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9° LIÇÃO 1° TRI 2014 UM LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO


UM LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO
Data: 02/03/2014                            HINOS SUGERIDOS 51, 124, 157.
TEXTO AUREO
E me farão um santuário, e habitarei no meio deles (Êx 25.8).

VERDADE PRÁTICA
Deus deseja habitar entre nós, para que Ele seja o nosso Deus e para que nós sejamos o seu povo.
LEITURA DIARIA
Segunda       - Êx 29.45,46           Deus habita no meio do seu povo
Terça             - Êx 2 5-10-16         A arca de madeira de cetim
Quarta           - Êx 25.1 7-22          O propiciatório de ouro puro
Quinta            - Êx 25.23-30           A mesa de madeira de cetim
Sexta             - Êx 26.1-14             As cortinas do tabernáculo
Sábado         - Êx 26.31-33           O véu do tabernáculo
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Êxodo 25.1-9
1 - Então, faiou o SENHOR a Moisés, dizendo:
2 - Faia aos filhos de Israel que me tragam uma oferta alçada; de todo homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada.
3 - E esta é a oferta alçada que tomareis deles: ouro, e prata, e cobre,
4 - e pano azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino, e pelos de cabras,
5 - e peles de carneiros tintas de vermelho, e peles de texugos, e madeira de cetim,
6 - e azeite para a luz, e especiarias para o óleo da unção} e especiarias para o incenso,
7 - e pedras sardónicas, e pedras de engaste para o éfode e para o peitoral.
8 - E me farão um santuário, e habitarei no meio deles.
9 - Conforme tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis.
INTERAÇÃO
O povo judeu viveu mais de quatrocentos anos no Egito. Este reino era fundamentalmente idólatra. Como era de se esperar em qualquer nação do mundo antigo, o Egito tinha templo, sacerdotes e todo um sistema religioso que funcionava vigorosamente. Mas a nação de Israel ainda não possuía uma religião sedimentada. Portanto, a influência egípcia na cultura dos judeus era inevitável — vide os exemplos dos deuses egípcios como fonte de apostasia para os judeus (Ez 20.5-9; 23.3,8,19-21,27), o Bezerro de Ouro construído no Monte Sinai e a posterior adoração do bezerro de Jeroboão I. Por isso, assim como o fez no Decálogo, Deus revelou diretamente a Moisés um modelo para a construção do Tabernáculo. Ele deixou claro que a sua habitação devia ser única, sem a mistura com o paganismo do Egito.
OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
Conhecer as instruções para a construção do Tabernáculo.
Elencar os utensílios presentes no pátio do Tabernáculo.
Compreender que o Tabernáculo representava o lugar de habitação de Deus em pleno deserto.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, para ministrar a presente lição sugerimos que você leve para a classe uma gravura do Tabernáculo ou reproduza cópias para os alunos conforme a sua possibilidade. Você poderá encontrá-la na Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, pág. 158, ou no mapa O Tabernáculo também editado pela CPAD. O auxílio do mapa do Tabernáculo muito o ajudará para uma apresentação do conteúdo da aula desta semana.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Deus queria habitar no meio de Israel. Por isso, ordenou a Moisés que, juntamente com o todo o povo, construísse um lugar separado para adoração. Trata-se do “Tabernáculo do Senhor”, um santuário móvel que acompanhou os hebreus durante sua longa peregrinação pelo deserto. Na lição de hoje, estudaremos como ocorreu a construção desse lugar santo de adoração ao Senhor.
I - AS INSTRUÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO DO TABERNÁCULO
1. O propósito divino. Depois da entrega da lei, Deus ordenou que o seu povo edificasse um lugar de adoração. O objetivo divino era aumentar e fortalecer os laços de comunhão com o seu povo Israel, que Ele libertara do poder de Faraó no Egito. O Senhor assim age para que o homem o conheça de forma pessoal e íntima (Jo 14.21,23).
2. As ofertas. O tabernáculo seria construído pelo povo de Deus, com os recursos que receberam pela providência divina ao saírem do Egito (Êx 3.21,22; 12.35,36). Para a construção do Tabernáculo os israelitas ofertaram voluntariamente e com alegria. A Palavra de Deus nos ensina que o fator motivante para a contribuição do crente é a alegria: “porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7). O Senhor não se agrada de quem entrega a sua oferta e dízimo contrariado ou por obrigação (Ml 3.10). De nada adianta contribuir com relutância e amargura.
3. Tudo segundo a ordenança divina (Êx 25.8, 9,40) O tabernáculo não foi uma invenção humana. Podemos ver que a partir de Êxodo 25, o próprio Deus instrui a Moisés quanto à planta e os objetos do templo móvel. Moisés obedeceu a todas as instruções, pois todo o tabernáculo apontava para o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. Simbolizava o plano perfeito de Deus para a redenção da humanidade (Hb 9.8-11).
SINOPSE DO TÓPICO (1)
As instruções para a construção do Tabernáculo foram rigorosamente acatadas por Moisés segundo a ordenança divina.
II - O PÁTIO DO TABERNÁCULO
1. O pátio "Farás também o pátio do tabernáculo” (Êx 27.9). Os israelitas precisavam aprender a forma correta de se chegar à presença de Deus e adorá-lo. O pátio tinha o formato retangular, e indicava que, na adoração a Deus, deve haver separação, santidade.
Havia uma única porta de entrada, que apontava para um único caminho, uma única direção. Isso prefigura Jesus Cristo, que disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á” (Jo 10.9). Jesus é o caminho que nos conduz a Deus (I Co 14.6).
2. O altar dos holocaustos. “Farás também o altar de madeira de cetim” (Êx 27.1). Ao entrar no pátio, o israelita tinha a sua frente o altar do holocausto. Era uma caixa de madeira de cetim coberta de bronze. Junto a esse altar o transgressor da lei encontrava-se com o sacerdote para oferecer sacrifícios a Deus a fim de expiar seus pecados e obter o perdão. O altar dos holocaustos tipificava Cristo, o nosso sacrifício perfeito que morreu em nosso lugar (Ef 5.2; G1 2.20). Sem um sacrifício expiador do pecado não há perdão de Deus (Lv 6.7; 2 Co 5.21). A epístola aos Hebreus nos mostra que o sacrifício salvífico de Cristo foi único, perfeito e completo para a nossa salvação (Hb 7.25; 10.12).
3. A pia de bronze (Êx 30-17-21). Na pia os sacerdotes lavavam suas mãos e pés antes de executarem seus deveres sacerdotais. Mãos limpas: trabalho honesto; pés limpos: um viver e um agir íntegros (Ef 5.26,27; Hb 10.22). Precisamos nos achegar a Deus com um coração puro e limpo. Deus é santo e requer santidade do seu povo. Deus não aprova o viver e o servir do impuro. O servo de Deus deve ser “limpo de mãos e puro de coração” (SI 24.4). Hoje somos lavados e purificados pelo precioso sangue de Cristo que foi derramado por nós (1 Jo 1.7).
SINOPSE DO TÓPICO (2)
No pátio do Tabernáculo localizava-se o altar dos holocaustos e a pia de bronze.
III - O LUGAR DA HABITAÇÃO DE DEUS
1. O castiçal de ouro (Êx 25.31-40). Não havia janelas no Lugar Santo e a iluminação vinha de um castiçal de ouro puro e batido. Esta peça também apontava para Jesus Cristo, luz do mundo, e a quem seguindo, não andaremos em trevas, mas teremos a luz da vida (Jo 8.12). O castiçal, em Apocalipse, simboliza a Igreja (Ap 1.12,13,20). As lâmpadas do castiçal ardiam continuamente e eram abastecidas diariamente de azeite puro de oliveira (Êx 27.20,21) a fim de que iluminassem todo o Lugar Santo. O azeite é um símbolo do Espírito Santo. Se quisermos emanar a luz de Cristo para este mundo que se encontra em trevas, precisamos ser cheios, constantemente, do Espírito Santo de Deus. “Enchei- -vos do Espírito” (Ef 5.18) é a recomendação bíblica.
2. Os pães da proposição e o altar do incenso (Êx 25.30). Havia uma mesa com doze pães e, todos os sábados, esses eram trocados. Estes pães apontavam para Jesus, o Pão da vida (Jo 6.35). Precisamos nos alimentar diariamente de Cristo, e não apenas no domingo. Tem você se alimentado diariamente na mesa do Senhor Jesus? Além dos pães, próximo ao Santo dos Santos ficava o altar do incenso, um lugar destinado à oração e ao louvor a Deus. Precisamos nos achegar ao Senhor diariamente com a nossa adoração e nossas orações: “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde” (SI 141.2).
3 - O Santo dos Santos e a arca da aliança (Êx 25.10-22). O Santo dos Santos era um local restrito, onde somente o sumo sacerdote poderia entrar uma única vez ao ano. A arca da aliança era a única peça deste compartimento sagrado. Era uma caixa de madeira forrada de ouro. Durante a peregrinação pelo deserto os sacerdotes carregavam-na sobre os ombros. A arca simbolizava a presença de Deus no meio do seu povo. Erroneamente os israelitas a utilizaram como uma espécie de amuleto.
Em Hebreus 10.19,20, vemos a gloriosa revelação profética entre o Santo dos Santos, o Senhor Jesus e o povo salvo da atualidade. O termo “santuário”, no versículo 19, é literalmente, no originai, “santo dos santos”.
SINOPSE DO TÓPICO (3)
No interior do Tabernáculo ficavam o castiçal de ouro, os pães da proposição, o altar do incenso, o Santo dos santos e a arca da aliança.
CONCLUSÃO
Os israelitas, mediante o Tabernáculo, podiam aprender corretamente como achegar-se a Deus, adorá-lo, servi-lo e viver para Ele em santidade. Assim deve fazer a igreja, conforme Hebreus 10.21-23. O Senhor é Santo e sem santidade nosso louvor e adoração não poderão agradá-lo.
VOCABULÁRIO
Sedimentada: Processo de formação e acumulação de camadas sólidas.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Tempos Bíblicos. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012,
MERRJL, Eugene H. História de Israel no Antigo Testamento: O reino de sacerdotes que Deus colocou entre as nações. 6. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
AUXÍLIO BIBLIOGRAFICO I
Subsídio Teológico
“Análise Teológica (do Tabernáculo)
Os materiais necessários para o Tabernáculo e as vestes sacerdotais deviam ser doados de bom grado pelo povo. A ninguém foi imposto uma dívida ou parte nos custos, mas a doação era voluntária (25.1-7, com destaque para o v.2). A resposta ao apelo de Moisés foi sensacional. Ao contrário de muitos ministros que várias vezes imploram e bajulam por dinheiro, Moisés teve de impedir que o povo continuasse doando. Foi, sem dúvida, uma grande demonstração de generosidade por parte do povo (36.2-7)!
A descrição do mobiliário do Tabernáculo começa pelas peças do centro e prossegue para as mais externas, mas não de forma sistemática. Já nos trechos que descrevem a efetiva construção, a ordem de execução difere da ordem das instruções.
[...] O próprio texto de Êxodo devia nos servir de alerta contra uma excessiva interpretação alegórica do Tabernáculo. Enxergar um significado oculto em cada mobiliário, tecido, corrediças e cores, em vez de exegético, não passa de especulação” (HAMILTON, Vítor P. Manual do Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. I. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.249,50).
EXERCÍCIOS
1. Qual era o objetivo de Deus com a construção do Tabernáculo?
R: O objetivo divino era aumentar e fortalecer os laços de comunhão com o seu povo Israel.
2. O Tabernáculo foi construído com quais recursos?
R: Com os recursos que receberam pela providência divina ao saírem do Egito.
3. Faça um pequeno resumo a respeito do pátio do Tabernáculo.
R: O pátio tinha o formato retangular, e indicava que, na adoração a Deus, deve haver separação, santidade.
4. No Apocalipse o que o castiçal; simboliza?
R: A Igreja.
5. Faça um pequeno resumo a respeito do Santo dos Santos.
R: O Santo dos Santos era um local restrito, onde somente o sumo sacerdote poderia entrar uma única vez ao ano. A arca da aliança era a única peça deste compartimento sagrado.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 57, p.40.
A planta do santuário, assim como os seus objetos, não seriam idealizados pelo homem, mas todo o projeto foi elaborado e entregue a Moisés pelo próprio Senhor.
Os recursos para a construção do local de adoração vieram do povo de Deus. Eles foram convidados a ofertarem e o fizeram com alegria (2 Co 9.7). Tem você contribuído com alegria ou por constrangimento?
Segundo o Comentário Bíblico Moody o tabernáculo "simbolizava para Israel, como para nós também, grandes virtudes espirituais. Claramente ensinava o fato da presença de Deus no meio do Seu povo".
O tabernáculo era dividido em três partes: o Átrio, o lugar Santo e o lugar Santíssimo.
O átrio era um pátio: "Farás também o pátio do tabernáculo" (Êx 27.9), um lugar cercado, reservado que mostrava os israelitas que a adoração a Deus exige sempre santidade, separação. O acesso ao átrio era feito por intermédio de uma única porta. Esta porta apontava para Jesus Cristo. Nosso Redentor, certa vez declarou: "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á [...] (Jo 10.9). Jesus é o único caminho que leva o homem até a presença do Todo-Poderoso (Jo 14. 6).
No pátio havia duas peças principais, o altar do holocausto e a pia de bronze. Antes de realizar qualquer ação o sacerdote deveria ir até a pia e ali se purificar. Ao olhar na bacia, o sacerdote poderia ver a sua imagem ali refletida e se lembrar de que era pecador e que sem purificação não poderia se chegar diante de Deus. Somos imperfeitos e impuros, mas "o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado" (1 Jo 1.7).
"Farás também o altar de madeira de cetim [...] (Êx 27.1). Depois de passar pela pia, o sacerdote se dirigia até o altar do holocausto. O altar apontava para Cristo e o seu sacrifício na cruz. Vários animais eram mortos para cobrir os pecados, todavia o sacrifício de Jesus foi único e substitutivo: "mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos" (Is 53.6).
Depois de entrar no pátio, se purificar na bacia de lavar e oferecer sacrifícios pelo pecado, o sacerdote podia entrar em um lugar ainda mais reservado, o lugar Santo. Ali ele veria a luz do castiçal de ouro (Êx 25.31-40) que apontava para Jesus Cristo, a luz do mundo (Jo 8.12). No lugar santo também era colocada a mesa com os pães da proposição e o altar de incenso.
O terceiro e último compartimento era o Santo dos Santos, um local restrito, onde somente o sumo sacerdote poderia entrar uma única vez ao ano. Dentro deste compartimento secreto ficava a arca da aliança.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Do capítulo 25 ao capítulo 40 do livro de Êxodo, encontramos a instituição dos métodos de adoração a Deus entre o povo de Israel. As instruções divinas para o culto são dadas a Moisés, que as repassa ao povo; e elas consistem não só de orientação quanto à confecção de objetos a serem usados na organização dessa adoração, mas também de orientações voltadas para a liturgia do culto a Deus.
Entretanto, o que chama muito a atenção nesses capítulos é que, em meio a essa série de orientações sobre a montagem do santuário e a liturgia a ser adotada, Moisés também narra a apostasia do povo no deserto, quando os israelitas tiveram que ser fortemente confrontados e ocorre a quebra do concerto de Deus com seu povo, o qual só foi restaurado após o arrependimento dos israelitas e a intercessão de Moisés em favor deles (Êx 32.1—34.35). Notemos que essa apostasia envolvia, principalmente, uma adoração equivocada (Êx 32.1-8).
Como afirma o Comentário Bíblico Beacon, “esta seção final do Livro do Êxodo revela a paciência de Deus em lidar com seu povo rebelde e mostra os detalhes minuciosos que são requisitos para o povo adorá-lo”. Ou seja, a adoração equivocada, a misericórdia de Deus e a adoração correta são os assuntos que, não por acaso, perpassam os capítulos que compreendem a última seção do livro de Êxodo. Sim, não por acaso esses assuntos se encontram aqui, porque, na verdade, eles só poderiam estar aqui. As instruções para o Tabernáculo e a apostasia do povo de Israel no deserto são episódios que estão entrelaçados não apenas cronologicamente, mas também tematicamente, porque evidenciam o tremendo contraste entre a verdadeira e a falsa adoração.
É chocante ver que enquanto Deus estava manifestando a Moisés o desejo de habitar no meio dos israelitas e dava-lhe as instruções para que houvesse um maior relacionamento dEle com o povo por meio da instituição de um santuário, os judeus estavam envolvidos em um projeto pessoal de religião, criando seus próprios símbolos de adoração, seu próprio culto e se chafurdando no pecado. Esses capítulos mostram o contraste entre a verdadeira e a falsa adoração, entre os frutos e o espírito do verdadeiro culto a Deus e os do falso culto. E a suma desse contraste é: enquanto o verdadeiro culto a Deus, através do ritual dos sacrifícios e do significado dos símbolos que ele carregava, evoca arrependimento, quebrantamento, humildade e conclamava a santidade, o culto apóstata leva o povo à licenciosidade (Ex 32.6,25).
Eis a grande lição desses últimos capítulos do livro de Exodo.
A seguir, vejamos e analisemos as orientações divinas dadas a Moisés para uma verdadeira adoração a Ele, e notemos como elas refletem verdades neotestamentárias sobre a verdadeira adoração. Afinal, a adoração a Deus no Antigo Testamento pode se diferenciar externamente da adoração no Novo Testamento — além, claro, do fato de contarmos hoje com um acesso maior a Deus por meio do sacrifício perfeito e definitivo de Cristo —, mas os princípios que subjazem na adoração a Deus no Antigo Testamento são os mesmos no Novo Testamento.
Como afirma o escritor da Epístola aos Hebreus, tudo que envolvia o ritual de adoração a Deus no Antigo Testamento era “sombra” das verdades celestiais evidenciadas no Novo Testamento por meio de Cristo (Hb 8.5). Ou, como bem resume a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal ao comentar essa passagem de Hebreus, “o padrão para o Tabernáculo construído por Moisés foi dado por Deus. Era um padrão da realidade espiritual do sacrifício de Cristo e, deste modo, antecipava a realidade futura. [...] O Tabernáculo terrestre era uma expressão dos princípios eternos e teológicos”.
Aprendamos, portanto, um pouco mais sobre a verdadeira adoração com os princípios eternos subjacentes nas instruções divinas para a construção do Tabernáculo.
"E Habitarei no Meio Deles"
Depois da entrega da Lei, encontramos, bem no início do capítulo 25, as primeiras instruções de Deus a Moisés para a construção do Tabernáculo. O homem de Deus estava já há algum tempo na presença divina no alto do monte, quando o Senhor começa a transmitir-lhe o projeto de um santuário a ser erguido entre o povo e o propósito de sua construção: “... e habitarei no meio deles” (Ex 25.8).
“Habitarei no meio deles.” Até aquele momento, Deus já havia se manifestado várias vezes em favor de Israel, mas não fora visto ainda “no meio deles”. Quando Deus falava a Moisés no monte, o povo assistia a distância, impactado pela visão dos raios projetados lá de cima. Agora, porém, Deus está dizendo que a sua presença, que os assistira até ali, estaria permanentemente no meio do arraial, representada por e habitando um santuário erguido sob sua orientação.
Enfim, Deus queria que o povo tivesse um relacionamento mais íntimo com Ele, e hoje não é diferente: Ele deseja o mesmo conosco por meio do seu Santo Espírito, que, como asseverou Jesus, habita em nós desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós” (Jo 14.16,17 — grifo meu).
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 88-91.
História
Estritamente falando, houve três tabernáculos históricos, cada qual tomando o lugar de seu predecessor, na maioria dos aspectos.
1. Um tabernáculo provisional foi erigido após o incidente do louvor ao bezerro de ouro. Essa "barraca de reunião" não tinha nenhum ritual e nenhum sacerdócio, mas era tratada como um oráculo (Êxo. 33.7). Moisés, é claro, estava encarregado de todos os procedimentos.
2. O tabernáculo sinaítico, cuja construção e equipamento foram instruídos por Yahweh.
3. O tabernáculo provisional de Davi, erigido em Jerusalém como o predecessor do Templo de Salomão (II Sam. 6.12). O antigo tabernáculo (sinaítico) permaneceu em Gibeão com o altar insolente, e sacrifícios continuaram sendo feitos ali (I Cro. 16.39; II Cro. 1.3).
O tabernáculo de Moisés passou os seguintes processos históricos:
1. Depois do incidente do bezerro de ouro, devido à intercessão de Moisés, outra cópia da lei foi fornecida, o pacto foi renovado e foram coletados materiais para a construção do tabernáculo (Êxo. 36. 5,6). O povo colaborou com grande generosidade, até o ponto de excesso.
2. O tabernáculo foi terminado em um curto período de tempo, no primeiro dia de nisã, do segundo ano após o Êxodo. O ritual complexo foi iniciado (Exo. 40.2).
3. O tabernáculo provisional estava fora do campo, mas se tomou o centro com as várias tribos estacionadas em uma ordem específica estendendo-se para fora (Núm. Capo 2). Uma observação histórica curiosa, em tempos modernos, é o fato de que Salt Lake City, em Utah, EUA, o Sião norte-americano, quartel-general da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tem todas suas ruas chamadas por nomes e numeradas em relação à posição da Praça do Templo, onde estão localizados o tabernáculo e o templo. Assim, a cidade toda está centralizada ao redor dessa praça, a partir da qual qualquer endereço pode ser determinado, e qualquer distância pode ser calculada usando essa referência. Um exemplo: 668 Oeste Segundo Norte significa cerca de sete quadras ao oeste e duas quadras ao norte da Praça do Templo.
4. O tabernáculo continuou em Silo durante o período dos juízes. Na época de Eli, o sumo sacerdote (I Sam. 4.4), a arca foi removida desse local e o próprio tabernáculo foi destruído pelos filisteus. A época era cerca de 1050 a.c.
5. Quando Samuel era um juiz, os cultos de louvor central foram movidos a Mispa (I Sam. 7.6) e então a outros lugares (l Sam. 9.12; 10.3; 20.6).
6. Nos primeiros anos de Davi, o pão da proposição era mantido em Nobe, o que implica que pelo menos parte dos móveis do tabernáculo de Moisés era mantida ali (I Sam. 21.1-6). O lugar alto em Gibeão reteve o altar de ofertas queimadas e talvez alguns outros remanescentes do tabernáculo de Moisés (I Cro. 16.39; 21.39).
7. Depois de capturar Jerusalém e tomar essa cidade sua capital, Davi levou a arca da aliança àquele lugar e montou um tabernáculo provisional, no aguardo da construção do templo por seu filho Salomão. Isto foi feito no monte Sião (l Crõ. 15.1; 61.1; II Sam. 6.17). Esse local também era chamado de "Cidade de Davi", pois esse rei a tomou sua capital. A época era em tomo de 1000 a C.
8. Quando o templo foi construído, os móveis do antigo tabernáculo que restavam foram ali colocados, e o local sagrado e o local mais sagrado foram incorporados na estrutura do prédio novo. Assim, o tabernáculo tomou-se o centro do templo. Ver o verbete Templo de Jerusalém.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 308-309.
Deus cria um plano (Êx 25:9, 40; 26:30)
Sempre que Deus realiza uma obra, tem um plano, seja a construção do tabernáculo, do templo (1 Cr 28:11, 12, 18, 19), de uma igreja local (Fp 2:12, 13), da vida cristã ou do ministério de indivíduos (Ef. 2:10). Deus advertiu Moisés para que fizesse tudo de acordo com os planos revelados a ele no monte (Êx 25:40; Hb 8:5).
O tabernáculo na Terra era uma réplica do tabernáculo celestial, onde nosso Senhor encontra-se agora ministrando a seu povo e para ele (Hb 8:1-5; 9:1). O Livro de Apocalipse menciona um altar de bronze (6:9-11), um altar de incenso (8:3-5), um trono (4:2), anciãos/sacerdotes (vv. 4, 5), lâmpadas (v. 5), um "mar" (v. 6) e querubins (vv. 6, 7), sendo que todas essas coisas encontram paralelos nos principais móveis e utensílios do tabernáculo aqui na Terra. Um princípio básico do ministério é que devemos seguir o plano que recebemos do céu e não o deste mundo (Rm 12:2).
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 304.
I - AS INSTRUÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO DO TABERNÁCULO
1. O propósito divino.
Os capítulos 25 a 31 apresentam as diretrizes para a construção do Tabernáculo, e os capítulos 35 a 40, a execução dessas diretrizes. Alguns pontos chamam a atenção nessas instruções divinas.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 91.
O tabernáculo (no hebraico, Mishkan), "local de moradia", é local onde Yahweh torna conhecida Sua presença, por assim dizer, seu "lar longe de seu lar", onde ele trata com Seu povo e faz conhecido Seu desejo. Ver Exo. 25.8. O tabernáculo era uma tenda portátil que os israelitas carregaram nos 40 anos de vagueações no deserto e durante seus anos na Terra Prometida até que Salomão construiu o Primeiro Templo. A época era por volta de 1450 a 950 a.C., o que significa que o tabernáculo teve uma "carreira" de cerca de 500 anos! O livro de Êxodo representa Yahweh como dando a Moisés todas as ordens necessárias para a construção e os cultos do Tabernáculo, incluindo suas medições e especificações (Êxo. caps. 2527) e um diminuto relato de sua execução (Êxo. 36.8- 38.1). Os críticos atribuem todo esse material à fonte P (de sacerdote) do Pentateuco e pensam que sua composição ocorreu muito depois da época em que Moisés esteve vivo. Ver sobre J.E.D.P.(S.) na Enciclopédia de Bíblia. Teologia e Filosofia. Ver os comentários sobre as visão dos críticos na seção VIII deste artigo. O relato no Êxodo informa-nos que, após a entrega da Lei no Sinai, Yahweh ordenou que artesãos especiais construíssem a tenda e seus móveis de materiais doados pelo povo (Exo, 31.11; 35.36.7). O local onde Yahweh manifestou Sua presença também era chamado de "Tenda da Reunião" (Êxo, 29.42-45).
Propósitos do Tabernáculo. O principal propósito desta estrutura é explicado em Êxo, 25.8, 21,22: " ... para que eu (Yahweh) possa habitar no meio deles"; "... dentro dela porás o Testemunho..."; " ... ali virei a ti ... falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel".
O tabernáculo, como o templo posterior, tinha o objetivo de centralizar o louvor de Israel, evitando que muitos "oráculos" lá fora, que poderiam corromper os cultos a Yahweh ou permitir alguma espécie de sincretismo, se misturassem com influências pagãs. Altares isolados (ver Gên. 12.7, 8) onde render sua autoridade àquela investida no tabernáculo. Isto não aconteceu de uma forma absoluta.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 308.
25:1—40: 38 Deus no meio de seu povo O último versículo do livro de Êxodo é a chave para a seção final: “De dia, a nuvem do Senhor repousava sobre o tabemáculo, e, à vista de toda a casa de Israel, em todas as suas jornadas” (40:38). Este versículo é importante, pois a última parte do livro trata do lugar da habitação de Deus, o tabemáculo (25:1— 31:18); de como Israel quebrou a aliança e Deus ameaçou se retirar do meio deles (32:1—34:35); e. por fim, da presença permanente de Deus no meio de seu povo ao longo de toda a jornada até a terra prometida. O tabemáculo, o lugar da habitação de Deus é, agora, o local onde ele se manifesta (35:1—40: 38).
25:1—31: 18 O planejamento do tabemáculo Deus dá ordens para a construção de um lugar de adoração. Uma vez que o povo estava viajando pelo deserto a caminho da terra prometida, esse lugar de adoração deveria ser desmontável e móvel como o restante do acampamento israelita.
Os vários nomes usados na Bíblia para esse lugar de adoração nos ajudam a entender seu papel no meio do povo. Ele é chamado de santuário (25:8a), ou seja, um lugar sagrado e um centro visível de adoração. Também recebe o nome de tabemáculo (25:9; 26:1), uma palavra que significa “tenda” em latim e descreve a aparência desse santuário. Mas, no hebraico, o significado mais exato do termo traduzido como “tabemáculo” é o verbo “habitar”, lembrando que o santuário simboliza a habitação de Deus no meio do povo (25:8ô). Essa tenda (26:7,11-14,36) seria o local onde Deus se encontraria com seus adoradores ali reunidos. Daí o nome tenda da congregação (27:21). Por fim, também é chamado de tabemáculo do Testemunho (38:21), pois as tábuas da lei guardadas nesse local eram conhecidas como tábuas do Testemunho (31:18).
Moisés recebe instruções detalhadas para a construção do tabemáculo e seus utensílios. Combinando as informações encontradas nos capítulos 25—28, 30 e 35— 40, podemos deduzir que o tabemáculo era dividido em duas partes:
• Um átrio externo (27:9-17; 38:9-20) medindo 100% e cinquenta côvados (45 x 22,5 metros). Essa área cercada indicava a exclusão dos gentios do tabemáculo.
Era aberta apenas para israelitas e para aqueles que haviam se identificado com o povo de Deus pela circuncisão.
Nesse átrio ficava a bacia de bronze (30: 17-21; 38:8) e o altar revestido de bronze para os holocaustos (27:1-8; 38:1-7).
• O tabemáculo propriamente dito (26:1-37; 36:8-38) medindo trinta côvados de comprimento, dez côvados de largura e dez côvados de altura (13,5 x 4,5 x 4,5 m).
Essas medidas não são especificadas claramente, mas podem ser deduzidas dos detalhes fornecidos em 26:15-23. (Vinte tábuas, cada uma com um côvado e meio de largura, num total de trinta côvados. Cada tábua tinha dez côvados de comprimento.) o tabemáculo em si era dividido em dois cômodos: o Santo Lugar medindo vinte côvados por dez (9 x 4,5 m) e o Santo dos Santos, medindo dez côvados por dez (4,5 x 4,5 m).
No Santo Lugar ficavam três objetos revestidos de ouro: a mesa dos pães da proposição (25:23-30; 37:10-16), um candelabro com sete hastes (25:31-40; 37:17-24) e o altar de incenso (30:1-10; 37:25-29). Estes três objetos são associados a conceitos do NT. Jesus se refere a si mesmo como pão da vida (Jo 6:32,35) e luz do mundo (Jo 8:12). E a oração (representada pelo incenso) deve ser o modo de vida do cristão (lTs 5:17).
O Santo dos Santos abrigava a arca da aliança que simbolizava a presença de Deus (25: 10-22; 37:1-9) e continha as duas tábuas da lei. Diante da arca, ficava um pote de maná e o bordão de Arão que havia florescido (cf. Ex 16:33; Nm 17:10; tb. Hb 9:4). O maná e o bordão de Arão eram uma lembrança de como Deus havia conduzido os israelitas e provido suas necessidades. Esses objetos serão descritos em detalhes mais adiante.
Abel Ndjerareou. Comentário Bíblico Africano. Êxodo. Editora Mundo Cristão. pag.121-122.
2. As ofertas.
O primeiro deles é que esse santuário, onde Deus estaria habitando no meio do seu povo, deveria ser construído com ofertas espontâneas (Êx 25-2). As ofertas deveriam ser voluntárias. Essa mesma orientação é vista em outras passagens bíblicas relativas a ofertas alçadas (1 Cr 29.17; 2 Co 9.7). Isso nos ensina que o princípio basilar para encetar qualquer relação mais íntima do homem com Deus é a disposição sincera do coração. Não se pode construir um relacionamento com Deus sem esse item inicial. Ele vem antes de qualquer “tijolo” a ser colocado e permanece durante todo o processo, porque, como bem disse Davi, ainda que tenhamos um templo belo e o sacrifício que levemos ao altar seja perfeito, se não há, antes de tudo, esse coração aberto, sensível e voltado para Deus, não adianta nada: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (SI 51.17).
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 91.
Êx 25.2 Que me tragam oferta, Várias oferendas faziam-se necessárias. A edificação da primeira congregação da tradição judaico-cristã exigiu generosas oferendas por parte do povo, porque o deserto não dispunha de recursos próprios para tal edificação. Grande parte derivar-se-ia das coisas que os egípcios tinham dado aos israelitas, mediante uma generosidade forçada. Ver Êxo. 3.22; 11.2. Além disso, cumpre-nos lembrar que os israelitas haviam amealhado muitas riquezas por si mesmos, no Egito, apesar da opressão a que tinham sido sujeitados. Moisés, pois, exortou 0 povo de Israel a sacrificar parte dessas riquezas em favor da ereção do santuário portátil, o tabernáculo.
As ofertas seriam voluntárias, inspiradas pela generosidade espiritual. Ver Êxo. 35.29. A gratidão inspira o homem à generosidade. Fazer parte de algo maior do que o próprio indivíduo abre o seu coração para a generosidade. Posteriormente, quando o templo foi renovado (I Reis 12.4,5), ofertas voluntárias novamente acudiram à necessidade. Deus ama a quem dá com alegria (II Cor. 9.7).
“A ereção de santuários é uma das melhores ocasiões para os homens mostrarem sua gratidão a Deus, dando-Lhe algo que lhe pertence, abundante e liberalmente” (Ellicott, in loc.).
Êx 25.3 Ouro, prata e bronze. Três metais preciosos, alistados segundo a ordem de seu valor. Todos os três metais, do mais dispendioso ao mais barato, serviriam para o fabrico de itens do templo. Cf. a metáfora de Paulo sobre os materiais de edificação na vida espiritual (I Cor. 3.12 ss.). Os homens mais pobres, que não pudessem doar nem ouro e nem prata, podiam dar cobre. Cada dádiva teria sua utilidade; e cada indivíduo seria abençoado por dar o que pudesse.
Israel Tinha Recursos Próprios: Aquilo que eles tinham tomado dos egípcios (Êxo. 3.22; 11.2). Também devemos pensar no que eles tinham acumulado durante 0 exílio, e também o que haviam tomado dos amalequitas como despojo (Êxo. 17). Ver em Êxo. 35.22,24 0 que seria possível amealhar. O ferro não é mencionado, pois esse metal limitar-se-ia ao fabrico de instrumentos agrícolas e armas de guerra. Há vários artigos sobre os metais mencionados, no Dicionário. A tenda, um lugar pacífico, não precisaria de um metal usado em matanças.
Tipos. Os eruditos cristãos exageram sobre a questão dos tipos envolvidos no tabernáculo. Dou apenas alguns exemplos disso, Os materiais e suas cores recebem sentidos simbólicos: o ouro (a deidade em suas manifestações, e até mesmo a deidade de Cristo, João 1.1,14). A prata (a redenção, Êxo. 30.12-16; 38.27). O bronze (julgamento, como foi do caso do altar e da serpente de bronze, Núm. 21.6-9). Na décima seção do artigo intitulado Tabernáculo, no Dicionário, apresentei aqueles tipos que considero válidos e mais importantes. Mas outros tipos podem ter algum valor e validade.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 413.
2. Todo homem cujo coração o mover. Esta é a maneira pitoresca do hebraico expressar “ todo homem que desejar” : o indivíduo não o podia evitar.
3. Ouro, prata e bronze. A última palavra seria melhor traduzida “ cobre” . Driver ressalta que há um princípio definido pelo qual a proximidade a Deus está relacionada ao valor do metal usado. A Arabá, ao sul do Mar Morto, era rica em minas de cobre: o ouro também era encontrado na península do Sinai. Se, como é provável, os midianitas fossem mineiros, Israel teria fácil acesso aos metais: além disso, o “ despojo ” do Egito, quando da partida, deve ser levado em conta (12:35). O fato de um povo nômade viver em tendas não implica em que não possua objetos preciosos: testemunha disso são os valiosos e raros tapetes em algumas tendas orientais hoje em dia. A despeito da opinião de Hyátt, a ausência de qualquer menção ao ferro nesta passagem é provavelmente uma indicação de uma data remota de composição.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 182-183.
“Fala aos filhos de Israel que me tragam uma oferta alçada”. E havia todas as razões do mundo para que eles fizessem isto, pois (v. 1): [1] Quem solicitou foi o próprio Deus, o Deus que não somente os tinha engrandecido, mas os tinha enriquecido com os despojos dos egípcios. Ele os tinha instruído a tomar empréstimos, e tinha predisposto os egípcios a emprestar, de modo que por Ele eles tinham a sua riqueza, e por isto era adequado que a devotassem a Ele e a usassem por Ele, desta maneira proporcionando um reconhecimento agradecido dos favores que tinham recebido. Observe, em primeiro lugar, que o melhor uso que podemos fazer da nossa riqueza terrena é honrar a Deus, com ela, em obras de piedade e caridade. Em segundo lugar, que quando formos abençoados com algum sucesso notável nos nossos negócios, e tivermos recebido, como dizemos, um favor, pode-se, com razão, esperar que devamos fazer alguma coisa extraordinária para a glória de Deus, consagrando o nosso ganho, em alguma proporção razoável, ao Senhor de toda a terra, Miquéias 4.13. [2] O santuário que devia ser erigido destinava-se ao beneficio e conforto do próprio povo, e por isto eles deveriam arcar com as despesas para a sua construção. Eles teriam sido indignos do privilégio, se tivessem reclamado desta incumbência. Eles podiam muito bem permitir-se oferecer livremente, para a honra de Deus, enquanto vivessem livremente e sem despesas, tendo alimentos para si mesmos e para suas famílias, que choviam diariamente do céu sobre eles. Também devemos reconhecer que tudo o que temos é devido à generosidade de Deus, e por isto devemos usar tudo para a sua glória. Uma vez que vivemos por Ele, devemos viver para Ele.
Esta oferta deveria ser oferecida voluntariamente, e de coração, isto é: [1] Não lhes foi prescrito o que ou quanto deveriam dar, mas este particular foi deixado a critério da sua generosidade. Assim, eles poderiam demonstrar a sua boa vontade para com a casa de Deus, e as suas funções, fazendo todas as coisas com uma santa emulação. O zelo de poucos estaria estimulando a muitos, 2 Coríntios 9.2. Nós devemos perguntar, não somente “O que devemos fazer?”, mas “O que podemos fazer, por Deus?” [2] Seja o que for que eles dessem, deveriam dá-lo alegremente, não reclamando e com relutância, pois “Deus ama ao que dá com alegria”, 2 Coríntios 9.7. Podemos considerar aquilo que é colocado a serviço de Deus, como sendo bem empregado.
Aqui é especificado o que eles deveriam oferecer (w. 3-7): Todas as coisas para as quais haveria razão de ser, no tabernáculo, ou para o seu serviço. Alguns observam que aqui se fazia provisão de ouro, prata e cobre, mas não ferro. Este é um metal militar, e esta deveria ser uma casa de paz. Tudo o que foi provido era muito rico e elegante, e o melhor do seu tipo. Pois Deus, que é o melhor, deve receber o melhor.
O próprio Deus forneceria o modelo a Moisés: “Conforme tudo o que eu te mostrar”, v. 9. Deus lhe mostrou um modelo exato do tabernáculo, em miniatura, ao qual ele devia obedecer, em todos os pontos. Da mesma maneira, Ezequiel viu a forma de uma casa e a sua figura, Ezequiel 43.11. Observe que o que quer que seja feito a serviço de Deus deve ser feito segundo a sua orientação, e não de outra maneira. Deus não somente mostrou a Moisés o modelo, mas também lhe deu instruções particulares sobre como adequar o tabernáculo àquele modelo, em todas as suas partes, prosseguindo nisto neste capítulo e nos seguintes. Quando Moisés, no início do livro de Gênesis, teve que descrever a criação do mundo, embora isto fosse uma criação tão grandiosa e curiosa, feita de tal variedade e quantidade de detalhes, ele fez um relato muito curto e genérico, em nada comparável com o que a sabedoria deste mundo teria desejado e esperado de alguém que escrevia por revelação divina. Mas, quando ele passa a descrever o tabernáculo, ele o faz com a maior meticulosidade e precisão imagináveis. Aquele que não nos explicou as linhas e os círculos do globo, o diâmetro da terra, ou a altura e a magnitude das estrelas, nos contou, detalhadamente, a medida de cada tábua e cortina do tabernáculo. Pois a igreja de Deus e a sua religião instituída são mais preciosas para Ele, e mais importantes do que todo o restante do mundo. E as Escrituras foram escritas, não para nos descrever as obras da natureza, das quais uma visão geral é suficiente para nos levar ao conhecimento e ao serviço do Criador, mas para nos familiarizar com os métodos da graça, e aquelas coisas que são puramente questões de revelação divina. A bem-aventurança da nação futura é mais completamente representada sob a noção de uma nova Jerusalém do que sob a noção de novos céus e nova terra.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 312.
As Ofertas para a Construção do Tabernáculo (25.1-9; cf. 35.4-19)
Antes da construção de um lugar de habitação para Deus, o povo teria de levar suas ofertas. Cada israelita daria conforme o coração o movesse voluntariamente (2). A oferta para a casa de Deus não era um imposto, mas uma doação de livre e espontânea vontade.
Os metais preciosos que Israel possuía nesta época eram provenientes da riqueza dos ancestrais e dos ricos presentes recebidos dos egípcios na saída do Êxodo. A pilhagem que os israelitas realizou entre os amalequitas angariou mais riquezas. A provisão de ouro (3) foi abundante; também levaram prata e cobre (bronze, provavelmente).
O azul, a púrpura e o carmesim (4) se referiam a fios de linho dessas cores. O linho fino era uma linha macia e branca torcida da fibra do linho. Pêlos de cabras eram comumente usados para confeccionar tendas, e tais materiais ainda hoje são utilizados para esse fim no Oriente Próximo.
O norte da África era famoso por suas peles de carneiros tintas de vermelho (5); Israel trouxe estes materiais do Egito. Visto que os texugos não eram naturais do norte da África, é provável que a palavra original se refira a alguma criatura marinha (cf. NVI, nota de rodapé; “peles finas”, ARA; NTLH). A madeira de cetim provinha da acácia, árvore encontrada com abundância na península do Sinai.
A descrição do azeite para a luz (6) é mais detalhada em 27.20. As especiarias eram necessárias para fazer o óleo da unção e o incenso. Não está claro o que seriam as pedras sardónicas (7).
Israel tinha de fazer um santuário no qual Deus habitaria (8). Embora o Senhor não possa ser contido em uma habitação, era do seu agrado se manifestar por meio de um edifício. O santuário seria feito de acordo com o modelo do tabernáculo mostrado no monte (9; cf. Hb 8.5).
O santuário, ou santo lugar, era alusão geral à totalidade das instalações do edifício, inclusive o pátio, ao passo que o termo tabernáculo ou “Tenda do Encontro” (27.21, NVI) se aplicava somente à tenda. Outros nomes usados para se referir ao santuário são o “tabernáculo do SENHOR” (Nm 16.9) e o “tabernáculo do Testemunho” (38.21).
Mais tarde, o nome “templo” foi aplicado ao santuário depois de ficar mais permanentemente situado em determinado local (1 Sm 1.9; 3.3).
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 206-207.
3. Tudo segundo a ordenança divina (Êx 25.8, 9,40)
O segundo ponto é que o Tabernáculo também não poderia ser feito de qualquer jeito. Seus detalhes não foram entregues ao gosto de Moisés ou do povo. Não! O Tabernáculo deveria ser construído seguindo as minuciosas diretrizes divinas: “Conforme tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis” (Êx 25.9). Deus não habitaria no meio do povo em um Tabernáculo construído como o povo queria, mas em um Tabernáculo construído como Ele queria.
O modelo tanto do santuário como de seus utensílios foi dado pelo próprio Deus. E justamente por causa desse modelo preestabelecido, as ofertas alçadas também teriam que se enquadrar dentro de uma lista predeterminada pelo Senhor (Ex 25.3-7). O povo deveria ofertar espontaneamente, mas não poderia ofertar qualquer coisa. Ofertar espontaneamente não significa ofertar o que você quer, mas ofertar porque você quer.
Isso nos ensina que não podemos nos relacionar com Deus e chegar a Ele como nós queremos, mas segundo os parâmetros estabelecidos por Ele para as nossas vidas. Não podemos apresentar ao altar de Deus qualquer coisa, mas só aquilo que lhe agrada, que está dentro de sua vontade. Mais à frente, vemos Deus afirmando que não receberia sacrifícios com animais imperfeitos nem aceitaria fogo estranho no seu altar (Lv 1.1-3; 10.1-3). Ou seja, a verdadeira adoração se dá segundo os parâmetros estabelecidos pelo próprio Deus, os quais nos são expressos pela sua Palavra. Por exemplo: só podemos chegar a Deus por meio de Cristo (Jo 14.6); a verdadeira adoração deve ser em espírito e em verdade (Jo 4.23); o nosso culto deve ser racional (Rm 12.1); devemos envolver todo o nosso ser na adoração a Ele (SI 103.1; Rm 12.1); nosso zelo diante de Deus deve ser com entendimento (Rm 10.2); devemos viver uma vida de santidade (Hb 12.14); devemos pedir a Deus somente o que está dentro da sua vontade (1 Jo 5-14); devemos fazer tudo para glória de Deus (1 Co 10.31); devemos colocar em primeiro plano em nossas vidas o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33); em tudo o que fizermos deve haver uma intenção pura e genuína norteada pelo verdadeiro amor (1 Co 13.1-7); tudo que ocorrer no culto público deve ser “para edificação” (1 Co 14.26); o culto público deve ter louvor, Palavra e manifestação sadia de dons (1 Co 14.26); tudo deve ser feito “com decência e ordem” (1 Co 14.40); etc.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 91-92.
A ORDEM DIVINA
Este capítulo é o começo de um dos mais ricos filões da mina inesgotável de inspiração—um veio no qual cada pancada do alvião descobre riquezas incontáveis. Sabemos qual é o único alvião com o qual podemos trabalhar numa tal mina, a saber, o ministério distinto do Espírito Santo. A natureza humana nada pode fazer aqui. A razão é cega e a imaginação completamente inútil; a inteligência mais elevada, em vez de estar em estado de interpretar os símbolos sagrados, parece-se mais a um morcego ante o resplendor do sol, chocando-se contra os objetos que é inteiramente incapaz de discernir. Devemos obrigar a razão e a imaginação a ficarem a parte, enquanto, com um coração puro, um olhar sensato e pensamentos reverentes entramos nos recintos santos e contemplamos fixamente o mobiliário cheio de significado. Deus o Espírito Santo é o único que nos pode guiar através dos recintos da casa do Senhor e de interpretar para as nossas almas o verdadeiro significado de tudo que se apresenta à nossa vista. Querer dar a sua explicação com o auxílio de faculdades não santificadas seria mais absurdo do que tentar reparar um relógio com as tenazes e o martelo de um ferreiro. "As figuras das coisas que estão no céu" (Hb 9:23) não podem ser interpretadas pela mente natural, ainda mesmo a mais cultivada. Devem ser lidas à luz do céu.
O mundo não tem nenhuma luz que possa revelaras suas belezas. Aquele que produziu as figuras é o único que pode explicar o que elas significam. E Aquele que deu os símbolos é quem pode interpretá-los.
Para a vista do homem parecerá que há irregularidade na maneira como o Espírito apresenta o mobiliário do tabernáculo; mas, na realidade, como poderia esperar-se, existe a mais perfeita ordem, a precisão mais notável e a exatidão mais minuciosa. Desde o capítulo 25 ao capítulo 30, inclusive, temos uma parte distinta do Livro do Êxodo. Esta parte subdivide-se em duas partes, das quais a primeira termina no versículo 19 do capítulo 27, e a segunda no fim do capítulo 30. A primeira começa com a descrição da arca do concerto, dentro do véu, e termina com o altar de bronze e o átrio no qual o altar devia ser posto. Quer dizer, dá-nos, em primeiro lugar, o trono do juízo do Senhor, sobre o qual Ele se assentava como Senhor de toda a terra; e este trono conduz-nos àquele lugar onde o Senhor encontra o pecador em virtude e com base na obra de uma expiação consumada. Depois, na segunda parte temos a maneira de o homem se aproximar de Deus—os privilégios, as honras, e as responsabilidades daqueles que, como sacerdotes, podem aproximar-se da presença Divina para prestarem culto e gozarem da Sua comunhão. Deste modo a ordem é perfeita e bela. Como poderia ser de outro modo, visto que é divinal A arca e o altar de bronze apresentam, em certo sentido, dois extremos. A primeira era o trono de Deus estabelecido em "justiça e juízo" (SI 89:14). A última era o lugar onde o pecador podia aproximar-se, porque "a misericórdia e a verdade" iam adiante do rosto de Jeová. O homem, por si mesmo, não ousava aproximar-se da arca para se encontrar com Deus, porque o caminho do santuário não estava ainda descoberto (Hb 9:8).
Porém, Deus podia vir ao altar de bronze para encontrar o pecador. "A justiça e o juízo" não podiam admitir o pecador no santuário; mas a misericórdia e a verdade podiam fazer sair Deus—não envolto naquele resplendor irresistível e majestade com que costumava brilhar do meio das colunas místicas do Seu trono—"os querubins de glória"—, mas rodeado daquele ministério gracioso que nos é apresentado, simbolicamente, no mobiliário e nas ordenações do tabernáculo.
Tudo isto nos pode muito bem recordar o caminho que percorreu Aquele bendito Senhor que é o antítipo de todos estes símbolos-a substância destas sombras. Ele desceu do trono eterno de Deus no céu até à profundidade da cruz no Calvário. Deixou toda a glória do céu pela vergonha da cruz, a fim de poder conduzir o Seu povo remido, perdoado e aceite por Si Mesmo, e apresentá-lo inculpável diante daquele próprio trono que Ele havia abandonado por amor deles. O Senhor Jesus preenche, em Sua própria Pessoa e obra, todo o espaço entre o trono de Deus e o pó da morte, assim como a distância entre o pó da morte e o trono de Deus.
N'Ele Deus desceu, em perfeita graça, até ao pecador, e n'Ele o pecador é conduzido, em perfeita justiça, até Deus. Todo o caminho, desde a arca ao altar, está marcado com as pegadas do amor; e todo o caminho desde o altar de bronze até a arca de Deus estava salpicado com sangue da expiação; e todo adorador ao passar por esse caminho maravilhoso vê o nome de Jesus impresso em tudo que se oferece à sua vista. Que este nome venha a ser o mais precioso de nossos corações! Vamos proceder agora ao exame dos capítulos que se seguem.
E interessante notar que a primeira coisa que o Senhor revela a Moisés é o Seu propósito gracioso de ter um santuário ou santa habitação no meio do Seu povo — um santuário formado de materiais que indicavam Cristo, a Sua Pessoa, a Sua obra, e o fruto precioso dessa obra, como os vemos à luz, no poder e diversas mercês do Espírito Santo. Além disso, estes materiais eram o fruto fragrante da graça de Deus — as ofertas voluntárias de corações consagrados. Jeová, cuja Majestade o céu dos céus não poderia conter (l Rs 8:27), achava o Seu agrado em habitar numa tenda erigida para Si por aqueles que nutriam o desejo ardente de saudar a Sua presença no meio deles. Este tabernáculo pode ser considerado de duas maneiras; primeira, como uma "figura das coisas celestiais"; e, segunda, como uma figura profundamente significativa do corpo de Cristo. Os vários materiais de que se compunha este tabernáculo serão apresentados à nossa consideração à medida que formos desenrolando o assunto. Portanto, vamos considerar os três assuntos mais importantes que este capítulo põe diante de nós, a saber: a arca, a mesa e o castiçal.
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
Um santuário. Ou seja, o tabernáculo, lugar onde a presença de Deus poderia manifestar-se de modo especial. O termo santuário refere-se á inteira área sagrada fechada, incluindo o átrio. Foram baixadas instruções divinas quanto à sua construção (Êxo. 25.9,40; 26.30; 27.8). Deus foi o seu arquiteto. O trecho de I Crô. 28.19 diz-nos que houve algum modelo divino envolvido na estrutura, e que os judeus tolamente imaginaram que havia um tabernáculo paralelo mais elevado, no próprio céu, e que foi copiado do tabernáculo terrestre. Essa ideia, parecida com a dos universais e os particulares de Platão, é ventilada em Heb. 9.23 ss, onde há notas completas no Novo Testamento Interpretado. “A noção de um modelo celestial de templos, objetos de culto e leis é universal no antigo Oriente Próximo” (J. Edgar Parke, in Ioc.). “Assim como a obra de criação precisou de sete dias, e assim como a edificação do segundo templo ocupou sete anos (I Reis 6.38), assim também a ereção do tabernáculo precisou de sete meses (cf. Êxo. 19.1 ss.; 24.18; 34.28; 40.17). A narrativa de Êxo. 39.1-31 divide-se em sete parágrafos, assinalados pela expressão ‘e Yahweh ordenou a Moisés’; 0 que também se vê em Êxo. 40.17-32. O editor arranjou a série de comandos em sete seções (25.1 ss.), cada qual começando com as palavras ׳e Yahweh falo u a Moisés, dizendo. Alguma s das seções, por sua vez, estão subdivididas em sete partes, cada qual começando pelas palavras ‘e farás”. (J. Coert Rylaarsdam, in Ioc.). Assim, 0 registro escrito foi feito com grande previsão e execução, visto estarem sendo tratadas questões de grande importância.
Para que eu possa habitar no meio deles. Um lugar onde a presença divina pudesse ter comunhão com os homens, na verdade um lugar humilde em comparação com as riquezas do culto do Egito e de outras nações, mas um lugar onde havia reais manifestações da divindade, e não próprias da idolatria. Ver também Êxo. 29.42-46; 40.34-38 quanto à ênfase sobre a habitação entre os homens. Como é claro, isso tipificava a encarnação do Logos (João 1.1,14), a habitação maior e 0 acesso superior (ver no Dicionário 0 verbete Acesso, como também 0 trecho de Atos 7.48).
O Tipo. No artigo intitulado Tabernáculo, no Dicionário, em sua décima seção, apresento as principais lições espirituais e os tipos envolvidos na estrutura e em seu culto. Adiciono aqui algumas notas sobre o tipo envolvido:
Um Tipo Tríplice:
1. A Igreja (o tabernáculo ou templo do Novo Testamento) é o lugar da habitação do Espírito de Deus (Êxo. 25.8; Efé. 2.19-22).
2. O tabernáculo tipificava o crente individual, por igual modo (II Cor. 6.16).
3. Em seus vários itens de construções e de mobiliário, representava vários aspectos do caráter, do poder e das graças de Cristo, sendo uma figura de coisas celestiais (Heb. 9.23,24).
Assim, na arca, feita de madeira revestida de ouro, temos o símbolo da natureza divino-humana de Cristo. Sua lei tem paralelo na lei do Espírito, implantada no coração do crente. A ressurreição é tipificada na vara de Arão que floresceu (Núm. 17.10). O propiciatório ou tampa da arca refere-se à graça da expiação.
SIMBOLISMOS DO TABERNÁCULO
1. Da igreja como a habitação de Deus através do Espírito: Êxo. 25.8; Efé. 2.19-22
2. Do crente: II Cor. 6.16
3. Uma figura das coisas nos céus: Heb. 9.23,24
4. O propiciatório, 0 trono de Deus; Seu lugar de manifestação: Gên. 3.24; Eze. 1.6; Rom. 3.15
5. A encarnação de Cristo: Col. 1.19
6. Graus de acesso a Deus, simbolizados por suas três cortinas e compartimentos internos. As divisões foram anuladas em Cristo: Heb. 10.10 ss.
7. A auto-revelação divina e o progresso em revelação: Apo. 21.3. A revelação traz a salvação como seu maior benefício.
8. O tabernáculo era o centro da vida de Israel. As tribos acampavam ao redor dele. Quando substituiu o tabernáculo, 0 Templo se tornou 0 centro da atenção de Israel. Na época no Novo Testamento, 0 Espírito transforma cada pessoa em um templo e ali habita.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 414; 416.
II - O PÁTIO DO TABERNÁCULO
1. O pátio "Farás também o pátio do tabernáculo” (Êx 27.9).
Deus ordenara que o Tabernáculo deveria ter um pátio (Ex 27.9). Esse pátio tinha formato retangular e media cerca de 22 metros de largura por 45 metros de comprimento (Ex 27.18). Ele era cercado por cortinas e havia uma única entrada para ele. O pátio cercado por cortinas simbolizava a separação que deve haver para a adoração a Deus. Como bem explica Matthew Henry, “o pátio era um tipo da igreja, fechada e separada do resto do mundo, encerrada por colunas, indicando a estabilidade da igreja, fechada com o linho limpo, que está escrito que é a justiça dos santos (Ap 19.8). Este eram os átrios pelos quais ansiava Davi e onde ele anelava residir (SI 84.2,10), e onde o povo de Deus entrava com louvor e agradecimentos (SI 100.4)”.
A porta única de entrada para o pátio representava Cristo, que é a única Porta de acesso a Deus, o único Caminho para o céu (Jo 10.9; 14.6).
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 93.
TEMPLO (ÁTRIOS)
Quatro átrios faziam parte do templo de Jerusalém:
1. O átrio dos gentios. Era assim chamado porque os gentios podiam entrar no mesmo, mas não mais adiante, sob pena de morte. Simbólico e espiritualmente, esse átrio mostrava que os gentios tinham um acesso apenas limitado à adoração e ao serviço de Deus. Eles não podiam adentrar o santuário, e, muito menos ainda, o Santo dos Santos.
Porém, em Cristo todas essas barreiras foram derrubadas.
Agora há acesso a todos os crentes, até o trono de Deus (Heb. 10: 19,20), por intermédio do Caminho, que é Cristo.
Temos acesso mediante o sangue de Cristo, o novo e vivo caminho que nos foi aberto. Agora Cristo é o nosso Sumo Sacerdote, e nós somos um reino de sacerdotes (Apo. I: 6; 5: 10). Mais do que isso, o crente tomou-se um templo do Espírito de Deus (I Cor. 3: 16), e a Igreja, coletivamente falando, é o templo para habitação de Deus, em Espírito (Efé. 2: 19,20).
2. O átrio de Israel. Os homens de Israel tinham o direito de admissão a esse átrio. Esse átrio representava um outro nível de acesso. Embora participassem da adoração no templo, os israelitas comuns não tinham acesso ao Santo dos Santos. Somente o sumo sacerdote, e isso mesmo apenas uma vez por ano, podia entrar ali, a fim de cumprir a expiação simbólica sobre o propiciatório. Ver Exo. 30: 10.
3. O átrio dos sacerdotes. Era nesse átrio que ficava o altar dos holocaustos, e onde os sacerdotes e levitas exerciam o seu ministério. Esse átrio representava ainda um outro nível de acesso a Deus, embora ainda não o mais elevado. Até mesmo o Santo dos Santos era mero símbolo e acesso preliminar. Portanto, o templo de Jerusalém, com suas muitas divisões e níveis de acesso, servia de tipo de um acesso gradual a Deus. O evangelho de Cristo elimina todas as divisões. Ver Efé. 2: 17 ss. O Espírito Santo confere aos crentes o mais pleno acesso.
4. O átrio das mulheres. Esse átrio ficava um pouco mais próximo do santuário do que o átrio dos gentios. O átrio das mulheres era posto à disposição das mulheres israelitas. No entanto, em Cristo não há qualquer distinção entre homem e mulher, no que concerne a privilégios espirituais (Gál, 3:28). Essa é uma doutrina revolucionária, exposta pelo cristianismo. Ver o artigo geral sobre Templo de Jerusalém o que provê uma ótima ilustração onde o leitor pode notar os vários átrios, sua configuração, etc.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 338.
27:9-19.0 ÁTRIO.
9. O átrio do Tabernáculo. Esta área externa cercada provavelmente correspondia, como sugerido, a algo como um “ curral” . No que diz respeito ao Tabernáculo, o átrio marcava os limites externos de sua santidade (cf. os demarcadores colocados ao redor do Sinai no dia em que Deus desceu e Se revelou ali, (19:12). O futuro Templo em Jerusalém teria paredes para demarcar seus átrios. No deserto, a divisão correspondente era formada de uma série de postes que sustentavam pedaços de tecido, formando uma espécie de tela protetora como a usada hoje em dia ao redor de quadras de tênis. Seu propósito era oferecer uma área ampla ao ar livre (50m x 2Sm) onde o sacrifício pudesse ser realizado e outros ritos de natureza pública pudessem acontecer. Como o Tabernáculo propriamente dito ocupava apenas seis por cento da área do átrio, havia espaço de sobra, já que a época da Lei desconhecia as vastas multidões que lotavam os átrios do Templo em dias futuros (Is 1:12). Como em templos chineses na atualidade, só se ia ao Tabernáculo de YHWH com algum propósito específico, e normalmente só por ocasião de alguma festa religiosa. Em dias mais recentes, o número de átrios se multiplicou: aqui havia apenas um.
18. E cinco côvados de alto. A “ cerca” ao redor do átrio parece ter tido dois metros e meio de altura (ninguém poderia olhar por sobre ela), mas possuía uma abertura em um dos lados, que funcionava como porta.
19. Todas as suas estacas. As estacas firmavam a estrutura como , um todo, tal .como o fazem hoje com grandes tendas ou toldos.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 191.
O Átrio do Tabernáculo. 27: 9-19.
Uma área retangular, com 45,72 ms de comprimento por 22,86 ms de largura, rodeava o Tabernáculo. Estava envolvida por cortinas de linho branco, com 1,68 ms de altura, suspensas sobre colunas. Havia vinte colunas para cada um dos lados mais extensos e dez para os mais curtos. As colunas, ou estacas, eram de bronze com capitéis de prata (38:17), e se encaixavam em soquetes ou bases de bronze. As cortinas estavam presas às colunas por meio de ganchos de prata que se enganchavam sobre filetes ou cintas de prata das colunas. Cordas e pregos de bronze mantinham as cortinas esticadas (38:20). A entrada deste átrio ficava do lado oriental. Ali as cortinas se estendiam por 6,86ms de cada canto, deixando 9,14 ms para a entrada. A entrada se fechava com uma cortina de tapeçaria bordada, como a cortina da entrada do próprio Tabernáculo.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular Êxodo. pag. 68-69.
2. O altar dos holocaustos.
A primeira coisa que era vista pela pessoa que adentrava o pátio era o Altar dos Holocaustos, que era feito de madeira de cetim (acácia) coberta de bronze e seu formato era de um quadrado com 2,25 metros de cada lado por 1,35 metro de altura (Ex 27.1,2). Era ali que os animais eram imolados em sacrifício para expiação dos pecados. O sangue das vítimas era colocado nas pontas do altar e o restante dele, derramado na sua base (Lv 4.7). O Comentário Bíblico Beacon afirma que as pontas projetadas nos quatro cantos do altar “tinham provavelmente a forma de chifre de animal”, o que fazia deles, conforme o costume da época, “símbolos de poder e proteção”. Donald Stamps acrescenta que simbolizavam, portanto, “o poder e a proteção através do sacrifício”, conforme pode ser visto nas passagens de 1 Reis 1.50,51 e 2.28, e Salmos 18.2.
Matthew Henry lembra que tanto os animais sacrificados sobre o altar como a própria constituição do altar com madeira coberta de cobre (ou bronze, que nada mais é do que a liga de cobre e estanho) apontam para Cristo:
Este altar de cobre era um tipo de Cristo. [...] A madeira teria sido consumida pelo fogo do céu, se não tivesse sido protegida pelo cobre. E a natureza humana de Cristo não teria suportado a ira de Deus, se não fosse sustentada pelo poder divino. Cristo santificou-se pela sua Igreja, assim como o seu altar (Jo 17.9). E pela sua mediação Ele santifica os serviços diários do seu povo, que também tem o direito de comer deste altar (Hb 13.10), pois ali servem como sacerdotes espirituais. Às pontas deste altar, os pobres pecadores fogem em busca de refúgio, quando a justiça os persegue, e ali estão a salvo, em virtude do sacrifício ali oferecido.
Varas colocadas em argolas na estrutura do altar tinham a finalidade de propiciar o seu transporte pelos levitas (Ex 27.6,7), assim como acontecia com toda a mobília do Tabernáculo, que era móvel, com toda a sua estrutura desmontável. O altar era oco (Êx 27.8) e, como frisa o Beacon, “considerando que Israel só devia fazer altares de terra ou com pedras naturais, sem uso de instrumentos de ferro (Ex 20.24,25), julgamos que este altar semelhante a caixa era cheio de terra sempre que Israel assentava acampamento” e que “os animais sacrificiais eram colocados em cima da terra que enchia a armação de madeira e bronze”.
As instruções de Êxodo 20.24-26 sobre a construção de altares é bastante interessante. Diz Deus:
Um altar de terra me farás e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, [...] [e] virei a ti e te abençoarei. E, se me fizeres um altar de pedras, não o farás de pedras lavradas; se sobre ele levantares o teu buril, profaná-lo-ás. Não subirás também por degraus ao meu altar, para que a tua nudez não seja descoberta diante deles.
Sobre esse final, é curioso ver o cuidado de Deus com os detalhes; especificamente aqui, o cuidado para que alguém não se apresentasse diante dEle e do povo mostrando, mesmo que de modo involuntário, a sua nudez. Aliás, esse cuidado pode ser visto até na roupa dos sacerdotes, que era extremamente composta, formal e — devido à importante função que exerciam -— tinha também, claro, a sua imponência, além dos simbolismos (Ex 28.4-43).
Diante desse cuidado divino, não há como não pensar nos dias de hoje, quando muitos acham que podem cultuar a Deus em público (não estamos falando aqui do privado) de qualquer maneira, mesmo com roupas que revelam a sua nudez. Ninguém está dizendo aqui que as pessoas devem ir para a igreja agora com as vestes dos sacerdotes do Antigo Testamento ou somente com roupas extremamente formais. A questão aqui são a compostura e a decência na Casa de Deus, que muitas vezes são esquecidas.
Quanto aos demais detalhes dessa instrução sobre os altares em Êxodo 20, a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal traz uma importante reflexão: [Deus] [...] concedeu-lhes instruções específicas sobre construção de altares, pois desejava controlar o modo de oferecer os sacrifícios.
Para evitar que a idolatria pervertesse a adoração, Deus não permitiu que as pedras do altar fossem de alguma forma cortadas ou modeladas. Também não permitiu que o povo construísse um altar em qualquer lugar. Tal atitude visava a impedir que iniciassem suas próprias religiões ou mudassem o modo como Deus desejava que as coisas fossem feitas. Deus não é contra a criatividade, mas Ele não admite que criemos a nossa própria religião.
Como observa também o Comentário Bíblico Beacon, “a simplicidade do altar [de terra] fazia o homem tirar a atenção de si mesmo e das coisas materiais para [voltar-se para] o Deus Exaltado. [...] [E] o uso de pedras em sua forma natural impedia que, nesta época, Israel fizesse embelezamentos artísticos, provavelmente por causa do perigo de idolatria”. Ou seja, o princípio aqui é claro: Deus não é contra a criatividade, mas é preciso ter cuidado para que, em nome da nossa criatividade, não percamos a simplicidade ou mesmo subvertamos o modelo bíblico do culto a Deus. Quando Deus permitiu que Israel tivesse altares mais elaborados, que foram justamente o Altar dos Holocaustos e o Altar do Incenso, estes foram burilados conforme a determinação divina (Ex 27.1-8; 30.1-5).
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 93-96.
ALTAR
Lugar de se entrar em contato com o poder divino ou com os mortos, por meio de um sacrifício (ver o artigo) e de oferendas (ver o artigo). As religiões primitivas supunham que o altar de uma divindade seria o lugar onde ela manifestava a sua presença. O altar (do latim, altus, estrutura elevada), presumivelmente chamava a atenção do poder invocado.
Oferendas eram postas nessas estruturas a fim de aplacar ou solicitar o favor do deus do altar.
I. Altares pagãos. Eram de muitos tipos, formatos e dimensões. Na Idade do Bronze Antiga, alguns altares eram de meras pedras arrumadas. Na Idade do Bronze Moderna, alguns altares eram retangulares, feitos de tijolos ou' de pedras, erguidos com cimento de argila. Alguns altares eram estruturas imensas, e outros eram pequenos. Montões de pedras também serviam de altares, entre os povos pagãos.
II. Semitas. Eram similares aos altares acima descritos, em diferentes épocas. Altares foram edificados por Noé (Gên. 8:20), Abraão, em Siquém(Gên. 12:7), Isaque, em Beerseba (Gên. 26:25), Jacó. em Siquêm (Gên. 33:20) e em Betel (Gên. 35:7), Moisés, em Refidim (Êxo, 17: 15) e Horebe (Êxo, 24:4). Na cultura semita, os altares usualmente eram erigidos com propósitos sacrificiais, mas não exclusivamente.
Muitos eram feitos de rocha natural, com canais para que escorresse o sangue; ou eram montes de terra ou rochas escavadas, com valetas ao redor, com o mesmo propósito. Cria-se que o sangue derramado sobre o altar estava carregado com o poder da divindade, sendo assim útil para vários ritos de purificação e busca de poder.
III. ALTAR DO TABEMÁCULO. Na verdade, dois eram os altares do tabernáculo. Um deles, que ficava na metade oriental do trio, era de «bronze.. (influência fenícia, dizem alguns), recoberto de madeira de acácia (Exo. 27:1-8). As suas dimensões eram 2,5 m x 2,5 m x 1,5 m. Era o altar dos holocaustos. Tinha chifres que se projetavam nas pontas, bem como argolas e varas para ser transportado. Não havia topo, e talvez contasse com uma armação gradeada de metal, cheia de terra, o que explica como era resistente ao fogo ali posto. O segundo desses altares era menor, com 0,5 m x 0,5 x 1,0 m, de madeira de acácia recoberto de ouro (Êxo, 30:1-10). Tinha quatro chifres e uma borda de ouro, com argolas e varas para ser transportado. Era o altar do incenso, símbolo de nossas orações e intercessões (Lev. 16: 12).
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 122-123.
ALTAR (mia; local de sacrifício, plataforma elevada).
1. O nome. A palavra comum em latim para altar era ara. Os termos altare ou altariwn, dos quais nosso termo em português deriva, são posteriores, criados no ambiente eclesiástico. Era um substantivo formado a partir do adjetivo altos, que significa “elevado” e implica na ideia de alguma estrutura alta, com um topo plano, sobre o qual eram colocadas as ofertas para uma divindade ou eram feitos sacrifícios.
O termo grego comum era bomós, o qual aparentemente deriva-se de baino, “vir” ou “ir”. Assim, o significado básico seria “aproximar”, visto que se aplicava originalmente a qualquer plataforma elevada sobre a qual se colocava algo — como, por exemplo, um estacionamento alto para carruagens (Ilíada 8.441) ou a base de uma estátua (Odisseia 7.100). Aparentemente os antigos sentiram a necessidade de acrescentar o adjetivo hieros (“santo”) quando o termo bomos era usado para indicar um altar propriamente dito. No NT, este termo grego é empregado apenas uma vez, justamente em referência ao altar ateniense dedicado ao deus desconhecido. O termo marca a característica de Paulo de adaptar seu discurso à sua audiência não cristã (At 17.23).
As outras 21 ocorrências da palavra altar no NT (H. Cremer as relaciona em sua obra Biblico-Theological Lexicon of New Testament Greek, 292) representam uma palavra que parece ter sido emprega na LXX como a tradução literal da palavra hebraica comum para altar. O termo é thusiastêrion, derivado de thuo (“sacrificar”). A palavra hebraica, da qual Gesenius (Lexicon, 258) lista 401 ocorrências, é mizbêah, um substantivo derivado de zãbah (“sacrificar”). Portanto, o significado fundamental do termo hebraico é o local elevado onde o sacrifício era feito, embora tenha passado a ser usado para qualquer forma de mesa de oferta, como o “altar do incenso” (Êx 30.1-10).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 236.
27:1-8. O ALTAR. Conforme ressaltado por Napier, há um constante movimento em direção ao exterior na ordem de descrição dos objetos.
Primeiro há a descrição da arca, na parte mais sagrada do Tabernáculo, e do candelabro, na parte mais ampla do Tabernáculo. Aí o movimento cessou por um pouco, para descrever a construção do Tabernáculo. Uma vez fora da tenda, caminhamos em direção ao altar, e ao átrio em que ele ficava. Quanto mais nos afastamos do centro, menos preciosos se tornam os materiais, e menos complexa a estrutura. Mais uma vez o simbolismo é claro.
1. O altar de madeira de acácia. Para permitir sua mobilidade, o altar foi feito de chapas de madeira de acácia revestidas de placas de cobre.
Era de formato quadrado, com aproximadamente 2,5 metros de lado, bem menor que o altar de cobre construído por Salomão, séculos mais tarde, que tinha 10 metros de lado por 5 metros de altura (2 Cr 4:1). Provavelmente os altares “ de terra” e “ de pedras toscas” previamente mencionados (20:24,25) eram de uso estritamente local, a não ser que admitamos (como fazem alguns comentaristas) que o interior desta estrutura oca de madeira e cobre ficasse sempre cheio de terra ou pedras não-lavradas até uma altura apropriada, de modo a que o altar continuasse a observar as regras do livro da aliança.
2. Farás levantar-se quatro chifres. Pontas em forma de chifre nos quatro cantos do altar, como era comum à maioria dos altares antigos. Tais chifres podem ter representado, no passado, os chifres dos animais oferecidos em sacrifício. Mais tarde passaram a ter a útil função de ganchos aos quais os sacrifícios podiam ser amarrados (SI 118:27), ou aos quais criminosos involuntários se agarrassem. Uma vez que o altar era “ um santuário” , jima “ cidade de refúgio” em miniatura, o réu podia-se agarrar a esses chifres, fazendo de si mesmo um sacrifício vivo, devotado a YHWH, e assim sob Sua proteção.
4. Uma grelha de bronze. Esta descrição não deixa suficientemente clara a posição e o propósito da grelha de bronze. Como a maioria dos altares, este era oco (v. 8). A grelha de bronze provavelmente repousava sobre uma saliência na parede interior do altar, na metade de sua altura (38:4, N.T.). Neste caso, o que se fazia com a carne era virtualmente um churrasco, permitindo que a gordura e as cinzas caíssem ao fundo do altar através da grelha. Isto explica a maneira pela qual o novo altar de Jeroboão em Betei “ se fendeu” , espalhando cinza por todo lado, para grande transtorno do rei (1 Rs 13:5), e também porque se fizeram pás e bacias para “ raspar” o altar, tal como se faz com uma lareira ou incinerador (v. 3). Isso também explica como era possível usar um altar de madeira sem que esta se queimasse. O fogo jamais entrava em contato com a madeira, que era apenas uma armação oca. A maioria dos comentaristas, entretanto, prefere seguir a sugestão de Driver, que afirmava que a grelha de bronze era a metade inferior da parede externa do altar, que permitia a passagem de uma corrente de ar para alimentar o fogo.
Este era o único altar de sacrifício no santuário israelita nos primeiros dias: o sangue era besuntado em seus “ chifres” quando da expiação cerimonial, e sobre ele os holocaustos ou ofertas queimadas eram colocados. As libações eram derramadas ao lado dele e sobre ele o sangue era aspergido. É normalmente chamado “ o altar de bronze” , em vista de sua aparência externa, embora fosse, na realidade, construído de madeira. O incenso, por outro lado, era oferecido num altar menor, que aparece, quase que como uma lembrança de última hora, em cap. 30. Este também era feito de madeira de acácia, mas revestido de ouro, não de cobre ou bronze.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 189-191.
3. A pia de bronze (Êx 30-17-21).
Mas, finalmente, havia ainda no Pátio do Tabernáculo a Pia de Bronze. Ela era utilizada para o sacrifício de purificação (Ex 30.17-21). Essa lavagem cerimonial era feita com água constantemente substituída, já que não havia sistema de torneiras ou bicas naquela época nem algo parecido com isso é mencionado no texto bíblico. Os sacerdotes deveriam se lavar sempre nele antes de ministrarem no interior do Tabernáculo ou no Altar dos Holocaustos.
Ora, a água fala de pureza e santificação, e é símbolo da ação purificadora da Palavra de Deus (Jo 15.3; 17.17; Ef 5.26,27) e do Espírito Santo (Tt 3.4-6; 1 Co 6.11) em nossos corações (Hb 10.22; 1 Pe 1.22,23). Pode simbolizar também a purificação pelo sangue de Jesus (1 Jo 1.7), uma vez que o sacrifício de Cristo nos purifica de todo pecado e nos dá acesso à constante ação purificadora do Espírito Santo e da Palavra de Deus em nossas vidas.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 96.
BACIA, BACIA DE BRONZE (provavelmente da raiz significando ser ou fazer redondo; também traduzido por “panela” (ISm 2.14; Zc 14.21) e “tribuna”, ARA; “base”, ARC; “plataforma”, NVI, “estrado”, BJ (provavelmente por causa de seu formato redondo semelhante a uma bacia, 2Cr 6.13)
1. A bacia para o tabernáculo com sua base era feita de bronze (Ex 30.18, passim); continha água, de maneira que Aarão e seus filhos pudessem lavar as mãos e os pés quando adentrassem a Tenda da Congregação ou se acercassem do altar para ministrar (Êx 30.18,19); foi feita por Bezalel da tribo de Judá e Aoliabe da tribo de Dã (Êx 31.1-9) com outros homens do povo (Ex 35.10-16); e foi feita com os espelhos das mulheres que se reuniam (a palavra Hebraica sãbã sugere um grande grupo organizado) para ministrar à porta da Tenda da Congregação. Dessas mulheres Aben-ezra disse “é costume de todas as mulheres contemplar a face todas as manhãs no espelho, para que possam pentear e arrumar o cabelo, mas veja! estas eram mulheres de Israel que serviam ao Senhor, abandonaram seus deleites terrenos e abriram mão de seus espelhos como oferta voluntária, porque eles não tinham mais uso para elas; mas elas vinham todos os dias à porta da Tenda da Congregação para orar e ouvir as palavras dos Mandamentos “(Patrick Fairbaim, The Typology of Scripture, II [ 1900], p. 25 8). Após a unção com o óleo prescrito (Êx 30.22-29; Lv 8.11) e aceitação por Moisés (Êx 39.39) foi o último artigo colocado no lugar antes que se erguesse o átrio (Êx 40.7-17). A Bíblia não explica o seu formato, tamanho, ornamentação ou transporte.
2. No Templo de Salomão, um grande “Mar de Fundição” tomou o lugar da bacia no Tabernáculo para as abluções dos sacerdotes (2Cr 4.6). Esse “mar” tinha cinco côvados de altura, dez côvados de diâmetro de uma borda a outra, e trinta côvados de circunferência (lRs 7.23). Alguns consideram os dois últimos números uma impossibilidade matemática (e.g. Louis Casseis, “Understanding theBible”, PresbiterianLife, Dec. 1. 1966, p. 13). A circunferência, porém, podia não incluir a curvatura para fora do seu formato de lírio na borda (lRs 7.26), enquanto o diâmetro pode se referir à borda em sua parte mais larga. Havia colocíntidas (cabacinhas) por baixo de sua aba, dez em cada côvado; arcundando a bacia em duas fileiras, fundidas com a própria bacia (lRs 7.24). De acordo com KD, “a semelhança de bois” no TM (ARC, NVI, BJ) no relato sinóptico de 2 Crônicas 4.3 está coiTompido. Ele estava apoiado sobre quatro grupos de três bois de bronze, cada grupo voltado para um dos quatro pontos cardeais (lRs 7.25). Esse arranjo representava o serviço sacerdotal das doze tribos, do mesmo modo que os leões no trono de Salomão representava o serviço real. Uma bacia de basalto, posta sobre dois touros, do começo do primeiro milênio a.C. foi achada em Carquemis (NBD, p. 718, fig. 132). A espessura do bronze era da largura da mão e tinha a capacidade de dois mil batos (lRs 7.26). De acordo com KD a leitura “três mil batos” (2Cr 4.5) está corrompida.
Além do grande mar de fundição localizado no sudeste do Templo de Hirão, de Tiro (lRs 7.13,14, 40-44), também fez dez pias de bronze, dispostas em linha entre os lados norte e sul do Templo (lRs 7.39). Essas pias, com quatro côvados de diâmetro e contendo quarenta batos (lRs 7.38), eram usadas para lavar os animais a serem oferecidos como oferta queimada (2Cr 4.6), e estavam assentadas sobre suportes móveis de bronze (lRs 7.27-37). Uma estrutura similar de Chipre, c. 1150 a.C. esclarece o estudo esmerado desses suportes, encontrado em A Dictionary of the Bible editado por William Smith (cp. NBD, p. 1244 fig. 205).
Devido à apostasia, o rei Acaz cortou fora os painéis dos suportes, removeu deles a bacia, e a pôs sobre um pavimento de pedra (2Rs 16.17). Os caldeus quebraram o que remaneceu do mar e dos suportes e levaram o bronze para a Babilônia (2Rs 25.13).A Escritura não menciona bacia(s) no segundo Templo, nem Josefo em seu relato da restauração feita por Heródes. B. K. Waltke
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 668-669.
Êx 30. 17-21. “No templo de Salomão havia um grande tanque de forma circular, com cerca de 13,70 m de circunferência, conhecido com0 mar de fundição (I Reis 7.23-36). Era inteiramente feito de bronze e repousava sobre as figuras de doze bois. De acordo com II Crô. 4.6, o mar servia para as abluções dos sacerdotes” (J. Edgar Park, in Ioc.). Não há certeza sobre até que ponto a antiga bacia de bronze assemelhava-se à versão manda- da fazer por Salomão, mas é bem provável que a bacia de bronze dos dias de Moisés fosse algo bem mais modesto. Os críticos, por sua parte, duvidam até mesmo de sua existência, pensando que escritores posteriores fizeram o mar de fundição retroceder dos dias de Salomão para os dias de Moisés. O texto presente, em contraste com o resto dos itens do tabernáculo, fomece-nos poucos detalhes e não dá as dimensões da bacia de bronze. O trecho de Êxo. 38.8 adianta que as mulheres providenciaram o material necessário para esse item, pois contribuíram com seus espelhos de bronze. Portanto, a bacia de bronze importou em um sacrifício para muitas pessoas.
As lavagens feitas na bacia de bronze, tal como se dava com todos os demais ritos efetuados no tabernáculo, deviam ser efetuadas de modo perpétuo, por todas as gerações. Ver as notas sobre isso em Êxo. 29.42, quanto a uma lista de referências sobre a questão.
As abluções litúrgicas dos israelitas influenciaram de modo profundo tanto o cristianismo quanto o islamismo.
Água se fazia mister para as lavagens dos sacerdotes e de certas partes das vítimas sacrificadas (Êxo. 29.27; Lev. 1.8,13), como também para limpeza do próprio altar, para nada dizermos sobre o chão para onde escorria todo aquele sangue dos animais sacrificados.
Seu suporte de bronze. A bacia de bronze provavelmente tinha o formato de um grande vaso ou urna, e estava apoiada sobre um pedestal. Vasos dessa natureza têm sido achados, com relativa abundância, pelos arqueólogos.
A bacia de bronze é o último item do tabernáculo a ser descrito. Ficava entre o altar dos holocaustos e a entrada do Lugar Santo, entrada essa tapa- da pelo segundo véu. Ver a ilustração sobre a planta do tabernáculo, nas notas sobre Êxo. 26.1. Naturalmente, tanto 0 altar dos holocaustos quanto a bacia de bronze ficavam no átrio. Era essencial que a bacia ficasse próxima do altar, a fim de que os sacerdotes pudessem lavar as mãos e os pés antes de entrarem no Lugar Santo, depois de terem oferecido sacrifícios sobre o altar.
Êx 30.19 A lavagem de mãos e pés era necessária por razões físicas e espirituais. Era mister que entrassem fisicamente limpos no Lugar Santo, ao passarem pela segunda cortina. Talvez acabassem de realizar um sacrifício sobre o altar de bronze. Então teriam andado pelo átrio, cujo chão era de terra. Não teriam de tomar um banho de corpo inteiro, mas apenas lavarem as mãos e os pés, que mais certa- mente se teriam sujado de sangue e de poeira. Ademais, não poderiam adentrar o Lugar Santo sem uma lavagem ritual e simbólica das mãos e dos pés. Cf. isso com João 13.10, Os sacerdotes egípcios lavavam-se duas vezes durante o dia, pela manhã, e duas vezes à noite, de acordo com Heródoto (Euterpe sive. 1.2 c. 37). Santidade de conduta (pés) e santidade de ações (mãos) era algo simbolizado por essas lavagens rituais.
“O altar falava da salvação por meio da oferta pelo pecado; e a bacia de bronze falava da santificação, que é algo progressivo e contínuo” (John D. Hannah, in Ioc.).
Êx 30.20 Para que não morram. Essas palavras dão a entender que Yahweh haveria de julgá-los com a pena de morte, se deixassem de obedecer às Suas ordens quanto a esse particular. Estavam ocupados em um serviço santo, servindo a Yahweh e aproximando-se Dele. Não podiam estar sujos, nem física e nem espiritualmente. A morte também era ameaçada por motivo de outras infrações das regras atinentes ao serviço santo. Ver Êxo. 28.35,43. “Não é exatamente fácil perceber por que a pena de morte foi ameaçada contra a negligência acerca de certas observâncias cerimoniais, mas não acerca de outras. Entretanto, a ablução era algo tão fácil e, provavelmente, estabelecida como uma prática fazia tanto tempo, que omiti-la só poderia indicar um desrespeito intencional para com Deus” (Ellicott, in Ioc.).
Quando se chegarem ao altar. Os sacerdotes deviam lavar-se antes de oferecerem algum sacrifício, e, sem dúvida, depois de terem-no oferecido, para então entrarem no Lugar Santo.
“Isso dá-nos conta da necessidade de termos corações puros e mãos limpas, para que nos aproximemos do altar de Deus, se quisermos participar da adoração pública, e, em particular, para orarmos com mãos limpas, erguidas para o alto (I Tim. 2.8; Sal. 26.6)' (John Gill, in Ioc.). Este texto deve ser comparado com Tito 3.5, que nos dá uma versão cristianizada dessa necessidade.
Êx 30.21 Este versículo repete a injunção sobre as lavagens, e, então, adiciona a ordem agora familiar que esse rito deveria prosseguir perpetuamente, por todas as gerações dos filhos de Israel. Outro tanto tem sido dito a respeito de vários aspectos do culto efetuado no tabernáculo. Em Êxo. 29.42, alisto várias referências e faço várias observações sobre essa questão. Vemos aqui a repetição da ameaça de morte, feita pela primeira vez, no versículo anterior. Ver Heb. 12.14 quanto a uma aplicação cristã.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 440-441.
30:17-21. O Tanque.
18. Também farás um tanque de bronze. Na SBB “ bacia” . Para sermos coerentes, deveríamos traduzir “ cobre” . Era provavelmente bronze (uma liga de cobre e estanho), mas o hebraico não dispunha de um termo especial para este material. A necessidade de lavagens rituais para os sacerdotes antes da consagração e de seu comparecimento perante Deus já foi mencionada em 29:4. Aquela era apenas uma das muitas ocasiões aqui mencionadas (v. 20). O tanque (cujas dimensões não são oferecidas) era provavelmente bem pequeno: se considerarmos que apenas Arão e seus filhos o utilizavam, as dimensões de uma grande “ bacia” seriam adequadas. Em contraste, Salomão tinha dez tanques de bronze no Templo, além do chamado “ mar de bronze” , um recipiente de enormes proporções (ver 1 Rs 7). Esta é apenas uma das muitas áreas em que o projeto do Templo diferia da planta do Tabernáculo.
Em 38:8 há alguns detalhes intrigantes sobre a fonte de obtenção do metal para o tanque, que também sugerem um tamanho pequeno, além da fundição de um objeto sólido a partir do metal (sem qualquer estrutura de madeira).
Entre a tenda da congregação e o altar. O tanque deveria ficar, portanto, no grande átrio, para ser utilizado antes que os sacerdotes entrassem no Tabernáculo propriamente dito. Depois de se lavar e purificar, o sacerdote podia entrar e adorar mediante a oferenda do incenso.
Além disso, os sacerdotes certamente precisavam se lavar depois dos sacrifícios e dos rituais de sangue, de modo que o tanque também tinha valor prático. É um pouco estranho que o tanque não tenha sido mencionado juntamente com o altar de bronze e o átrio no capítulo 27. Talvez esta passagem tenha sido deslocada de uma posição anterior no livro.
O mesmo pode ser dito a respeito da descrição do altar de incenso, que não ocupa a posição mais lógica no texto atual do livro de Êxodo.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 200-201.
No átrio do tabernáculo, havia uma bacia entre o altar de bronze e a tenda, e os sacerdotes e levitas tinham de parar lá com frequência para lavar as mãos e os pés. Se entrassem na tenda ou servissem no altar de bronze sem se lavar primeiro, corriam risco de vida.
O Senhor não especificou nem o tamanho e nem o formato da bacia, assim como suas instruções também não dizem como ela era carregada quando o povo se deslocava.
O tamanho e o formato da bacia não eram importantes; o que importava de fato era seu conteúdo. Dentro dela, havia água limpa, e a bacia era reabastecida ao longo do dia pelos levitas.
Nas Escrituras, a água de beber é uma imagem do Espírito de Deus (Jo 7:37-39), enquanto a água para lavar é uma imagem da Palavra de Deus (Sl 11 9:9; Jo 1 5:3; Ef 5:25-27). A bacia, portanto, tipificava a Palavra de Deus que purifica a mente e o coração daqueles que a recebem e obedecem (Jo 17:17). O fato de a bacia ser feita dos espelhos de bronze das mulheres israelitas (Êx 38:8) é prova de que ela tipifica a Palavra, pois a Palavra de Deus é comparada a um espelho (Tg 1:22-26; 2 Co 3:18).
De acordo com o sistema do Antigo Testamento, havia três formas de obter a purificação cerimonial: pela água, pelo fogo ou pelo sangue. Somos purificados da culpa do pecado pelo sangue que Jesus Cristo derramou por nós na cruz, e quando confessamos nosso pecado, esse sangue nos purifica (1 Jo 1:5 - 2:2). No entanto, quando desobedecemos a Deus, nosso coração e nossa mente tornam-se impuros por causa do pecado (ver Sl 51), e é a "lavagem de água pela palavra" (Ef 5:26) que nos restaura.
Contudo, os sacerdotes do Antigo Testamento tornavam-se impuros não ao pecar contra Deus, mas ao servir a Deus! Seus pés ficavam sujos quando andavam no átrio e no tabernáculo (não havia piso no tabernáculo), e suas mãos eram contaminadas ao manusear os sacrifícios e aspergir o sangue. Assim, suas mãos e pés precisavam ser lavados constantemente, e a bacia provia a água para essa purificação. Quando estava com seus discípulos no cenáculo, o Senhor lhes ensinou a mesma lição ao lavar os pés deles (Jo 13:1-1 5). Aquele que confia que Cristo salva, "já se banhou" (v. 10; 1 Co 6:9-11) e não precisa de outro banho, mas ao caminhar pela vida, nossos pés se sujam e precisam ser lavados. Não podemos ter comunhão com o Senhor se não somos purificados (Jo 13:8), e se não temos comunhão com o Senhor, não podemos desfrutar seu amor e nem fazer sua vontade. Quando confessamos nossos pecados, ele nos purifica, e quando meditamos na Palavra, o Espírito nos renova e restaura.
Em duas ocasiões, Davi orou pedindo: "Lava-me" (Sl 51:2, 7), e Deus respondeu a essa oração (2 Sm 12:13). Porém, Isaías disse aos pecadores de sua época: "Lavai-vos, purificai-vos" (Is 1:16), o que sugere que precisamos limpar nossa própria vida e jogar fora as coisas que nos tornam impuros. Era isso o que Paulo tinha em mente quando escreveu: "Purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus" (2 Co 7:1).
Para os sacerdotes, o lavar-se na bacia não era um luxo e sim uma necessidade.
Manter-se puros era uma questão de vida ou morte!
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 311-312.
III - O LUGAR DA HABITAÇÃO DE DEUS
1. O castiçal de ouro (Êx 25.31-40).
Dentro do chamado “Lugar da Habitação de Deus”, que era a parte interior da tenda do Tabernáculo, havia dois ambientes: o primeiro é o Lugar Santo, onde ficavam o castiçal de ouro, a mesa dos pães da proposição e o altar do incenso; e o segundo é o Santo dos Santos, onde estava a Arca da Aliança, única peça desse ambiente. Estima-se que o Lugar Santo media 9 metros de extensão, e o Santo dos Santos, 4,5 metros.
O castiçal de ouro (Ex 25.31-40) era o que iluminava o interior da tenda, já que não havia janelas ali. Ele era feito com puro ouro batido e seu fogo, mantido aceso com azeite. Essa peça nos fala, prioritariamente, de Cristo, que é a Luz do Mundo (Jo 8.12), e, por extensão, da Igreja, que também é simbolizada pelo castiçal de ouro (Ap 1.12,13,20). Aliás, o próprio Jesus, antes da visão de João no Apocalipse, já havia comparado a Igreja a uma lâmpada acesa e também a chamado de “luz do mundo” (Mt 5.14-16). O apóstolo Paulo reforça essa ideia em Filipenses 2.15.
O azeite, por sua vez, é símbolo do Espírito Santo. Para que o castiçal permanecesse aceso, era preciso que seu azeite fosse renovado todos os dias. Da mesma maneira, só podemos projetar a luz de Deus sobre o mundo se formos cheios do Espírito Santo; e, por consequência, só podemos projetá-la continuamente se procurarmos estar sempre cheios do Espírito. Não à toa, o imperativo “enchei-vos do Espírito”, no original grego de Efésios 5.18, subtende a necessidade de estarmos continuamente cheios do Espírito Santo, e não apenas de vez em quando.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 96-97.
O CANDELABRO
O castiçal de ouro puro vem a seguir, porque os sacerdotes de Deus têm necessidade de Luz bem como de alimento: e têm tanto uma coisa como a outra em Cristo. Neste castiçal não se faz menção de outra coisa que não seja ouro. "Tudo será de uma só peça, obra batida de ouro puro" (versículo 36). "As sete lâmpadas", as quais se "acenderão para alumiar defronte dele", exprimem a perfeição da luz e energia do Espírito, baseadas e ligadas com a eficácia perfeita da obra de Cristo. A obra do Espírito Santo nunca poderá ser separada da obra de Cristo. Isto é indicado, de um modo duplo, nesta magnífica imagem do castiçal de ouro. As sete lâmpadas estando ligadas à cana de ouro batido indicam-nos a obra cumprida por Cristo como a única base da manifestação do Espírito na Igreja. O Espírito Santo não foi dado antes de Jesus ter sido glorificado (comparem-se João 7: 39 com Atos 19:2 a 6). Em Apocalipse, capítulo 3, Cristo é apresentado à igreja de Sardes como Aquele que tem "os sete espíritos". Quando o Senhor Jesus foi exaltado à destra de Deus, então derramou o Espírito Santo sobre a Sua Igreja, a fim de que ela pudesse brilhar segundo o poder e a perfeição da sua posição no lugar santo, a sua própria esfera de ser, de ação e de culto.
Vemos, também, que uma das funções particulares de Arão consistia em acender e espevitar essas sete lâmpadas. "E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Ordena aos filhos de Israel que te tragam azeite de oliveira puro, batido, para a luminária, para acender as lâmpadas continuamente. Arão as porá em ordem perante o SENHOR continuamente, desde a tarde até à manhã, fora do véu do Testemunho, na tenda da congregação; estatuto perpétuo é pelas vossas gerações. Sobre o castiçal puro porá em ordem as lâmpadas, perante o SENHOR, continuamente" (Lv 24:1-4). Desta maneira, podemos ver como a obra do Espírito Santo na Igreja está ligada com a obra de Cristo na terra e a Sua obra no céu. "As sete lâmpadas" estavam no tabernáculo, evidentemente, mas a atividade e diligência do sacerdote eram necessárias para as manter acesas e espevitadas. O sacerdote necessitava continuamente dos "espevitadores" e dos "apagadores" para remover tudo que pudesse impedir o livre curso do "azeite batido". Esses espevitadores e apagadores eram igualmente feitos de "ouro batido" porque todas essas coisas eram o resultado imediato da operação divina. Se a Igreja brilha, é unicamente pela energia do Espírito, e esta energia está fundada em Cristo, que, em virtude do desígnio eterno de Deus, veio a ser, em Seu sacrifício e sacerdócio, o manancial e poder de todas as coisas para a Sua Igreja. Tudo é de Deus. Quer olhemos para dentro desse véu misterioso e contemplemos a arca com a sua coberta e as duas figuras significativas, ou admiremos o que está da parte de fora desse véu, a mesa pura e o castiçal puro, com os seus vasos e respectivos utensílios — tudo nos fala de Deus, quer seja revelando-Se em ligação com o Filho ou o Espírito Santo.
A chamada celestial coloca o leitor cristão no próprio centro de todas estas preciosas realidades. O seu lugar não está apenas no meio das" figuras das coisas que estão no céu", mas no meio das "próprias coisas celestiais". Tem "ousadia para entrar no santuário pelo sangue de Jesus". É sacerdote para Deus. O pão da proposição lhe pertence. O seu lugar é à mesa pura, para comer o pão sacerdotal, na luz. do Espírito Santo. Nada o poderá privar desses privilégios divinos. São seus para sempre. Esteja em guarda contra tudo que possa privá-lo do gozo deles.
Guarde-se contra toda a irritabilidade, a cobiça, de todo o sentimento e imaginações. Domine a sua natureza, lance o mundo fora de seu coração, afugente Satanás. Que o Espírito Santo encha inteiramente a sua alma de Cristo. Então será praticamente santo e sempre ditoso. Dará fruto, e o Pai celestial será glorificado, e o seu gozo será completo.
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
CANDEEIRO DE OURO
No trecho de Êxodo 25: 31-39 encontramos as orientações recebidas pelos israelitas para a fabricação esse item da tenda da congregação. Uma base suportava uma haste. Três braços curvados para cima, partiam dessa haste central; esses braços terminavam em seis receptáculos, em cada um dos quais havia uma lamparina; somando-se à lampana no alto da haste central, havia um total de sete lamparinas. O ouro foi o material usado para a construção do candeeiro. A haste central e os braços eram decorados com desenhos em alto relevo de florescências de amendoeira. As espevitadeiras para as lamparinas também eram feitas .de ouro. O trecho de Êxodo 37:17-24 adiciona uma segunda instrução concernente a essa questão, para garantir a perfeição da execução da obra. O candeeiro de ouro foi posto no Lugar Santo do tabernáculo (que vide), do outro lado da mesa dos pães da proposição. Quando o templo de Jerusalém (que vide), construído por Salomão, ficou pronto, para o mesmo foram preparados dez candeeiros de ouro, de acordo com as maiores dimensões dessa estrutura permanente. Mas, no segundo templo de Jerusalém, por razões desconhecidas, havia apenas um candeeiro. Antioco Epifânio removeu esse candeeiro de seu lugar. Quando Judas Macabeu restaurou a adoração no templo, um novo candeeiro foi provido para o mesmo. Aparentemente, o mesmo formato de candeeiro havia no templo construído por Herodes.
Simbolismo do Candeeiro de Ouro. O trecho de Apocalipse 1:12-20 exibe uma aplicação direta, ao chamar as sete igrejas de sete candeeiros. Naturalmente, em sentido primário, Cristo é o candeeiro, pois ele é a luz do mundo. E o número sete indica a perfeição de seu oficio de iluminador. VC! João 1:9. O material de que o candeeiro foi feito, o ouro, representa a preciosidade da estrutura da Igreja, bem como a divindade de Cristo (que vide). O azeite, que queimava no candeeiro, representa o Espirito Santo e seu ministério iluminador. E o Espirito Santo que nos conduz a toda a verdade (João 16:13). (NTI Z)
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 623.
CANDELABRO. A tradução da ARA para o termo hebraico mi; com pouca variação, de candeeiro, velador pedestal, o aramaico de Daniel 5.5, é traduzido do grego para “candeeiro”; a ASV e RSV trazem castiçal em sua maioria, variando às vezes com lâmpada, candeeiro, velador. Os antigos usavam lâmpadas de metal ou barro, não velas.
CANDELABRO (DE OURO) Meio de fornecimento de luz para o Tabernáculo e para o Templo.
“Castiçal” é a melhor tradução, pois os hebreus não conheciam o uso das velas da maneira que o conhecemos. Os candelabros eram, na verdade, candeeiros ou lâmpadas.
O Livro de Êxodo dá instruções sobre como confeccionar o candelabro (Êx 25.31-39): uma haste central que subia da base; três braços, que se curvavam para cima, saindo de cada lado da haste, terminando no topo em uma seqüência de recipientes, nos quais eram colocadas as lâmpadas; o material, ouro; os braços e a haste grandemente ornados com desenhos de flores de amendoeiras. E quase impossível determinar a natureza precisa dos ornamentos floridos. As “espevitadeiras e bandejas”, necessárias ao candelabro, também eram de ouro. Um modelo foi mostrado a Moisés, na montanha.
A prestação de contas sobre as instruções dadas apareceu em Êxodo 37.17-24, mediante um segundo relato de como as prescrições foram seguidas ao pé da letra.
Quando o candelabro foi terminado, ele foi colocado no Santuário do Tabernáculo, no lado sul, defronte à mesa dos pães da proposição, que ficava no lado norte. Quando o Templo de Salomão foi construído, dez candelabros de ouro foram providenciados, para harmonizarem-se com o tamanho bem maior daquela estrutura. Por razões desconhecidas, apenas um foi colocado no segundo Templo, e continuou em uso até ser removido de seu lugar por Antíoco Epifanes. Todavia, na restauração empreendida por Judas Macabeus, um novo candelabro foi feito e colocado em uso. O mesmo padrão parece ter sido observado no Templo de Herodes até Tito destruir a ele e à cidade (70 d.C.).
A simbologia do candelabro é de particular importância. A única pista segura, embora ocorra em uma passagem do NT, está em Apocalipse
1.12-20, que mostra: “os sete candeeiros são as sete igrejas”. Usar a mesma simbologia pode ter sido a intenção original do AT. O número sete apresenta ainda um problema, que pode ser resolvido se levarmos em conta que ele pode ser o número da aliança. A Igreja é composta pelo povo da aliança de Deus. O ouro representa o quanto a Igreja é preciosa aos olhos do Senhor. O azeite, como é frequente nos dois Testamentos, representaria o Espírito Santo.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag.  890-891.
2. Os pães da proposição e o altar do incenso (Êx 25.30).
O castiçal de ouro (Ex 25.31-40) era o que iluminava o interior da tenda, já que não havia janelas ali. Ele era feito com puro ouro batido e seu fogo, mantido aceso com azeite. Essa peça nos fala, prioritariamente, de Cristo, que é a Luz do Mundo (Jo 8.12), e, por extensão, da Igreja, que também é simbolizada pelo castiçal de ouro (Ap 1.12,13,20). Aliás, o próprio Jesus, antes da visão de João no Apocalipse, já havia comparado a Igreja a uma lâmpada acesa e também a chamado de “luz do mundo” (Mt 5.14-16). O apóstolo Paulo reforça essa ideia em Filipenses 2.15.
O azeite, por sua vez, é símbolo do Espírito Santo. Para que o castiçal permanecesse aceso, era preciso que seu azeite fosse renovado todos os dias. Da mesma maneira, só podemos projetar a luz de Deus sobre o mundo se formos cheios do Espírito Santo; e, por consequência, só podemos projetá-la continuamente se procurarmos estar sempre cheios do Espírito. Não à toa, o imperativo “enchei-vos do Espírito”, no original grego de Efésios 5.18, subtende a necessidade de estarmos continuamente cheios do Espírito Santo, e não apenas de vez em quando.
O altar menor, como também era chamado, era a peça que ficava mais próxima da entrada do Santo dos Santos, separando-se da Arca da Aliança apenas pelo véu de entrada para esse último ambiente. O incenso deveria ser queimado diariamente (Ex 30.7). Deus costumava se manifestar àqueles que lhe ofereciam incenso nesse altar de ouro, como aconteceu com Zacarias, pai de João Batista, que recebeu do anjo Gabriel, mensageiro de Deus manifestado diante desse altar, o anúncio divino da concepção do seu filho João no ventre de Isabel, sua esposa, e da importantíssima missão que seu filho teria (Lc 1.8-17). O incenso simboliza a adoração, o louvor e a oração, como podemos ver claramente em Salmos 141.2 e Apocalipse 5.8 e 8.3,4.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 96-98.
A MESA DO PÃO DA PROPOSIÇÃO
Moisés recebe em seguida instruções quanto "à mesa dos pães da proposição", ou pães de apresentação. Sobre esta mesa estava disposto o alimento dos sacerdotes de Deus. Durante sete dias os doze pães de "flor de farinha com incenso" estavam dispostos na presença do Senhor, depois do que, sendo substituídos por outros, eram o alimento dos sacerdotes, que comiam deles no lugar santo (veja-se Lv 24:5-9).
Escusado será dizer que esses doze pães simbolizam "o homem Cristo Jesus". A "fiorde farinha" da qual eram compostos, mostra a Sua perfeita humanidade, enquanto que "o incenso" indica a inteira consagração dessa humanidade a Deus. Se Deus tem os Seus sacerdotes ministrando no lugar santo, terá certamente uma mesa para eles, e uma mesa bem fornecida também. Cristo é a mesa e o pão sobre ela. A mesa pura e os doze pães mostram Cristo, presente incessantemente diante de Deus em toda a excelência da Sua imaculada humanidade e como alimento para a família sacerdotal. Os "sete dias" mostram a perfeição do gozo divino em Cristo; e os "doze pães" exprimem este gozo no homem e pelo homem. É possível que exista também a ideia de ligação de Cristo com as doze tribos de Israel e os doze apóstolos do Cordeiro.
PROPICIATÓRIO
Segue-se por sua ordem o propiciatório. Também farás um propiciatório de ouro puro; o seu cumprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura, de um côvado e meio.
Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim na extremidade de uma parte e o outro querubim na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório farás os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com as suas asas o propiciatório; as faces deles, uma defronte da outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório. E porás o propiciatório em cima da arca, depois que houveres posto na arca o Testemunho, que eu te darei. E ali virei a ti e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do Testemunho), tudo que eu te ordenar para os filhos de Israel (versículos 17 a 22).
Jeová declara aqui o Seu desígnio misericordioso de descer do monte ardente para tomar o Seu lugar sobre o propiciatório. Podia fazer isto, visto que a tábuas da lei estavam guardadas intactas na arca, e os símbolos do Seu poder, tanto na criação como na providência, se elevavam à direita e à esquerda como acessórios inseparáveis deste trono em que o Senhor Se havia assentado — um trono de graça fundado na justiça e sustido pela justiça e o juízo. Ali brilha a glória do Deus de Israel. Dali emanavam os Seus mandamentos suavizados e tornados agradáveis pela origem graciosa de onde saíam à semelhança do sol do meio-dia, cujos raios ao passarem através de uma nuvem vivificam e fecundam sem que o seu resplendor nos cegue.
"Os seus mandamentos não são pesados" quando recebidos do propiciatório, porque estão ligados com a graça que dá ouvidos para ouvir e o poder para obedecer.
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
Êx 25.30 Os pães da proposição. Os pães da proposição eram doze, e não levavam fermento em sua fórmula (0 que é confirmado por Josefo, em Antiq. 3.6.6). Os pães eram exibidos sobre a mesa existente no Lugar Santo, um sobre outro, formando duas pilhas de seis pães em cada pilha. Esses pães simbolizavam as doze tribos de Israel (Lev. 24,8). Também representavam a unidade nacional (I Reis 18.31,32).
O uso original desses pães, no mundo pagão, era 0 oferecimento de alimentos aos deuses. Em Israel, fazia-se uma oferenda a Yahweh, em reconhecimento que Dele procede toda provisão, pelo que essa oferenda falava de gratidão pelas provisões divinas.
Tipo; O Pão da Vida. Cristo é Aquele que nutre a vida do crente como um crente- sacerdote (I Ped. 2.9; Apo. 1.5,6). O maná era símbolo do pão da vida (João 6.33-58). Jesus é a espiga de trigo (João 12.24), moído no moinho do sofrimento (João 12.27). Apresentei um bem detalhado artigo na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia intitulado Pão da Vida, Jesus Como.
Ό ato de comer os pães, por parte dos sacerdotes (Lev. 24.9), demonstrava que a comunhão espiritual sustenta a vida espiritual (John D. Hannah, in Ioc).
Ό pão sagrado (I Sam. 21.4,6) era exposto diante de Deus como uma oferenda sacrificial (Núm. 4.7; Lev. 24.5-9; I Cro. 9.32; Mat. 12.4)” (Oxford Annotated Bible, in Ioc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 419-420.
Ê 25 30. Os pães da proposição. O uso característico da mesa era exibir o pão “colocado perante Deus”, como esta frase poderia ser parafraseada.
Doze bolos achatados (como grandes bolachas), dispostos em duas fileiras (Lv 24:6), eram ali colocados, frescos, a cada manhã, e removidos a cada anoitecer, para serem comidos apenas pelos sacerdotes, em circunstâncias normais (1 Sm 21:6). O simbolismo não é explicado: talvez fosse um reconhecimento agradecido de que o pão cotidiano das doze tribos vinha de Deus. Certamente parece haver alguma ligação com a origem da famosa frase na oração do Senhor (Lc 11:3).
Felizmente possuímos, no Arco de Tito, uma representação esculpida desta mesa (bem como do candelabro de ouro). O modelo da escultura é o existente no Templo de Herodes, mas, a julgar pela descrição feita em Êxodo, este devia seguir bem de perto o modelo original. Sobre a mesa ainda havia alguns dos cálices de ouro usados para o incenso ou para libações derramadas ao pé do altar (v. 29), ao passo que de encontro a ela estão encostadas algumas trombetas sacerdotais. Os termos técnicos usados em Êxodo para descrever a construção da mesa são relativamente incertos devido à sua raridade. A mesa parece ter possuído escoras para apoio e pés em forma de garra, como algumas mesas modernas, a julgar pelo Arco de Tito.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 186.
Sobre a mesa na presença de Deus devia ficar continuamente o pão da proposição (30). Eram os “pães da Presença” (NVT). Não eram alimentos para Deus, mas símbolos do pão espiritual pelo qual Israel seria alimentado. Por sua qualidade, os pães lembravam que os israelitas dependiam de Deus para satisfação das necessidades cotidianas. Havia 12 pães, representando todas as tribos. Os pães tinham de ser substituídos todos os sábados (Lv 24.5,8). O pão da proposição também significava a comunhão ininterrupta do povo de Deus com Ele. O pão indicava Cristo, o Pão Vivo (Jo 6.35).
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 209.
O ALTAR DE INCENSO NÃO MENCIONADO
Deparamos agora com o altar de cobre que estava à porta do tabernáculo, e quero chamar a atenção do leitor para a ordem seguida pelo Espírito Santo nesta parte do livro. Já fizemos notar que a passagem compreendida entre o capítulo 25 e o versículo 19 do capítulo 27 forma uma parte distinta, que nos dá uma descrição da arca e do propiciatório, da mesa e do castiçal, das cortinas e do véu, e, por fim, do altar de cobre e do pátio em que estava esse altar colocado. Lendo os versículos 15 do capítulo 35, 25 do capítulo 37 e 26 do capítulo 40, vemos que o altar do incenso está mencionado entre o castiçal e o altar de cobre. Ao passo que, quando o Senhor dá instruções a Moisés, o altar de cobre é introduzido imediatamente depois do castiçal e das cortinas do tabernáculo. Ora, visto que deve haver uma razão divina para esta diferença, é privilégio de todo o estudioso inteligente e aplicado da Palavra de Deus indagar qual era essa razão.
Qual é a razão, portanto, por que o Senhor, quando dá instrução quanto aos adornos do "santuário", omite o altar de incenso e passa ao altar de cobre que estava à porta do tabernáculo*?- A razão, presumo, é simplesmente esta: descreve primeiro a maneira em que há de manifestar-Se ao homem, e depois indica a forma de o homem se aproximar de Si. Tomou o Seu lugar no trono; como o "Senhor de toda a terra" (Js 3:11 e 13): os raios da Sua glória estavam ocultos atrás do véu—figura da carne de Cristo (Hb 10:20); porém, fora do véu, estava a manifestação de Si Mesmo, em ligação com o homem, na "mesa pura", e, pela luz e poder do Espírito Santo, representados no castiçal. Depois vem o caráter de Cristo como homem aqui na terra, representado nas cortinas e nas cobertas do tabernáculo. E finalmente temos o altar de cobre como a grande exibição do lugar de encontro entre o Deus santo e o pecador. Isto leva-nos, com efeito, à extremidade, de onde voltamos na companhia de Arão e seus filhos, ao santuário, o lugar normal dos sacerdotes, onde estava o altar do incenso. Desta forma a ordem é notavelmente formosa. Do altar de ouro, não se faz menção antes que haja sacerdote para queimar incenso sobre ele, porque o Senhor mostrou a Moisés o modelo das coisas nos céus segundo a ordem em que estas coisas devem ser atendidas pela fé. Por outra parte, quando Moisés dá instruções às consagrações (capítulo 35), quando dá conta dos trabalhos de Bezaleel e Aoliabe (capítulos 37 e 38), e quando levanta o tabernáculo (capítulo 40), segue simplesmente a ordem em que os utensílios estavam colocados.
O ALTAR DE COBRE
O prosseguimento deste estudo tão interessante, e o confronto das passagens acima mencionadas, recompensarão amplamente o leitor. Passemos agora ao altar de cobre.
Este altar era o lugar onde o pecador se aproximava de Deus, pelo poder e em virtude do sangue da expiação. Estava colocado à porta do tabernáculo da "tenda da congregação", e sobre ele era derramado todo o sangue dos sacrifícios. Era construído de "madeira de cetim e cobre". A madeira era a mesma do altar de ouro do incenso, mas o metal era diferente, e a razão desta diferença é obvia. O altar de bronze era o lugar onde o pecado era tratado segundo o juízo divino. O altar de ouro era o lugar onde o perfume precioso da aceitabilidade de Cristo subia para o trono de Deus. A "madeira de cetim", como figura da humanidade de Cristo, era a mesma num caso e no outro; porém no altar de cobre vemos Cristo sob o fogo da justiça divina; no altar de ouro vemos como Ele satisfaz os afetos divinos. No primeiro, o fogo da ira divina foi apagado, no último, o fogo do culto sacerdotal é aceso. A alma deleita-se de encontrar Cristo tanto num como no outro; porém o altar de cobre é o único que responde às necessidades de uma consciência culpada, como a primeira coisa para um pobre pecador desamparado, necessitado e convicto. Não é possível haver paz sólida, quanto à questão do pecado, enquanto o olhar da fé não descansar em Cristo como o antítipo do altar de cobre. É necessário que eu veja o meu pecado reduzido a cinzas na fornalha desse altar, antes de poder gozar de paz de consciência na presença de Deus. É quando sei, pela fé no testemunho de Deus, que Ele Próprio tratou do meu pecado na Pessoa de Cristo, no altar de cobre—que deu satisfação a todas as Suas justas exigências —, que tirou o meu pecado da Sua santa presença, de modo que nunca mais pode voltar, que posso gozar paz divina e eterna — e não antes.
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
ÊX 30.1 O ALTAR DE INCENSO. Seus materiais de construções, dimensões, provisões para transporte e significados são comentados no artigo, permitindo um trata- mento mais abreviado aqui. O leitor perceberá que as descrições do presente texto são semelhantes às de 25.1-30, onde anotações detalhadas são ofereci- das.
O Altar de Incenso era um móvel como todos os outros itens do Tabernáculo; era feito dos mesmos materiais do Altar de Bronze, mas recebeu uma camada superior diferente. Era comparativamente pequeno, sendo 1 1/2 pés quadrados (= 45 cms.) e somente 3 pés de altura (= 90 cms.). Tinha chifres como o Grande Altar e podia ser facilmente transportado, sendo que tinha argolas de ouro para receber varas de transporte. Israel, marchando através do deserto, levava o Tabernáculo e todos os seus móveis, de lugar em lugar. O modus operando da construção do Tabernáculo e de suas peças permitia um transporte fácil, que falava de impermanência.
Tipologia. “O Altar de Incenso era um tipo de Cristo, nosso intercessor (João 17.17- 26; Heb. 7.25); através dele nossas orações ascendem a Deus (Heb. 13.15; Apo. 8.3,4). O Altar simboliza nossos sacrifícios, louvores e adoração (Heb. 13.15)” (Scofieid Reference Bible, in loc.).
Êx 30.2 Dimensões. Tinha aproximadamente meio metro de lado e um de altura, com pontas em forma de chifres nos quatro cantos. Os chifres foram esculpidos nos cantos do altar, não sendo peças separadas embutidas, seguindo o mesmo modo de construção do Grande Altar (ver 27.2). Os chifres foram tipos de pináculos que se elevavam dos cantos, apontando para o céu. Foram itens decorativos e simbólicos. A oração sobe para o céu com a fumaça do incenso. Côvado. Aproximadamente 18 polegadas (= 45 cm).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 439.
30:1-10. O ALTAR DE INCENSO.
1. Um altar para queimares nele o incenso. Este altar era de um tipo e tamanho bem conhecidos no mundo antigo. Tinha o formato de uma pequena pilastra truncada, com pequeninos chifres nos quatro cantos. Como os outros objetos no Tabernáculo, era feito de madeira de acácia, revestido de ouro, e possuia argolas laterais através das quais varais podiam ser colocados para seu transporte (v. 4).
6. O altar de incenso ficava no “ lugar santo” , dentro do Tabernáculo, em frente ao véu que delimitava o Santo dos Santos (Hb 9:4 localiza o altar de incenso atrás do véu, junto à Arca, mas isso é pouco provável). Por outro lado, o altar do sacrifício precisava, por natureza, ficar ao ar livre, no meio do átrio. Por ficar distante da presença imediata de Deus, podia ser revestido de bronze (27:2).
7. Arão queimará sobre ele o incenso aromático. Duas vezes por dia o incenso deveria ser oferecido pelo sacerdote sobre este altar em miniatura, quando viesse verificar o pavio e o azeite das lâmpadas. A composição especial do incenso sagrado (proibida a outras) será descrita nos versículos 34-38. É claro que, como demonstrado em Números 16:17, o incenso poderia ser oferecido à parte de qualquer altar, sendo queimado nos incensários; este altar específico, todavia, só poderia ser usado para o incenso. Em vista de sua posição dentro do Tabernáculo, e não ao ar livre, tal provisão era bastante inteligente.
10. Uma vez no ano Arão fará expiação sobre os chifres do altar.
Cf. 29:36 quanto à expiação pelo altar. Este versículo é extremamente importante, pois se refere sem maiores explicações ao ritual do Dia da Expiação, mencionado fora daqui apenas em Levítico (23:27), e frequentemente considerado, portanto, uma inovação bem mais recente.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 199.
O ALTAR DE INCENSO (30.1-10). Não é fácil inferir a razão para que a análise dos assuntos tratados neste capítulo esteja neste ponto do relato mosaico. Ou Moisés descreve o que foi omitido nos capítulos anteriores ou Deus o dirigiu a colocar a matéria bíblica nesta ordem. Não há que duvidar que as instruções para o Tabernáculo estariam incompletas sem estas orientações.
O altar para queimar o incenso (1) tinha formato similar ao altar de bronze, exceto que era menor (ver Diagrama A). Media 45 centímetros quadrados por 90 centímetros de altura (2). A madeira de cetim (acácia) era revestida com puro ouro (3), e todas suas partes, inclusive a coroa de ouro, que provavelmente era uma beirada semelhante à da mesa da proposição, também eram revestidas de ouro. Seu transporte se dava como a outra mobília por meio de varais enfiados em argolas de ouro (4,5).
Este altar de ouro ficava diante do propiciatório, perto da arca, mas à frente do véu (6). Tinha necessariamente de estar no Lugar Santo, visto que o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo somente uma vez por ano e o incenso devia ser queimado diariamente (7). Sua localização perto do Lugar Santíssimo é responsável por ter sido listado em Hebreus 9.4 como peça que ficava dentro do véu. Era neste altar que Deus se encontrava particularmente com a pessoa que, dia a dia, oferecia o incenso.
A queima do incenso, cuja composição é descrita nos versículos 34 a 38, ocorria pela manhã (7), quando as lâmpadas eram acesas, e novamente à tarde (8). A ideia de incenso contínuo diz respeito à sua permanência diária e não à manutenção de fogo dia e noite. O altar de ouro era para uso exclusivo da combustão do incenso apropriado (91 incenso estranho seria uma oferta diferente do tipo designado (ver 34-38). Este altar não devia ser usado para fazer holocaustos, ofertas (“de cereal”, NVI) ou libações; estas oblações eram oferecidas somente no altar de bronze.
Contudo, uma vez no ano, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote colocava sangue nas pontas do altar de ouro para fazer expiação pelo altar (10). Até o altar de incenso precisava de expiação por causa dos pecados deliberados ou erros inconscientes dos homens.
O significado espiritual deste altar não deixa dúvidas. O incenso representava as orações dos santos (Ap 8.3). A expiação no altar de bronze reconciliava os adoradores com Deus, ao passo que o incenso de cheiro suave completava o procedimento com comunhão. “Sob este aspecto, a oferta de incenso não era só uma espiritualização e transfiguração do holocausto, mas uma completude dessa oferta.”39 Para os cristãos, esta oferta de oração é ininterrupta no sentido de constante atitude de oração e também nos períodos habituais de meditação e intercessão.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 220.
3 - O Santo dos Santos e a arca da aliança (Êx 25.10-22).
Finalmente, no Santo dos Santos, chamado também de Lugar Santíssimo, estava a Arca da Aliança (Ex 25.10-22), a peça mais importante de todo o Tabernáculo. No Santos dos Santos, só o sumo sacerdote poderia entrar, e apenas uma vez ao ano (Hb 9.7), para aspergir sobre o propiciatório — isto é, a tampa da Arca — o sangue que havia sido derramado do sacrifício anual feito para expiação dos pecados de todo o povo (Lv 16.14,15; 17.11). Hoje, tal expiação não é mais necessária, porque Jesus, o nosso Sumo Sacerdote por excelência, já entrou na presença do Pai oferecendo o seu próprio sangue como propiciação definitiva pelos nossos pecados (Rm 3.24,25; Hb 9.11-15; 10.10,12), de maneira que todos quantos o recebem como único e suficiente Salvador e Senhor, aceitando seu sacrifício em nosso favor e entregando suas vidas totalmente a Ele, têm livre acesso à presença de Deus (Hb 10.19-23).
A Arca da Aliança representava a própria presença de Deus entre o povo, de maneira que os israelitas, em determinado momento de sua história, chegaram até mesmo a usá-la como se fosse um amuleto, no episódio em que ela foi levada pelos filisteus após uma batalha em que Israel, por causa dos seus pecados, teve que fugir de diante de seus inimigos (1 Sm 4.1-22).
A Arca era chamada de “Arca do Testemunho” (Ex 25.22), “Arca do Concerto do Senhor” (Dt 10.8), “Arca de Deus” (1 Sm 3.3) e “Arca do Senhor” (1 Sm 4.6). Sua designação “Arca do Testemunho” se devia ao fato de que carregava “O Testemunho” (Ex 25.16), que era o nome dado às duas tábuas de pedra contendo o Decálogo, isto é, os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus (Êx 31.18). À luz do uso que Jesus faz da expressão “dedo de Deus” em Lucas 11.20, entendemos que ela não significa necessariamente que Deus se manifestou em forma de uma mão de homem, como ocorreu na Babilônia nos dias de Daniel (Dn 5.5), para escrever, nesse caso, fisicamente nas tábuas de pedra, mas, sim, que uma ação sobrenatural de Deus fez gravar diretamente nas pedras, aos olhos de Moisés, as suas Palavras. Ou seja, de qualquer forma, foi uma ação sobrenatural de Deus. O texto bíblico é bem claro em afirmar que as inscrições nas tábuas eram uma obra direta do próprio Deus — tanto nas primeiras tábuas (Êx 32.16) quanto nas segundas (Êx 34.1,4).
Deus mencionou essas tábuas a Moisés logo quando ordenou a ele para que subisse ao monte (Êx 24.12) e avisou em seguida que seu lugar seria dentro da Arca (Êx 25.16). Moisés quebrou essas tábuas em sua ira diante da apostasia do povo (Êx 32.19), mas Deus fez outras tábuas (Êx 34.1,4), que foram colocadas devidamente na Arca (Êx 40.20), como havia sido ordenado. Posteriormente, além das Tábuas da Lei, a Arca abrigou um pote de ouro contendo uma amostra de 3,6 litros (“um ômer”) do maná que Deus enviara ao seu povo no deserto diariamente, e que fala da provisão divina (Êx 16.32,33; Hb 9.4), e também a vara de Arão, que fala de autoridade, chamada e confirmação — a Bíblia diz que Deus fez com que essa vara miraculosamente florescesse para confirmar diante do povo a chamada de Arão para ser o sumo sacerdote (Nm 17.7-11; Hb 9.4). A mensagem é clara: na presença de Deus, há provisão, chamado, confirmação e autoridade.
A Arca da Aliança só podia ser carregada pelos sacerdotes (Nm 9.15- 17; 2 Sm 6.1-15), que a carregavam nos ombros, assim como faziam com todas as peças do santuário (Nm 7.9). A tampa da Arca — o propiciatório — era feita de ouro puro (Êx 25.17) e suas dimensões em extensão eram as mesmas da Arca. O propiciatório recebia esse nome porque “era o lugar da expiação, onde estava simbolizada a misericórdia”.
Como já dissemos, somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos e uma vez por ano, mas houve, durante um período de cerca de quarenta anos, uma exceção: Moisés. Ao contrário do sumo sacerdote, Moisés entrava no Lugar Santíssimo constantemente, já que, em Êxodo 25.22, encontramos Deus dizendo-lhe que, logo que o Tabernáculo estivesse pronto, passaria a conversar com Moisés dentro do Santo dos Santos, onde Ele se manifestaria em cima do propiciatório.
Dois querubins de ouro ficavam em ambas as extremidades do propiciatório (Ex 25.18). Como lembra Stamps, “eles representavam serei celestiais que assistem junto ao trono de Deus no céu (Hb 8.5; Ap 4.6,8). Simbolizavam presença de Deus e a sua soberania entre o seu povo na Terra (1 Sm 4.4; 2 Sm 6.2; 2 Rs 19.15)”.12
Não por acaso, o propiciatório, a beira de ouro ao redor da Arca, os querubins e as argolas para ajudar a levá-la eram de ouro maciço, para simbolizar a pureza e a preciosidade da presença de Deus. O restante da Arca, inclusive as varas para carregá-la, era coberto de ouro (Êx 25.11-13). Ela era coberta de ouro por dentro e por fora.
Outro detalhe é que assim como na parte mais importante do Tabernáculo — a Arca da Aliança —, estavam colocadas as Tábuas da Lei, contendo os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus, da mesma maneira o Senhor deseja que no fundo do nosso ser, no recôndito da nossa alma, nas tábuas do âmago do nosso coração, estejam gravados os seus mandamentos (SI 119.11; 2 Co 3.3) e a sua presença possa se manifestar diariamente (2 Co 4.16).
Nem o Tabernáculo nem o Templo, o seu substituto, existem mais, porém a Bíblia diz que, desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo, passamos a ser templos do Espírito Santo — tabernáculos, por assim dizer, ambulantes do Senhor sobre a Terra (1 Co 6.19,20), peregrinando no deserto desta vida aguardando o dia em que seremos transportados para a Pátria Celestial.
O véu do Templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51) e hoje temos livre acesso à presença de Deus, que passou a habitar o nosso ser, desde o dia em que aceitamos a Cristo, pela ação inconfundível do Espírito Santo em nossa vida (Jo 14.17). Portanto, que onde estejamos, carreguemos e manifestemos a glória de Deus em nossa vida; e para que isso se torne uma realidade, que os seus mandamentos estejam sempre gravados no fundo do nosso ser. Amém.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 98-101.
SANTO DOS SANTOS
Ver Lugar Mais Santo. Ver os artigos gerais sobre o Tabernáculo e o Templo. O Santo dos Santos (em hebraico, Kodesh ha Kodashim) era a porção mais sagrada do tabernáculo e do templo. No tabernáculo, simplesmente fazia parte dele, como uma repartição separada por cortinas.
No templo de Jerusalém, porém, era uma construção mais substancial. Era ali que o sumo sacerdote realizava os ritos do dia da Expiação (ver a respeito). Só se podia chegar ao Santo dos Santos passando-se primeiro pelo Lugar Santo, atravessando a divisória de cortinas. Contudo, só o sumo sacerdote tinha o direito de fazê-lo, e isso somente uma vez por ano. Isso representava o fato de que o acesso até Deus se fazia somente por fases. De acordo com a economia do Novo Testamento, o próprio crente toma-se o templo e o Santo dos Santos onde reside continuamente o Espírito (I Cor. 3:16 e ss.). A visita do sumo sacerdote ao Santo dos Santos fazia-se apenas uma vez por ano, um violento contraste com a contínua presença habitadora do Espírito no crente. Aparentemente, o Santo dos Santos era mantido completamente às escuras (I Reis 8:12), o que servia para envolver o lugar em um mistério ainda maior, onde se esperava sentir a assombrosa presença de Deus. Seus móveis consistiam na arca da aliança, sombreada pelos querubins por cima do propiciatório, que, na verdade, era uma espécie de tampa sólida da arca da aliança.
O trecho de Heb. 9:4 diz que o Santo dos Santos tinha, como um dos seus itens, o incensário de ouro, o que não é historicamente verdadeiro, até onde sabemos, no tocante a nenhuma das épocas da história de Israel. Alguns intérpretes supõem que o autor sagrado se tenha equivocado; mas outros acreditam que a palavra "tinha" significa "pertencente a", embora sem deixar entendido que esse objeto ficava dentro do ambiente fechado do Santo dos Santos. Na verdade, não há nenhuma boa maneira de solucionar o problema, nem é importante resolvê-lo.
No tabemáculo original, o Santo dos Santos se localizava no fim do ambiente fechado, penetrando na área do Lugar Santo. Cinco colunas formavam a entrada e, perante elas, ficava o véu. O santuário mais interno, o Santo dos Santos, tinha cerca de 18m de lado; era quadrado. Continha somente a arca da aliança, a tampa (que era chamada de propiciatório) sobre a qual eram feitas as ofertas do dia da Expiação. A própria arca continha os itens mencionados e descritos em Heb. 9:4. Esse lugar simbolizava o acesso final a Deus. No Novo Testamento, Cristo substituiu esse lugar. Afinal, o acesso é espiritual, e não local. Quando feitos filhos de Deus, moldados segundo a imagem do Filho, nós mesmos somos transformados e adquirimos acesso a Deus, na qualidade de filhos. As passagens de Heb. 4: 14; 6: 20; 9:8 e 10:9 descrevem o acesso espiritual de que desfrutamos. O Santo dos Santos representava a salvação final que nos é oferecida, vinculada à ideia de acesso a Deus.
As dimensões exatas do Santo dos Santos, no templo de Salomão, aparecem em I Reis 6.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 87-88.
A ARCA E SEU CONTEÚDO
A arca do concerto ocupa o primeiro lugar nas comunicações divinas feitas a Moisés. A sua posição no tabernáculo era, também, notável. Encerrada dentro do véu, no lugar santíssimo, formava a base do trono de Jeová. O seu próprio nome apresentava à alma a sua importância. Uma arca, tanto quanto podemos compreender o significado da palavra, é destinada a guardar intacto o que é posto dentro dela. Foi numa arca que Noé e sua família, com todas as espécies de animais da criação, foram transportados com segurança sobre as ondas do juízo que cobriu a terra. Uma arca, como lemos no princípio deste livro, foi o vaso da fé para preservar um menino formoso das águas da morte. Quando, portanto, lemos da "arca do concerto" somos levados a crer que era destinada por Deus aguardar intacto o Seu concerto, no meio de um povo dado ao erro. Nesta arca, como sabemos, foram depositadas as segundas tábuas da lei. Quanto às primeiras foram quebradas ao pé do monte, mostrando que o concerto do homem era de todo abolido—que o seu trabalho nunca poderia, de qualquer modo, formar a base do trono de governo de Jeová. "Ajustiça e o juízo são a habitação desse trono", quer seja no seu aspecto terrestre, quer no celestial. A arca não podia conter as tábuas quebradas dentro do seu interior sagrado. O homem podia falhar no cumprimento dos votos que havia feito voluntariamente; porém a lei de Deus tem de ser conservada em toda a sua integridade divina e perfeição. Se Deus estabelecia o Seu trono no meio do Seu povo, só o podia fazer de uma maneira digna de Si. O princípio do Seu juízo e governo deve ser perfeito.
"E farás varas de madeira de cetim, e as cobrirás com ouro. E meterás as varas nas argolas, aos lados da arca, para se levar com elas a arca" (versículos 13e 14). A arca do concerto devia acompanhar o povo em todas as suas peregrinações. Nunca se deteve enquanto eles se mantiveram como um exército em viagem ou no conflito: foi adiante deles até ao meio do Jordão; foi o seu ponto de reunião em todas as guerras de Canaã; era a garantia segura e certa do poder para onde quer que ia. Nenhum poder do inimigo podia subsistir diante daquilo que era a expressão bem conhecida da presença e poder de Deus. A arca devia ser a companheira inseparável de Israel no deserto; e as "varas" e as "argolas" eram a expressão exata do seu caráter ambulante.
A Arca no Templo
Contudo, a arca não deveria viajar sempre. As "aflições" de Davi (Sl 132:1) bem como as guerras de Israel deviam ter um fim. A oração, "Levanta-te, Senhor, no teu repouso, tu e a arca da tua força" (SI 132:8) devia ainda de ser feita e atendida. Esta petição sublime teve o seu cumprimento parcial nos dias auspiciosos de Salomão, quando "os sacerdotes trouxeram a arca do concerto do SENHOR ao seu lugar, ao oráculo da casa, ao lugar santíssimo, até debaixo das asas dos querubins. Porque os querubins estendiam ambas as asas sobre o lugar da arca e cobriam a arca e os seus varais por cima. E os varais sobressaíram tanto que as pontas dos varais se viam desde o santuário diante do oráculo, porém de fora não se viam; e ficaram ali até ao dia de hoje' (1 Rs 8:6 - 8). A areia do deserto devia ser trocada pelo piso de ouro do templo (1 Rs 6:30). As peregrinações da arca haviam chegado ao seu termo: "adversário não havia, nem algum mau encontro", e, portanto, fizeram sobressair os varais.
Esta não era a única diferença entre a arca no tabernáculo e no templo. O apóstolo, falando da arca na sua habitação do deserto, descreve-a como "a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor, em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas do concerto" (Hb 9:4). Estes eram os objetos que a arca continha durante as suas jornadas no deserto—o vaso de maná era o memorial da fidelidade do Senhor em prover a todas as necessidades dos Seus remidos através do deserto, e a vara de Aarão era "um sinal para os filhos rebeldes" para acabar com "as suas murmurações" (Compare-se Ex 16:32 - 34 e Nm 17:10). Porém, quando chegou o momento em que "os varais" deviam ser retirados, logo que as peregrinações e as guerras de Israel terminaram, quando "a casa magnífica em excelência" (1 Cr 22:5) foi terminada, quando o sol da glória de Israel havia chegado, em figura, ao zénite com o esplendor e a magnificência do reino de Salomão, então os memoriais das necessidades e faltas do deserto desapareceram, e nada ficou senão aquilo que constituía o fundamento eterno do trono do Deus de Israel e de toda a terra. "Aia arca, nada havia, senão só as duas tábuas de pedra que Moisés ali pusera junto a Horebe" (I Rs 8:9).
Mas toda esta glória devia ser obscurecida pelas nuvens carregadas do fracasso humano e o descontentamento de Deus. Os pés devastadores dos incircuncisos haviam ainda de atravessar as ruínas dessa magnífica casa, e o desaparecimento do seu brilho e da sua glória devia provocar o assobio dos estranhos (1 Reis 9:8). Este não é o momento de continuar em pormenor este assunto; limitar-me-ei a referir ao leitor a última menção que a Palavra de Deus faz da " arca do concerto" —uma passagem que nos transporta a uma época em que a loucura humana e o pecado não perturbarão mais o lugar de repouso da arca, e em que a arca não será guardada num tabernáculo de cortinas nem tampouco num templo feito por mãos. "E tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam-. Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seu rosto e adoraram a Deus, dizendo: Graças te damos, Senhor, Deus Todo-poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder e reinaste. E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra. E abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca do seu concerto foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos, e grande saraiva" (Ap 11.15 -19).
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
ARCA DA ALIANÇA
A arca sagrada tida como lugar da manifestação de Yahweh. Era chamada arca da aliança servindo de símbolo visível da presença de Yahweh. O vocábulo hebraico traduzido em português por arca. significava apenas caixa ou cofre. Era transportada pelos sacerdotes em expedições militares, pois julgava-se que ela era motivo de proteção para os israelitas (Núm. 10:33; Deu. 1:33). Essa caixa era feita de madeira de acácia, de forma retangular, com cerca de 1,10 m de comprimento por cerca de 0,70 m de largura e de altura (Exo. 25:10· ver especificações e descrições da arca, nesse capitulo). Era forrada de ouro por dentro e por fora, com uma beirada de ouro•.
Tinha quatro pés, cada qual com uma argola de ouro. (vs. 12), onde eram permanentemente inseridas vara de madeira de acácia recobertas de ouro (vs. 13-15).
Vários povos da antiguidade tiveram caixas sagradas, onde eram guardados os ídolos, símbolos dos ídolos ou outras relíquias sagradas. Naturalmente, várias nações circunvizinhas consideravam a arca como o deus de Israel, ou associada a alguma forma de idolatria física (I Sam, 4:6,7). A arca foi capturada pelos filisteus na segunda batalha de Ebenezer, o que só trouxe infortúnios para eles, de tal modo que a devolveram aos israelitas (ver I Sam. 4-6). Ficou em Quiriate-Jearim até que Davi a instalou no novo santuário de Jerusalém. Subsequentemente, foi transferida para o templo de Salomão e colocada no Santo dos Santos (ver 11 Sam, 6 e I Reis 8:1-11). Nela estavam guardadas as duas tábuas de pedra, onde haviam sido escritos os dez mandamentos, as condições do pacto divino. Dai deriva-se o nome dessa caixa: arca da aliança. Os outros objetos guardados na arca, como o vaso de ouro com maná e a vara de Aarão, que florescera (ver Heb, 9 4), talvez pertencessem a uma outra época, tendo-se perdido ou perecido de alguma outra maneira, antes da construção do templo de Salomão. O trecho de I Reis 8:9 declara que só as tábuas do decálogo eram guardadas na arca.
A tampa da arca era o propiciatório, lugar onde era aspergido o sangue no Dia da Expiação (ver Êxo, 25:17 e 26:34), uma das mais importantes instituições de Israel. A arca, nesse período de sua história, era vista somente pelo sumo sacerdote, e somente uma vez por ano. Sobre o propiciatório havia os querubins, um em cada extremidade. Em certo sentido, ali ficava o trono místico de Yahweh.
O que sucedeu mais tarde à arca, não se sabe. A tradição afirma que não havia arca no segundo templo (Menahot 27b; Josefo, Guerras, V.5). No judaísmo há «arcas" que são caixas onde são guardados os rolos da Torah, ou lei. Seja como for, Jeremias predisse que chegariam dias quando não mais se buscaria a arca (Ier. 3:16), porquanto Jerusalém inteira tornar-se-ia o trono de Yahweh.
SIMBOLOS ESPIRITUAIS ENVOLVIDOS NA ARCA:
1. Era sinal do pacto entre Deus e os homens, ratificado pela lei e inaugurado pelo sacrifício expiatório (Lev. 16:2). Em termos cristãos. Representa Cristo, o nosso sacrifício (João 1:29; Heb. 9:24). Há um novo pacto, ou novo testamento (Heb, 7:22 e 9:15).
2. Representava a presença e proteção de Deus (Jos, 3:3; 4.10). Em termos cristãos, isso se concretiza em nosso favor através da missão de Cristo. A providência divina nos é estendida em Cristo (Efé. 1:7).
3. As teofanias, Deus pode aparecer e realmente aparece ao homem, comunicando-se com ele (ver o artigo sobre o misticismo). Jeremias percebeu isso quando viu que Jerusalém inteira tornar-se-ia o lugar da manifestação de Deus, mostrando a descontinuação da arca material. Agora Cristo é a teofania de Deus ( João 1:14). Em Cristo há revelação, porque nEle Deus comunica-se com os homens. No contexto do Antigo Testamento, ver Êxo, 24:22 e Núm. 7:89.
No contexto do Novo Testamento, ver João 1:18. O fato de que Deus se revela, prova a verdade que há no teísmo (ver o artigo), isto é, que Deus criou, comunica-se, intervém e está interessado em Sua criação. Isso contrasta com o deísmo (ver o artigo), ou seja, que há um Deus ou uma força cósmica criativa, mas que teria abandonado a criação, deixando-a, ao encargo das leis naturais. (E FA UN WOU Z)
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 257-258.
I. Nome
O substantivo hebraico inx é usado 195 vezes no AT para Arca da Aliança.
A. Arca. Por si só, ins significa caixa ou arca; e.g., um cofie (2Rs 12.9,10; 2Cr. 24.8-11) ou mesmo um caixão (Gn 50.26), sugerindo desde o princípio a função primária da Arca como um recipiente.(veja abaixo, III-A)
B. Qualidades atribuídas. O AT identifica a Arca sob dois importantes tipos de frases atributivas:
1. De divindade. Por causa de sua íntima associação com a divindade, a piK é chamada “A Arca de Deus” por trinta e quatro vezes (ISm 3.3, et al.). O Salmo 132.8 fala sobre ela como arca da tua fortaleza por isso quando o Salmo 78.60,61 se refere à “força [Ti?]” de Deus e sua “glória” como entregue “ao cativeiro” em Siló, tal terminologia identificaria a Arca. Todavia, outras tentativas (ex., IDB, I, 225, 226) de descobrir a Arca escondida dentro de referências à força de Deus (cp. Sl 96.6; 105.4) parecem improváveis, exceto quando estes últimos vv. foram citados mais tarde por Davi, quando trouxe a Arca para Jerusalém (1 Cr 16.27 e 11). Por revelar a presença da divindade, trinta e uma vezes a Arca é chamada de Arca da Aliança de Yahweh (Dt 10.8, etc), o nome que significa “Eu Sou” (Êx 3.14, cp. w, 12,17), que por sua vez sugere a frase.
2. Da redenção. O título mais importante é “arca da aliança” (Js 3.6, etc., cinco vezes) ou “arca da aliança de Yahweh” (Nm 10.33; Js 3.3; etc. vinte e sete vezes; cp. Js 3.11; Jz 20.27). A Arca continha as duas tábuas do Decálogo, q.v., que constituíam a base documentada da aliança redentora de Deus com Israel (Êx 34.28,29); cp. a ênfase de Moisés sob a forma escrita da promessa de Deus de salvar seu povo, e sua requerida resposta com fé e obediência (24.7). Além disso, visto que essa redenção envolvia o sangue vital do Redentor (24.8), oNT fala apropriadamente sobre a morte daquele que faz a “vontade”, “testamento”, Hb 9.16-18 Almeida) e, consequentemente, a “arca do seu concerto” (Ap 11.19 ARC). Alguns críticos modernos têm procurado eliminar, como intercalações de redação, todas as referências mais antigas do AT a esta aliança ou testamento (HDB, I, 149); mas, apesar de estar faltando em alguns vv. na LXX em 1 Samuel (e.g., 3.3—14.44; 2Sm 15.24) o termo aparece em passagens indisputavelmente antigas, tanto no TM como na LXX (e.g., Nm 10.33; 14.44;2Sm 15.24). Um título correspondente mais antigo aparece quatorze vezes na frase, “arca do testemunho” (hebr. miy, “sinal”, “lembrete”, Êx 25.22 etc). nio indica as duas tábuas de pedra (31.18; 32.15) colocadas dentro da Arca (25.16,21) como evidência do testamento redentor (cp. o intercâmbio entre testemunho e aliança [Êx31.18; Dt 9.11]). Tentativas, portanto, de excluir a terminologia da aliança em favor de um título mais geral, tal qual a “arca de Deus”, como original, viola os contextos bíblicos e se baseia em teorias improváveis sobre a evolução da religião hebraica e das camadas conflitantes de fontes dentro do Pentateuco (cp. M H. Woudstra, The Ark of the Covenant jrom Conquest to Kingship, 60-83).
II. Forma
Analogias antigas à Arca têm sido procuradas esquadrinhadas em santuários de tenda (Mor genstem), templos modelos (May), carruagens para divindades (Torczyner), tronos quadrados (Kristensen), ou até mesmo caixões para os deuses (Hartmann); mas a Escritura descreve a ’ãrõn (Êx 25.10-16; Dt 10.1,2) como um recipiente '‘único no antigo Oriente Próximo... o repositório das tábuas da aliança” (K. A. Kitchen, NBD, p. 82).
A. Especificações. O modelo da Arca, como foi revelado a Moisés no Monte Sinai, aparece em Êxodo 25.10-22.
1. Corpo. Feita de madeira de acácia (hebr. D’oa?), a Arca era retangular, dois côvados e meio de cumprimento (1,2 m) e um côvado emeio (0,75 m) de largura e altura (v. 10). Recoberta de ouro por dentro e por fora, com uma bordadura de ouro (ARC coroa; hebr. 1T, “borda”, v. 11), era apoiada por quatro pés, cada um com uma argola de ouro (v. 12), dentro das quais varais de madeira de acácia, recobertos de ouro, foram permanentemente inseridos (vv. 13-15.).
2. Cobertura. O “propiciatório” literalmente, “lugar de redenção propiciatória”, era uma cobertura de ouro puro que correspondia às dimensões da Arca (1,2 x 0,75 m, v. 17). Em suas duas extremidades estavam dois querubins de ouro batido, q.v., vem de frente para o outro com suas asas protegendo o propiciatório e com suas faces viradas para ele (vv. 18-20, Hb 9.5). Os querubins (anjos) eram presumivelmente de aparência humana (cp. Ez 1.5), não esfinges pagãs compondo um trono (como sugerido em BA, 1.1 [1938], 10.3 [1947]); eles transmitiam a idéia de majestade celestial (Ez 1.10).
3. Construção. A Arca foi construída por Bezalel e Aoliabe (Êx 31.6,7; 37.1-9), ajudado por outros israelitas hábeis (36.8), conforme as ordens de Moisés (Dt 10.3). Ela deveria estar do lado de dentro do véu, no lugar mais santo do Tabernáculo (Êx. 26.33), o propiciatório posto em cima dela (v.34), e ungida com o resto do Tabernáculo (30.26). Defronte da Arca e do véu ficava o altar do incenso (v.27; 30.6), embora este último veio a ficar, com tempo, mais intimamente associado ao próprio santuário interno da Arca (lRs 8.22). Estudiosos modernos concordam cada vez mais que uma arca, de alguma espécie, pode ser localizada no tempo de Moisés (IDB, I, 25); mas muitos ainda insistiriam na tradição da Arca como totalmente separada do Tabernáculo, (cp. G. Von Rad, OT Theology, I, 235).
Como o Tabernáculo do qual fazia parte, o formato da Arca foi derivado do modelo significativo que foi revelado a Moisés no Monte (Êx. 25.9); era uma incorporação da redenção pactuai ordenada no céu (Hb 8.5). Além disso, enquanto sua dependência do conceito da aliança garantia unidade para as funções pretendidas da Arca, a riqueza da salvação desmente a insistência de Von Rad de que é “inconcebível que o trono deveria ter ao mesmo tempo servido como um recipiente” (ibid., I, 238). Como os sacramentos hoje, isto poderia conter memoriais de redenções passadas e também mediar a graça de Deus para o presente.
A. Recipiente. O objetivo inicialmente declarado da 1TO, arca, era o de dar o “testemunho” da salvação de Deus (Êx.25.16). Especificamente, isto significava (Dt.10.5):
1. O decálogo. As tábuas de pedra da “aliança do Senhor” (lRs 8.21) continuaram a ficar na Arca. Posteriormente, o “livro da lei” completo de Moisés foi colocado “ao lado da arca da aliança” (Dt. 31.26); por essa razão há uma possível relação entre a recuperação do livro da lei perdido nos dias de Josué e a reposição ao seu lugar apropriado no Templo, no tempo da Arca (2Cr 34.14; 35.3).
2. Maná e vara. Sob as ordens de Moisés, Arão colocou um gômer (c. 2 litros) de maná num vaso e o colocou “perante o Senhor... perante o testemunho” (Êx 16.33,34) embora, na verdade, realizado posteriormente (KD, Pentateuch, II, 74), como um memorial da provisão de Deus. Hebreus 9.4 acrescenta que com o passar do tempo, o vaso de ouro veio a permanecer dentro da Arca. Depois da revolta de Coré e seus companheiros, quando Deus vindicou a autoridade de Moisés e Arão fazendo brotar flores e amêndoas da vara de Arão, Deus disse a Moisés para também colocar esta vara “perante o testemunho, para que se guarde por sinal... [contra] murmurações” (Nm. 17.10). Embora viesse a residir dentro da Arca (Hb. 9.4), apenas as duas tábuas foram encontradas lá, nos tempos de Salomão (lRs 8.9).
B. Sacramento. Além de conter memoriais do que Deus já havia feito, a Arca servia também como um sinal sacramental da atividade contínua da sua aliança.
1. Teofania. Quando Deus apareceu sob o monte Sinai, ele prometeu que sua presença visível permaneceria com seu povo quando terminassem sua migração. A nuvem de glória, na qual ele trouxe libertação no Êxodo (Êx.13.21; 14.19,20), apareceria regularmente entre as asas do querubim acima do propiciatório da Arca (25.22; cp. 40.34; 2Sm 6.2; Si 80.1). A Arca se tomou mais que um mero símbolo ou penhor da presença de Deus; ela se tomou o “carro” (lCr. 28.18) para teofanias reais, paralela à função do verdadeiro querubim angélico (SI 18.10). Estar “perante a arca” equivalia a estar “perante Yahweh” (Nm. 10.35; Js 6.8). Por outro lado, não se pode identificar Yahweh -com a Arca (cp. W. Eichrodt, Theology ofthe OT, I, 105), o que seria grosseira idolatria, ou restringi-lo a ela como seu domicílio (R. H. Pfeifer, JBL 45 [1926], 220) ou trono (Eichrodt, op. cit., I, 108). Yahweh existia antes da arca, voluntariamente iniciou sua construção e graciosamente escolheu aparecer acima deste “escabelo dos pés” (lCr 28.2). Ele continuou a existir aparte da Arca, apesar das recentes interpretações mencionadas acima (IDB, I, 225); “perante Yahweh” não significa necessariamente “perante a arca” (1 Sm 7.2,6). Finalmente, ele poderia existir em oposição aberta à Arca e repudiá-la (4.3-11): seu valor sacramental era temporário e cessou quando Israel caiu no erro daqueles que a consideravam “um vaso que garante a presença de Deus” (L. Köhler, OT Theology, 121, 122). Contudo, quando abordado com o espírito correto, a instituição da Arca encontra-se em correspondência à Ceia do Senhor: como um selo de “participação”, comunhão, com sua presença contemporânea no santuário (ICo 10.16), e como um tipo de sua presença suprema no céu (Hb 8.5; 9.24).
2. Revelação. O Deus que está presente é também o Deus que fala e age. Ele prometeu desde o princípio comunicar suas leis específicas a Moisés “de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca” (Êx 25.22). A primeira destas revelações evidenciou-se no Livro de Levítico (1.1), e Deus continuo a se dirigir a Moisés em voz audível, de cima do propiciatório (Nm 7.89). As respostas às indagações foram concedidas a Arão, como aquele que vestia o Urim e o Tumim, q.v., as “luzes e perfeições” (Nm 27.21), presumivelmente o peitoral do sumo sacerdote com suas pedras que reluziam na presença da nuvem de glória da Arca (Lv 16.2).
3. Providência. Mesmo sem tais indagações, todavia, Deus agiu por intermédio da Arca, para a orientação e proteção de seu povo. Sua ação de levantar a nuvem se tomou o sinal para Israel avançar em sua peregrinação (Nm. 10.11; veja abaixo, IV-A), e era a Arca que ia à frente das tribos “para lhes deparar lugar de descanso” (v. 33). A presença de Deus se tomou também um meio de dispersar os inimigos da nação. (v. 35); cp. a Arca funcionando como uma proteção em Jericó (veja abaixo, IV-B) e sendo designada pelo nome do Senhor dos exércitos, q.v. (2Sm 6.2, de Israel, ISm 17.45). Contudo, a tentativa de Morgenstem de identificar a Arca com os santuários de tenda dos árabes (veja abaixo, Bibliografia), regularmente levados em batalhas e designados com certas funções oraculares, parece ser mal aconselhável, pois o uso da Arca em batalhas parece ter sido excepcional.
4. Expiação. Uma vez por ano, porém, a Arca alcançava sua suprema importância sacramental no serviço do Dia da Expiação, q.v. (Lv 16.2). Depois de garantir sua segurança pessoal por intermédio de uma nuvem de incenso protetora na sua presença (v. 13), Arão aspergirá a cobertura da Arca, ou propiciatório, sete vezes: primeiro com o sangue de um touro, morto como uma oferta por seu próprio pecado, e depois com uma cabra pelo do povo (w. 14,15), a fim de purificar Israel “de todos [seus] pecados... perante o Senhor” (v. 30). No sentido figurado, a graça (o sangue do testamento) se tomava uma cobertura de intervenção entre a santidade de Deus (a nuvem de glória) e o veredicto da justiça divina sob a conduta do homem (o Decálogo em baixo).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 425-429.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

2 comentários:

  1. E muito bom os comentários das lições, que Deus continue abençoando grandemente. Mas se o resumo fosse MENOR creio que seria muito melhor, a paz de Cristo..

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  2. meu irmão o senhor é uma bênção nas mãos de DEUS Diácono João Nunes

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