Google+ Followers

Seguidores do Blog

9° LIÇÃO DO 4 TRI 2013 O TEMPO PARA TODAS AS COISAS


O TEMPO PARA TODAS AS COISAS
Data 1 de Dezembro de 2013                  HINOS SUGERIDOS 224, 227, 396.
TEXTO ÁUREO
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ec 3.1).

VERDADE PRÁTICA
O tempo e o espaço em que vivermos são limitados, por isso, devemos ser bons despenseiros de Deus nesta vida.
LEITURA DIÁRIA
Segunda        - Ec 1.4                   A transitoriedade da vida
Terça             - Ec 3.11                 A eternidade de Deus
Quarta           - Ec 9. 11,12            O homem desconhece o tempo
Quinta            - Ec 5. 18, 19          A satisfação do trabalho
Sexta             - Ec 1. 17, 18          O tempo e o conhecimento
Sábado          - Ec 2. 4-11             O trabalho e a prosperidade como vaidades
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Eclesiastes 3.1-8
1 - Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu:
2 - há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
3 - tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;
4 - tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar;
5 - tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
6 - tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;
7 - tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar;
8 - tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
INTERAÇÃO
Alguém poderia dizer que o livro de Eclesiastes mais parece uma obra secular que a Palavra de Deus. Mas na verdade ele se apresenta realista. Ali, Salomão apresenta uma perspectiva de desencanto com a vida, se incomoda com a transitoriedade da existência e conclui: tudo na vida é “vaidade", isto é, passageiro. Se partirmos do ponto de vista de que o que Salomão está dizendo encontra-se interligado com o seu histórico de vida encharcado em pecado — ninguém mais do que ele sabia o que era viver uma vida outrora na presença de Deus, mas agora longe dos seus caminhos —, veremos que há apenas uma conclusão que ele poderia chegar: a vida sem Deus é vaidade!
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conhecer o livro e a mensagem de Eclesiastes.
Explicar a transitoriedade da vida e a eternidade de Deus.
Administrar bem o tempo e as relações interpessoais.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor para introduzir a lição desta semana sugerimos que você reproduza o esquema da página seguinte conforme suas possibilidades. Nesta lição, vamos iniciar o estudo do livro de Eclesiastes e, para isto, é imprescindível começarmos o estudo a partir de uma visão panorâmica de todo o livro. O esboço de Eclesiastes permite conhecer, de maneira panorâmica, seu conteúdo de uma só vez. Portanto, antes de iniciar a aula leia e analise o esboço juntamente com a classe.
PALAVRA-CHAVE Tempo; Duração relativa das coisas que cria no ser humano a ideia de passado, presente e futuro; período continuo no qual os eventos se sucedem.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Muitos filósofos denominam os nossos dias de “a era do vazio e das incertezas”. Há uma explicação para isso: a rejeição ã tradição bíblica propagada pelo Cristianismo. Podemos perceber o desencadeamento desse processo na relativização da ética e na total rejeição à verdade absoluta. Neste ambiente de contradições filosóficas não existe verdade, e sim Verdades” desprovidas de qualquer sentido.
O livro de Eclesiastes mostra a crise de um homem que vive a falta de harmonia existencial que hoje presenciamos.
Procurando viver intensamente a vida, ele mergulhou num mundo duvidoso e sensual, para descobrir que a vida sem Deus é um mergulho no vazio e uma corrida atrás do vento.
I - ECLESIASTES, O LIVRO E A MENSAGEM
1. Datação do livro. Estudos indicam que o relato dos fatos ocorridos em Eclesiastes podem ser datados por volta do ano 1000 a.C., período no qual o rei Salomão governava Israel De fato, o próprio Eclesiastes diz ser o rei Salomão o autor da obra sagrada (Ec 1.1, cf. v. 1 2).
2. Conhecendo o Pregador. Salomão identifica-se como o pregador, traduzido do hebraico qoheleth (Ec 1.1,12). A palavra “pregador” deriva de qahal, expressão que possui o sentido de “reunião" ou “assembleia”. A Septuaginta (que é a tradução da Bíblia Hebraica para o grego) traduziu qoheleth pelo seu equivalente grego ekkiesia, daí o nome Eclesiastes: uma referência a alguém que fala, ou discursa, em uma reunião ou assembleia.
O pregador foi Salomão, que já estava velho, mas tinha uma visão bem realista da vida. Conforme registradas em Eclesiastes, e embora retratem um período de declínio político, moral e econômico de Israel, suas palavras apontam para Deus como a única fonte de satisfação, realização e felicidade humana.
SINOPSE DO TÓPICO (1)
O nome Eclesiastes é uma referência a alguém que fala, ou discursa, em uma reunião ou assembleia.
II – DISCERNINDO OS TEMPOS
1. A transitoriedade da vida. Um tema bem claro em Eclesiastes é o da transitoriedade da vida. Ela é efêmera, passageira. E Salomão estava consciente disso (Ec 1.4). Sendo a vida tão curta, que “vantagem tem o homem de todo o seu trabalho, que ele faz debaixo do sol?” (Ec 1.3). Esse é o dilema que Salomão procura responder.
A vida é passageira, dura pouco. Por isso, muitos buscam satisfazer-se de várias formas. Há os que acham que a sabedoria resolverá o seu problema (Ec 1.16-18; 2.12-16). Outros buscam preencher a sua alma com os prazeres dessa existência (Ec 2.1-3). Ainda outros recorrem às riquezas (Ec 2.4-11). E, por último, há aqueles que se autor realizam no trabalho (Ec 2.1 7-23). Tudo é vaidade! O centro da realização humana não está nessas coisas.
2. A eternidade de Deus. Cerca de 40 vezes o Pregador refere-se a Deus no Eclesiastes. Ele o identifica pelo nome hebraico Elohim, o Deus criador. Isto é proposital, pois Salomão alude com frequência àquilo que acontece “debaixo do sol” (Ec 1.3,9,14; 2.18). É debaixo do sol que está a criação; é debaixo do sol que o homem se encontra.
Mas o Pregador tem algo mais a dizer. Ele quer destacar o enorme contraste entre a criação e o Criador, mais especificamente entre Deus e o Homem. Deus é eterno, onipotente, auto existente, enquanto o homem é finito, frágil e transitório. Por ser mortal, o homem não deve fixar-se apenas nas coisas dessa vida, pois o Deus Eterno pôs a eternidade em seu coração (Ec 3.11 - ARA).
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Nas Escrituras, o tempo se mostra na transitoriedade da vida e na eternidade de Deus.
III - O TEMPO E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
1. Na família. O Eclesiastes ensina que uma das características de nossa vida é a brevidade. Por isso, devemos usufruir com intensa alegria, juntamente com o nosso cônjuge e filhos, dos bens que o Senhor nos proporciona (Ec 9.7-9), pois a vida pode rapidamente se acabar.
Nesse capítulo, Salomão refere-se a vários itens que eram j usados pelos israelitas em ocasiões festivas (Am 6.6; Ct 1.3; 2 Sm 14.2; SI 104.15). O que isso significa? Antes de mais nada, que o nosso lar deve ser uma permanente ação de graças a Deus por tudo o que Ele nos concede.
Nossa casa deve ser um lugar de celebração. Desfrutemos, pois, as alegrias domésticas em companhia da esposa amada (Ec 9.9).
A metáfora tem uma mensagem bastante atual: a família cristã, sem recorrerás bebidas alcoólicas e outras coisas inconvenientes e pecaminosas (Ef 5.18), pode e deve alegrar-se intensamente. A vida do crente não precisa ser triste.
2. No trabalho. O trabalho não deve ser um fim em si mesmo.
Quando ele é o centro de nossa vida transforma-se em fadiga (Ec 5.16,17). Mas quando deixa de ser um fim em si mesmo, passa a ter real significado, tornando-se algo prazeroso, não pesado (Ec 5.18).
A palavra traduzida do hebraico samach é "gozar”, evocando regozijo e alegria. Isto significa que o nosso local de trabalho deve ser um lugar agradável e alegre, fruto das relações interpessoais sadias.
SINOPSE DO TÓPICO (3)
O relacionamento familiar; do crente deve ser intenso, assim como o trabalho deve ser uma atividade prazerosa e agradável.
IV - ADMINISTRANDO BEM O TEMPO
1. Evitando a falsa sabedoria e o hedonismo. A busca pelo conhecimento tem sido o alvo do homem através dos séculos. Salomão também empreendeu essa busca (Ec 1.17,18). Mas quem procura o conhecimento desperta a consciência em relação ao mundo ao seu redor, e é tomado por um sentimento de impotência por saber da própria incapacidade de melhorar a natureza das coisas. Nesse aspecto, a busca do conhecimento, como o objeto de realização pessoal, pode conduzir à frustração.
Semelhantemente, a busca por prazer, por si só, configura uma prática hedonista e contrária a Deus (Ec 2.1-3). Muitos são os que buscam a satisfação no álcool, drogas, sexo etc. Tudo terminará num sentimento de vazio e frustração. Quem beber dessa água tornará a ter sede (Jo 4.13). Somente o Evangelho de Cristo pode satisfazer plenamente o ser humano.
2. Evitando a falsa prosperidade e o ativismo. Em Eclesiastes 2.4-11, Salomão desconstrói a ilusão daqueles que buscam, nos bens terrenos, a razão fundamental para a vida. A falsa prosperidade leva o homem a correr desenfreadamente para acumular riquezas, alcançar elevadas posições na sociedade e obter notoriedade e fama. Tudo isso, conclui o sábio, é correr atrás do vento.
Por outro lado, e não menos danoso, é a prática de um ativismo impiedoso, que pode estar nas esferas da profissão ou de qualquer outra prática (Ec 2.17-23). Isso também é correr atrás do vento. O trabalho, quando empreendido racionalmente, não nos desumaniza, mas nos faz crescer como pessoas.
SINOPSE DO TÓPICO (4)
Para administrarmos bem o nosso tempo devemos começar por evitar a falsa sabedoria, o hedonismo, a falsa prosperidade e o ativismo. Estes roubam-nos o tempo.
CONCLUSÃO
Vimos que há um tempo para todas as coisas! Esse tempo é extremamente precioso para ser desperdiçado! Por conta da transitoriedade da nossa existência, devemos saber usar bem o nosso tempo, seja buscando conhecimento, seja desfrutando da companhia de nossos familiares e, principalmente, servindo ao Senhor. Somente Deus é eterno e somente Ele deve ser o centro de nossa busca.
ESBOÇO DO LIVRO DE ECLESIASTES
Autor: Salomão
Tema: A nulidade da vida à parte de Deus
Data: Cerca 935 a.C.
I. Introdução: A inutilidade Geral da vida Natural (1.2-11)
II. A inutilidade de uma vida egocêntrica (1.12 - 2.24-26)
A insuficiência da sabedoria humana - 1.12-18 A banalidade da vida (riquezas e prazeres) - 2.1-11 A transitoriedade das grandes conquistas - 2.12-17 injustiça associada ao trabalho forçado - 2.18-23 O real prazer da vida está em Deus
III. Reflexões diversas sobre as Experiências da Vida (3.1 — 11.6)
Concernentes às coisas de Deus - 3.1-22 Experiências vãs da vida natural - 4.1-16 Advertências a todos - 5.1—6.12
Provérbios diversos a respeito da sabedoria - 7.1—8.1 Sobre a justiça - 8.2—9.12
Mais Provérbios variados sobre a sabedoria - 9.13—11.6
IV. Admoestações finais (11.7—12.14)
Regozijar-se na juventude - 11.7-10 Lembrar-se de Deus na juventude - 12.1-8 Apegar-se a um só livro e temer a Deus - 12.9-14 \Temer a Deus e guardar os seus mandamentos
VOCABULÁRIO
Hedonismo: Doutrina que ensina o prazer como o bem supremo da vida.
Tangíveis: Tocável, sensível, palpável.
Esfinge: Na Grécia antiga, monstro fabuloso que propunha enigmas aos viandantes e devorava quem não conseguisse decifrá-los. Pessoa enigmática, que pouco se manifesta e de quem não se sabe o que pensa ou sente.
Niilismo: Ponto de vista que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência.
AUXILIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Exegético
“O tema do livro de Eclesiastes é que ‘debaixo do sol [isto é, ‘sem Deus no cenário’], tudo é vaidade’. A palavra-chave do livro é ‘vaidade’, que aparece trinta e oito vezes, sendo usada para descrever coisas externas e tangíveis (Ec 2.15,19; 8.10,14), bem como pensamentos (Ec 1.14; 2.11). O vocábulo ‘vaidade’ origina-se do hebraico hebhel [...], que enfatiza aquilo que é efêmero e vazio. A expressão Vaidade de vaidades’ indica a maneira hebraica de expressar um superlativo (poderia ser traduzida como ‘muito fútil’). Este método também é visto na expressão ‘lugar santíssimo’ (Êx 26.34), cujo significado literal no idioma hebraico é ‘santo dos santos’.
[...] A perspectiva de Salomão na época em que ele escreveu é a chave para entender o livro de Eclesiastes de modo apropriado, e para explicar o seu pessimismo geral. Salomão escreve do mesmo ponto de vista em que tinha vivido a maior parte da sua vida, e a de ‘debaixo do sol’ (Ec 1.3, e 30 outras ocorrências). É com a perspectiva terrena e secular que a vida se torna fútil. Ainda assim, há momentos que a fé de Salomão em Deus se dá a conhecer (Ec 12.13,14 é normalmente mencionado, mas este é somente o clímax de pensamentos como 2.25; 3.11,17...)” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave: Hebraico e Grego. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.701-02).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Bibliológico
“Peculiaridades do Livro de Eclesiastes
A palavra ‘Eclesiastes’ vem do grego. É o título do livro na Septuaginta e significa: ‘Aquele que fala a uma assembleia’.
No hebraico é Qohéleth. Pode ser traduzida de muitos modos como: ‘o Pregador, o Sábio, o Velho, O que sabe, o Sapiente Venerado, o Colecionador de Máximas, O que sabe que não sabe’.
Como a palavra Qohéleth tem forma feminina, alguém pensa que deve significar uma assembleia ou reunião. A mesma palavra de 1.1 aparece em 7.27, significando a sabedoria dada por Deus para inspirar Salomão. Pode ser entendida como a própria sabedoria pregando a sabedoria.
Qohéleth, ‘Pregador’, é empregado aqui como um nome de Salomão.
O Eclesiastes revela um esforço buscando a felicidade. O autor procurou o bem supremo na sabedoria, nos prazeres, na política, nos bens materiais, e concluiu que tudo é vaidade e aflição de espírito.
Tem sido considerado o livro mais misterioso do Cânon Sagrado. Para uns, é a esfinge da literatura hebraica.
Alguém acha que o texto apresenta uma alma em desespero, afirmando um materialismo puro ou um niilismo ativo.
Há uma opinião considerando o Eclesiastes um monólogo em que o Pregador expõe sozinho suas ideias, ao contrário dos outros livros da Bíblia que, em geral, têm uma forma de diálogo com Deus” (MELO, Joel Leitão de. Eclesiastes versículo por versículo. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, pp. 17-18).
EXERCÍCIOS
1. Quem é o autor do livro de Eclesiastes?
R: Salomão.
2. A que se refere o termo “Eclesiastes?
R: A alguém que fala, ou discursa, em uma reunião ou assembleia.
3. Qual dilema Salomão procura responder no Eclesiastes?
R: Sendo a vida tão curta que “vantagem tem o homem de todo o seu trabalho, no que ele faz debaixo do sol?” (Ec 1.3).
4. Qual a mensagem atual da metáfora de Eclesiastes 9?
R: A família cristã, sem recorrer às bebidas alcoólicas e outras coisas inconvenientes e pecaminosas (Ef 5.18), pode e deve alegrar-se intensamente.
5. Como a falsa prosperidade se revela na vida do homem?
R: Ela leva o homem a correr desenfreadamente para acumular riquezas, alcançar elevadas posições na sociedade e obter notoriedade e fama.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
MELO, Joel Leitão de. Eclesiastes versículo por versículo. Rio de janeiro: CPAD, 1999.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n°56, p.40.
O TEMPO PARA TODAS AS COISAS
Acredita-se que Salomão é o autor do livro de Eclesiastes. De acordo com a tradição judaica, ele teria escrito o livro na sua velhice, quando estava separado da comunhão com Deus devido ao seu pecado. De acordo com a Bíblia de Estudo Pente- costal (CPAD), o título do livro no hebraico significa "aquele que reúne uma assembleia e lhe dirige a palavra", ou seja, pregador. Podemos observar que o vocábulo "pregador" aparece setes vezes no livro (1.1,2,12; 7.27; 12.8-10).
Eclesiastes é o registro da vida de um homem que teve tudo de melhor que a vida pode oferecer, porém longe dos propósitos divinos, só encontrou vazio e desilusão. Suas palavras foram: "vaidade" (Ec 1.2). A palavra vaidade empregada em Eclesiastes significa vazio, sem valor, desilusão. Sem Deus a vida se torna cansativa, enfadonha, decepcionante. De nada adianta trabalhar, ter dinheiro, conhecimento e fama. Eclesiastes nos mostra que o caminho trilhado por Salomão o levou a um vazio muito grande. Atualmente as pessoas também estão numa busca desenfreada pelas coisas deste mundo, e o resultando é que o número de pessoas deprimidas, ansiosas e doentes (no físico, na mente e na alma) vem aumentando de modo assustador. O sentimento de vazio que existe na alma do ser humano não pode e jamais poderá ser preenchido com coisas materiais, prazeres, psicotrópicos. Este vazio só Deus pode preencher.
O trabalho, assim como os bens materiais é bênção de Deus. Porém quando utilizado de maneira errada, egoísta faz com que o sentimento de inutilidade logo se estabeleça. Foi o que aconteceu com Salomão. Ele abandonou os preceitos de Deus e deixou de usar o seu dom para benefício do seu povo, do próximo (2 Cr 10.4,5). As políticas adotadas por ele deixaram de serem boas (1 Rs 11). O comércio com outras nações trouxe riquezas, mas também fez com que os deuses estrangeiros se instalassem no meio do povo. O gasto com as construções superou suas finanças e o jeito foi aumentar os impostos. O povo sofria com as taxas cobradas. Ao morrer, Salomão deixou um reino que estava prestes a ruir. "É tudo vaidade!"
A vida com Deus é bela, porém muito curta. O tempo que temos é algo precioso. Por isso, precisamos pedir ao Pai sabedoria para não desperdiçar o tempo que temos. A sabedoria vai nos ajudar a desfrutar a vida com bom senso (SI 90.12). Como despenseiros do Senhor teremos que prestar contas a Deus do uso que fizemos do nosso tempo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A nossa era já foi denominada pelos filósofos como sendo a “era do vazio” e das “incertezas”. Isso tem uma explicação — com a rejeição da tradição implantada na cultura ocidental pelo cristianismo, a sociedade mergulhou num vazio sombrio e numa era de incertezas.
De repente o homem ocidental se encontrou sem valores, sem absolutos e sem a crença no Deus verdadeiro. A consequência disso tudo é percebida na relativização dos valores, visto na fragmentação da ética e rejeição de uma verdade absoluta. Não existe mais a Verdade, mas somente “verdades” e a história perde o seu sentido.
O livro de Eclesiastes mostra a experiência de alguém que também teve essa sensação. Procurando viver uma vida com intensidade, ele mergulhou profundamente em mundo contingente e sensual para somente depois descobrir que sem Deus tudo isso é perder tempo, mergulhar no vazio e correr atrás do vento.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 103-104.
A Morte Mostra que Tudo é Inútil (3.1-22)
A doutrina dos hebreus, segundo a lei, conseguiu criar uma vida útil, sem a esperança da imortalidade. As declarações da sabedoria, que fomentam e interpretam a lei também encontravam uma vida digna de ser vivida, mesmo sem a esperança de uma "vida além desta”. Mas o triste filósofo viu a falácia nesse tipo de crença. O homem morre como os animais, e cessa sua existência (vss. 19-20). Alguns veem um vislumbre de esperança no vs. 21, como se o autor tivesse olhado para o alto, por um momento, encontrando uma esperança de algo melhor para a vida humana. O autor via um lugar de julgamento temporal na vida humana. tanto para os bons quanto para os maus, mas não interpretava essa doutrina como sendo uma administração séria de retribuição divina, a fim de que houvesse uma prestação de contas. Certamente, ele não projetava ideias de uma vida pós- morte. Antes, ele defendeu sua noção de Deus como a Causa Única, vendo-o atuar em todas as coisas e até permitindo a ação da injustiça (vss. 16-17). Tudo faria parte da providência eterna, imutável (vs. 14) e inescrutável (vs. 11) da Causa Única, o que também torna inteiramente sem proveito o labor de todo homem (vs. 9). O autor continua com seus pontos de vista niilistas (ver Eclesiastes 2.25, quanto a uma definição), fazendo de Deus a causa do nada que ele observava no mundo. É ridículo pretender que este capitulo apresente um judaísmo ortodoxo e certamente também nada há de cristão no capítulo. Todos os tempos estão nas mãos de Deus, mas ficamos boquiabertos diante daquilo que é atribuído ao Senhor, enquanto Ele controla tudo.
“A história do mundo é um ciclo de eventos e de seus opostos, que ocorrem interminavelmente. Contra essa corrente de acontecimentos de ordem dual, determinada por Deus, o homem nada pode fazer. Ele está cercado e amarrado, em todas as coisas e em todos os lugares, por uma premente necessidade. O homem naturalmente pode trabalhar e ter prazer nisso (Eclesiastes 2.10,24), aceitando o vislumbre de alegria que Deus lhe dá, mas, no todo, sua obra é ineficaz e sem proveito (vs. 9), visto que ele é impotente contra os acontecimentos fixos e prescritos de sua existência” (O. S. Rankin, in loc,).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2712-2713.
Salomão confessou como é vão procurar os prazeres desta vida cm vez de construir um relacionamento com o Deus eterno. A busca desenfreada por prazer, prosperidade e sucesso é. em última análise, decepcionante. Nada neste mundo pode preencher o vazio e satisfazer o profundo desejo de nosso irrequieto coração.
Para curar o sentimento de vazio, é preciso centrar-se em Deus. O amor dele pode preencher a falta que o homem sente dentro de si. Tema a Deus e trabalhe cm prol de seu Reino em vez de ocupar seu tempo de forma egoísta.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 875.
I - ECLESIASTES, O LIVRO E A MENSAGEM
Propósito
Esse livro, juntamente com o livro de Provérbios, Cânticos, Jó e Salmos faz parte também do gênero literário conhecido como "Literatura Sapiencial e também é atribuído a Salomão: “Palavra do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém” (Ec 1.1). Embora tenha sido escrito pelo mesmo autor de Provérbios e mesmo pertencendo ao mesmo gênero literário, todavia o livro de Eclesiastes possui um estilo diferente. Eclesiastes assume o estilo de um discurso usado em assembleias ou templo. Alguns intérpretes acreditam que se trata de uma coletânea usada por Salomão em suas prédicas.
Ao contrário do que muitos pensam, Eclesiastes não expõe uma espécie de ceticismo ou desencanto com a vida. O livro revela a avaliação feita por alguém que teve o privilégio de viver a vida com intensidade e descobrir que a mesma é totalmente vazia se não vivida em Deus! A própria sabedoria tão ovacionada nos Provérbios é tida como tola quando usada para interesses pessoais e objetivos mesquinhos.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 106.
MAIS DETALHES, VER A 1° LIÇÃO DO 1 TRIMESTRE DE 2013.
1. Datação do livro.
Data e canonicidade
Alguns intérpretes querem nos fazer crer que Eclesiastes foi escrito em meados do século III a.C. Acreditam que o livro revela a situação do contexto sócio-histórico do período Inter bíblico quando a Palestina estava sob o domínio do Ptolomeus. Nesse período o centro administrativo do regime ptolomaico estava no Egito. Por outro lado, os intérpretes mais conservadores observam que esse livro é um relato dos fatos ocorridos aproximadamente 1000 a.C, período no qual o grande Salomão governava Israel. Como vimos, o próprio livro de Eclesiastes diz ser Salomão, rei de Jerusalém e filho de Davi, o autor desse livro: “Palavra do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém” (Ec 1.1; 12).
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 105-106.
Se partirmos do pressuposto de que os argumentos em favor de Salomão como autor do livro de Eclesiastes são fortes, então teremos de pensar que a data de sua composição gira em torno da época de Salomão, cerca de 990 A.C. Impressiona-nos o caráter ímpar da linguagem usada e suas afinidades com as expressões fenícias, mesmo que não aceitemos Salomão como o autor do livro. E podemos supor que este livro seja bastante antigo, se é que sofreu a influência fenícia. Mas, se ficarmos impressionados pela similaridade de ideias com certas ideias helenistas, então talvez devamos pensar numa data de composição em torno de 225 A.C. A maneira como os próprios judeus disputaram sobre o livro, tendo-o incluído no seu cânon sagrado somente após muita relutância, a despeito de ele próprio reivindicar haver sido escrito por Salomão, pesa em favor da data posterior.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2703.
Uma vez Salomão aceito como o autor, a data e a ocasião ficam claras. Provavelmente ele escreveu no finai de sua vida (num período não posterior a c. 931 a.C.), com a principal intenção de advertir os jovens de seu reino, sem omitir os demais. Ele os alertou para que evitassem viver segundo o caminho da sabedoria humana, e os exortou a viverem de acordo com a sabedoria de Deus revelada (12.9-14).
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 834.
Ec 1.1 Palavra do Pregador, filho de Davi. No hebraico original, “pregador” é tradução de koheleth, termo que também tem sido traduzido por filósofo, visto que o livro é como o discurso de um filósofo pessimista, e não tanto como a pregação de um rabino ou de um homem sábio. O autor chamou a si mesmo de filho de Davi, rei de Jerusalém, o que nos dá razões para compreender que se tratava de Salomão. A maior parte dos críticos, entretanto, pensa tratar-se de uma convenção literária, e não de uma declaração séria de que Salomão tenha sido o verdadeiro autor de Eclesiastes. Os costumes antigos, no tocante à autoria de um livro, permitiam esse ponto de vista, já que um homem podia escrever no nome de outrem; é o que se dá no caso presente, no qual Salomão, o mais sábio dos homens, aparece como o autor sagrado, honrando-o como tal, ou, pelo menos, assim o verdadeiro autor sacro o apresentou. Os antigos estavam acostumados a essa espécie de “autoria", embora a questão fosse anacrônica. Em outras palavras, não podemos aplicar nossas ideias sobre a alegada imoralidade de tais reivindicações. Os antigos nada viam de errado nessa prática, a qual refletia uma forma literária generalizada, como também um costume usual. Lutero negava a veracidade da reivindicação da autoria de Salomão, e muitos outros estudiosos emitem a mesma opinião, com base no conteúdo do livro, que, segundo eles sentiam, não poderia ser atribuído ao mais famoso sábio de Israel. Ver esse assunto, com opiniões a favor e contra, na Introdução, seção II. Quanto a uma nota mais detalhada sobre a palavra hebraica koheleth, ver a seção I da Introdução, I, Caracterização Geral.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2705.
A Vaidade do Mundo
Vv. 1-3 Aqui está: Uma descrição do escritor deste livro; foi Salomão, pois nenhum outro filho de Davi foi rei de Jerusalém; mas ele oculta seu nome Salomão, pacífico, porque por seu pecado ele tinha trazido desgraça sobre ele mesmo e sobre seu reino, tinha rompido sua paz com Deus e perdido a paz de sua consciência, e, portanto, não era mais merecedor daquele nome. Chamo-me não Salomão, chamo-me Marah, pois: Eis que, pela paz, eu tenho grande amargura (versão inglesa KJV). Mas ele chama a si mesmo:
1. O pregador, o que sugere seu caráter presente. Ele é Koheleth, que vem de uma palavra que significa congregar; mas ela tem uma terminação feminina, pela qual, talvez, Salomão pretenda censurar a si mesmo por sua fraqueza, que contribuiu mais do qualquer coisa para sua apostasia; pois foi para agradar a suas esposas que ele levantou ídolos, Neemias 13.26. Ou a palavra alma deve indicar a compreensão, e assim Koheleth é:
(1) Uma alma penitente, ou reunida, aquela que vagueou e foi pelo caminho errado como uma ovelha perdida, mas agora foi convertida, recolhida de suas perambulações, recolhida à casa para seu dever, e trazida finalmente a si mesma. O espírito que foi dissipado após mil vaidades agora é controlado e feito para centrar-se em Deus. A graça divina pode fazer de grandes pecadores grandes convertidos, e renovar para o arrependimento até aqueles que, depois de conhecerem o caminho da retidão, se desviaram dele, e curar sua apostasia, apesar de ser uma situação difícil. Deus aceitará somente a alma penitente, o coração quebrantado, não a cabeça curvada como o junco apenas por um dia, o arrependimento de Davi, não o de Acabe. E somente a alma recolhida é a alma penitente, que volta de seus atalhos, que não mais estende seus caminhos com os estranhos (Jr 3.13), mas está ligada ao temor do nome de Deus. Da abundância do coração a boca falará, e então nós temos aqui as palavras do penitente, e estas publicadas. Se os professores eminentes da religião caem no pecado bruto, eles estão preocupados, pela honra de Deus e reparo dos danos que fizeram ao seu reino, para testemunhar abertamente seu arrependimento, de modo que o antídoto possa ser administrado tão extensivamente quanto o veneno.
(2) Uma alma pregadora, ou reunindo. Sendo ele mesmo reunido à congregação dos santos, fora da qual por seu pecado havia sido prostrado, e sendo reconciliado com a igreja, ele se empenha para reunir outros que foram pelo caminho errado como ele, e talvez o tenham feito por causa do seu exemplo. Ele, que fez tudo para seduzir seu irmão, deve fazer tudo o que pode para restaurá-lo. Talvez Salomão tenha chamado seu povo para congregar-se com ele, como fez na dedicação do templo (1 Rs 8.2), e agora em sua própria reedificação. Naquela assembleia, ele presidiu como a boca do povo em oração a Deus (v. 12). Deus, pelo seu Espírito, fez dele um pregador, em sinal de sua reconciliação; uma comissão é um perdão subentendido. Cristo testemunhou suficientemente seu perdão a Pedro entregando à sua confiança seus cordeiros e rebanho. Observe que penitentes deveriam ser pregadores; aqueles que se preveniram para voltar e viver, deveriam prevenir outros para não ir e morrer. E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos. Pregadores devem pregar a almas, porque só é adequado para alcançar o coração aquilo que vem do coração. Paulo serviu a Deus em seu espírito, no evangelho de seu Filho, Romanos 1.9.
2. O filho de Davi. Seu uso desse título íntimo: (1) Que ele considerava isto uma grande honra, ser o filho de um homem tão bom, e o valorizava muito. (2) Que ele também considerava isto como grande agravação de seu pecado, ter semelhante pai, que lhe deu uma boa educação e planejou muito uma boa oração para ele; corta seu coração que ele devesse ser uma difamação e desgraça para o nome e a família de alguém como Davi. Agrava o pecado de Jeoaquim o fato de ele ser filho de Josias, Jeremias 22.15-17. (3) Que o fato de ele ser o filho de Davi o encorajou a arrepender-se e ter esperança de misericórdia, pois Davi caiu no pecado, pelo qual ele deveria ter sido avisado para não pecar, mas não foi; mas Davi se arrependeu, e desse modo ele tomou seu exemplo e encontrou misericórdia assim como ele. Mas isso não era tudo; ele era o filho de Davi a respeito de quem Deus havia dito que, apesar de que castigaria sua transgressão com a vara, Ele não violaria sua aliança com ele, Salmos 89.34. Cristo, o grande pregador, era o Filho de Davi.
3. Rei de Jerusalém. Ele faz menção disso: (1) Como aquilo que foi a grande agravação de seu pecado. Ele era um rei. Deus fez muito por ele, levando-o ao trono, e ainda assim ele retribuiu de forma ruim; sua dignidade tornou o mau exemplo e influência de seu pecado mais perigosos, e muitos seguiriam seus caminhos perniciosos, especialmente enquanto ele foi rei de Jerusalém, a cidade sagrada, onde estava o templo de Deus, e também suas próprias construções, onde os sacerdotes, os ministros do Senhor, estavam, e seus profetas, que lhe ensinaram coisas melhores. (2) Como aquilo que pode beneficiar o que ele escreveu, pois a palavra do rei tem autoridade suprema. Ele acredita que não existe menosprezo para ele, como rei, em ser um pregador; mas as pessoas o respeitariam mais como pregador porque ele era um rei. Se os homens de honra se dispusessem a fazer o bem, que grande acordo de bem eles poderiam fazer! Salomão parecia tão bem no púlpito, pregando a vaidade do mundo, quanto em seu trono de marfim, julgando.
A paráfrase dos Caldeus (que, neste livro, acrescenta muito ao texto, ou comenta sobre ele, o tempo todo) dá sua explicação sobre Salomão escrever esse livro, que pelo espírito da profecia ele previu a revolta das dez tribos das mãos de seu filho, e, no decorrer do tempo, a destruição de Jerusalém e a casa do santuário, e o cativeiro do povo: Vaidade de vaidades! É tudo vaidade; e a isso ele aplica muitas passagens neste livro.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 892-893.
O mundo como parece (1.1-11)
Observada de um ponto de vista, a vida certamente não parece ter muito sentido. Um homem trabalha duro a vida inteira, mas não ganha nada com isso. No final, ele morre e perde tudo. A mesma coisa acontece de geração em geração; nada muda (1.1-4). O sol nasce e se põe, e depois no dia seguinte nasce novamente — e isso continua dia após dia. O vento sopra mas nunca fica exausto, fazendo o círculo para percorrer o mesmo curso de novo. Ano após ano, os rios derramam suas águas no mar, mas os rios nunca secam, e o mar nunca se enche (v. 5-7). Nada existe, a não ser o movimento constante e enfadonho, mas nada muda de verdade, nada satisfaz. O passado vai se repetir no futuro; mas o passado logo é esquecido e o mesmo destino aguarda o futuro (v. 8-11). 1.1 V. Introdução, do mestre-, o heb. Qõhelet é uma forma de particípio feminino, o que sugere que originariamente significava uma ocupação, mas mais tarde veio a ser aplicado a uma pessoa engajada em tal ocupação.
DONALD C. FLEMING. Comentário Bíblico NVI. Editora Vida. Eclesiastes. pag. 960.
Ec 1.1 O autor de Eclesiastes, Salomão, o rei de Israel, referiu-se a si mesmo corno o pregador, o líder da assembleia. Na verdade, ele desempenhou estas duas atividades: reunia o povo para ouvir a mensagem e proferia sábios discursos e provérbios. Salomão foi um homem que teve tudo que as pessoas desejam (sabedoria, poder, riquezas honra, reputação e o favor de Deus); foi o único que falou acerca do imenso vazio no coração do homem, que não pode ser suprido com o que este mundo tem a oferecer. O rei tentou mostrar às pessoas que elas não deveriam depositar sua confiança em seus esforços, suas habilidades e sua justiça, e sim em Deus. e que deveriam comprometer-se com o Senhor o fazer dEle a sua única razão para viver.
Ec 1.1-11 - Salomão tinha um objetivo ao escrever de modo cético e pessimista. Em sua velhice, relembrou tudo o que havia feito, e muita coisa lhe pareceu sem sentido. Na cultura judaica, era comum acreditar que somente as pessoas boas prosperavam; as más sofriam; porém isto não é verdade. Salomão escreveu Eclesiastes apos ter provado e realizado muitas coisas boas. mas descobriu que longe de Deus nada o faria feliz. Por isso. deixou este livro como um legado, a fim de que seus leitores evitassem as mesmas buscas insensatas. Se tentarmos descobrir um significado maior em nossas realizações, e não em Deus. nunca ficaremos satisfeitos e tudo aquilo que buscarmos se tornará sem sentido.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 876.
2. Conhecendo o Pregador.
Ao escrever sobre a autoria salomônica de Eclesiastes o escritor William McDonald destaca:
A tradição judaica atribui a autoria de Eclesiastes a Salomão, e vários estudiosos cristãos ao longo dos séculos aceitaram essa interpretação até não muito tempo atrás. Essa evidência, aliada ao fato de que os argumentos linguísticos contrários à autoria salomônica têm sido seriamente desafiados por especialista em hebraico, leva-nos a optar pela autoria salomônica, conforme a sustenta o ponto de vista judaico-cristão tradicional.
MacDonald ainda acrescenta os argumentos indiretos e diretos a favor da autoria salomônica de Eclesiastes:
Uma vez que a opinião tradicional nunca foi totalmente refutada, a despeito do baixo nível de aceitação hoje em dia, entendemos ser apropriado continuar afirmando a autoria salomônica. Entre os indícios indiretos da autoria salomônica está a referência ao escritor como “filho de Davi, rei de Jerusalém” (Ec 1.1,12). Embora a palavra “filho” se refira a um descendente posterior, o termo adquire relevância quando combinado a detalhes diretos e conhecidos da biografia do rei Salomão.
Muitos entendem a expressão “fui rei” (Ec 1.12; d. NTLH, NVI, ARC e AR (exceto a ARA) como prova de que o escritor não era rei quando escreveu o livro e, portanto, não pode ser Salomão, uma vez que morreu ocupando o trono. Contudo, não se trata de uma inferência necessária. Salomão pode ter escrito o livro durante a velhice e haver usado a expressão em referência a seu passado.
As referências históricas diretas em Eclesiastes se encaixam perfeitamente à vida de Salomão (e à de ninguém mais): 1) Salomão era grande em sabedoria (1.16); 2) muito rico (2.8); 3) aproveitou a vida ao máximo; 4) tinha muitos servos (2.7); 5) ficou famoso por seus programas de construção e aprimoramentos (2.4-6).
Salomão, portanto, autor de Eclesiastes, identifica-se como o “Pregador”, termo que traduz o hebraico qoheleth. “Palavra do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém” (Ec 1.1,12). A palavra “Pregador” deriva de gahal, um outro termo hebraico que possui o sentido de “reunião” ou “assembleia”. A Septuaginta traduziu qoheleth pelo seu equivalente grego ekklesia, daí o nome Eclesiastes. Eclesiastes, portanto, é uma referência a alguém que fala ou discursa em uma reunião ou Assembleia — esse homem foi o sábio Salomão, que por esse tempo já estava velho e com uma visão mais realista da vida. De fato, as suas palavras, conforme registradas em Eclesiastes, embora retratem um período de declínio político, moral e econômico apontam para a única fonte de satisfação, realização e felicidade, Deus.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 104-105.
Essência do Capítulo 1. “Koheleth (o pregador) assevera que o curso da natureza não se altera. O presente é como o passado; coisa alguma é nova, e essa eterna igualdade continua a ser a natureza da existência humana. O autor teve uma experiência de vida bem ampla e já havia aprendido que isso não nos conduz a nenhuma vantagem duradoura. A sabedoria que ele possuía não fazia diferença alguma em suas condições, exceto pelo fato de que isso aprofundava a tristeza causada por sua compreensão da utilidade da vida” (O. S. Rankin, introdução ao livro).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2705.
Título do Livro (1.1)
Neste versículo inicial o escritor nos dá o título do livro. Ele o chama de As palavras do Pregador. O termo hebraico é qoheleth, vem de kahal e significa aquele que agrega ou ajunta uma congregação. A Septuaginta5 traduziu a palavra por Ecclesiastes, que veio para a Bíblia inglesa como o nome do livro e de forma muito semelhante (Eclesiastes) para a nossa Bíblia portuguesa. A tradução deriva de ecclesia, a palavra grega que traduzimos por “igreja”. Assim, o autor se referiu a si mesmo como um pregador ou professor religioso.
Mas quem é esse pregador? Se compreendermos o versículo 1 literalmente, ele era o rei Salomão — pois não houve nenhum outro filho de Davi que foi rei em Jerusalém. Todavia, compreender este versículo literalmente deixa outras passagens do livro sem explicação. Veja a discussão deste problema na Introdução, “Autoria”.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 432.
O perfil autobiográfico do escritor do livro aponta de modo inequívoco para Salomão. As evidências são muitas, tais como: 1) os títulos indicam Salomão, "filho de Davi; rei de Jerusalém" (1.1) e "rei de Israel, em Jerusalém" (1.12); 3) a odisseia moral do autor narra a vida de Salomão (lRs 2—11); 3) o papel daquele que "ensinou ao povo o conhecimento" e escreveu "muitos provérbios” (12.9) corresponde à sua vida. Tudo isso aponta para Salomão, o filho de Davi, como o autor.
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 834.
Autoria e data
O nome Eclesiastes é uma transliteração em português do título grego dado ao livro pelos tradutores da Septuaginta. A palavra hebraica da qual os tradutores derivaram esse título é qõhelet, o nome com que o autor do livro se intitula. E difícil saber o que o autor tinha em mente quando escolheu qõhelet como seu pseudônimo. A palavra está relacionada a convocar ou reunir uma congregação.
Possivelmente significava alguém que convocava ou, mais provavelmente, quem falava a um encontro de pessoas, e daí (via o grego ekklêsiastès) o conhecido título em português “o Pregador”. Se era “pregador”, então ele era, no mínimo, um pregador bem heterodoxo, e não convencional. Outras sugestões como filósofo, orador, argumentador ou professor provavelmente são descrições mais próximas da posição adotada pelo autor.
Tem havido muita disputa acerca da identidade do autor. Hoje, praticamente todos os estudiosos do AT, até os mais conservadores, são da opinião de que um rei que viveu no século XX a.C. não pode ter sido o autor de Eclesiastes. Eles argumentam que o hebraico do livro é muito tardio e aponta para uma época em que o aramaico estava se tornando a língua popular da Palestina. Alguns chegaram a argumentar que o livro foi escrito originariamente em aramaico e depois traduzido para o grego. Gordis, no entanto, argumenta de forma convincente contra esse ponto de vista, acrescentando a sugestão de que o autor muito provavelmente falava tanto aramaico quanto hebraico, mas que escreveu as suas eruditas palavras em hebraico, embora com uma coloração aramaica. Palavras e construções aramaicas hebraizadas, além da ocorrência de palavras emprestadas da língua persa e da evidente influência grega sobre a língua, parecem apoiar uma data de composição do livro em algum ponto dos séculos IV ou III a.C.
A tradição da autoria de Salomão se originou nos detalhes biográficos dos dois primeiros capítulos. Parece que o nosso autor seguiu a prática comum de se identificar com alguma pessoa importante para acrescentar peso ao seu argumento. Nesses dois capítulos, ele se coloca na posição de Salomão (embora se deva observar que em nenhum lugar ele se chame de Salomão) cuja sabedoria, diligência, riqueza e estilo geral de vida fornecem ao autor um pano de fundo apropriado para as suas reflexões introdutórias acerca do ditado (possivelmente também de Salomão): “Vaidade de vaidades” (versões tradicionais; Que grande inutilidade!, NVI). Essa seção (1.12—2.26) é apenas uma das muitas peças literárias breves que o autor colecionou nesse livro (v. Composição e estilo a seguir), e é somente nessa seção que ele assume a identidade salomônica. Seus comentários incisivos em outros pontos do livro acerca da injustiça, tolice, opressão e crueldade dos governantes dificilmente refletem o ponto de vista de um rei (e.g., 3.16; 4.1,13-16; 5.8. 8.3ss; 10.4-7,16-20).
A autoria anônima não é empecilho para nossa compreensão do ensino do livro. O valor de um livro deriva da verdade inerente a ele, e não do nome do seu autor. Pouco se sabe da vida pessoal do autor.
Sendo um dos sábios, sem dúvida pertencia à classe superior e muito provavelmente vivia em Jerusalém (observe sua pressuposição de que seus leitores frequentavam o templo e sua familiaridade com a vida nos escalões mais altos do governo: 5.1,2,8; 8.2,3; 10.4).
Ele provavelmente ensinava em uma das escolas de sabedoria da cidade, e esse livro indica um pouco do conteúdo e do estilo do seu ensino (12.9,10). Concluímos dos seus escritos que era observador perspicaz, uma pessoa sensível, embora ao mesmo tempo tivesse gosto apurado pelas coisas boas da vida. Tinha ampla experiência da qual extrair ilustrações para os seus ensinamentos.
Seus comentários nostálgicos do desfrutar da juventude (11.9) e a descrição comovente do declínio na velhice (12.2-7) sugerem que ele tenha escrito o livro no final da vida.
DONALD C. FLEMING. Comentário Bíblico NVI. Editora Vida. Eclesiastes. pag. 958-959.
As palavras do pregador - literalmente, "As palavras de Koheleth, filho de Davi, rei de Jerusalém". Mas o Targum explica-o assim: "As palavras da profecia, que Koheleth profetizou, o mesmo é de Salomão, filho de Davi, o rei, que estava em Jerusalém. Para quando Salomão, rei de Israel, viu com o espírito de profecia que o reino de Roboão, seu filho, estava prestes a ser dividido com Jeroboão, filho de Nebate, e a casa do santuário estava prestes a ser destruída, e o povo de Israel enviado para o cativeiro, ele disse em sua palavra - Vaidade das vaidades é tudo o que eu tenho trabalhado, e Davi, meu pai, pois eles são totalmente vaidade "A palavra (Kohéleth) é um substantivo feminino, a partir da raiz (kahal), recolher, juntar, montar, e significa, ela que monta ou coleta uma congregação, traduzido pela Septuaginta, ekklhsiasthv, um orador público, um proclamador em uma montagem, e, portanto traduzido por nós como um pregador. No antigo MS da Bíblia é explicado assim: um locutor para pessoas, ou muitas junto.
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
II – DISCERNINDO OS TEMPOS
1. A transitoriedade da vida.
Um dos temas bem claro no livro de Eclesiastes é o da transitoriedade da vida. A vida é efêmera, passageira. Salomão está consciente disso: “Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre” (Ec 1.4). Sendo a vida tão curta, “que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” (Ec 1.3).
É o que o Pregador procurará responder. Muitos procuram driblar e viver fugaz com as mais várias formas de satisfação. Há aqueles que acham que possuir muita sabedoria resolveria o problema (Ec 1.16-18; 2.12-16); enquanto outros buscam no prazer essa mesma resposta (Ec 2.1 -3); ainda outros procuram compensar isso com uma vida cheia de posses (Ec 2.4-11) e por último há aqueles que buscam suas realizações no próprio trabalho (Ec 2.17-23). Tudo é vaidade! O centro de realização e satisfação não está nessas coisas.
Por sua vez a obra ThePulpit Commentary comenta Eclesiastes 1.4: Geração vai e geração vem — A tradução vez enfraquece a força do original, que é uma geração [que] vai e vem de uma geração. O homem é apenas um peregrino sobre a terra, ele logo passa, e os seu lugar é ocupado por outro (...) Embora a sucessão constante de gerações de homens passa, a terra permanece inalterada e imóvel. Se os homens fossem tão permanentes como é a sua morada, seu trabalho podia lucrar, mas como as coisas estão, o doloroso contraste entre os dois se faz sentir. O termo “para sempre”, como o grego eis ton aiona, não implica necessariamente a eternidade, mas muitas vezes denota duração limitada ou condicionada, como quando o escravo é contratado para servir a um mestre “para sempre” (Ex 21,6), ou para as colinas que são chamadas de “eternas”. Este versículo dá um exemplo de crescimento e decadência, em contraste com uma continuidade insensata.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 106-107.
Ec 1.4 Geração vai, e geração vem. Cada indivíduo é levado a pensar que pertence a algo especial, ou que tem algo especial a fazer. Mas cada indivíduo passa, conforme acontece e aconteceu a todos os outros. Não há vida além do sepulcro que redima esse desperdício. Além disso, não há reencarnação que dê continuidade à existência ou crie propósito para ligar as gerações, cooperando para alguma espécie de benefício. O autor sacro nada descobriu de remidor na vida humana. A única coisa permanente são as mudanças, mas essa é uma falsa permanência.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2705.
Vv. 4. Para provar a vaidade de todas as coisas debaixo do sol, e sua insuficiência para nos fazer felizes, Salomão aqui mostra: 1. Que o tempo da nossa alegria nessas coisas é muito curto, e somente enquanto nós temos contentamento, como o jornaleiro, no seu dia. Nós continuamos no mundo, mas por uma geração, que está continuamente de passagem para dar lugar à outra, e nós estamos passando junto com ela. Nossas posses mundanas nós conseguimos recentemente de outros, e devemos logo deixar para outros, e então para nós elas são vaidade; elas não podem ser mais substanciais do que a vida que é seu substratum, e aquela é um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece. Enquanto a correnteza da humanidade está continuamente fluindo, quão pequena alegria tem uma gota de tal correnteza da agradável margem entre a qual ela se move! Nós podemos dar a Deus a glória dessa constante sucessão de gerações, pela qual o mundo teve sua existência até aqui, e terá até o fim dos tempos, admitindo sua paciência em dar continuidade a essa espécie pecadora e seu poder na continuação dessa espécie mortal. Nós podemos também ser apressados em fazer o trabalho de nossa geração solicitamente, e servi-la fielmente, porque ela acabará em pouco tempo; e, para preocupação da humanidade em geral, nós deveríamos levar em conta o bem-estar das gerações sucessoras; mas, para nossa própria felicidade, não devemos esperar isso dentro de tais limites reduzidos, e sim em um descanso eterno e consistente. 2. Que, quando nós deixarmos este mundo, nós deixaremos a Terra para trás, que permanece para sempre onde está, e portanto as coisas da Terra não podem nos sustentar em lugar nenhum em um estado futuro. E bom para a humanidade em geral que a Terra dure até o fim dos tempos, quando ela e todo o trabalho nela estarão queimados; mas o que é isso para determinadas pessoas, quando forem removidas para o mundo dos espíritos? 3. Que a condição do homem é, nesse sentido, pior do que até aquela das criaturas inferiores. A Terra permanece para sempre, mas o homem permanece sob a Terra somente por pouco tempo. O sol se põe de fato todas as noites, ainda que nasça novamente pela manhã, mais brilhante e novo a cada vez; os ventos, apesar de movimentarem seu ponto, mesmo assim eles ainda estão em um ponto ou outro; as águas que vão para o fundo do mar voltam dele novamente. Mas o homem se deita e não se levanta, Jó 14.7,12.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 894-895.
Ilustrações da natureza. (v4) Se um homem olha apenas para o ambiente físico da vida, ele encontra somente as respostas que o mundo material pode oferecer. Aqui, Qoheleth mostra quatro desses fatos frustrantes. A terra física é mais duradoura que a vida terrena do homem: Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece (4). Esta terra não foi destinada a durar para sempre (2 Pe 3.10), mas tem durado além de vidas terrenas de incontáveis gerações de homens. Se a vida aqui é tudo que existe, o Pregador é convincente ao defender o seu ponto de vista.
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 433.
Ec 1.3 Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho...? O autor sacro ataca aqui o trabalho do homem, para ilustrar a sua tese e, contra o restante do Antigo Testamento, descobre que essa é apenas uma das muitas formas de vaidade, inutilidade e vazio; nada senão sopro, a brisa que passa e se vai em um instante, sem ter conseguido realizar nada de novo.
Que proveito...? Algo que nos concede alguma vantagem ou algo de valor. Esta palavra aparece nove vezes no livro, sempre em contextos negativos: Eclesiastes 1.3; 2.11,13; 3.9; 5.9,16; 7.11; 10.10,11. Todo proveito, porém, é inútil, visto que não há proveito genuíno em coisa alguma que os homens façam à face da terra.
Debaixo do sol. Em todos os lugares, por toda a parte, à face da terra, os homens trabalham em alguma coisa, levando a sério a si mesmos e a seu trabalho. Muitos homens fazem de seu labor a própria vida, como se fosse uma esposa; eles casam com o trabalho e dedicam a ele toda a energia. Mas, sob um escrutínio mais acurado, o autor sacro descobriu que todo o labor era ignorante, estúpido e inútil. Trabalhar ou não trabalhar, tudo se reduz ao nada.
Os vss. 3-8 foram escritos como uma composição poética, cuja substância é a de que a natureza revela uma monotonia mortífera, que termina em nada. O autor sagrado apresenta várias ilustrações dessa mesma espantosa vaidade: não há proveito final no labor humano. Os homens trabalham a fim de ganhar alguma coisa, fixando sua atenção nisso, mas um vácuo espera por toda essa labuta. Por outro lado, não trabalhar conduz os seres humanos ao mesmo alvo: o nada. Se levássemos a sério o que disse o autor sagrado, todos pararíamos de trabalhar para desfrutar os prazeres, que também são inúteis, mas, pelo menos, divertem e enchem de alegria nossa mente.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2705.
3. Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho. Da raiz, "restar", a palavra proveito transmite aqui mais a ideia de "vantagem" do que de "lucro" (cons. 7:11). Se uma pessoa encara a vida simplesmente em termos de valores terrenos, não há nenhuma vantagem discernível para lutar e labutar. O autor prossegue então para provar sua tese por meio de um exame dos vários setores da atividade humana.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular Eclesiastes. pag. 4.
Ec 1.3 Já demos uma olhada nesta passagem para observar a frase debaixo do sol, que arma o cenário para o livro como um todo de acordo com esta introdução, a sequência considera a vida dentro dos limites mundanos que são iguais para todos os homens.
Que proveito tem o homem...? é uma pergunta prática e característica. A palavra aqui traduzida como “proveito” extraída do mundo dos negócios, só se encontra neste livro nas Escrituras.  Mas antes de a excluirmos como cínica ou mercenária, lembremo-nos de uma pergunta parecida no Evangelho: “Que aproveita ao homem... ?” Esta não é a única passagem em que Cristo e Coelet falam a mesma linguagem. É uma pergunta justa. Qualquer ideia romântica que pudéssemos ter, enfrentado uma situação desesperadora, ela logo se evaporaria se não houvesse um outro tipo de situação. Mas quem nos  garante que um dia a situação será outra? “A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando, e a final que vantagem leva em tudo isso?”  – esta poderia ser uma tradução livre deste versículo.
KIDNER. Derek,. A Mensagem de Eclesiastes. Editora ABU. pag 12.
Ec 1.3 proveito. E o provento ou ganho recebido pelo trabalho.
Uma palavra repetida e bastante importante para Salomão (cf. 3.19; 5.9,11,16; 6.7,11; 7.11-12; 10.10). Ele olha para os fugazes momentos da vida e. o aparentemente pequeno ganho pela atividade do homem debaixo do sol. Os únicos esforços duradouros são os destinados a cumprir os propósitos de Deus visando à eternidade, trabalho. Essa palavra não se refere apenas às atividades destinadas à sobrevivência, mas a todas as obras do homem, debaixo do sol. Essa frase aparece c. 30 vezes para descrever a vida cotidiana.
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 836.
Ec 1.16-17 Disse comigo: Eis que me engrandeci e sobrepujei. O grande Salomão, que tinha obtido toda aquela fantástica sabedoria, mais que qualquer homem em Jerusalém, antes ou depois dele, e que tinha vastíssima experiência e conhecimento, chegou à conclusão de que até mesmo isso era “correr atrás do vento" (vs. 17). Por que deveria haver algo tão completamente inútil? Por ser incompleto? Em parte, mas não somente por essa razão: porque em si mesmo nada valia. Isso contradiz toda a literatura do tipo positivo, onde a sabedoria é o tesouro que deve ser obtido, para uma vida plena, feliz e útil (Pro. 4.13). Toda a literatura de sabedoria esforça-se por convencer os homens de que obter sabedoria é uma experiência útil e recompensadora, muito desejável e digna de ser buscada. Ademais, a sabedoria está alicerçada na lei, e isso era tudo para os hebreus. Por conseguinte, temos aqui o espetáculo de um sábio a descobrir, no fim, que a lei não era tão boa assim, algo inconcebível para a mentalidade dos hebreus.
O Poeta Sacro Fez Julgamentos de Valores. Ele descobriu tanto a insensatez quanto a sabedoria, e veio a compreender ambas as coisas, mas isso não lhe fez bem algum, nem o levou a nenhuma finalidade; não resolveu problemas para ele, porquanto a busca inteira era fútil. Se um homem não acredita na existência pós- vida, o que acontecia com o autor sagrado, é fácil saber por que ele termina chegando a tal conclusão.
Não existe método para distinguir, de modo absoluto, a verdade do erro, a sabedoria da insensatez. Poderia haver ilusão no processo inteiro. O que parecesse sabedoria, na realidade, poderia ser apenas insensatez disfarçada. Se essa era uma das posições defendidas pelo triste filósofo, então ele terminou em um pessimismo relativo.
Ec 1.18 Porque na muita sabedoria há muito enfado. Supostamente, a sabedoria nos diz como as coisas devem ser, mas vemos que elas não são daquela maneira e nos sentimos vexados. A sabedoria traz consigo uma espécie de fraqueza e derrota, antes da sorte, o que nos maltrata a despeito do que sabemos. Sua aquisição, longe de aliviar a depressão criada por um ponto de vista mundial pessimista, na realidade aumenta a angústia mental (a tristeza) e o abatimento de coração. O conhecimento é o aliado da sabedoria e produz o mesmo efeito que ela. Quanto mais conhecemos sobre nosso próprio “eu” e sobre o dos outros, mais pessimistas nos tornamos quanto aos ideais.
Quatro Máximas dos Vss. 15-18:
1. O homem sábio, com sua doutrina de Deus como Causa Única, amargura-se perante o que a sorte faz, e não vê recurso contra isso (vs. 15).
2. O sábio busca um guia infalível para a vida e a existência, e, quando não descobre nenhum guia, amargura-se e sente-se abandonado (vs. 16). Sua sabedoria acaba decepcionando-o, pois promete mais que entrega.
3. O aumento da sabedoria e do conhecimento traz maior senso de fraqueza e fracasso. A sabedoria não oferece solução para o problema da tragédia humana (vs. 17).
4. Aplicar sabedoria à vida é, no mínimo, incerto. Nisso, manifesta-se a tristeza (vs. 18).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2707-2708.
Uma Investigação e uma Descoberta (1.17-18)
No versículo 17, o Pregador reafirma seu esforço para conhecer a sabedoria, mas adiciona uma palavra a respeito de suas técnicas de estudo. Ele tentou adquirir sabedoria por meio do conhecimento de opostos, os desvarios e as loucuras. Esta não foi só uma tentativa para experimentar todos os fatos. Muitos comentaristas dão a entender que esta foi uma investigação mais profunda da mente numa busca por princípios pelos quais alguém pode distinguir a sabedoria dos desvarios e loucuras. Mas Qoheleth descobriu que mesmo uma teoria do conhecimento pode ser uma aflição de espírito. .
Existe uma verdade no versículo 18 que é descoberta por uma personalidade em crescimento. Quanto mais sabedoria alguém adquire, mais lacunas essa pessoa reconhece que existem, e menos satisfeita ela se torna com seu desenvolvimento. “Aquele que vive mais de uma vida, mais de uma morte precisa morrer”. Mas quem iria querer afastar as dores do conhecimento à custa de continuar ignorante? Quem iria tentar afastar as tristezas da perda dos amados ao se recusar a amar? Crescemos quando avançamos na busca pela vida. Privar-se dessa busca é errar e perder o alvo.
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 435.
Ec 1.16-18 - Quanto mais se compreende a vida, maior a dor e a dificuldade. Por exemplo, quanto mais você conhece uma instituição.
mais imperfeição encontra à sua volta, quanto mais você observa, mais o mal se torna evidente. Quando se começa, como Salomão, a encontrar o significado da vida, deve-se estar pronto para sentir, pensar, questionar-se e fazer mais. Você está pronto a pagar o preço pela sabedoria?
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 876.
Ec 2.12 Então passei a considerar a sabedoria e a loucura e a estultícia. Ao iniciar a leitura do versículo, encontramos uma diferença de opinião quanto ao seu significado. Alguns dizem que o homem diligentemente procurou a sabedoria, a loucura e a estultícia, como opções na busca da felicidade. Mas, conforme Gordis, isso poderia significar: “Voltei-me para considerar a sabedoria, mas notei ser ela estupidez e estultícia”. Essa é uma declaração radical para um homem “sábio”, porquanto se supunha que ele encontrasse aí o significado da vida (Pro. 4.13), pois a sabedoria prometia dar vida. Lembremos de que a sabedoria vem através do estudo e da prática da lei mosaica, dentro de um contexto hebreu. Assim sendo, esse “homem sábio” assegurava que até isso é totalmente vão, uma forma de loucura e insensatez, algo que um hebreu ortodoxo jamais teria dito. Pura blasfêmia! Nos vss. 16-17, ele haverá de segredar-nos a grande razão de seu pessimismo acerca de tudo: um sábio morre da mesma forma que um tolo; a morte é o fim de tudo; portanto, como pode alguma coisa ser útil? Pensando não haver esperança para além-túmulo, dentre todos os homens, ele é o mais miserável (I Cor. 15.19). As experiências feitas pelo nosso homem foram tão completas, que qualquer outro, depois dele, ao fazer as mesmas experiências, teria obtido idênticos resultados. Seria inútil se algum outro homem, após o escritor sagrado, repetisse as mesmas experiências. Os informes estavam recolhidos. O caso fora solucionado e a conclusão fora a mais lamentável possível: tudo era vão e vexatório para o espírito. Na experimentação das coisas vãs da vida, quaisquer outros esforços seriam ridículos, A resposta definitiva já fora colhida.
Ec 2.13 Então vi que a sabedoria é mais proveitosa do que a estultícia. A sabedoria tem decisiva vantagem sobre a estultícia (os prazeres insensatos). A sabedoria fornece mais luz sobre a verdadeira natureza das coisas. Mas essa vantagem termina sendo uma desvantagem, pois, quanto maior for a luz, mais fúteis serão vistas as coisas. Portanto, para que adquirir maior luz? “A sabedoria tem uma vantagem sobre a insensatez, mas quão repleta de vaidade é essa vantagem? Que o sábio adquira a sua sabedoria, mas logo a morte chega e ele é esquecido, e tudo quanto ele tiver obtido com seu labor se apaga” (Ellicott, in Ioc).
É um erro injetar neste texto a idéia de “sábio mundano", como se um homem verdadeiramente sábio pudesse encontrar qualquer coisa diferente disso. O triste filósofo não estava fazendo distinção quanto a tipos de sabedoria. Isso já é um anacronismo cristão. O Pentateuco não tem declarações sobre um pós-vida. A lei mosaica não ameaçava os ímpios com uma punição pós-morte nem prometia recompensa para os piedosos, em uma vida futura. No entanto, guardar a lei e obter uma longa vida física, evitando assim a morte prematura, era tido como algo a ser diligentemente buscado. As declarações da sabedoria fomentavam e interpretavam a lei, e a mesma atitude era mantida. Considerava-se uma grande calamidade sofrer morte prematura. Mas o triste filósofo, que não acreditava em um pós-vida, não via vantagem em guardar ou não a lei, pois a morte vinha igualmente para os bons e os maus, os sábios e os insensatos, marcando o fim da existência do indivíduo. Nosso homem era definitivamente contra a ortodoxia de seus dias. A noção da imortalidade começou a aflorar nos tempos dos salmos e dos profetas, mas é claro que o triste filósofo ainda não havia adotado tal doutrina. O epílogo (capítulo 12) traz à luz essa possibilidade, mas o autor desse epílogo não parece ser o mesmo que aqui escrevia.
Ec 2.14 Os olhos do sábio estão na sua cabeça. Um sábio tem os olhos na cabeça, ou seja, ele é capaz de discernir a luz das trevas e, assim, caminhar pela vereda da luz, quer dizer, pelo caminho da lei, obedecendo a tudo quanto ela recomenda. O estulto, entretanto, caminha ao longo de sua própria vereda escura, ignorando a lei de Moisés. Isso, de conformidade com a ortodoxia da época, uma distinção vital, e o caminho do homem bom devia ser buscado com diligência, ao passo que a senda do homem mau devia ser evitada. A sabedoria conduz à vida (ver Pro. 4.13), mas nosso triste filósofo não-ortodoxo rejeitava essa verdade, pois via com seus olhos de sabedoria que a mesma sorte (por ocasião da morte) capturaria os dois tipos de homens. Ele também percebeu que ambos os caminhos desembocariam no mesmo nada. Além disso, ele estava trabalhando com a teoria que dizia: “Deus é a Causa Única", e foi Deus quem decretou, de antemão, tão tenebroso fim para ambos. Assim sendo, para que combater essa sorte inevitável? A vida não é boa. De fato, ela é má. O pior crime de um homem foi ele ter nascido. Ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o verbete chamado Pessimismo.
Embora grande seja a diferença entre As duas veredas, o que vi muito claramente.
Contudo, um só evento espera todos, bons e maus,
E a sabedoria não pode proteger do perigo,
Nem dos desapontamentos, nem da tristeza,
Nem da dor, nem daquele ponto final: a mone.
Cf. Jó 21.26. É ridículo tentar harmonizar isso com o judaísmo posterior e seu ponto de vista mais iluminado da vida, e é ridículo tentar fazer o nosso homem ser, em qualquer sentido, uma voz do judaísmo ortodoxo de seus dias. Ele era, antes, um pensador pessimista independente.
Ec 2.15 Pelo que disse eu comigo. O “homem sábio" percebeu, no fim, que ele não era diferente de um estulto qualquer, quando a vida é deixada para trás, no sepulcro. Em seus raciocínios internos, ele chegou à conclusão de que não havia diferença entre ele e um insensato, visto que ambos terminariam no mesmo nada. Por conseguinte, a vida humana seria uma piada; então, por que tomá-la a sério, como se importasse aquilo que uma pessoa faz ou deixa de fazer? A vida é somente uma tragicomédia, e aqueles que a levam a sério terão de pagar elevado preço por suas pretensões. Nosso homem foi o pai espiritual e mental de Schopenhauer. A sabedoria pode parecer um ponto vantajoso, mas, de fato, apenas aumenta a dor. “Por que tanto me esforcei para obter a sabedoria? Em que me tornei melhor, por causa da sabedoria? Que felicidade ela me trouxe? Ela não me trouxe vantagens sobre os tolos” (John Gill, in loc.). Nosso homem estava atolado no sofrimento e na futilidade humana. Ver no Dicionário o verbete intitulado Problema do Mal: por que os homens sofrem e por que sofrem da maneira como sofrem? Este livro de Eclesiastes até se parece com as passagens pessimistas do livro de Jó.
Ec 2.16 Pois assim do sábio como do estulto, a memória não durará para sempre.
Quando o triste filósofo fala em não restar lembrança do sábio, mais do que a do estulto, não está considerando meramente se outros se lembrarão dele ou não. Ele se referia à consciência. Não há mais lembrança porque o sábio cessou de existir, em sentido absoluto. O registro das memórias é completamente obliterado. Por certo, outros seres humanos esquecerão o homem, mas Deus também o esquecerá. Nada haverá o que chame a atenção para ele. O tempo varre totalmente tanto as memórias como as entidades capazes de ter alguma memória, pelo que nada restará. O sábio morre tal qual o insensato, e ambos caem no esquecimento.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2709-2710.
V. 12 Salomão, tendo experimentado o que é satisfação em seu primeiro aprendizado, e então nos prazeres dos sentidos, e tendo também colocado os dois juntos, aqui os compara um com o outro e faz um julgamento deles.
I Ele põe-se a considerar tanto a sabedoria quanto a loucura. Ele as tinha considerado anteriormente (cap. 1.17); mas, para que não fosse pensado que ele foi rápido em fazer um julgamento delas, ele aqui se volta novamente para observá-las, para ver se, sob uma segunda vista e segundos pensamentos, ele poderia ganhar mais satisfação na busca do que ele teve na primeira vez. Ele estava farto de seus prazeres, e, nauseando-se deles, abandonou-os e pôde outra vez dedicar-se à especulação; e se, ao ouvir novamente a causa, o veredicto continuar o mesmo, o julgamento certamente será decisivo; porque que fará o homem que seguir ao rei? Especialmente tal rei, que teve tanto deste mundo sobre o que fazer o experimento e tanta sabedoria com a qual fazê-lo. O julgamento desconcertado não precisa ser repetido. Nenhum homem pode esperar encontrar mais satisfação no mundo do que Salomão encontrou, nem conseguir um maior discernimento dos princípios da moralidade; quando um homem faz o que ele pode ainda é o mesmo que outros já fizeram. Que nós aprendamos a: 1. Não nos satisfazer com um conceito otimista de que nós podemos consertar o que foi bem feito antes de nós. Que nós estimemos os outros mais do que nós mesmos, e pensemos o quão incapazes nós somos de tentar melhorar o desempenho de cabeças e mãos melhores que as nossas, e antes reconheçamos o quanto nós devemos a eles, João 4.37,38. 2. Concordar com o julgamento de Salomão sobre as coisas deste mundo, e não pensar em repetir o julgamento; pois nós jamais podemos pensar em ter tantas vantagens quanto ele teve para fazer o experimento, nem em ser capazes de fazê-lo com a mesma aplicação da mente e tão pouco perigo para nós.
II Ele dá preferência à sabedoria, bem mais do que à loucura. Que nada o engane, como se, quando ele fala sobre a vaidade da literatura humana, ele tivesse planejado apenas divertir os homens com um paradoxo, ou estivesse interessado em escrever (como uma grande inteligência fez uma vez) Encomium moriae - Um elogio em louvor da loucura. Não, ele está mantendo as verdades sagradas, e por essa razão é cuidadoso em vigiar para não ser incompreendido. Eu logo vi (diz ele) que a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, tanto quanto a luz é mais excelente do que as trevas. Os prazeres da sabedoria, apesar de não serem suficientes para fazer os homens felizes, ainda transcendem vastamente os prazeres do vinho. A sabedoria ilumina a alma com descobertas surpreendentes e direcionamentos necessários para o governo correto de si mesma; mas a sensualidade (que parece ser a principal loucura para ele) obscurece e ofusca a mente, e é como escuridão para ela; ela apaga os olhos dos homens, faz com que eles tropecem no meio do caminho e se desviem dele. Ou, ainda que a sabedoria e o conhecimento não façam o homem feliz (Paulo mostra um caminho mais excelente do que presentes, e esta é a graça), contudo é muito melhor tê-los do que ficar sem eles, no que diz respeito à nossa segurança, conforto e utilidade; pois os olhos do sábio estão na sua cabeça (v. 14), onde devem estar, prontos para descobrir tanto o perigo a ser evitado quanto as vantagens a serem melhoradas; um homem sábio não tem motivo para procurar quando deveria usá-los, mas vigia e logo vê, sabe tanto como prosseguir quanto como parar; enquanto o louco anda em trevas, e está sempre e já. ou perdido ou em um passo decisivo, ou desnorteado, de maneira que ele não sabe qual caminho seguir, ou embaraçado, de maneira que ele não consegue seguir em frente. Um homem que é discreto e atencioso tem o comando dos seus negócios, e age de forma decente e segura, como aqueles que caminham no dia; mas aquele que é imprudente, e ignorante, e está embriagado, está continuamente fazendo asneiras, correndo de um precipício para o outro; seus projetos, seus acordos, é tudo loucura, e arruína seus negócios. Portanto, adquira sabedoria, adquira compreensão.
III Contudo, ele mantém que. no que diz respeito à satisfação e felicidade duradouras, a sabedoria deste mundo dá ao homem pouquíssimas vantagens; pois:
1. Homens sábios e tolos têm desempenhos parecidos. “E verdade que o homem sábio tem muitas vantagens sobre o tolo, no que se refere à visão e discernimento, e ainda assim as maiores probabilidades frequentemente não alcançam o sucesso, tanto que também, então, entendi eu, por experiência própria, que o mesmo lhes sucede a todos (v. 14); aqueles que têm mais cuidado com a saúde adoecem tanto quanto os que não têm cuidado, e os mais desconfiados são abusados." Davi observou que os homens sábios morrem, e que se envolvem nas mesmas calamidades comuns com os tolos e as pessoas brutas, Salmos 49.12. Veja cap. 9.11. Mais ainda, há muito tempo foi observado que a fortuna favorece os tolos, e estes homens com pouca sagacidade frequentemente prosperam mais, enquanto os maiores planejadores preveem o pior para si mesmos. A mesma doença, a mesma espada, devora homens sábios e loucos. Salomão aplica essas observações mortíferas a si próprio (v. 15), para que. apesar de ser um homem sábio, ele pudesse não gloriar-se em sua sabedoria; Eu disse no meu coração, quando ele começou a ser orgulhoso ou seguro: Como acontece ao tolo, assim me sucederá a mim, até a mim; pois, deste modo, enfaticamente, isso é expresso no original: "Então, como para mim, acontece a mim. Eu sou rico? Assim também o é um Nabal que se sai tão suntuosamente como eu. Um homem louco está doente, ele piora? Também eu, até eu; e nem minha saúde nem minha sabedoria serão minha segurança. Por que, então, busquei eu mais a sabedoria? Por que eu deveria sofrer tanto para adquirir sabedoria, quando, nesta vida, ela ficará comigo durante tão pouco tempo? Então, disse no meu coração que também isso era vaidade”. Alguns tomam isso como uma correção do que foi dito antes, como por exemplo (SI 77.10): “E eu disse: isto é enfermidade minha; é loucura minha pensar que os homens sábios e tolos estão em um nível superior”; mas eles realmente parecem ser assim, no que diz respeito ao acontecimento, e, portanto, isso é antes uma
confirmação do que ele tinha dito: que um homem pode ser um profundo filósofo e político e ainda assim não ser um homem feliz. 2. Homens sábios e tolos serão esquecidos da mesma forma (v. 16): Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo. A promessa para os justos é que eles serão lembrados eternamente, e sua memória será abençoada, e eles deverão brilhar como as estrelas; mas não existe tal promessa em relação à sabedoria deste mundo, de que devem ser perpetuados os nomes dos homens, pois tais nomes apenas serão perpetuados se estiverem escritos no céu, e além disso os nomes dos homens sábios deste mundo estão escritos com os de seus loucos na poeira. De tudo nos dias futuros total esquecimento haverá. O que foi muito falado em uma geração é, na próxima, como se jamais tivesse existido. Pessoas novas e coisas novas tiram as lembranças das velhas, que, em um curto período de tempo, são finalmente desprezadas e totalmente enterradas no esquecimento. Onde está o sábio? Onde está o inquiridor deste século?, 1 Coríntios 1.20. E é sobre este assunto que ele pergunta: Como morre o homem sábio? Como o louco (versão inglesa KJV). Entre a morte de um homem piedoso e um mau, existe uma grande diferença, mas não entre a morte de um homem sábio e um louco; o louco é enterrado e esquecido (cap. 8.10), e ninguém se lembrava daquele pobre homem que livrou aquela cidade pela sua sabedoria (cap. 9.15): de modo que, para ambos, o túmulo é uma terra de esquecimento; e os homens sábios e estudiosos, quando eles estão fora de vista por algum tempo, ficam longe do coração, chega uma nova geração que não os conhecia.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 901-902.
A Comparação entre Sabedoria e Tolice (2.12-16)
Se um homem não consegue encontrar a felicidade contínua em seus afazeres e no acúmulo da fortuna, será que vai encontrá-la ao tirar o máximo proveito de sua mente? O autor agora dá a sua opinião quanto à contemplação da sabedoria [...] e da doidice (12).4 Não custa muito para chegarmos à conclusão do Pregador de que a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas (13). O homem sábio (14) usa sua inteligência para guiá-lo, mas o tolo anda na luz negra da ignorância. O homem é melhor do que um animal porque ele pode viver uma vida de reflexão.
Mas aqui a fundação arenosa de todo mero humanismo se toma evidente. Quão melhor é o homem sábio do que o homem tolo se a duração da vida dos dois é a mesma? Os valores relativos de uma vida terrena parecem iguais quando todos terminam na sepultura. Para a pessoa radicalmente mundana não existe nem a satisfação de continuar viva nas memórias dos homens: Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo (16). A mente do Pregador se rebelou contra esse nivelamento de todos os valores que os homens mais prezam:
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 436.
Os Prazeres e a Busca pelos Prazeres São Inúteis (2.1-11)
A experiência com os prazeres: vss. 1-2. Como a experiência foi usada na prática: vss. 3-10. A futilidade de qualquer coisa dessa ordem: vs. 11. Não basta aplicar meras teorias. Um homem precisa experimentar para compreender as coisas. Portanto, o filósofo decidiu verificar com o que se parecia a vida do hedonista, para então fazer sua própria avaliação. Assim, adotou o vinho, as mulheres e as canções como estilo de vida, durante algum tempo. Os reis orientais tinham todas essas coisas em abundância, e o filósofo continuou a apresentar seu caso como se fosse o caso de Salomão. “Tendo experimentado a sabedoria e a investigação filosófica, ele prosseguiu a fim de averiguar de que forma um aprazimento jubiloso contribuiria para tornar um homem feliz" (Ellicott, in Ioc.). Portanto, ele se tornou um eudemonista em sua posição filosófica. Em outras palavras, hedonisticamente, ele passou a buscar a felicidade por meio dos prazeres, talvez o mais comum de todos os empreendimentos humanos. Ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia os verbetes chamados Eudemonismo e Hedonismo.
Ec 2.1 Disse comigo: Vamos! eu te provarei com a alegria. A triste filosofia assim se tornou por suas falsas presunções acerca do valor do trabalho (vs. 3), e por causa do enfado de atos repetitivos no cosmo, na natureza e no homem (vss. 4-8); todas as coisas são antigas, vexatórias e enfadonhas (vss. 9-11). A própria sabedoria é desapontadora e somente acrescenta mais tristeza à vida (vss. 13-18). Por conseguinte, experimentemos os prazeres que os homens tanto apreciam, para ver se esses descobriram algum segredo que os sábios esqueceram.
O filósofo comungou com o próprio coração, dizendo: “Vamos testar os prazeres. Divertir-me-ei à vontade para tentar obter a felicidade e algo digno de se falar”. Sendo assim, o homem bom iniciou uma campanha em busca dos prazeres. Ele visitou todos os lugares onde havia bebidas e comidas; visitou também cada baile onde se dançava, cada bordel onde havia mulheres. Mas, logo no começo de suas experiências, ele já tinha aprendido a mesma antiga lição: esse estilo de vida é vazio, é como um hálito, uma brisa que sopra, um nada Exatamente como todas as outras coisas que ele já tinha experimentado.
Evita a estrada áspera e espinhenta da sabedoria,
Essa vereda paga pouco pela tua labuta.
Vai agora para as veredas floridas do prazer;
Vai, enche-te de alegria. Às paixões
Entrega-te de coração. Não permitas que um pensamento sério
Entre em tua cabeça. Faze o que a juventude e Os ricos te dizem para fazeres. (Adam Clarke)
Ec 2.2 Do riso disse: É loucura. Elementos da Insensatez. 1. O homem bom achou que o riso era uma forma de loucura. 2. Acerca dos prazeres, ele disse, depois de ter experimentado cada um deles: “Isso não tem utilidade". O triste filósofo não estava falando sobre o uso moderado e legítimo dos prazeres. Falava dos excessos da desgraça. A ideia da experiência era saciar-se e saturar-se com os prazeres. O homem não seria contido em sua experiência.
Até no riso tem dor o coração, e o fim da alegria é tristeza.
(Provérbios 14.13)
“... o riso, oriundo dos aprazimentos sensuais" (Fausset, in Ioc.). Os prazeres de todos os tipos, em um mesmo pacote, são mais diáfanos que a própria respiração. O saco está vazio, embora carregado com deleites sensuais. Os prazeres nada realizam. Não é esse o caminho da felicidade.
Ec 2.3 Resolvi no meu coração dar-me ao vinho. Os elementos da insensatez continuam aqui: 3. Em seguida, nosso homem experimentou muito vinho e embriaguez. Se puoesse obter algum bem da bebida, o triste filósofo certamente o faria. O homem "refrigeraria" (Eützsche com um paralelo talmúdico) o seu corpo com o vinho. Ele se deixaria atrair pelo vinho e cederia diante de seus encantos. Sua mente, treinada a buscar a sabedoria, verificaria se era sábio intoxicar-se peia bebida alcoólica. Uma vez embriagado, ele se entregaria a toda a espécie de insensatez. As prostitutas eram suas companheiras de bebedeira, com quem ele se deitavam no leito. E, então, ele descobriria se os homens que agem dessa maneira, durante os poucos dias de sua existência, teriam descoberto algum segredo que sua mente filosófica teria negligenciado. O homem estava fazendo experiências com os prazeres sexuais, tornando o corpo o seu deus, em lugar da mente. "Ele queria testar os efeitos da busca pelos prazeres, para ver se realmente eram dignos de valor” (Donald R. Glenn, in Ioc.). Ele sempre fora um homem moderado, mas agora perdera o controle. Misturou-se ao mais profano bando, pois queria estar onde as coisas aconteciam. Ele usava os poderes da mente para guiá-lo a pecados de todas as espécies. A lei mosaica não era mais o seu guia. Suas paixões lhe diziam o que fazer. Se antes ele tinha abraçado a sabedoria, agora seus braços desvairados se estendiam para a insensatez. Seria a insensatez da sensualidade melhor que a sabedoria da restrição? Nosso homem descobriria que o summum bonum é prazeroso? Haveria felicidade? Muito paradoxalmente. "ele usou a sua sabedoria para valer-se da insensatez" (Gaius Glenn Atkins, in ioc.).
Ec 2.4 Empreendi grandes obras. Ainda buscando prazeres, para além das concupiscências mais crassas, o filósofo fez grandes obras, todas calculadas para aumentar seus confortos. Edificou várias residências para sua conveniência e plantou vinhedos particulares para garantir um bom suprimento de vinho. Os ricos não precisam transportar maletas em viagens, porquanto têm casas que lhes pertencem, em vários lugares, cada uma equipada com todas as coisas necessárias para a vida diária: móveis, roupas, utensílios etc. Devemos pensar aqui em propriedades, e não meramente em casas em uma agradável vizinhança. Salomão naturalmente serve-nos de exemplo: ele possuía uma casa na floresta do Líbano (ver I Reis 7.1); uma residência separada para a rainha; o templo de Jerusalém, e tantas outras moradias. Ver I Reis 5.1; 9.10; 10.18; II Crô. 8.1,4. Todas essas edificações apelavam para a concupiscência dos olhos e para o orgulho da vida (I João 2.16).
Ec 2.5 Fiz jardins e pomares para mim. O homem aumentou a extensão e beleza de suas propriedades com jardins (pardesim), "paraísos", palavra tomada por empréstimo do idioma persa) e pomares. A Revised Standard Version diz aqui "parques". Ele plantou grandes pomares que produziam várias espécies de frutos. O triste filósofo conseguiu criar um paraíso na face da terra. Ele testava se tais cercanias lhe trariam felicidade, através dos prazeres que haveriam de fornecer. Ele vivia em meio ao luxo real, em harmonia com o costume do conceito oriental da realeza. Ele tinha alimentos em grande abundância, bebidas e medicamentos em seus pomares, conforme diz o Targum.
Ec 2.6 Fiz para mim açudes. Para certificar-se de que seus pomares implantados medrassem bem. mesmo quando não chovesse, o autor sagrado construiu reservatórios para efeito de irrigação. Construções que serviam como açudes foram encontradas a sudeste da cidade de Belém, sendo chamados de “reservatórios de Salomão", mas os cientistas demonstraram que essas construções são do tempo dos romanos. Não há razão para duvidarmos, contudo, que aquele homem tivesse reservatórios similares, conforme relata Josefo (Ant. vii.7.3; Guerras v. 4.2). O triste filósofo sabia da existência de tais projetos, tendo-os citado em suas descrições sobre uma vida luxuosa, da qual, supostamente, as pessoas derivavam o prazer que leva à felicidade.
Ec 2.7-8 Comprei servos e servas. Uma multidão de escravos foi adquirida como trabalho barato para cuidar das propriedades, executar tarefas domésticas e irrigar terras. Além dos escravos adquiridos, havia aqueles nascidos na “casa” (nas suas propriedades), o que aumentava ainda mais o número deles. O nosso homem tinha sob seu controle pessoal cidades virtuais, que lhe pertenciam e aumentavam suas riquezas e prazeres. Quanto à grande quantidade de escravos de Salomão, cf. I Reis 10.5.
Para aprimorar o lado estético da vida e aumentar o aprazimento das coisas, homens e mulheres cantores, além de tangedores de instrumentos musicais, tornaram-se parte da vida diária (vs. 8). O triste filósofo tinha orquestras, coros e solistas bem conhecidos que tocavam música em dias especiais e música na corte, além de música ambiente, para todos quantos estivessem trabalhando na corte. Quanto aos usos da música, cf. Isa. 5.12; Amós 6.6; Ecl. 32.5 e 49.1. Isso deve ser comparado ao uso que Davi fez de cantores profissionais (II Sam. 19.35). Uma família inteira de levitas recebeu a incumbência de tocar música sacra para o culto do templo (ver I Crô. 25) e isso mostra a ênfase que os hebreus davam è questão. O rei-filósofo ultrapassou tudo isso, porém, para entretenimento pessoal, visando a alegria profana, e não o culto religioso.
Para aumentar suas riquezas, o autor sagrado possuía vastos rebanhos de animais domesticados (vs. 7), acima de tudo que jamais fora criado em Jerusalém. Exagero era o seu lema. Ele experimentava o esplendor terreno, utilizando- se de coisas que trariam prazer, o que levaria à felicidade.
Das delícias dos filhos dos homens; mulheres e mulheres. Onde nossa versão portuguesa diz “mulheres e mulheres”, a Revised Standard Version traduz certa palavra hebraica, de sentido duvidoso, como “em grande número”. Na monarquia dos hebreus, Salomão estabeleceu o recorde em seu harém, com 700 esposas e 300 concubinas (ver I Reis 11.1-3). Mas estamos informados de que alguns reis persas nunca faziam sexo com uma mulher por mais de uma vez, pelo que, com a passagem dos anos, alguns deles devem ter excedido a prodigiosa atividade sexual de Salomão. Esse é um prazer usufruído tanto por ricos quanto por pobres, e o rei-filósofo certificava-se de saciar nesse aspecto, buscando concluir se isso era suficiente para trazer-lhe a felicidade. A Septuaginta traduz a frase por “copeiros machos e fêmeas”, mas essa tradução arruína toda a diversão tornando o autor sagrado um hedonista menor do que realmente foi.
Ec 2.9 Engrandeci-me e sobrepujei a todos os que viveram antes de mim. Esta é uma breve nota de “sumário”. O homem era grande e sobrepujou a todos quantos tinham vivido antes dele, em Jerusalém, o que nos permite concluir que ele efetuou uma experiência completa e exaustiva, para checar se a felicidade poderia ser achada nessas atividades. Suas experiências não falhariam por falta de informes. Ele tinha toda a espécie de riquezas, todo o tipo de prazer, toda a modalidade de prestígio e, durante esse excesso, sua sabedoria não o abandonou; portanto, não podemos dizer que ele trocou a sabedoria pelas experiências, razão pela qual teria terminado infeliz. O vs. 3 mostra-nos que ele empregou sua sabedoria para aumentar sua insensatez, pelo que a usou para uma tarefa pervertida, mas podemos supor que sua sabedoria tenha continuado a servi-lo sempre. Isso posto, podemos presumir que um homem como esse fosse o mais contente e feliz de todos os homens; mas as experiências dele azedaram, conforme somos informados mais adiante. O Targum diz-nos que a sua sabedoria o “ajudou”, e que o homem teve uma vida plena e produtiva, e não apenas luxuosa. Ele foi o homem “máximo”. Portanto, o homem estava feliz?
Ec 2.10 Tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei. Nosso homem nada negava a si mesmo, pois tinha dinheiro e poder para adquirir qualquer coisa que atraísse seu olhar. Além disso, ele satisfazia qualquer alegria que seu coração desejasse e também descobriu que conseguia deleitar-se com todos os seus labores, realizações e prazeres. Ele recebia amplas recompensas por suas labutas elaboradas e por seus preparativos. Estava percorrendo um vasto caminho com tudo isso; parece que suas experiências no campo dos prazeres tinham provado que o tipo de homem em que ele se transformara era o homem feliz, donde se conclui que os prazeres conduzem à felicidade. Mas, quando lhe ocorreu o segundo pensamento sóbrio, tudo se despedaçou (vs. 11).
Ec 2.11 Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos. Conforme diziam os gregos: “Pensamentos sóbrios tornam-se, de alguma maneira, ainda mais sóbrios”. A sabedoria do autor sagrado ergueu-se e gritou para ele: “Toda essa vida que você está levando é vaidade”. E ele sabia que essa era a avaliação correta. O homem passou em revista todas as suas propriedades; todos os seus luxos; visitou seu vasto harém; revisou e classificou suas obras magnificas, mas, como já havia constatado, “tudo era como seguir após o vento". Ele não tinha sido capaz de reter o vento em suas mãos, embora tivesse se esforçado para tanto. Lamentavelmente, a felicidade o tinha iludido novamente. Ele tinha provado, através de grande experimentação, que a felicidade não nos chega através dos prazeres, conforme afirmam alguns indivíduos. Quando todos os seus informes já estavam recolhidos, ficou demonstrado que ele estivera envolvido em uma grande farsa. Ao refletir sobre os valores reais de todas as suas atividades, descobriu que tudo era destituído de significado e "mero correr atrás do vento”, Cf. Eclesiastes 1.14,17; 2.17,26; 4.4,6,16; 6.9, “Não houve vantagem real ou final (vs. 3) em todas as suas realizações debaixo do sol (ver Eclesiastes 1.3)” (Donald R. Glenn, in ioc.). A questão inteira só deixava ainda mais agoniado o seu espírito, porquanto ele fez um esforço heroico para provar que os prazeres trazem a felicidade, e somente constatou (o que ele já sabia) que isso era mentira. Seja como for, ele precisava eliminar essa opção, razão que também nos leva a agir de determinadas maneiras, algumas vezes. A opção dos prazeres estava agora eliminada, e o filósofo continuou na sua infelicidade.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.2708-2709.
A Vaidade dos Prazeres Mundanos w. 1-11
Salomão aqui, em busca do summum bonum - a felicidade do homem, se transfere de seu estudo, de sua biblioteca, de sua câmara ou conselho, onde ele vaidosamente tinha procurado por isso, para o parque e a casa de diversões, o seu jardim e a sua casa de verão; ele troca a companhia dos filósofos e senadores sérios por aquela dos bem-humorados e corteses, e dos espíritos corteja- dores, de sua corte, para experimentar se ele poderia encontrar satisfação verdadeira e felicidade entre eles. Aqui ele dá um grande passo para baixo, dos nobres prazeres do intelecto para os de sentido brutal; ainda assim, se ele resolver fazer um julgamento meticuloso, ele precisa bater nessa porta, porque aqui uma grande parte da humanidade imagina ter encontrado o que ele buscava.
I Ele resolveu testar o que a alegria faria, e os prazeres do senso de humor, se ele ficaria feliz caso ele constantemente entretivesse a si mesmo e a outros com histórias divertidas e gracejos, brincadeiras e pilhérias; se ele suprisse a si mesmo com todas as agradáveis voltas e réplicas engenhosas, que ele poderia inventar ou promover, próprias para serem motivo de riso, e com todos os absurdos, e asneiras, e coisas tolas, que ele poderia ouvir, dignos de serem ridicularizados e escarnecidos, de modo que ele pudesse estar sempre de bom humor. 1. Este experimento feito (v. 1): “Concluindo que, na muita sabedoria, há muito enfado, e que aqueles que são sérios estão aptos a serem melancólicos, disse eu no meu coração” (paxa o meu coração): “Ora, vem, eu te provarei com a alegria; eu testarei se isso te dará satisfação”. Nem o temperamento de sua mente nem seu estado externo tinham qualquer coisa em si para impedi-lo de ficar alegre, mas ambos concordavam, como todas as outras vantagens, ainda mais nisso; portanto, ele resolveu fazer um arrendamento, e disse: “Goza o prazer, e enche-te dele; desperdiça o cuidado, e resolve ser alegre”. Assim pode ser um homem, e ainda não ter nenhuma dessas coisas boas de que ele aqui precisa para se entreter; muitos que são pobres são bastante alegres; mendigos em um celeiro são assim um provérbio. A alegria é o entretenimento dos mais sofisticados, e, embora ela seja pouca para os prazeres sólidos dos poderes racionais, contudo é antes preferida ao que é meramente carnal e sensual. Algumas pessoas distinguem o homem dos animais não apenas como animal rationale - um animal racional, mas como animal risibile - um animal divertido; por conseguinte, ele, que disse para sua alma: Sinta-se à vontade, coma e beba, acrescentou: E seja alegre, pois a ordem era para que ele comesse e bebesse. “Portanto, tente”, diz Salomão, “rir e engordar, rir e ser feliz.” 2. O julgamento que ele passou sobre este experimento: Mas eis que também isso era vaidade, como todo o resto; isso não dá satisfação verdadeira, v. 2. Do riso disse: Está doido, ou: Estás doido, e por isso eu não terei o que fazer; e da alegria (de todos os esportes e recreações, e qualquer coisa que pretende ser divertida): De que serve esta?, ou: De que serves? Alegria inocente, com sobriedade, oportuna, e usada moderadamente, é uma coisa boa, encaixa-se nos negócios e ajuda a abrandar o trabalho pesado e o desgosto da vida humana; mas, quando é excessiva e sem moderação, torna-se tola e infrutífera. (1) Não faz bem algum: De que serve esta? Cui Bono - Qual a sua utilidade? Não será em vão silenciar uma consciência pesada; não, nem tranquilizar um espírito entristecido; nada é mais ingrato do que cantar canções para um coração pesado. Não satisfará a alma, nem dará a ela um contentamento verdadeiro. Não é nada além de um paliativo para curar as queixas do tempo presente. Grandes risadas geralmente terminam com um suspiro. (2) Provoca bastante sofrimento: Está doido, isto é, ela mantêm os homens loucos, transporta-os para muitas indecências, que são uma reprovação para sua razão e religião. Eles são loucos que satisfazem a sua própria vontade nisso, por isso seus corações se separam de Deus e das coisas divinas, e insensivelmente devoram o poder da religião. Aqueles que amam para ser alegres se esquecem de ser sérios, e, enquanto eles tocam o tamboril e a harpa, eles dizem para o Todo-Poderoso: Retira-te de nós, Jó 21.12,14. Nós podemos, como Salomão, provar a nós mesmos com a alegria, e julgar o estado de nossas almas assim: Como nós somos afetados por isso? Nós podemos ser alegres e sábios? Nós podemos usar isso como molho, e não como comida? Mas nós não precisamos testar, como Salomão o fez, se isso nos trará a felicidade, pois nós podemos confiar na sua palavra para isso: Está doido; e: De que serve esta? Riso e prazer (diz o Sr. William Temple) vêm de diferentes afetos da mente; pois, como os homens não têm disposição para rir das coisas que mais os fazem felizes, assim eles são pouco felizes com muitas coisas de que riem.
II Descobrindo a si próprio infeliz no que satisfez sua imaginação, ele resolveu, em seguida, testar o que agradaria o paladar, v. 3. Uma vez que o conhecimento da criatura não satisfaria, ele veria o que o seu uso liberal poderia fazer: Busquei no meu coração como me daria ao vinho, isto é, à boa carne e boa bebida. Muitos se entregam a ele sem consultar seus corações de jeito nenhum, sem olhar para nada além da mera gratificação do apetite sensual; mas Salomão aplicou-se a isso racionalmente, e como homem, criticamente, e somente pra fazer um experimento. Observe: 1. Ele não permitiu a si mesmo nenhuma liberdade no uso dos prazeres dos sentidos até ficar cansado dos seus estudos rigorosos. Até que seu aumento de sabedoria provou ser um aumento de trabalho, ele nunca pensou em se render ao vinho. Quando nós nos desgastamos em fazer o bem, nós podemos nos refrescar confortavelmente com os presentes advindos da generosidade de Deus. Então, os prazeres dos sentidos são usados da forma certa quando são usados cordialmente, apenas quando precisamos deles; como Timóteo tomou vinho pelo bem de sua saúde, 1 Timóteo 5.23. Eu pensei em aproximar a minha carne do vinho (assim se lê na margem) ou ao vinho. Aqueles que se viciaram em beber primeiramente colocam uma obrigação sobre si mesmos; eles chegaram a sua carne a isso, e a arrastaram com isso; mas eles deveriam se lembrar de para quais misérias eles, por meio disto, arrastaram a si próprios. 2. Ele, então, considerou isso como loucura, e foi com relutância que ele se entregou a isso; como Paulo,
quando louvou a si próprio, chamou isso de fraqueza, e desejou ser suportado em sua loucura, 2 Coll. l. Ele procurou reter a loucura, para ver a que extremo a loucura chegaria na direção de fazer o homem feliz; mas ele tinha gostado de levar o gracejo (como nós dizemos) muito longe. Ele resolveu que a loucura não o pegaria, não teria domínio sobre ele, mas ele a agarraria, e a manteria distante; contudo, ele achou que isso também era muito difícil para ele. 3. Ao mesmo tempo, ele preocupou-se em reger a si mesmo com sabedoria, em conseguir agir de forma sábia no uso de seus prazeres, de modo que eles não lhe causassem nenhum prejuízo nem lhe tirassem a capacidade de ser um juiz competente deles. Quando ele aproximou sua carne do vinho, regeu seu coração com sabedoria (assim é a palavra), acompanhou suas buscas por conhecimento, não fez dele mesmo um bêbedo, nem se tornou um escravo de seus prazeres, mas seus estudos e seus banquetes eram frustrantes um para o outro, e ele testou se ambos, misturados, lhe dariam aquela satisfação que ele não poderia encontrar em cada um separadamente. Isto Salomão propôs a si mesmo, mas ele descobriu ser vaidade; pois aqueles que pensam em se entregar ao vinho, e ainda assim encher seus corações com sabedoria, talvez se enganarão tanto quanto aqueles que pensam servir a Deus e a mamom. O vinho é um escarnecedor; é um grande traiçoeiro; e será impossível para qualquer homem dizer desta maneira que não se entregará ainda mais a isso. 4. O que ele almejou não era satisfazer seu apetite, mas descobrir a felicidade do homem, e isso, porque deve ser assim, deve ser tentado entre o restante. Observe a descrição que ele dá da felicidade do homem - é o melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu, durante o número dos dias de sua vida. (1) O que nós estamos pesquisando não é tanto
o bem que devemos ter (nós devemos deixar isso para Deus), mas o bem que devemos fazer; essa deveria ser a nossa preocupação. Bom mestre, que coisa boa eu devo fazer? Nossa felicidade não consiste em ser preguiçoso, mas em agir corretamente, em ser um bom servo. Se nós fizermos o que é bom, não há dúvida de que teremos conforto e louvor dele. (2) E bom que seja feito debaixo do céu, enquanto nós estamos aqui neste mundo, enquanto é dia, enquanto ainda temos tempo para agir. Esse é o estado do nosso trabalho e serviço; é no outro mundo que nós devemos esperar a retribuição. Mais adiante, nossos trabalhos nos seguirão. (3) E para ser feito durante o número dos dias de nossa vida. Nós devemos perseverar até o fim no bem que vamos fazer, enquanto temos tempo para agir, durante o número de dias de nossas vidas (assim está na margem); os dias de nossas vidas foram numerados para nós por Ele, em cujas mãos nossos tempos estão, e todos esses dias serão gastos da forma que Ele direcionar. Mas, que qualquer homem devesse se entregar ao vinho, na esperança de descobrir nele o melhor caminho para viver neste mundo, foi um absurdo pelo qual Salomão aqui, nesta reflexão, se condena. É possível que seja esse o bem que os homens devem fazer? Não; isso é claramente muito ruim.
m Percebendo rapidamente que foi loucura entregar-se ao vinho, ele, em seguida, experimentou os mais caros entretenimentos e divertimentos dos príncipes e grandes homens. Ele tinha uma grande renda; os rendimentos de sua coroa eram enormes, e ele planejou isso de forma que pudesse agradar seu próprio humor e fazê-lo parecer grande.
1. Ele entregou-se muito à construções, tanto na cidade quanto no campo; e, tendo grandes despesas no começo do seu reino para construir uma casa para Deus, ele seria mais perdoável se logo depois contentasse sua própria sofisticação construindo para si mesmo; ele começou seu trabalho bem pelo final (Mt 6.33), não como as pessoas (Ag 1.4), que construíram suas próprias casas enquanto Deus as devastou, e consequentemente isso prosperou. Na construção, ele teve o prazer de empregar os pobres e fazer o bem para a posteridade. Nós lemos sobre as construções de Salomão (1 Rs 9.15-19), e todas foram grandes obras, tanto que se tornaram seu tesouro, e espírito, e grande dignidade. Veja seu erro; ele perguntou que boas obras ele deveria fazer (v. 3), e, em busca de seu questionamento, dedicou-se às grandes obras. Boas obras, de fato, são verdadeiramente grandes, mas muitas que são supostamente grandes obras estão longe de serem boas, obras maravilhosas que não são bondosas. Mateus. 7.22.
2. Ele afeiçoou-se a um jardim, que para alguns é encantador como construção. Ele plantou para si vinhas, que foram favorecidas pelo solo e clima da terra de Canaã; ele plantou para si ótimas hortas e jardins (v. 5), e talvez a arte da jardinagem não fosse nem um pouco inferior do que é agora. Ele não tinha apenas florestas e matas, mas também árvores de toda espécie de fruto, que ele mesmo plantou; e, se qualquer negócio mundano desse felicidade ao homem, com certeza deveria ser aquele em que Adão trabalhava enquanto estava na inocência.
3. Ele gastou uma grande quantidade de dinheiro em tanques de água, e canais, não por esporte e diversão, mas para o uso, para regar o bosque em que reverdeciam as árvores (v. 6); ele não somente plantou, como também regou, e então deixou que Deus o fizesse crescer. Fontes de água são grandes bênçãos (Js 15.19); mas onde a natureza as supriu a inteligência as deve direcionar, para torná-las aproveitáveis, Provérbios 21.1.
4. Ele aumentou sua família. Quando ele propôs a si mesmo fazer grandes obras, ele teve que empregar muitas mãos, e por essa razão obteve servos e servas, que foram adquiridos com seu dinheiro, e dentre esses ele teve servos nascidos em casa, v. 7. Dessa maneira, sua comitiva aumentou e sua corte pareceu ser ainda mais magnífica. Veja Ed 2.58.
5. Ele não negligenciou os negócios do campo, mas tanto se entreteve quanto enriqueceu com eles, e não se desviou de nenhum, nem por seus estudos nem por seus prazeres. Ele teve grande possessão de vacas e ovelhas, rebanhos e bandos, como seu pai teve antes dele (1 Cr 27.29,31), sem esquecer que seu pai. no início, era um pastor de ovelhas. Que aqueles que lidam com gado não desprezem seus empregos nem se cansem deles, lembrando que Salomão colocou suas possessões de gado entre suas grandes obras e seus prazeres.
6. Ele tornou-se muito rico, e não empobreceu nem um pouco com suas construções e jardinagens, como muitos ficam, os quais, por essa única razão, arrependem-se disso, e o chamam de vaidade e aflição. Salomão espalhou-se e ainda assim cresceu. Ele preencheu seu tesouro com prata e ouro, que ainda não estagnaram aqui, mas foram feitos para circular pelo seu reino, de modo que ele fez que em Jerusalém houvesse prata como pedras (1 Rs 10.27); ele tinha a segullah. o tesouro particular dos reis e das províncias, que eram, em termos de riqueza e raridade, mais valiosos do que prata e ouro. Os reis vizinhos, e as províncias distantes de seu próprio império, enviaram-lhe os presentes mais valiosos que possuíam, para obter seu favor e seus ensinamentos de sabedoria.
7. Ele tinha tudo que era encantador e divertido, todo tipo de melodia e música, tanto vocal quanto instrumental, cantores e cantoras, as melhores vozes que ele poderia escolher, os instrumentos musicais de toda sorte que eram utilizados. Seu pai era um gênio para a música, mas parecia que ele a empregava mais para servir à sua devoção do que seu filho, que a usava mais para sua diversão. Essas são chamadas de as delícias dos filhos dos homens; para a gratificação do sentido, são as coisas às quais geralmente as pessoas dedicam sua afeição e com as quais são complacentes. As delícias dos filhos de Deus são de outra natureza, puras, espirituais, e divinas, e as delícias dos anjos.
8. Ele aproveitou, mais do que qualquer homem jamais fez, uma composição dos prazeres racionais e sensíveis ao mesmo tempo. A respeito disso, ele se engrandeceu e aumentou mais do que todos os que existiram antes dele, de maneira que ele foi sábio em meio a milhares de prazeres terrestres. Era estranho, e nunca houve coisa parecida: (1) Que seus prazeres não corromperam seu julgamento e consciência. Em meio a esse tipo de entretenimento, perseverou com ele sua sabedoria, v. 9. Em meio a todas essas delícias infantis, ele preservou seu espírito de forma viril, conservou a possessão de sua própria alma, e manteve o domínio da razão em detrimento dos apetites dos sentidos; ele tinha um tão grande estoque de sabedoria, que não o gastou nem se prejudicou, como qualquer outro homem teria feito, por esse curso da vida. Mas que ninguém seja encorajado por isso a deixar as rédeas sobre o pescoço de seus apetites, presumindo que podem fazer isso e ainda conservar sua sabedoria, pois eles não têm a força da sabedoria que Salomão tinha; e Salomão foi enganado; pois, como perseverou com ele sua sabedoria quando ele perdeu sua religião a ponto de construir altares para deuses estranhos, para fazer a vontade de suas esposas estrangeiras? Mas, mesmo chegando a tal ponto, perseverou com ele sua sabedoria, de maneira que ele era senhor de seus prazeres, e não escravo deles, e manteve-se capaz de fazer um julgamento deles. Ele foi para a terra de seus inimigos, não como um desertor, mas como um espião, para descobrir a nudez de sua terra. (2) Contudo, seu julgamento e consciência não verificaram seus prazeres, nem o impediram de ser rigoroso na real essência dos prazeres dos sentidos, v. 10. Deve ser contestado contra seu julgamento nessa questão que, se perseverou com ele sua sabedoria, ele não poderia ter a liberdade necessária para um conhecimento total com ela: “Sim”, disse ele, “eu tenho tanta liberdade quanto qualquer homem pode ter, pois tudo quanto desejaram os meus olhos não lhos neguei, se isso pudesse ser alcançado por meios legítimos, apesar de ser difícil ou caro; e como não privei alegria alguma do meu coração que eu tivesse em mente, assim não privei o meu coração de alegria alguma, mas, com um non-obstante - com o pleno exercício de minha sabedoria, eu tive um elevado gozo de meus prazeres, apreciei-os e aproveitei-os tanto quanto qualquer epicurista”; nem havia nada nas circunstâncias de sua condição ou na disposição de seu espírito para deixá-lo azedo ou amargo, ou dar-lhe prejuízo. Em poucas palavras: [1] Ele teve em seus negócios tanto prazer quanto qualquer homem teve: Meu coração se alegrou por todo o meu trabalho; de modo que o trabalho árduo e a fadiga não trouxeram nenhum enfraquecimento para seus prazeres. [2] Ele não teve menos proveito em seus negócios. Ele não teve desapontamento que lhe causasse qualquer transtorno: Esta foi a minha porção de todo o meu trabalho; ele teve essa vantagem de todo o resto de seus prazeres, que neles ele não apenas via, como também comia, o trabalho de suas mãos; e isso foi tudo o que ele teve, pois de fato isso era tudo o que ele poderia esperar, dos seus trabalhos. O que adocicou seus negócios foi que ele aproveitou seu sucesso, e o que adocicou seus divertimentos foi que eles eram o produto dos seus negócios; de modo que, como um todo, ele certamente foi tão feliz quanto o mundo poderia fazê-lo.
9. Nós temos, longamente, o julgamento que ele deliberadamente fez de tudo isso, v. 11. Quando o Criador fez suas grandes obras, Ele as revisou, e eis que era muito bom; cada coisa o agradou. Mas, quando Salomão revisou todas as obras que fizeram as suas mãos, com o mais alto custo e cuidado, e o trabalho que ele, trabalhando, tinha feito, a fim de tornar a si mesmo tranquilo e feliz, nada respondeu às suas expectativas; e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito; ele não teve satisfação alguma nisso, não obteve vantagem; proveito nenhum havia debaixo do sol, nem pelos trabalhos nem pelas diversões deste mundo.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 898-901.
Ec 2.17 Pelo que aborreci a vida. Disse o triste filósofo: "Aborreci a vida", pois ele tinha observado que ela era tão bruta, tão inútil, tão insensata, tão fútil, tão enganadora, tão dolorosa que, finalmente, levava a nada. Mas, pelo menos, ele era honesto. Ele nem procurava ajustar sua teoria para adaptar-se à ortodoxia, nem tentava agradar os ortodoxos, mediante a adição de declarações suavizadoras, para torná-los mais felizes. Todas as obras humanas, realizadas durante algum tempo, tornaram-se amargas para ele. Tudo não passava de vaidade e pobreza de espírito. Tudo quanto ele tinha feito era "seguir o vento", mas não fora capaz de reter a brisa que vinha ao seu encontro. A morte, a grande niveladora. tinha arruinado tudo, lançando suas sombras sobre o homem bom, não menos que sobre o homem mau, Cf. Jó. 10.1.
A morte é o grande Nivelador.
(Provérbio do século XVIII)
Os Frutos Preciosos do Labor de um Homem Serão Desperdiçados por Outros (2.18-21)
O triste filósofo agora imaginava as riquezas de Salomão sendo deixadas para um homem menor, como Roboão, seu sucessor, que desperdiçaria os frutos de seu labor. Portanto, que vantagem haveria em ter ele feito o que fez. e em ter desperdiçado sua vida em todo aquele esforço por excelência?
Ec 2.18 Também aborreci todo o meu trabalho. O autor chegou a aborrecer tanto a própria vida (vs. 17) quanto o seu trabalho (vs. 18). Haveria algo de duradouro nessas coisas? Absolutamente, não. Em primeiro lugar, seus sucessores reduziriam tudo a nada. E, caso não o fizessem, mesmo assim tudo era inútil, conforme ele mesmo já havia demonstrado em 1.3. Certamente os estultos herdariam todas as riquezas daquele homem, incluindo suas propriedades e qualquer outra coisa que ele deixasse para trás. Por outra parte, visto que os insensatos e os sábios são a mesma coisa, no fim, ele não teria vantagem alguma se todos os seus bens caíssem nas mãos dos sábios. Compare-se isso à sabedoria superior de George Frederic Watts: "O que gastei, perdi; o que economizei, perdi; o que dei, conservei”.
Temos a considerar um antigo ditado: "Não podemos levar deste mundo o que nele ganhamos". Eis por que um moribundo verteu tudo quanto tinha em “cheques de viagem", a fim de carregá-los consigo; esperemos que ele tenha assinado direitinho os seus cheques! Talvez algumas das obras dos homens bons terminem em museus, para serem admiradas, mas o triste filósofo não veria nisso nenhuma vantagem. Cf. este versículo com Eclesiástico 9.19. O tolo usufrui o resultado dos labores do sábio. Isso é ridículo. Na verdade, porém, assim eram a vida e seus frutos, no parecer deste pessimista. O Targum lembra-nos de que Salomão deixou suas riquezas materiais para seu filho insensato, Roboão, e, devido a certas circunstâncias, também para o selvagem Jeroboão. Esses dois insensatos dividiram o reino de Israel. Eles repartiram os despojos do sábio que tinha dado a Israel sua época áurea.
Ec 2.19 E quem pode dizer se será sábio ou estulto? Este versículo repete essencialmente as ideias do vs. 18. Um sábio pode amealhar riquezas; um insensato também pode amealhá-las; mas o resultado será o mesmo. Um homem bom se esforçaria por acumular bens, mas chegariam tolos que passariam a desperdiçá-los e, mesmo que não os desperdiçassem, os bens seriam deles, e não de quem os acumulou. Por conseguinte, o homem bom perderia tudo quanto se tivesse esforçado por alcançar, nesta terra que está debaixo do céu. Portanto, que pode ser dito depois de tudo isso? Tudo é vaidade. É contrário ao bom senso que um insensato ou mesmo um sábio fique com os bens materiais de um homem que acabou de morrer. Também é uma incongruência que a morte oblitere o sábio. É claro, portanto, que a vida inteira não se reveste de sentido. A vida, para o triste filósofo, era o "incongruente". De nada adiantava tentar extrair dela algum sentido.
Ec 2.20 Então me empenhei por que o coração se desesperasse. O autor sagrado perdera a coragem enquanto pensava na vaidade da vida; desencorajado, desprezou a própria vida, bem como suas obras, e também se entristeceu por haver nascido. Não teve um único pensamento remidor. Todas as suas teorias se azedaram. Estava tudo errado, e não havia remédio para nada. Todas as coisas que ele antes considerara virtudes - conhecer e praticar a lei de Moisés, obter conhecimento e sabedoria, trabalhar arduamente e ajuntar bens materiais, esforçar-se por realizar grandes projetos, tentar ser um grande homem - todas essas coisas boas. juntamente com qualquer outra que se possa imaginar, foram lançadas na lata de lixo filosófica. Esse homem tornou-se tão negativo, que nenhuma escola filosófica decente haveria de querer que ele ali ensinasse, e nenhuma igreja abriria as portas para ele. Ele era um pária, lançado fora por si mesmo e pelo próximo; mas a aceitação por parte de outras pessoas é apenas outro falso valor.
Nosso homem cessou a busca pela sabedoria, abandonou a busca peles prazeres, interrompeu os labores diligentes e terminou como um nada que nada fazia, apenas outra forma de vaidade. A vida era uma piada doentia, cujo centro era ele próprio.
Ec 2.21 Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria. Além disso, há aqueles indivíduos cujo trabalho não envolve questões materiais, mas obras de retidão e promoção da justiça na sociedade. Até mesmo essas obras, entregues aos insensatos, são logo desfeitas e terminam em nada. Note-se que tais qualidades são requeridas pela lei; mas que bem isso faz aos que obedecem à lei, nesta vida sem significado? Não existe nenhuma lei de justiça, exata e bem equilibrada, que dê a cada pessoa o que ela merece, garantindo o bem para os bons, Um homem pode deixar uma herança moral e espiritual, em vez de uma herança material: mas que bem isso faz? Essas coisas não são melhores que as materiais que outros poderiam deixar. Os que surgem em cena mais tarde garantem que tudo se reduza à mesma inutilidade. Tudo é vaidade, tudo é um grande mal. A Revised Standard Version diz habilidade, como tradução do termo hebraico kishron, que nossa versão portuguesa traduz como destreza, uma compreensão legítima do termo. Nesse caso. o versículo simplesmente repete o que já tinha sido dito antes, sem apontar nenhuma espécie de herança espiritual ou moral que um homem possa deixar. Um homem trabalha com destreza por ser treinado e sábio, mas os insensatos sem treinamento obtêm o mesmo pelo que os sábios tanto trabalham para adquirir.
Ec 2.22 Pois, que tem o homem de todo o seu trabalho...? O filósofo repete os mesmos sentimentos que já tinham sido ventilados, embora com um fraseado levemente diferente. O que um homem consegue mediante todo o seu labor diligente? Sua esfera de labor era a terra, debaixo do sol, e todas as coisas feitas ali se reduziram a nada; o que ele ganhou com tudo isso? Nada. essa é a verdade. Ele obteve somente vexação no coração. Ele labutou diligentemente, quase chegando à exaustão. Mas, visto que pensamos ser isso uma virtude, continuamos na mesma lida, dia após dia. Jactamo-nos de quão duro trabalhamos, e esperamos que outras pessoas nos elogiem. O triste filósofo chama tais homens de estultos. Antes, ele mesmo havia trabalhado segundo esse método, mas já abandonara a vereda do trabalho duro, por considerá-lo vão. tal como qualquer outra vereda é inútil. Todas as veredas são vaidade: a própria vida é uma vaidade; a morte aniquiladora é a grande verdade, e a única questão aparentemente importante é se cometeremos suicídio ou não. Esse homem definitivamente tinha um problema de atitude.
Ec 2.23 Porque todos os seus dias são dores. Visto que o homem era um trabalhador duro, todos o elogiavam. Mas, na verdade, o que estava acontecendo? - pergunta-nos o triste filósofo. Ele trabalhava arduamente, mas tudo estava eivado de dores; seu próprio trabalho se tornara uma vexação. Ele realmente desfrutava todo o labor árduo? Nesse caso, nosso homem responde: "Desfrutar também é vaidade”. Mesmo à noite, aquele homem enlouquecido não descansava. Ele continuava preocupando-se em como faria seu trabalho, mas viveria o suficiente para completá-lo? Ele perdeu o sono, em sua ansiedade, e essa era outra parte ridícula de seu estilo de vida. Existe algo de irracional e arbitrário na própria vida. Schopenhauer chamava o seu deus de "insano” e supunha que essa fosse a razão pela qual existem tantas coisas loucas nesta vida. O "deus” do nosso filósofo não estava distante da avaliação de Schopenhauer sobre a divindade.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2710-2712.
Vv. 17-23 Os homens sábios têm prazer no trabalho. Eles estão em seus ambientes quando estão em seus trabalhos, e reclamam se estiverem fora do trabalho. De vez em quando, eles podem até ficar cansados por causa de seus trabalhos, mas não estão fartos deles, nem desejando abandoná-los. Aqui, portanto, alguém poderia esperar ter encontrado o bem que os homens deveriam fazer, mas Salomão tentou isso também; depois de uma rida contemplativa e voluptuosa, ele aplicou-se a uma vida ativa. e não encontrou mais satisfação nela do que na outra; ainda assim é tudo vaidade e aflição de espírito, do que ele faz uma descrição nesses versículos, onde observe:
I Que negócios ele experimentou; eram negócios debaixo do sol (v. 17-20). sobre as coisas deste mundo, coisas terrenas, as riquezas, honras e prazeres dos tempos atuais; era o trabalho de um rei. Existem negócios acima do sol. negócios perpétuos, que são perpetuamente abençoados: o que nós fazemos em conformidade com tais negócios (fazendo a vontade de Deus assim como ela é feita no céu) e como resultado dessas bênçãos, será transformado em uma boa narrativa; nós não devemos ter razões para odiar esse trabalho, nem para desprezá-lo. Mas ele é trabalho debaixo do sol. trabalho pela comida que perece (Jo 6.27; Is 55.2), que aqui Salomão aborda com tão pouca satisfação. Era o melhor tipo de negócio, não aquele dos lenhadores da floresta e tiradores de água (não é tão estranho se os homens odeiam esse trabalho), mas este era com sabedoria, e ciência, e destreza, v. 21. Era um trabalho racional, relacionado com seu reino e com o avanço de seus interesses. Era um trabalho gerenciado pelas ordens da sabedoria, do conhecimento natural e adquirido, e pelas direções da justiça. Era um trabalho no concílio e nas cortes de justiça. Era um trabalho em que ele se houve sabiamente (v. 19), o que muito destaca o trabalho em que os homens somente se mostram fortes quanto aos dotes de suas mentes, pelos quais nós estamos relacionados aos anjos, sobre aqueles dotes do corpo, os quais nós temos em comum com os brutos. Aquilo que muitas pessoas têm em vista mais do que qualquer outra coisa, no prosseguimento de seus negócios mundanos, é haverem-se sábias, para conseguir a reputação de homens engenhosos e homens de bom senso e aplicação.
II Sua saída deste trabalho. Ele logo se cansou deste negócio. 1. Ele odiou todo o seu trabalho, porque ele não encontrou a satisfação que esperava encontrar. Após adquirir suas belas casas, e jardins, e fontes de água, por algum tempo, ele começou a sentir náuseas delas, e olhar para elas com desdém, como as crianças, que são ansiosas por um brinquedo e no começo o estimam, mas, quando já brincaram com ele durante algum tempo, cansam-se dele, jogam-no fora, e precisam ter outro. Isso expressa não um ódio gracioso destas coisas, o que é nossa obrigação, amá-las menos do que a Deus e a religião (Lc 14.26), nem um ódio pecador delas, o que é nossa loucura, sentirmo-nos fatigados do lugar que Deus designou para nós e seu trabalho, mas um ódio natural delas, resultado de um excesso destas coisas e de um senso de desapontamento delas. 2. Ele se aplicou a fazer que o seu coração perdesse a esperança de todo trabalho (v. 20); ele se esforçou para ter um senso profundo da vaidade dos negócios mundanos; que isso não traria a vantagem e satisfação com as esperanças das quais ele anteriormente se iludiu. Nossos corações são muito relutantes em desistir de suas expectativas quanto às grandes obras da criatura; nós devemos empreender, devemos circular, argumentar com eles, para convencê-los de que não há nada nas coisas do mundo que nós possamos prometer a nós mesmos. Nós ficamos tão frequentemente entediados e afundamos nesta Terra por algumas ricas minas de satisfação, e não encontramos o menor sinal ou prova disto, mas ficamos sempre frustrados na busca, e nós não deveríamos dar longamente aos nossos corações tranquilidade e perder as esperanças de encontrá-las? 3. Ele chegou a isso, finalmente, de maneira que aborreceu a própria vida (v. 17), porque ela está sujeita a muito trabalho duro e problemas, e a uma série constante de desapontamentos. Deus tinha dado a Salomão tamanha grandeza de coração, e tão vasta capacidade mental, que ele experimentou mais do que qualquer outro homem da natureza insatisfatória de todas as coisas desta vida e de sua insuficiência para fazê-lo feliz. A própria vida, que é tão preciosa para um homem, e uma grande bênção para um homem bom, pode tornar-se um peso para um homem de negócios.
III As razões dessa discussão com sua vida e trabalho. Duas coisas fizeram com que ele se fatigasse deles:
1. Que seus negócios eram muito duros para ele: a obra que se fez debaixo do sol lhe era penosa, v. 17. Seus pensamentos e cuidados acerca disso, e aquela aplicação próxima e constante da mente que era requisito para tal, eram um peso e fadiga para ele, especialmente quando ele envelheceu. Isto é o efeito de uma maldição sob a qual nós estamos a trabalhar. É dito que nosso trabalho são as obras e o trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o Senhor amaldiçoou (Gn 5.29) e da fraqueza das faculdades com as quais nós trabalhamos, e da sentença proferida sobre nós, de que no suor de nossos rostos, comeremos o nosso pão. Nossa labuta é chamada de fadiga do nosso coração (v. 22); para a maioria, é uma força sobre eles, assim para nós é natural amarmos nosso conforto. Um homem de negócios é descrito como ansioso tanto em sua saída quanto em sua chegada, v. 23.
(1) Ele é carente de seus prazeres de dia, pois todos os seus dias são dores, não apenas tristes, mas a tristeza em si, na verdade muitas e variadas tristezas; seu esforço árduo, ou trabalho, o dia todo, é sofrimento. De vez em quando, os homens de negócios encontram-se com aquilo que os aflige, e é uma ocasião de raiva e tristeza para eles. Aqueles que são impacientes descobrem que, quanto mais relações eles têm no mundo, mais probabilidade eles têm de ficar irritados. O mundo é um vale de lágrimas, até mesmo para aqueles que têm muito dele. Daqueles que trabalham, é dito que estão sobrecarregados, e são, portanto, chamados para vir até Cristo para descansar, Mateus 11.28. (2) Ele é incomodado em seu repouso à noite. Quando ele está dominado pelas preocupações do dia, e espera encontrar alívio quando deita sua cabeça em seu travesseiro, ele se decepciona; cuida de manter seus olhos acordados, ou, se ele dormir, ainda assim seu coração está acordado, e até de noite não descansa. Veja como são tolos os que fazem de si mesmos escravos do mundo, e não fazem de Deus seu descanso; noite e dia eles nada podem senão estar preocupados. De modo que, sobre toda a questão, é tudo vaidade, v. 17. Também isso é vaidade, em particular (w. 19,23), é vaidade e grande enfado, v. 21. Isso é uma grande afronta a Deus e uma grande injúria a eles mesmos, portanto um grande enfado; é uma coisa vaidosa levantar de madrugada, repousar tarde em busca das coisas boas deste mundo, que nunca foi designado para ser nosso bem principal.
2. Que o lucro dos seus negócios deve ser todo deixado para outros. A possibilidade de vantagem dá um salto e estimula a indústria; portanto, os homens se esforçam, porque eles esperam que isso passe; se a esperança falha, o esforço fraqueja; e, portanto, Salomão brigou com todas as obras, as grandes obras que ele havia feito, porque elas não trariam vantagem alguma para ele. (1) Ele deve deixá-las. Na hora de sua morte, ele não poderia levá-las com ele, nem dividi-las, nem nunca mais retornaria a elas (Jo 7.10), nem a lembrança delas poderia fazer bem algum a ele, Lucas 16.25. Mas eu devo deixar tudo ao homem que virá depois de mim, à geração que está por vir no lugar daqueles que estão falecendo. Como houve muitos antes de nós, que construíram as casas em que nós moramos, e de quem nós utilizamos as aquisições e trabalho, assim haverá muitos depois de nós, que viverão nas casas que nós construímos, e desfrutarão de nossas aquisições e trabalhos. Nunca houve terra perdida por falta de um herdeiro. Para uma alma graciosa, não existe inquietude em nada; por que nós deveríamos nos ressentir com outros por sua entrada nas diversões deste mundo, em vez de se agradar de que, quando nós tivermos partido, aqueles que virão depois de nós podem aproveitar melhor nossa sabedoria e indústria? Mas para uma mente mundana, que busca sua própria felicidade na criatura, é uma grande aflição pensar em deixar seu amado patrimônio para trás, nessa incerteza.
(2) Ele deve deixá-las para aqueles que jamais sofreriam tanto por elas, o que será uma desculpa para si mesmo por ter passado por sofrimento. Aquele que aumentou a propriedade, fez isso trabalhando com sabedoria, e ciência, e destreza; mas aquele que a desfruta e a gasta (pode ser que sim) não trabalhou nele (v. 21), e, mais que isso, nunca trabalhará. As abelhas trabalham duro para manter o zumbido. Pelo contrário, para ele isso prova ser um laço: é deixado como porção sua, em que ele descansa, e com que se alia; e ele é miserável em adiar tudo por uma porção. Enquanto que, se ele não conseguiu uma propriedade de maneira fácil, quem sabe, exceto que ele deve ter sido tanto esforçado quanto religioso? Contudo, nós não devemos ficar perplexos por causa disso, desde que se possa provar que, fora isso, o que é bom será de quem vai usá-lo bem e para fazer o bem. (3) Ele não sabe para quem deve deixar tudo (pois Deus faz herdeiros), ou ao menos o que ele provará para quem ele o deixar, se um homem sábio ou um tolo, um homem sábio que multiplicará seus bens ou um tolo que os reduzirá a nada; contudo, ele se assenhorará de todo o meu trabalho, e de forma insensata desfará o que seu pai sabiamente fez. E provável que Salomão tenha escrito isso comovidamente, estando com medo do que Roboão provaria. Jerônimo, em seu comentário sobre esta passagem, aplica isso aos bons livros que Salomão escreveu, em que ele se mostrou sábio, mas ele não sabia em que mãos eles cairiam, talvez nas mãos de um louco, que, segundo a obstinação de seu coração, faz um mau uso do que foi bem escrito. De modo que, sobre toda a questão, ele pergunta (v. 22): Porque que mais tem o homem de todo o seu trabalho? O que ele tem para si mesmo e para o seu próprio uso? O que ele tem que irá com ele para o outro mundo?
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 902-904.
A Futilidade das Riquezas Acumuladas (2.18-23)
Nestes seis versículos, o autor reflete a respeito das vantagens dos anos que gastou acumulando e armazenando riquezas. O que mais o incomoda é que ele precisa deixar tudo ao homem que viesse depois de mim (18). E quem sabe se será sábio ou tolo? (19). Provavelmente para um homem que acumulou de maneira tão diligente para si mesmo fosse natural não confiar em outros — nem mesmo em seus próprios herdeiros.
Frequentemente a história tem comprovado os fatos básicos subjacentes ao pessimismo do Pregador. Poucos filhos têm provado ser tão eficazes em preservar fortunas quanto seus pais foram em acumulá-las. Mas esses fatos não deveriam fazer com que o coração perdesse a esperança (20). Pelo contrário, eles deveriam nos guiar na aquisição, no gasto e na maneira de legar essa herança aos filhos.
Se um homem fica tão obcecado por dinheiro que até de noite não descansa o seu coração (23), também isso é vaidade. A vida satisfatória é mais importante que a fortuna. Se não podemos pensar em nenhuma função melhor para a riqueza acumulada do que deixá-la ser desperdiçada por herdeiros irresponsáveis, há razões para o pessimismo em relação ao nosso trabalho. Mas o rei poderia ter usado sua fortuna enquanto estava vivo — usado para o bem do seu próximo e para o progresso do trabalho de Deus. Não é sábio que um homem bom gaste toda a sua vida acumulando dinheiro e deixe inteiramente para outros a decisão de como usá-lo. Deixe um homem investir e contribuir tão sábia e generosamente em seu tempo de vida quanto ele acumula. Quando ele o fizer terá algo de todo o seu trabalho e da fadiga do seu coração (22). E se ele tiver algo para deixar aos seus herdeiros, que ore a respeito das decisões e então aja com confiança na próxima geração, cujo caráter ele ajudou a moldar.
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 437.
2. A eternidade de Deus.
O pregador se refere a Deus cerca de 40 vezes em Eclesiastes, sempre o identificando pelo nome hebraico helohim, o Deus da criação. Isso é proposital visto que Salomão se refere com frequência aquilo que acontece “debaixo do sol”. “Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol” (Ec 1.3,9,14; 2.18). É debaixo do sol que está a criação; é debaixo do sol onde se encontra o homem. Mas o Pregador tem algo mais a dizer — ele quer deixar bem claro que há um contraste enorme entre a criação e o Criador, mais especificamente entre Deus e o homem. Deus é eterno, onipotente, auto existente; enquanto o homem é mortal, transitório e limitado. Não deve, portanto, esse homem mortal se fixar apenas nas coisas dessa vida, já que o Deus eterno pôs no coração desse homem a eternidade. “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim (Ec 3.11).
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 107-108.
Ec 1.9 O que foi, é o que há de ser. O que foi feito, o será novamente; nada de novo acontece debaixo do sol. Tremenda monotonia assinala a existência inteira, e a monotonia é a própria essência de toda vida e de toda a existência. Os vss. 911 formam uma espécie de conclusão dos vss. 3-8. É por isso que perguntamos: "Se houvesse algo novo sob o sol, seria de alguma utilidade?". O autor sagrado teria apresentado uma dúzia de argumentos para mostrar que as coisas novas seriam tão vãs como as antigas. Ademais, as coisas novas logo seriam interminavelmente repetidas e tornar-se-iam antigas.
Numa época em que a ciência era muito primitiva, verdadeiramente pouquíssimo surgia que pudesse ser chamado de novo. Mas mesmo nestes dias, de coisas verdadeiramente novas, ouso dizer que nosso triste filósofo não teria modificado suas declarações pessimistas.
Que o leitor contraste este versículo com Jer. 31.22; Isa. 43.18; 65.17. Coisas novas nos excitam a mente e aliviam o enfado. Mas estar ou não enfadado representa sempre igual futilidade, embora sejam polos opostos da mesma coisa. Sêneca, embora não fosse pessimista, observou as repetições intermináveis das coisas: “Nada de novo eu vejo; nada de novo eu faço' (Epíst. 24). Trazer à baila, aqui, a novidade do Novo Testamento é anacronismo. Sabemos que o triste filósofo tinha uma filosofia inadequada, mas deixemos que ele diga o que tinha para dizer, sem interrompê-lo continuamente.
Ec 1.14 Atendei para todas as obras que se fazem debaixo do sol. O triste filósofo foi capaz de obter uma visão panorâmica de todas as obras que os homens fazem debaixo do sol, e também, presumivelmente, de todas as obras da natureza. Sua avaliação foi totalmente negativa: tudo não passa de uma baforada de fumaça, de uma brisa soprada pela vaidade, que é vazia e representa o nada. Ver o vs. 2 deste capítulo, onde a tese é ousadamente proferida, sendo agora confirmada, após longa e diligente investigação. Ele procurou por toda parte “debaixo do sol”, isto é, na terra, e não encontrou razão alguma para modificar sua mente pessimista a respeito da sombria inutilidade da vida humana. As obras do homem são moralmente boas ou más (e a lei é que as determina), mas igualmente inúteis.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2706, 2707.
Ec 1.9. Raramente alguém consegue contradizer os fatos para os quais o autor aponta nesses versículos. A maioria das coisas que fazemos foi feita por alguém antes de nós — e a maioria delas será realizada novamente por outros depois de nós. Vamos admitir que existam apenas algumas experiências que possam ser chamadas de algo novo debaixo do sol (9).
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 434.
Ec 1.9 A única coisa que tem sido - Cada coisa em toda a economia da natureza tem suas revoluções; verão e inverno, calor e frio, chuva e seca durar, sementeira e outono, com todo o sistema de corrupção e de geração, alternadamente se sucedem, de modo que qualquer que tenha sido deve ser novamente. Há, realmente, fisicamente, e filosoficamente, absolutamente nada de novo sob o sol, no curso das coisas sublunares. O caso é o mesmo em todas as revoluções dos céus.
Ec 1.14 Eis que tudo era vaidade - Depois de todas essas discussões e experiências, quando até mesmo os resultados têm sido os mais bem sucedidos, eu encontrei única satisfação racional, mas não que bem supremo pelo qual somente a alma pode ser feliz. Curas O hominum! O quantum est em rebus fútil !"Como ansiosos são nossos cuidados, e ainda como vão tendência dos nossos desejos! "
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
Ec 3.11 Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo. Segunda Conclusão. Se houver alguma coisa no mundo a que chamamos de belo, então podemos atribuir essa coisa a Deus e, naturalmente, as coisas feias também são de Sua criação (o que compreendemos por implicação). O bom e o mau, o belo e o feio trocam-se em suas manifestações, cada coisa em seu devido tempo e estação (vs. 1). Todos os ciclos e condições procedem de Deus: portanto, sorri e suporia tudo, pois nada podes fazer a respeito.
Pôs a eternidade no coração do homem. Eternidade, literalmente, é “mundo”. Foi Deus quem pôs no coração dos homens o desejo de compreender os mistérios do mundo, da vida e de seus possíveis significados. As pessoas procuram saber se há ou não algo de extratemporal em si mesmas; se são apenas animais ou se existe aigo em um homem que o distinga dos irracionais. Ele pode até querer saber se há alguma parte, em si mesmo, que sobreviva à morte biológica; mas o vs. 18 despedaça essa esperança, se, de fato, o autor sacro, neste versículo, a está levantando.
O homem busca, mas nunca descobre muito sobre o significado dos mistérios. Deus pôs esse desejo no coração humano, mas não lhe garantiu sucesso. O homem é deixado a pairar sobre sua admiração e investigação. E a própria investigação consiste em vaidade. Nenhum homem pode descobrir o que Deus tem feito, por qual razão Ele assim o fez, ou por que Ele o fará. O homem é uma espécie de microcosmo do todo, mas não é capaz de discernir muito sobre si mesmo, a ponto de “ler alguma coisa sobre Deus". Ele implantou as ideias, que se agitam na mente de um homem e buscam explanações para os mistérios da existência. Mas esses mistérios estão ocultos em Deus, e nenhum homem, por nenhum modo de investigação, pode explicar o ser divino ou as coisas divinas. Deus é o Mysterium Fascinosum e também é o Mysterium Tremendum (ver a respeito na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia). A mente humana sente um pouco desses mistérios, mas seus esforços por chegar a conhecê-los fracassam miseravelmente, e ele é deixado na vaidade.
Uso da Filosofia. O autor sagrado, chamado neste livro de “pregador”, termo tipicamente hebraico, na realidade é um filósofo. Era um hebreu que se metia na filosofia com alguma habilidade; mas era um pessimista, o que explica suas conclusões obscuras. É necessário conhecer um pouco de filosofia para entender o livro. Ao longo deste comentário, refiro-me aos artigos cuja leitura é fundamental para permitir uma compreensão mais exata do que o autor sagrado procurava transmitir.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2714.
Ec 3.11 Formoso em seu tempo - as obras de Deus são bem feitas, há ordem, harmonia, beleza e em todos eles. Mesmo a lagarta é uma beleza acabado em todas as mudanças por onde passa, quando sua estrutura está devidamente examinada, e as extremidades mantidas em vista em que cada mudança é a questão. Nada disso pode ser dito das obras do homem. Os trabalhos mais acabados de arte são postos estragados de trabalho, em comparação com a operação de pior natureza.
Ele pôs o mundo em seu coração - (Haolam), que o tempo escondido - o período para além do presente, - Eternidade. A tradução correta desta cláusula é o seguinte: "Também que a eternidade tem ele colocou em seu coração, sem a qual o homem não pode descobrir a obra que Deus fez desde o início até o fim." Deus profundamente enraizado a ideia de eternidade em cada coração humano, e cada homem atencioso vê, de que todas as operações de Deus referem-se a que a duração infinita. Veja Eclesiastes 3:14 . E é só na eternidade que o homem será capaz de descobrir o que Deus tem projetado pelas diversas obras que ele formou.
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
Nós devemos esperar com paciência pela descoberta completa do que para nós parece ser complexo e confuso, reconhecendo que nós não podemos descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim e, portanto, não devemos julgar nada antes do tempo. Nós temos que acreditar que Deus fez tudo belo. Todas as coisas foram bem feitas, tanto na criação quanto na providência, e nós veremos isso quando o fim chegar, mas até então nós somos incompetentes para julgar. Enquanto o desenho está sendo realizado, e a casa, sendo construída, nós não conseguimos ver a beleza de nenhum dos dois; porém, quando o artista dá o seu toque final e faz o último arranjo neles, então tudo parece muito bom. Nós não vemos nada além da metade das obras de Deus, não a partir de seu início (então nós deveríamos ver o quão admiráveis são os planos que Ele fez em seu conselho divino), nem até o seu fim, que coroa a ação (então nós deveríamos ver o glorioso produto); mas nós devemos esperar até que o véu seja rasgado, e não censurar os procedimentos de Deus, nem fazer julgamentos sobre eles. As coisas secretas não nos pertencem. Aquelas palavras: pôs o mundo no coração deles, são entendidas de forma diferente. 1. Alguns fazem delas uma razão pela qual nós podemos conhecer mais das obras de Deus do que conhecemos; segundo o Sr. Pemble: “Deus não se deixou ficar sem testemunha de sua ordem correta, igual e bela das coisas, mas deixou-a para mais adiante, a fim de ser observada no livro do mundo, e isso Ele pôs no coração dos homens, dando ao homem um grande desejo, e poder, em boa medida, para compreender e entender a história da natureza, com o curso dos negócios humanos, de modo que, se os homens fizerem uma observação exata das coisas, eles possam, na maioria das vezes, perceber uma ordem admirável e engenhosa”. 2. Outros fazem dela uma razão pela qual nós não conhecemos muito das obras de Deus como nós deveríamos; segundo o bispo Reynolds: “Nós temos tanto o mundo em nossos corações, ficamos tão ocupados com pensamentos e preocupações acerca de coisas mundanas, e estamos tão cansados do nosso trabalho árduo, que nós não temos tempo nem espírito para enxergar a mão de Deus neles.” O mundo não somente tomou posse do coração, mas também formou preconceitos contra a beleza das obras de Deus.
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 907-908.
Ec 3.11- Neste versículo, é dito que Deus pôs o mundo no coração do homem. Em outra versão (ARA), em lugar da palavra mundo" foi usado o termo “eternidade'’ Isto significa que nunca poderemos ficar completamente satisfeitos com os prazeres e com o que almejamos fazer na terra. Pelo fato de sermos criados à imagem de Deus. temos uma sede espiritual e um valor eterno; isto implica que nada. a não ser o Deus eterno, é capaz de satisfazer-nos verdadeiramente. Ele pôs em nós um incansável anseio por um mundo perfeito que só pode ser encontrado em sua perfeita lei. Deus nos deu um vislumbre da perfeição em sua criação. 'vias é apenas um vislumbre, não podemos ver o futuro ou compreendei todas as coisas. Assim sendo, devemos confiar nEle agora e fazer a sua obra na terra.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 878.
III - O TEMPO E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
1. Na família.
Nessa vida fugaz, Salomão tem uma palavra para as relações interpessoais no convívio familiar: “Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras. Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol” (Ec 9.7-9, ARA).
O contexto não deixa dúvidas de que o ambiente aqui é festivo! As referências ao “pão”, “vinho” (Ec 9.7), “vestes” e ao “óleo” (Ec 9.8) demonstram isso. O vinho era usado em ocasiões especiais pelos orientais (Gn 9.20; Dt 7.13; Ne 2.1; Jo 2.3; Mt 11.19), enquanto o óleo era usado também como perfume (Am 6.6; Ct 1.3; 2 Sm 14.2; SI 104.15). É uma festa, mas é uma festa em família. Isso fica bem claro pela presença da esposa, “a mulher que amas” (Ec 9.9). E uma festa onde se usa a melhor roupa e o melhor perfume! A metáfora é bem clara para nós hoje: A família cristã, como o bom perfume de Cristo e sem necessitar recorrer ao uso de bebidas alcoólicas para se alegrar (Ef 5.18), deve viver com intensidade o relacionamento interpessoal.
Infelizmente 0 que encontramos em muitos lares não é esse ambiente festivo, mas uma verdadeira guerra. Todos se encontram entrincheirados e ninguém quer ceder. Há uma bela história bíblica que ilustra o que estou dizendo. Encontra-se em
1 Samuel 25.1-37. O versículo 23 diz: “Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, desceu do jumento e prostrou-se sobre o rosto diante de Davi, inclinando-se até à terra” (1 Sm 25.23).
Para salvar seu casamento Abigail, esposa de Nabal, precisou descer do jumento. Por que muitos casamentos fracassam? Porque ninguém quer descer do jumento. A pergunta que fazemos é: por que Abigail precisou descer do jumento:
1. Porque ela possuía um homem, mas não um marido (1 Sm 25.2)
2. Infelizmente os lares possuem um homem, que sabe comprar arroz e feijão para dentro de casa, mas nada sabem sobre relacionamento familiar. Estão sempre mal-humorados, não possuem afetividade com a esposa e muito menos com os filhos.
3. Porque ela possuía uma casa, mas não um lar (1 Sm 25.7)
Abigail e Nabal viviam debaixo do mesmo texto, mas isso não é garantia de que eles possuíssem um lar. Um lar c muito mais do que isso. Um lar é convívio, relacionamento, amizade, compreensão e perdão. É amor.
4. Porque ela sabia que possuía posses, mas não prosperidade (1 Sm 25.2).
Nabal era rico, possuía muitos bens, mas isso não significava que era próspero. Ter posses não significa necessariamente ter prosperidade. Alguém pode ser muito rico, mas pobre nos relacionamentos, na comunhão com Deus e pobre também dentro do lar.
5. Porque possuíam tradição religiosa, mas não comunhão com Deus (1 Sm 25.3).
O texto diz que Nabal era da casa de Calebe, uma das tribos importantes de Israel e que possuía uma tradição religiosa muito forte. Sem dúvida, Nabal e Abigail também eram religiosos, mas a forma como Nabal vivia no seu lar mostra que era somente tradição religiosa que ele possuía. Não havia comunhão com Deus. Infelizmente é isso que ocorre em muitos lares. São protestantes, vão à igreja aos domingos, mas não passa de uma tradição religiosa.
6. Porque possuíam vizinhos, mas não amigos (1 Sm 25.7,l 1).
O texto deixa claro que Nabal era um homem incomunicável. Era difícil lhe dirigir a palavra. Com certeza possuía vizinhos, mas não amigos.
7. Porque havia sexo, mas não intimidade (1 Sm 25.19).
O texto deixa claro que Abigail foi procurar Davi às escondidas. Por quê? Ela simplesmente não conseguia se comunicar com ele e essa falta de comunicação com certeza estava com eles no quarto de dormir. Havia sexo, mas não havia intimidade que um casal precisa para se relacionar.
8. Porque havia submissão, mas não havia amor (1 Sm 25.25).
O texto diz que Abigail se referiu a Nabal como “um filho de Belial”. Quando a esposa já não consegue falar com afeto do esposo, mas com certo amargor, rancor, etc., é porque o amor já foi embora faz tempo. O casamento é apenas uma fachada.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 108-110.
Ec 9.7 Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho. Temos aqui a conclusão do pessimismo precedente. Os vss. 7-10 reiteram o triste summum bonum do filósofo: desfrutemos os pequenos prazeres da vida, porquanto esses prazeres também são vaidade e não têm valor real, ou seja, são o melhor que podemos fazer nesta vida miserável. Esses prazeres ordinários podem aliviar um pouco a agonia da existência humana. Portanto, avancemos e tiremos vantagem deles. Nada mais existe pelo que se deva viver. Há notas expositivas detalhadas sobre esse ponto de vista em Eclesiastes 2.24-25. Ver também Eclesiastes 3.12,22; 5.17 e 8.15. É um equívoco pensar que o mau filósofo terminou como um epicurista, Ele era um niilista que balançava a cabeça na direção do epicurismo (prazeres moderados) como o summum bonum da vida, como o menor dos males que o homem encontra na vida. Ele já havia demonstrado que o hedonismo (busca desenfreada pelos prazeres) é fútil (Eclesiastes 2.1- 11). Ele valorizava mais o epicurismo (os prazeres moderados), mas não afirmava haver valor real nisso. Quanto à plena compreensão, ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, os verbetes intitulados Epicurismo; Hedonismo; Summum Bonum; Niilismo e Pessimismo.
O Uso da Filosofia. Todos os ramos do conhecimento humano oferecem algum benefício. A filosofia é especialmente útil àqueles que estudam a Bíblia e a teologia, visto que muitas áreas se justapõem. Aquele que conhece alguma filosofia compreenderá melhor a teologia. O estudo do livro de Eclesiastes demonstra isso, mas outro tanto faz o estudo da teologia geral. Um teólogo que seja apenas teólogo, ao examinar o livro de Eclesiastes, versículo por versículo, perderá muito do significado do autor sacro, que era um filósofo, e não um rabino comum, meramente um sábio. Portanto, o homem que pode compreender melhor este livro é o teólogo-filósofo que sabe tirar proveito dos dois campos, para explicar os meandros dos pensamentos do nosso triste filósofo. Este é um livro divertido, que contém muitas declarações absurdas e afirmações heterodoxas. É divertido descobrir que coisas disparatadas o autor dirá em seguida. Ele diz os seus absurdos de maneira alegre e interessante. O homem mostra-se eloquente e espirituoso. Ele simplesmente não tinha asas, e manteve-se resvalando em seu meio ambiente lamacento. Mas era um resvalador ágil; era um réptil e não um pássaro, pelo que não devemos desperdiçar tempo tentando transformá-lo em um mestre ortodoxo.
O Pessimismo Antigo e o Pessimismo Moderno. O louco filósofo, que escreveu o livro de Eclesiastes, tinha uma espécie de redenção: o nada da morte. Nesse estado, o sofrimento havia sido interrompido. Schopenhauer, o maior porta- voz do pessimismo moderno, acreditava na reencarnação! Por isso ele defendia a horrorosa doutrina de que a Vontade Louca (sua divindade) nunca deixava o pobre ser humano escapar, O homem experimentava os mesmos sofrimentos por muitas vezes. A Vontade Louca decidiria anular tudo, obliterar toda a vida e existência, depois que se cansasse de algum jogo doentio e repetitivo. Se a Vontade Louca fizesse isso, então todas as coisas seriam reduzidas a nada. e essa era a redenção pela qual Schopenhauer tanto ansiava.
Alguns dos Pequenos Prazeres da Vida. A partir deste ponto, o infeliz filósofo nos diz o que vale a pena buscar, se você forçá-lo a usar tal expressão: come muito, mas não tanto a ponto de ficares doente; bebe muito, mas não tanto a ponto de ficares embriagado; desfruta a festa, diverte-te, ri. Poderás fazer todas essas coisas sem temor, porque foi Deus quem te deu essas dádivas e te destinou a viveres usufruindo delas. Ele já tinha aprovado a maneira epicurista de viver, como o menor dos males; portanto, não temamos viver dessa maneira. E vamos lembrar que os prazeres mentais são superiores aos físicos, pelo que não devem ser negligenciados.
Ec 9.8 Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes. Entre os pequenos prazeres da vida estão as vestes finais, especialmente no caso das damas. É ótimo vestir- se com vestes excelentes. Roupas absolutamente brancas eram cobiçadas pelos frequentadores das festas, visto que, com essas vestes, eram ali favorecidos. Ver II Sam. 12.20; 14.2; Sal. 65.8; 104.4; Apo. 7.9, Essa parle do versículo tem sofrido várias interpretações metafóricas: pureza moral, salvação em vestes brancas etc.: mas, na verdade, o autor sacro não estava pensando em coisas sérias como essas. Além disso, óleos fragrantes eram usados nas festas, sendo os pés e a cabeça as principais partes do corpo que recebiam esses unguentos e óleos. As unções também serviam à pureza e à beleza e, se essas coisas nada significam para nós, eram por demais apreciadas pelos antigos. Ver Sal. 23.5: Luc, 7,46 e Mat. 6.17.
Ec 9.9 Goza a vida com a mulher que amas. O sexo também é uma coisa boa, numa vida casada normal; mas a prostituição e o adultério são truques dos hedonistas: portanto, evita esses excessos, a menos, naturalmente, que Deus te tenha predestinado para esse tipo de vida! Se o filósofo fosse coerente, ele não negaria que a vida de uma prostituta foi aquilo que Deus predeterminou para ela. Ele foi coerente (ver Eclesiastes 3.16), mas não quis confundir o quadro aqui. Pode-se viver uma vida jubilosa com uma boa esposa a quem se ama, mas a totalidade da vida é pura vaidade, e isso faz parte da vida. Não obstante, uma boa esposa é uma dádiva de Deus, para ajudar resistir a todas as outras coisas vãs. A questão resume-se a dizer: toda a tua porção te foi predestinada, peto que deves suportar tudo da melhor maneira, desfrutando os pequenos prazeres da vida. Se estiveres trabalhando muito, para ocasionalmente para usufruir algum prazer na vida.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2731-2732.
Aproveite a Vida enquanto Você Pode (9.7-10)
Aqui o autor repete (cf. 2.24; 3.12,22; 5.18; 8.15) sua filosofia de vida — a filosofia mais elevada normalmente atingível por um homem que não possui fé em um Deus íntegro e em uma vida consciente além da sepultura. Pão e vinho eram os meios de sustento e diversão aceitáveis. Pois já Deus se agrada das tuas obras (7) tem sido interpretado de várias formas como: a) Aproveite a vida porque isso é o que Deus planejou para que os homens fizessem; b) Já que você serve a Deus e Ele aceita suas obras, você pode contar com uma vida satisfatória; c) Já que você não pode saber o querer e os caminhos de Deus, tire o máximo de proveito daquilo que você consegue entender e desfrutar. O terceiro ponto de vista é mais coerente dentro do contexto. Vestes [...] alvas (8) eram as roupas adequadas para a corte e ocasiões festivas. Óleo na cabeça era um símbolo de alegria (cf. SI 23.5; 45.7).
Embora a filosofia de Qoheleth esteja associada aos aspectos terrenos, ela não incentiva a glutonaria nem a sensualidade; ela simplesmente representa a nossa convivência agradável nas casas de regiões urbanas calmas e pacíficas. Há o bastante para comer, roupas boas e cosméticos, um casamento adequado com a mulher que amas (9), e um envolvimento ativo com seu trabalho e hobbies — Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças (10). Isso é considerado por muitos “a boa vida”, mas mesmo nisso existem limitações inoportunas que obrigam o autor a designar isso de vaidade [...] vaidade. Até mesmo o casamento mais feliz existe apenas durante os dias [...] os quais Deus te deu debaixo do sol, e nem a profissão nem os hobbies vão além da sepultura, para onde tu vais.
Existe uma verdade muito séria no versículo 10 mesmo para os cristãos que acreditam na imortalidade. A vida na terra é uma provação que oferece algumas oportunidades que terminam na sepultura. A verdade de Eclesiastes é refletida pelas palavras de Annie Coghill:
Trabalhe, pois a noite está chegando...
Quando o trabalho do homem estará terminado.
O próprio Jesus nos lembra de que nossa limitação de tempo nos proporciona o senso de urgência no cumprimento de nossas tarefas: “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9.4).
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 457.
Ec 9.7 Vai-te, come o teu pão com alegria - Não, vos perplexo com as dispensas e os mistérios da Providência; desfrutar das bênçãos que Deus lhe deu, e viver para a sua glória e então Deus irá aceitar suas obras.
Ec 9.8 Que tuas vestes estar sempre branco - Os judeus usavam roupas brancas em ocasiões festivas, como emblemas de alegria e inocência. Seja sempre puro, e sempre feliz. Os habitantes da Índia são todos vestidos de algodão branco e limpo, e para isso é a alusão no texto. Targum A diz: "Em todas as vezes deixar as tuas vestes ser lavado e puro da mancha do pecado. Adquirir um bom nome, que é comparado com o óleo da unção, que as bênçãos podem ser chamados para baixo a tua cabeça, e bondade não te desampararei. "
Ec 9.9 A vida com a mulher que amas - Casar com prudência, manter fielmente ligado à esposa elegeu, e regozijar-nos o trabalho de tuas mãos. Alguns entendem isso como as palavras do opositor libertino: "a vida com a mulher que me amas melhor. "Mas isso não comportar tão bem com o escopo do local.
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
Am 6.6 Taças. As taças comuns não eram suficientemente grandes; por isso, em sua auto-indulgência, eles se apropriavam dos vasos comumente usados com propósitos sacrificiais (Êx. 38:3; Zc. 14:20).
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular Amos. pag. 15.
Am 6.6. que bebem vinho em taças
Talvez a opulência dos vasos de beber, mais do que a quantidade bebeu, é o que está aqui repreendido pelo profeta. Vasos de beber dos materiais mais caros, e da mão de obra mais requintada, ainda estão em uso, e como a pomadas preciosas e perfumes entre os judeus, temos uma prova de que o conteúdo de uma caixa pequena valia 300 dentários, pelo menos 7 a 10 xelins Sterling (Libra).
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
Ct 1.3 Unguentos. Os unguentos eram itens indispensáveis no Oriente. O clima quente tomava necessários os banhos frequentes, depois dos quais a pele era tratada com óleos perfumados (cons. II Cr. 28:15; II Sm. 14:2; Dn. 10:13; Mt. 6:17). O teu nome. Não simplesmente como um símbolo de identificação. O nome de uma pessoa costumava dizer algo específico a respeito dela (Êx. 2:10). Podia até mesmo dar a ideia de todo o seu caráter (Mt. 1:21). A esposa está falando do caráter esplêndido de seu esposo e da fama que ele tem por toda Parte. Por causa dessas características notáveis, as virgens o amam. Em sua admiração sem limites, a esposa não pode deixar de se lembrar da grande afeição que as outras virgens também sentem pelo seu esposo. A palavra para virgem (hebraico ‘almâ) usa-se em relação a uma jovem em idade de se casar e que ainda é solteira (Gn . 24:43; ÊX. 2:8; Is. 7:14 e Mt. 1:23; Sl. 68:25; PV. 30:19).
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular Cantares. pag. 5.
Para cheirar são bons os teus unguentos (3). No hebraico há um jogo de palavras sobre os unguentos e teu nome. Cf. Ec 7.1. Unguentos (3). Unguentos ou perfumes eram especialmente valiosos no oriente devido ao calor. Eram usados particularmente na unção dos sacerdotes (Êx 30.23-25) e na recepção dos hóspedes (Sl 23.5; Lc 7.38). O uso de unguento muito precioso nesta última conexão, era sinal de estima incomum (cf. Jo 12.3). Os reis recolhiam e usavam perfumes de rara composição e fragrância. Ver 3.6 e cf. 2Rs 20.13. Nome (3). O nome relembra o que ele é. A lembrança tem um efeito sobre o espírito semelhante ao de um fragrante perfume sobre os sentidos. O azeite da unção, nos dias do Antigo Testamento, tipificava a obra do Espírito Santo, que foi dado a Cristo sem limitações. Conhecer a Cristo é comparado por Paulo a um perfume (ver 2Co 2.14). Virgens (3). Auxiliares da noiva. Misticamente, representam os regenerados e santificados. Cf. Mt 25.1; 2Co 11.2; Ap 14.4.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Cantares. pag. 5.
1.3 — Unguento. Nos tempos bíblicos, era costume, após o banho, massagear o corpo com unguentos (óleos) perfumados durante a preparação para alguma ocasião festiva (Rt 3.3).
O teu nome. A Sulamita fala da reputação de seu amado como semelhante a um aroma agradável; ele era objeto de desejo das jovens de toda parte. O termo virgens — o mesmo empregado em Isaías 7.14 — significa mulheres em idade de casar (as mesmas identificadas como filhas de Jerusalém em Cantares 1.5).
Amam. Aqui, é utilizado o verbo hebraico comum para amor, referindo-se a sentimentos românticos (como em Génesis 24-67); em outros trechos, este verbo significa escolher alguém (uma determinação do livre-arbítrio; Dt 6.5). Assim sendo, este verbo hebraico compartilha alguns, mas não todos, os sentidos do verbo grego apagão.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 1010.
Sal 104.15 O vinho, que alegra o coração do homem. Alguns produtos agrícolas são especialmente deleitáveis e benéficos aos homens. O poeta nos dá aqui um exemplo: o vinho, que alegra o coração do homem quando o deixa em um leve estado de embriaguez, sempre que não haja excessos. O azeite tem seu uso como cosmético, fazendo o rosto de um homem brilhar, e também se reveste de valores medicinais apreciados. E, finalmente, o pão (que representa aqui o alimento feito de grãos), a principal fonte de sustento da vida humana. Definitivamente, o suco da uva se azeda um pouco, ao fermentar sob a forma de vinho; mas mesmo assim é muito melhor que o suco de uva não fermentado. E era assim que os hebreus sentiam, sendo eles um povo de vinho, canções e danças. Os evangélicos não gostam dessas ideias, mas eles têm, em seus costumes, coisas piores que um pouco de vinho. Eu mesmo não toco em vinho. Sabemos hoje em dia que o vinho corta o colesterol, mas também sabemos que mata células do cérebro. As pessoas que costumam beber pouco vinho vivem mais que as pessoas que não o tomam, mas também penso que elas serão um pouco mais estúpidas. Portanto, que o leitor faça sua escolha: viva por mais tempo um tanto menos mentalmente vivo; ou viva menos com uma inteligência superior. Naturalmente, existem outros alimentos que cortam o colesterol, mas o vinho também é um sedativo suave, que ajuda o homem a manter os nervos sob controle. O principal, entretanto, é cada indivíduo cumprir a sua parte e deixar que Deus cuide de quanto tempo cada qual viverá. Ver no Dicionário os artigos sobre Vinho, Azeite e Pão, quanto a maiores detalhes.
“O vinho, em quantidade moderada, tem a notável tendência de reviver e revigorar o ser humano... torna um homem animado e provê a continuação dessa animação ao fortalecer os músculos e deixar os nervos em seus devidos lugares. Essa é a utilidade do vinho... O azeite serve para ungir o corpo, especialmente as partes expostas ao sol e às intempéries. Isso era muito importante nas terras áridas... O pão impedia a fome. Estando com fome, um homem se sente indisposto, não pode ser emulado nem encorajado" (Adam Clarke, o qual, em minha opinião, exagera no caso do vinho).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2383.
Aqui, 0 salmista menciona o verdadeiro objetivo da criação de Deus: atender às carências do ser humano. Vinho, azeite e pão — géneros de primeira necessidade em Israel — são bênçãos de Deus que enriquecem a vida.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 912.
5.18 - Assim como a pessoa embriagada com vinho está sob o efeito do álcool, o cristão cheio do Espírito é controlado pelo Espírito Santo.
Enchei' V0S. Encher-se indica uma ação que vai além de receber o selo do Espírito Santo (Ef 1.13). Selar é uma ação feita por Deus no momento de nosso novo nascimento. O tempo e o modo do verbo grego traduzido como enchei-vos [imperativo afirmativo] indica que a ação no presente de encher-se pode ser repetida, acontecendo em vários momentos. E algo que Paulo ordena que os cristãos de Éfeso façam. Em outras palavras, nem todos os cristãos são cheios do Espírito, mas todos foram selados com o Espírito quando se entregaram a Cristo (Ef 4.30).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 512.
O Uso De Bebidas Alcoólicas
1. O N.T. adverte-nos contra o uso excessivo das bebidas alcoólicas (ver Lucas 1:15; 21:34; I Tes. 5:6-8; II Tim. 4:5; I Ped. 1:13; 4:7 e 5:8). Mas permite um uso moderado, segundo se depreende de várias dessas referências.
2. Luz derivada da ciência moderna: As pesquisas têm demonstrado,  que até mesmo pequenas quantidades de álcool, Ba corrente sanguínea, matam as células cerebrais. Com base no trecho de I Cor. 3:16,17, só se pode supor que, se Paulo tivesse tido conhecimento do fato, teria proibido o uso de qualquer bebida alcoólica, a menos, talvez, que se possa demonstrar haver nela algum uso medicinal. Nesse caso, o sacrifício de algumas poucas células do cérebro, pode valer a pena, para que se adquira melhor saúde em outros pontos do organismo. Entretanto, é improvável que o álcool tenha qualquer valor como medicamento.
O vício do alcoolismo raramente resulta do desejo que os alcoólatras têm por sentir o gosto, o paladar da bebida. Os alcoólatras andam atrás de muito mais do que isso. Busca «livramento de suas perturbações». Talvez queira «ocultar-se de si mesmo» ou «evitar suas responsabilidades». Procura modificar o mundo a fim de que o mesmo se lhe torne tolerável. Também pode estar tentando «escapar da melancolia». Portanto, usualmente o problema do alcoolismo é de fundo «psicológico» ou «espiritual», e o vício é apenas uma maneira de evitar a solução real, que pode parecer dolorosa, indesejável ou impossível, para aquele que bebe em excesso. Assim, pois, um homem necessita de alguma solução real para o seu profundo problema, que remova a necessidade de um substituto insuficiente. E Cristo é essa resposta, contanto que o indivíduo queira aprender dele, tornando-o o centro de sua vida. A instituição denominada «Alcoólatras Anônimos» tem obtido regular sucesso na cura do alcoolismo. Ao invés da garrafa, apresentam a fé em Deus e o encorajamento mútuo nessa fé, mediante resoluções saudáveis. Mas essa fé, mais perfeitamente definida ainda, é a fé em Jesus Cristo, conforme os termos do evangelho cristão.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 625.
2. No trabalho.
O trabalho nunca deve ser um fim em si mesmo, portanto se frustra quem pensa dessa forma. Quando o trabalho, e não Deus, é o centro de tudo, então ele se transforma em fadiga (Ec 5.17).
Mas o Pregador irá mostrar que esse trabalho, quando deixa de ser um fim em si mesmo, passa a ter um sentido na nossa existência. Nesse sentido o trabalho se torna algo prazeroso e não pesaroso. “Eis o que eu vi: boa e bela coisa é comer e beber e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe deu; porque esta é a sua porção. Quanto ao homem a quem Deus conferiu riquezas e bens e lhe deu poder para deles comer, e receber a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus” (Ec 5.18,19). A palavra hebraica samach, traduzida aqui como “gozar”, possui o sentido de regozijar, estar alegre. O nosso local de trabalho deve ser um lugar alegre, fruto das relações interpessoais sadias.
Lemos no comentário dos Expositores da Bíblia:
Tradicionalmente o assaltante exige: ‘O seu dinheiro ou sua vida!’ O Pregador (Salomão) descreveu aqueles que preferem perder a vida do que perder o dinheiro. Podemos então ter a vida em primeiro lugar e em segundo encontrar um lugar para o dinheiro? Sim, se levarmos a vida diariamente diante de Deus e procurar saber o seu plano, até onde ele pode ser conhecido. Devemos estar dispostos a trabalhar (v. 18). Uma vez que a maioria dos trabalhos era construtivo e muitas vezes criativo. Hoje muitos de nós estão envolvidos em atividade monótona, que um Salomão moderno citaria como outro exemplo de frustração. Devemos também olhar para os usos construtivos de lazer — atividade que pode não trazer muito dinheiro, mas vai trazer maior gozo, que o Pregador tem em mente. Portanto, é correto orar e olhar para o trabalho que irá produzir o suficiente para viver, podendo então desfrutar de uma boa consciência, porque são coisas que Deus nos dá para apreciar (1 Tm 6.17).
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 110-111.
Ec 5.16 Também isto é grave mal: precisamente como veio, assim ele vai. Ver as notas expositivas sobre o vs. 13, quanto a explicações. Isso é capaz de deixar qualquer um enfermo. Em vez de repetir que um homem veio nu e sairá deste mundo nu, temos a declaração generalizada: “precisamente como veio, assim ele vai”, ou seja, com absolutamente nada. Portanto, temos aqui um truísmo: “Todos entramos no mundo sem nada e saímos do mundo da mesma forma”. Para dizer algo que ultrapasse isso, é preciso falar sobre uma alma que sobreviva à morte biológica, mas o autor sagrado não disse isso, porquanto não acreditava em tal doutrina. Visto que o homem vem do nada e volta para o nada, que proveito obtém de todo o labor de sua vida? O homem laborioso somente correu atrás do vento, procurando retê-lo em suas mãos. Em outras palavras, ele foi um tolo trabalhador e não um tolo preguiçoso, mas na morte não importa se ele foi um trabalhador ou não. Isso, naturalmente, reflete um ponto de vista pessimista da vida, afinal supomos que o ato de trabalhar seja honroso e seus frutos, dignos do trabalho. Porém, o filósofo triste diz que estamos errados quando cremos nisso, porquanto seu ponto de vista heterodoxo é o correto.
Ec 5.17 Nas trevas comeu em todos os seus dias. Cada dia que aquele homem vive é como uma noite escura, igual ao próprio alimento que ele consome: é a sua porção diária de tristeza, consternação e ressentimento. Seria difícil alguém inventar declaração mais pessimista. O homem vivia uma morte em vida. Sua vida era intolerável. O sol brilhava no firmamento, mas em seu coração fazia-se noite. Ele comia refeições suntuosas, mas tudo se parecia com uma noite tenebrosa. “Ele
passava os seus dias em trevas e em tristeza” (Septuaginta, seguida pela Revised Standard Version e pela tradução portuguesa da Imprensa Bíblica Brasileira).
O Melhor que se Pode Fazer em Meio à Miséria (5.18-20)
Ec 5.18 Eis o que eu vi: boa e bela cousa é comer e beber. O autor sagrado retorna agora ao seu tema de prazeres moderados como o summum bonum da vida. Compreendemos que ele estava descrevendo um falso valor, a única coisa “positiva" que se poderia dizer sobre a vida humana, embora tal declaração não seja grande coisa. Este versículo se parece muito com Eclesiastes 2.24-25, onde há notas expositivas detalhadas. Ver também Eclesiastes 3.12,22 e 8.15, quanto a declarações similares. O autor não abandonou sua “teoria de que não existem valores reais” (o niilismo); ele diz tão-somente que o melhor que o homem pode fazer, sob circunstâncias geralmente desesperadoras (a noite na qual consiste a vida, vs. 17), é divertir-se um pouco, o que não tem valor real. Ao ser humano foram dados apenas poucos dias, para logo deixar de existir. Deus determinou que ele teria apenas poucos dias de vida, para, em seguida, ser reduzido a nada. Essa é a sua porção predestinada. Deus é a Causa Única, e Ele determinou que a vida humana fosse algo miserável. Por conseguinte, em uma espécie de “autodefesa”, desfruta um pouco do que tens, em meio à tua vida de trabalhos cansativos. Perdemos de vista o ponto do livro, quando supomos que nosso triste filósofo supusesse existirem valores reais na vida. Ele estava meramente falando sobre o menor dos males, e fazia desse mal o summum bonum da existência humana. Quanto à sorte (porção) do homem, cf. Eclesiastes 3.22; 5.19 e 9.9.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2721.
Apegue-se à Riqueza Frouxamente (5.18-20)
Aqui está o próprio julgamento do Pregador em relação à atitude certa com respeito ao dinheiro. “Veja! O que descobri por mim mesmo ser preferível e melhor é que ele coma e beba e descubra o prazer em todo o trabalho em que tanto se esforça” (18, Berkeley). Isso é o quanto a fórmula para uma vida agradável de Eclesiastes consegue chegar perto de ser totalmente realista. E muito melhor para o homem aproveitar o seu trabalho e os frutos dele do que se inquietar e se preocupar com isso. Até mesmo o homem que possui riquezas e fazenda (bens; v. 19) não deveria se tornar obcecado por elas. O ideal é o homem se manter interessado, atarefado e ocupado de maneira construtiva não importa quantas riquezas possua. Mas novamente causa arrepios a “fascinação quase mórbida pela morte”14 que o autor tem. A melhor motivação que ele consegue dar à atividade é que o homem “não deve pensar com freqüência acerca da brevidade da sua vida” (Berkeley).
A atitude de se apegar à riqueza frouxamente é boa, mas melhor ainda é essa atitude acompanhada de uma fé cristã radiante! Rylaarsdam escreve: “Para Qoheleth [...] todos os valores humanos são relativizados porque nenhum deles é o meio para o fim do homem. Nessa consideração ele antecipa o ponto de vista de Paulo; o que ele carece é de clareza e convicção, apresentadas posteriormente, a respeito desse fim e do amor e do poder de Deus pelos quais ele é obtido”.15 Quando essa é uma parte real da fé e vida do homem, Deus verdadeiramente lhe responde na alegria do seu coração (20).
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 445.
Todos os seus dias, também ele come na escuridão - Mesmo seus prazeres são amargurados pela incerteza. Ele teme por seus produtos, a possibilidade de ser privado delas enche o coração de angústia. Mas em vez de (yochel), "comerá", (yelech)", ele deve andar", é a leitura de vários MSS. Ele anda na escuridão - ele não tem provas de salvação. Não há nenhum raio de luz de Deus para penetrar a escuridão, e toda a vida além é escuridão impenetrável!
E ira com a sua doença - Suas últimas horas são terríveis, pois, “Contando com longos anos de prazer aqui, ele está bastante mobiliado para o mundo vindouro. “Blair.
Ele é cheio de angústia no pensamento de morte, mas o medo dela é horrível. Mas se ele tem um senso da ira de Deus em sua consciência culpada, que horror pode ser comparado com o seu horror!
Eis o que eu vi - Este é o resultado de minhas observações e experiência. Deus dá a cada homem, no curso de sua providência, as necessidades da vida, e é sua vontade que ele felizmente usá-los.
Pois é a sua parte - O que é necessário para ele no mundo inferior, sem elas a vida não pode subsistir, e bênçãos terrenas é realmente a parte do seu corpo e da vida animal, como a salvação de Deus é a porção de sua alma.
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
IV - ADMINISTRANDO BEM O TEMPO
1. Evitando a falsa sabedoria e o hedonismo.
Buscar o conhecimento tem sido o alvo do homem através dos séculos. Salomão também se empreendeu nessa busca (Ec 1.17,18). A conclusão é clara: quem aumenta o conhecimento aumenta a consciência do mundo a seu redor e com isso um sentimento de impotência por não poder melhorar a natureza das coisas. A busca do conhecimento como um objeto de realização pessoal conduz à frustração. E um falso saber.
Da mesma forma a busca do prazer em si, configura-se simplesmente uma prática hedonista (Ec 2.1-3). Pode ser a busca de satisfação no álcool, drogas, sexo, etc. Tudo terminará com um sentimento de vazio e frustração. Quem beber dessa água tornará a ter sede” (Jo 4.13)
Lembro-me de um velho obreiro que pastoreou a igreja de Altos, Piauí há muitos anos. Era um pastor simples, quase analfabeto. Mas era um homem sábio. Havia naquela cidade uma jovem, não convertida ao evangelho e que pertencia à alta sociedade. Gabava- se de ser muito culta. Possuía muito conhecimento, mas não era sábia. Ela resolveu então experimentar o velho pastor. Fez-lhe então uma pergunta, achando que iria deixá-lo embaraçado.
— O senhor conhece quantas línguas?
— Pelos menos umas cinco — respondeu o velho pastor.
Admirada com a resposta, a jovem interpelou:
— Como assim?
— Conheço língua de gente, língua de porco, língua cavalo, língua de ovelha e língua de vaca — respondeu o sábio homem.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 112.
HEDONISMO
Esboço:
I. Definição
II. Hedonismo Histórico dos Gregos
III. O Hedonismo na História da Filosofia
IV. Crítica
I. Definição
Essa palavra vem do grego, hedone, «prazer», «deleite», «aprazimento». O hedonismo assevera que o principal ou mesmo único alvo da vida humana é a obtenção do prazer, paralelamente à tentativa de evitar a dor ou o sofrimento. Alguns hedonistas, como os filósofos gregos Aristipo e os cirenaicos, afirmavam que o prazer é o único bem que realmente existe. No campo da ética, o hedonismo, com frequência, é associado a uma grosseira auto-indulgência e aos 'interesses próprios, de modo extremamente egoísta. Porém, há manipulações da definição do hedonismo que o fazem indicar coisas que a linguagem comum não antecipa. Por exemplo, um homem que não quer matar ninguém, é chamado para ser um soldado. Ele vai à guerra, e ali mata alguém, porquanto a desgraça de não servir à sua pátria seria ainda pior do que não matar. Disso, alguns hedonistas tiram a conclusão de que ir à guerra e matar é uma espécie de prazer, visto que evita a dor de cair em opróbrio. O indivíduo que fica convencido da filosofia hedonista, através de tais manipulações, pode chamar de «prazer» a qualquer ato humano que vise à busca do prazer. Para exemplificar, poderíamos dizer que procurar cumprir o próprio dever é um prazer, mesmo que os atos envolvidos, por definição humana ordinária, sejam desagradáveis. Mas, ao assim asseverar, já estamos usando o vocábulo «prazer» em um sentido incomum. A felicidade também tem sido definida em termos da obtenção do prazer.
ll. Hedonismo Histórico dos Gregos
Para evitar repetições desnecessárias, solicito que o leitor examine o artigo geral sopre a Ética, em seu quarto ponto, Os Movimentos Éticos; e também em seu segundo ponto, O Hedonismo. Ali exponho uma discussão sobre Aristipo e sobre os cirenaicos. Há vários tipos de hedonismo, conforme se vê abaixo: O hedonismo positivo, que preconiza a busca aberta e franca pelo prazer, de acordo com a sabedoria, algumas vezes definido como auto-interesse.
A inteligência nos serviria de guia na busca pelo prazer, ao mesmo tempo que nos ajuda a evitar a dor. Os melhores prazeres são assim selecionados, e devemos pagar o preço necessário para consegui-los. Também há o hedonismo astucioso: o homem bom aprende a conseguir o que lhe dá prazer, escapando do castigo que seus atos mereçam. Assim, um crime só seria crime se fosse descoberto. Também há o hedonismo negativo: apesar do prazer ser o único valor levado em conta, trata-se de um valor falso, visto que o cumprimento do prazer somente leva a um ciclo vicioso, já que a busca pelos prazeres termina, finalmente, em frustração. Destarte, o pessimismo mistura-se com o hedonismo. O epicurismo é uma forma suavizada, intelectual de hedonismo, que busca eliminar, principalmente, os desejos, em vez de procurar satisfazê-los, além de enfatizar o aspecto mental, e não os prazeres físicos.
O artigo intitulado Escolas Éticas do Novo Testamento, fornece comentários bastante pormenorizados sobre o Epicurismo.
III O Hedonismo Da História da Filosofia
Além da variedade clássica do hedonismo, devemos considerar os pontos abaixo, porquanto nos são interessantes:
1. O hedonismo cristão. O cristianismo muito tem a dizer sobre o prazer, apresentando-o como um dos principais alvos da existência humana. O próprio céu é descrito em termos de prazer e de ausência de sofrimento e dor. Ver Apo. 21:2-4. Ver também sobre Vala. Erasmo (vide) cristianizou Epicuro, referindo-se ao princípio do prazer, que ele postulava, em termos cristãos. Ao princípio do prazer, o cristianismo adiciona certas virtudes típicas, como a fé, a esperança e o amor. A felicidade eterna é definida em termos da obtenção do prazer espiritual. A imortalidade também foi descrita por Erasmo em termos de coisas que valorizamos nesta vida. E a vida cristã, desde agora mesmo, oferece-nos muitos prazeres, porquanto o maior de todos os prazeres é o bem-estar espiritual. Essa discussão, como é natural, reveste-se de seus devidos valores; mas torna-se ridícula quando assume um ar totalmente hedonista, como se o único bem fosse alguma forma de prazer, e como se evitar a dor e o sofrimento sempre fosse alguma virtude.
2. Thomas More (vide) ensinava um epicurismo utópico, onde todos os prazeres poderiam ser abundantemente cumpridos, ao mesmo tempo em que toda a dor poderia ser evitada. Para ele, o summum bonum da vida humana, na verdade, seria o prazer. Ele advogava um comunismo platônico (embora com a preservação da unidade da família), como a melhor maneira de se chegar à sua utopia. Ele apresentava diante dos homens os prazeres naturais da vida como alvos a serem atingidos, ao mesmo tempo em que se deveriam evitar os prazeres desnaturais, como a busca desenfreada pelas riquezas e a elevada posição social. Além disso, ele pensava em prazeres eternos, que fazem parte da existência da alma imortal. Os homens que atingissem esses prazeres, segundo ele, seriam felizes.
3. Hobbes (vide) promovia um hedonismo materialista, onde todos os prazeres e sofrimentos deveriam ser interpretados em termos deste mundo físico e do homem mortal, que vive dentro desse mundo.
4. Os utilitaristas, como Jeremy Bentham (vide) e John Stuart Mill (vide), ensinavam que o alvo da existência humana é o maior beneficio e prazer, para o maior número de pessoas, pelo tempo mais longo possível. Para eles, o prazer conduz à felicidade. Mais tarde, na vida, Bentham teve de acrescentar a simpatia ou amor ao seu sistema, como um poderoso fator motivador, visto ter percebido que seu utilitarismo não é adequado para o homem, em todos os seus complexos aspectos.
S. A psicologia behaviorista é um tipo materialista de hedonismo, segundo o qual o homem é ensinado a buscar aquelas coisas que visam o auto-interesse" de conformidade com o principio do prazer, ao mesmo tempo em que toda a dor deveria ser evitada.
6. O hedonismo psicológico assevera que o homem, na realidade, tem apenas um motivo e um alvo: ele sempre age e deve agir de acordo com o seu desejo de obter prazeres.
7. O hedonismo ético egoísta ensina que os homens sempre agirão impulsionados por seus interesses pessoais, motivados pelo principio do prazer.
8. O hedonismo altruísta requer que os atos individuais levem em consideração o prazer do grupo inteiro, e não apenas o de algum individuo isolado. O hedonismo ético universal apega-se a esse principio altruísta, tal como o faz o sistema do utilitarismo (vide). Cada individuo deveria agir de tal maneira que trouxesse o máximo de prazer ao maior número possível de pessoas, pelo tempo mais longo possível. A felicidade residiria no verdadeiro prazer.
IV. Crítica
1. A própria definição ampla que alguns hedonistas dão ao hedonismo, fazendo-o abranger todas as eventualidades, e assim definindo qualquer motivação legitima do homem como se fosse parte do principio do prazer, é um uso incomum e falso do vocábulo «hedonismo».
2. O principio do prazer, na realidade, faz parte da inquirição espiritual e da promessa da imortalidade. Mas isso não pode ser interpretado em termos materialistas crassos. Além disso, jamais pode permanecer como a única diretriz para os homens seguirem. Devemos levar em conta, igualmente, o amor, o qual, com frequência, leva a algum sacrifício desagradável, e não ao prazer. Nem sempre o dever importa em prazer. Dizer-se que uma coisa pode ser prazerosa, quando comparada com outra coisa, que ainda é mais desagradável, é distorcer o uso comum da linguagem.
3. As formas mais crassas de hedonismo, todas elas materialistas, devem ser totalmente rejeitadas como coisas típicas de uma baixa mentalidade espiritual. As descobertas do misticismo (vide), bem como da fé religiosa, conforme ela aparece na revelação bíblica, militam contra a redução do homem a um uivei animalesco.
4. A felicidade envolve mais fatores do que apenas o prazer. O cumprimento da lei do amor, o cumprimento dos deveres, o progresso espiritual, até mesmo em meio à adversidade, bem como o desenvolvimento espiritual, mesmo que através do julgamento, também são fatores que contribuem para a felicidade final do homem. A própria dor é boa, quando resulta no bem; e o bem não é, necessariamente, um prazer. (E EP F H P)
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 64-65.
Ec 1.17 — Não é a sabedoria que Salomão julga absurda, mas sim a busca por mais sabedoria (Ec 2.15) e por tornar-se demasiadamente sábio (Ec 7.16).
Ec 1.18 — Na muita sabedoria, há muito enfado. Apesar das vantagens provenientes da sabedoria, Salomão confessa que sabedoria e conhecimento demais são fonte de dor, tristeza e aflição. Sabe-se bem que o próprio processo de aprendizado apenas expande a consciência de nossa ignorância. Para os mortais, aumentar a sabedoria pode ser apenas aumentar a dor (Ec 12.12).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 993.
Ec 2.1 — O pregador emprega o recurso literário de conversar consigo próprio para descrever o processo de pensamento. Depois do teste da sabedoria, é proposto um novo teste: o da alegria e do prazer.
Ec 2.2 — Salomão rotula o riso de doido, mas até mesmo os aspectos mais duradouros da alegria fazem Salomão se perguntar se realmente alcançou algo concreto. Conforme ele escreveu em Provérbios 14-13, até no riso terá dor o coração, e o fim da alegria é tristeza.
Ec 2.3 — Como me daria ao vinho [...] regendo, porém, o meu coração com sabedoria. Neste fragmento, o teste é uma tentativa de balancear o excesso com o aprendizado.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 993-994.
Jo 4.13-15 - Muitas funções espirituais se assemelham às funções físicas. Nosso corpo sente fome e sede; o mesmo ocorre à nossa alma. A diferença é que a nossa alma precisa de comida e bebida espiritual. A mulher confundiu os dois tipos de água. Talvez porque ninguém lhe tivesse falado sobre a fome e a sede espirituais.
Não pensamos em privar o nosso corpo de comida e água quando este sente fome ou sede. Por que então privaríamos a nossa alma? A Palavra viva. Jesus Cristo, e a Palavra escrita, a Bíblia Sagrada, podem satisfazer a nossa alma faminta e sedenta.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1422.
(A explicação da água viva: V. 11) Respondeu-lhe ela: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? 12) És tu, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu e, bem assim, seus filhos e seu gado? 13) Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; 14) aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, para sempre; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. 15) Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscá-la. O Senhor havia atingido seu primeiro alvo. Havia despertado a curiosidade da mulher. Agora podia ter a esperança de resgatá-la. A dignidade da sua fala e do seu comportamento levaram-na a dirigir-se a ele como Senhor. Mas sua resposta revelou que ela era muito cética quanto à capacidade dele para realizar o que prometera. Não possuía qualquer recipiente com que pudesse tirar água, e a cisterna ou fonte era funda demais para se conseguir água sem o emprego dum recipiente.
Por isso, como podia ele produzir água, e água vida, a qual, além de tudo, é água duma fonte? A mulher, por isso, entendeu as palavras de Jesus no sentido de se referirem só à água física e terrena. Seu raciocínio é que, se Jesus lhe podia dar água viva neste lugar, então ele devia ser maior e mais poderoso do que Jacó, ao qual os samaritanos, por terem sangue israelita, consideravam seu antepassado. Jacó lhes fizera muito, quando providenciou esta fonte, da qual ele próprio bebera, bem como seus filhos e seu gado. Se Jesus podia dar aos samaritanos uma água melhor do que a dessa fonte, então ele precisava ser um homem maior e mais poderoso. A compreensão da mulher era totalmente carnal. Por isso Jesus tenta abrir-lhe o entendimento por meio duma explanação. Cada pessoa que bebeu da água dessa fonte, esse novamente tornou a ter sede. A sede física duma pessoa pode ser saciada por pouco tempo com um pouco dágua. Mas a água a que ele se refere não é a que se bebe com a boca. Ela é de tal natureza, que para sempre acalma a sede peculiar de alguém. Uma tal pessoa jamais por toda a eternidade será incomodada por nova sede. Pois a água que ele se propõe a dar se tornará naquele, que dela bebe, uma fonte de água que borbulha para a vida eterna. Este dom é a água viva que tem o poder de produzir vida e persistir em borbulhar com vida e força, produzindo deste modo diariamente nova força, capacitando a pessoa de alcançar a vida eterna. Com esta água é satisfeitos para sempre toda a sede, todo o desejo e anseio das pessoas. Pois ela é a salvação que há nele, que ele trouxe e proclamou. Só esta pode satisfazer plenamente o coração. A salvação que Cristo concede essa opera uma vida nova e espiritual, e esta vida é realizada e completada totalmente na eternidade. O objetivo do Senhor, de despertar o interesse e estimular o desejo por esta água tão maravilhosa, fora bem sucedido, ainda que a mulher ainda não entendesse a que ele se referia. Sua única preocupação é, que ela seja poupada da preocupação de cada dia vir até aqui e tirar água, e então carregá-la tão longe para casa. Atraíram-na as duas qualidades da água do Senhor: o fato que ela aplaca a sede para sempre; e o fato que ela borbulhar sempre de novo e não precisa ser tirada.
KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento Volume 2. Editora Concordia Publishing House.
2. Evitando a falsa prosperidade e o ativismo.
Em Eclesiastes 2.4-11, Salomão desilude quem quer buscar nos bens terrenos a razão para uma vida satisfeita. A falsa prosperidade se revela na corrida desenfreada para acumular riquezas; para alcançar altas posições no inundo político, civil e eclesiástico; na busca por notoriedade e fama. Tudo isso, conclui o Sábio, é correr atrás do vendo.
No livro de minha autoria: A Prosperidade a Luz da Bíblia, citei Zygmunt Bauman. Em seu livro Vida para Consumo — a transformação das pessoas em mercadoria, esse sociólogo polonês, escreveu:
Na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria, e pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e recarregar de maneira perpétua as capacidades esperadas e exigidas de uma mercadoria vendável. A subjetividade’ do “sujeito”, e a maior parte daquilo que essa subjetividade possibilita ao sujeito atingir, concentra-se num esforço sem fim para ela própria se tornar, e permanecer, uma mercadoria vendável. A característica mais proeminente da sociedade de consumidores — ainda que cuidadosamente disfarçada e encoberta — é a transformação dos consumidores em mercadorias; ou antes, sua dissolução no mar de mercadorias em que, para citar aquela que talvez seja a mais citada entre as muitas sugestões citáveis de Georg Simmel, os diferentes significados das coisas, e portanto, as próprias coisas, são vivenciados como imateriais’, aparecendo ‘num tom uniformemente monótono e cinzento’ — enquanto tudo ‘flutua com igual gravidade específica na corrente constante do dinheiro’. A tarefa dos consumidores, e o principal motivo que os estimula a se engajar numa incessante atividade de consumo, é sair dessa invisibilidade e imaterialidade cinza e monótona, destacando-se da massa de objetos indistinguíveis que flutuam com igual gravidade específica e assim captar o olhar dos consumidores [...] Ser ‘famoso’ não significa nada mais (mas também nada menos!) do que aparecer nas primeiras páginas de milhares de revistas e em milhões de telas, ser visto, notado, comentado e, portanto, presumivelmente desejado por muitos — assim como sapatos, saias ou acessórios exibidos nas revistas luxuosas e nas telas de TV, e por isso vistos, notados, comentados, desejados.
Por outro lado, não menos danoso é a imersão total em um ativismo impiedoso ao qual muitos chamam de trabalho (Ec 2.17-23). Isso também é correr atrás do vento. O verdadeiro trabalho que nos realiza e produz satisfação não é aquele que nos desumaniza, transformando-nos em escravos, mas aquele onde ele é meio e não fim. Deus deve ser a razão do nosso labor diário.
Vimos que há um tempo para todas as coisas! E mais, esse tempo é extremamente precioso para não ser bem aproveitado! Por conta da transitoriedade da nossa existência, devemos saber usar bem o tempo quando buscamos o conhecimento; o lazer; uma vida próspera ou quando nos aplicamos no labor diário. Nunca devemos nos esquecer de que somente Deus é eterno e que somente Ele merece ser o centro de nossa busca.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 112-114.
ATIVISMO
O ativismo extremo seria uma vida dedicada à ação e à volição, sem consideração pelo conhecimento ou pela contemplação como diretrizes. O quietismo extremo advogaria a cessação de toda volição e desejo. Em uma possível aplicação ética. teríamos, em um lado, intelectuais de torre de marfim, cujo único propósito seria a busca pelo conhecimento, sem prestação de qualquer serviço ou trabalho. Por outro lado, teríamos os obcecados pela ação, com pouca preocupação com a contemplação e a intelectualidade. O misticismo extremo é a cessação de toda a volição e busca pela absorção em Deus, podendo representar o quietismo. (H)
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 372.
Ec 2.4-6 — Edifiquei para mim casas. Salomão trabalhou 13 anos construindo a casa do rei (1 Rs 9.10); depois, edificou a casa do bosque do Líbano (1 Rs 10.17) e outra casa para sua esposa, a filha do Faraó (1 Rs 9.24). Ele também fortificou as cidades de Hazor, Megido, Gezer, Bete-Horom, Baalate e Tadmor (1 Rs 9.15,17,18). Além disso, o interesse de Salomão pelo mundo natural (a criação de Deus), expresso pelos termos vinhas, hortas e jardins, era prodigioso (1 Rs 4.33).
Ec 2.7,8 — A conservação dos diversos prédios e jardins do rei devia exigir uma verdadeira multidão de servos. As riquezas de Salomão, prata, e ouro, e joias de reis e das províncias, eram inatingíveis pelos reis da antiguidade (1 Rs 10.14-29).
Quanto ao termo instrumentos de música, concernente às aquisições de Salomão, seu sentido em hebraico assim traduzido tem sido objeto de debates há tempos. Uma carta egípcia encontrada em Amarna contém esta palavra em acádio como explicação de uma palavra egípcia que significa concubina.
Ec 2.9,10 — E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhos neguei. Salomão tinha total capacidade de realizar todo e qualquer desejo seu. O trabalho que desempenhou foi a causa de seu coração ter se alegrado. A palavra em destaque é uma das preferidas do pregador e aparece em Eclesiastes pela terceira vez. No livro todo, é citada em torno de 31 vezes.
Ec 2.11 — No final de sua intensa busca por posses e experiências, Salomão concluiu que tudo era vaidade, ou vapor, uma aflição de espírito. Mesmo tendo feito e experimentado tantas coisas, ainda assim havia uma sensação de que nada duradouro tinha sido alcançado.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 994.
Ec 2.17-19 — Tal aversão pela vida é surpreendente, uma vez que a vida só é encontrada pelo que encontra a sabedoria, segundo Provérbios 3.16 e 8.35. Contudo, a insatisfação do escritor de Eclesiastes estava ligada à natureza fugaz de todas as coisas (Ec 1.2), incluindo as coisas boas; para ele, não passavam de aflição de espírito (Ec 1.14).
Ec 2.20 — Todo trabalho em que trabalhei. Isto poderia referir-se a todo trabalho realizado pelo autor ou, o que é mais provável, aos “ganhos” que tivera com ele.
Ec 2.21 — O substantivo destreza só se encontra em Eclesiastes (Ec 2.21; 4-4) e refere-se àquele que é perito em um ofício, o qual deixará o resultado de seu trabalho a um homem que não teve parte nele. Esta situação é caracterizada como grande enfado. O termo enfado costuma conotar um mal moral; nesta passagem, porém, pode significar calamidade ou ruína. Observa-se, então, que uma sensação de tristeza perpassa esta parte do livro, pois concluímos que nada do que obtemos nesta vida pode ser levado para a eternidade.
Ec 2.23 — O termo sua ocupação é o mesmo que sua tarefa.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 994-995.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Nenhum comentário:

Postar um comentário