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10° LIÇÃO DO 2° TRI DE 2013 A NECESSIDADE E A URGÊNCIA DO CULTO DOMÉSTICO


A NECESSIDADE E A URGÊNCIA DO CULTO DOMÉSTICO
Data 09/05/2013.                            Hinos sugeridos: 124, 251, 388.
TEXTO ÁUREO
E ensinai-a as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te (Dt 11. 19).
VERDADE PRÁTICA
Se não nos voltarmos com urgência à prática do culto doméstico, nossas famílias não poderão resistir às investida das trevas nestes últimos dias. A adoração no lar é imprescindível.
LEITURA DIÁRIA
Segunda        - Dt 4. 9.                               Guardando o ensino em Família.
Terça              - Hb 4. 12.                            A eficácia da palavra de Deus.
Quarta            - Pv 22. 6.                            O ensino desde a tenra idade.
Quinta             - Êxo 20.12.                         Honra pai e mãe.
Sexta               - Ef 6. 4.                               Pais ensinando a palavra.
Sábado          - 2 Tm 3. 14-15.                   Permanecendo na palavra de Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Deuteronômio 11.18-21; 2 Timóteo 14-17.
Deuteronômio 11
15 - Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos,
19 - e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assenta do em tua casa, e a n d a n d o pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te;
20 - e escreve-as nos timbrais de tua casa nas tuas portas,
21 - para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR, jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra.
2 Timóteo 3
14 - Tu, porém, permanece na quilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido.
15 - E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábia para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.
16 - Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça,
17 - para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.
IMTERAÇÃO
A nossa vida espiritual deve começar em casa! Certa feita o Senhor Jesus falou: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto".
Aqui, o Senhor Jesus ensina que o nosso aposento — em vez de grandes catedrais — é um excelente lugar para buscarmos a face do Senhor. Não há nada melhor do que cultuar o nosso Deus em família, juntamente com os pais, filhos, netos, sobrinhos, etc. Definitivamente, não podemos depender apenas dos cultos oficiais de nossas igrejas locais para termos comunhão com o Pai. A nossa casa e toda a família devem ser uma extensão da igreja de Cristo. Pense nisso!
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conhecer aí bases bíblicas do Culto Doméstico.
Classificar as bênçãos provenientes do culto no lar.
Organizar a Culto Doméstico.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, ao concluir a lição dessa semana, sugerimos que faça um convite para a classe. Convide-a para por em prática o que se aprendeu nesta lição. Distribua para os alunos folhas de papel oficio e peça que eles estabeleçam uma agenda semanal para o culto doméstico em suas casas. Após elaborarem a agenda, peça que eles tenham o zelo de cumpri-la.
No prazo de um mês, separe um dia para os alunos testemunharem as experiências pessoais provenientes dos cultos domésticos realizados com toda a família. Boa aula!
PALAVRAS-CHAVE. Culto: Adoração ou homenagem à urna divindade em quaisquer de suas formas.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A negligência para com oculto doméstico tem esfriado espiritualmente a família cristã. A comunhão, que deveria ser intensa no lar, é substituída, hoje, pela televisão e pelas longas horas de navegação na internet.
Consequentemente, o culto ao Senhor em nossas casas, outrora tão prioritário, praticamente desapareceu. Como se não bastasse, muitos pais optaram par terceirizar a formação espiritual e moral de seus filhos. Não querem ter trabalho algum com as suas crianças, adolescentes e jovens. E, para se justificarem, alegam falta de tempo. O que será dessa nova geração sem o ensino cristão?
É necessário resgatarmos com urgência o culto doméstico. Caso contrário, nossas famílias não poderão subsistir nestes dias difíceis, maus tenebrosos.
I - O CULTO DOMÉSTICO.
1. Adoração em família. Moisés reuniu o povo e fez-lhe saber a vontade de Deus através dos estatutos e dos juízos divinos (Lv 19.37). O lar judaico, por conseguinte, teria de ser urna escola para as crianças aprenderem a temer e a amar ao Senhor (Dt 6. 7; 11. 18-19). Lamentavelmente, já não se vê o mesmo zelo e determinação nas famílias cristã atuais. Não há uma cultura de adoração a Deus no lar. Entretanto, a Bíblia Sagrada destaca o valor do ensino divino cultivado no coração humano (Pv 4. 20-23). A Palavra de Deus deve ser o livro-texto dos pais na educação dos seus filhos, pois ela "é viva e eficaz" e produz um poderoso efeito na vida de quem a observa e a pratica (Hb 4,12).
2. A restauração da instrução doméstica. A respeito do ensino divino a ser ministrado no lar, o Senhor ordena: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa. e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te" (Dt 6.6,7). Mais do que nunca, torna-se imperativo o ensino da Palavra de Deus no lar (Pv 22,6). Nossos filhos precisam aprender com a máxima urgência a amar a Deus como Ele o requer: "Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu poder" (Dt 6.5).
3. A prática da adoração doméstica. Muitos casais supõem que, pelo fato de ainda não serem pais, acham-se dispensados do culto doméstico. Na verdade, o culto doméstico não apresenta qualquer restrição no tocante á quantidade de membros em uma família. Portanto, quer você tenha filhos, quer não, a devoção na família não pode esperar. A diferença está apenas no fato de que havendo filhos, a Palavra deverá ser ministrada com o objetivo de alcançá-los também, com uma linguagem própria para cada faixa etária.
SINOPSE DO TÓPICO (1)
O Culto Doméstico promove a adoração em família, à instrução doméstica e uma prática consciente da comunhão cristã.
II - O CULTO NO LAR.
1 - Organizando o culto doméstico. Tendo em vista a prática do culto doméstico, a primeira coisa a fazer é definir um dia e um horário em que todos os membros da família possam participar. A liturgia não precisa ser a mesma da igreja, todavia o louvor, a mensagem e a oração são elementos indispensáveis. Procure não utilizar o momento do culto para discutir problemas familiares ou de outra ordem.
Faça estudos bíblicos, incentive os filhos a falarem acerca de sua fé e ouça as instruções dos mais velhos, Este é o momento da família cristã! Sejamos, portanto, prudentes para edificarmos o nosso lar na rocha inabalável: Cristo Jesus (Mt 7.24,25; Ef 2.20).
Mão deixe, de ler diariamente a Bíblia com o seu cônjuge e filhos. Programe a leitura diária para o ano todo. E aproveite as datas comemorativas, como o Natal e os aniversários, para celebrar a Deus em família e agradecê-lo pelas vitórias conquistadas. Um lar que assim procede jamais será destruído.
2. Ganhando os que ainda não são crentes. Sempre é possível que haja na família pessoas que ainda não tenham aceitado a Jesus como seu Salvador e Senhor. Apesar disso, o culto doméstico não pode ser negligenciado.
Não deixe de convidar os familiares decrementes, com amor e sabedoria, para que participem da adoração a Deus. Siga o exemplo de Jó. Ele não forçava seus filhos a servirem ao Senhor. Mas, ainda pela madrugada, levantava-se para oferecer holocaustos a Deus por todos eles (Jó 1. 4,5).Mão despreze os momentos de comunhão com o Senhor no seu lar. Busque-o e adore-o de todo o coração {Mc 12.30).
3 - Eu e minha casa servindo ao Senhor. Alguns crentes negligenciam o culto doméstico por acharem-no antiquado e desnecessário. A falta de tempo e o cansaço são as desculpas mais utilizadas, Entretanto, há textos bíblicos contundentes que exortam os chefes de família a ensinar a Palavra de Deus a toda a sua casa (Dt 6.7-9).
O culto doméstico foi eficaz na vida de Timóteo, Desde a mais tenra idade, ele era zelosamente instruído nas Sagradas Escrituras por sua mãe, Eunice, e por sua avó, Loide. E o resultado foi maravilhoso. O Jovem Timóteo tornou-se um grande obreiro de Cristo (1 Tm 1.2; 2 Tm 1.2).
Tomemos como exemplo a mesma atitude de Josué. Ele deixou claro que o povo de Israel deveria escolher a quem deveria servir quando da entrada na Terra Prometida, mas "fechou a questão quando disse que ele e sua família serviriam ao Senhor (Js 24. 15), motivando a mesma atitude naqueles que o ouviam.
SINOPSE DO TÓPICO (2)
O culto doméstico deve ser prioridade em todo lar cristão. Ali, a família adora a Deus e cresce em graça e conhecimento.
III - BÊNÇÃOS ADVINDAS DO CULTO DOMÉSTICO
1. Fortalece os laços familiares. Como resultados do culto doméstico, podemos apontar o fortalecimento tanto da vida social quanto da espiritual, proporcionando-nos bênçãos extraordinárias- O livro de Ester é um exemplo do que ocorre quando instruímos os nossos familiares na Palavra de Deus. Embora rainha e esposa do homem mais poderoso daquele tempo, ela jamais se esqueceu dos ensinos que lhe transmitira seu primo, Mardoqueu, pois os laços entre ambos eram fortes (Ef 2.5-7). No momento certo, ela saiu em defesa do povo de Israel, e Deus se manifestou em todo o Império Persa. Na união espiritual do lar, sempre haverá lugar para Deus operar e agir. abençoando a todos (El 133.1,3).
2. Santifica e protege a família. Ouvimos todos os dias noticias estarrecedoras sobre tragédias familiares. Como se não bastasse, aumenta, a cada ano, o número de divórcios em todo o mundo. E o que dizer das drogas e da prostituição infantil que vitimam milhões de crianças oriundas de lares desestruturados? Mas quando nos unimos para buscar a face do Senhor, através da devoção doméstica. Satanás não encontra espaço para destruir nossos filhos. A família que verdadeiramente serve ao Senhor não será abalada, pois o Senhor santifica-a e a guarda (Ef 6 16-18).
3. Torna a família piedosa. Vemos que, em Israel, era comum a família adorar ao Senhor por ocasião da Páscoa (Éx 12.14). É gratificante e profundamente saudável a adoração a Deus em família: “Nas tendas dos justos há voz de Júbilo e de salvação; a destra do Senhor faz proezas” (SI I 18.15). Pais e filhos orando, lendo a Bíblia e cantando alegremente, no lar, produzem uma atmosfera espiritual de grande valor perante Deus, a Igreja e a sociedade.
SINOPSE DO TÓPICO (3)
Podemos participar de algumas bênçãos promovidas pelo Culto Doméstico: Fortalecimento dos laços familiares; Santificação e proteção da família; além de um lar piedoso.
CONCLUSÃO
O culto doméstico precisa ser urgentemente resgatado, pois o mundo quer impor sobre nossas famílias condutas totalmente contrárias às recomendadas pelas Sagradas Escrituras. Se ensinarmos os preceitos do Senhor aos nossos filhos, eles jamais serão tragados por este século, cujo príncipe é o Diabo. Quando a família é alicerçada na Palavra de Deus, a igreja local é fortalecida e a sociedade, como um todo, é beneficiada. Enfim, todos somos abençoados. Não perca tempo, inicie hoje mesmo o culto doméstico e Jesus jamais deixará o seu lar.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsidio Bibliológico
Eunice
Este nome, que quer dizer 'vitoriosa', aparece somente uma vez na Bíblia (2 Tm 1.5). Eunice era a mãe de Timóteo, e isso lhe confere certa importância. Ela, e sua mãe Lóide são descritas como mulheres de fé genuína no Senhor, e tinham, aparentemente, incentivado uma fé semelhante na vida do jovem Timóteo. Eunice era uma Judia devota, casada com um grego. É improvável que fosse uma fiel cristã antes da primeira visita de Paulo a Derbe e Listra, onde vivia, mas tinha evidentemente ensinado, de maneira completa, as Escrituras do Antigo Testamento a Timóteo (2 Tm 3. 15) [...]" {Dicionário Bíblico Wydiffe. CPAD, 2009, p. 710).
[...] Lóide
Avó de Timóteo e sem dúvida, mãe de Eunice, a mãe de Timóteo.
Ela é mencionada apenas uma vez (2 Tm 1.5). Aparentemente, a família vivia em Listra, onde Paulo foi apedrejado. Lóide possuía uma fé sincera em Deus, á qual juntaram-se Eunice e Timóteo, embora o marido de Eunice fosse grego e, evidentemente, um homem descrente (At 16-1). Parece bem provável que ela tenha sido uma judia religiosa antes da primeira visita de Paulo a Derbe e Listra e que ela, sua filha e seu neto se converteram ao cristianismo por causa do ministério de Paulo. Talvez as circunstâncias que cercaram o apedrejamento de Paulo e sua recuperação tenham contribuído para essa conversão" (PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John {Eds.). Dicionário Bíblico Wycliffe. I, ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp. 11 76-77).
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John (Eds.). Dicionário Bíblico Wycliffe. I, ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009
SOUZA, Estevam Ângelo. ...e fez Deus a família: O padrão divino para um lar feliz. I .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1 999.
EXERCÍCIOS
1. De acordo com a lição, qual deve ser o livro-texto dos pais?
R: A Palavra de Deus.
2. O que a Senhor ordena a respeito do ensino a ser ministrado no lar?
R: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração e as intimarás a teus Filhos e delas faras assentada em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te levantando-te (Dt 6. 7).
3. Quais são as desculpas mais utilizadas por aqueles que negligenciam a culto doméstico?
R: Falta de tempo a o cansaço.
4. Relacione as bênçãos vindas do culto doméstico.
R: Fortalecimento dos laços familiares, santificação e proteção da família e a piedade na família.
5. Você tem sido fiel na realização do culto doméstico?
R: Resposta pessoal.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n°54, p.41.
A nossa devoção ao Senhor não pode ser resumida à adoração no santuário onde nos congregamos com outras famílias e amigos, em nossa localidade ou outro ambiente escolhido por nós. Ela deve ser estendida ao nosso fare, com frequência, para que a nossa comunhão com o Senhor seja ampliada também para o nosso lar.
O culto doméstico é um culto realizado por uma família, dentro do lar, reunidos os membros e outras pessoas que desejam dele participar. Nele, são entoados cânticos ao Senhor, lida e explicada a Palavra de Deus, e solidificada a comunhão familiar e cristã.
O culto doméstico e a transmissão da Palavra de Deus no ambiente familiar têm a sua base em Deuteronômio 11.19: "E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te".
É curioso observar como Deus trata de momentos familiares e da influência da difusão de sua Palavra em cada um deles. A ordem do Senhor era que seus testemunhos fossem ensinados no lar: "assentado em sua casa", em uma posição de conforto e de amor; "e andando pelo caminho", pois a vivência da família não se resume ao lar, mas a outros ambientes for a da casa onde residem; "e deitando-te", no momento de descansarem de um dia repleto de atividades, em que deveria lembrar-se de agradecer ao Senhor pelo dia que tiveram; "e levantando-te", no momento em que começa o dia, Deus deveria ser lembrado por toda a família, e a Ele deveriam agradecer pela noite de descanso que tiveram. Portanto, a hora de ensinar a Palavra de Deus e de falar dela é em qualquer momento, tanto fora do lar quanto dentro dele.
A Bíblia nos mostra que há frutos colhidos quando a Palavra de Deus é ensinada no lar. Timóteo, jovem que foi pastor na Igreja em Éfeso, veio de um lar cujo casamento foi considerado misto. Seu pai era grego e sua mãe, judia. Ainda assim, Timóteo foi ensinado na Palavra de Deus. Isso deve servir de advertência aos pais: Um menino criado em um lar dividido tornou-se missionário e depois pastor.
Em que estão se tornando nossos filhos? Que direção estamos dando a nossos filhos no tocante à fé? Será que eles, neste momento, ressalvando evidentemente os fatores idade e maturidade, estão sendo conduzidos de forma a pensar até mesmo em serem integrantes do santo ministério no futuro? Ou eles veem com desprezo o ministério e a fé cristã?
Vejamos, portanto, com cuidado, a forma como temos conduzido nossos filhos, para que não os percamos para o mundo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
O que está faltando, na maioria dos lares cristãos, é espaço para a família adorar a Deus. Essa adoração se dá através do culto doméstico.
Todavia, essa prática tem sido negligenciada. Na maioria dos lares cristãos, não se faz o culto doméstico. Milhões de crentes deixam de ir ao culto nas igrejas para ficar em casa, assistindo a uma programação que nada tem de edificante para as vidas de servos de Deus (1 Co 6.12; 10.23).
A família cristã precisa ter em mente que há um plano diabólico para destruir suas bases e levá-la à queda espiritual e moral. Não há outra forma de fazer face a esse ataque mortal, se não for através da busca da presença de Deus no lar. O culto doméstico propicia os momentos diários para o fortalecimento do lar, por meio da oração, da leitura da Bíblia, “a espada do Espírito”, e do louvor a Deus, no meio do qual Ele se faz presente.
Sabemos que neste século XXI, quando o materialismo avassala as mentes; quando crianças, nas escolas, são bombardeadas com os ensinos que eliminam Deus da origem do universo e do homem; crianças e adolescentes são estimuladas à prática do sexo precoce, e o homossexualismo é impingido como prática normal e saudável; se os pais não despertarem para a adoração a Deus, no lar, será impossível evitar a derrocada da família.
Inclusive da família cristã. Ocorrerá o que aconteceu na Europa, que um dia foi berço de grandes avivamentos.
Hoje, com algumas exceções, há igrejas vazias, pelo afastamento de crianças e jovens; lares destruídos pelo ateísmo e pelo demonismo, pela ausência de Deus. O estrago por anos a fio de desprezo à educação cristã nos lares não será reparado. Mas ainda há tempo para salvar alguns (1 Co 9.22). Se houver conscientização por parte dos pais cristãos, que considerem os filhos como "... herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão” (SI 127.3), haverá motivação para restaurar ou implantar o culto doméstico.
O SIGNIFICADO DO CULTO DOMÉSTICO
Como o nome sugere, o culto doméstico é uma reunião da família, sob a liderança dos pais cristãos, com a finalidade de cultuar a Deus no lar. Sua realização tem sólido fundamento bíblico, como será observado neste estudo. O culto doméstico é tão importante que Satanás tem tido especial cuidado para desestimular sua realização em mais de 90% dos lares cristãos.
O resultado da ausência da adoração nos lares, diariamente, é causa para a maioria dos problemas que os casais e as famílias cristãs enfrentam nestes “tempos trabalhosos”, previstos na Palavra de Deus. Que o Senhor Jesus desperte os pais cristãos para tomarem a decisão sábia e firme de desenvolver esse trabalho, que é simples, mas de grande efeito sobre a formação espiritual, moral e social da família cristã.
LIMA. Elinaldo Renovato de. A família cristã e os ataques do inimigo. Editora CPAD. pag. 113-114.
"tomou Abrão a sarai, sua mulher,... e vieram à terra de canaã,... e edificou ali um altar ao senhor." Gênesis 12.5-7
Assim escreveu um obreiro evangélico: "Quando eu era capelão na penitenciária de Arkansas, dos 1.700 presos, só um se criara num lar no qual havia culto doméstico. E soube depois que foi libertado porque provaram a sua inocência".
É possível levantar o itinerário das peregrinações de Abraão se, tão-somente, visitarmos os lugares onde o patriarca construiu os altares para sacrificar ao Senhor. Eis o que lemos em Gênesis: "Ali edificou Abrão um altar ao Senhor, que lhe aparecera. Passando dali... edificou um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor" (Gn 12.6-8).
O que podemos aprender com Abraão? Embora fosse praticamente o único servo de Deus em toda a terra, resistiu ao mundanismo e alcançou o título de pai dos fiéis (Rm 4.11,16). A resposta está nos altares que ele construía para, juntamente com toda a sua casa, invocai o nome do Senhor (Gn 18.19).
Encontramos em Jó outro ideal de pai que, verdadeiramente, soube ordenar seus filhos nos caminhos de Deus. "Seus filhos iam nas casas uns dos outros e davam banquetes, cada um por sua vez... Jó santificava-os; e, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos... pois dizia: Talvez meus filhos tenham pecado (Jó 1.4,5)". Não lhe bastava evitar o próprio pecado; cuidava que seus filhos também não pecassem. Como sacerdote do lar, chamava-os para os santificar; levantava-se antes do romper da aurora para oferecer holocaustos por eles.
Desde o tempo de Jó, os fiéis são unânimes em reconhecer a necessidade de se cultivar o culto doméstico.
Um dos mais conhecidos pregadores na história da Inglaterra foi Ricardo Baxter. Quando ainda jovem, foi chamado a pastorear uma grande igreja, cujos membros eram ricos e instruídos. Achou-os, porém, frios e carnais. Por isso ficou desapontado e deixou-se levar pelo desânimo. No auge da crise, declarou: "O único meio de salvar a igreja e a circunvizinhança é estabelecer a religião nos lares, e levantar o altar familiar". Passou três anos trabalhando, visitando casas, disposto a estabelecer o culto doméstico em todos os lares. Seus esforços foram coroados de êxitos. E, assim, o culto doméstico serviu de base a um movimento que trouxe a igreja milhares de pecadores. Baxter provou que, para a igreja, o altar familiar é indispensável para se estender as estacas do Reino de Deus.
Tomaz Bastos foi também um grande ministro. Ao contrário de Baxter, foi ele chamado a trabalhar num subúrbio muito atrasado. Lá, também, encontrou uma igreja fria e quase desassistida. Como não podia influenciar o povo, ficava triste e desalentado. Foi aí que resolveu: "O único meio de salvar a igreja é salvar a família". Decidiu, pois, andar por todo aquele subúrbio, restabelecendo o altar familiar. Levou aqueles crentes a fazer o culto doméstico todos os dias da semana. Nesta luta, levou três anos. Enfim, a igreja começou a dar sinais de vida. O poder daquela igreja a influenciou de tal forma a toda a circunvizinhança, que os frutos passaram a ser contados a cem por um.
Havia dezenove filhos na família Wesley, mas nunca se acharam demasiadamente ocupados a ponto de não realizar o culto doméstico. Desfrutavam de tão grandes bênçãos nestas ocasiões que, às vezes, até cem vizinhos se congregavam nas divisões da humilde casa para ajoelharem-se com a família perante o trono de Deus. Eram horas perdidas? Não! Eram os alicerces do avivamento mundial que acompanhou o ministério de João e Carlos Wesley.
Cortland Myers conhecia dois irmãos que, depois da morte do pai, resolveram vender a velha casa onde se criaram. Ao voltarem para revê-la, começaram a recordar os tempos de infância, quando sentados na varanda, os pais conduziam o culto doméstico. De repente um se deteve e disse: "Roberto, não podemos vender a casa". O outro também parou e respondeu: "Interessante; resolvi a mesma coisa, quando olhei para esta cadeira e lembrei-me de como papai se assentava nela e lia-nos a Bíblia, no culto doméstico. É a cadeira que rodeávamos de joelhos, enquanto ele nos dirigia a Deus em oração". E ali mesmo, os irmãos ajoelharam-se ao lado da velha cadeira, choraram e decidiram não mais vender a casa. A partir daquele dia, resolveram dedicar-se com mais afinco à Obra de Deus.
É ainda Cortland Myers quem conta: "Está perante mim uma outra casa velha. Na varanda, meu pai, minha mãe e nós, os doze filhos, duas vezes por dia, líamos a Bíblia e orávamos a Deus. Não é de admirar, pois, que todos os filhos sejam salvos pela graça de Deus. Quatro deles estão pregando a mensagem de Jesus Cristo e os outros são professores da Escola Dominical. E todos achavam inspiração e vida quando nosso pai abria a Bíblia, e nos dirigia a elevar o coração de Deus".
Parece-me também que estou de novo na casa de meus pais, onde todos os dias, no culto doméstico, sentíamos a presença do Pai Celestial. Aquilo que eles me legaram durante aquelas horas tão abençoadas, constituem para mim uma herança muito mais preciosa do que o ouro todo do mundo.
 Minha esposa e eu sempre primamos pela realização do culto doméstico. E, hoje, graças a Deus, podemos olhar com serenidade o passado. Apesar dos problemas decorrentes da educação dos filhos, cumprimos a nossa missão. Há um túmulo nos altos sertões do Ceará, onde jazem os restos mortais de um de nossos filhos. Ele tinha 16 anos quando Jesus o chamou para estar consigo. O menino estava pronto para a chamada inesperada, porque participava dos cultos domésticos diariamente. Nossa filha, que de igual forma sempre participava dessas reuniões, foi escolhida para ser esposa de missionário.
Aqui desejo enumerar algumas das vantagens que a família usufrui quando, em espírito e verdade, faz o culto doméstico todos os dias:
1)        Torna o ambiente familiar um lugar agradável e enriquece a comunhão entre os membros da família;
2)        Evita as desavenças e acaba com os focos de desunião;
3)        Leva os filhos a perseverarem em seguir a Cristo, e determina o seu bem estar na eternidade;
4)        Prepara-nos a render o melhor serviço e a glorificar a Deus no trabalho diário, na escola, em casa, no escritório, no comércio ou na fábrica;
5)        Dá-nos força a enfrentar, com coragem, todos os problemas e tentações durante o dia;
6)        Faz-nos passar o dia na presença do divino Amigo e Ajudador;
7)        Consagra a amizade com os hóspedes em nossa casa;
8)        Aumenta a influência e a obra da igreja no mundo inteiro;
9)        Anima outros lares a seguirem o mesmo exemplo;
10)      Honra ao Pai celestial e manifesta nossa gratidão por sua misericórdia e bênção.
O segredo do culto doméstico está justamente em sua direção. Deve ser dirigido por alguém que mantenha comunhão com Deus, que estude a Bíblia e cujo objetivo seja o de levar toda a família a fazer o mesmo.
Ninguém pode desculpar-se, dizendo que não tem tempo, porque os poucos minutos que dedicamos ao Senhor hão de representar um peso tremendo na vida de nossos entes queridos. Mais valem alguns minutos na presença do Senhor, do que milhares de horas passadas longe dele. Certamente todos podem achar tempo para aquilo que é essencial à salvação e segurança de todos os membros da família.
Conta um biógrafo do presidente Lincoln como este chefe da nação fez seu discurso inaugural à frente do governo. A tempestade da Guerra Civil estava para desencadear-se sobre a nação, e não havia meio de se evitá-la. O Senado estava superlotado. O cadáver de um dos seus filhos jazia na Casa Branca, e o outro estava às portas da morte. A nação estava face a face com a maior crise da sua história. Lincoln, contudo, levantou-se e falou com tal clareza, calma e coragem, que os homens e mulheres se sentiram como se estivessem presenciando um milagre.
Não sabiam que Lincoln, antes de sair de casa, lera a Bíblia e fizera o culto doméstico como de costume. Depois, no silêncio do seu quarto, cairá de joelhos e rogara Àquele cujas mãos sustentam o mundo, para que sustentasse e guiasse a nação.
BOYER. Orlando. Toda a Família Como Preservar a família em tempos de crise. Editora CPAD. pag. 12-14.
I - O CULTO DOMÉSTICO.
1. Adoração em família.
O CULTO DOMÉSTICO NO ANTIGO TESTAMENTO
1. No primeiro lar, Deus estava presente Talvez não se tenha dado muita importância ao que ocorreu no Éden, no primeiro lar do ser humano, depois que ele foi criado por Deus.
Era um ambiente perfeito, sem doenças, sem violência, sem qualquer coisa que abalasse a estabilidade e a segurança dos seus habitantes. Mas o que era mais importante, ali, era a presença de Deus junto ao casal. No Éden, começou o culto doméstico. Não é força de expressão ou apenas uma linguagem metafórica. Os seres criados podiam não apenas crer, mas ver e ouvir ao próprio Criador. Em atitude de reverência e adoração, ouviam a voz de Deus, que os visitava (Gn 3.8).
Ali, havia um maravilhoso culto doméstico, dirigido pelo próprio Deus! E, se não fosse a desobediência, não só o Éden, mas toda a terra seria um ambiente de adoração ao Criador. Enquanto Adão e Eva permaneceram naquele estado santo, diante de Deus, só havia bênçãos.
Aquele culto doméstico foi prejudicado, quando desobedeceram à voz do Senhor, e ouviram a voz do tentador. Deus não mais se fez presente ali. O culto doméstico deixou de ser realizado no Jardim, Satanás prevaleceu. Hoje, acontece a mesma coisa. Quando os pais de família, os líderes e sacerdotes do lar, deixam de obedecer ao Senhor, todos são prejudicados. A primeira coisa que acontece é a ausência de Deus no lar. E quando Deus não está num lar, coisas terríveis acontecem. O Diabo, o adversário da família, promove a desarmonia, a falta de paz, a falta de amor; assim a desunião, a desconfiança, o ciúme e as contendas têm lugar.
2. A adoração na família era valorizada. O povo de Israel estava prestes a entrar na terra de Canaã, 40 anos depois da saída do Egito. O líder Moisés precisava dar as orientações indispensáveis sobre como se comportar no destino de sua grande jornada. O deserto serviu de campo de experiências marcantes com Deus. A passagem do mar Vermelho; a água tirada da rocha; o pão enviado por Deus; os livramentos extraordinários, e as vitórias sobre os inimigos, tudo isso só teria sentido se o povo continuasse a servir ao Senhor com fidelidade.
A multidão que sobreviveu ao deserto estava às portas de Canaã. Achavam-se acampados na terra de Moabe, na parte oriental ao Jordão e ao mar Morto. Moisés reuniu-os e lhes fez saber a vontade de Deus, através da sua Lei, dos seus estatutos e juízos (Lv 19.37). Sem isso, ja mais poderiam ser um povo abençoado. Havia uma verdadeira preocupação em integrar a família na adoração a Deus, em todas as gerações. Havia clima espiritual e emocional para o culto doméstico. As palavras que receberam do Senhor deveriam ser ensinadas às gerações da atualidade e também “aos filhos de teus filhos”, às gerações futuras. Lamentavelmente, nos dias presentes, não se vê essa determinação nas famílias atuais, mesmo no meio dos cristãos.
Falta uma cultura de adoração a Deus no lar. Parece que o comodismo e o individualismo levaram as famílias a só irem às igrejas (aos templos) aos domingos ou em eventos considerados importantes, como congressos e festas anuais, de fim de Natal ou de Ano Novo. Depois, a rotina toma conta das famílias, sem incluir, em sua programação, a realização do culto doméstico.
3. A adoração e amor ao único Deus verdadeiro.
Os ensinos transmitidos por Moisés aos israelitas tinham grande significado para a família.
a) A família precisa saber que Deus é o “único Senhor” (Dt 6.4). O povo de Israel iria habitar numa terra, onde as nações, ao longo dos séculos, eram politeístas. Adoravam imagens de escultura, adoravam “ao pau e a pedra”, aos animais e às forças da natureza, em sua ignorância espiritual. E os povo de Deus tinha que ter consciência de que só existe um Deus, o único Deus, Criador dos céus, da terra, do homem e de todas as coisas. E que esse Deus é o único Senhor, a quem deveriam reverenciar e adorar.
No culto doméstico, hoje, os pais precisam enfatizar essa verdade. A Nova Era, uma mistura de religião, filosofias, ocultismos e misticismos, tem tido êxito em influenciar muitos jovens e adolescentes, com suas invencionices, do tipo tarô, pirâmides, avatares, e uma gama enorme de elementos esoteristas. A família cristã precisa ser “vacinada” contra essa onda de espiritualismo herético.
b) A família precisa saber que Deus deve ser amado com todo o ser (Dt 6.5). Essa foi uma das maiores lições que Deus deu ao povo de Israel.
Ao longo da caminhada, gerações inteiras esqueciam-se de amar a Deus.
Dos que saíram do Egito, todos os homens de guerra pereceram, exceto Josué e Calebe. Por que? A maioria pereceu por causa da murmuração contra Deus e contra a liderança por ele estabelecida, como na rebelião de Coré, Data e Abirã (Nm 16.33).
Não será o que falta, hoje, no meio de grande parte das famílias cristãs? No Brasil, os evangélicos tiveram um crescimento extraordinário, nos últimos anos, segundo o IBGE. Mas grande parte desse crescimento não é acompanhado de crescimento qualitativo. E comum famílias inteiras não realizarem qualquer tipo de atividade devocional em seu lar. Amar a Deus de todo o coração requer devoção sincera, que parte do íntimo do ser. Amar a Deus de toda a alma e de todo o poder exige sentimentos santos de reverência e de práticas devocionais, no dia a dia das pessoas. Não se pode dizer que uma família ama a Deus de todo o coração, se seus integrantes, mesmo sem motivo que justifique, como trabalho ou estudos, só vai à igreja local, para adorar a Deus, em fins de semana, ou se sobrar tempo para isso.
4. A ordenança do culto doméstico.
No Antigo Testamento, o povo de Israel estava passando por uma experiência de aprendizado, no que concernia ao seu desenvolvimento espiritual. Depois de tantos desvios e desacertos, a pedagogia de Deus teve que ser muito rígida. O cativeiro egípcio ensinara ao povo que a desobediência tem um alto preço a pagar. O Êxodo, através do deserto abrasador, onde a sobrevivência de quase três milhões de pessoas era um risco tremendo, deu ao povo oportunidade de conhecer o poder de Deus em suas vidas. Mas, mesmo assim, com tantos sinais e maravilhas, jamais imaginadas, na vida de um povo, os hebreus costumavam a esquecer-se de Deus, quando as circunstâncias adversas eram superadas. Dessa forma, Deus determinou que as famílias deveriam adorá-lo, não apenas diante do Tabernáculo, mas o culto a Deus deveria começar nos lares. De modo solene, a Bíblia registra a ordenança para a realização do culto doméstico, no livro de Deuteronômio.
LIMA. Elinaldo Renovato de. A família cristã e os ataques do inimigo. Editora CPAD. pag. 114-117.
Dt. 6.7 — E as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. A revelação de Deus seria uma coisa tão importante para uma família dedicada ao Senhor que os mais velhos poderiam falar naturalmente do Criador enquanto estivessem desempenhando outras atividades.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 322-323.
Dt. 6.7 Tu as inculcarás a teus filhos. As crenças religiosas que têm mostrado interesse em cumprir este mandamento organizam escolas, cursos e catecismos, que são coisas boas, mas por muitas vezes acabam falhando. A letra sempre ameaça o espírito. Os melhores mestres das crianças são os pais que praticam o que eles ensinam a seus filhos. Há três coisas que um pai ou mãe devem a seus filhos: exemplo, exemplo e exemplo. Sem isso, muitos anos de instrução religiosa formal redundam em fracasso.
O profeta Baha Ullah disse, com toda a verdade, que o pior erro que um pai pode cometer é conhecer algum ensinamento, mas não transmiti-lo a seus filhos. Existe tal coisa como um “crente-casulo”, ou seja, um crente que foi criado e educado somente na igreja, tal como a larva de um inseto é guardada em seu casulo fechado. Trata-se de uma espécie de “virtude infantil enclausurada”. Uma vez que a larva emerge do casulo, um mundo hostil logo a consome. E também há aquelas corrupções internas que nenhum acúmulo de educação formal é capaz de eliminar. Isso posto, a educação de uma criança precisa ser multifacetada, envolvendo instrução formal, exemplo vivo e muita oração.
Um Ensino Completo. A instrução deve ser levada a efeito no lar; quando caminhamos ou viajamos; quando nos deitamos para dormir; quando nos levantamos para começar um novo dia, conforme nos diz o texto. Eu mesmo ensinei disciplinas seculares, por algum tempo, em uma escola judaica. Essa escola (em Chicago) dedicava três horas a estudar disciplinas seculares, pela manhã, e três horas para estudos religiosos, à tarde. Mas quero informar a meu leitor que aquele foi um dos grupos de crianças mais difíceis de controlar que já conheci. Elas “colavam” nas provas, e eram mais difíceis de controlar do que os grupos gentios para quem já ensinei. No entanto, 0 filho do rabino, um de meus alunos, era um modelo de comportamento, além de destacar-se como líder intelectual. Na verdade, ele era um estudante modelo em todas as coisas, dotado de mui poderoso intelecto. A espiritualidade não se origina somente nos bancos escolares. Na verdade, é uma inquirição que dura a vida inteira. E nessa inquirição a escola desempenha somente um papel parcial.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 786.
Dt. 6.7 - Os hebreus foram extremamente bem-sucedidos ao tornar a religião parte integral de sua vida. O motivo do sucesso foi à combinação entre a educação religiosa e uma prática de vida. Eles utilizavam o contexto diário para ensinar sobre Deus.
Nesse versículo, está a chave para seus filhos aprenderem a amar a Deus. Se você deseja que eles sigam a Deus é preciso que o Senhor se torne presente em suas experiências diárias.
É necessário ensinar seus filhos de forma zelosa a verem Deus em todos as áreas da vida. não apenas naquelas relacionadas à Igreja.
APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de estudo. Editora CPAD pag. 241.
Pv. 4.20-27 — Este trecho bíblico orienta a cuidar das vontades e das emoções, e a manter a fala honesta, o olhar atento e o bom senso no proceder. Adentrar o caminho da sabedoria não é um acaso.
Responsabilidade dos Pais.
Conforme a sociedade moderna vem descobrindo a cada dia, não há substituto para um lar sólido e estável. Com pais ausentes, negligentes ou abusivos, os filhos provavelmente não aprendem a lidar com o mundo de forma saudável. Por este motivo, Provérbios ressalta a responsabilidade dos pais em instruir as crianças e ensina-lhes a sabedoria (Pv. 4.3,4). Por terem acumulado idade, dificuldades e sofrimentos, os pais são capazes de oferecer experiência e ideias que vão ajudar a próxima geração a manter-se na trilha certa.
A intenção de Deus é de que pai e mãe participem da educação dos filhos. Os pais devem assumir a liderança como guias e orientadores, e as mães devem proporcionar princípios dominantes com base na Palavra de Deus (Pv 1.8; 4.1; 6.20). Além disso, Provérbio 4.3,4 deixa implícito que os avós também têm sua dose de responsabilidade na educação dos netos. Desta forma, a família deve instruir o menino no caminho em que deve andar (22:6). Esta é a dádiva do lar. A criança pode não apreciar por um momento os ensinamentos dados, mas os pais devem concedê-los de qualquer modo. Aliás, devem fazê-lo para o seu próprio bem.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 953.
Pv 4.20 Filho meu, atenta para as minhas palavras. Uma vez mais o mestre (pai) convoca seu estudante (filho) a ouvir com cuidado suas palavras, visto estar ele começando uma nova exortação que requer atenção. O livro de Provérbios reitera tais exortações aqui e acolá. Cf. Pro. 1,5,8; 4.1,10; 5.7; 8.6,33; 19,20,27; 22.17 e 23.19. Cada novo assunto tratado requer audição renovada. A tendência do aluno é tornar-se cansado e desatento. Nesse estado, ele perde de vista a lição. Nos versículos que se seguem, o aprendiz deve usar os ouvidos, os olhos, o coração e a boca, no que diz respeito à obtenção da sabedoria, e o acúmulo dos órgãos dos sentidos fala da intensidade e da sinceridade de sua busca."... curva-te e inclina os ouvidos; escuta com atenção o que te é dito, como algo que se reveste do maior momento e importância” (John Gill, in loc.). Quanto à palavra “atenta”, ver Pro. 4.1,20; 5.1 e 7.24.
Pv 4.21 Não os deixes apartar-se dos teus olhos. Os olhos e o coração fazem parte do quadro da mente atenta e da sensibilidade para com a mensagem espiritual, ditames e promessas da sabedoria e da instrução. Os olhos fixam-se sobre a sabedoria; não se desviam dela para contemplar algo de menor importância. Em seguida, o coração (o homem interior, o homem espiritual) aceita a sabedoria. O coração, pois, torna-se o tesouro da sabedoria. Cf. este versículo com Éxo. 13.16 e também com os “frontais”, que aparecem nesse versículo, onde temos o mesmo tipo de mensagem insistente no tocante à lei: "... coração, como um tesouro escondido na câmara mais interior de uma casa (2.1; 3.3,21; Deu. 6.6)” (Fausset, in loc.). Um bom estudante deve concentrar o coração em sua busca espiritual. Não se trata de algo que foi adicionado à sua vida. Deve ser a sua própria vida.
Não os deixes apartar-se. Cf. Pro. 3,21, cujas notas expositivas também se aplicam aqui. Quanto a “coração”, ver Pro. 2.2. A palavra “apartar-se" envolve os afetos da pessoa. O bom estudante deve amar a lei, na qual reside a sabedoria. Nesse caso, não amará os valores deste mundo.
Pv. 4.22 Porque são vida para quem os acha. Uma vez mais, a sabedoria é aqui declarada como doadora de vida. Ofereço uma nota de sumário sobre isso em Pro. 4.13. Para que um homem tenha vida longa e próspera, ele precisa também ter boa saúde; e essa é a razão pela qual temos essa promessa aqui. Oh, Senhor, concede-nos tal graça. Esse é o sine qua non da vida boa, embora existam santos, neste mundo, que conseguem viver bem espiritualmente, mesmo na enfermidade. Por outra parte, se eles estão fazendo isso, então que obtenham por isso uma recompensa. Oh, Deus, concede-nos boa saúde e vida longa, a fim de que possamos cumprir nossa missão e ver nossas tarefas terminadas, sem exceção. Dizer alguém que um homem bom não pode nem deve adoecer é naturalmente uma proposição extremada e insensata. Pois nas enfermidades mais está envolvido do que o simples pagar pelos pecados. Além disso, alguns homens bons aparentemente adoecem e, no entanto, vão para o Senhor, como foi o caso de Paulo (ver II Cor. 12.8). Mas também existem santos que vivem fisicamente bem e usam de sua boa saúde para o bem. Portanto, Senhor, permite-nos fazer parte da segunda classe, se, porventura, isso não ferir alguma lei cósmica. E penso que essa é uma petição que podemos fazer a Deus, razoavelmente, visto que o presente versículo promete boa saúde àqueles que seguem a vereda da sabedoria. E o homem, por inteiro, receberá cura, o que deixa entendido que agora uma parte e, depois, outra, podem sofrer de alguma enfermidade, mas para novo caso de doença haverá cura da parte do Senhor.
Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades. (Salmo 103.3)
Ver I Tim. 4.8, onde se lê que a piedade é proveitosa para tudo. Ela promete a vida, tanto neste mundo como no outro, e, presumivelmente, está em pauta uma vida boa, que pode incluir a boa saúde.
Será isto saúde para o teu corpo, e refrigério para os teus ossos.
(Provérbios 3.8) Palavras agradáveis são como favo de mel, doces para a alma, e medicina para o corpo.
(Provérbios 16.24)
Este versículo tem sido espiritualizado a fim de falar do sangue de Cristo como a panacéia para todos os males humanos."... as doutrinas do evangelho são as palavras saudáveis de nosso Senhor Jesus. Elas são sãs, salutares e saudáveis, e servem para manter a alma em bom estado de saúde, como também o corpo” (John Gill, in loc).
Pv. 4.23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração. O Coração e a Saúde Espiritual. As emoções e a vontade eram atribuídas, pelos hebreus, ao coração literal, mas muita coisa também era atribuída ao homem interior, o homem espiritual, simbolizado pelo coração. O livro de Provérbios usa a palavra “coração” com o sentido de “fé do coração”, que corresponde à chamada para a sabedoria. Quando lemos o livro de Provérbios, vemos que o termo “coração” é usado mais ou menos no mesmo sentido em que usamos esse vocábulo no linguajar moderno. Aponta para o centro do ser humano, o homem interior, em contraste com o homem exterior, o homem físico. O coração precisa estar bem com Deus, e essa é outra maneira de afirmar que devemos ter uma espiritualidade genuína, e não uma espiritualidade superficial ou hipócrita. Ver Mat. 15.19. Meus amigos, há cerca de oitenta referências ao coração em Provérbios, e cerca de cem no livro de Salmos. Convido o leitor a examinar em uma boa concordância todas essas referências. Dou alguns exemplos do livro de Provérbios: 2.2; 3.1; 4.4; 23.5,12; 10.8; 13.12; 14.33; 16.1 e 23.7.
Porque, como imagina em sua alma, assim ele é.
(Provérbios 23.7)
Porque dele procedem as fontes da vida. Tudo quanto faz a vida tornar-se digna de ser vivida origina-se no homem espiritual e então manifesta-se na vida externa do homem, de múltiplas maneiras. Estão em pauta todos os valores espirituais de um homem, bem como os atos daí resultantes. Provavelmente a alusão é a todas as artérias que, saindo do coração, alcançam todas as partes do corpo e levam nutrição a partir daquele centro. Como é óbvio, os antigos não tinham consciência da circulação do sangue, mas sabiam que o coração e o sangue que percorre o corpo estão, de alguma forma, relacionados. Cf. Mat. 15.19 quanto às coisas negativas que procedem do coração. “O coração de um homem saudável é um coração saudável. A vida e o coração de um homem dependem, em grande parte, das condições de seu coração” (Rolland W. Schloerb, in loc).
Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. (Filipenses 4.8)
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2557.
A oitava lição (4.20-27)
O tema é: "Apega-te àquilo que é bom". Contudo, outro apelo para que os alunos deem ouvidos às instruções transmissoras de vida do mestre (20-22) é seguido por um apelo para que mantenham o coração (23), a linguagem (24), os olhos (25) e os pés (26-27) na direção que conduz à vida.
No verso 21 o mestre demonstra que não é suficiente ouvir instruções sábias: estas devem ser assimiladas, ponderadas, e entesouradas no centro do ser do homem. Cf. Sl 119.11 e Lc 2.19. O verso 23 nos fornece a chave para toda esta série de lições. A sabedoria conduz à vida; mas, fundamentalmente, a sabedoria se origina, não em seguir uma coleção de sábios preceitos, mas se origina no coração, o foco da mente e da vontade e a fonte da ação. (Quanto ao sentido de coração, no hebraico, ver 2.2 e segs.). Israel estava necessitando de um "coração para que me conheçam" (Jr 24.7). As palavras de nosso Senhor, sobre essa questão, e que provocaram tal escândalo (Mt 15.10-20) se baseiam no ensinamento deste versículo. No verso 26, em lugar de pondera é melhor traduzir "endireita" como diz na Septuaginta e em Hb 12.13. Atualmente se reconhece que esse é o sentido dessa palavra; a remoção de tudo quanto pode servir de obstáculo moral é subentendida. Mas isso ainda não é tudo. O aluno também é recomendado a verificar que seus caminhos sejam bem ordenados (26). A raiz desta palavra significa "tornar firme". Tendo sido desimpedida dos obstáculos, a estrada em seguida deve ser feita firme, e então não se poderá alguém desviar dela (27).
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Provérbios. pag. 23-24.
Hb. 4.12 — A palavra de Deus é o padrão de medida que Cristo usará no juízo (2 Co 5.10). A mensagem de Deus é viva e eficaz, penetrando as partes mais íntimas do ser. Diferencia o que é natural do que é espiritual, assim como os pensamentos (as reflexões) e as intenções (desejos) de cada pessoa. A palavra de Deus, enfim, expõe as motivações naturais e as espirituais do coração do crente (Hb 4.7; 3.8,10,12,15; 8.10; 10.16,22; 13.9).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 645.
Hb. 4. 12 Os versículos décimo segundo e décimo terceiro foram acrescentados para reforçar a advertência contra seguirmos o péssimo exemplo de desobediência da «geração do deserto». Esses dois versículos não são uma apóstrofe intercalada de descrição e louvor à Palavra de Deus, embora também cumpram essa função. O Deus cujo descanso buscamos receber, nos deu sua palavra poderosa e penetrante ; facilmente revela a incredulidade e a desobediência, se não nos esforçarmos por entrar no descanso.
«..palavra de Deus...» Muito debate tem havido sobre o que significaria
essa expressão. Abaixo damos as ideias centrais:
1. Alguns limitam a alusão às Escrituras à o A.T. Apesar de que a Palavra de Deus se acha nela, não se pode limitar a qualquer documento escrito.
2. Alguns estudiosos, desconsiderando o fato de que na época ainda não havia cânon do N.T., e que, de fato, muitos dos livros desse cânon ainda não tinham sido escritos quando foi composta a epístola aos Hebreus, supõem que o termo «palavra», neste caso, seja a Bíblia inteira, o Antigo e o Novo Testamentos. Mas nenhum intérprete sério pode concordar com isso.
3. Há outros estudiosos que personalizam a «palavra», como se neste caso ela significasse «Cristo», de acordo com o ensinamento de João 1:1. É verdade que o Cristo deste tratado tem todas as características do Verbo joanino, e não há que duvidar que o autor sagrado estava familiarizado com o «Logos» ou «palavra» dos escritos de Filo. Essa palavra é criadora, orientadora (ver Heb. 1:2,3), ativa em toda a criação de Deus. No trecho de Heb. 11:1, porém, quando ele fala sobre a criação como algo produzido pela «palavra de Deus», utiliza-se do termo «rema», e não da palavra «logos»; mas certamente teria usado esta última palavra se tivesse querido transmitir ideias filônicas. Os adjetivos usados para descrever a «Palavra», como viva, ativa, incisiva, que divide alma e espírito, juntas e medulas, pensamentos e intuitos, não são apropriados para descrever a pessoa de Cristo. Antes descrevem como os oráculos de Deus, dados de muitos modos, e através de muitos instrumentos, se comportam. Portanto, apesar de que o Cristo apresentado pelo autor sagrado é o «Verbo», ele não procurava perpetrar o mesmo ensino de Filo. Alguns estudiosos têm visto esta epístola aos Hebreus como uma espécie de passo intermediário, entre os documentos do N.T., na direção da identificação de Cristo com o «logos», dentro das antigas ideias filosófico-teológicas, que transparecem no evangelho de João.
De fato, parece que a questão é justamente essa, embora o autor sagrado não tentasse destacar essa identificação. O seu Cristo já possuía as qualidades atribuídas ao «logos», embora sem ser chamado por esse nome.
Essas considerações são contrárias ao pensamento que aqui temos em foco a «Palavra» personificada, a pessoa de Cristo. Naturalmente, é verdade que o Verbo personificado usa os oráculos de Deus (suas palavras) em sua mensagem aos homens, cumprindo-os com perfeição, no tocante a quaisquer porções proféticas que se aplicam à sua própria pessoa.
4. O autor sagrado indica todos os oráculos de Deus, suas declarações e orientações aos homens, sem importar a forma em que forem dados. Ele incluía «palavra profética», segundo se vê em Heb. 1:1,2; suas palavras de promessa, advertência, juízo e descanso, conforme nos mostram os capítulos segundo e terceiro. A palavra de Deus é «geral», Deus falando aos homens, de qualquer modo que ele o queria fazer. Naturalmente, essa palavra deve ser entendida como algo que recebe energia da parte do Espírito de Deus; não se trata de mera palavra escrita ou falada. Pode ser transmitida aos homens sob grande variedade de maneiras: mediante os profetas, em mensagens faladas; mediante as Escrituras, em mensagens escritas; mediante o Filho, em sua vida e ministério, mas sempre com o poder do Espírito : «Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações...» (Heb. 3:7,8). O trecho de Heb. 1:2 mostra-nos que a grande mensagem de Deus está centralizada em Cristo, de tal modo que ele é a Palavra de Deus. Não há que duvidar que esse é o intuito desta passagem, embora sem limitar a «palavra» a essa faceta personificada. A Palavra de Deus, posto estar centralizada em Cristo, inclui o evangelho cristão, grande parte do qual veio a ser registrado em nosso N.T., embora aqui não haja qualquer indício de que a palavra de Deus seja esse documento, porque, ao serem escritas as palavras deste versículo, o N.T. ainda não fora completado.
«...viva...» O Senhor Jesus afirmou que as palavras que proferia são espírito e são vida, segundo se lê em João 6:63, A palavra nos transmite vida por ser usada pelo Espírito, o qual é o doador da vida. Estando vivas, as declarações divinas transmitem vida, contanto que sejam aceitas. A palavra de Deus é impulsionada pelo Espírito Santo; não se trata de nenhuma letra morta. Consideremos os pontos seguintes:
1. Trata-se da declaração de uma deidade viva, cujo fito é transmitir sua própria vida aos homens, por meio de Cristo, o Deus homem (João 5:25,26 e 6:57).
2. Essa palavra é impelida pela energia divina, o Espírito Santo; portanto, é algo vital e poderoso, realizando aquilo que lhe compete; não é algo morto, ocioso e improdutivo. A Palavra de Deus dá vida ou condena, dependendo da obediência e da fé. 1 «...eficaz...» No grego é usado o termo «energes», que significa «ativo», «eficaz», «poderoso». Cumpre seus propósitos; não se pode resistir à Palavra divina. Conforme diz Cotton (in loc.)·. «A Palavra de Deus é forte, com a força de Deus. Quando ele fala, coisas começam a acontecer. O propósito inteiro do intérprete deveria ser permitir que a Palavra de Deus chegasse fresca e clara ao seu povo, pois o seu poder será imediata e poderosamente sentido».
«...assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a designei» (Isaías 55:11). Não há como escapar, portanto, de seu escrutínio e poder. Se Deus fizer alguma promessa, devemos apegarmo-nos a ela; se ele proferir alguma advertência, devemos dar ouvidos à sua mensagem. Trata-se de uma palavra revestida de sabedoria e graça infinitas, mas muito exigente,ninguém pode ignorá-la ou dela zombar.
«...cortante...» É afiada e cortante, penetrante, aguda. Não há «dureza»
que ela não possa penetrar; não há negligência que ela não possa identificar e condenar; não há desvio que ela não repreenda; não há desobediência que ela não possa descobrir; não há desobediência que ela não possa censurar eficaz é severamente; não há segredo que não possa descobrir. Esse é o tipo de ideia que o autor nos expõe à atenção. É como uma afiada espada de dois gumes, uma temível arma que corta um homem em dois de um golpe só. No primeiro século de nossa era os romanos tinham uma arma formidável: uma espada de bronze, com ambos os fios extremamente cortantes. Seu desígnio era especialmente o combate de corpo a corpo, um instrumento versátil que podia cortar com movimento para a frente ou para trás. A figura simbólica da espada é bem familiar na Bíblia. (Ver Isa. 49:2; Efé. 6:17; Apo. 1:16 e 2:16). Na referência da epístola aos Efésios, a «palavra de Deus» também é comparada a uma espada. Nessa passagem, trata-se de uma arma para ser usada pelo crente, no combate contra os inimigos da alma. Neste caso, trata-se da palavra de Deus que examina os homens, aceitando-os ou rejeitando-os, aplicando estritamente sua vontade e exigências. A Palavra de Deus desnuda as ilusões, os ludíbrios, as fraudes e os intuitos humanos. Examina os motivos humanos; é palavra de sabedoria e justiça infinitas. Filo chamava o Logos de cortador, com base na ideia que é capaz de cortar o caos existente no mundo, levando este a ser algo ordeiro e organizado—um cosmos organizado ao invés de caos. A Palavra de Deus faz isso na vida de todo homem. Revela o que é confuso e o que é «organizado».
«...penetra...» Tal como uma espada, que não para ante a resistência da pele, da carne e dos ossos, assim também a Palavra de Deus revela o coração inteiro, o intuito e o caráter de um homem. Deixa claro quem é obediente e tem fé, e quem é incrédulo e desobediente. Revela quem pode entrar no descanso divino e quem deve perecer no deserto da incredulidade.
« ...dividir alma e espírito ...» Esta porção do versículo tem sido empregada, com razão ou sem razão, na controvérsia sobre o problema «tricotomia-dicotomia». O homem se comporia de dois elementos (dicotomia), isto é, «corpo e espírito»(a «alma» seria sinônimo deste último), ou se comporia de três elementos (tricotomia, isto é, «corpo», «alma» e «espírito». Neste último caso, haveria certa distinção entre duas espécies de energia «espiritual»: a «alma», que teria consciência sobre as coisas terrenas, e o «espírito», que teria consciência de Deus, como algo aliado à «razão».
(Notas expositivas completas sobre esse problema aparecem em I Tes. 5:23, onde é examinada a natureza metafísica do homem). Porém, não há como resolver essa pendência, com base nas Escrituras, pois não há informações suficientes sobre a mesma. Os versículos que parecem estabelecer diferença entre a alma e o espírito são vistos como duvidosos pela maioria dos eruditos. Entretanto, através de estudos feitos no campo da parapsicologia, ficou conclusivamente demonstrado que o homem possui pelo menos três formas distintas de energia, talvez havendo até maior número de formas. Pelo menos se sabe que há mais de um nível de energia espiritual no homem, e que um desses níveis está preso à terra, ao passo que o outro é transcendental. Esses estudos favorecem muito mais a posição da tricotomia do que a posição da dicotomia; mas é possível que o homem tenha mais de «três» níveis de energia. As notas expositivas, sobre a referência aludida, tentam relatar o que já se sabe, dentro de nosso conhecimento presente. Uma coisa é certa, porém, o homem é mais do que meramente o seu corpo. (Ver II Cor. 5:8 quanto a uma nota de sumário sobre a «imortalidade». Na introdução ao comentário são apresentados vários artigos que demonstram a existência e a sobrevivência da alma ou espírito).
O presente versículo, apesar de parecer estabelecer certa distinção entre alma e espírito, não pode ser dogmaticamente pressionado a serviço da posição tricotômica, porquanto as expressões usadas são poeticamente apresentadas. É verdade, porém, que se pode estabelecer certa divisão dentro das energias «espirituais» de um homem. Assim, haveria o «veículo da vitalidade», que provavelmente seria o responsável pela maioria dos fantasmas, mas que não seria a verdadeira pessoa, por ser uma espécie de espírito elementar, e o espírito, que seria a pessoa real, inteligente. Não sabemos até que ponto o autor sagrado reconhecia essas coisas; mas podemos supor que ele usava uma linguagem meramente poética, para comentar sobre o poder extremamente penetrante da «palavra de Deus», sem referir-se a qualquer realidade metafísica que conhecesse, no tocante à personalidade humana.
«...juntas e medulas...» Naturalmente, as juntas não estão ligadas à
medula óssea; e o autor sagrado provavelmente não tinha o intuito de dizer que essas duas coisas estão juntas, a despeito do fato que, literalmente, sua linguagem parece indicar isso. Tudo quanto ele queria dizer, bem provavelmente, é que a agudíssima espada da Palavra de Deus, com um único golpe, pode dividir as juntas, abrindo até mesmo os ossos e expondo a medula óssea, no seu interior. O autor sagrado não estava interessado pela fisiologia ou pela psicologia, e não se preocupava com a exatidão biológica de suas palavras. Meramente empregou várias expressões poéticas para impressionar seus leitores com o que dizia sobre o que a Palavra de Deus pode fazer espiritualmente, quão penetrante e discernidora ela é, do mesmo modo que o corpo físico pode ser cortado por uma espada cortante.
«...apta para discernir...» O «homem interior», o «homem essencial», a «alma», é desnudado perante os olhos perscrutadores de Deus, mediante a instrumentalidade da Palavra. Não se trata meramente ’de um livro, de algumas declarações, de uma vibração de ondas sonoras. Aquilo que Deus diz em seu livro, através dos seus profetas, por meio de Cristo, no evangelho cristão, é ativado pelo Espírito, de modo a revelar, condenar e julgar, ou então dar promessa e abençoar, dependendo das condições espirituais do indivíduo.
Desse modo a hipocrisia se desfaz, o engano é desmascarado. Algumas
vezes o indivíduo nem compreende claramente seus motivos e intenções.
Ficou auto-iludido; pensa que é algo, quando ainda não é nada; imagina-se espiritual, quando ainda é carnal. A história abaixo ilustra o ponto. Certo homem foi hipnotizado; e, nesse estado, foi-lhe dito que ao despertar tomaria um vaso de flores da janela, o colocaria em um sofá e se prostraria perante o mesmo por três vezes. Era um ato totalmente irracional. Ao despertar, segundo ele mesmo contou, eis o que sucedeu: «Ao despertar, vi o vaso de flores ali; pensei que fazia frio e que seria bom que o vaso fosse esquentado para que a plantinha não morresse”. Portanto, embrulhei-o em um pano. Como o sofá estava perto da lareira, coloquei ali o vaso. E me inclinei porque fiquei satisfeito comigo mesmo, por ter tido tão brilhante ideia». (W. Fearon Halliday, Psychology and Religious Experience, pág. 75).
Isso mostra como um homem geralmente racionaliza os seus motivos, ocultando-os até mesmo de si próprio, embora esses é que façam dele o que é e o que pratica. A Palavra de Deus pode dar-nos real discernimento sobre os nossos motivos.
«...coração...» O «homem interior», o homem essencial, a alma, algumas vezes vista como a natureza «intelectual» ou «moral» do homem. A Palavra de Deus trata do homem essencial, do espírito, tal como uma espada corta o corpo físico.
O ponto deste versículo é que é impossível alguém enganar a Deus. Sua Palavra revela-nos aquilo que somos. A «geração do deserto» não pode entrar no descanso de Deus por causa de incredulidade e desobediência.
Nem podemos nós enganar ao Senhor, se tivermos o mesmo caráter possuído por aqueles. Se finalmente entrarmos em seu descanso, será porque Deus julgou-nos dignos de tal. Se desobedecermos e formos incrédulos, sua Palavra se voltará contra nós e nos desmascarará.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 519-520.
2. A restauração da instrução doméstica.
Dt. 6-16. Aqui estão os meios para mantermos e guardarmos a fé em nosso coração e em nosso lugar.
1. Meditar na Palavra de Deus. Devemos colocar a Palavra de Deus em nosso coração, para que os nossos pensamentos estejam diariamente ocupados nela.
2. A educação religiosa das nossas crianças. Devemos repetir os ensinos com frequência. Sede cuidadosos e precisos no ensino aos vossos filhos. Devemos ensinar estas coisas a todos os que estiverem, de alguma maneira, sob o nosso cuidado.
3. Linguagem piedosa. Devemos falar destes assuntos com a devida reverência e seriedade, para benefício não somente de nossos filhos, mas também dos nossos servos, amigos e colegas. Devemos aproveitar todas as ocasiões para discorrer com os que nos rodeiam, não assuntos duvidosos e discutíveis; porém, a clara verdade e a lei de Deus, e o que corresponde à nossa paz.
4. A leitura frequente da Palavra de Deus. Deus mandou que o seu povo escrevesse as palavras da lei em suas paredes, e em rolos de pergaminho que deveriam levar pendurados em seus punhos. Esta era uma obrigação que deveria ser cumprida ao pé da letra pelos judeus, assim como é o plano para nós, a saber, que por todos os meios devemos nos familiarizar com a Palavra de Deus, para que a utilizemos em todas as ocasiões, para nos prevenirmos contra o pecado, e sermos guiados em nosso dever. Jamais devemos nos envergonhar de nossa religião, nem de nos reconhecermos como sob o seu controle e governo.
Existe aqui uma advertência: não nos esqueçamos de Deus no dia da prosperidade e da abundância. Quando tudo lhes era facilitado por dádiva, tinham a tendência de sentir-se seguros em si mesmos e a esquecer-se de Deus. Portanto, devemos cuidar para não nos esquecermos do Senhor quando estivermos sãos e salvos. Quando o mundo sorri, somos propensos a cortejá-lo e esperar que sejamos felizes nele, e nos esquecemos daquEle que é a nossa única porção e repouso. Em um momento como este, é necessário muita cautela e atenção. Então tenhamos cuidado; uma vez que já fomos advertidos quanto ao perigo, estejamos alerta.
"Não tentarás ao Senhor teu Deus"; não percamos a esperança quanto ao seu poder e bondade. Enquanto prosseguimos na senda do nosso dever, nem sequer cogitemos em sair deste caminho.
HENRY. Matthew. Comentário Bíblico Matthehw Henry. Editora CPAD. Deuteronômio. pag. 12-13.
Dt. 6.5,6 — Moisés aconselhou repetidamente os israelitas a responderem ao amor de Deus com devoção. Neste contexto, a palavra traduzida como amor pode também significar fazer a escolha por. Deus ordenou a Seu povo que o escolhesse com toda a sua alma, e assim negasse as outras supostas divindades.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 323.
6.6 Estas palavras... no teu coração. As pessoas deviam pensar sobre esses mandamentos e meditar neles, de modo que a obediência não fosse uma questão de legalismo formal, mas uma resposta baseada no entendimento. A lei escrita no coração seria uma caraterística essencial da nova aliança futura (cf. )r 31.33).
6.7 As inculcarás a teus filhos. Os mandamentos deviam ser tema das conversas, tanto no lar como fora dele, do início ao fim do dia.
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 240.
Pv 22.5,6 — E prudente evitar as armadilhas e ciladas na beira da estrada da vida. Tolo é aquele que ingressa em lugares perigosos sem necessidade, sem saber ou importar-se com o risco que está correndo.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 979.
Pv. 22.6 caminho em que deve andar. Há apenas uni caminho certo, o caminho de Deus, o caminha da vicia. Esse caminho está bem detalhado em Provérbios. É indiscutível que a instrução precoce produz hábitos para toda a viria, por isso os pais devem insistir nesse caminho, ensinando a Palavra do Deus e reforçando esse ensino com disciplina amorosa e consistente durante todo o desenvolvimento da criança.
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 821.
3. A prática da adoração doméstica.
O Culto Doméstico como um Dever
Dada a importância do culto doméstico como uma força poderosa em ganhar incontáveis milhões para a verdade do evangelho ao longo das eras, não deveríamos nos surpreender por Deus exigir que os cabeças dos lares façam tudo que puderem para conduzir as suas famílias no culto ao Deus vivo. Josué 24.14-15 diz: “Agora, pois, temei ao SENHOR e servi-O com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do Eufrates e no Egito e servi ao SENHOR. Porém, se vos parece mal servir ao SENHOR, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates (i.e., lá em Ur dos caldeus) ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais (i.e., aqui em Canaã). Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”.
Observe três coisas nesse texto: Primeiro, Josué não faz da adoração ou do culto a Deus vivo algo opcional. No v.14, logo depois de ordenar a Israel para que tema ao Senhor, ele enfatiza imediatamente, no v.15, que o Senhor quer ser adorado e servido voluntária e deliberadamente pelas nossas famílias.
Em segundo lugar, no v.15 Josué reforça o ato de culto a Deus nas famílias com o seu próprio exemplo. O v.1 deixa claro que ele está se dirigindo aos cabeças das famílias. O v.15 declara que Josué vai fazer aquilo que ele quer que as outras famílias de Israel façam: “servir ao SENHOR”. Josué tem uma liderança de tal ordem sobre a sua família que ele fala por toda a sua casa, assim diz ele: “Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”. Vários fatores reforçam esta ousada declaração:
·  Quando Josué declarou isso ele tinha mais de 100 de idade e tem, como ancião, um zelo notável; ·  Josué sabe que o seu controle direto sobre a sua família logo findará. Deus havia lhe dito que morreria em breve. Josué, no entanto, confia que a sua influência há de continuar em sua família e que eles não deixarão de adorar depois da sua morte; ·  Josué sabe que ainda persiste em Israel muita idolatria. Ele acabara de dizer ao povo que lançasse fora os seus falsos deuses (v.14). Ele sabe que a sua família, ao servir ao Senhor, estará remando contra a corrente — apesar disso ele declara enfaticamente que a sua família vai continuar a fazer assim de qualquer maneira; ·  Os registros históricos mostram que a influência de Josué foi tão ampla que a maior parte da nação seguiu o seu exemplo ao menos por uma geração. Josué 24.31 diz: “Serviu, pois, Israel ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué (i.e., pela geração seguinte) e que sabiam todas as obras feitas pelo SENHOR a Israel”. Que encorajamento para pais que temem a Deus saberem que o culto que estabeleceram em casa pode durar uma geração após eles!
Em terceiro lugar, a palavra servir no v.15 é uma palavra abrangente. É, na Escritura, traduzida muitas vezes como adorar. A palavra original não apenas abrange servir a Deus em todas as esferas da nossa vida, mas também em atos especiais de adoração. Aqueles que interpretam as palavras de Josué em termos vagos ou ambíguos perdem de vista o ensinamento essencial. Josué tinha em mente diversas coisas, inclusive a obediência a todas as leis cerimoniais que envolviam o sacrifício de animais que apontavam para o Messias vindouro, cujo sangue do sacrifício seria, de uma vez por todas, eficaz para pecadores.
Certamente todo marido, pai e pastor temente a Deus deve dizer com Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor. Buscaremos ao Senhor, o adoraremos e, como família, oraremos a Ele. Leremos a Sua Palavra, que é rica em instruções, e reforçaremos os seus ensinamentos em nossa família”. Cada pai representante precisa entender que, assim como diz Kelly, “o princípio da representação inerente ao pacto de Deus no trato com a nossa raça indica que o cabeça de cada casa deve representar a sua família diante de Deus no culto divino, e que a atmosfera espiritual e o bem-estar pessoal de cada família em longo prazo será afetado grandemente pela fidelidade — ou pela sua falta — do cabeça da família nessa área”.
De acordo com a Escritura, Deus hoje deveria ser servido por atos especiais de culto nas famílias nos três modos seguintes:
(1) Instrução diária na Palavra de Deus. Deus deveria ser cultuado pelas leituras e instruções diárias da Sua Palavra. Pais e filhos deverão interagir diariamente uns com os outros através de perguntas, respostas e instruções acerca da Verdade Sagrada. Como diz Deuteronômio 6.6-7: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (cf. Dt 11.18-19).
As atividades ordenadas por esse texto são atividades diárias que acompanham o deitar-se à noite, o levantar-se pela manhã, o reunir-se à mesa, e o andar pelo caminho. Numa casa organizada elas ocorrem em ocasiões específicas do dia e dão oportunidade a momentos diários de instrução regular e consistente.
Moisés não estava sugerindo uma conversinha, mas a conversação e a instrução diligentes que brotam do coração ardente de pais e mães. Moisés diz que as palavras de Deus devem estar no coração do pai. Os pais, genitores, têm o dever de ensinar diligentemente essas palavras à sua prole.
Um texto paralelo no Novo Testamento é Efésios 6.4: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação (i.e., instrução) do Senhor”. Quando os pais não puderem cumprir pessoalmente esse dever, eles devem encorajar as suas esposas a realizarem esse preceito. Por exemplo, Timóteo tirou grande proveito da instrução diária de uma mãe e de uma avó tementes a Deus.
(2) Orações diárias dirigidas ao trono de Deus. Jeremias 10.25 diz:
“Derrama a tua indignação sobre as nações que te não conhecem e sobre as gerações que não invocam o teu nome” (ARC). Embora seja verdade que no contexto de Jeremias 10.25 a palavra gerações refere-se aos clãs, ela também se aplica a famílias individuais. Vamos raciocinar partindo do maior para o menor.
Se a ira de Deus se derrama sobre clãs ou grupo de famílias que negligenciam a oração em comunidade, quanto mais não se derramará ela sobre as famílias individuais que se recusam a invocar o Seu nome? Todas as famílias devem invocar o nome de Deus, senão submeter-se-ão à Sua indignação.
A família deve reunir-se diariamente para orar, exceto por impedimento previamente planejado. Considere o Salmo 128.3: “Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa”. As famílias comem e bebem à mesa da provisão diária recebida de um Deus gracioso. Para fazer isso de modo cristão a família deve seguir I Timóteo 4.4-5: “pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado”. Se se desejar comer e beber para a glória de Deus (1Co 10.31) e o alimento a ser comido estiver separado com esse propósito, diz Paulo que é necessário que seja santificado pela oração; e assim como oramos para que a comida e a bebida sejam santificadas e abençoadas para a nutrição dos nossos corpos, também devemos orar para que as bênçãos da Palavra de Deus nutram as nossas almas. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Dt 8.3; Mt 4.4).
Além disso, as famílias não cometem pecados diários? Não deveriam, também, buscar o perdão diário? Deus não as abençoa de muitas maneiras a cada dia? Não deveriam reconhecer essas bênçãos com ações de graças a cada dia? Não deveriam reconhecê-lo em todos os seus caminhos, rogando-Lhe para que as conduza por Suas veredas? Não deveriam se entregar diariamente aos cuidados e proteção de Deus? Como afirmou Thomas Brooks: “Uma família sem oração é como uma casa sem telhado: aberta e exposta a tudo quanto é tempestade que cai do céu”.
(3) Louvar diariamente a Deus com cânticos. Diz o Salmo 118.5: “Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do SENHOR faz proezas”.
É uma referência clara ao cantar. O salmista diz que há (não disse meramente que deveria haver) este som nas tendas dos justos. Philip Henry, pai do famoso Matthew Henry, acreditava que esse texto estabelece a base bíblica para o cântico de salmos nas famílias. Ele argumentava que das tendas dos justos vem o cântico jubiloso. Isso envolve tanto o cantar em família quanto o cantar no templo. Por isso, o som da salvação e da alegria deveria ser ouvido diariamente nos lares. De modo semelhante, diz o Salmo 66.1-2: “Aclamai a Deus, toda a terra.
Salmodiai a glória do seu nome, dai glória ao seu louvor”. Aqui, o dever de louvar a Deus com cânticos, impõe-se a todas as terras, a todas as nações, a todas as famílias, a todas as pessoas. Em segundo lugar os nossos cânticos devem ser os salmos dados pela inspiração de Deus que manifestam a honra do Seu Nome — o verbo “salmodiai” (zamar) é raiz da palavra salmo (mizmor), e é vertido por “cantar salmos” noutro lugares (Sl 105.2; cf. Tg 5.13). Em terceiro lugar, devemos louvá-lO de modo digno, em alta voz (2Cr 20.19), e com graça no coração (Cl 3.16), fazendo assim o Seu louvor glorioso.
O SENHOR deve ser adorado diariamente pelo cântico de salmos. Deus é glorificado e as famílias são edificadas. Como esses cânticos são Palavra de Deus, cantá-los é um meio de instrução, iluminação e entendimento. Louvar, na medida em que vai aquecendo o coração, leva à piedade. As graças do Espírito são avivadas em nós e nos estimulam ao crescimento em graça. “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Cl 3.16).
Como chefes de família temos de pôr em praticar o culto doméstico em casa. Deus exige que O adoremos não apenas particularmente como pessoas, mas também em público como membros do corpo e da comunidade da Aliança, e socialmente, como famílias. O Senhor Jesus é digo disso, a Palavra de Deus o ordena, e a consciência o reconhece como nosso dever. As nossas famílias devem ser fiéis a Deus. Deus nos colocou em posição de autoridade para guiarmos os nossos filhos no caminho do Senhor. Não somos apenas seus amigos e conselheiros; como seus mestres e senhores no lar o nosso exemplo e liderança são cruciais. Revestidos de santa autoridade, devemos a nossos filhos o ensinamento profético, a intercessão sacerdotal e a verdadeira orientação (veja a Pergunta 32 do Catecismo de Heidelberg). Devemos dirigir o culto doméstico pela Escritura, oração e cântico.
Os que dentre nós são pastores, têm a obrigação de informar amorosamente aos chefes de família que eles devem conduzir as suas casa na adoração a Deus do mesmo modo que Abraão o fez: “Porque eu o escolhi”, disse Deus, “para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito”. (Gn 18.19).
BEEKE. Dr. Joel. O Culto Doméstico. pag. 6-9.
II - O CULTO NO LAR.
1 - Organizando o culto doméstico.
1. Providências preliminares
a) Conscientização. Antes de tudo, é necessário e desejável que os pais conversem com os filhos, principalmente se já são adolescentes e jovens, mostrando que a partir de determinado momento, os pais desejam que todos se reúnam para o culto doméstico. Se os filhos são crianças, os pais devem mostrar sua autoridade com amor, chamando-os para a reunião em família. Neste caso, o programa do culto precisa ser ameno, agradável e atraente para as crianças. Os pais devem chamar a atenção dos filhos para os perigos que rondam seu lar, em todos os momentos. Diz a Bíblia: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). Esse bramido diabólico é mais forte e mais sorrateiro hoje do que nunca.
b) Superar os obstáculos ao culto doméstico. Os desencontros de horários da família têm servido para dificultar a realização do culto doméstico. A vida moderna tem levado a família a viver dispersa, mesmo durante o dia. Pais trabalham em horários diferentes; filhos estudam em horários diferentes, em escolas distantes, muitas vezes. Isso faz parte da vida agitada dos últimos tempos. Os filhos à “roda da mesa”, como diz o Salmo 128.3 torna-se cada vez mais difícil. Mas esse é apenas um desafio que precisa ser encarado e vencido com sabedoria, determinação e com a graça de Deus.
Se possível, é desejável que toda a família esteja reunida, em volta da mesa, ou na sala de visitas, de maneira informal, mas reverente. Porém, se todos não puderem reunir-se, por motivo de trabalho ou de estudo, os pais devem combinar a escolha de um horário em que pelo menos a maior parte dos familiares esteja presente ao culto doméstico. Outro obstáculo é o cansaço das atividades diárias. Mas tudo deve ser feito para que o lar tenha o momento de adoração a Deus. O maior obstáculo, no entanto, é a pouca importância que se dá ao culto doméstico. As novelas, os filmes, os esportes e outros programas de TV têm mais valor para muitos cristãos. Filhos passam horas a fio nas redes sociais, e não falta tempo para isso. M as para a adoração a Deus há muitas desculpas. Um dia, poderemos ser questionados por Deus.
Os obstáculos dificultam, mas não devem ser usados como desculpas para a não realização do culto doméstico. Os obstáculos podem ser vencidos com o Poder do Espírito Santo e o esforço de todos, principalmente dos líderes do lar (Pai e mãe). Há tempo para todo propósito (Ec 3.1); Podemos tudo naquele que nos fortalece (Fp 4.13). O inimigo do lar pode agir com base nas desculpas. É necessário colocar o culto doméstico como prioridade. Só traz benefícios e bênçãos para toda a família.
c) Definir o horário do culto. A duração do culto não deve passar de quinze a vinte minutos para não se tornar reunião cansativa, e não haver desculpas de que o culto atrapalha os deveres escolares, as atividades dos pais, etc. Essa é uma definição importante.
d) Não impor o culto aos que não são crentes. Há casos em que parte da família não é cristã. Ou há pessoas afastadas da igreja. Se só os pais são cristãos, eles devem tomar a decisão de fazer o culto sozinhos, orando pelos filhos para que eles se voltem para Deus. Se só um membro da família é crente em Jesus, ainda assim pode ter seu momento devocional a sós com Deus, no seu quarto, ou em ambiente em que não seja per turbado. Uma irmã idosa, serva de Deus, disse, num seminário: “Pastor, ninguém lá em casa é crente. Mas eu não faço o culto sozinha”. Indagamos como ela fazia. E respondeu: “Eu faço com mais três pessoas: O Pai, o Filho e o Espírito Santo”. Todos acharam interessante a colocação descontraída mas sincera daquela querida irmã. Ela não se acomodou com o fato de ter que adorar a Deus em seu lar, sem o apoio e a companhia dos familiares. Um belo exemplo para quem quer dar desculpas para não fazer o culto doméstico.
e) Preparo de materiais para o culto doméstico. Devem ser providenciadas Harpas Cristãs, cadernos de corinhos, e, de modo indispensável, Bíblias para todos os membros da família. Na hora do culto, é interessante desligar os telefones, ou coloca-los em modo silencioso, de modo que não haja interrupção daqueles preciosos momentos de adoração a Deus no lar. Não se deixa o telefone ligado numa sala de aula, numa reunião com autoridades. No culto doméstico, estamos diante do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.
2. O roteiro do culto doméstico
Não há um roteiro único. O programa simples do culto doméstico pode variar conforme a realidade da família. Sugerimos a seguir um roteiro básico, que sempre foi usado em nossa família, e nos trouxe ótimos resultados. Hoje, pela graça e misericórdia de Deus, podemos dizer: “eu e minha casa servimos ao Senhor”.
a) Cânticos. Os pais devem providenciar um hinário, a Harpa Cristã, ou um caderno de corinhos, que sejam bem apreciados pela família. De preferência, cânticos que não sejam muito longos, tendo em vista o pequeno período do culto. Podem ser entoados um ou mais cânticos, com equilíbrio, para não ultrapassar o horário do culto.
b) Leitura bíblica. Este é um momento especial. O pai ou a mãe, se for líder da família, escolhe um trecho da Bíblia que seja propício para a edificação dos filhos. Um salmo, um trecho de Provérbios; uma parábola de Jesus ou outro texto bíblico que não seja longo. A leitura deve ser realizada, de preferência por todos os membros da família, cada um lendo um versículo, alternadamente. Esse tipo de leitura dá oportunidade de unir todos em torno da palavra de Deus. E ocasião propícia para os pais incentivarem a leitura de toda a Bíblia, a partir deles e incentivarem os filhos que sabem ler a fazê-lo. Os benefícios serão eternos.
c) Comentário bíblico. O pai ou a mãe, conforme o caso, poderá fazer um comentário rápido e significativo, enfatizando aspectos do texto, e aplicando-os à vida da família; pode, também, usar o método mais informal do diálogo, fazendo uma ou mais perguntas sobre o que chamou a atenção dos filhos no texto lido. Há surpresas interessantes, nas respostas dadas. Nas ocasiões especiais, do programa da igreja local, enfatizar aspectos relevantes. Dia da Bíblia, Natal de Jesus, Ano Novo, Santa Ceia, e outros dias considerados solenes.
d) Pedidos d e oração. Cada um pede por seus problemas e pelos outros; em nossa experiência, criamos uma “caixinha de oração”, em que cada filho escrevia, num cartão apropriado, o seu pedido de oração, registrando a data do pedido, que era lido em todos os cultos; quando a oração era respondida, era anotada a resposta, no cartão, e dita para que todos tomassem conhecimento. Houve grande proveito nesse gesto.
Muitas orações foram respondidas, até mesmo de causas que pareciam “impossíveis”. As orações não devem ultrapassar cinco a sete minutos.
e) Oração. Pode ser feita por um membro da família e os outros confirmam com o “amém”, “assim seja”; ou pode ser feito um rodízio de oração, um após outros, com a conclusão feita pelo líder da família. Quando os filhos aprendem a orar, em casa, não têm dificuldade para orar na igreja. “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16).
LIMA. Elinaldo Renovato de. A família cristã e os ataques do inimigo. Editora CPAD. pag. 1221-124.
Pondo em Prática o Culto Doméstico
Eis algumas sugestões para auxiliarem a se estabelecer nos lares um culto doméstico que honre a Deus. Cremos que isso evita dois extremos: a abordagem idealista que está muito além do alcance até mesmo do lar mais temente a Deus; e a abordagem minimalista, que abandona o culto doméstico diário porque o ideal parecer estar bem longe de ser alcançado. Preparando-se para o Culto Doméstico Mesmo antes de começar o culto doméstico, devemos orar em particular pela bênção de Deus sobre ele. Em seguida devemos planejar o “o que”, “o onde” e “o quando” do culto doméstico.
1. O Quê. Isso inclui, de modo geral, a instrução na Palavra de Deus, orar diante do trono de Deus e cantar para a glória de Deus. Mas precisamos detalhar mais esses específicos do culto doméstico.
Primeiro, tenha Bíblias e exemplares do Saltério e folhas de cânticos para todas as crianças que sabem ler. Para as criancinhas que ainda não sabem ler, leia alguns versículos da Escritura e selecione um texto para ser decorado pela família. A família deve dizê-lo várias vezes em voz alta e então, para ilustrar o texto, reforce-o com uma breve história da Bíblia. Reserve tempo para ensinar a essas crianças uma ou duas estrofes de uma seleção do Saltério e encoraje-as a cantá-las com você.
Para as criancinhas, experimente utilizar “As Verdades da Palavra de Deus”, com um guia para professores e pais que ilustra cada uma das doutrinas.
Para as crianças maiores de nove anos experimente a série “Doutrina da Bíblia” de James Beeke, que vem com o livro do professor. Em qualquer caso, explique às crianças aquilo que lê, e faça-lhes uma ou duas perguntas. Depois cante um ou dois salmos e um hino edificante ou um bom cântico como “Ouse ser como Daniel”. Conclua com uma oração.
Leia uma passagem da Escritura para as crianças mais velhas, memorize-a com elas e faça a aplicação de um provérbio. Pergunte-lhes como é possível aplicar esses versículos à vida diária, ou talvez leia uma porção dos evangelhos e a sua seção correspondente nos “Pensamentos Expositivos sobre os Evangelhos” de J. C. Ryle, que é simples, mas profundo. Seus pontos são claros e ajudam a promover discussão. Talvez queira ler porções de uma biografia inspiradora. Não permita, contudo, que a leitura de literatura edificante substitua a leitura da Bíblia e a as suas aplicações.
“O Peregrino” e a “Guerra Santa” de John Bunyan, ou as meditações diárias de Charles Spurgeon são apropriadas a crianças espiritualmente mais conscientes. Crianças maiores se beneficiarão também do livro de William Jay, “Exercícios [Espirituais] Matinais e Vespertinos”, do “Tesouro Espiritual” de William Mason, e do “Porções Matinais e Vespertinas”. Depois dessas leituras cante alguns salmos conhecidos e talvez aprenda um novo antes de concluir com uma oração.
Devem-se usar também os credos e as confissões da igreja. Deve-se ensinar às crianças menores o Credo dos Apóstolos e a Oração do Senhor. Se você for aderente dos padrões de Westminster, leve seus filhos a memorizarem o Breve Catecismo pouco a pouco. Se na sua congregação prega-se o Catecismo de Heidelberg, nos sábados pela manhã leia o “Dia do Senhor” desse Catecismo que o ministro usará para pregar à igreja no domingo imediato. Se tiver o Saltério, pode-se usar ocasionalmente as formas de devoção que se encontram em “Orações Cristãs”.6 O uso dessas formas em casa dará a você e a seus filhos a oportunidade de aprenderem a usá-las de modo edificante e proveitoso, habilidades que lhe serão totalmente proveitosas quando as formas litúrgicas forem usadas como parte do culto público.
2. Onde. O culto doméstico pode ser realizado em torno da mesa de jantar; contudo, pode ser melhor fazê-lo na sala, onde há menos distrações. Seja qual for a dependência que escolher certifique-se de que tudo de que necessita esteja lá. Antes de começar retire o telefone do gancho, ou programe o aparelho de fax e a secretária-eletrônica para receberem as ligações. Seus filhos devem entender que o culto doméstico é a atividade mais importante de todo o dia e, que não deve ser interrompida por nada.
3. Quando. Idealmente, o culto doméstico deveria ocorrer duas vezes ao dia: pela manhã e ao entardecer. Isso se ajusta melhor às diretrizes bíblicas para o culto tanto na economia do Velho Testamento — quando o começo e o fim de cada dia eram santificados pela oferta de sacrifícios matinais e vesperais e também por orações pela manhã e ao entardecer — quanto na igreja do Novo Testamento, que parece ter seguido o padrão de orações matinais e vespertinas. O Diretório de Culto de Westminster declara: “O culto doméstico, que deve ser praticado por todas as famílias — normalmente pela manhã e ao anoitecer — consiste de oração, leitura da Escritura e o cântico de louvores”.
Para algumas famílias o culto doméstico é quase impossível mais que uma vez ao dia, depois do jantar. De um modo ou de outro, os chefes de família devem estar atentos aos horários da casa de modo a garantir a participação de todos. Ao programar o horário da família aplique o princípio de Mateus 6.33 (“buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”).
Mantenha cuidadosamente o horário do culto doméstico. Se souber com antecipação que, num certo dia, não será possível realizá-lo no horário normal, redefina o horário do culto, mas não deixe de cumpri-lo, isso pode cair no costume. Quando conseguir cumprir os horários que determinou, planeje cuidadosamente e prepare tudo de antemão para fazer valer cada minuto. Lute contra todos os inimigos do culto doméstico.
Durante o Culto Doméstico
Durante o culto doméstico tenha os seguintes objetivos:
1. Brevidade. Como disse Richard Cecil; “que o culto doméstico seja curto, saboroso, terno, celestial”. Cultos domésticos longos demais deixam as crianças inquietas e pode provocar-lhes a ira.
Se você realiza o culto doméstico duas vezes no dia, tente dez minutos pela manhã e um pouco mais à noite. Um período de vinte e cinco minutos de culto doméstico poderia ser distribuído assim: dez minutos para leitura e instrução bíblica; cinco minutos para ler uma porção diária ou um livro edificante ou discutir alguma questão à luz da Bíblia; cinco minutos para cantar; e cinco minutos para orar.
2. Coerência. É melhor ter vinte minutos de culto doméstico todo dia do que apelar para períodos mais extensos em menos dias — digamos, quarenta minutos na segunda-feira e saltando a terça-feira. O culto doméstico nos proporciona “o maná que cai todos os dias à porta da tenda, para que as nossas almas se mantenham vivas”, assim escreveu James W. Alexander em seu excelente livro sobre o culto doméstico.
Não admita justificativas para não fazer o culto doméstico. Se perdeu a paciência com um dos filhos meia hora antes da hora do culto doméstico, não diga: “seria hipocrisia minha dirigir o culto doméstico, vou deixar de fazê-lo hoje”. Não é preciso fugir de Deus em tais momentos. Antes, deve voltar-se para Deus como um publicano arrependido. Comece o momento de culto pedindo a todos aqueles que testemunharam a sua falta de controle que lhe perdoem, em seguida ore a Deus para que o perdoe. As crianças lhe respeitarão por isso. Elas tolerarão as fraquezas e até mesmo os pecados em seus pais, desde que eles confessem os seus erros e procurem seguir sinceramente o Senhor. Eles e vocês sabem que o sumo sacerdote do Velho Testamento não era desqualificado por ser pecador, por isso é que antes de poder oferecer sacrifícios pelos pecados do povo ele era obrigado a oferecer sacrifícios em favor de si mesmo. Tampouco você e eu somos desqualificados hoje por causa de pecados confessados, pois a nossa suficiência está em Cristo e não em nós mesmos. Como disse A. W. Pink: “Não são os pecados do crente, mas os seus pecados inconfessos, que obstruem o canal da bênção e faz com que tantos percam o melhor de Deus”.
Dirija o culto doméstico com mão firme e paternal, e coração sereno e penitente. Mesmo quando estiver extremamente cansado depois de um dia de trabalho, ore por forças para levar adiante a sua responsabilidade de pai. Lembre se de que Jesus Cristo foi à cruz por você cansado ao extremo e exaurido, mas nunca retrocedeu da Sua missão. Ao negar-se a si mesmo, verá como Ele lhe fortalece durante o culto doméstico de tal modo que na hora de o encerrar, a sua exaustão estará superada.
3. Solenidade esperançosa. “Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor” é o que nos diz o Salmo 2. No culto doméstico precisamos demonstrar esse equilíbrio entre esperança e espanto, temor e fé, arrependimento e confiança. Durante este momento fale naturalmente, mas com reverência, usando o tom que usaria ao falar com um amigo profundamente respeitável sobre assunto sério.
Espere por grandes coisas de um grande Deus que é fiel à Aliança.
Sejamos mais específicos:
1. Na leitura da Escritura:
·  Tenha um plano. Leia dez ou vinte versículos do Velho Testamento pela manhã e dez ou vinte do Novo Testamento à noite. Ou então leia séries de parábolas, milagres ou porções biográficas. Leia, por exemplo, de I Reis 17 a II Reis 2 para estudar o profeta Elias. Ou siga um tema ao longo da Escritura. Não seria interessante, por exemplo, ler as assim chamadas “cenas noturnas” — todas as histórias da Escritura que ocorreram à noite? Ou ler as partes da Escritura que acompanham os sofrimentos de Cristo da Sua circuncisão ao Seu sepultamento. Ou ler uma série de seleções que salientam os diversos atributos de Deus? Mas tenha a certeza de ler toda a Bíblia ao longo de um tempo. Como disse J. C. Ryle: “preencha as suas mentes com a Escritura. Deixe a Palavra habitar neles ricamente. Dê-lhes a Bíblia, toda a Bíblia, mesmo sendo jovens”.
·  Leve em conta as ocasiões especiais. Aos domingos pela manhã pode-se querer ler o Salmo 48, 63, 84, 92 ou 118 ou João 20. No Dia do Senhor em que for administrada a Ceia do Senhor leia o Salmo 22, Isaías 53, Mateus 26 ou parte de João 6. Antes de partir de férias com a família reúna-a na sala e leia o Salmo 91 ou o Salmo 121. Quando houve alguém doente na família leia João 11. Quando alguém estiver passando por grande sofrimento por causa de provação prolongada, leia Isaías 40 a 66. Quando um crente em Cristo estiver à morte, leia Apocalipse 7.21 e 22.
 ·  Envolva a família. Cada um dos membros da família que sabe ler deve ter uma Bíblia para acompanhar a leitura. Leia a Bíblia com expressividade e entonação, como o livro vivo e cheio de fôlego que é. Designe algumas porções para serem lidas por sua esposa e seus filhos — inclusive para as crianças em idade pré-escolar que ainda não sabem ler. Pegue a criança de quatro anos em seu colo e sussurre algumas palavras ao seu ouvido e peça para que as repita em voz alta. Um ou dois versos “lidos” dessa maneira são o suficiente para que ela se sinta incluída na leitura da Bíblia em família.
Crianças mais velhas poderão ler quatro ou cinco versículos cada uma, ou pode-se determinar a leitura completa para cada um dos filhos a cada dia. Ensine os seus filhos como ler articuladamente e com expressão. Não os deixe mastigar as palavras nem as metralhar de uma vez. Ensine-as a ler com reverência. Ofereça uma breve palavra de esclarecimento ao longo da leitura, conforme as necessidades das crianças menores.
·  Estimule a leitura e o estudo da Bíblia em particular. Assegure-se de que você e seus filhos encerrem o dia com a Palavra de Deus. Você poderia seguir um Calendário para a leitura da Bíblia de modo que os seus filhos lessem toda a Bíblia por eles mesmo uma vez por ano. Ajude a cada criança a montar a sua própria biblioteca de livros baseados na Bíblia.
2. Na instrução bíblica:
·  Seja claro. Pergunte se os seus filhos compreendem aquilo que você está lendo. Seja claro na aplicação dos textos da Escritura. O Diretório de Culto da Igreja da Escócia (1647) dá aqui o seguinte conselho:
A leitura da Escritura em família deve ser algo comum e recomenda se que conversem sobre ela e que essa discussão leve-os ao bom uso daquilo que foi lido e ouvido. Por exemplo, se a palavra lida condenou algum pecado deve-se cuidar para que toda a família esteja prudentemente atenta e vigilante contra ele; se o texto menciona uma ameaça ou a aplicação dela, toda a família deve temer que o mesmo juízo, ou pior, caia sobre ela caso não se resguarde do pecado que a motivou; e, finalmente, se exigiu o cumprimento de uma obrigação ou discorreu sobre uma promessa, os familiares devem ser estimulados a buscarem de Cristo o fortalecimento e a capacitação para cumprirem o dever que lhes foi ordenado e para receberem o consolo oferecido. Em tudo isso o chefe da casa deve ter a liderança, mas qualquer um dos membros da família pode suscitar questões ou dúvidas a serem resolvidas.
Encoraje o diálogo da família em torno da Palavra de Deus conforme o conhecido procedimento hebraico de perguntas e respostas (cf. Êx 12; Dt 6; Sl 78). Estimule especialmente os adolescentes a que façam perguntas; ajude-os a se soltar. Se não souber as respostas, diga-lhes e os encoraje a procurá-las. Tenha um ou mais comentários à mão, como os de João Calvino, Matthew Poole e Mathew Henry. Lembre-se: se você não conseguir dar respostas aos seus filhos eles as conseguirão num outro lugar qualquer — e quase sempre as respostas erradas.
·  Seja puro na doutrina. Tito 2.7 nos diz: “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível”. Não abra mão da precisão doutrinária quando ensinar os seus filhos pequenos; procure ser simples e conveniente.
·  Seja relevante na aplicação. Quando for conveniente, não tenha medo de partilhar das suas experiências, mas faça isso de modo simples. Utilize ilustrações concretas. O ideal seria amarrar as instruções bíblicas com aquilo que vocês ouviram recentemente nos sermões.
·  Seja carinhoso. O livro de Provérbios usa continuamente a expressão “filho meu”, mostrando o calor, o amor e a importância no ensinamento de um pai temente a Deus. Quando tiver que infligir as feridas de um pai-amigo aos seus filhos, faça-o com amor sincero. Diga-lhes que você tem que comunicar todo o conselho de Deus porque não pode suportar o pensamento de passar a Eternidade apartado deles. Meu pai sempre nos dizia, entre lágrimas: “Filhinhos, não posso deixar de ter nenhuma de vocês no céu”.
Diga aos seus filhos: “nós lhes daremos todos os privilégios que uma Bíblia aberta nos permitir dar, mas se lhes dissermos não, vocês precisarão entender que isso vem do nosso amor”. Como disse Ryle: “o amor é o grandioso segredo do treinamento bem-sucedido. O amor da alma é a alma de todo amor”.
·  Exija atenção. Provérbios 4.1 diz: “Ouvi, filhos, a instrução do pai e estai atentos para conhecerdes o entendimento”. Pais e mães têm verdades importantes para comunicar. Você deve exigir que se dê atenção às verdades de Deus em sua casa. No começo isso pode envolver ordens repetidas como: “Sente-se filho e olhe para mim quando eu falar. Estamos falando sobre a Palavra de Deus, e Deus merece ser ouvido”. Não deixe que as crianças saíam de seus lugares durante o culto doméstico.
3. Na oração:
·  Seja breve. Com poucas exceções, não ore por mais que cinco minutos. Orações tediosas fazem mais mal do que bem. Não ensine durante a sua oração, Deus não precisa de instrução. Ensine com os olhos abertos; ore com os olhos fechados.
·  Seja simples sem ser superficial. Ore por coisas das quais os seus filhos já tenham algum conhecimento, mas não permita que as suas orações se tornem fúteis; não as reduza a pedidos frívolos e centrados em você mesmo.
·  Seja direto. Exponha as suas necessidades diante de Deus, rogue pelo seu caso e peça misericórdia. Diariamente cite nominalmente os seus adolescentes e as suas criancinhas e ore pelas suas necessidades. Isso é muito importante para eles.
·  Seja natural, mas solene. Fale com clareza e reverência. Não fale com voz artificial, aguda ou monótona. Não ore nem alto nem baixo demais, nem ligeiro nem devagar demais.
·  Diversifique. Não ore a mesma coisa todo dia, isso fica monótono.
Desenvolva uma oração mais variada trazendo à memória e reforçando os diferentes ingredientes da oração verdadeira, que são: Invocação, adoração e dependência. Comece mencionando um ou dois títulos ou atributos de Deus, assim como: “Gracioso e Santo Deus...”. A isso acrescente a declaração do seu desejo de adorar a Deus e a sua dependência da assistência dEle à sua oração. Diga, por exemplo: “Curvamo-nos humildemente diante de Ti, que és digno de ser adorado; oramos para que as nossas almas sejam elevadas à Tua presença. Assiste-nos com o Teu Espírito. Auxilia-nos a clamar pelo nome de Jesus Cristo, somente por quem podemos nos achegar a Ti”.
A confissão dos pecados da família. Confesse a corrupção da nossa natureza e em seguida confesse pecados cometidos de fato — especialmente os pecados diários e os pecados da família. Reconheça o castigo que merecemos das mãos de um Deus santo, e peça-Lhe para que perdoe todos os seus pecados por causa de Cristo.
Petição por misericórdia pela família. Peça a Deus para que os livre do pecado e do mal. Você poderia dizer: “Ó Senhor, perdoa os nossos pecados pelo Teu Filho. Submete as nossas iniquidades pelo Teu Espírito. Livra-nos da escuridão natural das nossas mentes e da corrupção dos nossos corações.
Livra-nos das tentações a que fomos expostos hoje”.
Peça a Deus para lhe conceder bens espirituais e temporais. Ore para que Ele supra cada uma das necessidades cotidianas. Ore para que as suas almas estejam prontas para a eternidade.
Lembre-se das necessidades familiares e interceda pelos amigos da família. Lembre-se de orar, em todas essas petições, para que seja feita a vontade de Deus; contudo não deixe que a sua submissão à vontade de Deus lhe impeça de argumentar com Deus. Rogue para que Ele ouça as suas petições. Suplique por cada um dos seus familiares, no caminho deles para a Eternidade. Intercede em favor deles apelando à Sua misericórdia, ao Seu relacionamento pactual com você e ao sacrifício de Jesus Cristo.
As ações de graças como família. Agradeça a Deus pela comida e pela bebida, pelas misericórdias providenciais, pelas oportunidades espirituais, pela recuperação de saúde, pelo livramento do mal. Confesse: “As Tuas misericórdias são a causa de não sermos consumidos como família”.
Lembre-se da resposta à Pergunta 116 do Catecismo de Heidelberg, que diz:
“Deus só concederá a Sua graça e o Espírito Santo àqueles que constante e sinceramente Lhe pedem esses dons e que Lhe são gratos por eles”.
Conclusão. Bendiga a Deus por Ele ser quem Ele é e pelo que tem feito. Rogue para que o Seu reino, poder e glória sejam sempre manifestos. Depois conclua com um “amém”, que significa: “com certeza será assim”.
Matthew Henry disse que o culto doméstico matinal é um momento especial de louvor e para suplicar por forças para o dia e pela bênção divina sobre as suas atividades. O culto doméstico à noite deveria enfocar a gratidão, a reflexão penitente e as súplicas humildes pela noite.
4. No cantar:
·  Cante cânticos doutrinariamente puros. Não há justificativa para cantar erros doutrinais por mais atraente que seja a melodia.
·  Cante os salmos primeiro e antes de qualquer outra coisa, cante hinos edificantes. Lembre-se que os salmos — chamados por Calvino de “a anatomia de todas as partes da alma” — são a mina do ouro mais rico e da piedade bíblica profunda, viva e experimental à nossa disposição ainda hoje.
·  Cante salmos simples, se tiver filhos pequenos. Quando selecionar um salmo para cantar procure por aqueles que as crianças podem lidar com facilidade, e por cânticos de particular importância para o conhecimento delas. Escolha cânticos que expressem a necessidade delas se arrependerem, de terem fé e de renovarem o coração e a vida. Escolha aqueles que revelam o amor de Deus por Seu povo e o amor de Cristo pelos cordeiros do Seu rebanho; ou ainda que os faça lembrar dos seus privilégios e deveres pactuais. As letras devem ser simples e claras e a melodia fácil de cantar.
Por exemplo, veja no Saltério o número 53: “O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará”. O texto é simples o suficiente para qualquer criança que já aprendeu a falar; só existem três palavras de mais de duas sílabas (justiça, transborda, eternamente). Palavras como “justiça”, “bondade” e “misericórdia” devem ser apontadas e explicadas antes. Não se esqueça de começar dizendo às crianças que um pastor é alguém que toma conta das ovelhas que ele tem e que ama! Não é sábio assumir que essas coisas são suficientemente claras e auto evidentes.
·  Cante de todo coração e com sentimento. Segundo diz Colossenses 3.23: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens”. Medite nas palavras que está cantando. Discuta ocasionalmente alguma frase cantada.
Depois do Culto Doméstico
Quando se recolher à noite ore para que Deus abençoe o culto doméstico: “Senhor, usa a instrução para salvar a nossos filhos e para fazê-los crescer em graça e colocarem a sua esperança em Ti. Usa o nosso louvor ao Teu nome para que o Teu nome, o Teu Filho e o Teu Espírito sejam amados por suas almas imortais. Usa as nossas orações vacilantes para trazer os nossos filhos ao arrependimento. Senhor Jesus Cristo, sopra sobre a nossa família nesse momento de adoração o Teu Espírito e a Tua Palavra. Que estes sejam momentos de concessão de vida”.
BEEKE. Dr. Joel. O Culto Doméstico. pag. 10-17.
2. Ganhando os que ainda não são crentes.
Jó. 1.4. Seus filhos iam às casas uns dos outros. Jó era homem ativo, que se movimentava e ia a muitos lugares, realizava muitas coisas e era bem-sucedido em tudo quanto fazia. Seus filhos eram honrados pelos vizinhos, sendo convidados para muitas festas, e as filhas (bonitas, sem dúvida) eram favorecidas, sendo convidadas para os lares de criadores de gado e fazendeiros prósperos, cujos filhos queriam tê-las como esposas. Essa “situação familiar" ajudava Jó a prosperar cada vez mais. O texto, contudo, não dá a entender “prazeres descuidados", que poderiam fazer parte da queda de Jó, conforme uma de minhas fontes pretende. Peio contrário, Jó tinha uma boa família que era querida pelos seus vizinhos. Nenhum de seus filhos dava trabalho e todos seguiam o seu bom exemplo. Naturalmente, quando a tribulação chegou, sua família foi avassalada, mas isso foi resultado do sofrimento de Jó, não a causa. A pergunta que o autor sagrado apresenta é: “Por que os inocentes sofrem?”. Ele não falará sobre carma.
O autor sagrado enfatiza “o amor e a harmonia dos membros da família de Jó, em contraste com a mina que logo interrompeu tão bela cena de felicidade... A narrativa dá a entender que a série de festas eram os aniversários de cada filho ou filha” (Jamielson, in loc.). É possível que tais celebrações fossem confinadas a tempos específicos, provavelmente a festas de sete dias, nas quais mais de uma pessoa era honrada.
“Os filhos desse príncipe edomita eram, ao que tudo indica, solteiros, e, no entanto, cada um deles mantinha sua casa de uma maneira real (cf. II Sam. 13.7;
14.28 ss.). Tão incomum era a harmonia fraterna, que regularmente eles se reuniam para ter banquetes em família, para os quais convidavam seus irmãos, costume excepcional no antigo Oriente" (Samuel Terrien, in loc.).
Jó. 1.5. Chamava Jó a seus filhos e os santificava. Jó era homem piedoso, e assim fazia com que aquelas muitas festas se tomassem ocasiões de observância religiosa com o apropriado cerimonial de purificações e sacrifícios. Jó queria ter certeza de que, se algum de seus filhos tivesse pecado, esse pecado seria expiado, e nenhum empecilho viria de alguma inadequação espiritual. Ele se preocupava com que nenhum de seus filhos viesse a amaldiçoar secretamente a Deus. Ele considerava cuidadosamente o bem-estar espiritual de sua família. O autor sagrado nos diz que Jó era próspero e piedoso, e que a tragédia atingiria um homem inocente; de nós espera-se que perguntemos: “Por quê?". Jó era um homem muito rico, porquanto era rico tanto espiritual quanto materialmente. A prosperidade sempre arrasta sua própria ameaça. Os ricos acabam por voltar-se à idolatria de muitas espédes, literais e espirituais. Mas não era esse o caso de Jó. Ele provou que é melhor um crente ser rico do que pobre, e que o homem espiritual não tem dificuldade para manusear dinheiro, que, afinal, pode ser uma fonte de sen/iço espiritual.
Os Sacerdotes da Família. Sabemos que originalmente o pai era o sacerdote da família. Mais tarde, entre o povo hebreu, surgiu o clã sacerdotal, os levitas, o que transformou a tribo deles em uma casta religiosa. Portanto, muitos dos deveres que cabiam antes aos sacerdotes foram formalizados em adoração pública. Mas a história de Jó é posta dentro do período patriarcal, quando o chefe de uma
família era também o sacerdote da família. Sem dúvida, é isso o que está por trás da cena referida neste versículo, onde Jó oferece pessoalmente os devidos sacrifícios. Presumimos que o autor sacro esteja atribuindo à sociedade árabe o tipo de condições que existiam na sociedade hebreia. Os árabes, afinal, eram filhos de Abraão e tinham as mesmas tradições essenciais dos hebreus.
E blasfemado contra Deus em seu coração. Cf. Jó 2.6,9. Satanás supunha que os homens dotados de riquezas, até mesmo o piedoso Jó, privados de seus bens materiais e de seus familiares, transformar-se-iam em amaldiçoadores de Deus.
O Drama no Céu: Deus e Satanás Disputam sobre Jó (1.6-12)
Yahweh Recomenda Jó; Primeiro Ato do Drama (1.6-8)
Jó era elogiado pelos homens, e também foi elogiado por Deus. O Adversário (Satanás), em suas andanças pela terra, tinha observado Jó, aquele grande homem, mas não demonstrou respeito por ele e duvidou da autenticidade de sua espiritualidade, questionando a avaliação feita por Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864.
Jó. 1.4 — Cada filho de Jó participava de um banquete com seus irmãos, cada um no seu dia. Esta expressão pode referir-se à comemoração de aniversário. No entanto, o contexto do versículo 5 pode indicar um ciclo regular de festividades e banquetes, talvez semanal ou sazonal.
Jó. 1.5 — Quando Jó santificava seus filhos por meio das orações e dos holocaustos que oferecia a Deus a favor deles, cumpria um papel de intercessor; assim como quando orou por seus amigos  no epílogo (Jó 42.10). Quanto à expressão blasfemaram de Deus, o texto original em hebraico registra não bendizer a Deus — provavelmente um eufemismo de amaldiçoar, uma substituição feita por um escriba hebreu por não suportar escrever a palavra blasfemaram próxima ao nome divino.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 784.
Mc. 12.30,31 — O primeiro mandamento resume os quatro primeiros dos Dez Mandamentos. O segundo é a base dos mandamentos que vão do quinto ao décimo e referem-se à maneira como lidamos com nosso semelhante. Alguns estudiosos tentaram encontrar um terceiro mandamento: “ame a si mesmo”. No entanto, isso não é um mandamento, mas algo óbvio. Nós nos amamos mesmo. E por isso que corremos para pegar a caixinha de primeiros socorros quando nos machucamos.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 123-124.
Mc.12.29-31 - As leis de Deus não são difíceis de serem cumpridas: podem ser resumidas em dois princípios muito simples: amar a Deus e ao próximo. Estes mandamentos estão no AT (Dt 6.5: Lv 19.18). Quando você ama a Deus completamente e cuida do próximo como de si mesmo, está cumprindo os Dez Manda mentos e outras leis do AT. De acordo com Jesus, esses dois mandamentos resumem todas as leis de Deus. Deixe que elas governem seus pensamentos, suas decisões e ações. Quando não tiver certeza do que deve fazer, pergunte a si mesmo o que demonstrará melhor seu amor por Deus e pelo próximo.
APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de estudo. Editora CPAD pag. 120.
3 - Eu e minha casa servindo ao Senhor.
Objeções ao Culto Doméstico
Algumas pessoas citam as seguintes razões contra o culto doméstico em momentos regulares:
·  Não existe na Bíblia nenhum mandamento explícito para se fazer o culto doméstico. Embora não haja uma ordenança explícita, os textos citados anteriormente deixam claro que as famílias adorariam a Deus diariamente.
·  A nossa família não tem tempo para isso. Se vocês têm tempo para recreações e diversões, mas não têm tempo para o culto doméstico, pensem em II Timóteo 3.4-5, que adverte contra as pessoas que amam mais os prazeres do que a Deus; elas têm forma de piedade, mas negam o seu poder. O tempo tirado das atividades e negócios familiares para se buscar a bênção de Deus jamais é um desperdício. Se levarmos a sério a Palavra de Deus, haveremos de dizer: “Não posso, em minha família, deixar de dar prioridade a Deus e à Sua Palavra”. Uma vez Samuel Davis disse o seguinte: “Se vocês fossem criados apenas para esse mundo essa objeção teria alguma força, mas como uma objeção assim soa tão estranhamente vinda de um herdeiro da eternidade! Digam-me por favor, para que é que lhes foi dado tempo? Não foi, principalmente, para que se preparassem para a eternidade? E vocês não têm tempo para aquilo que é a maior ocupação de todas as suas vidas?”.
·  Nem sempre é possível estarmos todos juntos. Se vocês têm horários conflitantes — particularmente quando os filhos mais velhos estão na faculdade — devem fazer o melhor que puderem. Não cancelem o culto doméstico se algum dos filhos não estiver em casa. Faça o culto doméstico quando a maior parte da família estiver presente. Se houver choque de horário transfira ou cancele a atividade que ameaça o culto, se possível. O culto doméstico deveria ser um evento não-negociável. Negócios, passa-tempos, esportes e atividades escolares são secundários ao culto doméstico.
·  A nossa família é pequena demais. Richard Baxter disse que para formar uma família basta apenas um que governe e um que seja governado. Vocês só precisam de dois para fazer o culto doméstico.
Como disse Jesus: “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20).
·  A nossa família é muito diversificada para que todos se beneficiem. Faça um plano que cubra todas as idades. Leia um livro de histórias da Bíblia para as crianças pequenas, faça a aplicação de um provérbio para os mais velhos, e leia uma ou duas páginas de um livro para adolescentes. Um plano sábio pode superar as diversidades etárias. Além disso a variação nas crianças só afeta diretamente cerca de um terço do culto doméstico, não interfere em orar e louvar. Todas as faixas etárias podem cantar e orar juntas. Mas, lembre-se também que a instrução bíblica não tem obrigatoriamente de ser aplicável diretamente a todos os presentes. Quando você estiver ensinando aos adolescentes mais velhos, as crianças menores estarão aprendendo a ficar quietas.
Contudo, não estenda demais a discussão, senão não conseguirá manter o interesse de todos. Se os adolescentes quiserem continuar a conversa, recomece-a depois de ter encerrado com uma oração e de ter dispensado os pequenos. Semelhantemente, enquanto você ensina aos pequenos, os mais velhos estão ouvindo. Eles também estão aprendendo pelo exemplo como ensinar às crianças menores. Quando casarem e tiverem filhos vão se lembrar de como você conduzia o culto doméstico.
·  Não sou bom em liderar a nossa família no culto. Eis algumas sugestões. Primeiro, leia um ou dois livros sobre o culto doméstico como aqueles escritos por James W. Alexander, Matthew Henry, John Howe, George Whitefield, Douglas Kelly e Jerry Marcellino.17 Use bem o livro de Terry L. Jonhson, O Livro de Culto da Família: livro de referência para as devoções em família (The Family Worship Book: A Resourse Book for Family Devotions).18 Em segundo lugar peça orientação a pastores e pais que temam a Deus. Pergunte-lhes se podem lhe visitar e se também podem lhe mostrar como conduzir o culto doméstico, ou se podem lhe observar e dar sugestões. Terceiro, comece com o básico. Creio que vocês já estejam lendo as Escrituras e orando juntos. Senão, comece a fazer isso. Se já estão lendo e orando juntos acrescente uma ou duas perguntas à porção lida e cante alguns salmos e hinos. Vá aumentando um ou dois minutos a cada semana até que cheguem aos vinte minutos. A sua habilidade crescerá com a prática. É como disse George Whitefield: “o coração corretamente motivado não requer habilidades incomuns para realizar o culto doméstico de maneira decente e edificante”.19 E o mais importante, peça ao Espírito Santo para Lhe mostrar como fazê-lo, e assim a boca fala daquilo que está cheio o coração. Como afirma Provérbios 16.23: “o coração do sábio é mestre de sua boca e aumenta a persuasão nos seus lábios”. Será que o nosso verdadeiro problema com o culto doméstico não seria menos a nossa incapacidade de orar, ler e instruir e mais o deixarmos de nos apegar com entendimento às extraordinárias promessas e poder que Deus nos concedeu para moldarmos os Seus filhos da Aliança para a Sua glória?
·  Alguns dos nossos familiares não irão participar. É possível haver famílias em que seja difícil fazer o culto doméstico; esses casos, no entanto, são raros. Se você tiver filhos difíceis, siga uma regra simples: sem Escritura, sem louvor e sem oração, quer dizer sem comida. Diga: “Nesta casa, serviremos ao Senhor. Todos nós respiramos, por isso todos em nossa casa têm que louvar ao Senhor”. O Salmo 150.6 não faz exceção, nem mesmo para os filhos não convertidos. Ele diz: “Todo ser que respira louve ao SENHOR. Aleluia!”.
·  Não queremos tornar os nossos filhos não convertidos em hipócritas.
Um pecado não justifica o outro. O padrão mental que apresenta essa objeção é perigoso. Quem não é convertido jamais poderá recorrer à condição de inconverso para negligenciar um dever. Não encoraje os seus filhos a usarem essa desculpa para fugirem do culto doméstico. Enfatize a necessidade que têm de utilizarem todos os meios de graça.
·  Eu sou desentoado. Estimule os seus filhos a aprenderem a tocar piano ou órgão. Ou grave alguns salmos e hinos numa fita, digite as letras e acompanhe a gravação em conjunto com a sua família. O uso da música foi um dos pontos fortes dos reformadores. Lutero disse: “Aquele que não percebe o dom e a perfeita sabedoria de Deus nas Sua maravilhosas obras musicais, é mesmo um tolo, e não é digno ser considerado homem”.
BEEKE. Dr. Joel. O Culto Doméstico. pag. 17-20.
Dt. 6.7 — E as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. A revelação de Deus seria uma coisa tão importante para uma família dedicada ao Senhor que os mais velhos poderiam falar naturalmente do Criador enquanto estivessem desempenhando outras atividades.
Dt. 6.8,9 — Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos. Nos anos posteriores, os judeus interpretaram literalmente essas instruções. Eles orientaram os homens a usarem os filactérios1 quando orassem (Mt 23.5). Em todo caso, a ideia era as leis de Deus estarem na mente e na mão das pessoas o tempo todo (compare com Êx 13.9,16; Pv 3.3;6.21). Havia também o ensinamento e as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas. Isso porque, no costume judaico, é comum fixar uma pequena caixa, chamada mezuzá, nos batentes das portas. Dentro dela é colocado um pequeno rolo em que está escrito o texto de Deuteronômio 6.4-9; 11.13-21, e o nome de Deus Shaddai.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 323-324.
Também as atarás... na tua mão (8). Os judeus antigos, interpretando à letra este versículo, encerraram em pequenas caixas, chamadas filactérios, alguns passos escritos da Lei, que atavam depois à cabeça ou às mãos. Cf. Mt 23.5; 11.20 nota; 17.18 nota.
Escreverás (9). Também se alude à escrita da Lei em 4.13; 5.22; 9.10; 10.2,4; 11.20; 17.18; 24.1; 27.3,8; 28.58,61; 29.20-21,27; 30.10; 31.9,19,22,24. Tais referências foram outrora consideradas anacrônicas, mas escavações recentes trouxeram a lume documentos irrefutáveis a comprovar a larga utilização da escrita no tempo de Moisés, embora cuneiforme ou à base do primitiva alfabeto hebraico. Moisés aprendeu a escrever provavelmente no Egito (At 7.22). Josué devia também saber escrever, como tantos outros israelitas, apesar de ser frequente nesse tempo o emprego de "escribas" ou "copistas".
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Deuteronômio. pag. 33.
7a. Tu as inculcarás a teus filhos. O caráter familiar da administração convencional exige que os filhos sejam educados sob o governo das estipulações (cons. 20 e segs.). Dia e noite os crentes deviam meditar nas leis de Deus (vs. 7b-9; cons. Sl. 1:2). Moisés não estava aqui fazendo exigências cerimoniais, mas elaborando com dados concretos a exigência de uma constante focalização de solicitude com a boa vontade do Senhor de Israel.
9. Umbrais . . . portas. Estas palavras refletem o costume arquitetural do mundo nos dias de Moisés. Para o uso figurado desta linguagem, veja Êx. 13:9,16. Uma prática literal das injunções de Dt. 6:8, 9 entraram na moda entre os judeus posteriormente, na forma de filactérios usados pelas pessoas (cons. Mt. 23:5) e o mezuzah afixado nos umbrais.
MOODY. Comentário Bíblico Moody. Deuteronômio. pag. 23.
1 Tm 1.2 — Timóteo foi um jovem cristão, de Listra, que viajou e atuou junto com Paulo durante sua segunda e terceira viagens missionárias (At 16.2,3). Verdadeiro filho se refere ao filho legítimo, que possuía todos os direitos e privilégios como membro da família. Paulo queria mostrar que aceitava totalmente Timóteo como cristão, como filho na fé. A saudação graça (gr. charis) era o olá dos gregos.
Mas significa receber o que não se merece. A salvação em Cristo é pela graça (Ef 2.8,9). Misericórdia (gr. eleos) significa não receber [a punição] que na verdade se mereceria. Somente nas epístolas pastorais Paulo quebra seu padrão usual de saudar com a expressão graça e paz, incluindo, na saudação, também misericórdia. Evangelistas e pregadores, certamente, precisam de misericórdia. Paz (gr. eirenê) significa reunir o que foi separado. Cristo é a nossa paz (Ef 2.14), porque nos une a Deus.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 586.
1:2: α Timóteo, meu verdadeiro filho na fé: grata, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor.
«.Timóteo.» As cartas pastorais foram enviadas a dois crentes individuais, isto é, Timóteo e Tito; ainda assim seria correto dizermos que essas epístolas foram dirigidas a uma classe de pessoas, a saber, os líderes da igreja, os pastores é diáconos, e, mais especificamente ainda, aqueles «pastores» que foram revestidos de uma autoridade que vai além de uma só comunidade cristã, estendendo-se a outras comunidades idênticas, mais ou menos a função atribuída ao termo bispo, hoje em dia. Pode-se observar que Timóteo é visto como quem tinha autoridade de nomear outros pastores, que servissem em suas respectivas áreas. Timóteo figura como o bispo ideal, em relação à sua igreja e à área geral em derredor, como Éfeso e os territórios circunvizinhos, pois em cada cidade principal havia uma comunidade cristã. Tito, por outro lado, é visto como o «bispo missionário» ideal, que trabalha em uma área onde novas igrejas estão sendo iniciadas, e onde aquelas que existem na sede ainda são fracas e problemáticas. A essas «classes» de líderes cristãos é que as «epístolas pastorais» são particularmente dirigidas; mas também, de modo geral, elas são dirigidas ao «ministério» da igreja.
«...verdadeiro filho na fé...» Com base no décimo sexto capítulo do livro de Atos e outros trechos bíblicos, onde Timóteo é mencionado, não se pode obter a ideia que Timóteo era um dos convertidos de Paulo, e, sim, que o apóstolo já o conheceu convertido ao evangelho, visto que, por assim dizer, procedia de uma «família crente». Somente nas epístolas pastorais é que encontramos a ideia que ele era, realmente, um dos convertidos de Paulo. Como e quando isso aconteceu, o livro de Atos não nos fornece a mínima ideia. Mas o trecho de II Tim. 1:5 mostra-nos que Timóteo pertencia a uma família piedosa, desde sua avó, Loide, passando por sua mãe, Eunice, mulheres de notável fé no Senhor. Não há que duvidar que, antes de tudo, eram judias piedosas, que em seguida se converteram ao cristianismo, o que, como é claro, serviu de extraordinário avanço em sua fé e expressão espiritual. Timóteo, pois, seguiu as pegadas de sua avó e de sua mãe, o que demonstra o grande poder do exemplo. (Quanto a notas expositivas sobre isso, ver I Cor. 1 1 :1). Um pai deve três coisas a seus filhos: exemplo, exemplo, exemplo. E isso era o que Paulo, como pai espiritual de Timóteo, deu a ele—uma herança incalculável.
«...verdadeiro filho...» porque não havia dúvidas quanto à genuinidade de sua fé em Cristo, em seu discipulado cristão. Timóteo se tornara companheiro de viagens de Paulo, um cooperador responsável, sendo considerado com o pessoa de elevados méritos e de grande utilidade, conforme se vê nos seguintes trechos: II Cor. 1:1; Col. 1:1; Fil. 1:1; I Tes. 1:1 e II Tes. 1:1. Deve-se notar que seu nome é incluído, juntamente com o de Paulo, c om o um dos enviadores das epístolas imediatamente mencionadas; e dificilmente Paulo lhe teria d ad o essa honra se não considerasse um valioso cooperador do evangelho, um elemento de considerável responsabilidade. Em Fil. 2:22, Timóteo é referido como alguém que servia a Paulo como um filho a seu pai. Todavia, há outras interpretações sobre a expressão «verdadeiro filho», aplicada a Timóteo: 1. Timóteo era filho de mãe judia e de pai grego (ver Atos 16:1). Isso de acordo com a lei judaica, fazia dele um filho « ilegítimo », embora o cristianismo não tivesse essa atitude, segundo se vê em I Cor. 7:14. Todavia, sua «legitimidade» deve ser considerada como algo que ocorria na área da fé cristã, em seu «nascimento espiritual». Essa interpretação se afasta muito da realidade do caso.
2. Essa expressão poderia ser usada no sentido de alguém que prestava obediência especial e valiosa a um líder espiritual, mais ou menos como os judeus chamavam os seguidores ou estudantes de um rabino, que eram chamados de seus «filhos». Naturalmente, isso não subentenderia, necessariamente, qualquer «conversão» do estudante por parte do rabino; mas, no terreno espiritual, ainda assim manteriam certa espécie de relação paterno-filial. Todavia, o sentido neotestamentário comum mui provavelmente é o significado aqui tencionado: Timóteo é apresentado aqui como um dos convertidos de Paulo. Outro tanto é dito acerca de Tito, em Tito 1:4. Paulo se referia a todos os crentes como seus «filhos amados», segundo se lê em I Cor. 4:14-17; e embora nem todos se tivessem convertido através de seus esforços, todos mantinham para com ele uma espécie de filiação espiritual, porque ele era apóstolo dos gentios e trabalhara durante ano e meio na cidade de Corinto.
«...na fé...» 'A s «epístolas pastorais», em contraste com o uso neotestamentário normal, empregam frequentemente esse termo, em sentido «objetivo». Aqui, por exemplo, mui provavelmente a «fé cristã», está em foco, o «sistema cristão», como uma entidade espiritual distintiva. Mas normalmente a palavra «fé» é usada em sentido «subjetivo », isto é, dedicação pessoal da alma a Cristo, dependência a ele, o ato da pessoa que «confia em» Cristo. (Ver Heb. 11:1 quanto a notas expositivas completas sobre a «fé»). Entretanto, fica entendido o sentido «subjetivo», quando o sentido «objetivo» é usado, porquanto não haveria fé cristã se não houvesse crentes. Portanto, todo uso objetivo subentende o uso subjetivo, ainda que não seja salientado particularmente isso. E esse sentido «objetivo» é frequentemente usado nas «epístolas pastorais». (Comparar com outros casos possíveis: I Tm. 1:19; 3:9; 13; 4:1; 5:8; 6:10;21; II Tim. 3:8; 4:7; Tito 1:4,13 e 3:15)!
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 277-278.
2 Tm 1.2 — Meu amado filho. Na primeira carta a Timóteo, Paulo refere-se a ele como meu verdadeiro filho nafé (1 Tm 1.2). O profundo amor e a consideração de Paulo por esse seu discípulo são demonstrados nesta segunda carta.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 606.
Js. 24.14,15 - As palavras de Josué nestes versículos contêm um raro apelo para que Israel escolhesse entre Deus e os muitos falsos substitutos.
Caso o povo não optasse por Deus, escolheria entre os deuses que seus ancestrais serviram ou os deuses dos amorreus (isto é, os cananeus). E claro que tal apelo é retórico. Da perspectiva do Senhor havia apenas uma opção. Com suas palavras famosas, Josué depôs, de forma clara e inequívoca, a favor de Deus. Assim, ele exibiu as perfeitas ações de um líder, estando disposto a seguir em frente e comprometer-se com a verdade apesar das inclinações do povo. O enfático exemplo de Josué, sem dúvida, encorajou muitos a seguirem as afirmações dos versículos 16 a 18.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 399.
III - BÊNÇÃOS ADVINDAS DO CULTO DOMÉSTICO
1. Fortalece os laços familiares.
São inúmeras as bênçãos de Deus sobre a família que realiza o culto doméstico. Com ele, o altar da adoração supera o “altar da televisão”.
Quando realizado desde que os filhos são pequenos, são indeléveis as marcas impressas em suas mentes para toda a vida. Até aos sete anos, a personalidade já está definida, segundo psicólogos. Crianças que participam da reunião em família, louvando a Deus, lendo a Bíblia, ou mesmo apenas ouvindo por causa da pouca idade, e veem seus pais orando com elas, certamente terão menos probabilidade de se desviarem dos caminhos do Senhor.
O culto doméstico não se destina apenas a crianças. Adolescentes e jovens precisam muito desse momento especial, na sua formação espiritual. É por falta de culto doméstico que grande parte dos filhos de cristãos está no mundo, envolvida no sexo ilícito, nos vícios e na delinquência. Muitos pais dormiram e se descuidaram de zelar pelos filhos que são “herança do Senhor”. Os benefícios são evidentes para os lares onde, diariamente, louva-se a Deus, lê-se a sua palavra e fazem-se orações.
Jesus se faz presente no lar.
Falando a seus discípulos, o Senhor prometeu: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). Pode haver convidado mais importante do que Jesus, participando da reunião em família? Naquele pequeno período de adoração, todo o futuro da família pode estar definido. O salmista declarou: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (SI 23.4). A família deve aprender e considerar que, com a presença do Senhor em sua vida, não há o que temer, se todos procuram obedecer a voz de Deus. Só esse beneficio é suficiente para justificar a realização do culto no lar cristão todos os dias.
2. Os laços espirituais são fortalecidos.
Nos momentos de louvor a Deus, pais e filhos são abençoados, e unidos na presença do Senhor. Ele habita no meio dos louvores (SI 22.3). Deus agrada-se de ver um lar que se transforma em ambiente de adoração.
Ao orarem, pais e filhos atraem as bênçãos, o poder e a proteção de Deus para suas vidas. Cada um pede oração. Todos sentem as necessidades dos outros. Todos oram uns pelos outros. A união da família fortalece a vida espiritual e traz bênçãos extraordinárias. Diz o salmo: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” (SI 133.1). Na união espiritual e fraternal, naquele lar, há lugar para a bênção de Deus: “porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre” (SI 133.3).
LIMA. Elinaldo Renovato de. A família cristã e os ataques do inimigo. Editora CPAD. pag. 124-125.
Et. 2.5. Certo homem judeu... chamado Mordecai. Quanto a detalhes, ver no Dicionário os verbetes chamados Mordecai e Ester. O nome dele, como é óbvio, provinha do nome do deus pagão Marduque, o que explica a variação de grafia' Mcrdecai e Mardoqueu (tudo dependendo da versão portuguesa que estiver sendo usada). O sentido desse apelativo é incerto. Na mitologia pagã, o deus «larduque e a deusa Istar eram primos, e assim temos o fato curioso de que Ester e Mordecai, cujos nomes se derivavam dessas divindades pagãs, também eram primos. Os nomes de família dados a Mordecai devem ser entendidos como antepassados remotos, e não como elos familiares recentes. Essa é a interpretação que nos fornecem Josefo, o Targum e a Midrash. Tanto Simei quanto Quis foram representantes bem conhecidos da tribo de Benjamim (ver II Sam. 16.5-13; I Reis 2.8,36-46). O primeiro era inimigo de Davi, e o segundo era o pai de Saul, primeiro rei de Israel (I Sam. 91 14.51 Mordecai não era descendente direto de Saul, mas veio através de Outra linhagem da família de Quis. O autor sagrado enfatizou que as pessoas em questão (Ester e Mordecai) eram “judeus puros” e, assim, guardiães apropriados de seu povo, em Susã. Ester era órfã criada pelo primo Mordecai (vs. 7). Foi assim que Mordecai, oficial na corte persa de Susã, transformou-se em amigo e salvador dos judeus. Estando Mordecai consciente da rara beleza física de sua prima, calculou acertada- mente que ela seria uma fortíssima candidata a substituir a infeliz Vasti.
Et. 2.6 Que fora transportado de Jerusalém, com os exilados. Mordecai provavelmente era filho de alguma vítima do cativeiro babilônico (ver a respeito no Dicionário). Mas sua inteligência e força de vontade superior levaram-no a uma posição elevada na corte real da Pérsia. Assim ele code agir em favor dos judeus que permaneciam no exílio (a maior parte dos judeus não voltou para Jerusalém, na companhia de Zorobabel, Esdras e Neemias). O tempo envolvido indica que Mordecai, pessoalmente, não tinha sido vítima do exílio. Talvez ele tenha nascido em Susã, pelo que, em certo sentido, era um nativo da Babilônia. Se Mordecai fosse um jovem em 597 A C. (ano do cativeiro babilônico , então teria bem mais de cem aros ao tempo da subida ao trono de Xerxes (485 A. C.), e Ester teria cerca de 70 anos de idade quando cativou o rei com seus encantos virginais!
O autor do livro, entretanto, talvez nada soubesse sobre a cronologia envolvida, e assim deu a ideia de que Mordecai tinha sido levado pessoalmente para o exílio. “Uma visão telescópica similar da história encontra-se em outros escritos produzidos pelo judaísmo (cf. Esd. 4.6; Dan. 1,21; 6.1; Tobias 14.15, ef passirr (aqui e acolá). De acordo com Esd. 2.2 e Nee. 7.7, certo Mordecai estava entre os exilados que tinham sido levados por Nabucodonosor. Talvez o autor sagrado pretendesse identificar os dois (conforme faz o Targum). Mordecai não é um nome hebraico, conforme seria próprio a um judeu da dispersão" (Bernhard W. Anderson, in loc.).
Jeconias, rei de Judá. Este era o rei judeu na época do exílio babilónico. Ver sobre ele no Dicionário. Ver também II Reis 24.12-16. Falando estritamente, Jeconias foi o penúltimo dos reis de Judá. Zedequias foi um rei vassalo em Judá, depois que os outros monarcas judeus foram depostos.
Et. 2.7 Ele criara a Hadassa, que é Ester, filha de seu tio. Hadassa (murta) era o nome hebraico de Ester. Mas alguns estudiosos opinam que esse nome é cognato do assírio que significa “noiva". Seu nome de cativeiro era Ester, talvez cognato da palavra persa stara (estrela), porém, mais provavelmente ainda, da palavra Istar, a deusa babilónica. É evidente que ela era muito mais jovem que Mordecai, pois, do contrário, não teria sido tomada como filha, quando os pais da menina morreram. Ela, pois, era prima de Mordecai, e não sobrinha, conforme algumas traduções dizem, seguindo a Vulgata Latina, que fala em “sobrinha”. Seja como for, o livro mostra-nos que a moça era “bela, corajosa, esperta e cheia de recursos. Coisa alguma é dita sobre o que ela pensava a respeite do plano de ser feita ‘rainha’ em lugar de Vasti” (Arthur C. Lichtenberger, in loc.). Visto que os hebreus estavam acostumados com haréns, ela não faria objeção por ter sido levada para o harém real da Pérsia. Casar-se uma judia com um estrangeiro (mesmo que fosse um rei) era estritamente proibido para a legislação mosaica, conforme os livros de Esdras e Neemias ilustram sobejamente. Portanto, Ester foi uma exceção à regra, a fim de trazer algum bem aos judeus. Ela precisava ter alguma elevada posição na Pérsia, para que fizesse o que fez, e assim cumprisse a sua missão, razão pela qual as leis hebreias do casamento tiveram de ser relaxadas em seu caso. As leis, afinal de contas, nunca contam a história inteira. Existem situações humanas nas quais as leis fixas não são de grande ajuda.
O livro de Ester não diz especificamente que Ester, mediante providência divina, se tomou “rainha" de Assuero, mas qualquer judeu que lesse a história entenderia isso. Ester foi um instrumento divino para um ato específico de Yahweh, embora Deus não seja mencionado no livro.
Entrementes, a rainha-mãe, Amestris, mostrava-se indiferente em relação ao que acontecia no harém do rei. Heródoto (Callipe, 1.9, cap. 107.11) disse-nos que Amestris era uma mulher ímpia e cruel. Ela ordenou que a esposa de seu cunhado fosse mutilada, e que catorze crianças fossem executadas no fogol Poderia Amestris ter sido assim tão má? Por outra parte, aquelas catorze crianças foram oferecidas aos deuses, como sacrifícios humanos, e isso serve para provar que Amestris era devotadamente religiosa Perseguir e matar outras pessoas, em nome de Deus ou dos deuses, até hoje é um ato aprovado até entre muitas pessoas religiosas.
O Targum ajunta que a mãe de Ester morreu de parto, e o pai havia morrido antes desse acontecimento funesto. Isso pôs as coisas nas mãos de Mordecai, por intermédio de quem a providência de Deus poderia usar Ester.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1831-1832.
5-7. Certo homem judeu . . . chamado Mordecai .. . criara a Hadassa, que é Ester, filha de seu tio. Agora se introduzem os heróis desta história. Mordecai, da tribo de Benjamim, era bisneto de um homem chamado Quis, que fora levado. para a Babilônia junto com o rei Jeconias (Jeoaquim) em 597 A.C. Após a morte de seu tio Abiail (2:15), Mordecai levou a órfã, filha de seu tio, para sua casa e a criou. "Considerando que Hadassa vem de hadas, murta, e Ester de sitar, a palavra persa para estrela (do sânscrito, sta'na; Akk, istar), temos aqui um exemplo precoce da prática judia de usar dois nomes – um hebraico e outro gentio, tais como João Marcos, José Justo, etc".
MOODY. Comentário Bíblico Moody. Ester. pag.7-8.
Sl. 133.1 Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! Estão em foco os hebreus, agora sujeitados a fatores universalizadores após o retorno do cativeiro babilônico, aprendendo os caminhos do mundo helenista. Conforme diz um cântico popular, isso ocorreu no fim da Segunda Guerra Mundial: “Como você pode mantê-los agora nas fazendas, depois que viram Paris?”. Agora que Israel se expandia para fora, enquanto seus vizinhos se expandiam internamente, seria possível conservar os hebreus dentro de seu contexto distintivo, que fora criado por serem eles o povo da lei (ver Deu. 4.4-8)? O autor desta pequena porção da literatura de sabedoria esperava que suas palavras ajudassem Israel a reter sua fraternidade especial. Naturalmente, essas palavras aplicam-se a indivíduos, e não somente a comunidades nacionais, mas podemos estar seguros de que a inspiração da paz era uma preocupação que dizia respeito a laços nacionalistas na nação restaurada de Israel.
Uma Ilustração Cristã. F. A. Iremonger era filho de um arcebispo da comunidade anglicana. Poder-se-ia esperar que ele saísse apenas um homem daqueles que diziam “somente nós, os anglicanos”. Mas se ele era um fiel denominacionalista que galgara a elevada posição de arcebispo de Canterbury, estava sempre olhando por cima das muralhas de sua denominação e espiando os acampamentos das denominações “rivais”. Ele queria saber o que de bom haveria “do outro lado” do muro e desejava compartilhar do bem que eles tinham em sua própria comunidade. Ele cultivava uma paixão pela unidade cristã que ultrapassava em muito as conveniências das organizações unificadas. Em um discurso feito na cidade de Nova Iorque, ele declarou que “não era principalmente um representante da Inglaterra, nem do ramo inglês da Igreja Católica, mas um ministro do evangelho universal e da própria Igreja Católica:, termo que usou sem o sentido “romano”.
Contraste-se isso com a posição assumida por muitos homens da igreja, que pensam ser uma virtude a crítica, a desunião e a intolerância. Tais homens nunca olharam para fora de suas muralhas denominacionais, exceto para ver como apontar seus mísseis contra os acampamentos inimigos.
Bendito seja o laço que ata Nossos corações em amor cristão:
A comunhão de mentes aparentadas Assemelha-se à comunhão lá de cima.
(John Fawcett)
A unidade e a comunhão dependem da maior virtude espiritual de todas: o amor (ver a respeito no Dicionário, quanto a ideias completas que podem ser usadas para ilustrar este versículo).
Sl. 133.2 É como o óleo precioso sobre a cabeça. Este versículo não toca no coração dos povos ocidentais e talvez soe com excessivo sentimentalismo; para dizer o mínimo, parece bastante estranho. No caso dos hebreus, porém, as coisas não eram assim. Em primeiro lugar, estamos falando acerca de Arão, o sumo sacerdote que sen/ia toda a comunidade dos irmãos, sendo a mais alta figura religiosa da Terra Prometida. Fazia parte de suas responsabilidade produzir a unidade na fé e na prática. Era sua tarefa deixar o exemplo de fraternidade sincera. Em segundo lugar, temos a honrosa barba, altamente respeitada pela mente dos hebreus. Uma boa barba era sinal de distinção e sabedoria. No Dicionário, há um detalhado artigo intitulado Barba, o qual ilustra bem o assunto e lança luz sobre este versículo. Em terceiro lugar, temos de considerar o precioso óleo da unção, a unção para o ofício sacerdotal. Ver no Dicionário o artigo chamado Unção, quanto a maiores detalhes. O trabalho de um homem tornava-se oficial mediante essa unção, e ele era ungido para servir à comunidade, sob a direção de Yahweh. Reunindo agora essas três coisas, podemos ver a força que esse versículo tinha para os hebreus. Seu intuito era levá-los a emprestar grande valor à unidade da fé e à unidade da nação de Israel.
"A copiosa efusão da cabeça do sumo sacerdote diferia da aspersão feita na testa dos sacerdotes ordinários. O salmista chamou a unção de preciosa, em referência à graça espiritual do amor, o primeiro fruto do Espírito Santo (ver Gál. 5.22), do qual era uma imagem. O Espírito Santo foi o precioso unguento com o qual, em sua infinita plenitude, o Messias havia sido ungido (ver Dan. 9.24; Atos 10.38 e João 3.34)” (Fausset, in loc.). Hengstenberg e a versão árabe fazem da barba de Arão a coisa que fluía, mas as versões, de modo gera!, preservam a referência ao óleo que escorria.
O óleo derramado pela barba descia sobre os ombros de Arão e então sobre suas vestes, inscritas com os nomes das doze tribos de Israel. Assim sendo, o óleo simbolizava a unidade nacional, sob as bênçãos do único Deus. Não poderia haver unidade sem sincera fraternidade. “Era costumeiro, no Oriente, derramar o óleo sobre a cabeça em profusão tal que descia e atingia cada membro" (Adam Clarke, in loc.).
Sl. 133.3 É como o orvalho do Hermom. “Não temos aqui o monte Sião (no hebraico, tsiyon), em Jerusalém, mas Sião, que fazia parte da cadeia do Hermom. Ver Deu. 4.48: “... desde Aroer, que está à borda do vale de Arnom, até o monte Siom, que é Hermom”. Sobre esse monte, o orvalho cai muito copioso. Mr. Maundrell diz que “devido a esse orvalho, mesmo em tempo seco, as tendas das pessoas ficam tão molhadas como se tivesse chovido a noite inteira" (Adam Clarke, in loc). O orvalho do que normalmente chamamos de Hermom não atinge Jerusalém. Se esse lugar mais distante está aqui em foco, então o autor aplicou uma hipérbole oriental. Seja como for, sem água a terra fica crestada e estéril. Mas com água surge a fertilidade e a prosperidade, e essas coisas são produtos da fraternidade sob a direção e a bênção de Yahweh. O on/alho representa o que é refrescante, doador da vida, um símbolo apropriado para a bênção do Senhor. Mas essa bênção é conferida através de instrumentos humanos que vivem no espírito do amor.
“Devemos tomar o orvalho do Hermom como um orvalho especial. Não há por que duvidar que a altura do monte Hermom e o fato de esse monte ser tão conspícuo determinaram a expressão” (Ellicott, in loc.). O copioso orvalho do Hermom foi associado ao óleo copioso da unção (vs. 2).
Yahweh decretou suas bênçãos sobre Jerusalém, e essa bênção era especialmente a vida para sempre. Vida longa e prosperidade material e espiritual eram os ideais dos hebreus, e a guarda da lei era declarada como produtora desse tipo de vida (Deu. 4.1; 5.33; 6.2; Eze. 20.1). Mas isso só se tornaria realidade se Jerusalém contasse com uma comunidade de irmãos que vivessem em harmonia. Caso contrário, essa bênção poderia falhar. A contenção sempre faz a bênção divina fracassar.
Este versículo tem sido cristianizado para falar sobre as bênçãos que Cristo traz por meio de Seu evangelho e através de Sua Igreja. Ver II Cor. 13.11. Mas o amor é necessário para que isso se torne uma realidade prática. Dessa maneira, as palavras “para sempre” são aplicáveis à vida eterna.
Em Cristo não há nem Oriente nem Ocidente,
Nele não há nem Norte nem Sul,
Mas há somente uma grande comunidade de amor,
Que se espalha por toda a larga terra. (John Oxenham)
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2479-2480.
133.1 irmãos. Todos aqueles cuja linhagem pode ser traçada a Abraão, Isaque e Jacó. união. A união nacional pode estar na superfície, mas o alicerce tem de ser a união espiritual. Essa deveria ser a ênfase, aqui, pois esses cânticos eram entoados pelos peregrinos judeus que viajavam para as três grandes festas.
133.2 óleo... sobre. Provavelmente, refere-se à unção de Arão como sumo sacerdote da nação ícf. £x 29.7; 30.30), o que demonstraria alta prioridade para as ricas bênçãos espirituais.
133.3 o orvalho do Hermom. O monte Hermom, uma elevação de 2.800 mt no extremo norte da Palestina, era responsável pela maior parte do volume de água do rio Jordão por causa de sua neve derretida. Essa expressão pode estar se referindo ao suprimento de água ao Jordão ou, de modo figurado, ao habitual orvalho do Hermom sendo hipoteticamente transportado para Sião. De qualquer maneira, a expressão apresenta uma nova bênção material como prioridade secundária. Ali. Parece referir-se a Sião. a vida para sempre. Cf. Sl 21.4-6.
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 783-784.
2. Santifica e protege a família.
1. O mal é mantido à distância. Em todos os tempos, o alvo principal do adversário tem sido a família. E nos dias atuais, os ataques ao lar têm sido incrementados de forma terrível. Pais aborrecendo filhos, filhos aborrecendo pais; esposos que rejeitam as esposas e vice-versa. Separações, divórcio; drogas, prostituição, fornicação, homossexualismo, e tantos outros males, são demonstração de que a família está sendo atacada sem tréguas pelas “hostes espirituais da maldade”. Diz Pedro: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8).
Mas, se a família unir-se, em seu lar, em adoração a Deus, buscando o seu poder, diz a palavra de Deus: “Então, temerão o nome do Senhor desde o poente e a sua glória, desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira” (Is 59.19). Os perigos que rondam o lar são muitos. E podem estar dentro da própria casa. A TV secular e internet são ferramentas que podem ser usadas pelo maligno para destruir a fé, a moral e os bons costumes. Mas com Cristo no lar, a vitória é certa.
2. A Palavra de Deus é valorizada. Mesmo em pequenas doses de leitura diária, a cada dia, ela vai realizando seu papel transformador nas mentes dos pais e dos filhos. Seu poder é extraordinário. E mais forte e mais eficaz do que qualquer filosofia, do que o materialismo destruidor da fé. Diz Hebreus: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12). Os efeitos benéficos da palavra de Deus alcançam todo o ser, alma e espírito, e até a parte física, “juntas e medulas”. Por isso, Deus ordenou o cuidado com a ministração da palavra, todos os dias, sistematicamente, ao povo de Israel: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 11.18,19). No culto doméstico, após a leitura da Bíblia, os pais devem aproveitar para ensinar a palavra de Deus, “falando delas assentado em tua casa” e em todas as ocasiões propícias.
“A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa” (SI 128.3).
Este versículo representa bem a cena da família reunida em volta da mesa, para as refeições e para o culto no lar. No Novo Testamento, há recomendação de igual modo solene: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4). Todo esse esforço é infinitamente melhor do que deixar os filhos entregues à TV (“a babá eletrônica”), ou à internet (“a professora virtual”). A leitura de toda a Bíblia é um aprendizado inestimável para a vida espiritual da família.
3. A família louva a Deus. “Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do Senhor faz proezas” (SI 118.15). E gratificante e profundamente saudável a adoração em família. Pais e filhos, cantando alegremente, no lar, provocam uma atmosfera espiritual de grande valor, perante Deus.
Podemos estar certos de que o Senhor se volta para ouvir o louvor que sobe de corações reverentes, na reunião familiar. Que sejam desligados os iPods, os smartphones, e outros dispositivos eletrônicos, que tocam músicas profanas, que desonram o “templo do Espírito Santo”, que é nosso corpo (1 Co 6.19,20). E se abram os lábios dos servos de Deus em louvor e adoração ao Senhor. Os louvores sobem, e as bênçãos caem sobre a casa dos honram e glorificam a Deus em seu lar.
4. Toda a família servindo ao Senhor. Josué, sucessor de Moisés, na condução do povo de Israel a Canaã, reuniu-os e disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). O povo estava desobedecendo a Deus, e Josué propôs-lhe uma tomada de decisão. Se quisessem servir aos deuses estranhos, na verdade demônios, que servissem. Mas ele e sua família haveriam de servir ao Senhor, o Deus verdadeiro. Nos dias presentes, essa tomada de posição faz-se mais necessária. Os “deuses” da pós-modernidade estão nas escolas; o materialismo avassala as mentes, na mídia, na educação, na cultura, na economia, no lazer, em toda a parte. Se a família não se unir em torno do Senhor Jesus, não haverá esperança. Mas se os pais com os filhos unirem-se no altar da adoração a Deus em seu lar, toda a família servirá ao Senhor. “... serás salvo, tu e tua casa” (At 16.31). Vale a pena o esforço para a realização do culto doméstico. Levanta barreiras espirituais contra as forças do mal, e fortalece a vida espiritual de todos no lar.
LIMA. Elinaldo Renovato de. A família cristã e os ataques do inimigo. Editora CPAD. pag. 124-127.
Ef. 6.16 - Tomando sobretudo o escudo da fé. Sobretudo pode significar que o escudo deve ser usado contra tudo, mas também que ele deve proteger toda a armadura. Normalmente, o escudo de um soldado romano media cerca de 80 cm por 120 cm. O escudo do cristão oferece proteção contra todos os dardos inflamados do maligno. As flechas com fogo não podiam atravessar o escudo do soldado da Roma antiga, nem os ataques de Satanás podem penetrar o coração e a mente do cristão que deposita sua fé em Deus.
Ef. 6.17 - O capacete da salvação. O capacete romano de modelo complexo protegia a cabeça do soldado e também o fazia parecer mais alto e imponente. A espada do Espírito é arma de defesa e de ataque para o cristão. E a Palavra específica que precisamos desembainhar numa determinada situação para combater um golpe desferido contra nós e desarmar nosso oponente, fazendo-a penetrar nele. Para ter a Palavra precisa à mão, o cristão deve conhecer intimamente toda a Bíblia e saber manejá-la, usá-la bem.
Ef. 6.18-20 - Paulo, um homem de oração (Ef 1.15-23; 3.14-21), termina esta grande seção de sua carta para os cristãos de Éfeso com uma exortação para que se dediquem à oração.
Ef. 6.18 - Sem a oração, toda a armadura seria inútil para os filhos de Deus. As orações gerais e as petições específicas no Espírito devem ser feitas por todos os cristãos e em todas as ocasiões, o que significa que eles devem manter-se orando em todo tempo. Eles devem lembrar-se ainda de que, além das orações, perseverança e paciência são essenciais.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 515.
Ef. 6.16 o escudo da fé. Essa palavra grega geralmente diz respeito a um grande escudo (0,75 x 1,35 m), o qual protegia todo o corpo. A fé à qual Paulo se refere não é o corpo da doutrina cristã (como o termo é utilizado em 4.13), e sim a confiança básica em Deus. A confiança contínua do cristão na Palavra e na promessa de Deus é absolutamente necessária "sobre todas as coisas" para protegê-lo das tentações de toda sorte de pecado. Todo pecado vem quando a vítima acredita nas mentiras e nas promessas de prazer de Satanás, e rejeita a escolha melhor da obediência e bênção, dardos inflamados. As tentações são comparadas a flechas flamejantes atiradas pelo inimigo e apagadas pelo escudo de couro tratado com óleo (cf. SI 18.30; Pv 30.5-6; 11o 5.4).
Ef. 6.17 o capacete da salvação. O capacete protegia a cabeça, sempre o principal alvo durante a batalha. Paulo está falando para aqueles que já são salvos, e, portanto; não está falando aqui a respeito de obter a salvação. Ao contrário, Satanás busca destruir a certeza da salvação do cristão com suas armas da dúvida e do desencorajamento. Isso está claro na referência de Paulo ao "capacete da salvação" (Is 59.17; veja nota em ITs 5.8). Porém, apesar dos sentimentos do cristão quanto à sua salvação poderem ser seriamente prejudicados pela dúvida lançada por Satanás, a sua salvação em si está protegida eternamente e ele não deve temer perdê-la. Satanás quer amaldiçoar o cristão com dúvidas, porém o cristão pode permanecer firme nas promessas de Deus a respeito da salvação eterna na Escritura (veja Jo 6.37-39; 10.28-29; Rm 5.10; 0.31-39; Fp 1.6; 1Pe 1.3-5). A segurança é um fato; a certeza é um sentimento que sobrevêm ao cristão obediente (IPe 1.3-10).
a espada do Espírito. Assim como a espada era a única arma do soldado, da mesma maneira a Palavra de Deus é a única arma necessária, infinitamente mais poderosa do que qualquer arma de Satanás. O termo grego diz respeito a uma arma pequena (15-46 cm de comprimento). Ela era usada tanto defensivamente, para se defender dos ataques de Satanás, quanto ofensivamente, para ajudar a destruir as estratégias do inimigo. É a verdade da Escritura.
Ef. 6.18 Esse versículo introduz o caráter geral da vida de oração de um cristão: 1) "toda oração e súplica" concentra-se na variedade: 2) "em todo o tempo" concentra-se na frequência (cf. Rm 12.12: Fp 4.6; 1Ts 5.17); 3) "no Espírito" concentra-se na submissão, à medida que nos ajustamos à vontade de Deus (cí. Rm 8.26-27); 4) "vigiando" concentra-se no modo (cí. Mt 26.41; Mc 13.35); 5) "toda perseverança," concentra-se na persistência (cf. Lc 11.9; 18.7-8); e 6) "todos os santos" concentra-se nos alvos (cf. 1 Sm 12.23).
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 1612.
3. Torna a família piedosa.
Ex. 12.14 — E este dia vos será por memória. Dali em diante, este dia seria um memorial [hb. zikrown]. Esta palavra é similar àquela usada para descrever Deus em Êxodo 3.15: este é meu nome eternamente, e assim serei lembrado [hb. zeker, memória, memorial] de geração em geração.
E celebrá-lo-eis por festa ao Senhor. Alguns dos deveres religiosos são lúgubres e pedem jejum. A Páscoa, entretanto, é uma festa, uma celebração.
Nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. O termo traduzido como perpétuo [hb. ‘owlam, ou ‘olam, longa duração, eternamente] aqui também foi usado para adjetivar o nome de Deus (Êx 3.15); literalmente, significa em memória eterna, no sentido do tempo que não se acaba (SI 90.2).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 145-146.
Ex. 12.14Este dia vos será por memorial. Os israelitas nunca deveriam olvidar-se do dia de seu livramento nacional. Deus fez a distinção entre o crente e o incrédulo, e isso é refletido na festa da páscoa, sobre a qual ofereço um artigo detalhado no Dicionário. Ver também ali o artigo geral intitulado Festas (Festividades) Judaicas. A festa dos pães asmos (vss. 15-20) acabou associada à páscoa, como se fosse uma só celebração, junto com a dedicação dos primogênitos (Êxo. 13.2). Ver a introdução a esta seção (no vs. 1), quanto a uma descrição sobre essa união de festas. Outras ordenanças permanentes também faziam parte da legislação dos hebreus. Ver Êxo. 27.21; 28.43; 29.9; 30.21; Lev. 16.29,31,34; 23.14,21,41. A festa de sete dias dos pães asmos era uma espécie de continuação natural da páscoa, que era festa de um único dia, ainda que, provavelmente, fosse uma celebração separada. A páscoa dos hebreus prossegue, em um senti- do espiritual, na Ceia do Senhor dos cristãos (I Cor. 5.7,8). Essa associação fez a festa perpétua dos hebreus tornar-se a eterna festa cristã.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 350.
Êx. 12.14 por memorial. Os detalhes sobre como essa festa da Páscoa deveria ser lembrada nos anos futuros foram dados (vs. 14-20) e, então, repetidos para os anciãos (vs. 21-27). A prescrição de comer pães asmos durante sete dias, a exigência de tirar todo fermento das casas (v. 15), a firme recomendação de não se comer qualquer coisa levedada (v. 15) e o fato de iniciar c terminar o período de sete dias por dois dias especiais (v. 16), serviu para sublinhar a grande importância de a nação relembrar esse acontecimento.
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 105.
118.15
Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação. Havia, nas tendas de Israel, cânticos de triunfo e alegria, o que sugere a celebração de uma vitória militar. Vozes eram elevadas em regozijo. A Revised Standard Version tem aqui uma vivida tradução: “Ouvi, jubilosos cânticos de vitória nas tendas dos justos". Tinham ocorrido muitos atos heroicos no campo de batalha, o que garantira a vitória contra inimigos mais numerosos, porquanto o exército de Israel lutava contra uma grande coligação de povos (vs. 10). Diz o hebraico, literalmente: “O som de gritos e de salvação”. Poderia estar havendo amargas lamentações, mas Yahweh garantira a vitória e a alegria.
A alegria era a principal característica da festa dos Tabernáculos, pelo que as palavras desta passagem, a começar por este vs. 15, são boas para expressar isso. Ver no Dicionário os verbetes chamados Tabernáculos, Festa dos e Festas (Festividades) Judaicas, ll.4,c, quanto a detalhes que podem ser usados para ilustrar este texto.
A destra do Senhor. Temos aqui o símbolo do poder. Ver sobre mão direita em Sal. 20.6, e sobre mão em Sal. 81.14. Além disso, ver sobre braço em Sal. 77.15; 89.10; 98.1. Essas partes do corpo são instrumentos de ação, meios de aplicação de poder, ou seja, metáforas para indicar o poder divino. O vs. 16 prossegue a fim de repetir a figura da mão direita por duas vezes, pelo que a metáfora é usada por três vezes.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2429.
ELABORADO: Pb. Alessandro Silva.

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