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12° LIÇÃO 1° TRI 2014 A CONSAGRAÇÃO DOS SACERDOTES


A CONSAGRAÇÃO DOS SACERDOTES
Data: 23 de Março de 2014                      HINOS SUGERIDOS 363, 423, 432.
TEXTO ÁUREO
“E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9,22).

VERDADE PRATICA
O sacrifício expiador de Cristo no Calvário foi perfeito, único e capaz de nos purificar de todo pecado.
LEITURA DIARIA
Segunda       - Êx 28-1                  A instituição do sacerdócio.
Terça             - Êx 29.1-9               A cerimônia de consagração.
Quarta           - Lv 16-11-14           A oferta do sacerdote pelo seu pecado.
Quinta            - Hb 6.20                  Jesus, nosso Sumo Sacerdote eterno.
Sexta             - Hb 4.15,16             Jesus, Sumo Sacerdote compassivo.
Sábado         - Hb 9.11                  Jesus, Sumo Sacerdote dos bens futuros.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Êxodo 29.1-12
1 - Isto é o que lhes hás de fazer, para os santificar, para que me administrem o sacerdócio: Toma um novilho, e dois carneiros sem mácula,
2 - e pão asmo, e bolos asmos amassados com azeite, e coscorões asmos untados com azeite; com flor de farinha de trigo os farás.
3 - E os porás num cesto e os trarás no cesto, com o novilho e os dois carneiros.
4 - Então, farás chegar Arão e seus filhos à porta da tenda da congregação e os lavarás com água;
5 - depois, tomarás as vestes e vestirás a Arão da túnica, e do manto do éfode, e do éfode mesmo, e do peitoral; e o cingirás com o cinto de obra de artífice do éfode.
6 - E a mitra porás sobre a sua cabeça; a coroa da santidade porás sobre a mitra;
7 - e tomarás o azeite da unção e o derramarás sobre a sua cabeça; assim, o ungirás.
8 - Depois farás chegar seus filhos, e lhes farás vestir túnicas,
9 - e os cingirás com o cinto, a Arão e a seus filhos, e lhes atarás as tiaras, para que tenham o sacerdócio por estatuto perpétuo, e sagrarás a Arão e a seus filhos.
10 - E farás chegar o novilho diante da tenda da congregação, e Arão e seus filhos porão as mãos sobre a cabeça do novilho;
11 - e degolarás o novilho perante o Senhor à porta da tenda da congregação.
12 - Depois, tomarás do sangue do novilho, e o porás com o teu dedo sobre as pontas do altar, e todo o sangue restante derramarás á base do altar.
INTERAÇÃO
Chegamos ao capítulo que detalha o cerimonial de consagração sacerdotal para o serviço no Tabernáculo: Êxodo 29. Este capítulo descreve o rito consagratório dos sacerdotes. Ele consistia na apresentação de um bezerro e dois carneiros sem mácula; pão asmo (sem fermento) e bolos asmos amassados com azeite; bolinhos asmos untados com azeite e feito com flor de farinha de trigo. Todos estes itens eram elementos que compunham todo o ritual para consagrar, isto é, separar, para o ministério sacerdotal, Arão e os seus filhos. Esta linhagem representaria o sacerdócio oficial da Casa de Israel.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Explicar como se dava a cerimônia de consagração sacerdotal.
Citar os elementos do sacrifício de posse.
Compreender que Cristo é o perpétuo e o mais perfeito Sumo Sacerdote.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, para ampliar a conclusão do primeiro tópico da aula desta semana, reproduza na lousa o seguinte texto: “O Novilho [Bezerro]. Quando os sacerdotes impunham as mãos na cabeça do novilho, isso simbolizava a sua identificação com o animai, como seu substituto e, talvez, a transferência dos pecados do povo para o animal. Assim, o novilho tornava-se um sacrifício vicário, que morria por causa dos pecados do povo (v. 14). Essa cerimônia aponta para o sacrifício vicário de Cristo, que tornou-se a nossa oferta pelo pecado (Is 53.5; Cl 3.13; Hb 13.11-13)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1 65). Em seguida, explique que a suficiência do sacrifício de Jesus Cristo é a garantia de que Ele é o Sumo Sacerdote perfeito.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Deus ordenou que Moisés se- parasse Arão e seus filhos para o sacerdócio. O vestiário, bem como o modo de proceder dos sacerdotes, foram dados por orientações do próprio Deus. Antes de oferecer sacrifícios em favor do povo, Arão deveria oferecer sacrifício para a remissão dos seus próprios pecados. Na lição de hoje, estudaremos a respeito do ato de consagração e purificação do sacerdócio, conforme as determinações de Deus.
I - A CONSAGRAÇÃO DE ARÃO E SEUS FILHOS
1. A lavagem com água. “Então, farás chegar Arão e seus filhos à porta da tenda da congregação e os lavarás com água” (Êx 29.4). Muitos eram os rituais de preparação que os sacerdotes deveriam realizar antes de se achegarem à presença de Deus. Uma parte dos rituais era a lavagem com água, que simbolizava pureza e perfeição. Deus é santo e requer santidade do seu povo: “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2). Atualmente o crente é limpo pela Palavra (Jo 15.3) e pelo sangue de Cristo (1 Jo 1.7). Sem pureza e santidade não podemos nos achegar à presença de Deus. Uma importante razão pela qual o crente deve santificar-se é que a santidade de Deus, em parte, á é revelada através do procedimento justo e da vida santificada do crente.
2. A unção com azeite (Êx 30.23 33). O azeite da unção deveria ser derramado sobre a cabeça de Arão e seus filhos. O azeite é símbolo do Espírito Santo que viria habitar no crente pelo ministério intercessor de Jesus (Jo 14.16,17,26), bem como o batismo com o Espírito Santo (At 1.4,5,8). Assim também a igreja recebeu o penhor do Espírito (2 r Co 1.21,22), mas alguns de seus membros são individualmente separados para ministérios específicos, segundo os propósitos de Deus.
3. Animais são Imolados como sacrifício (Êx 29.10-18). Era necessário que antes de ministrar em favor do povo, o sacerdote oferecesse sacrifícios de holocausto por sua própria vida. Arão e seus filhos deveriam levar um cordeiro, sem mancha ou defeito, diante do altar. O cordeiro morto tipificava a morte vicária de Jesus Cristo, que “morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Co 15.3). A morte vicária de Cristo proporciona ao homem pecador a reconciliação com Deus. Jesus morreu para expiar os nossos pecados (1 Pe 1.18,19).
SINOPSE DO TÓPICO (1)
A consagração do sacerdócio de Arão e de seus filhos decorria pela passagem da água, a unção com azeite e a imolação de animais como sacrifício.
II - O SACRIFÍCIO DA POSSE
1. O segundo carneiro da consagração (Êx 29.19-35). Era necessário que outro animal inocente fosse morto. Segundo o Comentário Bíblico Beacon, “parte do sangue era colocada primeiramente na orelha direita, no dedo polegar da mão direita e no dedo polegar do pé direito”. O restante do sangue deveria ser derramado sobre o altar. Sem derramamento de sangue não há remissão de pecado (Hb 9.22). Tudo apontava para o Calvário, onde Cristo derramou seu sangue por nós.
2. Sacrifícios diários. Diariamente eram oferecidos sacrifícios pelo pecado. Peia manhã e a tarde havia sacrifícios e um animal inocente era morto em resgate da vida de alguém. O sacrifício de Cristo foi perfeito e único. Por isso, hoje podemos nos achegar a Deus para adorá-lo livremente.
No tabernáculo, tudo deveria estar sempre pronto a fim de que o culto diário a Deus nunca fosse interrompido. Os sacerdotes cuidavam para que o fogo do altar nunca se apagasse. A cada manhã, este era alimentado com nova lenha e novos holocaustos (Lv 6.12,13). Da mesma forma Deus quer que nos apresentemos a Ele, prontos e renovados espiritualmente (2 Co 4,16).
SINOPSE DO TÓPICO (2)
O sacrifício da posse consistia na consagração do segundo carneiro e nos sacrifícios diários.
III - CRISTO, PERPÉTUO SUMO SACERDOTE
1. Sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque. A primeira referência a Melquisede que como sacerdote encontra-se no livro de Gênesis 14.18. Poucos sabemos a respeito de Melquisedeque: “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hb 7.3). Melquisedeque é um tipo de Cristo.
2. O sacrifício perfeito de Cristo. Arão e seus descendentes deveriam oferecer diariamente sacrifícios por seus pecados e também do seu povo. Hoje não precisamos fazer esses tipos de sacrifícios, pois o sacrifício de Cristo foi único, perfeito e perpétuo (Hb 7.25-28).
3. O sacrifício eterno de Cristo. Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo (Hb 7.24). O vocábulo “perpétuo” significa a “inalterável”. Jesus não pertencia à tribo de Levi, mas seu sacerdócio era segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5.6,10; 7.11,12), logo, seu sacerdócio era superior ao de Arão. O sacerdócio de Cristo é superior, eterno e imutável.
SINOPSE DO TÓPICO (3)
O sacrifício de Cristo é perfeito, eterno e perpétuo segundo a ordem de Melquisedeque.
CONCLUSÃO
Deus estabeleceu o sacerdócio e as cerimônias de purificação e consagração. Estas cerimônias apontavam para o sacrifício perfeito e o sacerdócio eterno de Cristo. Ele se ofereceu como holocausto em nosso lugar. Sem Cristo, jamais poderíamos nos achegar à presença santa e eterna de Deus e ter comunhão com Ele.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Geográfico
“O sistema sacrificial
Quando os seres humanos entram em relação de aliança com Deus e mantêm o seu lado do trato, evitando todos os pecados conhecidos, surge o desejo de relacionar-se mais intimamente com Deus — entregar-se ao seu serviço, expressar agradecimento, apoiar seus servos, ter comunhão, e desculpar-se pelo mal cometido acidentalmente. O sistema sacrificial demonstrou que uma relação mais profunda com Deus era possível, mas para que isso acontecesse havia necessidade de uma purificação contínua do pecado.
Ao mesmo tempo, o sistema demonstrou suas próprias deficiências e resultou na necessidade de encontrar outro meio não só para estabelecer uma relação mais profunda com Deus, como também para tratar com todo o problema do pecado deliberado. Esse outro meio foi tornado possível mediante Jesus (Hb 10.1-8)” (GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Tempos Bíblicos. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.325).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Bibliográfico
“A Origem dos Sacrifícios
Em relação à origem dos sacrifícios, existem duas opiniões: (1) que eles têm sua origem nos homens, e que Israel apenas reorganizou e adaptou os costumes de outras religiões, quando inaugurou seu sistema sacrificial; e (2) que os sacrifícios foram instituídos por Adão e seus descendentes em resposta a uma revelação de Deus.
É possível que o primeiro ato sacrificial em Gênesis tenha ocorrido quando Deus vestiu Adão e Eva com peles para cobrir sua nudez (Gn 3.21). O segundo sacrifício mencionado foi o de Caim, que veio com uma oferta do ‘fruto da terra’, isto é, daquilo que havia produzido, expressando sua satisfação e orgulho. Entretanto, seu irmão Abel ‘trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura’ como forma de expressar a contrição de seu coração, o arrependimento e a necessidade da expiação de seus pecados (Gn 4.3,4).
Em Romanos 1.21, Paulo refere-se à revelação e ao conhecimento inicial que os patriarcas tinham a respeito de Deus, e explica a apostasia e o pecado dos homens do seguinte modo: ‘Tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças’. Depois do Dilúvio, ‘edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de animal limpo e de toda a ave limpa e ofereceu holocaustos sobre o altar’ (Gn 8.20). Muito tempo antes de Moisés, os patriarcas Abrão (Gn 12.8;13.18; 15.9-17; 22.2SS-), Isaque (Gn 26.25), e Jacó (Gn 33.20; 35.3) também ofereceram verdadeiros sacrifícios (Dicionário Bíblico Wycliffe. l. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.1723).
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Tempos Bíblicos. 2,ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. Dicionário Bíblico Wycliffe. I. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009. MERRIL, Eugene H. História de Israel no Antigo Testamento: O reino de sacerdotes que Deus colocou entre as nações. 6. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
EXERCÍCIOS
1. Atualmente somos limpos mediante quê?
R: Atualmente o crente é limpo pela Palavra (Jo 15.3) e pelo sangue de Cristo (1 Jo 1.7).
2. O que o azeite simboliza?
R: O azeite é símbolo do Espírito Santo que viria habitar no crente pelo ministério intercessor de Jesus (Jo 14.16,17,26).
3. O que deveria ser feito com o restante do sangue do segundo carneiro?
R: O restante do sangue deveria ser derramado sobre o altar.
4. Cristo era Sacerdote segundo qual ordem?
R: Ordem de Melquisedeque.
5. De acordo com a lição, qual o significado do vocábulo “perpétuo”?
R: O vocábulo “perpétuo” significa “inalterável”.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n°57, p.42.
Moisés, segundo as instruções divinas, separou a Arão e seus filhos, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar para o sacerdócio (Êx 28.1). Todos os dias o sacerdote deveria oferecer no altar do holocausto sacrifícios. Primeiro era necessário que um animal inocente fosse morto em resgate da vida do próprio sacerdote, e em seguida outro animal morreria em favor do povo de Deus.
Vários eram os ritos de purificação que os sacerdotes eram submetidos diariamente. Eles não poderiam jamais se apresentar diante do Altíssimo de qualquer maneira. As roupas deveriam estar limpas e em ordem, e os cabelos bem penteados. A Antiga Aliança não permitia falhas. Tudo apontava para Jesus Cristo, o homem perfeito, único capaz de cumprir toda a lei.
Água era aspergida sobre Arão e seus filhos, pois se tratava de uma lavagem simbólica: "Então, farás chegar Arão e seus filhos à porta da tenda da congregação e os lavarás com água" (Êx 29.4). Qual era o propósito da lavagem? Era apontar para a pureza e perfeição de Cristo. A purificação se dava na porta da tenda para que todos os israelitas vissem. Deus é santo e o sacerdote deveria também ser santo: [...] "Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo" (Êx 19.2). Nossa santidade precisa ser vista por aqueles que não conhecem a Cristo a fim de que glorifiquem a Deus. Somos chamados para sermos "sal" e "luz" deste mundo, precisamos fazer a diferença no meio de uma sociedade perversa.
A água simboliza também a Palavra de Deus. Jesus declarou: "Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado" (Jo 15.3). A Palavra de Deus é pura e santa, por isso ela pode nos tornar limpos. Ela também tem o poder de penetrar no mais íntimo do nosso ser, ela chega onde nenhum homem pode alcançar (Hb 4.12).
O azeite da santa unção era derramado sobre a cabeça de Arão e seus filhos: "E disto farás o azeite da santa unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista; este será o azeite da santa unção" (Êx 30.15). Este azeite era santo (separado) e só poderia ser utilizado neste ritual. O templo do Senhor, assim como seus móveis e objetos são santos e só devem ser utilizados na obra de Deus. Sabemos que um dos símbolos do Espírito Santo é o azeite.
Em o Novo Testamento vemos que Jesus, nosso Sumo Sacerdote, recebeu a unção do Espírito Santo antes de iniciar seu ministério, durante o seu batismo. Jesus foi ungido para servir (At 10.38; Lc 4.18,19). O batismo com o Espírito Santo nos torna aptos para o serviço a Deus.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A cerimônia de consagração para o sacerdócio levítico evidenciava a grande responsabilidade e a importância desse ministério tanto para quem haveria de exercê-lo quanto para o seu beneficiado direto — o povo, que assistia a essa solenidade. Essa cerimônia tinha tanta relevância, que Deus deu a Moisés todos os detalhes de como ela deveria ocorrer. Eles estão registrados em Êxodo 29.1-46 e incluíam uma cerimônia de santificação do altar para o sacrifício.
Deus estabeleceu o sacerdócio como “estatuto perpétuo” (Êx 29.9), o que significa que ele era imutável e deveria ocorrer enquanto o Santuário existisse. A expressão hebraica traduzida por “perpétuo” nessa passagem traz a ideia de “imutável”.
Para aqueles que iriam exercer esse ministério, ao final das orientações referentes à cerimônia, Deus promete abençoar todas as obras do seu ofício. O Senhor é assim: Ele não apenas nos cobra responsabilidades; Ele também promete estar conosco e nos abençoar em tudo o que precisamos fazer para a sua glória e a bênção do seu povo.
Vejamos a seguir alguns aspectos dessa cerimônia e como ela aponta para princípios que todo obreiro do Senhor não deve olvidar, objetivando o seu amadurecimento espiritual no serviço do Mestre.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 138.
Tríplice Divisão Da Hierarquia
O sacerdócio era dividido em três grupos: (1) o sumo sacerdote, (2) os sacerdotes comuns e (3) os levitas. Todos os três descendiam de Levi. Todos os sacerdotes eram levitas, mas nem todos os levitas eram sacerdotes. A ordem mais baixa do sacerdócio era a dos levitas, que cuidavam do serviço do santuário. Eles tomaram o lugar dos primogênitos que pertenciam a Deus por direito (Êx 13.2,12,13; 22.29; 34.19,20; Lv 27.26; Nm 3.12,13,41,45; 8.14-17; 18.15; Dt 15.19). Os filhos de Arão, separados para o ofício especial de sacerdote, estavam acima dos levitas. Apenas eles podiam ministrar nos sacrifícios do altar. O nível mais elevado do sacerdócio era o sumo sacerdote. Ele representava fisicamente o cume da pureza do sacerdócio. Carregava os nomes de todas as tribos de Israel em seu peitoral para o interior do santuário, representando todo o povo perante Deus (Êx 28.29). Apenas ele podia entrar o santo dos santos e apenas um dia no ano, para fazer expiação pelos pecados de toda a nação.
Consagração de sacerdotes
As cerimônias ligadas com a consagração dos sacerdotes estão descritas em Êxodo 29 e Levítico 8. Elas incluíam um banho de consagração, unção, vestimenta e sacrifícios. A lavagem simbolizava a limpeza do coração para as obrigações ligadas à pureza da nação perante Deus. A unção (Lv 8.10,11) envolvia o derramar óleo na cabeça do sumo sacerdote e respingá-lo nas vestimentas dos outros sacerdotes (w. 22-24). As vestimentas dos sacerdotes e é especialmente a do sumo sacerdote eram caras e bonitas (Êx 28.3-5; Lv 8.7-9). Os sacrifícios de consagração incluíam a oferta pelo pecado (8.14-17), oferta queimada (vv. 18-21) uma oferta de consagração especial (w. 22-32). O sangue do carneiro era aplicado na orelha, no dedo polegar e no dedo do pé direitos de Arão e de seus filhos, para simbolizar consagração física completa ao Senhor.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 5. pag. 302.
I - A CONSAGRAÇÃO DE ARÃO E SEUS FILHOS
1. A lavagem com água.
A Cerimônia de Consagração
Eis alguns aspectos importantes dessa cerimônia de consagração:
A lavagem com água (Êx 29.4), utilizando a água da pia de bronze (Êx 30.17-21). Ela nos fala de purificação, pureza, santificação, perfeição. Essa lavagem com água simboliza a purificação pelo sangue de Jesus e a Palavra de Deus (1 Jo 1.7; Jo 15.3; 17.17). O escritor da Epístola aos Hebreus nos lembra que sem santificação, “ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). A mensagem aqui, enfim, é que ninguém pode se apresentar ao serviço do Senhor sem santificação, sem procurar viver uma vida de santidade.
Colocação, em seguida, das vestes especiais para o ofício (Êx 29.5,6,8,9). Após a lavagem, eles estavam prontos para colocar suas novas vestimentas, próprias e específicas para o trabalho que exerceriam. Sobre o significado dessa indumentária, já falamos bastante no capítulo anterior. A mensagem aqui é que “não era suficiente que removessem a corrupção do pecado [pela lavagem da água]”, mas também “deveriam vestir as graças do Espírito, vestirem-se de justiça (SI 132.9). Eles deveriam ser cingidos, como homens preparados e fortalecidos para o seu trabalho. E deveriam ser vestidos e coroados, como homens que consideravam o seu trabalho e as suas funções uma verdadeira honra”.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 141.
A Lavagem com Água
Já frisámos que Arão e seus filhos representam Cristo e a Igreja, porém nos primeiros versículos deste capítulo é dado o primeiro lugar a Arão. "Então, farás chegar Arão e seus filhos à porta da tenda da congregação e os lavarás com água" (versículo 4). A lavagem da água tornava Arão simbolicamente aquilo que Cristo é intrinsecamente, isto é: santo. A Igreja é santa em virtude de estar ligada a Cristo na vida de ressurreição. Ele é a definição perfeita daquilo que ela é perante Deus. O ato cerimonial da lavagem da água representa a ação da palavra de Deus (veja-se Ef 5:26).
"E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade" (Jo 17:19), disse o Senhor Jesus. Separou-Se para Deus no poder de uma perfeita obediência, orientando-Se em todas as coisas, como homem, pela Palavra, mediante o Espírito eterno, a fim de que todos aqueles que são d'Ele pudessem ser inteiramente separados pelo poder moral da verdade.
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
Êx 29.4 Moisés, pois, deveria trazer os homens a serem consagrados, a saber, Arão e seus filhos, e lavá-los ritualmente à entrada (primeira cortina) do tabernáculo. Ver a extremidade oriental do tabernáculo, comentada e ilustrada em Êxo. 27.14. Ninguém podia entrar no Lugar Santo ou no Santo dos Santos, senão depois de terminados os vários atos de ordenação, que começavam com a lavagem. Naturalmente, os intérpretes cristãos veem aqui, em símbolo, o batismo. A lavagem a ter lugar era do corpo inteiro (cf. João 13.10; Heb. 10.22), e não somente das mãos e dos pés (Êxo. 30.19-21). Primeiramente havia uma lavagem por inteiro, e depois uma lavagem menor. Naturalmente 0 método usado era o da imersão, mesmo que não disponhamos de um texto de prova a respeito. O Targum de Jonathan diz-nos que essa lavagem foi realiza- da em quarenta grandes receptáculos, cheios de água extraída de mananciais correntes, e que esses receptáculos eram grandes o bastante para que o corpo inteiro dos sacerdotes fosse imerso. Jarchi também alude a como o corpo inteiro de cada sacerdote foi mergulhado na água. A lavagem mesma era um emblema da corrupção retirada, para que a santidade pudesse ser derramada sobre os sacerdotes.
Temos aqui a primeira menção bíblica à ablução cerimonial. A água é um símbolo natural da pureza e de um agente natural de purificação.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 434.
Introdução (29.1-9). Em preparação à cerimônia de posse do sacerdócio, foram predispostos um novilho, e dois carneiros sem mácula (1), com pão asmo, bolos asmos e coscorões (ou filhós) asmos em um cesto (2,3). Asmos quer dizer “sem fermento” (NVI). Amassados com azeite, ou óleo, significa “misturados com óleo”, e untados com azeite tem o sentido de “aspergidos com óleo” (VBB). Estes itens deviam ser levados com Arão e seus filhos (4) à porta da tenda da congregação, ou seja, do Tabernáculo. Ali, os sacerdotes seriam lavados com água. Esta lavagem exterior é símbolo da limpeza interior e corresponde ao batismo nas águas. Os sacerdotes usavam a pia de cobre (30.17-21) para este propósito (cf. Diagrama B).
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 217.
2. A unção com azeite (Êx 30.23 33).
A unção com azeite (Êx 29.7; 30.22-33). O azeite da unção deveria ser derramado sobre a cabeça de Arão e de seus filhos. A unção simboliza a presença e o poder do Espírito Santo. Também Jesus, o nosso Sumo Sacerdote, foi ungido pelo Espírito Santo (Lc 4.18,19; At 10.38), bem como os seus discípulos (Lc 24.49; At 1.5,8; 2.1-4). Cada crente em Cristo, desde o dia em que aceitou Jesus como Senhor e Salvador de sua vida, recebeu o Espírito Santo como penhor da nossa salvação (2 Co 1.21,22). Entretanto, é preciso que busquemos o batismo no Espírito Santo para dinamizar mais ainda o nosso serviço a Deus (At 1.8; 19.1-6), além de buscarmos ser sempre cheios do Espírito Santo (Ef 5.18).
Tanto o sumo sacerdote como os demais sacerdotes eram ungidos (Êx 29.7; 30.30). Todos aqueles que são chamados para o serviço de Deus precisam da unção de Deus, isto é, do poder do Espírito Santo sobre suas vidas para realizarem com excelência a obra que o Senhor confiou em suas mãos para fazer. O azeite tinha que ser especial (Êx 30.22-25), não poderia ser misturado, nem com composição diferente. Sua fórmula era exclusiva, não podendo ser usada para outro fim nem aplicada em estranhos, mas só para o serviço na obra de Deus (Êx 30.31-33). Deus não aceita mistura. Sua unção não poderá ser misturada com fórmulas mundanas. Não há concórdia entre a luz e as trevas (1 Co 6.14-18).
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 142.
A Unção
"E tomarás o azeite da unção e o derramarás sobre a sua cabeça " (versículo 7). Nestas palavras temos o Espírito, mas é preciso notar que Arão foi ungido antes de o sangue ser derramado, porque nos é apresentado como figura de Cristo, que, em virtude daquilo que era em Sua Própria Pessoa, foi ungido com o Espírito Santo muito antes que fosse cumprida a obra da cruz. Em contrapartida, os filhos de Arão não foram ungidos senão depois de ser espargido o sangue, "degolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Arão, e sobre a ponta da orelha direita de seus filhos, como também sobre o dedo polegar da sua mão direita, e sobre o dedo polegar do seu pé direito: e o resto do sangue espalharás sobre o altar ao redor" (¹). "Então, tomarás do sangue que estará sobre os altar e do azeite da unção e o espargirás sobre Arão e sobre as suas vestes e sobre seus filhos, e sobre os as vestes de seus filhos com ele" (versículos 20 e 21). No que diz respeito à Igreja, o sangue da cruz é o fundamento de tudo. Ela não podia ser ungida com o Espírito Santo até que a sua Cabeça ressuscitada tivesse subido ao céu e depositado sobre o trono da Majestade divina o relato do sacrifício que havia oferecido. "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai e promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis" (At 2:32-33); comparem-se também Jo 7:39; At 19:1 - 6). Desde os dias de Abel que haviam sido regeneradas almas pelo Espírito Santo e experimentado a Sua influência, sobre as quais operou e a quem qualificou para o serviço; porém a Igreja não podia ser ungida com o Espírito Santo até que o Seu Senhor tivesse entrado vitorioso no céu e recebesse para ela a promessa do Pai. A verdade desta doutrina é ensinada, da forma mais direta e completa, em todo o Novo Testamento; e a sua integridade estreita é mantida, em figura, no símbolo que temos perante nós, pelo fato claro que, embora Arão fosse ungido antes de o sangue haver sido derramado (versículo 7), contudo os seus filhos não o foram, e não podiam ser ungidos senão depois (versículo 21).
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
Êx 30.22-23 Toma das mais excelentes especiarias. Temos aqui a composição do azeite santo. Em Israel era questão muito séria como esse azeite era prepara- do e usado. Devia ser resguardado de qualquer profanação, e somente os sacerdotes sabiam como prepará-lo com exatidão. Era usado para propósitos e para pessoas específicos. Um homem comum não podia ser ungido com o óleo santo. As mais finas especiarias eram tão valiosas quanto o ouro. Podiam ser usadas como presentes mais seletos, sendo dados até à realeza (I Reis 10.2,10,15). Todos os elementos mencionados nos vss. 22-24 são comentados no Dicionário. Ver os verbetes separados: Mirra, Cinamomo; Cálamo Aromático; Cássia e Azeite.
Siclos... siclos... siclos. Ver as notas sobre 0 vs. 13 deste capítulo, onde essa palavra é explicada quanto ao seu valor. Se adicionarmos todas as quantidades aqui dadas (incluindo as do vs. 25), teremos um peso de pouco mais de cinquenta quilogramas, incluindo cerca de seis litros de azeite. Está aqui em pauta o antigo sido (fenício), que pesava cerca de 112 gramas.
Êx 30.24 Cássia. Todos os ingredientes do azeite da unção recebem um artigo separado no Dicionário. Quanto a todos esses ingredientes o sido era a unidade de peso usada, o que foi anotado em Êxo. 30.13.
Him. Quanto a essa medida, ver as notas sobre Êxo. 29.40.
Êx 30.25 O óleo sagrado. Ou seja, a mistura de azeite de oliveira com as várias especiarias acima mencionadas, em suas medidas exatas, conhecidas somente pelos sacerdotes. Era um produto composto que incorporava especiarias tão valiosas quanto o ouro. Uma vez preparado, tornava-se um líquido especial de unção. O peso total dos ingredientes pode ser calculado em ligeiramente acima de cinquenta quilogramas, e o volume do azeite era de cerca de seis quilogramas. Era misturado por um apotecário especialista. As especiarias não podiam ser misturadas de maneira crua ou inexata. Os intérpretes judeus dizem-nos que as essências eram primeiramente extraídas dos materiais naqueles pesos respectivos, e, então, essas essências eram misturadas com o azeite.
Na introdução ao vs. 22, vemos o azeite como um tipo. “Simbolizava 0 Santo Espírito de Deus e as Suas graças, aquele óleo de alegria com que Cristo e 0 Seu povo são ungidos; e essa é a unção que nos ensina todas as coisas. Ver Sal. 45.7; Isa. 61.1,3; Atos 10.38; I João 2.20,27. Essa unção espiritual é comparada a essas várias especiarias e ao azeite de oliveira por causa de seu perfume e por causa de sua natureza animadora e reavivadora... por seu valor e preciosidade, e acerca da qual há um certo peso e medida, posto que Cristo tenha sido ungido sem medida” (John Gill, in loc.).
Êx 30.26-29 As coisas que deviam ser ungidas ou santificadas por meio do azeite da unção são alistadas nesses quatro versículos. Tal azeite não podia ser usado para ungir pessoas comuns (vs. 32), mas os sacerdotes podiam usá-lo. Cf. Êxo. 40.9-11 quanto a outras instruções acerca do assunto, embora mais breves em sua natureza. A unção do próprio tabernáculo é mencionado aqui, mas era a presença de Deus que realmente ungia. A nuvem que representava a presença de Deus é frisada como aquilo que realmente santificara o santuário (Êxo. 40.34-38).
Uma Lista Completa. A lista de objetos a serem ungidos, preparada pelo autor sacro, é todo-inclusiva, Todos os vasos e utensílios do tabernáculo deviam ser ungidos com o óleo santo. “o tabernáculo e todo o seu conteúdo foram, primeiramente, consagrados; em seguida, os sacerdotes (vs. 30). No tabernáculo, a consagração teve início pela arca no Santo dos Santos. Daí passou-se para o Lugar Santo... e, finalmente, passando-se para fora do segundo véu, chegou-se ao átrio externo, onde foi aspergido o óleo santo sobre o altar de bronze e a bacia de bronze” (Ellicott, in loc). Cf. esta passagem com Lev. 8.10,11. A arca foi 0 primeiro item a ser mencionado, na construção dos móveis e utensílios do tabernáculo (Êxo. 25.10-22), e esse foi também o primeiro item a ser ungido. A importância capital do item provavelmente estava sendo destacada mediante ambos os atos.
Todo o que locar nelas será santo. Os sacerdotes foram ungidos, ficando entendido que eles eram homens espirituais, pois, de outro modo, não teriam recebido a incumbência que receberam. Assim sendo, podemos pensar que eles faziam seu trabalho dotados de espiritualidade. Portanto, devemos entender aqui que, por baixo da unção com azeite santo, havia uma espécie de pureza ou santificação mística e que constituía a verdadeira unção deles. Entretanto, outros eruditos pensam que a questão deve ser entendida apenas metaforicamente. Todavia, sempre fez parte do ensino místico que os objetos podem absorver e emitir poderes espirituais. Isso já foi dito a respeito do altar de bronze (Êxo. 29.37).
Êx 30.30 Um homem comum (que não fosse sacerdote) não podia profanar o azeite da unção usando-o para efeitos medicinais ou estéticos (vs. 32). Mas os sacerdotes eram ungidos com o mesmo. Já vimos sobre a unção dos sacerdotes, nas notas sobre Êxo. 29.7, onde há notas expositivas sobre esse ponto. No artigo Unção, no Dicionário, há muitos outros detalhes. Um sacerdote não estava apto para seu serviço enquanto não fosse ungido, e outro tanto se dá com qualquer obreiro no campo espiritual. São necessárias tanto a chamada quanto a preparação. O Espírito Santo deve fazer-se presente, pois do contrário nada de espiritual resultará. O Espírito Santo confere-nos dons, os quais tornam-se eficazes mediante a Sua unção. “Geração após geração, os descendentes dos sacerdotes ha- veriam de herdar o ofício e ser firmados no mesmo mediante a unção sagrada” (J. Edgar Park, in loc.). Cf. Lev. 8.10,11. Entre outras coisas, a unção era emblema do ensino divino. Os sacerdotes, entre os seus muitos deveres, estavam incumbidos de ensinar o povo. A unção do Espírito leva-nos a saber as coisas do Espírito. Nessa unção existe iluminação. Ver I João 2.20,27. Uma vez ilumina- dos, procuramos iluminar a outras pessoas.
Êx 30.31 Nas vossas gerações. O relato acerca do tabernáculo enfatiza repetidamente a necessidade de continuação, de perpetuidade, pois os ritos e os costumes deveriam prolongar-se por todo o tempo, geração após geração. Os hebreus não antecipavam o fim de seu sistema de adoração, supondo-o perfeito e final, por haver sido dado por Yahweh. Quase todas as religiões supõem que com elas terminam as revelações religiosas e que Deus estagnou nelas. Mas o cristianismo levou a fé religiosa a um novo estágio, e sem dúvida, haverá ainda outros estágios e avanços, no estado eterno, conforme o Espírito levar adiante 0 plano divino. Os homens pouco sabem sobre isso, mas a última coisa que Deus poderia fazer seria estagnar. Provi em Êxo. 29.42 uma lista de referências que enfatizam a esperada perpetuidade do tabernáculo e seu cerimonial.
Parte das responsabilidades dos sacerdotes levíticos era preservar a fórmula do óleo da unção, não permitindo que o mesmo fosse alterado ou corrompido. E esse óleo santo também não podia ser usado para fins profanos.
Êx 30.32 O óleo sagrado nem podia ser manufaturado e nem podia ser usado por homens comuns. O trecho de Êxo. 31.11 mostra-nos que aos sacerdotes cabia a preparação do óleo da unção. Entre eles havia apotecários habilitados. Um sacerdote não podia dar um pouco desse óleo santo à sua esposa, e nem a algum vizinho ou amigo. Também não podia ensinar a fórmula de sua fabricação a quem não fosse sacerdote. Se tal coisa fosse feita, o óleo santo automaticamente tomar-se-ia profano.
As festividades e os entretenimentos incluíam comumente alguma forma de unção (ver Sal. 23.5; Luc. 7.46). O óleo preparado pelos sacerdotes não podia ser usado nessas ocasiões. Mas outros óleos perfumados podiam ser usados para esse mister. Nenhum outro óleo podia ter os mesmos ingredientes que o óleo santo, mesmo que fosse em proporções diferentes. Nenhum óleo similar ao óleo santo podia ser prepara- do, a fim de que permanecesse sem igual, não podendo ser confundido com qualquer outra composição do perfumista.
Um Ensino Espiritual. Pode haver muitas imitações da unção do Espírito. Há fogo estranho e óleo estranho. Jesus ensinou essa mesma verdade usando termos diferentes, em Mat. 7.21 ss. Cf. I João 4.1.
Êx 30.33 Será eliminado do seu povo. A profanação do azeite da unção era tida como um crime, e tão grave que o indivíduo que ousasse fazer isso, seria elimina- do. Alguns eruditos veem nisso a ideia de exclusão, mas o mais provável é que está em pauta a execução (talvez por apedrejamento). Em diversas oportunidades foi imposta a pena de morte contra os sacerdotes que não cumprissem corretamente as suas ordens no tocante aos ritos do tabernáculo. Ver Êxo. 28.35,43; 30.20,21. Se um sacerdote podia morrer por motivo de profanação, quanto mais um homem do povo.
Ou dele puser sobre um estranho, ou seja, quem não fosse sacerdote. Não está primariamente em foco um gentio, ainda que, obviamente, neste último caso o ato também seria considerado um crime. Salomão foi ungido com o azeite santo, mas a ameaça de morte não foi executada, e isso por razões desconhecidas (I Reis 1.39).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 442-443.
O óleo da santa unção (30.22-33). Deus mandou Moisés fazer um óleo especial de unção. Os ingredientes eram pura mirra, canela aromática, cálamo aromático, cássia e azeite de oliveiras (23,24). Os siclos (23) aqui se referem diretamente a peso e não a valor monetário como ocorre no versículo 15. As quatro especiarias (duas vezes mais de mirra e cássia que os outros dois ingredientes) seriam misturadas com um him de azeite de oliva (cerca de 6,6 litros). O perfumista (25) era um farmacêutico ou boticário.
Estes produtos aromáticos, por terem propriedades curativas e fragrância, tornavam a substância perfumada apropriadamente típica do Espírito Santo, que santifica e unge o povo de Deus.
A Instituição da Adoração Êxodo 30.26—31.2 Esta composição foi usada primeiramente para ungir a tenda da congregação (o Tabernáculo) e sua mobília (26-29). Estas peças sagradas ficariam santificadas (29), ou seja, seriam separadas para uso santo. Tendo sido santificada, a mobília do Tabernáculo só poderia ser tocada pelo que fosse santo (cf. comentários em 13.2).
Depois da consagração do Tabernáculo, Moisés ungiu os sacerdotes para a função especial que desempenhariam (30; cf. 29.21). Este ato os consagraria ao ofício sagrado, simbolizando a unção do Espírito Santo nos servos de Deus. Moisés disse a Israel que este óleo tinha de ser permanente (31); nunca deveria ser usado na carne do homem (32), ou seja, para propósitos comuns; e sua fórmula nunca deveria ser copiada. Haveria uma maldição em quem fizesse um óleo santo como este, ou o aplicasse impropriamente (33).
O Espírito Santo é muito semelhante a esta combinação de substâncias odoríferas e óleo! Ele perfuma e cura a alma ungida; toma santo todos que o recebem; não pode ser falsificado e quem procura substituí-lo cai na condenação de Deus; não é dado ao mundo, mas a quem é redimido pelo sangue de Cristo; e sempre é o mesmo.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 221-222.
21 Na sequência, em 2Co 1.23–2.4, ele lhes dirá os motivos para o adiamento de sua visita. Agora importa mais uma vez deixar clara a firme validade de seu sim aos coríntios e a irrevogável comunhão com eles, o que Paulo faz novamente com o olhar voltado para Deus. Apóstolo e igreja formam uma unidade inseparável, porque possuem o mesmo fundamento de vida em Cristo. “Mas aquele que nos alicerçou convosco firmemente em Cristo e nos ungiu é Deus.” Paulo e seus colaboradores estão “firmemente alicerçados em Cristo”. Mas os coríntios também o são apesar de tudo o que é aflitivo e errado em Corinto. Porque essa fundamentação em Cristo é repetidamente efetivada por Deus e não é uma realização de resoluções humanas e de força de vontade própria. Se fosse isso, realmente seria necessário desconfiar de sua solidez e durabilidade e, por isso, olhar também uns para os outros com permanente suspeita. Sendo, porém, que o próprio Deus alicerça o apóstolo e a igreja conjuntamente sobre Cristo com seu sim divino, apesar de todas as dificuldades e tensões em seu relacionamento recíproco, está lançada uma base firme, que sustenta todos em conjunto.
Contudo Deus não somente nos concede conjuntamente o alicerce firme, ele também nos “ungiu”. Por meio dessa palavra os ouvintes da carta eram lembrados do “Ungido”, do “Cristo”. Como “Ungido” Jesus tornou-se plenipotenciário profético, sacerdotal e real de Deus. Cada pessoa que pertence a Jesus tem participação nesse poder. Os “santos” também são “ungidos”. Quando Paulo escreve que Deus “nos” ungiu, esse “nos” não se refere apenas a ele e seus colaboradores. O “nos convosco” deve determinar a frase inteira. Em analogia com 1Jo 2.20,27, Paulo deve ter considerado como “unção” basicamente que obtemos o Espírito e somos equipados com força espiritual.
22 Ao prosseguir: “Ele, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nossos corações”, Paulo não precisa forçosamente ter em mente um fato novo que transcenda o “ungir com o Espírito”! Pelo contrário, essa unção do Espírito é vista sob dois novos pontos de vista. O Espírito é o claro nítido “selo” que nos identifica como propriedade de Deus e nos torna invulneráveis. Esse “selo” obviamente não nos foi impresso ou anexado exteriormente. Ele é uma realidade viva que perpassa e determina toda a nossa vida e natureza, que nos caracteriza como “santos”, como pessoas que pertencem a Deus. Foi isso que o apóstolo também atestou em Rm 8.14-16; Gl 4.6s e Ef 1.13, ainda que utilize a expressão “selar” somente na última referência. Com isso, no entanto, foi lacrada também a comunhão essencial da igreja com seu apóstolo. O selo de Deus protege essa participação recíproca, também quando estiver exposta às mais intensas provas de fogo.
Com o Espírito Santo entra em nosso coração a realidade da vida divina. Evidentemente não da maneira como há de acontecer em nossa transformação total, quando o Espírito de Deus determinará e configurará até todo o nosso novo corpo (Rm 8.11; 1Co 15.42-55). Porém já recebemos agora uma “primeira prestação” disso, que como “penhor” nos assegura a perfeição futura. Para Paulo sempre era muito importante deixar claro às igrejas, com toda a sobriedade, que a nova vida nos é concedida agora apenas em medida restrita. Não somos eximidos de uma ardente espera e esperança e por isso gememos com toda a criação (Rm 8.23-25). Ao mesmo tempo, porém, essa espera não é um aguardar incerto e humano. Deus concede o Espírito “como o penhor” (Ef 1.13s), “selando-nos” dessa maneira “para o dia da redenção” (Ef 4.30). Porque o Espírito de Deus é o elemento essencial de vida da nova criação. Nele “provamos… os poderes do mundo vindouro” (Hb 6.5). Não brincamos com sonhos insustentáveis, mas já vemos em um “primeiro feixe de espigas” a maravilhosa colheita para a qual nos movemos.
Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos II Coríntios. Editora Evangélica Esperança.
Por fim, quando temos a consciência limpa, também nos relacionamos devidamente com o Espírito de Deus (2 Co 1:21-24).
o termo confirmar é de origem comercial e se refere à garantia de cumprimento de um contrato. A confirmação significava que o vendedor garantia a autenticidade e qualidade do produto que vendia ou, ainda, que prestaria o serviço conforme o prometido.
O Espírito Santo nos garante que Deus é confiável e cumprirá todas as suas promessas. Paulo cuidava para não entristecer o Espírito Santo e, uma vez que o Espírito não lhe indicava o contrário, sabia que seus motivos eram puros e que sua consciência estava limpa.
Todos os cristãos foram ungidos pelo Espírito (2 Co 1:21). No Antigo Testamento, as únicas pessoas que recebiam a unção de Deus eram os profetas, os sacerdotes e os reis. Ao nos sujeitarmos ao Espírito, ele nos capacita a levar uma vida piedosa e a servir a Deus de maneira aceitável (1 102:20, 27).
O Espírito também nos selou (2 Co 1:22; Ef 1:13), de modo que pertencemos a Cristo, que nos tomou para si. O testemunho do Espírito dentro de nós garante que somos filhos legítimos de Deus (Rm 5:5; 8:9).
O Espírito também garante sua proteção, pois somos sua propriedade.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 828-829.
I Cor 21-22. Nestes versículos podemos ver por que Paulo introduziu a idéia da natureza inequívoca de Cristo, aquele em quem as promessas de Deus encontram seu sim. É que foi no inequívoco Cristo que Paulo e seus colaboradores se fundamentaram e foram comissionados por Deus, como mensageiros do evangelho, e é nesse Cristo também que receberam o selo do Espírito. Trocada em miúdos, a resposta de Paulo aos que lhe atribuem inconstância, por causa das mudanças que ele introduziu em seus planos de viagem, é que a obra de Deus em sua vida garante a confiabilidade de tudo quanto ele diz. A fim de explicar a natureza dessa obra de Deus em sua vida, Paulo introduz quatro importantes expressões.
Primeiramente, diz Paulo: Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus. A palavra “confirmar” (bebaioó) é empregada com sentido legal nos papiros a respeito de uma garantia concedida de que certos compromissos serão cumpridos. No Novo Testamento, bebaioõ é usado de modo semelhante em conexão com a proclamação do evangelho, a qual é “confirmada” por sinais miraculosos, ou pela concessão de dons espirituais (Mc 16:20; 1 Co 1:6). Quando esse verbo é empregado a respeito de seres humanos, indica seu fortalecimento, ou sua confirmação, de modo que passam a exibir certas características. Por exemplo, em 1 Coríntios 1:8, Paulo escreve a respeito de crentes que são confirmados para serem “ irrepreensíveis” no dia do Senhor. Aqui, Paulo diz que Deus o fortaleceu e o confirmou, como também a seus colaboradores (e aos coríntios) para que sejam dignos de confiança.
Em segundo lugar, diz Paulo que Deus nos ungiu. Este verbo no grego é chriõ, ungir; visto que a unção com freqüência era um rito de comissionamento (Êx 28:41; 1 Sm 15:1; 1 Rs 19:16), a RSV traduziu o verbo como “ comissionou”, o que é justificável. Entretanto, esta tradução obscurece o fato de que houve uma unção no comissionamento de Paulo e seus colaboradores. Chriõ encontra-se em outros quatro lugares no Novo Testamento, uma vez em Hebreus 1:9 (“Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros”), e três vezes nos escritos de Lucas (Lc 4:18; At 4:27; 10:38). Duas referências em Lucas são explicitamente à unção com o Espírito, sendo discutível se a terceira é referência implícita. Em face da ênfase no Espírito, no presente contexto, é melhor ver aqui uma referência a Paulo e seus companheiros sendo ungidos pelo Espírito, reconhecendo que sua comissão está inextricavelmente amarrada a tal unção.
Em terceiro lugar, diz Paulo: que também nos selou. O verbo sphragizõ, “ colocar um selo em”, é empregado em documentos comerciais encontrados entre os papiros a respeito de selagem de cartas e envelopes, de modo que ninguém possa mexer em seu conteúdo. Usado de modo figurado, como no Novo Testamento, “ selar” significa manter em segredo, ou marcar com um sinal identificador (cf. Ap 7:3-8). Efésios fala de os cristãos serem “selados com o Santo Espírito da promessa” (Ef 1:13; cf. 4:30). Aqui, com a frase que também nos selou, é quase certo que Paulo tinha em mente que Deus nos dotou do Espírito Santo (cuja presença é a marca identificadora de todo crente verdadeiro, Rm 8:9).
Em quarto lugar, lemos: e nos deu o penhor do Espírito em nossos corações. A palavra grega arrabõn, traduzida aqui por penhor, é um termo comercial, à semelhança de sphragizõ. Trata-se do depósito feito pelo comprador ao vendedor, como garantia de que o pagamento total será efetuado no devido tempo. O termo é aplicado de modo figurado por Paulo, referindo-se ao Espírito que Deus concedeu aos crentes, como garantia da total participação deles nas bênçãos da era vindoura (cf. 5:5; Ef 1:14).
A maior ênfase, portanto, dos versículos 21-22, está em que Paulo e seus companheiros foram confirmados por Deus como mensageiros fiéis, tendo sido ungidos pelo Espírito.1 Mas, por que faz Paulo estas afirmações neste ponto de sua carta? Só para mostrar que a integridade do grupo apostólico, e a verdade do evangelho baseiam-se em nada mais senão na obra de Deus. É o Espírito de Deus que confirma e unge os apóstolos; a presença do Espírito é que autentica e sela a missão e a mensagem deles. A implicação é que se a obra de Deus em suas vidas garante a confiabilidade dos apóstolos nessa grandiosa obra superior da proclamação do evangelho, é certo que garantirá também confiabilidade em questões de menor importância como seus planos de viagem. Quaisquer mudanças nos planos de viagem não significam mera inconstância, mas genuína necessidade eventual e imprevisível.
Colin Kruse. I Coríntios. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 82-84.
3. Animais são Imolados como sacrifício (Êx 29.10-18).
O sacrifício (Êx 29.10-18). Primeiro, era feita uma oferta pelos pecados dos próprios sacerdotes (Êx 29.10-14). Eles deveriam colocar a mão na cabeça do animal a ser sacrificado (Êx 29.10), como confissão de que eram pecadores e pelos seus pecados deveriam morrer. Ora, Cristo é a expiação pelos nossos pecados (Jo 3.16; 1 Co 15.3; 1 Jo 1.7). Quem serve na obra de Deus deve se lembrar de que é um pecador e se apoiar totalmente nos méritos de Cristo para sua salvação. Como Paulo disse a Timóteo, o obreiro de Deus deve cuidar primeiro de si mesmo, da sua própria salvação, da sua vida espiritual, para depois levar a salvação e a bênção e Deus aos outros: “Tem cuidado de ti mesmo [...] fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4.16). Como alguém poderá ajudar perfeitamente aqueles que se encontram doentes enquanto ele mesmo ainda se encontra doente?
Em seguida, deveria haver ainda um holocausto não de expiação de culpas, mas especificamente em honra a Deus, e a oferta sobre ele deveria ser totalmente queimada, simbolizando a dedicação total daqueles homens ao serviço do Senhor (Êx 29.15-18). O fogo consumindo toda a oferta fala de entrega total ao serviço. E o fato de essa oferta só poder ser apresentada após a oferta pela expiação dos pecados desses sacerdotes significa que “até que a iniquidade seja retirada, nenhum serviço aceitável pode ser realizado”,3 o que nos lembra da purificação de Isaías para poder servir no ministério profético como Deus queria (Is 6.7).
A oferta pacífica vinha depois, o chamado “carneiro das consagrações” (Êx 29.19-37) ou “sacrifício da posse”. Todos esses sacrifícios apontavam para o Calvário, para a obra de Cristo na cruz. Nesse sacrifício em especial, o sangue da vítima inocente deveria ser aspergido tanto sobre o altar quanto sobre as vestes e o corpo dos sacerdotes — no caso, sobre a ponta da orelha direita, o dedo polegar da mão direita e o dedo do pé direito de todos eles. O azeite também era espargido sobre eles e suas vestes. Isso tudo era para santificação de todos eles (Êx 29.20,21). Significava santificação de sua atenção (orelha direita), do seu trabalho (mão direita) e de seu andar, seu proceder (pé direito); e o sangue e o azeite juntos falam do sangue de Cristo e do Espírito Santo, da justificação e da santificação, do perdão e do poder purificadores. Aliás, o Espírito Santo é quem aplica a obra de Cristo em nossa vida, operando a santificação.
O restante do ritual, conforme descrito no texto sagrado, é muito bem sintetizado pelo Comentário Bíblico Beacon:
Moisés poria nas mãos dos sacerdotes partes deste carneiro das consagrações, junto com porções do pão, bolos e coscorões que estavam na cesta (Ex 29.22,23; ver v.2). Por um movimento horizontal em direção ao altar, os sacerdotes tinham de apresentá-los como oferta ritualmente removida, simbolizando entrega a Deus (v.24). Depois, Moisés queimava a porção de Deus no altar (v.25) por cheiro agradável ao Senhor. Retinha o peito do carneiro das consagrações para si (v.26), a parte que normalmente ia para o sacerdote que oficiava a oferta do peito do movimento. O peito e o ombro dos sacrifícios pacíficos — como pode ser chamado este tipo de oferta (v.28) — eram porções habituais para o sacerdote (v.27). O peito era movido em movimento horizontal e o ombro era alçado (ou erguido) em movimento vertical em atos simbólicos de dá-los a Deus.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 142-144.
As Ofertas pelo Pecado e as Ofertas Queimadas (29.10-18)
Já foi apresentado o detalhado artigo chamado Sacrifícios e Ofertas, que descreve a questão inteira. Além disso, sob o título Ofertas, provi vários artigos sobre as ofertas específicas.
Os vss. 10-14 descrevem o sacrifício do novilho. Os animais e o material para as ofertas de cereal já tinham sido trazidos até a entrada do tabernáculo (vss. 1-3). Agora, o novilho era separado para ser sacrificado. Era a oferta pelo pecado, realizada em certas ocasiões importantes, em favor tanto de indivíduos quanto em favor da comunidade inteira. A maior dessas ocasiões era 0 dia da expiação. Mas havia outras oportunidades, em dias festivos, como a semana da páscoa (Eze. 46.22,23). Um novilho era oferecido como sacrifício pelo pecado em favor dos sacerdotes (Lev. 4.1 -12). O sumo sacerdote realizava o mais central desses sacrifícios, mas no caso presente foi Moisés quem ofereceu o sacrifício em favor do sumo sacerdote, o qual, por ser homem, também tinha a necessidade de seu pecado ser removido, para que estivesse apto para cumprir os deveres de seu ofício. Também foi feito um sacrifício pelo pecado em favor dos sacerdotes, e pelas mesmas razões.
Êx 29.10 Porão as mãos sobre a cabeça dele. Desse modo, identificavam-se com o novilho. Assim, o que acontecia ao novilho, acontecia, em tipo e espiritualmente, ao sacerdote. O salário do pecado é a morte. O sangue faz expiação. Temos aqui uma ideia vicária, tal como Cristo, o Cordeiro de Deus que foi morto, tira o pecado do mundo (João 1.29). A imposição de mãos apontava para a transferência dos pecados do sacerdote para o novilho. A morte do animal punha fim à questão. Cf. Lev. 16.21,22. O animal, por ter ficado simbolicamente com os pecados do homem, era maldito; mas a sua morte e o derramamento de seu sangue deixavam o homem em liberdade. Ver Gál. 3.13 quanto à aplicação cristã desses fatos.
Êx 29.11 Imolarás o novilho. O animal agora era maldito. Seu sangue tinha que ser derramado, para que morresse. O homem tinha-se identificado com o animal mediante a imposição de mãos. Portanto, o que sucedesse ao animal, em tipo, sucedia a ele. O homem morria para os seus pecados, tal como requer o trecho de Rom. 6.23. Cf. Apo. 5.6,12; 13.8, que nos fornece a aplicação cristã do caso. Cf. Lev. 16.21,22. O abate do animal teve lugar no lado norte (lado direito; Lev. 1.11) do altar. E, então, houve a cerimônia de sacrifício sobre o próprio altar.
Êx 29.12 Tomarás do sangue do novilho. E quanto à aplicação cristã, ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o verbete chamado Expiação Pelo Sangue de Cristo.
O sangue do animal sacrificado era posto sobre os chifres do altar. Quanto a esses chifres, ver as notas em Êxo. 27.2. No dia da expiação, o sangue também era posto sobre os chifres do altar. As notas em Êxo. 272 fornecem alguns detalhes. A virtude do altar, segundo se aceitava, residia sobretudo nos chifres. Um fugitivo da justiça se agarrava a essa parte de um altar, para não ser atingido pelo vingador do sangue (I Reis 1.50; 2.28). Algum sangue era posto sobre os chifres, e o resto do sangue (que tinha sido recolhido em baldes, quando o animal fora abatido) era atirado à base do altar (Lev. 4.7,18,30,34). As descrições que há em Lev. 4.5,17 dão-nos as regras concernentes às ofertas normais pelo pecado. O sacerdote mergulhava um dedo no sangue e ungia os chifres do altar; e, então, aspergia o sangue por sete vezes, diante do terceiro véu, aquele que separava o Lugar Santo do Santo dos Santos. Ό sangue servia de cobertura para o pecado acerca do qual o sacrifico estava sendo feito, sem importar se esse pecado fosse especificado ou não (Lev. 4.26,35). Servia de sinal do perdão” (J. Edgar Parkey, in Ioc).
Êx 29.13,14 Coisa alguma, em absoluto, podia ser comida da oferta pelo pecado. Certas porções do animal eram queimadas sobre o próprio altar (vs. 13), e outras porções eram queimadas fora do acampamento (vs. 14). Assim como o animal era totalmente consumido a fogo, assim também o homem ficava totalmente livre de seu pecado. Certas porções gordurosas que se encontravam no interior da carcaça do animal, como aquelas que lhe encobriam as entranhas, o fígado e os rins, eram queimadas sobre o altar.
Os intérpretes esforçam-se para explicar por que a gordura era tão alta- mente valorizada nas ofertas. Ao que parece, a gordura era considerada uma delícia, e, portanto, algo próprio para ser sacrificado. Outros estudiosos, porém, sugerem que era queimada sobre o altar porque facilmente era total- mente consumida pelas chamas, ao passo que outras porções resistiam mais ao fogo. Em outras palavras, a gordura era facilmente consumível, e seria difícil queimar até desaparecerem certas porções mais grosseiras da carcaça do animal. Além disso, certos valores simbólicos eram emprestados à gordura: 1. É o melhor que o homem tem a oferecer. 2. Ou, pelo contrário, representava a natureza carnal do homem, a qual precisava ser subjugada mediante o sacrifício.
As entranhas talvez apontem, simbolicamente, para a corrupção interior do homem (o que Paulo tanto fustigou no sétimo capítulo da epístola aos Romanos).
O redenho do fígado. A membrana que cobre a porção superior do fígado, que alguns chamam de “apêndice”. Essa era outra porção que facilmente podia ser consumida no fogo, razão pela qual era posta sobre o altar.
A carne, a pele e os excrementos. Sendo essas as porções mais grosseiras do animal, eram consumidas a fogo fora do arraial. Portanto, o animal era totalmente consumido, um tipo de Cristo e de Sua absoluta morte expiatória em nosso favor (I João 2.2). Ver Heb. 13.11,12, quanto à aplicação cristã da questão desses restos do animal sacrificado serem consumidos fora do acampamento.
Este texto deve ser comparado com o trecho de Levítico 4.11,12,21.0 animal inteiro, por ser um sacrifício pelo pecado, era considerado impuro, servindo somente para ser queimado. No caso de todos os demais sacrifícios, certas porções do animal sacrificado podiam ser comidas pelos sacerdotes e pelos adoradores. “No caso de sacrifícios ligados aos cultos regulares do santuário, aqueles que eram oferecidos em ocasiões festivas e em favor do povo todo, os animais eram abatidos, esfolados e cortados em pedaços pelos sacerdotes... certas porções eram comidas pelos sacerdotes e por aquele que trouxera o animal a ser sacrificado” Unger, Dictionary, sobre Sacrifícios. Ver Lev. 8.31 e Êxo. 29.32 e suas notas expositivas.
Êx 29.15 Um carneiro. Dois carneiros eram sacrificados. Esse era o primeiro. O outro animal era trazido até a entrada do tabernáculo (vss. 1,3); e agora era sacrificado.
O sacrifício de um carneiro era comum em outros casos, e também era requerido na consagração de sacerdotes. Era uma oferenda de louvor e dedicação, e não um sacrifício pelo pecado, o que fora coberto pelo sacrifício do novilho. Alguns estudiosos, porém, pensam que havia uma dupla oferta pelo pecado, por meio de um novilho e por meio de um carneiro.
Havia imposição de mãos sobre o carneiro, tal como no caso do novilho (vs. 10). Alguns pensam que o sentido dessa imposição era o mesmo que no caso do novilho, embora outros estudiosos pensem que a razão disso era outra, ou seja, símbolo de louvor e dedicação. Ellicott é daqueles que veem uma diferença entre esses dois sacrifícios. Disse ele: “Novamente, identificando-se com o animal (via imposição de mãos), tal como no vs. 10, mas com um propósito diferente. Em seguida, transferiam seus pecados para a vítima; e agora, eles reivindicavam uma parte na dedicação da vítima a Deus, oferecendo-se e tornando-se, eles mesmos, ‘um aroma agradável’ em oferta queimada ao Senhor” (Ellicott, in Ioc.). Verovs. 18.
Tomarás um carneiro. Mediante esse segundo carneiro é que se processava, realmente, a consagração dos sacerdotes, ou seja, a autoridade para eles exercerem o sacerdócio. Ver os vss. 19 ss, mas especialmente 0 vs. 22.
Êx 29.16 O mesmo modo de proceder era usado no abate desse carneiro, como se fazia com o novilho. Mas em vez de seu sangue ser aspergido sobre os chifres do altar (vs. 12), era aspergido em torno do altar. Portanto, a oferta pelo peca- do e a oferta de louvor e consagração diferiam um pouco em seu modo de proceder. A aspersão do sangue provavelmente era feita mediante o uso de um ramo de hissopo, comumente usado para essa finalidade. Todavia, alguns intérpretes, apesar do fraseado diferente, supõem que tudo quanto está em pauta aqui é que o sangue era vertido ao pé do altar, tal como no caso do novilho (vs. 12). Não há como ter certeza quanto a esse modo de proceder, mas uma oferenda diferente provavelmente envolvia um modo de proceder diferente. Outros estudiosos pensam que tudo quanto era requerido era que todos os quatro lados do altar fossem aspergidos com sangue (conforme Middoth, iii.2).
Dessa maneira, o sangue era aplicado de forma plena, e o sacrifício mostrava-se totalmente eficaz.
Êx 29.17 A divisão do animal em pedaços separados facilitava sua queima sobre o altar. Se o animal não fosse assim despedaçado, poderia ficar queimando por muito tempo, sem ser consumido. Heródoto (Hist, ii.40) menciona tal prática entre os egípcios, havendo evidências de que os gregos e os romanos também usavam essa prática no tocante aos animais oferecidos em holocausto.
A lavagem apontava para a pureza, em um sentido simbólico. Todos os pedaços do animal, em seu conjunto, indicavam uma completa dedicação, uma oferenda sem qualquer defeito ou falta. Os estudiosos cristãos veem as ideias de perfeição e de algo completo na morte expiatória de Cristo, e, subsequentemente, a necessidade dessas mesmas ideias no sacrifício vivo do crente (Rom. 12.1,2).
Êx 29.18 A oferta queimada requeria que o carneiro todo fosse consumido a fogo. Yahweh aspiraria o aroma e ficaria satisfeito. E isso significava, metaforicamente, que o sacerdote estava louvando ao Senhor e dedicando-se ao serviço do tabernáculo.
Aroma agradável. Ver Gên. 8.21 e suas notas expositivas. Era noção comum entre os antigos que os deuses e poderes celestes, em geral, deleitavam-se diante do odor dos sacrifícios de animais. Alguns eruditos pensam que os hebreus compartilhavam de tais crenças no período mais antigo de sua história, representado pelo texto à nossa frente; mas outros acham que devemos entender metaforicamente essa questão. Cf. Lev. 1.9. Metaforicamente, a expressão indica a aceitação das oferendas. A oferta de Cristo, o Cordeiro de Deus, foi uma oferenda fragrante, ou seja, aceitável diante de Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 434-435.
Os Sacrifícios Animais (Para a Consagração). Estes incluíam ofertas pelo pecado (v. 14), holocaustos (v. 18), o exótico ritual de sangue dos versículos 19-21, bem como a simbólica “oferta movida” dos versículos 22-28. Estas não diferem, essencialmente, do mesmo tipo de oferta em outras ocasiões (à exceção do intrigante ritual dos versículos 19-21) e portanto não exigem exegese detalhada aqui.
10. Porão as mãos sobre a cabeça do novilho. Como de costume em toda oferta pelo pecado, a imposição de mãos significa identificação. Isto significa claramente que a morte do animal é aceita como equivalente à morte do indivíduo. Este sacrifício é seguido pelo ritual de sangue, no qual parte do sangue era colocada sobre as pontas do altar (como sinal visível e definitivo) e o resto era derramado sobre os lados e a base do altar, correndo até o chão (v. 12).
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 197.
As ofertas (29.10-18). Os sacerdotes fariam primeiramente a oferta pelo pecado e o holocausto. Considerando que eram homens e pecadores, tinham de oferecer pelos próprios pecados e também pelos pecados do povo (Hb 5.3). O novilho (10) seria morto depois de ser levado ao altar e de Arão e seus filhos terem posto as mãos sobre a cabeça do novilho. Este ato significa que os pecados destas pessoas foram postos no animal. A morte imediata mostrava a pena do pecado, mas também indicava a expiação no sacrifício de Jesus na cruz. A ação de pôr o sangue do novilho (12) nas pontas do altar e em sua base enfatizava a necessidade de dar a vida pela salvação. Partes do corpo do animal, inclusive a gordura, eram queimadas sobre o altar e o restante era levado para fora do acampamento, a fim de ser queimado (13,14), tipificando Cristo que “padeceu fora da porta” (Hb 13.11,12). O redenho era o “lóbulo ou apêndice” do fígado. Nenhuma parte desta oferta era comida pelos sacerdotes, como geralmente não se comiam as ofertas pelo pecado (Lv 4.11,12; cf. Lv 10.17-20).
O holocausto (18) era um dos carneiros levado à cerimônia de consagração (1). Era morto de modo semelhante à oferta pelo pecado e o sangue era aspergido sobre o altar. O versículo 17 fica mais claro assim: “Corte o [carneiro] em pedaços, lave as vísceras e as pernas e coloque-as ao lado da cabeça e das outras partes” (NVI). O carneiro inteiro era queimado no altar como cheiro suave (18) para o SENHOR. No holocausto, a idéia intencional era de abnegação e não de expiação. Esta abnegação é agradável a Deus. visto que a oferta pelo pecado nunca era considerada de cheiro suave. Esta oferta representava a entrega das pessoas a Deus para servi-lo em espírito de adoração.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 218.
Segunda prova - as Escrituras do Antigo Testamento (vv. 3, 4). A expressão antes de tudo significa "o que é de suma importância".
O evangelho é a mensagem mais importante que a Igreja pode proclamar. Apesar de o envolvimento com as ações sociais e com o aperfeiçoamento humano ser algo louvável, não há motivo algum para esses ministérios tomarem o lugar do evangelho.
"Cristo morreu [...] foi sepultado [...] ressuscitou [...] e apareceu [...]" - esses são os fatos históricos fundamentais nos quais o evangelho encontra-se apoiado (1 Co 15:35). "Cristo morreu pelos nossos pecados" (ênfase do autor) - essa é a explicação teológica dos fatos históricos. Os romanos crucificaram muita gente, mas apenas uma dessas "vítimas" morreu pelos pecados do mundo.
Quando Paulo escreveu "segundo as Escrituras" (1 Co 15:3), referia-se às Escrituras do Antigo Testamento. Grande parte do sistema sacrificial do Antigo Testamento apontava para Cristo como nosso substituto e Salvador. Também deve ter se lembrado do Dia da Expiação, observado anualmente (Lv 16), e de profecias como Isaías 53.
Mas em que parte do Antigo Testamento é declarada a ressurreição de Cristo no terceiro dia? Jesus fala da experiência de Jonas (Mt 12:38-41). Paulo também compara a ressurreição de Cristo com as primícias apresentadas a Deus no dia depois do shabbath seguinte à Páscoa dos judeus (Lv 23 :9-14; 1 Co 15:23). Uma vez que o shabbath deve ser sempre o sétimo dia, então o dia depois do shabbath é, necessariamente, o primeiro dia da semana, ou seja, o domingo, o dia da ressurreição de Cristo. No calendário judaico, esse período equivale a três dias. Além da Festa das Primícias, havia outras profecias sobre a ressurreição do Messias no Antigo Testamento: Salmos 16:8-11 (ver At 2:25-28); Salmos 22:22ss (ver Hb 2:12); Isaías 53:10-12 e Salmos 2:7 (ver At 13:32, 33).
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag.
1 Co 15.3. A natureza derivativa do Evangelho é acentuada. Paulo não deu origem à mensagem que lhes transmitiu. Esta era algo que ele próprio recebera (recebi; quanto a este verbo e a entreguei, ver as notas sobre 11:23). Antes de tudo provavelmente não se refere ao tempo, mas à importância. “ Coloco no primeiro lugar...” Esta introdução do sumário da mensagem do Evangelho é importante. Mostra que é um sumário bem antigo. Paulo não nos está dando a sua interpretação do que lhe fora dito. Isto nos remete retrospectivamente ao Evangelho como foi pregado originalmente, o kêrugma, para usar a expressão que C. H. Dodd tornou popular. O primeiro ponto é que Cristo morreu pelos nossos pecados. A cruz está no coração do Evangelho. A morte que Cristo sofreu foi morte expiatória. Foi pelos nossos pecados.
Segundo as Escrituras indica que o Evangelho não foi nenhuma idéia tardia. A morte salvadora de Cristo foi algo predito muito tempo antes na Escritura Sagrada. Paulo não menciona passagens especificas, mas Is 53 estará particularmente em mente.
Leon Monis. I Coríntios. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 164-165.
I Cor 15.3 Agora, porém, ele apresenta mais uma vez o próprio evangelho aos coríntios, sendo que toda a ênfase recai cada vez mais sobre a ―ressurreição‖. “Antes de tudo, vos transmiti o que também recebi.” O evangelho é uma rica mensagem, porém existe nele um ―acima de tudo‖, um centro que a tudo domina. E esse ―acima de tudo‖ não é um centrum Paulinum! Paulo, que na carta aos Gálatas é capaz de enfatizar (Gl 1.12) que ele ―não o recebeu [o evangelho], nem o aprendeu de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo‖, emprega aqui propositadamente os termos técnicos dos rabinos sobre o aprender de outros que lhe são familiares desde a juventude: “receber – transmitir”. Os coríntios não devem ter nenhuma possibilidade de esquivar-se de suas colocações com a desculpa de que se trata apenas de uma opinião particular de Paulo. Não, o apóstolo se encontra de maneira plena e integral no fluxo da tradição geral e não está reproduzindo seus próprios pensamentos. Isso não é uma contradição com Gl 1.12. A palavra do Senhor ressuscitado a Saulo de Tarso às portas de Damasco é tão sucinta quanto possível: ―Eu sou Jesus a quem persegues.‖ A revelação direta de Jesus tornou certeza para quem até então o perseguia, somente esse único fato, de que aquele Jesus pregado à cruz está verdadeiramente vivo e é o kyrios. Todo o resto, todos os detalhes, todas as correlações históricas de Jesus tiveram de ser aprendidas daqueles que estiveram desde o início com Jesus.
Em seu encontro com Paulo Jesus nem mesmo havia falado do sentido e da finalidade de seu sofrimento e morte. Com certeza foi por meio do próprio Espírito Santo que resplandeceu para o convertido Paulo a solução básica do enigma escandaloso, isto é, por que o Messias Jesus, expulso por Israel, teve de morrer como maldito (Gl 3.13) no madeiro: “que Cristo morreu pelos nossos pecados”. Porque ele de imediato anunciou a Jesus e somente três anos mais tarde visitou Pedro em Jerusalém. Ao mesmo tempo, porém, foi da maior importância para ele que ele ouvisse de Pedro e da primeira igreja a mesma coisa: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.”
Estamos tão acostumados com essa frase curta que podemos ouvi-la sem ficarmos singularmente abalados. Contudo, quanto ela diz! Como devem ser terríveis os nossos pecados se tornaram essa terrível morte maldita do Messias necessária para a nossa salvação. Como é certa, porém, nossa redenção, nossa posição limpa perante Deus, se Deus realizou esse ato extremo em favor de nós! Nesse ponto Paulo é completamente unânime com a tradição do primeiro cristianismo. Não obstante toda a riqueza de palavras e feitos de Jesus relatados, os evangelhos são acima de tudo ―história da paixão‖ e correm em direção da cruz. O que Jesus realizou curando enfermidades, libertando pessoas endemoninhadas, consertando vidas humanas, tudo está de antemão alicerçado em sua morte por nossos pecados e selado por essa morte. Com toda a razão e com plena convicção Paulo por isso estava decidido a ―nada saber senão a Jesus Cristo e este crucificado‖ (1Co 2.2). Também nisso tinha certeza da concordância com ―as Escrituras‖. Agora não precisava fornecer aos coríntios diversas provas da Escritura. De suas cartas depreendemos que Paulo constantemente aponta para o que está escrito ao fazer suas exposições. Seu interesse não reside num sistema teológico do Antigo Testamento, mas sempre em palavras isoladas decisivas que representam para ele a voz convincente das ―Escrituras‖.
Werner de Boor. Comentário Esperança I Coríntios. Editora Evangélica Esperança.
I Ped 1.18. Começa efetivamente agora um trecho com verbos no indicativo que, apondo-se ao trecho anterior (13-17), funciona como fundamentador ou reforçador das razões que levam às exortações que o precederam. NA 26 traz o texto 18-21 em estrutura poética, em quatro versos duplos. Junto com o v. 17, eles formam uma única longa sentença.101 Sa bendo que (gr. eidotes) ressalta que a estrutura lógica dos vv. 17-21 é: “se... então... uma vez que...”, ou seja, fato - agir conseqüente – fundamentação teórica. O termo indica que o que vai ser dito já é conhecido; funcionalmente, serve para ligar fatos na mente dos leitores e lembrar-lhes o fundamento teológico sobre o qual constroem a sua nova vida em Cristo. A importância dessa lembrança aparece em 2 Pedro (1.12-15; 3.1-2) e Judas (1.3,17).
O que é lembrado aos leitores é a sua redenção (resgate), e o preço que ela custou. Todo esse trecho (18-20) tem como pano de fundo duas imagens do Antigo Testamento: em primeiro lugar está o motivo de Isaías 53 (cântico do Servo de Deus); em segundo lugar, o motivo da páscoa e do cordeiro pascal (Ex 12). Provavelmente a tônica está na passagem do Servo, de Isaías 53, mediada na tradição cristã pelo dito de Jesus em Marcos 10.45: “o Filho do Homem veio para servir, e dar sua vida em resgate por muitos”. Dentro de um uso livre, a essa figura associam-se motivos do sacrifício do cordeiro pascal.
Primeiramente, é feita a constatação: fostes resgatados. Por trás dessa concepção há algumas suposições que devem ser entendidas, porque têm raízes bem profundas na concepção teológica da Bíblia como um todo. W. Mundle descreveu muito bem a situação básica (nos termos da condição humana que gera todo o processo descrito como “redenção”): “Sempre que os homens, por sua própria culpa ou através de algum poder superior, ficam submetidos ao controle de outra pessoa e perdem sua liberdade para implementar a sua vontade e as suas decisões, e quando os seus próprios recursos são inadequados para enfrentar aquele outro poder, podem obter de novo a sua liberdade somente mediante a intervenção de um terceiro”. Na concepção corrente na Bíblia, o homem, afastando-se de Deus, chegou a se tomar escravizado pelo pecado e pelas forças do mal, não tendo capacidade em si próprio para resistir a essa dominação interna e externa. Isso é o que, basicamente, desencadeia todo o processo de injustiça, de dominação e opressão que caracteriza a sociedade como um todo. As mentes mais sensíveis aos propósitos de Deus, sentindo esse aprisionamento dentro dos limites da condição humana, e a impotência para resolver as causas fundamentais do problema, chegam ao âmago do dilema humano clamando desesperados, como Paulo: “desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). E justamente aí entra a boa nova do evangelho: a chegada de um terceiro (Jesus Cristo) para promover, para toda a humanidade, a superação do dilema; isto aconteceu no Seu sacrifício, na Sua morte na cruz, de modo que se pode assim alegremente exclamar como o mesmo Paulo, ao conhecer essa nova realidade que invadiu o mundo: “Graças a Deus por Jesus Cristo!” (Rm 7.25).
Vários termos são usados no Novo Testamento para expressar essa intervenção libertadora de Deus. Aqui é usada uma forma do verbo lytroomai, que significa “resgatar”, “redimir” por meio de um lytrõn (ou antilytrõn), “resgate”, “preço de resgate”. No mundo helênico, era muito usado em referência à alforria de escravos, havendo todo um processo institucional de resgate sacramental, pelo qual o escravo podia adquirir sua liberdade. Na versão grega do AT, o verbo e seus derivados traduzem principalmente palavras das raízes hebraicas gaal e pada, que “tinham estreita associação com a ideia de libertar escravos e resgatar pessoas ou coisas”, sendo usados assim “como os termos mais apropriados para descrever a libertação da escravidão, daqueles que tinham sido conquistados pelo Egito e depois pela Babilônia, e a recuperação por Deus, para ser Sua propriedade legal, do [que assim ficou designado] “povo da Sua possessão”.105 Este sentido teológico específico foi incorporado e define muito do uso dos termos no Novo Testamento, na maioria das vezes em que aparecem. Assim, o uso do aoristo passivo do verbo aponta inconfundivelmente para o ato redentor de Deus em Cristo. Nele, descortina-se a libertação do secular cativeiro da humanidade, cuja expressão aqui é o fútil procedimento, aquelas vaidade e ilusão sem sentido que vão se perpetuando de geração a geração (que vossos pais vos
legaram). Patroparadotou é “herdado”, “legado dos pais”; como observa Goppelt, o termo “descreve ‘sociologicamente’ o que a tipologia Adão-Cristo, de Rm 5.12-21, expressa teologicamente”. Pela terceira vez neste trecho aparece a palavra anastrofe (cf. 1.15,17), traduzida por procedimento', o sentido aqui é amplo, abarcando, em última instância, toda ex pressão anterior ou social da vida. Antes da redenção por Cristo, tudo era futilidade (cf. IBB: “vossa vã maneira de viver”).
Em segundo lugar, o versículo descreve em termos negativos o preço do resgate, dizendo que ele não se deu mediante cousas corruptíveis (fthartois é o oposto de um dos adjetivos usados para descrever a herança dos crentes, em 1.4: “incorruptível”). Especialmente estão em vista prata ou ouro, que usualmente serviam para o pagamento de resgates no comércio. Há um desafio implícito nestas palavras, uma vez que é consenso que o ouro, por exemplo, tem tanto valor exatamente pela sua resistência à deterioração, sendo signo de estabilidade no mercado. Este mesmo desafio aparece vividamente em Tg 5.1-6, onde se diz do ouro que “enferruja” (cf. o dito de Jesus sobre o acúmulo de riquezas, em Mt 6.19-20). E bem possível que haja aqui uma reminiscência da passagem de Isaías 52.3, onde ao povo no cativeiro é dito: “sem dinheiro sereis resgatados” (LXX: ou meta argyrio lytrothesesthe). Em Cristo, essa promessa alcança uma grandeza definitiva.
19. Finalmente, o preço do resgate é agora descrito positivamente. Dinheiro não poderia comprá-lo (cf. a passagem altamente sugestiva de SI 49.6-8); só o precioso sangue... o sangue de Cristo. Esta expressão descreve a morte de Cristo numa cruz, interpretada na linha de Mc 10.45, como já vimos; Jesus “deu sua vida em resgate por muitos”. A imagem de fundo é a da legislação dos sacrifícios do Antigo Testamento, onde o pecado era expiado pela morte sacrificial de um animal (cf. principalmente Lv4-5). O mais comum (especialmente pensando-se no grande ritual do dia da expiação; Lv 16) era matar-se um cordeiro, que, para ser aceito, tinha de ser sem defeito (gr. arriõmou) e sem mácula (gr. aspilou: os dois termos são virtualmente sinônimos, estando juntos aqui, provavelmente, para reforçar o fato de que só Jesus Cristo podia se situar nessa categoria e ser aceito para o sacrifício vicário). As exigências da lei levítica a esse respeito estão descritas em Lv 22.17-25. O Cordeiro de Deus (Jo 1.29), ao ser Ele próprio oferecido como sacrifício pelos pecados (pelos pecados de todo o mundo, 1 Jo 2.2), leva sobre Si definitivamente a culpa que pesa sobre a humanidade. Por efeito desse sacrifício, desse preço de resgate, somos “comprados” de volta para Deus (Ap 5.9, numa bela descrição do caráter universal dessa transação; cf. também Ap 7.9).
É digna de nota a nova referência ao ouro e seus limites (no v. 19; cf. 1.7). Talvez também o adjetivo precioso (ligado ao “sangue de Cristo”) ressalte essa inversão de valores. Em virtude do estamento social de onde procedem, provavelmente a grande maioria daqueles a quem a carta foi primeiramente dirigida é pobre. Por causa da sua adesão a Cristo, talvez estejam ainda mais empobrecidos (cf. Hb 10.34, que parece fazer alusão a uma espoliação dos bens dos cristãos, e diante da qual eles não contam com recursos judiciais). Todavia, e não para arrefecer os ânimos no empenho por uma sociedade mais justa, a verdadeira e mais profunda medição dos valores tem de ser posta na perspectiva do eterno que irrompe em Cristo; na sua gratuidade, ele põe em cheque as nossas falsas perspectivas e valores.
Ênio R. Mueller. I Pedro. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 106-110.
I Ped 1.18 Sabendo que não fostes redimidos com coisas transitórias, prata ou ouro, de vossa conduta vã, transmitida pelos pais. Vale notar que não se diz: podeis ter esperança de um dia vos tornardes bem-aventurados, mas “sabeis que fostes redimidos”. Da experiência da redenção forma-se a certeza. Contudo, a certeza de redenção, de salvação, não é farisaísmo autoconfiante, mas dádiva alegradora de Deus para aquele que experimentou a libertação real por intermédio de Jesus. E uma conduta correta se torna viável quando há consciência de quanto custou a redenção. Por que não a recaída na vida antiga, por que andar com temor? Porque a redenção da conduta antiga custou um prêmio de resgate infinitamente elevado. É palpável aqui a comparação com o antigo comércio escravista. Um escravo era liberto do domínio de um proprietário por um prêmio elevado, para viver para o novo senhor. Desse modo Jesus nos redimiu na cruz da conduta vã, transmitida pelos pais. Na Bíblia latina, a Vulgata, consta: redimidos… da tradição paterna.
Por natureza todas as pessoas encontram-se na tradição dos pais. Enquanto, pois, a geração mais velha em geral está convicta de que transmite à juventude bons valores básicos, de que com razão se pode esperar uma vida sensata e disciplinada, a Bíblia diz algo bem diferente: os pais de qualquer modo apenas transmitem à juventude o que já receberam, a saber, uma conduta vã. O ser humano separado de Deus em geral não se conscientiza do que significa conduta vã. Sim, ele só consegue suportar a vida presente porque e enquanto não se conscientizar disso até as mais extremas conseqüências. Porque o veredicto vão atinge até mesmo muitas coisas das quais o ser humano acredita que perdurarão “eternamente”. A isso se agrega um segundo ponto: áreas do conhecimento moderno como a doutrina da hereditariedade, a psicologia, a pedagogia e a sociologia nos explicitam que poder possui para o ser humano a conduta legada pelo pai e pela mãe. Características hereditárias e a educação dos primeiros anos de vida determinam o ser humano para toda a sua vida. Quando, pois, o pai ainda vive na incredulidade e no paganismo, sua perdição e seus pecados configuram a vida dos filhos desde o primeiro instante. Um olhar para o paganismo antigo e novo evidencia para onde vão as coisas quando as pessoas vivem sem lei e sem Deus durante várias gerações. Forma-se um estilo de vida, uma conduta transmitida pelos pais, do qual o indivíduo dificilmente se distanciará. Esse estilo de vida e o absurdo dessa conduta se impõem como uma escravidão sobre a vida dos filhos. O ser humano não consegue salvar-se sozinho dessa conduta marcada pela tradição dos pais. É somente o resgate por outro que traz a ajuda necessária.
Qual foi o preço desse resgate para Deus? Não coisas transitórias, prata ou ouro. São esses os meios usuais de pagamento. Com eles se podia comprar a liberdade de escravos. Porém o resgate de que a humanidade escravizada precisava é incomparavelmente mais pesado! Prata e ouro, os mais importantes meios de pagamento na terra, são insignificantes demais para libertar da velha conduta e possibilitar a nova. Embora de alto valor, não deixam de ser passageiros como a terra.
I Ped 1.19 Contudo “o que Deus investiu em nós” é incomparavelmente mais precioso. Por isso consta aqui: redimido… com o precioso sangue de Cristo como um cordeiro sem defeito e sem mácula. Nem prata nem ouro são capazes de libertar uma pessoa do cativeiro da conduta vã. De fato, porém, é o precioso sangue do Cristo que tem o poder de libertar e transformar pessoas de tal maneira que toda a sua vida seja renovada. Aqui como em outros textos o grego christós de forma alguma consta somente como nome, mas com a conotação plena do título de majestade do AT e do elevado predicado para o Ungido de Javé, há muito previsto por Deus e anunciado de forma correspondente pelos profetas. Isso decorre com toda a clareza tanto da metáfora inserida a respeito do “Cordeiro”, que na realidade, como ainda veremos na sequência, evoca a profecia messiânica de Is 53 e a profecia sobre o Messias contida no serviço sacrifical do AT, como também da frase relativa subsequente (v. 20). E por isso o sangue dele é tão precioso, por ser o Messias Filho unigênito, a coisa mais preciosa que o Pai no céu possui. Está sendo definido como Cordeiro sem defeito e sem mácula. No NT isso não constitui apenas uma comparação, mas ele realmente “é” o Cordeiro de Deus. Em Jo 1.29 é chamado de Cordeiro de Deus que leva embora o pecado do mundo, acabando com ele, eliminando-o para sempre. Sim, até na eternidade Jesus, nosso Senhor, será exaltado e adorado também no céu como “o Cordeiro”. Pois consta expressamente no louvor de miríades de anjos: “Digno é o Cordeiro que se deixou imolar…” (Ap 5.12). Os intérpretes na realidade não concordam na questão se, além de Is 53.7, Pedro também pensava no cordeiro pascal (Êx 12.3) e nas prescrições sacrificais do AT (p. ex., em Êx 29.1; Lv 22.17-25), mas com certeza é esse o caso. No Crucificado contemplamos o Cordeiro de Deus, no qual não apenas se realizou a profecia messiânica de Is 53, mas também se cumpriu o significado profético do cordeiro pascal, bem como de todos os sacrifícios que foram oferecidos no templo em Jerusalém. O fato de que temos de recordar Is 52s já é evidenciado por Is 52.3: “Sereis resgatados não com prata.” Em contraposição, a formulação do Cordeiro sem defeito e sem mácula vai além de Is 53, apontando sem dúvida para as determinações gerais de oferendas no AT, segundo as quais somente se podiam sacrificar animais sem defeitos. Aliás, a primeira igreja de forma alguma se fixou em passagens bíblicas específicas, mas via o serviço sacrifical de sangue do AT de forma bem genérica como um tipo, como prefiguração de Jesus Cristo. “Sem derramamento de sangue não acontece remissão”, como se pode sintetizar o sentido do serviço sacrifical (Hb 9.22). Por que, no entanto, sacrifícios tão terríveis e esse derramamento de sangue? Porque o ser humano desperdiçou sua vida perante Deus através do pecado. A consequência disso foi que ele de fato perdeu sua verdadeira “vida” (Gn 2.17). Porque o ser humano pode ter a verdadeira vida somente na comunhão com seu Criador, a fonte da vida. Separada do Criador, a criatura somente encontrará a morte (Rm 5.12; 6.21b,23a). Nessa situação os sacrifícios de animais no AT tinham a finalidade de ser para o ser humano uma permanente recordação de sua carência maior, do pecado como separação de Deus – e ao mesmo tempo de uma profecia messiânica: indicativo e preparação para o Prometido, que um dia levaria o pecado dos humanos definitivamente embora. Assim Jesus como Cordeiro de Deus é a revelação da santa ira de Deus sobre o pecado e ao mesmo tempo a revelação do maravilhoso amor de Deus, que não consegue suportar a morte do pecador. Essa mensagem constitui o centro da Bíblia. Por isso Paulo declara: “Decidi nada conhecer entre vós senão unicamente a Jesus Cristo, e a ele como Crucificado” (1Co 2.2).
Quem é capaz de produzir redenção de pecados para outros? Que qualidades o cordeiro precisa ter? Pedro complementa a exigência do AT sem defeito (Êx 29.1; Lv 22.17-25; Ez 43.22) com uma segunda: sem mácula. Pois, enquanto no AT era necessária uma perfeição meramente física do animal sacrificado, o Cordeiro da nova aliança tinha de ser livre de todas as manchas. No NT “mancha” (em grego spilos, também mancha de sujeira ou vergonha) tem conotação espiritual e moral, não física, como mostra Ef 5.3s. Cordeiro sem mácula significa, portanto: o Cordeiro de Deus não podia ter nem uma mancha sequer, nenhum pecado, ao pretender colocar-se no lugar das pessoas, sacrificar-se por elas e redimi-las. Unicamente Jesus atende a essa condição. Unicamente ele podia redimir a humanidade, o único puro e sem pecados. Ele entregou por nós seu precioso sangue. Fez tudo isso para nos resgatar para a nova vida! Isso fundamenta a exortação: levem a sério sua vida, andem com temor! Saibam que foi paga com alto preço. Lidamos com cautela com aquilo que teve um alto custo!
Uwe Holmer. Comentário Esperança I Pedro. Editora Evangélica Esperança.
II - O SACRIFÍCIO DA POSSE
1. O segundo carneiro da consagração (Êx 29.19-35).
Êx 29.19 Tomarás o outro carneiro. O terceiro animal. O primeiro animal sacrificado, nos ritos de consagração de sacerdotes, era o novilho, uma oferta pelo pecado (ver os vss. 10 ss.). O segundo animal sacrificado era o primeiro carneiro, oferecido como oferta de louvor e consagração (vs. 15). O terceiro animal sacrificado era o segundo carneiro. Esse carneiro era oferecido como sacrifício de consagração do sacerdote. Ver o vs. 22. O trecho de Levítico 8.22 chama esse animal de “o carneiro da consagração”. Era consagrado a Deus; e o homem que o tinha oferecido era assim também cerimonialmente consagrado a Deus. Seu sangue era usado, juntamente com o azeite, tendo em vista a consagração dos sacerdotes (vss. 20,21). Suas porções mais sagradas foram postas por Moisés nas mãos dos sacerdotes, de tal modo que eles ofereciam com elas a sua primeira oferenda a Deus. Ver os vs. 22-24. Era uma espécie de ato coroado da cerimônia. Tudo isso fazia parte da consagração de sacerdotes. Ver os vários estágios do ritual de consagração nas notas sobre o primeiro versículo deste capítulo. impulsionara
O segundo carneiro chegou a ser chamado de “carneiro do enchimento”, porque estava associado ao último estágio do rito, “o enchimento das mãos” do sacerdote com as oferendas de cereais (vss. 23-25). Tudo isso simbolizava a autoridade, a graça, os dons e os poderes próprios do oficio sacerdotal.
Êx 29.20 Os intérpretes veem vários sentidos na aplicação do sangue, bem como nos lugares onde o sangue era posto:
1. O sangue era posto em lugares estratégicos, dando a entender, metaforicamente, uma aplicação completa, ou seja, uma completa consagração.
2. Especificamente: A ponta da orelha direita. Um sacerdote era alguém que de- via estar preparado para ouvir tudo quanto Yahweh ordenasse, a fim de cumprir Suas ordens. O polegar das suas mãos direitas. Um sacerdote devia estar preparado para fazer tudo quanto Yahweh ordenasse, visto que as mãos são o instrumento de ação. O polegar dos seus pés direitos. Um sacerdote devia andar pelos caminhos de Yahweh, pois caminhar é aquilo que fazemos com os nossos pés.
3. É possível que, originalmente, tais ritos tivessem por intuito prover completa proteção contra os ataques de poderes demoníacos sinistros, falando assim sobre uma plena proteção divina, diante de qualquer mal.
sem dúvida estava em foco a intenção que eles deveriam dedicar todas as suas capacidades a Deus” (Adam Clarke, in Ioc.).
O sangue era então aspergido sobre o altar, como no caso do primeiro carneiro (ver 0 vs. 16). Ficava assim simbolizada a total aplicação do sangue, exibindo a total eficácia do sacrifício.
Êx 29.21 A unção das vestes de Arão e de seus filhos sacerdotes foi feita com azeite (ver a esse respeito no Dicionário) e com sangue. Não se sabe se o sangue foi misturado ou não com o azeite. O fato é que assim elas foram consagradas. O vs. 7 já havia falado sobre a unção com azeite, mas temos aqui um outro tipo, em adição àquele. Portanto, o culto de consagração incluía dois tipos. Os estudiosos cristãos veem nisso a unção dos crentes em Cristo, a outorga de autoridade e de graças para cumprirem sua missão. Como é claro, dispomos do poder e dos dons do Espírito, representados no azeite, bem como dos poderes justificadores e santificadores de Cristo, representados no sangue. Ver Sal. 45.8 e Apo. 7.14. Nessa dupla unção, alguns eruditos veem a justificação e a santificação simbolizadas. O trecho de Lev. 8.30 parece indicar apenas uma unção, e alguns críticos pensam que o vs. 21 deste capítulo foi uma adição posterior feita sobre o relato original.
Êx 29.22 A gordura. Ver as notas sobre o uso da gordura para propósitos de sacrifícios, no vs. 13. As porções mencionadas neste versículo eram as mesmas comumente usadas nas ofertas pacíficas (Lev. 3.9-11). O termo cauda gorda indica a cauda larga e pesada que caracteriza as ovelhas orientais. Heródoto (Hist, iii.113) disse algo similar.
Redenho do fígado. A membrana que encobre a porção superior do fígado, que alguns chamam de “apêndice”. Ver Lev. 4.8-10.
A coxa direita. Usualmente era a porção que ficava com o sacerdote, para comê-la (vs. 27; Lev. 7.31,32). Somente o holocausto ou oferta queimada era totalmente consumido no fogo. Em todas as outras modalidades de sacrifício uma parte era deixa- da inteira para consumo dos sacerdotes, e por aqueles que tivessem trazido esses sacrifícios.
O carneiro da consagração. Ou seja, o terceiro animal a ser sacrificado. Esses animais eram: o novilho, o primeiro carneiro e o segundo carneiro. Cada qual tinha sua própria finalidade, conforme é explicado nas notas sobre o vs. 19. O animal era dedicado a Deus; e o sacerdote, ao oferecer o animal, consagrava-se em sentido simbólico por meio do animal sacrificado. Um sacerdote precisava mostrar-se entusiasta e dedicado a seus labores; e o terceiro animal sacrificado simbolizava exatamente isso. Um sacerdote era alguém que pertencia de corpo e alma a Yahweh. Essa era a razão mesma de sua vida. Conforme disse Paulo,“.. .para mim o viver é Cristo...” (RI. 1.21), exprimindo o espírito dessa consagração. Essa atitude fazia parte essencial da consagração dos sacerdotes, como uma espécie de intenção confirmadora do propósito do rito.
O termo hebraico aqui traduzido por consagração significa, literalmente, “da consagração”, resultando nas últimas palavras deste versículo, “o carneiro da consagração”, que tem ligações com o que se lê no vs. 24 deste capítulo. As mãos dos sacerdotes eram cheias com as ofertas de cereais, representando a sua inauguração nas lides sacerdotais. Essas ofertas de cereais, além de certas porções do carneiro da consagração, eram oferecidas sobre o altar; e o resto era comido pelos sacerdotes. Portanto, esse carneiro estava vinculado à ideia do “encher as mãos”, conforme foi explicado nas notas sobre os vss. 24 e 25.
Êx 29.23 Um pão, um bolo de pão azeitado e uma obréia. Temos aqui as ofertas movidas. Esses itens confeccionados de cereais (descritos no vs. 2) faziam parte das ofertas movidas. “Algo dos órgãos do segundo carneiro, um pão, um bolo e uma obréia (bolos asmos bem finos) foram entregues a Arão e seus filhos como uma oferta movida diante do Senhor. O movimento que se fazia, em que pese nossa versão portuguesa que diz, “de um lado para outro” (vs. 24), não era da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, e, sim, para frente e para trás, para frente e para trás, na direção do altar. Com esse gesto, o sacerdote dava a entender que a oferta estava sendo dada a Deus. E então esses mesmos itens eram queimados sobre o altar'’ (John D. Hannah, in be.). o movimento servia para atrair, por assim dizer, a atenção de Deus, como se se pedisse que Ele aceitasse a oferenda. A oferenda era feita daquelas coisas que são necessárias para 0 homem, pelo que esse sacrifício também era uma ação de graças pelo suprimento recebido, em reconhecimento diante Daquele que nos supre de tudo quanto é bom (Tia. 1.17).
“Os objetos mencionados formavam a oferenda de cereais, que sempre acompanhava as ofertas pacíficas” (Ellicott, in ioc.).
A adoração, em certo sentido, consiste em reconhecer a Deus, como Aquele que é o Provedor, o Juiz e o Salvador. Todos os sacrifícios e todas as oferendas enfatizavam uma ou outra dessas qualidades.
Êx 29.24 O enchimento das mãos era parte importante de qualquer final de culto de ordenação sacerdotal. As porções a serem queimadas eram primeiramente postas nas mãos dos sacerdotes. Simbolismos: 1. Deus nos deu tudo, e devemos usar bem aquilo que recebemos da parte Dele. Temos os Seus dons (Tia. 1.17), e uma vida a ser-Lhe consagrada. 2. O sacerdote era assim autorizado a realizar seu serviço espiritual, utilizando aquilo que lhe fora dado. Assim sendo, devolvia o que lhe fora dado sob a forma de dedicação a Yahweh. 3. Além disso, era prerrogativa dos sacerdotes viverem do altar, ou seja, comer certa porção das ofertas para seu sustento físico, excetuando-se somente o caso das ofertas pelo pecado, que eram totalmente queimadas, porquanto essas ofertas eram tidas como contaminadas pelo pecado, que tinha que ser destruído. A porção que cabia ao sacerdote era movida diante do Senhor, conforme já foi destacado nas notas sobre o vs. 23. Essa lei foi 0 começo do conceito que um ministro do evangelho deve viver do evangelho, para que possa ser um obreiro de tempo integral. Ver I Cor. 9.13,14 no Novo Testamento interpretado quanto a plenas explicações sobre essa questão. Cf. I Sam. 2.12-17. Encher as mãos (tradução literal do hebraico) era uma antiga expressão para indicar ser investido nas prerrogativas sacerdotais (Juí. 17.5; I Reis 13.33). Ver sobre as ofertas movidas com detalhes, em Lev. 7.29-36. Ver também os vss. 23 e 26 deste capítulo, quanto a outras informações.
Êx 29.25 Os itens que os sacerdotes receberam (no momento de suas mãos serem cheias), foram então devolvidos a Moisés, e, então, foram postos sobre o altar, a fim de serem consumido fogo. Mas a coxa direita (vs. 22) sempre ficava com os sacerdotes, para dela se alimentarem, e outro tanto se dava com o peito (vs. 26). Dessa maneira, os sacerdotes sobreviviam, vivendo do altar, conforme mostrei na exposição do versículo anterior. A gordura (ver o vs. 13) era a porção principal das ofertas queimadas.
De agradável aroma, Há notas a esse respeito no vs. 18 deste capítulo. Yahweh, ao sentir o aroma do sacrifício, aceitava tanto a oferenda quanto o sacerdote que a tinha oferecido.
Êx 29.26 O peito do carneiro. Essa parte era do sacerdote, ao que vários intérpretes adicionam a coxa direita. E alguns eruditos dizem tudo o mais (na maioria dos sacrifícios), exceto a gordura. Ver as notas sobre o vs. 24 quanto à porção dos sacerdotes e o sentido que isso tinha no que toca a como os ministros deviam viver do altar. Uma vez fossem movidos os itens, então uma parle era queimada sobre o altar, enquanto que outra porção ficava com os sacerdotes. Desse modo recebia Yahweh e recebiam os sacerdotes; Yahweh dava e os sacerdotes também davam, ficando assim cumprida a lei do amor. Cf. este versículo com Lev. 7.29-34 e 10.14. Naquela primeira ocasião, Moisés, como sacerdote oficiante, por ocasião da cerimônia de consagração, recebeu uma porção. Posteriormente, os sacerdotes é que recebiam essa porção.
Êx 29.27 O peito e a coxa direita são aqui especificamente mencionados como porções dadas aos sacerdotes. “A oferta movida indica o ato de mover o sacrifício para a frente e para trás, diante do altar, simbolizando a apresentação da dádiva a Deus e o recebimento de volta como uma porção” (Oxford Annotated Bible, in loc.). Verdadeiramente, é dando que recebemos. Esse é um fato bem conhecido, assim como uma lei espiritual bem comprovada. Ver as notas sobre o vs. 23 quanto às ofertas movidas, e ver também o artigo intitulado Sacrifícios e Ofertas, no Dicionário, onde são abordados os diferentes tipos de sacrifícios e ofertas, e onde são ventilados os propósitos dos mesmos.
Êx 29.28 Yahweh impôs aqui uma obrigação perpétua. Os sacerdotes deveriam viver do altar. O povo de Israel estava na obrigação de desincumbir-se desse dever. Disso dependia a continuação do sacerdócio levítico. Nenhum homem poderia cuidar de ovelhas, no campo, e também trabalhar no tabernáculo. Yahweh queria obreiros de tempo integral nas atividades espirituais. Oh, Deus, concede-nos tal graça! O trecho de Êxo. 28.29,30 mostra que o trabalho dos sacerdotes devia prosseguir continuamente. Os sacerdotes deviam estar sempre ocupados com seus deveres sagrados, e outros deviam sustentá-los materialmente.
Êx 29.29 As vestes santas deviam passar de pai para filho, até o tempo em que, de velhas, chegasse o tempo de serem substituídas. Os filhos, ao receberem as vestes santas, dariam continuação à obra do sacerdócio. Assim sendo, o oficio tomou-se hereditário, até que Cristo viesse substituir o sistema inteiro com Ele mesmo e Seus discípulos, os reis-sacerdotes (Apo. 1.6). Cf. Núm. 2.26,28. Santidade e dedicação simbólicas estavam vinculadas a essas vestes sacerdotais, pelo que essas vestes permitiam a continuação da linhagem sacerdotal.
A consagração do sumo sacerdote fazia-se por meio de uma espécie de investidura que incluía o ato de vestir as vestes sacerdotais de seu pai. Mas não somos informados sobre o que sucedia no caso dos sacerdotes simples. Cf. II Reis 2.13,14. Entendemos que os sumos sacerdotes subsequentes não passavam por elaborados ritos sacrificiais para serem ordenados, conforme sucedeu no caso de Arão. Os elementos da consagração eram: O ato de vestir as vestes; a unção; um período de espera de sete dias (vs. 30). Eleazar recebeu as vestes de seu pai (Núm. 20.28), e assim, a regra baixada aqui foi aplicada segundo foi requerido. As tradições judaicas afirmam que essa lei foi sempre aplicada. Havia um rito de unção, conforme o versículo presente deixa claro; mas parece que não havia ritos sacrificiais.
Êx 29.30 Outra parte do rito de transferência da autoridade sacerdotal consistia no período de sete dias, durante os quais o filho vestia as vestes sacerdotais de seu pai. Esse período era um período de consagração (vs. 35), e como parte integrante da instalação de um novo sumo sacerdote. Somente depois desse período é que ele assumia os seus deveres.
“O sacerdote, em sua consagração, durante sete dias e sete noites ficava à entrada do tabernáculo, mantendo a vigília do Senhor. Ver Lev. 8.33. O número sete era considerado o número da perfeição, pelos hebreus; esse número é, com frequência, usado para denotar o término, o cumprimento, a plenitude ou a perfeição de alguma coisa” (Adam Clarke, in loc.).
Êx 29.31 “Na oferta pacífica, depois que as porções do altar e do sacerdote tinham sido dadas (vs. 27), os adoradores que tinham trazido o sacrifício, deviam consumir o resto no recinto sagrado, enquanto estavam em estado de pureza ritual (Lev. 7.15-21). O sacerdote cozia a carne para eles (I Sam. 2.13). Neste caso, Moisés atuou como sacerdote, e o sacrifício foi trazido a Arão e seus filhos (cf. Lev. 8.31). O ato de cozer é geralmente considerado método mais antigo que 0 ato de assar (cf. 12.18; Deu. 16.7” (J. Coert Rylaarsdam, in loc.). Cf. Lev. 8.31 e Eze. 46.19-34. O cozimento era efetuado à entrada do tabernáculo, onde também era comida a carne. Além disso, o que restasse dos cereais (ver os vss. 2 e 3), era comido juntamente com a carne, conforme somos informados em Lev. 8.31. Qualquer coisa que não fosse então comida tinha que ser queima- da (vs. 34).
Êx 29.32 O banquete combinava a carne do carneiro com o conteúdo da cesta com seus produtos de cereais (ver o vs. 2). Desse modo, os sacerdotes comiam do altar, ou seja, eram sustentados materialmente pelos subprodutos de seu labor. Ver notas sobre isso no vs. 24 deste capítulo.
Os intérpretes cristãos veem neste versículo o sustento espiritual que Cristo oferece aos Seus discípulos, sendo Ele o Pão da Vida. Sua carne foi oferecida por nós em Seu ato expiatório.
À porta da tenda da congregação. Talvez esteja em foco simplesmente 0 átrio onde o povo comum podia entrar e circular. Mas no caso da ordenação de sacerdotes, nenhum leigo podia entrar no átrio e nem participar do cerimonial (vs. 33).
Êx 29.33 A expiação. Os eruditos têm feito uma clara distinção entre os tipos de sacrifício feitos: o novilho (pelo pecado); o primeiro carneiro (para a consagração); e o segundo carneiro (para a ordenação e a dedicação). Ver os vss. 11,15 e 19, respectivamente, no que tange a esses três sacrifícios. Apesar de poder sustentar essas distinções, a palavra expiação neste caso, no que se aplica à cerimônia inteira, dá a entender que 0 sacrifício dos dois carneiros também incluía a ideia de expiação, e não somente no caso do novilho. Alguns eruditos, porém, não aceitam a palavra expiação em seu sentido ordinário, e referem-se somente às ofertas pacíficas como “coberturas”. Mas é difícil ver 0 que poderia estar sendo coberto, senão o pecado. Seguiam-se sete dias mais de ofertas sacrificiais como expiação, em que um novilho era oferecido a cada dia (vss. 36,37). Portanto, é difícil perceber um sentido diferente dessa palavra no vs. 33, senão aquele sentido tencionado em outras porções do contexto. A preocupação com a expiação pelo pecado era realmente grande na mente dos hebreus! Adam Clarke suspirou de alívio ao observar que todas aquelas mortes de animais foram substituídas por Cristo, em Sua morte única, pondo fim aos sacrifícios sangrentos do Antigo Testamento.
O estranho não comerá. Não se deve entender aqui os estrangeiros, os que não eram hebreus, e, sim, os leigos, estranhos ao culto de consagração de sacerdotes. O Targum de Jonathan traduz esse vocábulo como “profano”, isto é, uma pessoa que não estivesse apta para participar da cerimônia, mesmo que fosse um israelita. O rito limitava-se à família de Arão.
Êx 29.34 Se sobrar alguma cousa. Fragmentos santos do banquete, sem importar se animais ou vegetais (cereais), não podiam ser deixados abandonados, para serem profanados. Logo, o que quer que sobrasse, precisava ser queimado. Isso pode ser comparado com as instruções acerca da páscoa, que requeriam a mesma coisa. Ver Êxo. 12.10. Aquilo que fosse devotado a um uso sagrado, não podia ser comido por algum passante, por um cão ou por outro animal qualquer. Alguns cristãos têm seguido isso em espírito, fazendo os elementos da Ceia ou eucaristia serem consumidos ou destruídos, para nada restar para ser usado em sentido comum.
Êx 29.35,36 Por sete dias os consagrarás. Esse era o período necessário para a instalação dos sacerdotes. A lavagem cerimonial, a investidura e a unção (vss. 29,30) tinham lugar no primeiro dia. Seguiam-se então sacrifícios repetidos a cada dia. Enquanto isso estivesse em processo, os sacerdotes tinham que permanecer no átrio (Lev. 8.33). Uma vez terminado esse prazo, então os sacerdotes estavam autorizados a iniciar seu serviço sagrado. O capítulo oitavo de Levítico não menciona qualquer oferta pelo pecado (o que, afinal, tinha tido lugar no sacrifício do novilho e dos dois carneiros); e sua presença aqui, de acordo com alguns críticos, é apenas uma adição posterior, feita por algum editor. Esses críticos pensam que essas oferendas adicionais, no tocante à consagração de sacerdotes são anacrônicas. Nesse caso, as adições teriam sido feitas por um editor que tentou reconciliar a questão com as descrições que se veem em Ezequiel 43.18-27.
Sete dias. Sete era o número da perfeição. Ver as notas sobre Êxo. 29.30. A ideia de perfeição, simbolizada pelo número sete, vefrida história da criação em sete dias (Gên. 1 e 2). Ver no Dicionário os artigos intitulados Número (Numeral, e Números na Bíblia. Quanto ao sacrifício do novilho, ver as notas sobre os vss. 11-14 deste capítulo. O texto não repete a informação sobre o sacrifício dos dois carneiros.
E o ungirás para consagrá-lo. Está em pauta o altar. O altar era ungido mediante a aspersão do azeite santo por sete vezes sobre o mesmo. O altar era assim consagrado para os serviços santos que os sacerdotes tinham a realizar. O altar era um lugar do tabernáculo onde Yahweh se manifestava mais clara- mente.
A Eficácia do Sangue. Ver as notas sobre isso no vs. 12 deste capítulo. No Dicionário ver os artigos Sangue e Expiação pelo Sangue. Ver Lev. 1.5. “O sangue, a sede do mistério da vida (Êxo. 17.11; Deu. 12.23; Gên. 9.4) era considerado como particularmente sagrado diante de Deus. Portanto, com base no princípio do sacrifício de vida por vida, o derramamento de sangue era eficaz para perdão de pecados e para a reconciliação do homem com Deus. O ato de derramar o sangue ao pé do altar simbolizava a participação de Deus na cerimônia de expiação (Exo. 24.6-8)" (Oxford Annotated Bible, sobre Lev. 1.5).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 438-453.
Êx 29.19-28 — Um dos mais obscuros ritos no livro de Êxodo é o uso do carneiro das consagrações. A expressão no hebraico significa o cordeiro do preenchimento, isto é, o carneiro resulta no preenchimento das mãos dos sacerdotes em sua divina tarefa (v. 9). Muitas partes desta passagem continuam, de certa forma, um mistério para nós. Contudo, compreendemos que os sacerdotes preparavam cuidadosamente esse tipo de sacrifício para adoração ao Deus santo.
2 9.19 — O termo outro carneiro se refere ao segundo dos dois carneiros mencionados no versículo 1 (compare com o primeiro carneiro, v. 15-18).
Êx 29.20,21 — Espargir o sangue nos sacerdotes significa que eles estavam inteiramente sob o sangue que reparava o pecado (Ex 12.7). É possível que o ato de aspergi-lo na orelha represente a audição da Palavra de Deus, e, no polegar da mão direita, o cumprimento da vontade do Senhor. Já a unção do dedo do pé direito pode significar a jornada e a caminhada junto a Yahweh. Não só os homens deveriam ser aspergidos com sangue e azeite da unção, mas também suas vestes. Desta forma, as belas roupas dos sacerdotes seriam consagradas ou santificadas. A morte de um animal apontava para a posterior morte de Cristo (Hb 10.1-14).
Êx 29.22-24 — Uma oferta com movimento deveria ser feita com a gordura do carneiro e com o pão asmo (descrito no v. 2). Os elementos tinham de ser erguidos e depois movidos para trás e para frente diante do altar. A oferta deixava claro que tudo acontecia em prol do Senhor, mas recebiamse muitas bênçãos como presentes de Deus. [Para mais informações acerca das ofertas movidas, leia Lv7.30;10.14.]
Êx 29.25 — Após esse ato simbólico (v. 22-24), a gordura e os pães asmos eram queimados como holocaustos (v. 18). Isso também é chamado de oferta queimada.
Êx 29.26 — O peito do carneiro era movido diante do altar do Senhor como gesto simbólico de dar e receber, e depois era usado pelos sacerdotes para o consumo, representando assim um presente do Senhor.
Êx 29.27 — Uma oferta de movimento e uma oferta alçada são termos gerais que representam diferentes tipos de sacrifícios. As expressões são usadas neste versículo como partes da oferta de comunhão (Lv 7.29-34). Mas elas também são empregadas para se referir à oferta especial de grãos (Nm 15.19-21) e ao dízimo (Nm 18.24-29).
Êx 29 .27 ,28 — A palavra traduzida como oferta alçada (hb. terúmâ) significa algo que se ergueu (diante do Senhor). Outro significado é contribuição. Êx 29.29-34 — Os sacerdotes deveriam comer a carne do carneiro das consagrações (v. 19-28) em uma refeição de celebração junto com o pão (v. 2,23) que não fora queimado. Uma pessoa de fora não podia consumir esses alimentos, nem mesmo as sobras. Tudo que não fosse comido na cerimónia tinha de ser queimado.
Êx 29.35-39 — Os ritos de consagração (v. 9) duravam sete dias. A repetição desses atos, dia após dia, enfatizava o quão necessárias eram a santidade e a fidelidade na adoração.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 184.
Heb 9.22 A palavra que fundamenta todos os atos sacrificiais no AT, Lv 17.11, alcança, neste versículo, sua confirmação expressa no solo do NT: “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma”. O apóstolo declara: sem derramamento de sangue, não há remissão. Com esta frase ele fundamenta os fatos da salvação que ele formulara nos v. 12-14. O sangue do Cristo realiza a remissão eterna, que reside no perdão de nossos pecados (cf. Ef 1.7). Deste modo, todos os sacrifícios sangrentos da antiga aliança chegam ao encerramento no sacrifício sangrento da nova aliança. Constitui uma ordem de salvação inquebrantável da vontade de Deus que, para reconciliar os pecados perante Deus, no AT e no NT, era preciso ser derramado sangue. Com nossa capacidade natural de raciocínio não conseguimos apreender a justificação dessa ordem, porque na terra nos são vedados entendimentos últimos (cf. 1Co 13.9). Temos de submeter-nos reverentes a isto pela fé.
Comentário Esperança Carta Hebreus. Editora Evangélica Esperança.
O coração da verdadeira religião (9.22). A necessidade de derramamento de sangue, tipificando a doação de vida, é resumida no versículo 22. No que tange à purificação cerimonial, as coisas, i.e., o Tabernáculo e seus acessórios de adoração, lemos o seguinte: E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue. Mas ainda mais indispensável é o sangue remidor oferecido em favor dos pecadores. Coisas requerem o aspergir de sangue quando são consagradas. Mas pessoas requerem perdão; e embora possa haver exceções em relação às coisas, não há exceção no perdão; porque sem derramamento de sangue não há remissão de forma alguma.21 Esta é a grande diferença entre o caminho de Deus e o caminho do homem, entre a verdadeira religião e a falsa. O homem tem uma visão inadequada do pecado e despreza o sangue como inerentemente necessário para o perdão. Mas ao exigir sangue, Deus ressalta a excessiva pecaminosidade do pecado; e ao prover o Sangue, Ele revela o seu infinito amor. O sangue do pecador pode ser poupado — mesmo o de animais — porque Deus sacrificou seu próprio “Cordeiro [...] que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).
Richard S. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 83.
Os sacerdotes levíticos, quando das abluções batismais, tinham de ser totalmente imersos e purificados, a fim de poderem servir em seu ofício (Ex 29.21; Lv 8.30). Arão e seus filhos passaram rigorosamente por esta espécie de purificação. “Moisés fez chegar a Arão e a seus filhos, e os lavou com água” (Lv 8.6). Isso era símbolo da purificação moral, da purificação da alma e de todos os seus vícios, excessos e pecados. Os cristãos também reconhecem que além do batismo cristão, eles têm sido “... santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” (Hb 10.10). Em suma, cada crente então procura andar em santidade de vida, “... renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas” (Tt 2.12) e dedicando-se inteiramente ao serviço do Mestre. Cada cristão deve ser um vaso santificado para uso santo do Senhor, para que por meio da santificação possa ouvir de seus lábios as solenes palavras: “... este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel” (At 9.15).
Severino Pedro Da Silva. Epístola aos Hebreus. Editora CPAD. pag. 195.
Hb 9. 22. A conclusão geral sobre este tema é que, de acordo com a lei, quase todas as coisas... se purificam com sangue. A palavra quase (schedon) qualifica a declaração inteira e tem o significado de “quase se pode dizer,” como se fosse uma declaração geral que se aplicava na maioria dos casos. Alguns ritos judaicos de purificação eram feitos através da água ou através do fogo, mas os mais significantes eram através de sacrifícios que envolviam o derramamento do sangue de uma vítima. Vale notar que as palavras com sangue (en haimati) podem ser traduzidas “em sangue”, como a esfera em que a purificação é feita. Todas as coisas (panta), embora traduza uma palavra neutra, visa incluir as pessoas bem como os objetos, os sacerdotes e a congregação igualmente.
A declaração final aqui — sem derramamento de sangue não há remissão - é baseada na declaração de Levítico 17.11. Resume o propósito dos sacrifícios com sangue de acordo com a lei. O derramamento de sangue indica a morte do animal e o derramamento cerimonial do seu sangue. Subentende mais do que a doação da vida. Sua eficácia reside na aplicação do sangue. Desta maneira, o escritor está edificando uma explicação da necessidade da morte de Cristo. Deve ser notado que Levítico 5.1, faz uma exceção no caso de extrema pobreza, quando, então, uma décima parte de uma efa de farinha fina é aceita como oferta pelo pecado. Mas esta é uma concessão e não anula o princípio que ainda está ali na intenção.
o texto original, seguido por ARA, somente tem a palavra remissão (aphesis) sem qualificação, o que é digno de nota, porque e' o único caso deste tipo no Novo Testamento (a não ser na citação da LXX em Lc 4.18). O uso absoluto da palavra toma sua aplicação mais geral. Fica sendo uma referência ao livramento bem como ao perdão dos pecados específicos.
O alvo dos sacrifícios era trazer algum tipo de remissão do pecado, mas a palavra aphesis nunca recebeu a importância que lhe toca até a era do Novo Testamento, quando, então, imediatamente tomou-se uma característica da proclamação cristã primitiva (cf. At 2.38). Compare, também, o relato de Mateus das palavras da instituição da ceia do Senhor (Mt 26.28).
Donald Guthrie. Hebreus. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag.183-184.
2. Sacrifícios diários.
As ofertas diárias se seguiam durante sete dias, que era o tempo que durava a cerimônia de posse do novo sacerdote. Arão e seus filhos cozinhavam e comiam juntamente com o que sobrava do cesto do pão e as porções de carne não queimadas do altar ou que haviam sido dadas a Moisés. O mesmo também ocorria no caso da oferta pacífica. Esse pão e essa carne dos quais os sacerdotes participavam, e que os santificavam, representavam o corpo de Cristo cuja carne era simbolizada no Novo Testamento pelo pão da Santa Ceia (Mt 26.26; 1 Co 11.24) Um detalhe interessante e que as vestes do sumo sacerdote eram passadas para o seu filho por ocasião da consagração deste como novo sumo sacerdote (Ex 29.29,30). O novo sumo sacerdote deveria passar pelo mesmo cerimonial de consagração de seu pai, com o azeite sendo derramado sobre aquelas vestes mais uma vez — e sobre ele, pela primeira vez. A indumentária não seria nova — seria a mesma usada por seu pai —, mas a experiência seria nova para o novo sumo sacerdote. Isso fala que as responsabilidades, representadas aqui pela indumentária, se transferem, mas a consagração e a unção, não. O novo ministro tem que ter a sua própria experiência de confirmação e capacitação para o ofício dadas por Deus.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 144-145.
Lv 6.12,13 O fogo... sempre arderá sobre o altar. As chamas sobre o altar eram perenes. Esses dois versículos dão-nos duas afirmações garantindo-nos que não podiam apagar-se as chamas sobre o altar de bronze. Os sacerdotes estavam encarregados de garantir que essas chamas nunca se apagassem. O vs. 9 deste capítulo já deixara isso entendido, onde comentei sobre a questão e seus possíveis simbolismos. O sacerdote tinha de usar de cuidado ao remover as cinzas, a fim de não perturbar os pedaços de gordura que continuassem queimando. Pela manhã, o fogo era avivado com lenha, para que as chamas não se apagassem Uma madeira santa era escolhida para esse mister, pelo que sempre havia em depósito bastante lenha com esse propósito. Ver Lev. 1.7 e suas notas expositivas.
O vs. 13 repete a questão do fogo santo. Foi o Senhor quem enviara o fogo do céu (Lev. 9.24), e o homem era agora responsável por sua continuidade. Durante os dias do segundo templo, o fogo perpétuo consistia em três partes ou pilhas separadas de lenha sobre o altar, mas isso representava uma complicação da ordenança original. As maiores fogueiras eram usadas nos holocaustos diários; a segunda fogueira supria os incensários e a queima do incenso; e a terceira era o fogo perpétuo, que alimentava continuamente as outras duas fogueiras. Esse fogo nunca se apagava, até que Nabucodonosor forçou o fim desse fogo continuo, devido ao cativeiro babilônico. A mitologia diz que os sacerdotes judeus foram capazes de manter as chamas vivas em algum lugar oculto, e que, nos dias de Neemias, elas foram renovadas publicamente.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 496.
A Lei do Holocausto (6.8-13)
A seção introdutória de Levítico (1.1—6.7) é endereçada aos israelitas (1.2) e é a palavra de Deus para eles sobre os sacrifícios que o Senhor exigia. Agora, Deus se dirige aos sacerdotes, Arão e seus filhos (9), que têm de executar estes rituais. Estas instruções são prestimosas para entendermos mais acerca do sistema sacrificatório levítico e súa significação.
Primeiramente, ficamos sabendo que o fogo tinha de ser mantido aceso continuamente no altar (9-13). O texto de Êxodo 29.38,39 nos informa que um holocausto era oferecido pela manhã e outro à tardinha. Era a gordura do sacrifício da tarde que mantinha o fogo do altar queimando a noite toda. Uma chama permanente queimando diante da deidade não é exclusividade da religião bíblica. E expressão da intuição humana que louvor e adoração contínuos devam subir do homem para Deus. Se esta realidade é sentida por quem conhece pouco da graça divina, quanto mais relevante que o coração do crente seja cheio de oração incessante e louvor permanente! Acerca do fogo, Micklem comenta:
[O fogo] chama a atenção dos cristãos para o sacerdócio eterno do Senhor Jesus Cristo, o grande Sumo Sacerdote, que vive “sempre para interceder por” nós (Hb 7.25) e é “sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 5.6). Ele Levítico 6.9-23 Um Manual de Adoração oferece sua obediência eterna ao Pai, um sacrifício aceitável, em benefício de todos; ele é o sacerdote, e sua obediência e seu amor perfeito a Deus são o cordeiro: estes ele oferece em nome de todos os homens, porque “não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hb 2.11). O sacerdote recebe instruções relativas à roupa que usaria para, todas as manhãs, retirar as cinzas do altar (11). Os trajes sacerdotais regulares não deviam ser usados para esta tarefa. Muitos ficam surpresos ao constatarem quanto espaço é dedicado na Bíblia à roupa. Ainda mais quando diz respeito às vestes dos sacerdotes.
A idéia transmitida é que nossa aparência perante Deus é importante. Esta verdade é mais desenvolvida no Novo Testamento e na hinologia cristã. Jesus falou sobre a necessidade de “veste nupcial” (Mt 22.11-14). Em Apocalipse, somos aconselhados a comprar “vestes brancas” (Ap 3.18) e a guardar as “vestes” (Ap 16.15). O registro bíblico também afirma que a noiva do Cordeiro se veste “de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19.8). O assunto tratado em Levítico diz respeito à roupa do mediador que fica entre Deus em sua santidade e o adorador.
Dennis F. Kinlaw. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 269-270.
O sacerdote deveria tomar conta do fogo sobre o altar, para que fosse mantido sempre aceso. Isto é insistido aqui (w. 9,12), e esta lei expressa é dada: fogo arderá continuamente sobre o altar. Não se apagará, v. 13. Podemos supor que nenhum dia passava sem sacrifícios extraordinários, os quais eram sempre oferecidos entre o cordeiro de manhã e da noite. De forma que desde a manhã até a noite o fogo do altar era mantido aceso. Mas para mantê-lo a noite toda até de manhã (v. 9) eram necessários alguns cuidados. Aqueles que cuidam de boas casas nunca deixam o fogo da cozinha se apagar. Portanto, Deus, desse modo, daria um exemplo de seu zelo pela casa. O primeiro fogo sobre o altar veio do céu (cap. 9.24), para que, mantendo-o aceso continuamente com uma provisão constante de combustível, todos os seus sacrifícios por todas as suas gerações pudessem ser considerados como sendo consumidos pelo fogo do céu, que era o sinal da aceitação de Deus. Se, por descuido, eles deixassem o fogo se apagar, não poderiam esperar tê-lo aceso da mesma forma novamente. Assim os judeus nos contam que o fogo nunca se apagou no altar, até o cativeiro na Babilônia, Isto é mencionado em Isaías 31.9, onde é dito que Deus tem o seu fogo em Sião, e a sua fornalha em Jerusalém. Por esta lei somos ensinados a manter em nossas mentes uma disposição constante a todos os atos de piedade e devoção, uma afeição habitual às coisas divinas, de forma a estarmos sempre prontos para toda boa palavra e para toda boa obra. Nossa obrigação não se limita a não extinguir o Espírito, mas devemos despertar o dom que há em nós. Embora não estejamos, continuamente, oferecendo sacrifícios ao Senhor, devemos manter o fogo do amor santo sempre ardendo. E assim, devemos orar sem cessar.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 371.
I Cor 4.16 Paulo olha para sua vida e atuação, que trazem consigo de forma totalmente real “a imolação de Jesus”. Ele sabe que não se trata de períodos isolados de aflição que são superados, dando lugar a períodos tranquilos e felizes. Não, a corrente de tribulações e perseguições não se rompe. Será que isso finalmente não o deixará “desanimado” e cansado? Justamente agora, porém, depois de olhar para o necessário sofrimento de sua vida, Paulo repete o que havia assegurado aos coríntios em 2Co 4.1: “Por isso, não desanimamos (ou: cansamos).” “Por isso” não, uma vez que o olhar para a vida que ele vive, tornou-se um olhar para a glória vindoura. Na nova existência da ressurreição eles serão “apresentados” diante da face do Deus vivo em conjunto com a amada igreja. Como poderia haver cansaço e desânimo diante desse alvo?
É essa a certeza que Paulo explicita mais uma vez a si e aos coríntios. Desde já, sua experiência em meio a todos os sofrimentos é esta: “mesmo que o nosso homem exterior se desgaste, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia.” Sem dúvida, em Paulo e seus colaboradores pode-se ver nitidamente que seu “homem exterior se desgasta”. Esse constante engajamento, essas lutas e tribulações reiteradas consomem a força, e na verdade não apenas a força física, mas também a intelectual e psíquica. Também ela pertence àquilo que Paulo chama de “homem exterior”. Mas dentro disso tudo Paulo experimenta que seu “homem interior se renova de dia em dia”. Esse “homem interior” não é simplesmente o aspecto interior intelectual do ser humano. Quem esteve pessoalmente em um sofrimento constante sabe que justamente também sua “vida interior” inata é corroída e ameaça afundar em desânimo, cansaço e amargura. Não, Paulo refere-se à pessoa que tem o “mesmo espírito da fé”, o ser humano que “com o rosto descoberto reflete a glória do Senhor e é transformado na mesma imagem” (2Co 3.18; 4.13). Esse “homem interior” “se renova” dia após dia, pela maneira e razão pela qual ele é “transformado” dia após dia. A fé está presente de forma renovada e cada vez mais profunda e aprovada. Experimenta-se o “consolo” de Deus em encorajamentos e libertações de formas sempre novas. Esse ser humano de fé não se esgota, mas é incansável e constantemente livre e disposto a servir, a sofrer, a morrer, para que por intermédio dele a vida de Jesus se torne eficaz em outros.
Werner de Boor. Comentário Esperança I Coríntios. Editora Evangélica Esperança.
2 Cor 4.16-17. Estava certo de que suas tribulações cooperariam para seu bem (vv. 16, 17). "Não desanimamos", era o testemunho confiante de Paulo (ver 2 Co 4:1). Que importa se o "ser exterior" se deteriora quando o "ser interior" experimenta renovação espiritual diária? Paulo não sugere, aqui, que o corpo não é importante nem que devemos ignorar seus sinais de aviso e necessidades. Uma vez que nosso corpo é o templo de Deus, devemos cuidar dele. No entanto, não podemos controlar a deterioração natural do corpo humano. Quando pensamos em todas as provações físicas que Paulo suportou, não nos admiramos de ele ter escrito essas palavras.
Como cristãos, devemos viver um dia de cada vez. Nenhuma pessoa, por mais rica ou competente que seja, pode viver dois dias de cada vez. Deus provê "de dia em dia", à medida que oramos a ele (Lc 11 :3). Ele nos dá as forças de que precisamos de acordo com o que cada dia exige de nós (Dt 33:25). Não se pode cometer o erro de tentar "armazenar bênçãos" para emergências futuras, pois Deus dá a graça de que precisamos, quando precisamos (Hb 4:16). Quando aprendemos a viver um dia de cada vez, certos do cuidado de Deus, sentimos alívio de boa parte das pressões da vida.
De metro em metro se vive, sempre a duras penas!
De centímetro em centímetro, as coisas são serenas!
Quando vivemos pela fé em Cristo, adquirimos uma perspectiva correta do sofrimento. Convém observar os contrastes que Paulo apresenta em 2 Coríntios 4:17: leve tribulação - peso de glória; trabalhando contra nós - trabalhando em nosso favor. O apóstolo refere-se a valores eternos. Compara as tribulações presentes com a glória futura e descobre que suas provações, na verdade, trabalham a seu favor (ver Rm 8:18).
Não devemos interpretar esse princípio equivocadamente e pensar que o cristão pode viver como bem entender e esperar que, no final, tudo se transforme em glória.
Paulo escreve sobre tribulações que sofria dentro da vontade de Deus e enquanto realizava a obra do Senhor. Deus pode transformar o sofrimento em glória, e é exatamente isso o que ele faz; mas Deus não pode transformar pecado em glória. O pecado deve ser julgado, pois não possui glória alguma.
Deve-se relacionar 2 Coríntios 4:16 com 3:18, pois os dois versículos referem-se à renovação espiritual do filho de Deus. Em si mesmo, o sofrimento não tem poder para nos tornar homens e mulheres mais santos. A menos que nos entreguemos ao Senhor, busquemos sua Palavra e confiemos que ele irá operar, o sofrimento só servirá para prejudicar nossa vida cristã. Em meu ministério pastoral, tenho visto pessoas que se tornam críticas e amarguradas e que vão de mal a pior, em vez de se desenvolverem "de glória em glória". Precisamos desse "espírito da fé" que Paulo menciona em 2 Coríntios 4:13.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 842.
16. Assim, ele pode apelar para que sejam seus imitadores, que é o sentido da palavra (mimetai). Apelos desta espécie Paulo os faz mais vezes do que esperaríamos. Mas ele não deseja ligar os seus seguidores a si pessoalmente. Isto entraria em contradição com o teor geral desta passagem. Se quer que o imitem é a fim de que aprendam desse modo a imitar a Cristo (cf. 11:1; 1 Ts 1:6). Embora nas diferentes circunstâncias de hoje os pregadores bem possam hesitar em convocar outros a imitá-los, ainda continua sendo verdade que, se havemos de recomendar o Evangelho, há de ser porque as nossas vidas revelam o seu poder.
Leon Monis. I Coríntios. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 67.
III - CRISTO, PERPÉTUO SUMO SACERDOTE
1. Sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque.
A Preeminência de Cristo
Porém, aprendemos alguma coisa mais com a ordem da unção neste capítulo, além da do Filho é-nos também apresentada. "Amaste a justiça e aborreceste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros" (SI 45:7; Hb 1:9). É preciso que o povo de Deus mantenha sempre esta verdade nas suas convicções e experiências. Por certo, a graça infinita de Deus é manifestada no fato maravilhoso que pecadores culpados e dignos do inferno sejam chamados companheiros do Filho de Deus; mas nunca devemos esquecer, nem por um momento, o vocábulo "mais". Por mais íntima que seja a união—e é tão íntima quanto os desígnios eternos do amor divino a podiam fazer—, é, contudo, necessário que Cristo tenha em tudo a preeminência" (Cl 1:18). Não podia ser de outra maneira. Ele é Cabeça sobre todas as coisas — Cabeça da Igreja, Cabeça sobre a criação, Cabeça sobre os anjos, o Senhor do universo. Não existe um só astro de todos os que se movem no espaço que não Lhe pertença e não se mova sob a Sua orientação. Não existe um verme sequer que se arrasta sobre a terra, que não esteja sob os Seus olhos incansáveis. Ele está acima de todas as coisas; é toda a criatura "o primogénito de entre os mortos" "o princípio da criação de Deus" (Cl l:15-18;Ap 1:5). "Toda a família nos céus ena terra" (Ef 3:15) deve alinhar, na classe divina, sob Cristo. Tudo isto será reconhecido com gratidão por todo o crente espiritual; sim, a sua própria articulação produz um estremecimento no coração do crente. Todos os que são guiados pelo Espírito regozijar-se-ão com cada nova manifestação das glórias pessoais do Filho; da mesma maneira que não poderão tolerar qualquer coisa que se levante contra elas. Que a Igreja se eleve às mais altas regiões e glória, será seu gozo ajoelhar aos pés d'Aquele que se baixou para a elevar, em virtude do Seu sacrifício, à união Consigo; o qual havendo plenamente correspondido a todas as exigências da justiça divina, pode satisfazer todos os afetos divinos, unindo-a em um Consigo Mesmo, em toda a aceitação infinita com o Pai, na Sua glória eterna: "Não se envergonha de lhes chamar irmãos" (Hb 2:11).
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
Gn 14.18 Melquisedeque. Achamos aqui um homem misterioso que tem arrebatado à imaginação dos intérpretes. Dai haver tantas e tão variegadas tentativas de identificação. Não reitero aqui os detalhes, visto que no verbete sobre esse homem, no Dicionário, forneço abundantes informações. As referências veterotestamentárias a ele aparecem em Gên. 14.18 e Sal. 110.4. No Novo Testamento, todas as referências acham-se na epístola aos Hebreus (5.6,10; 6.20; 7.1,10,11,15,17,21). Mas há muitas tradições sobre ele, que aumentam tão escassas informações bíblicas. O autor do tratado aos Hebreus faz dele um tipo de Cristo, o originador do tipo de sacerdócio que Cristo tinha, que já existia antes do sacerdócio aarônico e até lhe era superior. Os mórmons dizem ser continuadores tanto do sacerdócio de Aarão quanto do sacerdócio de Melquisedeque, e este segundo reveste-se de maior importância que o primeiro.
Salém. No hebraico, completa. Esse nome é uma forma abreviada de Jerusalém (ver no Dicionário a esse respeito). Embora ocorra apenas por quatro vezes nas Escrituras, o nome Salém é a primeira designação dessa cidade (Gên. 14.18), identificando o lugar da cobertura, tenda ou habitação de Deus (Sal. 76.2). O titulo dado a Melquisedeque, ou seja, rei de Salém (Heb. 7.1), significa “rei de paz”, no versículo seguinte, destacando-se o seu sentido de segurança, prosperidade e bem-estar. Salém talvez também seja nome ligado a alguma divindade cananéia desse nome, adorada pelos seus habitantes jebuseus originais. A emenda de nossa versão portuguesa, em Gên. 33.18, para “chegou Jacó são e salvo à cidade de Siquém”, segue de perto a Revised Standard Version, em inglês.
Pão e vinho. É provável que estejam em mira alimentos e bebidas de vários tipos. Talvez devamos pensar aqui em uma refeição providenciada por Melquisedeque. Mas alguns veem na cena uma espécie de sacrifício religioso, algum rito ou cerimônia. Talvez tenha havido algum tipo de rito religioso de ação de graças, diante da vitória, com bênção conferida aos participantes vitoriosos. É possível que Melquisedeque, como tipo do Rei dos Reis que viria, tenha previsto as necessidades tanto do corpo quanto da alma dos presentes. O amor de Deus sempre provê o necessário tanto para um quanto para outra.
Deus Altíssimo. Melquisedeque era o sacerdote de El Eiyon. O nome E/era comumente aplicado a Deus entre os povos de origem semita, e tornou-se na Biblia um dos nomes principais de Deus, em sua forma singular ou plural, respec- tivamente, El e Elohim. (Ver no Dicionário 0 verbete Deus, Nomes Bíblicos de.) El significa “poder”, “força”. É nome usado de forma composta com outros titulos. Assim, temos Deus Todo-poderoso, em Gên. 17.1; Deus, o Deus de Israel, em Gên. 33.20; e El-Betel (Deus de Betei), em Gên. 31.13. Por sua vez, Elyon é apelativo usado com frequência no Antigo Testamento para indicar o Senhor (Sal. 78.35).
Alguns estudiosos têm sugerido que El Elyon seria uma antiga divindade do santuário de Jerusalém que, mais tarde, veio a ser identificada com Yahweh. Os Macabeus foram chamados “sacerdotes do Deus Altíssimo” no livro Assunção de Moisés 6.1. Em Salmos 7.17, Elyon é aplicado a Yahweh. No vs. 22 deste capituIo, Abraão jurou por Yahweh, El Elyon.
Sacerdote. Temos aqui a primeira menção ao termo “sacerdote” na Biblia. Embora talvez Melquisedeque fosse cananeu, seu sacerdócio e adoração foram reconhecidos por Abraão como ligados ao mesmo Deus que o seu. Alguns intérpretes judeus pensam que Melquisedeque é outro nome dado a Sem, a fim de evitarem o problema criado por um rei pagão. Mas isso já é eisegesis, e não exegese, ou seja, é ler no texto aquilo que queremos ver ali, e não o que realmente faz parte do texto sagrado.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 114.
Melquisedeque (18), o honorável sacerdote-rei de Salém (Jerusalém), deu comida e bebida aos vencedores e pronunciou uma bênção a Abrão (19). O nome Deus Altíssimo (18) era, naqueles dias, designação comum da divindade no país da Palestina. Em atenção aos atos do sacerdote-rei, Abrão deu o dízimo de tudo (20) a Melquisedeque. O rei de Sodoma (21) tinha menos inclinação religiosa. Pediu seu povo de volta, contudo foi bastante generoso em oferecer a Abrão todo saque procedente do combate. Abrão tinha pouco respeito por este homem e respondeu que fizera o voto de não ficar com nenhum bem que pertencesse ao rei de Sodoma, para que, depois, isso não fosse usado contra ele por aquele indivíduo repulsivo. Abrão também deixou claro que o seu Deus tinha o título de SENHOR (22) e não era apenas outra deidade cananéia. A única coisa que Abrão pediu foi que os soldados fossem recompensados pelos serviços prestados e que seus aliados, Aner, Escol e Manre (24), tivessem participação no saque.
O caráter robusto de Melquisedeque e seu status como respeitado sacerdote-rei tornaram-se significativos em posteriores pronunciamentos sobre o muito esperado Messias.
O Salmo 110.4 relaciona o Messias na “ordem de Melquisedeque” e o escritor da Epístola aos Hebreus cita esta porção dos Salmos para mostrar que Cristo é este tipo de ordem sacerdotal no lugar da ordem arônica (Hb 5.6,10; 6.20; 7.1-21).
O escritor de Hebreus enfatiza o significado do nome e status de Melquisedeque para assinalar que ele e Cristo eram homens de justiça e paz (Hb 7.1,2). A próxima correlação é um destaque na força e valor pessoal e não na linhagem. Seu ofício não passou automaticamente a outro. Cristo é Sumo Sacerdote e não somente sacerdote, e em vez de dar somente uma bênção, Cristo salva “perfeitamente” (Hb 7.25,26).
George Herbert Livingston, B.D., Ph.D. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 61.
Começa para Abrão a batalha mais dura, pois há profundo contraste entre os dois reis que vieram encontrar-se com ele. Melquisedeque, rei e sacerdote, nome e título expressando a esfera do direito e do bem (ver Hb 7:2), oferece-lhe, para celebração, algo singelo da parte de Deus para satisfazê-lo, pronuncia uma bênção em termos gerais (frisando o Doador, não a dádiva), e aceita custoso tributo. Isso tudo só tem sentido para a fé. Por outro lado, o rei de Sodoma faz uma bela oferta em termos comerciais. Sua única desvantagem também só é perceptível à fé. A esses benfeitores rivais, Abrão expressa o seu Sim e o seu Não, negando-se a comprometer a sua vocação.
Tal clímax mostra o que de fato estava em jogo neste capítulo de acontecimentos internacionais. A luta dos reis, as longas fileiras dos exércitos e os despojos de uma cidade constituem a pequena guinada no rumo da narrativa; o ponto crucial é a fé ou a falácia de um homem. Da distância em que nos encontramos, podemos ver que este julgamento nada tem de artificial. Maior é a dependência disto do que da mais retumbante vitória ou do destino de qualquer reino.
17. Derrota (RSV) é tradução mais precisa do que massacre (AV, RV). Literalmente é “o ferimento” (ver AA: “ferir” ). O vale de Savé (c. 2 Sm 18:18), evidentemente bem próximo de Jerusalém, foi o cenário, não da batalha, mas do encontro que está para ser descrito.
18,19. Salém é Jerusalém; sobre esse nome, “paz”, e o de Melquisedeque, rei de justiça, ver Hb 7:2. A união do rei e o sacerdote em Jerusalém haveria de levar Davi (o primeiro israelita a sentar-se no trono de Melquisedeque) a entoar cânticos sobre um Melquisedeque mais grandioso que havia de vir (SI 110:4).
Deus Altíssimo Çèl ‘elyôn). O que quer que esse título significasse para os predecessores e sucessores de Melquisedeque, para ele significava o verdadeiro Deus, em certa medida auto revelado, como suas palavras subsequentes mostram. Em todo caso, o dizimo de Abrão (c/. Hb 7:4-10) e a junção que fez o nome Yahweh (Senhor, 22) com a expressão usada por Melquisedeque, Deus Altíssimo, decidem a questão. Este título é empregado frequentemente nos Salmos.
Derek Kidner. Gênesis. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 112-113.
Hb 14.18 Este versículo tem provocado toda a forma de dificuldade para aqueles que pensam ser necessário interpretar essas coisas literalmente, no tocante à personagem retratada no A.T., Melquisedeque. Se realmente ele não tinha nem pai e nem mãe, se ele não nasceu e nem morreu, então é impossível que tenha sido um homem. Portanto, só nos restaria pensar que ele foi alguma figura angelical, ou o próprio Cristo, em uma encarnação no A.T., preliminar à sua missão messiânica, sobre a qual fala ο N.T., ou então que ele era o Espírito Santo. Mas essa forma de interpretação ignora a própria natureza da interpretação «alegórica». O autor sagrado não quis dizer mais do que o fato que Melquisedeque não tinha «genealogia», isto é, que não foram registrados seus laços de família, nem o seu nascimento e nem a sua morte. Até onde diz respeito ao «registro sagrado», ele não começou e nem terminou, mas é eterno, para o passado e para o futuro. Tais declarações e usos (que não devem ser compreendidos literalmente), dentro da interpretação alegórica, no primeiro século de nossa era não seriam reputados incomuns. Naturalmente, o autor sagrado vai muito além do que se poderia deduzir do A.T., acerca da natureza de Melquisedeque, e se utiliza aqui do «silêncio» (o que simplesmente indica que foram omitidas tais descrições humanas sobre ele) como seu instrumento principal. O que fica «subentendido» acerca de Melquisedeque, pelo «silêncio» (não houve «registro» que marcasse seu começo e seu fim) é literalmente verdadeiro no caso do Filho de Deus, a quem simbolizava. Ver mais do que isso nessas declarações bíblicas é ignorar a própria natureza da interpretação alegórica, que não se atém rigidamente à história e de acordo com a qual a história é apenas «incidental». Os problemas de interpretação se originam quando ignoramos isso e procuramos fazer a história tornar-se «vital e central» na alegoria. Mas, a verdade é bem outra.
O argumento se baseia no silêncio, do que Filo muito se aproveitava, mas que não deve ser pressionado exageradamente. O registro do livro de Gênesis não nos dá q u a lq u e r genealogia (sobre Melquisedeque).
Melquisedeque aparece sozinho. Mas nem por isso devemos compreender que se tratasse de um ser miraculoso, sem nascimento ou sem morte física.
Melquisedeque tem sido feito uma personagem mais misteriosa do que realmente é quando se coloca, na interpretação, o que não se acha no registro bíblico». (Robertson, in loc.).
Melquisedeque «representa» as qualidades «possuídas» pelo Filho de Deus, pois ele é seu «tipo simbólico». Não possuía em si mesmo tais qualidades. No dizer de Newell (in loc.): «Aquilo que Cristo é ‘realmente’, Melquisedeque é apenas na ‘aparência’; e isso é tudo quanto fica exigido».
«A inferência é que o silêncio (nas páginas do A.T.) é intencional e significativo» (A.C. Kendrick, Hebrews, pág. 86). Por igual modo, Westcott (in loc.), supõe que o autor sagrado dá grande importância ao «silêncio» que há nas páginas do A.T. a cerca dos primórdios e do destino de Melquisedeque. Entretanto, ele vê essa importância no «uso profético» que o autor sagrado faz sobre essa passagem, e não que o escritor original do livro de Gênesis tivesse visto qualquer importância na omissão desse material, tendo querido subentender elementos sutis da verdade, através de tal silêncio. E não duvidemos que isso expressa a verdade do caso.
A aplicação do que é dito aqui, como é óbvio, não visa o homem Jesus de Nazaré. Antes, visa o «logos», o Cristo eterno. (Ver as notas expositivas sobre o título «Filho de Deus», em Marc. 1:1).
O Sumo Sacerdote da nossa confissão, que é Cristo, não precisava ser de descendência aarônica. O versículo é polêmico, antecipando o problema levantado no décimo quarto versículo, e, uma vez mais, em Heb. 8:4. Se o seu sacerdócio fosse meramente «terreno», ele não poderia qualificar-se como sacerdote, porquanto veio da tribo de Judá, que não era a tribo sacerdotal. O autor sagrado não soluciona o problema apontando para o fato que houve muitas exceções a essa regra, desde que os Macabeus chegaram ao poder. Antes, o sacerdócio de Cristo é celestial, pelo que também não precisa seguir o padrão do sacerdócio aarônico, que foi uma instituição terrena. O autor sagrado, na realidade, faz com que o fato de Cristo não ser descendente de Aarão, ser um ponto definitivo a seu favor. O verdadeiro sumo sacerdote deveria pertencer à ordem de Melquisedeque, que não teve genealogia terrena, e que não teve começo e nem fim. Isso significa que o Sumo Sacerdote da nossa confissão precisava ser um ser eterno e celestial. Se pudéssemos atribuir-lhe qualquer «árvore genealógica», ficaria desqualificado para o seu ofício sumo sacerdotal.
Portanto, podemos observar os pontos seguintes, no argumento do autor sagrado. 1. A descendência terrena não tem qualquer aplicação ao sacerdócio eterno de Cristo. 2. De fato, tal descendência o desqualificaria para esse sacerdócio, já que só pode ser conservada pelo Logos divino, que transcende a quaisquer instituições terrenas. 3. A autoridade desse sumo sacerdócio repousa sobre a «nomeação divina» (ver Heb. 5:5 e ss.). 4. A autoridade desse sacerdócio repousa sobre a «dignidade» da pessoa de Cristo, bem como de seu caráter majestático e sacerdotal, tudo o que transcende a quaisquer instituições terrenas de natureza sacerdotal.
«...sem pai, sem mãe...» As seguintes explicações sobre essa expressão são possíveis: 1. A explicação literal: Na qualidade de algum elevado ser espiritual, ele não tinha descendência terrena. Essa interpretação, popular entre os antigos, que em seguida se esforçavam heroicamente por adivinhar quem teria sido Melquisedeque, é rejeitada por quase todos os estudiosos modernos. O método alegórico é contrário a considerarmos o «tipo simbólico» como se já fosse a realidade. 2. Melquisedeque teria «perdido» (mediante a morte física), seu pai e sua mãe. pelo que também estaria «sem eles». Apesar de que a expressão bíblica poderia indicar exatamente isso nenhuma coisa assim é indicada no texto. 3. Seu pai e sua mãe seriam figuras «desconhecidas», pelo que também não se fez qualquer registro genealógico. Porém, não parece haver aqui tal significado, embora as próprias palavras possam revestir-se de tal sentido. 4. Seu pai e sua mãe teriam sido de natureza «ignóbil», razão pela qual não foram mencionados; mas essa interpretação a inda se a fasta mais do alvo. 5. Antes, Melquisedeque simplesmente não tem «genealogia registrada» nas Escrituras, e o autor sagrado aproveita-se desse fato a fim de ensinar certa verdade espiritual a respeito de Cristo, que é o «antítipo» de Melquisedeque.
«...sem genealogia...» Algumas traduções preferem dizer aqui «...sem descendência ...» Em toda a literatura grega, o vocábulo grego figura exclusivamente aqui. Literalmente interpretada, essa palavra pode significar somente «sem genealogia», embora vários sentidos tenham sido emprestados a essa ideia, a saber: 1. A genealogia de Melquisedeque era conhecida, mas não foi «registrada». 2. A genealogia era conhecida, mas «propositadamente não foi registrada», para que Melquisedeque tivesse a possibilidade de ser um «tipo simbólico» de Cristo, em seu sumo sacerdócio. 3. A genealogia não foi registrada porque era desconhecida. 4. Não havia genealogia a registrar porque Melquisedeque, na realidade, não era uma personalidade humana. 5. A genealogia não foi registrada porque o autor do livro de Gênesis não se interessava em fazer tal registro; e foi dessa circunstância que tirou proveito o autor da epístola aos Hebreus para destacar uma verdade espiritual. Esta última posição, bem provavelmente, expressa a verdade da questão, em consonância com a tradição da interpretação alegórica, que não precisava de material histórico sólido para ali ter a sua premissa.
«.. .não teve princípio de dias, nem fim de existência... » No que diz respeito a Melquisedeque, isso indica somente que não houve «registro» desses pormenores. No que diz respeito a Cristo, deve ser entendido literalmente, por ser ele o Verbo eterno. Todavia, não podem essas palavras ser aplicadas ao homem Jesus de Nazaré, cujas genealogias são registradas nos evangelhos.
«.. .semelhante ao Filho de Deus. ..» Novamente, não literalmente, em sua própria natureza, mas apenas «aparentemente», por ser ele «tipo» de Cristo. «...permanece sacerdote perpetuamente...» No que concerne a Melquisedeque, isso significa somente que não houve «fim registrado» de seu sacerdócio. Os sacerdotes aarônicos tinham de provar sua legítima reivindicação ao ofício, mediante registros genealógicos. Viviam certo período de anos, exercendo o ofício sacerdotal. Mas a morte física interrompia isso, e eles tinham de ser «substituídos». Nada disso se deu no caso de Melquisedeque, pelo menos «até onde vão os registros bíblicos». E o que é verdade sobre Melquisedeque, dentro do registro bíblico, na realidade é verdade no caso de Cristo. O fato que seu sacerdócio não tem fim mostra-nos que até mesmo na eternidade o Filho é o mediador entre Deus Pai e os homens; ele é a fonte da qual nos abeberamos de «toda a plenitude de Deus» (ver Efé. 3:19). Segundo a sua imagem é que seremos transformados continuamente, para graus cada vez maiores de glória; o alvo consiste em compartilharmos de sua natureza essencial; e, através disso, compartilharem os de seus atributos e perfeições, tal como ele compartilha desses atributos com Deus Pai. (Ver Efé. 3:19).
«De acordo com seu propósito, ele (o autor sagrado) a presenta as seguintes características do sacerdócio ideal: real, justo, pacificador—e tudo pessoal, eterno, e não como qualidades herdadas. (Comparar com Isa. 9:6,7; 11:4,10; 32:17 e52:7)». (Vincent, in loc., o qual passa a chamar o uso feito pelo autor sagrado de «artificial», como se nada ficasse comprovado em favor de seu argumento). De fato, se pensarmos apenas em termos históricos, Vincent está com a razão em sua estimativa. Porém, o autor sagrado expunha um argumento alegórico, para apresentar uma verdade mística; e isso faz sentido. Seus leitores originais não teriam encontrado nisso qualquer coisa capaz de ser combatida, embora tal argumento nos pareça «artificial», pois normalmente não alegorizamos a história.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 551-552.
Hb 7.3 O apóstolo, porém, não para na explicação dos nomes. Ele ultrapassa em muito aquilo que o relato de Melquisedeque no AT expressa. De certo modo ele confere à imagem do rei e sacerdote do AT traços fáceis de gravar. Sobre isto escreve O. Michel: “Nosso autor não tem a percepção de que ressaltando Melquisedeque estaria prejudicando a figura de Jesus. Pelo contrário: quanto mais se puder afirmar sobre Melquisedeque, tanto mais fortemente brilha a glória do Filho de Deus”. Gn 14.17-20 informa tão-somente o transcurso histórico do episódio. O apóstolo, porém, caracteriza a pessoa de Melquisedeque com mais detalhes: ([…] sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote perpetuamente. O que primeiramente salta à vista na presente sentença é o fato de que o apóstolo está afirmando mais do que consta no AT. O apóstolo retira uma importante conclusão para a sua explicação da circunstância da inexistência de dados, ou seja, que determinados detalhes não se encontram na Bíblia. Com este método ele acompanha o pensamento rabínico do judaísmo tardio, que defendia a tese de que: “O que não consta na Torá (lei, Escritura), não existe no mundo!”. Resta uma pergunta que não pode ser respondida cientificamente, mas apenas espiritualmente: a base do NT nos dá a liberdade interior e o direito de aplicar este método exegético do judaísmo tardio também na instrução da igreja cristã? Seja como for, o apóstolo procedeu assim. E reclama o direito de estar emitindo uma explicação do AT compromissiva para toda a igreja. É justamente desse modo que ele quer ressaltar que o AT e o NT formam uma unidade, que Jesus Cristo somente pode ser compreendido a partir do AT, mas que também inversamente o AT adquire sentido através de Jesus Cristo.
O apóstolo alinha sete afirmações sobre a pessoa de Melquisedeque. “Sem pai”, em grego apátor, era originalmente uma designação de crianças órfãs, rejeitadas ou ilegítimas, possivelmente para crianças abandonadas, cuja ascendência era ignorada. A palavra “sem mãe”, em grego amétor, indica para a origem sem mãe. Ambos os termos ocorrem no NT somente no presente texto e servem para designar a origem celestial de Melquisedeque. O terceiro dado sobre a pessoa de Melquisedeque, “sem genealogia”, em grego agenealógetos, é um conceito totalmente incomum, que no mais é desconhecido na língua grega e que igualmente ocorre no NT apenas no presente versículo.
Quando em Israel um sacerdote pretendia prestar serviço no santuário, tinha de ser descendente de Arão (Êx 28.1; Nm 3.10; 18.1-7). Seu direito sacerdotal residia exclusivamente sobre a sua ascendência. Além disto, sua mãe tinha de ser uma israelita de boa fama (Lv 21.7; Ez 44.22). Ademais, um sacerdote tinha de ser capaz de comprovar a qualquer instância que descendia de uma geração de sacerdotes (cf. Ed 2.61-63; Ne 7.63-65). Todas as premissas inevitáveis para o sacerdócio
israelita faltam em Melquisedeque. Nessas alusões já podemos registrar indicações ocultas de Cristo. Sua descendência terrena não tinha pai, sua origem celestial não tinha mãe, ele provinha de uma tribo, de Judá, que não tinha direitos para exercer o sacerdócio (Hb 7.14).
Contudo, o apóstolo sequer visa ressaltar o que é escândalo e irritação para um judeu, ou seja, que um homem sem origem segura é convocado para o serviço sacerdotal. Não pretende somente constatar objetivamente que “a Sagrada Escritura não contém registros genealógicos de Melquisedeque, enquanto traz com tanto cuidado as árvores genealógicas dos patriarcas”. Trata-se de algo muito mais importante! Melquisedeque não teve princípio de dias, nem fim de existência. “Também nesse aspecto revela-se um mistério. Na Escritura não são mencionados nem o seu nascimento nem a sua morte. Contudo, o que não é contado na Escritura não pode ser comprovado historicamente ou não aconteceu. O sacerdote sem origem sacerdotal tampouco possui delimitação de vida e atuação definidas pela Escritura. Esta constatação extrapola os limites da existência humana”. O apóstolo não somente diz que o AT silencia acerca do nascimento e da morte de Melquisedeque. De suas palavras fica evidente o seguinte: falta, nesse personagem, a correlação terrena, Melquisedeque está fora da ordem normal da vida. Ele não recebeu o seu sacerdócio, nem o transmitiu adiante. Sua origem é de natureza celestial, inexplicável, e aponta para a existência perpétua de Melquisedeque. É o que nos confirmam as palavras: “Dele se testifica que vive” (v. 8), “Ele é sacerdote segundo o poder de vida indissolúvel” (v. 16) e “Ele tem, porque permanece perpetuamente, um sacerdócio imutável” (v. 24).
Ao se aproximar do fim de seu raciocínio o apóstolo levanta um pouco o véu do mistério: feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote perpetuamente. Pelo que se evidencia, foi a esta frase que o apóstolo deu o peso maior. É por isto que ele volta a recorrer à palavra do salmo. Contudo, pela autoridade do Espírito Santo ele altera, na sua interpretação, o seu sentido. No Sl 110.4 consta: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. O Messias é que está sendo interpelado. A ele é que se promete o sacerdócio eterno. Melquisedeque é colocado como figura inicial, o Messias é sua réplica, não inversamente. A ordem de Melquisedeque é um exemplo para o sacerdócio messiânico. Este sentido original é que o apóstolo está invertendo. Ele afirma: Melquisedeque foi feito idêntico ao Filho de Deus. Cristo é a imagem original, nele persiste desde a eternidade a verdadeira ordem sacerdotal, Melquisedeque é a réplica, que por sua vez aponta para o cumprimento pleno de todo sacerdócio em Cristo. Melquisedeque é o personagem terreno precoce desse sacerdócio eterno, a réplica, no qual porém não se perdeu nada do conteúdo da imagem original. É por isto que este sacerdócio de Melquisedeque continua eternamente.
Em poucas frases marcantes, o apóstolo elaborou para a comunidade o entendimento da pessoa excelsa de Melquisedeque. Concedeu-lhe a chave para o mistério espiritual das declarações do AT em Gn 14.17-20 e no Sl 110.4. Melquisedeque é semelhante ao Filho de Deus, é imagem do Filho. A figura de Melquisedeque torna-se transparente para Jesus Cristo. Em Melquisedeque o Senhor vem ao nosso encontro (cf. Jo 8.56).
Fritz Laubach. Comentário Esperança Hebreus. Editora Evangélica Esperança.
As descrições sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida (3), devem ser entendidas em referência à ordem do sacerdócio de Melquisedeque, não à sua pessoa física. Na mente de um judeu, letrado nas ideias levíticas rígidas, era inconcebível que alguém servisse como sacerdote sem ser descendente de pais sacerdotes, sem genealogia. Mas, foi o próprio Moisés que chamou Melquisedeque de “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18); e ele foi reconhecido como tal mesmo sem credenciais formais. Ele não tinha uma linhagem oficial. Não havia o Sacerdócio de Cristo é Definitivo Hebreus 7.3-7 registro da sua data de nascimento ou da sua morte. Neste sentido, ele foi feito semelhante ao Filho de Deus, que também não tinha uma linhagem sacerdotal normal.
O aspecto importante a ser ressaltado é que este Melquisedeque permanece sacerdote para sempre. Aqui está a proposta-chave. Tudo o mais é subordinado e descritivo. Primeiro, os fatos da história são reafirmados. Então, o padrão tipológico é desenhado, basicamente como um argumento do silêncio. E as ideias essenciais que o autor vai ressaltar são: 1) esta certamente não é uma ordem de sacerdócio levítica; 2) ela é uma ordem superior e 3) um sacerdócio que é caracterizado pela perpetuidade.
Richard S. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 62-63.
2. O sacrifício perfeito de Cristo.
Cristo, nosso Sumo Sacerdote Perfeito e Eterno.
A ordem sacerdotal de Cristo não era a de Levi, mas a de Melquisedeque (Hb 5.6,10; 7.1-28), e a Bíblia nos apresenta Jesus como aquEle que tem um “sacerdócio perpétuo” (Hb 7.24), isto é, imutável.
A perpetuidade do sacerdócio levítico era garantida por meio da continuação da linhagem levítica, pelo “grande número” de seus sacerdotes que se sucediam com o passa dos séculos (Hb 7. 23). Só que o “sacerdócio perpétuo” de Jesus é muito mais poderoso, pois se assenta na sua eternidade, além da perfeição e do caráter definitivo de seu sacrifício (Hb 7.24-27). Ele era perfeito, por isso seu sacrifício e serviço foram perfeitos (Hb 7.26-28).
Louvemos a Cristo, que nos deu livre acesso à presença de Deus por meio do seu ministério perfeito e definitivo, um ministério perpétuo em nosso favor, no qual Ele está “sempre vivendo para interceder por todos” nós (Hb 7.25b).
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 145.
Hb 7.25 Todas as declarações que o apóstolo fez na comparação entre o sacerdócio de Arão e o sumo sacerdócio de Jesus, o sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque, culminam nessa única frase: Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. O que a lei e o sacerdócio do AT não puderam realizar, isto Jesus realiza com base em sua vida divina eterna: pode salvar integralmente! Ele “pode socorrer!” (Hb 2.18 [RC]). Foi isto o que o apóstolo havia ressaltado primeiramente como efeito do serviço de sumo sacerdócio de Jesus. Agora ele avança mais um passo em sua declaração. Jesus nos trouxe a redenção total.
Conquistou uma salvação perfeita, eternamente válida. Esta redenção eterna, de validade plena, vigora para todas as pessoas, é oferecida a cada ser humano, sendo porém eficaz somente para aquele que volta para Deus. De modo semelhante como em Hb 2.16, o apóstolo também delimita aqui o círculo de pessoas em quem a salvação se realiza. Lá ele havia afirmado: Ele “socorre a descendência de Abraão”. Aqui ele assevera: “Jesus pode salvar aqueles que por meio dele chegam a Deus!” A salvação dos pecados somente é concretizada naqueles que se convertem ao Senhor com arrependimento e fé (cf. At 3.19). Quem acolheu a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor por decisão pessoal e voluntária de fé (Jo 1.12), quem veio a Deus, o Pai, por intermédio de Jesus Cristo (Jo 14.6), este obtém perdão e experimenta a proteção na tribulação, na aflição e na necessidade. O eterno Sumo Sacerdote (Ap 1.18) não somente é o Redentor de seu povo, mas ao mesmo tempo também o Advogado, o Intercessor eterno dos fiéis (Rm 8.34; 1Jo 2.1).
26-28 O apóstolo expõe esta realidade de salvação abrangente perante uma comunidade que ele visa preparar para sofrimentos futuros: salvação, preservação e aperfeiçoamento nos são doados por meio de nosso eterno Sumo Sacerdote. O autor dirige nosso olhar para a obra de libertação consumada por Jesus, que se ofereceu a si mesmo a Deus como sacrifício plenamente válido e impossível de ser repetido, e que pagou a culpa do pecado da humanidade. Com a mesma clareza ele nos exibe a magnitude e santidade do Sumo Sacerdote do NT. Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus. Nossa salvação está alicerçada não somente na ação redentora de Jesus, porém da mesma maneira na natureza de sua pessoa divina. O que se exigia em termos de pureza cultual dos sacerdotes do AT foi ultrapassado infinitamente por meio de Cristo. Jesus é santo – totalmente sem natureza pecaminosa, santo, como Deus o Pai é santo, perfeitamente santo segundo a lei. Contudo, a sua santidade não assusta a nós, pecadores, pois é precisamente por meio dela que ele pode nos representar perante Deus. Ele é inculpável – “sem traição e ardil”, sem mácula – tinha condições de perguntar verdadeiramente: “Quem dentre vós pode me argüir de um pecado?” (Jo 8.46), separado dos pecadores – ser humano como nós (Hb 2.14), tentado como nós (Hb 4.15), e não obstante o único que permaneceu sem pecado, sendo por isto feito mais alto do que os céus. Por meio da ressurreição e ascensão, Jesus conquistou o acesso direto à glória de Deus. Esta riqueza imensurável da essência divina na pessoa de Jesus já tem efeitos para a sua vida na terra, para o seu serviço terreno de Sumo Sacerdote. De modo consciente o apóstolo contrapõe o sacrifício diário do sumo sacerdote do AT e o sacrifício único de Jesus. O sumo sacerdote tinha de oferecer sacrifício primeiro por si mesmo, a fim de realizar expiação por sua própria culpa. Jesus não teve necessidade disso. O sumo sacerdote do AT ofertava sacrifícios de dádivas, Jesus sacrificou-se pessoalmente! Qual é o fundamento deste contraste? Com esta pergunta, o apóstolo retorna ao ponto inicial de suas reflexões no presente bloco. A lei sacerdotal do Sinai escolhia para sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza. Somente muito mais tarde, no tempo do rei Davi, Deus revelou a palavra do juramento, do Sl 110, pela qual ele convocou o Filho, que é perfeito eternamente. Lei e juramento divino estão na mesma relação entre si como os sacerdotes humanos, marcados pela fraqueza, i. é, sujeitos à tentação, e o Filho eterno e perfeito.
Síntese
Em Hb 1–6 diversas menções, sobretudo também as advertências e exortações, repetidamente intercaladas, permitiram delinear os contornos de uma conjuntura comunitária, à qual o apóstolo dirige sua pregação. Em contrapartida, Hb 7, o capítulo com o qual começa a seção principal da carta, não contém nenhuma referência à situação concreta da comunidade. A maneira como são contrapostas a antiga e a nova alianças não possui o caráter de uma controvérsia de um fiel do NT contra a devoção legalista do AT, assim como é feito pelo apóstolo Paulo, p. ex., na carta aos Gálatas. Tampouco podemos afirmar que as elaborações do apóstolo se voltam contra um reavivamento das ordens de culto do AT na comunidade. Parece que o autor, ao anotar os pensamentos de Hb 7, está retirado dos problemas de seu presente imediato. Assim como na carta aos Efésios Paulo medita, inicialmente sem relação direta com os problemas atuais da comunidade, acerca da deliberação salutar de Deus de eternidade a eternidade, assim o nosso autor reflete em Hb 7 sobre as palavras de Gn 14.17-20 e Sl 110.4. Estas palavras tornam-se para ele uma indicação viva da magnitude, superior a tudo, de Jesus Cristo. Unicamente Jesus – maior que tudo que Deus havia concedido como revelação a seu povo Israel e ao mundo. É o que se descortina diante de seu olhar espiritual. A
elaboração da natureza e da autoridade de Jesus, nos v. 25,26, constitui o cerne da declaração, em torno da qual ele agrupa seus pensamentos: o que distingue Jesus dos sacerdotes do AT e o eleva extremamente acima deles são sua condição sem pecado, o sacrifício único de sua vida divina, a exaltação ao céu, sua imortalidade e seu serviço perpétuo de intercessão. Como o autor já vislumbra atrás da pessoa de Melquisedeque o fulgor da glória da pessoa de Jesus Cristo, sendo que o rei sacerdote da antiga aliança se torna uma indicação direta para o Sumo Sacerdote real eterno da nova aliança, por isto o serviço sumo sacerdotal de Jesus é infinitamente superior ao sumo sacerdócio de Arão.
O apóstolo fundamenta suas afirmações em três argumentações, que ele executa de forma rigorosamente estruturada.
1. Como fundamental ele destaca que Melquisedeque é superior ao patriarca Abraão, a seu descendente Levi e aos sacerdotes de Arão.
a. Os levitas descendem de Abraão; Melquisedeque não tem antepassados, é de origem celestial. A este fato corresponde que os levitas são pessoas mortais, mas que Melquisedeque tem vida infindável.
b. Os levitas recebem o dízimo de seus irmãos; Melquisedeque recebeu o dízimo do ancestral.
c. Também os levitas estão obrigados a pagar o dízimo a Melquisedeque, pois seu ancestral Levi estava nos “quadris” do patriarca quando Abraão se encontrou com Melquisedeque.
d. No final Melquisedeque abençoou Abraão, e esta relação de bênção não pode ser invertida.
2. O apóstolo igualmente desenvolve a contraposição de sacerdócio e lei em quatro etapas:
a. Lei e sacerdócio estão indissoluvelmente ligados entre si. A constituição de um novo sacerdócio traz necessariamente consigo que também se institua uma nova ordem.
b. O sacerdócio antigo era baseado na “ordem de Arão”, enquanto o novo sacerdócio se baseia na “ordem de Melquisedeque”.
c. A antiga ordem foi outorgada a Israel no Sinai. A nova ordem vem a ser a mais antiga, a original. Possui seu fundamento na eternidade de Deus.
d. A introdução da nova ordem sacerdotal tornou-se necessária porque através do sacerdócio de Arão não foi possível chegar a um encerramento da história da salvação. Os sacrifícios no AT são apenas prefigurações, o verdadeiro sacrifício foi ofertado somente pelo Sumo Sacerdote do povo de Deus do NT.
3. A certeza última de que a nova ordem sacerdotal alcançou vigência em Cristo é constatada pelo apóstolo no seguinte fato: o santo Deus fez de sua divindade a garantia, e comprometeu-se por juramento a cumprir as suas promessas. O autor destaca quatro correlações entre o juramento de Deus e sacerdócio:
a. A lei e a ordem sacerdotal levítica estão ultrapassadas através do juramento, por meio do qual Jesus foi constituído Sumo Sacerdote. Arão tornou-se sacerdote através da palavra da lei, que não trouxe consigo um encerramento da ordem de salvação. Jesus foi convocado para ser Sacerdote por meio da palavra do juramento divino, que aponta para a consumação definitiva de uma ordem original de Deus.
b. A lei trouxe “a introdução da esperança pelo melhor”, o juramento de Deus trouxe sua realização.
c. A pluralidade dos sacerdotes foi instituída sem juramento. Eles eram pessoas mortais, marcadas pela fraqueza. O Sacerdote único foi instituído com um juramento, ele é imortal e perfeito de acordo com a lei. Por isto também pode ser fiador do melhor testamento.
d. De maneira idêntica como o juramento divino é superior à lei, também o serviço sacerdotal de Jesus é melhor que o de Arão, e a nova aliança é melhor que a antiga.
O cumprimento da esperança do AT por uma nova ordem sacerdotal inclui que alguém que pela lei de Moisés não tem nenhuma promessa para isto pode tornar-se sacerdote. Não mais Levi – mas Judá é, na nova aliança, a casa matriz do sacerdócio. As conseqüências desta nova ordem de Deus refletem-se sobre a igreja do NT. Agora pessoas são chamadas para serem sacerdotes de Deus, para as quais, pela base do AT, faltavam todas as premissas para isto. Os membros da igreja de Jesus são a geração de sacerdotes do NT (1Pe 2.9; Ap 1.6; 5.9,10). O sumo sacerdócio de Jesus, bem como o sacerdócio de sua igreja, não se alicerçam sobre a lei do AT, mas, como no caso de Melquisedeque,
sobre a riqueza interior da pessoa do Senhor, sobre sua glória divina: “… não com base numa lei de determinações humanas, porém com base e no poder de uma vida indissolúvel”. No sumo sacerdócio de Jesus “segundo a ordem de Melquisedeque” manifesta-se com perfeição a ordem sacerdotal original intencionada por Deus.
Poderíamos concluir que os pensamentos teológicos do autor transbordam de uma copiosidade esbanjadora. Será que diante deles o apóstolo se esqueceu da realidade? Acaso não se lembra da aflição e dos problemas da comunidade à qual dirige seu escrito? Isto ele faz – contudo ensina a seus leitores, e por isto também a nós hoje – uma descoberta espiritual necessária. Sempre quando a aflição e tribulações ou problemas práticos da vida nos assediam, corremos o perigo de nos deixarmos prender pelas dificuldades. Certamente confessamos a Cristo como nosso Senhor, certamente ainda permitimos que fale a nós por sua palavra e falamos com ele na oração. Mas apesar disso nossos pensamentos giram incessantemente em torno da dificuldade iminente, procurando por uma saída. Isto traz consequências funestas: não sabemos mais avaliar corretamente nossa situação. Subitamente nossas necessidades parecem ser esmagadoras. Começamos a ter pena de nós mesmos ou a nos resignar. Muito pior: privamo-nos assim da força espiritual para superar a crise. No presente capítulo o apóstolo mostra o caminho acertado: ter tempo para Jesus! Não rememorar sempre as dificuldades, mas aprofundar-se em oração na palavra de Deus, a fim de contemplar a magnitude de Jesus. Nele residem as fontes ocultas de nossa vida espiritual e de nossa força. Permitamos que o apóstolo nos abra o entendimento para as correlações da história da salvação. Então desenvolveremos uma percepção para a revelação de Deus na história, precisamente também no seu desdobramento por longos períodos. Igualmente aprendemos a ver nossa vida pessoal nessas grandes correlações, que se ordenam todas sob a mão de Deus num plano perfeito, bem como a louvar e adorar a Deus por tudo isto.
Fritz Laubach. Comentário Esperança Hebreus. Editora Evangélica Esperança.
Hb 7.25. Aqui, o resultado do sumo-sacerdócio inviolável é especificamente declarado como sendo Sua capacidade contínua de salvar. Teria sido totalmente diferente se Seu cargo sumo-sacerdotal tivesse sido apenas temporário. Realmente, a força inteira do argumento nesta Epístola depende da continuidade do cargo de Jesus. A capacidade de Jesus Cristo já fora focalizada antes nesta Epístola, mas em nenhum lugar tão compreensivamente quanto aqui. Em 2.18, tratava-se da Sua capacidade de ajudar, em 4.15 da Sua capacidade de simpatizar, mas aqui, da Sua capacidade de salvar. A salvação já foi mencionada, mas somente aqui é que o verbo usado é aplicado a Jesus. Assim fica mais pessoal. Mas fica sendo ainda mais compreensivo pelo fato de que Sua capacidade de salvar é, segundo é declarado aqui “para todo o tempo” (eis to panteles). O grego geralmente significa totalmente (ARA), mas um significado temporal é justificado pelos paralelos nos papiros (MM). O significado parece ser que, enquanto o Sumo Sacerdote funcionar, é poderoso para salvar, pensamento este que é reforçado pelas palavras vivendo sempre (pantotezòn).
Os que por ele se chegam a Deus já foram referidos no v. 19, embora um verbo diferente seja usado aqui. Há uma conexão recíproca entre a capacidade de Jesus se salvar e a disposição do homem de vir. Nenhuma provisão é feita para aqueles que vêm por qualquer outra maneira senão através de Jesus Cristo. Este escritor compartilha com os demais escritores do Novo Testamento a convicção de que a salvação é inseparável da obra de Cristo.
Nesta carta, a obra intercessória de Cristo já foi aludida de modo indireto. Sua simpatia e Sua ajuda estão em harmonia com esta obra, mas é nesta passagem que é ressaltada mais claramente. A palavra para interceder (entynchanein) não ocorre em qualquer outro lugar nesta Epístola, mas é usada por Paulo para a intercessão do Espírito (Rm 8.27) e para a intercessão de Cristo (Rm 8.34). A função do nosso Sumo Sacerdote é pleitear a nossa causa. Isto, também, Ele pode fazer de modo mais eficaz do que Arâo ou qualquer dos descendentes deste poderia fazer. Este ministério intercessório de Cristo demonstra Sua atividade atual em prol do Seu povo e é uma continuação direta do Seu ministério terrestre. 26. Aqui o escritor passa a resumir algumas daquelas qualidades que são características específicas de um sumo sacerdote ideal e que são vistas perfeitamente em Jesus Cristo.
Anteriormente nesta Epístola o escritor usou a mesma fórmula convinha (eprepen) que é usada aqui, i.é, em 2.10. Nos dois casos refere-se à perfeição das atividades de Jesus Cristo. Aqui, subentende que nenhum outro tipo de sumo sacerdote cumpriria as exigências. Este fato não somente se aplica às qualidades que serão mencionadas, como também àquelas já mencionadas no v. 25, porque a palavra de ligação (grego gar) com efeito olha para trás e para a frente. É tomado por certo que a declaração acerca do sumo sacerdote é relevante somente para os cristãos, conforme subentende o nos (hèminj. Não parece ser apropriado para todos, mas somente àqueles que se chegam a Deus mediante Jesus Cristo (como no v. 25).
Em primeiro lugar, são mencionadas três características pessoais do sumo sacerdote ideal, sendo que todas elas estão estreitamente ligadas entre si — santo, inculpável, sem mácula. A primeira refere-se à santidade pessoal.
Tem um aspecto positivo, um cumprimento perfeito de tudo quanto Deus é e tudo quanto Ele requer, um caráter que nunca poderá ser acusado de erro ou de impunidade. As outras qualidades dizem respeito ao impacto do seu caráter sobre outras pessoas. Ninguém pode acusá-lo de apostasia moral ou de corrupção. A palavra inculpável (akakos) significa “inocente” no sentido de não ter dolo, ao passo que a palavra sem mácula (amiantos) significa “incontaminado.” As três palavras se combinam entre si para oferecer um quadro completo da pureza de nosso Sumo Sacerdote.
Ele não somente é inerentemente puro, como também permanece puro em todos os Seus contatos com os homens pecaminosos. Ao passo que anteriormente na Epístola o escritor deu-se ao trabalho de ressaltar a identificação de Jesus Cristo com Seus “irmãos,” aqui enfatiza que estava separado dos pecadores. Isto é verdadeiro em dois sentidos.
Seu caráter isento de pecado imediatamente O coloca à parte doutros homens, sendo que todos eles são pecadores. Além disto, Seu cargo também o coloca à parte, porque somente o sumo sacerdote, até mesmo na ordem levítica, tinha licença de entrar no Santo dos Santos, e isto somente depois de purificar seu próprio pecado. É um aspecto principal do Novo Testamento que Jesus Cristo, a despeito da Sua semelhança aos homens, não deixa de ficar acima deles, de ser sem igual. É somente quando esta singularidade é reconhecida que a plena glória do ministério de Jesus em prol dos homens pode ser apreciada.
A expressão feito mais alto do que os céus descreve a posição presente de nosso Sumo Sacerdote e relembra a declaração em 1.3 acerca dEle assentado à destra da Majestade nas alturas. Há muitas passagens no Novo Testamento que são paralelos deste pensamento (cf. Ef 4.10; At 1.10-11; 1 Pe 3.22). A exaltação de Jesus é vividamente ressaltada por Paulo em Filipenses 2.9. Em contraste com a glória limitada do sacerdócio levítico, a glória de Cristo acha-se na Sua exaltação etema. Não há ninguém comparável a Ele.
27. Sua superioridade aos sacerdotes arônicos é vista, ainda mais, no fato de que nenhum sacrifício diário (todos os dias) é necessário nem para Ele nem para Seu povo. Suige um problema a respeito da aplicação da expressão todos os dias (kath hémeran) aos sacerdotes arônicos, porque se o escritor tem em mente o ritual do Dia da Expiação, este era realizado somente uma vez ao ano, e não diariamente. Bruce66 pensa que a oferta ocasional pelo pecado talvez estivesse na mente do nosso autor quando usou a expressão “todos os dias.” Do outro lado, Davidson67 considera que o Dia da Expiação resume todas as ofertas ocasionais no decurso do ano. Mas o problema pode ser resolvido ao restringir as palavras ao ministério de Jesus, e neste caso as palavras acompanhantes com os sumos sacerdotes se refeririam somente à necessidade de os sacerdotes oferecerem sacrifícios.
A frase inteira pode, então, ser traduzida: “Ele não tem necessidade, no Seu ministério diário, de oferecer sacrifícios por Si mesmo como faziam aqueles sacerdotes...” Este modo de entender a expressão todos os dias estaria de acordo com as declarações anteriores já feitas no v. 25 acerca do caráter contínuo da intercessão de Cristo. O fato de que o sumo sacerdote arônico precisava de um sacrifício tanto para ele quanto para seu povo demonstra uma nítida distinção da ação de Cristo, que a si mesmo se ofereceu uma vez por todas. O sacrifício no caso dEle não era para Si mesmo, porque não tinha pecado algum. Além disto, o sacrifício era uma vez por todas, e não precisava de repetição. É importante notar que a razão da diferença é achada exclusivamente no caráter do Sumo Sacerdote e não no Seu cargo.
28. Aqui temos um resumo dos dois versículos anteriores. O contraste entre as duas ordens é resumido como sendo um contraste entre a lei e o juramento. Trata-se de tirar uma conclusão do argumento a partir de 6.13ss. Diz-se que os dois constituem, embora fique claro que esta nomeação vem da parte dAquele que constituiu tanto a lei quanto o juramento. A diferença aqui é explicada pela diferença do caráter daqueles que foram nomeados. Homens sujeitos à fraqueza contrasta-se fortemente com o Filho, perfeito para sempre, especialmente porque a natureza humana do Filho já foi ressaltada mais de uma vez nesta Epístola. A lei somente podia usar o tipo de pessoa disponível para o cargo de sumo sacerdote, e quem era escolhido sofria das fraquezas que todos os homens têm em comum.
Isto inevitavelmente fazia o sistema legal de sumos sacerdotes igualmente fraco. O propósito do escritor, no entanto, não é censurar a ineficácia da linhagem de Arão, mas, sim, glorificar a superioridade da de Cristo.
A ordem de Melquisedeque, estando livre dos embaraços de sucessão humana, estava isenta da fraqueza inerente no sistema de Arão, e podia ser concentrada numa única pessoa sem igual.
A declaração acerca da palavra do juramento, que foi posterior à lei parece surpreendente à primeira vista, tendo em mira 6.13ss. que demonstra que o juramento foi feito a Abraão. Este juramento, portanto, antecede a lei em vários séculos. Mas aquilo que o escritor evidentemente tinha em mente aqui é a nomeação de Cristo para o cargo de Sumo Sacerdote, que historicamente coloca-o séculos depois da lei. o escritor pode ter sido influenciado pela referência ao juramento no Salmo 110, já citado nos w. 20-21. O pensamento principal, no entanto, diz respeito à perfeição, introduzida na Epístola pela primeira vez em 2.10. Com o Sumo Sacerdote perfeito, o cargo fica sendo permanente, porque nada há para tomá-lo inválido. O cristão pode aproximar-se com confiança, visto que tem tal Sumo Sacerdote.
Donald Guthrie. Hebreus. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag.  156-160.
3. O sacrifício eterno de Cristo.
A imortalidade garante a continuidade ininterrupta; e ambas essas coisas garantem a qualidade suprema da obra de Cristo, no que tange aos homens. O sacerdócio agora não se encontra mais nas mãos de homens que erram, que são fracos e que são perecíveis.
«...imutável...» No grego é «aparabatos», que pode significar «inviolável», isto é, que não pode ser corrompido ou prejudicado; ou «imutável», que não pode ser modificado; ou «intransmissível». A última dessas possibilidades, apesar de não ser de uso comum, está mais de acordo com o texto sagrado. Seja como for, a idéia é que o sacerdócio de Cristo é «imutável», não mais se caracterizando pela «sucessão» de seus titulares (homens mortais que morriam e precisavam ser substituídos, como se dava no sacerdócio aarônico). O tipo de «imutabilidade» representado pelo sacerdócio de Cristo, segundo as exigências do contexto, deve incluir o conceito de intransmissibilidade. Desde os tempos mais antigos tem sido contestada o sentido exato desse vocábulo; mas tal debate é fútil e desnecessário, posto que o contexto xleixa evidente que o sacerdócio de Cristo tanto é imutável como é do tipo que não pode ser transmitido a outrem. Pois quem poderia ocupar, juntamente com Cristo, o mesmo sacerdócio que ele ocupa? Cristo não tem associados em seu sumo sacerdócio, pois essa posição equivale à sua posição como Salvador. Portanto, pensar que o sacerdócio de Cristo pode ser compartilhado, é afirmar que ele precisa de ajuda como Salvador.
Ora, isso dentro do terreno neotestamentário, é impossível. O ensinamento bíblico é que Cristo permanece «continuamente» como Sumo Sacerdote, como o propósito específico de mostrar que não há «sucessão» no seu sacerdócio, conforme havia no sacerdócio aarônico. (Ver os versículos terceiro, oitavo, décimo sexto e vigésimo primeiro deste capítulo, quanto a essa continuidade). A primeira porção do presente versículo é outra afirmação da mesma coisa.
A antiga polêmica·. O sacerdócio ideal, agora estabelecido em Cristo, ultrapassou e assim eliminou o sacerdócio aarônico, um sacerdócio caracterizado por mudança e sucessão.
A moderna polêmica·. O sacerdócio ideal de Cristo torna fútil qualquer sacerdócio moderno que tenha o princípio de «sucessão», segundo se vê em certos segmentos da cristandade. Isso como que dá a entender que o sacerdócio de Cristo tem algum defeito, e precisa de ajuda.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 561.
Hb 7.23,24 O apóstolo considera a glória do sumo sacerdócio do NT que reluz sobre todas as coisas não apenas fundamentada no fato de que a convocação e instalação neste ministério aconteceu através do juramento de Deus. Ele também considera que a palavra do salmo se dirige somente a uma pessoa: “Tu és sacerdote para sempre!” Quando Arão e seus filhos foram convocados no Sinai para serem sacerdotes, Deus falou: “isto será estatuto perpétuo para ele e para sua posteridade depois dele” (Êx 28.43). Desde o começo tinha-se em mente uma pluralidade de sacerdotes. O sacerdócio do AT tinha uma delimitação no tempo, o ministério tinha de ser passado adiante de geração em geração. Aquele, porém, a quem Deus falou no juramento: “Tu és sacerdote para sempre” não passa seu ministério de sumo sacerdote a nenhum sucessor. Como a morte não possui mais poder sobre ele, ele detém um sacerdócio imutável. O sumo sacerdócio de Jesus vai de eternidade a eternidade, ele é “ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13.8).
Fritz Laubach. Comentário Esperança Hebreus. Editora Evangélica Esperança.
O sacerdócio de Cristo é eterno, porque é exercido por alguém cuja natureza divina tem como um de seus atributos a imortalidade. Assim, o tipo de imutabilidade representado pelo sacerdócio de Cristo, segundo o pensamento que é depreendido do contexto, deve incluir o conceito de intransmissibilidade. Nenhuma mudança será encontrada em Cristo e nem em seu sacerdócio. Durante a era milenial, “... os sacerdotes levitas, que são da semente de Zadoque” voltarão a oferecer alguns sacrifícios e exercerão algumas funções como anteriormente, na antiga aliança. Estas ofertas terão um caráter retrospectivo, olhando para trás, para a cruz, pois as ofertas antigas eram prospectivas, olhando para adiante, para a cruz. As primeiras apontavam para sua morte — as do Milênio também apontarão para lá, mas apenas para rememorar a morte de Cristo, e não para tirar o pecado de alguém (Ez 43.19-27).
Severino Pedro Da Silva. Epístola aos Hebreus. Editora CPAD. pag. 134-135.
Porque, sendo homens, os sacerdotes morriam (vv. 23-25). O sacerdócio não apenas era imperfeito como também era interrompido pela morte. Houve muitos sumos sacerdotes, pois nenhum sacerdote viveria para sempre. A Igreja, pelo contrário, tem um Sumo Sacerdote, Jesus, o Filho de Deus, que vive para sempre! Um Sacerdote imutável significa um sacerdócio imutável, o que, por sua vez, significa segurança e confiança para o povo de Deus. "Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre" (Hb 13:8). "Tu és sacerdote para sempre" (Sl 110:4).
De vez em quando, encontramos no jornal alguma notícia sobre fraudes de testamentos.
Um parente ou sócio inescrupuloso apropria-se do testamento e o emprega para propósitos egoístas. Mas isso jamais aconteceria com a aliança que Cristo firmou com seu sangue. Ele firmou essa aliança e morreu para que ela pudesse entrar em vigor.
Mas, então, ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu, de onde está "administrando" sua aliança.
O fato de o Cristo imutável continuar sendo Sumo Sacerdote significa, logicamente, que existe um "sacerdócio imutável" (Hb 7:24). O termo grego traduzido por "imutável" dá a idéia de "válido e inalterável".
Em função disso, podemos ter segurança em meio a este mundo de tantas transformações e agitação.
Qual é a conclusão dessa questão? Hebreus 7:25 declara: "Por isso [porque ele é o Sumo Sacerdote eternamente vivo e imutável], também pode salvar totalmente [completamente, para sempre] os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles". Por certo, Cristo pode salvar qualquer pecador que se encontra em qualquer situação, mas não é a isso que o versículo se refere. A ênfase é sobre o fato de que ele salva completamente e para sempre todos os que crêem nele. Uma vez que é nosso Sumo Sacerdote para sempre, pode salvar para sempre.
A base para essa salvação completa é a intercessão celestial do Salvador. O termo traduzido por "interceder" significa "ir ao encontro, abordar, apelar para, fazer uma petição". Não se deve imaginar que Deus Pai esteja irado conosco de tal modo que Deus Filho deve sempre apelar a ele e suplicar que não julgue seu povo! O Pai e o Filho estão de pleno acordo quanto ao plano da salvação (Hb 13:20, 21). Também não devemos imaginar Jesus proferindo orações em nosso favor no céu ou "oferecendo seu sangue" repetidamente como sacrifício. Essa obra foi consumada na cruz de uma vez por todas.
A intercessão diz respeito à forma de Cristo representar seu povo diante do trono de Deus. Por meio de Cristo, os cristãos podem achegar-se a Deus em oração e também oferecer sacrifícios espirituais para Deus (Hb 4:14-16; 1 Pe 2:5). Alguém disse bem que a vida de Cristo no céu é sua oração por nós. É sua identidade que determina suas ações.
Ao recapitular o raciocínio desta seção extensa (Hb 7:11-25), ficamos impressionados com a lógica do autor. O sacerdócio de Jesus Cristo segundo a ordem de Melquisedeque é superior ao sacerdócio de Arão e tomou seu lugar. Tanto o argumento histórico quanto o doutrinário são perfeitos. Mas o autor acrescenta um terceiro argumento.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 390-391.
ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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