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4° LIÇÃO 1° TRIMESTRE 2015 NÃO FARÁS IMAGUEM DE ESCULTURAS


NÃO FARÁS IMAGUEM DE ESCULTURAS
Hoje, no Brasil, talvez fosse preciso um novo "Lutero" denunciar as indulgências nos diversos púlpitos.
Ainda não chegaram a prometer a salvação, mas prometem "carro", "casa", "emprego", "saúde", "dinheiro" e tantas outras falsas promessas em troca de dinheiro. É como se Deus fosse um Papai Noel do século 21. Na ânsia de "tomar posse da bênção", as pessoas passam a cultuar uma série de objetos que nada têm haver com o Evangelho. É o "galho de arruda", o "sal grosso", a "rosa ungida", as "sementes", o "carnê", enfim, a razão da fé deixa de ser Jesus para ser as tais imagens.
Quando Deus mandou a nação israelita não reproduzir nenhuma imagem de culto em escultura, o Libertador de Israel não queria que o povo atribui-se às falsas divindades a sua poderosa ação. Num mundo amplamente politeísta, inclinar-se de novo para outra divindade era um risco, pois o Deus de Moisés não se apresentou ao legislador através de uma imagem concreta.
O Deus de Israel não se deixa reproduzir em meras elaborações humanas: "O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens. Nem tampouco é sen/ido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas" (At 17.24,25). Foi como Jesus respondeu para a mulher samaritana quando da pergunta sobre a região geográfica de onde se devia prestar culto a Deus: "Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." (Jo 4.22-24).
O Evangelho abriu as portas do Céu. Estas estavam fechadas por causa do pecado da humanidade e da sua desobediência a vontade de Deus. Mas Este estava em Cristo, reconciliando o mundo consigo mesmo. O Calvário aponta para o livre acesso a fim de chegarmos ao Trono da Graça de Deus. Em Jesus não há crendice, mas presença real de Deus que opera em nós através do Espírito Santo Criador.
Portanto, somos convidados a não reproduzirmos falsas imagens que ousam representar Deus. Não há mente humana que possa reproduzi-lo. Que o nosso cuidado não seja apenas com os ídolos de escultura, mas igualmente em relação aqueles vivos, que cantam, pregam e formam público em nome de Deus. Vigiai!
Revista ensinador. Editora CPAD. pag.  38.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
No preâmbulo do primeiro mandamento Deus se identifica. O segundo mandamento é muito próximo do primeiro, ambos são de ordem espiritual e afirmam a existência de um Deus vivo, o único que deve ser adorado. Aqui Javé proíbe a adoração aos ídolos e o culto a qualquer imagem de escultura ou de pintura como objeto de adoração. É nesta forma de idolatria que o presente capítulo pretende focar.
Os patriarcas do Gênesis e os israelitas do deserto sabiam muito pouco sobre os atributos de Deus. A revelação divina aconteceu de forma gradual ao longo dos séculos, até a manifestação do Filho de Deus (Hb 1.1). Os dois primeiros mandamentos do Decálogo são os que maior impacto causaram em Israel. Deus é espírito e invisível (Jo 4.24; Cl 1.15; 1 Tm 1.17) e hoje qualquer cristão sabe disso. Essa verdade é declarada na Confissão de Westminster. No entanto, foi o próprio Deus que se revelou a si mesmo sobre o seu ser e a sua natureza e nesses mandamentos temos o esboço dessa doutrina.
No primeiro mandamento, Javé se identifica ao seu povo como o Deus soberano que remiu a Israel da escravidão do Egito. Aqui e no segundo mandamento, Deus revela a sua espiritualidade e ordena que somente ele deve ser adorado. Javé proíbe o uso de imagem e de qualquer representação, semelhança ou figura do próprio Deus na adoração. Essa proibição se estende também a toda e qualquer divindade falsa dos pagãos.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 39-40.
O segundo mandamento diz respeito às ordenanças da adoração, ou à maneira segundo a qual Deus deverá ser adorado, o que é adequado que Ele mesmo indique. Aqui temos:
A proibição. Aqui somos proibidos de adorar até mesmo o Deus verdadeiro, em imagens, w. 4,5. [1] Os judeus (pelo menos, depois do cativeiro) se julgaram proibidos, por este mandamento, de fazer qualquer imagem ou pintura. Conseqüentemente as imagens que os exércitos romanos tinham em suas insígnias são chamadas de abominações para eles (Mt 24.15), especialmente quando são colocadas no lugar santo.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 292.
É lógico que o segundo mandamento (Êx 20.4-6) segue o primeiro, desde que era difícil, se não impossível, para a mente pagã apreender a noção de invisibilidade dos deuses que impossibilitava a representação deles em algum material ou forma física. Contudo, é provável que seja um erro supor que os adoradores desses deuses — ou, pelo menos, que os pensadores mais densos entre eles — não vissem, de fato, diferença entre as deidades per se e as formas plásticas que assumiam com o auxílio dos adoradores. Em outras palavras, os ídolos e as imagens, com certeza, eram apenas representações de seres invisíveis, cuja realidade só seria plenamente avaliada por meio de seu ser visível.13 Ao mesmo tempo, para muitos dos devotos comuns desses deuses, talvez para a maioria deles, não havia distinção prática entre o visível e o invisível a ponto de considerarem que os objetos de madeira, pedra ou metal possuíam o nome divino e eram adorados como tal.
Mesmo que essa seja uma interpretação acurada da concepção de imagens por Israel, permanece o fato de que essas representações visíveis de poderes invisíveis percebidos eram estritamente proibidas. E se esse era o caso com os falsos deuses, quão mais odioso seria tentar captar o Deus eterno do céu e da terra em algum objeto feito por mãos humanas! Primeiro, fazer isso era adorar um produto de criação humana ou, pelo menos, um objeto adequado para captar a essência do ser representado. Quão pequeno deve ser um deus para poder ser retratado em alguma forma concebida pela mente humana. Além disso, a tentativa de iconizar o Deus invisível sugere que ele pode ser localizado, reduzido ao escopo de algo que pode ser manipulado.14 Na verdade, Deus torna-se prisioneiro da habilidade do artista, da substância e qualidades da matéria- prima que ele usa e da incapacidade do adorador de imaginá-lo além do que pode ver com os próprios olhos e tocar com as próprias mãos.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 326-327.
I. PROIBIÇÃO À IDOLATRIA
1. IDOLO E IMAGEM.
O grande desafio de Israel era vencer a idolatria e manter a fidelidade a Javé, cumprindo o concerto do Sinai. O povo estava saindo de um contexto sociocultural completamente politeísta. Seus ancestrais lhes haviam falado sobre o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, mas agora eles mesmos precisavam saber o que significava o compromisso de servir e adorar exclusivamente o Deus que os libertara da escravidão do Egito. A adoração a Javé devia ser algo completamente diferente dos rituais idólatras. O segundo mandamento declara:
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos (êx 20.4-6; Dt 5.8-10).
Os dois termos hebraicos pessel e temunãh33 dizem respeito à falsa adoração. Da palavra pessel, "imagem", deriva o verbo pãssal,34 "esculpir, entalhar, lavrar" pedra ou madeira para construir (1 Rs 5.18 [32]), escrever (Êx 34.1, 4; Dt 10.1, 3) e esculpir imagem de divindades (Hc 2.18).
A Septuaginta traduziu o termo por eidõlon,35 "ídolo". O termo temunãh, "forma, aparência, figura, representação, semelhança", só aparece dez vezes no Antigo Testamento (Êx20.4; Dt4.12,15,16,23,25; 5.8; Nm 12.8; Jó 4.16; Sl 17.15). Cinco vezes aparece em conexão ou paralelamente a pessel e diz respeito à proibição do uso de imagens (Êx 20.4; Dt 4.16, 23, 25; 5.8). Duas vezes é usada para esclarecer que os israelitas ouviram a voz de Javé que falava do meio do fogo no monte Sinai, mas eles só ouviram as palavras por ocasião da revelação do Sinai (Dt 4.12, 15). Três vezes é empregada de maneira independente: Moisés era o único que via a temunat YHWH, a "semelhança de Javé" (Nm 12.8). Deus falava com ele como alguém fala a um amigo, face a face (Êx 33.11); Elifaz usa o termo para descrever uma revelação noturna (Jó 4.16) e, num paralelismo poético, a palavra é empregada de forma metafórica numa visão de Davi (Sl 17.15).
O segundo mandamento diz que não se deve fazer imagem ou figura de tudo o "que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êx 20.4; Dt 5.8). Isso envolve todas as espécies de animais, aves, répteis, peixes, aves, corpos celestes, e inclui a imagem do próprio Deus (Dt 4.12-19). A menção das estátuas de macho e fêmea, "alguma escultura, semelhança de imagem, figura de macho ou de fêmea" (Dt 4.16), diz respeito às divindades masculinas e femininas. Os cananeus chamavam à madeira de pai e à pedra de mãe (Jr 2.27). A madeira era o símbolo da fertilidade feminina; a deusa Aserá era a mãe dos deuses; e a pedra simbolizava a fertilidade masculina na religião dos cananeus (Dt 4.28; Jr 3.9).
As espécies de animais mencionadas aqui (Dt 4.17-19) representavam os deuses na antiguidade (Ez 8.10). Dagom era o deus dos filisteus (Jz 16.23; 1 Sm 5.7), e sua imagem consistia em metade forma de homem e metade forma de peixe. Rá era o deus-sol, dos egípcios, e Sin, o deus-sol dos babilônios. O touro, por exemplo, era um símbolo do Egito: "Por que o deus Ápis fugiu? O seu touro não resistiu" (Jr 46.13, NVI); "Por que foi derribado o teu Touro?" (ARA). Ápis era o boi sagrado do Egito, representação de Ptah, deus da fertilidade de Mênfis. O culto do bezerro no deserto mostra que essa forma de adoração dos egípcios ainda estava no coração do povo (Êx 32.4-6; Sl 106.19, 20). As estátuas de Baal eram colocadas sobre touros. Esse animal era ideal para esses deuses, pois simbolizava força e fertilidade. O touro representava também outros deuses, como Baal. E, durante muito tempo, o povo judeu também se deixou influenciar pelo culto do bezerro (1 Rs 12.28-30; Os 8.5). Esses são alguns dos exemplos de divinização pagã de animais e corpos celestes.
O segundo mandamento divide opiniões ainda hoje, e as interpretações são diversificadas. Os templos católicos romanos estão cheios de imagens de escultura, com fins cúlticos; por outro lado, a comunidade Amish não permite o uso de fotografia nem se deixa fotografar, pois seus membros a interpretam como produção de imagem, o que violaria o segundo mandamento. Contudo, o mandamento aqui não se refere à arte como tal. Essa proibição é específica; refere-se imagem de madeira, pedra ou metal ou forma de algum deus ou deuses das nações: "Não te encurvarás a elas nem as servirás" (Êx 20.5; Dt 5.9).
Essa maneira de entender o segundo mandamento é confirmada ao longo do Antigo Testamento (2 Rs 21.7; Is 40.19, 20; Jr 10.14). Aqui, é uma referência à adoração (Êx 34.13, 17; Dt 27.15). O primeiro verbo tem o sentido de adorar tishthaheweh, ou tishthahãweh, "prostrar-se, encurvar, adorar". A Septuaginta traduz por proskyneo "adorar”, e o termo aparece 60 vezes no Novo Testamento. O segundo verbo é ‘ãvad, "trabalhar, servir". A Septuaginta traduziu por latreuõ, "prestar serviço sagrado, servir, adorar", e é o termo que aparece em Mateus 4.10.
O contexto é religioso e remete à proibição de fazer imagens de escultura ou quaisquer figuras e se prostrar diante delas para as adorar. Este mandamento causou profundo impacto em Israel, de modo que a escultura é uma arte que não se desenvolveu entre os israelitas, mesmo para fins meramente culturais. Os grandes museus, como Louvre em Paris, o museu Britânico em Londres, o Neues em Berlim o Metropolitan em Nova Iorque; o museu do Cairo, entre outros, estão repletos de artes de escultura artística e religiosa, bustos de artistas, pensadores e estadistas do Egito, Mesopotâmia, Pérsia, Grécia, Fenícia e Roma, além de estátuas e estatuetas de deuses. No entanto, não existe praticamente nada nos acervos judaicos dessa natureza nesses museus.
As galerias de arte estão completamente fora deste contexto. Trata-se de coleções de manifestações artísticas, e não é a respeito disso que fala o segundo mandamento. Os expositores da Bíblia são praticamente unânimes quanto a esta questão. Há no Antigo Testamento diversos indícios que confirmam esta interpretação. Deus mesmo inspirou artistas entre os israelitas no deserto (Êx 35.30-35) e mandou Moisés levantar uma serpente de metal no deserto (Nm 21.8). O rei Salomão não encontrava artistas em Israel para a decoração do templo e do seu palácio, de modo que contratou escultores e pintores dentre os fenícios (2 Cr 2.13, 14). Ele mandou esculpir querubins na parede e tou ros e leões para decorar o templo (1 Rs 6.29; 7.29) e o palácio real (1 Rs 10.19, 20). E, quando a serpente de metal que Moisés levantou no deserto veio a ser objeto de culto com o passar do tempo, o rei Ezequias mandou destruí-la (2 Rs 18.4).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 42-46.
Não farás para ti imagem. Os críticos tentam provar uma data posterior do livro de Êxodo assegurando-nos que essa proibição contra as imagens realmente pertence à época do profeta Oséias. Conforme eles dizem, talvez seja verdade que esse mandamento não se ajustava ao que estava ocorrendo em Israel nos dias de Moisés, onde, sem dúvida, havia muitos ídolos e imagens, alguns deles até representações de Yahweh, e outros representando outros deuses. Entretanto, esse raciocínio é falaz. O primeiro mandamento proíbe o politeísmo, e a idolatria e o uso de imagens promoviam cultos politeístas. Portanto, o primeiro mandamento também combate o uso de ídolos. Por motivos assim é que muitos intérpretes pensam que os vss. 4-6 deste capítulo fazem parte do primeiro mandamento.
Os vss. 4-6, para a maioria dos grupos protestantes (com a exceção dos luteranos), constituem o segundo mandamento. E proibido o fabrico de qualquer imagem de escultura. As imagens tendem ou mesmo promovem formas várias de politeísmo, e isso fora estritamente proibido no primeiro mandamento. Além disso, as imagens de escultura, tal como o próprio politeísmo, destroem a natureza ímpar de Yahweh, além de injetarem elementos estranhos no pensamento e na adoração religiosos. Grandes segmentos da cristandade têm uma espécie de subpolíteísmo no uso de imagens e na veneração dos “santos”. Digo aqui “sub-politeísmo” porque, acima do mesmo, reservam uma adoração especial a Deus. O que temos, nesses casos, é uma forma de sincretismo onde o antigo politeísmo alia-se ao monoteismo, A cristandade, ao entrar em contacto com culturas pagãs, inventou várias formas de sincretismo, pelo que desobedecem de forma crassa o primeiro e o segundo mandamentos.
Imagem de escultura. No hebraico temos uma só palavra, pesei, palavra que significa “esculpir”. Originalmente, o termo significava um objeto esculpido, mas acabou significando qualquer tipo de imagem, representação de qualquer objeto, no céu ou na terra. Ver Isa. 30.22; 40.19; 44.10; Jer. 10.4. Havia as imagens fundidas, feitas em moldes, feitas à mão, em lugar de serem esculpidas. O primeiro e o segundo mandamentos proibiam qualquer forma de representação idólatra, e a adoração a essas formas.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 388.
“Como o primeiro mandamento afirma a unidade de Deus e é um protesto contra o politeísmo, assim o segundo afirma sua espiritualidade e é um protesto contra a idolatria e o materialismo.”22 Embora certas formas de idolatria não sejam materiais — por exemplo, a avareza (Cl 3.5) ou a sensualidade (Fp 3.19) —, o segundo mandamento condena primariamente a fabricação de imagens (4) na função de objetos de adoração. Este tipo de idolatria sempre existiu entre os povos pagãos mais simplórios do mundo. A história de Israel comprova que esta tentação é traiçoeira.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 189.
Os profetas posteriores expõem o mal e a insensatez de adorar a ídolos de formas muitíssimo sarcásticas e até mesmo jocosas. Isaías perguntou: “Com quem vocês compararão Deus? Como poderão representá-lo?” (Is 40.18). A seguir, esse profeta menciona que as imagens são feitas pelo homem. Elas são feitas em moldes e vestidas com ornamentos de ouro e prata. Se a pessoa fosse muito pobre para fazer um ídolo tão elaborado, ela fazia um de madeira, usando um carpinteiro que modelaria o ídolo de forma a não cair (w. 19,20)! Isso traz à memória a imagem de Dagom, o deus dos filisteus, que caiu do pedestal na presença da arca da aliança e perdeu a cabeça e as mãos (ISm 5.1-5). Dessa forma, ele provou não ter conhecimento nem poder. Isaías, prosseguindo com a idéia da impotência dos ídolos, diz a respeito do artesão que estava temeroso por causa da humilhação do deus que fizera: “[Ele] fixa o ídolo com prego para que não tombe” (Is 41.7). A insensatez da idolatria reflete a insensatez dos que a praticam. Isaías comentou a respeito destes que “todos os que fazem imagens nada são, e as coisas que estimam são sem valor. As suas testemunhas nada vêem e nada sabem, para que sejam envergonhados. Quem é que modela um deus e funde uma imagem, que de nada lhe serve? Todos os seus companheiros serão envergonhados; pois os artesãos não passam de homens” (Is 44.9-11). A seguir, o profeta, com indisfarçável zombaria, refere-se ao processo de confecção do ídolo.15 Os vários artesãos habilidosos exauriam-se em seu trabalho para produzir um deus diante do qual eles pudessem se prostrar. Eles, ao longo do processo, tinham de preparar suas refeições sobre o fogo alimentado pela mesma madeira com a qual esculpiam as imagens, sem entender que o bloco diante do qual se curvavam era tão frágil e tão passível de ser queimado quanto os pedaços desse bloco de madeira usados como combustível para o fogo. O profeta resume o ridículo em uma nota mordaz: “Ele [o idólatra] se alimenta de cinzas, um coração iludido o desvia; ele é incapaz de salvar a si mesmo ou de dizer: ‘Esta coisa na minha mão direita não é uma mentira?’” (Is 44.20).
Jeremias acrescenta à descrição de Isaías da idolatria e, se nada mais, em termos ainda mais cáusticos. Ele, como Isaías, descreve o fiitil processo de manufatura de ídolo (Jr 10.3-9), mas, depois, apresenta a importante conclusão do ponto de vista teológico de que esses “deuses, que não fizeram nem os céus nem a terra, desaparecerão da terra e de debaixo dos céus” (Jr 10.11). Os produtores deles, continua ele, são “estúpidos e ignorantes; cada ourives é envergonhado pela imagem que esculpiu” (v. 14a). Quanto aos ídolos, eles “são uma fraude, el[es] não têm fôlego de vida. São inúteis, são objetos de zombaria.Quando vier o julgamento delas, perecerão” (w. 14b, 15). Em contrapartida, Jeremias declara: “Aquele que é a porção de Jacó nem se compara a essas imagens, pois ele é quem forma todas as coisas, e Israel é a tribo de sua propriedade” (v. 16). Esse é exatamente o ponto dos dois primeiros mandamentos. Não havia nenhum Deus além do Senhor de Israel, e os ídolos e as imagens que representavam outras deidades eram criações do homem e, portanto, não representavam nada. Para Israel, adorá- las representava cometer um sacrilégio abominável.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 327-328.
2. IDOLATRIA.
A revelação do Sinai aconteceu três meses após a saída dos israelitas do Egito. Aquela geração havia nascido e vivido na terra do Nilo até aquele momento. O Egito era um dos maiores centros de idolatria do mundo. Suas imagens de escultura e seus obeliscos impressionam o espírito humano até hoje. Esse país foi o berço da civilização de Israel, e os hebreus conviveram com a cultura dos egípcios durante muito tempo, razão pela qual deviam estar bem familiarizados com suas práticas religiosas.
O profeta Jeremias menciona os obeliscos e as casas dos deuses do Egito em Heliópolis muitos séculos após a promulgação da lei: "E quebrará as estátuas de Bete-Semes, que está na terra do Egito; e as casas dos deuses do Egito queimará" (Jr 43.13). O principal templo de Heliópolis era o de Rá, deus representado por um homem com cabeça de falcão, cuja supremacia no Egito durou mais de mil anos. Segundo os egípcios, Rá era o pai de uma família de nove deuses. Implícita estava a zoolatria - adoração aos animais pois os egípcios viam neles mais que símbolos ou emblemas; eles os consideravam receptáculos das formas do poder divino.
Bete-Semes aqui é Heliópolis, uma antiga cidade egípcia de Om, seu nome hebraico, e Heliópolis, seu nome grego (Gn 41.45, 50, LXX). Situa-se atualmente 16 km a noroeste do Cairo, onde se localiza o aeroporto internacional. O nome hebraico bêth shemesh significa "casa do sol", e a Septuaginta emprega hêliou póleõs, "cidade do sol" [50.13]. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduz como "Heliópolis". Jeremias emprega o termo hebraico matstsêbãh para designar "estátua", que significa "alguma coisa colocada verticalmente, coluna, pilar, estátua". O profeta se refere aos obeliscos, que são próprios do Egito (KOEHLER & BAUMGAR- TNER, vol. 1,2001, p. 621). Trata-se de um bloco de pedra postado para fins memoriais (2 Sm 18.18) ou religiosos (2 Rs 3.2; 10.26; 18.4; 23.14; Os 10.1; Mq 5.13 [12]). Os obeliscos egípcios eram ídolose também memoriais. Essa prática era proibida em Israel (Dt 16.22).
Hoje, apenas oito desses obeliscos continuam de pé no Egito: três no templo de Carnaque (originalmente, eram dez); um no templo de Luxor (mas havia dois, o outro está na praça da Concórdia); um no Aeroporto Internacional do Cairo, trazido de Ramessés, sua localidade original; um posto em um jardim ao lado da Torre do Cairo, trazido também de Ramessés; um na praça Matariya, no centro do Cairo, trazido das ruínas do templo do sol de Heliópolis; e o último, da 12 a dinastia, está em Fayum, local em que, segundo se diz, Jacó viveu com toda a família, durante a administração de José do Egito. Existem ainda mais de dez obeliscos egípcios espalhados por locais variados na Europa, Vaticano, Istambul, Londres, Paris e em Nova Iorque, nos Estados Unidos, resgatados desde os romanos a partir do ano 31 a.C.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 40-42.
I. Definição e Caracteristica Geral
1. Essa palavra vem do grego, eldolon. «idolo», e latreaeln, «adorar». Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar a veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc., que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos. Nesse sentido mais amplo, todos os homens, com bastante freqüência, se não mesmo continuamente, são idólatras. Naturalmente, essa condição surge em muitos graus; e um dos principais propósitos da fé religiosa e do desenvolvimento espiritual é livrar-nos totalmente de todas as formas de idolatria.
Paulo, em Colossenses 3:5, ensina-nos que a cobiça é uma forma de idolatria. Isso posto, qualquer desejo ardente, que faça sombra ao amor a Deus, envolve alguma idolatria.
2. A idolatria consiste na adoração a algum falso deus, ou a prestação de honras divinas ao mesmo. Esse deus falso pode ser representado por algum objeto ou imagem. Esse termo usualmente inclui a idéia da dendrolatria, da litolatria, da necrolatria, da pirolatria e da zoolatria... O estado mental dos idólatras é radicalmente incompativel com a fé monoteísta. A idolatria é má porque seus devotos, em vez de depositarem sua confiança em Deus, depositam-na em algum objeto, de onde não pode provir o bem desejado; e, em vez de se submeterem a Deus, em algum sentido submetem-se às perversões de valor representadas por aquela imagem».
3. Na idolatria há certos elementos da criação que usurpam a posição que cabe somente a Deus. Podemos fazer da autoglorificação um ídolo, como também das honrarias, do dinheiro, das altas posições sociais. Praticamente, tudo quanto se torne excessivamente importante em nossa vida pode tornar-se um ídolo para nós. A idolatria não requer a existência de qualquer objeto físico. Se alguém adora a um deus falso, sem transformar em deus a alguma imagem, ainda assim é culpado de idolatria, porquanto fez de um conceito uma falsa divindade.
4. Uma Rua de Mão Dupla de Trânsito. A antropologia tem mostrado amplamente que as religiões dos povos geralmente começam na idolatria, e então progridem para uma forma de fé mais pura, que finalmente, rejeita os tipos primitivos de conceitos que requeiram a presença de algum ídolo. Quando a fé de um povo vai-se tornando mais intelectual e espiritual, menor se vai tornando a necessidade de crassas representações materiais. Por outro lado, algumas vezes a idolatria resulta da degeneração de uma fé anteriormente superior. Vemos isso no Novo Testamento, em vários lugares, no tocante a Israel, a certas alturas de sua história. É admirável como a crueza domina essa questão. Em muitos lugares do mundo, da Índia à Sibéria, da Melanésia às Américas, simples toras de madeira têm sido erigidas em memória de pessoas amadas ou de heróis já falecidos; e, então, essa tora de madeira ou pedra torna-se um objeto de adoração, porquanto muitos supõem que o espírito da pessoa retoma para residir ali. Um culto religioso então desenvolve-se, quando tal imagem é alvo de preces e oferendas, a fim de aplacar aquele suposto espírito. Na Escandinávia e nos países germânicos, os arqueólogos têm encontrado pedras e toras de madeira escavadas, com propósitos religiosos.
A tendencia de atribuir uma residência material a alguma divindade, ou, geralmente, de prestar culto ao espírito, em termos tangíveis é algo tão comum que quase se torna um sinal universal da cultura humana. A idolatria está presente na grande maioria das religiões do mundo, incluindo o hinduísmo e o budismo. Aparentemente, não é proibida pelo zoroastrismo. Mas é proibida pelo islamismo. O relato bíblico do povo de Israel, que adorou o bezerro de ouro, ao pé do monte Sinai, é uma prova de idolatria no judaísmo primitivo. Os mandamentos contra a adoração a outros deuses e contra o fabrico de imagens são injunções especificas contra a idolatria» (AM). Esse autor, que acabamos de citar, deveria ter incluído o fato de que o cristianismo é uma das grandes religiões que, em alguns de seus segmentos, pratica a idolatria. Por que motivo urna imagem de uso cristão seria prova menor de idolatria do que uma imagem venerada no hinduísmo ou no budismo?
5. A Vasta Extensão da Idolatria. O panteão mesopotâmico compunha-se de mais de mil e quinhentos deuses. Os mais conhecidos dentre eles eram Samás, Marduque, Sin e Istar, a qual era a deusa do amor carnal. Nabu era o patrono da ciência e da erudição. Nergal era o deus da guerra e da caça. Quase todas as atividades e aspirações dos homens têm sido representadas por alguma prática idólatra.
6. Natureza Corrompida da Idolatria. Toda idolatria é corrupta. Paulo supunha que os idolos representam forças demoníacas. Ver I Cor. 10:20. A religião dos cananeus era repleta de corrupções morais, que ameaçavam continuamente a Israel. Havia todos os tipos de abusos sexuais, corno a prostituição sagrada, associados aos cultos de fertilidade, nos quais Baal e Astarte eram adorados, sem falarmos em cultos onde havia orgias de bebidas alcoólicas. Também havia o sacrifício de infantes na fogueira. A radicalidade dessa forma de idolatria foi a razão por detrás do mandamento da eliminação de toda forma de idolatria, com a destruição das imagens, colunas e estátuas, e com a destruição dos lugares altos, onde esses ritos eram efetuados. (Ver Deu. 7:1-5; 12:2,3).
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 206-207
Definição
Esta é uma transliteração da palavra gr. eidololatria, cujo significado entendemos ser "a adoração a ídolos; a adoração a imagens como divinas e sagradas". Veja Imagens de Escultura. Esse vocábulo gr. é uma composição de dois termos: O primeiro é eido (cf. o latim video), significando "ver" e "saber"; assim ele traz em si o conceito básico de "saber por ver". Com base nesse termo foi formada a palavra eidolon, "imagem", que veio a significar especificamente uma imagem de um deus como um objeto de adoração, ou um símbolo material do sobrenatural como tal objeto. O segundo termo é latreia, significando "culto" ou, mais especificamente, "culto ou adoração aos deuses". Idolatria, então, é prestar honras divinas a qualquer produto de fabricação humana, ou atribuir poderes divinos a operações puramente naturais.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 944.
3. SEMELHANÇA OU FIGURA.
Os egípcios adoravam toda espécie de objetos, como aves, répteis e figuras celestes imaginárias. E não hesitavam em representar tais supostas divindades por meio de imagens. Esse tipo de atividade foi proibida aos filhos de Israel. A tripla designação, “em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra”, para os antigos, apontavam para a criação inteira.
A Idolatria de Todos Nós. Para todos nós há certas coisas às quais damos grande alenção, ao ponto de transformá-las em ídolos. Existem ídolos da mente, e não apenas de madeira, de pedra ou de metal. ídolos comuns incluem possessões, dinheiro, sexo, fama, posição social e poder.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.
Esta condenação de jmagens claramente inclui imagens do Deus verdadeiro, pois é bem certo que algum tipo de imagem estivera em uso entre os ancestrais de Israel (até mesmo a tradição judaica ortodoxa admite que Tera, pai de Abraão, era um fabricante de imagens). Os ídolos domésticos (terafim) de Labão poderiam, é verdade, ter mais valor legal do que significado religioso, mas os que Jacó escondeu debaixo do carvalho no “ santuário” em Siquém eram com toda certeza objetos religiosos (Gn 35:2-4). Isto aconteceu antes da doação da lei: mesmo depois disso, imagens não eram algo estranho em Israel (ver Jz 8:27, Gideão; Jz 17:4, Mica; 1 Sm 19:13, Davi).* Todavia, a existência de imagens mais tarde em Israel não prova a inexistência de leis contra seu uso.
A arqueologia mostra claramente que a horda que destruiu a maior parte da cultura cananita no século treze A.C. era basicamente “ anicônica” , isto é, não usava imagens em seu culto. Freqüentemente se argumenta que os cherubim acima da arca eram tais imagens, mas eles eram muito mais símbolos dos seres angélicos que servem a Deus do que objetos de culto; eram como os guardiães do templo nos portões de um santuário assírio. Eram o trono para a presença invisível de Deus que sobre eles pairava. Contudo, se a fabricação dos querubins fora permitida, então a proibição de imagens se refere apenas à fabricação direta de objetos de culto, não à representação de um objeto ou ser vivo qualquer, conforme se entendeu mais tarde. O judaísmo mais estrito e o islamismo se limitaram exclusivamente a desenhos e padrões abstratos em todas as formas de arte. Além disso, pelo uso de parataxe (a colocação de duas idéias lado a lado, ao invés do uso de uma ligação lógica entre as duas, como em sintaxe) em hebraico, este mandamento deve ser intimamente relacionado ao que o precede imediatamente, de modo que a tradução do sentido da passagem seria “ Não terás outros deuses na minha presença; jamais farás tais imagens” (isto é, de tais deuses). Além dos querubins, a lei ordena o bordado de lírios, romãs e outros objetos naturais nas cortinas do tabernáculo, de modo que não pode ter havido uma proibição completa da representação de objetos naturais em dias primitivos.
Este fato levanta a questão de por que tais imagens-representações do Deus verdadeiro (mesmo em forma humana) eram proibidas. A provável razão talvez seja o fato de que nenhuma semelhança seria adequada, e que cada tipo de imagem provocaria um novo tipo de falsa compreensão de Deus. Por exemplo, touro era um símbolo de força, mas também de virilidade e poder sexual: tal associação seria blasfema para o israelita. As nações que retratavam seus deuses em forma humana atribuíam com excessiva rapidez suas próprias fraquezas humanas aos protótipos divinos. Para o israelita, o homem fora criado à imagem de Deus, à Sua semelhança (Gn 1:26), mas isso não significava enfaticamente que Deus fosse igual ao homem (Is 55:9). A localização e materialização de Deus também era outro perigo inerente à idolatria. Mesmo Israel, em dias futuros, viria a crer que a presença de Deus estava localizada e contida na arca ou no templo; quanto mais o teriam feito se tivesse existido uma imagem? Finalmente, teria havido o perigo das tentativas semi-mágicas de aplacar ou controlar Deus através da posse de uma certa localização de Sua presença, como podemos ver em relação à arca em 1 Samuel 4:3.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 149-150.
II. AMEAÇAS E PROMESSAS
1. O DEUS ZELOSO.
"Porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos" (Êx 20.5b-6; Dt 5.9b-10). O adjetivo hebraico qannã’,41 "zeloso", aparece apenas cinco vezes no Antigo Testamento (Êx 20.5; 34.14; Dt 4.24; 5.9; 6.15), associado ao nome divino e/,42 "Deus". As formulações nas cinco passagens diferem em detalhes. Nos dois textos do Decálogo e em Êxodo 34.14, as palavras ’êl qannã ’ são atributos de Javé. A menção dos deuses não acontece em Deuteronômio 4.24; 6.15.
O zelo de Javé consiste no fato de ser ele o único para Israel e não compartilhar o amor e a adoração com nenhuma divindade das nações. Esse direito de exclusividade era algo inusitado na época e único na história das religiões, pois os cultos pagãos antigos eram tolerantes em relação a outros deuses. O termo "zeloso" contém noções de paixão e intolerância; exprime a disposição de Javé abençoar Israel e fazê-lo prosperar, não aceitando um coração dividido. Essa linguagem é representada no relacionamento entre marido e esposa no casamento, na fidelidade (Ct 8.6) e na infidelidade (Os 1.2).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 46.
A adoração às imagens de escultura é proibida no segundo mandamento. Adoração somente ao zeloso Yahweh (Êxo. 34.14; Deu. 5.9; 6.15; 32.16,21; Jos. 24.19). O povo de Deus pertence exclusivamente a Ele, e só deviam prestar-Lhe lealdade, não imitando os povos circunvizinhos, que contavam com extensos panteões. A idolatria e o uso de imagens eram considerados uma tão grave iniqüidade que foram ameaçados poderosos juízos de Deus contra os idólatras, envolvendo até a quarta geração dos mesmos. Os descendentes dos idólatras não podiam escapar ao desprazer de Yahweh, para quem mil anos é como se fosse um dia (II Ped. 3.8; Sal. 90.4). Podemos ter certeza de que os juízos de Deus são justos, e envolvem os filhos dos idólatras porque geralmente participam dos pecados de seus pais. Mas em casos de inocência, esses juízos eram suspensos. Todavia, persistiam circunstâncias adversas, criadas anteriormente. Ademais, existe aquela genética espiritual que transmite atitudes e costumes de pais para filhos, etc., provocando assim a ira divina.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.
As razões para impor esta proibição (w. 5,6), são:
O zelo de Deus, no que diz respeito à sua adoração: “Eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso” - especialmente em questões desta natureza. Isto indica o cuidado que Deus tem com as suas próprias instituições, o seu ódio à idolatria e a toda falsa adoração, o seu desprazer com os idólatras e o fato de que Ele se ressente com tudo, na sua adoração, que se pareça com idolatria, ou que conduza a ela, O zelo é perspicaz. Sendo a idolatria um adultério espiritual, como é freqüentemente retratada nas Escrituras, o desprazer de Deus com ela é, adequadamente, chamado de zelo. Se Deus é zeloso, nós também devemos ser, temerosos de oferecer qualquer adoração a Deus de maneira diferente daquela que Ele indicou na sua Palavra.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 293.
O decálogo afirma em termos claros por que Israel deve rejeitar a idolatria. O Senhor é um “Deus zeloso” (Êx 20.5). Claro que isso não tem nada que ver com a inveja trivial que os seres humanos vivenciam em relação a outros homens que os excedem de uma maneira ou outra. Antes, o termo hebraico (qannã ') transmite a idéia, quando descreve os “sentimentos” ou “emoção” do Senhor, de que ele insiste em estabelecer e em manter sua singularidade em face de todas as outras declarações conflitantes.16 Para o Senhor, ser zeloso no sentido estrito do termo seria uma tácita admissão de que existiam outros deuses, algo, conforme observamos, já totalmente refutado. Mas se existissem outros deuses, mesmo que na percepção dos que os adoravam, uma falsa suposição dessas, por si mesma, seria um desafio à soberania e à existência exclusiva do Senhor. Por essa razão, não deviam ser feitas imagens, pois elas simbolizavam uma declaração conflitante com a revelação do Senhor para seu povo Israel de que ele, e só ele, era o Deus deles.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 328.
2. AS AMEAÇAS.
As ameaças sobre as gerações daqueles que aborrecem Javé são para os descendentes que continuam envolvidos no pecado dos pais, as sucessivas gerações que aprenderam os pecados dos seus ancestrais e vivem ainda neles. Este princípio aparece outras vezes no Antigo Testamento além das duas passagens do Decálogo (ÊX34.7; Nm 14.18; Jr 32.18). Deus não permite que filhos inocentes sejam responsabilizados pela maldade dos pais (Dt 24.16; 2 Rs 14.6; Ez 18.2, 3, 20). O verbo "visitar",pãqad,4i em hebraico, indica uma visita, no sentido de cuidar e também de castigar. O profeta Jeremias emprega esse verbo em ambos os sentidos (Jr 23.2).
A expressão "terceira e quarta geração" indica qualquer número ou plenitude e não se refere necessariamente à numeração matemática, pois se trata de máxima comum na literatura semítica (Am 1.3, 6, 11, 13; 2.1, 4, 6; Pv 30.15., 18, 21, 29). O objetivo aqui é contrastar o castigo para a "terceira e quarta geração" com o propósito de Deus de abençoar a milhares de gerações. Outras máximas aparecem no Antigo Testamento com números diferentes: "dois e três” (Jó 33.29); "seis e sete" (Jó 5.19; Pv 6.16); "sete e oito" (Ec 11.2; Mq 6.5), para expressar que a medida da iniqüidade está cheia e não há como suspender a ira divina ou a plenitude de algo positivo.
Os expositores da doutrina conhecida como maldição hereditária costumam usar de maneira isolada uma parte deste mandamento, "visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem", para fundamentar a sua teoria. Afirmam que, se alguém tem problemas com adultério, pornografia, divórcio, alcoolismo ou tendências suicidas é porque alguém de sua família, no passado, não importa se avós, bisavós ou tataravós, teve esse problema. Nesse caso, a pessoa afetada pela maldição hereditária deve, em primeiro lugar, descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao diabo. Uma vez descoberta tal geração, pede-se perdão por ela, e, dessa forma, a maldição de família é desfeita. Uma espécie de perdão por procuração, muito parecido com o batismo pelos mortos, praticado pelos mórmons.
Tal pensamento não se sustenta biblicamente; é um erro crasso. A maldição está sobre quem continuar no pecado dos pais, sobre "aqueles que me aborrecem", pontua com clareza o mandamento. Não é o que acontece com o cristão que ama a Deus. Se fomos alvejados pela graça de Deus ainda no tempo da nossa ignorância, quanto mais agora que somos reconciliados com ele? (Rm 5.8-10). Quando alguém se converte a Cristo, torna-se nova criatura: "as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17).
Para finalizar, convém ressaltar que, no discurso de Moisés em Deuteronômio, na revelação do Sinai nenhuma imagem, figura, forma ou representação foi vista pelos israelitas; eles ouviram a voz da Javé vindo do meio do fogo, mas nenhuma representação de figura foi manifestada, unicamente a Palavra (Dt 4.16,23,25). Os ídolos de madeira e de pedra dos cananeus são divindades falsas cuja adoração é terminantemente proibida (Êx 34.13; Dt 12.3; 16.21-22); Javé, entretanto, é real, mesmo que invisível (Cl 1.15; 1 Tm 1.17). "Deus é espírito" (Jo 4.24). Cultuá-lo com a mediação de imagens é colocá-lo no mesmo nível das falsas divindades, uma afronta ao verdadeiro Deus.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 46-48.
Deus apresentou os motivos para esta proibição. Ele é Deus zeloso, no sentido de que não permite que o respeito e a reverência devidos a Ele sejam dados a outrem. Deus não regateia o sucesso ou a felicidade para as pessoas, como faziam os deuses gregos. E para o bem dos filhos de Deus que eles devem consagrar e reverenciar o nome divino. Deus pune a desobediência (5) e recompensa a obediência (6). Muitos questionam o julgamento nos filhos de pais ofensores, mas tais julgamentos são temporários (ver Ez 18.14-17) e aplicam-se às conseqüências, como, por exemplo, doenças, que naturalmente seguem as más ações. O medo de prejudicar os filhos deveria exercer coibição salutar na conduta dos pais. As perdas que os filhos sofrem por causa da desobediência parental podem levar os pais ao arrependimento. Na pior das hipóteses, a pena vai até à terceira e quarta geração, ao passo que a misericórdia é mostrada a mil gerações quando há amor e obediência.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 189.
A punição dos idólatras. Deus considera que eles o odeiam, embora, talvez, finjam amá-lo. Ele visitará a sua maldade, isto é, Ele irá puni-la, muito severamente, não somente como uma infração à sua lei, mas como uma afronta à sua majestade, uma violação do concerto, e um golpe na raiz de toda a religião. Ele visitará a maldade dos filhos, isto é, sendo este um pecado pelo qual as igrejas serão contaminadas, e uma carta de divórcio lhes será entregue, os filhos serão expulsos do concerto e da comunhão, juntamente com seus pais, assim como os filhos foram aceitos com os pais, no início. Outra possibilidade é que Ele irá trazer tal punição sobre o povo, que será a ruína total das famílias. Se os idólatras viverem até a velhice, para ver os filhos da sua terceira ou quarta geração, será um tormento para os seus olhos e o sofrimento para seus corações, vê-los cair pela espada, levados cativos, e escravizados. Não é injusto que Deus (se os pais morreram na iniqüidade, e os filhos seguirem os seus passos e conservarem a falsa adoração, porque assim a receberam, por tradição, de seus pais), quando a medida estiver cheia, venha, pelos seus julgamentos, acertar as contas com eles, trazendo à prestação de con- tras as idolatrias de que os pais eram culpados. Embora o Senhor tolere por muito tempo um povo idólatra, Ele não o tolerará sempre, mas no máximo na quarta geração começará a visitá-lo. Os filhos são queridos aos seus pais. Portanto, para afastar o homem da idolatria e mostrar o quanto Deus está descontente com ela, não somente um rótulo de infâmia é, desta maneira, atribuído às famílias, mas também os julgamentos de Deus podem, por ela, sei' executados sobre os pobres filhos quando seus pais estiverem mortos.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 293.
3. AS PROMESSAS.
Êxo 20.6 Faço misericórdia. Misericórdia para com os obedientes. Ezequiel 18.20 mostra o princípio da justiça. Os justos recebem misericórdia e bênção da parte de Deus. Mas a misericórdia estende-se a mil gerações, o que mostra que a misericórdia é um princípio muito mais poderoso do que o da aplicação da justiça. Seja como for, não há qualquer contradição, visto que a ira de Deus é uma medida de disciplina que promove a causa do amor. Julgamento Temporal. No Pentateuco não há qualquer ensino sobre um juízo divino pós-túmulo, um inferno para os ímpios e um céu para os piedosos. A noção da existência da alma não entrou claramente no pensamento dos hebreus senão já nos Salmos e nos Profetas. Assim sendo, a lei de Moisés nunca ameaça os homens com o julgamento da alma, e nem jamais promete a bem-aventurança celestial para os obe- dientes. A teologia dos hebreus mostrava-se deficiente quanto a esse particular, deficiência essa que foi corrigida pela doutrina cristã.
Para os antigos hebreus, observar os mandamentos era uma medida doadora de vida. Ver Deu. 5.33. Mas não é prometida qualquer vida além-túmulo. Contudo, mais tarde, o judaísmo acrescentou essa idéia. O cristianismo mostrou a falência total da lei como medida salvatícia. Ver Gál. 3.21. É precisamente aí que temos a grande e fundamental diferença entre o judaísmo e o cristianismo. Qual era o intuito da lei, afinal?
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.
Êxo 20.6 — A misericórdia do Senhor (hb. hesed, amor leal) se estenderia a um número muito maior de gerações das pessoas íntegras. O contraste dos termos terceira e quarta (v. 5) com milhares demonstra que a misericórdia de Deus é maior do que Sua ira. Os efeitos da idoneidade se prolongariam mais do que as consequências da perversidade. O par de palavras amam e obedecem é também encontrado nos ensinamentos de Jesus (Jo 14.15).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 165.
Êxo 20.6. E faço misericórdia. No hebraico, fyesed, uma palavra característica da aliança (cuja tradução mais exata seria, “ amor leal” ). Pelos padrões semitas de linguagem, a ênfase da frase está na segunda parte. É verdade que Deus punirá os que não se conformam à Sua vontade, mas o aspecto negativo é apenas a moldura para o aspecto positivo. Mais uma vez, o teste do amor é “ guardar os meus mandamentos” , demonstrando ainda mais claramente a Israel que amor/ódio é mais atitude e atividade do que simples emoção. A palavra milhares é usada vagamente, como “ miríades” em português, para indicar a extensão ilimitada da misericórdia demonstrada por Deus.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 150-151.
III. O CULTO VERDADEIRO
1. ADORAÇÃO.
Estas imagens pagãs eram feitas na forma de coisas vistas no céu, na terra e nas águas. Estas imagens não deveriam se tornar objetos de adoração: Não te encurvarás a elas (5). Os versículos 4 e 5 devem ser considerados juntos. Não há condenação para a confecção de imagens, contanto que não se tornem objetos de veneração. No Tabernáculo 25.31-34) e no primeiro Templo (1 Rs 6.18,29) havia obras esculpidas. A idolatria consiste em transformar uma imagem em objeto de adoração e atribuir a ela poderes do deus que representa. Se considerarmos que gravuras ou imagens de pessoas possuam poderes divinos e que sejam adorados, então elas se tornam ídolos.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 189.
Eles não devem se curvar às imagens ocasionalmente, isto é, mostrar qualquer sinal de respeito ou honra por elas, muito menos servi-las constantemente, com sacrifícios ou incenso ou qualquer outro ato de adoração religiosa. Quando prestarem sua devoção ao Deus verdadeiro, não devem ter, diante de si, nenhuma imagem, para orientar, estimular ou auxiliar na sua devoção. Embora a adoração tenha como desígnio final a Deus, ela não o agradará se vier até Ele por meio de uma imagem. Os melhores e mais antigos legisladores, entre os pagãos, proibiam a colocação de imagens nos seus templos. Este costume foi proibido em Roma por Numa, um príncipe pagão. Mas foi ordenado, em Roma, pelo papa, um bispo cristão, mas, neste aspecto, anti-cristão. O uso de imagens na igreja de Roma, hoje em dia, é tão claramente contrário ao que está escrito neste mandamento, e tão impossível de ser reconciliado com este texto, que em todos os seus catecismos e livros devocionais, que são colocados nas mãos do povo, eles omitem este mandamento, unindo a sua razão ao primeiro. E assim, ao terceiro mandamento, eles chamam segundo, ao quarto, o terceiro, e assim por diante. E, para completar o número dez, eles dividem o décimo em dois. Assim eles cometeram dois grandes erros, nos quais persistem, e dos quais detestam ser corrigidos. Eles tiram algo da Palavra de Deus, e acrescentam algo à sua adoração.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 293.
2. DEUS É ESPÍRITO.
É certo que este mandamento proíbe a confecção de qualquer imagem de Deus (pois a quem o faríamos semelhante?, Isaías 40.18,15), ou a imagem de qualquer criatura para uso religioso. Isto é mudar a verdade de Deus em mentira (Rm 1.25), pois uma imagem é um professor de mentiras. A imagem insinua, para nós, que Deus tem um corpo, ao passo que Ele é um espírito infinito, Habacuque 2.18. Ele também nos proíbe de criar imagens de Deus, segundo nossas próprias fantasias, como se Ele fosse um homem como nós. A nossa adoração religiosa deve ser governada pelo poder da fé, não pelo poder da imaginação. Eles não devem confeccionar tais imagens ou pinturas como as que os pagãos adoravam, para que não sejam também tentados a adorá-las. Aqueles que desejam ser guardados do pecado devem evitar as oportunidades para ele.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 292-293.
O SENHOR É ESPÍRITO (20.4-6). Cf. Jo 4.24. Ele não pode ser adorado sob a forma de qualquer representação material, quer fosse produto da arte plástica, quer da pictórica. Tais coisas não apenas desviam a mente do conhecimento da espiritualidade pura de Deus, mas inevitavelmente são transformadas em objetos de veneração, e também provocam o aparecimento de muitas práticas sensuais. O mandamento do versículo 4 não proíbe qualquer escultura ou pintura. Conf. a serpente de metal, em Nm 21.8.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Êxodo. pag. 47.
Jo 4.24 «...Deus é espírito...». Aqui temos um dos grandes pronunciamentos joaninos acerca da natureza de Deus e que nesta passagem deve ser aceito como algo substancial e descritivo. Deus não tem corpo; a sua substância não faz parte da natureza física. Não sabemos o que é um espírito, exceto como um conceito negativo, a saber, que espírito não é matéria, ou, pelo menos, que não pode ser definido por qualquer declaração que defina a matéria. Porém, nosso atual estado de  conhecimento não nos autoriza a saber e dizer o que seja um espirito; e, para dizer a verdade, nem sabemos o que é a matéria. Falamos a respeito dos átomos, mas na realidade não sabemos o que são, nem qual seja a sua verdadeira e completa composição, e nem mesmo podemos asseverar que o átomo é a unidade básica de que se compõe a natureza. Pois é bem possível que exista algo ainda mais básico, que até hoje não foi descoberto.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 328.
Jo 4.24 Jesus reitera o princípio: Espírito é Deus, e os que (o) adoram têm de adorá-lo em espírito e em verdade. A necessidade incondicional de adorar em espírito e verdade está alicerçada sobre o fato de que o próprio Deus é Espírito. Em vista da distorção profundamente enraizada em nosso pensamento, temos de nos deixar prevenir a respeito de um equívoco perigoso. A afirmação de que Deus é Espírito não significa uma idéia de Deus intelectualizada, filosófica, como Schiller expressa em suas Palavras da Fé: Muito acima do tempo e do espaço paira vivamente o pensamento mais sublime. Espírito, pneuma é o ser invisível de Deus, sua força e divindade eternas (Rm 1.20) em contraposição à carne decadente da criatura (cf. acima, p. 108). Até as maiores realizações intelectuais do ser humano são e permanecem sendo carne‖ e não conduzem o ser humano a Deus (1Co 1.21). Quem pretende adorar em verdade‖, quem realmente deseja estar em contato com esse Deus vivo, poderá fazê-lo somente quando essa vida do próprio Deus preenche seu coração. Orar de forma aceitável, de acordo com a vontade de Deus (1Jo 5.14) pressupõe que a vontade de Deus e a maneira de Deus esteja em nossos corações por meio do Espírito. Faz parte da verdadeira adoração a Deus o amor que anseia de coração: Pai, o teu nome … o teu reino … a tua vontade…! Um amor desses, porém, é fruto do Espírito.
Werner de Boor. Comentário Esperança Evangelho de João. Editora Evangélica Esperança.
3. DEUS É IMANENTE E TRANSCENDENTE.
IMANANCIA (IMANENTE)
Essa palavra vem do latim, Immanere, «habitar». E usada em relação a ações e principios relativos a Deus (sendo o contrário de transcendência), e também relativos a outras entidades espirituais de grande poder.
Deus. Em relação aos conceitos do Ser Supremo ou Força Cósmica Universal, o termo imanente fala sobre uma identificação parcial ou completa de Deus com o mundo. Se a identificação for absoluta, então teremos o panteísmo (vide) ou o panenteismo (vide).
O teismo admite a imanência de Deus, mas não identifica o mundo com Deus. Em outras palavras, a essência de Deus é distinta da essência do mundo. A teologia biblica admite tanto a imanência quanto a transcendência de Deus, porquanto ambas as coisas são ensinadas na Biblia. O gnosticismo (vide) procurava solucionar o aparente conflito envolvido na questão supondo que o próprio Deus é transcendente, mas através de muitos supostos mediadores, seria imanente por delegação. A filosofia indiana e o misticismo, em geral, afirmam a imanência como um aspecto importante de seus sistemas de pensamento. O deísmo (vide) ensina a transcendência. Os teólogos cristãos, por sua vez, explicam que Deus é imanente em suas obras, mas é transcendental quanto à sua essência, a qual, para nós, permanece desconhecida.
O trecho de Sal. 139 ensina a imanência de Deus. O teismo biblico requer essa imanência como um conceito fundamental. Passagens como Rom, 11:33 ss e I Tím. 6:16, por outro lado, ensinam a transcendência de Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 249-250.
I. O Termo e Suas Definições.
Essa palavra vem do latim, transcendere, "cruzar uma fronteira". Seus elementos formativos são trans, "cruzar", e scandare, "subir". Esse termo tem muitas aplicações na filosofia e na teologia, conforme é ilustrado no resto deste artigo. Uma das idéias básicas é que a deidade que o indivíduo busca está muito acima do inquiridor. A superioridade e independência do Ser divino é contrastada com a humilde posição do inquiridor, confinado a esta esfera terrestre. A transcendência absoluta põe Deus fora do mundo, e se Ele mantém qualquer interesse pelo mesmo, sem dúvida terá de agir através de uma longa linha de mediadores ou intermediários. Diversas teologias procuram resolver esse problema propondo os pólos da transcendência e da imanência, como qualidades divinas, cujo Ser é assim descrito como Alguém que existe, ao mesmo tempo, "além" do mundo e "no" mundo. A crença na transcendência usualmente envolve a aceitação de uma dimensão transcendental do Ser, bem como de seres, Deus e outros seres imateriais que habitam em uma esfera totalmente diferente daquela onde vivem os homens.
Usualmente é preciso a revelação para que o Ser transcendental possa ser conhecido, visto que não estamos muito bem equipados para irmos além do "próprio eu", exceto no caso dos místicos, que desenvolvem as técnicas apropriadas e os estados de espírito conducentes a isso. A transcendência também aplica-se ao conhecimento, bem como aos meios que estão para além da experiência, mas que podem ser parcialmente conhecidos nos postulados da razão, da intuição e das experiências místicas.
Deus é transcendental. a. Na natureza, sendo totalmente outro, por ser "espírito", em contraste com a matéria, e por ser a forma mais elevada de ser espiritual, bem como a fonte de todos outros tipos de ser. b. Fora do espaço, habitando Deus em uma dimensão imaterial e não-espacial, Deustem uma espécie de existência totalmente transcendental. c. Quanto à santidade, bem como quanto a seus outros atributos, que são inteiramente diferentes do homem e suas manifestações. d.Quanto ao intelecto, visto que os pensamentos de Deus não são os nossos. Antes de tudo, Deus manifestou-se através do Lagos (vide), o qual, por sua vez, revelou a Deus, tendo então efetuado uma missão tridimensional em favor do homem: na Terra, no Hades e no Céu. O gnosticismo super-enfatizava a transcendência de Deus, criando a necessidade de uma interminável série de mediadores. A encarnação (vide) do Logos trouxe Deus até o homem e elevou o homem até Deus. Destarte a própria natureza divina é compartilhada por seus filhos, os quais adquirem a imagem do Filho. O deísmo (vide) é uma outra teologia que enfatiza demasiadamente a transcendência de Deus. e. Quanto aos atributos, Deus também é transcendental, pois apesar dos remidos poderem participar de alguns dos atributos divinos, as qualidades de Deus estão acima e além dos seres humanos.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 474-475.
IV. AS IMAGENS E O CATOLICISMO ROMANO
1. O QUE DIZEM OS TEÓLOGOS CATÓLICOS ROMANOS?
No tabernáculo havia a representação de querubins. Mas a figura jamais foi adorada ou venerada pelos filhos de Israel. Se o tivesse sido, sem dúvida teria sido destruída. Ver Êxo. 25.18,19. Yahweh, por sua vez, jamais foi representado entre os israelitas por meio de qualquer imagem de escultura. Tal representação teria sido um sacrilégio de primeira grandeza. E nem outros deuses foram jamais representados por meio de imagens pelos israelitas, a não ser pelos idólatras entre eles. Mas tais imagens detratavam do caráter úríco de Yahweh.
Alguns eruditos supõem que itens como os querubins (Êxo. 25.18,19), a arca (Núm. 10.35,36), os terafins (Juí. 18.14); a estola sacerdotal (Juí. 8.26,27) e a serpente de metal (Núm. 21.8,9) na verdade constituíam ídolos e imagens em Israel, pois Israel estava mais próxima dos pagãos que a maioria dos estudiosos gostam de admitir. Mas outros negam que os israelitas adorassem a esses objetos. Serviam apenas a propósitos ilustrativos no culto, não se tomando nunca objetos de adoração. O argumento do primeiro grupo de eruditos tem por objetivo dar apoio à idéia de que o segundo mandamento era de origem posterior, e que acabou acrescentado à lista dos mandamentos. Por outro lado, se os objetos acima mencionados não eram obje- tos de adoração, então tal argumento rui por terra.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.
O Catolicismo exige que todos os Católicos "venerem" estátuas ou imagens de Cristo, Maria e outros:
"As santas imagens, presentes em nossas Igrejas e em nossas casas, destinam-se a despertar e a alimentar a nossa fé no mistério de Cristo. Através do ícone de Cristo e das suas obras salvíficas, é a ele que adoramos. Através das santas imagens da santa mãe de Deus, dos anjos e dos santos, veneramos as pessoas nelas representadas." P. 335, #1192 Sem levar em conta o que as estátuas representam, uma coisa é certa - elas transgridem as instruções de Deus. Quando Deus deu os Dez Mandamentos, o segundo foi:
"Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra." Êxodo 20:4
Deus também ordenou: "Nem levantarás coluna, a qual o Senhor teu Deus odeia." Deuteronômio 16:22
A Bíblia conclui que aqueles que fazem ou possuem estátuas estão corrompidos:
"Guardai, pois, cuidadosamente a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o Senhor, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou de mulher."
Deuteronômio 4:15-16
Deus declara novamente sua posição: "Guardai-vos, não vos esqueçais da aliança do Senhor, vosso Deus, feita convosco, e vos façais alguma imagem esculpida, semelhança de alguma cousa que o Senhor, vosso Deus, vos proibiu." Deuteronômio 4:23
A Palavra de Deus também proíbe expressamente as pessoas de se curvar diante das imagens, o que é costume na Igreja Católica. Sempre que você vir o Papa ajoelhando-se em frente a Maria, você deveria pensar sobre estes versos da Escritura Sagrada:
"Não as adorarás nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso…" Êxodo 20:5
No Novo Testamento o apóstolo Paulo explica porque Deus é tão categórico contra os ídolos:
"Que digo, pois? que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes digo que as cousas que eles sacrificam é a demônios que as sacrificam, e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios." 1 Coríntios 10:19-20
Atrás de cada ídolo há um demônio literal, e Deus não deseja associação alguma com demônios. Não é de admirar que Deus proíba o uso de ídolos:
"Não vos virareis para os ídolos, nem vos fareis deuses de fundição. Eu sou o Senhor, vosso Deus." Levítico 19:4
Deus odeia a idolatria:
"Mas agora vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem ainda comais." 1 Coríntios 5:11
"Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus." Efésios 5:5
Aqui Deus declara que os idólatras não entrarão no céu. Os próximos versos alertam:
"Ninguém vos engane com palavras vãs, porque por estas cousas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência." Efésios 5:6
Será que a Igreja Católica está enganando você com palavras vãs? Decida por você mesmo.
Origem desta doutrina O Catolicismo reconhece que esta doutrina não veio de Deus:
"Na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos padres, e da tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra maneira apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos..." P. 327, #1161
Esta doutrina veio dos "santos padres" e da "tradição da Igreja Católica". Espera-se que você creia que estes santos padres foram "divinamente inspirados" para violar a Palavra de Deus? Você pode aceitar isto?
O salmista nos ensina ainda mais sobre este assunto:
"Os ídolos das nações são prata e ouro, obras das mãos dos homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem, pois não há alento de vida em sua boca. Como eles, se tornam os que os fazem, e todos os que neles confiam." Salmo 135:15-18
Em outras palavras, como um ídolo é surdo e mudo, também todos os que fabricam ídolos e neles confiam são débeis mentais.
Esta é uma admoestação poderosa de um Deus amoroso e compassivo. Conclusão
A Igreja Católica determina que os ídolos "despertam e alimentam" sua fé no "mistério de Cristo". Mas a Palavra de Deus proíbe o seu uso. A quem você vai obedecer? "Não fareis para vós outros ídolos, nem vos levantareis imagem de escultura, nem poreis pedra com figuras na vossa terra, para vos inclinardes a ela; porque eu sou o Senhor, vosso Deus." Levítico 26:1 "Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens." Marcos 7:8
Rick Jones. Por amor aos Católicos Romanos. pag. 79-81.
2. UMA INTERPRETAÇÃO FORÇADA.
EXODO 25.18 — O uso de querubins sobre a arca justifica a visão católica de que as imagens podem ser veneradas?
A MÁ INTERPRETAÇÃO: De acordo com esse versículo, Moisés recebeu de Deus a seguinte ordem: “Farás dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório”. E óbvio que se trata de uma imagem sagrada. Os estudiosos católicos argumentam que esse verso justifica a veneração deles por imagens sagradas.
CORRIGINDO A MÁ INTERPRETAÇÃO: Esse ver so não justifica a veneração por imagens sagradas. Por um detalhe, o contexto deixa claro que a imagem dos querubins não deve ser venerada ou adorada de maneira alguma. Na verdade, a posição dos querubins no lugar mais santo, onde apenas o sumo sacerdote poderia emtrar, uma vez por ano no Dia da Expiação (Lv 16), tornou-os inacessíveis e, portanto, impossíveis de serem adorados ou venerados pelo povo.
Note também que esses querubins não foram dados a Israel como imagens de Deus; eles são representações de anjos. Não foram dados com o propósito de adoração ou veneração; foram dados por motivos de decoração — como arte religiosa. Os católicos romanos estão lendo algo nesse versículo que na verdade não está lá.
Norman L. Geisler; Ron Rohdes. Resposta as Seitas. Edtora CPAD. pag. 57-58.
II Reis 18.4 Removeu os altos. Destmição e Refomna Religiosa. Nenhum ídolo escapou à ira destruidora de Ezequias. Os lugares altos foram destniidos e queimados, e os ídolos foram destruídos. Além disso, havia um ídolo especial, a serpente de metal, que Moisés havia feito, por ordem do Senhor, para cura do povo (ver Números 21.5-9), e que foi quebrado e anulado. O povo vinha usando aquele objeto em sua idolatria, chegando a queimar incenso defronte dele.
Neustã. Esse vocábulo, no hebraico, é parecido (quanto ao som) com as palavras hebraicas que significam “bronze" e “imundo". O rei estava ansioso por remover todos os vestígios da idolatria, e qualquer coisa que pudesse provocar práticas idólatras, pelo que despedaçou a serpente de metal.
As tradições judaicas dizem que Ezequias despedaçou a serpente de metal, moeu-a até virar pó e então espalhou as partículas ao vento (Talmude Bab. Avodah, Zarah, foi 44.1).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1538.
NEUSTÃ Transliteração do termo hebraico que significa «de bronze», referindo-se à Serpente de Metal (vide) feita por Moisés. Ver 11 Reis 18:4. Essa serpente de metal foi despedaçada por Ezequías, rei de Judâ, porque estava servindo de objeto idólatra para muitos judeus embora não tivesse sido essa a finalidade pela qual fora feita (ver Núm. 21:9).
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 4. Editora Hagnos. pag. 491.
Em suas reformas religiosas, removeu os altos (18:4), quebrou as colunas sagradas e deitou abaixo o poste-ídolo. Despedaçou até a serpente de bronze que Moisés havia feito no tempo do êxodo (Nm 21:8-9). A serpente de bronze era uma lembrança da salvação de Deus, mas, como as serpentes também simbolizavam forças místicas em várias culturas, acabou se tomando um objeto de adoração. Ezequias destruiu sem dó nem piedade essa imagem que o povo chamava de Neustã, um termo que significa “mero pedaço de bronze”. A remoção de tantos lugares de culto pode ter ajudado o povo de Judá a depositar sua fé exclusivamente no Deus de Israel.
Os atos de Ezequias nos lembram que, apesar de ser bom ter um templo apresentável com objetos que nos lembram a bondade de Deus, devemos evitar tudo o que possa distrair e impedir as pessoas de manter os olhos fixos somente em Deus. Hoje em dia, as distrações podem assumir a forma tanto de objetos quanto de indivíduos, como o fundador da igreja, o líder carismático de uma congregação ou qualquer outra pessoa de influência. A fim de haver adoração verdadeira, só Deus deve permanecer no centro.
Tokunboh Adeyemo. COMENTARIO BÍBLICO AFRICANO. Editora Mundo Cristão. pag. 460-461.
3.O USO DE FIGURAS COMO SÍMBOLO DE ADORAÇÃO.
O PERIGO DAS RELÍQUIAS
Jesus disse que Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.24). Isto significa que adoramos e servimos a um Deus que não podemos ver, mas podemos crer com nosso coração. Portanto, algumas pessoas consideram Deus como uma abstração; outras tentam torná-lo mais real e presente por meio de artefatos que associam a Ele.
Por mais compreensível que a adoração de relíquias possa ser, ela é uma prática perigosa, pois pode facilmente tentar as pessoas a adorar o objeto em si, em vez de o Deus para quem o objeto deve apontar. Em sua essência, a relíquia se torna alvo de idolatria.
Isso aconteceu com inúmeros itens que os israelitas adoravam, incluindo a serpente de metal que Moisés fez durante a peregrinação do êxodo (2 Rs 18.4; Nm 21.8,9). Originalmente, a serpente no poste serviu como um meio de prover cura às pessoas mordidas por cobra; ela as fazia buscar o Senhor para serem curadas. Porém, após o estabelecimento do povo na terra Prometida, os israelitas transformaram a serpente num ídolo, como se ela por si própria pudesse curar alguém. Eles lhe queimaram incenso e chegaram a batizá-la como Neustã.
Da mesma forma, os israelitas transformaram vestes cerimoniais, ou um éfode, que Gideão obteve dos despojos de sua vitória sobre os midianitas, num ídolo (Jz 8.25-27). Tempos depois, tentaram usar a arca da aliança como um amuleto contra os filisteus, com resultados desastrosos. E, na época de Jeremias, os cidadãos de Jerusalém se importavam mais com seu templo do que com o Senhor de seu templo (Jr 7.12-15).
Estes exemplos mostram o perigo em valorizar objetos e lugares que já tiveram relação com a obra de Deus. Como seres humanos, vivemos num mundo natural, mas adoramos um Deus sobrenatural. Portanto, precisamos tratar santuários e relíquias apenas como meios para esse fim, nunca como um fim em si mesmos.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 621.
Sl 115.4-8. Ele prossegue em tom de ataque. Os deuses que as nações adoram, deuses visíveis, não passam de ídolos feitos de prata e ouro (115:4). São apenas objetos, incapazes de falar, ver, ouvir, cheirar ou agir (115:5-7; cf. Is 44:9-20; Hc 2:18-20). Que tolice adorar a obra das mãos de homensl Há quem argumente que as pessoas não adoram os ídolos em si, mas os deuses que eles representam. Pode até ser o caso, mas a lei asseverava que os israelitas não deviam confeccionar nenhum tipo de imagem para representar Javé (Êx 20:4-6). Nosso Deus não pode ser representado por uma imagem ou estatueta. A única representação de Deus que temos é Jesus, descrito como “expressão exata do seu Ser” (Hb 1:3). Ele nos mostrou como é Deus de fato (Jo 1:14-18).
As pessoas se tomam semelhantes àquilo que adoram ou servem, daí o salmista dizer com referência aos ídolos: Tomem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam (115:8). A mesma verdade se aplica àqueles que adoram a Deus: devemos tornar-nos cada vez mais semelhantes ao Senhor que servimos.
Tokunboh Adeyemo. COMENTARIO BÍBLICO AFRICANO. Editora Mundo Cristão. pag. 741.
A Nulidade da Idolatria (115.4-8)
Essas palavras penetrantes que se referem à idolatria de foram satírica são repetidas em Salmos 135.15-18. Os ídolos deles são prata e ouro (4). Barnes observa: “A zombaria pretendida com essas palavras é apresentada nos termos que vêm a seguir: obra das mãos de homens. Um ídolo de pedra pode ser meteórico e não formado por mãos humanas; pode ser considerado como caído do céu (At 19.35); um ídolo de madeira pode ser um poste não muito bem esculpido, que pessimamente pode ser distinguido do objeto natural, mas quando eram usados prata e ouro, a mão do artífice se tornava visível na figura do deus representado (Jr 10,8,9)”.24 Quando moldados na forma de um homem ou animal, os ídolos têm boca, olhos, ouvidos, nariz, mãos, pés, garganta — e, no entanto, são mudos, cegos, surdos, incapazes de cheirar e de apalpar, imóveis, sem pronunciar nenhum tipo de som (5-7). Alguns comentaristas acreditam que houve uma interpolação da primeira ou da última caracterização, visto que ambas descrevem o aspecto da fala. Mas essa repetição é mais bem-vista como parte da ênfase do poeta: do começo ao fim, esses são ídolos mudos que não têm palavra alguma para anunciar aos homens. O contraste com o Deus vivo e que fala é absoluto.
Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem (8). A coisa impressionante é que aqueles que os fazem e aqueles que adoram esse tipo de deuses se tornam como os próprios ídolos. Os pagãos fazem seus deuses à sua própria imagem, e então se tornam como eles! Esse é o efeito sobre nós em relação a quem adoramos. Nossos ídolos hoje podem ser dinheiro, poder, prazer ou qualquer outra coisa para a qual inclinamos o nosso coração. Mas se adoramos qualquer outra coisa que não seja Deus, tornamo-nos interesseiros e duros ou levianos e superficiais.
W. T. Purkiser, M. A,. Comentário Bíblico Beacon Salmos. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 288.
4. MARIOLATRIA.
Temos aí uma das principais linhas divisórias entre catôlicos e protestantes (e evangélicos). Para começar, o prôprio termo, «mariolatria», não é aceito pelos catôlicos romanos, que afirmam não adorarem a Maria.
1. Definição.
O termo mariolatria significa «adoração a Maria», devendo ser distinguido do vocábulo mariologia, isto é, a teologia acerca de Maria. O termo grego latreia, «adoração», encontra-se no âmago da primeira dessas palavras, indicando uma honraria que o homem deve exclusivamente a Deus.
2. Definição feita pelos Católicos Romanos.
O idioma latino tem vârias palavras que são empregadas para indicar a idéia de adoração, segundo as explicações dos mestres cat6licos romanos:
a. Latria. Essa palavra aponta para a adoração devida unicamente a Deus. O termo grego correspondente é latreia, «adoração», «serviço prestado a».
b. Hiperdulia, O tipo de veneração que pode (e deve) ser prestada a Maria, em face de sua alta posição como mãe de Jesus «mãe de Deus»), um vaso especial, usado com o propósito divino de tomar realidade a encarnação do Lagos. De acordo com a teologia católica romana, Maria deve ser considerada o mais sagrado e impar dos seres humanos mortais, ocupando ela uma categoria toda própria. Ali, ela é considerada dotada de poderes como medianeira dos pecadores, diante de seu Filho, sempre simpática ante os sofrimentos de seus filhos. Isso explica a ansiedade dos católicos romanos, de se aproximarem de Deus por meio de Maria. Jesus seria augusto, inabordâvel; mas Maria mostra-se justa e simpâtica para conosco, sempre disposta a ajudar ao homem. Em vista dessa sua posição e missão, de acordo com a mesma teologia católica romana, Maria merece a veneração que lhe prestam.
c. Dulia. Essa é a veneração que cabe aos santos que ocupam uma posição inferior à de Maria, dentro da hierarquia dos poderes espirituais.
3. Mantedo as Dlfereças.
Os estudiosos protestantes e evangélicos quedam-se boquiabertos diante da ginástica da teologia católica romana, a fim de defender a mariolatria. Em certo sentido, protestantes e evangélicos reconhecem niveis diferentes de respeito pelos poderes celestiais. Mas, se reconhecem que aqueles que viveram vidas dignas e santas, tomando-se exemplos para os cristãos das gerações posteriores, são dignos de nosso reconhecimento e emulação, nunca pensam em venerá-los ou adorá-los. Quando um crente fala em adorar limita esse ato exclusivamente ao Senhor Deus-Pai,'Filho e Espírito Santo. Distinguir entre respeitar e adorar é fácil para o cristão biblico, mas dividir a adoração em três niveis: a peus, a Maria e aos santos e anjos, é esperar demais da capacidade humana. outrossim, os protestantes e evangélicos também objetam à elaborada teologia que circunda Maria com excrescências extrabiblicas. Ora, é essa exaltada, mas distorcida teologia, que arma o palco para a hiperdulia, a veneração a Maria.
Os católicos romanos, de sua parte, pensam que aquela trlplice distinção pode ser feita na prática, e não apenas em teoria. Para eles, a hiperdulia é uma espécie de honraria extrema. No entanto, desde a Igreja antiga (embora não desde a Igreja primitiva, refletida no Novo Testamento), encontramos a veneração a Maria. Assim, nos dois escritos apócrifos, Protenvangelium Jacobi (século 11 D.C.) e Transitus Mariae (século IV D.C), essa veneração aparece de forma evidente. Esses antigos documentos obviamente ultrapassam a tudo quanto os livros canônicos do Novo Testamento afirmam e ensinam a respeito de Maria. Isso porém, não constitui problema para os católicos romanos, porquanto eles acreditam em uma revelação progressiva, onde a teologia foi recebendo novos elementos, pois crêem que os papas e os concilios podem fazer adições àquilo que é ensinado na Biblia. Para eles, o Novo Testamento representa apenas um estágio inicial da teologia cristã, que os séculos se encarregaram de ir modificando, ao ponto das contradições com os ensinos bíblicos pouco ou nada significarem. Isso posto, ninguém sabe onde chegará a teologia católica romana, se o Cristo ainda demorar-se muito quanto à sua parousia ou segunda vinda.
4. O Desenvolvimento da Mariolatria.
O Novo Testamento não oferece qualquer base ou razzo para os homens prestarem hiperdulia a Maria. É sintomâtico o quão pouco as Escrituras dizem acerca de Maria, considerando-se que ela foi a mãe de Jesus. O que é indiscutivel é que ela não figura na do Novo Testamento. Isso posto com base exclusiva nas Escrituras Sagradas, merente reconhecemos Maria como mulher de grande piedade, mas não podemos prestar-lhe qualquer forma de dulia ou «adoração» ou «serviço» - seja hiperdulia, seja veneração. Na verdade, a veneração a Maria, pela Igreja Catolica Romana, equipara-se à adoração prestada por quase todos os povos pagãos a algumadivindade feminina, do que a história antiga tão claramente testifica. Algumas dessas divindadesfemininas entravam em conflito com suas contrapartes masculinas. Na teologia católica romana popular, Mana é considerada praticamente divina (se não totalmente). Assim, ela se tornou uma quarta figura componente, embora toda a cnstandade sempre tenha aceito somente uma triunidade. Além disso, algumas daquelas divindades femininas dos pagãos eram esposas dos grandes deuses. Propagando-se o cristiasmo, foi-se ausentando esse aspecto feminino da divindade, e, por isso, foi apenas natural que as pessoas se apegassem a Maria como uma possivel candidata a preencher o hiato. Alguns teólogos falam sobre o Espirito Santo como se fosse um principio feminino, como se, na trindade, houvesse os principios do Pai da Mãe e do Filho-uma idéia totalmente estranha a Sagradas Escrituras. Seja como for, o culto a Maria foi crescendo até que, por ocasião do concilio de Êfeso, ela foi oficialmente intitulada de Mãe de Deus. Todavia, esse titulo merece explicação. Originalmente, o titulo era uma declaração indireta da divindade de Jesus: Maria era mãe de Jesus; Jesus era Deus logo, Maria era mãe de Deus. No entanto, nunca se pensara que Maria havia gerado Deus, como sua mãe o que seria realmente ridiculo. Com a passagem do tempo, entretanto, a ênfase foi passando da palavra «Deus» para a palavra «mãe», exaltando assim a pessoa de Maria, e ela passou a fazer parte virtual da esfera da trindade, formando uma quaternidade conforme já dissemos. Essa noção é bastante popula no catolicismo romano de nossos dias, ainda que difira da teologia católica romana mais sofisticada. O fato é que a noção de "mãe de Deus» envolve ensinos que se chocam frontalmente com os ensinamentos bíblicos, Por exemplo, Deus é um Ser eterno sem principio e sem fim-como teria ele mãe? Além disso um ser mortal (como Maria) não poderia ter gerado um ser imortal (como é o caso de Deus). Também poderíamos indagar: Se Deus teve mãe, porventura também não teria pai? E, em seguida, avôs e avós? O fato é que a Bíblia jamais atribui a Maria o titulo de «mãe de Deus». Essa noção é extrabiblica, inspirada por noções pagãs.
5. Segulram-se Outro Dogmas Relativos a Maria.
O primeiro corolário da doutrina de Maria como «Mãe de Deus» foi o dogma da Imaculada Conceição de 1854, que decretou que Maria é uma pessoa distinta da raça adâmica, porquanto teria sido concebida sem a mácula do pecado original, do qual toda a raça humana participa. Em seguida, veio o dogma da Assunção da Bendita Virgem Maria segundo o qual se afirma que Maria ascendeu ao céu à semelhança do que Jesus fizera. E assim ela conseguiu escapar à morte física. Essa foi a doutrina oficializada pela Igreja Católica Romana em 1950. A idéia de Maria como mediadora entre Deus e os homens já vem de mais longa data, embora tambémnunca figure nas Sagradas Escrituras. Estas são taxativas a respeito: "Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, «homem» (I Tim. 2:5). Esse único Mediador échamado, nas Escrituras, de «nosso Senhor». Mas a cristandade inventou uma «nossa Senhora».
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 4. Editora Hagnos. pag. 136-137.
TRADIÇÕES ECLESIÁTICAS
1. Adoração a Maria. Não há nenhum traço, no NT, de veneração prestada a Maria. Jesus advertiu expressamente contra tal coisa (Lc
11.27,28). Pelo contrário, o quadro de Maria, dado no NT, é de uma mulher humilde de um vilarejo, a qual tipifica tudo o que há de mais nobre e fino nas mulheres judias. Sua pureza, simplicidade, profunda sensibilidade espiritual e completa obediência a Deus se destacam; o cuidado com que treinou o filho em seus primeiros anos de vida, sua total confiança nele, demonstrada no incidente em Caná, sua profunda lealdade, como mostrado em sua presença no Calvário, apesar de parecer que houve momentos em que ela não o compreendia plenamente, tudo a preparou para a posição que assumiu entre os primeiros discípulos, reconhecendo Jesus como Senhor e Cristo (At 2.36). Não há nenhuma evidência de orações feitas, ou adoração oferecida a Maria durante os primeiros quatro séculos. O culto posterior de adoração a Maria se desenvolveu sobre o tênue fundamento de três passagens em Lucas — a saudação de Gabriel, “Alegra-te, muito favorecida!” (Lc 1.28); a saudação de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre!” (v.42) e as palavras gratas de Maria no Magiiificat: “contemplou na humildade da sua serva. Pois desde agora todas as gerações me considerarão bem-aventurada” (v.48). Essas passagens enfatizam o privilégio elevado e único, concedido a esta jovem especialmente escolhida, mas de forma alguma sugerem que adoração devia ser-lhe oferecida, a qual pertence somente a Deus. Acerca dos breves detalhes bíblicos de sua vida, tem sido tecida uma intrincada rede de lendas, na maior parte fictícias e duvidosas e sobre isso foi construída uma complexa estrutura de dogmas que se desenvolveram e cresceram através dos séculos. Há quatro doutrinas principais baseadas nesses dogmas.
2. Mãe de Deus. Nos 4- e 52 sécs. surgiram controvérsias em tomo da propriedade de se aplicar o temro Gêotókoç, “geradora de Deus” ou “mãe de Deus”, para Maria. O título tencionava confirmar a plena divindade de Cristo. Nestorios propôs o termo menos explícito %pujtotókoç, mas ele, juntamente com seus outros ensinos, foi condenado no Concílio de Éfeso, em 431 d.C., onde foi afirmado que em Cristo não havia duas pessoas, mas apenas uma; “o perfeito Deus existente, feito ao mesmo tempo homem perfeito, feito carne da Virgem”. A expressão, então, não significa mãe da natureza divina. Neste entendimento, as confissões luterana e reformada, da época da Reforma, permitiram o termo, mas ele nunca foi popular entre os Protestantes. No pensamento da comunidade católica romana, é nesta condição de mãe de Deus que Maria é chamada de mediadora, e não, para tomar o lugar de Cristo, como único mediador entre Deus e o homem (lTm 2.5), mas para intermediar entre Cristo e a humanidade, como fez em Caná (Jo 2.3).
3. Virgindade perpétua. A frase “nascido da Virgem Maria”, usada no Credo Apostólico, é mantida para implicar não somente que Maria era virgem quando concebeu, mas também “no nascimento e depois do nascimento”. O apócrifo Proto-evangelho de Tiago afirma que Jesus nasceu miraculosamente, deixando a virgindade de Maria intacta. Sustenta-se que as palavras de Maria a Gabriel, “não tenho relação com homem algum” (Lc 1.34) indicam que ela estava sob voto de perpétua virgindade, sendo assim difícil explicar por que antes tinha ficado noiva de José. Quanto aos irmãos e irmãs do Senhor, são considerados como filhos de José, de um casamento anterior (a visão dos evangelhos apócrifos, geralmente chamada de visão Epifaniana, devido à argumentação de Epi- fânio em 382 d.C.), ou primos, filhos de Cléopas e da irmã da virgem, que também se chamava Maria (conceito Hieronimiano, segundo Jerônimo, por volta de 383 d.C.).
Esta doutrina não tem apoio explícito no NT e a aplicação de textos do AT, tais como Cantares 4.12 e Ezequiel 44.2 a Maria, é injustificável. Embora o emprego das palavras “antes” (Mt 1.18), “enquanto” (v.25) e “primogênito” (Lc 2.7) possa não ser, em si, absolutamente convincente, concorda com as freqüentes referências no NT aos irmãos de Jesus, indicando que depois de um nascimento perfeitamente normal (Lc 2.5), Maria viveu com José como marido e esposa, e experimentou a bênção de ter uma grande família (conceito Helvidiano, segundo Helvidius, 380 d.C.). Não fosse pela pressão de um ascetismo, que naqueles primeiros séculos considerava o celibato como um estado eticamente superior do que o casamento, e toda relação sexual como parte inerente da carne pecaminosa, certamente
nenhuma outra interpretação jamais teria sido cogitada. Veja Nascimento virginal.
4. Imaculada Concepção. Agostinho foi o primeiro teólogo notável a declarar que Maria era isenta do pecado atual (Natureza e graça, cap. 36). Teólogos posteriores discutiram se ela era isenta não somente do pecado atual, mas também do pecado original, como Eva em sua inocência. Tomás de Aquino ensinava que, embora Maria tivesse contraído o pecado original, mediante o poder miraculoso de Deus, a “inflamação do pecado tomou-se inofensiva” e depois completamente removido, por ocasião da concepção de Cristo. Duns Scotus opunha-se a esta visão, e ensinava que ela foi preservada imaculada de toda mancha do pecado original, no instante da sua concepção. Esta idéia foi promulgada como dogma Católico Romano, pelo Papa Pio IX, em 1854.
5. Assunção física. As mais antigas versões dessa lenda são do 4- séc. e mostram detalhes extremamente variados; o aspecto comum é que Maria foi miraculosamente transportada por Jesus, de corpo e alma, ao céu. A lenda não tem evidência histórica, não tem base bíblica e contraria todos os escritos remanescentes dos três primeiros séculos. No entanto, a “Festa da Assunção” há muito tempo é observada em 15 de agosto, no calendário cristão e a “Assunção da bendita Virgem” foi proclamada como parte do dogma Católico Romano oficial, pelo Papa Pio XII, em 1950.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 131-132.
ORIGEM DA ADORAÇÃO A MARIA
A falsa adoração a uma deusa-mãe, rainha dos céus, senhora, madona etc. teve início na antiga Babilônia e se espalhou pelas nações até chegar a Roma. Os gregos adoravam Afrodite; em Éfeso, a deusa era Diana; Isis era o nome da deusa no Egito. Muitos desse tipo de adoradores "aderiram" ao catolicismo em Roma para ficarem mais próximos do poder, haja vista que o Império Romano no século III adotou o cristianismo como religião oficial. Então, esses "cristãos" nominais levaram suas práticas idólatras e pagãs para a Igreja de Roma. Em vez de coibir o abuso e conduzir os fiéis pelos caminhos da fé exclusiva em Deus, os líderes do catolicismo romanos contemporizaram a situação: aos poucos as imagens pagãs foram substituídas por imagens cristãs; os deuses pagãos, substituídos pelos deuses cristãos (os santos bíblicos) e, na esteira desse sincretismo religioso, a santa Maria surgiu como "Mãe de Deus", "Senhora", "Sempre Virgem", "Concebida sem Pecado", "Assunta aos céus", "Mediadora e Advogada", Co-Redentora.
A seguir, algumas inovações dogmatizadas pela Igreja Católica Romana, aprovadas em concílios a partir do terceiro século depois de Cristo:
Ano 270 - Origem da vida monástica no Egito, por Santo Antonio.
Ano 320 - Uso de velas.
Ano 370 - Culto dos santos, professado por Basílio de Cesaréia e Gregório Nazianzo.
Ano 400 - Iniciadas as orações pelos mortos e sinal da cruz.
Ano 431 - Maria é proclamada “Mãe de Deus”.
Ano 500 - Origem do Purgatório,por Gregório,o Grande.
Ano 609 - Culto da Virgem Maria, por Bonifácio IV. Invocação da Virgem Maria, dos santos e dos anjos, estabelecida por lei na Igreja pelo Concílio de Constantinopla.
Ano 670 - Celebração da missa em latim, língua desconhecida do povo, pelo Papa Gregório I.
Ano 758 - Confissão auricular, e absolvição, estabelecida como doutrina pelo IV Concílio de Latrão, em Roma.
Ano 787 - Culto das imagens ordenado pela Igreja no II Concílio de Nicéia.
Ano 880 - Canonização dos santos, por Adriano II.
Ano 965 - O Batismo de Sinos.
Ano 998 - Dia de Finados, Quaresma,jejum às sextas-feiras e na Páscoa.
Ano 1000 - Sacrifício da missa.
Ano 1074 - Instituição do celibato do Clero, por Gregório VII.
Ano 1095 - Venda de indulgências plenárias,por Urbano II.
Ano 1125 - As primeiras idéias sobre a Imaculada Conceição de Maria, combatidas por São Bernardo.
Ano 1164 - Os Sete sacramentos, por Pedro Lombardo, no Concílio de Trento.
Ano 1184 - A diabólica INQUISIÇÃO, chamada santa, pelo Concílio de Verona.
Ano 1200 - O rosário, por São Domingos.
Ano 1215 - Transubstanciação, pelo Concílio de Latrão.
Ano 1220 - A Hóstia e respectiva adoração, por Inocêncio III.
Ano 1229 - Proibição da leitura das Bíblia aos leigos, pelo Concílio deTolosa.
Ano 1264 - Festa do Sagrado Coração, papa Urbano IV.
Ano 1311 - Procissão do SS. Sacramento, papa João XXII.
Ano 1317 - Oração da Ave-Maria, papa João XXII.
Ano 1414 - Proibição de vinho aos fiéis, na Santa Comunhão, pelo Concílio de Basiléia, determinando o uso do CÁLICE somente pelos sacerdotes.
Ano 1546 - Aceitação dos livros apócrifos, pelo Concílio de Trento.
Ano 1563 - Igualdade entre a Tradição e a Palavra de Deus, Concílio de Trento.
Ano 1854 - A Imaculada Conceição da Virgem, papa Pio IX.
Ano 1870 - A infalibilidade do papa, Concílio do Vaticano.
Ano 1950 - Assunção de Maria transformado em artigo de fé.
Além desses atos, as rezas da Ave-Maria chamam-na de "Sempre Virgem", "Rainha", "Advogada", ''Mãe de Deus", Concebida Sem Pecado. Então, iremos examinar um por um esses títulos à luz da verdade contida na Palavra de Deus, lembrando que a Bíblia é a única regra de fé e prática do cristão.
ASSUNÇÃO DE MARIA
O que diz a Tradição:
"Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo. A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos" (C.I.C. p. 273, # 966).
Contestação - “Assunção de Maria” significa que Maria subiu ao céu em corpo e alma, levada por seu Filho. Tal ensino não encontra amparo nas Sagradas Escrituras. É claro que a santa Maria está no céu, lugar para onde vão todos os que morrem em Cristo. Diz o ex-padre José Barbosa de Sena Neto, em suas "confissões": "A coisa mais espantosa dessa doutrina é que não tem nenhuma prova bíblica". E o ex-padre conclui: "O Papa Pio XII (que promulgou essa doutrina) disse que "qualquer um que doravante duvide ou negue esta doutrina apostatou totalmente da divina fé católica; isto - continua o ex-padre - significa que é pecado mortal para qualquer católico romano recusar-se a crer nessa fantasiosa doutrina!" A Tradição diz que Maria foi assunta ao céu de corpo e alma, e o Senhor a elegeu Rainha do Universo. É o caso de se perguntar: Quem viu? Quem escreveu? Onde está escrito?
Que Maria está na glória não há dúvida, mas não que tenha ressuscitado. São incontáveis os santos que se encontram no Paraíso, aguardando a plenitude dos tempos para ressuscitarem num corpo espiritual (1 Tessalonicenses 4.16-17).
CONCEBIDA SEM PECADO
O que diz a Tradição: "Desde o primeiro instante de sua concepção, foi totalmente preservada da mancha do pecado original e permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida" (C.I.C. p. 143, # 508). "Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida" (C.I.C. p. 139, # 493).
Contestação - As expressões "concebida sem pecado" e "imaculada" são comuns nas rezas e escritos romanos. O dogma da Imaculada Conceição de Maria foi definido no ano de 1854.
A única forma de Maria ter sido gerada sem pecado seria mediante a intervenção direta do Espírito Santo no ventre de sua mãe, tal como aconteceu com Jesus. E essa exceção teria registro prioritário na Bíblia. Contrariando a Tradição, a Palavra de Deus declara de modo enfático, sem rodeios: "POIS TODOS PECARAM E DESTITUÍDOS ESTÃO DA GLÓRIA DE DEUS, E SÃO JUSTIFICADOS GRATUITAMENTE PELA SUA GRAÇA, PELA REDENÇÃO QUE HÁ EM CRISTO JESUS" (Romanos 3.23). Como resultado da desobediência de Adão e Eva, TODOS somos pecadores; todos herdamos a natureza pecaminosa do primeiro casal; todos fomos atingidos pelo "pecado original". A Bíblia fala em TODOS. Todos, sem exceção. Dos santos do Antigo Testamento (Noé, Abraão, Moisés, Josué, Davi, Elias, Isaías, dentre outros) aos do Novo Testamento (Mateus, João, João Batista, Paulo, Pedro, José, Maria e outros), todos pecaram e necessitaram da graça de Deus para serem justificados. No Salmo 51.5, Davi reconhece a sua propensão natural para o pecado: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”. Maria venceu essa natureza pecaminosa porque confiava e cria em Deus, seu Salvador (Lucas 1.46-47).
E ainda: "PELO QUE, COMO POR UM HOMEM ENTROU O PECADO O MUNDO, E PELO PECADO A MORTE, ASSIM TAMBÉM A MORTE PASSOU A TODOS OS HOMENS, PORQUE TODOS PECARAM" (Rm 5.12). Ora, "semente gera semente da mesma espécie". Uma semente de manga vai gerar manga. Assim acontece com a laranja, com o abacate e com as demais frutas. Assim aconteceu com os homens. Somos da semente de Adão. Jesus foi o único que não herdou a maldição do pecado porque Ele foi gerado pelo Espírito Santo.
"Todos estão debaixo do pecado. Não há um justo. Nem um sequer" (Rm 3.9c, 10). Em lugar nenhum da Bíblia está escrito que a santa Maria foi uma exceção. Maria está incluída no "TODOS PECARAM". A própria Maria, mãe de Jesus, reconheceu ser pecadora, quando disse: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador" (Lc 1.46-47). Ora, uma pessoa sem mácula, sem mancha, sem pecado não precisa de Salvador. Ela declarou que sua alma necessitava ser salva. Ela clamou pela graça salvadora de Deus, pois "pela graça somos salvos, mediante a nossa fé" (Efésios 2.8). De Jesus, porém, a Bíblia diz que "Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano" (1 Pedro 2.22). Jesus era humano, contudo sem pecado (2 Co 5.21; Hb 4.15; 1 Pe 3.18; 1 Jo 3.3). A Bíblia não faz semelhante afirmação com respeito a Maria, porquanto ela está inclusa no "Todos pecaram". Assim diz a Palavra de Deus.
Em oposição a essa verdade, dizem os romanistas que para gerar um ser puro - Jesus – Maria teria que ser de igual modo pura, porque um ser impuro não poderia acolher um ser puro. Ora, se admitido como verdadeiro e correto tal raciocínio, teríamos de admitir que a mãe de Maria deveria ser também pura para carregar no seu ventre uma pessoa  imaculada. A avó de Maria, por sua vez, teria que ser pura. E, nesse passo, chegaríamos ao primeiro casal Adão e Eva. E estaríamos dizendo que a Palavra de Deus é mentirosa, quando afirma: Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3.23; 5.12).
Vejamos mais alguns versículos que confirmam a extensão do pecado de Adão e Eva a todos:
"Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Coríntios 5.21). "Não há justo, nem sequer um" (Romanos 3.10). "Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado." (Gálatas 3.22). "Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque" (Eclesiastes 7.20).
Airton Evangelista da Costa. A Verdade Sobre Maria. Editora A. D. SANTOS. pag. 8-9;11-13
ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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