Google+ Followers

Seguidores do Blog

2° LIÇÃO 4 TRIMESTRE 2014 A FIRMEZA DO CARÁTER MORAL E ESPIRITUAL DE DANIEL


A FIRMEZA DO CARÁTER MORAL E ESPIRITUAL DE DANIEL
Quem era o jovem Daniel? Quem eram Hananias, Misael e Azarias, seus amigos? O livro de Daniel inicia a história desses jovens situando-os no processo de deportação de Jerusalém para a Babilônia de Nabucodonosor. A respeito desses quatro jovens, a Bíblia descreve cinco características importantes: Eram "de linhagem real, dos nobres"; "sem defeito algum"; "formosos de aparência"; "instruídos em toda a sabedoria"; "sábios em ciência".

A identidade dos quatro jovens Flávio Josefo, historiador judeu de linhagem sacerdotal (37-103 d.C), em sua célebre obra, História dos Hebreus, editada pela CPAD, confirma a linhagem real e nobre de Daniel e dos seus três amigos: "Dentre todos os filhos da nação judaica, parentes do rei Zedequias e outros de origem mais ilustre, Nabucodonosor escolheu os que eram mais perfeitos e competentes". Outro apontamento de Josefo chama-nos a atenção: "Dentre os moços que eram parentes de Zedequias, havia quatro perfeitamente honestos e inteligentes: Daniel, Hananias, Misael e Azarias". Tanto pela Bíblia quanto por fonte extra, está claro que esses jovens pertenciam à realeza e à nobreza de Israel. Ambos eram parentes do rei Zedequias. Entretanto, as características mais importantes destacada pela Bíblia e, igualmente por Josefo, eram a honestidade, firmeza e integridade no caráter.
Educados na Lei de Deus, os jovens levavam a sério a ética social da Torá na cultura paganizada da Babilônia. Prova disso foi a tentativa de Nabucodonosor em apagar a identidade social e religiosa deles. Ele trocou os nomes dos rapazes para nomenclaturas pagãs: a Daniel deu o nome de Beltessazar; Hananias o chamou Sadraque; a Misael, Mesaque; a Azarias, Abede-Nego.
A firmeza do caráter Frequentemente, o termo caráter é conceituado como um tipo ou sinal convencionado numa sociedade. Refere-se à índole, ao temperamento e a forma moral. A família, a escola e a religião de um grupo social contribuem para formar o caráter de uma pessoa.
Ao impor a troca dos nomes de Daniel e os seus três amigos o rei Nabucodonosor estava "mudando" a identidade deles, tanto cultural quanto religiosa, advinda da Lei de Deus. Mas o que fizeram os jovens rapazes? Resistiram sabiamente, propondo outra estratégia para viverem no palácio da Babilônia sem desonrar a Deus e conservando a integridade de caráter herdado do seu povo.
Revista Ensinador. Editora CPAD. pag. 37.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Este primeiro capítulo apresenta os personagens que são os protagonistas de episódios relatados nos capítulos seguintes. Eles ^revelam a capacidade de serem fieis a Deus mesmo quando as circunstâncias se mostram adversas. E a história de quatro jovens que não se corromperam, nem antes nem depois de se tornarem exilados numa outra terra e sob o domínio de um rei pagão.
Os seis primeiros capítulos do livro são históricos. Neles encontramos a história verdadeira de quatro jovens judeus, os quais, levados cativos para a Babilônia foram desafiados na sua fé em Deus. Dos quatro rapazes judeus, Daniel, Ananias, Misael e Azarias, é o jovem Daniel que ganha espaço nesta história pela demonstração de sua fé, fidelidade e integridade em meio a uma situação instável e oposta a tudo que conhecia no meio do seu povo.
Nesta história destaca-se a firmeza de caráter demonstrada pelos quatro jovens que deu a eles a capacidade de enfrentar o desafio à sua fé no Deus de Israel. Essa atitude significava a disposição interior e era fruto da formação moral e espiritual recebida de seus pais.Tratava-se de uma postura mais firme que colocava as suas vidas em risco por não obedecer a ordem do Rei que afetava a sua fé.
Neste início do século XXI, somos desafiados na nossa integridade como cristãos a termos uma postura que jamais renegue a nossa fé cristã. Haverá em nossos dias gente confiável? Para esse tempo de crise de integridade, a história de Daniel serve de modelo aos cristãos.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 27-28.
Poucas personagens no A. T. são tão conhecidas quanto Daniel, um homem desarraigado da sua terra natal, educado numa sociedade estrangeira, que manteve um a lealdade inabalável ao Deus do seu povo. As suas habilidades e a integridade inspirada pela sua fé o conduziram a altos escalões de governo.
Chamado para fazer o impossível, a contar ao rei o sonho deste, a sua fé foi recompensada com percepção divina, salvando-o da morte.
Durante o comumente generoso governo da Pérsia, ele não estava disposto a fazer concessões nem por um mês, e os seus inimigos sabiam que ele não o faria. A sua fé não era nem ostentosa nem secreta, mas firme, pronta para dar a resposta quando questionada, até mesmo para repreender um rei por ter cometido sacrilégio negligente. Apto para as maiores responsabilidades ministeriais no governo, ele também estava apto para a responsabilidade singular de receber e anunciar revelações acerca da sua nação em questões internacionais nos séculos por vir.
DONALD C. FLEMING. Comentário Bíblico NVI. Editora Vida. Eclesiastes. pag. 1174.
Daniel e seus três amigos optaram por nào comer a comida do rei.
Eles nào se curvaram à imagem do rei, mesmo sob pena de morte. Daniel continuou a orar, embora soubesse que poderia ser notado e condenado à morte. Estes homens sào exemplos inspiradores de como viver uma vida com Deus em um mundo pecaminoso. Quando enfrentamos provações, podemos ter certeza dc que Deus está conosco. Que Ele nos dê a mesma coragem para sermos capazes de permanecer lléis sob pressào.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1089.
Daniel viveu em meio a todos esses acontecimentos marcantes. Não sabemos exatamente que impacto ele causou na comunidade dos exilados, mas temos evidências de que foi uma grande influência em favor do bem, tanto aos exilados como aos babilônicos.
Daniel tornou-se confidente de Nabucodonosor ao longo do reinado deste (605—562 a.C.). Mais tarde serviu com igual distinção na corte de Ciro, o governante persa que conquistou a Babilônia. Uma das primeiras políticas implementadas por Ciro após subjugar a Babilônia foi permitir que os judeus retornassem à sua terra e retomassem seu estilo de vida. É muito provável que Daniel tenha influenciado a decisão do monarca. O livro de Daniel serve como testemunho do modo como Deus opera Seus propósitos por meio de Seus servos, ainda que estes estejam servindo na corte de governantes pagãos (Dn 2.21; 4.18).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 1273-1274.
I – UMA RETROSPECTIVA HISTÓRICA
1. A situação mora e política de Judá.
“No ano terceiro do reinado de Jeoaquím” (1.1). Segundo alguns estudiosos da cronologia histórica que envolve o terceiro ano do reinado de Jeoaquim o tempo mais próximo foi entre 606 e 605 a.C. Nesse tempo, Nabucodonosor era o filho de Nabopolasar que era, tão somente, o herdeiro do trono da Babilônia. Porém, destacou-se quando fez campanhas de conquistas de outras terras em lugar de seu pai. Sua ascensão ao trono da Babilônia aconteceu em 605 a.C., mediante a vitória que teve em Carquemis assegurando aos babilônios a dominação sobre a Síria e a Palestina. Foi depois desta vitória que lhe foi dado o título de Rei da Babilônia. Foi em 605 a.C., que Nabucodonosor entrou em Judá e Jerusalém e confiscou utensílios de valor do templo de Jerusalém, levando-os para a Babilônia. Cum- pria-se, então, a profecia de Isaías ao rei Ezequias muitos anos antes (Is 39.1-6). Outros profetas profetizaram sobre essa queda de Judá, através de Hulda, a profetisa (2 Cr 43.22-28), além dos profetas que profetizaram sobre o exílio de Judá na Babilônia, tais como Miqueias (Mq 4.10),Jeremias (Jr 25.11) e Habacuque (Hc 1.5-11).
“veio Nabucodonosor, rei da Babilônia a Jerusalém e a sitiou” (1.1). Houve três incursões do rei babilônico. Na primeira vez este rei levou os tesouros da casa de Deus no ano terceiro de Jeoaquim em 606 a.C. Na segunda incursão, Nabucodonosor fez a segunda deportação que foi no ano oitavo de Jeoaquim em 597 a.C. Na terceira incursão foi no ano 586 a.C., quando o templo foi saqueado, destruído e queimado, bem como a cidade e os muros de Jerusalém (2 Rs 25.8-21). Os utensílios do templo de Jerusalém consagrados a Jeová foram levados para a casa do deus de Nabucodonosor, porque atribuía suas conquistas ao seu deus.
“Jeoaquim, rei de Judà” (1.1). Os antecedentes históricos desse rei são cheios de maldade e rebelião contra Deus. Jeoaquim foi colocado no trono de Judá pelo Faraó-Neco, o rei do Egito (2 Rs 23.34) nos anos 608 a 597 a.C. Jeoaquim foi colocado no lugar de seu irmão Jeoacaz , que foi deposto pelo rei do Egito. No ano 606 a.C., Nabucodonosor invadiu Jerusalém, dominou a cidade e levou para a Babilônia os tesouros da casa de Deus (templo). Porém, as pretensões de Nabucodonosor foram além dos valores materiais de Jerusalém. Ele levou alguns nobres da casa real que eram versados em ciências e conhecimentos gerais, entre os quais, quatro jovens chamados Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Em meio àquela crise espiritual do reino de Judá, esses jovens se mantiveram fiéis aos princípios ensinados e que foram testados logo.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 28-29.
A situação política de Judá
Nos anos 608 a 597 a.C., reinava em Jerusalém Jeoaquim, que havia sido empossado por Neco, faraó do Egito (2Rs 23.34). Naqueles dias, duas nações lutavam pelo domínio da região: a Assíria e o Egito. Neco, rei do Egito, subira para batalhar contra o rei da Assíria (2Rs 23.29). Josias, rei de Judá, temendo pela segurança de seu reino, achou melhor atacar o exército egípcio, mas morreu na batalha de Carquemis, em 608 a.C. Neco, que agora estava com todos os trunfos na mão, destituiu a Jeoacaz, filho de Josias, quando este havia reinado apenas três meses, impôs pesado tributo a Judá, e constituiu rei a Jeoaquim, irmão do deposto Jeoacaz (2Rs 23.31-35). O castigo de Deus foi retardado, mas não evitado (2Rs 23.26,27). Jeoaquim foi um rei ímpio. Seu pai Josias rasgou suas roupas em sinal de contrição e arrependimento. Ao contrário, Jeoaquim rasgou e queimou o rolo da Palavra de Deus que continha as mensagens do profeta Jeremias e mandou prender o mensageiro (Jr 36.20-26).
Jeoaquim era também assassino. Porque as mensagens do profeta Urias eram contrárias aos seus interesses, ele mandou matá-lo. Urias fugiu para o Egito, mas Jeoaquim mandou seqüestrá-lo. Ele foi trazido à sua presença e morto à espada (Jr 26.20-23).
O cenário político ao redor de Judá
No ano 606 a.C., novos acontecimentos vieram modificar o cenário político-militar da conturbada região. Uma vitória de Nabucodonosor, rei da Babilônia, sobre o faraó Neco, consolidou a Babilônia como nova potência mundial em ascensão. O Egito e a Assíria haviam disputado o predomínio, mas a luta enfraquecera a ambos. Assim, a Babilônia foi quem mais ganhou com essas brigas. Quando dois cães brigam por um osso, pode aparecer um terceiro e levá-lo com a maior facilidade.
Nabucodonosor fez três incursões sobre Jerusalém: em 606 a.C., levou os nobres (dentre eles Daniel) e os vasos do templo. Em 597 a.C., noutra incursão, levou mais cativos. O rei Jeoaquim rendeu-se sem resistência. Nesse tempo, também, foi ao cativeiro o profeta Ezequiel (2Rs 24.8). Em 586 a.C., após dezoito meses de sítio, os exércitos do rei da Babilônia saquearam a cidade de Jerusalém. Arrasaram-na totalmente, destruindo também o templo. O rei Zedequias foi capturado quando tentava fugir e levado à presença de Nabucodonosor. Seus filhos foram mortos em sua presença, seus olhos foram vazados, e ele levado cativo para a Babilônia com o seu povo (2Rs 25).
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 19-20.
O povo de Deus: novas questões em teologia e em política
No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia a Jerusalém, e a sitiou. o Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da casa de Deus; (vs. 1-2a).
Quando tudo isso realmente aconteceu a maioria do povo de Judá teve que mudar sua ótica sobre como Deus iria realizar o seu propósito com relação a eles dentro da História e como iria cumprir as suas promessas. Eles haviam sido levados a pensar e a planejar erradamente, interpretando a Palavra de Deus de acordo com os seus próprios desejos egocêntricos. A maneira de ler e interpretar suas escrituras e tradições levava-os a pensar que seria a partir de certos princípios inalteráveis que Deus cumpriria os seus propósitos. A linha real de Davi deveria continuar ininterruptamente, sem nenhuma interrupção, até que o segundo glorioso Davi, o Messias prometido, descendente do primeiro, aparecesse no trono de Judá. Sob este reinado Israel experimentaria o triunfo e a satisfação de ser o centro de uma comunidade de um grande e novo estado mundial, onde a paz e a prosperidade floresceriam para a alegria de todos. Mas até que chegasse esse dia, Jerusalém, a cidade santa, e o templo deveriam permanecer livres e invioláveis, como nos bons tempos de Davi e Salomão, sendo assim um sinal de que aqui Deus realizaria essas coisas maravilhosas.
Portanto quando tudo aconteceu às avessas, quando a cidade e o templo invioláveis foram destruídos, foi difícil para eles admitirem que o futuro pretendido por Deus pudesse envolver tanto a humilhação como a glória, o exílio e a vergonha, bem como a segurança e a prosperidade. Será que Deus poderia realmente usar um pagão como Nabucodonosor como instrumento para o bem e a educação do seu povo? Será que Deus esperava que acreditassem que, enquanto estavam nas mãos brutais do rei, eles ainda estariam nas mãos de Deus?
Em particular era-lhes muito difícil ver o templo arruinado e os utensílios da casa de Deus profanados. Tinham-se curvado em temor perante o que acreditavam e sentiam ser a presença de Deus naquele templo, onde estes utensílios eram usados e santificados. A tradição era permeada de histórias que advertiam que a ninguém seria permitido sequer tocar nesses utensílios com mãos profanas sem sofrer pavorosa e imediata punição. Mas agora um monarca pagão atreveu-se, e teve permissão, de fazer exatamente isso!
Precisavam de uma nova teologia, e o seu desenvolvimento seria um processo moroso, envolvendo introspecção e muita discussão. O livro de Daniel leva-nos para um mundo no qual estes problemas estavam sendo enfrentados e dissecados em toda a sua amplitude. Mas além dos problemas de uma nova teologia tinham também que definir como viver naquela situação. Deveriam viver como um grupo minoritário dentro de um ambiente ora ameaçador, ora amigável, mas sempre alienado de sua cultura e de sua fé religiosa. Um pastor trabalhando entre imigrantes que moram numa grande cidade resumiu o problema básico de tal grupo: “Como podemos nos ajustar sem sermos tragados?”
Como povo escolhido de Deus jamais deveriam ter-se permitido esquecer, mesmo lá na Babilônia, das promessas específicas de Deus sobre o futuro, feitas primeiramente a Abraío, e freqüentemente repetidas e ampliadas nos tempos cruciais de sua história. Estas promessas asseveravam-lhes que possuiriam a terra de Canaã. Lá construiriam uma cidade e uma casa para o Deus vivo; produziriam uma linhagem de reis que culminaria com o rei divino; seriam abençoados e tornar-se-iam bênção para todas as nações da terra. Para mantê-los unidos era necessário acreditar nesse processo, o que os preservaria ante todas as outras nações. Mas como seria cumprido agora este destino, sob o governo de Nabucodonosor, sob a incerteza da situação mundial, e ante as sublevações destes novos tempos? Será que haveria uma mínima possibilidade da promessa feita a Abraão e aos patriarcas de realizar? Eles haviam sido arrancados da terra em que foram plantados. Estavam dispersos em países distantes. Será que valia a pena apegar-se a esta tradição do passado e procurar permanecer fiel ao chamado que os patriarcas ouviram tantas vezes? Poderiam atrever-se a esperar que o milagre do grande êxodo do Egito viesse a se repetir num novo êxodo da Babilônia naqueles dias?
Ronald S. Wallace. A Mensagem de Daniel. Editora ABU. pag. 20-22.
O Cerco de Jerusalém.
Nesses versículos temos um relato:
I. Do primeiro ataque súbito que Nabucodonosor, rei da Babilônia, ainda no primeiro ano do seu reinado, fez contra Judá e Jerusalém, no terceiro ano do reinado de Jeoaquim, e seu êxito nessa expedição (w. 1,2): Ele sitiou Jerusalém, em pouco tempo se tornou seu senhor, apoderou-se do rei, levou consigo a quem quis e o que quis, e deixou Jeoaquim para reinai- como tributário. O que ele fez por cerca de oito anos. Mas este então se rebelou, e isto foi a sua ruína. Quanto a esse primeiro cativeiro, a maioria dos intérpretes pensa que os setenta anos devem ser datados (embora Jerusalém não fosse destruída, nem o cativeiro tivesse sido concluído), cerca de dezenove anos depois. Naquele primeiro ano, Daniel foi levado para a Babilônia e, ali, continuou por todos os setenta anos (v. 21), durante o tempo em que todas as nações serviriam a Nabucodonosor, e ao seu filho, e aos Èüios dos seus filhos (Jr 25.11). Esse único profeta, portanto, testemunhou no período de sua própria vida o surgimento, o reinado, e a ruína dessa monarquia. Dessa
forma, esse foi res unius aetatis - o assunto de uma época singular, por que os reinos da terra são coisas efêmeras, mas o reino dos céus é eterno. Os justos, que os vêem se enraizando, verão sua queda (Jó 5.3; Pv 29.16).
O Senhor Broughton observa a proporção dos tempos no governo de Deus desde a saída do Egito: daí até à sua entrada em Canaã, quarenta anos. Daí, sete anos para a divisão da terra. Daí, sete jubileus até o primeiro ano de Samuel, com quem o período profético teve início. Daí, até este primeiro ano do cativeiro, sete vezes setenta anos, 490 (dez jubileus). Daí, até à volta, setenta anos. Daí, até à morte e ressurreição de Cristo, mais sete vezes setenta. Daí, até a destruição de Jerusalém, quarenta anos.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 824.
2. A situação espíritual de Judá.
“E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoaquim, rei de Judá” (1.2). Nas mãos de quem? Claro, nas mãos de Nabucodonosor. Esta declaração bíblica revela a soberania divina sobre os reinos do mundo. Ele tinha poder para tirar e colocar reis sobre as nações. Neste caso, Deus toma um rei inimigo do povo de Deus e o faz dominar sobre o rei de Judá e seu povo. Segundo a história, depois que Josias havia feito a grande reforma política e religiosa em Judá, os anos se passaram e os filhos de Josias se desviaram da fé de seu pai e foram muito ímpios. Os sacerdotes, o rei e todo o povo se endureceram espiritualmente. O próprio rei, Jeoaquim, “endureceu a sua serviz e tanto se obstinou no seu coração, que se não converteu ao Senhor, Deus de Israel”{2 Cr 36.13). A casa de Deus foi profanada com as abominações gentílicas e o coração de Deus foi entristecido.
“e uma parte dos utensílios da Casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar” (1.2). Na verdade, Nabucodonosor não levou tudo o que havia no templo, apenas parte. Em outra incursão ele levou o restante, nada deixando em Jerusalém. Na verdade, ele destruiu a cidade para não ficar lembrança alguma na mente dos exilados (2 Cr 36.18). A terra de Sinar ou Sineat; fica na Mesopotamia, ou seja, na Babilônia, o mesmo lugar onde foi construída a Torre de Babel.
Esse lugar era sinônimo de oposição a Deus, onde a perversidade fora marcante. Ao levar os utensílios do Templo judeu, Nabucodonosor desafiava ao Deus de Israel. Mais tarde, Belsazar profana os utensílios sagrados do templo de Israel no capítulo 5.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 29-30.
O cenário espiritual em Judá
Depois da reforma de Josias, Judá voltou a se esquecer de Deus. Os filhos de Josias não temiam a Deus como ele. Os reis foram homens ímpios. Eles não aceitavam mais ouvir a Palavra de Deus. Alguns profetas e sacerdotes se corromperam. Os profetas de Deus foram perseguidos, presos e mortos.
Em vez de haver quebrantamento, arrependimento e volta para Deus, o rei, os sacerdotes e o povo se endureceram ainda mais. Contudo o rei: "... endureceu a sua cerviz e se obstinou no seu coração, para não voltar ao Senhor, Deus de Israel” (2Cr 36.13). Diz ainda a Palavra de Deus que: “... todos os chefes dos sacerdotes e o povo aumentavam cada vez mais a sua infidelidade, seguindo todas as abominações dos gentios; e profanaram a casa do Senhor, que ele tinha santificado para si em Jerusalém” (2Cr 36.14).
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 21.
Que proveito ele teve desse acontecimento. Ele não destruiu a cidade ou o reino, mas fez apenas aquilo que cumpria a primeira ameaça maliciosa da Babilônia. Foi dito contra o rei Ezequias, por mostrar seus tesouros aos embaixadores do rei da Babilônia (Is 39.6,7), que os tesouros e seus filhos seriam levados. Mas, se eles tivessem se humilhado e se arrependido disto, o poder e o sucesso do rei da Babilônia poderiam ter avançado, mas não por muito tempo. Se juízos menores cumprirem seus objetivos, Deus não enviará maiores. Mas, se não cumprirem, Ele aquecerá a fornalha sete vezes mais. Vejamos o que foi feito então: 1. Uma pate dos utensílios do santuário foi levada (v. 2). Eles ingenuamente confiavam no Templo para defendê-los, embora continuassem em sua iniquidade. E agora, para lhes mostrar a vaidade desta convicção, o Templo é o primeiro a ser saqueado. Muitos dos utensílios sagrados que costumavam ser empregados no serviço de Deus foram levados pelo rei da Babilônia, dentre eles, muito provavelmente, os que eram mais valiosos. Contudo, ele os levou como troféus de vitória para a casa do seu deus, a quem, com uma devoção cega, ele dedicou a conquista de seu sucesso. E tendo se apropriado desses utensílios, em sinal de gratidão ao seu deus, ele os colocou no tesouro do seu templo. Seu povo havia trazido as imagens de outros deuses para o seu Templo, e então Ele permitiu que os utensílios do Templo fossem levados para os tesouros desses deuses. Observe que quando os homens profanam os utensílios do santuário com os seus pecados, pode-se esperar como algo justo que Deus os profane através dos seus juízos. E provável que os tesouros da casa do rei tenham sido saqueados, como foi predito, mas uma menção especial é feita à remoção dos utensílios do santuário. Sim, pois encontrarmos mais tarde que a profanação deles foi o que encheu a medida da iniqüidade dos caldeus (cap. 5.3). Mas observe que foi apenas uma parte deles que foi levada ao cativeiro. Alguns ainda foram deixados em aflição, para ver se tomariam a atitude certa a fim de evitar que tudo fosse levado embora. Veja Jeremias 27.18. 2. As crianças e os jovens foram levados, especialmente os que eram de origem nobre ou real, que eram belos e promissores, aqueles que aparentemente poderiam se destacai'. Assim, a iniqüidade dos pais foi visitada neles próprios, pois perderam os seus filhos (e estes filhos também sofreram por causa dos seus pais). Estes foram levados embora por Nabu- codonosor: (1) Como troféus, a fim de serem exibidos para evidência e glorificação do seu sucesso. (2) Como penhores da fidelidade dos seus pais em sua própria terra, que se preocupariam em se comportar bem para que seus filhos pudessem receber um tratamento melhor. (3) Como uma semente para servi-lo. Ele os levou para treiná-los para serviços e cargos honoríficos sujeitos a si, ou por uma inexplicável afetação, que os homens poderosos freqüentemente têm de serem servidos por estrangeiros (sejam de quaisquer raças), em vez dos da sua própria nação. Outra possível explicação é o fato de eles acharem que não havia tantos jovens espirituosos, alegres, e engenhosos que pudessem ser encontrados entre os seus caldeus, como havia em grande número entre os jovens de Israel. E, se isso fosse assim, era mais pela honra da nação judaica, possuir um talento incomum acima de outros povos, e um fruto da bênção de Deus. Mas era uma vergonha que um povo que tinha tanta inteligência tivesse tão pouca sabedoria e graça. Agora observe: [1] As instruções que o rei da Babilônia deu para a escolha desses jovens (v. 4). Eles não deveriam escolher os que tivessem qualquer deficiência física, mas que fossem bonitos e atraentes, cujas fisionomias fossem indicadoras de habilidade, destreza e bom humor. Mas isto não era suficiente. Eles deveriam ser habilidosos em toda a sabedoria e em sagacidade. O seu conhecimento devia ser visível, assim como o entendimento que possuíam da ciência. Como eram rápidos e vigorosos, poderiam dar uma descrição pronta e inteligente do seu próprio país e do aprendizado que até então haviam obtido. Nabu- codonosor escolheu os que eram jovens, porque seriam dóceis e tratáveis, esqueceriam o seu próprio povo e se incorporariam aos caldeus. Ele tinha em vista o que planejou para eles. Eles deveriam ter a habilidade necessária para se comportarem a altura do ambiente do palácio real, não só para servirem ao rei, mas para administrarem os seus assuntos. Este é um exemplo da política desse monarca emergente, então no início do seu reinado. E era um bom presságio de sua prosperidade que ele estivesse preocupado em preparar uma série de pessoas capacitadas para cuidar das atividades públicas. Ele não os nomeou, como Assuero, para escolherem para ele mulheres jovens, mas para o serviço do seu governo. E do interesse dos príncipes terem homens sábios empregados às suas ordens. Portanto, trata-se de um gesto de sabedoria deles terem o cuidado de encontrar e treinar tais pessoas. É uma das desgraças deste mundo que tantos que são qualificados para as funções públicas sejam sepultados na obscuridade, enquanto tantos que são desqualificados para elas sejam honrados. [2] O cuidado que Nabucodonosor tomou a respeito deles. Primeiro, com a educação deles. Ele ordenou que fossem ensinados os conhecimentos e a língua dos caldeus a eles. Eles deviam ser jovens sábios e cultos, e ainda assim deviam receber mais instrução. Dê instruções a um homem sábio e ele crescerá em conhecimento. Observe que aqueles que quiserem fazer o bem no mundo quando forem adultos, eles precisarão aprender enquanto forem jovens. Essa é a idade do aprendizado. Se esse tempo for perdido, dificilmente será recuperado. Não parece que Nabucodonosor quisesse que eles aprendessem as artes ilícitas que eram usadas entre os caldeus, como a mágica e a adivinhação. Se ele quisesse isso, Daniel e seus companheiros não se contaminariam com elas. Não achamos que ele tenha ordenado que lhes fosse ensinada a religião dos caldeus, pois parece que nesse momento Nabucodonosor não era um homem fanático. Se os homens fossem habilidosos e fiéis, e qualificados para o seu trabalho, não era tão importante para ele a religião que professavam, contanto que tivessem alguma religião. Eles deviam ser instruídos no idioma e nas leis do país. Em história, filosofia, e matemática. Nos conhecimentos da agricultura, da guerra, e da navegação. Sim, no aprendizado que poderia qualificá-los para servir à sua geração. Note que é um verdadeiro serviço para o bem público prover uma boa educação para os jovens. Em segundo lugar, com o sustento deles. Ele lhes deu o sustento por três anos, não só os produtos de primeira necessidade, mas guloseimas para incentivá-los em seus estudos. Eles tinham a provisão diária dos manjares do rei, e do vinho que ele bebia (v. 5). Este era um exemplo da sua generosidade e humanidade. Embora eles fossem cativos, ele levava em consideração o nascimento e qualidade deles, seu espírito e habilidade, e os tratava com respeito, e estudava como poderia tornar o cativeiro mais fácil para eles. E necessário haver respeito para com aqueles que são bem nascidos e criados, especialmente quando enfrentam situações difíceis e angustiantes. Com uma educação liberal deve haver um sustento liberal.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 824-825.
3. O império babilônico arrasa o reino de Judá.
O poder do império babilônico
A Babilônia tornou-se o maior império do mundo. Era senhora do universo. O reinado de Nabucodonosor abarcou um período de 43 anos. Durante seu reinado, a cidade de Babilônia foi embelezada. As muralhas da cidade eram inexpugnáveis, com trinta metros de altura e dava para três carros aparelhados, com mais de 1.200 torres. Ali havia uma das sete maravilhas do mundo antigo, os jardins suspensos da Babilônia.
O povo de Judá foi arrancado da cidade santa, e o templo destruído. O cerco trouxe morte e desespero. As crianças morriam de fome, os velhos eram pisados, e as jovens forçadas. Isso trouxe dor e lágrimas ao jovem profeta Jeremias. Ele chega a dizer que mais felizes foram os que foram mortos à espada que aqueles que morreram pela fome (Lm 4.9).
O povo levado ao cativeiro se assenta, chora, curte a sua dor, dependura as harpas e sonha com uma vingança sangrenta (SI 137.1-9).
A nação inteira estava vivendo em flagrante desobediência a Deus. Os tempos de fervor espiritual haviam se acabado com a reforma religiosa do rei Josias. Deus, portanto, por intermédio de Jeremias e Habacuque alerta o povo que um tempo de calamidade aconteceria. A poderosa Babilônia invadiria Jerusalém e levaria o povo para o cativeiro.
Em 606 a.C., Nabucodonozor cercou Jer usalém e saqueou o templo e levou todos os seus tesouros para a Babilônia. Levou também as pessoas ricas, jovens e bemdotadas, deixando os demais para trás. Estabeleceu Zedequias no governo, mas este se rebelou contra a Babilônia. Então, Nabucodonozor cercou a cidade até que a fome vencesse o povo dentro de suas muralhas. Depois, invadiu a cidade, incendiou o templo, quebrou os muros, forçou as jovens, matou os jovens e levou o povo para o cativeiro.
A Babilônia era o maior império do mundo. Era a senhora do universo. Nesse contexto de apostasia, mundanismo, infidelidade, desobediência, guerra e ameaça de uma invasão internacional é que Daniel cresceu. Foi nesse tempo dramático que ele viveu sua infância e adolescência. Seria ele produto do meio? Seria ele um a mais a embrenhar-se nas sombras espessas do pecado? Como ser um jovem fiel a Deus num tempo assim?
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 21-22; 29-30.
Jerusalém é Saqueada pelos Babilônios, 25.8-17 (cf. Jr 52.12-23)
No mês posterior àquele em que Zedequias foi capturado e levado a Nabucodonosor em Ribla, Nebuzaradã (8), seu general, queimou os maiores edifícios de Jerusalém (9), derribou os muros (10) e reuniu reféns de guerra (11). Os rebeldes que se renderam refere-se àqueles “que já haviam se rendido” (Moffatt). Ele também levou os utensílios do Templo (14), as duas colunas (16) e o mar (a grande pia de bronze; cf. 1 Rs 7.13-47). Estes foram cortados em pequenos pedaços, o suficiente para serem levados para a Babilônia. De puro ouro ou de prata (15) pode ser lido como: “O que era de ouro, o capitão da guarda levou como ouro e o que era de prata como prata”. Talvez pelo menos alguns dos instrumentos tenham sido derretidos e transformados em lingotes de ouro e prata. O magnífico Templo, planejado para permanecer como uma testemunha do Senhor Deus e daquilo que Ele havia feito pelo seu povo, foi demolido e despojado de sua riqueza material e de sua simples beleza. Foi transformado em um lugar que faria com que aqueles que por ele passassem ficassem pasmados e assobiassem com menosprezo (cf. 1 Rs 9.8).
Outra Deportação, 25.18-21 (cf. Jr 52.24-30)
Nebuzaradã, o capitão da guarda (18), moveu-se, então, contra aqueles que ainda o desafiavam. É possível que algumas informações indicassem que esses líderes em particular tenham sido contra os babilónicos em suas atitudes e ações. Isto é sugerido pelo modo como Nabucodonosor ficou ciente da posição pró-babilônica de Jeremias e ordenou que ele fosse solto (Jr 39.11-18). Entre os executados estava o sumo sacerdote (18), bem como outros sacerdotes e oficiais (18,19). Os sessenta homens do povo da terra (cf. 21.4) talvez fossem anciãos das províncias que representavam o povo de suas localidades. De acordo com Jeremias (52.29), o número daqueles que foram levados ao exílio desta vez totalizou 832 pessoas.
Harvey E. Finley. Comentário Bíblico Beacon I e II Reis. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 391.
Dn 25.8 Nebuzaradã... veio a Jerusalém. “Cerca de quatro semanas depois que a cidade de Jerusalém foi invadida (vss. 3 e 8), Nabucodonosor mandou Nebuzaradã, comandante de sua guarda imperial, incendiar Jerusalém. Era o sétimo dia do quinto mês do décimo nono ano do reinado de Nabucodonosor (16 de agosto de 586 A. C.). Entretanto, o trecho de Jeremias 52.12,diz ‘o décimo dia’. Esse oficial liderou suas tropas para incendiarem cada edifício importante de Jerusalém, incluindo o templo e o palácio real, que tinha ficado de pé por quase quatro séculos" (Thomas L. Constable, in loc.).
Norman H. Snaith (in loc.) informa-nos que a cronologia de II Reis é correta, em contradição com a declaração de Jeremias. Verdadeiramente, o ano da ocorrência foi 586 A. C. Métodos engenhosos de reconciliar os dados cronológicos têm se mostrado infrutíferos, e uma harmonia exata não é necessária para a fé espiritual. Alguns intérpretes preferem ser desonestos do que admitir que há leves contradições no texto sagrado.
Chefe da guarda. Literalmente, o principal executor, o comandante da guarda pessoal do rei, um chefe militar, está em pauta. De acordo com um antigo costume, esse homem era o instrumento de execuções importantes, o que explica a conexão entre as duas funções. O trecho de Jeremias 39.3 não menciona esse chefe militar, mas não há nenhuma razão para duvidarmos da autenticidade desse registro.
Foi assim que o glorioso templo de Salomão foi reduzido a nada, porque Yahweh deixara de ser o objeto da adoração em Jerusalém. Um tempo novo mas inferior, em todos os sentidos, seria construído após o cativeiro. O templo de Salomão ficara de pé cerca de quatrocentos e vinte e quatro anos.
Dn 25.9 E a casa do rei, como também todas as casas de Jerusalém. Além do templo e do palácio real, Nebuzaradã também incendiou todo edifício importante, incluindo as residências dos ricos e poderosos. Foi um terrível dia em que a cidade foi nivelada até o chão. A narrativa é simples, mas nossa imaginação enche-se de terror ao imaginar o povo vendo tudo ser destruído e incendiado, e os gritos dos que eram executados por tentarem defender suas propriedades. II Crônicas 36.19 diz “palácios”, em lugar de “casas" dos cidadãos importantes. As casas comuns dos pobres permaneceram intocadas, porque não mereciam a atenção do exército babilónico. Além disso, a maior parte do povo de Jerusalém seria deportada, e os povos importados poderiam fazer uso daquelas casas.
Dn 25.10 Metáfora. O pecado derruba as muralhas da defesa da alma, e deixa-a exposta aos ataques dos inimigos.
Derribou os muros em redor de Jerusalém. As muralhas eram agentes comuns de proteção das cidades antigas, porquanto, naqueie tempo, não havia jeito de voar por cima delas e deixar cair pára-quedistas. A entrada nas cidades precisava ser obtida no solo e através das muralhas. Quanto mais rica fosse uma cidade, mais altas e espessas eram as muralhas protetoras. As muralhas de Jerusalém foram demolidas e não havia poder para reconstrui-las. Por conseguinte, a cidade ficou indefesa. Terminado o cativeiro, Neemias reconstruiria as muralhas da cidade e o seu templo, sendo essa a informação que nos é dada no livro que tem o seu nome e também no livro de Esdras.
Dn 25.11,12 O chefe da guarda, levou cativos. Outra Deportação. O cativeiro babilónico (tal como o assírio) não ocorreu realante uma única deportação. Houve vários estágios, pois várias deportações estiveram envolvidas. O texto à nossa frente descreve a segunda deportação. Os povos que tinham sobrevivido à primeira deportação e aqueles que tinham sido deixados após a matança, juntamente com os desertores, os quais em temor se tinham bandeado para o lado dos babilônios, foram reunidos e levados para a Babilônia. Somente alguns pequenos agricultores foram deixados na Palestina (vs. 12), para garantir que ela não se transformasse em terrenos devolutos. A agricultura continuou em pequena escala, e podemos estar certos e que o rei da Babilônia tinha controle até sobre aquelas batatinhas, conforme se diz em uma expressão idiomática inglesa, para indicar algo insignificante. Cf. II Reis 24.14 e Jeremias 39.10. A passagem de Jeremias 52.29 diz-nos que somente oitocentas e trinta e duas pessoas foram levadas para a Babilônia nessa segunda deportação. Mas o mais provável é que estejam em vista somente os chefes de famílias e os oficiais. As mulheres e as crianças sem dúvida aumentavam de modo significativo esse número, tal como aconteceu aos dez mil da primeira deportação.
Dn 25.13 E levaram o bronze para a Babilônia. Este versículo deve ser comparado a uma declaração similar feita em II Reis 24.13, que diz respeito à primeira deportação. A maior parte das obras de metal que havia no templo de Salomão foram cortadas, e os metais preciosos foram transformados em dinheiro. Mas algrns vasos foram transportados inteiros para a Babilônia. Esses vasos foram postos em um templo pagão na Babilônia (ver Daniel 1.2). E, após o cativeiro, alguns desses vasos foram restituídos ao segundo templo, conforme aprendemos em Esdras 1.2,7.
A Lição. Os vasos que tinham sido feitos para a promoção do yahwismo, quando não mais estavam sendo usados com essa finalidade, foram levados para um templo pagão. O yahwismo foi abandonado, e Yahweh abandonou o povo de Judá (ver II Reis 24.20). A presença de Deus se foi.
As colunas de bronze. As maciças colunas de bronze tiveram de ser cortadas. Cf. Jeremias 52.19,20. O grande altar de bronze não é mencionado, mas é provável que ele também tenha sido cortado para ser deportado. “A remoção de uma vasta quantidade de metal para a Babilónia deve ter sido um empreendimento formidável" (Jamieson, in kx.).
Neste ponto (II Reis 25.13), o trecho paralelo do capitulo 39 de Jeremias deixa de ser um paralelo. Várias fontes informativas foram usadas, e nem todo autor tinha acesso a todas essas fontes informativas. Seleções diferentes de material informativo produziram relatos diferentes, com declarações variegadas e, algumas vezes, até contraditórias.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1570-1571.
II – FORÇA DO CARÁTER
1. A tentativa de aculturamento dos jovens hebreus (1.3-4).
“Aspenaz, chefe dos eunucos”. A palavra “eunuco” vem do hebraico “soris” (1.3) e pode referir-se a um oficial do palácio, ou homens que fossem castrados sexualmente para poderem servir na casa das mulheres do rei. Porém, não há nada absolutamente que prove que Daniel e seus três amigos foram castrados ou transformados em eunucos. Sabe-se que os quatro jovens eram de linhagem real do palácio de Judá e, por isso, altamente preparados para serem úteis no palácio. Esses dois versículos (1.3,4) falam de um “chefe dos eunucos” chamado Aspenaz, altamente qualificado para educar os jovens exilados levados para o Palácio da Babilônia. A despeito de eles serem educados em línguas e ciências, Nabucodonosor queria muito mais. Ele queria educá-los nas ciências dos caldeus para que tivessem conhecimento de astrologia e adivinhação, além de todo conhecimento que haviam recebido na sua terra em Judá. Percebendo que o plano de Aspenaz poderia envolve-los em costumes que afetariam suas vidas em relação ao seu Deus. Daniel e seus amigos, com sabedoria e respeito pela autoridade de Aspenaz, procuraram um modo de convencê-lo de que tinham um plano especial, sem a necessidade de adotarem a dieta alimentar do palácio. Antes de tudo, os jovens judeus decidiram não se contaminar com as comidas e bebidas da mesa do Rei, as quais eram oferecidas aos deuses da Babilônia. Então Daniel e seus três amigos judeus, inteligentemente propuseram a Aspenaz adotarem uma dieta alimentar de frutas e verduras. Eles tiveram coragem e confiança no seu Deus porque tinham um caráter irrepreensível. A postura inteligente desses jovens revelava a força do caráter que tinham mesmo em circunstâncias adversas.
(1.5-7) Esses versículos demonstram que Nabucodonosor, através de seu servo imediato Aspenaz, queria o aculturamento babilónicos dos quatro jovens, além de outros mais de outras nações. Esse aculturamento requeria saúde perfeita e inteligência para poderem servir no palácio diante do Rei.
Porém, o que prevaleceu foi a força do caráter desses jovens que convenceu a Aspenaz de que a proposta de Daniel deveria ser experimentada. Por esse modo, os jovens superaram a ameaça de contaminação da dieta babilónica. Segundo as definições da Psicologia, “caráter é a parte enrijecida da personalidade de uma pessoa. Aqueles jovens hebreus tiveram uma formação de caráter invejável mediante o testemunho da história. Nabucodonosor sabia que para obter apoio da inteligência daqueles jovens precisaria que eles fossem aculturados, também, nas ciências dos caldeus. Aqueles jovens judeus tinham uma formação cultural e religiosa muito forte. A força da fé dos judeus era algo que aparecia em suas falas e convicções e não seria fácil fazê-los esquecer, por socialização, aculturamento e contextualização à cultura babilónica. Para essa finalidade, Aspenaz preparou, não só um programa cultural de língua e ciência, mas quis submetê-los a uma dieta alimentar da própria mesa do rei (1.5).
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 31-32.
Dn 1.3 Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos. A spenaz figura por nome somente aqui, e não aparece em nenhum outro trecho do Antigo Testamento. Ele é chamado de outros modos por seis vezes, por “o eunuco" ou “o chefe dos eunucos”, em Dan. 1.7-11,18. A derivação desse nome é incerta, mas sua versão hebraica parece significar “narina de cavalo”, por razões desconhecidas. Ele era o chefe dos eunucos do rei Nabucodonosor. Daniel e seus companheiros foram entregues aos seus cuidados, e ele lhes trocou os nomes (ver Dan. 1.3,7). O tempo foi cerca de 604 A. C. A petição de Daniel, no sentido de que não fosse compelido a comer as provisões enviadas à mesa real, foi aceita favoravelmente, bondade que o profeta, agradecido, registrou em Dan. 1.16. Os eruditos subentendem do fato que o homem era o chefe dos eunucos, e Daniel e seus com panheiros hebreus também foram feitos eunucos. Mas esse ponto é disputado. Além disso, o chefe dos eunucos nem sempre era castrado. Aspenaz tinha o dever de preparar jovens promissores para o serviço especial ao rei, e Daniel estava entre aqueles que foram escolhidos para esse mister.
Assim da linhagem real como dos nobres. Quase incidentalmente, aprendemos algo do nascimento real ou nobre de Daniel. Mas não é dada nenhuma genealogia, o que seria comum, sabendo-se da importância atribuída à questão pelos hebreus. Quanto a comentários sobre o pano de fundo de Daniel, ver a seção II da Introdução. Josefo (Antiq. X.10.1) diz-nos que Daniel e seus companheiros pertenciam à família de Zedeouias, mas não sabemos se essa informação é correta, ou se ele supôs que tal informação fosse correta devido à declaração deste versículo.
Dn 1.4 Jovens sem nenhum defeito, de boa aparência. Daniel e seus amigos nobres (ou reais) eram espécies físicos perfeitos. Ademais, embora jovens, eram conhecidos por sua sabedoria e erudição, pelo que também se distinguiam intelectualmente.
Conforme a narrativa se desdobra, descobrimos que eles eram homens espirituais especiais, que levavam a sério sua fé religiosa. Portanto, foi apenas natural que tivessem sido escolhidos pelo rei da Babilônia para receber um treinamento especial, a fim de que fossem empregados em algum serviço que lhes fosse planejado, em benefício do império. Essa história me faz lem brar do “dreno de cérebros” em que os Estados Unidos da América está envolvido. Intelectuais de muitos países, que ali vão para receber treinamento, terminam ficando no país e servindo a América do Norte, e não seus próprios paises. Notemos que aqueles jovens também eram “sim páticos”, pelo que os hom ens bonitos sempre têm alguma vantagem, e tanto mais quando possuem outras qualidades que acompanham a beleza física.
Para assistirem no palácio do rei. Literalmente, diz o hebraico: “para se porem de pé perante o rei”. O texto fala em “serviço da corte” (ver I Sam. 16.21; I Reis 12.6), mesma expressão usada para indicar os atendentes angelicais que estão de pé na presença de Deus, em Dan. 7.10. Esses homens extraordinários seriam usados em toda a espécie de serviço divino. E lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. Note o leitor a ênfase sobre a educação e a cultura. Esses homens bons tornar-se-iam ainda melhores por uma boa educação que incluiria sério estudo da linguagem. Como eles deveriam servir na Babilônia, teriam de falar o idioma do lugar. “O programa educacional provavelmente incluiu o estudo da agricultura, da arquitetura, da astrologia, da astronomia, das leis, da matemática e da difícil língua acádica” (J. Dwight Pentecost, in loc.). Nenhum prêmio é oferecido à ignorância. Um pai cuidará para que seus filhos obtenham uma boa educação. Não basta fazê-los ler a Bíblia.
O acádico, conforme aprendemos em Jer. 5.15, era o neobabilônico. Embora fosse um idioma semítico, não era entendido pelos judeus. Abraão, naturalmente, veio de Ur, antiga cidade babilônica. Ver o artigo sobre Babilônia, no Dicionário. Até mesmo um judeu esperto teria pouco conhecimento em comparação com os homens bem-educados da Babilônia. Os judeus eram especialistas nos campos da religião e da literatura, mas pouco sabiam sobre as ciências e seus muitos ramos.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3373-3374.
Dn 1.3. Chefe dos seus eunucos. Eunuco (heb. sarîs), um macho castrado. Por motivos óbvios, os eunucos eram freqüentemente encarregados dos haréns reais. Às vezes a palavra, por metáfora, era usada simplesmente com referência a um oficial. Há uma grande possibilidade de que Daniel e seus amigos tenham sido desvirilizados. Veja novamente a predição sinistra de Isaías (II Rs. 20:18). Dos filhos de Israel (heb. Mib-benê-yis-ra-el, lit, tirados dos filhos de Israel). Esses eram originalmente todos os descendentes de Jacó ou Israel. Mais tarde, Israel passou a ser o nome das dez tribos que se separaram e se juntaram a Jeroboão (I Rs. 11:13; cons. 12:19). Mas depois da destruição do "Reino do Norte", o nome Israel voltou ao seu primitivo significado. Da linhagem real (lit, semente da reato). Isto se refere à família de Davi (cons. Is. 7:2, 13). Quanto a um exemplo da degeneração espiritual de certos membros da linhagem real mais ou menos nesse período, veja II Rs. 25:25; Jr. 41:1 e segs. Como dos nobres. A palavra nobres (Heb, partemîm) é um termo persa aparentemente cognata de palavras usadas com referência a pessoas importantes em diversas línguas indo-européias. Talvez fosse de uso comum na corte. Refere-se a importantes famílias, não à casa de Davi. O sentido dos três termos, Israel . . . linhagem real . . . nobres, indica que a seleção tinha de ser feita entre os hebreus, tanto da família real como de outras famílias da nobreza.
Dn 1.4. Jovens sem nenhum defeito. Esta é a primeira de uma série de qualificações estipuladas para a seleção de homens a serem treinados na corte da Babilônia. Jovens. No hebraico, yeladîm é uma palavra de significado indefinido, dependendo da idade da pessoa que fala. Em uma narrativa objetiva como esta, a estimativa comum de quatorze ou quinze anos de idade é o que parece certo. Ausência de defeito não elimina a possibilidade de sua castração. Ao serem selecionados, naturalmente não tinham essa mutilação. De boa aparência. O rei devia olhar para pessoas e coisas perfeitas e lindas. A mesma combinação de palavras se usou em relação à beleza de Raquel (Gn. 24:16; 26:7), Bate-Seba (II Sm. 11:3), da Rainha Vasti (Ester 1:11) e de Ester (Ester 2:2, 3,7). Instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, e versados no conhecimento. Essas três expressões cumulativas enfatizam a capacidade natural e a instrução prévia. A redundância da expressão hebraica é para dar ênfase e não para estabelecer distinções. Referia-se mais ao que os jovens já eram e não ao que iriam se tornar. Geralmente, a capacidade intelectual se revela em pessoas que não eram muito brilhantes na infância. Que fossem competentes para assistirem no palácio do rei. Talentos naturais e adquiridos que capacitassem esses homens a servirem um rei esplêndido em um edifício magnífico é o que se quis dizer. Os rapazes deviam ser humildes mas não tímidos, nem obtusos.
E lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. O aprendizado (Heb. livro) dos conhecimentos dos caldeus refere-se à literatura do povo da Mesopotâmia inferior. Desde que as descobertas arqueológicas do século passado trouxeram à luz e forneceram a chave para a tradução desta literatura, sabemos como era vasto o conhecimento dos caldeus. Recentes descobertas nas regiões mais próximas do Egeu Oriental demonstraram que um grande acúmulo de intercâmbio cultural aconteceu entre as duas áreas. E os vizinhos filisteus de Israel eram, ao que parece, de origem grega. Com eles, prova o Livro de Juízes, houve intercâmbio cultural. (Veja G. Bonfante, "Quem Eram os Filisteus?" American Journal of Archaeology, 1, 2, abril/junho, 1946, págs, 251.262.) A língua dos caldeus deve-se referir ao acadiano (babilônio, assírio), a língua da época. Caldeus aqui foi aparentemente usado em um sentido mais extenso, para designar os habitantes da região da Caldéia, que no seu significado mais amplo incluía toda a Babilônia. As diversas línguas da região, incluindo a muito antiga língua ritual, eram escritas sobre o barro com caracteres cuneiformes. Era um sistema ideográfico e silábico, muito diferente da escrita alfabética dos papiros feita com tinta e pena a que o povo da Palestina e Síria estava acostumado. Os fundamentos da astronomia, a matemática, as leis e uma dúzia de outras disciplinas eram registradas nessa antiga escrita cuneiforme, ao lado de uma grande quantidade de falsidades mágicas. Se tudo isso tinha de ser ensinado a esses jovens, então três anos (com. v. 5) não era demais para a sua educação.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Daniel. Editora Batista Regular. pag. 10-12.
Não nos é dito imediatamente porque os quatro moços hebreus, Daniel, Hananias, Misael e Azarias, são mencionados de modo específico (1:6). Mas a informação que temos é que seus captores logo iniciaram um processo de despersonalização, começando pela mudança do nome dos jovens. Para os semitas, os nomes não são meras insígnias.
Da mesma forma que os nomes africanos ligam as pessoas a seus ancestrais, a seus valores tribais e a seu destino coletivo, assim era para aqueles hebreus. Daniel significa “Deus é meu juiz”. Hananias significa “aquele a quem Javé demonstra graça”, Misael é uma pergunta: “Quem é como Deus?”, e Azarias significa “aquele a quem Javé ajuda”. Esses jovens foram educados em lares judeus piedosos. Daniel pode até ter sido um descendente do rei Ezequias, um rei que temia a Deus (cf. 2Rs 20:17-19; Is 39:6-7). Com o propósito de desligá-los de seus antepassados, de sua aliança com o Senhor e de seu destino coletivo como povo, Aspenaz, o chefe dos eunucos, deu-lhes nomes derivados de divindades babilônicas. Beltessazar significa “Príncipe de Bel”, conforme Bel, deus patrono da Babilônia (Is 46:1; Jr 51:44). Sadraque significa “inspirado pelo deussol, Aku”. Mesaque significa “quem pode ser comparado a Shak?”, nome dado à deusa Vênus, a quem os babilônios adoravam. Abede-Nego significa “servo do fogo resplandecente”, alusão ao deus-fogo ou uma corrupção do nome Nebo.
Tokunboh Adeyemo. COMENTÁRIO BÍBLICO AFRICANO. Editora Mundo Cristão. pag. 1018.
2. O caráter colocado a prova (1.5-8).
(1.6,7) Essa prova começou com a troca de seus nomes hebreus, os quais tinham significados especiais de louvor ao Deus de Israel. A Daniel, cujo nome significa “Deus é meu juiz”, deram-lhe o nome de
Beltsazar, nome dedicado ao deus Bei; a Misael que significa: ’’Quem é como Jeová”?, deram-lhe o nome de Mesaque, homenagem ao deus“Aku”; a Ananias, cujo nome significa: “misericordioso é Jeová”, chamaram-lhe Sadraque, em homenagem ao deus Marduc; e Azarias, chamaram-lhe Abede-Nego, “servo de Nego”. Eram nomes pagãos com o propósito de apagar o nome de Jeová na formação moral e religiosa desses jovens. Mas não conseguiram. A fé estava plantada no coração deles. Na verdade, Daniel e seus amigos foram colocados à prova numa terra estranha, com uma cultura que se chocava frontalmente com aquela que haviam recebido em Jerusalém. Essa provação não diminuiu a integridade moral e espiritual da vida desses jovens. Ora, que significa integridade? Pode-se definir integridade como solidez de caráter. Pode, também, significar o estado de ser inteiro, ser completo. Na história do livro, Daniel, em especial, a sua integridade resultava de sua formação de caráter. Ele assentou em seu coração não se contaminar com as iguarias da mesa do rei, que acima de tudo, eram iguarias oferecidas aos deuses do rei Nabucodonosor. Daniel e seus companheiros apesar de serem jovens, ainda bem novos, tinham a consciência de tudo quanto estavam vivendo naqueles dias, desterrados e humilhados era consequência do pecado do seu povo e do seu rei e nada tinha a ver com o Deus de Israel. O mundo de hoje oferece muitas iguarias mundanas para contaminar os servos de Deus, mas devemos nos exemplificar em Daniel e seus amigos. A fidelidade ao Deus de Israel e a integridade moral e espiritual desses jovens demonstraram que, a despeito do pecado do seu rei e do seu povo, eles permaneciam fiéis a Deus. Aprendemos com Daniel e seus amigos que a vida espiritual deles não consistia em meras tradições religiosas, mas consistia numa vida de comunhão com Deus. Eles mantinham a fidelidade ao seu Deus e guardavam a palavra de Deus no coração para não pecar contra Deus como viram o seu rei pecar (SI 119.11).
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 31-32.
Dn 1.5 Determinou-lhes o rei a ração diária. Àqueles jovens seletos e promissores foi dado um tratamento em estilo real; eles recebiam aulas de primeiro nível em boa mesa, e comiam diretamente das provisões reais, ou seja, metaforicamente, comiam “da mesa do rei”. Tinham os ricos alimentos e o vinho de que o próprio rei desfrutava, mas terminaram rejeitando essa alimentação em favor da comum dieta judaica, conforme se vê no vs. 16. Sem dúvida, por motivo de saúde, isso era melhor para eles, mas a preocupação principal era obedecer à dieta judaica ideal. Além disso, a rejeição dos alimentos reais era uma maneira de eles dizerem: “Também rejeitamos o luxo e a idolatria deste lugar, como algo contrário à boa moral”. Os hebreus escolhidos para esse programa especial continuariam sendo treinados por três anos e então teriam de apresentar-se ao rei para que fosse verificado o quanto da educação babilônica tinham absorvido. Se fossem considerados qualificados, entrariam no serviço do rei. Os três anos de educação e treinamento prático significariam a form ação universitária no sentido babilônico.
Nabucodonosor não tinha uso para homens ignorantes. Esses acabariam varrendo soalhos e cavando valetas. Daniel e seus amigos tinham de especializar-se nas tradições dos sábios caldeus, aperfeiçoando-se na sabedoria e erudição babilônica, tal como Moisés precisou tornar-se sábio na erudição egípcia (ver Atos 7.22). “Os pagens reais viviam da abundância real. Eles tinham rações diárias determinadas, o alimento e a bebida da mesa real. Ateneu (Deifosofistas, IV.26) mencionou que os atendentes do rei persa tinham recebido provisão da mesa real, e a porção diária para os cativos da realeza, na Babilônia, é mencionada em Jer. 52.34. Por três anos. Nos escritos babilônicos, desconhece-se qualquer período de três anos de educação, mas isso nos faz lem brar dos três períodos nos quais os escritores gregos diziam estar dividida a educação de um jovem persa.
Dn 1.6,7 Entre eles se achavam, dos filhos de Judá. Estes dois versículos nomeiam os amigos de Daniel: Hananias, Misael e Azarias. Ver no Dicionário os artigos sobre cada um deles. Todos pertenciam à tribo de Judá, presumivelmente (mas não necessariamente) de Jerusalém. No Dicionário há catorze homens que atendiam pelo nome de Hananias, no Antigo Testamento, e o do nosso texto é o de número oito. Há também três homens com o nome de Misael, no Antigo Testamento, e o do texto presente é o de número três no Dicionário. Finalmente, há vinte e cinco homens, no Antigo Testamento, que atendem pelo nome de Azarias! E este é o último Azarias da lista, no Dicionário. O chefe dos eunucos (chamado Aspenaz no vs. 3) mudou os nomes desses três homens para Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Ver o artigo sobre esses três, juntamente, sob esse título, onde apresento notas mais detalhadas. O nome de Daniel, finalmente, foi mudado para Beltessazar.
O nome alternativo de Daniel aparece oito ou dez vezes na seção aramaica do livro (ver Dan. 2.26; 4.8,9,18,19 (quatro vezes) e 5.12). E também se acha em Dan. 1.7 e 10.1. Esses novos nomes provavelmente significam que, doravante, eles seriam súditos babilônicos (sua história anterior terminou juntam ente com os antigos nomes) e serviriam a deuses babilônicos, e não a Yahweh. Em outras palavras, a esperança é que eles seriam totalmente paganizados para melhor servir à Babilônia. Dessa forma, estava armado o palco para que eles mostrassem como lutaram a fim de salvar e fomentar sua piedosa identificação judaica, permanecendo fiéis a Yahweh e à lei mosaica.
Notemos como os nomes anteriores ligavam essas figuras ao yahwismo: Hananias significa “Yah tem sido gracioso"; Misael significa “Quem é o que El é?”; Azarias significa “Yah tem ajudado”. E Daniel significa “El tem julgado”. Cada um desses nome incorpora um nome hebraico para Deus. Em sentido contrário, há esforços para fazer com que os nomes novos correspondam à divindade babilônica. Os massoretas sugeriam que Bel podia ser visto no nome Beltessazar. Abede-Nego parece significar o mesmo que Abdi-nabu, “servo de Nebo”. Mesaque pode significar “estou desprezado (humilhado) (na presença do meu deus)”. Nada semelhante tem sido demonstrado no caso do nome Sadraque. Mas talvez a última sílaba, aque, esteja associada ao nome Sadraque, ou a Merodaque. No entanto, outros vêem aqui uma alusão a rak, que no acádico significa rei, e pelo qual devemos entender “sol” ou “deus-sol”. Mas outros preferem sugerir saduraku, que significa “temo (o deus)”.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3374.
Dn 1.5. A ração diária, das finas iguarias da mesa real, e do vinho que ele bebia. Nem guloseimas (ASV) nem alimentos nutritivos (RSV) substitui bem as finas iguarias. A palavra assim traduzida (patbag) é uma palavra emprestada do antigo persa pelo hebraico, significando "apropriação" ou "concessão" (Montgomery, ICC, págs. 122-124). Refere-se ao fato desses jovens serem sustentados pelo governo, partilhando da "ménage" dos outros oficiais do rei. Não há nem sequer a mais leve indicação no texto hebraico de que havia algo física ou moralmente prejudicial na comida ou na bebida. O vinho era comum à dieta dos judeus (veja Sl. 104:15; Is. 55:1; Ne. 5:18, onde a mesma palavra yayin foi usada). Muitas insinuações contra o uso excessivo do vinho aparecem, contudo, no V.T. (Pv. 20:1; 23: 20,30, 31); e certas ordens religiosas estavam proibidas do uso do vinho (Nm. 6:1-20; Jz. 13:1-7; Jr. 35:1-14). Os sacerdotes estavam proibidos de usarem vinho imediatamente antes de servirem no Templo (Lv. 10:1-9), e os reis eram desencorajados a beberem vinho (Pv. 31:4, 5).
A Identidade do Personagem Principal da História e Seus Companheiros. 1:5-7. Daniel, apresentado pelo nome, é alguém que através de todo o livro, além de fazer a narrativa, é também o personagem da maior parte dela em diversas circunstâncias: intérprete de sonhos (caps. 2; 4; 5), amigo dos sofredores (cap. 3), receptor de visões e sonhos reveladores de Deus (caps. 6-12). Em diversos incidentes três amigos judeus associam-se a ele. Aqui todos são apresentados por nome. A mudança dos nomes dos jovens é muito significativa. Sua educação dentro da história da mais desenvolvida cultura pagã que já tinha existido devia se completar com a substituição dos nomes honrando as vis divindades da Babilônia em lugar daqueles que honravam o Santo de Israel. Eles deviam ser afastados da antiga religião e cultura e totalmente transformados, até na identidade, em Babilônios. Pois entre os antigos o nome de um homem era ainda mais parte de sua identidade e caráter que entre os homens da atualidade.
Dn 1.7. Outros nomes, a saber: a Daniel o de Beltessazar. Daniel significa em hebraico príncipe (ou juiz) de Deus, enquanto que o novo nome Beltessazar, na língua da Babilônia, significa príncipe de Bel. Este nome Beltessazar (uma variante do nome do Rei Belsazar, cap. 5),homenageia Uma das principais divindades da Babilônia (veja Is. 46:1; Jr. 50:2; 51: 44). Hananias significa misericórdia de Jeová (sendo uma variação do original do nome do apóstolo amado, João), enquanto que Sadraque possivelmente significa "ordem de Aku", o deus da lua (HDB) uma forma mais ou menos disfarçada d Marduque (Montgomery, ICC, pág. 123), um dos principais deuses da Babilônia. Misael Com muita certeza significa Quem é como Deus? enquanto que Mesaque (de acordo com Fred. Delitzch, uma competente autoridade) significa Quem é como Aku? Lamentavelmente não podemos ter certeza porque o nome não aparece em nenhum outro lugar e sua origem é incerta. Azarias significa A quem Jeová ajuda, ou Jeová ajudará, enquanto que Abede-Nego muito provavelmente significa Servo de Nebo.
"Um costume . . , de impor novos nomes quando as pessoas passavam para novas condições de vida ou adquiriam novos relacionamentos", destaca Moses Stuart, "é muito comum no V.T. : veja Abrão e Abraão, Gn. 17:5; José e Zafenate-Panéia, Gn. 41:45; comp. II Sm. 12:24, 25; lI Rs. 23:34; 24:17; também Ester 2:7; Esdras 5:14 comp. com Ageu 1:14; 2:2, 21. Do mesmo modo no N.T., Mc. 3:16, 17. Esses nomes, assim impostos, geralmente designavam alguma coisa para honra dá pessoa que os recebia, ou uma homenagem ao deus adorado por quem os impôs, ou para comemorar algum acontecimento interessante, etc." (A Commentary on the Book of Daniel, pág. 9). Um comentário mais extenso sobre esses nomes poderá ser encontrado nas enciclopédias e dicionários bíblicos, como também nos léxicos hebraicos.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Daniel. Editora Batista Regular. pag. 11-14.
Jovens de Caráter (1.6-16)
Os quatro heróis do livro de Daniel se sobressaíram entre todos os vencedores do rigoroso exame. Esses que pertenciam aos filhos de Judá tinham a reputação de serem da linhagem de Davi. Eles eram Daniel, Hananias, Misael e Azarias (6).
Esses quatro jovens de Judá, por intermédio dos seus nomes, testemunhavam do único e verdadeiro Deus. Quaisquer que tivessem sido as limitações do seu ambiente religioso em Judá, seus pais lhes deram nomes que serviam de testemunho ao Deus que serviam. Daniel significava: “Deus é meu juiz”; Hananias significava: “O Senhor tem sido gracioso ou bondoso”; Misael significava: “Ele é alguém que vem de Deus” e Azarias declarava: “O Senhor é meu Ajudador”. A continuação da história claramente indica que, embora outros pais em Judá pudessem ter falhado em relação à educação dos seus filhos, os pais desses meninos tinham dado a eles uma base sólida em relação às convicções e responsabilidades dignas do significado dos seus nomes. Seu treinamento piedoso havia cultivado profundas raízes de caráter.
Em consideração ao rei e seus deuses pagãos, o chefe dos eunucos designou novos nomes aos quatro jovens. Beltessazar (7) significava “o tesouro (ou segredos) de Bei”. Sadraque significava “a inspiração do sol”. Mesaque sugeria: “aquele que pertence à deusa Sesaque”. E Abede-Nego significava “servo de Nego (a estrela da manhã)”. A pouca importância que esses jovens deram aos seus novos nomes pode ser vista nas narrativas que se seguem.
Com convicção inabalável, ousadia santa e cortesia refinada, Daniel e seus companheiros revelaram seus dons extraordinários de sabedoria e caráter. A decisão de não comer das iguarias do rei era muito mais do que uma questão de conveniência ou saúde. Isso estava relacionado com a integridade dos seus votos de consagração como hebreus ao Deus de Israel. O significado cerimonial do alimento, puro ou impuro, significava tudo para descendentes profundamente comprometidos de Abraão. Ingerir alimentos dedicados a deuses pagãos da Babilônia constituiria uma ruptura de fé com Jeová. Eles não vêem outra saída senão arriscar o perigo da recusa. Mas eles devem fazer isso de maneira afável e atenciosa com aqueles que são responsáveis em cumprir as ordens do rei.
Quando o chefe dos eunucos (8,10) recusou o pedido, uma sugestão sensata dada ao despenseiro (11), encarregado direto dos jovens, tirou a pressão do oficial superior e abriu caminho para uma solução. O período de prova de dez dias (12) era justo e suficiente para prover uma demonstração adequada do bom senso higiênico do pedido e dar oportunidade a Deus para vindicar seus jovens servos. Legumes significa, literalmente, “sementes”, mas incluía vegetais em geral.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 498.
III – ATITUDE DE DANIEL E DE SEUS AMIGOS
1. Uma firme resolução: não se contaminar (1.8)
Quando Aspenaz, chefe dos eunucos recebeu ordens expressas de Nabucodonosor quanto a preparação daqueles jovens, não discutiria essa determinação palaciana. Reuniu os jovens hebreus e deu-lhes a ordem (1.5,6). Além da troca de seus nomes para apagar de vez com os vínculos religiosos que eles mantinham, Aspenaz lhes deu novos nomes pelos quais eles seriam identificados (Dn 1.7). Com a força de sua autoridade palaciana, Aspenaz passou- lhes a ordem direta de Nabucodonosor. Mas Daniel, apoiado por seus companheiros exilados, com atitude inteligente e prudente, convenceu a Aspenaz a aceitar a proposta de outra dieta alimentar que daria o mesmo resultado requerido. Daniel e seus amigos, inteligentemente não revelaram as razões de sua rejeição à dieta da mesa do Rei, mas, na verdade, eles propuseram entre si não queriam contaminar-se com as iguarias da mesa do rei que eram oferecidas aos deuses. Essa atitude corajosa de Daniel e seus amigos representava toda a fé que tinham no seu Deus a quem serviam e sabiam que seriam guardados do mal.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 33.
Dn 1.8 Resolveu Daniel firmemente não contaminar-se. Bem no começo de ter sido tão altamente favorecido, Daniel resolveu permitir que sua fé religiosa interferisse e lhe causasse dificuldades. Não são muitas as pessoas que permitem que sua fé intervenha em alvos e ambições mundanas, para nada dizermos sobre os prazeres, que usualmente form am a base de sua fiiosofia de vida. Daniel e seus amigos resolveram arriscar-se a enfrentar a ira do rei (que lhes seria fatal), a fim de permanecerem fiéis. Eles se revoltaram contra o alimento não-kosher que lhes era servido. Os alimentos consumidos pelos pagãos continham coisas consideradas cerimonialmente im undas para os judeus. Ver no Dicionário o artigo chamado Limpo e Imundo. Daniel fez um propósito “em seu coração” (segundo a King James Version e nossa versão portuguesa). Ele tinha profundas convicções sobre essas questões. Ver sobre coração, em Pro. 4.23. Quanto a outras instâncias nas quais os judeus tentaram efetivar seus regulamentos dietéticos em ambientes pagãos, ver Juí. 12.1-4; Tobias 1.10,11; IV Macabeus 5.3,14,27; Josefo (Vidas, 3); Jubileus 22.16. O texto de I Macabeus 1.62,63 mostra que, para alguns judeus, comer alimentos ilegítimos significava praticar pecados graves.
Tudo isso se assemelha às convicções que os evangélicos costumavam ter, as quais, em nossos dias, foram essencialmente abandonadas devido à atmosfera mundana de nossas igrejas. Notemos que Daniel também rejeitou o vinho do rei. Os judeus bebiam vinho e, se fossem piedosos, eram usuários moderados de vinho. Talvez Daniel estivesse apenas certificando-se de que não se contaminaria por imitar os comedores e bebedores da Babilônia, em nenhum sentido. Portanto, cortemos o vinho da lista. Nabucodonosor dava a seus futuros oficiais uma prova da boa vida, parte da qual consistia em alimentos e bebidas superabundantes. Os babilônios não diluíam o vinho, mas os hebreus o faziam; e, assim sendo, os babilônios tendiam mais para o alcoolism o do que os judeus. Alguns israelitas misturavam uma parte de vinho com três partes de água, e alguns chegavam a diluir uma em seis partes. Ver em Pro. 20.1 e Isa. 5.11 advertências contra as bebidas alcoólicas. Ver no Dicionário o verbete chamado Bebedice. Os gregos e os romanos também misturavam vinho com água. Um dia, meu professor de latim, diante de uma passagem que mostrava esse fato, declarou não entender como alguém podia fazer algo assim. E essa era, talvez, a única coisa, acerca dos gregos e romanos, que ele não compreendia. Alguns estudiosos sugerem que os alimentos babilônios eram dedicados a seus deuses por meios rituais, algo parecido com as bênçãos que, em nossos dias, muitos pedem antes das refeições. Isso pode ter feito parte da objeção de Daniel.
Humildemente, Daniel requereu que fosse isentado dos alimentos oferecidos aos jovens hebreus, e Aspenaz, o porta-voz de Daniel, foi capaz de dar-lhe essa licença, conforme vemos no vs. 16. Daniel, entretanto, não demonstrou intolerância ou animosidade, como fazem alguns separatistas hoje em dia. Ele não iniciava inimizades desnecessariamente.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3374.
Dn 1.8a. Uma Decisão pela Justiça. Resolveu Daniel firmemente. Inteligência inata e comportamento nobre eram complementados neste homem por uma firme lealdade aos princípios. Não contaminar-se. A contaminação (v. 5) nada tinha a ver com qualquer elemento prejudicial que houvesse no alimento ou na bebida. Era antes por ser "do rei". A palavra traduzida por contaminar-se (ga'al, uma palavra heb. antiga) pode significar contaminação física (Is. 63:3, "mancha"), contaminação moral (Sf. 3:1), ou, mais freqüentemente, contaminação cerimonial (por exemplo, Esdras 2:62; cons. Ne. 7:64). Quanto à relação entre o alimento e a bebida com a contaminação cerimonial, veja Mt. 15:11. Embora recomende moderação, a Bíblia em lugar nenhum ordena abstinência de qualquer alimento ou bebida com base moral; o problema era cerimonial ou religioso. A religião afetava toda a vida dos antigos, como ainda nos povos primitivos da atualidade – e como deveria para todos os homens. Até mesmo o comer e o beber tinha um ritual e significado místico. O matar de um animal era um ato religioso que deveria ser executado com solenidades próprias. A carne da mesa do rei era sem dúvida morta de acordo com o ritual pagão e oferecida a um deus. Os judeus estavam proibidos de comer carne sacrificada a um deus pagão (veja Êx. 34:15), pois era "servir a outros deuses" aos olhos públicos. Os judeus sempre enfrentaram este problema ao comer fora de sua terra (Oséias 9:3, 4; Ez. 4:13, 14). Uma situação semelhante prevalecia quanto ao vinho. Outro problema era que os procedimentos levíticos não eram considerados, isto é, a comida e a bebida do rei não eram "Kosher" (veja Lv. 3:17; 6:26; 17:10-14; 19:26).
Dn 1.8b-14. Um Procedimento de acordo com a Justiça.
Dn 1.8b. Então pediu, etc. Em caso de necessidade, as leis cerimoniais podiam ser postas de lado (Mt. 12:3-5; I Sm. 21:6; Nm. 28:8, 9). Foi porque Daniel tinha o discernimento de perceber o propósito real nestas coisas de afastá-lo de sua santa fé, que ele então resolveu não se submeter sem lutar. Ele "simplesmente determinou ... através do alimento manter viva a lembrança de sua pátria. Ele queria viver na Caldéia como um exilado e cativo, mas como procedente da sagrada família de Abraão" (Calvino, Commentaries on the Book of Daniel the Prophet, in loco.) A palavra pediu (biqesh, "buscou") não se pode usar com referência a uma solicitação desprovida de energia. Sendo um piel (ou intensivo ativo) na forma, sempre é uma palavra incisiva (usada em II Sm. 2:17; 12:16).
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Daniel. Editora Batista Regular. pag. 14-15.
A questão em pauta, e traçando os limites
Nos tempos de Daniel, o perigo que a sua própria nação corria e que devia ser enfrentado pelos seus líderes era ir descambando aos poucos, em seus costumes e tradições, conformando-se com o mundo ao seu redor, alterando, assim, inteiramente o seu rumo e a sua direção na História, e perdendo de vista os propósitos para os quais Deus a trouxera à existência. Pois os homens que estavam colocados numa posição como a de Daniel, e que pensavam como Daniel, sentiam que não poderiam servir a Deus com uma consciência pura a não ser que algum limite fosse estabelecido, e que uma posição firme fosse adotada em certos aspectos. Deveriam ser definidos e estabelecidos para aquele dia princípios constantes de conduta e de crença e, como já vimos, a adesão a estes princípios teria que ser uma questão de consciência para cada um. Daniel nem fazia idéia de que era o guardião das tradições e do destino da sua nação!
A questão era: em que ponto estabelecer um limite? Onde seria possível o meio-termo, e onde não? Daniel estava convicto de que, nas circunstâncias do exílio, não se poderia transigir com as leis dietéticas tradicionais. Talvez pressentisse que a abolição das leis dietéticas abriria a porta para os casamentos mistos e para a transigência em questões religiosas e financeiras. De qualquer maneira, a esta altura, ele sentia que até a existência da sua nação como tal dependia deste sinal visível de diferenciação e de separação. Desta maneira, fez dele uma questão de consciência e de confissão. Acreditou que a fidelidade até mesmo na observância dos regulamentos quanto a aspectos visíveis era importante, pois os verdadeiros e superiores aspectos invisíveis internos teriam uma sutil dependência dos aspectos visíveis externos.
Resolveu Daniel firmemente não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se (v.8). Certamente isto parece ser um tanto supersticioso. Que contaminação real poderia advir só por comer e beber? Não seria isto ainda legalista demais? Jesus não condenou esta atitude quando disse: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas, o que sai do homem é o que o contamina”?
Em certas circunstâncias, porém, questões que normalmente poderiam ser consideradas triviais podem adquirir grande importância. O uso de um pequeno emblema, a prestação de uma continência, cantar uma breve cançSo de libertação, por mais inferiores que sejam a música e a letra, podem inspirar resistência heróica ou incitar oposição demoníaca. Acabamos de passar por um período da história da cultura ocidental em que o comprimento dos cabelos de um rapaz podia assumir tanta importância simbólica que às vezes se tornava uma questão quase de vida ou de morte num lar. E, sob a providência e bênçãos de Deus, atos triviais tais como a distribuição do pão e do vinho numa congregação cristã ou o uso de um pouco de água num ato de batismo podem tomar- se atos de relevância e de poder insuperáveis. Nas circunstâncias do exílio, Daniel sentia que qualquer tendência potencialmente desastrosa somente poderia ser contida tomando-se uma posição firme na lei, até mesmo em questões que em outras ocasiões talvez parecessem estranhas e sem conseqüência.
A preocupação de Daniel era não contaminar-se. Isso não significa que ele acreditasse que literalmente alguma contaminação física pudesse advir-lhe por ingerir alimento proibido, e que disso resultasse, também, alguma mácula moral em sua alma. 0 seu pensamento seguia uma linha bem diferente. Simplesmente ele acreditava que a fé em Deus e o perdão de Deus já o tinham tornado limpo. Esta era uma purificação da idolatria existente no mundo em derredor, e da contaminação moral que a acompanhava. Significava uma chamada para uma vida nova e diferente. Estas leis dietéticas e outros costumes que o diferenciavam eram para ele o sinal e o símbolo desta purificação interior. Mas se ele transigisse no caso destas leis, e permitisse que estes marcos de diferenciação, que preservavam a sua atitude interior distintiva, fossem removidos, aí então inevitavelmente ele se deixaria levar pela enxurrada de costumes dos quais ele tinha sido purificado, e já não seria plenamente útil como um instrumento adequado nas mãos de Deus.
Ronald S. Wallace. A Mensagem de Daniel. Editora ABU. pag. 33-34.
2. Daniel um modelo de excelência.
Mesmo tendo sido levado muito jovem para o exílio babilônico, Daniel conhecia a Deus e não o trocaria por iguaria alguma que lhe fosse oferecida. E um modelo para os jovens (Ec 12.1), como também foram outros jovens na história bíblica como Samuel (1 Sm 3.1-11), José (Gn 39.2), Davi (1 Sm 16.12),Timóteo (2 Tm 3.15). Durante toda a sua vida, Daniel foi um exemplo de fidelidade e de oração, pois orava três vezes ao dia, continuamente (Dn 6.10).
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 34.
Daniel, um jovem fiel a Deus apesar de um passado de dor A vida de Daniel é um farol a ensinar-nos o caminho certo no meio da escuridão do relativismo. Seu testemunho rompeu a barreira do tempo e ainda encoraja homens e mulheres em todo o mundo a viver com integridade.
Observemos alguns aspectos de sua vida:
Em primeiro lugar, no meio de uma geração que se corrompia, Daniel possuía valores absolutos. Ele era ainda um adolescente, mas conhecia a Deus. Era ainda jovem, mas sabia o que era certo e errado. Estava no alvorecer da vida, mas não se misturava com aqueles que se entregavam ao relativismo moral. Era um jovem que tinha coragem de ser diferente.
Daniel vivia no meio de uma geração que estava colhendo o que seus pais haviam semeado (Dn 1.2).
Jerusalém ficara intacta na primeira invasão, mas o templo fora saqueado. Isso não foi por acidente. Por muito tempo, os judeus haviam confiado no templo, e não no Senhor (Jr 7.7). Achavam que enquanto tivessem o templo estariam a salvo. Mas o templo náo os salvou. Uma religião sem vida não nos salvará. Confiar no templo não era um substituto para o arrependimento. Deus reina, quer Seu templo exista, quer não. A invasão da Babilônia, o saque do templo, os tesouros transportados foram obra de Deus.
O povo estava sendo derrotado, mas Deus era vitorioso.
Em segundo lugar, no meio de tragédias terríveis, Daniel não deixa seu coração se azedar. Ele teve muitas perdas. Perdeu sua nacionalidade e sua bandeira. Foi arrancado de sua Pátria e de seu lar. Perdeu sua família, foi arrancado dos braços de seus pais, de seus amigos, de seus vizinhos. Ele foi agredido, violentado em seus direitos mais sagrados.
Daniel perdeu sua liberdade. Ele saiu de casa não como estudante, mas como escravo. Ele não é dono de sua vida nem de sua agenda. Ele está debaixo de um jugo. Sua cidade foi cercada. A fome desesperadora tomou conta de seu povo até o ponto das mães comerem seus próprios filhos. Por fim, seu povo foi levado em bandos para a terra da servidão.
Daniel perdeu sua religião. Seu país foi invadido, sua cidade arrasada e o templo do Senhor derrubado. Seu povo estava debaixo de opróbrio. Daniel estava agora longe de casa, em um país estranho, com uma língua estranha, sem a Palavra de Deus nas mãos, sem o templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto.
Daniel, a despeito de tantas perdas, porém, não deixa seu coração ser envenenado pela mágoa. Em vez de buscar a vingança dos inimigos, procurou ser instrumento de Deus na vida deles. Daniel não é um jovem influenciado, mas um influenciador. As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (SI 137). Daniel escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha. Não é o que as pessoas nos fazem que importa, mas como reagimos a isso.
No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Ele foi levado para a Babilônia, uma terra eivada de idolatria. Foi levado para esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e da feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 30-32.
Em 605 a.C., o jovem Daniel é levado para a Babilônia e matriculado, juntamente com outros três jovens da nobreza de Judá, numa escola criada por Nabucodonosor. O rei fundara esta escola para a formação de administradores para servirem o império (1.3-8). Daniel decide permanecer fiel a Deus, não quebrando a rigorosa legislação dietética judaica. Em entrevista com o diretor da escola, preocupado que sua alimentação lhes fizesse mal à saúde, Daniel, respeitosamente, propõe submeter-se a uma experiência de 10 dias (w, 9-14). Os quatro companheiros não somente permaneceram saudáveis, mas, quando submetidos à prova pelo próprio Nabucodonosor, ao final dos exames, mostraram desempenho superior aos demais jovens (w. 15-21). Este cenário introdutório dá o tom para a seção pessoa] deste livro envolvente. Daniel é um modelo para todos quantos decidem permanecer fiéis a Deus e, ainda assim, ser bem-sucedidos neste mundo secularizado.
RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Editora CPAD. pag. 513.
Agora entendemos o propósito dc Daniel. Ele não estava simplesmente mirando a temperança quanto a comida ou praze- res, mas desejava evitar as armadilhas de Satanás que via a sua volta. Não há dúvida dc que ele estava ciente de sua própria fraqueza, e é louvável de sua parte sua desconfiança cm si mesmo c o desejo dc fugir para longe dc todos os laços c armadilhas. Porque, como disse anteriormente, o que o rei tinha em mente era sem dúvida uma rede diabólica destinada a apanhar o pássaro. Daniel recusou a armadilha - indubitavelmente, Deus iluminou a mente de seu espírito para que ele atentasse no devido tempo. Portanto, não desejando cair nas malhas do diabo, livremente absteve-sc da comida c bebida reais. Este é o resumo da passagem.
Tal exemplo é posto diante de nós em Daniel, que não só rejeitou os prazeres da corte, que poderiam tê-lo deixado embriagado - mas seriam como veneno para ele - como também admoestou e persuadiu a seus amigos a fazer o mesmo. Eis a razão por que ele denomina de ‘poluição’ ou abominação a degustação da comida real. Em si mesmo, com já disse, isso não era abominável. Daniel era livre para comer e beber à mesa do rei. No entanto, era uma abominação por causa de sua conseqüência. Antes daquele tempo, quando já se encontravam na Caldéia, os quatro indubitavelmente haviam ingerido comida como todos os outros c se permitido comer tudo quanto se pusesse diante deles. Não pediram verduras quando ficaram numa pensão durante sua jornada, mas começaram a pedi-las quando o rei tentou contaminá-los com suas delícias c seduzi-los a preferir sua nova situação cm vez de retornar a seu próprio povo. Quando perceberam as armadilhas armadas para eles, o fato de desfrutarem das festas e comerem da mesa do rei tornou-se uma poluição ou abominação. Devemos, portanto, tomar nota da razão por que Daniel se via contaminado caso passasse a viver suntuo- samente e bebesse e comesse tudo o que lhe era provido pelo rei - pois (como já mencionei) ele estava ciente de sua própria fraqueza e queria manter-se atento em todo tempo, para que não fosse apanhado pelas malhas e decaísse da santidade e do louvor a Deus, degenerando-se nos costumes caldeus, como se houvera sido criado entre eles c fora simplesmente um de seus príncipes.
João Calvino. Série de Comentários de Calvino do Antigo Testamento. Editora edições Parakletos. pag. 59-60.
3. Daniel modelo de integridade x sociedade corrupta.
Apesar de todo o esforço de seus exatores que os trouxeram para uma terra estranha, com costumes e hábitos, dedicados a outros deuses, Daniel soube, durante toda a sua vida, manter-se íntegro moral e fisicamente. A tentativa de apagar a força e neutralizar a força de sua fé, os jovens hebreus permaneceram firmes e dispostos a não render-se, senão a Deus com suas próprias vidas. A mudança de nome não os fez esquecerem de sua fé e seu Deus Vivo e Poderoso (Dn 1.6,7). Nas atividades políticas soube conduzir-se, respeitando as autoridades superiores, sem trair a sua fé em Deus. Sabia cumprir seus deveres e, quando foi desafiado na sua fé a deixar de orar, ele não traiu o seu Deus.
A superação pela fidelidade a Deus
(1.17) Neste versículo a poderosa mão de Deus dirigiu todo o curso dos acontecimentos (vv.2, 9) , bem como, a saúde física, o vigor intelectual e a capacidade de superar inteligências comuns. O texto diz que “Deus lhes deu” tudo aquilo que os outros príncipes do palácio não tinham. Deus era a fonte de todo o conhecimento concedido aos jovens hebreus, além da capacidade de discernir o certo do errado. Mais que a cultura babilônica era a cultura geral que os jovens hebreus receberam para saber se conduzir no palácio e gozar da confiança do Rei Nabucodonosor.
(1.18-20) Havia um grau de exagero retórico de Nabucodonosor quando referiu-se aos jovens hebreus como demonstrando habilidades “dez vezes mais doutos que os demais” (v.20). Na realidade, essa constatação do Rei demonstrou a sua admiração por esses jovens. Mas havia em tudo isso, o dedo de Deus dirigindo a vida desses hebreus, de modo a que seu nome fosse glorificado diante da glória efêmera de Nabucodonosor.
“E Daniel permaneceu até ao primeiro ano do rei Ciro” (1.21). É interessante notar que esse capítulo tem um caráter histórico no qual o autor relata os aspectos principais dessa história. O reinado do
rei Ciro, da Pérsia, conhecido como “o Grande”, é um vislumbre do futuro de 70 anos depois de Nabucodonosor. Ciro conquistou a Babilônia em 539 a. C. De sua juventude quando foi exilado para a Babilônia por Nabucodonosor haviam se passado 70 anos e já tinha aproximadamente 85 anos quando os persas conquistaram a Babilônia. Os capítulos 5 e 6 do livro retratam esse tempo.
“e Daniel permaneceu até...” (1.21). Por um desígnio de Deus, Daniel permaneceu como oficial do império de Nabucodonosor até Ciro da Pérsia durante todos esses anos do cativeiro de 70 anos dos judeus em terra estrangeira, porque estava predito em profecias, especialmente, de Jeremias. Nestes 70 anos de cativeiro, Jerusalém foi invadida e saqueada da sua riqueza. Houve deportação em massa dos judeus e tudo isso porque “Joaquim, rei de Judá,fez o que era mau aos olhos do Senhor” (2 Rs 24.8,9).
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 34-36.
A inda há homens íntegros ?
Será que ainda existe alguém confiável?
Warren Wiersbe diz que durante vinte séculos a igreja vem dizendo ao mundo que reconheça seus pecados, que se arrependa e que creia no evangelho. Hoje, no início do século 21, o mundo diz à igreja que enfrente seus próprios pecados. A igreja evangélica cresce em número, mas não em vida; toma de assalto a nação, mas não produz transformação moral; tem os meios de comunicação nas mãos, mas tem pouca mensagem de Deus para pregar ao povo; parece que está mais interessada em granjear as riquezas do mundo que em oferecer ao mundo as riquezas do céu. Estamos no fragor de uma crise avassaladora, a crise de integridade.
A crise de integridade está presente na família, nas instituições públicas, na educação, no comércio, na política e na igreja. Falta integridade nos palácios, nas casas de leis, nos tribunais e até nas igrejas. Os problemas que atingem a sociedade contemporânea não são periféricos, eles afetam as questões cruciais. Não apenas os absolutos morais são questionados, mas também os critérios da própria verdade. Gene Edward Veith diz: “O que nós temos hoje não é apenas um comportamento imoral, mas uma perda de critérios morais”. Davi expressa essa angústia, quando pergunta: “Quando os fundamentos são destruídos, que pode fazer o justo?” (SI 11.3). A mensagem do livro de Daniel pode não ser popular e palatável, mas é desesperadamente necessária. Ela faz uma radiografia da própria alma, investiga os recessos do coração e lança luz nos corredores sombrios da vida. Daniel viveu num tempo em que a verdade estava sendo pisada, os valores morais estavam sendo escarnecidos e a religião tinha perdido sua integridade.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 13-14.
Daniel, um jovem fiel a Deus apesar de um presente de oportunidades e de grandes riscos
Viver exige discernimento. Os tolos naufragam, quer pelas oportunidades quer pelos riscos. Aquele adolescente arrancado do seio de sua família como escravo, teve oportunidades e riscos. A vida ofereceu-lhe muitas propostas sedutoras. Vejamos quais foram suas oportunidades:
Em primeiro lugar, ele foi escolhido para estudar na Universidade da Babilônia. Nabucodonozor era estadista e estrategista. Ao mesmo tempo em que seus exércitos eram devastadores, queimando casas, cidades, demolindo palácios e templos; ao mesmo tempo em que assassinavam, saqueavam e carregavam manadas para a Babilônia; também cria uma universidade para formar jovens cativos que pudessem amar a Babilônia e se tornar divulgadores de sua cultura. O método de Nabucodonozor era deportar a nobreza de cada nação conquistada e integrá-la no serviço público da Babilônia. Eles mesmos governariam sobre os demais súditos conquistados. Assim, aqueles que se rebelassem teriam de fazê-lo contra seu próprio povo, talvez contra seus próprios filhos.
O vestibular era composto de três exames: 1) Qualidades sociais: linhagem real e dos nobres; 2) Qualidades físicas e morais: jovens sem nenhum defeito e de boa aparência; 3) Qualidades intelectuais: instruídos em toda sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e competentes para assistir no palácio. Os aprovados deveriam andar pelos corredores do poder.
Em segundo lugar, ele recebeu promessa de emprego e de sucesso profissional. Daniel 1.5 nos informa que o curso da Universidade de Babilônia era intensivo, pois durava apenas três anos. Depois disso, eles assistiriam no palácio, com garantia de emprego no primeiro escalão do governo mais poderoso do mundo. Era uma chance de ouro. Era tudo que um jovem queria na vida. Era tudo que um pai podia sonhar para seus filhos. Mas, cuidado! O que adianta você ganhar o mundo inteiro e perder sua alma? O que adianta você ficar rico, vendendo a sua alma ao diabo? O que adianta você ter sucesso, mas perder sua fé? O que adianta você ser famoso, mas não ter uma vida limpa? Muitas pessoas mentem, corrompem-se, roubam, matam e morrem para alcançar o sucesso. Muitos destroem a honra e a família para chegar ao topo da pirâmide social. Mas esse sucesso é pura perda. Ele tem sabor de derrota. Ele é o mais consumado fracasso. É o discernimento que nos dá percepção para saber quando uma aparente oportunidade esconde atrás de sua sedução um grande risco. Daniel viu com clareza alguns riscos:
O maior de todos os perigos era o risco da aculturação.
Daniel teve de se acautelar acerca de quatro perigos. O primeiro perigo foram as iguarias do mundo. Os jovens, além de ter a melhor universidade do mundo de graça, ainda teriam comida de graça, e da melhor qualidade. Eles só teriam de pensar em seus estudos. Deveriam até mesmo esquecer que eram judeus, a fim de tornarem-se babilônios. Deveriam esquecer que eram servos de Deus, e tornarem-se servos de um rei terrestre. Mas as iguarias da mesa do rei eram comidas sacrificadas aos ídolos. Cada refeição, no palácio real de Babilônia, se iniciava com um ato de adoração pagã. Comer aqueles alimentos era tornar-se participante de Um culto pagão. Há um ditado que diz que todas as maçãs do diabo são bonitas, mas elas têm bicho. Os banquetes do mundo são atraentes, mas o mundo jaz no maligno. Ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Não entre na fôrma do mundo. Fuja dos banquetes que o mundo lhe oferece! Os prazeres imediatos do pecado produzem tormentos eternos. As alegrias que o pecado oferece, convertem-se em choro e ranger de dentes. Fuja das boates, das noitadas, dos lugares que podem ser um laço para sua vida. Muitos diriam hoje: “Daniel, você está sendo muito radical, muito puritano, muito intransigente. Por que criar um caso com uma coisa tão pequena como comer alimento oferecido aos ídolos? Por que não colocar esses escrúpulos de lado? Pense na influência que você poderá exercer, encontrando-se no serviço público da Babilônia.
Você vai salgar aquele ambiente. Você vai ser uma luz lá no palácio. Deixe de lado esse radicalismo seu”. Mas Daniel prefere a prisão ou mesmo a morte à infidelidade. Daniel disse: “Prefiro a morte do que pecar, ainda que um pouco”.
O segundo perigo foi a mudança dos valores! Seus nomes foram trocados. Com isso a Babilônia queria que eles esquecessem o passado. A Babilônia quer remover os marcos e arrancar as raízes deles. Entre os hebreus, o nome era resultado de uma experiência com Deus. Todos os quatro jovens judeus tinham nomes ligados a Deus. Daniel significa: Deus é meu juiz. Deram-lhe o nome de Beltessazar, cujo significado é: bel proteja o rei. Hananias significa: Jeová é misericordioso. Passou a ser chamado de Sadraque, que significa: iluminado pela deusa do sol. Misael significa: quem é como Deus? Deram-lhe o nome de Mesaque, que significa: quem é como Vênus?
Azarias significa: Jeová ajuda. Trocaram-lhe o nome para Abednego, cujo significado é: servo de Nego.9 Assim, seus nomes foram trocados e vinculados às divindades pagãs de Bel, Marduque, Vênus e Nego. Os caldeus queriam varrer o nome de Deus do coração de Daniel. A universidade da Babilônia queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel e de seus amigos e plantar neles novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus nomes. Muitos jovens têm caído nessa teia do mundo. Muitos se envolvem de tal maneira que perdem o referencial, mudam os marcos, abandonam suas convicções, transigem com os absolutos e naufragam na fé.
A Babilônia mudou os nomes deles, porém, não o coração. Eles discerniram que a maior batalha que estavam travando era a batalha da mente. Não era uma luta para a preservação da vida, mas uma guerra para a firmeza na fé. Daniel e seus amigos não permitiram que o ambiente, as circunstâncias e as pressões externas ditassem sua conduta. Eles se firmaram na verdade, batalharam pela defesa da fé e mantiveram a consciência pura. O terceiro perigo foram as ofertas vantajosas! Muitos  judeus se dispuseram a aceitar as ofertas generosas da Babilônia. Pensaram: é melhor esquecer Sião. E melhor esquecer os absolutos da Palavra de Deus. Isso não tem nada a ver. A Bíblia já não serve mais para nós. Agora estamos num estágio mais avançado: estamos estudando as ciências. Além do mais, a Babilônia oferecia riquezas, prazeres e Jerusalém era muito repressora. A lei de Deus, pensavam, é muito rígida, tem muitos preceitos. E assim, muitos se libertaram de seus escrúpulos e se esqueceram de Deus e de Sua Palavra. Para eles, tudo havia se tornado relativo. Os tempos estavam mudando depressa e eles precisavam se adaptar às mudanças.
O quarto perigo estava escondido atrás das vantagens do mundo. Daniel e seus companheiros eram jovens comprometidos com a verdade. Os caldeus mudaram seus nomes, mas não seus corações. Eles compreenderam que a babilonização era uma porta aberta para a apostasia. Sentiram que o paternalismo da Babilônia era pior que aespada da Babilônia. A guerra das idéias, a lavagem cerebral, a relativização da moral, a filosofia de que “nada tem nada a ver” é procedente do maligno. Daniel não negociou seus valores. Ele não se corrompeu. Não se mundanizou. Ele teve coragem para ser diferente mesmo quando foi pressionado a se contaminar, mesmo quando não era vigiado e mesmo quando estava correndo risco de vida.
Daniel estava no mundo, mas não era do mundo. Deus não livrou Daniel do perigo, mas lhe deu livramento no perigo. Ele não satanizou a cultura, dizendo que tudo era do diabo, mas ele percorreu os corredores da universidade e do palácio sem se corromper. Daniel e seus amigos não anatematizaram a vida pública como pecado. Contudo, jamais se corromperam. Eles tinham consciência que pertenciam e serviam a outro Reino. Mesmo cercados por uma babel de outras vozes, sempre se orientaram pela voz de Deus. Resistiram sempre aos interesses da Babilônia, quando esses se chocavam com os interesses do Reino de Deus.
Daniel demonstrou refinada perspicácia e sabedoria em sua determinação. Em primeiro lugar, ele foi corajoso em sua decisão. Ele podia perder a vida, o emprego e, a oportunidade da sua vida. Ele podia pensar: vou fazer só essa concessão. Deus sabe que m eu coração é dEle. Vou ceder só nesse ponto. Mas não, Daniel era um homem de absolutos. Ele não transigia com o pecado. Seu grande projeto de vida era honrar a Deus. Muitos jovens hoje estão caídos, confusos, com o coração gelado, com a vida contaminada, porque cederam, transigiram e não resolveram desde o início viver uma vida pura. O mundo está mudando todos os dias. Os valores morais estão sendo tripudiados. Vivemos numa Babilônia de permissividades, num reino de hedonismo, numa terra da infidelidade, no cativeiro do pecado. Para a geração contemporânea não existem mais absolutos, tudo é relativo; nada mais é pecado, tudo é normal; nada tem nada a ver.
Em segundo lugar, Daniel foi sábio em sua decisão. Ele teve tato para lidar com as dificuldades. O versículo 8 nos informa que ele resolveu e pediu. Ele foi firme e gentil. Ele foi firme e perseverante. Ele não disse: “Eu não como carne”. Mas, embora seja ordem do Rei. “Azar do rei”.
Se tivesse feito isso, certamente seria um jovem morto e, se morresse, não seria por fidelidade, mas por tolice. Daniel era sábio, discreto, gentil e sensível. Mas também firme.
Em terceiro lugar, Daniel foi coerente durante todas as suas decisões. Porque disse não nas provas mais simples, pôde dizer não nas provas mais difíceis. Mais tarde, enfrentou a cova dos leões com a mesma firmeza. Meu caro leitor, não transija. Não venda sua consciência. Seja como Daniel e seus amigos. Nosso mundo está mudando todo dia. As pessoas dizem para você: “Que nada! Os tempos mudaram, sexo antes do casamento não tem problema. Dançar nas boates não tem problema. Ficar com um rapaz ou moça hoje e com outro ou outra amanhã não tem problema. Visitar os sites pornográficos na Internet não tem problema. Jesus disse: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti...” (Mt 5.29).
Daniel era radical em sua posição. Não estava aberto a mudanças, se essas mudanças interferissem em sua fidelidade a Deus. Fidelidade a Deus era inegociável para ele. Mas hoje muitos jovens estão se contaminando. Há namoros permissivos, há roupas indecorosas, há pessoas viciadas em pornografia, há moços usando adornos peculiares às mulheres, há pessoas agredindo o próprio corpo com tatuagens e piercings. Muitos jovens entram na onda, e se conformam com o mundo, e são tragados por ele.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 32-38.
Um modelo para hoje?
É significativo que Daniel, por sua atitude quanto a esta questão, tomou-se o modelo de comportamento para muitos judeus fiéis no tempo em que estavam sendo perseguidos sob o reinado de Antíoco Epifânio no século II a.C. O próprio Antíoco reconheceu que, para ter sucesso em destruir o testemunho distintivo da comunidade judaica e absorvê-la na sua cultura helenística, teria que levá-la a abrir mão, dentre outras coisas, dos costumes distintivos referentes à alimentação que tanto a caracterizavam. Na tentativa de quebrar a resistência judaica nesse ponto, decretou leis que condenavam os regulamentos cerimoniais judaicos em questões de alimentação, exigindo conformidade às práticas seculares a respeito. O assunto tornou-se uma questão confessional, um teste que determinava se a pessoa era leal à totalidade da tradição judaica, e disposta a lutar e morrer por ela. Os escritos daquela época nos dizem que muitos judeus recusaram-se a contaminar-se, e preferiram morrer ao invés de ceder nesta questão. Muitos estudiosos acreditam que o livro de Daniel foi recomposto e novamente lançado ao público então, por alguém pertencente ao círculo dos fiés, para ajudar na inspiração e na sustentação do movimento de resistência a Antíoco.
Hoje em dia está surgindo em muitas partes do mundo ocidental uma situação semelhante àquela que então era confrontada por Daniel. Como cristãos, somos forçados a sentir freqüentemente a mesma tensão que ele sentia ao enfrentarmos, ao nosso redor, um mundo que se transforma rapidamente quanto ao ponto de vista ético e religioso, e quanto aos costumes aceitos. A correnteza é tão poderosa que tende a levar consigo qualquer coisa, a menos, que esteja fortemente ligada a um outro ponto de vista. Sem dúvida, devemos fazer algumas concessões à mudança. Não podemos permanecer exatamente onde estávamos há uma geração atrás. No entanto, muitas das mudanças com freqüência são tão radicalmente estranhas ao nosso enfoque cristão que não podemos, de modo algum, segui-las na íntegra sem perdermos o nosso poder para testemunharmos com clareza o que, cremos, é a natureza de Deus e do evangelho, e o significado da vida na terra.
Assim, numa situação em que alguma mudança é inevitável, devemos perguntar até que ponto podemos ir, quando vamos dizer não! tomando uma posição firme. Ainda que as questões do comer e do beber não sejam agora, em nossa tradição cristã, questões básicas de nossa fé e prática como eram para Daniel, há, mesmo assim, certas coisas que também nos contaminam, da mesma forma como aquelas coisas nos dias do exílio. O propósito da vida, da morte e do ensino de Cristo foi purificar a raça humana e libertá-la dos costumes e dos caminhos que corrompem os homens e as mulheres moral e espiritualmente, e que contaminam a vida comunitária. Ele mesmo pleiteou com os seus seguidores no sentido de tirarem de suas vidas as atitudes e os hábitos que contaminam o coração e a mente: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. E se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros e não vá todo o teu corpo para o inferno”.
O Novo Testamento, vez após outra, nos leva de volta à questão levantada por Jesus com estas palavras, advertindo-nos a não nos esquecermos da nossa purificação, e de “odiarmos o mal”. Para encorajar-nos e para advertir-nos, a cruz é demonstrada como sendo o preço que ele pagou a fim de que ficássemos limpos e íntegros, e assim permanecêssemos.
A obra de Jesus, porém, é negada e seus rogos desatendidos se nos conformarmos descuidadosamente com qualquer coisa do tipo “todo o mundo faz” dentro da permissividade que arrasta a nossa sociedade em direção a mudanças morais e espirituais. O novo espírito dos tempos nem sempre é o de Cristo. Forçosamente chegaremos à conclusão de que Cristo morreu para nos purificar deste modo de vida que nos apresentam e que, portanto, não poderemos avançar mais nesta direção e ainda sermos fiéis ao nosso Deus. Não há dúvida de que, entendendo as coisas desta maneira, há “sujeira” em certas formas de atividade política, em certos aspectos do mundo das diversões e das publicações, em certos meios de propaganda, que não devemos tocar, a fim de não nos contaminarmos. Além disso, muitas coisas na vida têm sido está de nós - no casamento e na vida do lar, por exemplo — as quais somente podem ser conservadas se traçarmos os limites em algum ponto e soubermos dizer, quando necessário, aquele não! Não devemos subestimar a importância desta tomada de posição que talvez estejamos sendo conclamados a adotar. Quando Daniel tranquilamente tomou a decisão de dizer não!, ele não sabia que estava desempenhando um papel de tão grande relevância na reorientação da vida da sua nação no sentido de ela descobrir de novo o seu verdadeiro lugar no serviço de Deus.
Ronald S. Wallace. A Mensagem de Daniel. Editora ABU. pag. 34-37.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Nenhum comentário:

Postar um comentário