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1° LIÇÃO 4° TRIMESTRE 2014. DANIEL, NOSSO "CONTEMPORÂNEO"


DANIEL, NOSSO "CONTEMPORÂNEO"
O livro de Daniel foi (e talvez ainda seja) objeto de algumas controvérsias entre os teólogos. Não por acaso, um crente batista, Willian Miller (ou Guilherme Miller), no ano de 1831, através de uma série de cálculos, popularizou a interpretação de Daniel 8.14 cujo resultado previa a volta de Jesus em 22 de Outubro de 1844. Miller errou na interpretação e até hoje o nosso Senhor não veio!

Anteriores a Willian Miller, outros intérpretes chegaram às conclusões semelhantes: o Jesuíta Manuel Lacunza (1731-1801); o jurista mexicano, Gutierry de Rozas (1835); Adam Burwell, missionário canadense da sociedade para propagação do Evangelho (1835); R. Scott, padre anglicano e, em seguida, pastor Batista (1834); o missionário inglês, Joseph Wolff (1829). Por que um livro bíblico, a Palavra de Deus, traria tantas discrepâncias?
O problema não está na Bíblia, mas em quem a interpreta. Por isso, devemos considerar algumas informações ao iniciar o nosso estudo em Daniel:
Um relato histórico. O conceito conversador e tradicional de que o livro de Daniel é histórico e remonta os próprios dias do profeta era unânime até aparecer a crítica moderna da Bíblia. Ainda assim, não temos razões para mudar este conceito hoje.
O livro. O texto foi escrito em hebraico, entretanto, os capítulos da seção 2.4 a 7.28 foram redigidos em aramaico. Derivado da Caldeia, o aramaico era um idioma popular das relações internacionais do período imperial babilónico.
O Esboço. Este nos ajuda a compreender a unidade literária do livro de Daniel. A estrutura da obra bíblica consta assim: (I) História [1—6] e (II) Profecia [7—12],
(I) História: Daniel na Babilônia [1]; as duas imagens
— o sonho e a estátua de Nabucodonosor [2 e 3]; Dois reis sob disciplina — o orgulho de Nabudonosor e a profanação de Belsazar [4 e 5]; O decreto de Dario [6].
(II) Profecia: As duas visões dos animais-impérios
— os quatro animais / o bode e o carneiro [7 e 8]; A explicação das duas profecias — os 70 anos de Jeremias e os acontecimentos dos últimos tempos [9—12],
Propósito: Revelar o escape de Deus para o Seu povo, apesar das injustiças promovidas pelos impérios pagãos. O profeta Daniel mostra que o Senhor julgará os poderes políticos do mundo que institucionalizam a injustiça. Quando entendemos a unidade literária de Daniel os símbolos e as figuras apresentadas no livro tornam-se complementos do assunto central: a Soberania de Deus.
Revista Ensinador. Editora CPAD. pag. 36.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Daniel é um personagem do Antigo Testamento que os estu- ' diosos o identificam, antes de tudo, como um estadista na corte de impérios pagãos da Babilônia e da Pérsia. Na sua história de judeu criado e formado no palácio do reino de Judá, Daniel não exercia nenhuma atividade religiosa, pois não era da família sacerdotal, nem era um profeta. Entretanto, sua fidelidade a Deus e o seu temor demonstrado, deu-lhe o privilégio de ser alguém que Deus revelaria coisas profundas acerca do futuro do seu povo exilado na Babilônia.
Quando os livros do Antigo Testamento foram organizados, o livro de Daniel não constava na lista dos livros canonizados na primeira reunião de livros sagrados. O livro de Daniel só veio aparecer na terceira reunião de livros (o kethubhim), quando foram reunidos os livros proféticos denominados “os Escritos”. Uma das razões estava no fato de o livro de Daniel ter sido escrito muito tempo depois da maioria dos livros proféticos. O reconhecimento de que seu livro tinha um caráter profético tem o testemunho de Cristo que confirmou a historicidade de Daniel, o qual se referiu a ele como um profeta (Mt 24.15). Os biblicistas e teólogos reconhecem, ao longo da história, que Daniel foi um dos mais importantes profetas de Israel à semelhança de I saí as, Jeremias e Ezequiel. Suas profecias falam de um tempo específico do tratamento de Deus com o seu povo. São profecias relativas ao “fim do tempo”, um período especial no mundo, em que Deus trataria especialmente com Israel e com todas as nações que se levantariam contra o povo de Deus naquele tempo. Suas profecias não são isoladas do restante das profecias bíblicas quanto ao futuro. Fatos e personagens, mesmo que demonstrados numa linguagem figurada, são identificados com outras profecias no Antigo e no Novo Testamento.
A vida e o ministério de Daniel, o profeta e estadista, desenvolveram-se em meio a grandes mudanças e transformações sociais, religiosas e políticas do mundo de então. Com o desaparecimento do Império Assírio em 606 a.C., entra no cenário o poderoso Nabucodonosor que se tornou um dos mais famosos reis de todo o “Fértil Crescente”, cujo reinado durou 43 anos. Nesse período, Nabucodonosor foi um imperador tenaz e conquistador, além de ter restaurado cidades e templos em ruínas, ele construiu canais, represas e portos, contribuindo com a civilização daquela época. Foi ele que conquistou nações e, entre as quais, o reino de Judá e seus príncipes e sábios.
Daniel, Ananias, Misael e Azarias foram os jovens levados cativos, dos filhos de Judá, para o Palácio da Babilônia. A estes quatro jovens, Deus deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e, a Daniel, deu entendimento em toda a visão e sonhos (Dn 1.17). A contemporaneidade de Daniel diz respeito ao fato de que as visões e revelações concedidas por Deus a ele têm uma abrangência profética aos nossos tempos.
Desde o período do cativeiro babilónico, passaram-se aproximadamente 2.500 anos (550 a.C. — 2.014 d.C.) e o profeta Daniel é, indiscutivelmente, um profeta que não ficou restrito ao passado. Daniel é um profeta para nossos tempos; é um profeta contemporâneo. O nome, a vida e a obra do profeta Daniel são um exemplo de um homem que, mesmo estando em circunstâncias adversas, em meio a uma cultura pagã, não perdeu o vínculo com o seu povo e com a sua fé em Deus. No Evangelho de Mateus temos um dos mais importantes discursos proféticos de Jesus no qual Ele cita o profeta Daniel (Mt 24.15). As profecias de Jesus tinham um caráter especial porque se referiam essencialmente ao povo de Israel. Entretanto, podemos perceber que as evidências proféticas não se restringiam apenas a Israel, mas tinham e têm um alcance e abrangência à toda a humanidade. A preocupação de Jesus era responder a algumas questões que os judeus faziam quanto à vinda do Messias para estabelecer o seu Reino na terra.
Alguns biblicistas e pesquisadores da história bíblica, ao analisarem o livro de Daniel do ponto de vista histórica-crítica, criaram dificuldades para aceitar o conteúdo profético e teológico do livro de Daniel. Porém, o cumprimento de algumas das profecias na história de Israel, não só deram credibilidade ao livro, como serve de base para o cumprimento do restante da profecia para o “fim do tempo” (Dn 8.17). Portanto, o livro de Daniel não pode ser relegado a um papel secundário no cânon das Escrituras. A igreja de Cristo reconhece o valor da história e da profecia desse livro e proclama a Fé no Deus Todo-Poderoso que controla e domina a história.
Para entendermos o livro de Daniel em termos de história e profecia, precisamos conhecer alguns elementos que dão consistência ao seu estudo.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 17-19.
Mt 24.15,16 Jesus advertiu contra a procura de sinais, mas como uma parte final da sua resposta à segunda pergunta dos discípulos (24.3) Ele lhes falou do evento definitivo que iria significar a destruição vindoura.
A abominação da desolação se refere à profanação do Templo pelos inimigos de Deus. Mateus insiste para que os seus leitores entendam as palavras de Jesus à luz da profecia do profeta Daniel, no Antigo Testamento (veja Dn 9.27; 11.31; 12.11).
O primeiro cumprimento da profecia de Daniel aconteceu em 168 a.C., com Antíoco Epifânio, quando ele sacrificou a Zeus um porco no altar do Templo sagrado e fez do judaísmo uma religião ilegal, punível com a morte. Isto incitou a guerra dos macabeus.
O segundo cumprimento aconteceu quando se concretizou a predição de Jesus sobre a destruição do Templo (24.2). Dentro de poucos anos (70 d.C.), o exército romano iria destruir Jerusalém e profanar o Templo.
Com base em 24.21, o terceiro cumprimento ainda está por acontecer. As palavras de Jesus se referem ao final dos tempos e ao anticristo.
No final dos tempos, o anticristo irá cometer o sacrilégio final, colocando uma imagem de si mesmo no Templo e ordenando a todos que a adorem (2Ts 2.4; Ap 13.14,15).
Muitos dos seguidores de Jesus estariam vivos durante a época da destruição de Jerusalém e do Templo, em 70 d.C. Jesus advertiu os seus seguidores para que saíssem de Jerusalém e da Judéia e fugissem para os montes, cruzando o rio Jordão, quando vissem o Templo sendo profanado. Isto provaria ser para a sua proteção, pois quando o exército romano invadisse, a nação e a sua cidade principal seriam destruídas.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 142.
Mt 24.15 Ele prediz, mais particularmente, a destruição que viria sobre o povo dos judeus, a sua cidade, o seu Templo e a sua nação (v. 15ss.). Aqui Jesus chega mais perto de responder às perguntas dos discípulos sobre a destruição do Templo, e o que Ele disse aqui será útil para eles, tanto para o seu comportamento quanto para o seu consolo, referindo-se àquele grande evento. Ele descreve os diversos estágios daquela calamidade, como é usual em uma guerra.
1. Os romanos trarão “a abominação da desolação” ao “lugar santo” (v. 15). Considere que: (1) Alguns entendem que uma imagem, ou estátua, colocada no Templo por alguns dos governantes romanos, e que era muito ofensiva aos judeus, os levou a se rebelarem, e desta maneira trouxe a desolação sobre eles. A imagem de Júpiter (um dos deuses do Olimpo), que Antíoco mandou colocar sobre o altar de Deus, é chamada Bdelygma eremoseos
A abominação da desolação, a mesma palavra usada aqui pelo historiador (1 Macabeus 1.54). Desde o cativeiro na Babilônia, nada era, nem poderia ser, mais desagradável para os judeus do que uma imagem no lugar santo, como se pode perceber pela poderosa oposição que eles fizeram quando Calígula se ofereceu para colocar a sua estátua ali, o que teria tido conseqüências fatais, se não tivesse sido evitado, e a questão apaziguada, pelo comportamento de Petrônio. No entanto, Herodes colocou a imagem de uma águia sobre a porta do Templo e, dizem alguns, a estátua de Tito foi colocada dentro do Templo. (2) Outros preferem explicar isso com o trecho paralelo (Lc 21.20): “quando virdes Jerusalém cercada de exércitos”. Jerusalém era a cidade santa, Canaã era a terra santa, e o monte Moriá, que está próximo de Jerusalém, pela sua proximidade com o Templo, era, de uma maneira especial, considerado solo sagrado; o exército romano estava acampado na região ao redor de Jerusalém, e isto teria sido a abominação que produziu a desolação. A terra de um inimigo é considerada como “a terra de que te enfadas” (Is 7.16), de modo que um exército inimigo, para um povo fraco, mas voluntarioso, pode perfeitamente ser chamado de abominação. Diz-se que isto se refere a Daniel, que falou mais claramente do Messias e do seu reino que qualquer outro dos profetas do Antigo Testamento. Ele fala de uma “abominação desoladora”, o que seria feito por Antíoco (Dn 11.31; 12.11),
mas isto a que se refere o nosso Salvador nós temos na mensagem trazida pelo anjo (Dn 9.27) do que aconteceria no final de setenta semanas, muito tempo depois da anterior; pois com o aumento das abominações, ou, como diz a anotação na margem, com os exércitos abomináveis (o que esclarece a profecia),/Ele trará a desolação. Exércitos de idólatras podem ser chamados de exércitos abomináveis; e alguns pensam que os tumultos, insurreições, facções e sedições abomináveis, na cidade e no Templo, podem, pelo menos, ser interpretados como parte da abominação causando desolação. Cristo lembra aos discípulos a profecia de Daniel, para que eles possam ver como a destruição da sua cidade e do seu Templo foi mencionada no Antigo Testamento, o que confirmaria a sua predição e, ao mesmo tempo, removeria a ira da sua profecia. Da mesma maneira, eles poderiam, a partir de então, começar a contar o tempo logo depois da morte do Messias, o príncipe. O pecado cometido quando os judeus o rejeitaram e a certeza da destruição são uma desolação determinada. Assim como Cristo, pelos seus preceitos, confirmou a lei, também pelas suas predições Ele confirmou as profecias do Antigo Testamento, e isto será útil para a comparação de ambas.
Tendo sido feita referência a uma profecia, que normalmente é obscura, Cristo insere este lembrete: “Quem lê, que entenda” . Aquele que lê a profecia de Daniel, compreenda que ela deverá se cumprir então, dentro de pouco tempo, na destruição de Jerusalém. Observe que aqueles que lêem as Escrituras, devem se esforçar para entendê-las, caso contrário a sua leitura terá pouco propósito. Nós não podemos utilizar aquilo que não compreendemos. Veja Jo 5.39; At 8.30.
O anjo que trouxe esta profecia a Daniel o estimulou para que a conhecesse e entendesse (Dn 9.25). E nós não devemos perder a esperança de entender, nem mesmo as profecias obscuras; a maior profecia do Novo Testamento é chamada de “revelação”, e não de segredo. Agora as coisas reveladas pertencem a nós; portanto, elas devem ser investigadas com humildade e diligência. Também podemos compreender não apenas as Escrituras que falam dessas coisas, mas pelas Escrituras devemos compreender os tempos (1 Cr 12.32).
Observemos e prestemos atenção; assim alguns interpretam isso. Que nos asseguremos de que, apesar das esperanças vãs com as quais as pessoas iludidas se alimentam, os exércitos abomináveis trarão desolação.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 315.
Mt 24.15-21 Ainda que alguns intérpretes tomem esta passagem como se referindo exclusivamente à segunda vinda, há nela referências inconfundíveis à destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C .. como é claro no relato paralelo de Lc 21.20-24.
A destruição de Jerusalém era o prenúncio do Juízo Final e, assim, era o sinal da ira vindoura Ele permanece como a declaração incomparável do fim da era antiga e, por isso, é um sinal específico e singularmente importante.
Mt 24.15 o abominável da desolação. A frase é de Dn 9.27; 11.31, onde se refere à profanação do templo por Antíoco Epifânio, em 168 a.C. Antíoco erigiu um altar pagão no templo. Segundo Josefa, ele também sacrificou porcos ali.
Pouco antes do ano 70 d.C., os Zelotes estiveram no recinto do templo, durante a guerra com Roma, e sua presença ali pode ter sido considerada uma profanação. No ano 70 d.C., os romanos entraram no templo com seus estandartes militares, suas insígnias cerimoniais que eram elementos de sua religião. Carregaram os vasos sagrados, inclusive o candelabro, e incendiaram o templo. Esculturas das tropas romanas carregando os vasos são vistas no Arco de Tito, em Roma.
Bíblia de Estudo de Genebra. Editoras Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 1135.
I – A HISTÓRIA POR TRÁS DO LIVRO DE DANIEL
1. A formação histórica de Israel.
Ao estudar o livro de Daniel e para entendê-lo precisamos saber que esse livro não é ficção, mas está intimamente relacionado com todos os acontecimentos deste mundo em relação ao tempo, à geografia e à história. E um livro que tem data e foi escrito em determinada ocasião. Por isso, as profecias, mediante as visões e revelações de Deus dadas ao seu servo Daniel tem respaldo histórico. Os eventos proféticos nos levam a entender o plano divino para Israel e o resto do mundo.
A revelação do projeto de Deus com Israel
Existem fatos na história da humanidade que os historiadores e pesquisadores não conseguem explicar. São os fatos que envolvem a presciência divina. Deus, em sua presciência escolheu um homem do meio da humanidade existente para ser o protótipo de um projeto que o colocaria na história.
Esse projeto começou com um dos personagens mais extraordinários da Bíblia Sagrada chamado Abraão. Ele e sua mulher Sara (Gn 12.1-3) seriam o ponto de partida para o cumprimento desse projeto. De Abraão sairia uma família, uma raça, uma etnia especial que representaria os interesses de Deus na terra. Abraão e Sara, na sua velhice, geraram um filho especial chamado Isaque, o filho da promessa (Gn 15.4; 17.18; 21.1-3). Isaque se casa com Rebeca e gera dois filhos, os gêmeos Esaú e Jacó. Do segundo filho Jacó, com uma prole de 12 filhos foi formada uma nação, a nação projetada por Deus. A família de 12 filhos cresceu e, por esse modo, os desígnios de Deus para a semente de Abraão se cumpriam historicamente. Obedecendo ao propósito divino, esta família mudou-se, posteriormente, para o Egito. Naquela terra, a família aumentou em número tornando-se um povo gigantesco. Com a morte do antigo Faraó e morto, também, José, a família proliferou-se na terra do Egito, mas perdeu as benesses do tempo de José e passaram a viver como escravos por quatrocentos anos, até que Deus os tirou do Egito com mão forte e poderosa. Os filhos de Jacó tornaram- se conhecidos como os filhos de Israel. Saíram do Egito, por uma intervenção divina e viveram no deserto por quarenta anos sob a liderança de Moisés. A partir de então, esse povo viveu sob a égide de um governo diretamente de Deus, um governo teocrático, através de homens chamados para esse mister.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 19-20.
Uma retrospectiva histórica
Deus chamou a Abraão. Ele constituiu uma família.
A família tornou-se uma nação. Esta desceu ao Egito, onde permaneceu quatrocentos anos. Deus tirou Israel do cativeiro com mão forte e poderosa. Dez pragas vieram sobre o Egito, desbancando as divindades do maior império do mundo. Israel perambulou no deserto quarenta anos sob a liderança de Moisés. Durante sete anos conquistou a terra, sob a liderança de Josué. Surge a Teocracia no período dos juizes. Esse tempo durou cerca de trezentos anos, quando Israel oscilou entre pecado, juízo, arrependimento e restauração.
Depois da Teocracia veio a Monarquia. Cento e vinte anos de Reino Unido sob Saul, Davi e Salomão. Com a morte de Salomão em 931 a.C., sob o governo de seu filho Roboão, o reino se dividiu em: reino do Norte e Reino do Sul.
O Reino do Norte, formado por dez tribos teve dezenove reis, com 8 dinastias e nenhum rei piedoso. Por causa de sua obstinação e desobediência foram levados cativos em 722 a.C., pela Assíria, e jamais foram restaurados. O Reino do Sul, formado pelas tribos de Judá e Benjamim, procedia da dinastia davídica. Esse reino teve vinte reis e experimentou altos e baixos, momentos de glória e tempos de calamidade, reis piedosos no trono e reis perversos e maus. Esse reino alternou momentos de volta para Deus e momentos de rebeldia.
Porque o povo abandonou a Deus e não quis ouvir sua Palavra, Deus enviou seu juízo sobre a nação. Os caldeus vieram contra eles, e Deus os entregou nas mãos de Nabucodonozor, rei da Babilônia.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 18-19.
A.C. 3000 (+ ou -) – Nasce Noé, que acha graça diante de Deus e foi  escolhido para construir a arca que subsistiria ao dilúvio. Filho de Matusalém, o homem que mais viveu, segundo a Bíblia, que viveu cerca de 969 anos. Noé viveu 600 anos e então veio o diluvio que durou 375 dias. De Noé saíram Sem, Cão e Jafé. Os judeus são descendência de Sem.
A.C. 2160 – Nasce Abrão em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia, que  viria a ser o patriarca  do povo judeu, possuídos da promessa feita por Deus. O Senhor o chamou e disse para que seguisse no deserto a caminho de uma terra desconhecida. Levando seu sobrinho Ló consigo chegou a Canaã prometida passando mais tarde para o Egito por  causa da fome. Separaram-se Abraão e Ló e Deus lhe  promete um Filho, apesar de sua idade avançada.
A.C. 2060 – Isaque nasce (Gn 21.1-7). Como havia prometido Deus a Abraão, seria ele o primogênito de toda  uma nação sendo um tipo de Cristo. Isaque casa-se com Rebeca e continua a genealogia de Jesus (Gn 24).
A.C. 2000 – Nascem Jacó e Esaú, Jacó usurpa a bênção da  progenitura de Esaú (Gn 27.1-45). Esaú ira-se contra Jacó e este foge em direção a Betel onde teve o sonho da escada   com anjos. Jacó casa-se com Raquel, depois de ter sido enganado por Labão. Jacó e Esaú se reencontra. Jacó luta com Deus no Jaboque e tem o nome mudado para Israel Jacó teve doze Filhos que vieram a ser os doze  patriarcas da tribo de Israel, e uma Filha, Diná.
A.C. 1889 – Nasce José, o filho preferido de Jacó que foi vendido ao Egito por seus irmãos. No Egito prosperou pela mão do Senhor e se tornou ministro. Nesse tempo os Hicsos tinham o poder sobre o Egito por ocasião da queda da  XIII dinastia egípcia.
A.C. 1870 – Jacó e seus filhos descem para o Egito por causa da fome, José apesar de humilhado recebeu-os e cuidou deles (Gn 46). Os hebreus permanecem no Egito por 430 anos.
A.C. 1580 – Nesse período os Hicsos são expulsos. A Síria e a Palestina tornaram-se tributárias de Egito. A terra é  devolvida à coroa e os hebreus são escravizados.
A.C. 1520 - Nasce Moisés. Totmés I governa o Egito. Moisés é colocado nas águas e encontrado pela Filha de faraó (Êx 2).
A.C. 1497 – Totmés I morre e é substituído por Totmés II que reina só quatro anos.
A.C. 1493 – HATSHEPSUT, que resgatou Moisés das águas torna-se rainha do Egito.
A.C. 1480 – Moisés comete um homicídio e foge para Midiã, onde se casa com Zípora, filha de Jetro.
A.C. 1448 – Moisés  é chamado por Deus e volta ao Egito para livrar o povo (Êx 3.1 – 4.31). Depois de contatar com Faraó e  prevalecer através de sinais e prodígios,  entre eles as dez pragas (Êx 5.1 – 11.10) e celebrar a páscoa (Êx 12.1-13.19) o Senhor livra o povo através de Moisés depois de 430 anos assim como havia prometido a Abraão Isaque e Jacó (Êx 2.24).
A.C. 1440 – O povo sai do Egito e vai em direção a terra prometida depois de verem os inimigos se afogarem no mar vermelho (Êx 14). No deserto as águas  do mar se tornam doces (Êx 15) há provisão de cordonizes, maná (Êx 16.1-36) e água da rocha (Êx 17.1-7), depois disso surgem os problemas  domésticos e externos,  como a visita de Jetro e a batalha contra  os amalequitas (Êx 17.8-16) e (Êx 18.1-27). Deus faz chamada ao pacto (Êx 19.1-25) e dá o decálogo (Êx 20.1-21) e as leis litúrgicas (Êx 20.21-26), também as leis civis e criminais (Êx 21.1-22.17) e as leis morais e religiosas (Êx 22.18–23.19), Deus dá ordenanças a respeito do  tabernáculo (Êx 24.15-31.18), que é cumprida mais adiante (Êx 35.1-40.38). É feito um recenseamento (Nm 1.1-46) e Moisés envia espias à terra prometida (Nm 33.50-34.29).
A.C. 1400 – Morre Moisés ao avistar a terra prometida do cume de Pisga, no monte Nebo, nas campinas de Moabe (Dt 34.1-12).
História de Israel. Faculdade internacional de teologia pentecostal. Curso livre de graduação bacharelado.
HISTORIA DE ISRAEL
Quanto a uma lista de artigos que abordam IaraeI por vários ângulos, como a sua religião, a sua lei, a sua ética, o seu reino, etc., ver o artigo desse nome.
Esboço:
I. Definições e Usos do Termo
II. Caracterização Geral
I. Definições e Usos do Termo
Os intérpretes têm dado diferentes traduções para a palavra Israel. Basicamente, significa «Deus esforçase », pois compõe-se de duas palavras hebraicas, yisra e el (esta última um dos termos comuns para Deus, e que significa «íorte»). O verbo hebraico sara significa «esforçar-se». No contexto da primeira vez em que essa palavra é usada no Antigo Testamento (Gen. 32:28), onde Jacó lutou com O anjo e prevaleceu, quando seu nome foi alterado de Jacó para Israel, temos a palavra hebraica sarita, «tendo-se esforçado».
A declaração biblica inteira diz: «Já não te chamarás Jacó e, sim, Israel: pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste». O trecho de Gên. 35:10 reafirma a mudança do nome de Jacó. Ali o Senhor diz a Jacó: «O teu nome é Jacó. Já não te chamarás Jacó, porém Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel». Dali por diante, o nome Israel aparece por todo o Antigo Testamento, em alternância com Jacó. Visto que a nação hebréia multiplicouse a partir da linhagem de Jacó, o nome Israel veio a designar a nação inteira. Além disso, os patriarcas que dele descenderam .são chamados de «filhos de Israel».
O termo Israel também tem sido interpretado como se significasse «que tem poder diante de Deus», ou então «lutador de Deus». Mas outros interpretam o nome como se fosse «príncipe com Deus». Winder. Em seu léxico hebraico, dá o sentidopugnator Dei. Talvez a melhor tradução de todas seja «Contendor com Deus», porque Jacó, ao lutar com o anjo, tomou isso como uma espécie de confrontação pessoal com o próprio Deus. E chamou o lugar onde a luta ocorreu de Peniel, dizendo: «Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva» (Gên. 32:30). Ora, Peniel significa «face de Deus». A idéia mais ousada de todo o incidente é que Jacó lutara com o próprio Deus, e prevalecera; e, por isso mesmo, foi abençoado de modo todo especial, por motivo de sua diligência e vitória. Por sua vez, a nação de Israel recebeu bênçãos especiais de Deus, como representante dele entre as nações, como agente do desígnio messiânico. Uso do Termo Iarael:
1. Um nome alternativo do homem Jacó. Conforme foi explicado acima.
2. Nome da nação hebréia, descendente de Jacó, com base em Gên. 24:7. Os israelitas eram as doze tribos de Israel, também chamados de «filhos de Israel» (Jos. 3: 17; 7:25; 8:27; Jer. 3:21), «casa de Israel» (Êxo. 16:31; 40:38). A nação inteira foi personificada como se fosse uma pessoa, chamada filho de Deus: «Israel é meu filho, meu primogênito» (Exo. 4:22; Núm. 20:14; Isa. 41:8; 42:24). O primeiro uso extrabíblico, estrangeiro, desse termo, em alusão aos hebreus, aparece em uma inscrição de Meremptâ, Faraó do Egito, em cerca de 1230 A.C. Várias outras ocorrências do nome Israel, em inscrições de inimigos dessa nação, têm sido encontradas.
3. Alguns intérpretes pensam que, em Isa. 49:3, temos um uso messiânico desse termo, referindo-se a Cristo como o Servo de Deus: «Tu és o meu servo, és Israel por quem hei de ser glorificado».
4. Os trechos de Esd. 6: 16; 9:1 e Nee. 11:3 parecem aplicar o termo Israel aos sacerdotes e levitas, destacando-os do restante da nação.
5. O nome Israel foi conferido a dez das tribos, após a divisão dessa nação nos reinos do norte (dez tribos) e do sul (duas tribos). Ver 11 Sam. 2:9,10,17,28; 3:10; 10:40-43; I Reis 12: 1. Em contraste com isso, as duas tribos do sul (Judá e Benjamim) foram chamadas de reino de Judâ, Finalmente, o termo judeu derivou-se de Judâ, tendo chegado a designar todo o povo de Israel. Os réis das dez tribos eram chamados «reis de Israel»; e os reis de Judá e Benjamim eram chamados de «reis de Judâ», Isso posto, os profetas falaram sobre Israel e Judá como nações distintas (Osé. 4:15; 5:3; 6:10; 7:1; 8:2,3,6,8; 9:1,7; Amós 1:1; 2:6; 3:14; Miq. 1:5; Isa. 5:7). Porém, em Isaías 8:14 os dois reinos são chamados de «duas casas de Israel».
6. Terminado o cativeiro babilônico, o termo Israel novamente veio a designar a nação inteira, apesar do fato de que a maioria daqueles que voltaram a residir em Jerusalém pertencia à tribo de Judâ, Mas. por essa altura, o termo «judeu» também se tomou comum, o que é exemplificado nos livros apócrifos e no Novo Testamento.
7. O Uso Espiritual. Algumas vezes há alguma referência ao verdadeiro Israel, ou seja, os fiéis, aqueles que se distinguiam por sua sinceridade e piedade, em contraste com outros membros dessa nação, que não eram tais. Ver Sal. 73:1; Isa. 45:17; João 1:47; Rom. 9:6; 11:26; Gál. 6:16.
8. O Uso Cristão. A Igreja cristã veio a ser chamada de Novo Israel, o Israel espiritual.
II. CaraeterlzaçAo Geral
Apresentamos aqui um sumário da história de Israel, alguns aspectos da qual desenvolvemos com detalhes em outras seções deste artigo.
1. O Pacto Abraãmico (vide).- Esse pacto armou palco para o desenvolvimento e o caráter da nação de Israel; e Abraão foi o pai em quem foram investidas as bênçãos e os desígnios de Deus.
2. A linhagem escolhida passava por Jacô, que recebeu o novo nome de Israel, conforme foi descrito longamente nos parágrafos acima.
3. A nação de Israel desenvolveu-se numericamente no Egito, mas mesmo ali, naquele tempo, conforme mostra a inscrição de Meremptá Icerca de 1230 A.C.), o termo Israel já era aplicado à nação. É provável que esse desenvolvimento se tivesse dado na forma de doze tribos, e que esse arranjo foi confirmado e teve continuação (e não que foi iniciado) após o êxodo (vide). Os filhos de Jacó foram denominados filhos de Israel, por serem tribos que descendiam dele (Êxo 1:1). Os filhos de Jacó foram chamados filhos de Israel, tal como as tribos que deles descendiam (Êxo1:1). Além disso, encontramos as alternativas «tribos de Israel" (Gên. 49: 16,28), «congregação de Israel» (Exo. 24:4) e «casa de Israel» (Êxo, 5:1).
4. O êxodo (vide) fez que a nação que se multiplicara no Egito fosse enviada ao deserto, onde ficou vagueando por quarenta anos. Foi então que a lei foi dada a Israel. A lei, acima de qualquer outro fator, distinguiu Israel de todas as demais nações do mundo. Nesse tempo, a nação tornou-se uma teocracia. Ver o artigo separado intitulado Israel, Constituição de. Isso ocorreu por volta de 1200 A.C.
5. A Conquista da Terra. Diversas datas têm sido sugeridas para essa conquista. A cronologia do Antigo Testamento não é um assunto fácil de deslindar. Uma data padrão para a conquista é cerca de 1200 A.C., mas outros têm sugerido uma data tão remota quanto 1400 A.C. O livro de Josué narra as vicissitudes da conquista.
6. Os Juizes, O livro com esse título conta a história desse período. Israel continuou sendo uma nação teocrática, mas os juizes atuavam como se fossem reissacerdotes, embora lhes faltasse uma completa organização, com o apoio de um exército, conforme sucedia no caso dos reis. A ausência de organização centralizada tendia para o individualismo e o caos (ver Jui. 21:25). O livro de Juízes narra um total de sete apostasias, com sete períodos de servidão e sete nações pagãs opressoras, com sete livramentos correspondentes. O período coberto foi de cerca de trezentos anos, que alguns estudiosos pensam ter começado tão cedo quanto 1400 A.C. Os problemas cronológicos são muitos, conforme nosso artigo sobre esse assunto demonstra laboriosamente.
7. Os Reis. Samuel (vide), o maior dos juizes de Israel, que foi um líder carismático, talvez o líder hebreu mais significativo entre Moisés e Davi, objetou ao estabelecimento da monarquia em Israel; porém, os israelitas queriam um rei que os protegesse, pois isso lhes parecia o melhor método. As guerras e as matanças jamais cessaram; e, para viver dessa maneira era mister contar com forças armadas, o que resultou em um exército permanente, sob o comando do rei. Saul (vide) tornou-se o primeiro rei de Israel. Imediatamente começaram guerras contra os amonitas e os filisteus. Enquanto Saul deu ouvidos aos conselhos deSamuel, as coisas correrem regularmente bem. Porém, quando as hostilidades entre os dois aumentaram, houve uma brecha entre eles, e Saul declinou rápida e perigosamente. Foi morto em batalha contra os filisteus, no monte Gilboa. A ameaça dos filisteus, que sempre fora grande, agora estava mais perigosa do que nunca. A morte de Saul ocorreu por volta de 1010 A.C. Os livros de I e II Samuel nos fornecem os detalhes de sua história.
8. Davi. Ele era membro da tribo de Judá, e foi através dele, um guerreiro decidido e violento, que o jugo filisteu foi quebrado, afinal. Davi havia sido um comandante militar nos dias de Saul, e sua habilidade em combate despertara a inveja do idoso monarca.
Assim, Davi teve de fugir para o exílio, até que as circunstâncias permitiram que ele se tornasse rei. Quando Saul foi morto, imediatamente Davi foi aclamado rei de Judá, Dois anos mais tarde, as tribos de Israel estavam unidas debaixo de seu governo. Davi capturou a cidade de Jerusalém (que então se tornou sua capital), no sétimo ano de seu governo. E os filisteus tornaram-se seus vassalos, através de uma série de brilhantes vitórias. Ele desenvolveu a vida religiosa do seu pais, especialmente organizando a classe dos músicos que serviam no templo. O próprio Davi era um habilidoso músico.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 391.
ISRAEL O nome Israel aparece pela primeira vez em Génesis 32.28, dado pelo Anjo do Senhor a Jacó (q.v.) durante seu encontro com ele em Peniel. Jacó havia se recusado a deixá-lo partir até que ele tivesse lhe dado
uma bênção, e assim Deus lhe deu o novo título de Yis-ra'el, declarando que ele havia persistentemente lutado (sarita de sarah, "esforçar-se, persistir") com Deus ('Hohim, cuja forma mais curta é 'El) e prevalecido (isto é, em sua oração sincera). Portanto, parece que o nome significa: "O que luta [persiste] com Deus"; o mais óbvio, "Deus persiste", não se encaixaria muito bem nas circunstâncias desse episódio. De qualquer forma, este se tornou o nome específico para Jacó na aliança, da mesma forma que Abraão havia sido para Abrão (Gn 17.5). A designação nacional do povo hebreu passou a ser "os filhos de Israel" (b*ne Yisrael), ao invés de "os filhos de Jacó", na época em que os membros da família de José multipli-caram-se (Êx 1.9,12) e estavam prontos a deixar o Egito e ir para a terra prometida sob a liderança de Moisés (Êx 2.23,25; 3.9 etc). A expressão "filhos de Jacó", nunca aparece no Pentateuco depois do livro de Génesis (onde ela só aparece ligada aos filhos imediatos de Jacó). Por amor à brevidade, a expressão "os filhos de" foi ocasionalmente omitida, e "Israel" por si só poderia referir-se aos hebreus como uma raça. Assim os perseguidores egípcios no mar Vermelho foram citados dizendo: "Fujamos da face de Israel", quando eles viram-se atolados e ameaçados de destruição (Êx 14.25). Em registros sobreviventes egípcios, os israelitas são citados pela designação geral de Apiru (que parece ter incluído outros grupos cananeus e semitas, e não apenas os hebreus; veja Povo Hebreu). Há uma referência, porém, ao nome de Israel na famosa "Estela de Israel" do rei Merneptah, da 19a Dinastia. Depois de falar de seu êxito militar ao saquear Canaã, Asquelom, Gezer e Ianoã, o hino triunfal declara: "Israel está devastado, mas sua semente não" (ANET, p. 378). O modo egípcio de escrever este nome é "Y-s-r-'-r" (o idioma egípcio não fazia distinção entre oleor até a conquista grega), e é seguido pelo determinativo homem-mu-Iher-plural, indicando que Israel era uma tribo ou nação, e não uma cidade-estado local. Esta inscrição data de aproximadamente 1230 a.C, e assim ela pode referir-se a uma incursão egípcia que deve ter ocorrido durante o período dos juízes.
De forma similar, há apenas uma referência ao nome Israel nas inscrições cuneifor-mes assírias descobertas até aqui, ou seja, na inscrição Balawat de Salmaneser III (ANET, p. 279), que registra a batalha de Qarqar (853 a.C), travada contra Hadadezer de Damasco e Acabe de Israel (A-ha-ab-bu Sir-'i-la-ai).
Os registros assírios existentes referem-se a Israel (especialmente ao Reino do Norte) como "a terra de Onri" (mat Humri), aparentemente porque foi durante o reinado dessa dinastia que os assírios entraram pela primeira vez em contato com a monarquia hebréia (cf. ANET, pp. 281,283-285). Mas na adjacente Moabe, o nome "Israel" era a designação usual, se pudermos julgar a partir das quatro ou cinco referências na inscrição do rei Mesa (aprox. 840 a.C.; ANET, p. 320). Na coleção comparativamente pequena das inscrições fenícias que sobreviveram até os nossos dias, nenhuma referência a Israel foi encontrada; o mesmo é verdadeiro quanto às antigas inscrições aramaicas. No uso bíblico, como já foi mencionado, o nome Israel tem uma conotação de aliança ou teológica, mesmo nos lábios do próprio Jacó. Em Génesis 49.2, ele reúne seus filhos em torno de si para uma bênção final: "Ajuntai-vos e ouvi, filhos de Jacó; e ouvi a Israel, vosso pai". Então se segue uma caracterização específica de cada um dos 12 filhos, acompanhada de uma profecia de seu papel na vida da futura nação. No versículo 28 lemos: "Todas estas são as doze tribos de Israel; e isto é o que lhes falou seu pai quando os abençoou". Veja Tribo; para as tribos individuais, veja os seus respectivos nomes. Nos dias de Moisés, Yahweh ("Jeová") declara ser o Pai de Israel: "Israel é meu filho, meu primogénito" (Êx 4.22). Em 5.1 lemos: "Assim diz o Senhor, Deus de Israel. Deixa ir o meu povo..." Como "Israel", a nação hebréia deveria representar um papel especial como uma teocracia governada pela lei de Deus especialmente revelada, e Ele deveria ser seu único Rei. O poderoso líder Gideão reafirmou este princípio ao rejeitar a proposta de torná-lo rei sobre Israel, dizendo: "Sobre vós eu não dominarei, nem tampouco meu filho sobre vós dominará; o Senhor sobre vós dominará" (Jz 8.23). Mesmo quando um rei humano foi finalmente ungido pelo profeta Samuel, deixou-se claro que ele fora escolhido e eleito pelo Senhor, e estava sob a obrigação de obedecer à sua Lei (1 Sm 10.25; 12.13-15,24,25).
Em sua carreira subsequente, porém, como o primeiro rei de Israel, Saul provou ser infiel à confiança nele depositada, substituindo a vontade revelada de Deus pela sua própria vontade e juízo. Em primeiro lugar ofereceu um sacrifício em Gilgal (1 Sm 13.9,10) como se ele fosse um sacerdote ordenado; e, em segundo lugar, ao poupar o rei dos amalequi-tas e seu gado, apesar da ordem do Senhor de destrui-los completamente (15.17-26). O resultado foi que o Senhor revogou sua designação como rei teocrático (1 Sm 13.13,14; 15.23), e enviou Samuel a Belém para ungir Davi, o filho mais novo de Jessé, embora sob uma condição sigilosa (16.13). Por fim, Saul começou a suspeitar que seu valente jovem harpista, o vencedor do gigante Golias, era seu sucessor escolhido por Deus, e o substituto de sua dinastia (18.29), tornando-se a partir daí obcecado pelo desejo de vê-lo morto (20.31). Uma grande parte do restante de seu reinado foi usada em uma tentativa fracassada de capturar e matar Davi. Finalmente Saul e seus filhos envolveram-se em uma campanha desastrosa contra os filisteus invasores, que o feriram de modo fatal na batalha do monte Gilboa. Após sete anos e meio de uma guerra civil intermitente, o filho mais novo de Saul, Isbosete, foi assassinado, e as dez tribos do norte reconheceram a Davi como seu rei, depois de ele ter reinado sobre Judá e Simeão a partir da época da morte de Saul. Toda essa situação confirmou o princípio de que o rei de Israel tinha que ser escolhido pelo próprio Deus, pois o Senhor seria o responsável por manter sua lei e seu agente sobre a terra.
Como um governante piedoso e dedicado sob o mandato divino, Davi reinou sobre a monarquia unida de Israel. Ele subjugou não só os filisteus, mas também as outras nações vizinhas (edomitas, moabitas, amonitas e sírios de Damasco e Hamate) em uma longa série de campanhas vitoriosas. Davi nunca experimentou uma derrota no campo de batalha. O Senhor o usou para dar a Israel "descanso" de todos os seus inimigos que o cercavam, e para tomar posse de todo o território originalmente prometido à semente de Abraão (Gn 15.18), por todo o caminho a partir do "rio do Egito" (o Uádi el-'Arish) até o Eufrates, em Tifsa (cf. 1 Rs 4.24). De certo modo, a conquista de Canaã não foi concluída até que o Senhor achasse em Davi um homem segundo seu próprio coração (1 Sm 13.14). Foi ele que, como um governante teocrático zeloso, subjugou todos os inimigos de Israel e tomou a cidade de Jerusalém de seus proprietários pagãos, os jebuseus, e assegurou um lugar de descanso adequado e permanente para o santuário do Senhor (de acordo com a promessa de Dt 12.10,11). Contudo, por causa de seu envolvimento nas guerras sangrentas (que ele às vezes conduzia com severidade cruel, cf. 2 Sm 8.2; 12.31), foi negado a Davi o privilégio de construir o Templo (1 Cr 22.8). Entretanto, ele reuniu a maioria dos materiais caros necessários para sua construção, e arquitetou os planos da edificação para que seu filho Salomão executasse a obra (1 Cr 28.11-19). Foi-lhe prometido pelo profeta Nata, falando em nome do Senhor, que Salomão viveria para executar seu projeto e erigir uma linda estrutura para guardar a arca da aliança e servir como um ponto central para a adoração de todo o Israel (2 Sm 7.12,13; 1 Cr 28.5,6). Ainda mais importante do que o Templo em si, era a promessa divina de que Salomão seria uma tipificação do Rei Messiânico que um dia viria para estabelecer o Reino de Deus na terra (2 Sm 7.13; 1 Cr 28.7). Esta promessa fazia parte do anúncio do anjo a Maria: "O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu Reino não terá fim" (Lc 1.32,33).
Davi, então, agiu de acordo com o padrão de um rei teocrático responsável para com Deus, sob as condições da aliança. Mas embora tenha recebido cedo a aprovação de Deus em seu reinado, mais tarde ele caiu em um lamentável pecado pessoal na questão de Bate-Seba (com quem cometeu adultério) e no homicídio que tramou contra o marido dela, Urias (2 Sm 11). Depois que o profeta Nata o denunciou em particular por estes pecados, Davi sucumbiu em tristeza e arrependimento e, portanto, foi perdoado e restaurado à comunhão com Deus.
No entanto, ele havia violado tão gravemente seu papel como rei de Israel, que a consequência nociva foi pronunciada: "Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste... Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti" (2 Sm 12.10,11). Isto significava que a violência, a crueldade e a traição iriam infestar a dinastia de Davi por todas as gerações seguintes. Durante a própria vida de Davi, ele sofreu a perda do primeiro filho concebido por Bate-Seba fora do matrimónio; a tristeza do sórdido episódio de seu filho primogénito, Amom, que estuprou sua própria meia-irmã Tamar; e a subsequente vingança de Absalão, que mais tarde matou Amom como um convidado em sua mesa (13.28,29). Ainda mais séria foi a rebelião levantada contra Davi por Absalão, que o expulsou de Jerusalém, o que o levou a refugiar-se em Maanaim, do outro lado do Jordão (17.24). Embora o general de Davi, Joabe, tenha conseguido derrotar as forças perseguidoras de Absalão e matá-lo, os últimos dias de Davi foram vividos sob a nuvem desse pesar. Davi também colocou Israel em dificuldades ao empreender um censo completo das 12 tribos, sem qualquer ordem divina para isso (como Moisés havia recebido nos dias do Êxodo). Na praga resultante que afligiu a nação, nenhum remédio pôde ser encontrado até que Davi comprou a eira de Araúna, o jebuseu (onde o anjo destruidor parou seu curso) e ofereceu sacrifícios ao Senhor no mesmo local que posteriormente serviu para o Templo de Salomão (2 Sm 24). O filho de Davi com Bate-Seba, o sábio Salomão, assumiu a responsabilidade como rei teocrático de Israel sob a direção de Deus. Sua riqueza, sabedoria e prosperidade tor-naram-se proverbiais, e seu prestígio era tal que ele deteve o controle das fronteiras ampliadas do império de Davi sem ter de usar suas grandes e tremendas forças de cavalaria em alguma guerra com os seus inimigos. Mas sua realização mais notável foi a edificação de um lindo Templo, duas vezes maior que as dimensões do Tabernáculo de Moisés (isto é, 60 x 20 côvados, ou aproximadamente 30 x 10 metros), e possuindo dez vezes mais castiçais e mesas da proposição (pois o Tabernáculo havia recebido apenas um de cada). Um enorme altar de bronze para o sacrifício substituiu o altar mosaico menor, e da mesma forma uma imensa pia (5 metros de diâmetro) tomou o lugar da antiga bacia em frente à porta do Templo. Esta estrutura de beleza e suntuo-sidade inigualáveis foi solenemente dedicada ao Senhor como o lugar de encontro entre o Senhor e seu povo da aliança, Israel. Assim, a shekinah (a glória) de Deus desceu sobre o santuário interior mais uma vez, como nos dias de Moisés (1 Rs 8.10,11). Sob o governo de Salomão, então, a monarquia unida de Israel desfrutou de seu mais alto grau de prosperidade e glória. Infelizmente, porém, as limitações constitucionais de Salomão, sob a lei (Dt 17.14-20), não poderiam ser forçadas por nenhuma autoridade humana, tão absoluto era o seu poder. Assim, ele pôde violar com impunidade os mandamentos contra multiplicar cavalos e esposas; e foi a política de permitir que a filha do Faraó adorasse os deuses egípcios em Jerusalém que primeiro levou à introdução da idolatria em seu reinado. Este precedente levou a uma tolerância religiosa em relação a todas as suas outras esposas de formação pagã, e o testemunho do Senhor por parte de Israel foi grandemente prejudicado. Extravagantes programas de construção e dispendiosas despesas do palácio resultaram em uma excessiva cobrança de impostos e no emprego de trabalho forçado, o que fez surgir um antagonismo geral por todo o reino. Dessa forma, preparou-se o caminho para a divisão de Israel nos Reinos do Norte e do Sul assim que Salomão faleceu, e a sucessão caiu nas mãos de seu filho arrogante e violento, Roboão, que prometeu aos seus súditos um governo ainda mais opressivo do que o de seu pai. Isso marcou o fim da monarquia unida e o início do reino das dez tribos, conhecido depois como o Reino de Israel (em contraposição ao Reino de Judá).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 993-995.
2. O governo teocrático.
Durante o período que Israel caminhou pelo deserto, o povo aprendeu a depender de Deus sob uma liderança teocrática através de Moisés. Quando Moisés morreu, Deus levantou Josué para substituí-lo e, sob o seu comando, Israel conquista a terra de Canaã. O período seguinte corresponde o dos juizes que dura aproximadamente trezentos anos, quando o governo teocrático continua. O período dos Juizes foi um período difícil porque Israel afastou-se da direção divina preferindo a Monarquia.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 20.
TEOCRACIA Palavra que vem de dois termos gregos, theós, "Deus" e kratéo, "governar". Isso chega ao sentido de "governo de Deus".
Devemos fazer distinção com outro vocábulo, democracia, cuja primeira porção, demos, significa "povo", e que indica o governo entregue àsmãos do povo. E também devemos distinguir teocracia de hierocracia, o governo dos sacerdotes. E, finalmente, de monarquia, o governo de um único homem ou rei. Embora a idéia de teocracia apareça nas Escrituras, com bastante freqüência, o próprio vocábulo, teocracia, nunca figura ali. Essa palavra parece ter sido cunhada por Josefo (vide), que se utilizou do termo a fim de referir-se ao caráter ímpar do governo dos hebreus, revelado a Moisés, em contraste com o tipo de governo de outras nações ao derredor. Escreveu Josefo: "Nosso legislador... ordenou aquilo que, forçando a linguagem, poderia ser chamado de teocracia,_ao atribuir a autoridade e o poder a Deus". (Contra Apion.lI, 165).
Não obstante, a idéia de teocracia é muito mais antiga do que a palavra que corresponde a ela, conforme o próprio Josefo sugeriu em sua declaração, citada acima. Essa idéia retrocede ao Antigo Testamento, desde a época de Moisés e, portanto, à iniciação mesma das Sagradas Escrituras (ver Êxo. 19:4-9; Deu. 33:4,5). No âmago dessa idéia fica a relação ímpar entre Deus e Israel, como seu povo peculiar. Essa relação é constituída pela aliança que vinculou o povo de Israel a Deus (ver Êxo. 19 e 20), e que constituiu aquele povo em " ... reino de sacerdotes e nação santa..." (Êxo. 19:6).
Deus reclamou o povo de Israel como sua propriedade, por havê-lo remido da servidão aos egípcios. Os grandes atos libertadores, da época da saída de Israel do Egito, e durante os quarenta anos de vagueação pelo deserto, declararam o Senhor como o eterno Governante de Israel (ver Êxo. 15: 18). Moisés foi, tão-somente, o homem por intermédio de quem Deus transmitiu a sua vontade ao seu povo terreno.
Gideão, várias gerações depois de Moisés, não aceitou a coroa porquanto acreditava que somente Deus poderia governar sobre Israel (Juí. 8:22,23). No período que antecedeu ao surgimento da monarquia em Israel, profetas, sacerdotes e juízes foram os intermediários na expressão da teocracia. Vale dizer, Deus governava o seu povo através daqueles representantes. Assim, na guerra de Israel contra Sísera, a profetisa e juíza Débora e o general Baraque aparecem como os agentes do livramento de Deus (Juí. 4:4-7). Os sacerdotes levitas também aparecem, com freqüência, como os mensageiros da vontade divina (Juí. 20:28; 1 Sam. 14:41). Mas, por ocasião da teocracia institucionalizada, quando surgiu a monarquia em Israel, a teocracia passou a se manifestar de forma muito menos direta, e o governo de Israel passou a assemelhar-se mais ao governo das nações gentílicas. "Disse o Senhor a Samuel: Atende à voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te rejeitaram a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre eles ... Porém, o povo não atendeu à voz de Samuel, e disseram: Não, mas teremos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos, sair adiante de nós, e fazer as nossas guerras" (I Sam. 8:7,19,20). Apesar disso, depois que a monarquia se estabeleceu em Israel, principalmente de Davi em diante, o rei passou a ser considerado símbolo do reinado teocrático. Os reis de Israel não eram apenas reis, no sentido comum do termo, mas também eram ungidos do Senhor, em sentido puramente teológico (Sal. 2:2; 20:6): um príncipe do Senhor (I Sam. 10: 1; 11 Sam. 5:2). Mesmo durante o período monárquico, concebia-se que o Senhor Deus seguia adiante do rei (11 Sam. 5:24). O rei estaria sentado no trono de Deus (I Crô. 29:23; cf. 28:5). OGovernante real era Deus, e a autoridade do trono de Davi derivava-se do Senhor. A natureza teocrática da monarquia de Israel é conformada, por exemplo, pela prerrogativa dos profetas de destronarem os reis, além do fato de que foi o profeta Samuel quem estabeleceu o reinado em Israel, a mandado do Senhor (I Sam. 15:26; 16:1,2; cf. I Reis 11:29-31; 14: 10; 16:1,2,21:21). Nesse contexto, nota-se que não havia critérios estereotipados para reconhecimento ou confirmação de um profeta, em Israel. Somente a presença do indefinível Espírito de Deus revelava a diferença entre um profeta verdadeiro e um profeta falso.
A monarquia, em Israel, foi a organização do reino teocrático sob um governante humano. A teocracia talvez encontre sua mais excelente expressão nas predições dos profetas (ver ler. 1: 1,2; cf. Isa. 7:7). As visões messiânicas dadas aos profetas foram organicamente entretecidas no curso da história dos reis de Judá, bem como na restauração final da dinastia davídica. Em sua essência e em seu intuito, o reino é um instrumento de redenção, inseparavelmente vinculado às expectações messiânicas. De fato, em seu sentido messiânico, o trono de Davi aparece no centro da teologia bíblica, com seu reconhecimento de Deus como o Governante final sobre a Terra inteira. Dentro da revelação progressiva da escatologia bíblica, o conceito teocrático do reino davídico suprimiu o padrão das idéias concernentes à vinda palpável do reino de Deus, quando da era milenar. Através da restauração do trono de Davi, Deus haverá de realizar a redenção final de Israel. Mas, esse futuro acontecimento, que fará parte da História, haverá de introduzir a era da justiça e da paz eternas, sob o reinado universal do Filho maior de Davi, Jesus Cristo. Não há espaço para o secularismo, dentro da teocracia de Israel. Descendo até aos mais minúsculos detalhes, todos os regulamentos políticos, legais e sociais são essencialmente teológicos. Esses regulamentos eram a expressão suprema e direta da vontade de Deus. Até mesmo a detenção de criminosos e a punição dos mesmos fazem parte do interesse imediato de Deus (ver Lev. 20,3,5,6,20; 24:12; Núm.5:12,13; Jos. 4:16).
Várias religiões, " desde os tempos mais remotos" (hebreus, babilônios e egípcios), têm tomado a posição de que seus estados eram teocratas, visto que Deus ou os deuses, mediante revelações e profetas, lhes teriam dado suas leis e instituições. A teocracia é um estado no qual os princípios religiosos (usualmente com apoio de um monarca e de um sacerdócio alegadamente nomeados por Deus) são as principais leis e o poder controlador. Já nos tempos modernos, as cidades de Florença, na Itália, sob Savonarola (vide), e Genebra, na Suíça, sob Calvino (vide), durante algum tempo tornaram-se, alegadamente, teocracias. Além disso, as colônias da Nova Inglaterra, na América do Norte, sob o puritanismo, tornaram-se teocracias. O aparecimento de governos democráticos tem tendido a separar Igreja e Estado, de tal modo que as teocracias são evitadas. Naturalmente, o Irã atual é um exemplo de teocracia; mas, como tantas outras teocracias distorcidas, entristecemo-nos diante das perseguições e matanças, praticadas em nome de Deus.
Ver Governo Eclesiástico.
Este co-autor e tradutor quer dar aqui sua contribuição.
No Novo Testamento não parece haver definição quanto ao tipo de "governo eclesiástico". Porém, com base nas condições vigentes em Israel, até Samuel (ver 1 Sam. 8:7), bem como durante o governo milenar de Cristo, o que ainda jaz no futuro, o governo eclesiástico ideal seria o teocrático. Segundo penso, esse tipo de governo existiu na Igreja, durante todo o período apostólico. Deus (na pessoa de Cristo), dirigia sua Igreja mediante ministros por Ele escolhidos (ver Efé, 4: 11 ss). Pode-se dizer que "a Igreja entrou em decadência espiritual quando o ministério passou a ser tido como oficios burocráticos, a partir do século li d.C., não mais ocupado por indivíduos misticamente designados e preparados. Parece-me evidente que o Espírito do Senhor restaurará esse tipo de governo eclesiástico, antes do segundo advento de Cristo. Doutra sorte, no dizer do quarto capítulo de Efésios, os crentes não atingirão a maturidade que deverá caracterizar a Igreja nos dias finais do cristianismo. Seja como for, o Milênio (vide) será a mais pura teocracia, sem os abusos que têm havido no passado, e que têm feito muitos proscreverem-naaté mesmo de suas cogitações. E o estado eterno, passado o Milênio, dará continuidade à teocracia, para sempre. A teocracia é a essência do reino de Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 353-354.
TEOCRACIA Este termo, significando "o governo de Deus", geralmente se refere ao governo literal de Deus, ou a um estado governado de uma forma agradável a Ele. A palavra não é de origem bíblica, mas a ideia de Deus sendo o governante do seu povo é básica no pensamento do AT. Josefo parece ter sido o primeiro a utilizar o termo. Ele contrastou a teocracia com outras formas de governo, como por exemplo, a oligarquia, a monarquia e a república (Contra Apion 11.16). Teoricamente, a teocracia seria um estado sob o qual Deus governa diretamente sem a mediação do homem ou de representantes. Israel nunca foi uma verdadeira teocracia, no sentido literal do termo. Embora Israel tenha sempre se considerado como estando sob o governo de Deus, este governo sempre foi mediado por um juiz, um rei ou um sacerdote. No sentido político, uma teocracia só seria possível durante os tempos de independência de Israel. Quando Israel se tornava um estado escravizado ou uma província de alguma potência estrangeira, como o Egito, a Assíria, a Babilónia, a Pérsia, a Grécia ou Roma, o governo de Deus só poderia ser espiritual. O mais longo período de independência de Israel foi o da conquista de Canaã, no tempo de Josué, até a queda de Jerusalém (em aprox. 586 a.C). Durante estes anos, Israel teve duas formas de governo: o anfictione (ou anfictião) ou a liga tribal; e a monarquia. Durante o período anfictião, Deus levantou governantes carismáticos (espirituais) chamados de "juízes" para livrar seu povo da opressão. No entanto, neste período, grande parte do governo foi literalmente deixado a cargo dos anciãos de cada tribo. No período da monarquia, o governo de Deus era desempenhado através do papel do rei. O ofício de rei em Israel era um ofício sagrado (cf. A. R. Johnson, Sacral Kingship in Ancient Israel, Cardiff, 1955). O rei era o ungido de Deus; ele era o representante de Deus. Embora a forma de governo de Israel tenha sido uma monarquia durante vários séculos, ela também era teoricamente considerada uma teocracia. Todo o conceito do relacionamento básico
entre Israel e Deus, que é visto na aliança, está de fato relacionado à ideia da teocracia. Um dos principais elementos da aliança entre Deus e Israel é a soberania de Deus. Este fato tem sido explicado e enfatizado nos últimos anos pela descoberta de algumas semelhanças entre a escravidão hitita, ou tratados de suserania, e a aliança de Israel com Deus (veja Meredith Kline, Treaty ofthe Great King, Eerdmans, 1963). No NT, a ideia do governo de Deus é tirada da esfera política, e se torna um sinónimo do reino de Deus, que é constituído pelo governo de Deus entre os cristãos (e dentro de cada cristão), mas que só poderá ser completamente desfrutado no final, quando Jesus Cristo retornar para inaugurar o reino milenial. Veja Aliança; Rei; Reino de Deus.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1909.
3. O governo monárquico.
Por cento e vinte anos o Reino de Israel esteve sob a liderança dos reis Saul, Davi e Salomão. Em 931 a.C., Salomão morre e inicia-se um período de decadência política, moral e religiosa. Seu filho Roboão assume a coroa, mas o reino acabou dividido em dois, o do Norte e o do Sul. O Reino do Norte, com dez tribos e o Reino do Sul com duas tribos. Em 722 a.C., a Assíria entrou nas terras de Israel e subjugou o Reino do Norte com todos os seus príncipes e líderes do povo, inclusive o rei. O Reino do Sul não foi por menos. O reino teve momentos de glória e de calamidade. Seus reis, alguns piedosos e outros ímpios deixaram o temor do Senhor e seus líderes religiosos perderam o respeito do povo e se corromperam. A Babilônia, através de Nabucodonosor entre 587 e 606 a.C, invadiu as terras do reino do Sul, quando reinava em Jerusalém o rei Jeoaquim, o qual estava sob o domínio do faraó do Egito chamado Neco (2 Rs 23.34). Nabucodonosor dominou Jerusalém e levou cativo os seus príncipes de Israel, entre os quais, Daniel. Toda essa história propiciou a intervenção divina na vida de Israel para preservação do projeto original.
A divisão política do Reino de Israel
Depois do reino de Salomão houve divisão em Israel. Dez tribos formaram o reino de Israel e duas outras tribos (Judá e Benjamim) formaram o reino de Judá. O reino de Israel, com as tribos do norte, foi tomado pela Assíria no ano 722 a.C., e o reino do sul ( de Judá) foi tomado pela Babilônia em 586 a.C. Em 605 a.C., Nabucodonosor fez mais que dominar a terra de israel. No ano 605 a.C.,esse rei invadiu Jerusalém e levou cativos os nobres e todos os utensílios de valor, de ouro, prata e pedras preciosas. O rei Jeoaquim, rei de Judá não resistiu e tornou-se tributário da Babilônia, perdendo o domínio do seu reino e perdendo, também, os homens de confiança. Entre os cativos estava o profeta Ezequiel (2 Rs 24.8). O exército de Nabucodonosor destruiu o templo e saqueou a cidade de Jerusalém. Judá ficou arrasada política, moral
e espiritualmente. A Babilônia se impôs com seu império por mais de quatro décadas. O povo de Israel foi humilhado, saqueado de seus pertences e tornou-se tributário da Babilônia.
O exílio inevitável na Babilônia
Quando uma liderança má perde sua relação com Deus como aconteceu com os últimos reis de Israel e de Judá, a tragédia espiritual, moral e material torna-se inevitável. O cativeiro profetizado por Jeremias de 70 anos na Babilônia teve o seu cumprimento ( 2 Cr 36.21). Por outro lado, Deus nos ensina a conhecer o traçado de seu caminho para que cumpramos seus desígnios, porque foi no exílio babilónico que Israel aprendeu a conhecer que Deus não aceita outro deus no seu lugar, como fez o rei Manassés adotando a idolatria no seu reino (2 Rs 21.11). A dispersão favoreceu a volta do seu povo à renovação da comunhão com o Deus de israel.Toda esta situação política propiciou a revelação de um projeto especial de Deus para com Israel. Para entendermos esta história precisamos conhecer aspectos gerais da importância do livro e da pessoa do profeta Daniel.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 21-22.
REI Este termo é usado na Bíblia para um governante do povo, dos israelitas ou dos gentios (Gn 36.31; 14.1; Mt 1.6). Também é usado em relação a Deus como governante de seu povo (1 Sm 12.12). O significado é "aquele que aconselha (bem)", mostrando que o ofício surgiu da habilidade intelectual e não da perícia física do indivíduo; aquele cujo conselho era consistentemente melhor, tor-nava-se rei.
Três conceitos principais de monarquia ocorriam nos tempos bíblicos. O grau mais baixo era o do rei sem muita importância, o governante de uma cidade e de seus arredores, tais como os cinco reis de Midiã (Nm 31.8) e os reis de Jerusalém, Hebrom, Jarmute etc. (Js 10.3). O grau seguinte era representado pelos reis da Mesopotâmia, Assíria e Babilónia, que se intitulavam os representantes ou vice-regentes da divindade, ordenados pelos deuses para o bem político e econômico do povo. Não importava se eles chegavam ao poder através de uma revolução; eles possuíam o exército para assegurar a imposição de sua vontade sobre o povo e o território. O terceiro grau era representado pelos reis do Egito, que professavam ser, e eram representados, como divindades. Alexandre o Grande parece não ter reivindicado ser um deus, embora um oráculo no Templo do deserto no Egito dissesse ser ele o filho de Zeus-Amom. Mas durante o período helenístíco, alguns dos reis selêucidas da Síria professaram ser divindades reinantes e assumiram títulos apropriados, como Teo e Epifânio.
A monarquia se desenvolveu lentamente em Israel, chegando ao pleno desenvolvimento apenas quando o povo começou a perder a fé em Deus e a imitar as maneiras e costumes de seus vizinhos. Embora Moisés tenha exercido os poderes de um rei, apresentando as leis de Deus e dando conselhos (Ex 20.1ss.; 18.16ss.), ele não assumiu o título. Ele apenas previu que este tempo viria mais tarde, e que quando o povo escolhesse um rei (Dt 17.14 ss.), eles deveriam ter o cuidado de receber o homem a quem Deus havia escolhido (cf. 1 Sm 8.7ò; 9.16; 16.1ss.). Ao buscar como rei um homem segundo o coração de Deus (por exemplo, Davi), ali está sugeri do o caráter santo do Messias-Cristo, Redentor dos eleitos de Deus, que um dia reinará como o Rei escolhido de toda a criação de Deus. Esta ênfase na vontade de Deus contida na seleção foi reivindicada como a base para a autoridade exercida pelos reis mesopotâmios e pelos governantes israelitas (Dt 17.15).
Reis ocasionais de menor importância surgiram em Israel antes de Saul, como Jefté (Jz 11.9) e Abimeleque (Jz 9.6). Nos dias de Samuel, a ameaça dos filisteus causou uma apreensão em Israel, levando-os a pedir um rei. Saul foi dado ao povo, mas foi um exemplo daquilo que um rei não deveria ser. Davi foi o exemplo notável do rei do Senhor, que buscou a vontade de Deus e governou o povo com sabedoria e graça do Senhor (2 Sm 23.1-5). Deus prometeu a Davi uma dinastia eterna (2 Sm 7.16). Em seus dias, os tratados de servidão heteus forneciam este benefício de perpetuidade quando o servo era um parente do governante soberano. No caso de Davi, o relacionamento não era físico, mas espiritual. Seu pleno significado e importância cumpriu-se em Cristo e tem benefícios para toda a humanidade pelo fato de Cristo ser o Deus-Homem (Is 9.6,7). Por sua encarnação, morte e ressurreição, ele conduz todo aquele que crê nele como o Filho ressurrecto de Deus a um relacionamento eterno de filho, que viverá e reinará com ele para sempre.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1659-1660.
FOI A VONTADE DE DEUS QUE ISRAEL TIVESSE UM REI? Certamente, pois Ele indicou em inúmeras profecias que um reinado fazia parte dos Seus planos para essa nação (Gn 49.10; Nm 24.17; Dt 17.14-20).
Embora m rei para eles não fosse uma escolha errada em si, os israelitas estavam exigindo isso de maneira equivocada. O povo claramente expôs seus motivos para querer um rei. Primeiro, os hebreus queriam seguir as práticas das nações vizinhas (1 Sm 8.5). Segundo, eles queriam um rei para liderá-los nas batalhas (1 Sm 8.20). Ambas as razões apontavam para a rejeição a Deus como seu Rei (1 Sm 8.7).
O Senhor demonstrou em inúmeras ocasiões que Ele pelejaria as batalhas de Israel. Desde a miraculosa queda das muralhas de Jericó (Js 6.20) até a fuga do exército dos midianitas de Gideão (Jz 7.19-22), Deus livrou o Seu povo inúmeras vezes dos seus inimigos. Por que os israelitas precisariam de um rei agora para liderá-los nas batalhas?
Além disso, Deus deu ao povo a Sua Palavra, os profetas e os juizes para guiá-lo. Mas a trágica história dos juizes demonstra que o povo de Deus ignorou a Sua orientação e aderiu às práticas de seus vizinhos (Jz 3,7). Mais uma vez, os hebreus estavam seguindo seus vizinhos, em vez de seguir o Deus vivo e a Palavra que Ele tinha dado a eles. Embora Samuel tenha claramente lhes falado sobre o alerta de Deus, eles teimaram e preferiram a sua própria vontade em detrimento da vontade o Senhor.
Por fim, Deus permitiu que os israelitas tivessem o que queriam. O Senhor lhes deu um rei como aqueles vistos nas outras nações. O alto e belo Saul teria sido a escolha perfeita para um rei. Mas, mediante o reinado trágico de Saul, Deus ensinou aos israelitas que eles precisavam de um rei que não fosse igual aos reis das outras nações.
Eles precisavam de um rei que obedecesse à Palavra de Deus, em vez de seguir a sua própria vontade; um rei que confiasse no Senhor, e não em si mesmo. À sombra dos erros de Saul, Deus treinou o jovem Davi para andar nos Seus caminhos de maneira que ele pudesse finalmente liderar a nação em retidão.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 468.
O REINO DIVIDIDO. Tensões entre as tribos do norte e do sul já existiam desde o tempo dos juízes, especialmente entre Judá e o sul de Efraim, a tribo mais influente no norte. Muitos dos líderes israelitas, como Josué e Samuel, vieram da tribo de Efraim. Mas Davi foi da tribo sulista de Judá. Estes fatores, somados à mudança da capital e do centro de adoração para a cidade sulista de Jerusalém, prejudicaram ainda mais o seu relacionamento. Sem contar a cobrança de impostos de Salomão para financiar a construção do templo e do palácio na cidade sulista de Jerusalém, que deixou as tribos do norte ainda mais perplexas.
Após a morte de Salomão, o povo de Israel se aproximou de seu filho Roboão para que os impostos que pesavam sobre eles durante as obras governamentais fossem diminuídos. Roboão rejeitou o conselho dos seus anciãos para ser mais flexível e insultou o povo, ameaçando fazer o seu fardo ficar ainda mais pesado (1 Rs 12.14). Esta foi a “gota d’água” que dividiu a nação em dois reinos. Roboão permaneceu rei no Reino do Sul, e Jeroboão se tornou o rei do Norte.
Seguindo o exemplo de Arão, dos bezerros das redondezas do monte Sinai, Jeroboão ergueu estátuas de dois bezerros de ouro para que o povo adorasse ali mesmo, e não precisasse viajar para a distante Jerusalém. Com esses ídolos, Jeroboão afastou o seu povo da adoração do único e verdadeiro Deus, combinando a verdadeira adoração com a falsa adoração dos seus vizinhos.
0 Reino do Norte, conhecido como Israel, e o do sul, denominado Judá, permaneceram assim, divididos, por mais de 200 anos.
Às vezes, entravam em conflito, às vezes, formavam uma aliança amigável contra ameaças vizinhas. Porém, esse período se tornou mais conhecido por seus grandes profetas — os quais tiveram fundamental importância em tempos de instabilidade espiritual — do que pelo sucesso político de ambas as partes.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 576.
II – OS FATOS QUE PROPICIARAM O EXÍLIO NA BABILÔNIA
1. O contexto político do reino de Judá.
Antes do cativeiro babilônico de Judá, houve o cativeiro assírio que envolveu a nação do norte, Israel. A queda de Samaria, capital do reino do norte, ocorreu em 722 A.C. O domínio assírio sobre Judá começou em 721 A.C., quando caiu o reino do norte, mas Judá nunca se tornou uma província assíria, embora tivesse pago tributo regularmente aos reis assírios. Com o surgimento do reino caldeu, sob Nabucodonosor (605— 562 A.C.), a situação de Judá piorou rapidamente. Em 598 A.C., Nabucodonosor invadiu Judá e levou para o cativeiro o seu rei, Jeoaquim, e muitos dos principais cidadãos dessa nação. O trecho de II Reis 24.15 mostra-nos que Ezequiel se encontrava entre esses exilados. Os eruditos discordam quanto ao modo geral e ao número das deportações. Presumivelmente, antes disso, em cerca de 605 A.C., houve outra deportação, de tal modo que a deportação de Ezequiel foi a segunda de três deportações. Na Babilônia, Ezequiel continuou a advertir aos que tinhamsido deixados na Judéia de que o pior ainda estava por vir. Os pecados nacionais, mormente a idolatria, eram as causas espirituais de todos esses infortúnios. O governo de Zedequias, em Judá, sob as ordens de Nabucodonosor, foi incapaz de controlar os rebeldes líderes do estado judeu. A revolta irrompeu contra o domínio estrangeiro, em 588 A.C. Nabucodonosor não perdeu um instante. Em 586 A.C., a terra inteira de Judá jazia arruinada, Jerusalém estava destruída e saqueada e o templo não existia mais. E muitos outros milhares de judeus foram então deportados (na terceira deportação).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3197.
O Reinado de Jeoaquim (608-597 a.C.), 23.36—24.7 (cf. 2 Cr 36.5-8)
A Bíblia deixa claro que Judá era uma nação vassala do Egito quando Jeoaquim subiu ao trono, mas ela se tornou sujeita à Babilônia no período final de seu reinado (cf. 23.34 e 24.1). Ela também foi perturbada por mãos estrangeiras como parte do juízo divino determinado (2,3), mas a nação que costumava causar os eventos que a levaram à queda foi a Babilônia. (7), a grande potência da Mesopotâmia.
E necessário nos referirmos a fontes seculares, para conhecermos certos detalhes e podermos compreender mais claramente os eventos registrados pelo historiador. Os babilônios, liderados pelo caldeu Nabopolassar e seu filho Nabucodonosor, avançaram em direção ao oeste. Em 605 a.C. eles atacaram as forças egípcias em Carquêmis e as derrotaram, e forçaram-nas a fugir em direção a Hamate, onde sofreram um golpe ainda mais humilhante.
As notícias da morte de Nabopolassar em 605 atrasaram a marcha da Babilônia para o sul, em direção à Palestina e ao Egito. No entanto, em 603/2 a.C., Nabucodonosor conduziu o exército babilônio à Filístia. Foi possivelmente nesta época que Jeoaquim considerou uma política sábia transferir a sua lealdade para Nabucodonosor (24.1).
Em 601 a.C., Nabucodonosor foi derrotado em uma grande batalha contra os egípcios. Esta derrota parece explicar porque Jeoaquim se virou e se revoltou contra o rei da Babilônia (24.1), evidentemente na esperança de se aproveitar do momento de fraqueza da Caldéia. Os caldeus e as tropas dos siros, etc., (2) foram, talvez, contingentes de soldados que Nabucodonosor enviou contra Judá para mantê-la em xeque, até que ele próprio pudesse atacá-la. Finalmente, avançou contra Judá em 597 a.C. Jeoaquim estava vivo quando começou o cerco a Jerusalém. Entretanto, morreu, ou foi assassinado, e seu filho Joaquim, com dezoito anos (24.8), o sucedeu. Três meses depois, ele se tornou prisioneiro dos babilônios.
O Reinado de Joaquim (597 a.C.), 24.8-17 (cf. 2 Cr 36.9,10)
O registro bíblico da rendição de Joaquim a Nabucodonosor é notavelmente bem suplementado pela Crônica Babilônica. Ela relata como o rei caldeu marchou para a terra de Hatti (Síria-Palestina), acampou contra a cidade de Judá, atacou-a e capturou o seu rei. A data calculada a partir de detalhes da Crônica é março-abril de 597 a.C., o oitavo ano de seu reinado (12). A Crônica também menciona que Nabucodonosor recebeu um pesado tributo e o enviou para a Babilônia, após designar um rei de sua escolha. Este último detalhe é, aparentemente, uma referência à designação de Zedequias (17) como rei vassalo apôs Joaquim.
Este ataque babilônio resulta na primeira grande deportação de Judá (10-16) que foi realizada relativamente com poucos danos a Jerusalém. A intenção de Nabucodonosor era, meramente, trazer esta nação de volta à condição de um de seus reinos subjugados. Judá, entretanto, sentiu a severidade deste governo através da deportação do rei, dos membros da realeza e de todos os cidadãos cultos e bem preparados em diversas áreas. Incluído entre os cativos, nessa ocasião, estava Ezequiel, o profeta (Ez 1.1,2).
O saque do Templo (13) foi, talvez, impulsionado tanto por uma questão religiosa como por um interesse em arrecadar toda a riqueza disponível. Como não havia uma imagem de divindade para se tomar como prêmio de guerra, os vasos com que se ministravam no Templo serviram como substituto. Os babilônios, de posse destes, podiam reivindicar que o Senhor Deus não era tão grande como o deus deles - Marduque ou Bei.
O Reinado de Zedequias (597-586 a.C.), 24.18—25.7 (cf. 2 Cr 36.11-16)
Zedequias, um novo nome para Matanias, um filho de Josias (17; cf. Jr 52.1 e 2 Cr 36.10), indicou a mudança em sua vida ditada por seu senhor babilônio. Mudar o nome de alguém era proclamar poder sobre essa pessoa.
O Reinado Maligno de Zedequias (24.18,19)
As práticas perversas específicas de Zedequias não foram listadas. As condições em Judá e Jerusalém são, no entanto, freqüentemente descritas pelos profetas Jeremias e Ezequiel (Jr 21; 28-29; etc; Ezequiel 6-8; 13; etc.). Embora fosse claro que Judá não poderia mais viver como uma nação independente, Zedequias ainda tinha a responsabilidade de viver corretamente. Os babilônios não incluíram o culto aos deuses deles como uma condição de servidão, e teria sido possível a Judá continuar a servir a Deus fielmente. Esta foi, aparentemente, uma consideração importante que levou Jeremias a pregar publicamente a rendição e a submissão, ao invés da contínua oposição (Jr 38.17-22).
2. A Rebelião de Zedequias (24.20)
Zedequias permaneceu como um fiel vassalo de Nabucodonosor durante nove anos (25.1), e então se rebelou. Pelo que foi registrado em 2 Reis, a revolta parece ter sido uma tentativa de livrar-se do jugo babilônio, pois seu momento coincide com a atividade de Apries, faraó do Egito (chamado de Hofra na Bíblia Sagrada, Jr 44.30; veja a Carta A).
Neco II, do Egito (609-595 a.C.), abandonou a conquista militar durante os últimos anos de seu reinado, ao contentar-se em permitir que os babilônios controlassem os países do rio Eufrates até o rio (ou ribeiro) do Egito (veja 24.7). A mesma política de ficar em casa foi seguida por seu filho Psamético II (594-589). Os anos de submissão de Zedequias ao domínio babilônio correspondem ao período em que Neco II e Psamético II se sentiam satisfeitos por cuidar dos assuntos internos do Egito. Sua rebelião corresponde ao ano em que Apries (Hofra) chegou ao trono, ou seja, 588 a.C. Este reverteu a política dos dois faraós que o antecederam; ele ousou desafiar o controle de Nabucodonosor ao longo do Mediterrâneo.
Os detalhes dados por Heródoto são de que Apries enviou sua frota contra a Fenícia por volta da época em que Nabucodonosor iniciou o seu ataque final contra Jerusalém. Este movimento era direcionado contra o ponto-chave de conexão entre o exército babilónico na Palestina e a sua terra natal. Jeremias registrou que o rei caldeu teve que se retirar temporariamente do cerco a Jerusalém, a fim de proteger-se e derrotar o exército egípcio que vinha em socorro a Zedequias (Jr 37.5,7,8). Fica claro, a partir de
Jeremias, que Zedequias cometeu o erro de ouvir a Apries e depender do socorro do Egito. Ele o fez, apesar de ter sido alertado a não depender de faraó.
3. Nabucodonosor Toma Jerusalém (25.1-7)
Após sitiar a cidade por mais de um ano e meio (de janeiro de 587 a julho de 586 a.C.), o exército de Nabucodonosor irrompeu pelos muros de Jerusalém. A campina (4) é uma referência ao vale do Jordão, que se estende por cerca de 80 quilômetros do extremo sul do mar da Galiléia à margem norte do mar Morto. As campinas de Jericó (5) seriam a seção semi-desértica ao sul de Jericó. Zedequias e seu destacamento aparentemente fugiam para leste, na esperança de escapar através do rio Jordão. Ribla (6) era a localização do quartel-general dos babilônios, na Síria central, cerca de 320 quilômetros ao norte de Jerusalém (cf. 23.33). O severo tratamento dado por Nabucodonosor a Zedequias - quando comparado com a piedade que teve para com Joaquim - talvez possa ser explicado por sua fúria contra esse rei, em quem confiara e que havia traído essa confiança.
Jerusalém é Saqueada pelos Babilônios, 25.8-17 (cf. Jr 52.12-23)
No mês posterior àquele em que Zedequias foi capturado e levado a Nabucodonosor em Ribla, Nebuzaradã (8), seu general, queimou os maiores edifícios de Jerusalém (9), derribou os muros (10) e reuniu reféns de guerra (11). Os rebeldes que se renderam refere-se àqueles “que já haviam se rendido” (Moffatt). Ele também levou os utensílios do Templo (14), as duas colunas (16) e o mar (a grande pia de bronze; cf. 1 Rs 7.13-47). Estes foram cortados em pequenos pedaços, o suficiente para serem levados para a Babilônia. De puro ouro ou de prata (15) pode ser lido como: “O que era de ouro, o capitão da guarda levou como ouro e o que era de prata como prata”. Talvez pelo menos alguns dos instrumentos tenham sido derretidos e transformados em lingotes de ouro e prata. O magnífico Templo, planejado para permanecer como uma testemunha do Senhor Deus e daquilo que Ele havia feito pelo seu povo, foi demolido e despojado de sua riqueza material e de sua simples beleza. Foi transformado em um lugar que faria com que aqueles que por ele passassem ficassem pasmados e assobiassem com menosprezo (cf. 1 Rs 9.8).
Outra Deportação, 25.18-21 (cf. Jr 52.24-30)
Nebuzaradã, o capitão da guarda (18), moveu-se, então, contra aqueles que ainda o desafiavam. É possível que algumas informações indicassem que esses líderes em particular tenham sido contra os babilônicos em suas atitudes e ações. Isto é sugerido pelo modo como Nabucodonosor ficou ciente da posição pró-babilônica de Jeremias e ordenou que ele fosse solto (Jr 39.11-18). Entre os executados estava o sumo sacerdote (18), bem como outros sacerdotes e oficiais (18,19). Os sessenta homens do povo da terra (cf. 21.4) talvez fossem anciãos das províncias que representavam o povo de suas localidades. De acordo com Jeremias (52.29), o número daqueles que foram levados ao exílio desta vez totalizou 832 pessoas.
Harvey E. Finley. Comentário Bíblico Beacon I e II Reis. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 389-391.
Por volta de 603 a.C, Nabucodonosor reinava sobre toda a Sírio-Palestina. Jeoaquim transferiu a ele sua lealdade, mesmo de forma temporária (2 Rs 24.1). Asquelom, na Filístia, havia sido destruída por Nabucodonosor antes de seu retorno à Babilônia em fevereiro de 603 a.C. O Papiro Saqqara número 86984 (Museu do Cairo), uma carta escrita em aramaico que apela pela ajuda do Faraó, foi provavelmente escrito em Asquelom, pouco antes de sua destruição. Em 601 a.C, Nabucodonosor mais uma vez marchou em direção ao Egito e travou uma intensa batalha contra as forças de Neco nas proximidades da fronteira egípcia. Ambos os lados sofreram grandes perdas e a batalha terminou em um empate forçado. Foi nesse ponto que Jeoaquim, evidentemente convencido de que sua oportunidade havia chegado, rebelou-se contra a Babilónia e deixou de pagar seu tributo (2 Rs 24.1). Porém, embora estivesse em desvantagem naquele momento, Nabucodonosor não tinha qualquer intenção de permitir que Judá se desligasse de seu império. Portanto, durante algum tempo ele atormentou esse pequeno reino com bandos de saqueadores convocados dentre seu próprio exército, assim como de contingentes mercenários (24.2). Ele veio com o principal exército babilônico contra Judá (2 És 24.10,11) em dezembro de 598 a.C. O escriba lacónico da crônica da Babilônia reportando os eventos de 597 a.C. declara simplesmente que Nabucodonosor "acampou contra a cidade de Judá [isto é, Jerusalém] e, no segundo dia do mês de Adar [isto é, 16 de março], ele tomou a cidade e capturou o rei [isto é, Joaquim]. Lá ele nomeou um rei que o agradava [isto é, Zedequias]". Jeoaquim havia morrido misteriosamente no mesmo mês em que o exército babilónico havia marchado contra Judá. Em vista do fato de que seu filho Joaquim (2 Rs 24.6) governou durante três meses e dez dias (2 Cr 36.9; acredita-se que os "três meses" de 2 Rs 24.8 sejam apenas uma aproximação) antes da captura de Jerusalém. A data exata da morte de Joaquim foi 7 de dezembro de 598 a.C. Sua idade declarada em 2 Crónicas 36.9 - oito anos de idade - parece ser algum erro do copista, pois em 2 Reis 24.8 consta 18 anos de idade. Seguindo o exemplo de seus predecessores desde o tempo de Tiglate-Pileser III iq.v.), Nabucodonosor deportou o rei (Joaquim) e seu séquito, assim como todos os habitantes de Jerusalém que poderiam tentar fomentar uma rebelião (2 Rs 24.12-16; 2 Cr 36.10; Jr 22.24-30; 52.28). Embora ele tivesse exigido levar alguns reféns para a Babilônia, incluindo Daniel e seus três amigos, e parte dos vasos do Templo de Salomão, logo depois da batalha de Carquemis (Dn 1.1-7; cf. também 2 Cr 36.5-7), a deportação de 597 a.C. constituiu a primeira fase importante daquilo que é tradicionalmente referido como o cativeiro na Babilônia (cf. Mt 1.11). Da mesma maneira como havia feito antes, embora
em uma escala muito maior, Nabucodonosor saqueou o Templo de Salomão e levou consigo um enorme despojo de guerra. Ele empossou o tio de Joaquim, Matanias, no trono de Judá (2 Rs 24.17; em 2 Cr 36.10 seria melhor traduzir "irmão" como "parente"), dando-lhe o novo nome de Zedequias para demonstrar sua própria suserania. Zedequias, sem dúvida, teria se sujeitado a ser um vassalo muito mais dócil se vários fatores fora de seu controle não tivessem perturbado a situação política. Um considerável número de judeus, tanto em Jerusalém como na Babilônia, ainda considerava Joaquim o legítimo ocupante de seu trono. Ezequiel, por exemplo, traiu seus verdadeiros sentimentos ao avaliar as datas relativas ao cativeiro do "rei Joaquim" (Ez 1.2 etc). Além disso, mesmo depois de sua derrota em Carquemis, o Egito, embora seriamente enfraquecido, continuava a exercer alguma influência sobre os negócios do Oriente Próximo. Outrossim, a dissidência contra a Babilônia estava predominando não só em Jerusalém (o que se pode concluir pelos inúteis esforços de Jeremias para manter seus compatriotas afastados da rebelião), mas também entre o próprio povo de Nabucodonosor. Em 595/4 a.C, Nabucodonosor considerou que seria melhor permanecer na Babilônia para reprimir uma rebelião local. No ano seguinte, Hananias, um falso profeta de Jerusalém, previu publicamente o retorno do exílio - dentro de dois anos - de todos aqueles que o rei havia levado para a Babilónia (Jr 28.1-4). Talvez Hananias tivesse recebido alguma notícia sobre a insurreição e a tenha interpretado como sinal de uma revolta mais disseminada. De qualquer forma, Jeremias denunciou esse indevido otimismo e aconselhou os exilados a adotarem a filosofia de "viver como sempre", pois o Senhor havia revelado que sua permanência na Babilônia seria prolongada (Jr 29.1-23). Durante algum tempo, Zedequias continuou convencido da sabedoria do conselho de Jeremias. O texto em Jeremias 51.59 parece indicar que no mesmo ano da imprudente profecia de Hananias e, talvez, até mesmo como resultado dela, Zedequias fora convocado por Nabucodonosor para uma entrevista na Babilónia para determinar a extensão de sua lealdade. Evidentemente, Nabucodonosor ficou satisfeito com as respostas de Zedequias, pois permitiu que este continuasse no trono de Judá. Entretanto, os anos seguintes encontraram Zedequias cada vez mais incapacitado de resistir ao elemento pró-egípcío e antibabilônico da população de Judá. Finalmente, de modo contrário ao conselho de Jeremias (2 Cr 36.12; Jr 21.1-7; 37.3-10,17-20; 38.14-23) ele se rebelou (2 Rs 24.20. 2 Cr 36.13-16; Jr 52.3). Em janeiro de 588 a.C., Nabucodonosor e seu exército estavam sitiando Jerusalém (2 Rs 25.1; Jr 39.1; 52.4; Ez 24.1,2). O exército babilônico havia capturado, uma a uma, as cidades fortificadas de Judá, de modo que na época em que o sítio de Jerusalém estava acontecendo restavam somente Laquis e Azeca (Jr 34.6,7). As cartas de Laquis, um conjunto de 21 documentos encontrados na moderna Tell ed-Duweir (a bíblica Laquis, q.v.) em 1935 e 1938 ilustram a consternação que reinava em Judá durante os últimos dias de sua existência nacional (veja ANET, pp. 321ss.). O único lampejo de esperança para uma situação que de outra forma seria meramente desesperadora, seria uma retirada temporária das forças da Babilónia da cidade de Jerusalém para enfrentar o exército egípcio que estava avançando (Jr 37.5,11) provavelmente sob o comando do Faraó Apries (589-570, veja Faraó Hofra). Entretanto, o alívio de Jerusalém durou pouco, pois os babilónios forçaram os egípcios a se retirarem e o cerco à cidade recomeçou. A cidade suportou um sítio de 30 meses, mas as forças superiores da Babilónia finalmente abriram caminho através de seus muros em julho de 586, no 19° ano do reinado de Nabucodonosor (2 Rs 25.2-4,8; Jr 39.2; 52.5-7,12). Zedequias e algumas de suas tropas tentaram fugir durante a noite, mas foram capturados nas proximidades de Jericó. O rei foi levado à presença de Nabucodonosor em Ribla, no Orontes, onde foi forçado a contemplar a execução de seus filhos. Então cegaram seus olhos e ele foi levado acorrentado para a Babilônia (2 Rs 25.5-7; Jr 39.4-8; 52.8-11), como um dos exilados da segunda maior fase do cativeiro na Babilônia (Jr 52.29). Em seguida, Nabu-zer(a)-iddina (Nebuzaradã, q.v.), capitão da guarda de Nabucodonosor, chegou a Jerusalém para completar a destruição e a pilhagem da cidade e do Templo, assim como a deportação dos habitantes, deixando para trás apenas os indivíduos mais pobres (2 Rs 25.8-17; 2 Cr 36.17-20; Jr 39.9,10; 52.12-23).
Depois da destruição de Jerusalém, Nabucodonosor nomeou outro governador para Judá, Gedalias (q.v.) que logo caiu em desgraça perante os elementos restantes da população antibabilônica da cidade. Aguardando uma oportunidade adequada, eles assassinaram o governante em Mispa, junto com alguns de seus companheiros babilônios e judeus (2 Rs 25.22-25; Jr 40.7-41.3). O incentivador dessa conspiração, um certo Ismael, fugiu para Amom com oito de seus lacaios (Jr 41.15), enquanto um outro grupo de judeus, temendo as represálias dos babilônios, fugiu para o Egito (2 Rs 25.26; Jr 41.16-18) levando Jeremias consigo (Jr 43.5-7). Em 582 a.C, ocorreu a terceira e última fase do cativeiro na Babilônia (Jr 52.30), aparentemente como resultado de uma expedição punitiva enviada por Nabucodonosor depois do assassinato de Gedalias.
Enquanto isso, o cego Zedequias definhava na prisão na qual veio a morrer (2 Rs 25.7; cf. Ez 12.13). Seu predecessor, Joaquim, foi consideravelmente mais afortunado: em 562 Amel-Marduk (Evil-Merodaque, q.v.), filho e sucessor de Nabucodonosor, libertou-o da prisão e o manteve na corte da Babilônia (2 Rs 25.27-30; Jr 52.31-34). Antes disso, as necessidades de Joaquim já haviam sido amplamente satisfeitas, como está claro em inúmeros documentos administrativos encontrados na Babilônia, datados do reinado de Nabucodonosor, e que se referem a Joaquim como Ya(k)ukin(u), rei de Yah/kudu (Judá; ANET, p. 308).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1329-1331.
2. Israel no exílio Babilonico.
A parte profética do livro
No plano geral da revelação divina o livro de Daniel ocupa um lugar de suma importância. Sua parte histórica é cheia de experiências marcantes que revelam a soberania de Deus e o seu cuidado com aqueles que lhe são fieis. A parte profética contém predições escatológicas cujo cumprimento ainda não tem chegado.
Essa parte ocupa os últimos seis capítulos os quais trazem o registro de quatro visões proféticas dada especialmente a Daniel. Essas visões apresentam figuras simbólicas dos reinos gentílicos envolvendo tempos distintos nos quais Deus fará valer sua soberania no mundo, especialmente, com as nações que unirão para massacrar a Israel no tempo do Fim. Algumas dessas profecias já tiveram seu cumprimento na história e outras que se cumprirão no tempo que Deus estabeleceu para se cumprirem. Ao longo do estudo dessas profecias constataremos essas predições. As visões, portanto, se estendem para o futuro.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 23.
A destruição (36.17-21). Os caldeus mataram jovens e velhos sem demonstrar misericórdia (17), demoliram completamente o Templo e a cidade (19) e levaram o povo cativo para a Babilônia (20). Só então a terra passou a ter os sábados de descanso (21). Estas palavras de Jeremias sugerem que o ano sabático não foi observado durante o período da monarquia. Elas lembraram o povo de que havia pelo menos duas razões para o cativeiro: (1) a idolatria; e (2) a falha em manter o ano do jubileu. Por esta razão o cativeiro (606-536 a.C.) deveria durar setenta anos - um sábado de repouso (cf. Jr 25.12; 29.10).
Robert L. Sawyer. Comentário Bíblico Beacon I e II Cronicas. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 475.
Os efeitos do Exílio. A causa do exílio foi a apostasia do povo em relação a Deus e a seu pacto. Os israelitas tinham rejeitado de forma consistente a mensagem dos profetas e persistentemente continuaram em seu pecado e idolatria. Constantemente os profetas avisavam os israelitas contra a confiança em sua própria sabedoria e poder. O exílio foi interpretado pelos profetas como o julgamento divino que resultaria em restauração e revelação do eterno amor de Deus para com Israel (Is 54.9,10; Jr 31.3-6). Ele é o incidente histórico primário sobre o qual o messianismo bíblico está baseado. Entre os resultados do exílio para Israel estava uma compreensão mais profunda da lei de Moisés e dos Profetas, tão importante para os judeus como um povo. De lá veio também uma compreensão mais clara da universalidade e soberania de Deus; que Yahweh é único Deus e não existe deus além dele. Esta fé permaneceu tão inabalável que suportou a influência e fascinação da cultura grega apesar dos efeitos do Helenismo sobre outras áreas do Judaísmo e sobre o restante do mundo Mediterrâneo.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 677.
a) Na sua sabedoria eterna, Deus tinha decretado que a nação de Judá precisava chegar a um fim. Ele indica como isso iria acontecer: Eis que [...] tomarei a todas as gerações do Norte [...] a Nabucodonosor, rei da Babilônia [...] e os trarei sobre esta terra (9). Meu servo significa somente que Deus estava usando Nabucodonosor como instrumento para castigar Judá. Passaram-se mais dezoito anos de vida nacional, mas a decisão de Deus era definitiva: E farei perecer, entre eles, a voz de folguedo [...] de alegria [...] do esposo [...] da esposa [...] E toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto (uma ruína desolada; 10-11). O som das mós, e a luz do candeeiro eram sinais conhecidos de vida entre eles.
b) Deus também havia determinado o número de anos do exílio de Judá: E toda esta terra [...] e estas nações servirão ao rei da Babilônia setenta anos (11). Esse número provavelmente é arredondado, mas o período de servidão de Judá na Babilônia chegou muito próximo disso. A batalha de Carquemis ocorreu em 606 a.C., e deu à Babilônia o controle de toda a região do Oriente Médio, desde o Egito até a boca do rio Eufrates (2 Rs 24.7). Isso incluía Judá, e há indícios de que os cativos judeus foram levados para a Babilônia em 606-605 (veja nota de rodapé do v. 16 na KJV). A Babilônia caiu diante dos medos e persas em 539 a.C., e o primeiro grupo de judeus retornou para Jerusalém em 539 a.C. Desde a primeira deportação dos cativos para Babilônia em 606605 até o primeiro retorno dos judeus a Jerusalém em 536, temos um período aproximado de setenta anos. Alguns estudiosos preferem fazer a contagem desde a queda de Jerusalém em 586 a.C. até a dedicação do segundo Templo em 516 a.C. Isso também abrange um período de setenta anos.
C. Paul Gray. Comentário Bíblico Beacon. Jeremias. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 323-324.
III – DANIEL, O AUTOR DO LIVRO
1. O homem Daniel.
No hebraico, Deus é meu juiz». Há quatro personagens com esse nome, nas páginas da Bíblia:
1. Um filho de Davi, o segundo que ele teve com Abigail, a carmelita (I Crê, 3:1). No trecho paralelo de II Samuel 3:3, ele é chamado Quileabe. Viveu em tomo de 1050 A.C.
2. Um descendente de Itamar, que retomou do cativeiro babílôníco em companhia de Esdras (Esd. 8:2). Viveu em tomo de 456 A.C. Foi um dos signatários do pacto firmado por Esdras.
3. Um dos sacerdotes que assinou o pacto com Neemias. Quanto à sua identidade, alguns pensam tratar-se do profeta desse nome. Mas outros identificam-no com o descendente de Itamar, segundo ponto, acima. (Nee. 10:6). Viveu por volta de 456 A.C.
4. O profeta Daniel, o herói principal do livro veterotestamentário desse nome.
O Homem Daniel e o Plano de Fundo Histórico do Livro
Daniel era descendente da família real de Judá, ou pelo menos, da alta nobreza dessa nação (Dan. 1:3; Josefo, Anti. 10.10,1). e possível que ele tenha nascido em Jerusalém, embora o trecho de Daniel 9:24, usado como apoio para essa ideia, não seja conclusivo quanto a isso. Com a idade entre doze e dezesseis anos, ele já se encontrava na BabiU~nia, como cativo judeu entre todos outros jovens nobres hebreus, como Ananias, Misael e Azarias, em resultado da primeira deportaçio da nação de Iudá, no quarto ano do reinado de Ieoiaquim. Ele e seus companheiros foram forçados a entrar no serviço da corte real babilênice, Daniel recebeu o nome caldeu de Beltessazar, que significa «principe de Baal». De acordo com os costumes orientais, uma pessoa podia adquirir um novo nome, se as suas condições fossem significativamente alteradas, e esse novo nome expressava a nova condiçio (11 Reis 23:34; 24:17; Est. 2:7; 'Bsd, 5:14). A fim de ser preparado para suas novas funções, Daniel recebeu o treinamento oriental necessário. Ver Platão, Alceb, seção 37. Daniel aprendeu a falar e a escrever o caldeu (Dan. 1:4). Não demorou para ele distinguir-se, tomando-se conhecido por sua sabedoria e piedade, especialmente na observância da lei mosaica (Dan. 1:8-16). O seu dever de entreter a outras pessoas sujeitou-o à [tentação de comer coisas consideradas impróprias pelos preceitos levítícos, problema esse que' ele enfrentou com sucesso.
A educação de Daniel teve lugar durante três anos, e então tomou-se um dos cortesões do palácio de Nabucodonosor, onde, pela ajuda divina, conseguiu interpretar um sonho do monarca, para inteira satisfação deste. Tudo em Daniel impressionava o rei, pelo que ele subiu no conceito real, tendo-lhe sido confiados dois cargos importantes, como governador da província da Babilônia e inspetor-chefe da casta sacerdotal (Dan. 2:48). Posteríormente, em um outro sonho que Daniel interpretou, ficou predito que o rei, por causa de sua prepotência, deveria ser humilhado por meio da insanidade temporária, apôs o que, seu juizo ser-lhe-ia restaurado (Dan. 4). As qualidades pessoais de Daniel, como sua sabedoria, seu amor e sua lealdade, resplandecem por toda a narrativa.
Sob os sucessores indignos de Nabucodonosor, ao que parece, Daniel sofreu um período de obscuridade e olvido. Foi removido de suas elevadas posições, e parece ter começado a ocupar postos inferiores (Dan. 8:27). Isso posto, ele s6 voltou à proeminência na época do rei Belsazar (Dan. 5:7,8), que foi co-regente de seu pai, Nabonido. Belsazar, porém, foi morto quando os persas conquistaram a cidade. Porém, antes desse acontecimento, Daniel foi restaurado ao favor real, por haver conseguido decifrar o. escrito misterioso na parede do sallo do banquete (Dan. 5:2 e ss), Foi por essa altura dos acontecimentos que Daniel recebeu as visões registradas nos capítulos sétimo e oitavo, as quais descortinam o curso futuro da história humana, juntamente com a descrição dos principais impérios mundiais, que se prolongariam nlo somente até à primeira vinda de Cristo, mas exatamente até o momento da parousia.., ou segunda vinda de Cristo. Os medos e os persas conquistaram a Babilônia, e uma nova fase da história se iniciou. Daniel mostrou-se ativo no breve reinado de Dario, o medo, que alguns estudiosos pensam ter sido o mesmo Ciaxares II. Uma das questões envolvidas foram os preparativos para a possível volta de seu povo, do exílio para a Terra Santa. Sua grande ansiedade, em favor de seu povo, para que fossem perdoados de seus pecados e fossem restaurados à sua terra, provavelmente foi um dos fatores que o ajudou a vislumbrar o futuro, até o fim da nossa atual dispensação (Dan. 9), o que significa que ele previu o curso inteiro da futura história de Israel. Daniel continuou cumprindo seus deveres de estadista, mas sempre observando estritamente a sua fé religiosa, sem qualquer transigência. Há um hino cujo estribilho diz: «Ouses ser um Daniel; ouses ficar sozinho». O caráter e os atos de Daniel despertaram ciúmes e invejas.
Mediante manlpulação política, Daniel terminou encerrado na cova dos leões; mas o anjo de Deus controlou a situação, e Daniel foi livrado dos leões, adquirindo um novo prestigio, uma maior autoridade.
Daniel teve a satisfação de ver um remanescente de Israel voltar à Palestina (Dan. 10:12). Todavia, sua carreira profética ainda não havia terminado, porquanto, no terceiro ano de Ciro, ele recebeu uma outra série de visões, informando-o acerca dos futuros sofrimentos de Israel, do período de sua redenção, através de Jesus Cristo, da ressurreição dos mortos e do fim da atual dispensação (Dan. 11 e 12). A partir desse ponto, as tradições e as fábulas se manifestam, havendo histórias referentes à Palestina e à Babilônia (Susã), embora não possamos confiar nesses relatos,
Pano de Fundo e Interpretes liberais. A moderna erudição critica é praticam~nte unânime ao declarar que o livro de Daniel foi compilado por um autor desconhecido, em cerca de 165 A.C., porquanto conteria supostas profecias sobre monarcas pôs-bebilônicos que, mais provavelmente, são narrativas históricas, porquanto vão-se tomando mais e. mais exatas, -à medida jue o tempo de seu cumprimento se aproxima (Dan. 1 :2-35). Para esses intérpretes o propósito do livro foi o de encorajar os judeus fiéis, em seu conflito com Anttoco IV Epifinio (ver I Macabeus 2:59,60). Por causa da tenção em que viviam, o livro de Daniel teria sido entusiasticamente acolhido, porquanto expõe uma vislO final otimista da carreira de Israel no mundo. E assim, o "livro teria sido recebido no cânon "hebreu. Isso posto, temos duas posições: uma delas afirma que realmente houve um profeta chamado Daniel, que viveu a vida descrita nos parigrafos anteriores do livro, e cujas visões fazem parte indispenável do quadro profético. A outra posiçio diz que o livro de Daniel é uma espécie de romance-profecíe, que apresenta acontecimentos históricos como se tivessem sido preditos. exatos em tomo de 165 A.C., mas nlo tanto, à medida que se retrocede no tempo. Os vários argumentos são apresentados na terceira seção, intitulada Autoria. Data e Debates a Respeito, mais abaixo.
Informes Posteriores Sobre Daniel. Uma tradição rabínica posterior (Midrash Sir ha-sirim, 7:8) diz que Daniel retomou à Palestina, entre os exilados. Mas um viajante judeu, Benjamim de Tudela (século XII D.C.) supostamente teria encontrado o túmulo de Daniel em Susl, na Babilônia. Nesse caso, se o primeiro informe é veraz, entio Daniel retornou mais tarde à Babi1&nia. Há informes sobre esse túmulo, desde o século VI D.C., embora muitos duvidem da exatidão dessas tradições, pois geralmente nlo passam de fantasias.
Um Daniel Antediluviano? Alguns supõem que o Daniel referido em Ezequiel 14:14 não é o Daniel da tradição profética, e, sim, uma personagem que viveu antes do dilúvio, não contemporâneo de Ezequiel, e cujo nome e caráter teriam inspirado o pseudo vinculado ao livro canênico de Daniel. A lenda ugarítíca de Aght refere-se a um antigo rei fentcio. Dnil (vocalizado como DaneI" ou Daniel), o que significaria que esse nome é antiquíssimo... Ver Ezequiel 28:3, onde o profeta escarnece de Tiro porque, supostamente, era «mais sábio que Daniel...
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 8-9.
DANIEL Herói do AT e principal personagem do livro de Daniel. De linhagem nobre e real (Dn 1.3), foi levado como prisioneiro para Babilônia por Nabucodonosor em 605 a.C. juntamente com outros jovens judeus com as mesmas qualidades e capacidade (1.1-7). Ali passou os resto de sua vida e ganhou destaque como profeta e estadista. Daniel foi instruído sobre a língua e a civilização dos caldeus (1.4). Ele e seus amigos Hananias, Misael e Azarias foram agraciados com o generoso menu da corte pagã. Como o alimento real era contra a lei de Moisés, e poderia torná-lo menos eficientes, Daniel "assentou em seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia" (1.8). Como uma concessão ao seu pedido, Daniel e seus amigos tiveram permissão de apenas comer vegetais e beber água durante dez dias, e demonstraram ter ficado mais saudáveis que os demais companheiros. Os supervisores perceberam que esses jovens judeus possuíam grande habilidade e sabedoria. Ao final de seu período de treinamento foram reconhecidos pelo rei como superiores a todos os homens sábios da corte real. Através da divina revelação, Daniel contou o sonho que o rei havia esquecido e também deu a interpretação, que incluía a destruição do reino de Nabucodonosor (Dn 2).
O rei elogiou Daniel, honrou o seu Deus e o recompensou com presentes preciosos (2.46,47) e também "o pôs por governador de toda a província de Babilônia, como também por principal governador de todos os sábios de Babilônia" (2.48). Mais tarde, Daniel interpretou outro sonho de Nabucodonosor e disse ao rei que, durante algum tempo, ele perderia seu trono, mas que este seria recuperado depois que ele tivesse se humilhado completamente (Dn 4). Deus revelou, através de Daniel, certos aspectos do reino messiânico que poderiam interferir no curso da história e da eternidade. Veja Daniel, Livro de. Durante mais de 20 anos (561-539 a.C.) nada foi registrado a respeito de Daniel; pode ser que ele tenha perdido sua posição e o favor real. Então, na festa de Belsazar (q.v), que era o co-regente com seu pai Nabonido, a rainha (provavelmente mãe de Belsazar, e filha de Nabucodonosor) lembrou-se de Daniel, que foi convocado para interpretar uma estranha inscrição na parede (Dn 5.10-28). De acordo com sua interpretação, a Babilônia seria conquistada naquela noite (539 a.C.) por Dário, o medo. Embora a história secular não tenha, até o momento, conhecido um personagem medo com o nome de Dário, ele foi identificado por competentes estudiosos como sendo Gobryas, governador da Babilônia no reinado de Ciro (John C. Whitcomb, Darius the Mede). Dário reconheceu a habilidade de Daniel e o fez chefe de um conselho de três presidentes e "pensava constituí-lo sobre todo o reino" (Dn 6.3). Em sua religião, Daniel manifestava a mesma fidelidade incondicional. Ele desafiou o decreto de Dário e orava a Deus ao invés de fazer petições ao rei. Foi lançado na cova dos leões e milagrosamente salvo (Dn 6). Ele nunca transigiu as suas convicções, nem hesitou em sua lealdade a Deus. Viveu até o terceiro ano do reinado de Ciro (536 a.C), chegando, provavelmente, a 90 anos de idade e ainda bastante ativo. Ezequiel se referia a Daniel como um homem de grande sabedoria e piedade (Ez 28.3) e o colocava ao lado de pessoas tão dignas quanto Noé e Jó (Ez 14.14,20), homens de renomada virtude. Jesus se referiu a Daniel pelo menos uma vez (Mt 24.15).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 519-520.
A primeira parte da vida de Daniel demonstra que há muito mais na vida do jovem do que apenas cometer erros. Nenhuma característica conquista mais rapidamente o coração dos adultos do que a sabedoria nas palavras e ações de uma pessoa jovem. Daniel e seus amigos tinham sido levados de seus lares, em Judá, para o exílio. O futuro era incerto, mas todos eles possuíam características pessoais que os qualificavam para o trabalho no palácio, na presença do rei. Eles tiravam proveito da oportunidade som deixar que esta tirasse proveito deles.
O primeiro sinal da dignidade de Daniel é visto quando ele se recusa discretamente a desistir de suas convicções. Daniel tinha aplicado a vontade de Deus a sua vida e era contrário a mudar os bons hábitos que formara. Tanto o alimento físico quanto o espiritual eram uma parte importante de seu relacionamento com Deus. Alimentava-se cuidadosamente e vivia em oração. Um dos benefícios de estar em treinamento para o serviço real era comer da mesa do próprio rei. Daniel escolheu com discernimento um cardápio mais simples e provou ter sido esta uma escolha saudável. Assim como Daniel, as horas das refeições são testes óbvios e regulares de nosso empenho em controlar os apetites. Enquanto controlava sua ingestão de alimentos, Daniel entregava-se ã oração. Podia comunicar-se com Deus porque fez disto um hábito. Ele colocou em prática suas convicções, mesmo quando isto significou ser lançado em uma cova de leões famintos. Sua vida provou que tinha feito a escolha certa.
Você mantém tão firmemente sua fé em Deus que, não importa o que aconteça, fará o que Deus lhe disser? Tal convicção o mantém um passo à frente da tentação e lhe dará sabedoria e estabilidade diante das mudanças. Em oração, viva as suas convicções no dia-a-dia e confie em Deus quanto aos resultados.
Pontos fortes e êxitos:
• Apesar de jovem quando deportado, permaneceu leal à sua fé.
• Serviu como conselheiro a dois reis babilônicos e dois reis
medo-persas.
• Era um homem de oração e um estadista com o dom da profecia.
• Sobreviveu à cova dos leões.
Lições de vida:
• As convicções silenciosas freqüentemente ganham respeito em longo
prazo.
• Náo espere chegar a uma situação dificil para aprender sobre oração.
• Deus pode usar as pessoas onde quer que estejam.
Informações essenciais:
• Local: Judá e as cortes da Babilônia e da Pérsia.
• Ocupação: Um cativo de Israel que se tornou conselheiro de reis.
• Contemporâneos: Hananias, Misael, Azarias, Nabucodonosor,
Belsazar, Dario e Ciro.
Versículo-chave:
"Porquanto se achou neste Daniel um espirito excelente, e ciência, e entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas, e solvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar; chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará interpretação" (Dn 5.12).
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1093.
2. A importância do livro.
O livro de Daniel é o desvendar de um mistério. E, se por um lado desvenda o mistério, por outro, o envolve em surpresa e admiração, deixando grande parte do mistério da revelação em aberto.
Daniel era um homem de extraordinária sabedoria e percepção. Vivendo no meio de grandes e repentinas mudanças mundiais, ele foi capaz de manter seu equilíbrio e sanidade, observando o que estava acontecendo com um olhar atento. Ele serviu a reis. Ele foi um valoroso conselheiro de governantes. Porém, mais importante de tudo, ele tinha um relacionamento íntimo com o Deus dos céus. Ele estava com os seus pés firmemente plantados na terra, entre os acontecimentos terrenos. Mas, a sua cabeça ficava numa atmosfera mais clara; ele vivia diante da realidade de coisas eternas.
Algumas verdades tomam-se claras na mensagem de Daniel, revelando o plano de Deus para a Terra e seus habitantes. Em primeiro lugar, poderes terrenos e circunstâncias são temporários. As tiranias mais poderosas ficam no poder durante um curto período. Em segundo lugar, Deus faz com que a ira do homem acabe se transformando em louvor a Ele e faz com que todo o resto seja impedido. Tanto Nabucodonosor, o déspota enfurecido, quanto Ciro, o soberano sábio e cordial, testificaram dessa verdade. Em terceiro lugar, Deus mantém as suas promessas para o seu povo; Ele não esquece. Em quarto lugar, Deus tem seu próprio tempo para realizar a sua obra. Ele nunca se adianta nem se atrasa. Em quinto lugar, os reinos desse mundo são designados para dar lugar ao reino do nosso Senhor e do seu Cristo. Em sexto lugar, embora Deus tenha uma visão eterna e cósmica, Ele tem um interesse amoroso em relação aos afazeres mais insignificantes de um indivíduo.
O livro de Daniel foi um livro para Daniel e para o atribulado povo remanescente de Deus dos seus dias. Esse também é um livro para todas as gerações, designado para manter a história em perspectiva. O livro continua sendo relevante para os nossos dias. Certamente, estamos mais próximos do tempo da consumação do Reino de Deus do que qualquer povo que viveu antes de nós. Em dias de profunda escuridão e conflitos cruciais, vamos extrair esperança e coragem da mensagem transmitida a Daniel.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 500.
Já pudemos ver que os críticos supõem que o livro de Daniel tenha sido escrito para encorajar os judeus palestinos em meio à sua resistência ao programa de helenização de Antíoco IV Epifânio. Por outro lado, o livro pode ter tido o propósito de realizar o mesmo papel, mas em favor dos judeus exilados na Babilônia, que estariam enfrentando graves problemas em seus preparativos para retornar a Jerusalém. Nesse caso, o livro também mostraria que Deus, embora juiz dos judeus, já que os deixou ir para o exílio, haveria de restaurá-los, por causa de sua misericórdia. Esse segundo ponto de vista está mais em consonância com o arcabouço histórico apresentado no próprio livro. Naturalmente, a arcabouço histórico poderia ter sido utilizado pelo autor como uma lição objetiva, destinada a um povo posterior, que estivesse enfrentando um conjunto inteiramente diverso de dificuldades.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3370.
PROPÓSITO
No monte Sinai, no deserto, o Deus do céu e da terra depositou Sua afeição de modo peculiar sobre Israel, escolhendo essa nação para ser Seu povo e declarando que Ele seria seu Deus. Dessa maneira entrou em relação de concerto com Israel, manifestando tal relação por um poderoso ato de livramento. Seu propósito para com essa nação era que ela fosse um "reino de sacerdotes" e que Deus fosse seu governante. Assim foi estabelecida a teocracia (governo de Deus). Israel deveria ser uma nação santa, uma luz para iluminar os gentios e dar testemunho do conhecimento salvador do verdadeiro Deus a todos.
Israel, todavia, não foi fiel a esse alto propósito. Depois que já se achava por algum tempo na Terra Prometida, exibiu insatisfação com os princípios fundamentais da teocracia ao solicitar um rei humano, para que fosse semelhante às nações ao seu derredor. Em primeiro lugar lhe foi dado um homem mau como rei, e então um homem segundo o próprio coração de Deus. Davi, entretanto, era homem de guerra, pelo que não foi senão durante o reinado pacífico de Salomão que o templo, o símbolo externo do reino de Deus, foi edificado. Após a morte de Salomão rebelaram-se as tribos do norte, renunciando às promessas da aliança. Dessa ocasião em diante, tanto nos reinos do norte como do sul, a iniquidade passou a caracterizar o povo, pelo que Deus anunciou Sua intenção de destruí-los (cf. Os 1.6; Am 2.13-16; Is 6.11-12, etc.). Os instrumentos que o Deus soberano empregou para realizar Seu propósito de fazer ponto final na teocracia foram os assírios e babilônios. Sob o poder dessas nações o povo teocrático foi levado em cativeiro, e o exílio ou período de "Indignação" foi iniciado (Is 10.25; Dn 8.19). O próprio exílio foi seguido por um período de expectativa e preparação para a vinda do Messias. Foi revelado que um período de setenta vezes sete tinha sido determinado por Deus para a materialização da obra messiânica (Dn 9.24-27). O livro de Daniel, um produto do exílio, serve para mostrar que o próprio exílio não seria permanente. Pelo contrário, a própria nação que havia conquistado Israel desapareceria da cena da história para ser substituída por outra e, de fato, por três outros grandes impérios humanos. Enquanto esses impérios estivessem em existência, entretanto, o Deus do céu erigiria outro reino que, diferentemente dos reinos humanos, seria ao mesmo tempo universal e eterno. O propósito de Daniel, por conseguinte, é ensinar a verdade que, embora o povo de Deus esteja escravizado em uma nação pagã, o próprio Deus é seu soberano e aquele que em última análise dispõe dos destinos, tanto dos indivíduos como das nações.
Essa verdade é ensinada por meio de um rico uso de símbolos e comparações, e o motivo dessa característica se encontra no fato que as revelações feitas a Daniel tiveram a forma de visão. O livro de Daniel, pois, pode assim ser chamado de obra apocalíptica, mas se eleva muito acima dos apocalipses pós-canônicos. A única obra que pode com justiça ser-lhe comparada é o livro neo-testamentário do Apocalipse. Essencialmente, Daniel exibe as qualidades de um livro verdadeiramente profético e suas comparações são usadas tendo em vista um propósito didático.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia.  pag. 2-3.
3. A autoria e as características do livro.
LIVRO DE DANIEL
Características Gerais
O livro de Daniel ocupa um lugar único no AT. Ele introduz predições maravilhosas sobre a vinda do Messias e do Reino de Deus. Na Bíblia Sagrada (tanto em português quanto em inglês), ele se encontra entre os maiores profetas depois de Ezequiel; na Bíblia hebraica, ele se encontra entre os Escritos, a terceira divisão do cânon judeu. Na Bíblia
hebraica, as passagens em hebraico de Daniel l.l-2.4a e 8.1-12.13 revelam o significativo papel de Israel nos desenvolvimentos internacionais; a passagem em aramaico de Daniel 2.4Ò - 7.28 indica a ordem de sucessão, o ca-ráter e o destino das nações pagãs.
Esboço
I.          A história de Daniel, capítulos 1-6
A. A juventude e a educação de Daniel, capítulo 1
B. A imagem do sonho de Nabucodonosor, capítulo 2
C. Fidelidade dos companheiros de Daniel, capítulo 3
D. A árvore do sonho de Nabucodonosor, capítulo 4
E. A festa de Belsazar, capítulo 5
F. Daniel na cova dos leões, capítulo 6
II.         Visões de Daniel, capítulos 7-12
A. A Visão dos quatro animais, capítulo 7
B. Visão do carneiro e do bode, capítulo 8
C. A oração de Daniel; visão das 70 se manas, capítulo 9
D. A última visão de Daniel, capítulos 10-12
1.O anjo aparece para encorajar Daniel e predizer o futuro, capítulo 10
2. Pérsia e Grécia; lutas entre os ptolemaicos e os selêucidas; opressão sofrida sob Antíoco Epifânio, capítulo 11
3. A Era Messiânica e sua consumação, capítulo 12
Data e Autoria
Desde a antiguidade a tradição judaico-cris-tã tem declarado que Daniel escreveu esse livro durante o exílio no século 6 a.C. O fato de os homens da Grande Sinagoga terem escrito o livro de Daniel durante o período de Esdras e Neemias, de acordo com o Talmude, significa apenas que eles o copiaram. O livro pretende revelar uma historia séria e afirma que Daniel pronunciou as profecias ali contidas. Jesus referiu-se à "abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel" em Mateus 24.15. Até o momento, a opinião tradicional tem sido seriamente questionada. Porfírio, um filósofo platônico do século III depois de Cristo, afirma que o livro foi escrito no século II a.C. Muitos estudiosos modernos consideram que um escriba piedoso usou a figura de Daniel (o uso de pseudônimos era um costume antigo), para estimular lealdade a Deus e manter o entusiasmo pela causa nacional durante a revolta dos macabeus de 167-164 contra o governante selêucida Antíoco Epifânio. Segundo essa opinião, o livro de Daniel consiste de historias espúrias sobre Daniel na corte Babilónica durante o período do Exílio e as visões atribuídas a ele, que atravessam a história de Israel desde esse período até o período do próprio escritor, estão concentradas nos anos da perseguição, e sua consumação no reino de Deus. Apesar dessa prevalecente opinião crítica contra conferir ao livro a data do século VI, uma gradual inclinação tem sido registrada em direção a uma data anterior. A descoberta do nome de Belsazar (q.v.) nas tábuas de argila da Babilônia, e a provável identificação feita por Whitcomb em relação a Dário, o medo (q.v.) com sendo Gubaru (em grego, Gobryas), foram muito longe para reivindicar a precisão histórica desse livro para o século VI Supostos problemas linguísticos e exegéticos têm sido mais que adequadamente respondidos por estudiosos conservadores (SOTI, pp. 368ss.). Fragmentos de Qumran do livro de Daniel (150 a.C.) também estão exercendo forte pressão para localizar a data de sua autoria dentro de uma opinião conservadora.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 520-522.
Autoria
Ao longo dos séculos, tanto entre os judeus quanto entre os cristãos, o livro tem sido tradicionalmente atribuído a Daniel. Em diversas seções importantes o texto é atribuído diretamente a Daniel. A primeira pessoa do singular: “Eu, Daniel”, é usada repetidas vezes. O capítulo 7 começa da seguinte forma: “teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua cabeça; escreveu logo o sonho e relatou a suma das coisas” (Dn 7.1).
Mas nos últimos cento e cinqüenta anos a autoria do livro de Daniel tem se tornado um grande campo de batalha. Tornou-se um hábito atribuir o livro a um autor desconhecido que viveu na época de Antíoco Epifânio, 175-169 a.C. De acordo com essa posição supõe-se que o livro de Daniel é uma alegoria escrita parcialmente em códigos para encorajar e inspirar os judeus que estavam sofrendo debaixo da tirania e perseguições de Antíoco. As histórias do livro, portanto, não deveriam ser entendidas de forma literal, mas simbolicamente. O livro, portanto, deveria figurar na categoria de pseudepígrafes (escritos posteriores que adotavam nomes de grandes homens do passado), devido a algumas semelhanças com essa categoria.
Para aqueles que entendem existir uma inspiração divina e, portanto, sobrenatural, não há motivo justificável para rejeitar a fé cristã tradicional acerca da integridade do livro de Daniel. Procurar possíveis motivos para uma outra autoria do livro que leva o seu nome é injustificável. Se levarmos em conta todos os questionamentos que foram levantados contra a sua autoria, concluímos que é necessário mais do que credulidade. E necessário fé. Essa fé busca aquietar-se e ouvir o que Deus tem a nos dizer em nossos dias acerca do firme propósito que Ele estabeleceu para o presente e nas eras futuras.
Daniel não está sozinho e indefeso na Bíblia. Sem dúvida, a referência mais impressionante e de maior autoridade é sobre Daniel 9.27. Jesus faz referência a esse texto na sua mensagem apocalíptica: “Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel...” (Mt 24.15; também cf. Mc 13.14). Jesus parece claramente dar o seu endosso para a legitimidade de Daniel como profeta e para a veracidade da sua mensagem.
Referências relacionadas por dedução à profecia de Daniel são também bastante numerosas nos ensinamentos de Jesus, particularmente em seu uso da expressão “Filho do homem”. Em Mateus 24.30, lemos: “verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”. Essas palavras parecem ecoar o que lemos em Daniel 7.13-14: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem [...] E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino” (cf. Mt 16.27-28).
Quando Paulo escreve sobre o “homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora” (2 Ts 2.3-4), ele está se referindo claramente a Daniel 11.36: “e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis”.
Referências de Daniel refletidas no livro de Apocalipse são suficientemente numerosas para justificar a inferência de que a autoridade desse livro do Novo Testamento sustenta a integridade do seu correlato do Antigo Testamento.
É interessante notar que os integrantes da comunidade de Qumrã, que produziram os manuscritos bíblicos mais antigos conhecidos atualmente, tinham um interesse especial pelo livro de Daniel. Com base nos fragmentos recuperados das suas cavernas fica claro que possuíam inúmeras cópias desse livro. Devido aos tempos turbulentos em que viviam, logo após o reinado de Antíoco até a destruição de Jerusalém em 71 d.C., eles tinham um profundo interesse na esperança apocalíptica.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 498-499.
Características Gerais
Este livro aparece na terceira seção do cânon hebraico, chamada ketubim. Nas Bíblias em línguas vernáculas, trata-se de uma das quatro grandes composições proféticas escritas, de acordo com o cânon alexandrino. Na moderna erudição, diferem as opiniões a seu respeito. Alguns estudiosos pensam que se trata apenas de um dos melhores escritos pseudepígrafos, uma pseudoprofecia romântica, escrita essencialmente como narrativa, e não um livro profético. Mas outros respeitam altamente o livro como profecia, baseando sobre este livro várias doutrinas sérias a respeito dos últimos dias, ainda futuros. Seja como for, é verdade que o Novo Testamento incorpora grande parte da visão profética deste livro no Apocalipse, envolvendo temas como a grande tribulação, o anticristo, a segunda vinda de Cristo, a ressurreição e o julgamento final. As indicações cronológicas do livro de Daniel são adotadas diretamente pelo Apocalipse.
O livro foi escrito em hebraico, mas com uma extensa seção em aramaico, ou seja, Daniel 2.4b - 7.28. Os eruditos liberais pensam que essa porção é um tanto mais antiga, tendo sido adaptada às pressas para seu uso, em uma revisão palestina. Temos a introdução do livro escrita em hebraico (Dan 1.1-2.4a), com visões adicionais (caps. 8 em diante), a respeito de coisas que ocorreram durante a crise sob o governo de Antíoco IV Epifânio (175-163 A.C.). Reveste-se de especial importância o material do décimo capitulo, que apresenta uma personagem “à semelhança dos filhos dos homens” (Dan. 10.16), que os estudiosos cristãos pensam tratar-se de uma alusão ao Messias. O livro também encerra a doutrina da ressurreição dos mortos (Dan. 12.2,3) e uma angelologia típica do judaísmo posterior. Daniel é o único livro judaico de natureza apocalíptica que foi finalmente aceito no cânon palestino, ao passo que vários livros dessa natureza vieram a tornar-se parte do cânon alexandrino.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3367.
Autor A autoria e data de Daniel têm sido objeto de muita polêmica entre os estudiosos do texto bíblico. A disputa se concentra na forma como as visões e profecias de Daniel enfocam quatro impérios antigos em sucessão. iniciando pela Babilônia (caps. 2; 7; 11 ). Daniel descreve com grandes detalhes as relações históricas entre o reino selêucida e o ptolemaico no período imediatamente anterior e durante o tempo de Antíoco IV Epifânio (cap. 11) Tentando justificar tal conhecimento detalhado, muitos estudiosos concluem que o livro deve ter sido escrito por um autor desconhecido por volta de 170 a.C., durante a vida de Antíoco IV Epifânio, e não no tempo de Daniel, que foi levado para a Babilônia em 605 a.e. Contudo, informações do próprio livro indicam Daniel como o seu autor (9.2; 10.2) e sugerem que o texto foi escrito pouco tempo após a vitória de Ciro sobre a Babilônia, em 539 a.C. Além disso. Jesus menciona a predição do "abominável da desolação" encontrada neste livro como tendo sido proferida pelo "profeta Daniel" (Mt 24.15).
Características e Temas o Livro de Daniel contém dois tipos distintos de texto. Seis narrativas históricas estão registradas nos caps. 1-6, e quatro visões, nos caps. 7-12. As visões são quase exclusivamente predições. Entre as seis narrativas, o cap. 2 contém uma visão revelada a Nabucodonosor e a sua interpretação conforme enunciada por Daniel. Reflexões sobre o conteúdo das narrativas históricas revelam que elas não constituem um tratado histórico integrado, mas tratam-se de unidades independentes reunidas com um propósito específico. As narrativas não apresentam uma história de Israel sob o domínio da Babilônia ou da Pérsia, tampouco se constituem em uma biografia histórica de Daniel ou de seus amigos. O elemento comum subjacente a estes textos é a ênfase na forma pela qual a soberania absoluta de Deus opera na vida de todas as nações (2.47; 3.17-18; 4.28-37; 5.18-31; 6.25-28). Jerusalém pode ser destruída e ter seu templo reduzido a ruínas, o povo de Deus pode ser exilado, e os maus governantes podem parecer triunfantes, mas Deus permanece supremo. Deus é maior que todas as circunstâncias, e o seu povo deve ser-lhe fiel em qualquer situação que se encontre. A descrição dessa verdade é o princípio orientador de Dn 1-6.
A visão de Nabucodonosor no cap. 2 demonstra que os outros deuses não controlam a história e que o seu mistério não pode ser descoberto pela manipulação dos homens. A história está sob o controle de Deus, que é totalmente livre para dirigi-la e revelá-la como melhor lhe aprouver (Ap 5.9). De acordo com a sua soberana vontade, Deus intervirá nos reinos deste mundo e estabelecerá um Reino universal que permanecerá para sempre.
As visões (caps. 7-12) contêm predições de tempos futuros, quando esta verdade será de suma importância para o povo de Deus. Embora os judeus tenham sido perseguidos durante o tempo da sua sujeição aos dominadores babilônicos e persas, não houve nenhuma tentativa abrangente e sistemática de abolir a sua fé. Isso não aconteceu até o tempo de Antíoco IV, que se denominou "Epifânio", que significa "Deus manifesto", e governou no Império Selêucida de 175-164 a.C. Antíoco tentou forçar os judeus a aceitarem a cultura do helenismo e a abandonarem suas práticas religiosas. Muitos Judeus se submeteram, mas outros recusaram-se a fazê-lo e sofreram grande perseguição. Uma das principais razões para a redação do Livro de Daniel foi a de preparar o povo de Deus para os tempos de Antíoco Epifânio e encorajá-los durante esse período de perseguição. Ao mesmo tempo, o livro se volta para o período subseqüente a Antíoco Epifânio, para a vinda de Cristo. É Cristo quem destruirá todos os reinos dos homens e instituirá o seu reino eterno de justiça e paz.
Além desses temas abrangentes de Daniel, alguns conceitos-chave são relevantes para o estudo do livro. Um deles é o "tempo de angústia" ( 12.1), geralmente denominado a "grande tribulação", que precederá o segundo advento de Cristo (Mt 24.21; Lc 21.23; Ap 2.22; 7.14). Mateus relaciona essa grande tribulação com o "abominável da desolação" (Mt 24.15) predito por Daniel (cf. Dn 9 27; 12.11) e cumprido pelo anticristo (o "homem da iniquidade" em 2Ts 2.3-4).
O "anticristo" pode também ser incluído na teologia de Daniel (Dn 7.8,20-22,24-27; 11.36-45). Essa palavra só aparece nas epístolas de João (1Jo 2.18,22; 4.3; 2Jo 7), porém referências a uma pessoa de ódio satânico que surgirá no fim dos tempos da história humana, antes da segunda vinda de Cristo, são encontradas em ambos os testamentos. O anticristo estabelece a "abominação desoladora" (Dn 11.31; Mt 24.15), exalta a si mesmo como um deus (Dn 11.36-39; 2Ts 2.3-4) e é finalmente destruído por Cristo em sua volta (Dn 11.45; 2Ts 2.8 [cf. Is 11.4]; Ap 19.20).
ideia do milênio também ocorre nas elaborações de Daniel.
O termo "milênio" é derivado da palavra latina que significa "mil" e designa o período de mil anos descrito em Ap 20. O caráter desses mil anos é compreendido de maneira distinta por três escolas de interpretação, classificadas como segue: (a) Os pré-milenistas acreditam que o milênio é um reino mundial de paz e justiça sobre a terra, que será estabelecido após a segunda vinda de Cristo (Is 2.1-5; 11.1-1 O). (b) Os pós-milenistas acreditam que o milênio é um período de paz e justiça que será estabelecido pela pregação do evangelho em todo o mundo, resultando nas condições descritas em passagens como Is 2.1-5; 11.1-1 O. (c) Os amilenistas acreditam que o milênio é uma referência figurada ao tempo presente do evangelho. Dessa forma, o milênio não é visto como uma ordem política futura, mas como o reino espiritual do governo de Cristo sobre a Igreja.
Na visão dos pós-milenistas e amilenistas, o número "mil" é geralmente considerado como uma forma figurativa de representar um longo período de tempo, em lugar de mil anos literais.
Bíblia de Estudo de Genebra. Editoras Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 982-983.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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