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10° LIÇÃO 4 TRI 2013 CUMPRINDO AS OBRIGAÇÕES DIANTE DE DEUS

CUMPRINDO AS OBRIGAÇÕES DIANTE DE DEUS
Data 8 de Dezembro de 2013 Dia da Bíblia HINOS SUGERIDOS 15, 300, 547.
TEXTO ÁUREO
“Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de todos; o que votares, paga-o” (Ec 5.4).

VERDADE PRATICA
A nossa vida de adoração somente será verdadeira quando nos conscientizarmos dos nossos direitos e deveres diante de Deus.
LEITURA DIÁRIA
Segunda       - Ec 5.8                    Obrigações de natureza política
Terça             - Ec 5.1                   Obrigações de natureza espiritual
Quarta           - Ec 5.2ª                  Reverência a Deus
Quinta           - 1 Sm 1 5.22           Obediência a Deus
Sexta             - Ec 5.2b                 A transcendência
Sábado          - Ec 5.4; 2Co 6.16  A imanência de Deus
LEÍTURA BÍBLICA EM CLASSE
Eclesiastes 5.1-5
1 - Guarda o teu pé, quando entrares na Casa de Deus; e inclina-te mais a ouvir do que a oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.
2 - Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; pelo que sejam poucas as tuas palavras.
3 - Porque da muita ocupação vêm os sonhos, e a voz do tolo, da multidão das palavras.
4 - Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o.
5 - Melhor é que não votes do que votes e não pagues.
INTERAÇÃO
Em todas as esferas da vida temos responsabilidades. É na família, no trabalho, na faculdade, nas amizades, enfim; em todos os lugares onde nos relacionamos está o nosso senso de responsabilidade. Com as coisas de Deus não é diferente. Ora, o Senhor nosso Deus é Santo, Amoroso e Misericordioso. Por isso, devemos nos empenhar no compromisso de imitá-Lo, servindo-O de toda mente e coração. A vida com Deus é para ser levada a sério e devemos vivê-la até as últimas consequências. Quando o amor do Pai inunda-nos à alma, não temos dúvida do quanto podemos fazer para Ele e ao próximo que está em torno de nós.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conceituar as obrigações de natureza político-social e religiosa.
Explicar as obrigações ante a santidade de Deus (reverência e obediência).
Compreender as obrigações frente a transcendência e a imanência de Deus.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, para introduzir o terceiro e o quarto tópicos que tratam sobre a Transcendência e a Imanência, sugerimos que você reproduza o quadro da página seguinte. Analise com a classe as definições de “transcendência” e “imanência”. Em seguida, explique a relação entre esses atributos. Afirme que o nosso Deus, apesar de ser distinto da sua criação, está presente no mundo. Essa atividade objetiva reforçar a assimilação dos conceitos teológicos v pelos alunos. Boa aula!
PALAVRAS-CHAVE Obrigação: Ação de obrigar; fato de estar obrigado a fazer uma ação.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Na lição anterior, vimos que o pregador tratou sobre as coisas que acontecem “debaixo do sol” (Ec 1—4). Ele demonstrou que o conhecimento sem o temor de Deus não é sabedoria, mas loucura. Demonstrou ainda que a busca desenfreada pelo prazer é correr “atrás do vento” e que a aquisição de bens materiais não pode fazer de nós pessoas felizes. E, por último, ensinou que o trabalho, sem a visão objetiva de Deus transforma-se em mero ativismo.
A partir do capítulo .cinco, porém, Salomão versa sobre o estilo de vida do adorador consciente dos seus direitos e obrigações diante de Deus. Esse assunto é o que, à luz dos atributos divinos revelados nas Escrituras Sagradas — santidade, transcendência e imanência —, buscaremos compreender. Nesta lição, veremos que as nossas obrigações não se limitam ao “mundo eclesiástico- -religioso”, mas também ao universo que Deus criou.
I - OBRIGAÇÕES E DEVOÇÃO
1. Obrigações natureza político-social. Há um ditado popular que diz: ‘‘Primeiro a obrigação, depois a devoção”. Aqui, há um dualismo que separa a obrigação (vida social) da devoção (vida espiritual), como se ambas fossem duas dimensões distintas. Tal máxima não é bíblica, pois o livro de Eclesiastes denota uma perspectiva completamente oposta (Ec 8.2). As Escrituras orientam- -nos a priorizar o Reino de Deus sem perder de vista a dimensão material em que estamos inseridos (Mt 6.33; 22.21).
Vivemos em um mundo em que há autoridades constituídas e onde, consequentemente, direitos e deveres são estabelecidos. Somos cidadãos e possuímos direitos e deveres para com o Estado. Pagamos os impostos, podemos votar e receber votos. Enfim, não podemos eximir-nos das nossas obrigações para com a nação. A nossa consciência cívica deve ter como base a Bíblia Sagrada.
2. Obrigações de natureza religiosa. Além da nossa obrigação político-social, de natureza cível, há também a de natureza religiosa ou espiritual. Elas acontecem na dimensão do culto, da adoração.
A palavra hebraica shachar mantém o sentido de “prostrar-se com deferência diante de um superior” (Gn 22.5; Êx 20.5). É com esse entendimento que Salomão fala da casa de Deus como o local de adoração (Ec 5.1). Construtor do grande templo, ele sabia que essa casa tinha como objetivos centralizar o culto, a fim de assegurar os elementos mais sublimes de sua liturgia: a adoração verdadeira a Deus e a unidade dos adoradores num único povo.
As obrigações do crente são de natureza político-social e de ordem religiosa.
SINOPSE DO TÓPICO (1)
As obrigações do crente são de natureza político-social e de ordem religiosa.
II - OBRIGAÇÕES ANTE A SANTIDADE DE DEUS
1. Reverência. Todo culto tem uma liturgia, e não há nada de errado nisso. A palavra liturgia está associada ao culto da Igreja Primitiva. Quando em Antioquia houve uma escolha e separação de obreiros para a obra missionária (At 13.2), Lucas registra o fato utilizando a palavra grega leitourgeo para designar serviço, e dessa palavra vem o vocábulo português liturgia. Esta também faz parte da adoração a Deus.
Salomão sabia disso e advertiu- -nos quanto ao cuidado que devemos ter quando entrarmos na casa de Deus (Ec 5.1). Desligue o celular, não masque chiclete, seja reverente! Seja um verdadeiro adorador!
2. Obediência. Obedecer a um conjunto de normas e regras sem atentar para os princípios que o fundamentam é puro legalismo. Não vale a pena observar o preceito sem atentar para o princípio existente por trás dele. O livro de Eclesiastes demonstra isso com clareza (Ec 5.1), pois Deus não se interessa na observância do sacrifício em si, e sim na obediência aos princípios que regulamentam a sua prática. Foi exatamente isso que o profeta Samuel ensinou a Saul (1 Sm 1 5.22).
SINOPSE DO TÓPICO (2)
A santidade de Deus impulsiona o crente a viver reverente e obedientemente.
III - OBRIGAÇÕES FRENTE À TRANSCENDÊNCIA DE DEUS
1. Deus, o criador. Todas as religiões possuem a noção do sagrado e demonstram respeito por ele. No cristianismo, como no judaísmo, a consciência do sagrado revela-se na manifestação do Deus verdadeiro, que ao longo da história deu-se a conhecer ao homem. O Deus Criador se distingue da própria criação (Dt 4.15-20). A teologia bíblica denomina essa doutrina de “a transcendência de Deus”. Deus está além de suas criaturas, como afirma o Eclesiastes: “Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra” (Ec 5.2b). Ele pode humanizar-se, como já o fez Jo 1.14), mas o homem não pode tornar-se divino. Quem procurou ser igual a Deus foi expulso do céu (Ez 28.1,2; Is 1 4.1 2-1 5).
2. Homem, a criatura. O homem foi criado por Deus como a coroa da criação. Ele não surgiu do acaso nem de uma mistura acidental de elementos naturais. E a nós Deus se revelou, manifestou seus atributos, vontades e apesar de estarmos condenados à morte eterna, Deus proporcionou em Jesus Cristo a salvação que nos era necessária para que passássemos a eternidade futura com o nosso Criador e Redentor.
SINOPSE DO TÓPICO (3)
A transcendência divina revela-nos que o nosso Deus é o Criador; o homem, criatura.
IV - OBRIGAÇÕES DIANTE DA IMANÊNCIA DE DEUS
1. Deus está próximo. O atributo da imanência divina revela-nos um Deus que se relaciona com a sua criação. Isto significa que o Pai Celeste não é um Deus distante que, após criar o mundo, ausentou-se dele! Pelo contrário, Ele é um Deus presente, participa da sua criação e nela intervém.
O capítulo cinco de Eclesiastes narra Salomão falando do culto a Deus e como o Senhor identifica- -se com o homem que lhe oferece adoração, seja aprovando-o ou reprovando-o (Ec 5.4b). Essa mesma verdade é confirmada em o Novo Testamento (2 Co 6.16). A proximidade de Deus com o homem deve fazer-nos melhores crentes e pessoas.
2. O valor das orações e votos. Deus não apenas se faz presente, mas também prometeu abençoar os seus filhos, atendendo nossas orações e súplicas. Isso acontecerá quando orarmos de acordo com sua vontade (Jr 29.1 2,1 3; Jo 1 4.1 3,1 4).
Cientes dessa verdade, os judeus não somente oravam a Deus, como também se empenhavam com votos (Nm 30.3-1 6; Dt 23.21-23). Não há dúvidas de que o livro de Eclesiastes tem em mente essas passagens bíblicas, quando adverte sobre a seriedade do voto (Ec 5.4). Em o Novo Testamento, não encontramos um preceito específico concernente a essa prática, mas o seu princípio permanece válido, pois o cumprimento de um voto, ou de um propósito diante de Deus, é algo que ultrapassa gerações.
SINOPSE DO TÓPICO (4)
A imanência divina revela-nos que Deus está próximo e ouve as nossas orações.
CONCLUSÃO
Nesta lição, abordamos as palavras de Salomão no contexto da adoração bíblica. Conscientizamo-nos de que não há adoração verdadeira que não leve em conta as obrigações diante de Deus e dos homens. Se quisermos viver uma vida espiritual plena devemos ter em mente as implicações que a acompanham. De nada adianta termos templos suntuosos, pregadores eloquentes e cantores famosos se não estamos cumprindo as obrigações que uma verdadeira adoração requer.
BREVE EXPLICAÇÃO PARA TRANSCENDÊNCIA E A IMANÊNCIA
TRANSCENDÊNCIA
[Do lat. transcendentia] O que ultrapassa o conhecimento comum, e vai além da experiência meramente humana. A transcendência é um dos atributos naturais de Deus.
IMANÊNCIA
[Do lat. immanentia] Qualidade do que está em si mesmo, não transita a outrem. É o oposto de transcendência. Embora seja Deus transcendente, não se encontra à parte de sua criação; acha-se presente nesta através dos atributos de sua imanência: onipresença, onisciência e onipotência; e por intermédio de seus atributos morais.
A imanência corrobora com a intervenção divina na criação. Seres humanos, a natureza e tudo o que há no mundo pertencem ao nosso Deus. Entretanto, a Sua transcendência não permite que Ele mesmo se confunda com sua criação. O nosso Pai não é a natureza; não é o homem; nem, muito menos, o animal. O nosso Deus é o Criador de tudo! E Ele \se relaciona com a sua criação.
Texto adaptado do Dicionário Teológico, editado pela CPAD.
VOCABULÁRIO
Ativismo: Trabalho desenvolvido em meios revolucionários, políticos, estudantis, sindicais; militância.
Dualismo: Princípio comum a diversas religiões e seitas que professam a coexistência irredutível do corpo e do espírito, do bem e do mal.
Legalismo: Tendência a se reduzir a fé cristã aos aspectos puramente materiais e formais das observâncias práticas e obrigações eclesiásticas.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO
Subsídio Vida Cristã “Adoração centrada em Deus
A adoração centrada em Deus começa com o foco na tremenda revelação de Deus. Este Deus das Santas Escrituras é o Onipotente (Todo-Poderoso) Criador, que falou e tudo veio a existir! Este é Deus, que é Onipresente (presente em todos os lugares), acima de tudo, abaixo de tudo, mas não contido em nada. Deus é Onisciente (sabe tudo), chegando até a enumerar os cabelos de nossa cabeça. Ele conhece nossos pensamentos antes que venham a existir ou tornar-se conhecidos. Deus é santo e habita na luz inacessível de sua própria glória.
Quando nos reunimos para cultuá-lo em adoração, devemos conscientemente começar com esta grande imagem de Deus diante de nós e nos perguntar: Como devemos conduzir nossa vida a cada dia e moldar nossa reunião para glorificar a este Deus? Isto é muito importante para esta presente geração, porque manter em mente esta visão bíblica de Deus enquanto adoramos nos ajuda a evitar a idolatria. Não cometa o erro de pensar que você não é culpado de idolatria, simplesmente porque não se curva diante de ídolos. Somos culpados de idolatria toda vez que pensamos em Deus de forma diferente do que a Bíblia o retrata” (HUGUES, Barbara. Disciplinas da Mulher Cristã. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.56-57).
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
Bíblia de Estudo em Defesa da Fé: Questões reais, respostas precisas, fé solidificada. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. l. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
EXERCÍCIOS
1. O que as Escrituras orientam- -nos em relação ao Reino de Deus e acerca da dimensão material?
R: As Escrituras orientam-nos a priorizar o Reino de Deus sem perder de vista a dimensão material em que estamos inseridos.
2. O que significa a palavra “liturgia’?
R: Serviço.
3. Como a consciência do sagrado revelou-se ao homem?
R: Revelou-se na manifestação do Deus verdadeiro, que ao longo da história deu-se a conhecer ao homem.
4. O que o atributo da imanência divina revela-nos?
R: Um Deus que se relaciona com a sua criação.
5. Você tem verdadeiramente cultuado a Deus?
R: Resposta pessoal.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n°56, p.41.
Cumprindo as Obrigações Diante de Deus
O capítulo 5 de Eclesiastes é uma série de conselhos práticos, onde Salomão inicia falando a respeito da vida religiosa e da reverência que é devida na Casa de Deus (Ec 5.1). Os israelitas, desde a infância eram ensinados a reverenciarem o sábado como dia santo e o santuário do Senhor (Lv 19.30; 26.2). Será que nossos filhos sabem da importância de se adorar ao Senhor no seu templo?
A língua grega dispõe de duas palavras para culto: latreia e proskuneo. A primeira significa adoração e a segunda reverenciar. Cultuara Deus é adorá-lo. É reconhecer que Ele é único e digno de receber toda a honra, glória e louvores. Muitos confundem cultuar a Deus com ir à igreja. Às vezes os crentes até vão à igreja, mas não louvam e adoram ao Senhor. Deus busca aqueles que o adoram em espírito e em verdade (Jo 4.24).
Os israelitas não tinham a liberdade que nós temos hoje. Na Antiga Aliança para se apresentar diante de Deus era necessário sacrifícios e a intervenção de um sacerdote. Atualmente não mais precisamos disso, pois a morte e a ressurreição de Jesus nos garante livre acesso à presença do Pai. Todavia, é preciso respeito. O poeta Alemão Goethe declarou: "A alma da religião cristã é a reverência". Certa vez, Jesus entrou no Templo e ficou indignado com a falta de reverência das pessoas. O louvor e a adoração haviam sido substituídos pelo comércio (Mt 21.12). O que se ouvia ali não eram aleluias e glórias ao Todo-Poderoso, mas o grito dos cambistas e dos que comercializavam os pombinhos que eram utilizados nos sacrifícios. O Mestre ficou indignado! Jesus colocou toda aquela "turma" no seu devido lugar. O louvor, a adoração e a oração estavam sendo substituídos.
Hoje temos livre acesso a Deus, não precisamos realizar todo o ritual litúrgico do culto levítico, porém não significa que em nossos cultos não devemos seguir uma liturgia santa, bíblica. Paulo ao ensinar a respeito do culto diz que tudo deve ser feito para a edificação: "Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação" (1 Co 14.26).
Para muitos israelitas a ida até Jerusalém, onde estava o Templo, não era somente uma obrigação religiosa. Certamente eles iam ao Templo para celebrar as festas sagradas com o coração alegre. Observe o que nós diz o salmista: "Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor!" (SI 122.1). Vamos à Casa do Senhor não por uma obrigação religiosa, mas porque o amamos.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nos capítulos 1—4 do livro de Eclesiastes, Salomão já havia tratado praticamente de tudo aquilo que acontece “debaixo do sol”. Ele mostrou que o conhecimento sem o temor de Deus não é sabedoria, mas estultice. Da mesma forma ele mostra que a busca pelo prazer e lazer pode ser simplesmente correr “atrás do vento”, se não tiverem como fim último a adoração a Deus. Dentro ainda dessa perspectiva, a aquisição de muitos bens ou posses pode transformar um pobre em um rico, mas não em alguém próspero. Por último ele mostrou que o trabalho sem a visão de Deus como fim último é mero ativismo.
Agora Salomão, no capítulo 5 de Eclesiastes, irá falar sobre a adoração em um contexto em que se contrastam a obrigação e a devoção. Como devotos temos direitos, mas também possuímos deveres. E essas obrigações não se limitarão apenas ao mundo religioso, mas também ao universo político-social. Eclesiastes mostrará que essas obrigações serão melhores compreendidas quando vistas à luz dos os atributos de Deus, tais como: Santidade, transcendência e imanência.
Neste capítulo darei maior destaque a uma prática que é muito comum entre os pentecostais — a prática de se fazer um “voto” ou propósito em prol de determinada causa. Fiz isso também porque esse parece ser o assunto que recebe maior destaque por parte de Salomão em Eclesiastes 5.1-6.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 115-116.
OBRIGAÇÃO
Essa palavra portuguesa vem do latim, obligare, que é formado por oh, «para», e ligare, «ligar». A palavra «religião» também está alicerçada sobre essa palavra latina, derivada de religo, «amarrar apertado », ou, mais literalmente, «amarrar atrás». Assim, a religião é aquilo que amarra ou prende a consciência. Obrigação é um termo ético que indica que existem certos deveres que o individuo precisa cumprir.
Dentro da ética, a teoria da obrigação se chama deontologia (vide), que vem do grego, deon, «obrigação», «necessário•. Ver os artigos gerais sobre Obediência e Dever. As obrigações nós as devemos a Deus, à comunidade dos homens, e a nós mesmos. Há obrigações absolutas e divinas, embora também as haja de natureza pragmática.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 4. Editora Hagnos. pag. 572.
As Riquezas para Nada Servem (5.1-20)
Votos Precipitados Anulam os Frutos do Labor (5.1-7)
Um homem sábio mostrar-se-á cauteloso quanto às práticas religiosas e devoções. Terá cuidado em realizar votos, mas também será cuidadoso em não fazer votos insensatos que o prejudiquem.
"Eclesiastes 5.1-7. Estes versículos são frequentemente interpretados como um interlúdio no argumento de Salomão. São geralmente compreendidos como um trecho que fornece conselhos sobre a adoração, incluindo a atitude de adoração apropriada (vs. 1): a prática apropriada da oração (vss. 2 e 3); e o pagamento apropriado dos votos (vss. 4-7). Na realidade, entretanto, fazem parte importante do argumento de Salomão, advertindo contra seguir votos precipitados, o que leva uma pessoa a perder os frutos de seu trabalho, quando Deus destrói o trabalho de suas mãos (vs. 6). Foi assim que Salomão advertiu contra a insensatez dos votos precipitados que ele chamou de ‘sacrifícios de tolos' (vs. 1). Ele advertiu contra proferir um voto precipitado e mal considerado para com o Senhor. ‘Não sejas precipitado com a tua boca. Não te apresses em teu coração' (vs. 2)” (Donald R. Glenn. in Ioc). Ver no Dicionário o verbete chamado Votos, e também sobre o campeão dos votos maus. Jefté. em Jui. 11.1-12.7.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2718.
Salomão, neste capítulo, discursa: I. A respeito da adoração a Deus, receitando-a como um remédio contra todas aquelas vaidades que ele já tinha observado estar na sabedoria, aprendizado, prazer, honra, poder e trabalho. Para que nós possamos não ser enganados por estas coisas, nem ter nossos espíritos afligidos com as decepções que encontramos nelas, vamos ter consciência de nossas obrigações para com Deus e manter nossa comunhão com Ele; mas, além disso, ele dá uma advertência necessária contra as vaidades que são também frequentemente encontradas nos exercícios religiosos, as quais os privam de sua excelência, tornando-os incapazes de evitar outras vaidades.
Se a nossa religião é uma religião vaidosa, quão grande é essa vaidade! Vamos, portanto, prestar atenção à vaidade: 1. Ouvindo a palavra e oferecendo sacrifício, v. 1. 2. Em oração, w. 2,3. 3. Fazendo votos, w. 4-6. 4. Fingindo ter sonhos divinos, v. 7. Agora: (1) Como remédio contra aquelas vaidades, ele receita o temor a Deus, v. 7. (2) Para evitar a ofensa que pode surgir do sofrimento presente das pessoas boas, ele nos direciona a voltar os olhos para Deus, v. 8. II. A respeito das riquezas deste mundo e da vaidade e aflição que as atingem. Os frutos da terra são de fato necessários para o sustento da vida (v. 9), porém, da mesma maneira que a prata, o ouro e as riquezas: 1. Eles são insatisfatórios, v. 10. 2. Eles não têm proveito, v. 11. 3. Eles são inquietantes, v. 12. 4. Eles frequentemente provam ser cruéis e destruidores, v. 13. 5. Eles são perecíveis, v. 14. 6. Eles devem ser deixados para trás quando nós morremos, vv. 15,16. 7. Se nós não temos um coração para utilizá-los, eles causam grande inquietação, v. 17. E, portanto, ele nos recomenda o uso confortável do que Deus nos dá, com os olhos nele, que é o doador, como o melhor caminho tanto para responder ao fim de nossa posse disso quanto para prevenir as malícias que geralmente atingem as grandes propriedades, w. 18-20. Assim que, se nós pudermos aprender deste capítulo a administrar os negócios da religião e os negócios deste mundo (ambos os quais tomam uma boa parte do nosso tempo), de modo que ambos possam ter sucesso, e nem nossos sábados nem nossos dias da semana sejam perdidos, nós teremos motivo para dizer: Nós aprendemos duas boas lições.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 914-915.
I - OBRIGAÇÕES E DEVOÇÃO
1. Obrigações natureza político-social.
Há uma máxima que diz: “Primeiro a obrigação depois a devoção”. Esse dualismo, que separa obrigação da devoção como se fossem duas dimensões totalmente distintas não é bíblico. A Escritura orienta-nos a priorizarmos o Reino de Deus (Mt 6.33), mas sem perdermos de vista a dimensão material da qual fazemos parte (Mt 22.21). Neste aspecto a obrigação deve ocorrer no contexto da devoção e vice-versa.
Eclesiastes também mantém essa perspectiva — “Eu te digo: observa o mandamento do rei, e isso por causa do teu juramento feito a Deus”. (Ec 8.2). Há as autoridades constituídas, e como cidadãos, além de direitos, possuímos também deveres perante elas. São obrigações com as quais temos compromisso de cumprir. Por exemplo, precisamos pagar impostos (Rm 13.7), votar e ser votado, etc. Como cristãos não podemos nos eximir dessas obrigações ou deveres.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 116.
Ec 8.2 Eu te digo: Observa o mandamento do rei. A primeira regra de sobrevivência quando se serve a um rei perigoso, que pode ordenar a morte em um segundo, é observar estritamente o juramento de obediência feito a ele. Esse juramento é sagrado, porque ele obrigou a jurar pelo nome de Yahweh; se ele achar conveniente matar por causa de alguma infração, pode lançar a culpa sobre Yahweh. a quem se teria traído, visto que se traiu o rei. O juramento sagrado tem sido explicado como:
1. Um juramento feito a Deus de que a pessoa mostrar-se-ia totalmente leal e obediente ao rei.
2. Um juramento feito na presença de Deus, afirmando a fidelidade ao rei.
3. Um juramento feito ao rei como se ele fosse uma divindade: seu contexto é o Egito ou outras nações que divinizaram seus reis.
Provavelmente, a interpretação correta é a de número 2. O rei em Israel tradicionalmente era tido como representante de Deus, a quem o Senhor dava poder, sendo possível que até reis ímpios retivessem seu chamado “direito divino dos reis”.
Se você fez esse juramento sagrado, não se desanime (Revised Standard Version) se ele lhe ordenar ferir ou matar, ou confiscar a propriedade de um homem inocente ou outra tarefa difícil de qualquer espécie. Obedeça! Você não é pessoalmente responsável, não se preocupe com a moralidade: a moralidade consiste em obedecer ao rei. Você sobreviverá por mais tempo, se seguir essa regra.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2728.
É sábio obedecer ao rei (8.2-6). Eu digo: observa o mandamento do rei (2) antecipa a orientação de Paulo aos cristãos (Rm 13.1-5). O conselho é o mesmo ainda que as razões não sejam idênticas. E isso em consideração para com o juramento de Deus (2) provavelmente significa o juramento de lealdade de alguém ao rei (Barton), embora possa ter o significado que Paulo deu à responsabilidade em obedecer às autoridades civis em virtude da lealdade à vontade de Deus.
Os versículos 3 e 4 são um apelo simples fundamentado na autoridade nua e crua. Não te apresses a sair da presença dele (3) é interpretado como: “Não se rebele precipitadamente contra Ele” (Moffatt). Nem persistas em alguma coisa má talvez signifique: “Não brinque com coisas adversas, pois Ele faz o que quer” (Berkeley). O versículo 4 diz claramente: “Visto que é a palavra do rei que vale, quem pode dizer a Ele: ‘O que estás fazendo?’” (Berkeley). O autor fundamenta seu conselho ao nos lembrar que Quem guardar o mandamento não experimentará nenhum mal (5). Diante de circunstâncias impossíveis ou de uma autoridade irredutível, a pessoa faz bem em fazer concessões se não há questões morais envolvidas. É uma oração sábia aquela que diz: “Senhor, me ajuda a mudar o que pode ser mudado; me ensina a aceitar o que não pode ser mudado; e me dá a sabedoria para saber a diferença”.
Os versículos 5b e 6 oferecem mais uma razão para a obediência mesmo quando a exigência é injusta. “O coração sábio reconhece que está vindo um tempo de julgamento, ainda que hoje os homens sejam esmagados na miséria sob um governo opressor; para todos existe o tempo de julgamento” (Moffatt).
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 453.
A Excelência da Sabedoria. O Dever dos Súditos
Vv. 1-5 Aqui está:
I Um encómio da sabedoria (v. 1), isto é, da verdadeira piedade, guiada em todos os seus exercícios pela prudência e discrição. O homem sábio é o homem bom, que conhece a Deus e o glorifica, conhece a si mesmo e faz o bem para si mesmo; sua sabedoria é uma grande felicidade para ele, pois: 1. Isso o coloca acima dos seus vizinhos, e torna-o mais excelente do que eles: Quem é como o sábio? Note que a sabedoria celestial fará de um homem um homem incomparável. Nenhum homem, sem a graça, mesmo sendo estudado, ou nobre, ou rico, pode ser comparado com um homem que tem a verdadeira graça e é, por essa razão, aceito por Deus. 2. Isso o torna útil entre os seus vizinhos e muito prestativo a eles: Quem, senão o homem sábio, sabe a interpretação das coisas, isto é, entende as épocas e acontecimentos delas, e suas conjunturas críticas, assim como direcionar o que Israel deve fazer, 1 Crônicas 12.32. 3. Isso embeleza um homem aos olhos de seus amigos: Faz brilhar o seu rosto, como aconteceu com Moisés quando ele desceu do monte; isso coloca honra sobre um homem, e um brilho, sobre toda a sua conversação, faz com que ele seja considerado e notado, e lhe adquire respeito (como em Jó 29.7ss.); isso o torna agradável e amável, o querido e abençoado de seu país. A força do seu rosto, a acidez e severidade de seu semblante (assim alguns entendem a última cláusula), se muda e passa a ser doce e solícita. Até mesmo aqueles cujo temperamento natural é duro e mal-humorado são estranhamente alterados pela sabedoria; eles se tornam suaves e gentis, e aprendem a parecer agradáveis. 4. Isso encoraja um homem contra seus adversários, seus ataques e seu desprezo: A dureza do seu rosto é duplicada pela sabedoria; isso acrescentará muito à sua coragem em manter a sua integridade quando ele não somente tem uma causa honesta para defender, mas, por sua sabedoria, sabe como administrá-la e onde encontrar a interpretação das coisas. Ele não se envergonhará, mas falará com seu inimigo no portão.
II Um exemplo particular de sabedoria imposto sobre nós, e esse é sujeição à autoridade, e uma perseverança obediente e pacífica em nossa fidelidade ao governo que a Providência colocou sobre nós. Observe:
1. Como a obrigação dos súditos é descrita aqui. (1) Nós devemos ser observadores das leis. Em todas as coisas em que o poder civil é interposto, seja legislativo ou judicial, nós temos que nos submeter às suas ordens e constituições: Eu digo; isso pode muito bem ser substituído por: Eu te responsabilizo, não só como um príncipe, mas também como um pregador: ele pode fazer ambos. “Eu te recomendo isso como um conselho de sabedoria; eu digo, o que quer que eles digam e digam para mudar, observa o mandamento do rei; onde quer que o poder soberano esteja, sujeita-te a ele. Observe a boca de um rei” (assim é a frase); “diz conforme ele diz; faz conforme ele tenta fazer; que a sua palavra seja uma lei, ou, melhor ainda, que a lei seja a sua palavra.” Alguns entendem a cláusula seguinte como uma limitação de sua obediência: “Observa o mandamento do rei, contudo de modo a ter uma consideração para com o juramento de Deus, ou seja, de modo a manter uma boa consciência e não violar tuas obrigações para com Deus, que são prioritárias e superiores às tuas obrigações para com o rei. Dai a César o que é de César, mas de modo a reservar puro e inteiro para Deus o que é dele”. (2) Nós não devemos nos antecipar para encontrar falhas na administração pública, ou brigar com tudo o que não está de acordo com o que pensamos, nem desistir do nosso posto de serviço sob o governo, e jogá-lo para cima, após cada descontentamento (v. 3): “Não te apresses a sair da presença dele, quando ele se desagradar de ti (cap. 10.4), ou quando tu te desagradares dele; não caia em uma cólera, nem entretenhas suspeitas dele que te tentarão a renunciar à corte ou abandonar o reino”. Os súditos de Salomão, logo que a sua cabeça foi humilhada, contrariaram diretamente essa regra, quando estavam sob a resposta áspera que Roboão lhes havia dado, eles se apressaram a sair da presença dele, não tomariam tempo para segundos pensamentos, nem para admitir propostas de auxílio, mas clamaram: Para tuas tendas, ó Israel! “Pode ser que exista uma causa justa para saúda presença dele; porém, não te apresses em fazê-lo; aja com grande deliberação.” (3) Nós não devemos insistir em um erro quando isso nos é mostrado: “Não persistas em alguma coisa má, em qualquer ofensa pela qual tu fizeste teu príncipe te humilhar, e não te justifiques, pois isso transformará a ofensa em algo muito mais ofensivo. Em qualquer desígnio mau que tu tenhas, baseado em algum desagrado, concebido contra teu príncipe, não dês prosseguimento a ele; mas, se procedeste loucamente, elevando-te, e se imaginaste o mal, põe a mão na boca”, Provérbios 30.32. Note que, embora nós possamos ficar surpresos por sermos abatidos por algo ruim, contudo nós não devemos permanecer nisso, mas manter distância disso logo que parecer ser mau para nós. (4) Nós devemos prudentemente nos acomodar às nossas oportunidades, tanto para o nosso próprio alívio, se nós pensamos estar errados, quanto para a correção das queixas públicas: O coração do sábio discernirá o tempo e o modo (v. 5); é a sabedoria dos súditos, na sua dedicação aos seus príncipes, inquirir e considerar tanto em que estação quanto de que modo eles podem fazer isso da melhor maneira e de forma mais eficaz, pacificar sua raiva, obter seu favor, ou obter a revogação de qualquer medida dolorosa estipulada. Ester, ao lidar com Assuero, sofreu muito para discernir o tempo e o modo, e ela se apressou adequadamente. Isso pode ser tomado como uma regra geral de sabedoria, que cada coisa deve ser oportuna; e os nossos empreendimentos então provavelmente terão êxito, quando nós abraçarmos a exata oportunidade para eles.
2. Que argumentos são usados aqui para nos convencer a nos submeter aos poderes mais altos; eles são os mesmos que Paulo usa, Romanos 13.1ss. (1) Nós devemos, se for necessário, ser submissos, pelo bem da consciência, e esse é o princípio mais poderoso da subordinação. Nós devemos nos submeter por causa do juramento de Deus, o juramento de fidelidade que nós aceitamos para sermos fiéis ao governo, a aliança entre o rei e o povo, 2 Crônicas 23.16. Davi fez aliança, ou contrato, com os anciãos de Israel, embora ele fosse rei por um desígnio divino, 1 Crônicas 11.3. “Observa o mandamento do rei, pois ele jurou governar-te no temor de Deus, e tu juraste, nesse temor, ser fiel a ele.” E chamado de o juramento de Deus porque Ele é uma testemunha disso e vingará a sua violação. (2) Devido à fúria, por causa da espada que o príncipe traz e do poder que lhe é confiado, o que o torna formidável: Ele faz tudo o que quer, ele tem uma grande autoridade e uma grande capacidade para sustentar tal autoridade (v. 4): Porque a palavra do rei, dando ordens para prender um homem, tem poder; há muitos que executarão as suas ordens, o que torna a indignação do rei, ou governo supremo, como o bramido do leão e como mensageiros da morte. Quem lhe dirá: Que fazes? Aquele que o contradiz se arrisca. Os reis não tolerarão ter as suas ordens sob discussão, mas esperam que elas sejam obedecidas. Em resumo, é perigoso contender com a soberania, e muitos se arrependeram disso. Um súdito é um par desigual para um príncipe. Ele pode comandar-me, que tenho uma multidão sob comando.
(3) Pelo bem do nosso próprio conforto: Quem guardar o mandamento, e viver uma vida tranquila e pacífica, não experimentará nenhum mal, sobre o que o apóstolo responde (Rm 13.3): Queres tu, pois, não temer a autoridade do rei? Faze o bem, tornando-te um súdito obediente e leal, e terás ordinariamente louvor dela. Aquele que não praticar o mal não sofrerá o mal, e não precisa ter medo de nada.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 933-934.
6. “Buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (v. 33).
Aqui está um argumento duplo contra o pecado da preocupação excessiva: não ande preocupado com a sua vida, a vida do corpo; porque: (1) Você tem coisas maiores e melhores para cuidar, a vida da sua alma, a sua felicidade eterna; esta é a sua maior necessidade (Lc 10.42), aquilo em que você deve empregar os seus pensamentos, e que é comumente negligenciada naqueles corações em que predominam os cuidados deste mundo. Se fôssemos mais cuidadosos em agradar a Deus, e tratássemos da nossa própria salvação, deveríamos nos preocupar menos em agradar a nós mesmos, e em tratarmos daquilo que possuímos no mundo. A preocupação com a nossa alma é a cura mais eficaz para a preocupação com as coisas do mundo. (2) Você tem uma maneira mais segura, mais fácil e mais sucinta de obter as coisas necessárias a esta vida, do que oprimindo-se, preocupando-se, e queixando-se delas; e isto é buscando primeiro o Reino de Deus, e fazendo da vida coro Deus o seu assunto principal, Não diga que este é o modo mais fácil para morrer de fome. Não. Este é o modo de ser bem sustentado, mesmo neste mundo. Observe aqui:
[1] O grande dever exigido é a soma e a essência de toda a nossa obrigação: “Buscai primeiro o Reino de Deus” - “tenha a fé cristã como a sua grande e principal preocupação”. O nosso dever é buscar - desejar, procurar, e considerar cuidadosamente estas coisas. Buscar é uma palavra que tem em si uma grande parte da constituição da nova aliança em nosso favor. Embora não tenhamos alcançado, mas falhado e sido insuficientes em muitas coisas, a busca sincera (uma preocupação cuidadosa e uma tentativa perseverante) é aceita. Agora observe, em primeiro lugar, o objeto desta busca: “o Reino de Deus, e a sua justiça”. Devemos considerar o céu como o nosso objetivo, e a santidade como o nosso caminho. “Busque os confortos do reino da graça e da glória como a sua felicidade. Tenha como alvo o Reino dos céus; esforce-se nesta direção; dedique-se a garanti-lo; resolva não restringi-lo; busque esta glória, honra e imortalidade; prefira o céu e as bênçãos celestiais muito mais do que a terra e os prazeres terrenos”. A religião não nos será proveitosa se não nos conduzir ao céu. E com a felicidade deste reino, busque a sua justiça; a justiça de Deus, a justiça que Ele exige que seja operada em nós, e desenvolvida por nós, que deve exceder a justiça dos escribas e dos fariseus. Devemos seguir a paz e a santificação (Hb 12.14). Em segundo lugar, a ordem desta busca: “Buscai primeiro o Reino de Deus”. Que o cuidado pela sua alma e pelo mundo por vir tome o lugar de todos os outros cuidados; e que todas as preocupações desta vida fiquem subordinadas à preocupação pela vida futura.
Devemos buscar as coisas de Cristo mais do que as nossas próprias coisas; e se elas entrarem em competição, devemos nos lembrar a qual devemos dar a preferência. “Busque estas coisas em primeiro lugar; que sejam as primeiras em teus dias; que a melhor parte da tua juventude seja dedicada a Deus. A sabedoria deve ser buscada em primeiro lugar e sem perda de tempo; é bom começar a ser religioso logo. Busque, todos os dias, aquilo que precisa estar em primeiro lugar; que ao despertar pela manhã, os seus pensamentos sejam dirigidos a Deus”. Que este seja o seu princípio: fazer primeiro o que for mais necessário, dando o primeiro lugar àquele que é o Primeiro.
[2.| A promessa da graça e da misericórdia de Deus anexada. Todas estas coisas, os suportes necessários da vida, lhe serão acrescentados; serão dados abundantemente; portanto, estas coisas ficam na margem. Você terá o que busca, o Reino de Deus e a sua justiça, porque aquele que busca com sinceridade nunca busca em vão. E além disso, você terá mantimento e vestimentas com abundância. Quando buscamos o Reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar, as demais coisas nos são acrescentadas da mesma maneira como papel e barbante são ofertados àqueles que compram mercadorias após uma negociação. A piedade tem a promessa para a vida presente (1 Tm 4.8). Salomão pediu sabedoria, e a recebeu, além das outras coisas que lhe foram acrescentadas {2 Cr 1.11,12). Que mudança abençoada seria feita em nossos corações e vidas se crêssemos firmemente nesta verdade: que a melhor maneira de sermos sustentados confortavelmente neste mundo é nos preocuparmos com o mundo por vir! Começamos no ponto correto do nosso trabalho, quando começamos com Deus. Se nos preocuparmos em garantir para nós mesmos o Reino de Deus e a sua consequente justiça quanto a todas as coisas desta vida, Jeová-Jirê, o Senhor proverá, nos concederá estas coisas com a finalidade de ver o nosso bem, além de outras coisas que sequer imaginaríamos. Será que temos confiado nele para termos a porção da nossa herança no nosso final, e não confiaremos nele para termos a porção do nosso cálice enquanto estivermos a caminho desse final? O Israel de Deus não só foi levado finalmente até Canaã, mas as suas cargas foram levadas através do deserto. Quão bom seria se fôssemos mais interessados nas coisas que não são vistas, nas coisas que são eternas, e menos interessados (e, de fato, precisamos ser menos interessados) nas coisas que são vistas, que são temporais! Não considere tanto as suas próprias coisas (Gn 45.20,23).
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 77-78.
O cuidado que Deus ordena, Mt 6.33: Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Uma preocupação muito necessária aos discípulos de Cristo, ou aos filhos de Deus, é buscar, ou desejar sinceramente, ou colocar todo o coração na conquista do reino de Deus. Pois, este reino não é comida e bebida, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo, Rm.14.17. Um alvo digno da ambição do cristão é possuir esta justiça que agrada a Deus, ou estar cheio dos frutos desta justiça, ou tornar-se rico em obras verdadeiramente boas. Uma tal busca constante por pureza de coração e santidade de vida irá, além disso, asfixiar toda ansiedade e preocupação desta vida. E, tendo sido resolvido o assunto principal da questão, então as necessidades pequeninas do corpo e vida terrenos, também serão resolvidas com naturalidade. Serão lançadas em nossos colos, como se fossem um lucro, como uma adição ao grande negócio que a nossa busca alcançou. Por isso, mais uma vez, V.34: Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. Cada dia traz consigo o seu próprio mal. Pois, o mundo é mau, e os inimigos, tanto de fora como de dentro, estão sempre ocupados a encontrar projetos para cercar o coração com preocupações. Estas condições precisam ser vividas com paciente alegria, sendo que cada problema, logo que surge, deve receber o nosso cuidado. Somar às dificuldades do dia de hoje, também, as preocupações que o futuro possa trazer, não aliviará a situação que enfrentais. Restringir toda a solicitude ao momento em que o problema começa a fustigar, é vence-lo por completo. É, tão somente, o futuro que traz ansiedade. Colocai cada dia, assim como ele acontece, nas mãos de Deus. Isto trará, do amor do Pai celeste, a própria ajuda e resgate, Lm.Jr.3.23.
KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento Volume 1. Editora Concordia Publishing House.
Mt 6.33. Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu remo [ARA]. “Mas buscai primeiro o Reino de Deus” (ARC). Esta é uma resposta aos que só veem comentários éticos no Sermão do Monte. Nas Beatitudes, Jesus descreveu o homem de coração novo. Ele coloca o Reino de Deus e a sua justiça antes da comida e do vestuário temporal.
A. T. ROBERTSON. COMENTÁRIO MATEUS & MARCOS À Luz do Novo Testamento Grego. Editora CPAD. pag. 88.
Perdemos nosso testemunho (6. 31-33).
A preocupação com as coisas materiais nos faz viver como pagãos! Quando colocamos a vontade e a justiça de Deus em primeiro plano em nossa vida, ele cuida de todo o resto. É triste quando não praticamos essa verdade. Mas o cristão que decide viver de acordo com Mateus 6:33 dá um testemunho maravilhoso para o mundo!
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 33.
Mt 22, 21. Desde bem cedo o cristianismo entendeu essa discussão como uma decisão de seu Mestre quanto ao relacionamento dos cristãos com o estado. De acordo com um evangelho apócrifo, por exemplo, os adversários formularam a pergunta de uma forma generalizadora (Papiro Eguerton, nº 2): É permitido dar aos reis aquilo que cabe à autoridade? Mais clara se torna essa transformação em Justino (Apol. I, 17.64), o qual intitula assim o diálogo: Será que se deve pagar impostos a César? – Com essas mudanças, porém, o presente diálogo já foi interpretado incorretamente numa direção bem determinada. Passou-se totalmente por cima da última instrução de Jesus: Deem a Deus o que pertence a Deus! Mas é aqui que reside o cerne de sua resposta. Isso se depreende do simples fato de que Jesus introduz na sua resposta algo que não foi perguntado, algo de que seus adversários não se aperceberam, que eles, apesar da aparência religiosa, não incluíram em sua pergunta. Porém é exatamente para essa verdade que Jesus quer remeter seus adversários.
A princípio a discussão apenas quer mostrar como Jesus, por sua palavra cheia de autoridade, escapa da armadilha que lhe foi colocada. Para entender isso, precisamos reconhecer a essência da pergunta. Para o judaísmo inteiro a dominação do imperador era radicalmente oposta ao domínio de Deus. Se, pois, Jesus anunciava o reino de Deus, tinha de rejeitar, como os zelotes, o pagamento do imposto per capita, porque ele significava admitir o governo de César. Num sentido mais rigoroso, porém, esse reconhecimento já acontecia com o simples uso das moedas que continham a imagem e a inscrição de César. As pessoas se esquivavam desse reconhecimento, evitando radicalmente olhar para a imagem, como se relata de um rabino piedoso, ou escudando-se atrás do princípio de que “a lei não podia tornar-se insuportável” (Schlatter, p. 648) e dizendo: “A moeda não está proibida”. Assim, ficava suspensa a decisão sobre pagar ou não o imposto. Os fariseus esperavam, agora, que Jesus apoiaria a exigência dos zelotes, de negar o pagamento do imposto, e esperavam que ele seria aniquilado junto com a rebelião que sua declaração desencadearia. Se, porém, tomasse a decisão oposta, perderia a adesão das massas.
Portanto, é uma evidente cilada que está proposta a Jesus. Querem que ele caia nela com tanto maior facilidade porque apelam para a sua veracidade e também porque a questão traz embutida claramente a pergunta pelo Messias, de modo que Jesus não pode fugir dela.
Contudo, se a pergunta constitui uma armadilha, a resposta de Jesus inicialmente consiste em desviar-se dela. Jesus demonstra dessa forma que ele permite que outros imponham o rumo da ação, mas que esse está sempre nas mãos dele. Ele declarará que é o Messias no momento que o Pai determinar, quando a “sua hora tiver chegado” (Jo 2.4; 7.30; 8.20). Ele não fugirá quando “é chegada a hora” (Mt 26.45), mas se apresentará somente então, e nenhum minuto antes, entregando-se nas mãos dos pecadores. Para não se entregar nas mãos das pessoas antes, Jesus responde de uma forma pela qual se esquiva desse ataque, de modo que os adversários somente se admiram. Deixam-no parado onde está e têm de afastar-se dele. Por trás da admiração, porém, nota-se também algo do susto diante de Jesus, cuja sabedoria, com a qual escapa da cilada, o revela como o Messias. No entanto, revela-o de tal forma que seus inimigos não conseguem pegá-lo.
É nesse sentido que se usa a palavra admirar-se (Mt 8.27; 9.33; 15.31 etc.). Assim como Jesus se subtrai ao ataque por meio de uma resposta inteligente, ele também concede aos seus a certeza de que no momento certo “lhes será concedido” responder com igual inteligência. Nesse sentido, nosso trecho é algo como um exemplo da promessa que Jesus dá aos discípulos em Mt 10.19.
No entanto, a resposta de Jesus é mais do que inteligência e sabedoria para desviar-se! Pelo contrário, ele escapa da armadilha precisamente porque leva a sério o conteúdo da pergunta que lhe foi colocada. Na resposta acontecem duas coisas. Por um lado Jesus revela a falta de sinceridade dos próprios adversários, quando aponta para a moeda que os seus adversários usam, ou seja, que eles pessoalmente nem levam a questão a sério. Por outro, força-os a levar a sério a pergunta no seu fundo último, indicando-lhes que, na alternativa César ou Cristo e na pergunta do reinado de Deus em relação a todos os reinos mundanos, não estão primordialmente em jogo quaisquer atitudes exteriores, mas em primeiro lugar que realmente demos a Deus o que lhe pertence. Para que provem que de fato estão seriamente interessados em reconhecer o reinado de Deus, a oportunidade está sendo dada precisamente agora. Entretanto, é uma oportunidade da qual seus adversários querem se afastar com toda a força. A oportunidade é dada na própria pessoa de Jesus. Deus vai ao encontro dos adversários de Jesus na pessoa de Jesus, reivindicando que o reconheçam agora, que se dobrem diante dele agora. Se eles fizessem isso, a questão de pagar impostos ficaria facilmente resolvida. Não seria mais uma questão, por ser uma indagação deste mundo, que desaparece com este mundo. Mas se, com Jesus, chegou o reino de Deus, o fim deste mundo está às portas, e as perguntas de como se comportar neste mundo se tornaram perguntas secundárias. Elas possuem importância apenas na medida em que, respondendo-as, pudermos dar testemunho em prol da vinda desse reino.
Por isso, podemos captar para nós hoje como resultado dessa controvérsia o seguinte: A primeira pergunta, a única realmente importante, é “se damos a Deus o que lhe compete”, i. é, se o reconhecemos como o Senhor que se revelou a nós em Cristo, se todo o nosso agir está sob o sinal de que o mundo caminha para o seu fim, que a decisão já foi tomada. – A segunda pergunta é se e como esse nosso reconhecimento do reinado de Deus se torna visível em nosso comportamento na terra, nas ordens deste mundo. Devem ficar evidenciadas duas coisas: Primeiro, que saibamos que, nas decisões deste mundo, trata-se sempre de questões provisórias e passageiras, nas quais jamais prendemos nosso coração. Em segundo lugar, porém, igualmente deve ficar claro nas nossas decisões que as tomamos diante da face de Deus, ou seja, em responsabilidade diante da instância suprema, uma instância de cuja existência o mundo sequer tem conhecimento. Dessa maneira o nosso modo de agir será carregado sempre com menos paixão e maior responsabilidade que a dos que não são cristãos.
FRITZ RIENECKER. Comentário Esperança Mateus. Editora Evangélica Esperança.
Mt 22.21. “Dai de volta” a César o que já é de César. “A própria inscrição no dinheiro era um reconhecimento de dívida a César. O imposto não era um presente, mas uma dívida em troca de lei, ordem e estradas. Há o dever ao estado e o dever a Deus. Jesus já endossara o imposto do Templo. A ‘efígie e inscrição’ indicavam a autoridade do imperador que cunhara a moeda. As duas esferas são distintas, mas ambas existem. O cristão não deve esquivar-se de nenhuma das duas.”
A. T. ROBERTSON. COMENTÁRIO MATEUS & MARCOS À Luz do Novo Testamento Grego. Editora CPAD. pag. 247.
UMA PERGUNTA POLÍTICA SOBRE IMPOSTOS (MT 22:15-22)
Fariseus Herodíanos eram inimigos, mas nessa ocasião se uniram contra um adversário em comum. Os fariseus tinham vários motivos para se opor aos impostos cobrados por Roma: (1) não desejavam sujeitar-se a um poder gentio; (2) César era reverenciado como deus; e (3) tinham melhor uso para o dinheiro do que dá-lo a Roma. Uma vez que os herodianos constituíam o partido que apoiava Herodes, eram favoráveis à cobrança de impostos. Afinal, Herodes recebeu sua autoridade de César, e teria sido extremamente difícil permanecer no poder sem o apoio de Roma.
A Palestina era uma nação ocupada, e os judeus não morriam de amores por seus conquistadores. Todo imposto que o povo oprimido era obrigado a pagar servia para lembrar que não eram livres. Os zelotes, uma organização "secreta" de judeus fanáticos, costumavam organizar protestos contra Roma e se opunham a qualquer imposto romano.
É fácil entender por que os fariseus e os herodianos escolheram a questão dos impostos como chamariz para a armadilha. A seu ver, qualquer resposta que Jesus desse criaria problemas para ele e para seu ministério. Caso se opusesse ao imposto, criaria um conflito com Roma. Se o aprovasse, teria problemas com os judeus.
Jesus percebeu imediatamente o ardil do inimigo. Sabia que o verdadeiro objetivo não era obter uma resposta, mas sim coloca-lo em dificuldades. Na verdade, aqueles homens tão zelosos estavam apenas fazendo uma encenação, portanto não passavam de hipócritas. Esse fato, por si só, teria sido motivo suficiente para Jesus se recusar a responder à questão, mas o Mestre sabia que as pessoas a seu redor não entenderiam. Tinha diante de si uma oportunidade de calar os inimigos e, ao mesmo tempo, de ensinar ao povo uma verdade espiritual muito importante.
Cada governante cunhava as próprias moedas e nelas colocava sua imagem. O denário trazia a imagem de César, portanto, pertencia a César. "Dai, pois, a César o que é de César", respondeu Jesus, "e a Deus o que é de Deus." Nessa resposta simples, porém profunda, Jesus ensinou várias verdades. Os cristãos devem honrar os governantes e lhes obedecer. Trata-se de uma verdade ensinada em outras passagens do Novo Testamento (Rm 13; 1 Pe 2:13-17; 1 Tm 2:1 ss). Os cristãos têm uma cidadania dupla, no céu (Fp 3:20) e na Terra. Devemos respeitar nossos governantes (ou líderes eleitos) aqui na Terra, obedecer à lei, pagar nossos impostos e orar por todas as autoridades.
Os cristãos devem honrar a Deus e lhe obedecer. César não era Deus. Os governantes não podem impor a religião (At 5:29) e também não devem restringir a liberdade de culto. Os melhores cidadãos honram seu país porque adoram a Deus.
O homem foi criado à imagem de Deus e deve tudo a seu Criador. A moeda trazia a imagem de César, enquanto o ser humano traz a imagem de Deus (Gn 1 :26, 27). O pecado desfigurou essa imagem, mas, por meio de Jesus Cristo, ela pode ser restaurada (Ef 4:24; CI 3:10). A relação entre religião e governo é pessoal e individual. É correto o povo de Deus servir no governo (ver os exemplos de Daniel e José), mas é errado o governo controlar a Igreja, ou mesmo a Igreja controlar o governo.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 104-105.
2. Obrigações de natureza religiosa.
Se há obrigação político-social, que são de natureza civil, por outro lado, há também as de natureza religiosa ou espiritual. Elas acontecem na dimensão do culto, da adoração e são de natureza mais devocional. A essência do culto é a adoração! De fato a palavra hebraica shachar mantém o sentido de prostrar-se com deferência diante de um superior (Gn 22.5; Êx 20.5). Salomão em Eclesiastes 5 está com isso em mente quando fala da casa de Deus como o local da adoração (Ec 5.1). Como construtor do grande Templo, Salomão sabia que aquela casa tinha como objetivo centralizar o culto e dessa forma proporcionar um dos propósitos mais sublimes do culto que é o de favorecer a unidade e promover a adoração verdadeira.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 117.
Gn 22. 5 Havendo adorado. Um rito religioso que ultrapassava a imaginação estava prestes a ter lugar. A garganta de Isaque seria cortada (O golpe mortal); seu corpo será despedaçado; os pedaços do corpo seriam arrumados por sobre a lenha; e mão tudo seria consumido no fogo, até tornar-se cinzas. Assim se consumaria o sacrifício de Isaque. Assim adoravam os povos antigos, uma espécie de sacrifício 3ue Cristo eliminou para sempre na cruz. Aqui métodos primitivos gritam diante de ws, e alegramo-nos que tudo tenha ficado enterrado no passado. Verdadeiramente, chamar isso de adoração causa-nos admiração, segundo observou um comentador. O trecho de Heb. 11.17,19 fala da ressurreição de Isaque, dando uma interpretação cristã ao episódio, embora o próprio texto não fale nesse tipo de expectativa por :arte de Abraão. Antes, temos o drama de um sacrifício inacreditável, não-mitigado pela esperança, que tinha em mira apenas a obediência, severa e inflexível.
Voltaremos. Isso pode ser cristianizado sob a forma “depois da ressurreição de Isaque, voltaremos para junto de vós”. Tremendo milagre! Mas nada disso fica entendido no próprio texto. Os intérpretes judeus não viam aqui a ideia de ressurreição, mas apenas afirmavam que Abraão disse isso “no espírito da profecia”.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 155.
Gn 22.5 — Se os servos de Abraão o tivessem acompanhado até o local do sacrifício, talvez tentariam demovê-lo de sua penosa tarefa. Abraão lhes ordenou que ficassem com o jumento, enquanto ele e Isaque subiriam para adorar ao Senhor.
Abraão prometeu: Tornaremos a vós. No texto em hebraico, essas palavras são mais impressionantes do que na tradução. Os verbos usados [hb. yalak, iremos; shachah, adoraremos; shuwb, retornaremos (da morte) ] mostram uma grande determinação por parte daquele que fala (Gn 12.2). Ê como se dissessem: “Estamos decididos a ir, determinados a adorar, e com certeza voltaremos”.
Há três possibilidades para explicar essas palavras de Abraão: (1) ele estava mentindo para os servos, a fim de ganhar tempo; (2) ele estava tão desiludido que não raciocinava mais quando falava; (3) ele realmente acreditava que voltaria com o seu filho. [De acordo com Hebreus 11.17-19, essa é a teoria mais correta.] Abraão ouvira, muitas vezes, a promessa de Deus de formar uma nação a partir de Isaque (Gn 12.1-3,7; 13.14-17-; 15.1-21; 17.1-22; 18.1-15), e ele ainda acreditava nesta promessa. O patriarca pode ter concluído que, mesmo que tivesse de sacrificar seu filho, Deus o ressuscitaria (Hb 11.17' 19). Somente dessa maneira pôde seguir em frente com a difícil tarefa que Deus lhe designara.
APLICAÇÃO
Matar meu próprio filho?
Parece realmente inacreditável que Deus tenha ordenado o seguinte a Abraão: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi (Gn 22.2). Que tipo de Deus faria isso? Que tipo de Deus testaria a fé de um homem dando uma ordem tão severa?
Aquele foi um teste bastante rigoroso para a fé de Abraão. Talvez muitos de nós falhássemos em uma prova como a do pai de Isaque. Provavelmente também pensaríamos que Deus estivesse sendo cruel e insensível. Mas Abraão confiou no Senhor.
Mesmo que o sacrifício de Isaque parecesse ir contra a promessa de Deus, Abraão acreditou fielmente que, apesar de tudo, o Senhor ainda lhe mostraria uma maneira de cumprira promessa que Ele havia feito, mesmo que para isso Ele tivesse de levantar Isaque dos mortos (Rm 4.17).
A ordem dada ao patriarca também foi uma lição categórica de que tudo na vida pertence a Deus e vem dele (Gn 2.7; Jó 27.3; 33.4). Neste sentido, devemos entender que a vida é apenas um empréstimo a nós, tanto aos pais como aos filhos. Deus pode pedi-la de volta quando bem entender.
A respeito disso, as instruções para matar Isaque foram similares ao difícil período que Abrão e Sarai enfrentaram enquanto esperavam pelo nascimento de seu filho (Gn 18.1-15; 21.1-7). A vida deles e a de qualquer criança que viessem a ter estavam nas mãos de Deus.
Para que não haja nenhum mal-entendido: Deus abomina o sacrifício humano, como muitas passagens do Antigo Testamento deixam bem claro (Lv 18.21 ;20.2; Dt 12.31; Sl 106.35-38; Ez 20.30,31). Então, quando Abraão estava a ponto de matar seu filho, Deus o fez parar e proveu um animal para ser sacrificado no lugar de Isaque. Isso provou a Abraão que a sua fé estava direcionada corretamente: o Senhor em quem ele confiava era o Deus da misericórdia.
Ele também é o Deus da sabedoria. Algumas vezes, Ele nos faz pedidos que parecem estranhos. Mas se, como Abraão, acreditarmos e obedecermos, o Senhor responderá à nossa fé com a Sua bondade e a Sua integridade.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 62-63.
Êx 20.5 A adoração às imagens de escultura é proibida no segundo mandamento. Adoração somente ao zeloso Yahweh (Êxo. 34.14; Deu. 5.9; 6.15; 32.16,21; Jos. 24.19). O povo de Deus pertence exclusivamente a Ele, e só deviam prestar-Lhe lealdade, não imitando os povos circunvizinhos, que contavam com extensos panteões. A idolatria e 0 uso de imagens eram considerados uma tão grave iniquidade que foram ameaçados poderosos juízos de Deus contra os idólatras, envolvendo até a quarta geração dos mesmos. Os descendentes dos idólatras não podiam escapar ao desprazer de Yahweh, para quem mil anos é como se fosse um dia (II Ped. 3.8; Sal. 90.4). Podemos ter certeza de que os juízos de Deus são justos, e envolvem os filhos dos idólatras porque geralmente participam dos pecados de seus pais. Mas em casos de inocência, esses juízos eram suspensos. Todavia, persistiam circunstâncias adversas, criadas anteriormente. Ademais, existe aquela genética espiritual que transmite atitudes e costumes de pais para filhos, etc., provocando assim a ira divina. Ver Eze. 18.20 quanto à responsabilidade de cada indivíduo, o outro lado da moeda. Ver também Núm. 14.18 e Deu. 5.9 quanto a trechos paralelos deste versículo.
Alguns eruditos supõem que itens como os querubins (Êxo. 25.18,19), a arca (Núm. 10.35,36), os serafins (Juí. 18.14); a estola sacerdotal (Juí. 8.26,27) e a serpente de metal (Núm. 21.8,9) na verdade constituíam ídolos e imagens em Israel, pois Israel estava mais próxima dos pagãos que a maioria dos estudiosos gostam de admitir. Mas outros negam que os israelitas adorassem a esses objetos. Serviam apenas a propósitos ilustrativos no culto, não se tomando nunca objetos de adoração. O argumento do primeiro grupo de eruditos tem por objetivo dar apoio à ideia de que 0 segundo mandamento era de origem posterior, e que acabou acrescentado à lista dos mandamentos. Por outro lado, se os objetos acima mencionados não eram objetos de adoração, então tal argumento rui por terra.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.
Êx 20.5 — O comando não te encurvarás a elas mostra que não é aceita nenhuma forma de adoração a outro deus. Deus é um Deus zeloso (hb. el ganna), isto é, que zela pela verdade de que Ele é o único Deus e tem ciúme de seus rivais. O verbo traduzido do hebraico como visito significa venho em um ato de misericórdia (Rt 1.6) ou venho para trazer o divino julgamento (que é o sentido aqui). Essa visitação se estenderia até à terceira e quarta gerações. Logo, a idolatria traria o castigo que afetaria os descendentes dos idólatras.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 165.
O SENHOR É ESPÍRITO (20.4-6). Cf. Jo 4.24. Ele não pode ser adorado sob a forma de qualquer representação material, quer fosse produto da arte plástica, quer da pictórica. Tais coisas não apenas desviam a mente do conhecimento da espiritualidade pura de Deus, mas inevitavelmente são transformadas em objetos de veneração, e também provocam o aparecimento de muitas práticas sensuais. O mandamento do versículo 4 não proíbe qualquer escultura ou pintura. Conf. a serpente de metal, em Nm 21.8.
Deus zeloso (5). Isso significa que somente Ele tem o direito de ser amado pelo Seu povo. Por causa deles mesmos, e para que santificassem e reverenciassem Seu nome, é que eles deviam fugir de toda idolatria. O zelo de Deus preserva a pureza da adoração de Seu povo.
Visito a maldade... (5). Mediante Dt 24.16 (ver anotação) fica claro que Deus não pune os filhos por causa das ofensas de seus pais, mas se os filhos cometerem o mesmo pecado de seus pais, serão punidos da mesma maneira ("daqueles que me aborrecem"). Mas, além disso, os pecados dos pais influenciam seus filhos para o mal, e certos pecados atraem castigo que é inevitavelmente compartilhado pela descendência do pecador, como por exemplo, as enfermidades que são o resultado direto da imoralidade, e a pobreza, que resulta da extravagância. O temor destas últimas consequências exerce um freio saudável na conduta dos pais. Porém, enquanto a má conduta afeta apenas três ou quatro gerações, as consequências de uma vida pura beneficia a posteridade até um ponto quase ilimitado. A ira de Deus se estende somente até à terceira ou quarta geração; mas Sua misericórdia se estende até mil gerações.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Êxodo. pag. 47.
Cuidados Quanto ao Adorar no Culto (5:1-7)
Estamos numa época de secularização de tudo, inclusive da religião. A adoração a Deus ressente-se naturalmente dessa situação, e ao escritor sagrado não escapou essa falha nas relações do homem com Deus. O homem comum, o secularizado, não é avesso à religião. Trata-a como qualquer outra atividade da sua vida secular. Vai-se à igreja não tanto para adorar a Deus, e, sim, para uma satisfação social; em alguns casos, até para assuntos de ordem particular, pois a igreja é um bom lugar para tais encontros. Que resulta de tudo isso? O adorador nada recebe da sua religião nem tampouco de Deus. Deus passa a ser tratado como um parceiro que comprasse e vendesse ou fizesse qualquer negócio; assim o adorador sente que já cumpriu o seu dever de pessoa religiosa. Se vai à confissão, volta certo de que os seus pecados lhe foram perdoados e pode então começar outra caminhada Igual na vida. Os serviços litúrgicos, os sermões, a recepção das ofertas dominicais, tudo cai no terreno das formalidades comuns, sem qualquer efeito sobre a vida Intima do adorador. Isto quando não resvala para o pior, que é a irreverência, tão comum até em cultos protestantes, em que se conversa, se discute assuntos particulares e profanos, sem qualquer relação com os serviços divinos. Foi isso que o Pregador viu no templo de Jerusalém, onde a formalidade rotineira era a mola do culto. Quando ele disse: "Guarda o teu pé quando entrares na casa de Deus, quis apenas afirmar que o templo é muito sagrado e o adorador não deve profanar o lugar santo. Oferecer culto banal, frívolo, destituído do sentimento de adoração a Deus é oportunidade para pecar. Muitos voltam do culto em piores condições do que quando para lá foram, porque profanaram o lugar e desrespeitaram o Dono do lugar Santo. Se tivéssemos de procurar as causas da falência de muita gente no terreno religioso, talvez as localizássemos no Templo, onde a religião foi profanada e a vida também.
Antônio Neves de Mesquita. Eclesiastes. Editora JUERP.
Ec 5.1 Guardará os teus pés. Este versículo hebraico e todas as versões se juntar ao capítulo anterior Salomão, tendo antes a entender, embora muito brevemente, que a única cura contra a vaidade humana é o devido sentido de religião, agora entra mais em grande parte sobre este importante assunto, e dá algumas instruções excelentes no que diz respeito ao desempenho correto do serviço Divino, a natureza da oração vocal e mental, o perigo de erupção votos, etc. O versículo inteiro pode ser mais traduzido literalmente assim: - "Guarda os teus passos como tu vai para a casa de Deus, e abordagem a escutar, e não para oferecer sacrifícios de tolos, pois nenhum deles tem conhecimento sobre fazer mal " Eles oferecem presentes para os seus pecados, e não converter da sua maldade obras, porque não sei (não distinguir) entre o bem e o mal "Veja o Caldeu..
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
II - OBRIGAÇÕES ANTE A SANTIDADE DE DEUS
1. Reverência.
Todo culto possui seu ritual e sua liturgia. Não há nada de errado nisso. A propósito, a palavra liturgia aparece associada ao culto na Igreja Primitiva: “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.1,2, ARA). A palavra servindo (v.2) é a tradução do termo grego leitourgeo, de onde vem a palavra portuguesa liturgia. A liturgia, portanto, também faz parte da adoração.
Salomão sabia disso e por isso adverte: “Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus” (Ec 5.1). Desligue o celular, tire o chiclete da boca, seja reverente! Comporte-se como um verdadeiro adorador! (Jo 4.20-24). Observe a liturgia do culto e não faça dele um local para interesses meramente pessoais. Infelizmente já presenciei casos de obreiros abandonarem o culto e até mesmo a mensagem para irem atender seus celulares! Se isso não é uma blasfêmia, no mínimo é pecado!
O culto é um espaço reservado para a adoração. Não pode se transformar na “casa de mãe Joana”. É ali onde cultuamos a Deus e prestamos-lhe reverência. Então, por que não se observar a liturgia do culto? Por que não evitar a movimentação sem fim dentro da nave do templo? Por que não ensinar as crianças que no templo não é o local adequado para comer “petiscos”? Por que não desligar o celular em vez de ficar mandando torpedo para uma outra pessoa? Por que gastar um bom tempo do culto em intermináveis avisos, se alguns deles podem ser dados até um ano depois? Por que permitir o uso do púlpito como palanque eleitoral? Por que usar o púlpito para desabafar? Por que não usar o púlpito única e exclusivamente para a glória de Deus?
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 117-118.
REVERÊNCIA Essas duas palavras, cujo significado básico é temor, são as principais palavras traduzidas como reverência.
1. No AT. “Reverência” ocorre apenas três vezes no AT, todas elas traduzidas do termo hebraico yare. Diversas outras palavras hebraicas poderiam ser traduzidas como “reverência”, especialmente mora e hared. A reverência consiste de temor, respeito e profunda deferência na venerável prestação de tributo a Deus, ou a alguma outra divindade e a objetos sagrados. Todas as referências do AT estão relacionadas ao contraste entre o culto a Yahweh e o culto a outros deuses. Dentre uma série de proibições encontradas em Levítico, contra a prática de magia e feitiçaria comum entre os povos vizinhos, estão também as ordens de Deus para seu povo quanto à adoração a Yahweh. Uma delas aparece duas vezes: “Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o Senhor” (Lv 19.30; 26.2). Mais tarde, um “profeta” atribuiu a opressão midianita à desobediência de Israel para com o mandamento dado anteriormente por Deus: “Não temais os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais” (Jz 6.10).
2. No NT. Os quatro usos do termo “reverência” no NT são traduções de três palavras gregas. Paulo fala do “temor (phoboi) de Cristo” (Ef 5.21). Pedro nos admoesta: “santificai (hagiasate) a Cristo, como Senhor, em vosso coração” (IPe 3.15), e no versículo seguinte fala de “mansidão e temor” (phobou). Em Hebreus (12.28), o autor fala em servir a Deus “de modo agradável, com reverência (eulabeiah) e santo temor”. G. B. Funderburk
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 5. pag. 191-192.
REVERÊNCIA O respeito mostrado a alguma pessoa importante ou distinta: a um rei (2 Sm 9.6; 1 Rs 1.31); ao filho na parábola da vinha (Mt 21.37; Mc 12.6; Lc 20.13); a um pai (Hb 12.9); ao marido (Ef 5.33). Israel deveria reverenciar o sábado de Deus e o seu santuário (Lv 19.30; 26.2). Devemos reverenciar e respeitar a Deus com um senso de admiração e santo temor (SI 89.7; Hb 12.28).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1676.
At 13.2 A palavra aqui traduzida por (...servindo...) envolve a oração, o jejum, a meditação, a exortação, provavelmente uma combinação de todos esses elementos. Tudo isso pode ter sido feito propositalmente para buscar a orientação divina sobre o que deveria ser feito em seguida, para obtenção do progresso das atividades missionárias da igreja; ou então essa orientação divina pode ter surgido como um resultado natural.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 3. pag. 258.
At 13.2 As ordens que o Espírito Santo deu para separar Barnabé e Saulo, no meio de um culto em que os ministros das várias congregações na cidade se uniram em um jejum solene ou dia de oração: Disse o Espírito Santo (v. 2) ou por uma voz do céu ou por um forte impulso na mente dos profetas: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Ele não indica a espécie da obra, mas alude a um chamado yd feito anteriormente, sobre o qual os dois sabiam o significado, enquanto os demais poderiam ou não saber. Quanto a Saulo, fora-lhe dito especificamente que tinha de levai’ o nome de Cristo diante dos gentios (cap. 9.15), que ele seria enviado aos gentios (cap. 22.21). A questão fora resolvida entre eles em Jerusalém antes deste dia. Ficou resolvido que Pedro, Tiago e João se disporiam entre os da circuncisão, para que Saulo e Barnabé fossem para os gentios (G12.7-9). E provável que Barnabé soubesse que fora escolhido para fazer o mesmo serviço que Saulo. Contudo, eles não se atirariam a esta colheita, ainda que copiosa e produtiva, até que recebessem ordens específicas do Senhor da colheita: Lança a tua foice e sega! [...], porque já a seara da terra está madura (Ap 14.15). As ordens eram: Apartai-me a Barnabé e a Saulo. Observe aqui: 1. Cristo, pelo seu Espírito, nomeia os seus ministros. E pelo Espírito de Cristo que, em certa medida, eles são qualificados para os serviços, inclinados para isso e tirados de outros cuidados incompatíveis com isso. Há aqueles que o Espírito Santo separa para o serviço de Cristo, distinguindo-os dos outros como indivíduos que são oferecidos e que de boa vontade se oferecem ao serviço do templo. Juízes competentes recebem orientações relativas à suficiência da capacidade de tais indivíduos e da sinceridade de suas inclinações: “Separai-os". 2. Os ministros de Cristo são separados para ele e para o Espírito Santo: “Separai-os para mim” (v. 2, versões NTLH e RA). Eles devem ser empregados na obra de Cristo e sob a orientação do Espírito, para a glória de Deus Pai. 3. Todos que são separados para Cristo como seus ministros são separados para trabalhar. Jesus não tem servos para ficarem à toa. Se alguém deseja o episcopado, excelente obra, deseja (1 Tm 3.1). E para isso que eles são separados: trabalhar na palavra e na doutrina (1 Tm 5.17). Eles são separados para. labutar, não para vadiar. 4. A obra dos ministros de Cristo, à qual eles são separados, é obra que já está determinada, para a qual todos os ministros de Cristo, até hoje, têm sido chamados e a que eles foram, por meio de um chamado externo, orientados e escolheram.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag.  133-134.
At 13.2 — Servindo eles ao Senhor. Conforme as pessoas cumpriam aquilo que Deus lhes tinha dado para fazer, como as funções de profetas e mestres, o ministério pessoal tornava-se o ministério para o Senhor. Sempre que servimos aos outros é como se estivéssemos servindo a Deus (Mt 25.31-46).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 327.
At 13.2 a. “Enquanto eles adoravam o Senhor e jejuavam.” A palavra adorar, um típico termo religioso do Antigo Testamento, dantes descrevia o serviço dos sacerdotes no templo em Jerusalém (veja, por exemplo, Lc 1.23). Mas no versículo 2, Lucas aplica a palavra, pela primeira vez, à prática cristã. Pelo emprego da palavra adorar, o autor de Atos mostra continuidade com o passado, porém indica, de forma sutil, uma ênfase diferente e espiritualizada.6 Na nova forma de adoração, não são os sacerdotes que vemos no altar, mas cada crente na igreja em oração.
Nesses versículos, Lucas indica também que os cristãos em Antioquia combinavam a oração com o costume judaico do jejum; as duas práticas eram ligadas somente em ocasiões especiais (veja 14.23).
O contexto imediato dos versículos 2 e 3 parece restringir a referência à adoração aos cinco profetas e mestres mencionados por Lucas (v. 1). Mas há pelo menos três objeções a esta interpretação. Primeiro, o culto de adoração é para todos os crentes da igreja. Em segundo lugar, a igreja de Antioquia estava envolvida, em sua totalidade, no comissionamento de Barnabé e Saulo, pois ao retornarem, os missionários relataram à igreja o que Deus havia feito (14.27). E por último, o Espírito Santo move toda a igreja a se comprometer na obra de missões, e não somente cinco pessoas.
b. “O Espírito Santo disse: ‘Nomeiem para mim Barnabé e Saulo para o trabalho ao qual eu os chamei’.” Enquanto a igreja orava, o Espírito Santo falou por meio dos profetas e tornou conhecida a sua vontade. Por intermédio do seu Espírito, Deus amplia a igreja e nomeia seus servos para as tarefas que ele lhes dá.8 Então, Deus designa Barnabé e Paulo como missionários.
Jesus havia chamado Paulo para ser um apóstolo aos gentios, mas tanto Barnabé como Paulo tinham estado ensinando na igreja de Antioquia.
Agora o Espírito Santo chamou os crentes para nomearem esses dois homens para uma tarefa específica: proclamar as boas-novas ao mundo. Para a igreja de Antioquia isso significava que esses crentes, ao comissionarem Barnabé e Paulo, estariam perdendo dois professores capazes; que prometiam suporte em oração aos missionários; e que Antioquia continuaria a ser um centro de missões.
Tanto Paulo quanto Barnabé tinham sido chamados para serem apóstolos aos gentios. Aliás, quando Lucas se refere a esses homens em sua primeira viagem missionária, ele os chama de “apóstolos” (14.14; e veja 1Co 9.1-6). O trabalho que o Espírito Santo designa a Barnabé e Paulo é o de familiarizar o mundo com o evangelho de Cristo e estender a igreja até aos confins da terra (comparar com 1.8).
c. “Impuseram as mãos sobre eles e os enviaram.” Depois de um período de jejum e oração, os líderes da igreja de Antioquia impuseram suas mãos sobre Barnabé e Paulo. Em Damasco, Ananias impusera as mãos sobre Paulo e assim ele recebeu o dom do Espírito Santo (9.17). Embora tanto Barnabé como Paulo tivessem ensinado o evangelho de Cristo durante muitos anos, a igreja em Antioquia ordenou oficialmente esses dois homens para serem missionários aos gentios.
Depois de Deus os chamar para a tarefa especial de proclamar o evangelho ao mundo greco-romano (comparar com Gl 1.16), a igreja antioquense conduziu a cerimônia externa da ordenação de Barnabé e Paulo.9 O culto de ordenação mostra claramente que os missionários e a igreja estão unidos na obra de missões.
Simon J. Kistemaker. COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO Exposição de Atos dos Apóstolos. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag 595-597.
2. Obediência.
A simples obediência a um conjunto de preceitos, normas e regras, sem atentar para os princípios que lhes dão fundamentação, é puro legalismo. Não vale a pena observar o preceito ou norma, é necessário atentar para o princípio por trás dele. No livro de Eclesiastes isso aparece de forma bem clara: “Guarda o pé, quando entrares na casa de Deus; Chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal” (Ec 5.1). Deus não está interessado na observância do sacrifício em si, mas na obediência aos princípios que regulamentam a sua prática. Foi exatamente isso que o profeta Samuel disse a Saul (1 Sm 15.22).
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 118.
OBEDIENCIA (vaf, escutar, ouvir reverentemente, obedecer, depositar a confiança em, escutar de forma submissa, ouvir, obedecer, seguir).
A Bíblia é notável em suas muitas descrições das respostas dos homens às palavras e vontade de Deus. Respostas que são claramente favoráveis, a tal ponto que, aquele que é persuadido a agir é chamado de “ouvindo”, “crendo”, ou mais simplesmente “obedecendo”. Outras respostas que são apáticas ou negligenciam a Palavra de Deus são caracterizadas como “rebelião”, “incredulidade” ou “desobediência”.
Estudos sobre as situações de obediência tendem a enfatizar os aspectos mais externos e formais da resposta, ou a natureza interna daquele que responde e os aspectos espirituais de sua atitude. Compare as abordagens em HERE, vol.
1. A natureza externa da obediência. Uma abordagem externa e um tanto formal tenderá a focar sua atenção nas circunstâncias observáveis ou nas causas inferíveis e consequências da ação.
O aspecto mais evidente da obediência é a presença de uma pessoa (ou grupo) com autoridade, que ordena ou que exige que outros sujeitem-se a seu desejo expresso. Essa autoridade pode ser reconhecida porque normalmente é expressa por intermédio de costumes e tradições bem estabelecidos, de leis e ordenanças veneradas, cujo valor para a vida humana é inquestionável. Obedecer é ajustar-se às exigências consideradas valiosas. Obediência, portanto, pode ser vista como sendo motivada por convenções, hábitos, medo de punição e esperança de recompensa. Quando Moisés diz: “Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos...” (Dt 28.1,2, veja também 30.9s.), parece evidente que a resposta da obediência frequentemente ocorre em uma matriz de causas externas e persuasão similar às mencionadas acima.
Uma palavra de cautela é necessária, pois é fácil inferir que os escritores bíblicos advogam a obediência a Deus apenas por motivos práticos. Tal inferência seria muito naturalística em seu entendimento do AT e NT, e ignora o aspecto espiritual mais profundo da obediência encontrado até no AT, e.g., em 1 Samuel 15.22, “Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar”. Indiscutivelmente, a maioria das respostas obedientes registradas nas Escrituras incluía um elemento do obedecer em razão daquilo que foi ordenado: religião, na Bíblia, nunca é considerada como não prática. A ideia bíblica de obediência é distorcida se não for reconhecido que os homens também obedecem por causa de quem ordenou. A vontade de Deus era considerada ser definida para o estabelecimento de toda sabedoria e lei prática. Por isso, os escritores bíblicos podiam apresentar razões práticas para a obediência e mencionar suas consequências desejáveis, mesmo sabendo o tempo todo que a verdadeira obediência à Palavra de Deus não dependia de uma espera por recompensa.
A maneira como a obrigação à obediência é desenvolvida e aplicada é um elemento formal da própria obediência. O salmista, por exemplo, insta à obediência quando enfatiza a dependência do homem, como um ser criado, de Deus, como o ser não criado (SI 95.6,7). A lei de Deus, da mesma forma, é vista como colocando os homens sob obrigação de obedecer a Deus, porque ela foi graciosamente concedida (Ex 19.5; SI 119.1-4). No NT, o homem tem a mesma obrigação à obediência, mas somente por causa do conhecimento de Deus revelado em Cristo. De forma similar uma promessa da bênção é expressa, mas ela é mais específica, pois refere-se à esperança da apropriação da glória e excelências de Cristo (2Pe 1.3-7). A bondade comum de Deus em relação a todos os homens é a base formal para a obediência (SI 145; At 14.17) e a obra especial de redenção realizada por Deus é o fato que nos constrange à obediência por amor (ICo 6.20 etc.).
Elementos formais adicionais são citados nas disposições que são consideradas requisitos para a obediência, por exemplo, sinceridade (1 Tm 1.5), amor (Jo 14.21; 2Co 5.14; lJo 2.5), zelo (Rm 12.11), franqueza (Mt 5.16; Fp 2.15), constância (G1 6.9) e paciência (Rm 2.7). Tranquilidade nas relações interpessoais também requer a complacência formal da obediência, como nos relacionamentos entre pai e filho (Ef 6.4; Cl 3.20), marido e esposa (Cl 3.18), senhor e servo (empregador e empregado) (IPe 2.18) e cidadão e governo (Lc 20.25; At 5.29).
2. Os aspectos internos da obediência. Quando Jesus censura aqueles que obedecem à lei externamente, mas não internamente (Mt 6.2,5,16; 23.23-25), ele exemplifica a percepção de Samuel sobre o aspecto interno da obediência, quando disse que “eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar” (ISm 15.22). A verdadeira obediência é mais do que submissão a uma autoridade de um modo formal, pois uma pessoa pode ser submissa sem a correspondente disposição interna para a obediência. De acordo com a Bíblia, obedecer é escutar de tal forma que o assentimento interior é inseparável da atividade externa. Bultmann descreve esta atitude como o homem todo permanecendo sob e estando no que faz. Ele diz que o indivíduo “não está fazendo algo de forma obediente, mas é essencialmente obediente” (Jesus and the Word, pág. 61).
No NT, o escutar, ou este tipo de obediência interior, está intimamente associado ao crer. E estar unido a Cristo (Rm 15.17,18; 16.19; IPe 1.2). Uma fórmula bíblica comum afirma explicitamente que “a fé vem pelo ouvir” (Rm 10.17; cp. lTs 2.13). O pensamento é que a palavra do Evangelho produz a fé naqueles que a escutam, que é então rotulada de “obediência por fé” (Rm 1.5; 16.19,26). Falando através de parábolas e de sermões, Jesus retrata os crentes como aqueles que escutam a Palavra de Deus e a praticam (Mt 7.24; Mc 4.20; 7.32-37; Lc 8.21). Obediência é a marca de uma decisão pessoal, da confiança e do compromisso que caracterizam a fé. Richardson diz algo que resume muito bem esta atitude: “Obediência toma-se praticamente uma expressão técnica para a aceitação da fé cristã” {An Introduction to the Theology of the NT, 30; veja também At 6.7; Rm 1.5; IPe 1.2).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 586-587.
OBEDIÊNCIA As palavras hebraicas e gregas traduzidas como "obedecer" ou "obediência" são geralmente shama' e as formas cognatas de akouo. O significado básico de ambas é "ouvir". De fato, muitas vezes que o tradutor se confronta com estas palavras e seus cognatos, é muito difícil determinar se a tradução mais apropriada é "ouvir" ou "obedecer". Esta dificuldade, porém, oferece uma visão profunda do conceito bíblico básico de obediência, um conceito que ocorre tanto no AT como no NT.
Embora a obediência expresse uma ação que existe nas relações humanas comuns (tais como discípulos aos mestres ou filhos aos pais), sua referência mais significativa é a de um relacionamento que deve existir entre o homem e Deus. Deus revela-se a si mesmo ao homem por sua voz e palavras. As palavras devem ser ouvidas. Isto obviamente envolve uma recepção física das palavras com uma suposta compreensão mental de seu significado.
Mas em termos da recepção da revelação de Deus pelo homem, este fato em si não é um ouvir verdadeiro. A atitude de ouvir verdadeiramente está ligada à fé que recebe a Palavra divina e, a traduz em ação. E uma resposta de fé. E uma resposta positiva e ativa, não meramente ouvir e considerar de forma passiva. Ouvir é agir. Em outras palavras, ouvir realmente a Palavra de Deus é obedecer à Palavra de Deus. No NT, a ideia de se assumir a responsabilidade de obedecer à Palavra ouvida, ou de se colocar sob esta responsabilidade, é claramente enfatizada pelo termo hupakouo, uma composição dos termos "sob" e "ouvir". Muitas passagens referentes ao ouvir e à obediência obviamente têm em vista este aspecto de resposta positiva e ativa. "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mt 11.15; cf. 13.9,43; Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22; 13.9). Veja Ouvido. O homem sábio é aquele que "ouve estas minhas [do Senhor Jesus] palavras e as pratica" (Mt 7.24). "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e... me seguem" (Jo 10.27). Com respeito à revelação que havia recebido em Patmos, João disse: "Bem-aventurado(s)... os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas" (Ap 1.3). Não há nenhuma dicotomia entre o ouvir e o obedecer. O ouvir verdadeiro é a obediência. A fé em si envolve obediência. O Senhor Jesus, Paulo e Tiago deixam bem claro que a verdadeira fé emana da obediência.
S.N.G. No AT, pelo fato de Abraão ter crido em Deus e obedecido à sua voz, todas as nações da terra se tornaram benditas (Gn 15.6; 22.18; 26.4,5). Obedecer à voz de Deus é equivalente a guardar a sua aliança (Êx 19.5; cf. 23.20-22); portanto, os israelitas prometeram ser obedientes quando o Livro da Aliança foi ratificado com a aspersão de sangue (Êx 24.7,8). A re-dedicação do povo para obedecer à lei era uma parte básica das cerimónias de renovação de aliança (Dt 27.1-10; 30.2,8,20; Js 24.24-27). Ao castigar o rei Saul por sua obediência incompleta, Samuel ensinou a grande verdade de que obedecer é melhor do que sacrificar (1 Sm 15.22). Em séculos posteriores, a nação foi repetidamente advertida por sua desobediência a Deus e à sua lei (Is 42.24; Jr 3.13; 7.23-28; Sf 3.2; Ne 9.17,26). A obediência, ou a falta dela, pode ser tanto interior, do coração (Pv 3.1), ou meramente exterior, no sentido de uma obediência forçada (SI 72.8-11).
No NT, Paulo fala da "obediência da fé" (ou "por fé") por parte dos cristãos (Rm 1.5; cf. At 6.7). A frase em grego é a mesma que foi utilizada em Romanos 16.26, onde ele escreve que o evangelho conduz à "obediência da fé". O apóstolo está, evidentemente, referin-do-se ao desejo de Deus de que os gentios, ao ouvirem o evangelho, obedeçam-no receben-do-o pela fé, confiando em seus termos (cf. 1 Pe 1.2,22; 1 Jo 3.23). Paulo adverte quanto ao terrível castigo que aguarda aqueles que se recusam a obedecer ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo (2 Ts 1.8; cf. Rm 2.8; 1 Pe 2.7,8). Ele elogia os coríntios por sua obediência ao evangelho de Cristo que professavam (2 Co 9.13).
Como um exemplo de obediência, Paulo e Pedro apontam para o Senhor Jesus Cristo que "humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte" (Fp 2.8; cf. 1 Pe 2.18,21). Paulo fala da obediência de Cristo ao fazer a expiação pelos pecadores, em contraste com a desobediência de Adão e seus descendentes (Rm 5.19). A declaração em Hebreus 5.8 de que Ele "aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu", deve significar que Cristo fez da experiência de obedecer ao Pai algo real. Ao agir assim, Ele cumpriu o propósito eterno da Divindade vivendo toda a sua vida como nosso representante, obedecendo e sofrendo em nosso lugar e por nossa causa, satisfazendo completamente a lei, em todos os seus aspectos (J. O. Buswell, Jr., A Syste-matic Theology of the Christian Religion, Grand Rapids. Zondervan, 1962, II, lllss.). Veja Obediência de Cristo. A Palavra de Deus exorta os servos (escravos) a obedecerem a seus senhores (Ef 6.5-8; obedecerem a seus líderes (Hb 13.17); as mulheres, a obedecerem a seus maridos (Tt 2.5; Ef 5.22-24; 1 Pe 3.1-6); e os filhos, a obedecerem a seus pais (Ef 6.1; Cl 3.20; cf. Pv 6.20; 23.22; 29.15). Portanto, os crentes como um todo são caracterizados como "filhos obedientes" (1 Pe 1.14; cf. Rm 6.16,17; Hb 5.9). A desobediência aos pais é considerada uma marca da depravação humana (Rm 1.30) e um sinal dos últimos dias (2 Tm 3.2). Os cristãos são ensinados a obrigar cada pensamento humano a se render em obediência a Cristo (2 Co 10.5).
O mais alto nível de obediência para o cristão é fazer a vontade de Deus de todo o coração (Rm 6.17), e não por uma mera complacência exterior. Ele possui um espírito de obediência que cria dentro de si o desejo de obedecer no pensamento e através de atitudes (por exemplo, Mt 5.28,44; 19.21,22). O cristão tem a mente de Cristo (Fp 2.5), pois a Palavra de Deus está dentro de seu coração e ele deleita-se em fazer a vontade de Deus (SI 40.8; cf. Hb 10.5-9).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1383-1384.
I Sam 15.22 Tanto prazer em holocaustos e sacrifícios...? Ultrapassando as percepções e a compreensão de um sumo sacerdote, o profeta via claramente que a espiritualidade é mais bem compreendida em termos de retidão nas atitudes e no coração, que na realização dos sacrifícios. A antiga fé hebréia era um sistema altamente ritualista, sacrifical, mas os profetas trouxeram uma luz mais forte acerca do que Deus requeria dos homens. Um desses requisitos era a obediência. Ver sobre esse termo no Dicionário, quanto a plenas explicações e ilustrações.
“Este versículo contém a mais fina expressão da crítica profética dos sacrifícios (cf. Amós 5.21-27; Osé. 6.6; Isa. 1.11-15). E mesmo que duvidemos que Deus teria dado ordens para aniquilar um povo inteiro, isso não invalida o princípio aqui enunciado” (George B. Caird, in loc).
“Não é a obediência à vontade de Deus a finalidade para a qual apontam todas as fés religiosas, ritos e cerimônias?” (Adam Clarke, in loc).
Irineu (Haer. iv.32) corretamente comentou que essa grande declaração de Samuel claramente previu o dia em que o sistema sacrifical chegaria ao fim. “Nos sacrifícios, um homem oferece somente carne estranha, ao passo que, na obediência, oferece sua própria vontade” (Gregório, Morais, xxxv.10).
Tipologia. No sacrifício de Cristo, todos os demais, de fato todo o sistema do Antigo Testamento, encontrou cumprimento, o que explica sua descontinuação.
O princípio da obediência em lugar de sacrifício “é fora do tempo em sua aplicação” (Eugene H. Merrill, in loc). “O nublado moral é levantado por um momento, e Samuel fala como fizeram os grandes profetas do século VIII A. C.” (John C. Shroeder, in loc).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1177.
I Sam 15.22 — O obedecer é melhor do que o sacrificar.
Samuel enfatizou que a sinceridade e a obediência eram pré-requisitos para uma adoração que agradava a Deus. Há aqueles que usam este e outros versículos para argumentar que Deus nunca pretendeu que a adoração em forma de sacrifícios fosse usada para honrá-lo. Porém, tais versículos não anulam a adoração feita dessa forma; eles apontam para o cerne da questão: a importância da integridade de coração daquele que vem adorar o Deus vivo.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 478.
I Sam 15.22,23 Este é o primeiro dentre muitos lugares na Bíblia onde é declarado o tema: “Obedecer é melhor do que sacrificar' {SI 40.6-8; 51.16,17; Pv 21.3; Is 1.1117; J r 7.21-23; Os 6.6; Mq 6.6-8: Mt 12.7; Mc 12.33; Hb 10.8,9). Samuel teria afirmado que aquele sacrifício era sem importância? Não. ele exortou Saul a olhar os próprios motivos ao fazer o sacrifício ao invés de olhar o holocausto propriamente dito. O sacrifício era um ritual que demonstrava a comunhão entre o homem e Deus.
Mas se o coração da pessoa não estivesse verdadeiramente arrependido ou se ela não amasse o Senhor cie verdade, o sacrifício era uma cerimônia vazia. Cerimônias religiosas ou rituais são vazios a menos que sejam apresentados com atitude de amor e obediência. "Ser religioso" (ir á igreja, trabalhar em um departamento, fazer doações ã assistência social, etc.) não é suficiente se não agimos com devoção e obediência a Deus.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 389-390.
III - OBRIGAÇÕES FRENTE À TRANSCENDÊNCIA DE DEUS
1. Deus, o criador.
Todas as grandes religiões possuem noção do sagrado e demonstram temor e respeito diante dEle. A divindade aparece diante dos adoradores como o totalmente outro. No judaísmo e também no cristianismo esse conceito é mais elevado ainda, visto existir a consciência de que esse sagrado trata-se do Deus verdadeiro que se revelou ao homem ao longo da história. Deus, portanto, é o Criador e se distingue das coisas criadas (Dt 4.1 5- 20). Na teologia bíblica isso aparece como a doutrina da transcendência de Deus e é um dos seus atributos. Deus transcende as suas criaturas, isto é, está acima delas e por isso se distingue delas. Eclesiastes fala disso: “Deus está nos céus” (Ec 5-2). Deus está lá e você aqui! Deus pode se humanizar (Jo 1.14), mas o homem não pode se divinizar. Quem procurou ser igual a Deus foi expulso do céu (Ez 28.1,2; Is 14.12-15).
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 118-119.
CRIAÇÃO A obra de Deus ao trazer à existência todas as coisas. A passagem definitiva é Génesis 1.1, sob a qual deve se colocar toda a teologia bíblica. Deus, o Criador, é uma trindade pessoal, onipotente, onipresente e onisciente. Deus sozinho é eterno, tanto quanto imanente e transcendente com respeito à sua criação.
A verdadeira criação deve ser ex níhilo (do nada). A ideia de que o presente universo evoluiu de materiais anteriores, embora seja comumente sustentada em outras religiões e filosofias, não tem base nem nas Escrituras nem na ciência física. A tradução de Génesis 1.1 como uma sentença dependente (isto é, "Quando Deus começou a criar os céus e a terra, a terra era sem forma e vazia) é inadmissível. Este versículo de abertura é mais exatamente uma afirmação absoluta, que sustenta a criação inicial dos céus e da terra a partir do nada. Ele também não é um simples título ou índice do que se segue; mas é a primeira afirmação da narrativa da ordem dos eventos da criação. Uma vez que Génesis 1.1 é o único versículo no capítulo que menciona a criação dos céus, ele deve ser compreendido dentro do escopo da afirmação resumida de Génesis 2.1, que confirma a conclusão da criação tanto do céu como da terra.
Criação Completa. E de suprema importância reconhecer que as Escrituras ensinam a respeito de uma criação concluída. Este fato é enfatizado pelas repetidas afirmações deste efeito em Génesis 2.1-3, e pela instituição do sábado como um memorial da obra concluída de Deus (veja também Ex 20.11; 31.17; SI 33.6,9; Ne 9.6; Hb 4.4,10; 2 Pe 3.5). Assim, a criação não está mais acontecendo, exceto em atos ocasionais de natureza miraculosa. Os processos normais, constantes da natureza pelos quais Deus providencialmente agora sustenta todas as coisas (Hb 1.3; 2 Pe 3.7) não são, de forma alguma, processos de criação. Estudos científicos de processos atuais não podem, entretanto, levar ao entendimento de qualquer um dos eventos do período da criação, mesmo porque estes eventos aconteceram pelos processos criativos Divinos, e não temos a capacidade de investigá-los agora.
Este ensino das Escrituras é sustentado cientificamente pela lei da conservação da massa e energia, a primeira lei da termodinâmica, que é a lei mais básica e bem comprovada de toda a ciência. Nem a energia nem a massa (exceto nas trocas de mas-sa-energia) estão sendo agora criadas ou destruídas. O reservatório universal de energia (que inclui realmente tudo no universo físico) deve, portanto, datar de um período primitivo da criação, assim como afirma a Bíblia.
Idade aparente. Se a criação não ocorreu através dos processos atuais, então a única forma pela qual podemos saber qualquer coisa sobre os acontecimentos, maneira, ordem ou data da criação é através da revelação que Deus nos concede a respeito destes temas. E exatamente isto que Ele fez no registro da criação em Génesis 1 e 2, assim como em muitas ouras passagens das Escrituras. Não há, portanto, nenhuma razão válida para duvidar, de alguma forma, da exatidão ou da precisão dos eventos registrados nestas passagens. Estes grandes acontecimentos se deram em um período de seis dias. Cada ação foi completa e julgada por Deus como "boa". Ele chamou tudo que criou de "muito bom" (Gn 1.31). Estes seres criados deveriam, necessariamente, no instante da criação, ter uma "idade aparente". Isto é mais evidente no caso de Adão e Eva, que foram criados como indivíduos maduros. mas também deve ser verdade no caso de todas as outras coisas, tanto animadas como inanimadas. O universo inteiro foi estabelecido como um todo em funcionamento desde o instante da criação. De fato, é filosoficamente e escrituralmente impossível conceber uma substância verdadeiramente criada, sem alguma idade aparente. Isto não envolve Deus em alguma fraude, como alguns poucos alegam, uma vez que Ele revelou claramente, em sua Palavra, que tudo ocorreu deste modo. Evolução. Pode-se, portanto, afirmar categoricamente que os processos de evolução, quer sejam ateístas ou não, não podem ser levados em conta para a constituição do universo e seus habitantes. A evolução por definição abrange um aumento geral de ordem e organização, desde o simples até o complexo, e do mais baixo ao mais alto. Em sua estrutura científica comumente apresentada, ela implica em grandes idades de mudanças lentas, passadas adiante pelo processo da seleção natural. Isto é pretensamente explicado pelo princípio da uniformidade operacional dos processos presentes - um princípio que é explicitamente contraditado pelo relato da criação.
Além do mais, as Escrituras indicam que por causa da entrada do pecado, agora existe uma maldição universal sobre a terra (Gn 3.17-19; Rm 8.19-22), manifestada em uma tendência universal ao envelhecimento e à morte. Assim, embora a mudança seja evidente em todo lugar no mundo, esta mudança não é evolucionária, mas, sim, degenerativa. Este ensino das Escrituras é cientificamente verificado através da segunda lei da termodinâmica, que afirma que há em todos os sistemas - sejam físicos ou biológicos -uma tendência inata em direção à diminuição da ordem e da complexidade. A evolução pode, no máximo, ser apenas um fenómeno local e temporário, porém é impossível que atinja a condição de uma lei universal como as leis de conservação e deterioração. Assim, é impossível atribuir a criação a qualquer forma de evolução.
Resumo. A Criação, de acordo com as Escrituras, foi realizada como uma série de atos Divinos, trazendo os seres materiais à existência, a partir do nada. Desde o início, eram altamente organizados e em total funcionamento, e assim foram formados com uma aparência de idade. A criação foi completa e terminada durante um período especial no passado, resultando naquele período ou dia em que Deus "descansou" e não está mais criando, exceto em casos isolados de intervenção sobrenatural. Os processos físicos e biológicos do presente são providenciais e não criadores, e assim não podem dar nenhuma informação sobre qualquer coisa relacionada ao período da criação. Esta informação só pode vir através da revelação Divina, que é fornecida na Bíblia Sagrada. Assim, não resta uma razão pela qual não possamos ou não devamos aceitar o relato da criação que nos é fornecido pelo Génesis como histórico, literal e concreto dos eventos específicos que se passaram durante aquele período.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 472-473.
A CRIAÇÃO
Gn 1.1 “No princípio, criou Deus os céus e a terra.
O DEUS DA CRIAÇÃO. (1) Deus se revela na Bíblia como um ser infinito, eterno, auto-existente e como a Causa Primária de tudo o que existe. Nunca houve um momento em que Deus não existisse. Conforme afirma Moisés: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Noutras palavras, Deus existiu eterna e infinitamente antes de criar o universo finito. Ele é anterior a toda criação, no céu e na terra, está acima e independe dela (ver 1Tm 6.16 nota; Cl 1.16). (2) Deus se revela como um ser pessoal que criou Adão e Eva “à sua imagem” (1.27; ver 1.26 nota). Porque Adão e Eva foram criados à imagem de Deus, podiam comunicar-se com Ele, e também com Ele ter comunhão de modo amoroso e pessoal. (3) Deus também se revela como um ser moral que criou tudo bom e, portanto, sem pecado. Ao terminar Deus a obra da criação, contemplou tudo o que fizera e observou que era “muito bom” (1.31). Posto que Adão e Eva foram criados à imagem e semelhança de Deus, eles também não tinham pecado (ver 1.26 nota). O pecado entrou na existência humana quando Eva foi tentada pela serpente, ou Satanás (Gn 3; Rm 5.12; Ap 12.9).
A ATIVIDADE DA CRIAÇÃO. (1) Deus criou todas as coisas em “os céus e a terra” (1.1; Is 40.28; 42.5; 45.18; Mc 13.19; Ef 3.9; Cl 1.16; Hb 1.2; Ap 10.6). O verbo “criar” (hb.“bara”) é usado exclusivamente em referência a uma atividade que somente Deus pode realizar. Significa que, num momento específico, Deus criou a matéria e a substância, que antes nunca existiram (ver 1.3 nota). (2) A Bíblia diz que no princípio da criação a terra estava informe, vazia e coberta de trevas (1.2). Naquele tempo o universo não tinha a forma ordenada que tem agora. O mundo estava vazio, sem nenhum ser vivente e destituído do mínimo vestígio de luz. Passada essa etapa inicial, Deus criou a luz para dissipar as trevas (1.3-5), deu forma ao universo (1.6-13) e encheu a terra de seres viventes (1.20-28). (3) O método que Deus usou na criação foi o poder da sua palavra. Repetidas vezes está declarado: “E disse Deus...” (1.3, 6, 9, 11, 14, 20, 24, 26). Noutras palavras, Deus falou e os céus e a terra passaram a existir. Antes da palavra criadora de Deus, eles não existiam (Sl 33.6,9; 148.5; Is 48.13; Rm 4.17; Hb 11.3). (4) Toda a Trindade, e não apenas o Pai, desempenhou sua parte na criação. (a) O próprio Filho é a Palavra (“Verbo”) poderosa, através de quem Deus criou todas as coisas. No prólogo do Evangelho segundo João, Cristo é revelado como a eterna Palavra de Deus (Jo 1.1). “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Semelhantemente, o apóstolo Paulo afirma que por Cristo “foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis... tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1.16).
Finalmente, o autor do Livro de Hebreus afirma enfaticamente que Deus fez o universo por meio do seu Filho (Hb 1.2). (b) Semelhantemente, o Espírito Santo desempenhou um papel ativo na obra da criação. Ele é descrito como “pairando” (“se movia”) sobre a criação, preservando-a e preparando-a para as atividades criadoras adicionais de Deus. A palavra hebraica traduzida por “Espírito” (ruah) também pode ser traduzida por “vento” e “fôlego”. Por isso, o salmista testifica do papel do Espírito, ao declarar: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito (ruah) da sua boca” (Sl 33.6). Além disso, o Espírito Santo continua a manter e sustentar a criação (Jó 33.4; Sl 104.30).
O PROPÓSITO E O ALVO DA CRIAÇÃO. Deus tinha razões específicas para criar o mundo.
(1) Deus criou os céus e a terra como manifestação da sua glória, majestade e poder. Davi diz: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1; cf. 8.1).
Ao olharmos a totalidade do cosmos criado — desde a imensa expansão do universo, à beleza e à ordem da natureza — ficamos tomados de temor reverente ante a majestade do Senhor Deus, nosso Criador. (2) Deus criou os céus e a terra para receber a glória e a honra que lhe são devidas. Todos os elementos da natureza — e.g., o sol e a lua, as árvores da floresta, a chuva e a neve, os rios e os córregos, as colinas e as montanhas, os animais e as aves — rendem louvores ao Deus que os criou (Sl 98.7,8; 148.1-10; Is 55.12). Quanto mais Deus deseja e espera receber glória e louvor dos seres humanos! (3) Deus criou a terra para prover um lugar onde o seu propósito e alvos para a humanidade fossem cumpridos. (a) Deus criou Adão e Eva à sua própria imagem, para comunhão amorável e pessoal com o ser humano por toda a eternidade. Deus projetou o ser humano como um ser trino e uno (corpo, alma e espírito), que possui mente, emoção e vontade, para que possa comunicar-se espontaneamente com Ele como Senhor, adorá-lo e servi-lo com fé, lealdade e gratidão. (b) Deus desejou de tal maneira esse relacionamento com a raça humana que, quando Satanás conseguiu tentar Adão e Eva a ponto de se rebelarem contra Deus e desobedecer ao seu mandamento, Ele prometeu enviar um Salvador para redimir a humanidade das consequências do pecado (ver 3.15 nota). Daí Deus teria um povo para sua própria possessão, cujo prazer estaria nEle, que o glorificaria, e que viveria em retidão e santidade diante dEle (Is 60.21; 61.1-3; Ef 1.11,12; 1Pe 2.9). (c) A culminação do propósito de Deus na criação está no livro do Apocalipse, onde João descreve o fim da história com estas palavras: “...com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21.3).
CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO. A evolução é o ponto de vista predominante, proposto pela comunidade científica e educacional do mundo atual, em se tratando da origem da vida e do universo. Quem crê, de fato, na Bíblia deve atentar para estas quatro observações a respeito da evolução. (1) A evolução é uma tentativa naturalista para explicar a origem e o desenvolvimento do universo. Tal intento começa com a pressuposição de que não existe nenhum Criador pessoal e divino que criou e formou o mundo; pelo contrário, tudo veio a existir mediante uma série de acontecimentos que decorreram por acaso, ao longo de bilhões de anos. Os postulantes da evolução alegam possuir dados científicos que apoiam a sua hipótese. (2) O ensino evolucionista não é realmente científico. Segundo o método científico, toda conclusão deve basear-se em evidências incontestáveis, oriundas de experiências que podem ser reproduzidas em qualquer laboratório. No entanto, nenhuma experiência foi idealizada, nem poderá sê-lo, para testar e comprovar teorias em torno da origem da matéria a partir de um hipotético “grande estrondo”, ou do desenvolvimento gradual dos seres vivos, a partir das formas mais simples às mais complexas. Por conseguinte, a evolução é uma hipótese sem “evidência” científica, e somente quem crê em teorias humanas é que pode aceitá-la. A fé do povo de Deus, pelo contrário, firma-se no Senhor e na sua revelação inspirada, a qual declara que Ele é quem criou do nada todas as coisas (Hb 11.3). (3) É inegável que alterações e melhoramentos ocorrem em várias espécies de seres viventes. Por exemplo: algumas variedades dentro de várias espécies estão se extinguindo; por outro lado, ocasionalmente vemos novas raças surgindo dentre algumas das espécies. Não há, porém, nenhuma evidência, nem sequer no registro geológico, a apoiar a teoria de que um tipo de ser vivente já evoluiu doutro tipo. Pelo contrário, as evidências existentes apoiam a declaração da Bíblia, que Deus criou cada criatura vivente “conforme a sua espécie” (1.21,24,25). (4) Os crentes na Bíblia devem, também, rejeitar a teoria da chamada evolução teísta. Essa teoria aceita a maioria das conclusões da evolução naturalista; apenas acrescenta que Deus deu início ao processo evolutivo. Essa teoria nega a revelação bíblica que atribui a Deus um papel ativo em todos os aspectos da criação. Por exemplo, todos os verbos principais em Genesis 1 têm Deus como seu sujeito, a não ser em 1.12 (que cumpre o mandamento de Deus no v. 11) e a frase repetida “E foi a tarde e a manhã”. Deus não é um supervisor indiferente, de um processo evolutivo; pelo contrário, é o Criador ativo de todas as coisas (Cl 1.16).
STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
Dt 4.15 Novamente, temos uma repetição. Quanto às ideias constantes neste versículo, ver Deu. 4.6,9,11,12. Havia fogo por toda parte; a fumaça ocultava a presença de Yahweh, mas a voz da instrução soou claramente e a mensagem foi entregue de modo distinto. Uma obediência absoluta era exigida. Yahweh dera revelação e iluminação, e a revelação fora escrita e preservada. Não havia desculpa possível para a desobediência. A idolatria era a pior forma possivel de desobediência, conforme os versículos seguintes enfatizam. Fazia parte da principal característica da adoração pagã que formas visíveis tinham de ser vistas, antes que o culto pudesse ser efetuado. E a idolatria moderna acompanha o mesmo método. A adoração a Yahweh, entretanto, não se alicerça sobre nenhuma forma visível. Deus está acima de tudo isso.
“Todas as nações contavam com suas divindades visíveis” (Ellicott, in loc.). Mas isso equivale a humanizar a fé religiosa. A legislação mosaica conferiu-nos um discernimento quanto a essa questão que até mesmo segmentos inteiros da cristandade se recusam teimosamente a reconhecer.
Dt 4.16 Imagem esculpida na forma de ídolo. O fabrico de imagens, para efeito de adoração ou veneração, é aqui considerado um fator “corruptor” dos seres humanos. Pois desvia a mente das pessoas da Presença invisível de Deus e rebaixa a ideia de como é a deidade. Nenhuma imagem esculpida ou fundida deveria ser feita. Este mandamento estava incorporado nos Dez Mandamentos, como o segundo deles. Ver Êxo. 20.4. Esse versículo é abrangente e proíbe tudo quanto é proibido neste texto, ou seja, qualquer tipo de imagem, de ser humano, de animal (terrestre ou aquático). Também não poderia haver adoração às estrelas, ao sol ou à lua. Estava proibida qualquer coisa que tendesse por desviar a mente dos homens da Presença invisível de Deus. Ver no Dicionário o artigo geral intitulado Idolatria. Cf. Rom. 1.23.0 vs. 20 daquele capítulo faz soar a mesma nota: Deus é o Invisível; Ele faz-se conhecer através da natureza e da revelação. Por conseguinte, é uma estupidez reduzir o culto religioso ao uso, à adoração ou à veneração de imagens feitas por mãos humanas.
Semelhança de homem ou de mulher. Estão em foco os deuses e as deusas, adorados através de imagens que representam figuras masculinas ou femininas. Ver no Dicionário o artigo Deuses Falsos quanto a ilustrações completas. Divindades do gênero feminino incluíam aquelas de Baal-Peor, Juno, Diana, Vênus, Afrodite, espalhadas no mundo ocidental pelos gregos e pelos romanos. E algumas das divindades masculinas incluíam Baal, Júpiter, Marte, Hércules, Zeus, Mercúrio etc. Os egípcios veneravam divindades como Osíris e ísis, uma masculina e outra feminina.
Dt 4.17 Havia um sem-número de formas que eram dadas às divindades imaginárias. Paulo queixou-se disso amargamente, quando estava em Atenas. Ver Atos 7.16 ss.. Todavia, ali também encontrou um altar ao “deus desconhecido", e procurou usar essa circunstância para ensinar alguma coisa sobre o verdadeiro Deus, o qual, para os habitantes de Atenas, era realmente desconhecido.
A idolatria chegou ao absurdo de se adorar meras figuras de animais, como o boi sagrado do Egito. Ver no Dicionário o artigo intitulado Ápis. Ver também Êxo. 32.4 e suas notas expositivas, quanto a detalhes. Os egípcios chegaram a ter um besouro sagrado, o escaravelho. Os tebanos adoravam o carneiro; os mendesianos, o bode. O gavião e um pássaro chamado íbis eram adorados pelos egípcios. Muitos povos antigos adoravam a serpente. Macacos, cães e gatos chegaram a ser adorados, nas práticas idolátricas. Adam Clark informa-nos que até mesmo cebolas e alhos eram reverenciados! Minhas notas sobre Êxo. 20.4 ampliam o assunto, bem como o artigo chamado Idolatria. Mas o trecho de Êxodo 20.4 tem a tripla proibição: coisa alguma do céu, da terra ou do Mar podia ser reduzida a um objeto de adoração.
A idolatria está em todos nós. Apesar de rirmos e zombarmos dessas formas grosseiras de idolatria, contudo, dentro de cada pessoa há algum ídolo que ameaça a adoração somente a Deus, debilitando nossa vida espiritual. Algumas de nossas formas de idolatria são tão crassas como aquelas adotadas pelos antigos povos pagãos. Existem ídolos que afetam a mente ou a ambição. Alguns fazem dos prazeres o seu deus; outros preferem idolatrar o dinheiro, a fama, vantagens de todas as formas, ou mesmo algum outro ser humano. Também há astros do cinema, estrelas do mundo dos esportes, dos entretenimentos etc. que se tornam ídolos ridículos, até mesmo para os mais esclarecidos. Mas, acima de tudo, adoramos a nós mesmos.
4.18
Uma das três esferas da existência onde os homens vão buscar sua inspiração no fabrico de ídolos é a terra; e outra dessas esferas é o Mar. Este versículo proíbe essas formas de idolatria. Paulo menciona que até répteis eram reverenciados pelos idólatras de seus dias (ver Rom. 1.23). Ver esse versículo no Novo Testamento Interpretado, quanto a notas expositivas completas. A serpente era um objeto comum de adoração, como também o crocodilo e o hipopótamo, os quais eram adorados pelos egípcios. Dagã e Derceto eram adorados debaixo das figuras de peixes, pelos fenícios. As três esferas: as aves do céu, os animais da terra e os peixes do Mar.
Dt 4.19 O trecho de Êxodo 20.4 proíbe a adoração a qualquer objeto representado como existente no céu, como o sol, a lua e as estrelas. Talvez essa tenha sido a mais antiga forma de idolatria, e também a mais universal. A natureza inteira foi criada por Deus, não tendo por finalidade substituir Deus, por mais impressionante que pareçam o céu e muitas outras coisas deste mundo terrestre. O monoteísmo é um excelente discernimento espiritual que foi dado aos hebreus. Contudo, até mesmo em nossos dias, há segmentos da cristandade que têm deturpado esse conceito. Ver no Dicionário o verbete intitulado Monoteísmo.
“A adoração a divindades astrais também era comum no antigo Oriente. O sol era adorado como o deus Rá ou Aten, no Egito. E na terra de Canaã, que agora os israelitas estavam prestes a invadir, a adoração aos astros também era comum (para exemplificar, a cidade de Jericó era dedicada à adoração do deus-lua). Os filhos de Israel não podiam permitir ser atraídos (vs. 19) pela adoração aos corpos celestes (ver Deu. 17,2-5), que Deus tinha provido para todas as nações da terra" (Jack S. Deere, in loc.).
Teu Deus repartiu a todos os povos. Alguns estudiosos vêem aqui um tipo de referência astrológica. Deus teria criado as luminárias para ajudar os homens, e não somente para lhes fornecer luz. Mas é altamente improvável que o autor sagrado tenha dito qualquer coisa de positivo em favor da astrologia (ver a esse respeito no Dicionário). Na idolatria havia o envolvimento de alguma forma de astrologia, embora não seus aspectos mais sérios, que mais tarde vieram a formar a ciência da astronomia (ver a esse respeito no Dicionário). Talvez o autor só se estivesse referindo à ordem divina nos céus, que os homens deveriam admirar, que os marinheiros que singram os mares usam para se nortearem, ou como inspirações que nos mostram quão grandiosa é a criação divina, e, portanto, quão grande Ele mesmo deve ser. “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sal. 19.1). Mui provavelmente, essa é a idéia que está por trás do presente versículo, com sua referência um tanto vaga.
Dt 4.20 Mas o Senhor vos tomou. Israel tornou-se uma nação distinta, altamente favorecida por Deus, acima de outras nações. Enquanto outras nações afundavam-se na idolatria, Israel foi libertado do Egito e trazido para a Terra Prometida, para que vivesse separada como uma nação santa, favorecida pela posse da legislação mosaica, dotada de uma fé religiosa distinta. Ver Deu. 4.6 quanto a isso. Israel ficava aquém de outras nações nos campos das artes, da ciência e da tecnologia, mas ultrapassava a todas as nações quanto à revelação espiritual e à sabedoria. Israel foi liberado da tola idolatria que degradava outros povos.
O fato de que Israel foi “tirado do Egito" é mencionado por nada menos de vinte vezes em Deuteronômio. No Egito, Israel foi reduzido aos terrores de uma fornalha de fundir ferro, que indica uma extrema opressão. Porém, uma vez tirada daquela fornalha, a nação veio a tornar-se herdeira de uma nova terra, como possessão ímpar de Deus. Ver Deu. 9.26; Sal. 28.9; 33.12; 68.9; 78.72; 79.1; 94.14; Joel 2.17; 3.2; Miq. 7.14,18.
O povo de Israel, uma vez libertado do Egito, precisava deixar para trás a idolatria egípcia, como algo indigno de sua nova condição de povo libertado. Quanto a algumas referências no Deuteronômio à libertação do Egito, ver Deu.
1.27; 4.34,37; 5.6; 8.14; 9.7,12; 13.5; 16.1; 20.1; 23.4; 24.9; 25.17; 26.8. Ver notas especiais em Núm. 23.22.
Para que lhe sejais povo de herança. Isso fazia parte do Pacto Abraâmico (ver Gên. 15.18 quanto a notas a respeito desse pacto).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 772-773.
Dt 4.15,16 — Não havia nenhuma maneira de descrever ou esculpir a presença de Deus no Sinai (Ex 20.18), pois Israel não viu a forma “física” do Senhor. Assim, o povo não poderia elaborar qualquer representação material dela. Embora o ser humano tenha sido criado à imagem e semelhança de Deus, não há figura de macho ou de fêmea, isto é, objeto confeccionado pelo homem que consiga reproduzir Deus (Gn 1.26,27).
Dt 4.17-19 — Figura de algum animal[...] o sol, e a lua, e as estrelas. Os animais e os corpos celestes foram criados por Deus (Gn 1.20-25). Por serem criações, e não o Criador, não poderiam de forma alguma ser adorados nem servir de representação de Deus (Gn 1.14-19; SI 19.1).
Dt 4.20 — Este versículo revela uma espécie de “slogan da redenção”: o Senhor vos tomou e vos tirou do forno de ferro do Egito. Deus escolheu Israel para ser o Seu povo e estabeleceu uma aliança com ele. Por isso, libertou-o da escravidão egípcia, período aludido nesta passagem pela expressão forno de ferro (Is 48.10; Jr 11.4). O resultado do êxodo e do cumprimento da Lei seria um povo hereditário, visto que a nação de Israel pertencia a Deus e, por isso, teria um glorioso futuro ao Seu lado.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 317-318.
Dt 4. 15-20. A revelação original não deve ser corrompida com idolatria (4.15-24). Este parágrafo apresenta várias formas de idolatria. Os israelitas foram advertidos a se manter longe de escultura (16; pesei, “imagem esculpida”, cf. ARA). Não deviam copiar figura ou forma. Afigura de macho ou de fêmea pode se referir à adulação sexual na adoração pagã, na qual os órgãos sexuais eram adorados com ritos obscenos. Eram os egípcios e outras nações que adoravam animais, pássaros, insetos, répteis e peixe (17,18).
O versículo 19 proibia Israel de adorar o sol, a lua ou as estrelas, que eram influência dominante na religião babilónica. Qual é o significado de: Aqueles que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus (19)?
Certos expositores julgam que significa que esta forma de adoração era permitida por Deus para as nações que não tinham a revelação especial de Israel como estágio para a verdadeira adoração (cf. At 14.16,17; 17.30). Mas para os israelitas, inclinar-se a esses elementos significava apostasia e repúdio ao concerto do SENHOR (23) que os libertara.
Do forno de ferro (20) é metáfora para designar aflição severa (cf. 1 Rs 8.51; Is 48.10; J r 11.4). Um fogo que consome, um Deus zeloso (24), indica o amor ardente que não tolera rivais e destrói tudo que seja contrário à natureza divina. Moisés se refere de novo à raiva que o Senhor teve do patriarca, excluindo-o da Terra Prometida (21,22). O propósito era avisar o povo que não se deve brincar com Deus e exortá-los a não se esquecerem do concerto, quando Moisés já não estivesse com eles para fazer cumprir suas reivindicações.
Jack Ford.  A. R. G. Deasley. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 427.
Jo 1.14 — E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. O Verbo (gr. logos), Aquele que sempre existiu se fez (gr. ginomai, uma ação concreta) carne (gr. sarx) e habitou entre nós.
O versículo 1 fala da natureza divina e eterna de Cristo e de Suas obras, que transcendem o tempo e o espaço. Aqui, no versículo 14, o Verbo entra na dimensão do tempo e do espaço, materializa-se, faz-se carne, e muda a história da humanidade.
O Filho de Deus que existia desde a eternidade (Fp 2.5-9), por um tempo, abriu mão de Seu estado eterno e imortal e de Sua condição divina, e fez-se homem. Ele se tornou um ser humano, limitado pelo tempo e espaço, sujeito à dor e à morte. Jesus Cristo se identificou completamente conosco como homem. Mas Ele não tinha pecado, pois o pecado não fazia parte da natureza humana antes da Queda. Sendo assim, João usou a palavra carne neste versículo para aludir à natureza humana, e não sua propensão para o pecado (diferente do apóstolo Paulo, em Romanos 8.1-11).
Deus habitou entre nós. O verbo traduzido como habitar é de origem grega e significa tabernacular, alude a ideia de armar uma tenda.
No Antigo Testamento, o tabernáculo era uma tenda móvel, armada no meio do acampamento dos israelitas e que representava a presença de Deus no meio do Seu povo. [Isto aponta para o desejo do nosso Criador de ter comunhão conosco.] Deus não é um tirano arrogante que fica ditando ordens do Seu trono no céu. Apesar de ser Rei e Senhor, Ele quer viver entre nós. Para isso, chegou a fazer-se homem, para habitar conosco. E vimos a sua glória. No Antigo Testamento, a palavra glória estava ligada à presença divina (Éx 33.18). Assim como Deus manifestou a Sua glória no tabernáculo edificado por Moisés, em Cristo Ele revelou a Sua presença divina e o Seu caráter (Jo 18.6; 20.26,27).
Como a glória do Unigénito do Pai. Jesus é o unigénito de Deus (Jo 3.16,18); o único Filho. O mesmo termo é usado para Isaque (Hb 11.17), embora este não fosse o único filho de Abraão, mas era o único filho da promessa. No evangelho de João, os que não nasceram do sangue, nem da vontade da came, nem da vontade do varão, mas de Deus (v. 13), pela fé em Cristo, foram chamados filhos de Deus (Jo 1.12,13). Mas Jesus Cristo é o unigénito de Deus, o único que sendo totalmente divino fez-se totalmente humano. Cheio de graça e de verdade. Jesus é cheio de graça e de verdade. Quando Deus se revelou a Moisés, Ele revelou a si mesmo como grande em beneficência e verdade (Êx 34.6). Quando aplicado a Jesus Cristo, esse atributo divino o identifica como o Autor da revelação e redenção perfeitas.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 223.
Jo 1.14 Em relação ao v. 10 já indagamos se, afinal, o Logos de Deus realmente poderia estar no ―mundo‖, tão alheio a ele por natureza e caracterizado por ―trevas‖? Porém, uma vez que ele já estava nele, não deveria apenas fazer uma visita rápida, uma visita em que se dissociasse e mantivesse uma resoluta distância de tudo que fosse alheio à sua natureza? E uma vez que ele já tinha figura humana, será que ele não agiria da mesma forma como também os gregos relatavam de seus deuses: apareciam na terra sob um disfarce qualquer, para rapidamente retornarem a seu aprazível céu, sem se envolver com todo o fardo terreno das pessoas?
Não, diz João, a mensagem de Jesus é algo radicalmente diferente de todos os mitos e lendas sobre deuses. Cada palavra da afirmação reveste-se de importância. Pois a afirmação é assombrosa: O ―Verbo‖ eterno, no qual Deus expressou todo o seu coração e seu ser, ―tornou-se carne‖, tornou-se uma pessoa real de carne e sangue.
Isso é ―revelação‖ genuína. Deus não passou entre nós num invólucro aparente de humanidade, intocado pela verdadeira condição humana, mas Deus se tornou verdadeiramente um de nós, numa solidariedade plena. Por isso não se diz apenas: A palavra se tornou ―ser humano‖, mas, enfatizando a condição real do ser humano, ouve-se: o Verbo se tornou ―carne‖. Desde o AT ―carne‖ caracteriza o ser humano em sua debilidade, transitoriedade e mortalidade; cf., p. ex., Sl 56.5; 78.39; Is 31.3; 40.6-8; Jr 17.5. Na declaração correspondente em Rm 8.3 Paulo fala da ―carne do pecado‖. Também para João a ―carne‖ faz parte das ―trevas‖ do mundo alienado de Deus (Jo 3.6; 6.63). Contudo, não é isso que ele está destacando agora. Seu intento é que a palavra ―carne‖ deixe claro que o Verbo eterno se insere integralmente na existência humana como um todo. Por isso também evitou qualquer formulação que poderia dar a entender um mero ―revestir-se‖ da carne. De forma intencional escolheu-se a expressão abrupta e inequívoca: O Logos ―se fez‖ carne.
―E o Verbo se fez carne.‖ Essa é a frase decisiva no início do evangelho. Só porque isso aconteceu é realmente possível escrever um ―evangelho‖ e João pode fornecer um relato histórico de Jesus. Agora, porém, é necessário que isso realmente se torne um relato ―histórico‖. É precisamente por isso que João nos dará referências históricas muito precisas sobre o local e as épocas, mencionando em sua narrativa também detalhes teologicamente insignificantes, mas que fazem recordar com quanta plenitude o Verbo eterno penetrou na existência humana histórica. Do mesmo modo, porém, temos de nos lembrar, em tudo que João nos relatará sobre Jesus, de que esse homem é verdadeiramente o eterno Verbo de Deus.
A ―revelação‖ é, portanto, ―encarnação‖ = ―tornar-se carne‖ por parte do Verbo de Deus. Afirma-se assim que ela não é apenas um assunto para o nosso ―pensar‖, não mera comunicação de pensamentos e doutrinas divinas. ―Revelação‖ é muito mais essencial e impactante. O Verbo de Deus não está apenas entre nós como idéia, mas essencialmente como ser humano. ―Deus‖ está visível entre nós como ―pessoa‖, como pessoa integral para toda a nossa existência humana.
Foi concedido a João que expusesse diante de nós essa importância fundamental da ―revelação‖ antes de falar acerca de Jesus. Cada uma das testemunhas do NT tem sua própria tarefa e mostra à igreja de todos os tempos os grandes feitos de Deus de uma perspectiva especial. Para Paulo, ―a palavra da cruz‖ é tudo, depois que a cruz de Jesus havia sido o tropeço que provocara sua ira acirrada contra Jesus e seus discípulos. É claro que também Paulo está consciente da importância da ―encarnação‖, em Fp 2.5-8; Gl 4.4; Rm 8.3s. A última passagem, porém, demonstra que Paulo imediatamente tem em mente também a cruz. João, porém, consegue formular o evangelho integral na ―palavra da encarnação‖. Ele nos mostra como nossa redenção está fundamentada não somente no episódio da cruz, mas já nesse imenso passo do Logos para dentro da carne. Ele nos faz pressentir que esse ―fazer-se carne‖ do ―Verbo‖ é o começo fundamental da ―cruz‖, de como Jesus sofreu para suportar o pecado e a perdição das pessoas. É por isso que João Batista vê, muito antes da cruz, logo no primeiro encontro, Jesus como o ―Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo‖ (Jo 1.29). Não apenas cobrir-se da ―carne‖ como um disfarce, mas ―fazer-se‖ carne, isso significa assumir sobre si, em total solidariedade conosco, nossa vida de pecado e morte, e ―carregá-la‖ dia após dia até a morte, sim até a morte na cruz.
―O Verbo se fez carne‖: como isso é possível? Para essa pergunta não há e não deve haver resposta, porque dissolveria o milagre da revelação. Contudo, uma coisa podemos afirmar como antevisão de Jo 3.16 e sob o testemunho de João em 1Jo 4.9s, a saber, que nisso resplandece a glória do amor. ―Encarnação‖, solidariedade plena com nossa vida humana, assumir toda a nossa existência – isso é amor, e é unicamente consumado pelo amor. E inversamente, o que realmente é ―amor‖ somente pode ser apreendido dessa encarnação, desse fazer-se carne por parte do ―Verbo‖.
João continua sua frase fundamental. O que o ―Verbo‖ fez quando se tornou ―carne‖? ―Habitou entre nós.‖ Muitos gostam de assinalar que para ―habitar‖ é usado um termo grego que na realidade significa ―armar a tenda‖. Porém, se isso visa ressaltar que o Logos apenas ―acampou‖ entre nós e não ―habitou‖ realmente, então nos encontraríamos novamente nas cercanias do ―docetismo‖. Nem em idiomas estrangeiros nem em nosso próprio podemos simplesmente retomar antigos significados básicos de termos. As palavras estão em permanente e viva mudança de sentido. A palavra que João utiliza seguramente tinha naquele tempo o sentido de um verdadeiro ―habitar‖ e não o sentido de uma visita fortuita. Talvez tenha sido usada a expressão ―acampar‖ porque Deus habitou no meio de Israel primeiramente na ―tenda da revelação‖, o ―tabernáculo‖. É por isso que João também no Apocalipse (Ap 21.3) fala da ―cabana‖ (literalmente: da ―tenda‖) de Deus entre os humanos‖ e igualmente reproduz o ―habitar‖ de Deus com as pessoas, ali prometido, por meio do termo ―acampar‖, apesar de que a visão seja nitidamente de seu habitar eterno, jamais cessante.
O Verbo eterno do Pai, que agora ―habitou entre nós‖, é o cumprimento da velha história de Israel (Êx 25.8; 29.45), bem como do prenúncio profético (1Cr 23.25; Jr 7.3; Ez 37.27; Zc 2.14), havendo, por sua vez, de encontrar seu último cumprimento eterno na nova terra. Deus já habitou na tenda da revelação e habitou em seu santo templo. Agora ele habita conosco em Jesus. Nesse texto, pois, fica claro que Jesus é o verdadeiro templo, dando-nos realmente aquilo que se buscava no templo de Jerusalém (e também em todos os templos do mundo). Aqui reside a base da palavra de Jesus em Jo 2.19, do mesmo modo como da afirmação de Paulo sobre a igreja de Jesus, que como ―corpo do Cristo‖ é ao mesmo tempo o templo de fato, no qual Deus agora habita sobre a terra (1Co 3.16; 14.25). Pelo fato de que o Verbo se fez carne e habitou entre nós tornou-se possível o que João atesta em seguida: ―E vimos a sua glória.‖ João optou pelo termo ―ver‖, que assinala um ver real, atento, observador. João nos diz em sua primeira carta como esse ver é sério e real. Em vista do ―Verbo da vida‖, ele escreve ali: ―O que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam‖ (1Jo 1.1). Essa não é uma experiência concedida às igrejas, para as quais João escreve. A elas isso é testemunhado, para que ―creiam‖. Elas são benditas pelo próprio Jesus, porque ―não vêem e apesar disso crêem‖. É por isso que as igrejas precisam da palavra daqueles que podem afirmar: ―Nós vimos, nós contemplamos‖, a palavra das testemunhas oculares. Por meio desse ―nós‖ o autor do presente evangelho se inclui expressamente entre essas testemunhas oculares.
Porém, o que João ―viu‖? Naquele tempo multidões de pessoas haviam visto o homem Jesus de Nazaré. Porém muitas delas viram em Jesus o ―samaritano‖, o ―herege‖, o ―homem demoníaco‖ (Jo 7.20; 8.48; 8.52; 10.20). O ―nós‖, ao qual João pertence, viu algo bem diferente: ―a sua glória‖. A palavra ―dóxa‖ = ―glória‖ é a réplica grega do termo hebraico do AT ―kabod‖. A raiz subjacente significa inicialmente ―ter peso‖ e a partir daí torna-se expressão da ―gravidade‖, ―grandiosidade‖, ―honra‖, ―glória‖. O AT já tem ciência de que em sentido extremo e verdadeiro somente o Deus vivo é tão ―pesado‖, sumamente importante, grande e ―glorioso‖. E essa ―glória‖ divina João e seus amigos viram em Jesus, embora ele fosse ―carne‖, esse homem real, sofredor, moribundo. Sim, aprenderam do próprio Jesus a ver precisamente em sua ―humildade‖ a sua ―glória‖, em sua cruz a sua ―exaltação‖ (Jo 3.15).
As testemunhas oculares viram em Jesus ―glória‖, porém não a glória insuportável de Deus, diante da qual até os grandes anjos ao redor do trono escondem o rosto. Ela é a glória refletida, no ―Verbo‖, uma ―glória como a de um filho único do Pai‖.
Conhecemos a expressão ―o Filho unigênito‖. Ela é a tentativa de reproduzir da maneira mais literal possível o termo grego ―mono-genes‖. Contudo, a segunda parte desse termo provavelmente não deve ser derivada de ―genesthai‖ = ―ser nascido‖, mas de ―genos‖ = ―espécie‖. Desse modo, ―mono-genes‖ seria um equivalente para ―único, singular‖. Não havia necessidade de declarar que Deus tinha apenas um só Filho. Mas o foco dirige-se sobre o fato de que Jesus se encontra num relacionamento ―singular‖ com o Pai e é o único ―Filho‖ desse Deus. Essa é sua ―glória‖, que João ―viu‖ em todas as palavras e ações de Jesus.
Em seguida, capítulo após capítulo, João nos permitirá vê-la também. É justamente por isso que não temos somente as ―cartas‖ do NT, com suas instruções doutrinárias sobre Jesus, mas também os ―evangelhos‖, com sua ―imagem‖ de Jesus, para que também nossa fé possa ―ver‖ pessoalmente algo daquele a quem ela se entrega para a vida e a morte. Em razão disso a igreja de todos os tempos deve e pode confessar esse sentido derivado: ―Vimos a sua glória, glória como do único Filho do Pai.‖ É tarefa de cada leitor dos evangelhos exercitar esse ―ver‖ a Jesus.
Mais tarde João viu outra vez a glória de Jesus, e isso não aconteceu na carne, mas de forma direta, quando se achava em espírito e podia contemplar o mundo celestial: Ap 1.12ss. Mas então ―caiu aos pés de Jesus como morto‖. O ―Verbo‖ se fez ―carne‖ para que possamos encarar a glória do Filho sem ser destruídos diante dela e morrer. No ser humano Jesus a luz da revelação resplandece da forma como podemos suportá-la agora. Conseqüentemente, João está proferindo uma palavra santa, mas verdadeiramente alegre e grata.
É por essa razão que João acrescenta: essa glória é ―cheia de graça e de verdade‖. Vir a nós de tal maneira que possamos vê-lo e suportá-lo, e por causa disso assumir a encarnação, isso é ―graça‖.
João opta pelo termo ―charis‖ = ―graça‖, não pela palavra ―éleos‖ = ―comiseração‖. João pensa totalmente a partir de Deus e não a partir da miséria humana. Descreve o grandioso movimento de cima para baixo. Esse movimento é ―charis‖, ―graça‖, é condescendência, também quando a miséria humana a requer.
Toda pessoa que sabe a quem se refere ao dizer ―Deus‖ compreende sem maiores explicações que Deus tem ―glória‖. A pergunta, porém, é em que consiste a ―glória‖ de Deus. Por natureza nós, seres humanos, consideramos, conforme nosso próprio modo de ser, a ―glória‖ como desdobramento de poder, brilho e magnitude. E com certeza o Deus vivo também possui essa ―glória‖. Porém já no AT evidencia-se que a mais verdadeira glória de Deus é de espécie bem diferente. Já no AT Deus segue uma trajetória humilde. Deus não se revela nos grandes impérios mundiais e nos ápices da história. Ele é ―o Deus de Abraão, Isaque e Jacó‖. Ele elege para si o pequeno e esmagado Israel, demonstrando já então sua ―tolice‖ e ―fraqueza‖ (1Co 1.25) como sua grandeza e força divinas. Tudo isso é pura ―graça‖. Por isso, quando Deus pronuncia seu nome perante Moisés, que quer ver a ―glória‖ de Deus, a única coisa que pode soar é: ―Senhor, Senhor, Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade‖ [Êx 34.6]. É por isso que Israel, que sentia falta de poder divino em Jesus, deveria ter reconhecido, justamente com base em Moisés e no AT, a verdadeira glória de Deus ―cheia de graça e de verdade‖ em Jesus.
João fala de graça ―e verdade‖. Já no AT encontramos essa correlação de ―graça‖ e ―verdade‖ (Sl 89.15; 92.3; 100.5; 115.1). O termo hebraico para ―verdade‖ é derivado da raiz ―aman‖, que significa ―ser firme‖. O que é firme e confiável e que por isso não nos engana nem decepciona, isso é ―verdadeiro‖ e ―verdade‖. É por isso que no Sl 89.15 a tradução de Lutero reproduz ―verdade‖
também por ―fidelidade‖. A ―graça‖ em Jesus é graça genuína, na qual podemos confiar integralmente. A ―verdade‖ é a realidade autêntica em contraposição a toda aparência e distorção da realidade na ―mentira‖. A ―verdade‖ é ―luz‖ contra todas as sombras e ―trevas‖. A verdade de fato destaca-se em Jesus, enquanto no mundo alienado de Deus tudo é distorção, desfiguração e, por isso, inautenticidade e inverdade. Enquanto o mundo nos acusa de que cremos em fábulas e construímos para nós um mundo religioso fictício, de fato temos em Jesus a verdadeira realidade. O fato de que ela nos é mostrada em Jesus constitui ―graça‖. Consequentemente, ―graça‖ e ―verdade‖ estão intimamente ligadas.
Werner de Boor. Comentário Esperança João. Editora Evangélica Esperança.
Jo 1.14 - "O verbo se fez carne ". Ao encarnar. Cristo se tornou: (1) o Mestre perfeito — a vida de Jesus nos permitiu perceber como Deus pensa e. por conseguinte, como devemos pensar (Fp 2.5-11); (2) o Homem perfeito — Jesus é o modelo do que devemos tornar-nos. Ele nos mostrou como viver e nos dá o poder para trilhar esse caminho de perfeição (1 Pe 2.21); (3) o Sacrifício perfeito — Jesus foi sacrificado por todas as iniquidades do ser humano; sua morte satisfez as condições de Deus para a remoção do pecado {Cl 1.15-23).
Jo 1.14 - A expressão “o Unigênito do Pai" significa que Jesus é o único e exclusivo Filho de Deus. A ênfase está na palavra Unigênito.
Jesus é único em espécie e em seu relacionamento com Deus. Ele é diferente de todos os cristãos, chamados “filhos de Deus".
Jo 1.14- Quando Jesus foi concebido no ventre de Maria. Deus se fez homem. Ele não era em parte humano e em parte divino; era completamente humano e completamente divino (Cl 2.9). Antes de Cristo vir ao mundo, o povo conhecia a Deus parcialmente. Depois da vinda de Cristo, o povo pôde conhecer a plenitude de Deus, porque Ele se tornou visível e tangível em Cristo, sua expressão perfeita na forma humana. Os dois erros mais comuns a respeito de Jesus são: minimizar a sua humanidade ou a sua divindade. Jesus é tanto Deus como homem.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1414.
Ez 28.1 Veio a mim a palavra do Senhor. Esta é a declaração comum que introduz novos materiais e oráculos, neste livro. Lembra-nos da inspiração de Yahweh e de que Ezequiel era Seu profeta autorizado. Cf. Eze. 13.1; 14.2; 15.1; 16.1. Yahweh é chamado por seu título soberano (vs. 10), Adonai-Yahweh. O que acontece entre as nações se origina dele.
Ez 28.2 Filho do homem. Yahweh fala com o profeta, utilizando seu título comum (anotado em Eze. 2.1).
Dize ao príncipe de Tiro: Visto que se eleva o teu coração... O príncipe (rei) de Tiro, naquele tempo, era Ito-baai, chamado Itobai, por Josefo. Entendemos através do texto que aquele homem estava exaltando-se como um deus, uma prática comum da época, naquela parte do mundo. De fato, venerar o rei, como se fosse um deus ou filho de um deus, era doutrina padrão no Egito. Cf. Isa. 14.12-25 e Sal. 82.
Dizes: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento. Para a cadeira (ou sede) dos deuses, ver Isa, 14.13-14. A cadeira do deus El (o poder) se localizava, na mente popular, sobre alguma montanha do norte. O trono de El, na mitologia ugarítica, estava “nas alturas do norte”. No presente texto, a ilha-Tiro tornou-se a “montanha dos deuses”. Na mitologia grega, existia o monte Olimpo, o lar dos deuses. De algum monte alto, os deuses se transferiram para uma região nos céus, além da terra, e assim nasceu o conceito de “céu”. Os céus ficaram mais e mais remotos, os deuses perderam interesse pelos homens e, então, nasceu o conceito de transcendência. Lado a lado, imanência e transcendência vivem nas nossas teologias.
Meros homens começaram a pensar si mesmos como deuses, semideuses ou filhos dos deuses. Os “deuses” se casaram, e deuses e filhos de deusas nasceram na teologia. As doutrinas se desenvolveram e um rei podia ser relacionado a uma variedade de conceitos. As mitologias misturaram homens e deuses numa salada extravagante; logo, deuses estavam produzindo semideuses, filhos de mulheres mortais. Todas estas farsas seriam expostas, e o deus de Tiro corria para encontrar seu destino amargo (vss. 6-10). Ver Eze. 28.6,9, para uma renovação da reivindicação de divindade entre os homens.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3284.
A Queda do Príncipe de Tiro. 28:1-19.
Da cidade o profeta passa para o seu governador, como representante do caráter da comunidade, a personificação do espírito da orgulhosa cidade comercial. Rei e povo constituem uma corporação solidária, cujo orgulho e auto-deificação estão condenadas. Outros exemplos da "insanidade da prosperidade" são Senaqueribe (II Reis 17:33-35); Faraó (Ez. 29:3); Nabucodonosor (Dn. 3:15; 4:30; observe particularmente o autoteísmo da Babilônia, Is. 47:7-10); Herodes (Atos 12:21-23); "o homem do pecado " (II Ts. 2:3, 4) e os conquistadores que confiam em suas armas (Hc. 1:11, 16); e todos aqueles que hoje em dia adoram "a deusa da prosperidade".
O profeta descreve o castigo do orgulhoso príncipe (Ez. 28:1-10); e profere uma lamentação irônica sobre a sua queda (28:11-19).
O Castigo do Príncipe de Tiro por Causa de Sua Auto-Exaltação 28:1-10. Príncipe de Tiro é chamado de nagîd, "líder", um termo usado apenas para com os governantes israelitas, exceto aqui e em Dn. 9:25,26. Seu aparecimento aqui sugere que ele tinha essa posição apenas por designação divina. Ele é chamado "rei", melek, no versículo 12, exemplificando o conceito do Crescente Fértil de que o governante era o representante dos deuses, e mais do que humano. Ittobaal II era rei de Tiro nessa ocasião (Josefo, Against Apion 1. 21), mas foi o autoteísmo de Tiro, mais que qualquer governante específico, que foi acusado. Cadeira de Deus. Antes dos deuses (RSV). Talvez se refira 1) a um trono vazio no templo tiro reservado para o rei, ou 2) a uma situação invencível de Tiro, ou 3) à ilha como lugar consagrado aos seus deuses.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular. Ezequiel. pag. 108-109.
Is 14.12 Como caíste do céu, ó estrela da manhã. A queda de Satanás? Ver a exposição sobre a unidade literária que consiste nos vss. 13-15.
Agora o rei caído é comparado a uma estrela que antes brilhava no céu, a saber, a "estrela da manhã" ou doador da luz, traduzido por "Lúcifer" na Vulgata Latina. Dentro da mitologia Cananéia (ugarftica) havia uma divindade que era o deus do alvorecer, ou seja, a estrela da manhã, de nome Shahar, correspondente a Vênus, na astronomia moderna. Mas o mais provável é que o profeta não estava procurando nenhum tipo de identificação astronômica. Ele falava sobre uma luz brilhante no céu, tâo poderosa que era capaz de anunciar o alvorecer. Entretanto, os babilônios deleitavam-se na astrologia, e talvez haja aqui uma alusáo a Vênus. O autor sacro misturou as metáforas, pois diz que a estrela foi cortada, em vez de derrubada. Seja como for, a estrela estava tâo baixa que primeiramente se apagou e, em seguida, caiu no sheol. A referência a Lúcifer, na Vulgata, nâo deveria fazer-nos enganosamente pensar que esta passagem trata de Satanás, o que foi um desenvolvimento posterior e dificilmente está em pauta aqui. Pelo contrário, está em vista um homem diabólico. Ele era importante e elevado, uma espécie de deus-estrela, mas agora tinha sido deitado tão abaixo que o seu leito era uma cama de gusanos, no sheol. Aquele homem, estando ainda na terra, derrubara nações (pintadas como florestas, vs. 8). Mas agora ele mesmo estava cortado, em solene demonstração da justiça divina. Ver no Dicionário o verbete intitulado Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura. Aquele homem, sedento de sangue, culpado de tantos e tantos crimes, foi lançado para fora do céu como objeto imundo e agora jazia em seu humilde leito no sheol. No mundo ele fora a árvore mais elevada, mas isso não o deixara imune ao machado divino.
Is 14.13-15 Tu dizias no coração: Eu subirei ao céu. A Queda de Satanás? O tirano se jactava doentiamente de que subiria ao céu, rivalizando com os deuses, postando-se mais alto que as estrelas de Elohim. Lá em cima ele colocaria o seu trono. A expressão "no monte da congregação" é uma referência paga ao deuses que habitariam as regiões celestes no norte, em tomo das quais girariam as constelações. No cume desse monte, estava o trono do Deus Altíssimo (vs. 14). Cf. Eze. 28.14 e Sal. 48.2. "A passagem diante de nós preserva a forma Cananéia do mito da natureza, que fala na tentativa de a estrela da manhã escalar as alturas celestes, ultrapassando em altura a todas as outras estrelas, somente para ser lançada de volta à terra pelo sol vitorioso" (R. B. Y. Scott, in toe).
Essa história ilustra, pois, como as divindades secundárias tentam melhorar a sua posição, chegando a atingir o céu dos mais elevados deuses (vs. 14). Em algum ponto lá em cima, havia o mais elevado deus habitando em esplendor singular, presumivelmente desfrutando de sua companhia. Mas o tirano não foi capaz de concretizar suas aspirações. Algo tão simples como a morte física fê-lo tombar às partes mais inferiores do abismo (sheol). Era isso o que ele merecia em sua arrogância. Essa história assemelha-se à história de Lúcifer nas lendas judaicas, as quais, como é claro, baseavam-se neste texto. Mas, conforme se pode ver, originalmente não havia uma referência ao principal anjo caído, a quem chamamos Satanás ou diabo. A história judaica posterior passou para a interpretação cristã, como se aqui tivéssemos uma descrição da queda de Satanás. O quadro de Satanás preso no sheol é diferente do que sabemos acerca dele. Ele está "lá fora", causando todo o dano que puder. Ver sobre o sheol, no vs. 9.
Naturalmente, podemos ver aqui uma referência primária a Satanás, de quem o tirano da Babilônia era imitador. Mas isso não concordaria com o contexto; antes, é uma aplicação interpretativa da história. "A verdade é que este texto nada diz acerca de Satanás, nem a respeito de sua queda, nem sobre a ocasião de sua queda, conforme muitos intérpretes deduzem com tanta confiança" (Adam Clarke, in loc).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2834.
Is 14.12 — Como caíste do céu é uma figura de linguagem para designar alguém que foi derrubado de uma posição política privilegiada. Jesus disse: E tu, Cafarnaum, serás levantada até ao céu1 Até ao inferno serás abatida (Lc 10.15), e, aparentemente com o mesmo sentido: Eu via Satanás, como raio, cair do céu (Lc 10.18). O nome Lúcifer, em hebraico, significa literalmente estrela da manhã, ou seja, o planeta Vênus. Na linguagem poética desse versículo, vemos uma estrela brilhante desejosa de alcançar o ponto culminante dos céus desaparecer com o nascimento do Sol. Essa imagem expressa muito bem o objetivo não alcançado do rei da Babilónia (v. 4), que aspirava a um domínio universal e eterno. Tertuliano, Milton e muitos outros atribuem essa passagem à carreira de Satanás, com base em Lucas 10.18. Contudo, não se pode ter certeza absoluta dessa conexão.
Is 14.13 — Acima das estrelas de Deus. Temos aqui o caso de uma estrela que deseja ser maior que as outras. Em linguagem poética, Isaías descreve um rei cujo anseio de glória é insaciável.
Monte da congregação remete a uma montanha mitológica que se pensava ser o local de reunião das divindades celestes. A banda dos lados do Norte provavelmente é uma referência ao monte de Cassiopeia, no norte da Síria, a montanha que os cananeus acreditavam ser o reino dos deuses (SI 48.1,2).
Is 14.14 — Serei semelhante ao Altíssimo é o mais ultrajante dos desejos arrogantes do rei assírio ou babilónio. Ele quer suplantar o Altíssimo, título atribuído ao Senhor geralmente relacionado com as nações do mundo (SI 87.5; 91.1,9; 92.1).
Is 14.15 — Inferno. Veja a referência a inferno no v. 9. A expressão ao mais profundo deriva da palavra hebraica traduzida por banda dos lados no v. 13.
Trata-se de um exemplo de justiça irónica contra esse rei que queria ascender a um lugar acima dos deuses e do próprio Altíssimo. O abismo é um sinónimo de Sheol, às vezes mencionados juntos 0n 2.2,6).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 1046.
Is 12-20. Lúcifer. O nome romano para a estrela da manhã (heb. hêlêl, "a brilhante"), a qual logo desaparece diante do esplendor muito maior do sol. Este título foi concedido ao rei da Babilônia, não se referindo a ele como indivíduo humano específico (como Belsazar, por exemplo), mas como representante ou incorporação de Satanás, que é considerado o poder por trás do trono real. O orgulho titânico e a ambição expressas nos versículos 13, 14 estão deslocados em quaisquer lábios que não sejam os de Satanás. A poesia épica do ugarita cananeu geralmente se refere à "montanha do Norte" ou Sapunu (equivalente ao heb. sâphôn usado aqui) como sendo a habitação dos deuses. A ignominiosa queda do tirano da Babilônia, aqui descrito profeticamente, cujo cadáver jaz insepulto e desonrado, reflete Satanás, seu senhor.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular. Isaias. pag. 43.
2. Homem, a criatura.
O mesmo texto que diz “Deus está nos céus também diz: “tu estás na terra” (Ec 5.2). Deus está no céu, o homem está na terra! Deus é o Criador, o homem é a criatura. É uma obrigação nossa saber que Deus é Deus e o homem é homem! Devemos ter muito cuidado para não nos transformarmos em heróis e super crentes. Seria bom sempre nos lembrarmos de que estamos aqui “na terra”. E mais, não apenas estamos aqui, mas somos feitos do mesmo material: “Temos, porém, este tesouro em vãos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4.7, veja (1 n 2.7). Não há dúvidas de que essa conscientização nos levaria a sermos mais cuidadosos com nossas obrigações diante de Deus.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 119.
Então formou 0 Senhor Deus ao homem. O nome divino, no original hebraico, é aqui Yahweh-Elohim, comentado no vs. 4, onde há referência a artigos que explicam o significado desses nomes.
Formou. No hebraico, yasar. Esse mesmo vocábulo é usado para indicar a formação de um vaso, por parte do oleiro (Isa. 29.16; Jer. 18.4). As cosmogonias antigas aceitavam literalmente a questão e retratavam os poderes divinos a tomar literalmente uma massa de argila para formar não somente o homem, mas até os animais, como 0 modus operandi da doação da vida.
Pó da terra. No hebraico há um jogo de palavras, o homem (no hebraico, adham), foi formado do pó da terra (no hebraico, adhamah), uma palavra cognata. E foi essa palavra que deu 0 nome genérico à raça humana, homem, ou seja, um ser formado do pó da terra. O primeiro homem foi chamado Adão, outro termo cognato, que veio a tornar-se seu nome próprio. Ver Gên. 2.20. Hesíodo oferece- nos um quadro similar em sua cosmogonia, onde ele diz que o pó da terra foi misturado com água, a fim de formar a argila. Ver Jó 33,6, “Deus é o Oleiro que formou 0 homem, dando-lhe o seu formato. Ver Isa. 64.8" (John Gill, in loc,),
“Assim como Elohim é o Todo-Poderoso, assim Yahweh é sabedoria e habilidade, e Suas obras refletem sagacidade e desígnio... O intuito central dessas palavras é frisar a debilidade humana. Ele não foi feito das rochas, nem de minérios ou de metal, mas do pó da superfície do planeta, muito leve e que qualquer vento pode tanger" (Ellicott, in toa). Isso é verdade, mas não nos devemos olvidar que a terra é um símbolo universal da fonte da vida, da fertilidade e da produtividade. A terra é a nossa mãe.
... lhe soprou nas narinas. Deus animou a estátua conferindo-lhe a energia divina, e aquilo que era apenas argila tornou-se um ser vivo, já equipado com todos os sistemas necessários à vida biológica, à reprodução e ao senso de bem-estar, O decreto divino continuou, portanto, a ser a origem de tudo. Não é antecipado nenhum processo evolutivo.
Alma vivente. No hebraico, nephesh. Os interpretes debatem-se d ante dessa palavra, e as controvérsias florescem por causa dela. Essa palavra significaria que 0 homem, a criatura de argila, agora fora dotada de uma alma imaterial, que garantia sua sobrevivência diante da morte biológica, em sobrevindo tal evento? A maioria dos eruditos, porém, concorda que o versículo não contempla a parte !material do homem. Notemos que os animais irracionais também são seres viventes (1.24). No hebraico, temos exatamente a mesma palavra, ali e aqui, É bem possível que os animais também possuam alma, embora não seja provável que o autor sagrado tenha antecipado isso. Naturalmente, dentro da história do termo nephesh. essa palavra veio a incorporar a ideia de alma, A criatura viva é agora possuidora de uma alma imaterial. Mas esse conceito já pertence ao judaísmo posterior. Mesmos os mais antigos eruditos conservadores admitem que não há aqui nenhuma tentativa para fazer do homem um ser dualista. Disse Ellicott (in toe): "A palavra alma não contém nenhuma ideia de existência espiritual. Pois tanto em 1.20, 'seres viventes', quanto em 1.24, 'seres viventes’, literalmente, temos almas viventes",
Por outro lado, alguns estudiosos insistem aqui em favor da alma, pois o homem é um ser especial. Deus formou o corpo do homem do pó da terra e de água. E isso quer dizer que o homem é feito de uma porção material e de uma porção imaterial. O homem foi criado como um ser racional e espiritual. Isso é verdade, naturalmente; mas não parece que a teologia dos hebreus, nos dias de Moisés, já tivesse incorporado tal noção. O homem foi criado como uma pessoa completa, dotada de vida. O autor sagrado, contudo, não definiu essa vida. E nem o Pentateuco contém alguma declaração distinta sobre a natureza da alma, A lei mosaica não prometia a vida eterna aos que lhe fossem obedientes, nem ameaçava com a segunda morte aos desobedientes.
Todavia, a alma aparece embutida na expressão a imagem de Deus. Em Gên. 1.26 (ver a exposição), suponho que essa expressão deve incluir a ideia da espiritualidade do homem, mesmo que essa ideia tenha ultrapassado a compreensão do autor sagrado. Assim creio. O homem, criado como foi à imagem de Deus, sem dúvida compartilha de Sua espiritualidade, e isso deve envolver a alma imortal.
O relato inteiro é altamente antropomórtico, e isso envolve uma certa falta de melhor entendimento. Apesar disso, o relato contém lições para todos os séculos, pois proclama o poder de Deus; como Ele determinou todas as coisas; o Seu desígnio; o Seu amor e a Sua bondade; a provisão para o homem é completa e está alicerçada sobre o decreto divino. Deus é o Criador do homem, o Seu amigo e conselheiro desde o princípio, e assim contínua até hoje e continuará para sempre.
Deus fez o homem tornar-se uma alma vivente quando soprou sobre ele. Após a queda no pecado, tornou-se mister insuflar vida eterna no indivíduo, para que este tivesse restaurada a sua vida espiritual e para que desfrutasse de comunhão com seu Criador.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 22-23.
Gn 2.7 — O verbo formou sugere um artesão moldando sua obra [em barro]. O homem foi feito do pó da terra e voltaria ao pó quando morresse fisicamente (Gn 3.19). Embora Deus tenha criado a luz com uma simples palavra (Gn 1.3), Ele [se envolveu pessoalmente na criação do homem], ao modelar o corpo humano no barro, transformou esta matéria-prima em uma coisa nova e, depois, soprou em seus narizes [suas narinas - ara] o fôlego da vida.
O sopro divino pode ser o jeito que o narrador encontrou de descrever a infusão do espírito no ser humano, que o dotou de capacidade intelectual, moral, relacional e espiritual. O fato é que, com tudo isso, Deus mostrou grande cuidado e preocupação na maneira utilizada para criar o homem. A expressão traduzida como alma vivente do homem é a mesma que foi usada para referir-se à vida animal em Génesis 1.24. Isto sugere que a vida humana e a animal são parecidas; contudo, o fôlego de vida divino [o espírito] fez os seres humanos diferentes de todas as outras criaturas vivas.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 11-12.
EVOLUÇÃO
Esboço
I. O Termo e Sua Definição
II. Vários Pontos de Vista sobre a Evolução
III. Considerações Teológicas e Filosóficas
IV. Declaração Final
V. Evolução Espiritual
I. O Termo e Sua Definição
A palavra portuguesa evolução deriva-se do latim e (fora) e volvere (rolar). A idéia expressa é o evolver gradual, em subdivisões,
com a produção de muitos. Isso é usualmente descrito como algo que passa do simples para o complexo, ou então como a origem da vida em suas múltiplas manifestações e formas. A evolução não tenta explicar origens absolutas, porquanto começa a partir da matéria já existente. Entretanto, os evolucionistas precisam supor que os elementos físicos do universo foram arranjados de tal modo, ou arranjaram-se a si mesmos de tal modo, talvez por algum tipo de evolução material primitiva, que o surgimento da vida biológica se tornou possível. Por conseguinte, poderia ter havido alguma evolução cósmica, antes daquela que produziu formas entre as coisas animadas.
II. Vários Pontos de Vista sobre a Evolução
1. A filosofia hindu expõe uma espécie de desenvolvimento evolutivo, que começa com Brahman e acaba produzindo todas as coisas. A alma humana estaria envolvida nisso, tendo de atravessar todos os estágios de desenvolvimento, juntamente com outras coisas. Portanto, essa concepção vê o escopo inteiro do ser, desde o estado mineral até às formas de vida biológicas mais elevadas e complexas.
2. Anaximandro (que vede) um filósofo pré-socrático criou um sistema de evolução ao postular certo progresso no desenvolvimento das coisas vivas, e que teria começado nos oceanos. Heráclito (que vede), em seus caminhos ascendente e descendente, e em sua idéia de fluxo, criou uma espécie de desenvolvimento evolutivo que abrange todas as coisas. Empédocles (que vede) referia-se aos princípios de desenvolvimento e adaptação de todas as coisas, o que nos dá uma forma primitiva dessa doutrina. Demócrates (que vede) ensinava uma espécie de evolução mecânica, na manipulação dos átomos, por ele postulados.
3. Platão, em vez de pensar em uma evolução, pensava em uma involução, porquanto o real teria degenerado nos particulares (o nosso mundo físico). A alma humana também teria degenerado, ao vir a participar na matéria; mas, ao ser purificada, evolui espiritualmente, libertando-se novamente da matéria e retornando ao real, isto é, o mundo dos universais (que vede).
4. Aristóteles acreditava na fixidez das espécies; mas, dentro das espécies fixas ele via quatro tipos de causas (causa material, causa formal, causa eficiente e causa final), dentro das quais haveria uma progressão evolutiva em todas as coisas.
5. O estoicismo (que vede) com a sua doutrina de ciclos recorrentes, imaginava um mundo que teria evoluído do fogo primevo e que acabaria retornando ao mesmo.
6. O epicureanismo (que vede) lançava mão da teoria dos atomistas, adicionando à mesma o conceito de uma guinada, a fim de explicar como as coisas chegaram a ser o que são. Ver sobre Epicuro e Lucrécio.
7. 0 neoplatonismo (que vede) retinha as ideias de Platão, de que primeiramente teria havido uma involução, e somente depois uma evolução da alma humana.
8. Bruno (que vede) misturava a erudição grega com ideias científicas, do que resultava um mundo de multiversos, todos no processo de tornarem-se; e tudo isso debaixo da providencia divina.
9. Os filósofos franceses (que vede) faziam derivar o seu mundo de forças e entidades naturais, em que o ir-se tornando vai ficando, cada vez mais complexo. Ver sobre Holbach, que -colocava o homem dentro desse esquema.
10. Leibniz (que vede) pensava em um mundo dinâmico, qge consistiria em , mônadas; mas ele atribula a evolução assim produzida ao poder de Deus, que atuaria como a Grande Mônada.
11. Vico (que vede) concentrava sua atençÃo sobre a evolução humana, e isso dentro da sociedade, vendo tal coisa como progressiva e ciclica.
12. Herder (que vede) aplicava a evolução à genética, como se os estados inferiores fossem evoluindo para estados superiores, como se o que é mais simples evoluísse para aquilo que é mais complexo.
13. Hegei (que vede), em sua doutrina sobre a tríada - tese, antítese e síntese - submetia todas as coisas a uma espécie de evolução, embora concebesse o Absoluto (o seu deus) como o poder por detrás do processo inteiro.
14. Schelling (que vede) pensava que o mundo teria evoluído por meio de alquin poder vital. Ele rejeitava a simples evolução mecínica.
15. Comte (que vede), à semelhança de Herder, concentrava sua atenção sobre a evolução social e cultural. Ele pensava que a inquirição científica era uma espécie de desdobramento desse processo, bem como o seu estágio mais elevado.
16. Charles Darwin (que vede) fez um trabalho decisivo quanto ao problema da evolução biológica. Ele e outros, como A.R. Wallace (que vede), desenvolveram o conceito da seleção natural e da sobrevivência dos mais aptos. Ficou assim firmada a mutabilidade de todas as espécies. Coisa alguma, porém, eles disseram a fim de explicar os começos absolutos.
17. Spencer (que vede) falava sobre a evolução como uma lei da natureza que opera com base na homogeneidade incoerente, partindo dai para a heterogeneidade coerente.
18. Charles Peirce ensinava que as próprias leis da natureza encontram-se em estado de evolução e, por conseguinte, coisa alguma é fixa.
19. IV. G. Sumner (que vede) aplicava a teoria de Darwin sobre a sobrevivência dos mais aptos às questões de economia.
20. Haeckel (que vede) aplicava as ideias de Darwin à metafísica e com isso criou uni naturalismo monista e panteísta.
21. Kropotkin (que vede) ensinava que a sobrevivência dos mais aptos deve envolver o princípio da ajuda mútua.
22. John Fiske (que vede) desenvolveu uma espécie de teísmo evolutivo.
23. S. Alexander (que vede) ensinava o principio de uma evolução emergente. Essa evolução emergente (que vede) ensina que novas qualidades podem vir subitamente à tona, que não podem ser reduzidas às qualidades antecedentes, e de uma, maneira como não se, poderia esperar da parte de uni processo gradual.
24. Bergson (que vede) pensava ter descoberto o élan vital (que vede) como a força por detrás da evolução. Esse poder Iria empurrando o mundo para coisas continuamente novas.
25. A/V. Whitehead adaptava as ideias de Darwin à física moderna.
26. Smuts (que vede) propunha que o processo evolutivo ocorreu' com a ajuda de vários saltos criativos, não estando limitado a meros processos graduais.
27. Teilhard de Chardin (que vede) supunha que o processo evolutivo procede da matéria Inorginica, partindo daí para a esfera mental. Ele chamava isso de noosfera, isto é, «esfera da mente». Dessa maneira e que tomaria forma a evolução física, absorvendo formas não-físicas.
28. McTaggart (que vede) embora sendo ateu (segundo definições cristãs) acreditava na existência da alma humana e sua sobrevivência ante a morte física, e pensava que a alma velo a existir mediante um processo evolutivo, como a mais elevada realização da evolução. A Mente absoluta era por ele concebida como a força por detrás desse processo. A Mente absoluta, vista por detrás desse processo, em última análise, é a Idéia.
29. Eruditos pragmáticos tem encontrado certa justificação para o processo evolutivo, dentro da ética naturalista. Outro tanto se verifica quanto às suas idéias acerca da gnosiologia (que vede).
III. Considerações Teológicas e Filosóficas
1. A questão do homem real, a alma. Desde o princípio temos chamado a atenção do leitor para esse importante fato. A idéia evolutiva de Darwin procurava explicar somente o homem biológico. Podese presumir que ele não cria na alma e nem pensava que valia a pena perder seu tempo no estudo da alma. Portanto, seus ensinos não abordavam o homem real, a alma humana. Eruditos no hebraico informam-nos que o relato de Genesis, sobre a origem do homem, nada tem a ver com qualquer suposto homem imaterial, e que o sopro da vida na estátua de barro só visa indicar que, - desse modo, Deus animou a matéria, e não que ele insuflou nela uma alma. É verdade que o Pentateuco não aborda a doutrina da alma, e nem há ali qualquer consideração sobre recompensas ou punições na outra vida, para a alma imaterial. É evidente, pois, que nem Darwin e nem o livro de Gênesis abordam o homem real, a alma imortal. Quanto a isso, ambos mostram-se deficientes; e penso que o homem que está realmente buscando a verdade, deveria reconhecer esses fatos. Por essa razão, não me sinto muito excitado ante toda a controvérsia a respeito da evolução e seu conflito com o registro do livro de G8nesis. A única coisa que está em jogo, em toda a sua exposição, é o corpo do homem, e não a sua alma. Para mim, portanto, esse é um assunto Interessante, mas não vital.
Os pais alexandrinos buscavam o homem original no estado pré-adâmico, nos mundos celestiais, como companheiro dos anjos. Naturalmente, esse ponto de vista é platónico; e considero que há nisso uma certa verdade, embora inexata.
2. O problema das origens. A evolução aos moldes de Darwin procura dizer como a matéria evoluiu até chegar a espécies biológicas; mas nada diz sobre a origem da matéria. Outros evolucionistas pensam que a matéria originou-se da Mente, conforme se vá na discussão sob a segunda seção deste artigo. O que está em jogo é a exatidão da narrativa do livro de Gênesis, sobre a questão da origem das espécies físicas, ou sobre o modus operandi dessa origem. Os teólogos que insistem em uma interpretação literal do relato de Gênesis, defrontam-se com uma série de problemas, visto que o relato bíblico é similar, em certos pontos críticos, às estórias de criação dos mitos pagãos mesopotâmicos. Temos ilustrado amplamente essa questão nos artigos sobre Cosmologia; Criação; Adão; Eva e Jardim do Éden. As tentativas de certos pensadores que querem fazer o mundo estar apenas com seis mil anos de existência são por demais ridículas para merecerem consideração séria. Sabemos que a luz de estrelas e galáxias, com dezesseis bilhões de anos luz, está chegando até nós. Portanto, a criação do universo deve ter, pelo menos, essa antiguidade. Os argumentos em prol de uma criação jovem ignoram, convenientemente, esses fatos embora penetrem elaboradamente no aspecto biológico do problema todo. O que estou dizendo aqui é que todo teólogo honesto encontra problemas quando se trata das origens. Talvez, afinal de contas, a resposta é que simplesmente não saibamos o que, realmente, sucedeu. Todavia, isso não nos impede de tomar a posição teísta, declarando que embora o modus operandi do começo das espécies continue uma questão misteriosa, sabemos que o poder de Deus está por detrás de tudo.
3. Modernização da antiga cosmologia dos hebreus. Meus amigos, os antigos hebreus simplesmente não acreditavam no que hoje em dia se diz nas igrejas evangélicas a respeito das origens. O que eles acreditavam tem sido distorcido e adaptado. Desse modo, suas crenças são modernizadas, a fim de fazê-las harmonizar-se com a ciência moderna e com a teologia moderna. Ver o artigo sobre a Astronomia, quanto a uma demonstração sobre isso. Os teólogos honestos precisam enfrentar questões como essas.
4. Problemas com a evolução. Os próprios evolucionistas concordam que as evidências de que dispõem não são conclusivas, mas tão - somente indicativas. Alguém já disse: «Os criacionistas têm certeza, sem evidências. Os evolucionistas têm evidências sem certeza». Se tomarmos um ponto de vista simbólico ou alegórico acerca do relato de Gênesis, então essa declaração torna-se adequada. Mas, se assumirmos uma posição literalista, tropeçaremos no problema que temos sugerido ao leitor, no artigo sobre a Astronomia e em outros artigos, mencionados sob o segundo ponto, acima.
a. Da matéria morta â matéria viva. Se aceitarmos a evolução, então teremos de aceitar que a vida biológica pode, de alguma maneira, derivar-se de certas reações químicas, ainda desconhecidas. É verdade que faz pelo menos vinte anos agora que certas formas primitivas de vida foram produzidas por reações químicas. Porém, isso ainda está a grande distância de explicar o homem, embora, para alguns estudiosos, seja um passo inicial promissor. Os evolucionistas teístas não se sentem perturbados diante disso. Eles dizem que o homem está simplesmente aprendendo algo sobre os blocos de construção que Deus usou, quando produziu a vida. Também supõem que a Mente divina esteve por detrás da questão inteira, pois, do contrário, não haveria os blocos de construção, com que começar, e nem a inteligência necessária para produzir toda aquela maravilhosa complexidade que todos podemos contemplar.
b. Da simplicidade para a complexidade. Será, realmente, verdade, que no começo havia apenas formas de vida mais simples, das quais evoluíram formas de vida mais complexas? Os criacionistas respondem na negativa. Mas os evolucionistas oferecem um monte de evidências em apoio ã sua resposta positiva. Seja como for, a imensa complexidade e inteligência que podemos observar na natureza certamente fala sobre mente e inteligência, por detrás de tudo, e não de simples forças mecânicas. A evolução mecânica, sem qualquer diretriz inteligente, requer um bocado de credulidade para ser aceita. Isso significa que os advogados dessa modalidade de evolução são céticos cheios de fé!
c. A seleção natural. Há três problemas sérios que envolvem esse conceito. O primeiro é que o mesmo apenas oculta a ignorância, dando um nome a um mistério oculto, a menos que admitamos que há uma inteligência envolvida em tudo. Seleção mecânica é uma contradição de termos. Somente uma mente é capaz de selecionar. Em segundo lugar, essa idéia nada faz para explicar o impressionante desígnio que há na chamada matéria inanimada. Em outras palavras, desde a matéria inanimada já encontramos um desígnio; mas então, nas formas biológicas, haveria um retrocesso para a seleção natural. É claro que a mente já fizera muita coisa, no campo do selecionamento, antes da seleção natural começar; mas isso é ignorado dentro da expressão absurda «seleção natural». Em terceiro lugar, é lógico supormos que a mesma inteligência que opera sobre a chamada matéria inanimada, também opere sobre as formas biológicas. A teoria da evolução não tem podido dissipar os mistérios envolvidos. Isso significa que, quando muito, essa é apenas uma teoria tentativa e muito incompleta.
d. A evolução depende do empirismo. Estamos falando aqui sobre a variedade darwiniana, mecânica do conceito. Não há dúvida de que a experiência demonstrou que ninguém pode explicar adequadamente o mundo, e nem examinar bem os seus mistérios, se apelar somente para o empirismo. Há contribuições que também são feitas pela razão, pela intuição e pelas experiências místicas. Essas nos dão boas evidências em favor da existência de entidades não materiais, incluindo, acima de tudo, a alma humana. A própria ciência poderá vir a ser a campeã que, finalmente, demonstrará a dimensão não-material do homem. Ver os artigos sobre a Parapsicologia e sobre as Experiências Perto da Morte, quanto a evidências. Qualquer teoria que ouse falar sobre o homem, utilizando-se apenas de métodos empíricos, e então, convenientemente, ignore o que o próprio empirismo diz sobre a imaterialidade, tem de enfrentar invencíveis dificuldades.
IV. Declaração Final
É mister uma tremenda credulidade para alguém acreditar na evolução puramente mecânica, postulada por alguns evolucionistas. A evolução teísta poderia estar com a razão, não criando qualquer problema teológico, se tomássemos o ponto de vista alegórico de Gênesis. A Igreja Católica Romana, através de seus apologistas, tem aceitado a posição de que qualquer teoria cientificamente estabelecida sobre o desenvolvimento biológico é aceitável, do ponto de vista teológico (embora, nem por isso, seja verdadeira), se com isso não forem negados os ensinos da Igreja acerca da criação sobrenatural e especial da alma humana. Em outras palavras, pode-se deixar o
corpo físico aos cuidados de uma evolução teisticamente guiada, mas a alma pertence exclusivamente a Deus. Esse ponto de vista ganha força diante do fato de que o relato de Gênesis (visto pelo prisma dos antigos hebreus, e não pelo prisma dos cristãos modernos) não se refere à alma humana de modo algum. Pensamos que a posição desses apologistas católicos romanos é uma ideia útil, que merece a nossa consideração Por outra parte, afirmamos que ninguém, realmente, conhece a verdade a respeito das origens, exceto a afirmação de que a Mente divina está por detrás de toda essa operação, desde o começo. Mas, o modus operandi dessa operação precisa continuar sendo discutido. Se a alma pertence a Deus, tendo provido dele e estando destinada a retornar a ele, então, qualquer doutrina concernente ao corpo físico, por mais interessante que seja, não é crítica para a nossa fé.
Considerando a Controvérsia:
Irving Kristol, professor de pensamento social na escola graduada de negócios da Universidade de Nova Iorque, propôs uma abordagem que talvez seja útil na tentativa de encontrar uma maneira de abrandar o perene conflito que ruge entre os criacionistas e os evolucionistas. Ele sugere que visto haver tantas teorias conflitantes da evolução, não pode a evolução ser ensinada como uma simples teoria cientifica ortodoxa. Ensiná-la é, de fato, um exercício de dogmatismo. Em outras palavras, as teorias de evolução que se entrechocam criam muitas debilidades na teoria geral, furtando-lhe a aura de um fato cientifico.
Passo a citar o que ele escreveu no New York Times: «Segundo as coisas são, os fundamentalistas religiosos não estão longe do alvo quando afirmam que a evolução, conforme ela é geralmente ensinada, é assinalada por uma aresta antireligiosa sem base. A transformação gradual da população de uma espécie em outra é apenas uma hipótese biológica, e não um fato biológico. As diferenças entre as espécies são tão profundas que (pelo menos para alguns cientistas) o próprio conceito da evolução torna-se questionável. A evolução deveria ser ensinada como uma ideia conglomerada, formada por hipóteses conflitantes, e não como uma certeza que não pode ser desafiada. O criacionismo é uma questão de fé, e não de ciência. Teologicamente falando é perfeitamente defensável, mas nada tem a ver com a biologia». Esse mesmo autor duvida do valor de forçar a questão (o criacionismo e a controvérsia que gira em redor do mesmo) até o nível das escolas públicas, achando que seria mais aconselhável que os cristãos bíblicos apresentem os seus pontos de vista nas igrejas, ao mesmo tempo em que, nas escolas públicas, as crianças de pais evangélicos não deveriam ser expostas a ensinamentos anti-religiosos, que lhes são forçados como se fossem fatos.
Evolução Espiritual: Ver o artigo com este título.
Escrevi um artigo separado sobre esse assunto, bastante detalhado. Um texto de prova da ideia que o homem evolui espiritualmente (não biologicamente) é II Coríntios 3:18: «E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito».
Para mim parece claro que a própria salvação, já nas dimensões celestiais, envolverá uma glorificação e uma transformação eternas, em que o crente vai sendo transformado à imagem do Filho de Deus, mediante o poder do Espirito Santo. Isso significa que os homens compartilharão da própria natureza divina (ver II Ped. 1:4), dotados da plenitude de Deus (ver Efé. 3:19), conforme a imagem e a natureza do Filho de Deus (ver Rom. 8:29), subindo sempre de um estágio de glória para outro, incessantemente (ver II Cor. 3:18). Visto que há uma infinitude com a qual seremos cheios, não há que duvidar que haverá um enchimento infinito.
Estágios na Inquirição Espiritual; a Evolução da Vereda Espiritual
1. Materialismo
A alma é imersa no bem-estar físico, dominada pelo egoísmo, afligida pelo agnosticismo, pelo ceticismo e. talvez, até pelo ateísmo.
2. Superstição
As evidências de poderes super-humanos são suficientes para convencer a alguns de que a abordagem materialista não pode explicar todos os fenômenos pelos quais passa um ser humano nesta vida. Há uma tomada inicial de consciência acerca de forças e entidades maiores que o ser humano. Mas bem pouco é reconhecido acerca de tais forças, e a imaginação cria toda espécie de mito e tabu. Ritos são efetuados na tentativa de aplacar as forças invisíveis.
3. Fundamentalismo
Revelações divinas, através de profetas, proveem-nos Livros Sagrados, que quase sempre tornam-se objetos de adoração. Ver sobre a Bibliolatría, quanto a uma ilustração desse fenômeno. As principais atividades, durante esse estágio, são crenças rígidas e invenções de credos que, supostamente, conteriam todas as verdades importantes que devem ser cridas.
4. Filosofia
Nesse estágio, os homens começam a pensar por si mesmos. Há uma espécie de despertar da auto-responsabilidade. As convicções religiosas são mantidas, mas há menos dependência ao mero dogma. Nesse estágio, os homens exibem maior respeito pela vida, e não meramente pela vida humana. A tolerância (vide) passa a ser um importante aspecto durante essa fase.
5. Perseguição e Perseverança
A alma do indivíduo é afligida por profundos anelos espirituais. Há muita tensão interior, ou mesmo angústia, que se origina do intenso desejo de compreender os significados ocultos e os mistérios.
6. A Vereda Mística
A alma esforça-se por desvencilhar-se das muitas cadeias do dogma, dos costumes e dos preconceitos que a escravizam. É buscada a Presença do Espírito de Deus. A meditação e outros modos de avançar nas experiências místicas tornam-se parte da vida diária. É procurada a união com Deus. O indivíduo eleva-se acima do mundo da percepção dos sentidos, da razão e da intuição, e busca comunhão direta com Deus. Nesse estágio, o amor torna-se supremo no mundo ético, pois, em termos práticos, não há princípio maior que o amor. Aparece como que um elevado monte, a ser escalado ou ultrapassado, que representa as realizações espirituais. É possível escalar por um dos lados dessa montanha mediante a meditação, o misticismo subjetivo e a contemplação transcendental. Mas também é possível escalar essa montanha pelo lado oposto mediante a meditação, o misticismo objetivo e a metafísica intelectual. O próprio apóstolo era homem dotado de muitas visões e experiências místicas, e parte do nosso Novo Testamento origina-se das coisas que ele aprendeu por meio de tais experiências. Paulo encarecia a iluminação (vide: Efé. 1:18). Esteve no terceiro céu e ficou pasmo diante das coisas que ouviu e viu, embora não tivesse recebido a permissão de revelá-las, em sua maior parte (ver II Cor. 12:1-3). Destarte, aproximou-se da presença de Deus e foi transformado. Essas experiências ajudaram- no em sua transformação segundo a imagem de Cristo (ver Transformação Segundo a Imagem de Cristo). Talvez não estejamos longe da verdade ao afirmarmos que a epístola aos Gálatas representa o estágio fundamentalista do desenvolvimento espiritual de Paulo, quando estava em conflito aberto com seus adversários. Mas a sua epístola aos Efésios representa o seu estágio místico, ao passo que o trecho de II Coríntios cap. 13 confere-nos algumas informações sobre suas experiências pessoais durante esse avançado estágio.
7. Estágio Final
Na verdade temos aí o processo eterno da glorificação. (AM B C E EP P R)
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4285-4288.
IV - OBRIGAÇÕES DIANTE DA IMANÊNCIA DE DEUS
1. Deus está próximo.
Deus presente — não estamos sozinhos!
O atributo da imanência divina, mostra-nos que Deus, mesmo não podendo ser confundido com as suas criaturas, todavia pode se relacionar com elas. Deus cuida da sua criação. Isso significa que o nosso Deus não é um Deus distante, que após criar o mundo se ausentou dele! Pelo contrário, Ele é um Deus presente! No capítulo 5 de Eclesiastes, Salomão está falando do culto a Deus e mostra como Ele se identifica com o mesmo, aprovando-o ou reprovando-o: “porque [Deus] não se agrada de tolos” (Ec 5.4). Essa mesma verdade é mostrada no Novo Testamento (2 Co 6.16). Essa proximidade de Deus deveria nos fazer melhores crentes, melhores cidadãos.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 119-120.
IMANÊNCIA (IMANENTE)
Essa palavra vem do latim, Immanere, «habitar».
E usada em relação a ações e princípios relativos a Deus (sendo o contrário de transcendência), e também relativos a outras entidades espirituais de grande poder.
1. Ação imanente. No uso escolástico, um ato que permanece dentro de um ser que é seu hospedeiro, mas que não modifica seu objeto. Um ato que modifica o objeto é chamado transitivo. Para exemplificar. a função de ver. Essa ação interior produz efeitos sobre o hospedeiro, de dentro para fora, e não ao contrário, sem modificar as aparências externas.
2. Spinoza fez o contraste entre o que ele chamava de causa immanens e o que ele chamava de causa transiens. Algumas causas vêm de fora da coisa modificada; mas outras partem de dentro. Ele falava sobre a causalidade de Deus como imanente.
3. Imanência da experiência. Kant chamava a experiência que pode ser testada por experimentos (a percepção e suas proposições) de imanente. Acima disso, temos os postulados que repousam sobre aquilo que, para nós, é transcendental.
4. A epistemologia e a ética imanentistas. Incorporando as ideias de Kant, alguns filósofos asseveram que podemos saber coisas dentro de nossas próprias mentes, e de nossa experiência pessoal. E impossível saber-se de qualquer coisa fora do ser conhecedor. Essa atitude tem um tom agnóstico, no tocante a qualquer coisa que vem além do individuo ou a qualquer coisa transcendental (Deus, o espírito, a alma, a natureza do mundo, etc.). Uma outra aplicação, no campo da gnosiologia, é certa forma de subjetivismo. Possuímos uma força interior, inerente, que precisamos reconhecer em nós mesmos e aperfeiçoar. A falta de significação do pensamento e das ações poderia ser medida em termos de Iluto-realização. Essa é uma aplicação ética do termo.
5. Deus. Em relação aos conceitos do Ser Supremo ou Força Cósmica Universal, o termo imanente fala sobre uma identificação parcial ou completa de Deus com o mundo. Se a identificação for absoluta, então teremos o panteísmo (vide) ou o panenteismo (vide).
O teísmo admite a imanência de Deus, mas não identifica o mundo com Deus. Em outras palavras, a essência de Deus é distinta da essência do mundo. A teologia bíblica admite tanto a imanência quanto a transcendência de Deus, porquanto ambas as coisas são ensinadas na Bíblia. O gnosticismo (vide) procurava solucionar o aparente conflito envolvido na questão supondo que o próprio Deus é transcendente, mas através de muitos supostos mediadores, seria imanente por delegação. A filosofia indiana e o misticismo, em geral, afirmam a imanência como um aspecto importante de seus sistemas de pensamento.
O deísmo (vide) ensina a transcendência. Os teólogos cristãos, por sua vez, explicam que Deus é imanente em suas obras, mas é transcendental quanto à sua essência, a qual, para nós, permanece desconhecida.
O trecho de Sal. 139 ensina a imanência de Deus. O teísmo bíblico requer essa imanência como um conceito fundamental. Passagens como Rom, 11:33 ss e I Tím. 6:16, por outro lado, ensinam a transcendência de Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 249-250.
II Cor 6.16 Tanto naquele tempo como hoje o processo decisivo da grande guinada de vida para sair do mundo gentílico era o seguinte: “Convertei-vos, deixando os ídolos” (1Ts 1.9). Nesse caso, porém, os ídolos não podem de forma alguma ocupar o templo de Deus! Por natureza Deus não pode tolerar poderes estranhos em seu templo. Nessa frase Paulo deve estar pensando na leviandade com que os “livres” e os “fortes” em Corinto acreditam que podem participar tranquilamente das refeições em templos gentílicos. “Fugi da idolatria!” é uma advertência que ele já tivera de escrever na primeira carta (1Co 10.14).
Mas ele não se refere apenas a tais eventos isolados. Sua advertência tem um sentido bem abrangente com vistas a tudo que não se harmoniza com o Deus vivo e nossa ligação com ele. Não é possível que sejamos reconciliados com Deus por um preço tão alto (2Co 5.19-21!) e que depois novamente nos maculemos com “idolatria” no sentido mais amplo. “Porque nós somos o santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: „Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo‟.” O que Deus prometera ao povo de Israel na antiga aliança (Lv 26.11s) e o que ele assegurara novamente por meio do profeta Ezequiel (Ez 37.27) após o cativeiro babilônico se cumpriu agora. Por isso, em 1Co 3.16s Paulo havia designado a igreja de Jesus de templo santo de Deus (cf. também Ef 2.19-22). Que inédita condição de vida fora concedida à igreja desse modo! Ser santuário de Deus, povo de Deus, ter o eterno Deus vivente como “nosso” Deus tão perto de nós na mais íntima comunhão – em que alturas isso nos posicionou!
Werner de Boor. Comentário Esperança II Coríntios. Editora Evangélica Esperança.
II Cor 6.1 6 — Vós sois o templo. Uma referência a Levítico 26.11,12 e a outras passagens, tais como Jeremias 32.38 e Ezequiel 37.27, para relembrar os coríntios de seu relacionamento com Deus. Como o Espírito Santo estava habitando neles, eram a mais nova morada do Senhor (1 Co 6.19).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 465.
O cristão é por confissão, e deveria ser na realidade, o templo do Deus vivente dedicado e ocupado com o serviço de Deus. O Senhor prometeu habitar nos cristãos, para neles habitar e andar, para desfrutar de um relacionamento especial com eles e ter um cuidado especial com eles, para que Ele seja o seu Deus e eles sejam o seu povo. Por isso, não pode haver “...consenso [...] entre o templo de Deus e os ídolos”. Os ídolos são rivais de Deus e da sua honra, e Deus é um Deus zeloso e não dará sua glória a outro. (3) Há um grande perigo em comunicar-se com descrentes e idólatras, em ser corrompido e rejeitado.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 527.
2. O valor das orações e votos.
Deus de promessas — o valor das orações e votos
Tudo o que foi dito antes culminará numa das mais belas verdades bíblicas — Deus não apenas se faz presente, mas também prometeu nos abençoar atendendo nossas orações e realizando os nossos desejos. Isso acontecerá quando orarmos de acordo com sua vontade (Jr 29.12,13; Jo 14.13,14). Os judeus sabiam dessa verdade e por isso não somente oravam a Deus, como também se empenhavam através de votos (Nm 30.3-16; Dt 23.21-23). Não há dúvidas de que o livro de Eclesiastes tem em mente essas passagens bíblicas quando adverte: “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras”. (Ec 5.4,5, ARA). Em o Novo Testamento não encontramos um preceito concernente à prática do voto, mas o seu princípio permanece válido. Fazer compromisso ou propósito diante de Deus e cumpri-los é uma verdade que ultrapassa gerações.
O valor das orações e votos — uma análise contextualizada dessas práticas
Há algum tempo postei no meu blog um artigo sobre “voto” que escrevi para um periódico da CPAD. Visto que esse material literário tem ajudado muitos a dirimir suas dúvidas sobre essa prática, irei reproduzi-lo aqui.
Observei que essa é uma das postagens mais visitadas do blog com mais de 15 mil acessos. Recebi muitos e-mails de internautas que leram a postagem.
Publicarei um deles, resguardando a identidade da autora:
A Paz do Senhor Pr. José Gonçalves. Sou adolescente de 16 anos, já fiz por diversas vezes “votos” com Deus. Só que eu nunca consigo cumpri-los. Mas a dúvida que me fez buscar a internet é: Nós podemos fazer um voto com Deus assim que concedida a graça? Um voto não cumprido, quais as consequências? Na Bíblia, tem uma passagem que diz mais ou menos assim (nem me lembro onde nem as palavras certas, mas tenho certeza que o Pr. sabe onde se encontra) o tempo da ignorância, Deus não leva em conta. Se eu fiz votos, antes de receber a bênção desejada (porque não fui devidamente orientada) e por motivos de fraqueza não as cumpri, Deus vai cobrar de mim? Agradeço muito se o Pr. responder esse meu comentário, pois estou muito angustiada. A Paz do Senhor.
Pois bem, vamos começar com um texto bíblico que faz alusão direta ao voto:
Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz, para a casa de meu pai, então, o Senhor será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a casa de Deus; e de tudo quanto me concederes, certamente eu te pagarei o dízimo (Gn 28.20-22, ARA).
Há alguns anos, eu acompanhava um pastor em uma visita a um outro colega obreiro de uma cidade vizinha a nossa. Ali chegando, enquanto aguardávamos a hora do almoço, os pastores presentes aproveitavam o tempo com assuntos informais. As conversas giravam em torno da vida da igreja. Não sendo ainda um obreiro com funções pastorais, apenas observava de “fora” aquele saudável debate. Pois bem, a certa altura daquele debate teológico, um dos pastores pôs no centro das discussões a falta de vitalidade espiritual na vida de muitos crentes. Ele achava que uma espécie de apatia parecia dominar a vida de muitos cristãos. Observou que essa “mornidão” sempre existiu, mas que na época presente a situação parecia ter crescido em escala geométrica. Era algo com proporções nunca vista. Em palavras mais simples, a percentagem de crentes frios na presente dispensação da Igreja, era de longe superior a de outros tempos. Qual a razão para isso? Era a pergunta que todos os presentes sentiram-se forçados a fazer naquele momento.
Observei que dentre os pastores presentes, muitas explicações consistentes foram dadas, mas jamais me esquecerei daquela que um dos obreiros deu naquele momento. Na sua fala simples, porém sem ser simplista, ele disse que esse esfriamento ocorre por conta da falta de compromisso com Deus por parte de muitos crentes. Destacou no final de seu argumento a prática bíblica do voto como algo que estava sendo esquecido. Acrescentando em seguida que muitos crentes hoje desconhecem até mesmo o que seja um pacto com Deus. Sob muitos aspectos, destacou que o voto na cultura bíblica revelava propósitos específicos da vida dos crentes. Embora já se tenham passado muitos anos, todavia nunca me esqueci daquela cena. Ela me marcou. Ao se referir ao voto como algo a ser observado em nossos dias, aquele obreiro fez-me refletir sobre a validade dessa prática bíblica. Todavia estou consciente, em razão do atual contexto da fé evangélica brasileira, das reações contrárias que podem surgir. Em um contexto em que se loteia o céu; em que ainda outros fazem barganha da fé, é compreensível que surjam vozes discordantes da observância de determinadas práticas ou princípios bíblicos. Isso pode parecer legalismo. Todavia não tenho a menor dúvida da validade do voto.
A propósito, William Masselink destaca algumas razões que justificam a prática do voto a Deus em nossos dias.
1. O voto é um promessa feita a Deus.
O que pode ser uma expressão de gratidão por algum favor outorgado, ou uma promessa no sentido de manifestar gratidão por algumas bênçãos desejadas, caso Deus ache por bem outorgá-las.
Neste aspecto o voto bíblico não pode ser confundido com a “promessa” católica, uma vez que esta é feita a um “santo”, enquanto aquele só poderia ser feito a Deus.
2. A Bíblia contém muitas injunções sobre a observância do voto.
Não deve, portanto, o voto ser visto como uma barganha. Uma espécie de “toma lá dá cá”. O voto deve ser feito como uma expressão de devoção piedosa do crente a Deus. O Dr. Clyde T. Francisco ao se referir ao voto de Jacó, observa que “algumas pessoas têm criticado este ato como tentativa típica de uma barganha com Deus, mas ele estava longe disso. Jacó não pediu fama nem riquezas. Tudo o que ele desejou foi pão e roupa, até poder voltar. Este fato, por si mesmo, nos informa que essencialmente ele não era uma pessoa egoísta.” A passagem de Gênesis 28.20-22 é a primeira referência bíblica sobre a prática do voto. Mas como bem observou o rabino Meir Matzliah Melamed, “em todas os tempos tanto na alegria como no sofrimento o homem sentiu a necessidade de estender seu coração a Deus por meio de votos e promessas. Mas afinal o que é, portanto, um voto? William Gesenius, renomado hebraísta, nos dá a definição para a palavra hebraica nadar, traduzida como “votar”. Gesenius diz que um voto significa: “Prometer voluntariamente fazer ou dar alguma coisa”. Gesenius ainda observa que a expressão mais completa nadar neder, é traduzida literalmente e de forma redundante como “votar um voto” (Jz 11.39; 2 Sm 15.8). O voto, portanto, é uma promessa que alguém assume perante a divindade. No conceito dado, fica em destaque que quando alguém quer fazer algum voto, deve fazê-lo voluntariamente. Todos os intérpretes fazem questão de destacar a voluntariedade do voto. W. Massilink observa que um voto “significa uma obrigação ou promessa voluntária feita a Deus”.
De fato a voluntariedade é um elemento essencial para que um ato se configure como moral. Em outras palavras, só seremos responsabilizados por aqueles atos que praticarmos voluntariamente.
No caso do voto bíblico, ninguém era obrigado a fazê-lo. “Abstendo-te de fazer o voto, não haverá pecado em ti” ( Dt 23.22). Por outro lado, uma vez feito o voto, havia a responsabilidade de cumpri-lo. “Quando fizeres algum voto ao Senhor, teu Deus, não tardarás em cumpri-lo; porque o Senhor teu Deus, certamente, o requererá de ti, e em ti haverá pecado” (Dt 23.21); “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes” (Ec 5.4). Antes de se fazer um voto é necessário ter consciência do compromisso que estamos assumindo. Poderei cumprir esse voto? Lembro-me que um irmão me procurou certa vez. Ele demonstrava estar insatisfeito com o líder da congregação da qual ele fazia parte. Querendo saber a razão do seu descontentamento, descobri que era algo relacionado a um voto que ele havia feito. Ele votara a Deus dizendo que se o Senhor lhe desse vitória em algo que pedira, então em cumprimento do voto feito realizaria um culto semanal em sua casa. Sempre às terças-feiras. Tendo alcançado o favor do Senhor, aquele irmão viu-se em dificuldades para cumprir seu voto. O dirigente da congregação disse-lhe, com razão, que ele não deveria ter feito um voto que dependesse de terceiros para que pudesse ser cumprido. A igreja tinha a sua própria agenda e não poderia viver em função do voto daquele irmão. A questão não é, portanto, simplesmente votar, mas o que estamos votando e de que maneira cumpriremos os nossos votos.
O caso de Jefté é bem conhecido (Jz 11.30,35-36,39). Os versículos citados deixam claro que Jefté não tencionava que sua filha fosse o objeto de cumprimento de seu voto precipitado. “Fez Jefté um voto ao Senhor e disse: Se, com efeito, me entregares os filhos de Amom nas minhas mãos, quem primeiro da porta da minha casa me sair ao encontro, voltando eu vitorioso dos filhos de Amom, esse será do Senhor, e eu o oferecerei em holocausto”( Jz 11.30,31). Todavia a forma vaga e precipitada como fez o seu voto foi a causa do seu posterior lamento. “Quando a viu, rasgou as suas vestes e disse:
Ah! Filha minha, tu me prostras por completo; tu passaste a ser a causa da minha calamidade, porquanto fiz voto ao Senhor e não tornarei atrás (Jz 11.35). Por último, convém observar que de acordo com as Escrituras não podemos oferecer como voto ao Senhor aquilo que já lhe pertence ou que por Ele é proibido. Por exemplo:
o dízimo já é do Senhor, não poderei fazer um voto tencionando pagá-lo com ele (Ml 3.10). Aquilo que é fruto de alguma coisa impura ou abominável também não pode ser objeto de voto (Dt 23.18). O voto, portanto, deve ser visto como uma forma de manifestação da graça de Deus, e com a qual Ele quer nos abençoar.
Neste capítulo abordamos as palavras do sábio Salomão no contexto da adoração bíblica. Ficamos logo conscientes de que não há adoração verdadeira que não leve em conta as obrigações diante de Deus e dos homens. Se quisermos viver uma vida espiritual plena devemos estar conscientes das implicações que a acompanham. De nada adianta termos templos suntuosos, ministrações eloquentes e cantores famosos se não estamos cumprindo com as obrigações que uma verdadeira adoração requer.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 120-125.
Jr 29.12,13 — A reação prometida pelo Senhor para com as orações dos profetas coloca-se em contraste com sua recusa de ouvi-los em Jr 7.16.
De todo o vosso coração. Essa descrição difere grandemente da descrição mais comum a respeito do coração do povo de Judá como sendo ímpio e rebelde (Jr 3.10; 4.14; 7.24). Deus sondaria o coração do povo e revelaria seu verdadeiro caráter (Jr 11.20).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 1164.
Jr 29.12-14 - Deus não se esqueceu de seu povo. embora este estivesse cativo na Babilônia. O Senhor planejou dar-lhes um novo começo com um novo propósito: seriam transformados em um novo povo. Em meio às terríveis circunstâncias que enfrentamos. pode parecer que Deus se esqueceu de nós. Mas Ele pode estar nos preparando, como tez com o povo judeu, para um novo começo em que Ele seja o centro de nossa atenção e vida.
Jr 29.13 - De acordo com o sábio plano de Deus. seu povo deveria ter um futuro e uma esperança; consequentemente, poderiam colocar sua confiança nEle. Embora os exilados estivessem em um lugar distante e em um momento de dificuldade, não precisavam desesperar-se. pois tinham a presença de Deus, o privilégio da oração e a graça. Se buscado sinceramente. Ele será encontrado. A distância geográfica, a tristeza, a perseguição e os problemas não podem impedir nossa comunhão com Deus.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 991.
Jo 14.12,13 - Jesus afirmou que os seus discípulos poderiam fazer obras maiores. Trabalhando com o poder do Espirito Santo, eles levariam as Boas Novas do Reino de Deus além da Palestina, a todo o mundo.
Jo 14.14 - Quando Jesus disse que podemos pedir qualquer coisa ao Pai, devemos lembrar que os nossos pedidos devem ser em seu nome e de acordo com o caráter e a vontade de Deus. O Pai não nos concederá pedidos contrários ã sua natureza ou a sua vontade: não podemos usar o nome de Jesus como uma fórmula mágica para realizar os nossos desejos egoístas. Se estivermos sinceramente seguindo a Deus e procurando fazer a sua vontade, os nossos pedidos estarão de acordo com o seu desejo. e Ele no-los concederá (ver 15.16; 16.23).
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1448.
JO 14.13-14 As obras maiores dos discípulos são na verdade obras de Jesus, assim como a palavra e obra de Jesus eram na verdade vida e obra do Pai. O poderoso fluxo da revelação e da atuação do Pai para o Filho se prolonga do Filho aos discípulos fiéis. Jesus já mostrou isso em Jo 6.57. Assim Jesus o suplicará de novo de modo expresso em Jo 17.2,21. A obra do Filho acontece quando pede e recebe do Pai (Jo 11.41s). Consequentemente, também a obra dos discípulos está alicerçada sobre suas preces. ―Sucesso‖ é atendimento de oração. ―Por isso a promessa de sucesso se torna promessa de atendimento de oração, mais precisamente de atendimento irrestrito de todas as orações‖ (Büchsel). ―E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.‖ Tudo o que ouvimos nos evangelhos sinóticos em termos de incentivo à oração e de promessas de atendimento (Mt 7.7-11; 17.1-21; Lc 11.5-13), isso Jesus agora sintetiza na despedida de seus discípulos em breves frases. Jesus o confirma mais uma vez: ―Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.‖ Nessa frase Jesus indica a si mesmo como aquele a quem é dirigida a prece e que também a atende pessoalmente. Assim, está sendo outorgado expressamente à igreja o direito de orar a Jesus. Em vista disso, os discípulos mais tarde serão caracterizados como aqueles ―que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo‖ (1Co 1.2). Importante é também que aqui o próprio Jesus entende a oração integralmente como ―pedir‖. A oração como ―pedir‖ corresponde à situação entre Criador e criatura, entre Senhor e discípulo. De nosso lado está a carência total, porque não encontramos em nós próprios aquilo de que precisamos. Do lado de Deus está toda a riqueza e a disposição plena de nos conceder essa riqueza de que precisamos.
No entanto, está sendo estabelecida enfaticamente para a oração uma premissa: a oração dos discípulos tem de acontecer ―em meu nome‖. É óbvio que isso não significa o uso do nome de Jesus como uma fórmula. Porém Daniel (Dn 9.18) já sabia que nossa oração nunca se pode apoiar sobre nossa justiça, e sim precisa apelar para a grande misericórdia de Deus. Essa misericórdia soberana de Deus veio pessoalmente até nós em Jesus. Portanto, pedir em nome de Jesus significa saber-se autorizado a orar unicamente por essa misericórdia de Deus em Jesus. Pecadores podem comparecer diante de Deus unicamente trajados com a ―justiça alheia de Cristo‖. Então poderão apelar perante Deus a todas as ordens e promessas de oração de seu Senhor. No entanto, se o fizerem seriamente submetem simultaneamente sua oração à verificação se realmente podem apresentar a Deus essas preces ―em nome de Jesus‖. Sim, mais ainda. Jesus declara que ele mesmo é aquele que faz o que está sendo pedido. Duas vezes ele assegura: ―Eu o farei‖. Nenhuma pessoa que ora a Jesus pode esperar que ele faça algo que contradiz sua essência. Contudo, com a mesma certeza ele pode solicitar tudo o que ele reconhece como sendo concorde com a atuação de Jesus. Nesse sentido conhecer progressivamente a Jesus representa uma escola de oração. No entanto, esse olhar para Jesus durante a oração não compromete a honra do Pai, e sim a aumenta. Pois Jesus, o Filho, pode e pretende ―fazer‖ tudo apenas ―a fim de que o Pai seja glorificado no Filho‖. Porque mesmo quando Jesus atende as orações dos seus, ele permanece fiel à regra básica que expôs aos líderes de seu povo por ocasião de sua primeira grande controvérsia sobre sua filiação divina: ―O Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz‖ (Jo 5.19).
Werner de Boor. Comentário Esperança João. Editora Evangélica Esperança.
Mn 30.3-5 — Na cultura israelita, uma jovem mulher solteira ficava sob a tutela de seu pai. Se ela fizesse um voto, este, ao ser conhecido pelo pai da moça, poderia ser cumprido ou não, dependendo da vontade paterna. Por esta razão, o pai poderia anular o voto. Se ele não o fizesse, isso significava que o voto estava válido, incluindo qualquer complicação em decorrência da promessa.
Mn 30.6-8 — O cumprimento do voto feito por uma mulher antes de casar-se passa a ser uma determinação do marido. Assim, o esposo poderia anular a promessa feita por sua cônjuge antes do matrimónio, ou seja, antes de ela estar sob sua tutela. Neste caso, Deus a livraria do voto dela. Caso o marido soubesse da promessa e não dissesse nada, então o voto continuaria válido, incluindo qualquer problema em decorrência deste. Fazendo uma comparação com os versículos 10 a 15 deste capítulo, os versículos 6 a 8 sugerem que a mulher aqui citada é recém-casada.
Nm 30.9 — O voto de uma viúva ou de uma mulher divorciada era válido, porque não estava atrelado à tutela do pai nem do marido.
30.10-15 — No caso de uma mulher que fizesse um voto ao Senhor depois do casamento, o marido poderia anulá-lo. Porém, seu silêncio em relação ao compromisso o validaria. Muitas destas situações podem ter sido arbitradas da mesma maneira que o caso envolvendo as filhas de Zelofeade (Nm 27), isto é, baseando-se em situações específicas levadas perante Deus para a proclamação de uma sentença.
Mn 30.16 — Este versículo fala sobre a autoridade de Deus e as decisões que Ele transmitiu a Moisés a respeito dos votos feitos pelas mulheres na antiga cultura de Israel.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 301-302.
Nm 30.3. Em sua juventude
Isto é, dizem os rabinos, com 12 anos de idade, e em treze anos, no caso de um jovem. Os jovens desta idade foram considerados sob a autoridade de seus pais, e, consequentemente, não tinha poder de voto fora da propriedade de outro. Uma mulher casada estava nas mesmas circunstâncias, porque estava sob a autoridade de seu marido. Se, contudo, os pais ou o marido ouviu falar do voto, e opôs-se que no mesmo dia em que ouvi falar, 30:5), então, o voto foi anulado, ou, se ter ouvido falar dele, eles calaram-se, o que foi considerado uma ratificação do voto. Um voto erupção nunca era para ser mantido, "porque", diz Philo, e senso e justiça comum dizer o mesmo", aquele que comete uma ação injusta por causa de seu voto acrescenta um crime para o outro, 1. por fazer um voto ilegal; 2. Ao fazer uma ação ilegal ".
Nm 30.12. Quanto ao vínculo de sua alma
Sua vida está em jogo, se ela não cumprir a obrigação em que ela se colocou.
Nm 30.16. Estes são os estatutos
 É muito provável que essa lei, como a relativa à sucessão de filhas, 27:1-11), levantou-se da exigência de algum caso particular, que tinha acabado de então ocorreu. Fazendo votos, em quase todo o caso, é um negócio perigoso, pois eles raramente fazem qualquer bem, e muitas vezes muito mal. Aquele que não se sente obrigado a fazer o que é adequado, correto, e apenas, a partir do pé testemunho da Palavra de Deus, não é provável que fazê-lo a partir de qualquer obrigação que possa colocar em cima de sua própria consciência. Se a Palavra de Deus de falta de peso com ele, sua própria provará mais leves do que a vaidade. Todo homem que professa a religião cristã está sob a mais solene obrigação de dedicar corpo, alma e espírito a Deus, não só para a maior extensão de seus poderes, mas também, desde que ele existe. Ser batizado e receber o sacramento da Ceia do Senhor são ratificações adicionais dos grandes, em geral, voto cristão, mas todo verdadeiro seguidor de Cristo deve sempre lembrar, e frequentemente renovar sua aliança com Deus. Capítulo 31 Ao comando do Senhor, para fazer guerra aos midianitas, 1,2 Mil homens são escolhidos de cada uma das doze tribos, e enviado com Finéias contra os midianitas, 3-6 Eles matam todos os homens, 7; Seu cinco reis e Balaão, 8 Eles pegam todas as mulheres cativos, com os rebanhos e bens, 9; queimar suas cidades, e levar longe o despojo, 10,11 Eles trazem os prisioneiros, oficiais para poupar as mulheres, que tinham anteriormente sido a causa de sua transgressão e punição, 12-16 Ele comanda todas as crianças do sexo masculino e todas as mulheres cresceram para ser morto, 17,18 Como os soldados estavam para se purificar, 19,20; e os diferentes artigos tomadas na guerra, 21-24 Eles são ordenados a tomar a soma da presa, para dividi-lo em duas partes, uma para os guerreiros 12.000, e outro para o resto da congregação, 25-27. Um dos 500, tanto de pessoas e gado, da parte dos guerreiros, deve ser dado ao Senhor, 28,29, e uma parte de cinquenta anos, de participação do povo, para ser dado aos levitas, 30 A soma da presa restante após a divisão acima, ovinos 675.000, 72.000 bois, jumentos 61.000, 32.000 mulheres jovens, ver. 31-35. Como parte dos soldados foi dividida, 36-40. Como a parte pertencente à congregação foi dividida, 41-47. Este relatório que não tinha perdido um homem nesta guerra, 48,49. Traz uma oferta voluntária a Deus, de ouro e ornamentos, 50,51, a quantidade de que foi 16.750 shekels, 52,53 Moisés e Eleazar trazer o ouro para o tabernáculo para um memorial, 54.
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
Dt 23.21 Os vss. 21-23 deste capítulo apresentam a quarta das vinte leis miscelâneas apresentadas no trecho de Deu. 23.15-25.19. Crentes piedosos, ou aqueles que estivessem carentes, necessitados de receber alguma coisa da parte de Deus, fariam votos para receberem 0 que queriam. Esse ato de devoção-e-necessidade precisava ser regulamentado. Os votos tinham de ser feitos com toda a seriedade, evitando qualquer frivolidade ou hesitação. Eram tomados diante de Yahweh-Elohim, 0 Eterno Todo-poderoso, da parte de Quem nos chegam todas as bênçãos (ver Tia. 1.17). O poder de Deus requer dos homens que, uma vez feitos votos, eles sejam cumpridos, pois de outro modo entra a frivolidade, que só serve para debilitar a fé religiosa. Deus não fez promessas frívolas, nem devem tomar votos frívolos aqueles que o adoram.
Os votos, de acordo com costumes de tempos posteriores, eram cumpridos antes ou durante 0 tempo das três grandes festividades anuais, a saber, a Pás- coa, 0 Pentecoste e os Tabernáculos (acerca das quais ver 0 Dicionário). Ver I Sam. 1.21 e Ecl. 5.4.
Dt 23.22 Abstendo-te de fazer 0 voto. Os votos eram recomendados como parte da prática espiritual, mas não eram requeridos. Eram expressões voluntárias. Ninguém era obrigado a tomar votos; mas se alguém fizesse um voto, tinha a obrigação de cumpri-lo, e 0 mais prontamente possível.
“No alto de um penhasco, acima do Mar, em Marselha, há uma igreja repleta de modelos de embarcações e artigos semelhantes. Esses objetos representam 0 pagamento de promessas feitas pelos marinheiros, em tempos de perigo, estando eles no Mar” (Henry H. Shires, in loc.). Todos nós, em um tempo ou outro, temos feito promessas a Deus: “Se fizeres isto para mim, eu farei isto ou aquilo”. Não há nenhum mal nessa prática, mas devemos agir sempre com honestidade. Conforme dizia a minha mãe: ‘Algumas vezes podemos barganhar com Deus, mas de outras vezes, não”. Em Israel, votos eram feitos em conjunção com as ofertas voluntárias e através deles eram sustenta- dos os cultos sagrados, juntamente com outras provisões. Talvez um homem precisasse de cura; talvez precisasse de uma boa colheita; uma mulher talvez quisesse um bom marido com quem casar-se. Os votos eram feitos tendo em vista a obtenção de coisas dessa natureza.
Dt 23.23 O que proferiram os teus lábios, isso guardarás. Um voto, uma vez proferido, tornava-se absolutamente obrigatório. Ver Pro. 20.25; Ecl. 5.4,5. “Aben Ezra observou que todo voto é como uma oferta voluntária, embora nem toda oferta voluntária seja um voto. O Targum de Jonathan enumerou várias maneiras pelas quais um homem podia pagar por uma bênção obtida através de um voto: ofertas pelo pecado; ofertas pela culpa; holocaustos; oblações de coisas santas; libações; presentes feitos para o santuário; e esmolas dadas aos pobres” (John Gill, in loc.). Dessas e, sem dúvida, de outras maneiras também, um homem podia pagar um a graça recebida em face de algum voto ou promessa que tivesse feito.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 843.
Dt 23.21,22 — O voto era o comprometimento que demonstrava, de uma forma específica, o amor de um indivíduo pelo Senhor. Embora fosse voluntário, aquele que o fizesse era obrigado a cumpri-lo. Deus esperava que o povo mantivesse sua palavra (compare com Mt 5.37). Considerava- se o não cumprimento de um voto como pecado (Ec 5.4-6). Entretanto, fazer um voto era uma atitude espontânea e não necessária para o desenvolvimento da comunhão com Deus.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 344.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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