Google+ Followers

Seguidores do Blog

7° LIÇÃO 4 TRI 2013 CONTRAPONDO A ARROGÂNCIA COM A HUMILDADE


CONTRAPONDO A ARROGÂNCIA COM A HUMILDADE
Data 17 de Novembro de 2013                HINOS SUGERIDOS 244, 289, 337.
TEXTO ÁUREO
“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda’’(Pv 16.18).

VERDADE PRATICA
A humildade é uma virtude que deve ser zelosamente cultivada, pois a arrogância leva à destruição e à morte eterna.
LEITURA DIÁRIA
Segunda         - Pv 11.2                  A humildade afasta a soberba
Terça             - Pv 16.5                  Deus abomina os soberbos
Quarta           - Pv 16.18                 A soberba precede a queda
Quinta            - Pv 22.4                  A humildade será galardoada
Sexta             - Pv 14.31                Deus honra quem socorre os humildes
Sábado          - Pv 3.34; Tg 4.6      Deus resiste ao soberbo, mas dá graça aos humildes
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Provérbios 8.13-21
13 - 0 temor do Senhor é aborrecer o mal; a soberba, e a arrogância, e o mau caminho, e a boca perversa aborreço.
14 - Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria; eu sou o entendimento, minha é a fortaleza.
15 - Por mim, reinam os reis, e os príncipes ordenam justiça.
16 - Por mim governam os príncipes e os nobres; sim, todos os juízes da terra.
17 - Eu amo os que me amam, e os que de madrugada me buscam me acharão.
18 - Riquezas e honra estão comigo; sim, riquezas duráveis e justiça.
19 - Melhor é o meu fruto do que o ouro, sim, do que o ouro refinado; e as minhas novidades, melhores do que a prata escolhida.
20 - Faço andar pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juízo.
21 - Para fazer herdar bens permanentes aos que me amam e encher os seus tesouros.
INTERAÇÃO
A epístola do apóstolo Paulo aos filipenses descreve o despojamento do Senhor Jesus. Leia e medite no texto de Filipenses 2.4-8. Imagine, o Deus Todo-Poderoso humilhando-se e sujeitando-se à morte de cruz. E nós, seres humanos imperfeitos, quantos vezes nos exaltamos com coisas banais?
A lição desta semana convida-nos a ter o mesmo sentimento de Jesus. A mesma disposição em despojar-nos de nós mesmos. Somente pela prática da humildade poderemos contrapor o veneno da arrogância.
OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
Dissertar sobre a relação entre a humildade e a arrogância.
Explicar os contrastes ilustrativos: o sábio e o insensato; o justo e o injusto; o rico e o pobre; o príncipe e o escravo.
Cultivar a virtude da humildade e rejeitar a arrogância.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, reproduza na lousa, o quadro da página seguinte. Para introduzir a lição desta semana inicie a aula com a seguinte pergunta: “Que atitudes humanas refletem a humildade e a arrogância?” Ouça os alunos com atenção. À medida que forem falando preencha as colunas. Em seguida, afirme que o Evangelho nos desafia a viver um estilo de vida humilde. Por isso, devemos tomar uma firme resolução de rejeitar as atitudes que caracterizam a arrogância e cultivar as virtudes da humildade. Esta atividade permitirá uma participação ativa do aluno e a sua aprendizagem será eficaz.
PALAVRA-CHAVE Humildade: Qualidade de humilde. Virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A humildade, a honra e a coragem são a base do bom relacionamento entre as pessoas. Mas a arrogância, a desonra e a covardia são a causa de inimizades e conflitos. Nesta lição, veremos a relação entre a humildade e a arrogância à luz de alguns contrastes bastante didáticos e ilustrativos: o sábio e o insensato, o justo e o injusto, o rico e o pobre, o príncipe e o escravo.
Em qual grupo você se encontra? É hora de aplicarmos à nossa vida as preciosas lições do livro de Provérbios.
I - O SÁBIO VERSUS O INSENSATO
1. Sabedoria e humildade. A sabedoria é entendida como a aplicação correta do conhecimento em nosso dia a dia. Em Provérbios, ela é vista como um antídoto contra a arrogância. Daí a insistência do sábio em que se busque adquirir a sabedoria (Pv 16.16). A sabedoria retratada em Provérbios demonstra ser eficaz contra a arrogância e a soberba, pois quem é sábio age com humildade (Pv 1 1.2).
Em o Novo Testamento, o apóstolo Paulo sabia dessa verdade e, por isso, orou para que o Senhor concedesse aos crentes '“espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1.1 7).
2. Insensatez, arrogância e altivez. Na visão de Provérbios, o arrogante é uma pessoa insensata e desprovida de qualquer lucidez e bom senso. Verdadeiramente, o arrogante está pronto a fazer o mal, pois age com soberba e altivez (Pv 6.1 8). É uma pessoa inexperiente, sem domínio próprio (Pv 25.28), ingênuo (Pv 27.1 2), sem bom-senso (Pv 27.7) e que se comporta como um animal ou um bêbado (Pv 26.3,9).
Por isso, o insensato não pode ser designado para um serviço (Pv 26.6,10). Ele é fanfarrão, preguiçoso e incorrigível (Pv 25.14; 26.1 1,1 3-26; 27.22). Sua presença é um perigo, pois além de falso e maldizente é ignorante (Pv 26.18- 22). Ele não age com a razão e não sabe controlar a própria vontade, sendo, portanto, uma abominação para o Senhor (Pv 1 6.5),
SINOPSE DO TÓPICO (1)
O que caracteriza o sábio é a sua atitude de humildade e sensatez; mas o insensato é altivo e arrogante, desprovido de qualquer lucidez e bom senso.
II - O JUSTO VERSUS O INJUSTO
1. Justiça e humildade. Em Provérbios, a humildade e a justiça são inseparáveis. Ali, o princípio de vida proposto pelo sábio é simples: quem é justo deve agir com humildade, quem é humilde deve agir com justiça. Salomão, ainda bem jovem, pediu humildemente sabedoria a Deus para governar Israel com justiça (1 Rs 3.7-10). Ele queria que a justiça alcançasse todo o seu reino (Pv 1.1-3).
A pessoa humilde e justa sabe que a justiça vem diretamente de Deus (Pv 29.26). Por isso, ela deve ser amorosa e sabiamente exercitada.
2. Injustiça e arrogância. A insensatez e a arrogância são categorias morais que aparecem associadas à prática da injustiça. Nenhum arrogante agirá com humildade e tampouco o injusto procederá com justiça. O arrogante possui uma escala de valores distorcida e não se dá conta dos malefícios das suas ações. O pior é que ele não possui humildade para reconhecer o fato.
A palavra hebraica para “arrogante” é gabahh, que significa orgulhoso, alto e exaltado. Por outro lado, o termo hebraico traduzido como “humildade” vem da raiz de um vocábulo que significa afligir, oprimir e humilhar. Na prática, a Bíblia nos mostra que quem se sente acima dos outros pode ser tentado a| pisá-los, oprimi-los e humilhá-los, e essas são atitudes impensáveis para um servo de Deus.
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Segundo o livro dos Provérbios, do justo se espera justiça e humildade, mas do injusto, injustiça e arrogância.
III - O RICO VERSUS O POBRE
1. Riqueza e arrogância. Uma primeira leitura de Provérbios deixa claro que Deus condena tanto a riqueza adquirida por meios injustos, como a pobreza gerada pela preguiça. Por isso, a riqueza pode ser fruto da justiça, e a pobreza, às vezes, resultado da indolência e do ócio (Pv 28.1 9,20; 29.3). Ninguém, portanto, deve ser elogiado meramente por ser pobre nem tampouco estigmatizado por ser rico.
Salomão, contudo, sabe que os muitos bens do rico podem levá-lo à prepotência e à arrogância (Pv 1 8.23).
2. Pobreza e humildade. Devemos considerar, também, que "há um tipo de pobreza que é resultado de um determinado contexto sócio-histórico (Pv 28.6). Em Provérbios é evidente que os sábios demonstram uma preferência pelo pobre. Este, mesmo não tendo uma vida econômica confortável, age com integridade e justiça (Pv 28.11). Tal pobre é identificado como sábio, pois ele sabe que os valores divinos são melhores que as riquezas (Pv 22.1; 23.5).
SINOPSE DO TÓPICO (3)
Uma leitura de Provérbios deixa claro que Deus condena tanto a riqueza adquirida por meios injustos, quanto à pobreza gerada pela preguiça.
IV - O PRÍNCIPE VERSUS O ESCRAVO
1. Realeza: arrogância e humildade. Quando o livro de Provérbios foi escrito, a nação de Israel era uma monarquia. Nesta, a figura do rei recebe destaque especial. Em Israel, isso não seria diferente. Salomão era rei e sabia que, para governar, precisava da sabedoria divina, a fim de discernir entre o bem e o mal (1 Rs 3.1-10). A sabedoria (Pv 17.7) e a sobriedade (Pv 31.4) são elementos indispensáveis ao rei para exercer a justiça e promover o bem-estar social de seu povo (Pv 29.4).
O governante que teme a Deus dará mais atenção ao pobre e ao humilde. Agindo assim, será abençoado perpetuamente (Pv 29.14). Mas o que não teme ao Senhor procederá arrogante e perversamente (Pv 29.2).
2. Escravidão: humildade e realeza. A verdade de Provérbios 17.2 se cumpriu quando Jeroboão, servo de Salomão, tornou-se príncipe das dez tribos do Norte de Israel (1 Rs 12.16- 25). Mas um sentido metafórico e interessante para destacarmos nesse texto é que as pessoas provenientes de uma condição humilde, quando agem com prudência, sobressaem-se aos arrogantes. Os que, porém, desprezam a humildade, quando chegam ao topo agem como os soberbos.
Um ditado popular descreve isso com precisão: "Dê poder ao homem e você saberá o seu verdadeiro caráter”. Tudo é uma questão de princípios, de atitudes e de caráter. Para que este se forme no indivíduo não depende da sua classe social, mas dos valores que lhe são germinados desde a mais tenra idade. Tudo é uma questão de princípios e de atitudes!
Que o pobre, ao tornar-se rico, não se esqueça de sua origem. Os seus valores lhe dirão o que ele se tornará: uma pessoa arrogante e egoísta ou alguém compassivo e generoso.
SINOPSE DO TÓPICO (4)
A monarquia caracteriza-se pela prepotência e a exuberância do seu reino. Mas o governante que teme ao Senhor dará maior atenção ao pobre e ao humilde.
CONCLUSÃO
Na presente lição, vimos os contrastes entre o sábio e o insensato, entre o justo e o injusto, entre o rico e o pobre e entre o príncipe e o escravo. Estudamos também que a humildade ou a arrogância distinguirão uma pessoa da outra.
A Bíblia nos orienta a cultivarmos a virtude da humildade e a rejeitarmos a arrogância, pois “Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes” (Tg 4.6).
VOCABULÁRIO
Versus: Contra; em comparação com; em relação a; alternativamente a.
Estigmatizado: Que ou aquele que se estigmatizou; marcado ou cicatrizado de uma ferida. Sócio-Histórico: Relativo aos fatos ou circunstâncias sociais que fazem a história de uma sociedade.
Audazes: Quem realiza ações difíceis, afronta obstáculos e situações difíceis.
Exuberância: Fartura ou superabundância.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Vida Cristã “Humildade
Os humildes não reivindicam autoridade absoluta. Não fingem ter uma sabedoria perfeita. A palavra humildade deriva da palavra latina humus, que significa ‘solo’ e ‘terra’. Os atos de humildade não soam com as palavras ‘eu tenho’. Sua música começa com ‘eu venho do pó’. Tanto em meio à crise quanto à bonança, a maneira como agem proclama ‘eu sou limitado. Não possuo todo o conhecimento, toda a força, todas as habilidades e nunca possuirei’. Tenham eles lido as Escrituras profundamente ou não, eles conhecem em seus corações a sabedoria que se encontra nelas [...].
Agir com humildade não é de modo algum intimidar-se ou esquivar-se. Na verdade, quando se tem de lidar com questões difíceis, os humildes sempre se tornam os mais audazes. Conhecendo suas limitações, eles ficam livres de qualquer necessidade de fingir ser mais do que na verdade são. Conhecendo seu lugar em relação àquele que conhece a todos, eles se abrem a Deus e aos outros de um jeito que o orgulho jamais permitiria. Eles possuem uma forma de liderança que brota de raízes completamente diferentes das que alimentam o ‘eu tenho’. Sua liderança é nova e revigorante” (DOUGHTY, Steve. Vivendo Com Integridade: Liderança espiritual em tempos de crise. l. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp.60-61).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Vida Cristã
“Você Tem Sede de Poder?
Quem são os sedentos de poder? Como saberemos se essas tendências estão adormecidas em nossos corações, esperando apenas a oportunidade certa para subir à superfície?
Certos traços são comuns à maioria das pessoas que aspiram ao poder. Essas características estão bem escondidas sob um manto de engano. Assim fica difícil identificá-las, até que a ânsia pelo poder tenha afetado negativamente sua vítima.
Algumas destas se aplicam a você?
Você deixa de falar quando algo está errado, a fim de proteger sua posição.
Você sempre reluta em tomar posição num caso cujo resultado não seja proveitoso para sua pessoa.
Você tem a consciência embotada quanto a algumas coisas que estão certas ou erradas? Está sempre tão certo de que tem razão, que jamais lhe ocorre ser errado o seu silêncio.
[...] Temos ordem para não deixar de fazer o que sabemos ser o certo. Devemos levar a sério o mal que outros fazem ao rebanho da humanidade. Precisamos alertar as pessoas com cautela. E esperar humildemente sermos lembrados das nossas palavras ao vermos os erros alheios [...].
Você tem um espírito altivo.
Arrogância, poder e mentira andam de mãos dadas. Eles pertencem à mesma gangue e protegem o seu território mediante o engano.
Você não tem de prestar contas a ninguém. Seu lema é: ‘Se parecer bom para você, faça!’ Contanto que obtenha o que quer, é isso que importa.
Você mente ou faz o que é necessário para conservar sua posição de poder.
Sei por experiência pessoal e pela observação de outros que, na busca pelo poder, estamos dispostos a pagar qualquer preço. Quando você tem sede de poder - e pensa nele - começa então a manipular situações e pessoas em sua mente" (DORTCH, Richard W. Orgulho Fatal: Um ousado desafio a este mundo faminto de poder. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, pp. 59,61,63,64).
EXERCÍCIOS
1. Segundo a lição, como a sabedoria é vista no livro de Provérbios?
R: Como um antídoto contra a arrogância.
2. Quem é o arrogante na visão do livro de Provérbios?
R: O arrogante é uma pessoa insensata e desprovida de qualquer lucidez e bom senso.
3. Qual o princípio de vida proposto pelo sábio?
R: Quem é justo deve agir com humildade, quem é humilde deve agir com justiça.
4. Como os Provérbios condenam a “riqueza” e a “pobreza"?
R: Deus condena tanto a riqueza adquirida por meios injustos, como a pobreza gerada pela preguiça.
5. De acordo com a lição, a quem um governante temente a Deus dará mais atenção em seu governo?
R: Ao pobre e ao humilde.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
DORTCH, Richard W. Orgulho Fatal: Um ousado desafio a este mundo faminto de poder. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1 996. GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A Plenitude de Cristo na vida do crente. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 56, p.39.
Contrapondo a Arrogância com a Humildade.
Muitos ainda confundem humildade com a falta de bens e recursos materiais. Porém, humildade não tem nada a ver com os bens materiais que uma pessoa possui. Ser humilde é ser consciente das fraquezas, falhas, erros, imperfeições. Humildade também não é complexo de inferioridade. Muitos não têm uma auto- estima saudável e acabam adoecendo e confundido humildade com baixa autoestima. Quando uma pessoa não tem uma visão correta de si mesma, ela corre o perigo de desenvolver um complexo de inferioridade ou de se tornar uma pessoa altiva, arrogante, soberba. Deus pode e quer curar a forma como nos vemos.
A humildade nas Sagradas Escrituras está associada a uma atitude mental de que tudo que temos ou somos vem do Senhor. O apóstolo Pedro exorta-nos a que venhamos nos revestir de humildade (1 Pe 5.5). O livro de Provérbios exorta-nos a trilhar o caminho da humildade (Pv 15.33; 18.12; 22.4). Jesus, enquanto homem perfeito, é nosso maior exemplo de humildade (Mt 11.29). O Mestre não apenas falou, ensinou a respeito do assunto. Ele deu uma lição prática aos discípulos e a nós a respeito do que é ser humilde (Jo 13.3-16). Outra importante passagem cristológica que trata do assunto em o Novo Testamento é encontrada em Filipenses 2.5-11.
A soberba é o antônimo da humildade, e segundo o livro de Provérbios a arrogância evidencia a insensatez de uma pessoa. O temor ao Senhor é o princípio da sabedoria (Pv 1.7), logo quem teme a Deus aborrece o mal; a soberba e a arrogância (Pv 8.13). O temor ao Senhor é um antídoto contra o mal (Pv 16.6). Sem o reverente temor, nos tornamos vulneráveis ao mal, ao pecado.
A soberba não somente desagrada a Deus, mas ela destrói nossos relacionamentos e a nós mesmos. Salomão já era rei quando reconheceu que sem Deus não teria condição de governar o seu povo com justiça. Ele num gesto de humildade pede a Deus sabedoria, pois reconheceu suas limitações. O soberbo não consegue reconhecer suas deficiências.
Atualmente falamos muito a respeito de aviva- mento. Realmente precisamos de um, porém uma das condições para experimentarmos um avivamento genuíno é a humilhação. Isso mesmo. Observe o que nos diz 2 Crônicas 7.14: "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face [...].
Que tenhamos consciência de que Deus resiste e continuará resistindo aos soberbos (Tg 4.6). Todavia, o Pai Celeste dá e dará graças àqueles que têm o coração quebrantado e contrito, que se chega a Ele com humildade.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
No livro de minha autoria, Por que Caem os Valentes?, escrevi sobre as fontes da moralidade ocidental. Destaquei que esse fundamento se firma em um desses tripés: Deus, a natureza ou o homem. A construção da moralidade ocidental, portanto, oscila entre aquilo que é relativo e o que é absoluto. Muitos filósofos não pouparam nem tinta nem papel para discorrer sobre esse assunto. O mais impetuoso deles foi Friedrich Nietzsche.'
Na sua análise sobre os valores, Nietzsche atacou duramente os pensadores gregos Sócrates e Platão, acusando-os de “domesticar” o ser humano por meio de princípios morais. Para ele, antes desses dois pensadores, o homem primitivo não seguia a normas morais inventadas, mas agia de acordo com seus instintos. Prevalecia então o que ele denominava de “vontade de potência”. Nietzsche, para ilustrar o seu pensamento, recorreu a dois personagens da mitologia grega — os deuses Apoio e Dionísio. Na mitologia grega, Dionísio é a imagem da força instintiva, é a fonte dos prazeres e da paixão sensual. Por outro lado, Apoio é o deus da moderação, aquilo que faz as coisas seguirem o seu equilíbrio. Para ele, o que Sócrates e Platão fizeram foi “anular” o lado dionisíaco do homem, negando seus instintos e afirmando somente o seu lado racional. Essa “anulação” foi feita através de princípios morais ardilosamente inventados. Em seu famoso livro, A Genealogia da Moral, ele procura provar que todos os valores morais são criação do próprio homem. Nietzsche acusou também os cristãos de anular esse lado dionisíaco do homem, implantando aquilo que ele denominava de “moral de escravo”. Na sua fúria contra o cristianismo, esse pensador chegou a chamar o apóstolo Paulo de “o mais sanguinário dos apóstolos”. Mas o seu furor contra os valores morais cristãos está bem sintetizado nessa frase de sua autoria: “Sócrates foi um equívoco, toda a moral do aperfeiçoamento, inclusive a cristã, foi um equívoco”.
Por que essa análise sobre a construção do pensamento nietzschiano é importante quando estudamos a humildade no contexto dos Provérbios? Porque assim como a coragem é uma virtude, a humildade também o é. Se por um lado Nietzsche acaba por incentivar a arrogância, por outro lado Salomão exalta a humildade. “Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade” (Pv 18.12); “A soberba precede a ruína e a altivez
de espírito a queda” (Pv 16.18). Como podemos observar, não há espaço para a virtude da humildade dentro da filosofia nietzschiana. Em vez disso ele exalta a “vontade de potência”, como um valor a ser cultivado por todos que querem viver com autenticidade. Dentro desse modelo distorcido, a arrogância e não a humildade seria o alvo a ser alcançado.
Por natureza, o homem que não conhece a Deus é arrogante. A arrogância é uma marca distintiva da natureza humana não regenerada. Na história bíblica há o registro de vários aconteci mentos em que a arrogância, a prepotência e a presunção estão presentes na vida de homens sem Deus.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 79-81.
O RELATIVISMO MORAL E A QUEDA DOS VALENTES
"Não há nenhum relativista que goste de ser tratado relativamente."
Josh MacDowell
Séculos após séculos o padrão moral da civilização ocidental vem sofrendo corrosão. O impacto provocado por essa relatividade da cultura têm surtido um efeito devastador. A linha divisória entre o moral e o imoral é cada vez mais tênue. Sem padrões morais bem definidos, o valente está à mercê das investidas do Diabo. Ainda me lembro de que quando fazia faculdade de filosofia em uma Universidade Federal, tínhamos uma professora de história da filosofia que era uma verdadeira sumidade. Todos gostavam das suas aulas, ela se destacava dos demais professores graças a sua erudição. Certa vez, durante uma de suas aulas, exaltava o pensamento de determinado filósofo. Quando eu e outros colegas nos posicionamos contrariamente àquele pensamento, ela esbravejou: "Eu não aceito juízo de valores". Podíamos tudo, menos emitir uma ideia contrária ao pensamento daquele filósofo a quem ela fizera referência. Por quê? Por que tudo era relativo, não havia verdades absolutas, ninguém segundo ela podia dizer que estava com a verdade.
Afinal, não há um certo e um errado? É impossível falarmos de valores que norteiam a vida do cristão, sem nos referirmos a problematicidade da ética e da moral.
Mas o que é moral? Ou em palavras mais simples: o que é certo e o que é errado? É possível estabelecermos um padrão que distinga o certo do errado?
A discussão em torno dos problemas éticos e morais não é nova. Aristóteles escreveu um volumoso tratado em dez volumes denominado de "Ética a Nicômaco", no qual trata em minúcias dos problemas éticos. Todavia, muito tempo antes do filósofo grego, Hamurabi (século XVIII a. C.) deu ao mundo o seu famoso "Código de Hamurabi", um tratado sobre problemas éticos, jurídicos e morais. No Antigo Testamento, encontramos o Pentateuco, obra escrita pelo legislador hebreu Moisés, onde nos seus cinco livros encontra-se uma vasta explanação acerca de problemas éticos e morais.
Adolfo Sanchez Vazquez faz distinção entre ética e moral. Para esse filósofo mexicano, a ética "é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade", enquanto a moral "é um conjunto de normas, aceitas livre e conscientemente, que regulam o comportamento individual e social dos homens".
Pela definição de Vazquez, a moral seria aquilo que está no campo da prática — normas sociais que regulam o nosso dia-a-dia — e a ética, uma reflexão acerca dessa prática moral. Em palavras mais simples, a ética e a moral se complementam, enquanto uma (a moral) regula as nossas ações em sociedade, a outra (ética) reflete sobre o significado dessa ação.
Pois bem, tudo que falamos até aqui nos leva a um outro questionamento não menos importante: qual a origem da ética e da moral? Em outras palavras, qual a origem ou a causa dos nossos valores?
A Fonte da Moral
Ao longo da história, três fontes são dadas como originadoras do comportamento moral: Deus, a natureza e o homem.
Deus - Se Deus é a origem de nosso comportamento moral, isso significa dizer que nesse caso a moral é algo exterior ao homem, isto é, a moral não é criação humana, mas algo que lhe é dado. A moral baseada na divindade é uma moral revelada, que transcende ao próprio homem. Podemos denominá-la de moral vertical. 
Natureza - A crença de que o homem em nada difere das outras coisas criadas gerou uma moralidade horizontalizada. O instinto biológico seria então o agente regulador do comportamento moral humano. Com o advento do pós-modernismo, corrente filosófica que ganhou força a partir das décadas de 60 e 70, esse pensamento ficou em evidência. Para os holístas, o homem deve estar em perfeita harmonia com a natureza, afinal é um todo harmônico, dizem.
O homem - Nesse caso os valores morais são criação do próprio homem. É o homem quem estabelece os valores. Mais adiante neste trabalho, veremos como essa forma de pensar influenciou drasticamente o pensamento ocidental.
Valores Absolutos e Relativos
Definir o que é absoluto e o que é relativo tem sido um desafio, tanto para a teologia como para a filosofia.
Podemos dizer que um valor é absoluto quando ele vale para todos os povos, em todas as épocas e em todos os lugares; por outro lado o valor relativo seria o oposto disso. Um valor absoluto tem validação universal, enquanto aquilo que se é relativo não goza dessa prerrogativa. É contingente ou circunstancial.
Na Grécia antiga, surgiu uma escola filosófica denominada "A Sofistica" (os sábios). O seu principal expoente foi Protágoras de Abdera (490-410 a. C). Não há como negar que Protágoras é o pai do relativismo ocidental. Ele negava que houvesse valores absolutos e eternos. Segundo ele, todos os valores são humanos. É conhecida a frase atribuída a ele: "O homem é a medida de todas as coisas". E interessante conhecermos melhor o pensamento desse filósofo grego, para entendermos o que acontece hoje em nossa cultura no que diz respeito aos valores morais.
Giovanni Reale, famoso historiador da filosofia, comenta sobre Protágoras:
A proposta basilar do pensamento de Protágoras era o axioma: "O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são". Por medida, Protágoras entendia a "norma de juízo", enquanto por todas as coisas entendia todos os fatos e todas as experiências em geral. Tornando-se muito célebre, o axioma foi considerado — e efetivamente é — quase a magna carta do relativismo Ocidental. Com esse princípio, Protágoras pretendia negar a existência de um critério absoluto que discriminasse o verdadeiro e o falso.
O único critério é somente o homem, o homem individual: "Tal como cada coisa aparece para mim, tal ela é para mim; tal como aparece para ti, tal é para ti". Este vento que está soprando, por exemplo, é frio ou quente? Segundo o critério de Protágoras, a resposta é a seguinte: "Para quem está com frio, é frio; para quem não está, não é". Então, sendo assim, ninguém está no erro, mas todos estão com a verdade (a sua verdade).
A Genealogia da Moral
Esse relativismo radical de Protágoras influenciou muitos pensadores. O alemão Friedrich Nietzsch (1844 - 1900) absorveu profundamente a filosofia de Protágoras. Ele tornou-se um dos mais fortes inimigos da moral cristã. A sua filosofia influenciou e continua influenciando o mundo acadêmico.
Nietzsch atacou duramente os pensadores gregos Sócrates e Platão, acusando-os de "domesticar" o ser humano através de princípios morais. Para ele, antes desses dois pensadores, o homem primitivo não seguia a normas morais inventadas, mas agia de acordo com seus instintos. Prevalecia então o que ele denominava de "vontade de potência". Nietzsch, para ilustrar o seu pensamento recorreu a duas personagens da mitologia grega — os deuses Apoio e Dionísio. Na mitologia grega, Dionísio é a imagem da força instintiva, é a fonte dos prazeres e da paixão sensual. Por outro lado, Apoio é o deus da moderação, aquilo que faz as coisas seguirem o seu equilíbrio. Para ele, o que Sócrates e Platão fizeram foi "anular" o lado dionisíaco do homem, negando seus instintos e afirmando somente o seu lado racional. Essa "anulação" foi feita através de princípios morais ardilosamente inventados. Em seu famoso livro: A Genealogia da Moral, ele procura provar que todos os valores morais são criação do próprio homem.
Nietzsch acusou também os cristãos de anular esse lado dionisíaco do homem, implantando aquilo que ele denominava de "moral de escravo". Na sua fúria contra o cristianismo, esse pensador chegou a chamar o apóstolo Paulo de "o mais sanguinário dos apóstolos". Mas o seu furor contra os valores morais cristãos está bem sintetizado nessa frase de sua autoria: "Sócrates foi um equívoco, toda a moral do aperfeiçoamento, inclusive a cristã, foi um equívoco".
O Existencialismo e o Relativismo
Um outro pensador que influenciou grandemente a nossa cultura foi Jean, Paul Sartre (1905-1980). Sartre sofreu influências diretamente de Heidegger e indiretamente de Nietzsch. Sartre afirmou:
Se Deus não existisse, tudo seria permitido. Ai se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe, fica o homem, por conseguinte, abandonado, já que não encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegar [...] Se por outro lado Deus não existe, não encontramos diante de nós valores ou imposições ou desculpas [...] o existencialismo não pensará que o homem pode encontrar auxílio num sinal dado sobre a terra, e que o há de orientar, porque pensa que o homem o decifra mesmo esse sinal como lhe aprouver.
A moral sartriana não necessita de um ser transcendente, ela é construída a partir da existência do próprio homem.
A Fonte da Moral Cristã
Vemos, pois, que a problemática ético e moral está centrada naquilo que a fundamenta, ou seja, em sua origem. Foi Schopenhauer (1788-1860) quem disse: "Pregar a moral é fácil, fundamentar a moral é difícil".
Como vimos, quando Deus não é a fonte ou origem dos valores morais, nós não temos uma base sólida para fundamentá-la. Para nós cristãos, o alicerce de nossos valores morais está em Deus, não em um deus qualquer, mas no Deus que se revelou ao longo da história (Gn 12.1-3; Êx 3.1-12). Essa revelação está codificada na Bíblia Sagrada, nossa única regra de fé e prática. Para o Cristão, há sim um modelo ou paradigma para as questões morais - Deus.
Assim sendo, o cristão pode falar de valores universais e eternos. Ele não está sujeito ao relativismo moral, pois o Deus a quem ele serve é universal e eterno.
Josh MacDowell, pensador cristão contemporâneo, ilustra a questão da universalidade e eternidade dos valores em sua regra dos três "P" - preceito, principio e pessoa. Por trás de todo preceito bíblico, quer seja uma norma quer um mandamento, há um princípio, que por sua vez se fundamenta em uma pessoa, que é Deus. Nesse caso, para o cristão a norma moral "não adulterarás" tem valor absoluto (universal), pois esse preceito (norma) traz o princípio de que ninguém quer ser traído, e que esse princípio tem sua origem em um Deus fiel e que não tolera a infidelidade. Da mesma forma, a norma "não matarás" trás em si o princípio de que todos têm direito à vida, e a pessoa que a fundamenta — Deus — é o originador da vida. Esse princípio de universalidade dos valores morais foi um dos pilares da filosofia kantiana: "Age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer-te sempre como princípio de uma legislação universal".
Fica, pois, estabelecido que a origem dos valores morais para o cristão, bem como a sua fundamentação, está em Deus, e que a sua forma codificada é a Bíblia Sagrada.
Como se comportam aqueles que não têm um padrão que distinga o certo do errado? A filósofa Maria Lúcia de Arruda Aranha, ao falar dos "jeitinhos brasileiros", traz uma revelação interessante sobre o assunto:
Todo mundo já ouviu falar do "jeitinho brasileiro". Poder, não pode, mas sempre se dá um jeito... Muitos até chegam a achar que se trata de virtude a complacência com a qual as pessoas "fecham os olhos" para certas irregularidades e ainda favorecem outras tantas.
Certos "jeitinhos" parecem inocentes ou engraçados, e às vezes até são vistos como sinal de vivacidade e esperteza; por exemplo, quando se fura a fila do banco. Ou então pegar o filho na escola, que mal há em pararem fila dupla?
Outros "jeitinhos" não aparecem tão às claras, mas nem por isso são menos tolerados: notas fiscais com valor declarado acima do preço para o comprador levar sua comissão, compras sem emissão de nota fiscal para sonegar impostos, concorrências públicas com "cartas marcadas".
O que intriga nessa história toda é que as pessoas que estão sempre "dando um jeitinho" sabem, na maioria das vezes, que transgridem padrões de comportamento. Mas raciocinam como se isso fosse absolutamente normal, visto que é comum; só eu? e os outros? Todo mundo age assim, quem não fizer o mesmo é trouxa. Quem não gosta de levar vantagem em tudo?
É esse relativismo que enfraquece a vida espiritual de muitos valentes. Certo dia recebi em minha casa a visita de um amado irmão. A nossa amizade permitia-nos compartilhar nossas alegrias e tristezas. Pois bem, aquele irmão trazia em mãos uma folha de papel escrita, e pediu para que eu a lesse. Lendo-a, logo nas primeiras linhas percebi que se tratava de uma carta de amor, havia frases como: "Meu bem, eu te amo", "Não posso viver sem você", etc. Contou-me que uma jovem da sua igreja havia endereçando-lhe aquela carta. O mesmo filme de sempre — ele estava dando uma de "conselheiro" para aquela jovem. Após uma longa conversa, mostrando-lhe os perigos que ele estava correndo, aconselhei-o a tomar imediatamente uma decisão radical a respeito daquilo, peguei a carta e rasguei na sua frente. Disse-lhe que da mesma forma ele deveria tratar com aquela situação. Todavia, procurou relativizar o problema. Disse que não era tão grave como eu pensava, e que estava no controle da situação. Afinal, estava ajudando alguém. Estava equivocado. A última vez que o vi, estava afastado dos caminhos do Senhor.
Quando lemos as Escrituras somos informados do alto padrão moral exigido para os valentes de Deus. Paulo deixou isso bem claro na sua carta endereçada a Tito: "Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei: aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante, retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes"(1.5-9). Acredito que esse texto que o apóstolo escreveu a Tito é uma das mais belas exposições bíblicas acerca dos valores cristãos.
No versículo 5, Paulo usa a expressão: epidiorthosê que vem do verbo grego epidiorthoô, significando "colocar em linha reta, colocar em ordem, endireitar". Para Paulo, os valores que ele iria exigir daqueles que viessem a ser líderes tinham o poder de "endireitar, corrigir e colocar em linha reta". Lembramos que a palavra epidiorthoô é formada pela junção de três palavras gregas: epi, que é uma preposição significando "sobre, acima de"; dia, uma outra preposição significando "através de" e orthós cujo significado é "direito, correto" etc, esta última aparece em Atos 14.10, onde Paulo disse ao paralítico: "Levanta-te direito sobre teus pés" (grifo do autor). O verbo grego na sua forma composta tem seu significado intensificado. Em outras palavras, o propósito do apóstolo era que Tito seguisse as suas recomendações, e seguindo-as com certeza estava colocando os valentes de Deus em uma linha reta. Analisemos alguns desses valores:
v. 6. Anenklêtos - nossas Bíblias traduzem esta palavra como "irrepreensível". O clássico Dicionário do Novo Testamento Grego de Vine, assim define esta palavra:
Significa que não pode ser chamada a pedir contas, isto é, sem acusação alguma (como resultado de uma investigação pública), irrepreensível (1 Co 1.8; Co 1.22; Tt 3.10, 1.6,7). Implica não somente mera absolvição, mas a inexistência de qualquer tipo de acusação contra uma pessoa.
v. 7. Oikonomos - "mordomo, administrador da casa. A palavra enfatiza a tarefa a alguém e a responsabilidade envolvida. É uma metáfora extraída da vida contemporânea e retrata o administrador de uma casa ou estado."" Esta palavra deu origem a nossa palavra portuguesa "economia" e significa primeiramente o governo de uma família ou dos assuntos de uma família (oikos - uma casa, nomos - lei), isto é, o governo ou administração da propriedade dos outros, e por isso se usa de uma mordomia, Lc 16.2 [...] nas epístolas de Paulo, se aplica:
a) A responsabilidade que lhe foi confiada de pregar o evangelho (1 Co 9.17).
b) Da administração que lhe foi entregue para que anunciasse "cabalmente a palavra de Deus".
c) Em Efésios 1.10 se usa da disposição ou administração de Deus.
v. 7. Authade - não arrogante. "Obstinado em sua própria opinião, teimoso, arrogante, alguém que se recusa a obedecer a outras pessoas. E o homem que mantém obstinadamente a sua própria opinião, ou assevera seus próprios direitos e não leva em consideração os direitos, sentimentos e interesses de outras pessoas." Autocomplacente (autos, auto, e hêdomai, complacente), denota uma pessoa que, dominado pelo seu próprio interesse, e sem consideração alguma pelos demais, afirma arrogantemente sua própria vontade, "soberbo" (Tt 1.7); "contumaz" (2 Pe 2.10) o oposto de epiekês, amável, gentil (1 Tm 3.3), "um que supervaloriza de tal maneira qualquer determinação a que ele mesmo chegou no passado que não permitirá ser afastado dela".
v. 7. Orgilos - que não seja: irascível, inclinado à ira, de temperamento quente.15
v. 7. Pároinos - não dado ao vinho. Um adjetivo, literalmente, que tem seu entretenimento no vinho (para, en, oinos, vinho), dado ao vinho [...], é provável que tenha o sentido secundário, dos efeitos da embriaguez, isto é, um ébrio.lb
v. 7. Pléktês - não violento. Briguento, espancador. A palavra pode ser literal: "não pronto a bater em seu oponente".
v. 7. Aischrokerdés - não cobiçoso. Alguém que lucra desonestamente, adaptando o ensinamento aos ouvintes a fim de ganhar dinheiro deles [...], refere-se ao engajamento em negócios escusos. Este vocábulo é formado por duas palavras gregas: aischros (vergonhoso) e kerdos (ganância).
v. 8. Philóksenos - amor aos estranhos, hospitaleiro.
v. 8. Philágathos - amigo do bem, amante do que é bom. Denota devoção a tudo o que é excelente.
v. 8. Sóphrona - sóbrio. Denota mente sã (sozo - salvar, phren - a mente); daí, com domínio próprio, sóbrio, se traduz "sóbrio" em Tito 1.8 (a Reina - Valera traduz como "temperado"); em Ti to 3.2, significa "prudente".
v. 8. Díkaion - justo, aquele que age com justiça.
v. 8. Hósios - devoto, santo. Significa religiosamente reto, santo, em oposição ao que é torto ou contaminado. Está comumente associada a retidão. Refere-se a Deus em Apocalipse 15.4; 16.5 [...] Em Tm 2.8 e Tt 1.8 se utiliza do caráter do cristão, na Septuaginta hósios é frequentemente tradução da palavra hebraica hasid, que varia entre os significados de "santo" e "mi-sericordioso".
v. 8. Enkratê - que tenha domínio de si. A Bíblia de Jerusalém traduz como "disciplinado". Significa também "autocontrole, completo autodomínio, que controla todos os impulsos apaixonados e mantém a vontade leal à vontade de Deus". Denota ainda o "exercício do domínio próprio, alguém que é dono de si mesmo".
v. 9. Antechómenon - apegado a, firme aplicação. Na voz média significa "manter-se firmemente ao lado de uma pessoa". Paulo usa o termo associando ao líder que é apegado à Palavra de Deus.
Para nós cristãos, a fronteira entre a verdade e o erro está bem demarcada. Há sim um padrão divino que estabelece a diferença entre o certo e o errado. Os valentes de Deus devem ter isso bem definido em suas mentes. Agindo de acordo com o modelo divino exposto na Palavra de Deus, o valente não irá ter problemas com o relativismo moral.
GONÇALVES, José,. Por que caem os valentes? Uma análise bíblica e teológica acerca do fracasso ministerial. Editora CPAD.
I - O SÁBIO VERSUS O INSENSATO
1. Sabedoria e humildade.
SABEDORIA (destreza, habilidade, consequentemente: criterioso, usando razão habilmente', inteligência ampla e cheia e entendimento. Estas são de longe as palavras mais comuns na Bíblia a serem traduzidas pelo termo “sabedoria”, embora existam outros termos de ocorrência menos frequente traduzidos também como “sabedoria”: em hebraico, discernimento', prudente;  conselho ou entendimento).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 5. pag. 276.
TERMOS RELATIVOS AOS TIPOS DE SABEDORIA
I. Chokmah (também transliterado como hokmah): habilidade ou destreza na arte (Exo. 28.3; 31.6, et ai.); habilidade mais elevada de raciocínio, prudência, inteligência (Deu.4.6; 34:9; Pro. 10.1, et ai.).
2. Sakal, ser prudente, circunspecto (l Sam. 18.30;Jó 22.2, et al)o
3. Tushiyah, retidão, bom conselho e compreensão (Já 11.6; 12.16; Pro. 3.21, etal.).
4. Binah, compreensão, introspeção, inteligência (Pro. 4.7; 5.5; 39.26; Deu. 4.6; I Crô. 12.32; Dan. 1.20; 9.22; 10.1, et ai.).
5. Sophia (no Novo Testamento), palavra geral para todos os tipos de sabedoria, divina e humana (Luc. 1.17; 11.31,49; Atos 6.3,1O;,Rom. 11.31;I Cor. 1.17,19;Efé. 1.8,17;Tia. 1.5; 3.13,15, 17; II Ped. 3.15;Apo. 5.12; 13.18; 17.9,etal.).
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 5.
HUMILDADE. Apenas na fé bíblica a humildade é tida como uma virtude, as outras religiões relacionam a humildade à falta de honra e não a reconhecem como virtude. Filósofos, com exceção daqueles claramente influenciados pela tradição judaico-cristã, ou ignoram essa virtude ou a depreciam. Assim Aristóteles, na hábil sistematização da sabedoria pré-cristã, A Ética Nicomaquéia, exalta uma magnânima auto-suficiência que é justamente o contrário. Séculos depois Friedrich Nietzsche condena a humildade como parte inseparável de uma moralidade pervertida, a qual a transformação cristã de valores faz com que indivíduos inferiores como Paulo, com ressentimento, metamorfoseiem sua baixeza e fraqueza, exaltando a condição servil ao ápice da excelência. A humildade, portanto, é atacada por Nietzsche como uma negação da genuína humanidade que seria personificada no anticristão e aristocrático Super-homem.
Dentro da estrutura do teísmo revelacional, contudo, a humildade é de fato uma virtude, a atitude apropriada da criatura humana para com seu divino Criador. É o reconhecimento espontâneo da dependência absoluta da criatura em relação ao seu Criador; um reconhecimento de bom grado, não hipócrita, do abismo que separa o Ser que existe por si só do ser absolutamente contingente, a “infinita diferença qualitativa entre Deus e o homem” postulada por Kierkegaard. E a postura de ajoelhar-se em respeito e gratidão, ciente de que a existência é um dom da graça, inescrutável misericórdia que, tendo chamado uma pessoa para fora do não-ser, sustenta-a a todo instante para que ela não caia de volta na inexistência. A humildade, assim, é explicada pela confissão de Abraão de que ele não é mais do que “pó e cinzas” (Gn 18.27). É explicada novamente pela veemente lembrança de Paulo aos orgulhosos coríntios de que a posição do homem diante de Deus é necessariamente a posição de alguém que recebe, a de um mendigo cujas mãos estão vazias até que a benevolência divina as encha (ICo 4.6,7).
Além do mais, dentro da estrutura teísta, a humildade é a reação completamente correta de uma criatura culpada na presença de seu Criador santo. E o reconhecimento por parte do pecador de que sua irredutível insuficiência, enquanto criatura finita, tem sido, apesar disso, incomensuravelmente diminuída pela rebelião contra seu Criador. No AT é o grito do jovem profeta quando vê o Senhor: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros” (Is 6.5). No NT é a honesta autodepreciarão do apóstolo quando se dá conta de sua teimosa desobediência em relação à verdade (ICo 15:9; Ef 3.8; lTm 1.15). Humildade é o corolário lógico da consciência do pecado. Apesar de sua dignidade, contudo, seu inestimável valor como imago dei, o homem como um agente finito de rebelião é, na verdade, “pó e cinzas”.
Segue-se disso que a humildade é a essência da piedade do AT. Um tema frequente no livro de Provérbios (3.34; 11.2; 15.33; 16.19; 25:7), ela é exemplificada por Abraão (Gn 32.10); por Moisés, que proeminentemente “era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3); por Saul no início de sua carreira (ISm 9.21); e por Salomão cujo conhecimento de si mesmo motivou sua sincera auto humilhação (IRs 3.7). Como um fundamento da piedade, essa virtude é expressa de forma clássica em Miqueias 6.8, “o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?” Assim o Rabino Joshua ben Levi estava simplesmente resumindo o AT quando, ao discutir o mérito comparativo de várias graças, ele insistiu: “A humildade é a maior de todas, pois está escrito, ‘O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados’ (Is 61.1). Não foi dito ‘aos santos, mas ‘aos humildes’, de onde aprendes que a humildade é a maior de todas” (citado por Morton Scott Enslin, The Ethics of Paul [1930], 249).
A humildade é, da mesma forma, a essência da piedade do NT. Como poderia ser de outra maneira tendo-se em vista o próprio exemplo de Cristo? Como Paulo apresenta na maior de todas as passagens sinóticas, o Salvador “a si mesmo se humilhou”, abandonando voluntariamente seu status divino, renunciando sua beatitude e dignidade para viver como homem no mais baixo nível de pobreza e obscuridade, no devido tempo descendo aos níveis mais profundos de ignomínia e agonia (Fp 2.5-8). No agape de dar-se a si mesmo está a antítese e a contradição de todo eras narcisista. Além disso, o caráter de Jesus não exibiu nem um pouco de orgulho ou arrogância. Apesar de inabalavelmente corajoso e, às vezes, severamente sincero, ele era “manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Assim, seus ensinos acerca da pobreza de espírito não tinham nenhuma associação hipócrita (Mt 5.3). Em vez de aceitar a glória, ele dava testemunho da dependência total de seu Pai como fonte de sua própria sabedoria e poder; em vez de apegar-se à glória, ele atribuía toda glória a seu Pai (Jo 5.19; 6.38; 7.16; 8.28,50; 14.10,24). Quando se inclinou para lavar os pés de seus discípulos, Jesus não estava se entregando a uma representação de ostentação teatral; pelo contrário, estava simbolizando com perfeita integridade todo o significado e mensagem de seu ministério. Nesse ato o motivo fundamental de sua pessoa e obra abre caminho, o motivo que atinge seu ápice na cruz.
Consequentemente, uma vez que a imitatio Christi é o imperativo do NT, a vida de todo discípulo fiel deve ser uma vida de humildade. Preocupado em exaltar o Salvador, assim como o Salvador estava preocupado em exaltar o Pai, o discípulo declara, como aquele que batizou o Salvador: “E necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). O discípulo dá as costas para a posição social, para a segurança e ao sucesso, pedindo apenas uma oportunidade para servir, ainda que modestamente (Mt 23.8,10; Mc 10.3545). Gloriando-se apenas na cruz (G1 6.14), ele luta para alcançar uma avaliação apropriada de si mesmo, não irrealisticamente esvaziada nem egoisticamente concebida (Rm 12.3). Ele se propõe seriamente a fazer da atitude de Jesus seu princípio controlador da vida, quer em relação a Deus quer em relação a seus irmãos (Rm 12.10; Tg 4.10; I Pe 5.5,6). Em resumo, o discípulo fiel trava uma batalha contínua contra o orgulho, o qual é a raiz do pecado, aquele egoísmo que dá origem ao egocentrismo, à auto exaltação, à obstinação, à presunção, à autoconfiança, à glorificação pessoal e, portanto, à decepção com seu último fruto de frustração e desespero (Rm 10.2). Na medida em que ele se mantém vencendo a batalha contra o orgulho e a presunção, ele amadurece naquela santidade que floresce apenas no solo da humildade.
Essa virtude pode ser grosseiramente mal interpretada. Falando claramente, portanto, a humildade bíblica não é o conceito oposto que utiliza o disfarce da humildade. E aquela atitude que resulta em uma avaliação pessoal destemidamente honesta, uma auto avaliação que nem diminui as realizações pessoais nem aumenta as falhas de ninguém. A humildade não é o masoquismo sutil que se deleita em sua própria humilhação. Não é aquela covardia que protege o indivíduo por meio de um servilismo ultrajante. Não é, além do mais, uma virtude puramente particular. É o produto daquele teocentrismo radical que agradecidamente reconhece a soberana concessão de dons por Deus e sua soberana capacitação para o serviço; isso elimina, assim, a arrogância que destrói a comunidade. Completamente desprovida de arrogância, a humildade, portanto, regozija-se com Maria, “Porque me fez grandes coisas o Poderoso; e Santo é o seu nome” (Lc 1.49).
Agostinho, portanto, estava certo. O segredo da santidade é, como ele deu uma ênfase tríplice, “Humildade! Humildade! Humildade!” Ou nas palavras penetrantes de Kenneth Kirk: “Sem humildade não pode haver serviço digno do termo; o serviço protetor é autodestrutivo — pode ser o maior dos desserviços. Portanto, para servir seus companheiros — para evitar causar-lhes dano maior do que o bem a que se propusera fazer — um homem deve encontrar um lugar para a adoração em sua vida.... Se procurarmos fazer o bem com alguma esperança segura de que virá a ser o bem e não o mal, devemos agir com espírito de humildade; apenas a adoração pode nos tomar humildes” {The Vision of God [1931], pág. 449).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 3. pag. 156-158.
Pv 11.2 Em vindo a soberba, sobrevêm a desonra. O orgulho é inerentemente associado à vergonha, porquanto envolve o indivíduo em atos altivos, deprimentes e, algumas vezes, até violentos. Sua antítese é a humildade, um dos aspectos da sabedoria. Quanto a outros versículos no livro de Provérbios que exaltam a humildade mas condenam o orgulho, ver Pro. 13.10; 15.33; 16.18,19; 18.22; 22.4. Ver no Dicionário os verbetes denominados Orgulho e Humildade quanto a detalhes e referências bíblicas. Aristóteles fazia da humildade um dos vícios de deficiência, mas tanto o Antigo como o Novo Testamento a encaram como virtude positiva.
Com os humildes está a sabedoria. “Humildes" é tradução do vocábulo hebraico çanua, encontrado somente aqui e em Miq. 6.8, em forma verbal, “andai humildemente” na presença de Deus. Deve fazer parte do caminho da vida, parte integrante do Andar (ver a respeito no Dicionário).
O orgulho (olhos altivos) é uma das sete coisas que Deus odeia (Pro. 6.17). A palavra hebraica para orgulho é zadon, que significa, literalmente, “ferver”, ou então zid, “cozinhar” (ver Gên. 25.29). Os arrogantes fervem em sua auto importância e gostam de perseguir homens menores. Mas os humildes é que, eventualmente, serão exaltados (ver Luc. 14.11). O arrogante Nabucodonosor teve o reino tirado de suas mãos (ver Dan. 4.30,31).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2591.
11.2 — Muitos provérbios comparam o arrogante ao humilde, assim como podemos ver aqui. A palavra soberba em hebraico provém de uma raiz que significa ferver; refere-se a uma arrogância ou insolência exagerada. Esta imagem é da postura presunçosa ou arrogante da pessoa sem Deus. Esta postura conduz sempre à afronta.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 959.
Ef 1.17 « ...espírito de sabedoria...» Isso poderia significar «o Espírito de sabedoria», referindo-se ao Espírito Santo. No entanto, no original grego, a palavra «espírito» não é acompanhada pelo artigo definido, o que esperaríamos como provável, se o Espírito de Deus estivesse em foco. Nem sempre essa ausência do artigo, porém, significa algo, pois a sua presença não faz o termo «espírito» significar, necessariamente, no grego, o Espírito divino. No original grego, essa palavra nunca aparece grafada com inicial maiúscula; e assim não temos meios de distinguir se está em foco o Espírito Santo, ou um espírito ou atitude qualquer, segundo se verifica na maioria dos idiomas modernos. Mas, como é óbvio, não há maneira de alguém adquirir a sabedoria divina não sendo através da influência do Espírito de Deus, o que também fica subentendido por toda esta oração que pede que os elevados alvos da vida cristã sejam atingidos por meio dele. Finalmente, se é o espírito humano que está aqui em foco, então é esse alto elemento da personalidade humana que está em vista aqui.
A tradução «...um espírito de sabedoria...», conforme dizem alguns, dá a ideia de uma simples «disposição» ou «inclinação» para a sabedoria. Mas isso fica muito aquém do sentido verdadeiro dessas palavras. Outrossim, deve significar mais do que um mero «espírito acolhedor» uma «disposição íntima», o desejo de entrar mais profundamente nos mistérios de Deus, que são a sua «sabedoria». O sentido essencial dessas palavras, pois, deve ser o «espírito humano», a porção espiritual do homem, iluminada pelo Espírito Santo, a fim de poder participar da sabedoria divina, e assim ser capaz de compreender a grandiosidade do chamamento e da esperança que temos em Cristo.
O espirito humano iluminado, pois, será possuidor da sabedoria divina.
(Com isso pode-se comparar o oitavo versículo deste capítulo, onde a mesma sabedoria é vista como a base de todo o «mistério» da vontade de Deus, que é a restauração de tudo, a unidade universal em Cristo. Ver as notas expositivas ali existentes sobre o significado da «sabedoria»). Esse entendimento espiritual sobre as questões fundamentais, sobre seus sentidos e subentendidos, bem como sobre os alvos futuros, nos é conferido através do Espírito de Deus, fazendo parte da presença habitadora de Deus entre os homens, porquanto tal sabedoria jamais poderá ser fruto da erudição ou intelectualidade humana. A sabedoria sempre ensina aos homens qual a «exigência divina» sobre a vida, mostrando que ela deve ser, por fim, totalmente entregue às mãos de Deus, porquanto nenhum outro destino é digno da vida. Assim, pois, a sabedoria humana e mundana, que tende por desperdiçar a vida em algo que é muitíssimo inferior, é repreendida aqui. A sabedoria autêntica ensina-nos que Deus não é apenas a fonte, mas é igualmente o alvo de tudo. O «conhecimento» de Deus é o alvo especial e precípuo dessa sabedoria; mas esse conhecimento diz respeito àquilo que se aplica a nós, àquilo que nos transforma, conforme as exigências impostas sobre as nossas almas.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 545-546.
Pede espírito de sabedoria. A palavra que usa para sabedoria é sofia: já sabemos que sofia é a sabedoria das coisas profundas de Deus. Paulo roga que a Igreja possa aprofundar cada vez mais no conhecimento das verdades eternas. Para que isto aconteça na igreja se requerem certas condições.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Efésios. pag. 38.
Ef 1.16,17 - Paulo orou para que os efésios conhecessem melhor a Cristo. Jesus é o nosso modelo. E quanto mais soubermos a seu respeito mais nos tornaremos semelhantes a Ele. Estude sobre a vida de Jesus através dos Evangelhos para saber como Ele era em sua vida terrena há quase dois mil anos. Conhecer pessoalmente a Cristo mudará a sua vida.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1646.
2. Insensatez, arrogância e altivez.
Em Provérbios 11.2, lemos: “Em vindo a soberba, sobrevêm a desonra, mas com os humildes está a sabedoria”. Matthew Henry comentando Provérbios 11.2, destaca:
O orgulho é uma vergonha para o homem, o qual foi formado do pó da terra, vive de esmola, já que depende de Deus em tudo e, com o orgulho perde o direito de possuir tudo o que tem. O altivo se faz a si mesmo depreciável; é um pecado porque Deus, com muita frequência, abate os homens ao nível mais baixo, como fez com Nabucodonosor e Elerodes, cuja vergonha veio imediatamente depois de sua vanglória. Assim como o orgulho é necedade, pois, acaba em desonra, com os humildes está a sabedoria. O vocábulo hebraico para “humilde” só ocorre aqui e em Miqueias 6.8, porção sublime.
Por outro lado, “o orgulhoso”, observa Derek Kidner, “é colocado entre os piores pecadores em Provérbios, sendo o primeiro na lista das “sete abominações” em 6.17, e sua condenação é garantida com a do adúltero (6.29), o qual faz juramento falso (19.5), e outros pecadores dos mais destacados, embora ele possa “dar graças a Deus” por não se assemelhar a eles (...) o mal especial do orgulhoso e que se opõe aos primeiros princípios da sabedoria (o temor do Senhor e os dois grande mandamentos. O orgulhoso, portanto, está mal consigo mesmo (8.36), com seu próximo (13.10) e com o Senhor (16.5). Por isso, a ruína pode chegar, apropriadamente, de qualquer direção”.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 85.
Pv 25.28 Como cidade derribada, que não tem muros. Este versículo elogia o autocontrole. O sentido aqui é, essencialmente, o oposto de Pro. 16.32. Cf. também Pro. 14.29 quanto a outras ideias. A primeira vitória de que uma pessoa precisa é sobre si mesmo. Ver no Dicionário o artigo chamado Autocontrole. Ver Pro. 16.32 quanto a um poema ilustrativo e citações sobre a questão. O homem que não controla a si mesmo é como uma cidade exposta a todo o tipo de ataque, porquanto não tem defesas, o que já é uma ideia da segunda linha, sinônima. Cf. Pro. 29.11.
“O autocontrole caracterizado pela oração e pela vigilância é o muro da cidade. Devemos cuidar para que não haja nenhuma brecha nesse muro, causada pela auto dependência e indolência espiritual” (Fausset, in toe).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2668.
Como cidade derribada que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio (v. 28). Não são muitas as pessoas a quem se pode aplicar esta sabedoria, isto é, pessoas que não se dominam a si mesmas. Tais pessoas não podem dominar os outros, não podem governar o povo.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Pv 27.12 O prudente vê o mal e esconde-se. Um homem prudente pode ver a aproximação do perigo, e isso resulta de tipos específicos de atos. Vendo a aproximação do perigo, ele se esconde e, assim, escapa. Talvez esta linha tenha um tom moral: ele vê os perigos produzidos pelo pecado. Pro. 22.3 é virtualmente igual, e o leitor deve examinar ali as notas expositivas. A segunda linha também é igual a Pro. 22.3b. O homem bom avança pela estrada correta, porque parte de ser bom consiste em antecipar as consequências dos atos e das situações. Já o homem mau trilha o caminho ruim, porquanto ou não vê os efeitos adversos do que está fazendo, ou então pensa que, através de algum ato emergencial, pode evitar os maus efeitos de seus atos.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2674.
Pv 2712 São ensinos análogos e que os homens de Ezequias repetiriam, por acharem interessantes os seus ensinos. O homem prudente afasta-se do mal, mas o tolo mete-se nele. Ficar por fiador é fato que Provérbios condena sem misericórdia; e tomar por penhor aquele que se obriga à mulher estranha é ensino que a gente não entende.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Pv 27.7 A alma farta pisa o favo de mel. Se um homem comeu muito e está de barriga cheia, ficará doente ao pensar em comer coisas tão deliciosas como o mel. E chegará a odiar as coisas que ordinariamente ama.
Antítese. Um homem faminto estará ansioso por comer até mesmo coisas amargas que satisfaçam sua fome. “A fome é o melhor tempero” (Charles Fritsch, in loc.). “O versículo pode estar ensinando que a atitude de alguém para com as possessões materiais é influenciada por quanto esse alguém possui. Os que têm muito não apreciam ou não valorizam um presente tanto como os que têm pouco” (Sid S. Fritsch, in loc.). Ou então o provérbio é apenas uma simples observação sobre certas coisas comuns na vida, sem intenção de encobrir um significado oculto ou moral.
Este versículo tem sido espiritualizado e cristianizado para falar na fome e na sede de justiça (ver Mat. 5.6), bem como no apreciar a boa mensagem do evangelho, que satisfaz a fome da alma destituída. Alguns, entretanto, abusam de seus privilégios espirituais, como foi o caso do filho pródigo (ver Luc. 15.23-32). Essas pessoas têm abundância de coisas boas, mas não as apreciam. Negligenciam os valores espirituais por estarem estragadas pelas oportunidades excessivas.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2673.
Pv 27.7 — Quem tem tudo não aprecia o que tem, enquanto que para a alma faminta tudo é gostoso.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 984.
Pv 27.7 O luxo e a indolência da riqueza deixam as melhores coisas sem sabor, enquanto a pessoa que trabalha pesado e passa fome encontra doçura em qualquer coisa amarga. Esse provérbio se aplica além da comida para as coisas em geral, que significam muito mais para os que têm pouco.
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 827.
Pv 26.3 O açoite é para o cavalo, o freio para o jumento. A essência deste provérbio é o fato de um insensato não poder ser controlado pela razão. Cf. Pro, 10.13 e
19.29. O cavalo precisa ser controlado por um rebenque, O jumento, o animal preferido para servir de montaria, não precisava ser açoitado, mas tinha de ser controlado pela brida. Nenhum desses dois animais faria o que o cavaleiro quisesse, não fosse algum mecanismo de controle. Não havia poder controlador dirigido pela razão, inerente nesses animais.
Sinônimo. Por semelhante modo, um insensato precisa ser controlado pela vara (punição física ou ameaça de tal punição), porquanto não se pode apelar para o seu intelecto (Cf. Pro. 10.13; 14.3 e 19.29). “A correção é tão apropriada a um tolo como o chicote é apropriado ao cavalo ou o freio ao jumento” (Adam Clarke, in loc.). O insensato é alguém que não foi capaz de estudar a lei de Moisés, ou então não quis mesmo estudá-la, e, afinal, não está em busca da sabedoria, pelo que também nunca muda. Você terá de aplicar sempre a torça para que ele faça o que é direito. As versões da Septuaginta, siríaca e árabe dizem “espora” em lugar de “freio”, mas isso não se recomenda como o texto original. Os insensatos são como feras brutas (ver Sal. 32.9; Judas 10). Meras palavras são gastas à toa com eles. Instruí-los é algo doloroso.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2668.
Pv 26.3 — O cavalo, bem como o jumento, precisa de algum mecanismo de controle para exercer alguma tarefa. Como o tolo não tem nenhuma motivação interior para nada, nem mesmo intelecto para ser dirigido pela razão, precisa também da vara [punição ou ameaça de punição] para fazer algo direito.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 983.
Pv 26.9 Como galho de espinhos na mão do bêbado. Um homem, no auge da bebedeira, perde temporariamente o controle. Ele se encaminha na direção de um arbusto espinhento e fere com espinhos sua mão. Desse modo, faz algo insensato que um homem sóbrio teria evitado. Um bêbado sofre danos por causa de sua loucura. Várias coisas têm sido imaginadas sobre esta porção do versículo, a saber: 1. O bêbado fica com um punhado de espinhos nas mãos, algo doloroso para ele. 2.0 homem apanha um arbusto de espinhos e o sacode, algo potencialmente doloroso para outras pessoas. 3. O bêbado, amortecido pela bebida alcoólica, não sente a dor causada pelos espinhos. Está insensível. 4. Esse homem é incapaz de tirar os espinhos das mãos. Provavelmente devemos pensar no primeiro ponto.
Sinônimo. Esses problemas “espinhosos”, ridículos e potencialmente maléficos como são, acompanham os homens quando um insensato alegadamente diz coisas sábias, ou declarações sábias, que, contudo, se tornam ridículas na boca do insensato. Cf. esta parte do versículo com II Ped. 3.16. Gussetius fez do espinho mencionado neste versículo um anzol, aumentando a dor envolvida na ilustração.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2669.
Pv 26.9 - Normalmente, quando ferimos nossa mão num espinho, ficamos alerta, a fim de descobrir outros espinhos e removê-los antes que nos firamos novamente. Porém, uma pessoa embriagada pode não sentir a dor do primeiro toque; e o espinho poderá penetrar em sua carne e causar maiores danos. Semelhantemente.
um tolo pode não sentir o perigo de uma palavra, uma ideologia ou atitude. E. em vez meditar cuidadosamente sobre o que foi dito, ele poderá aplicar a ideia na sua igreja, no seu trabalho, no seu casamento ou contra quem se rebelar. Da próxima vez que ficar surpreendido e disser "tal pessoa realmente deveria prestar atenção nisto” , pare e pergunte a si mesmo se isto também não se aplica a você.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 866.
Pv 26.6 Os pés corta, e o dano sofre. Quanto a provérbios sobre os mensageiros, ver Pro. 13.17, onde apresento a nota de sumário. Ver também sobre a palavra mensageiros, no Dicionário. Naqueles dias em que não havia comunicação de massa, o ofício de um mensageiro era muito importante e requeria fidelidade, prontidão e decisão. Jamais alguém empregaria um insensato como mensageiro.
Sinônimo. Os insensatos têm pés, mas não os usam corretamente ao transmitir mensagens. O homem que confia a um insensato esse mister metaforicamente corta os próprios pés. Pois aquele haverá de esquecer que sua mensagem deve ser entregue prontamente, sendo provável que a mensagem acabará nunca sendo entregue.
Sinônimo. Aquele que confia em um insensato acabará bebendo a violência. O negócio que ele quer conduzir falhará e criará hostilidade com o destinatário da mensagem. Talvez a mensagem diga respeito à conciliação em tempos de guerra, ou envolva animosidades pessoais que o remetente queria ver resolvidas. Haverá o envolvimento de asneiras que produzirão prejuízo, e não o bem que se esperava. Beber a violência significa “dano auto-imposto”. Cf. Jó 15.16 e Pro. 4.17. A má conduta do insensato ocasionará contendas, e delas certamente resultará alguma forma de dano.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2668-2669.
Os versos 6 e 7 dão outra doutrina. Não mandes mensagem por um tolo; quem faz isso é o mesmo que cortar os pés, pois as pernas do insensato são bambas; ele é coxo; não responde à missão. Os tolos devem ser deixados a sós. A palavra na boca do tolo é o mesmo que um coxo de pernas bambas. Comparações ferinas e até um tanto descaridosas, pois o insensato
não se fez a si mesmo, a não ser o que, assim sendo, pensa ser entendido. Então deve ser tratado como petulante. Pela sabedoria antiga, só os sábios podiam e tinham direitos na sociedade; talvez não seja este o fim desse ensinamento, mas, sim, o fato de os de menos capacidade não deverem ser guindados a postos de mando ou de ensino. Em tempo de eleições no Brasil, o que vemos muitas vezes são os menos capazes fazendo barulho para se elegerem.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Pv 26.10 Como um flecheiro que a todos fere. No original hebraico, este versículo é totalmente obscuro, pelo que provoca diferentes conjecturas sobre a intenção do autor sagrado. Considere o leitor estes pontos:
1. O grande Deus, que criou todas as coisas, recompensa tanto o insensato quanto o transgressor, segundo eles merecem (no dizer a King James Version).
2. Um arqueiro, se é insensato e não tem suficiente capacidade, fere a todos, sem distinguir entre amigos e inimigos. O mesmo acontece quando um homem contrata um insensato ou um beberrão para trabalhar para ele: dano e caos, no dizer da Revised Standard Version, da tradução da Imprensa Bíblica Brasileira e da Atualizada.
3. Ou então um mestre habilidoso em sua arte produz tudo por meio de sua sabedoria e previsão, em contraste com o homem que contrata um insensato para fazer algum trabalho, ou como alguém que contrata a outrem que está passando, tal qual um beberrão. O desastre será o resultado.
A segunda linha, que poderia ser um sinônimo (tudo dependendo de como a primeira linha for compreendida), é fácil: o mal e o caos resultarão para quem contrata um trabalhador que tanto é incapacitado quanto é inepto para o trabalho para o qual estiver sendo contratado.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2669.
O verso de três linhas do versículo 10 nos estimula a não abandonarmos antigos amigos da família: melhor é o vizinho perto do que o irmão longe.
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 408.
Pv 25.14 Como nuvens e ventos que não trazem chuva... Um homem ridículo qualquer se jacta de um presente que “ele vai dar”, mas que nunca dá. Diz o hebraico original, literalmente, “dom da falsidade”, que toma o lugar de um presente real. Esse homem não vive a lei do amor; não se mostra generoso; é um homem hipócrita e mesquinho, que faz promessas falsas. Ver no Dicionário o artigo chamado Liberalidade, Generosidade.
Sinônimo. Esse homem é como as nuvens lá em cima, a flutuar, encorajando as esperanças dos homens pela chuva necessária, mas nunca satisfaz, pois não chove. Os homens eram e continuam sendo totalmente dependentes de nuvens “produtoras” de chuvas. Se não chover, a vida cessa. A água pode ser diretamente obtida dos oceanos, mas eles também dependem da chuva para encher de novo os depósitos de água.
Estes homens são... nuvens sem água impelidas pelos ventos. (Judas 12)
O indivíduo instruído na lei será genuinamente generoso, amará ao próximo como a si mesmo, e será como uma nuvem que supre água abundante. O homem que é uma nuvem seca desobedece à lei e desconsidera as declarações da sabedoria.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2666.
O verso 14 diz respeito ao vangloriador, o sujeito que sempre se gaba dos seus feitos e das suas virtudes. O tal é como nuvens e ventos que não trazem chuvas. Só vento. Isso não interessa, pois vento sem chuva seca ainda mais a terra.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Pv 26.11 Como o cão que toma ao seu vômito. Algumas espécies caninas se em- panturram com muito alimento e então vomitam uma porção para os filhotes comerem. Sendo esse o caso, não é grande coisa que um cão coma o próprio vômito. Isso para nós é motivo de asco, mas é deleitoso para o cão, porquanto concorda com a sua natureza. II Ped. 2.22 cita este versículo e aplica-o aos apóstatas que retornam a seus pecados anteriores, depois de terem sido libertados por algum tempo.
Sinônimo. Um insensato parece-se com um cão. Talvez tenha períodos em que fica livre de sua insensatez, mas seguindo os ditames de sua natureza inerente (pois ele é um insensato!), nunca se reforma; nunca aprende. Volta sempre a praticar seus horrendos hábitos pecaminosos, os quais, para ele, são o seu bom vômito. Para os hebreus, o cão era um animal imundo, e outro tanto era considerado o insensato. Ver no Dicionário o artigo chamado Limpo e Imundo. Os textos falam da “sem-vergonhice do insensato pecaminoso, sua voracidade no pecado e a imundícia de seus pecados” (John Gill, in ioc.). Ver Êxo. 8.15 quanto a um exemplo bíblico dessa insensatez.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2669.
O verso 11 deve ser comparado com II Ped. 2:23 e ls. 19:14. O insensato que reafirma a sua tolice é como cão que volta ao seu vômito. A capacidade de ficar calado é próprio dos sábios. O insensato, porém, fala a tempo e fora dele. Esta doutrina deve ser aplicada a muitos oradores em nossas convenções, que de tudo falam e de tudo sabem e entendem. Já se tornaram motivo de troça.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
O preguiçoso era um tipo desprezível em Israel, e ao redor da sua preguiça giravam então diversos provérbios, como o do leão na rua, e, com pretexto de medo o preguiçoso ficava em casa, remexendo-se na cama ou no catre como a porta se move nos seus gonzos para lá e para cá e nunca sai do lugar. Ou então como quem mete a mão no prato, mas não tem coragem de a levar à boca (vv. 14 e 15). Todavia, o preguiçoso também tem suas opiniões, e é isso que diz o verso 16, pois se julga mais capaz do que sete homens que sabem o que dizem. A preguiça recebe no livro dos Provérbios a sua condenação, porque ela é a causa do atraso de muitos povos, que ficam de braços cruzados, à espera do que os outros fazem, de que os outros pesquem o peixe para eles comerem.
Se o preguiçoso é um elemento inútil na sociedade, o tratante é elemento perigoso. Dos dois, não temos escolha; nada queremos com qualquer deles. O intrometido em tudo se mete. Diz o verso 17: Quem se mete em questão alheia é o mesmo que pegar pelas orelhas o cão que passa. Muitos, que se metem a desapertar brigas, levam o pior, um tiro pela frente. Mas há um pior do que o que se intromete em questões dos outros: é o que faz mal ao seu próximo e diz: "foi por brincadeira". Tal pessoa é como um louco, que lança fogo e flechas e morte (vv. 18 e 19), pois ninguém deve prejudicar a outrem nem por brincadeira, pois não há cabimento para tal brincadeira. Rouba um porco ou um cabrito e diz: "Foi por brincadeira!" A moral do provérbio é bem clara: o ladrão pratica o roubo. Se for descoberto, sairá com esta: "Foi por brincadeira." Se não for descoberto, ficará com o roubo.
Sem lenha, o fogo se apaga; o sem maldizente (mexeriqueiro), cessa a contenda (v. 20). Tipo repulsivo é esse, que anda de casa em casa, ateando fogo em desentendimentos antigos ou recentes. Este autor já sofreu com essa gente, ao ponto de uma sua igreja decidir, em sessão, ser excluída qualquer pessoa que fosse pegada intrigando ou mexericando, que é a mesma coisa. As nossas igrejas já têm sofrido muito com essa casta de gente. Os tempos estão melhorando, felizmente. O mesmo ensino está no verso 21: Como o carvão para a brasa o a lenha para o fogo, assim é o homem contencioso para acender rixas. Se não houver carvão, o fogo se apaga; se não houver mexeriqueiro, a contenda cessa. Muitos desentendimentos entre irmãos e amigos nascem dessa casta de gente que se mete na vida dos outros para fazer o mal. O fuxiqueiro deveria ser marcado com ferro em brasa na testa. Assim todos o conheceriam; no entanto, as nossas leis são omissas nesse ponto. Deveria ser incluído um artigo no Código Penal para cuidar dessa gente. As palavras dos tais são como a comida que desce para o estômago e é depois evacuada.
Como o vaso de barro, coberto de escórias de prata, assim são os lábios amorosos e o coração perverso. É o beijo de Judas. Mas há muitos judas neste mundo, pessoas que louvam com os lábios, mas seu coração está cheio de rapina (Luc. 11:39 e Mat. 23:25). Quem pode livrar-se deles? É caso de desconfiar de certos elogios, pois algumas vezes, mesmo bem intencionados,
são forjados por Satanás, para encher de vaidade a pessoa e botá-la a perder. Certo pregador moço, elogiado uma vez por um bom sermão que pregara, respondeu: "O Diabo já ma disse isso mesmo." Uma resposta grosseira, sem dúvida. Melhor nada falar e não acreditar em tudo que se nos diz. Há elogios sinceros e há os de segundas intenções. O que aborrece dissimula com os lábios... quando te falar suavemente, não creias nele (vv. 24 e 25). É o mesmo que já afirmamos: não aceitemos todos os elogios, pois quem sabe como está o coração da pessoa que elogia? No entanto, tal criatura será descoberta, porque o seu ódio encobre com engano, porém a sua malícia se descobrirá publicamente (v. 26). É o mesmo que dizer: "A malícia não fica encoberta para sempre." Nós vivemos num mundo mau, cheio de Invejosos, de frustradores, que não têm coragem de se declarar publicamente. Um dia se mostrarão tais como são, porque nada há encoberto que não haja de ser revelado (Mat. 4:22 e I Ped. 3:4). Pouco se perde por esperar que a luz se faça. Deus mesmo se encarrega de a fazer brilhar.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Pv 26.13-15 — Estes versículos acerca da preguiça — um tema que recorre em muitas partes das Escrituras (Pv 19.15) — têm um quê de exagero que cria alívio cômico. Cada um deles ressalta as inúmeras desculpas esfarrapadas que, muitas vezes, os preguiçosos usam para se justificarem.
Pv 26.16,17 — O problema de tomar um cão pelas orelhas é que o cachorro provavelmente não vai gostar e vai morder você. O mesmo vale quando se envolve na briga de outros. E invasão de privacidade.
Pv 26.18-21 — A fogueira não queima sem combustível. As rixas [brigas] funcionam do mesmo jeito.
Pv 26.22 — O caluniador vê as suas palavras como guloseimas, deliciosos bocados de intriga. Muita gente tem apetite insaciável por fofocas maliciosas. 26.23 — O significado deste provérbio não está distante das declarações de Jesus a Seus inimigos de que eram como sepulcros caiados (Mt 23.27). Mesmo a melhor pintura numa fachada não disfarça um interior pútrido.
Pv 26.24-27 — O rancoroso não fala como quem odeia. Enquanto guarda raiva no seu interior, professa amar e preocupação por outrem. Sua declaração, porém, é hipócrita. A sua malícia se descobrirá na congregação. Quando lamentamos a injustiça da prosperidade do ímpio e comparamos nossa situação com a dele, precisamos manter em vista o Salmo 73.17. Seu destino há de compensar-lhe muito bem pelo mal que praticaram (Rm 6.23).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 983.
Pv 27.22 Ainda que pises o insensato com mão de gral entre grãos pilados. Os insensatos resistem a qualquer tentativa de correção e mudança. Somente um insensato ou um morto nunca muda. “É muito difícil separar o insensato de sua insensatez”. Esta metáfora vê a pulverização de grãos com um instrumento para obter grãos puros separados das porções que não podem ser usadas como alimento. Cf. Núm. 11.8, a preparação do maná. Pequenas quantidades de trigo eram preparadas em pequenos vasos, mediante esmagamento, ao passo que grandes quantidades eram preparadas nos moinhos.
Antítese. Um insensato, por outro lado, resistirá a todas as nossas tentativas para reformá-lo, separando a escória do pecado e da insensatez que há nele, mesmo que seja severamente espancado. Ele ignorará as repreensões, em contraste com o que acontece aos sábios (ver Pro. 27.5). “As ronchas causadas pelos testes e castigos não conseguirão reformar o insensato. Assim sucedeu com Acaz (II Crô. 28.22) e Judá (Isa. 1.5,6; 9.3)” (Fausset, in loc.). Uma criança pode ser corrigida por meio da vara (ver Pro. 22.15), mas não um insensato empedernido. Um espancamento público pode curar alguns homens (ver Pro. 20.30), mas não o insensato endurecido. O insensato que esteja apenas começando sua carreira de tolices pode até ser reformado pelo temor causado quando vê outrem receber um espancamento público (ver Pro. 19.25). Entretanto, isso não funciona no caso de um insensato endurecido. Ele prefere morrer ali mesmo, na praça pública, a mudar seus caminhos. A lição que aprendemos aqui é que o pecado endurece um homem como o calor endurece os metais.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2675.
Os versículos 18-19 significam ou que o brincalhão experiente que engana o seu próximo para a sua própria diversão será condenado, ou, que será condenado o homem que engana o seu próximo e depois, para salvar a sua pele, diz: Fiz isso por brincadeira. Nos versículos 20-21, o maldizente (que faz fofoca) é condenado.
EARL C. WOLF. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 408.
Pv 26.18-21 — A fogueira não queima sem combustível. As rixas [brigas] funcionam do mesmo jeito.
Pv 26.22 — O caluniador vê as suas palavras como guloseimas, deliciosos bocados de intriga. Muita gente tem apetite insaciável por fofocas maliciosas.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 983.
Pv 16.5 Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração. Pessoas de coração orgulhoso são abomináveis ao Senhor. Ver Pro. 11.1 quanto a essa palavra; compará-la com Pro. 15.8,9,26. Quanto aos orgulhosos, ver Pro. 11.2 e Cf. Pro. 11.20,21 e 13.10, e, quanto aos olhos altivos, ver Pro. 14.3. Notas expositivas adicionais também aparecem em Pro. 6.17 e 15.25. Ver no Dicionário o artigo chamado Orgulho, quanto a detalhes e ilustrações.
Sinônimo. Os pecadores orgulhosos certamente receberão retribuição divina contra suas atitudes e atos. O autor queria dar a entender calamidades e, finalmente, morte violenta e/ou prematura, o que era extremamente temido pelos hebreus. Diz o Targum: “Ele não conseguirá livrar-se do mal”.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2618.
16.5 — Ser altivo de coração significa orgulho, no sentido pejorativo da palavra. Uma pessoa com orgulho no coração rouba o crédito do Provedor que abençoa com tanta generosidade e não agradece pela provisão recebida. E por isso que Deus o considera uma abominação, uma palavra que em todo o livro de Provérbios se refere àquilo que deixa o Senhor enojado (Pv 15.26).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 967.
II - O JUSTO VERSUS O INJUSTO
1. Justiça e humildade.
Nos Provérbios a humilde é característica de uma pessoa sensata, modesta e mansa e por isso sabe que a justiça é de origem divina (Pv 29.26); que ela exalta as nações (Pv 14.34); livra da morte (Pv 10.2); guarda o que anda em integridade (Pv 13.6); é amada por Deus (Pv 15.9) e por isso deve ser exercitada (Pv 21.3).
Comentando Provérbios 14.34, Antônio Neves de Mesquita destaca:
O pecado é o opróbrio dos povos. Aqui está toda a sabedoria de Provérbios. O pecado, sempre o pecado, que cria o invejoso, o prepotente, o opressor e toda essa coorte de sinistros elementos que infelicitam a vida. A falta de justiça na terra também resulta do pecado. Todo o mal é produto ou subproduto do pecado na vida. A seguir vem o texto áureo deste capítulo. A justiça exalta as nações... Há um folheto publicado por Howard Hoton sobre o título A Justiça Exalta as Nações (...) é um estudo socioeconômico das nações antigas e modernas a respeito das suas práticas de justiça social. No conceito desse autor citado, só a Justiça é capaz de dar aos povos a paz e harmonia que desejam, e essa justiça só pode vir do uso e prática da Bíblia. Fora dela não há justiça possível, nos termos em que a mesma Bíblia compreende. Os povos mais justos do mundo são os mais prósperos e os mais pacíficos, porém os menos justos são os mais pobres e os menos pacíficos.
Em seu comentário do Livro de Provérbios, Warren W. Wiersbe destaca: “Vários teólogos acreditam que o orgulho é o “pecado dos pecados”, pois foi o orgulho eu transformou um anjo no Diabo (Is 14.12-15). As palavras de Lúcifer “serei semelhante ao Altíssimo” (v. 14), foram um desafio ao próprio trono de Deus e, no jardim do Éden, transformaram-se na declaração “como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5). Eva acreditou nessas palavras, e o restante da história é conhecido. “Glória ao homem nas maiores alturas” — esse é o grito de guerra da humanidade orgulhosa e ímpia que continua desafiando Deus e tentando construir o céu na terra (11.1-9; Ap 18). Quanto ao soberbo e presumido, zombador é o seu nome; procede com indignação e arrogância (Pv 21.24). “Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade” (Pv 18.12, ARA; ver 29.23). Deus aborrece “olhos altivos” (6.16,17) e promete destruir “a casa dos soberbos” (15.25). Quase todo cristão sabe Provérbios 16.18 de cor, mas nem todos nós atentamos para o que esse versículo diz:
“A soberba precede a ruína, e altivez do espírito precede a queda”.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 86-87.
I Reis 3.7 Salomão, o Rei-menino. Fora a providência divina que fizera Salomão tornar- se o rei de Israel, mas ele ainda era “verde”, ainda estava “imaturo”, ainda era uma “criança”. Ver no Dicionário o artigo intitulado Providência de Deus, e comparar isso com as passagens de 1.37 e 2.4 quanto ao propósito divino que operava na vida de Salomão. Ele se tornou parte integral do pacto davidico, o primeiro a perpetuar sua linhagem, que apontava para o rei Messias, o Filho Maior de Davi.
Notemos os títulos divinos: fora Yahweh-Elohim quem fizera Salomão ser rei. Esse é o Deus Eterno e Todo-poderoso.
“Jeremias falou sobre sí mesmo como uma criança por causa de sua chamada (Jer. 1.6), e Salomão, por semelhante modo, referiu-se a si mesmo como uma “criança". Essa palavra tenciona, pelo menos em parte, denotar a humildade da inexperiência, mas em parte enfatiza o senso de chamado divino de Salomão a uma tarefa mais do que humana” (Norman H. Snaith, in loc.). Algumas versões e intérpretes mais antigos tomavam a expressão literalmente, pensando que Salomão teria começado a reinar ainda muito jovem. A Septuaginta declara que ele tinha apenas 12 anos de idade. Para Josefo (ver Antiq. Vlll.7.8) ele tinha 14 anos e reinou por oitenta anos! Provavelmente ele tinha cerca de 20 anos, uma idade muito tenra para a tarefa de ser rei. Ele nasceu mais ou menos no tempo da guerra contra os amonitas (ver II Sam. 12.24), e provavelmente isso ocorreu em meados do quinquagésimo aniversário de Davi.
Comparar este versículo com I Crô. 22.5 e 29.1. Salomão não sabia como administrar, como sair e entrar, como um pastor agia com suas ovelhas. Ele estava livre de inimigos principais, o que tinha sido obra de Davi (ver II Sam. 10.19).
I Reis 3.8 Teu servo está no meio do teu povo. O Peso da Responsabilidade de Salomão. O rei-criança (metaforicamente falando) estava enfrentando uma tarefa formidável. Cabia-lhe governar um povo divinamente escolhido, um povo muito numeroso. O último recenseamento feito por Davi mostrou que havia cerca de 1.300.000 capazes de ir à guerra (ver II Sam. 24.9), o que indicaria que a população total de Israel, incluindo homens fora da idade militar, mulheres e crianças, era de cerca de 6.000.000 de habitantes. Assim sendo, apesar de esse número dificilmente justificar as palavras “tão numeroso que se não pode contar”, era, contudo, suficientemente grande para deixar consternada a mente de Salomão. E/e era responsável por toda essa gente! Comparar as expressões “como a areia do mar” (ver II Sam. 17.11) e “como as estrelas do céu” (ver Êxo. 32.13). Parte do Pacto Abraâmico (ver as notas expositivas a respeito em Gên. 15.18) dizia que seus descendentes seriam numerosíssimos. Quanto ao caráter distintivo dos israelitas, que incluía o fato de terem sido divinamente escolhido, ver as notas expositivas em Deu. 4.4-8. A grande responsabilidade de Salomão levou-o a buscar sabedoria acima de todas as coisas, acima de todas as outras vantagens, e seu pedido lhe foi concedido.
I Reis 3.9 Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo. Não somente com vistas à administração e para manter em cheque os inimigos de Israel; nem somente visando à expansão e à prosperidade econômica, coisas que realmente caracterizaram o seu reinado. Mas especial e especificamente para que Salomão pudesse julgar Israel com justiça (ver no Dicionário). Assumida a posição de juiz, o rei era um super juiz que tinha de enfrentar diariamente inúmeros problemas relativos ao bem-estar do povo e tomar delicadas decisões. Ele seria forçado a decidir sobre questões criminais; relativas a disputas de terras; relativas a casos de fraude. Mães e filhos olhariam para que ele fizesse justiça contra os ataques de homens iníquos e desarrazoados.
Salomão precisaria de um “coração ouvinte”, que é a tradução literal do hebraico, aqui traduzido por “coração compreensivo”. Salomão precisaria daquele tipo de coração que podia ouvir o som ciciante a dizer: “Esta é a vereda. Anda por ela”. Ver I Reis 19.12.
Coração. Essa palavra “representa o âmago interior de uma pessoa, e assim pode ser usada para referir-se à sede do intelecto, da vontade e das emoções” (Norman H. Snaith, in loc.). Salomão, pois, queria um “coração condicionado por Deus”, isto é, dotado de suprema sabedoria e dedicação, para sempre fazer o que era certo. Ver no Dicionário o artigo chamado Coração. Salomão queria receber a “verdadeira ciência do governo” (Adam Clarke, in loc.). Ele procurava poderes e sabedoria sobre-humanos, que o tomassem preparado para a tarefa que tinha à frente.
I Reis 3.10 Yahweh ficou satisfeito com o pedido de Salomão. Ele se agradou de que o rei não estava preocupado com questões tais como riquezas materiais, fama e poder. Mas Salomão, pela misericórdia divina, haveria de receber todas essas coisas como brindes. Para Salomão, o que realmente importava era a sabedoria.
Porque o Senhor dá a sabedoria, da sua boca vem a inteligência e o entendimento. (Provérbios 2.6)
Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento. (Provérbios 3.13)
Adquire a sabedoria, adquire o entendimento. (Provérbios 4.4)
“Da perspectiva divina, seus valores estavam no lugar certo. Portanto, Deus prometeu dar-lhe o que ele requereu” (Thomas L. Constable, in loc.).
Os sábios, embora todas as leis fossem abolidas, levariam a mesma vida. (Aristófanes)
“... visando a honra e a glória de Deus, que o tinha estabelecido sobre o Seu povo escolhido, e sendo ele o vice-regente" (John Gill, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1357.
Sou ainda menino pequenino (7). A nossa versão ultrapassa o hebraico em que apenas se lê "sou ainda menino"; de qualquer modo a expressão é um característico exemplo do exagero oriental em que, por amor à humildade, frequentemente se cai. 1Rs 14.21 mostra-nos que Salomão tinha já um filho. A tradição a que atendem a Septuaginta (alguns manuscritos) e Josefo, segundo a qual Salomão teria apenas doze ou catorze anos de idade, é inteiramente desprovida de valor. Nem sei como sair nem como entrar (7); é uma referência às suas funções públicas, à rotina de todos os dias. Ver 2 Cr 1.10 e Cf. 1Sm 18.16.
Que nem se pode... numerar pela sua multidão (8); Cf. 8.5. O fato de algumas pessoas tomarem perversamente à letra tais expressões, não pressupõe que os orientais o fizessem. Não haviam ainda decorrido muitos anos sobre o recenseamento levado a cabo por Davi (2 Sm 24).
Um coração entendido (9); segundo outra versão, que consideramos preferível, "um coração receptivo, um coração pronto a ouvir". Ele não queria ser arrebatado pela precipitação, pela paixão ou pelo preconceito.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. I Reis pag. 13-14.
Pv 1.2 Para aprender a sabedoria, e o ensino. Os homens precisam conhecer e seguir a sabedoria. Crawford H. Toy (International Criticai Commentary, in loc.) disse que o reconhecimento intelectual vem em primeiro lugar. A ideia é um tanto semelhante à doutrina de Sócrates do “conhece-te a ti mesmo”, na qual o conhecimento racional é muito importante. Mas não há que duvidar da ideia da agência do Espírito, que usa a sabedoria adquirida para operar a vontade de Deus. Portanto, isso deve incluir a iluminação da alma.
A sabedoria. Ver o artigo sobre esta palavra no Dicionário, quanto a explicações completas. O original hebraico diz hokhmah, palavra que, “neste versículo, significa inteligência moral e religiosa, ou seja, o conhecimento da lei moral de Deus, no que diz respeito às questões práticas da vida. Não se trata da sabedoria especulativa e filosófica dos gregos” (Charles Fritsch, in loc.). Quanto ao que se supõe que a lei significava para Israel, ver Sal. 1.2.
O ensino. A palavra hebraica correspondente é musar, que tem o sentido básico de disciplina, ou punição. Visto que aparece aqui de forma paralela com sabedoria, sem dúvida significa o corpo e a atividade de ensino aplicados aos homens mais jovens, para indicar seu treinamento no judaísmo. O principal manual, como é lógico, seria a lei, porquanto, sem a lei, o judaísmo não seria o judaísmo. Esta palavra implica a submissão às autoridades que eram mestres, como pai, mãe e, especialmente, os mestres da lei, sábios cuja atividade se constituía em ensinar às gerações mais jovens. O próprio livro mostra que tais mestres não se apegavam à Bíblia, conforme a conheciam em seus dias, mas, antes, inventaram muitas declarações e discursos que ultrapassavam os dizeres da lei, embora tivessem suas raízes apegadas a ela.
Pv 1.3 Para entender as palavras de inteligência. “Compreensão” significa discernimento, distinguir o certo do errado e seguir o caminho certo, pois, caso não acompanhasse a parte que segue, uma pessoa não seria dotada de real discernimento. A sabedoria pode passar de pai para filho, e de mestre para estudante. As palavras devem ser inteligentes e vigorosas, mas por trás delas deve haver a força do exemplo. No livro de Provérbios, há sessenta e cinco convites para que os leitores tenham entendimento. Ver Pro. 5.1.
Um pai deve três coisas a seus filhos: exemplo; exemplo; exemplo. Cf. este versículo com Heb. 5.14: para discernir não somente o bem, mas também o mal”.
Os homens possuem capacidades para tanto, mas precisam ser treinados para distinguir o bem do mal. Cf. I Reis 3.9. De outra sorte, o coração tornar-se-á néscio, ou seja, insensível (ver Isa. 6.10). Ver também Fil. 1.10.
Para obter o ensino do bom proceder. O autor sagrado continuava a explicar por qual motivo escrevera esta porção e compilara este livro. Não basta ensinar. O estudante deve estar motivado a aprender, isto é, receber o que lhe for ensinado. Um estudante sente-se motivado quando se assenta aos pés de seu mestre. O professor deve possuir muito mais conhecimento que o seu aluno. Além disso, o aprendiz tem de ver que o próprio mestre pratica o que diz, dando o exemplo correto.
Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a nos mesmos. (Tiago 1.22)
Resultados Práticos. Um estudante deve obter sabedoria, praticando a retidão, cumprindo a justiça e a equidade. Em outras palavras, deve ter as principais características de um homem espiritual, cuja filosofia o salva de seus atos profanos.
Bom proceder. No hebraico original temos a palavra haskei, e não a mesma palavra para “sabedoria”, do vs. 2. Esta palavra significa “bom senso”. Um homem viverá de acordo com o bom senso em todos os seus atos e relacionamentos com outras pessoas. Alicerçado sobre esse fundamento, ele praticará as coisas que se seguem, listadas após a palavra sabedoria.
A justiça. Esta palavra, no original hebraico, é cedheq, “reto". Tal homem não se envolverá em veredas tortuosas. Antes, caminhará ao longo da “vereda reta e estreita”.
O juízo. No hebraico, mishpat, “decisão" em favor do que é reto, atos e relações retas, a retidão em todas as situações.
A equidade. No hebraico, mesharim, que tem o sentido básico de suave ou reto. Ver Isa. 25.6, onde se fala sobre a vereda de um homem reto. O homem vive “no mesmo nível” de outros homens, ou seja, de maneira honesta e justa. “Aquilo que é reto, verdadeiro e honesto” (Ellicott, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2537.
O leitor é convidado a aprender sabedoria o ensino, para entender as palavras da Inteligência (vv. 2, 3). Esta introdução é categórica em que o livro se destina a conceder sabedoria e tino ou correção da vida, que é o sentido do termo traduzido em Heb. 12:5: correção que vem do Senhor. A intenção do livro é, pois, ensinar, corrigir e fazer capaz de entender os caminhos do Senhor. Isto o autor de Hebreus torna bem claro.
Para obter o ensino do bom proceder, a justiça, o juízo e a equidade (v. 3), a fim de que os simples, os menos entendidos nas coisas de Deus, possam capacitar-se para os deveres da vida e da religião.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Pv 1.1 — O prólogo do livro de Provérbios (Pv 1.1-7) tem três partes: (1) título (v. 1), (2) objetivo (v. 2-6) e (3) tema (v. 7). O título, Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel (v. 1), pode sugerir três coisas: (1) Salomão é autor do livro, (2) Salomão foi autor das principais contribuições ao livro, ou (3) Salomão é o patrono da sabedoria em Israel, então seu nome está neste título como honorífico. Como há outros autores (ex.: Agur [cap. 30] e Lemuel [Pv 31.1-10]), e algum material de Salomão foi editado muitíssimo depois de sua morte (Pv 25.1), parece mais sensato interpretar as palavras de abertura do livro como uma combinação da segunda e terceira opções. Salomão não pode ser o autor de todo o livro, mas é seu contribuinte mais notável e o modelo do ideal de sabedoria de Israel.
Pv 1.2,3 — Os versículos 2 a 6 explicam o objetivo do livro de Provérbios. Os verbos conhecer, entenderem e receber referem-se às formas de adquirir sabedoria.
A palavra sabedoria se refere à capacidade, o que pode ser adquirida em sua vida quando se põe em prática os ensinamentos dados por Deus. O termo instrução também pode ser traduzido como disciplina [NVI]; refere-se ao processo de recepção de conhecimento e posterior aplicação à sua vida diária.
Pv 1.3 — A expressão traduzida como instrução do entendimento, assim como a sabedoria, denota uma habilidade em prática, tal como a de um artesão ou músico. Ou seja, a sabedoria afeta a vida como a habilidade dos artistas afeta a prática de sua arte. As palavras justiça, juízo e equidade dão um contexto moral à sabedoria, instrução e palavras que dão entendimento. A sabedoria bíblica permeia a vida inteira; exige uma mudança de comportamento e comprometimento com a justiça.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 950.
Pv 29.26 Muitos buscam o favor do que governa. Durante os tempos da monarquia, um homem devia obediência a uma grande autoridade, o que poderia ser bom ou mau para ele. Os homens naturalmente buscavam favores daquele que nas mãos tinha as questões de vida e morte. Eles buscavam favores para prejudicar a outros, e favores para beneficiar a si próprios. O rei tinha poderes para satisfazer tanto a uns como a outros. Por essa razão, era muito procurado. Essa era uma das razões pelas quais o acesso à pessoa do rei tinha de ser severamente resguardado. De outra sorte, ele ter-se-ia transformado em mera máquina de dar coisas, satisfazendo necessidades ou caprichos da multidão.
A segunda linha deste versículo dá-nos a entender que buscar o rei ou mesmo obter favores da parte dele não servia de garantia de que a justiça sempre era servida. Um bom rei tentava cumprir bem o seu governo, mas, sendo ele homem falível, podia cometer equívocos. Mesmo em ótimas circunstâncias, sob as ordens de um monarca os ímpios podiam prosperar, e os bons podiam sofrer perdas. Ver Pro. 19.6 quanto a um paralelo direto da primeira linha do presente versículo.
Antítese. Há somente um Rei que é o despenseiro de justiça firme, e Ele jamais se equivoca; esse Rei é o Rei celestial. Este versículo condena a dependência ao poder humano e convida-nos a considerar o poder divino. Fazemos isso mediante o estudo da lei de Moisés, fomentada pelos dizeres da sabedoria, e também mediante a confiança em Deus (vs. 25). Fazemos isso mediante as boas obras e as experiências místicas (ver no Dicionário o artigo chamado Misticismo).
Este versículo diz respeito, principalmente, àqueles que têm sido injustiçados em tribunal ou em outras circunstâncias, por parte de homens iníquos. Eles são convocados a voltar-se para Deus, buscando vindicação, finalmente. Para Emanuel Kant, a verdadeira justiça só pode vir da parte de Deus e, plenamente, só no pós vida. Ele argumentou em favor da existência de Deus e da alma imaterial defendendo que a justiça terá de ser servida, finalmente. Se isso não for feito, então o caos é o verdadeiro deus deste mundo. E é claro que a justiça não é plenamente servida nesta vida. Por conseguinte, deve ocorrer após a morte, na outra vida. Deve haver um Poder suficientemente inteligente para recompensar o bem e castigar o mal. E a esse Poder e Inteligência é que chamamos de Deus. Além disso, os seres humanos têm de sobreviver à morte física para receber o bem ou o mal que tiverem praticado, o que significa que a alma deve existir e também sobreviver à morte biológica. Esse argumento é chamado de Argumento Moral.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2664.
O último ensino deste capítulo ainda é o temor do Senhor. Muitos buscam favor de quem governa, mas para o homem a justiça vem do Senhor. O Senhor promete fazer justiça aos seus, mesmo que pareça tardio para com eles (Luc. 18:7, 8). Pelo menos 127 escrituras podemos relacionar com respeito à justiça de Deus, justiça em todos os quadrantes da vida. Graças a Deus, não estamos abandonados à mercê dos malfeitores. Contra o justo se levanta o perverso, o ímpio, para quem o justo é abominável, e todo o seu caminho, uma abominação ao mesmo perverso (vv. 26 e 27).
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
2. Injustiça e arrogância.
ORGULHO
Esboço:
1. Definição nos Léxicos
2. Referências e Ideias Bíblicas
3. Notáveis Exemplos Bíblicos de Espírito Orgulhoso
4. Na Literatura de Sabedoria do Antigo Testamento
S. O Homem Esquece-se de Seu Legítimo Lugar
6. Opinião de Aristóteles a Respeito
7. O Orgulho e sua Detecção
1. Definição nos Léxicos
«Um exagerado senso de superioridade pessoal, uma auto-estima desordenada, arrogância e altivez de espirito, presunção». Temos aí uma definição negativa. Mas a palavra «orgulho» também tem conotações positivas, como «um devido senso de dignidade e valor, auto-respeito honroso, uma justa causa de exultação-, Isso posto, os sinônimos podem ser negativos: ostentação, presunção, vaidade. Ou podem ser positivos: auto-estima, admiração, espírito de exultação, ufania.
2. Referências e Ideias Bíblicas
O orgulho é um pecado (Pro. 21:4); é abominável diante de Deus (Pro. 6:16); é uma expressão de justiça própria (Luc. 18:11,12); procede de privilégios religiosos (Sof. 3:11); vem de um conhecimento não-santificado (I Cor. 8:1); procede da inexperiência (I Tim. 3:6); origina-se na possessão de poder e autoridade (Lev, 26:19); é contaminador (Mar. 7:20,22); endurece a mente (Dan. 5:20); deve ser rejeitado pelos santos (Sal. 131:1); serve de obstáculo às operações de Deus (Sal. 10:4; Osé, 7:10); é um empecilho ao aprimoramento pessoal (Pro. 26:12); caracteriza supremamente ao diabo (I Tim. 3:6); foi o principal fator na queda de Lúcifer ou Satanás (Isa, 14: 12 ss): é uma atitude comum da humanidade, em sua hostilidade contra Deus (I João 2: 16); é característica dos falsos mestres (I Tim. 6:3,4); origina-se na própria alma humana (Mar. 7:21 ss); leva à atitude contenciosa (Pro. 13:10; 16:18); será uma das características dos ímpios nos últimos dias (11 Tim. 3:2). Além disso, os orgulhosos serão humilhados (Sal. 18:27; Isa. 2:12); e o castigo divino aguarda aos orgulhosos (Sof. 2:10,11; Mal. 4:1).
3. Notáveis Exemplos Bíblicos de Espírito Orgulhoso
Aitofel (11 Sam. 17:23); Ezequias (11 Crô. 32:25); o próprio Satanás (Isa. 14:12 ss); Harnã (Est, 3:5); Moabe (Isa. 16:6);Tiro (Isa, 23:9); Israel (Isa. 28:1); Judá (Jer. 13:9); Babilônia (Jer, 50:28,32); Assíria (Eze. 31:3,10); Nabucodonosor (Dan. 4:30); Belsazar (Dan. 5:22,23); Edom (Oba. 3); os escribas dos dias de Jesus (Mar. 12:38,39); os crentes de Laodicêia (Apo. 3:17).
4. Na Literatura de Sabedoria do Antigo Testamento
Esse material concentra-se em tomo do pecado que é o orgulho, em consonância com os provérbios canônicos (ver Pro. 16:18). O espírito religioso reconhece a inutilidade da pretensão e da vaidade humanas.
5. O Homem Esquece-se de seu Legitimo Lugar
Os pagãos olvidam-se de Deus, embora exaltando porções da criação divina; e assim terminam em uma insensata idolatria (ver Rom. 1:21,25). Talvez a pior modalidade de idolatria seja a auto-exaltação. Há ocasiões em que a jactância é apenas um mecanismo psicológico, que busca reconhecimento e apoio da parte de outras pessoas. Mas, com frequência, a jactância é apenas uma avaliação exagerada do individuo acerca de si mesmo.
6. Opinião de Aristóteles a Respeito
Esse antigo filósofo grego fazia do orgulho uma virtude. Porém, ele tinha em mente o meio-termo entre a humildade excessiva e a vaidade, ou seja, os extremos negativo e positivo do orgulho. Para ele, um homem não deve humilhar-se e autodegradar-se, o que é uma insensatez. Mas também não deve ser jactancioso e inchado. Antes, deve ufanar-se no bom senso de ter uma adequada auto-estima, de fazer uma correta avaliação de suas potencialidades e de seu valor. Falando dentro do contexto cristão, podemos dizer que a vida caracterizada por um orgulho negativo é incompatível com a vida em Cristo, onde «viver é Cristo». Todavia, esse fato de vivermos «em Cristo» empresta-nos um grande valor; e podemos ter uma dignidade própria da autêntica humanidade, o que é impossível à parte de Cristo, o qual empresta aos homens o valor que eles têm.
7. O Orgulho e sua Detecção
Sempre será mais fácil vermos o orgulho manifesto em nossos semelhantes, e não em nós mesmos.
Algumas pessoas arrogantes chamam de orgulhosas a outras pessoas. É que o orgulho é uma atitude muito sutil. Podemos ter o orgulho de sermos mais espirituais que outras pessoas, conforme os fariseus se imaginavam. Podemos até ter orgulho de nossa humildade, de nossa suposta bondade. Todavia, há formas de orgulho justificáveis e até desejáveis (ver I Cor. 1:29-31; Gâl. 6:14; Fil. 3:3); e a essas formas damos o nome de «ufania». Alguns falam em um «orgulho justo» acerca de alguma coisa, o que é perfeitamente possível. Por outra parte, o orgulho pecaminoso constitui um grande mal. Agostinho e Tomás de Aquino viam no orgulho a essência própria do pecado, um vício cardeal.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 4. Editora Hagnos. pag. 621-622.
ORGULHO. O orgulho é mais facilmente reconhecido do que definido, e mais facilmente detectado em outros do que em si mesmo. O conceito admite muitos sinônimos que refletem atitudes e atos, como arrogância, presunção, prepotência, vaidade e auto-satisfação. O orgulho é incessantemente egoísta, uma pessoa orgulhosa perde, então, qualquer equilíbrio que possa surgir de um reconhecimento de sua posição com relação a Deus ou com relação a habilidade e valor dos outros. Visto que a verdadeira natureza do homem é compreendida principalmente por sua dependência e contingência para com Deus e encontra cumprimento e enriquecimento em relação ao homem, segue que o orgulho é uma atitude auto-isolante e independente que exclui o homem de seus relacionamentos necessários e perverte sua verdadeira humanidade. Dessa forma, orgulho é pecado. Ele é considerado um traço do caráter pelo qual um indivíduo compara-se com outros para sua própria satisfação. O orgulho não é compreendido a menos que seja visto que o desprezo pelos outros não permite qualquer comparação ou competição. E uma perversidade da natureza, indiferente a outras opiniões, valores e virtudes dos outros. Nesta indiferença fria e odiosa o orgulho é mais mortal.
A satisfação do orgulho é a auto-satisfação sem fim: orgulho do mal, da bondade, do nascimento e posição e até mesmo da humildade. Nenhuma persuasão ou direção moral pode interrompê-lo, pois a auto-satisfação é completa em si mesma.
As raízes hebraicas do AT significam “elevar”, “estar no alto”. As palavras do NT refletem uma gama de sinônimos e equivalentes que permitem traduzi-las como “exibição vazia” ou “vangloriar-se”, “gloriar-se” ou “gabar-se”, “arrogância” .Segundo Thayer (Greek-English Lexicon of the New Testament, 25), o orgulho condenado na Bíblia é “uma certeza insolente e vazia, que confia em seu próprio poder e recursos, e despreza e viola as leis divinas e humanas”. Quando o orgulho foi aprovado, como por exemplo em 1 Coríntios 1.29-31; Gálatas 6.14; Filipenses 3.3 etc., foi apoiado na suficiência de Cristo, e não na de Paulo.
Agostinho, Tomás de Aquino e outros fazem do orgulho (como o egoísmo e a sensualidade) a própria essência do pecado.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 677-678.
ORGULHO Atitude de auto-exaltação, com seu conceito de superioridade, pisando arrogantemente sobre os outros e, em sua independência espiritual, rebelando-se contra Deus com uma suposta auto-suficiência. O uso de nove palavras hebraicas pelo AT indica a universalidade, natureza, efeitos e condenação do orgulho (cf. a obra de Young, Analytical Concordance to the Bible). A revelação do NT, em relação ao orgulho, é transmitida por três palavras gregas que indicam muitas características da natureza e da operação do orgulho. Elas ocorrem juntas e também de forma alternada em Romanos 1.30.
1. A palavra grega alazoneia (presunção em palavras ou soberba) se refere à pretensão e arrogância do alazon ("soberbo", Rm 1.30; 2 Tm 3.2), o jactancioso que usa as palavras em seu próprio benefício e promete o que não pode cumprir. Ela descreve o homem que ignora a soberania de Deus, que tenta controlar a sua vida atual (1 Jo 2.16) e modelar o seu próprio futuro.
2. A palavra grega hyperephania (orgulhoso e arrogante em pensamentos) descreve o homem que exalta a si próprio acima dos outros, não através de atos exteriores de bazó-fia, mas com uma atitude interior do coração, que ergue um altar a si próprio em seu íntimo onde realiza o seu próprio culto ("orgulho", Rm 1.30; 2 Tm 3.2; Lc 1.51; Tg 4.6; 1 Pe 5.5; cf. Mc 7.22).
3. Apalavra grega hybris (insolente e injurioso em atitudes) representa o orgulho que faz o homem agir com violenta e arrojada insolência contra Deus e os homens. Em relação a Deus, hybris leva o homem a esquecer a sua criação, permite que as paixões o dominem de tal forma que a superioridade perante os demais é conquistada através da injúria (2 Co 12.10). Em Mateus 22.6, hybris se refere à insolente rejeição do homem ao convite de Deus (a forma substantiva ocorre em Romanos 1.30 como "insultuoso" e em 1 Tm 1.13 como "injuríador", "opressor", "insolente". O verbo é encontrado em Mateus 22.6; Lucas 11.45; 18.32; Atos 14.5; 1 Ts 2.2; Tt 1.11). Veja Georg Bertram, ''Hybris etc", TDNT, VIII, 295-307.
O crente aprende nas Escrituras que o orgulho foi o pecado de Satanás (1 Tm 3.6); que ele engana o coração (Jr 49.16) e endurece a mente (Dn 5.20), que é uma abominação perante Deus. É algo que Ele odeia (Pv 16.5; 6.16-17) e que Ele trará ajuízo (Pv 16.18). Dessa forma, o crente deverá entender a absoluta necessidade de que Espírito Santo implante em seu ser a mente de Cristo, que é o exemplo supremo da humildade, e que está livre de todas as formas do pernicioso orgulho nas palavras, no pensamento e nas atitudes. F. D. L.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1425.
HUMILDADE. Apenas na fé bíblica a humildade é tida como uma virtude, as outras religiões relacionam a humildade à falta de honra e não a reconhecem como virtude. Filósofos, com exceção daqueles claramente influenciados pela tradição judaico-cristã, ou ignoram essa virtude ou a depreciam. Assim Aristóteles, na hábil sistematização da sabedoria pré-cristã, A Ética Nicomaquéia, exalta uma magnânima auto-suficiência que é justamente o contrário. Séculos depois Friedrich Nietzsche condena a humildade como parte inseparável de uma moralidade pervertida, a qual a transformação cristã de valores faz com que indivíduos inferiores como Paulo, com ressentimento, metamorfoseiem sua baixeza e fraqueza, exaltando a condição servil ao ápice da excelência. A humildade, portanto, é atacada por Nietzsche como uma negação da genuína humanidade que seria personificada no anticristão e aristocrático Super-homem.
Dentro da estrutura do teísmo revelacional, contudo, a humildade é de fato uma virtude, a atitude apropriada da criatura humana para com seu divino Criador. É o reconhecimento espontâneo da dependência absoluta da criatura em relação ao seu Criador; um reconhecimento de bom grado, não hipócrita, do abismo que separa o Ser que existe por si só do ser absolutamente contingente, a “infinita diferença qualitativa entre Deus e o homem” postulada por Kierkegaard. E a postura de ajoelhar-se em respeito e gratidão, ciente de que a existência é um dom da graça, inescrutável misericórdia que, tendo chamado uma pessoa para fora do não-ser, sustenta-a a todo instante para que ela não caia de volta na inexistência. A humildade, assim, é explicada pela confissão de Abraão de que ele não é mais do que “pó e cinzas” (Gn 18.27). É explicada novamente pela veemente lembrança de Paulo aos orgulhosos coríntios de que a posição do homem diante de Deus é necessariamente a posição de alguém que recebe, a de um mendigo cujas mãos estão vazias até que a benevolência divina as encha (ICo 4.6,7).
Além do mais, dentro da estrutura teísta, a humildade é a reação completamente correta de uma criatura culpada na presença de seu Criador santo. E o reconhecimento por parte do pecador de que sua irredutível insuficiência, enquanto criatura finita, tem sido, apesar disso, incomensuravelmente diminuída pela rebelião contra seu Criador. No AT é o grito do jovem profeta quando vê o Senhor: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros” (Is 6.5). No NT é a honesta auto-depreciação do apóstolo quando se dá conta de sua teimosa desobediência em relação à verdade (ICo 15:9; Ef 3.8; lTm 1.15). Humildade é o corolário lógico da consciência do pecado. Apesar de sua dignidade, contudo, seu inestimável valor como imago dei, o homem como um agente finito de rebelião é, na verdade, “pó e cinzas”.
Segue-se disso que a humildade é a essência da piedade do AT. Um tema frequente no livro de Provérbios (3.34; 11.2; 15.33; 16.19; 25:7), ela é exemplificada por Abraão (Gn 32.10); por Moisés, que proeminentemente “era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3); por Saul no início de sua carreira (ISm 9.21); e por Salomão cujo conhecimento de si mesmo motivou sua sincera auto-humilhação (IRs 3.7). Como um fundamento da piedade, essa virtude é expressa de forma clássica em Miqueias 6.8, “o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?” Assim o Rabino Joshua ben Levi estava simplesmente resumindo o AT quando, ao discutir o mérito comparativo de várias graças, ele insistiu: “A humildade é a maior de todas, pois está escrito, ‘O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados’ (Is 61.1). Não foi dito ‘aos santos, mas ‘aos humildes’, de onde aprendes que a humildade é a maior de todas” (citado por Morton Scott Enslin, TheEthics ofPaul [1930], 249).
A humildade é, da mesma forma, a essência da piedade do NT. Como poderia ser de outra maneira tendo-se em vista o próprio exemplo de Cristo? Como Paulo apresenta na maior de todas as passagens senóticas, o Salvador “a si mesmo se humilhou”, abandonando voluntariamente seu status divino, renunciando sua beatitude e dignidade para viver como homem no mais baixo nível de pobreza e obscuridade, no devido tempo descendo aos níveis mais profundos de ignomínia e agonia (Fp 2.5-8). No agape de dar-se a si mesmo está a antítese e a contradição de todo eras narcisista. Além disso, o caráter de Jesus não exibiu nem um pouco de orgulho ou arrogância. Apesar de inabalavelmente corajoso e, às vezes, severamente sincero, ele era “manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Assim, seus ensinos acerca da pobreza de espírito não tinham nenhuma associação hipócrita (Mt 5.3). Em vez de aceitar a glória, ele dava testemunho da dependência total de seu Pai como fonte de sua própria sabedoria e poder; em vez de apegar-se à glória, ele atribuía toda glória a seu Pai (Jo 5.19; 6.38; 7.16; 8.28,50; 14.10,24). Quando se inclinou para lavar os pés de seus discípulos, Jesus não estava se entregando a uma representação de ostentação teatral; pelo contrário, estava simbolizando com perfeita integridade todo o significado e mensagem de seu ministério. Nesse ato o motivo fundamental de sua pessoa e obra abre caminho, o motivo que atinge seu ápice na cruz.
Consequentemente, uma vez que a imitatio Christi é o imperativo do NT, a vida de todo discípulo fiel deve ser uma vida de humildade. Preocupado em exaltar o Salvador, assim como o Salvador estava preocupado em exaltar o Pai, o discípulo declara, como aquele que batizou o Salvador: “E necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). O discípulo dá as costas para a posição social, para a segurança e ao sucesso, pedindo apenas uma oportunidade para servir, ainda que modestamente (Mt 23.8,10; Mc 10.3545). Gloriando-se apenas na cruz (G1 6.14), ele luta para alcançar uma avaliação apropriada de si mesmo, não irrealisticamente esvaziada nem egoisticamente concebida (Rm 12.3). Ele se propõe seriamente a fazer da atitude de Jesus seu princípio controlador da vida, quer em relação a Deus quer em relação a seus irmãos (Rm 12.10; Tg 4.10; IPe 5.5,6). Em resumo, o discípulo fiel trava uma batalha contínua contra o orgulho, o qual é a raiz do pecado, aquele egoísmo que dá origem ao egocentrismo, à auto-exaltação, à obstinação, à presunção, à autoconfiança, à glorificação pessoal e, portanto, à decepção com seu último fruto de frustração e desespero (Rm 10.2). Na medida em que ele se mantém vencendo a batalha contra o orgulho e a presunção, ele amadurece naquela santidade que floresce apenas no solo da humildade.
Essa virtude pode ser grosseiramente mal interpretada. Falando claramente, portanto, a humildade bíblica não é o conceito oposto que utiliza o disfarce da humildade. E aquela atitude que resulta em uma avaliação pessoal destemidamente honesta, uma auto-avaliação que nem diminui as realizações pessoais nem aumenta as falhas de ninguém. A humildade não é o masoquismo sutil que se deleita em sua própria humilhação. Não é aquela covardia que protege o indivíduo por meio de um servilismo ultrajante. Não é, além do mais, uma virtude puramente particular. É o produto daquele teocentrismo radical que agradecidamente reconhece a soberana concessão de dons por Deus e sua soberana capacitação para o serviço; isso elimina, assim, a arrogância que destrói a comunidade. Completamente desprovida de arrogância, a humildade, portanto, regozija-se com Maria, “Porque me fez grandes coisas o Poderoso; e Santo é o seu nome” (Lc 1.49).
Agostinho, portanto, estava certo. O segredo da santidade é, como ele deu uma ênfase tríplice, “Humildade! Humildade! Humildade!” Ou nas palavras penetrantes de Kenneth Kirk: “Sem humildade não pode haver serviço digno do termo; o serviço protetor é autodestrutivo — pode ser o maior dos desserviços. Portanto, para servir seus companheiros — para evitar causar-lhes dano maior do que o bem a que se propusera fazer — um homem deve encontrar um lugar para a adoração em sua vida.... Se procurarmos fazer o bem com alguma esperança segura de que virá a ser o bem e não o mal, devemos agir com espírito de humildade; apenas a adoração pode nos tomar humildes”
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 3. pag. 156-158.
HUMILDADE
1. O termo aparece apenas uma vez na versão KJV em inglês (Cl 3.12), e nenhuma vez na versão RSV em inglês, porém aparece 11 vezes na versão ARC em português. A palavra gr. tapeinophrosyne é usada outras seis vezes e traduzida na versão KJV em inglês como "humildade" de pensamento (Fp 2.3; Ef 4.2), e como "humildade" (At 20.19; Cl 2.18,23; 1 Pe 5.5). Várias versões o traduzem, de forma geral, como "humildade" (Fp 2.3; At 20.19; 1 Pe 5.5; Ef 4.2; Cl 2.18,23).
2. Uma característica cristã, resumida em Romanos 12.3: "Porque... digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber". A humildade (gr. tapeinophrosyne, 1 Pe 5.5) é uma atitude mental de inferioridade (Ef 4.2; Fp 2.3), o oposto do orgulho (q.v.). E aquela graça específica desenvolvida no cristão pelo Espírito de Deus, em que ele sinceramente reconhece que tudo o que tem e é deve-se ao Deus Trino, que opera de forma dinâmica a seu favor. Ele então se submete voluntariamente à mão de Deus (Tg 4.6-10; 1 Pe 5.5-7). Assim, a humildade não deve ser equiparada a um piedoso complexo de inferioridade. Ela pode ser fingida pelos falsos mestres (Cl 2.18,23) por meio de atos de auto-humilhação.
Esta qualidade é louvada no AT (Pv 15.33; 18.12; 22.4). O termo heb. 'anawa (de 'anah, "ser afligido") sugere que a humildade de espírito é frequentemente o resultado da aflição. A vida de muitos reis de Judá e de Israel foram avaliadas de acordo com esta característica (1 Rs 21.29; 2 Cr 32.26; 33.23; 34.27; 36.12). Humilhar-se é o primeiro passo para o verdadeiro avivamento (2 Cr 7.14; cf. Mq 6.8). O próprio Deus, que é sublime e grandioso, deleita-se em habitar com aquele que tem um espírito contrito e humilde, a fim de avivá-lo (Is 57.15). Jesus Cristo, como o supremo exemplo de humildade (Mt 11.29), forneceu aos seus discípulos uma demonstração visível de humildade ao lavar-lhes os pés (Jo 13.3-16). Uma importante passagem cristológica no NT (Fp 2.5-11) encontra seu ponto-chave no cultivo desse traço de Jesus Cristo por parte do crente. Veja Humildade; Cristo, Humilhação de.
F. R. H.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 940.
III - O RICO VERSUS O POBRE
1. Riqueza e arrogância.
Riqueza e arrogância O rico orgulhoso
“Vive do jeito que gosta Pisando sobre os pequenos,
Levando o mundo nas costas E vomitando veneno.
Mas quando a hora é chegada E a morte dele se agrada,
Nem mesmo o doutor socorre,
Não tem orgulho que empate,
O seu cachimbo ele bate Do jeito que os pobres morrem.
Quando um orgulhoso morre,
Se alguém tem pena e perdoa,
Depois que a notícia corre,
Outro diz: ô coisa boa!
Ele agora vai pagar.
Já outro diz, de acolá:
Cadê tanta soberbia
E tanta perversidade?
Toma, bicho sem piedade,
Era o que você queria!
A riqueza passa a ser estimada pelo próprio Deus quando atende aos seus propósitos: “O que oprime ao pobre insulta aquele que o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado” (Pv 14.31, ARA). Nesse aspecto, riqueza e humildade podem até mesmo andarem juntas: “O galardão da humildade e o temor do Senhor são riquezas, e honra, e vida” (Pv 22.4)
R. N. Champlin destaca que “em contraste com a situação dos pobres, devemos considerar o caso do homem arrogante, que não tem medo da face de ninguém. Ele se pavoneia como se fosse um galo, emitindo o seu cântico tolo. Ele pode dar a outros respostas duras e apimentadas, sem temer o que possam fazer e sem se importar se eles gostam ou não do que ele faz. Portanto, bendito seja o dinheiro! Os ricos respondem duramente aos pobres, quando estes querem dinheiro. Talvez seja essa a principal questão tencionada nessas respostas. O pobre é mal recebido quando se dirige ao rico, para pedir-lhe que aumento seu salário, que lhe dê um empréstimo ou alguma importância em dinheiro para alguma necessidade especial. “A pobreza gera a impotência e a humildade; as riquezas geram a autossuficiência e a arrogância” (Fausset, in loc.).
Os versículos 11 de Provérbios 28 é entendido pelo Comentário Beacon da seguinte forma: “A presunção do rico é o tema do versículo 11. 0 homem arrogante pensa que a sua habilidade para os negócios é uma indicação de sabedoria superior, mas o pobre consegue perceber coisas por trás das limitações desse homem e possuir a verdadeira sabedoria e segurança (veja comentário de 18.11)”.
Lawrence O. Richards destaca em seu comentário o que chama de “vantagens de ser pobre”:
1. Os pobres sabem que têm necessidade urgente de redenção.
2. Os pobres conhecem não somente a sua dependência de Deus e de pessoas poderosas, como também a sua dependência dos outros.
3. Os pobres descansam na sua segurança, não em coisas, mas em pessoas.
4. Os pobres não têm um sentimento exagerado sobre a sua própria importância, nem uma necessidade exagerada de privacidade.
5. Os pobres esperam pouco da competição, e muito da cooperação.
6. Os pobres podem distinguir entre as necessidades e os supérfluos.
7. Os pobres podem esperar, porque adquiriram um tipo de paciência tenaz, nascida da dependência reconhecida.
8. Os medos dos pobres são mais realistas e menos exagerados, porque eles já sabem que é possível sobreviver a grandes sofrimentos e necessidades.
9. Quando o evangelho é pregado aos pobres, fica bastante claro que são as Boas-Novas, e não uma ameaça ou uma repreensão.
10. Os pobres podem responder ao chamado do evangelho com certo abandono e uma totalidade descomplicada, porque têm muito pouco a perder, e estão dispostos a tudo.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 87-89.
Pv 28.19 O que lavra a sua terra virá a fartar-se de pão. Este versículo é similar a Pro. 27.23-27. O autor sagrado encorajou os leitores a fazer da vida agrícola a profissão deles, em contraste com realizações sem valor. A leitura das notas nas referências dadas ilustra o assunto com interessantes detalhes. Pro. 12.11 é quase igual ao presente versículo, e as notas expositivas dadas ali também se aplicam aqui. Ali, a segunda linha apresenta o indivíduo que busca alvos sem valor como se fosse um insensato sem bom senso. Aqui o homem fica pobre, em vez de enriquecer, sua motivação para as buscas “exóticas” ou profissões improváveis.
Antítese. O homem decidiu que não seria agricultor. Portanto, começou a atirar-se a buscas vãs, o que, provavelmente, significa profissões sem futuro. O homem que assim age é insensato (ver Pro. 12.11) e termina a sua carreira na pobreza. Temos um paralelo deste versículo nas Instruções de Amen-em-Ope (ver a respeito dessa obra literária em Pro. 22.2). Essa obra serviu de base para certas porções do iivro de Provérbios ou, pelo menos, houve um fundo comum de provérbios no qual ambas as obras — as instruções de Amen-em-Ope e o livro de Provérbios — se firmaram. O paralelo diz como segue:
Ara teus próprios campos, e então descobrirás o que existe, E obterás pão de tua própria eira.
Pv 28.20 O homem fiel será cumulado de bênçãos. O homem que merece confiança não empregará esquemas que tentem levá-lo à riqueza rápida. Antes, procurará ser um trabalhador árduo, obtendo seu ganho pela força do trabalho. De acordo com ele, esse é o homem que tem sabedoria e entendimento. Apesar de não enriquecer, não lhe falta coisa alguma; pelo contrário, ele obtém muitas bênçãos com o labor das próprias mãos, da parte de outros homens, que aprovam a sua conduta, e também da parte de Deus, que controla todos os acontecimentos.
Pro. 13.11 é quase idêntico a este versículo, mas as linhas estão invertidas. O homem que obtém o que possui mediante trabalho enriquecerá com as bênçãos de Deus. Encontramos algo similar em Pro.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2679.
28.17-19 — A expressão lavrar a sua terra é um chamado ao trabalho árduo, uma promessa de recompensa e um alerta contra os ociosos.
28.20 — O homem fiel tem êxito. Ou seja, é a fidelidade a Deus, e não a ambição, que determina o sucesso na vida.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 984.
Pv 29.3 O homem que ama a sabedoria alegra o seu pai. O pai, neste versículo, pode ser o pai biológico, mas também pode ser o pai espiritual, cujo filho se desviou dos ensinos de sua escola e correu para a vida mundana, incluindo a companhia de mulheres de vida fácil. Isso se ajusta bem a várias passagens da parte inicial do livro de Provérbios. Ver contra os pecados sexuais em Pro. 2.16-19; 5.3-23; 6.20-25; todo o capítulo 7 e 9.13-18. Cf. também Pro. 10.1; 23.15-24 e 27.11. Quando um filho segue os ensinamentos de seu pai, há alegria; mas os desvios para longe dessa norma arruínam tudo.
Antítese. O homem que mantém a companhia de prostitutas desperdiça suas riquezas, um elemento notável nessa espécie de pecado, embora não seja a única coisa deprimente. Ver Pro. 5.9,10; 6.26; 28.7 e Luc. 15.13,30. A sabedoria pode salvar um homem dos pecados sexuais, mormente o adultério. Ver Pro. 2.12,16 e 5.1-3,7-11. Quando um pai vê um filho seu misturado com esse tipo de vida, sente tristeza, em contraste com a alegria que vemos na primeira linha.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.  2681.
Todavia, há alguns que amam a sabedoria e alegram o seu pai; MAS o companheiro de prostitutas desperdiça os bens (v. 3). Compare com Lucas 15:11-30, especialmente 30. Esta praga social tem sido a ruína de muitos jovens, embora pareça não haver jeito. Recordamos quando um chefe de polícia, certa vez no Rio, determinou extirpar da cidade essa gente e como tantos se levantaram contra ele. Logo caiu, também por causa do jogo do cavalo. Certos pecados sociais parecem invencíveis, e o meretrício e o jogo são dois deles. Só seria possível se reformássemos a sociedade. Como? O evangelho é o único remédio.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Pv 18.23 O pobre fala com súplicas. O homem pobre, que não tem poder por causa da falta de dinheiro, tem de passar a vida esmolando pelo que quer. A própria vida o humilha na presença de outras pessoas dotadas de meios financeiros. Talvez ele não peça por um pedaço de pão nas esquinas das ruas, mas o seu estilo de vida é uma espécie de esmolar contínuo, implorando que outros sejam generosos, lhe façam empréstimos etc. Cf. Pro. 10.15,16 quanto a uma afirmação semelhante. Este versículo, incidentalmente, pode falar contra a preguiça, a qual atrai pobreza (ver Pro. 6.10,11), visto que, com frequência essa é a origem do estado de pobreza. Por outra parte, existem aqueles pobres que trabalham, mas são explorados pelos seus empregadores. Ademais, há o problema do desemprego, que garante que “os pobres sempre os tendes convosco” (Mat. 26.11). Ver Pro. 14.21 quanto à questão dos pobres; e ver no Dicionário o verbete intitulado Pobre, Pobreza.
Antítese. Em contraste com a situação dos pobres, devemos considerar o caso do homem rico e arrogante, que não tem medo da face de ninguém. Ele se pavoneia como se fosse um galo, emitindo o seu cântico tolo. Ele pode dar a outros respostas duras e apimentadas, sem temer o que possam fazer e sem se importar se eles gostam ou não do que ele faz. Portanto, bendito seja o dinheiro! Os ricos respondem duramente aos pobres, quando estes querem dinheiro. Talvez
seja essa a principal questão tencionada, nessas respostas. O pobre é mal recebido quando se dirige ao rico, para pedir-lhe que aumente o seu salário, que lhe dê um empréstimo ou alguma importância em dinheiro para alguma necessidade especial. “A pobreza gera a impotência e a humildade; as riquezas geram a auto-suficiência e a arrogância” (Fausset, in loc.).
“Encontramos aqui uma advertência contra os efeitos endurecedores das riquezas. Cf. Mar. 10.23” (Ellicott, in loc.). “Eles respondem a outros com palavras duras e brutas, especialmente com os que lhes são inferiores e, particularmente, com os pobres. Não é assim que as coisas deveriam ocorrer, mas é o que comumente acontece” (John Gill, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2631.
18.23 - Este versículo não aprova a atitude de alguns de insultar os pobres: simplesmente reconhece um fato infeliz da vida.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 855.
O pobre fala com súplicas, mas o rico respondo com dureza (v. 23). O pobre é sinônimo de humildade, mas nem sempre, pois há pobres arrogantes e malcriados. O que se ensina é que o pobre, por sua condição, é pessoa humilde, enquanto o rico se supõe senhor de tudo e é arrogante. Nem um nem outro tem de que se valer da sua condição, porque o pobre apenas é um deserdado da sorte; e o que o rico tem não é seu. Então ombreiam-se as condições de ambos. Um que não tem, e outro que tem o que não é seu.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
2. Pobreza e humildade.
Pv 28.6 Melhor é o pobre que anda na sua integridade... É melhor alguém padecer necessidades materiais, mas possuir riquezas espirituais, do que possuir riquezas e ser uma pessoa iníqua. A primeira linha deste versículo é idêntica a Pro. 19.1a, onde apresento as notas expositivas.
Antítese. O homem rico tem o que sempre foi cobiçado pelos indivíduos profanos; riquezas materiais, muito dinheiro, propriedades, prata, ouro, pedras preciosas e bens de consumo de toda espécie, grande parte deles importados. Se os homens a quem ele prejudicou não o perseguirem para fazer-lhe o mal, a retribuição divina o fará, porquanto ele vive pleno de transgressões e não pode ter uma vida longa em paz. Ver sobre o perverso, em Pro. 2.15. Esse é o homem perverso, que caminha em sua vereda pervertida.
Nos seus caminhos. Ver sobre a metáfora da vereda, em Pro. 4.11; ver Pro. 4.27 quanto aos caminhos bom e mu contrastados-, e ver sobre a metáfora do andar, no Dicionário. A questão dos caminhos pode ser traduzida por “perverso em dois caminhos”, o que poderia significar o homem que tenta seguir dois caminhos diferentes, o reto caminho da lei e o seu próprio caminho tortuoso. Se esse é o verdadeiro significado aqui, então temos Eclesiástico 2.12 como um mandamento direto contra tal tentativa. Ver sobre o vs. 5, no fim, quanto às citações.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2677.
28.6 — Os provérbios fazem considerações equilibradas a respeito do rico e do pobre. Em nenhum momento, presumem que a retidão leve à riqueza, nem que as pessoas ricas são necessariamente fiéis a Deus. Conforme indicado por este versículo 6, é melhor padecer necessidades e ter riquezas espirituais, do que possuir muitos bens e ser uma pessoa ímpia.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 984.
Pv 28.11 O homem rico é sábio aos seus próprios olhos. Um homem rico, visto ter dinheiro e poder, engana-se para pensar que é um verdadeiro líder de homens. Porém, não possuindo espiritualidade, ele se engana a si mesmo quanto às verdadeiras riquezas e à verdadeira grandeza. Um homem verdadeiramente grande pode ver a falácia que é a sua vida. Cf. esta primeira linha com Pro. 26.5 e algo similar em Eclesiastes 9.11,15.
Nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. (Apocalipse 3.17)
Antítese. Em contraste, o homem pobre, mas espiritual, tem a verdadeira compreensão que se deriva da lei de Moisés. Ele sabe quais são as verdadeira riquezas e a espiritualidade, e também sabe que o homem rico e orgulhoso não tem esse tipo de possessão. Eie percebe a farsa com a maior facilidade.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2678.
Pv 28.11 - Os ricos frequentemente pensam que são maravilhosos; por acharem que não dependem dos outros, atribuem a si mesmos o mérito por tudo o que fazem. Mas este orgulho não tem valor. Os pobres, por que dependem de Deus para ajudá-los em suas lutas, podem ter uma riqueza espiritual que dinheiro algum pode comprar. Os bens materiais podem ser perdidos ou roubados, mas não o bom caráter de uma pessoa. Não tenha inveja dos ricos; o dinheiro pode ser a única coisa que eles têm.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 869.
Pv 22.1 Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas. O bom nome corresponde à natureza real da pessoa. O indivíduo não pode ser hipócrita. Uma vez cumprida essa condição, então esse bom nome é algo que deve ser valorizado. O bom nome é preferível às grandes riquezas, que é o que a maioria dos homens busca tão diligentemente. O bom nome é o nome de um homem sábio, que estuda a lei e a segue. Pirke Aboth 4.17 tem uma excelente declaração que ilustra o versículo: “Existem três coroas, a coroa da Torah, a coroa do sacerdócio e a coroa do reinado; mas a coroa de um bom nome excede a todas essas coroas”.
Sinônimo. O favor de Deus e dos homens (que reconhecem um bom homem quando vêem um) deve ser preferível à prata e ao ouro. Já vimos que o valor da lei ultrapassa o valor do ouro, da prata e das pedras preciosas (ver Pro. 3.14; 8.10,19; 16.16). O homem que labora na lei e adquire sabedoria obterá o favor do Senhor, que também é algo dotado de grande valor. Esse homem viverá uma vida longa e próspera, por meio desse favor, e terá a ajuda do Senhor a cada passo do caminho. Um homem ganha um bom nome por meio de uma vida boa. Ele não pode ganhá-lo por meio de suas vãs riquezas.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2647-2648.
Há de contínuo uma representação do rei, ora em sua bondade, ora em sua fereza. O rei, nos antigos tempos, era mesmo o fiel da balança. Tudo estava na sua mão: dava e tirava como e de quem queria. Nos tempos modernos, felizmente, já não é tanto assim, porque há justiça para discernir os casos, mesmo admitindo-se todas as fraquezas humanas. No caso do nosso texto - Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor... (v. 1). Admite-se aqui que o Senhor é quem guiava o coração do rei; no caso de Salomão assim foi por muitos anos. Depois que se entregou aos desatinos das suas - mulheres, até a direção divina se foi.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Pv 23.5 Porventura fitarás os teus olhos naquilo que não é nada? Encontramos aqui um trio. Um homem nada mais faz senão trabalhar, e o dinheiro é o seu alvo. Subitamente, porém, todo o fruto de seu labor desaparece como se fosse uma águia a voar, conforme diz o livro de Provérbios, em lugar do ganso referido nas Instruções de Amen-em-Ope. As riquezas foram ganhas mediante enorme esforço, mas se trata de um esforço baldado. Esse trabalho simplesmente desaparece. Ver no Dicionário o verbete chamado Materialismo. Essa é uma sacola cheia de vermes. A águia voa e fica fora de nosso alcance. Existem fatores que controlam as coisas, mas que o homem não pode trocar. O homem que não busca, em primeiro lugar, o reino de Deus, também descobre que essas outras coisas não lhe serão adicionadas de forma permanente (ver Mat. 6.33). “A águia voa por mais tempo, cobrindo as maiores distâncias, e as riquezas imitam isso” (Fausset, in loc).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2654.
Pv 23.5. Fitarás os teus olhos. Literalmente, se você fizer os seus olhos voarem sobre as riquezas, eles acabarão fugindo. O alegado paralelo egípcio refere-se às riquezas adquiridas pelo roubo.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular Provérbios. pag. 59.
IV - O PRÍNCIPE VERSUS O ESCRAVO
1. Realeza: arrogância e humildade.
Casos Clássicos de Arrogância na Bíblia
Faraó (Êx 5.1-9)
'Depois, foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto. Respondeu Faraó: Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel. Eles prosseguiram: O Deus dos hebreus nos encontrou; deixa-nos ir, pois, caminho de três dias ao deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao Senhor, nosso Deus, e não venha ele sobre nós com pestilência ou com espada. Então, lhes disse o rei do Egito: Por que, Moisés e Arão, por que interrompeis o povo no seu trabalho? Ide às vossas tarefas. Disse também Faraó: O povo da terra já é muito, e vós o distraís das suas tarefas. Naquele mesmo dia, pois, deu ordem Faraó aos superintendentes do povo e aos seus capatazes, dizendo: Daqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como antes; eles mesmos que vão e ajuntem para si a palha. E exigireis deles a mesma conta de tijolos que antes faziam; nada diminuireis dela; estão ociosos e, por isso, clamam: Vamos e sacrifiquemos ao nosso Deus.9 Agrave-se o serviço sobre esses homens, para que nele se apliquem e não deem ouvidos a palavras mentirosas.
Golias (1 Sm 17.42-49)
Olhando o filisteu e vendo a Davi, o desprezou, porquanto era moço ruivo e de boa aparência. Disse o filisteu a Davi: Sou eu algum cão, para vires a mim com paus? E, pelos seus deuses, amaldiçoou o filisteu a Davi. Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas-feras do campo. Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo, o Senhor te entregará nas minhas mãos; ferir-te-ei, tirar-te-ei a cabeça e os cadáveres do arraial dos filisteus darei, hoje mesmo, às aves dos céus e às bestas- feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel. Saberá toda esta multidão que o Senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e ele vos entregará nas nossas mãos. Sucedeu que, dispondo-se o filisteu a encontrar-se com Davi, este se apressou e, deixando as suas fileiras, correu de encontro ao filisteu. Davi meteu a mão no alforje, e tomou dali uma pedra, e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa; a pedra encravou-se-lhe na testa, e ele caiu com o rosto em terra.
Senaqueribe (2 Cr 32.9-20)
Depois disto, enquanto Senaqueribe, rei da Assíria, com todo o seu exército sitiava Laquis, enviou os seus servos a Ezequias, rei de Judá, que estava em Jerusalém, dizendo: Assim diz Senaqueribe, rei da Assíria: Em que confiais vós, para vos deixardes sitiar em Jerusalém? Acaso, não vos incita Ezequias, para morrerdes à fome e à sede, dizendo: O Senhor, nosso Deus, nos livrará das mãos do rei da Assíria? Não é Ezequias o mesmo que tirou os seus altos e os seus altares e falou a Judá e a Jerusalém, dizendo: Diante de apenas um altar vos prostrareis e sobre ele queimareis incenso? Não sabeis vós o que eu e meus pais fizemos a todos os povos das terras? Acaso, puderam, de qualquer maneira, os deuses das nações daquelas terras livrar o seu país das minhas mãos? Qual é, de todos os deuses daquelas nações que meus pais destruíram, que pôde livrar o seu povo das minhas mãos, para que vosso Deus vos possa livrar das minhas mãos? Agora, pois, não vos engane Ezequias, nem vos incite assim, nem lhe deis crédito; porque nenhum deus de nação alguma, nem de reino algum pôde livrar o seu povo das minhas mãos, nem das mãos de meus pais; quanto menos vos poderá livrar o vosso Deus das minhas mãos? Os seus servos falaram ainda mais contra o Senhor Deus e contra Ezequias, seu servo. Senaqueribe escreveu também cartas, para blasfemar do Senhor, Deus de Israel, e para falar contra ele, dizendo: Assim como os deuses das nações de outras terras não livraram o seu povo das minhas mãos, assim também o Deus de Ezequias não livrará o seu povo das minhas mãos. Clamaram os servos em alta voz em judaico contra o povo de Jerusalém, que estava sobre o muro, para os atemorizar e os perturbar, para tomarem a cidade. Falaram do Deus de Jerusalém, como dos deuses dos povos da terra, obras das mãos dos homens. Porém o rei Ezequias e Isaías, o profeta, filho de Amoz, oraram por causa disso e clamaram ao céu.
Nabucodonosor (Dn 4.29-37)
Ao cabo de doze meses, passeando sobre o palácio real da cidade de Babilônia, falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade? Falava ainda o rei quando desceu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Já passou de ti o reino. Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; e far-te-ão comer ervas como os bois, e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. No mesmo instante, se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor; e foi expulso de entre os homens e passou a comer erva como os bois, o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceram os cabelos como as penas da águia, e as suas unhas, como as das aves. Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geraçáo em geração. Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? Tão logo me tornou a vir o entendimento, também, para a dignidade do meu reino, tornou- me a vir a minha majestade e o meu resplendor; buscaram-me os meus conselheiros e os meus grandes; fui restabelecido no meu reino, e a mim se me ajuntou extraordinária grandeza. Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba.
Herodes (At 12.20-23)
Ora, havia séria divergência entre Herodes e os habitantes de Tiro e de Sidom; porém estes, de comum acordo, se apresentaram a ele e, depois de alcançar o favor de Blasto, camarista do rei, pediram reconciliação, porque a sua terra se abastecia do país do rei. Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra; e o povo clamava: E voz de um deus, e não de homem! No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou.
No contexto do livro de Provérbios os termos contrastantes: “humildade” e “arrogância” ocorrem com muita frequência.
Mas um fato a se observar é que eles ocorrem sempre dentro do contexto das interações humanas. Dessa forma para se conhecer quem é o sábio, o autor de Provérbios põe no cenário, como figura contrastante, o insensato. Da mesma forma o injusto será contrastado com o justo; o rico com o pobre; o escravo com o príncipe.
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 81-85.
Os reis e governadores. Julgava-se que especialmente os reis eram possuidores da sabedoria, e isto normalmente por causa da sua relação com alguma fonte divina de entendimento. Salomão é lembrado como o mais sábio dos homens, e seu pai, Davi, possuía sabedoria mesmo quando era jovem (I Sm 16.18), o qual continuou com ele até seus últimos dias (2Sm 14.20). Davi estava ciente de que Salomão possuía sabedoria, e o aconselhou por ocasião de sua sucessão ao trono a agir “segundo a tua sabedoria” (lRs 2.6). Salomão foi confirmado e fortalecido na sua posse da sabedoria pela aparição de Deus a ele num sonho. Deus ofereceu conceder-lhe tudo que ele pedisse. Em resposta disse Salomão: “dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento” (2Cr 1.7-13). Esta sabedoria foi logo demonstrada na decisão que ele tomou no famoso caso das duas mulheres que reivindicavam a mesma criança, dando a criança à mulher que não pôde testemunhar a morte e divisão da criança, como o rei havia ordenada, o resultado de tudo isso foi que “todos tiveram profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus” (lRs 3.16-28). Salomão não apenas gozou de profundo respeito por seu próprio povo, mas pessoas vieram de muitas nações para testar a sua sabedoria, nenhuma delas é mais memorável que a rainha de Sabá (10.1-13), e foi acrescentada a seguinte observação “assim, o rei Salomão excedeu a todos os reis do mundo, tanto em riqueza como em sabedoria” (10.23). Tão grande foi a sabedoria atribuída a Salomão por sucessivas gerações que foi atribuído a ele o Livro de Provérbios, o de Cantares de Salomão o de Eclesiastes e, entre os livros não-canônicos, o Sabedoria de Salomão.
Os reis das nações pagãs eram tidos como possuidores de sabedoria, mas a sabedoria deles foi escarnecida e ridicularizada pelos profetas. Isaías anunciou que Deus castigaria o rei da Assíria por causa do seu orgulho arrogante e ostentação de que foi por sua própria sabedoria que havia triunfado (10.12,13). Igualmente ele declarou que os príncipes de Egito eram totalmente tolos: “os sábios conselheiros de Faraó dão conselhos estúpidos” (Is 19.11-13). Ezequiel denunciou o rei de Tiro em nome do Senhor porque, disse o profeta, “se considere tão sábio quanto Deus” (Ez 28.2-9 NVI).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 5. pag. 276-277.
Pv 17.17 Em todo o tempo ama o amigo. A literatura de sabedoria salienta o valor da amizade. Cf. o capítulo 27, onde o tema é dominante. “O alto valor da amizade:
Aquele que tem um amigo possui um dos melhores dons que a vida pode trazer a um indivíduo. Um amigo ama o tempo todo. As mudanças nas condições atmosféricas não alteram a devoção de um amigo... Robert Louis Stevenson tinha razão quando disse: ‘Nenhum homem é inútil, enquanto tem um amigo’... A amizade pode aproximar uma pessoa mais do que o parentesco chegado" (Rolland W. Schloerb, in Ioc.).
Aristóteles definiu a amizade como “dois corpos que compartilham uma só mente”. “Se você quiser ser amado, ame” (Hecate).
O amor não é um tolo do tempo, embora lábios róseos e bochechas
Apareçam dentro de compasso da foice curva;
O amor não se altera com a passagem das horas e das semanas,
Mas resiste a tudo, até a beira da condenação. (Shakespeare)
Sinônimo. Um bom amigo torna-se um companheiro mais chegado que um irmão (ver Pro. 18.24). Esse bom amigo pode surgir na adversidade. Os que atravessam juntos alguma adversidade profunda têm o coração entretecido um ao outro. Então o nascimento de irmãos chegados ajuda-os a enfrentar outras adversidades. “Um amigo, em tempos de tribulação, torna-se como um parente em seu apego e devoção” (Charles Fritsch, in Ioc.). Amigo e irmão, neste trecho bíblico, são sinônimos. Não devemos iniciar a segunda linha com a palavra “mas”, contrastando-a com a primeira, conforme fazem alguns intérpretes e traduções. Esse provérbio não pretende diminuir a importância das relações de sangue, pois, afinal de contas, usualmente “o sangue é mais espesso do que a água". Pelo contrário, este provérbio está meramente exaltando uma amizade autêntica. Mas, em Pro. 18.24, um verdadeiro amigo é exaltado acima do irmão médio.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.
Pv 17.17 — Este versículo enaltece a fidelidade. Ao contrário dos colegas inconstantes, o amigo verdadeiro é constante, e um irmão de verdade ajuda nas horas de aflição.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 971.
Este grupo de provérbios analisa as diversas facetas da vida, realçando as suas boas qualidades. Nada há igual a um amigo, que o é em todo tempo e na angústia se faz como irmão (v. 17). A verdadeira amizade é como a nata do leite, sem a qual ele se torna pobre. O convívio dos homens sem esta qualidade é uma conduta fraca e sem calor humano, que não se compadece dos necessitados. Uma das alegações de Jesus, a mandar para a perdição os maus, é de que não se compadeceram dos que tinham fome, frio e falta de pão (Mat. 25:40-45). A negativa da humanidade propriamente não é que determina a condenação, e, sim, a incredulidade do coração, que produz esta falta. Uma é resultante da outra, e o pecador é condenado pela sua conduta total. Quando pensamos nos milhões que se esbanjam inutilmente em "comes e bebes", quando há milhares de milhares que não tem um pedaço de pão, temos presente o quadro que se desenha no mundo inteiro, não por falta de pão, mas por falta de amor humano. Isso descreve a natureza do homem sem Deus. Parece que a loucura tomou conta do mundo, e parte dela está em que um fica por fiador do outro, levando sobre si as consequências dessa loucura (veja Jó 16:19; Prov. 6:1; Is. 38:14).
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
Pv 31.4 Não é próprio dos reis, Lemuel. Os vss. 2-7 fornecem uma longa advertência contra o uso imoderado das bebidas fortes, o que também é um tema comum no livro de Provérbios. Essa prática, tão usual entre os monarcas orientais, era um “vício de corte” especial. Os festejos constantes eram sempre acompanhados pela bebedeira. Lemuel estaria subjugado à pressão de seus pares para dar festas de vinho. Cf. este texto com Pro. 20.1; 23.20,21,29-35. Um rei precisa ter a mente desanuviada, se quiser governar bem. As bebidas alcoólicas anuviam a mente, atrapalham a memória e causam uma conduta escandalosa, coisas impróprias para um rei alegadamente sábio.
Sinônimo. Essa linha estende a proibição da ingestão de vinho a todos os governantes, incluindo os subordinados do rei, os seus oficiais. Como é natural, eles também se envolviam nas festas de vinho e no deboche que, naturalmente, as acompanhava. Ver no Dicionário os seguintes verbetes; Bebida Forte, Bebedice; Bebida, Beber e Alcoolismo, quanto a um tratamento completo sobre o assunto. Cf. também este versículo com l Reis 16.9; 20.16; Eclesiastes 10.17. “A perversão da justiça como resultado da folia também foi observada por isa. 5.22,23. Cf. com o conselho de Paulo contra esse abuso, em I Cor. 7.31.
Maus Exemplos. Ver os casos de Elá (I Reis 16.8,9), Ben-Hadade (I Reis 20.16) e Belsazar (Dan. 5.2-4), e cf. Osé. 7.5; Isa. 28.7; 56.12 e Efé. 5.18.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2592.
30.4 — Este versículo mostra a charada que deixou Agur intrigado. As questões são enigmáticas. Culminam em: Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu filho, se é que o sabes? Neste ponto, não há resposta à charada. O AT responderia que a expressão seu nome refere-se ao Senhor, mas não havia um nome para o seu filho. Esta charada ficaria sem solução até que Jesus a respondeu a Nicodemos (Jo 3.13). Estes versículos enquadram entre os textos mais messiânicos em toda a Bíblia.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 986.
Pv 29.4 O rei justo sustém a terra. Cf. esta primeira linha com Pro. 16.10-15. O bom rei, instruído na lei e obediente a ela, promove justiça, e isso estabiliza o reino, porquanto elimina os elementos destruidores. Quanto ao fato de a justiça estabelecer uma nação, ver os vss. 2,7,14 do presente capítulo; e ver também Pro. 14.34; 16.12; 20.8,26; 21.15 e 28.12.
Antítese. No entanto, um governante ganancioso pode causar confusão e desassossego generalizado. Literalmente, no original hebraico, ele é um “homem de cobranças”, sempre desejoso por mais e mais no sentido de impostos e expectação de presentes. A palavra hebraica correspondente é terumah, a qual comumente se refere a oferendas rituais, mas não é o que está em vista aqui. É provável que subornos também estejam em mira (ver Pro. 15.27). Reoboão é um bom exemplo dessa espécie de atitude. Sua ganância foi instrumental na divisão do reino em parte norte — Israel — e sul — Judá. Ver I Reis 12.1-19.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2682.
29:4. O amigo de impostos. A palavra impostos geralmente se refere às ofertas alçadas do Templo. Mas refere-se claramente aos impostos em Ez. 45:13, 16; portanto aqui pode ser aceito como referindo-se a impostos pesados demais, ou a presentes com o efeito de suborno. Não é a palavra geralmente usada para "suborno".
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular Provérbios. pag. 71.
Pv 29.14 O rei, que julga os pobres com equidade... Os reis evitam praticar abominações e cometer iniquidade (ver Pro. 16.12a), e também agem com justiça em favor das classes menos privilegiadas. Esses são elementos necessários para o bem-estar e a continuação de um reino. Cf. a primeira linha deste versículo com Sal. 72.2,4,13,17. Deve haver bondade no tocante aos menos capazes, para protegê-los. Também não pode haver parcialidade em prol dos ricos.
Pobres. No hebraico, dal, apontando para os que não apenas passam por privações materiais, mas também são fracos e débeis, não dispõem de recursos, nem interna nem externamente.
Sinônimo. Mediante ações justas, o rei garante a continuação de seu reino. O reino será estabelecido pela cooperação dos homens bons e pelo poder divino. Ver Pro. 16.12b, quanto à mesma ideia, em uma passagem que omite as palavras “para sempre” usadas neste versículo. Ver também Pro. 20.28, onde a misericórdia transmite longa vida e poder a um rei. O autor sagrado tinha fé de que o Benfeitor divino paga o rei com o bem, por seus cuidados com as pessoas débeis de seu reino.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2682.
29.13,14 — Deus é responsável por ter concedido a vida tanto ao pobre como ao opressor [NVI]. Jesus atestou que Deus faz chover sobre o justo e o injusto (Mt 5.45).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 985.
Pv 29.2 Quando se multiplicam os justos o povo se alegra. A primeira linha deste versículo é similar a Pro. 28.12a e 28.b. Quando os justos aumentam em poder ou recebem autoridade, isso é causa de alegria. Diz o original hebraico, literalmente: “No aumento dos retos”, ou seja, quando eles aumentam a ponto de receber autoridade. Um grande número de homens bons provavelmente não é o que está em vista aqui e, sim, o crescimento nas forças. Ver também Pro. 11.10. Os homens retos são conhecidos por sua justiça e equidade. Então desaparecem os roubos e os assassinatos insensatos. O povo fica livre e seguro para dedicar-se aos negócios e ao estudo da lei, coisas essas que são aproveitáveis.
Antítese. Em contraste, quando os ímpios estão em ascendência, as pessoas se lamentam, porque então o reino entra em um estado de morte e decadência. Cf. Est. 3.15. Ver Pro. 28.12 e 28.15. Nessas ocasiões, o povo é oprimido e geme como escravos quando estão sendo espancados.
“Homens ímpios e a impiedade são encorajados e promovidos; pesadas taxas lhes são impostas; o número de homens é diminuído pelo assassinato; a crueldade e as injustiças se espalham; um poder arbitrário é exercido; nenhum indivíduo e sua propriedade estão seguros” (John Gill, in loc.).
Oh, seguro, para a Rocha que é mais alta do que eu,
Minha alma em seus conflitos e tristezas voaria.
Por quantas vezes no conflito, quando oprimido pelo inimigo,
Fugi para o meu Refúgio e deixei escapar o meu ai. (William O. Cushing)
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2681.
29.2-4 — As palavras os justos se engrandecem também poderiam ser traduzidas como os justos têm autoridade. O povo sempre reage bem a um bom governo e a uma boa justiça, a qual não é feita com subornos.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 985.
2. Escravidão: humildade e realeza.
Em seu Comentário Devocional da Bíblia, o expositor bíblico Lawrence O. Richard, discorre sobre o sentido de Provérbios 31.1-9:
Esses versículos de conselho, dados por um rei que escrevia sob o pseudônimo de Lemuel, revelam uma visão elevada da responsabilidade real. O rei é servo do seu povo, e deve proteger os oprimidos e julgar com justiça. A indulgência pessoal “não é própria dos reis”. Eles devem despender a sua força e o seu vigor servindo ao seu povo, não procurando mulheres ou embriagando-se.
Essas palavras de uma mãe nos lembram de que devemos considerar toda autoridade no contexto da servidão. O homem, que é o “cabeça da casa”, como o rei desses versículos, não deve usar a sua autoridade para explorar ou “dominar” a sua esposa, mas para servir tanto a ela, como aos filhos que tiver com ela.
Dessa forma, através da sabedoria o rei justo deveria promover o bem-estar social: “O rei justo sustém a terra, mas o amigo de impostos a transtorna” (Pv 29.4, ARA). Quando esse governante não teme a Deus, mas age de forma perversa e arrogante o povo logo sente os reflexos: “Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira” (Pv 29.2, ARA). Por isso o governante sábio dará atenção especial aos mais humildes: “O rei que julga os pobres com equidade firmará o seu trono para sempre” (Pv 29.14, ARA).
GONÇALVES. José,. Sábios Conselhos para um Viver Vitorioso Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Editora CPAD. pag. 90.
Pv 17.2 O escravo prudente dominará sobre o filho que causa vergonha. Até mesmo o escravo de um homem, se trabalhar fiel e sabiamente, será mais favorecido pelo pai de uma casa do que o próprio filho, caso esse se conduza de maneira vergonhosa e traga desgraças sobre sua mãe e seu pai. Cf. este provérbio com Gên. 15.2,3 e I Crô. 2.35. Tal escravo acabará governando o filho desviado, e, de fato, o pai do rapaz dará ao escravo o cuidado de todas as tarefas domésticas.
Essa porção do versículo tem sido cristianizada para fazê-la referir-se aos gentios que tiravam proveito dos judeus, por terem estes rejeitado a missão e o governo do Messias. Eles eram descendentes de Abraão, mas quem não era filho se apossava da filiação deles.
Sinônimo. Não somente um escravo governaria um filho que tivesse desgraçado a si mesmo e ao nome de sua família, mas também ficaria como parte da herança como se fosse um filho do dono da casa, e um irmão dos filhos naturais daquele homem. A segunda linha deste provérbio tem sido cristianizada para falar da herança dos gentios, que se tornaram a igreja, ao passo que os judeus foram rejeitados, preferindo permanecer na incredulidade. Ver Rom. 8.17. (Quanto a um exemplo veterotestamentário desta segunda linha, ver II Sam. 16.) Eliezer teria sido o herdeiro de Abraão, não fora o nascimento oportuno de Isaque. Escravos fiéis com frequência eram elevados a posições de poder e confiança e eram libertados diante da morte de seus proprietários. Ver Gên. 24.2; 39.4-6. Ver no Dicionário o artigo chamado Escravidão. Jeroboão prevaleceu sobre Roboão, o filho desgraçado de Salomão, e o reino de Israel foi dividido em dois (ver I Reis 12). Jeroboão terminou ficando com a maior parte — dez dentre as doze tribos.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2623.
17.2 — Azares súbitos poderiam acontecer se o servo prudente fosse muito habilidoso e o filho e seus irmãos fossem indignos. Boa parte do livro de Gênesis fala sobre a ascensão de um filho caçula inesperado em desfavor de seu irmão mais velho (Gn 25.23-34).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 970.
O escravo prudente dominará sobra o filho que causa vergonha,. Isso aconteceu logo depois da morte de Salomão, quando um serventuário, por nome de Jeroboão, dominou e roubou a herança do filho louco Roboão. Este é um dos casos mais tristes da história hebraica, de que resultaram tantos malefícios (veja I Reis 12:1-15). Jeroboão era sagaz, enquanto Roboão era insensato. Aquele ficou com a parte do leão, dominando sobre 10 tribos, enquanto o herdeiro ficou com apenas duas.
Antônio Neves de Mesquita. Provérbios. Editora JUERP.
I Reis 12.16 A Casa Real de Davi foi prontamente rejeitada pelos representantes das dez tribos do norte. Eles formariam uma nova casa real, a casa de Jeroboão, que seria um governo mais são. As tribos do norte tinham uma longa história de antagonismos, e já haviam rejeitado o governo de Davi (ver II Sam. 19.41-20.22). Fora com relutância que a parte norte do país aceitara, finalmente, o reinado de Davi. Além disso, havia o temor da guerra civil e de outras confusões. Agora, através da resposta tola dada por Roboão, antigos antagonismos rebentaram sob a forma de rebelião e cisma. Duas nações surgiram onde antes havia uma única. Ver o artigo do Dicionário intitulado Rei, Realeza, quanto a uma lista dos reis dessas duas nações, Israel e Judá, em comparação a potências estrangeiras.
Não há para nós heranças no filho de Jessé! Cf. II Sam. 20.1, que contém elementos quase idênticos. O antigo espírito de contenção e rebelião de súbito se renovou. Mas, naquele caso, Davi conseguiu corrigir as atitudes populares. Roboão, porém, não seria capaz de duplicar o feito de seu avô, nem mesmo tentou fazê-lo. Pairou uma ameaça de guerra civil, que por fim foi evitada (ver I Reis 12.21-24). Para tanto, porém, foi mister uma intervenção divina. A divisão foi necessária, mas não a guerra civil. A vontade divina impediu isso.
Às vossas tendas, ó Israel! Em outras palavras, os representantes das tribos do norte “voltaram para suas casas”. Não há nessas palavras nenhuma indicação de preparação para a guerra. Nos dias das perambulações pelo deserto, a população vivia em tendas. Embora agora contassem com casas que lhes serviam de residências fixas, estas continuavam, ocasionalmente, a ser chamadas de “tendas”. Cf. II Sam. 20.1.
Cuida agora da tua casa, ó Davi! Em outras palavras: “Agora tens teu próprio reino. Esqueça-te da parte norte, que não mais te pertence. Tu perdeste as dez tribos!”. Roboão, em sua arrogância, havia garantido para si mesmo um pequeno reino, a saber, a tribo isolada de Judá, que já havia absorvido as tribos de Simeão e Benjamim. Que Davi cuidasse daquele lugar miserável. De súbito, Roboão perdera a grandeza de Salomão e encerrara para sempre a época áurea de Israel. E o próprio Salomão era a causa desse lamentável estado de coisas (ver I Reis 11.11,12). “A ameaça ditatorial de Roboão alienou os súditos que sofriam. Ali eles secionaram e quebraram a unidade das doze tribos” (Thomas L. Constable, in loc).
I Reis 12.17 Quanto aos filhos de Israel. Os nortistas que tinham vindo residir em Judá decidiram permanecer onde estavam e suportar a Roboão como rei. Este versículo não aparece na Septuaginta, mas sua base é II Crô. 11.16, sendo possível que ela tenha sido acrescentado aqui por algum editor posterior, a bem da harmonização com o trecho paralelo. Todavia, em II Crônicas, a ideia é outra; trata das pessoas que deixaram o norte, por causa da adoração idólatra que ali havia sido instalada, para viver no sul. Eles queriam viver no sul por causa da adoração centralizada no templo de Jerusalém. Essa fé religiosa parecia-lhes mais importante do que acompanhar o cisma nortista, por mais justo que tenha sido esse cisma. O movimento para o sul, da parte de algumas pessoas, ocorreu quando Jeroboão expulsou os sacerdotes levíticos e criou um sacerdócio todo seu. Ademais, ele já havia entrado nos estágios iniciais da idolatria (ver II Crô. 11.15), Assim, o povo fugiu dali e submeteu-se ao governo de Roboão, a fim de conservar as antigas formas religiosas do yahwismo. Assim sendo, quando a poeira assentou, houve algumas mudanças de residência. Mas, na maior parte, o norte continuou o norte, e o sul continuou o sul.
I Reis 12.18 Adorão, superintendente dos que trabalhavam forçados. Esse homem é mencionado aqui e em II Sam. 20.24. Formas variantes de seu nome são Adonirão e Hadorão. Era um dos oficiais de Salomão, e então passou a ser um dos oficiais de Roboão, encarregado do trabalho forçado e do tributo. Ao que tudo indica, o rei Roboão o tinha acompanhado, ou então não estava distante, porque, quando Adorão foi apedrejado, o rei precisou fugir para permanecer vivo. Parece que Roboão enviou Adorão como embaixador ao norte, talvez para tentar endireitar as coisas. Ou, o que é menos provável, para tentar continuar recebendo tributos das dez tribos do norte. Seja como for, Roboão continuava agindo como um tolo, tomando más decisões. Adorão era odiado de forma especial, e dificilmente era o homem certo para atuar como embaixador. E tentar obter mais tributos das tribos do norte era outro absurdo. O resultado foi que os homens do norte, sem fazer nenhuma pergunta, simplesmente apedrejaram o pobre homem até a morte. Ver no Dicionário o verbete chamado Apedrejamento.
Josefo ajunta que a missão de Adorão era de reconciliação e de um esperado diálogo (Antiq. 1.8, cap. 8, sec. 3). Mas Adam Clarke (in loc), supõe que o objetivo dele era de recolher os impostos regulares. Não há como solucionar essa questão. “A visão do homem que fora o capataz da opressão naturalmente despertou a multidão a uma nova explosão de fúria, do que resultou o assassinato deste, e talvez até ameaças a seu senhor, o qual teve de fugir apressadamente para Jerusalém” (Ellicott, in loc.).
I Reis 12.19 O assassinato de Adorão foi outro acontecimento decisivo que confirmou a divisão do reino de Israel, As coisas tinham evoluído para além da possibilidade de reparo e, quando o autor sagrado escreveu este livro, a divisão continuava. Naturalmente, isso implica uma data pré-exílica, pelo menos quanto à seção à nossa frente, enquanto outras partes, com toda a probabilidade, foram adicionadas após os cativeiros (ver a respeito no Dicionário). O cativeiro assírio pôs fim às dez tribos, do norte. Até então, as duas nações continuaram a existir, frequentemente em antagonismo.
I Reis 12.20 Tendo ouvido todo o Israel que Jeroboão tinha voltado. O norte como um todo, exceto os poucos que migraram para o sul, por razões religiosas (ver o vs. 17), concordou em fazer de Jeroboão o novo rei. Não houve quem discordasse, nem houve tentativas de rebelião. Por consentimento unânime, Jeroboão foi reconhecido como o homem do momento, cumprindo assim a profecia de Aias (ver I Reis 11.35-37). O versículo sugere uma coroação formal, visto que Jeroboão foi chamado para tomar parte em uma assembleia formal. Essa assembleia provavelmente ocorreu em Siquém (ver I Reis 12.1 e suas notas expositivas).
Senão somente a tribo de Judá. Essa foi a tribo que permaneceu com Roboão, concordando com a expressão “uma tribo” de I Reis 11.13,32 e 36. Mas a Septuaginta adiciona aqui a tribo de Benjamim, porque o número tradicional das tribos era de doze. Não obstante, Benjamim havia sido absorvida por Judá, tendo deixado de existir como uma tribo separada e funcional, pelo que, de fato, só havia uma tribo no sul. Juizes 20 fala da quase aniquilação da tribo de Benjamim e, daquele tempo em diante, ela nunca foi uma tribo poderosa. O vs. 21 retém, contudo, a tribo de Benjamim. Havia uma distinção territorial, mas não uma distinção real, entre Judá e Benjamim.
Jeroboão fez de Siquém a sua capital (ver o vs. 25). Ele se tornou o rei de Israel, título que, para os nortistas, sem dúvida indicava que ele era “o único rei de Israel”, fazendo de Roboão um dissidente e um rei falso, que tinha seu pequeno reino para o sul.
I Reis 12.21 Vindo, pois, Roboão a Jerusalém. Ameaças de Guerra Civil. Reduzido a duas tribos (Judá e Benjamim), onde Benjamim quase nem era mais uma tribo (ver a última seção nas notas sobre o versículo anterior), Roboão tentou ser um “herói nacional” e reuniu um exército. Ele conseguiu ajuntar 180.000 guerreiros, entre os quais havia alguns realmente valentes. Isso significava que poderia haver muito derramamento de sangue, em que irmão mataria a irmão, outra das loucuras de Roboão. A maioria dos políticos toma boas e más decisões, mas Roboão, até este ponto da narrativa bíblica, só tomara péssimas decisões. Ele ia de um desastre para outro. A época áurea de Israel havia definitivamente terminado.
O propósito de Roboão era reunificar Israel, o que ele poderia ter conseguido tratando com mais humanidade as dez tribos do norte (ver I Reis 12.4). Tendo perdido essa oportunidade, ele decidiu apelar para a guerra e para a matança, a fim de realizar o seu propósito.
I Reis 12.22,23 Porém veio a palavra do Senhor a Semaías. Nova Intervenção Divina. Roboão, com os maduros soldados do exército de Salomão, simplesmente poderia ter apanhado o homem, Jeroboão, em um momento fora de guarda, derrotando-o no campo de batalha. Mas a vontade de Deus era a divisão (I Reis 11.11,12,30 ss.), uma medida necessária em punição à idolatria de Salomão. Além disso, Jeroboão tinha de ser o rei das tribos do norte (ver I Reis 11.37). Estava sendo preparado um destino que não era inteiramente compreendido. Mas a vontade e o poder de Yahweh controlavam a situação. Ver as notas sobre os vss. 13 e 15 quanto a uma discussão mais detalhada a respeito.
Foi assim que o profeta Semaías (ver no Dicionário) foi levantado. A ele foi concedido o poder de impedir a guerra civil. Deus é aqui, no original hebraico, Elohim, o Todo-poderoso. Seu poder é reconhecido no fato de ter impedido a guerra civil. Ver no Dicionário o verbete chamado Deus, Nomes Bíblicos de.
Não estamos informados sobre como a Palavra de Deus veio a Semaías. Provavelmente isso ocorreu em alguma visão noturna, um sonho incomum. Ver no Dicionário os artigos chamados Sonhos, Visão (Visões) e Misticismo. A fé dos hebreus sempre incluiu a ideia de intervenções divinas por meio de iluminação especial, através de algum profeta ou homem santo. A experiência humana atesta essa possibilidade, embora, em algumas seções da Igreja atual, a questão seja exagerada e, algumas vezes, trivializada. Há muitas vozes estranhas que nada têm que ver com o Espírito de Deus e, além disso, há capacidades psíquicas naturais que podem imitar o que é verdadeiramente espiritual. Não obstante, a realidade espiritual faz-se presente, manifestando-se ocasionalmente.
E ao resto do povo. O profeta Semaías tinha uma mensagem destinada às duas tribos que se tinham tornado o remanescente de Israel. O Espírito de Deus prepararia os corações para acolher a mensagem. Pelo menos por uma vez. Roboão tomou uma boa decisão. Alguns intérpretes insistem que a palavra aqui traduzida por “remanescente”, em algumas versões, deveria ser simplesmente “resto” (ou seja, aqueles além dos que foram especificamente mencionados). A palavra formal, remanescente, parece ocorrer, pela primeira vez, em Isa. 7.3 e 10.21-23. Não obstante, Judá era, na ocasião, somente o remanescente de um reino, um dos pedaços da veste rasgada do profeta Aias (ver I Reis 11.30).
I Reis 12.24 Assim diz o Senhor. O Espírito de Deus fez aqueles corações duros e violentos ouvir a voz do profeta Semaías, deitando fora as armas e esquecendo- se da guerra civil. Não era bom fazer guerra contra irmãos, o que Israel (o norte) era para Judá (o sul). Por conseguinte, temos aqui um caso de intervenção divina para deter a loucura humana. Por muitas vezes, Deus oculta-se nas sombras, para observar o que faremos com nossos dons e oportunidades. Ocasionalmente, porém, as coisas tornam-se demais para nós. Em seguida, o poder divino invade a cena e provê uma intervenção divina que nos impede de cair e nos permite cumprir os propósitos que nos tiverem sido destinados. Oh, Senhor, concede-nos tal graça! Ver no Dicionário o artigo chamado Providência de Deus. A mão interventora de Deus é uma realidade. Isso reflete o teísmo (ver a respeito no Dicionário), em contraste com o deísmo (que também aparece como um artigo do Dicionário). O Criador faz-se presente para intervir, para abençoar, para punir e para dirigir. Ele não está divorciado do universo (conforme afirma o deísmo), nem deixou as coisas criadas nas mãos das leis naturais apenas.
Jeroboão Consolida Seu Reino e Toma Providências acerca de Jerusalém
(12.25-33)
I Reis 12.25 A capital das dez tribos do norte era Siquém. Foi uma boa escolha, embora nada no plano divino pudesse ter substituído Jerusalém, que se tornara o lugar centralizado de governo e de fé religiosa. Coisa alguma poderia substituir o templo de Jerusalém, mas em breve Jeroboão, mergulhado na idolatria, inventaria seu próprio sacerdócio e seu próprio sistema de adoração (vss. 28 e 29). Ele não queria que peregrinos do norte fossem a Jerusalém.
 “Jeroboão fez de Siquém sua capital, tomando assim plenas vantagens das antigas tradições do lugar como centro da história do norte de Israel. Penuel ficava às margens do ribeiro de Jaboque, na parte leste do rio Jordão e na mesma latitude de Siquém. Dominava a estrada para o oriente, saindo do vale do rio Jordão, a rota favorita dos invasores nômades (ver Juí. 8.8). Penuel, pois, foi assim edificada como uma defesa avançada para Siquém” (Norman H. Snaith, in loc.).
Jeroboão fez tudo quanto pôde para impedir que os israelitas do norle visitassem Judá, porque era ali que o templo estava. Desde o princípio, ele havia desobedecido à voz de Yahweh, que o tinha chamado para ser o rei do norte (ver I Reis 11.38). Como todos os reis, ele deveria andar em estrita obediência à lei mosaica. Assim, com a mesma facilidade com que se desfez do jugo da casa de Salomão, também seguiu em seu próprio caminho idólatra. Ver o primeiro versículo deste capítulo quanto a notas expositivas sobre Siquém, e ver a respeito especialmente o Dicionário.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1409-1410.
I Reis 12.16 — Que parte temos nós com Davi? A antiga rivalidade sentida pelas tribos do norte chegaram ao limite no ressentimento contra a tribo de Judá e contra a casa de Davi. Saul foi da tribo de Benjamim e foi considerado “um deles” . Davi pareceu distante do sul. A insensibilidade de Roboão à volátil situação levou a nação à divisão.
I Reis 12.17 — Cidades de Judá. A parte sul também incluiu as terras da tribo de Simeão. Mas Simeão foi absorvida por Judá; as suas terras foram no meio da herança dos filhos de Judá (Js 19.1b).
I Reis 12.18 — A resistência das tribos do norte ao agente do rei Adorão foi rigorosa e decisiva — eles o mataram!
I Reis 12.19 — Assim se desligaram os israelitas da casa de Davi até ao dia de hoje. Em outras palavras, até o dia do narrador. A rebelião de Israel foi a sua própria destruição.
I Reis 12.20 —Jeroboão, rei. A coroação de Jeroboão foi profetizada por Aias, o profeta do Senhor (1 Rs 11.29-31). Apesar de tudo, a coroação aparentemente foi feita sem o intermédio de sacerdotes ou profetas do Senhor; não houve unção divina nem cerimônia verdadeiramente religiosa. Somente os reis do Reino do Sul tinham a sanção da aliança davídica (2 Sm 7).
I Reis 12.21 — A primeira inclinação de Roboão quando ele chegou a Jerusalém foi para liderar uma guerra em represália a Israel. Benjamim. Nem todo o povo da tribo da fronteira deve ter seguido este caminho.
I Reis 12.22 — De acordo com 2 Crônicas 12.15, Ido, o profeta, e Semaías escreveram uma história sobre o reinado de Roboão. O seu nome significa Yahweh foi ouvido. O cronista também relata que Semaías profetizou a humilhação de Judá na invasão de Sisaque (2 Cr 12.5-8). A Septuaginta indica que Aias foi o profeta que predisse a divisão do reino (1 Rs 11.29-39). Homem de Deus é um dos muitos termos usados para se designar um profeta de Deus (1 Rs 13.1).
I Reis 12.23,24 — Eu é que fiz esta obra. O comportamento tolo de Roboão gerou a divisão da nação em dois novos reinos, efetuada por Deus.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 575-576.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Um comentário: