criam os males que revelam distintamente: nem os criam nem os afastam, apenas os revelam. O mesmo acontece com a lei: não cria o mal no coração do homem nem tampouco o tira; mas revela-o com infalível exatidão.
"Que diremos pois4 É a lei pecado?- De modo nenhum; mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Rm 7:7). O apóstolo não diz que não teria tido "concupiscência". Não, mas apenas que não a teria conhecido. A "concupiscência" existia; mas ele estava às escuras quanto ao fato, até que a lei, como a luz do Deus Onipotente, brilhou nos recessos tenebrosos do seu coração e revelou o mal que nele havia Assim como um homem numa câmara escura pode estar rodeado de poeira e confusão sem contudo poder ver nada por causa da escuridão. Mas deixai que os raios de sol penetrem ali e ele distinguirá imediatamente tudo. São os raios de sol que formam o pó? Certamente que não. O pó encontra-se ali, e os raios de sol apenas o detectam e revelam. Isto é apenas uma simples ilustração dos efeitos da lei: julga o caráter e a condição do homem. Julga o pecador e encerra-o debaixo da maldição: vem para julgar o que ele é e amaldiçoa-o se ele não é o que ela lhe diz que deve ser.
A Lei Condena o Pecador
É, portanto, claramente impossível que alguém possa obter a vida e a justificação por meio daquilo que só pode amaldiçoá-lo; e a menos que a condição do pecador e o caráter da lei sejam inteiramente alterados, a lei não pode fazer mais que amaldiçoá-lo. A lei não é indulgente com as fraquezas, e não reconhece a obediência sincera, embora imperfeita. Se fosse este o caso, não seria aquilo que é, "santa, justa e boa" (Rm7:12). É justo que o pecador não possa obter vida pela lei porque a lei é aquilo que é. Se o pecador pudesse obter vida pela lei, a lei não seria perfeita, ou então ele não seria pecador. É impossível que o pecador possa obter vida por meio de uma lei perfeita, porque, embora seja perfeita, tem de condená-lo: a sua perfeição absoluta manifesta e sela a ruína e condenação do homem. "Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado" (Rm 3:20). O apóstolo não diz que o pecado é pela lei, mas somente que por ela vem o conhecimento do pecado. "Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não havendo lei" (Rm 5:13). O pecado existia, e precisava apenas da lei para o manifestar na forma de "transgressão". É como se eu dissesse a meu filho: "não deves tocar nessa faca". A minha proibição revela a tendência do seu coração para fazer a sua própria vontade.
O apóstolo João diz que o "o pecado é iniquidade" (1 Jo 3:4). A palavra "transgressão" não traduz o verdadeiro pensamento do Espírito Santo nesta passagem (1). Para que haja transgressão é necessário que seja estabelecida uma regra ou linha de conduta definida; porque transgressão quer dizer cruzar uma linha proibida; essa linha temo-la na lei. Tomemos por exemplo algumas das suas proibições: "Não matarás", "Não cometerás adultério", "Não furtarás". Aqui tenho, pois, uma regra ou linha posta diante de mim; porém descubro que tenho em mim mesmo os próprios princípios contra os quais estas proibições são expressamente dirigidas. Ainda mais, o próprio fato de me ser proibido matar mostra que o homicídio está em minha natureza. Não havia necessidade de me ser proibido fazer uma coisa que eu não tinha inclinação para fazer; porém, a revelação da vontade de Deus, quanto ao que eu deveria ser, mostra a tendência da minha vontade para ser aquilo que não devo. Isto é bem claro, e está perfeitamente de acordo com todo o ensino apostólico sobre este assunto. Não somos Justificados pela Lei Muitos, contudo, admitem que não podemos obter vida pela lei, mas sustentam, ao mesmo tempo, que a lei é a nossa regra de vida. Ora, o apóstolo declara que "Todos aqueles... que são das obras da lei, estão debaixo da maldição" (Gl 3:10). Pouco importa a sua condição individual, se estão sobre o terreno da lei, acham-se, necessariamente, sob a maldição. Pode ser que alguém diga: "Eu estou regenerado, e, portanto, não estou exposto à maldição." Porém, se a regeneração não retira o homem do terreno da lei, não pode pô-lo para lá dos limites da maldição da lei. Se o cristão estiver debaixo da lei, está exposto, necessariamente, à maldição da lei. Mas, que tem que ver a lei com a regeneração1?- Onde é que vemos que se trate da regeneração no capítulo 20 de Êxodos A lei tem apenas uma pergunta a fazer ao homem— uma pergunta curta, solene e direta —, a saber: "És tu o que deverias ser" Se a resposta é negativa, a lei não pode senão lançar os seus terríveis anátemas sobre o homem e matá-lo. E quem reconhecerá mais prontamente e mais profundamente que, em si mesmo, não é aquilo que deveria ser senão o homem verdadeiramente regenerado?- Portanto, se está debaixo da lei, está, inevitavelmente, debaixo da maldição. Não é possível que a lei diminua as suas exigências ou se misture com a graça. Os homens procuram sempre baixar o seu padrão; sentem que não podem elevar-se à medida da lei, e, então, procurar rebaixá-la até si; porém este esforço é vão: a lei permanece em toda a sua pureza, majestade e inflexibilidade austera, e não aceitará nada menos que uma obediência perfeita; qual é o homem, regenerado ou não, que pode intentar obedecer assim?- Dir-se-á: "Nós temos a perfeição em Cristo". Sem dúvida, mas não é pela lei, mas, sim, pela graça; e não podemos, de nenhum modo, confundir as duas dispensações. As Escrituras ensinam-nos claramente que não somos justificados pela lei; nem a lei é a nossa regra de vida. Aquilo que só pode amaldiçoar nunca poderá justificar, e aquilo que só pode matar nunca poderá ser uma regra de fé. Seria como se um homem tentasse fazer fortuna valendo-se de uma ação de falência movida contra si.
Um Jugo Impossível de Levar
O capítulo 15 do livro de Atos mostra-nos como o Espírito Santo respondeu à tentativa que se pretendera fazer para pôr os crentes sob a lei, como regra de vida. "Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés" (versículo 5). Isto não era mais do que o silvo da antiga serpente fazendo-se ouvir nas sugestões sinistras e desanimadoras desses primitivos legalistas. Mas vejamos como o assunto foi resolvido pela poderosa energia do Espírito Santo e a voz unânime dos doze apóstolos e de toda a Igreja. "E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Varões irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu, dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem". — O quê? As exigências e as maldições da lei de Moisés? Não; bendito seja Deus, esta não era a mensagem que Deus queria fazer chegar aos ouvidos de pecadores perdidos. Ouvissem, então, o quê"? "OUVISSEM DA MINHA BOCA A PALAVRA DO EVANGELHO E CRESSEM". Aqui estava a mensagem que correspondia ao caráter e natureza de Deus. Ele nunca teria perturbado os homens com uma linguagem triste de exigências e proibições. Esses fariseus não eram Seus mensageiros — muito pelo contrário. Não eram portadores de boas novas, nem anunciadores da paz, e portanto os seus pés eram tudo menos "formosos" aos olhos d'Aquele que Se deleita em misericórdia.
"Agora, pois", continua o apóstolo, "porque tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportara" Esta linguagem era grave e forte. Deus não queria pôr "um jugo sobre a cerviz" daqueles cujos corações haviam sido libertados pelo evangelho da paz. Antes pelo contrário, desejava exortá-los a permanecerem na liberdade de Cristo e a não se meterem "outra vez debaixo do jugo da servidão" (Gl. 5:1). Não enviaria aqueles a quem havia recebido em Seu seio de amor "ao monte palpável" para os aterrorizar com a "escuridão", "trevas", e "tempestade" (Hb 12:18). Isso seria impossível. "Mas cremos", diz Pedro, "que seremos salvos PELA GRAÇA DO SENHOR JESUS CRISTO, como eles também" (At 15:11). Tanto os judeus, que tinham recebido a lei como os gentios, que nunca a receberam, deviam agora ser "salvos" pela "graça". E não somente deviam ser "salvos pela graça", mas estar "firmes" na graça (Rm 5:2) e crescer na graça (2Pe 3:18). Ensinar outra coisa era tentar a Deus. Esses fariseus subvertiam os próprios fundamentos da fé cristã; e o mesmo fazem todos aqueles que procuram pôr os crentes debaixo da lei. Não existe mal ou erro mais abominável aos olhos de Deus do que o legalismo.
Escutai a linguagem enérgica — os acentos de justa indignação—de que se serve o Espírito Santo, a respeito desses doutores da lei: "Eu quereria que fossem cortados aqueles que vos andam inquietando" (Gl 5:12).
Mas, deixai-me perguntar, os pensamentos do Espírito Santo mudaram a este respeitou Já deixou de ser tentar a Deus pôr um jugo sobre a cerviz do pecadora E segundo a Sua vontade graciosa que a lei seja lida aos ouvidos dos pecadores? Responda o leitor a estas interrogações à luz do capítulo 15 de Atos e da Epístola aos Gálatas. Estas Escrituras, ainda mesmo que não houvesse outras, são suficientes para provar que a intenção de Deus nunca foi que os Gentios "ouvissem a palavra" da lei. Se fosse essa a Sua intenção, o Senhor teria, certamente, escolhido alguém para a proclamar aos seus ouvidos. Mas não; quando proclamou a Sua "lei terrível", Ele falou numa só língua; porém quando proclamou as boas novas de salvação, pelo sangue do Cordeiro, falou na língua "de todas as nações que estão debaixo do céu". Falou de tal modo que cada um, na sua própria língua em que havia nascido, pudesse ouvir a doce história da graça (At 2:1 -11).
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
II - OS DEZ MANDAMENTOS (ÊX 20.1-17)
1. O primeiro mandamento.
Não terás outros deuses diante de mim. (Êx 20.3)
Deus começa o Decálogo deixando claro aos israelitas que Ele é o Senhor que os tirou da terra do Egito. Isso deveria fazer com que os israelitas se lembrassem de que tinham sido escravos no Egito, e que nenhuma das chamadas “divindades” do Egito ou das terras vizinhas se compadeceu deles, mas apenas o Senhor foi responsável por tirar seus filhos da escravidão.
Os israelitas certamente tiveram contato com cultos às divindades egípcias no período em que foram escravos, e caso um deles tivesse abrigado algum desses tipos de culto em seu coração, isso poderia contaminar a adoração a Deus e a relação com Ele. Por isso, Deus não apenas diz que a iniciativa de libertá-los do Egito fora dEle, mas deixa explícito que os israelitas, livres, não poderiam ter outros deuses. Essa ordem era mais que justa, pois os israelitas deveriam ter um coração agradecido a Deus pelo que Ele lhes fizera, começando por tê-lo como seu único Deus. Nenhum outro “deus” deveria ser aceito pelos israelitas.
A exclusividade de Jeová como Deus em Israel baseava-se primeiramente em sua superioridade como Deus poderoso. Nenhum dos deuses do Egito pôde livrar aquela nação dos juízos divinos que Deus enviara. Sua exclusividade se baseava também no fato de que Ele demonstrou misericórdia para com os descendentes de Abraão, tirando-os da escravidão, e prometendo-lhes também uma terra para que pudessem viver em segurança e sem serem molestados por seus inimigos.
A lei que Ele lhes dava orientaria os passos de todo o povo em todos os aspectos, inclusive no quesito adoração. Nem anjos nem homens deveriam receber a adoração que estava reservada apenas para Deus, pois são igualmente seres criados.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 69-70.
Primeiro Mandamento:
Não terás outros deuses. Temos aqui a regra do monoteismo (ver a respeito no Dicionário). Neste ponto, o monoteismo substitui todas as outras possíveis noções de Deus. Todavia, não basta acreditar na existência de um Deus. Esse Deus único precisa ser reconhecido e obedecido como a autoridade moral de todos os atos humanos. Também só há um Deus no atinente à questão da adoração e do serviço espirituais. O Deus único merece toda honra. Isso labora contra 0 panteísmo e todo 0 seu caos. Este último adiciona muitas informações àquilo que comentamos aqui. Ver também Êxo. 23.13.
A nação de Israel estava cercada por povos que eram leais a um número impressionante de divindades. As pragas do Egito tinham mostrado que só Yahweh é Deus (ver Êxo. 5.2 e 6.7). Há uma profunda verdade na ideia que um homem só pode adorar a um Deus. Jesus abordou essa questão em Mateus 6.24. Os homens adoram aquelas coisas que lhes parecem importantes, incluindo o dinheiro. Há deuses externos e internos. Mas todos eles são deuses falsos.
Os vss. 4-6 descrevem e ampliam 0 primeiro mandamento. Os católicos-romanos e os luteranos (e também muitos intérpretes judeus) pensam que esses versículos formam, conjuntamente, o primeiro mandamento. Mas a maioria dos outros grupos protestantes e evangélicos fazem desses versículos um mandamento distinto.
Yahweh é um Deus zeloso que não tolera rivais (vs. 5; 34.14). Naturalmente, temos nisso uma linguagem antropomórfica. Ver no Dicionário 0 artigo Antropomorfismo. Divindades rivais seriam algo contrário ao caráter único de Deus. E um deus que não é único não é 0 verdadeiro Deus. Ver os vss. 22,23. A desobediência ao primeiro mandamento foi a principal razão dos cativeiros (ver a esse respeito no Dicionário) que, finalmente, Israel sofreu.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 388.
O Primeiro Mandamento: Não Ter Outros Deuses (20.3)
O versículo 2 é a introdução do primeiro mandamento. Deus identifica quem tirou os filhos de Israel da servidão egípcia: O SENHOR. Visto que ele os libertara e provara que era supremo, eles tinham de torná-lo seu Deus. Não havia lugar para competidores.
Todos os outros deuses eram falsos.
Diante de mim (3) significa “lado a lado comigo ou além de mim”.20 Deus não esperava que Israel o abandonasse; Ele sabia que o perigo estava na tendência de prestar submissão igual a outros deuses. Este mandamento destaca o monoteísmo do judaísmo e do cristianismo.
“O primeiro mandamento proíbe todo tipo de idolatria mental e todo afeto imoderado a coisas terrenas e que podem ser percebidas com os sentidos.”21 Não existe verdadeira felicidade sem Deus, porque Ele é a Fonte de toda a alegria. Quem busca alegria em outros lugares quebra o primeiro mandamento e acaba na penúria e em meio a acontecimentos trágicos.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 189.
Êx 20.3. Não terás outros deuses. Possivelmente “ nenhum outro deus” , se o plural aqui empregado for o chamado “ plural de majestade” , tal como sempre o é ao descrever YHWH. Tem havido constante debate sobre se a fé israelita era verdadeiro monoteísmo, já que poderia visualizar a possibilidade de outros deuses a servir. Discutir sobre isso, entre tanto, é esperar uma auto-análise excessiva: monolatria (a adoração a um único Deus) é o que se exige expressamente de Israel aqui. Israel vivia em meio de um mundo politeísta: esta proibição sucinta trata de um dos perigos advindos de se viver em tal mundo. Estes mandamentos eram destinados, em última análise, ao israelita médio, não à elite religiosa da época: vêm expressos em termos simples e fortes, compreensíveis a todos, e tratam das tentações do homem comum, não as do teólogo.
Diante de mim. Literalmente “ à minha face” . Esta frase vagamente incomum também parece ser usada em relação ao ato de tomar uma segunda esposa enquanto a primeira ainda estivesse viva. Tal uso, de uma quebra de um relacionamento pessoal exclusivo, ajuda a explicar o seu significado aqui. A frase está relacionada à descrição de YHWH como um “Deus zeloso”, no versículo 5. Alguns comentaristas modernos sugerem que “diante de YHWH” ou“ a presença de YHWH” no restante da Torah são referências ao altar de YHWH (23:17). Veem, portanto, uma referência ao culto israelita: nenhum outro deus pode ser adorado simultaneamente com YHWH num santuário comum, como era de praxe, por exemplo, na religião cananita. Não há dúvida de que isto é verdade, mas parece ser uma explicação inadequada. Seja qual for, porém, a maneira de encararmos os detalhes da passagem, seu sentido principal é claro: por causa da natureza de YHWH e do que YHWH fez por Israel, Ele não dividirá Seu louvor com quem quer que seja: Ele é único. Consulte Hyatt com respeito a outras interpretações da frase.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 147-148.
2. O segundo mandamento.
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. (Ex 20.4)
Deus apresenta o segundo mandamento: não fazer imagens de escultura. Isso foi necessário porque Deus não tinha o objetivo de ser representado por qualquer forma conhecida pelos israelitas. O Deus Criador não pode ser confundido com sua criação. Atribuir uma forma de qualquer ser a Deus foi considerado uma quebra de mandamento, pois reduz a sua glória eterna àquilo que é mortal. Há formas de criaturas nos céus (anjos), na terra (animais, seres humanos) e nas águas (peixes e baleias), e nenhuma dessas formas poderia jamais representar Deus. Tentar reduzir Deus a uma figura conhecida era o mesmo que reduzir sua glória.
Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos. (Ex 20.5)
Esse mandamento traz outra informação importante: os israelitas não poderiam fazer imagens de esculturas nem se curvar diante delas, muito menos servi-las. Para os que conhecem a Palavra de Deus, pode parecer estranho uma pessoa se curvar diante de uma imagem de escultura como se elas fossem realmente um deus, mas foi isso que os israelitas fizeram quando chegaram à Terra Prometida.
O profeta Isaías, usado por Deus, descreve o que seus contemporâneos faziam no tocante à criação de imagens de escultura:
Então, servirão ao homem para queimar; com isso, se aquenta e coze o pão; também faz um deus e se prostra diante dele; fabrica uma imagem de escultura e ajoelha diante dela. Metade queima, com a outra metade come carne; assa-a e farta-se; também se aquenta e diz: Ora, já me aquentei, já vi o fogo. Então, do resto faz um deus, uma imagem de escultura; ajoelha-se diante dela, e se inclina, e lhe dirige a sua oração, e diz: Livra-me, porquanto tu és o meu deus. Nada sabem, nem entendem; porque se lhe untaram os olhos, para que não vejam, e o coração, para que não entendam. (Is 44.15-18)
Oseias, o profeta, também tratou desse assunto quando mostrou o que o seu povo fazia: “O meu povo consulta a sua madeira, e a sua vara lhe responde, porque o espírito de luxúria os engana, e eles se corrompem, apartando-se da sujeição do seu Deus” (Os 4.12).
Deus adverte neste mandamento que julga a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração. Essa informação pode significar que Deus pode julgar a idolatria de algumas pessoas nos seus descendentes. Entretanto, aos que amam ao Senhor e guardam seus mandamentos veem sua misericórdia de forma infinita.
A idolatria é um problema muito sério para o homem. Deus condena os ídolos porque eles desejam ocupar o espaço dEle em nosso coração. Em dias como os nossos, em que a humanidade faz seus próprios deuses, o segundo mandamento é atual e necessário para que possamos conduzir pessoas a Deus e manter-nos focados no serviço ao próprio Senhor. Lembremo-nos do que disse o apóstolo João: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21).
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 70-71.
Segundo Mandamento:
Não farás para ti imagem. Os críticos tentam provar uma data posterior do livro de Êxodo assegurando-nos que essa proibição contra as imagens realmente pertence à época do profeta Oséias. Conforme eles dizem, talvez seja verdade que esse mandamento não se ajustava ao que estava ocorrendo em Israel nos dias de Moisés, onde, sem dúvida, havia muitos ídolos e imagens, alguns deles até representações de Yahweh, e outros representando outros deuses. Entretanto, esse raciocínio é falaz. O primeiro mandamento proíbe o politeísmo, e a idolatria e o uso de imagens promoviam cultos politeístas. Portanto, 0 primeiro mandamento também combate o uso de ídolos. Por motivos assim é que muitos intérpretes pensam que os vss. 4-6 deste capítulo fazem parte do primeiro mandamento.
Os vss. 4-6, para a maioria dos grupos protestantes (com a exceção dos luteranos), constituem 0 segundo mandamento. E proibido 0 fabrico de qualquer imagem de es- cultura. As imagens tendem ou mesmo promovem formas várias de politeísmo, e isso fora estritamente proibido no primeiro mandamento. Além disso, as imagens de escultura, tal como 0 próprio politeísmo, destroem a natureza ímpar de Yahweh, além de injetarem elementos estranhos no pensamento e na adoração religiosos. Grandes segmentos da cristandade têm uma espécie de sub-políteísmo no uso de imagens e na veneração dos “santos”. Digo aqui “sub- politeísmo” porque, acima do mesmo, reservam uma adoração especial a Deus. O que temos, nesses casos, é uma forma de sincretismo onde 0 antigo politeísmo alia-se ao monoteismo, A cristandade, ao entrar em contato com culturas pagãs, inventou várias formas de sincretismo, pelo que desobedecem de forma crassa o primeiro e o segundo mandamentos.
Imagem de escultura. No hebraico temos uma só palavra, pesei, palavra que significa “esculpir”. Originalmente, o termo significava um objeto esculpido, mas acabou significando qualquer tipo de imagem, representação de qual- quer objeto, no céu ou na terra. Ver Isa. 30.22; 40.19; 44.10; Jer. 10.4. Havia as imagens fundidas, feitas em moldes, feitas à mão, em lugar de serem esculpidas. Ver os mandamentos específicos contra as imagens fundidas, em Êxo. 20.23 e 34.17.0 primeiro e 0 segundo mandamentos proibiam qualquer forma de representação idólatra, e a adoração a essas formas.
No tabernáculo havia a representação de querubins. Mas a figura jamais foi adorada ou venerada pelos filhos de Israel. Se o tivesse sido, sem dúvida teria sido destruída. Ver Êxo. 25.18,19. Yahweh, por sua vez, jamais foi representado entre os israelitas por meio de qualquer imagem de escultura. Tal representação teria sido um sacrilégio de primeira grandeza. E nem ou- 60s deuses foram jamais representados por meio de imagens pelos israelitas, a não ser pelos idólatras entre eles. Mas tais imagens detratavam do caráter único de Yahweh.
Os egípcios adoravam toda espécie de objetos, como aves, répteis e figuras celestes imaginárias. E não hesitavam em representar tais supostas divindades por meio de imagens. Esse tipo de atividade foi proibida aos filhos de Israel. A tripla designação, “em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra”, para os antigos, apontavam para a criação inteira.
A Idolatria de Todos Nós. Para todos nós há certas coisas às quais damos grande atenção, ao ponto de transformá-las em ídolos. Existem ídolos da mente, e não apenas de madeira, de pedra ou de metal. ídolos comuns incluem possessões, dinheiro, sexo, fama, posição social e poder.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 388.
O Segundo Mandamento: Não Fazer Imagens (20.4-6)
“Como o primeiro mandamento afirma a unidade de Deus e é um protesto contra o politeísmo, assim o segundo afirma sua espiritualidade e é um protesto contra a idolatria e o materialismo.” Embora certas formas de idolatria não sejam materiais — por exemplo, a avareza (Cl 3.5) ou a sensualidade (Fp 3.19) —, o segundo mandamento condena primariamente a fabricação de imagens (4) na função de objetos de adoração. Este tipo de idolatria sempre existiu entre os povos pagãos mais simplórios do mundo. A história de Israel comprova que esta tentação é traiçoeira.
Estas imagens pagãs eram feitas na forma de coisas vistas no céu, na terra e nas águas. Estas imagens não deveriam se tornar objetos de adoração: Não te encurvarás a elas (5). Os versículos 4 e 5 devem ser considerados juntos. Não há condenação para a confecção de imagens, contanto que não se tornem objetos de veneração. No Tabernáculo 25.31-34) e no primeiro Templo (1 Rs 6.18,29) havia obras esculpidas. A idolatria consiste em transformar uma imagem em objeto de adoração e atribuir a ela poderes do deus que representa. Se considerarmos que gravuras ou imagens de pessoas possuam poderes divinos e que sejam adorados, então elas se tornam ídolos.
Deus apresentou os motivos para esta proibição. Ele é Deus zeloso, no sentido de que não permite que o respeito e a reverência devidos a Ele sejam dados a outrem. Deus não regateia o sucesso ou a felicidade para as pessoas, como faziam os deuses gregos. E para o bem dos filhos de Deus que eles devem consagrar e reverenciar o nome divino.
Deus pune a desobediência (5) e recompensa a obediência (6). Muitos questionam o julgamento nos filhos de pais ofensores, mas tais julgamentos são temporários (ver Ez 18.14-17) e aplicam-se às consequências, como, por exemplo, doenças, que naturalmente seguem as más ações. O medo de prejudicar os filhos deveria exercer coibição salutar na conduta dos pais. As perdas que os filhos sofrem por causa da desobediência parental podem levar os pais ao arrependimento. Na pior das hipóteses, a pena vai até à terceira e quarta geração, ao passo que a misericórdia é mostrada a mil gerações quando há amor e obediência.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 189-190.
Êx 20.4. Imagens de escultura. O hebraico significa algo talhado ou esculpido à semelhança de alguma outra coisa. Aqueles eram dias primitivos; tais ídolos eram feitos normalmente de madeira (embora a palavra também englobe escultura em pedra), sendo também comum o revestimento com algum metal precioso. A imagem de “ fundição” também é implicitamente proibida (34:17), mas não é mencionada aqui por pertencer a um período mais recente (cf. no entanto o bezerro de ouro, 32:4).
Surge aqui uma pergunta quanto à forma original dos mandamentos, em vista das repetidas cláusulas explanatórias neste versículo, e da motivação no versículo 5. A julgar pelas diferenças mínimas ao material explanatório encontrado em Deuteronômio 4, a forma original destes mandamentos apodíticos era simplesmente a frase curta e aguda, “ não...” . Portanto, a forma original e essencial deste mandamento consistia apenas das quatro primeiras palavras hebraicas, traduzidas pelo português “não farás para ti imagens de escultura”. Semelhantemente, no versículo seguinte, o centro do mandamento parece ter sido “ não as adorarás” . Isto significa que os mandamentos eram frases breves e pungentes, facilmente escritas em pequenas tábuas de pedra que coubessem na palma da mão.
Esta condenação de imagens claramente inclui imagens do Deus verdadeiro, pois é bem certo que algum tipo de imagem estivera em uso entre os ancestrais de Israel (até mesmo a tradição judaica ortodoxa admite que Tera, pai de Abraão, era um fabricante de imagens). Os ídolos domésticos (terafim) de Labão poderiam, é verdade, ter mais valor legal do que significado religioso, mas os que Jacó escondeu debaixo do carvalho no “ santuário” em Siquém eram com toda certeza objetos religiosos (Gn 35:2-4). Isto aconteceu antes da doação da lei: mesmo depois disso, imagens não eram algo estranho em Israel (ver Jz 8:27, Gideão; Jz 17:4, Mica; 1 Sm 19:13, Davi).* Todavia, a existência de imagens mais tarde em Israel não prova a inexistência de leis contra seu uso.
A arqueologia mostra claramente que a horda que destruiu a maior parte da cultura cananita no século treze A.C. era basicamente “ anicônica” , isto é, não usava imagens em seu culto. Frequentemente se argumenta que os querubim acima da arca eram tais imagens, mas eles eram muito mais símbolos dos seres angélicos que servem a Deus do que objetos de culto; eram como os guardiães do templo nos portões de um santuário assírio. Eram o trono para a presença invisível de Deus que sobre eles pairava. Contudo, se a fabricação dos querubins fora permitida, então a proibição de imagens se refere apenas à fabricação direta de objetos de culto, não à representação de um objeto ou ser vivo qualquer, conforme se entendeu mais tarde. O judaísmo mais estrito e o islamismo se limitaram exclusivamente a desenhos e padrões abstratos em todas as formas de arte. Além disso, pelo uso de parataxe (a colocação de duas ideias lado a lado, ao invés do uso de uma ligação lógica entre as duas, como em sintaxe) em hebraico, este mandamento deve ser intimamente relacionado ao que o precede imediatamente, de modo que a tradução do sentido da passagem seria “ Não terás outros deuses na minha presença; jamais farás tais imagens” (isto é, de tais deuses).
Além dos querubins, a lei ordena o bordado de lírios, romãs e outros objetos naturais nas cortinas do tabernáculo, de modo que não pode ter havido uma proibição completa da representação de objetos naturais em dias primitivos.
Este fato levanta a questão de por que tais imagens-representações do Deus verdadeiro (mesmo em forma humana) eram proibidas. A provável razão talvez seja o fato de que nenhuma semelhança seria adequada, e que cada tipo de imagem provocaria um novo tipo de falsa compreensão de Deus. Por exemplo, touro era um símbolo de força, mas também de virilidade e poder sexual: tal associação seria blasfema para o israelita. As nações que retratavam seus deuses em forma humana atribuíam com excessiva rapidez suas próprias fraquezas humanas aos protótipos divinos. Para o israelita, o homem fora criado à imagem de Deus, à Sua semelhança (Gn 1:26), mas isso não significava enfaticamente que Deus fosse igual ao homem (Is 55:9). A localização e materialização de Deus também era outro perigo inerente à idolatria. Mesmo Israel, em dias futuros, viria a crer que a presença de Deus estava localizada e contida na arca ou no templo; quanto mais o teriam feito se tivesse existido uma imagem? Finalmente, teria havido o perigo das tentativas semi-mágicas de aplacar ou controlar Deus através da posse de uma certa localização de Sua presença, como podemos ver em relação à arca em 1 Samuel 4:3. Em Deuteronômio 4:12, a razão apresentada é o fato de que no Sinai Israel não vira qualquer forma ou semelhança: o povo havia apenas ouvido a voz de Deus. A isso corresponde o papel dominante exercido ao longo de toda a história da fé israelita pela “ palavra de YHWH” falada ou escrita.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 148-150.
3. O terceiro mandamento.
Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. (Êx 20.7)
O que identifica cada pessoa, de forma individual, é o nome que cada um tem. Podemos ser parecidos com outras pessoas, mas a nossa distinção começa pelo nome que recebemos. Nossos documentos começam identificando o nosso nome, e este traz muito de nosso caráter e reputação.
Deus não deixou de observar que o nome dEle deveria ser reverenciado e honrado. Seu nome não poderia ser utilizado de forma indevida, não deveria ser usado de forma leviana, como se não representasse o Deus que os tirou da escravidão.
O nome de Deus é tão santo que quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, após pronunciar a frase “Pai nosso que estás no céu”, Ele seguiu com o “santificado seja o teu nome”. Jesus mesmo santificou o nome do Pai, não o tomando de forma irresponsável nem desrespeitosa. Quando se referia ao pai, fazia-o com respeito e temor.
O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos para concretizar negócios que não temos a pretensão de honrar. O nome do Senhor é desonrado quando nossas vidas não correspondem com a fé que alegamos ter. O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos em brincadeiras e piadas, ou juramos falsamente, como se Ele fosse responsável por nossos atos.
nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o Senhor. (Lv 19.12)
O preceito aqui é que Deus deseja que seu nome seja respeitado, não sendo alvo de blasfêmias nem do nosso mau comportamento.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 71-72.
Abusos contra o nome de Deus. Vários desses abusos eram e continuam sendo possíveis:
1. O trivial. Até mesmo crentes exclamam, descuidadamente: “Ó meu Deus!” E até mesmo crentes piedosos falam de modo frívolo acerca do Senhor, como se Ele fosse apenas um bichinho de estimação. Combato essa forma ridícula de teísmo de acordo com a qual qualquer pensamento ou ato trivial é lançado na conta do Senhor. Trata-se de uma forma de auto exaltação. Pois se o grande Deus está conosco em questões tão peque- nas, então quão importantes nós somos. Em contraste com isso, os israelitas piedosos nem ao menos pronunciavam o nome divino Yahweh, mas corrompiam-no de alguma forma, para não se tornarem culpados de estarem tomando o nome de Deus em vão.
2. Nas artes mágicas e nos juramentos. Como nas conjurações e nos ritos pagãos. Ver Gên. 32.27,29. O nome de Yahweh não podia ser usado em tais atividades.
3. O nome de Yahweh não podia ser misturado com os nomes de divindades pagãs, como se fizesse parte de algum panteão gentílico.
4. A proibição do uso do nome divino incluía a ideia de empregar o nome de Deus para invocar os mortos. O nome de Yahweh não podia ser misturado à bruxaria.
5. O nome de Yahweh não podia ser usado nos juramentos falsos, como se a veracidade de uma pessoa pudesse ser apoiada pelo grande Deus (Lev. 19.12).
6. Embora o texto sagrado não o diga especificamente, temos aqui um mandamento contra toda espécie de profanação por meio de palavras, incluindo ou não os nomes divinos. O texto por certo subentende o uso devido da língua, em questões tanto sagradas quanto seculares. Ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o artigo intitulado Linguagem, Uso Apropriado de. O abuso da fala desonra a Deus.
“Maldições e juramentos devem-se ao desejo de impressionar os outros. A maneira mais fácil de chocar outra pessoa e chamar sua atenção é 0 uso de alguma coisa sagrada ou nome santo. Mas o efeito desgasta-se quase imediatamente, e a blasfêmia passa a ser apenas um hábito inconveniente, expressando impotência e fraqueza de caráter” (J. Coert Rylaarsdam, in loc.).
Ameaças. Nenhuma punição é imposta aqui aos faltosos, mas fica entendido que o homem que usasse indevidamente o nome de Yahweh não escaparia do devido castigo.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 319.
O Terceiro Mandamento: Não Tomar o Nome de Deus em Vão (20.7)
Tomar o nome do SENHOR, teu Deus, em vão é “recorrer ao irrealismo, ou seja servir-se do nome de Deus para apelar ao que não é expressão do caráter divino”. Tal uso profano do nome de Deus ocorre no perjúrio, na prática da magia e na invocação dos mortos. A proibição é contra o falso juramento e também inclui juramentos levianos e a blasfêmia tão comum em nossos dias. “Este mandamento não obsta o uso do nome de Deus em juramentos verdadeiros e solenes.”
Deus odeia a desonestidade, e é pecado sério alguém usar o nome divino para encobrir um coração mau, ou para se fazer melhor do que se é. A pessoa que procura disfarçar uma vida pecaminosa, ao mesmo tempo em que professa o nome de Cristo, quebra este terceiro mandamento. Tais indivíduos são culpados diante de Deus (7) e só recebem misericórdia depois de se arrependerem. Os justos veneram o nome de Deus por ser santo e sagrado.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 190.
Não tomarás... em vão. No judaísmo mais recente, esta proibição envolvia qualquer uso impensado e irreverente do nome YHWH.
Este só era pronunciado uma vez por ano, pelo sumo-sacerdote, ao abençoar o povo no grande Dia da Expiação (Lv 23:27). Em sua forma original, o mandamento parece ter-se referido a jurar falsamente pelo nome de YHWH (Lv 19:12). Este parece ser o verdadeiro sentido do texto hebraico. A lei permitia abençoar e amaldiçoar em nome de YHWH (Dt 11:26): isso equivalia virtualmente a proclamar Sua vontade e Seu propósito para com várias classes de indivíduos. Jurar pelo Seu nome era, então, permitido, embora fosse proibido por Cristo, séculos mais tarde (Mt 5:34). Na verdade, jurar pelo Seu nome (e não pelo de qualquer outro deus) era um sinal de que tal pessoa era um adorador de YHWH (Jr 4:2), e por isso era algo digno de louvor. Uma razão mais profunda para tal proibição pode ser vista no fato de que Deus era a única realidade viva para a mentalidade israelita. É por isso que Seu nome era sempre envolvido nos votos e juramentos, normalmente na fórmula “ tão certo como vive o Senhor” (2 Sm 2:27).
Usar tal frase e depois deixar de cumprir o voto era questionar a realidade da própria existência de Deus.
Pois YH W H não terá por inocente. A explicação, embora correta, provavelmente não fazia parte do abrupto mandamento apodíctico original.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 150.
4. O quarto mandamento.
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou. (Ex 20.8-10)
O dia do sábado é apresentado na Bíblia como um dia reservado à adoração a Deus e ao descanso. Deus mostra nesse mandamento que os israelitas poderiam trabalhar o quanto quisessem nos seis primeiros dias da semana, mas no sétimo dia, deveriam descansar. A ordem era para o chefe de família, mas extensiva a todos que estivessem na casa, inclusive o estrangeiro. O termo sábado vem de shabbath, que em hebraico significa “cessar, interromper”. O sábado, para os judeus, deveria ser um dia santo.
Esse mandamento nos traz outra lição, desta vez referente ao trabalho. O homem não pode ser escravo do trabalho, trabalhando sem descansar ou sem reservar um espaço de sua vida produtiva a servir a Deus. O Senhor honra o trabalho, mas honra também o descanso, que por sinal, é um mandamento dEle também.
A guarda do sábado, no Novo Testamento, tornou-se um dos mandamentos mais citados nos Evangelhos, pelo fato de que os judeus mais radicais acusavam Jesus de não cumpri-lo. No sábado Jesus ensinava, curava pessoas enfermas, permitia que seus discípulos pegassem espigas nos campos para comerem. Lucas 13.10-17 traz o relato de Jesus ensinando numa sinagoga no sábado, dia em que lá havia uma mulher com um espírito de enfermidade há 18 anos, que andava encurvada. Jesus a chamou, curou-a, restaurou lhe a posição correta e a mulher começou a glorificar a Deus. Nesse momento, o chefe da sinagoga reclamou com os presentes que não trouxessem pessoas para serem curadas no sábado. Na mente daquele líder, havia outros seis dias para que Deus curasse as pessoas. Aquele homem deveria estar grato por presenciar uma cura diante de seus olhos, mas preferiu lembrar aos que o ouviam que havia outros dias para trazerem enfermos ao local do culto. Jesus não esperou para dar ao homem e a nós uma grande lição:
Respondeu-lhe, porém, o Senhor e disse: Hipócrita, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber água? E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás mantinha presa? E, dizendo ele isso, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele. (Lc 13.15-17)
Lembre-se de que o dia é santificado quando eu o guardo para o Senhor. E aqui cabe uma palavra. Como cristãos, guardamos o dia do domingo, como a Igreja Primitiva o fazia, para honrar o dia da ressurreição do Senhor. Aqui, o princípio do descanso também é respeitado, pois além de não trabalharmos, temos por hábito nos reunirmos em nossas igrejas para adorar ao Senhor e passar um tempo a mais com nossos familiares.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 72-73.
Lembrando o sábado, a fim de mantê-lo santo. O sábado era um dia de descanso e de observâncias espirituais. No Dicionário há um artigo detalhado sobre o Sábado. Ver também na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia os artigos chamados Sabatismo e Observância de Dias Especiais. Ambos esses artigos abordam a questão que indaga se o sábado é obrigatório para a Igreja cristã. Se Paulo admitia que podemos observar dias especiais, ele jamais obrigou outros cristãos a fazerem o mesmo. A Igreja, ou suas várias denominações, têm o direito de observar o domingo como se fosse um sábado ou descanso, embora não haja muito para recomendar essa circunstância, sobretudo se isso for feito em uma atitude legalista. É elogiável que a Igreja tenha dedicado um dia da semana (o domingo) para adoração e culto religiosos especiais, comemorando a ressurreição de Cristo. Mas isso não transforma o domingo em um “sábado cristão”.
A primeira espiritualização do versículo à nossa frente consistiu em afirmar enfaticamente a necessidade que temos de observâncias religiosas comunais, em um esforço grupai como uma igreja ou uma denominação, visando a honrar a Deus com o nosso tempo, de maneira sistemática e planeja- da. É bom observarmos pelo menos um dia por semana para essa finalidade e para descansar do trabalho secular.
O sábado foi instituído antes da lei mosaica. Ver Gên. 2.3. Nessa referência, apresentei notas sobre a questão, incluindo a necessidade de descanso e adoração, além da necessidade de trabalhar nos outros seis dias da semana. Os reformadores do século XVI, ao ab-rogarem teologicamente o sábado, substituíram-no pelo domingo; mas fizeram deste um sábado para todos os propósitos práticos. A medida pode ter sido prática, mas não exibiu uma boa teologia. O sábado é uma contribuição distinta da religião dos hebreus. Era o sinal do pacto mosaico. Mas, sob a graça, na qual estamos, não há qualquer necessidade desse sinal, pelo que não há nenhum preceito ou exemplo de guarda do sábado por parte da Igreja cristã. Antes, a guarda do sábado aparece como um sinal de infantilidade espiritual ou mesmo de erro teológico. Ver Gál. 4.10 e suas notas no Novo Testamento Interpretado.
Para o santificar. Em outras palavras, como um descanso santificado (Êxo. 16.23), em que os israelitas deveriam aproveitar a oportunidade para dedicarem-se ao culto e ao serviço religiosos. A provisão principal era 0 descanso, e podemos presumir que eles aproveitavam 0 ensejo para finalidades religiosas. Posteriormente, na sinagoga, sem dúvida assim acontecia. Ver também Êxo. 20.11; 23.12 e Deu. 5.14,15.
Tipo. O descanso do sábado era tipo do futuro descanso do crente, em Jesus Cristo, ou seja, a salvação eterna. Ver Heb. 4.1,3-5,8-11.
Êx 20.9,10 Seis dias trabalharás. Temos aqui um mandamento positivo: Trabalha! O sábado era não somente um tempo em que se descansava do trabalho regular semanal. Depois de um trabalho de uma semana, o homem imitava a Deus o qual, segundo se vê em Gên. 2.2,3, após seis dias de criação, descansou ao sétimo dia. Por isso mesmo, o sábado é o sétimo dia da semana, pois ninguém pode descansar depois de nada ter feito. Mas a Igreja primitiva, no primeiro dia da semana, rememorava a ressurreição de Cristo. Isso posto, o domingo, ou primeiro dia da semana, está baseado em uma ideia inteiramente diversa da do sábado judaico. As notas que dou em Gên. 2.2,3 são bastante completas, e devem ser lidas em conexão com esta passagem. Quanto a ou- tros trechos bíblicos ligados ao sábado, ver Êxo. 16.22-30; 31.15; Núm. 15.32- 36 e Deu. 5.15.
A ordem principal do quarto mandamento era não trabalhar. E isso aplicava-se tanto aos seres humanos quanto aos animais. A moral desse manda- mento é que o homem estava imitando aquilo que Deus fizera, terminada a obra da criação. O versículo seguinte a este deixa isso claro, sendo um em- préstimo diretamente feito do segundo capítulo do Gênesis. Deus deixara um exemplo que precisava ser seguido de perto. Não há no mandamento qualquer explicação sobre o que se deveria fazer com o tempo livre; mas a história toda do judaísmo demonstra que era um tempo para ser devotado à meditação e a outros exercícios espirituais.
Na Babilônia, o sábado era tido como um dia de mau presságio; mas o judaísmo reverteu completamente tal noção pagã. No Egito, nos dias da servidão de Israel, não havia dia de descanso para o povo de Deus ao fim de cada semana; e assim, após o livramento, foi reinstalado o sábado entre os israelitas.
O sábado era também uma espécie de lembrete semanal da páscoa, tal como o dia do Senhor, no Novo Testamento, é um memorial da morte e da ressurreição de Cristo. No Egito, a Israel só cabia trabalhar, trabalhar; uma vez liberto, o povo de Israel pôde novamente gozar de um dia de descanso por semana, em imitação a Deus, que descansou no sétimo dia da criação.
Vemos em Deuteronômio 5.15 que ao sábado foi dada uma razão humanitária. Homens e animais, depois de seis dias de trabalho, precisavam descansar. Israel tinha vivido servilmente no Egito, onde não tinha descanso. Um homem, ao descansar, também deveria conceder descanso a seus dependentes (incluindo os escravos) e aos seus animais. Os estrangeiros também tinham o direito de um dia de descanso semanal em Israel.
Há um certo número de proibições individuais que envolvem tipos de trabalho, e que nos servem de instrução: 1. Não se podia recolher o maná (Êxo. 16.26). 2. Não se podia acender fogo (Êxo. 35.3). 3. Não se podia ajuntar lenha para acender fogo (Núm. 15.36). Em consequência, até coisas aparente- mente triviais eram incluídas nessa proibição. Contudo, também havia algumas exceções: Os sacerdotes não cessavam seu trabalho. Uma vida em perigo podia ser resgatada (Mat. 12.5,11). Nos dias dos Macabeus, entretanto, começaram a surgir atitudes extremadas. Tornou-se proibido até mesmo a autodefesa (I Macabeus 2.32-38; II Macabeus 5.25,26 e 6.11). Jesus não era um guardador extremado e ridículo do sábado, conforme fica ilustrado no capítulo doze de Mateus.
Êx 20.11 Natureza Obrigatória do Sábado. Neste versículo aprendemos que a guarda do sábado estava alicerçada sobre o exemplo divino (Gên. 2.2,3), como também sobre um mandamento divino (Êxo. 20.9-11). O trecho de Êxo. 20.11 repete essencialmente o que se lê em Gênesis 2.2,3, onde ofereço notas expositivas. Esse dia pertencia a Deus. Ele 0 havia santificado. Sua grande obra criativa tinha sido terminada e era “boa”. E o sábado era uma espécie de comemoração desse fato, tendo-se tornado assim um dia especial em si mesmo. Ver também Êxo. 31.17. “Deus separou esse dia de todos os demais dias da semana, santificando-o para uso e serviço sagrados, obrigando o Seu povo a cessar todo trabalho durante 0 mesmo, a fim de poder dedicar-se aos exercícios religiosos, como ouvir e ler as Escrituras, orar, louvar, etc., e Ele abençoava esse dia com a Sua presença (John Gill, in loc.).
Terminam aqui os quatro mandamentos que mostram deveres do homem para com Deus. Doravante, veremos seis mandamentos que falam das relações entre homem e homem.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.
O Quarto Mandamento: Santificar o Sábado (20.8-11)
O uso do verbo lembra-te (8) insinua que é fácil negligenciar o dia santo de Deus. Tinha de ser mantido em ininterrupta consciência e santificado, ou seja, “retirado do emprego comum e dedicado a Deus” (ATA). Todo o trabalho comum seria feito em seis dias (9), ao passo que o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus (10). Era um dia dedicado, separado, a ser dado inteiramente a Deus. Ninguém deveria trabalhar neste sétimo dia. O senhor não deveria fazer seus servos trabalharem. Até os animais tinham de descansar do trabalho cotidiano. Havia proibições específicas, como a ordem de não colher maná (16.26), não acender fogo (35.3), não apanhar lenha (Nm 15.32-36). Embora o foco seja negativo, a lei permitia o trabalho necessário, como o trabalho de sacerdotes e levitas no Templo, o atendimento a doentes e o salvamento de animais (cf. Mt 12.5,11).
A razão para observar o sábado é que Deus fez a terra em seis dias e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou.
As Escrituras não fazem uma lista de coisas que se deve fazer no sábado. A inferência inequívoca é que o dia é de descanso e adoração. As ocupações seculares e materialistas devem ser substituídas por atividades espirituais. Cristo condenou o legalismo que deu ao dia a forma severa e insensível, embora não tenha anulado a sacralidade do dia. Foi ordenado para o bem do homem (Mc 2.23-28).
A observância do dia do Senhor (domingo) como o sábado cristão preserva o princípio moral que há neste mandamento. A mudança do sábado judaico para o sábado cristão foi feita gradualmente sem perder necessariamente o propósito de Deus para este dia santo. Notamos que os versículos 9 e 10 não especificam o sábado nem “o sétimo dia da semana” como o dia do descanso sabático. A letra do mandamento é cumprida pela observação do dia seguinte aos seis dias de trabalho, como faz o cristão.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 190-191.
Êx 20.8. Lembra-te do dia de sábado. Compare 16:23,26. O mandamento sobre o dia de descanso é o primeiro a ser formulado positivamente, embora ainda breve e apodíctico. O versículo 12 contém o único outro mandamento positivo na lista, embora no restante da lei esta forma não seja incomum (uma forma de mandamento positivo intimamente relacionada se encontra em Gn 9:6). Esta mudança de um mandamento negativo para outro positivo não é desconhecida em códigos antigos, mas se quisermos descobrir uma forma negativa para este mandamento, por amor à coerência, ela se encontra no versículo 10, “ não farás nenhum trabalho” . Deuteronômio 5:12 é bem semelhante ao versículo 8, embora empregue “ guardar” em lugar de “ lembrar” . Por outro lado, a razão apresentada em Deuteronômio para a observância do sábado é completamente diferente, como veremos no versículo 11.
Êx20.11. YHW H... ao sétimo dia descansou. A razão da observância do sábado apresentada em Êxodo é que ele serve como um memorial do descanso de Deus depois de Sua grande obra criadora. Deuteronômio 5:15 considera o sábado uma comemoração do descanso oferecido aos escravos israelitas no Egito, quando libertados por YHWH, e (como é típico em Deuteronômio) como uma oferta de oportunidade de “ descanso” semelhante aos escravos dos israelitas (Dt 5:14). Estas explicações não são mutuamente exclusivas, já que ambas tratam de descanso; por outro lado, tendem a reforçar a tese de que a forma reduzida do mandamento era a original, talvez simplesmente “ Lembra-te do dia de sábado” . Seja qual for o caso, na observância do sábado, como em todas as outras festas religiosas de Israel, o que se comemora é um ato de Deus. Um acalorado debate vem se desenvolvendo em torno das origens e data da observância do sábado: comentaristas judaicos mais recentes se esforçaram ao máximo para encontrar prova dessa observância no período patriarcal, mas a não ser na Lei, as referências mais antigas são 2 Reis 4:23 e Amós 8:5. A passagem em Reis sugere que tanto culto quanto interrupção de trabalho eram costumes antigos relacionados ao dia (como certamente o eram em dias pós-exílicos). Paralelos em literatura babilónica não são de grande valia: os sétimos dias correspondentes eram lá considerados meramente “ dias de má sorte” para negócios, embora tal conceito possa ter se derivado de um significado religioso. É bem provável que as origens do sábado (como as origens do dízimo e da circuncisão) se estendam até bem antes da doação da Lei, mesmo que não haja referência bíblica direta à sua observância.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 1551-152.
III - A CONTINUAÇÃO DOS MANDAMENTOS DIVINOS
1* O quinto mandamento.
Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá. (Êx 20.12)
As relações familiares não foram esquecidas por Deus, e Ele ordenou que os filhos honrassem seus pais. Isso pode ser feito quando os filhos obedecem a seus pais, ajudam a tomar conta deles na terceira idade e quando ouvem seus pais para a tomada de decisões para a vida.
Infelizmente, há filhos que não seguem esse mandamento, desobedecendo àqueles que os criaram, deram educação, alimento, vestimentas e um nome. Estão desrespeitando o quinto mandamento e não terão uma vida abençoada por Deus. Lembremo-nos de que esse é o primeiro mandamento com promessa, que mostra a extensão de vida dos que honram seus genitores. Deus deixa claro que aprendemos a usar a honra dentro de nossa própria casa, quando honramos nossos pais.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 74.
Os quatro primeiros mandamentos da lei mosaica tratam dos deveres do homem para com Deus. Os últimos seis, tratam dos relacionamentos humanos. Por isso mesmo, as tábuas do testemunho, onde tinham sido inscritos os mandamentos, eram duas. Essas duas tábuas da lei incorporavam todas as atitudes apropriadas aos seres humanos.
Honrar aos próprios progenitores não somente é uma forma de piedade do mais alto calibre, como também é uma regra social de suprema importância, pois os conflitos domésticos naturalmente têm reflexos sobre a sociedade como um todo. Visto que os pais atuam como representantes de Deus, ocupando o lugar de Deus no seio da família, este quinto mandamento, na realidade, é uma aplicação dos dois primeiros manda- mentos. Assim, honrar a Yahweh implica em honrar aos pais. A solidariedade familiar jamais poderá tomar-se um fato nos lugares onde houver filhos desobedientes, que tentem impingir sua voluntariedade às expensas dos pais. Dentro do contexto hebreu, honrar os próprios pais era uma parte vital da existência, tão vital quanto a respiração. Um filho que ousasse ferir seus pais sofria a pena de morte (Êxo. 21.15). Idêntico castigo cabia a quem amaldiçoasse qualquer de seus pais (Êxo. 21.17). Somente os zombadores insensatos rejeitariam esse princípio de respeito pelos próprios pais, e o fim deles é triste (Pro. 30.17).
Paulo reitera esse mandamento em Efésios 6.1-3. Todavia, o apóstolo também frisou sabiamente a responsabilidade dos pais para com seus filhos (vs. 4). E lembrou que o quinto mandamento é o primeiro mandamento que envolve uma promessa, ou seja, que os filhos obedientes serão abençoados com uma vida longa e feliz (Efé. 6.3). Nesse ponto, Paulo citou o trecho de Deuteronômio 5.16. Quanto ao ponto de vista neotestamentário ver a completa exposição sobre esse mandamento em Efésios 6.1 ss., no Novo Testamento interpretado.
A punição capital (ver a esse respeito no Dicionário) era imposta no caso de quatro crimes, mencionados em Êxo. 21.12-17 (que vide). Entre esses queremos destacar aqui a quebra do sexto mandamento (0 homicídio; Êxo. 21.12,14) e a quebra do quinto mandamento (os abusos contra os pais; Êxo. 21.17).
Entre certas tribos indígenas do Rio Negro, no estado do Amazonas, Brasil, somente dois atos são tidos como aquilo que chamamos de pecados, ou seja, atos errados: abusar de qualquer modo da própria mãe e furtar. Entre eles, esses atos são considerados piores do que o homicídio, o qual, entre eles, é tão comum que deixou de ser censurado. Assim sendo, o código de ética daqueles indígenas incorpora somente 0 quinto e 0 oitavo mandamentos do decálogo mosaico.
Aristóteles pensava que as relações entre filho e progenitor são análogas aquelas que existem entre o homem e Deus (Ethics, Nic. vii.12 par.5). O confucionismo alicerça toda a sua moralidade sobre as relações entre pais e filhos. Os egípcios enfatizavam a questão a ponto de ameaçarem a uma má vida pós-túmulo aos filhos que fossem desobedientes a seus pais (apud Lenormant, Histoire Ancienne, vs. 1, pág. 343 s.).
Interessante é notar que se os egípcios prometiam uma boa vida pós-túmulo aos filhos obedientes, 0 código mosaico só prometia uma boa vida neste mundo, uma vida longa e abençoada, mas nenhuma promessa de vida pós-túmulo, 0 que é típico no Pentateuco. Se existem alguns indícios sobre uma vida para além da morte biológica (como na doutrina do homem como partícipe da imagem divina; Gên. 1.26,27), essa doutrina só passou a ser destacada formalmente, no Antigo Testamento, nos Salmos e nos Profetas.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 392.
O Quinto Mandamento: Honrar os Pais (20.12)
Honra a teu pai e a tua mãe é o primeiro mandamento em relação aos homens e rege o primeiro relacionamento que a pessoa tem com outrem: a relação dos filhos com os pais. Este mandamento é tão básico que é amplamente universal. A maioria das sociedades reconhece a importância de filhos obedientes. A melhor exegese deste versículo é a exortação de Paulo encontrada em Efésios 6.1-3, onde ele destaca as responsabilidades de pais e filhos. Com este mandamento ocorre uma promessa. Quem honra os pais tem a garantia de vida longa. O propósito desta promessa visava a nação em sua permanência na Palestina e o indivíduo que obedece. A promessa ainda vigora: a nação cujos filhos são obedientes permanece sob a bênção de Deus, e os indivíduos obedientes aos pais têm a promessa de vida mais longa. Haverá exceções a esta regra, mas aqui destacamos sua aplicação geral.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 190-191.
Êx 20.12. Honra a teu pai e a tua mãe. Tal como o versículo 8, este é um mandamento categórico formulado positivamente. O mesmo princípio sob outra forma pode ser encontrado em 21:15,17: “ Quem ferir/amaldiçoar seu pai ou sua mãe, será morto” . Este é chamado “ o primeiro mandamento com promessa” (Ef 6:2), e assim o é, no sentido mais estrito da palavra, embora o versículo 6, onde Deus demonstra “ o amor da aliança” aos que O amem e obedeçam, também seja virtualmente uma promessa. A promessa divina, contudo, é mais clara aqui, produzindo seus resultados na sociedade. Os que constroem uma sociedade na qual a velhice ocupa lugar de honra podem esperar confiantemente desfrutar do mesmo lugar algum dia. Tal doutrina não é muito popular em nossos dias, quando a juventude é adorada, e a velhice temida ou desprezada. O resultado é a loucura que leva homens e mulheres a lutarem por permanecer eternamente jovens, e acabar descobrindo ser isso impossível. Este mandamento é parte da atitude geral para com a Velhice em Israel (como símbolo e, idealmente, personificação da sabedoria prática da vida), elogiada em todo o Velho Testamento (Lv 19:32), c encontrada em muitos outros povos antigos, notavelmente entre os chineses. Não se pode precisar se o mandamento está relacionado à ideia de que sendo a vida sagrada e dom de Deus, os doadores humanos da vida devem ser tratados com respeito: talvez um israelita não analisasse o mandamento deste modo.
Para que se prolonguem os teus dias. Às vezes, indivíduos supersensíveis questionam a validade de uma promessa ligada a um mandamento.
O hebraico, entretanto, não implica necessariamente em que a bênção prometida seja nosso motivo para obedecer o mandamento, ao passo que assegura denifitivamente qual seja o resultado de tal obediência. Outros questionam a natureza material da promessa. Em dias do Velho Testamento, todavia, as promessas divinas eram normalmente formuladas em termos materiais, compreensíveis para aqueles que, por assim dizer, ainda estavam no jardim-de-infância de Deus. Para aqueles que, até àquela altura, não tinham conhecimento definido de uma vida futura, “ dias prolongados” significavam possibilidade de continuada comunhão com Deus, e eram por isso muito importantes. Por outro lado, alguns consideram esta promessa como um seguro de propriedade da terra que Deus lhes daria: isto, por sua vez, traria glória a Deus, por demonstrar Sua fidelidade às Suas promessas. Nós, com revelação mais completa, podemos “ espiritualizar” tal promessa sem esvaziá-la de seu conteúdo. Este mandamento é o ponto em que a atenção é desviada do relacionamento para com Deus e se concentra no relacionamento com a comunidade que Ele criou. Assim, o conteúdo total dos dez mandamentos pode ser resumido em duas “ palavras” , não uma apenas: amor a Deus e amor ao nosso próximo (Dt 6:5; Lv 19:18). Mais uma vez, não há contradição: a realidade de nosso amor declarado a Deus é demonstrada pela realidade de nosso amor expresso para com nossos semelhantes (Jr 22:16).
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 151-152.
2. O sexto mandamento.
Não matarás. (Êx 20.13)
Este mandamento refere-se ao respeito pela vida. Esta é dom de Deus, e não pode ser retirada por outros homens. Infelizmente, a história da humanidade apresenta um número imenso de pessoas que assassinaram outras, quer por motivos fúteis, quer por motivos políticos. Tais pessoas prestarão contas a Deus por seus atos.
A cultura judaica previa exceções apresentadas na Bíblia Sagrada, mas cada caso deve ser analisado realmente como exceção, e não como uma regra, observando-se os casos em que eram aplicados na cultura judaica, como a legítima defesa e a morte acidental.
Em nossas leis, matar uma pessoa é crime tanto quanto o era no Antigo Testamento. Como cristãos, não podemos deixar de defender a vida humana em todos os seus aspectos, e cremos que são atos de covardia e assassinato o aborto e a eutanásia.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 74.
Esse mandamento proíbe o homicídio.
O Antigo Testamento justificava, contudo, certas formas de homicídio. Um escravo podia ser morto sem que seu proprietário fosse punido (Êxo. 21.21). Quem invadisse uma casa podia ser morto, sem sanções contra quem lhe tirasse a vida (Êxo. 22.2). O sexto mandamento não proibia os sacrifícios de animais. Matar alguém, durante as batalhas, não era considerado um crime (Deu. 20.1-4). É possível que, em alguns casos, fosse permitida a eutanásia (segundo nos é sugerido em I Sam. 31.4,5). Presume-se que o suicídio era proibido, embora não seja especificamente mencionado. De fato, os trechos de 1 Sam. 17.23 e 31.4,5 até podem ser usados como defesa de alguns casos de suicídio.
A eutanásia, quando aprovada, é a mais conspícua exceção ao sexto manda- mento. A lei proíbe o abuso da propriedade por meio do furto (Êxo. 20.15, o oitavo mandamento). Ora, a vida de um homem é sua mais preciosa possessão, bem como o veículo de que ele precisa para cumprir o desígnio divino em sua vida. Portanto, o homicídio insulta Deus, e não somente o homem, porquanto interfere no propósito de Deus que se está cumprindo nos homens. Desde os dias do Antigo Testamento, tem aumentado o respeito peia vida humana; mas o homem está ainda muito longe de ter um autêntico respeito pela sacralidade da vida humana. Os homens chamam de yusías certas guerras. Mas é muito raro que ocorra uma guerra dessas. Há ocasiões em que se torna imprescindível guerrear contra os psicopatas, como certamente foi Hitler, a fim de serem salvas muitas vidas. Mas mesmo assim, multas vítimas inocentes são ceifadas, até mesmo por parte dos chamados poderes justos. Ficamos perplexos diante das chamadas matanças justas, que, presumivelmente, teriam sido impulsionadas por Yahweh.
O trecho de Mateus 5.21,22 expande o sexto mandamento para que inclua o ódio, a inveja, a má vontade e o assassinato de caráter. A ira indevida e pensamentos maliciosos, que se expressem em palavras ou ações, devem ser compreendidos como implicações desse sexto mandamento.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 392-392.
O Sexto Mandamento: Não Matar (20.13)
A vida é a possessão humana mais estimada e é errado privar alguém da vida sem justa causa. A história de Israel mostra que este mandamento não é absoluto. Houve a adição de outras cláusulas, como o homicídio desculpável (21.13), o homicídio acidental (Nm 35.23) e o homicídio justificável (22.2). Israel também foi autorizado a matar os inimigos. Não há exegese racional que condene a pena de morte ou a guerra simplesmente com base neste mandamento.
Jesus esclareceu seu significado quando o citou: “Não matarás” (Mt 19.18). Não há justificativa para a instigação de motins e rebeliões desnecessárias ou outras condições semelhantes que levem ao derramamento de sangue. Há responsabilidade evidente pelo cuidado adequado em viagens, projetos construtivos e jogos esportivos onde haja perigo. Esforços individuais e comunitários são necessários para a preservação da vida humana. Mas este mandamento não requer nem justifica o prolongamento da vida por meio de remédios e equipamentos auxiliares quando a esperança pela vida normal se extingue.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 191.
Êx 20.13. Não matarás. Os três próximos mandamentos são lei apodítica em sua forma mais concisa. O hebraico emprega apenas duas palavras. O termo hebraico raçaí} é uma palavra comparativamente rara para “ matar” e normalmente indica o assassinato violento de um inimigo pessoal (Hyatt): “ Não assassinarás” é uma tradução viável. O mandamento é pronunciado da forma mais geral possível, mas a lei claramente distinguia entre o assassinato propriamente dito e o homicídio acidental ou não premeditado (21:12-14). Evidentemente este mandamento jamais foi entendido pelos israelitas como uma proibição à pena de morte (21:15), embora esta normalmente seja expressa por um verbo correspondente a “ morrer” , e não pelo verbo “ matar” . Além disso, não havia pacifistas ao tempo do Velho Testamento. Quer a luz da revelação mais completa no Novo Testamento exija tais conclusões ou não, estas não podem ser provadas exclusivamente a partir do Velho Testamento. Como no versículo 16, a proibição parece ser destinada a evitar o assassinato do “ próximo” , um membro da mesma comunidade da aliança. Em qualquer caso, a santidade da vida, como dom de Deus, é estabelecida: daí a “ culpa do sangue” ser uma realidade terrível, desde o tempo de Caim (Gn 4:10).
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 153-154.
3. O sétimo mandamento.
Não adulterarás. (Êx 20.14)
Muito conhecido em todas as épocas, o sétimo mandamento traz um princípio que reflete a proteção à família e à fidelidade entre os cônjuges. Quando Deus diz que não se pode adulterar, Ele está deixando claro que somos responsáveis por controlar nossos desejos, principalmente os pecaminosos.
O desejo sexual dentro do casamento é licito, mas desejar sexualmente uma pessoa que não o cônjuge é o começo do adultério, e isso se aplica a todos os demais pecados na esfera sexual.
Jesus deixou claro que o adultério começa no coração da pessoa, e não no ato da conjunção carnal apenas. Para que estejamos livres desse pecado, é preciso ter uma vida sexual saudável com nossos cônjuges, buscando a pureza sexual dentro do casamento.
Há perdão para os adúlteros? Sim, tanto quanto há perdão para os demais pecados (exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo), mas lembremo-nos de que o adultério traz consequências que podem perdurar pelo tempo, como o fim do casamento e a ruptura dos laços familiares.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 74-75.
Contra o adultério. No artigo geral, no Dicionário, intitulado Dez Mandamentos ofereço notas detalhadas sobre essa questão que devem ser lidas em conjunto com as deste versículo. Assim como os filhos devem honrar seus pais (Êxo. 20.12), e como os pais devem honrar seus filhos (Efé. 6.4), assim também os cônjuges devem honrar-se mutuamente. Isso faz parte de uma estrutura social que prospera, pelo que faz parte da segunda tábua dos Dez Mandamentos. Desse modo fica salvaguardada a solidariedade da família. A poligamia sempre fez parte da sociedade hebreia, pelo que ter mais de uma esposa, ou ter uma esposa e várias concubinas não era algo proibido pelo sétimo mandamento. Antes, o que era condenado era a sedução da esposa de outro homem, ou (em casos mais raros) a sedução, por parte de uma mulher, do marido de outra mulher.
O trecho de Mateus 5.27 ss. elabora aquilo que constituí o adultério, mostrando- nos que está envolvido mais do que atos sexuais ilícitos. Existe aquele adultério da mente, de que nenhum homem ou mulher escapa. Ver também Heb. 13.4 e Lev. 20.10.
O que está impolítico no adultério ou no sétimo mandamento? O Grande Catecismo de Westminster, respondendo à pergunta 139, elabora:
“o adultério, a formicação, o estupro, o incesto, a sodomia, as paixões desnaturais, a imaginação impura, a impureza nos propósitos e nos afetos, a linguagem Imoral, os olha- res sensuais, o comportamento imodesto, as vestes imodestas, os casamentos ilegítimos, a tolerância de bordéis ou de qualquer tipo de prostituição, o indevido adiamento no casamento, o divórcio, a separação ou deserção do cônjuge, a preguiça, a glutonaria, o alcoolismo, as gravuras, as danças, as peças teatrais e qualquer outra coisa que excita ou promova pensamentos impuros”.
Ό sétimo mandamento trata a família como uma unidade social. Seu real interes- se é a sacralidade do matrimônio. Somente por implicação envolve a gama inteira da moralidade sexual” (J. Edgar Park, in loc.).
“Esse mandamento adverte contra a ditadura do copo físico” (J. Coert Rylaarsdam, in loc.).
O código de Hamurabi (artigo 157) requeria a pena de morte na fogueira para esse tipo de pecado. O trecho de Levítico 20.10 requeria execução por apedrejamento.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 393.
O Sétimo Mandamento: Não Adulterar (20.14)
A pureza sexual é o princípio subjacente neste mandamento. Adultério constituiu-se em relações sexuais ilícitas feitas por alguém casado. Tratava-se de pecado contra a família. Mas este mandamento é aplicável a todos os tipos de imoralidade sexual. A concepção em vigor atualmente que afirma haver exceções a esta regra não tem justificativa. Jesus deixou claro que o adultério está no coração e ocorre antes do ato (Mt 5.28). Este mandamento condena todas as relações sexuais que acontecem fora do laço matrimonial. Também infere a proibição de atos que precedem e conduzem ao ato sexual.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 191.
Êx 20.14. Não adulterarás. A Lei permitia poligamia (talvez uma instituição social necessária à proteção de mulheres solteiras), mas jamais permitiu poliandria (caso em que uma mulher tem vários maridos simultaneamente). O fato de um homem ter relações sexuais com a esposa de outro homem era considerado um pecado hediondo tanto contra Deus como contra o homem, já bem antes da lei, ao tempo dos patriarcas (Gn 39:9). Talvez este mandamento esteja relacionado ao “ furto” e à “ cobiça” proibidos nos dois mandamentos seguintes, já que a esposa pertencia a outrem. Talvez isto explique um dos aspectos mais intrigantes para nós que vivemos sob a nova aliança: apesar de que relações sexuais com prostitutas não sejam recomendadas, também não são proibidas (embora fosse proibido aos israelitas o permitir que suas filhas se entregassem a tais práticas degradantes, Lv 19:29). Talvez isso não infringisse os direitos de outrem, como no caso de um adultério. Por outro lado, é claro (ver Mt 19:4-6) que a monogamia era o plano de Deus para o homem na criação: e sem sombra de dúvida, tal como o divórcio, a poligamia e mesmo a fornicação eram toleradas na economia mosaica devido à dureza do coração humano (Mt 19:8). Em Cristo, elas se tornam absolutamente impensáveis (1 Cor 6:15). Longe de anular este mandamento, Cristo o intensificou, incluindo como “ adultério” muito do que não é apenas tolerado, mas justificado por nossa sociedade permissiva (Mt 5:28). Semelhantemente Ele incluiu os pensamentos maldosos na proibição de assassinato: os mandamentos têm como alvo o pensamento e a motivação, não apenas o ato (ver o comentário do décimo mandamento).
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 154.
4. O oitavo mandamento.
Não furtarás. (Êx 20.15)
Deus abençoa uma vida produtiva de trabalho, e abençoa os bens trazidos para casa de forma justa. Por isso, Ele espera que a propriedade seja preservada de ataques, e para isso proíbe o furto e o roubo. O furto é a retirada furtiva dos bens de uma pessoa, e o roubo, geralmente, tem o emprego da intimidação ou da violência. Em ambos os casos, Deus condena os bens adquiridos por meios ilícitos.
Não podemos tirar vantagens de outras pessoas, pois isso é também é uma forma de furto. Se desejamos ter bens, que sejam adquiridos de forma lícita, permitida por Deus e debaixo da sua bênção.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 75.
Respeito pela propriedade alheia. O ser humano tem direito possuir coisas. E uma vez que as possua, não pode ser privado delas por parte de quem quer que seja. Fica entendido, contudo, que tal ser humano entrou na possessão de suas coisas de maneira honesta, pois, em caso contrário, ele já roubou tais coisas de alguém, quebrando assim 0 oitavo mandamento. O comunismo oficializou o furto de propriedade privada, por parte do estado, mediante o decreto de alguns poucos mandamentos. O ladrão às vezes apenas furta sub-repticiamente, mas muitas vezes também rouba mediante a violência, incluindo à mão amada. Neste último caso há violência física, mas todo furto ou roubo é um ato egoísta.
Por muitas vezes, as coisas que as pessoas possuem foram adquiridas em troca de trabalho árduo e longo. E contra a natureza privar um homem daquilo que ele chegou a possuir mediante trabalho e sacrifício pessoal. Os impostos, embora decretados oficialmente, também podem ser exorbitantes e pecaminosos, como modos ilegítimos de que os governantes se valem para lesar os governados. Logo, taxas excessivas devem ser classificadas como quebras do oitavo mandamento. E também há uma maneira passiva de fazer a mesma coisa. Devemos mostrar-nos generosos, compartilhando com outros de nossos valores monetários. Se assim não fizermos, então estaremos furtando o que deveria ser dado a pessoas menos afortunadas do que nós.
Dificilmente pode ser mantida uma sociedade estável quando os ladrões fazem o que bem entendem. A desonestidade, em todas as suas formas, é um grande mal social, custando aos governos um alto preço na tentativa de controlá-la. Como já dissemos, há formas violentas e não-violentas de roubo, como também há formas particulares e públicas. E também há desonestidades individuais e coletivas.
A sacralidade da propriedade fica implícita no oitavo mandamento.
Alguns estudiosos ampliam esse mandamento, por implicação, para o que envolvem os danos causados pela maledicência e pelos ataques vertais contra outrem.
Boa fama, em homem ou mulher,
É a joia imediata de suas almas.
Quem me furta a bolsa, furta ninharias,
Mas quem me furta 0 bom nome,
Furta-me daquilo que não 0 enriquece,
Mas realmente me empobrece.
(Apud Adam Clarke, poeta inglês desconhecido)
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 393.
O Oitavo Mandamento: Não Furtar (20.15)
Este mandamento regula o direito da propriedade particular. E errado tomar de outro o que é legalmente dele. Constitui roubo quando a pessoa se apossa do que legalmente pertence a uma empresa ou instituição. Não há justificativa para a “apropriação” mesmo quando a pessoa sente que o produto lhe é devido. Este mandamento é quebrado quando a pessoa intencionalmente preenche a declaração do Imposto de Renda com informações falsas, desta forma retendo tributos devidos ao governo. Esta prática é imprópria mesmo que o cidadão desaprove o governo.
Também passa a ser roubo o ato de tirar vantagens de outrem na venda de propriedades ou produtos, ou na administração de transações comerciais. E impróprio pagar salários mais baixos do que devem receber por direito. O amor do dinheiro é o pecado básico condenado por este mandamento. A obediência é perfeita somente com um coração puro.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 191.
Êx 20.15. Não furtarás. Mais uma vez aqui esta proibição visa preservar a comunhão da comunidade da aliança. Talvez a proibição original visasse o rapto com propósito de escravidão (ver a experiência de José em Gn 37), mas sem dúvida todos os tipos de furto estão incluídos. O código da aliança esclarece os detalhes (por exemplo, 22:1-4), de modo que não há necessidade de explicações aqui. Numa sociedade camponesa onde a vida é árdua, qualquer roubo pode levar à morte, de modo que o furto se torna um crime sério. Há uma clara ligação entre este mandamento e o décimo.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 154.
5. O nono mandamento.
Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. (Ex 20.16)
Por meio deste mandamento, Deus ordenou que tivéssemos duas atitudes: não mentir nem falar falsamente das pessoas que nos estão próximas. Esse mandamento afeta diretamente os hábitos de pessoas que não controlam o que falam, que falam sem pensar e, pior, pessoas que sempre caluniam seu próximo.
Caluniar é atribuir falsamente a outra pessoa a prática de um ato que a lei considera crime. Se Roberto diz que Mário roubou um carro, sem que Mário o tenha feito, Roberto está caluniando Mário.
Injuriar é atribuir a outra pessoa fato que pode ofender sua reputação. Se Ricardo diz que Jorge foi à igreja bêbado, sem que isso tenha ocorrido, está ofendendo sua moral e sua dignidade.
Difamar é falar mal de outra pessoa a uma terceira ou mais pessoas, dando-lhes uma notícia que fira a moral ou a honra de quem se fala.
Todas essas formas de falso testemunho são passíveis de condenação penal e são igualmente condenadas por Deus.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 75-76.
Parece que o objetivo central deste mandamento é a proteção ao sistema judiei- al. Os tribunais seriam inúteis se os homens chegassem ali para mentir. Se tiver de ser feita uma acusação contra outra pessoa, e se o acusado tiver de defender-se, a verdade terá de ser dita por ambas as parles, sob pena da justiça naufragar. Mas esse mandamento também se aplica a questões individuais. A sociedade em geral perturba-se quando as pessoas saem a espalhar mentiras e calúnias sobre seus semelhantes. O trecho de Êxo. 23.1 condena o falso testemunho em nível pessoal. Ver Deu. 19.16-20 que requeria juízo apropriado contra falsas testemunhas que perturbavam o sistema judicial. A linguagem e os fatos devem concordar entre si. Ver Deu. 13.14; 17.4; 22.20; Jer. 9,5; Sal. 9.5; 15.2; Pro. 12.19; 14.25; 22.21. A verdade precisa ser dita como tempero do amor (Efé. 4.15). Algumas vezes, as meias verdades prejudicam mais do que as mentiras francas. O amor, porém, guarda-nos tanto da mentira aberta quanto das meias verdades.
A mentira artística vem sendo aprovada desde os tempos mais antigos, conforme muitos eruditos supõem. Ver o caso de Labão (Gên. 29.21-27), e o caso um tanto anterior de Jacó (Gên. 27.6-36). Por outro lado, a luz que brilhou por meio de Moisés por certo condenava qualquer tipo de mentira ou abuso de linguagem.
Antes de Falar
Faz tudo passar diante de três portas de ouro:
As portas estreitas são, a primeira: É Verdade?
Em seguida: É Necessário? Em tua mente Fornece uma resposta veraz. E a próxima É a última e mais difícil: É Gentil?
E se tudo chegar, afinal, aos teus lábios,
Depois de feres passado por essas três portas,
Então poderás relatar o caso, sem temeres Qual seja 0 resultado de tuas palavras. (Beth Day)
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 393.
O Nono Mandamento: Não Dar Falso Testemunho (20.16)
Enquanto que o roubo nos priva da propriedade, a conduta da falsa testemunha nos rouba da boa reputação. Seja no tribunal ou em outro lugar, nossa palavra sempre deve ser verdadeira. Não devemos divulgar um relato até que verifiquemos sua veracidade. A repetição da fofoca é imoral; antes de falar devemos averiguar a correção do que dizemos. Há ocasiões em que mesmo a informação verdadeira não deve ser propagada; não temos a obrigação de anunciar a todos o que sabemos que é a verdade. Mas quando falarmos, até onde sabemos, sempre devemos dizer a verdade.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 192.
Êx 20.16. Não' dirás falso testemunho. Já que numa sociedade simples, vivendo no deserto, quase todos os crimes envolviam penas capitais,“ falso testemunho” bem sucedido seria equivalente a assassinato. Para evitar tal problema, a testemunha deveria ser também o executor (Dt 17:7), de modo a incorrer na culpa do sangue se estivesse mentindo. O falso testemunho assume grandes proporções no Velho Testamento (1 Rs 21:10, por exemplo), como em qualquer sociedade em que a extrema pobreza exponha o homem à tentação do suborno. Não há dúvida de que o mandamento poderia ser generalizado para incluir a proibição de intrigas e mexericos (Lv 19:16), especialmente de mexerico falso e maldoso que prejudicasse o próximo.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 154-155.
6. O décimo mandamento.
Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. (Ex 20.17)
A cobiça é uma das formas mais tristes de tratarmos aquilo que os outros têm. O cobiçoso sempre vai desejar aquilo que não possui e será consumido por esse tipo de sentimento, pois vai se achar sempre inferior aos outros. Nunca estará contente com o que já possui.
Este mandamento geralmente é citado em nossos dias como “não cobiçarás a mulher do teu próximo”, mas Deus também condena:
Cobiçar a casa — a habitação da pessoa que me é próxima.
Cobiçar o servo e a serva — pessoas que trabalham para o meu próximo.
Cobiçar o boi e o jumento — instrumentos de trabalho ou posse do meu próximo.
Cobiçar coisa alguma — qualquer outra coisa que meu próximo possua.
O que Deus ordena abrange todas as coisas que o próximo possui. Não é meu dever cobiçar o que meu próximo tem, pois isso nos induz a querer retirar dele o que ele tem. A cobiça é o princípio de uma vida insatisfeita, que esquece o que já recebeu de Deus e fixa seu olhar naquilo que ainda não se tem.
Esses mandamentos foram dados para serem seguidos. Ressalvando- se as particularidades da cultura judaica, os princípios dos Dez Mandamentos não foram revogados. Portanto, tenhamos cuidado em dar testemunho nesses quesitos.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 76-77.
Contra todas as formas de cobiça. De acordo com muitos eruditos, esse é o décimo dos mandamentos mosaicos. Mas os luteranos e os católicos romanos pensam que o primeiro mandamento incorpora os vss. 3-6. E assim, neste ponto, eles fazem o vs. 17 desdobrar-se em dois mandamentos, para ser conseguido o número dez. Na Septuaginta, neste versículo e em Deu. 5.21, a esposa é mencionada antes de casar, para que haja um mandamento específico para que não se cobice a mulher do próximo, ao passo que fica criado um décimo mandamento, relativo à cobiça acerca dos bens materiais do próximo. No Dicionário há um artigo detalhado chamado Cobiça, que inclui as injunções neotestamentárias sobre a questão. Meu artigo ali também fornece notáveis exemplos bíblicos de cobiça. Neste ponto, no tocante ao décimo mandamento, aprendemos que a lei aplica-se não somente aos atos, mas também aos senti- mentos e intenções do coração. Em outras palavras, a lei envolvia sentimentos interiores, e não apenas atos externos. O sétimo mandamento proíbe o sexo com a mulher de outro homem; e o décimo mandamento proíbe o desejo disso. Neste ponto, a lei aproxima-se da abordagem feita por Jesus a respeito, em Mat. 5.21 ss. Todos os pensamentos devem ser levados ao cativeiro a Cristo (II Cor. 10.5). Se o oitavo mandamento proíbe o roubo, o décimo proíbe até mesmo o desejo de roubar.
Por conseguinte, o décimo mandamento opera como uma espécie de limiar das noções neotestamentárias sobre essas mesmas questões. O Novo Testamento repete dez dos mandamentos, deixando de fora aquele atinente ao sábado. Mas o dia do Senhor ou domingo, embora não seja um sábado ou descanso, envolve as implicações espirituais do mandamento relativo ao sábado, enaltecendo e iluminando o sentido espiritual do sábado.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 395.
O Décimo Mandamento: Não Cobiçar (20.17)
Este último mandamento está por baixo dos quatro precedentes, visto que atinge o propósito do coração. Matar, adulterar, roubar e mentir são resultados de desejos errados que inflamam nosso ser. E singular que a lei hebraica inclua este desafio ao nosso pensamento e intenção. “Os antigos moralistas não reconheciam esta condição” e não condenavam os desejos maus. Mas é no coração onde se inicia toda a rebelião, e este mandamento revela o aspecto interior de todos os mandamentos de Deus. Paulo reconheceu este aspecto interior da lei quando se conscientizou de sua condição pecaminosa (Rm 7.7). Muitas pessoas são absolvidas de crimes com base em atos exteriores, mas são condenadas quando levam em conta os pensamentos interiores. Estes desejos cobiçosos são, por exemplo, pela propriedade ou pela mulher pertencente ao próximo (17). Tais desejos criminosos precisam ser purgados pelo Espírito de Deus; só assim viveremos em obediência perfeita à santa lei de Deus.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 192.
Êx 20.17. Não cobiçarás. O termo hebraico hãmaçl, “ desejar” , é em si mesmo neutro. É apenas quando mal orientado para aquilo que pertence a outrem que tal “ desejo” se torna errado. Alguns consideram que este é o único dos dez mandamentos a proibir uma atitude mental e não o simples ato externo; mas fazer tal distinção é, provavelmente, uma falsa compreensão da mentalidade israelita. Tal como no caso de “ amar” e “ odiar” , “ desejar” é uma atividade, quase equivalente a uma tentativa de aquisição. Esta mesma identificação pode ser vista no comportamento infantil.
Casa indica família, no sentido antigo da palavra,* e a ideia de esposa é primária. Isto é explicitamente demonstrado em Deuteronômio 5:21, onde a esposa é mencionada em primeiro lugar.
Boi e jumento são a riqueza típica do camponês ou semi-nômade da Idade do Bronze, para quem as perplexidades da sociedade desenvolvida ainda não haviam surgido. “ Escravos” eram a única outra forma de propriedade móvel. Em última análise, desejar, e tentar obter a propriedade alheia é estar insatisfeito com o que se recebeu de Deus, e assim demonstrar falta de fé em Seu amor. Além do mais, a inveja estimulada por tal atitude levará mais cedo ou mais tarde a que se prejudique de alguma maneira o próximo, o que não se coaduna com o dever essencial do amor.
Alt, citado por Hyatt, entende o oitavo mandamento como uma proibição ao rapto de israelitas ao passo que o décimo se referiria a uma proibição ao rapto de suas esposas ou roubo de suas possessões. Tal divisão parece forçada: se há alguma distinção a ser feita, seria melhor fazê-la entre “ ato” (oitavo) e “ motivo” (décimo),, embora, como já foi dito acima, mesmo esta distinção não deva ser exageradamente enfatizada.

R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 155.
ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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