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5° LIÇÃO 1° TRIMESTRE 2015 NÃO TOMARÁS O NOME DO SENHOR EM VÃO

NÃO TOMARÁS O NOME DO SENHOR EM VÃO
Será que este mandamento se refere a apenas dominarmos a nossa língua para não misturarmos o nome de Deus em expressões banais, tais como: "Meu Deus do Céu", "Deus é brasileiro", "Ai meu Deus" ou "Por Deus"? Ou ainda "Se Deus quiser", "Que Deus te ajude e a mim não desampare"? Será mesmo que o terceiro mandamento se refere exclusivamente a esses ditados populares que sequer existiam na época em que ele foi proferido por Deus?
Quando estudamos a natureza da religião egípcia dirigida por Faraó, percebemos que o rei fazia tudo em nome do seu deus. Muitos eram os deuses do Egito: deuses Rá, Osíris, Amon, Serápis e muitos outros. Faraó se declarava o dono da terra, das suas colheitas e, em nome do seu deus, ele se via o dono do povo egipciano.
As guerras e os roubos das nações eram feitos em nome desses deuses. O culto aos deuses egípcios encobria às maldades, perversidades, riquezas palacianas, mentiras e a escravidão da realeza. Tudo era legitimado pelo culto prestado a tais divindades. Uma prática normal que, mais tarde, influenciou as nações da região de Canaã. O problema de legitimar todas as práticas de Faraó em nome de um deus é que o rei não estava interessado em saber qual era a real vontade desta suposta divindade, mas apenas usar o seu nome para legitimar todo o seu projeto de poder real. Com o Deus de Israel, o seu nome não poderia ser tomado em vão.
O povo de Israel não poderia usar o nome de Deus para reproduzir o mesmo modelo enganador de Faraó. O Criador não estava interessado que o Seu nome fosse usado para legitimar interesses de autoridades reais, mas que, de fato, colocassem em prática a sua suprema vontade. Ele não estava disposto a servir aos interesses do povo, mas o povo deveria viver os Seus interesses.
Deus revelou o Seu nome a Moisés: "EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós [...] o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó me enviou até vós. Este é o meu nome eternamente" (Êx 3.14,15). Ele é o EMANUEL, o Deus conosco. Mais tarde os líderes usaram o nome de Deus em vão, sistematicamente, colocando sobre o povo uma carga que nem eles aguentavam (Mt 23.4). Proposições que em nada tinham haver com a vontade de Deus, a sua justiça, misericórdia e amor (Mt 23.23-24). Eles banalizaram o nome de Deus! Mas Jesus é o santo nome, o Deus Conosco, a plena revelação da divindade. O nome que revela amor, justiça e misericórdia.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
As informações sobre cada um dos dez mandamentos do Decálogo são fornecidas ao longo do Pentateuco e em muitos casos em toda a Bíblia, e aqui não é diferente. O texto não expressa de maneira explícita, mas deixa claro que diz respeito a tudo o que se refere ao nome de Deus. Há expositor que exagera ao dizer que não é possível saber o que este mandamento quer dizer com as palavras: "Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão" (Êx 20.7; Dt 5.11). O contexto bíblico esclarece o que Deus está nos ensinando e mostra a abrangência do referido mandamento. Fala sobre o uso de modo trivial do nome divino, proibindo o perjúrio e toda a forma de profanação e blasfêmia do nome de Javé.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 49.
Gestos e Atos Acompanhantes (dos Juramentos)
As palavras, por mais solenes que sejam, não eram consideradas suficientes, por aqueles que faziam juramentos. Certo ritual desenvolveu-se em tomo dos juramentos, conforme se vê nos cinco pontos abaixo:
1. A mio era estendida (Eze. 17:18).
2. A mão era erguida para o céu, como que apelando para Deus como testemunha (Deu. 32:40).
Nesse caso, quem jurava erguia sua mão direita (Dan, 12:7; Apo. 10:5,6). O próprio Deus aparece fazendo esse gesto Usa. 62:8), o que é um puro antropomorfismo.
3. Aquele que recebia o juramento punha a mão sob os órgãos genitais de quem jurava. Como eufemismo, é usada a palavra «coxa» (Gên. 24:2; 47:29). Alguns intérpretes pensam que isso já representa um exagero!
4. Aquele que proferia o juramento podia reforçá-lo dando um presente àquele a quem era feita a promessa (Gen. 21:25-32).
5. Sacrificios de animais podiam ser oferecidos, para solenizar ainda mais os juramentos (Gên. 15:9,10).
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag.674.
I. O NOME DIVINO.
1. O NOME.
Uma lista dos vários nomes de Deus a partir das Escrituras.
Deus (el, elah,elohim, eloah)
Jeová (Yahweh)
Deus (tsur — ‘rocha’) (Is 44.8)
Deus (theos) (NT)
Senhor (kurios) (NT) (acionai) (AT) Divindade (theotes) (Cl 2.9)
(theios) (At 17.29)
(theiotes) (Rm 1.20)
Altíssimo (elion) (SI 18.13, etc.)
(Impsistos) (Mt 21.9, etc.)
Santo (de Israel) (qadosh) (SI 71.22, etc.) Poderoso {el) (SI 50.1)
(gibbor) (Dt 10.17, etc.)
Deus dos deuses (Dt 10.17)
Senhor dos senhores (Dt 10.17)
Doador de luz (Maor) (Gn 1.16)
Pai (ab) (AT: SI 89.26, etc.)
(pater) (NT: Jo 5.17, etc.)
Juiz (shafat) (Gn 18.25, etc.)
Redentor (gaal) (Jó 19.25)
Salvador (yasha) (AT: Is 43.3)
(soler) (NT: Lc 1.47)
Libertador (palat) (SI 18.2, etc.)
Escudo (magen) (SI 3.3, etc.)
(também Broquel, SI 18.30)
Força (eyaluth) (SI 22.19)
Todo-poderoso (shaddai) (Gn 17.1, etc.) Deus que vê (el roi) (Gn 16.13)
Justo (tsaddiq) (SI 7.9, etc.)
Senhor dos exércitos
(elohim tsebhaoth) (Jr 11.20)
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 125.
Respeito pelo Nome Divino. Acima de todos os outros povos, os hebreus respeitavam e temiam a Deus. Por essa razão, não usavam o nome de Deus frivolamente. Eles pronunciavam os nomes de Deus como alterações que lhes permitiam não terem de verbalizar os sons exatos desses nomes. Os escribas registravam os nomes de Deus lavando freqüentemente as mãos. Um dos mandamentos mosaicos, o terceiro, proibia o uso frívolo do nome divino (Êxo. 207). Sabemos que as culturas antigas acreditavam no poder mágico dos nomes. Saber qual o nome de uma divindade, ou de um demônio, supostamente dava à pessoa certo poder sobre essa divindade ou demônio, em momentos de necessidade. No caso dos demônios, o conhecimento dos nomes deles poderia ser um meio de expeli-los. Esses fatos demonstram o respeito que algumas pessoas tinham pelos nomes, e talvez esse fosse um dos motivos pelo extremo respeito que os judeus tinham pelo nome divino. No judaísmo posterior, encontramos o uso mágico de nomes; mas não temos evidências a esse respeito quanto à primitiva cultura judaica, embora isso deva ter existido em algum grau e de alguma maneira.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4131.
É característico do sistema hebraico-cristâo o uso dos nomes para a deidade como instrumentos para a revelação divina. Os vários nomes, simples e compostos, empregados tanto no AT quanto no NT, não são meras construções ou designações humanas. Antes, são instrumentos reveladores, aparecendo como pontos centrais na carreira do povo israelita, e refletindo a auto-revelação de Deus.
A simpatia de Israel por nomes refletia a atitude geral para com a nomenclatura que era comum aos povos antigos. Com eles o nome de uma pessoa não era apenas uma designação de uma relação familiar — não uma simples posse — mas algo distintivamente pessoal. Embora não haja nenhuma evidência de que no uso israelita dos nomes estes eram considerados (como em algumas culturas) por conter poderes mágicos, todavia os nomes eram vistos com muito respeito. Isto era verdadeiro acerca dos nomes pessoais; e a mesma seriedade é aparente no emprego das designações para a divindade entre os povos do AT.
Na cultura semita, os nomes eram freqüentemente usados para designar uma característica da pessoa nomeada. O sentimento parece ter sido o de nomina sunt realia. Um exemplo deste tipo de uso é encontrado no caso do nome de Jacó, que significa “suplantador”, cujo sujeito era de fato uma pessoa astuta e egocêntrica.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag.123.
2. NOMES GENÉRICOS.
O nome Elohim apresenta os primeiros vislumbres da Trindade. A declaração de Gênesis 1.1; traz o verbo no singular, "criou", e o sujeito no plural Elohim, "Deus", o que revela a unidade de Deus na Trindade. Construção similar aparece em várias partes do Antigo Testamento: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gn 1.26); "Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós" (Gn 3.22); "Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua" (Gn 11.7). A Trindade é vista em Elohim à luz do contexto bíblico. O Novo Testamento explicitou o que antes estava implícito no Antigo Testamento. Quando Elohim refere-se às divindades falsas traz no plural o verbo, o pronome ou o adjetivo, representando a multiplicidade. Quando, porém, aplicado ao Deus de Israel, o verbo e o seus complementos vêm geralmente no singular.
Os rabinos reconheceram a pluralidade neste nome, mas, como o judaísmo é uma religião que defende o monoteísmo absoluto, e não admite Jesus Cristo como o Messias de Israel, fica difícil para eles entenderem essa pluralidade. Para explicá-la, argumentam ser um plural de majestade, mas isso é uma determinação rabínica posterior. A definição de plural de majestade ou de excelência, como disse, foi dada pelo rabinato posterior. Disse Shlomo ibn Yitschaki, conhecido pela sigla RASHI, grande rabino e erudito judeu (nascido em 1040): "O plural de majestade não significa haver mais de uma pessoa na divindade". Essa declaração serviu para o judaísmo prosseguir sua marcha mantendo o monoteísmo absoluto sem Jesus e sem o Espírito Santo.
No relato da criação e em muitas outras passagens do Antigo Testamento, Elohim é nome próprio usado como forma alternativa de Javé. Segundo Umberto Cassuto, esse nome é usado para se referir à ideia obscura e mais abstrata da deidade, de um Deus universal e Criador do mundo, indicando a transcendência da natureza de Deus; ao passo que Javé aparece quando as características estão claras e concretas e sugere um Deus pessoal que se relaciona diretamente com o povo.
No capítulo um de Gênesis, Deus aparece como o Criador do universo físico e como o Senhor do mundo, exercendo domínio sobre todas as coisas. Tudo quanto existe veio à existência por causa exclusiva de Seu fiat, sem qualquer contato direto entre Ele e a natureza. Portanto, aplicando-se aquelas regras, aqui cabe o uso do nome Elohim (CASSUTO, 1961, p. 32).
Elohim é um dos nomes próprios de Deus, mas aparece como apelativo no Antigo Testamento quando se refere a divindades falsas, por exemplo os deuses do Egito (Êx 12.2) e de outras nações (Dt 13.7,8; Jz 6.10). A palavra é usada com relação às imagens dos cultos pagãos (Êx 20.23). As Escrituras fazem uso irregular de Elohim em referência a seres sobrenaturais (1 Sm 28.13) e juizes (SI 82.6). Aparece também, cerca de 20 vezes, com relação às divindades pagãs individuais.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 51-53.
1. El, um termo para indicar Deus (deus), ou seja, a deidade verdadeira ou falsa, ou mesmo um ídolo que os homens chamem de «deus» (Gên. 35:2), como o Deus de Betei (Gên. 31:13). El era o nome do deus supremo da religião cananéia, cujo filho era Baal. O plural de El é Elohim, palavra que também pode significar deuses, ou que pode ser usada como um aumentativo para referir-se a um elevado poder, o Deus supremo. Ver sobre a palavra seguinte. O sentido básico de El, é «força».
2. Elyon, El Elyon, o Deus Altíssimo, titulo usado em conexão com a adoração de Melquisedeque (ver Núm. 24:16). Em Salmcs 7:17 a palavra aparece composta com Yahweh. Em Daniel 7:22,25 há um plural aramaico dessa palavra.
3. Elohim, embora seja plural, podendo ser traduzida por «deuses», essa palavra pode indicar o Ser supremo, sendo usado o plural para enobrecer a palavra, e não para que pensemos no verdadeiro plural. A própria palavra é um plural de El e retém, por isso mesmo, o sentido básico de «força», «poder». A presença desse nome, na narrativa da criação (no plural), tem dado origem à interpretação trinitariana da palavra, ali; mas isso é uma cristianização da passagem, e não uma verdadeira interpretação. Gênesis 1-1 faz com que esse seja o primeiro nome de Deus na Bíblia.
4. Eloah, uma forma singular de Elohim, e com o mesmo sentido de El. Essa forma variante encontra-se principalmente na linguagem poética, pelo que aparece, com mais frequência, no livro de Jó.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4131.
O nome El é uma das mais antigas designações para deidade no mundo antigo. Ele forma o componente básico do termo geral para Deus na Babilônia e na Arábia, assim como com o povo israelita. E evidente que os conceitos que algumas vezes estavam vinculados ao termo El, no mundo da antigüidade, eram indignos do Deus da Bíblia, mas isto não diminui a importância da ocorrência do termo no tronco racial do Oriente Médio. E um termo muito antigo, e muitos sconsideram razoável deduzir que o termo foi conservado revelação primitiva, um Uroffenbarung.
O termo El parece sugerir poder e autoridade. Nesta conexão, John P. Lange diz: Poder, grandeza, imensidão, altura, de acordo com o que eles representam pelas concepções do dia, levados até a extensão mais completa permitida pelo conhecimento do dia; este é o ideal de El e Elohim, como visto na congruência etimológica dos epítetos ligados àqueles de Gênesis. (Commentary on the Holy Scriptures, I, 109n.)
Assim, o significado original de El pode ter sido: (a) ser forte; (b) ter aumentado as esfera de controle; ou (c) possuir força de ligação. Walther Eichrodt sugere que:E válido observar que qualquer um destes significados que adotamos enfatiza a distância entre Deus e o homem. Nisto eles estão em conformidade básica com a característica básica do conceito semita de Deus, a saber, aquilo que é de primeira importância não é o sentimento de parentesco com a deidade, mas o temor e tremor em face a sua majestade irresistível. Um outro ponto que é necessário observar é que eles não identificam a Divindade como algum objeto natural, mas o descreve como o poder que fica por trás da Natureza, ou a vontade dominante manifesta nela (Theology of the OT, p. 179).
O nome El, quando aplicado a Deus, é geral e inclusivo, e inclui o significado primário de poder ou capacidade (Gn 17.1; 28.3; 35.11; Js 3.10; 2Sm 22.31,32; Ne 1.5; 9.32; Is 9.6; Ez 10.5). Muitos se sentem justificados ao concluir que o seu emprego e a vasta ocorrência testemunha em favor um monoteísmo primitivo, do qual o politeísmo representoum desvio. Certa atenção será dada posteriormente ao uso freqüente da forma plural, Elohim. no AT. Agora, é necessário dizer que o nome El carrega não apenas a conotação de poder, mas também a idéia da transcendência da Deidade.
Se o nome El era um termo geral para a divindade no pensamento dos antigos povos das Terras Bíblicas e do Oriente Médio da antigüidade, o nome Yahweh (transliterado Jeová) era um nome especificamente israelita para Deus. O significado básico do termo parece ser: “Aquele que é” ou “Aquele que está verdadeiramente presente.”
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 124.
O termo genérico. Deus (Elohim). O livro de Génesis imediatamente atribui a criação do universo e do homem a Elohim, (um nome genérico para divindade, cujo equivalente é theos em grego, Deus em latim, e Deus também em português). O substantivo plural ('eloah, 'elohim) no uso pagão significava a pluralidade de deuses, ao passo que o Antigo Testamento exclui o politeísmo de uma forma bastante específica: (a) Na prosa, a forma plural elohim era normalmente usada para divindade (monoteísta ou politeísta), e a rara forma singular eloah era especialmente reservada para a poesia (cf. Jó, onde eloah aparece mais frequentemente do que em todo o resto do Antigo Testamento), (b) Exceto quando usada em relação a deuses pagãos (por exemplo, em Gn 31.30; Êx 12.12), a forma plural elohim é uniformemente usada no Antigo Testamento, mas, com um adjetivo no singular, para excluir a má interpretação politeísta. A intenção, ou o conteúdo é, portanto, mais importante do que a etimologia ou a derivação para determinar o significado. (c) A narrativa da criação no livro de Génesis atribui a criação do universo e, especialmente do homem, a Elohim, cuja atividade criadora o diferencia dos mitos pagãos de divindades múltiplas que competem entre si. (d) Embora algumas vezes a doutrina da Trindade tenha sido atribuída à forma plural Elohim, é mais provável que o termo seja uma expressão hebraica que sugere pluralidade de majestade, ou plenitude de poder, em vista da criação de Deus e da sua soberania sobre o homem e o mundo. Quando, no Antigo Testamento, elohim traz a ideia da pluralidade de pessoas, a referência é ao politeísmo pagão, e não às distinções pessoais dentro de uma única divindade. Sem outras indicações no Antigo Testamento, e sem os ensinos explícitos do Novo Testamento, o Trinitarismo dificilmente poderia ser subentendido a partir do termo elohim. (e) Como resultado das suas associações com o Antigo Testamento, elohim não continua sendo simplesmente um termo genérico para divindade, mas se torna também um nome próprio.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 540.
3. NOMES ESPECIFICOS.
O Antigo Testamento emprega outros nomes para identificar o Deus Javé de Israel. São eles: ‘elyôn, "Altíssimo"; shadday, "Todo-poderoso" e ’ãdhonãy,S3 "Senhor".
O nome composto ’êl ‘elyôn significa "Deus Altíssimo". Elion designa Deus como o Alto e Excelente, o Deus Glorioso. É um dos nomes genéricos porque ele também é aplicado a governantes, mas nunca vem acompanhado de artigo quando se refere ao Deus de Israel. Abraão adorava a El Shadai, "Deus Todo-Poderoso" (Gn 17.1); e Melquisedeque, rei e sacerdote de Salém, era adorador de El Elion (Gn 14.19-20). Quando Abraão se encontrou com Melquisedeque, descobriu que seu Deus era o mesmo de Melquisedeque, apenas conhecido por um nome diferente (êx 6.3). Em Gênesis 14.19-20, esse nome vem acompanhado de "El", mas, às vezes, aparece sozinho (Is 14.14).
O Deus de Israel é também identificado como ’êl shadday, "Deus Todo-Poderoso". Shadai é o "nome de uma deidade" (KO- EHLER BAUMGARTNER, vol. II, 2001, p. 1420). Segundo Holaday, é o nome de deidade identificado com Javé (2010, p. 514); e, de acordo com Gesenius, "mais poderoso, Todo-poderoso, um epí- teto de Jeová, às vezes com El" (1982, p. 806). Aparece 48 vezes no texto hebraico das Escrituras, sete delas antecedido de El.
Esse era um nome apropriado para o período patriarcal, durante o qual os patriarcas viviam numa terra estranha e estavam rodeados pelas nações hostis. Eles precisavam saber que o seu Deus era o Todo-poderoso (Gn 17.1). O termo aparece com frequência na era patriarcal; só no livro de Jó ocorre 31 vezes. Êxodo 6.3 nos mostra que Deus era conhecido pelos patriarcas por esse nome. Deus se revelou primeiro aos patriarcas do Gênesis com nome El Shadai e, após o Sinai, os hebreus identificaram o seu libertador Javé com o El Shadai dos seus antepassados.
As duas formas do nome hebraico ’ãdhonay ou ’ãdhônay ,54 "o Senhor, Adonai", aparecem no Antigo Testamento com "o" breve e com "o" longo (Is 6.1; Jz 13.8). O termo ocorre quase 450 vezes no Antigo Testamento, 310 vezes em conexão com o tetragrama e 134 vezes sozinho. É um nome próprio e significa literalmente "meu senhor" e, segundo Gesenius, é "somente usado para Deus" (1982, p. 12); forma "reservada como uma designação para Javé" (JENNI & WESTERMANN, vol. 1, 2001, p. 24). Adonai, "Senhor", é um nome divino e expressa a soberania de Deus no Universo. A desinência -ay indica plural, como acontece com o nome Elohim; o judaísmo considera Adonai comopluralis excellentiae. É diferente de ’ãdhôn,S5 "senhor, dono", referindo-se geralmente a homens, ou com o sufixo ’ãdhõní,s6 "meu senhor", forma pela qual Sara se dirigia a Abraão e Ana se dirigia a Eli (Gn 18.12; 1 Sm 1.15, 26).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 53-55.
Nomes próprios. El Elyon, El Shaddai, Yahweh. Ã reviravolta notável na teologia bíblica é a de que o Deus vivo é progressivamente conhecido por meio dos acontecimentos históricos reais, nos quais Ele revela tanto a si mesmo quanto os seus objetivos. Com isso, os termos genéricos para divindade ganham um conteúdo mais específico, tornam-se nomes próprios e, sucessivamente, abrem caminho para designações posteriores que refletem mais plenamente a natureza de Deus, que é progressivamente revelada. A palavra El, termo mais comum para divindade, nas línguas semitas (mas que não é a palavra usual no Antigo Testamento), vem frequentemente associada a um substantivo ou a um adjetivo (cf. 'el 'elyon, "Deus Altíssimo", ou 'el shaddai, "Deus Todo-Poderoso"). Como consequência, tornou-se um nome próprio de Deus.
El Shaddai tornou-se o nome patriarcal característico para Divindade, como consequência do concerto divino com Abraão. Enquanto Elohim representa Deus especialmente na função do Criador, Formador e Preservador do homem e do mundo, El Shaddai se concentra nos limites divinos dos processos naturais para os propósitos da sua graça. O nascimento de Isaque, o filho prometido, na ausência de qualquer possibilidade natural, mostra Deus como materializando de forma onipotente o seu objetivo de graça em uma criação finita e pecadora, decaída. Na LXX e no Novo Testamento, El Shaddai é traduzido como pantokrator, "O Todo-Poderoso", "O Onipotente" (cf. 2 Co 6.18; Ap 1.8; 4.8).
Com a evolução da história religiosa hebraica, os primeiros nomes de Deus passaram para um plano secundário em vista da auto-revelação de Deus que ocorria. Mesmo assim, o nome El Shaddai não substitui completamente Elohim, uma vez que os hebreus conservam todas as designações de Divindade, algumas vezes intercambiando-as, conforme as circunstâncias possam sugerir um ou outro. O uso literário de nomes divinos, portanto, não fornece uma indicação inequívoca do desenvolvimento literário e da autoria dos escritos sagrados. O nome por excelência para o Deus de Israel é Jeová (Yahweh), encontrado 6.823 vezes no Antigo Testamento. Por meio da libertação de Israel da escravidão no Egito, de sua ado-ção como uma nação, e de sua condução até a Terra Prometida, o Deus Redentor é especialmente conhecido por esse nome. O Deus auto-revelado se revela de maneira redentora de uma forma especial (EU SOU O QUE SOU, Êx 3.14). Veja Eu Sou. O Deus vivo, que havia anteriormente se manifestado aos patriarcas como El Shaddai (Êx 6.2ss.), não era totalmente desconhecido deles como Jeová, sendo esse nome encontrado frequentemente em Génesis e pronunciado pelo próprio Senhor Deus, e mesmo na bênção de Jacó (que nenhum redator teria alterado!). A partir de Abraão, o nome de Jeová aparece periodicamente nos registros sagrados. Mas com o resgate de Israel e com o estabelecimento da teocracia, Jeová torna-se o nome inconfundível no Antigo Testamento para o Deus vivo, que não apenas adapta a natureza pecadora à graça, mas também molda um novo tipo de graça em meio a este curso natural das coisas. Consequentemente, o nome Jeová (uma reconstrução artificial em português para a palavra hebraica YHWH, originalmente pronunciada Yahweh ou Yahveh) enfatiza, em particular, a ativida-de redentora de Deus. Devido às superstições, os hebreus chegaram a evitar pronunciar a palavra de quatro letras YHWH, substituindo-a por Adonai. Nos séculos mais recentes, Jeová tem servido como o equivalente a Yahweh na literatura, nos hinos e nas traduções da Bíblia em português. A Bíblia de Jerusalém adotou o nome Yahweh. Sobrepondo uma estrutura de desenvolvimento naturalista sobre a Bíblia, a crítica elevada diz que os múltiplos nomes de Deus, particularmente Elohim e Yahweh, refletem fontes literárias divergentes. Esta suposição foi, durante muito tempo, um alicerce da hipótese JEDP, agora desacreditada, que reduz o Pentateuco (q.v) a fontes originais conflitantes. A tentativa de explicar o nome composto Yahweh-Elohim por meio da combinação de documentos provou ser insustentável, e a hipótese JEDP é cada vez mais reconhecida como um grupo de fontes artificialmente projetadas (em um contexto preciso, sobre o qual os próprios críticos não entraram em acordo). Veja Deus, Nomes e Títulos de; Senhor.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 540-541.
II. O NOME QUE SE TORNOU INEFÁVEL
1. A PRONÚNCIA DO NOME DIVINO.
O tetragrama YHWH (Yahweh) era considerado sagrado demais para ser pronunciado. As vogais de Adonai (meu Senhor) foram combinadas com as consoantes yhwh, e o resultado foi a forma Jeová. Não se trata, realmente, de um nome de Deus, mas de uma corruptela do nome, a fim de que pudesse ser proferido, sem nenhum temor pelos judeus. Mas nunca aparece, com essa forma, no original hebraico da Bíblia. Tal forma só começou a aparecer no século XII D.C. Antes disso, —cada vez que aparecia YHWH, os judeus pronunciavam «Adonai».
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4131.
Os esforços para se determinar o significado do tetragrama (YHWH) mediante a investigação histórica têm sido dificultados pela escassez de dados relacionados com as várias formas do nome ya nas fontes históricas fora do AT. Por esta razão, a investigação geralmente tem seguido linhas filosóficas. G. R. Driver sugeriu que a forma ya era originalmente um grito de exclamação "emitido em momentos de empolgação ou êxtase, um precedente de ya(h)wá(h), ya(h)wá(h)y ou coisa semelhante". Sugeriu, ainda mais, que o nome Javé surgiu da consonância de uma extensão deya com o "tempo imperfeito de um verbo defectivo". Deste modo, ele viu a origem do nome numa etimologia popular e asseverou que a sua forma original foi esquecida (ZAW46.24).
Mowinckel propôs a teoria de que o tetragrama deve ser entendido como palavra composta do elemento de exclamação e o pronome da terceira pessoa, hü’, com o significado de "Ó Ele!"
Outra abordagem do problema é ver no tetragrama uma forma de paronomásia. Este conceito leva em conta a representação geral do nome ya nas culturas extrabíblicas do segundo milênio a.C. O nome Javé é entendido, portanto, como uma forma quadrilateral, e o relacionamento entre o nome hãyâ ("ser"), em Ex 3.14-15, não deve ser de etimologia mas, sim, de paronomásia.
O ponto de vista mais comum é de que 0 nome é uma forma de um verbo trilateral, hwy. É geralmente considerado um imperfeito da raiz Qal, na terceira pessoa, ou um verbo também na terceira pessoa do imperfeito de uma raiz causativa. Outra sugestão é de que se trata de um participio causativo com um y preformante que deve ser traduzido "Sustentador, Mantenedor, Estabelecedor".
Com relação ao ponto de vista de que o tetragrama é urna forma alongada de um grito de exclamação, pode ser indicado que os nomes próprios semíticos tendem a abre- viar-se; normalmente não são prolongados.
A teoria de que o nome é paronomástico é atraente, mas quando se apela às ocor- réncias das formas de ya ou yw ñas culturas antigas, surgem vários problemas. E difícil explicar como a forma original poderia se ter prolongado até chegar à estrutura familiar quadrilateral. A sugestão de Mowinckel é atraente, porém especulativa. Além disso, é difícil compreender como o nome Javé poderia ter conotações de unicidade tão forte no AT se é urna forma de um nome divino representada em várias culturas no segundo milênio a.C.
A derivação do tetragrama de uma raiz verbal também está comprometida com certas dificuldades. A raiz hwy, sobre a qual o tetragrama seria baseado segundo este ponto de vista, não é atestada nas línguas semíticas ocidentais antes dos tempos de Moisés. e a forma do nome não está de acordo com as regras que regem a formação de ver- bos lamed he’, conforme nós os conhecemos.
Fica evidente que o problema é difícil. É melhor concluir que o uso da etimologia para determinar o conteúdo teológico do nome Javé é tênue. Para se compreender o significado teológico do nome divino, é necessário que se determine o contexto teológico de que o nome era revestido na religião hebraica.
Jah, Yah. Esta forma mais curta de Javé ocorre duas vezes em Êxodo (15.2 e 17.15). A primeira destas passagens é refletida em Is 12.2 e SI 118.14. Ocorre também numero- sas vezes na fórmula haPIõyâ ("louvai a yah"). Seu emprego nas passagens poéticas antigas e mais recentes e sua função de fórmula nos Salmos Halel sugerem que esta forma de Javé é um dispositivo do estilo poético.
A forma composta de yah com Javé, em Is 12.2 [yah yhwh), indica uma função separada para a forma yah e, ao mesmo tempo, sua identificação com Javé.
Walter A. Elwell. Enciclopédia Histórico-Teológica Da Igreja Cristã. Vol 1. Editora Vida Nova. pag. 445-446.
2. JEOVÁ OU JAVÉ?
Javé, o nome pessoal do Deus de Israel, é escrito pelas quatro consoantes mrP (YHWH) — o tetragrama. A escrita hebraica foi usada durante todo o período do Antigo Testamento sem as vogais. Elas nada mais são do que sinais gráficos diacríticos, criados pelos rabinos entre os séculos 5 e 9, e que são colocados sobre, sob e no meio de cada consoante. Até hoje, esses sinais ajudam muito na leitura de qualquer texto hebraico; todavia, quem já conhece a língua não precisa mais deles.
Êxodo 3.14 revela que Deus é o que tem existência própria, ou seja, existe por si mesmo. É o imutável, o que causa todas as coisas, é autoexistente, aquele que é, que era e o que há de vir, o eterno. Até hoje, os judeus religiosos preferem chamar Deus de "O ETERNO", como se encontra na edição de 1988 da Bíblia na Linguagem de Hoje e na edição da Sêfer da Bíblia Hebraica em lugar do tetragrama. Aqui, Deus explicou a Moisés o significado do nome Iavé.
Desde o patriarca Abraão até ao período do reino dividido, era costume invocar a Javé mediante o uso do seu nome (Gn 12.8; 13.4; 21.33; 1 Rs 18.24). Era necessário conhecer o nome para que se pudesse estabelecer um relacionamento de comunhão. Veja que Jacó perguntou ao anjo com quem lutava o seu nome (Gn 32.29). Manoá, o pai de Sansão, fez a mesma pergunta com o propósito de estabelecer um relacionamento espiritual (Jz 13.11- 17). Com Moisés, não foi diferente:
Então, disse Moisés a Deus: Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU.
Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração (êx 3.13-15).
Javé estabeleceu um memorial ao seu nome, anunciado aqui, mas concretizado por ocasião da promulgação da lei, quando foi oficializado o concerto do Sinai (Êx 20.24). Aqui está a base do tetragrama YHWH. No texto hebraico, encontramos a frase ’ehyeh asher 'ehyeh;57 "EU SOU O QUE SOU". A substituição do “y” de ‘ehyeh pelo w do tetragrama vem de hãwãh,58 forma arcaica e sinônimo de hãyâh,59 "ser, estar, existir, tornar-se, acontecer", cuja primeira pessoa do imperfeito60 é ‘ehweh, e cuja terceira pessoa é yhweh.
Na poesia hebraica, usa-se com frequência a forma reduzida Yah. "Já é o seu nome; exultai diante dele" (Sl 68.4, TB).61 Isso pode explicar a presença da letra "a" no nome Yahweh. "Parece provável que a pronúncia original tenha sido YaHWeH, tanto por causa da forma verbal correspondente, o imperfeito de hãwãh, arcaicamente escrito yahweh, como de representações mais recentes desse nome em grego pelas palavras iaoue e iabe" (HAR- RIS; ARCHER, JR.; WALTKE, 1998, p. 346).
A partir de 300 a.C. o nome Adonai passou gradualmente a ser mais usado que o tetragrama até que o nome Javé tornou- -se completamente impronunciável pelos judeus. Para evitar a vulgarização do nome e para que a forma não fosse tomada em vão, eles pronunciavam por reverência ’ãdhonãy cada vez que encontravam o tetragrama no texto sagrado, na leitura da sinagoga. Na Idade Média, os rabinos inseriram no tetragrama as vogais de adhonay (HARRIS; ARCHER, JR.; WALTKE, 1998, p. 347).
As vogais de 'HS ( adõnãy) são (,=«);( = o) e (., = ã). Elas foram inseridas no tetragrama sagrado, resultando na seguinte forma: nin\ O resultado disso é a pronúncia "YeHoWaH". Mas os judeus ainda hoje pronunciam "Adonai" para lembrar na leitura bíblica na sinagoga que esse nome é inefável. Esse enxerto no tetragrama resultou no nome híbrido YEHOWAH, que a partir de 1520 os reformadores difundiram como "Jeová". A forma híbrida "Jeová" não é bíblica, mas foi assim que o nome passou para a cultura ocidental; aos poucos, contudo, esse nome vem sendo substituído pela forma Iavé ou Javé.
Os nomes Adonai e Javé são tão sagrados para os judeus que eles evitam pronunciá-los na rua ou no cotidiano. O segundo nem mesmo nas sinagogas é pronunciado, e no dia a dia eles chamam Deus de há-shêm,62 "o Nome" (Lv 24.11, TB; 2 Sm 6.2).
Nos manuscritos da Septuaginta, encontramos kyrios,63 "dono, senhor, o Senhor" (BALZ & SCHNEIDER, 2001, vol. I, p. 2437), no lugar de ’ãdõnã(y) e yhvh. Alguns fragmentos gregos de origem judaica apresentam o tetragrama, mas outros usam kyrios. Isso não é novidade. Jerônimo (347-420) "conhece a prática de, em manuscritos gregos, inserir o nome de Deus (Yahweh) com caracteres hebraicos" (WÜRTHWEIN, 2013, p. 262). A Septuaginta, como tradução, foi submetida a revisões e recensões e, por isso, até hoje ninguém sabe qual foi exatamente o texto original ou o que foi alterado no transcorrer dos séculos. Uns afirmam que o nome kyrios é original: "Assim, no contexto de uma revisão arcaizante e hebraizante, o tetragrama parece ter sido inserido na tradução antiga no lugar de Kyrios" (op. cit., p. 262). Mas, para outros, é de origem cristã ou teria vindo dos judeus. O certo é que ambos foram usados desde a origem da tradução.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 55-58.
Uma variação non-sense do nome Yahweh. Outra variação é Javé. Ver o artigo geral sobre Deus, Nomes Bíblicos de, onde estão incluídas muitas informações sobre esse nome particular.
Yahweh era o nome pessoal do Deus de Israel. Que a forma Yahweh é a forma correta, pode-se provar mediante transcrições para o grego. Quando, pela primeira vez, foram inseridos sinais representando fonemas vogais, na Bíblia hebraica, já no século VII D.C., as letras vogais da palavra hebraica aDoNaY, «Senhor», foram escritas intercaladas com as consoantes YHWH, produzindo assim o nome artificial Jeová. Esse não era, realmente, um nome divino; mas muitos, temendo pronunciar Yahweh, como apelativo por demais sagrado, passaram a usar Jeová como um substituto aceitável. Portanto, Jeová é um híbrido sem base bíblica nenhuma, que começou a ser usado de modo geral, como um dos nomes de Deus, no século XIV D.C. Isso ocorreu porque os eruditos cristãos da época não reconheceram a natureza híbrida da forma Jeová.
Esse nome hebraico de Deus também aparece com as formas abreviadas de Yah (Êxo. 15:2, etc; em português, «Já») e Yahu ou Yeho. Estas duas últimas formas aparecem em inscrições hebraicas e assírias, e também nos papiros escritos em aramaico. Mas o nome abreviado original parece ter sido Yaw, que tem sido identificado com um dos nomes divinos pagãos encontrados nos documentos de Eras Shamra (vide), provenientes do norte da Fenícia, do século XV A.C. Alguns especialistas supõem que o nome Yahweh não foi cunhado por Moisés, e nem por qualquer dos demais autores bíblicos; antes, seria um nome pré-mosaico, como um antigo nome de Deus que Moisés usou, tal como a moderna palavra portuguesa «Deus» é apenas o aportuguesamento do termo latino Deus, que como é óbvio, antecede ao uso português por muitos e muitos séculos. Os trechos de Êxo. 3:13-15 e 6:4 parecem indicar que esse nome começou a ser usado no Antigo Testamento como se tivesse havido uma revelação especial do nome. Gên. 4:26, por sua vez, parece dar a entender uma origem não hebréia, ou seja, quando esse nome começou a ser usado pelos hebreus, teria sido tomado por empréstimo de alguma fonte extrabíblica. Seja como for, a raiz do nome, sem dúvida, é antiqüíssima, sendo provável que aparecesse entre os nomes de divindades mesopotâmicas. Alguns supõem que Moisés chegou a adorar Yahweh, mediante seu casamento com a filha de um queneu, em Midiã (Êxo. 3:1 ss; 18:12-24). A isso se chama de teoria quenita, o que, como é óbvio, é uma teoria rejeitada por muitos intérpretes conservadores, pois não querem aceitar a idéia de que os nomes de Deus, na Bíblia, possam ter tido origem pagã. Seja como for, a forma mais longa, YHWH, é confirmada desde o século IX A.C., como na pedra Moabita (vide). De acordo com uma etimologia popular, essa palavra estaria ligada ao verbo hebraico ser (ver Êxo. 3:14), pelo que se referiria ao ser eterno de Deus, que é a fonte originária de todos os seres, não dependendo de qualquer outro ser para a sua vida e continuação em existência. Em termos teológicos isso aponta para a vida independente e necessária. Deus não deriva de outrem a sua forma de vida, e a sua forma de vida não pode deixar de existir. Todas as demais formas de vida dependem de sua vida, e todas as outras formas de vida, se excluirmos o fator da graça divina, são vidas não-necessárias. Em outras palavras, as demais vidas podem deixar de existir. A verdadeira imortalidade, para a alma humana, ocorre mediante a transformação segundo a imagem do Filho, que compartilha da forma de vida do Pai, que é independente e necessária, conforme já dissemos. Um grande mistério! Ver Rom. 8:29; Col. 2:10;
II Cor. 3:18 e o artigo intitulado Transformação Segundo a Imagem de Cristo.
O General Abraham Ramiro Bentes, historiador brasileiro, de origem judaica, de cultura judaica bem reconhecida, autor de vários livros, diz o seguinte acerca do nome Yahweh: «...tendo o tempo inacabado, no semítico, o valor do futuro e do presente, assim traduzimos (o mesmo): «Eu Serei Sempre Quem Era». Os velhos comentários tinham uma compreensão neste sentido». (Das Ruínas de Jerusalém à Verdejante Amazônia, Edições Bloch, pág. 3). De conformidade com esse abalizado parecer, o nome Yahweh, pois, apontaria para a eternidade e a imutabilidade da pessoa de Deus.
Objeções dos Eruditos Conservadores. Alguns eruditos, relutando em admitir qualquer origem pagã para os nomes divinos na Bíblia, supõem que o trecho de Êxo. 6:3, que diz: «...mas pelo meu nome, O Senhor (no hebraico, Yahweh), não lhes fui conhecido», não subentende que os hebreus não conhecessem e nem usassem esse nome, até que foi adotado para ser usado, nos dias de Moisés e, sim, que os judeus, então, começaram a ter um conhecimento experimental desse nome , em suas vidas espirituais. Esse conhecimento experimental lhes foi dado mediante o livramento da servidão ao Egito. Antes disso, como pastores na Palestina, Abraão, Isaque e Jacó conheciam Deus com o nome de El Shaddai, «o Todo Poderoso». Naturalmente, sabemos que El (com várias combinações) era um antigo nome mesopotâmico para Deus, que certamente já era usado antes do tempo de Abraão. Assim, no caso desse nome, também temos um uso pré-hebreu. Seja como for, o argumento, na realidade, não faz sentido. O que importa é a nossa experiência com o Ser Divino, e não as palavras e suas origens, que usamos como nomes de Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4521.
Uma nova ênfase e significado foram dados através de Moisés (Êx 3.15,16; 6.3,6; cp. Gn 12.8) além do que foi compreendido por Abraão quando ele construiu seu altar entre Betei e Ai (Gn 12.8). Yahweh foi revelado como um nome intensamente pessoal. Foi indicado, ortograficamente, pelo tetragrama YHWH e as transliterações correntes fornecem vogais variadas.
Se for corretamente compreendido que o nome era conhecido antes do nascimento de Enos (Gn 4.26) e que Abraão tinha conhecimento disto, segue-se então que a revelação a Moisés, em Êxodo, representava um uso mais profundo e personalizado do nome. É possível que revelações mais antigas do nome tenham sido em grande part obscurecidas ou até mesmo perdidase.
O uso mosaico do termo (incluindo o novo significado adicionado a ele) estabeleceu o modelo para o pensamento hebraico subseqüente. Com Moisés, o nome parece ter ganho uma circulação geral e uma aceitação específica; mas mais importante ainda é que ele tomou-se intimamente associado à vida de Israel como um povo. Isto é, ele tomou-se o símbolo de uma auto-revelação especial e crucial de Deus a um povo especial — uma revelação que uniu os atos poderosos envolvidos no Êxodo com a consciência de Israel de si mesmo como uma nação. Por sua vez, esses atos prepararam o caminho para o envolvimento íntimo de Israel com Yahweh no Sinai.
Assim, o nome Yahweh estava inseparavelmente ligado à consciência de Israel e estava inevitavelmente envolvido no relacionamento único da aliança de Israel com a Deidade. Vital para isso foi o fato de que Yahweh havia tomado a iniciativa, e havia entrado visível e inconfundivelmente nos afazeres da nação de Israel.
É significativo que o uso deste nome para Deus era único com os israelitas. Os outros po vos semitas parecem não tê-lo conhecido ou ao menos não o usavam em referência à Deidade, exceto quando o contato com o povo hebreu que o trazia à sua atenção. Era a propriedade especial do povo da aliança.
Também é importante observar que o nome veio a ter tanta importância que os escribas evitavam pronunciá-lo. O uso escriba envolvia circunlóquios e também o uso de nomes alternativos. Isto testemunha não apenas da importância do nome como base para o sentimento de nacionalidade, mas também do respeito que as pessoas sentiam pela fonte sobrenatural de sua história.
Esta é uma outra maneira de dizer que o nome Yahweh era, na conciência israelita, colocado sobre tudo que era meramente naturalista. Isto não implica necessariamente que os hebreus viram um significado metafísico (como, por exemplo, a fórmula de Aristóteles de “essência igual a existência”) no nome “EU SOU O QUE SOU” de Êxodo 3.13, mas antes, que eles entenderam Yahweh como sendo existente e ativo aqui e agora. Em relação a isto, Eichrodt sugere que o nome Yahweh vai muito além dos nomes divinos atualmente usados em sua ênfase sobre a proximidade concreta e realidade irruptiva de Deus, e contrasta vivamente, por esta razão, com as afirmações generalizadas (nomes antigos) sobre o governo e orientação, no engrandecimento e na eternidade do divino. (Op. Cit.,p. 191)
Parece claro que a revelação e a compreensão do nome Yahweh pelo povo israelita estabeleceu um marco na consciência espiritual e na experiência religiosa nacional. Com o Êxodo, a Deidade assumiu, na mentalidade de Israel, um papel específico de redenção. Seus “atos poderosos” eram atos especificamente salvadores, e entendidos assim. Na libertação no Mar Vermelho, Yahweh dirigiu as forças naturais para servirem aos objetivos da graça, e fez seu poder manifestar-se sobre a nação em tempos de emergência e crise histórica.
É compreensível, à luz disso, que os acontecimentos do Êxodo formaram a essência do kerigma hebraico: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da terra do Egito da casa da servidão” (Êx 20.2). Aqui está enfatizada a qualidade especializada da auto-revelação de Deus ao povo hebreu. Sem contar que objeções têm sido levantadas à especificidade que é sugerida aqui. Pensadores como Douglas Clyde Macintosh sustentam que para Deus ter se revelado a si mesmo especial e exclusivamente ao povo hebreu teria sido um pensamento indigno dele, e extremamente imoral. É neste ponto que uma nítida antítese entre o ato meramente humano e o discernimento bíblico aparecem.
O discernimento do AT é que Deus tomou a iniciativa de restaurar o vínculo do conhecimento que existia entre Deus e o homem caído, um vínculo que foi quebrado na queda. E foi através da sua revelação a Israel sob o nome de Yahweh ou Jeová que a história da salvação se desdobrou e tomou-se visível. O desvendamento da natureza de Deus pela entrega deste nome a Israel foi de um significado supremo para todo o sistema bíblico.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 124-125.
3. O SIGNIFICADO.
EU SOU O nome que Deus deu a si mesmo quando encarregou„Moisés de libertar os israelitas do Egito (Êx 3.14). Deus é o único Ser independente, inteiramente auto-subsis-tente no Universo. Tudo o que existe depende dele (Gn 1.1; cf. Cl 1.17; Hb 1.3,10). Ele não precisa de ninguém ou de nada, visto que Ele possui em si mesmo todos os relacionamentos possíveis - o Eu-ele ou o sujeito-objeto, o Eu-vocês ou o encontro pessoal, e o nós-você ou o relacionamento social. Tudo o que existe foi criado por Ele para sua própria glória. Cristo declarou ser Ele mesmo o grande "EU SOU". Em João 8 Ele afirma que diz a verdade, e apoia isto declarando que está dizendo o que ouviu (v. 26), viu (v. 38), e foi ensinado pelo Pai (v. 28), e pode corroborar com Ele em qualquer momento (v. 29). Ele conclui seu argumento usando a expressão "Eu Sou" (v. 58). Quando Ele disse: "Antes que Abraão existisse, Eu Sou", os judeus perceberam que isto era uma reivindicação de divindade, particularmente porque Ele estava retornando ao "Eu Sou" do v. 24. "Se não crerdes que eu sou [a palavra 'Ele' não consta no texto grego], morrereis nos vossos pecados". Foi por isso que eles pegaram em pedras para o matar. Eles perceberam que Ele estava identificando-se com o "EU SOU O QUE SOU" de Êxodo 3.14. Theodor Zahn encontrou expressões similares de "Eu Sou" em João 4.26; 9.9; 18.5; Mateus 14.27; Marcos 13.6; 14.62; Lucas 22.70; 24.39. Greijdanus objetou que nestas outras passagens um atributo é dado ou sugerido. No entanto, ao menos em Mateus 14.27, quando Cristo veio até os discípulos andando sobre as águas agitadas pela tempestade, Ele se anunciou dizendo: "Sou eu" (Gr. ego eimi). E novamente em Marcos 13.6 Ele usa o termo sem qualquer atributo, dizendo, "Muitos virão em meu nome, dizendo. Eu sou o Cristo [o texto gr. omite a palavra Cristo]; e enganarão a muitos". Por outro lado, Lucas 22.70 tem um atributo sugerido e, embora em Lucas 24.39, Cristo diga novamente "Sou Eu", Ele deixa claro que está simplesmente se identificando aos discípulos ao acrescentar a palavra autos, que significa "o mesmo", "Eu mesmo".
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 708-709.
Êxo 3.14 Eu sou o que sou. O Targum de Jonathan interpreta aqui: “Eu sou Aquele que é e que será”. O que é indiscutível é que esse nome está alicerçado sobre o verbo ser (no hebraico, hayah). Mas o texto hebraico comporta mais de uma interpretação. Alguns dizem: “Eu sou porque sou”, dando a entender a vida independente ou necessária de Deus, em contraste com a vida de todos os seres criados, que é derivada e dependente. Ou então Deus é exatamente o que Ele é, o Poder Supremo, Imutável. Naturalmente, o tetragrama dos hebreus, YHWH (Yahweh), vem da mesma raiz. Assim, o nome deste versículo seria uma espécie de manipulação dessa raiz. Esse nome indicaria o Ser eterno e pessoal de Deus, além de Sua atuação e presença no mundo. Talvez a manipulação daquela raiz tivesse tido o propósito de ficar ambígua, visto que o nome Yahweh, por si mesmo, inspira admiração e espanto. Cf. Apo. 1.4,8; 4.8; 11.17.
Atributos ou condições de Deus, implícitos nesse nome: auto-existência; eternidade; imutabilidade; constância; fidelidade. No templo de Apoio, em Delfos, foi encontrada uma inscrição que dizia: eimi (no grego, “eu sou”). O trecho de João 8.58 alude ao presente texto, e isso refere-se à eternidade do Logo e à Sua união com Deus Pai. “Eu sou... e além de mim não há Deus” (Isa. 44.6). Temos aí uma declaração contrária ao politeísmo, o que provavelmente também está entendido no Eu Sou do presente texto. Seja como for, o Novo Nome de Deus indicava uma nova revelação. O projeto de Deus estava por trás dessa nova revelação.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 315.
Deus prontamente lhe dá instruções completas a esse respeito. Deus agora seria conhecido por dois nomes:
Um nome que denota o que Ele é em si mesmo (v. 14): Eu sou o que sou. Isto explica o seu nome Jeová, e significa: (1) Que Deus é auto-existente; Ele tem a sua existência em si mesmo, e não depende de ninguém. O maior e melhor homem do mundo deve dizer: “Pela graça de Deus, sou o que sou”. Mas Deus diz de uma forma absoluta - pois Ele é mais do que qualquer criatura, homem ou anjo, e só Ele pode dizer - “Eu sou o que sou”. Sendo auto-existente, só Ele pode ser auto-suficiente, e, portanto, todo-suficiente, a fonte inesgotável de vida e alegria. (2) Que Deus é eterno e imutável, e sempre o mesmo, ontem, hoje, e eternamente; Ele pode ser aquilo que quiser ser. Ele é, Ele era, e Ele há de vir. Veja Apocalipse 1.8. (3) Que não podemos, investigando, descobri-lo. Este é um nome que censura todas as indagações ousadas e curiosas a respeito de Deus, e na verdade diz: Não pergunte o meu nome, visto que é segredo, Juizes 13.18; Provérbios 30.4. Perguntamos o que Deus é? E suficiente para nós sabermos que Ele é o que é, o que Ele sempre foi, e sempre será. Quão pouco é o que temos ouvido dele! Jó 26.14. (4) Que Ele é fiel e verdadeiro em todas as suas promessas, imutável em sua palavra assim como em sua natureza, e não um homem que mente. Que Israel saiba disso: EU SOU me enviou a vós.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 235.
III. TOMAR O NOME DE DEUS EM VÃO
1. O TERCEIRO MANDAMENTO.
Abusos contra o nome de Deus. Vários desses abusos eram e continuam sendo possíveis:
1. O trivial. Até mesmo crentes exclamam, descuidadamente: “Ó meu Deus!” E até mesmo crentes piedosos falam de modo frívolo acerca do Senhor, como se Ele fosse apenas um bichinho de estimação. Combato essa forma ridícula de teísmo de acordo com a qual qualquer pensamento ou ato trivial é lançado na conta do Senhor. Trata-se de uma forma de auto- exaltação. Pois se o grande Deus está conosco em questões tão pequenas, então quão importantes nós somos. Em contraste com isso, os israelitas piedosos nem ao menos pronunciavam o nome divino Yahweh, mas corrompiam-no de alguma forma, para não se tornarem culpados de estarem tomando o nome de Deus em vão.
2. Nas artes mágicas e nos juramentos. Como nas conjurações e nos ritos pagãos. Ver Gên. 32.27,29. O nome de Yahweh não podia ser usado em tais atividades.
3. O nome de Yahweh não podia ser misturado com os nomes de divindades pagãs, como se fizesse parte de algum panteão gentílico.
4. A proibição do uso do nome divino incluía a idéia de empregar o nome de Deus para invocar os mortos. O nome de Yahweh não podia ser misturado à bruxaria.
5. O nome de Yahweh não podia ser usado nos juramentos íalsos, como se a veracidade de uma pessoa pudesse ser apoiada pelo grande Deus (Lev. 19.12).
6. Embora 0 texto sagrado não o diga especificamente, temos aqui um man- damento contra toda espécie de profanação por meio de palavras, inclu- indo ou não os nomes divinos. O texto por certo subentende o uso devido da língua, em questões tanto sagradas quanto seculares.
“Maldições e juramentos devem-se ao desejo de impressionar os outros. A maneira mais fácil de chocar outra pessoa e chamar sua atenção é o uso de alguma coisa sagrada ou nome santo. Mas o efeito desgasta-se quase imediatamente, e a blasfêmia passa a ser apenas um hábito inconveniente, expressando impotência e fraqueza de caráter” (J. Coert Rylaarsdam, in loc.).
Ameaças. Nenhuma punição é imposta aqui aos faltosos, mas fica entendido que o homem que usasse indevidamente o nome de Yahweh não escaparia do devido castigo.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.
O terceiro mandamento (Êx 20.7), embora não transgrida o segundo em seu conceito e intento, revela a importante idéia ideológica do Antigo Testamento de que Deus pode se manifestar e se manifesta ou apresenta-se por meios que preservam sua temível e altiva transcendência ao mesmo tempo em que possibilita que a humanidade o encontre de formas relevantes. Nesse caso, o nome do Senhor quase se torna o alter ego dele, outra forma de falar dele e de sua proximidade.
O texto literal do mandamento é: “Não tomarás em vão o nome do Senhor”. Ou seja, o nome do Senhor, bem como ele mesmo, não pode ser usado para garantir ganho pessoal nem vantagem para si mesmo. Isso degrada o nome do Senhor a ponto de se tornar um xibolete ou um: “Abre-te Sésamo”, que transforma quem o pronuncia em mestre sobre a coisa, subvertendo, assim, o papel de soberano e de servo que suporta o relacionamento da aliança.
Já observamos que, no Oriente Próximo da Antiguidade e no Antigo Testamento, os nomes indicavam as circunstâncias de nascimento do indivíduo, algum traço de caráter que se manifestara depois ou alguma mudança radical na circunstância de vida que justificava a mudança de nome. Por isso, o nome do indivíduo era precioso e cheio de sentido, e não devia ser revogado nem alterado sem reflexão. O que era verdade no plano humano era infinitamente mais na esfera divina. Os vários nomes e epítetos de Deus revelavam sua natureza e indicavam o que ele fizera ou faria no futuro. Eles eram poderosos, e seus nomes, quando invocados com temor e reverência por quem o conhecia, podiam fornecer conforto, alegria, libertação, redenção e qualquer outra coisa que fosse necessária para satisfazer a necessidade do homem. Contudo, entender o nome de Deus como um mero mecanismo, um meio ex opere operato (por força do ato) e o usar estupidamente para promover um programa pessoal representava violar a aliança e revelar culpa diante do Senhor.
O texto, por sua vez, tem o cuidado de não dizer que o nome do Senhor nunca poderia ser usado de forma alguma por qualquer razão. Já em Gênesis 4, “começou-se a invocar o nome do Senhor” (v. 26). No sentido real, já havia a consciência de que o nome era um substituto para a pessoa mesma do Senhor. Mais tarde, Abraão chamou-o pelo nome (Gn 12.8; 13.4; 21.33), como também o fizeram Isaque (26.25) e Jacó (31.53). Em um interessante encontro noturno entre Jacó e um estranho anônimo, o último pediu a Jacó que revelasse seu nome, e quando este o fez, o estranho nomeou-o de Israel porque, conforme disse, “você lutou com Deus e com homens e venceu” (Gn 32.28). A seguir, Jacó perguntou o nome do estranho, mas este se recusou a revelá-lo e, em vez de fazer isso, pronunciou uma bênção sobre Jacó. Mas Jacó entendeu, por meio do poder do estranho e sua autoridade para abençoar, que ele não era outro se não uma manifestação de Deus (cf. Os 12.3,4). Por isso, Jacó chamou o lugar de Peniel (“face de Deus”), dizendo: “Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada” (Gn 32.30). Na verdade, é claro que ele não viu a Deus, mas chegou a reconhecer seu antagonista como uma manifestação de Deus, apesar da relutância deste em revelar seu nome.
Antes de anunciar o terceiro mandamento, examinemos o envolvimento de Moisés com o Senhor na sarça ardente e, depois, no Egito, pois esse fato fornece o dado mais útil para a reflexão teológica sobre os nomes de Deus. Vendo a sarça arder, mas não ser consumida pelo fogo e, depois, ouvindo a ordem de que devia guiar seu povo para fora do Egito, Moisés sentiu um impulso esmagador de saber o nome daquele que podia executar tal fenômeno e despertar tal autoridade. O povo quereria conhecer esse nome, disse Moisés, e o que diria a eles? O epíteto Deus não era suficiente, pois era muito carregado do ponto de vista ontológico e, ao mesmo tempo, muito genérico para transmitir o que ele estava para fazer. Apenas um nome com conteúdo teológico preciso forneceria discernimento e segurança para o povo em seu momento e circunstância específicos. Esse nome era Iavé (Senhor), o mesmo nome do Criador da humanidade (Gn 2) e o mesmo nome pelo qual clamavam os patriarcas. Eles o conheciam, em especial, pelo nome de ElShaddai (Ex 6.3), mas Iavé, de acordo com o testemunho bíblico, também era familiar a eles (cf. Gn 9.26; 14.22; 15.2,8; 16.2; 21.33; 22.14; 24.12; etc.).22 Contudo, eles nunca precisaram dele para o que ele estava para fazer por Israel, a saber, para a redenção e a libertação. Assim, era importante que Moisés soubesse e usasse o nome apropriado para a situação histórica.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 330-331.
Tomar o nome do SENHOR, teu Deus, em vão é “recorrer ao irrealismo, ou seja servir-se do nome de Deus para apelar ao que não é expressão do caráter divino”. Tal uso profano do nome de Deus ocorre no perjúrio, na prática da magia e na invocação dos mortos. A proibição é contra o falso juramento e também inclui juramentos levianos e a blasfêmia tão comum em nossos dias. “Este mandamento não obsta o uso do nome de Deus em juramentos verdadeiros e solenes.”
Deus odeia a desonestidade, e é pecado sério alguém usar o nome divino para encobrir um coração mau, ou para se fazer melhor do que se é. A pessoa que procura disfarçar uma vida pecaminosa, ao mesmo tempo em que professa o nome de Cristo, quebra este terceiro mandamento. Tais indivíduos são culpados diante de Deus (7) e só recebem misericórdia depois de se arrependerem. Os justos veneram o nome de Deus por ser santo e sagrado.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 190.
2. JURAMENTO E PERJÚRIO.
I. Definição e Sentidos
Um juramento é uma solene confirmação em apoio a alguma declaração, ou então, uma promessa, reforçada por um apelo a Deus, a alguma coisa sagrada, a alguma elevada autoridade, a alguma testemunha, que garanta a sinceridade e a intenção de quem jurou que cumprirá a sua declaração. Nos tribunais, tal confirmação da veracidade de uma declaração torna a pessoa passível de punição por perjúrio, se ficar provado que uma declaração importante sua é falsa. Um juramento também pode ser uma imprecação que, presumivelmente, tenha o poder de prejudicar àquele contra quem a imprecação é proferida. Utiliza-se um juramento para afirmar a veracidade de uma declaração qualquer, quando não há evidências presentes com esse propósito. A credibilidade de uma assertiva é fomentada por um juramento (ver Êxo. 22:10,11, Núm. 5:16 ssj. Jesus fez um juramento quando o Sinédrio duvidou de suas reivindicações messiânicas (Mat. 26:63). Outrossim, um juramento submete aquele que jura ao escrutínio de Deus. Presume-se que ninguém juraria e mentiria, ao mesmo tempo. A Bíblia ensina-nos que Deus sempre tem consciência de nossos atos e de nossas palavras, e um juramento torna-nos responsáveis diante de Deus, ainda com mais força.
Não jurarás falso (Lev. 19:12 e Êxo. 20:7) «...não tardarás em cumpri-lo...» (Deu. 23:22; ver Núm. 30:1-16). O costume de jurar era mais antigo que a lei. Foi adotado pela lei civil como algo necessário (Êxo. 22:11). O que Jesus condena não é a simples idéia da lei, e, sim, como nos casos do sexto e do sétimo mandamentos, os abusos ao princípio. Os judeus classificavam os juramentos, e alguns eram reputados mais importantes, de acordo com o objeto sobre o qual o juramento era feito. Juravam pelo céu, pela terra, por cidades como Jerusalém, por partes do corpo humano, como a cabeça, pela sinagoga, pelo templo, e muitas vezes pelo nome de Deus (ou por respeito ao nome de Deus), modificando o som, às vezes fazendo o nome de Deus significar outra coisa, pelo modo de sua pronúncia. As vezes usavam os nomes dos deuses dos gentios em seus juramentos. Até hoje, em questão de profanação e juramentos, não há povo como os orientais. As formas de juramento e profanação são infinitas. Os judeus consideravam que só o juramento feito em nome de Deus era importante e exigia cumprimento. Maimônides disse: «Se quis jurat per coelum, per terra, per solem, non est juramentum». (Se alguém jura pelo céu, pela terra, pelo sol, não é juramento). Filo também mostra a atitude dos judeus quando afirma que os juramentos pela terra, pelo céu, e outros tantos juramentos, não eram obrigatórios. O desenvolvimento do costume de juramentos debilitou a moral da honestidade e da sinceridade entre o povo. A multiplicação de juramentos criou um espírito superficial, inclinado à mentira. Foi principalmente isso que Jesus censurou.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4598-4599.
A manter uma consideração muito reverente ao santo nome de Deus (v. 12), e não conclamá-lo como testemunha, seja: 1. De uma mentira: “[Não] jurareis falso pelo meu nome”. Já é ruim dizer uma mentira, porém jurar é muito pior. Ou: 2. De uma brincadeira, e impertinências: “Pois profanaríeis o nome do vosso Deus” - usando-o com qualquer outro propósito diferente daquele para o qual deve ser religiosamente usado.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 410.
Na verdade, jurar pelo Seu nome (e não pelo de qualquer outro deus) era um sinal de que tal pessoa era um adorador de YHWH (Jr 4:2), e por isso era algo digno de louvor.
Uma razão mais profunda para tal proibição pode ser vista no fato de que Deus era a única realidade viva para a mentalidade israelita. É por isso que Seu nome era sempre envolvido nos votos e juramentos, normalmente na fórmula “ tão certo como vive o Senhor” (2 Sm 2:27).
Usar tal frase e depois deixar de cumprir o voto era questionar a realidade da própria existência de Deus.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 151.
3. MODALIDADES DE JURAMENTOS.
«De modo algum jureis». Provavelmente Tia. 5:12 foi diretamente copiado desse texto. Quatro são as interpretações dessa expressão. 1. Não jurar, se o juramento não estiver de acordo com a reverência devida a Deus. 2. Não jurar de maneira superficial, como os judeus. 3. Nâo jurar de maneira superficial, como os judeus, ficando excluídos, entretanto, os juramentos civis, neste ensino. 4. Trata-se de uma proibição absoluta para qualquer tipo de juramento, sob qualquer circunstância.
COMO IDEAL mais elevado, provavelmente Seria melhor nâo jurar, especialmente na comunidade cristã. O homem honesto, aprovado por Deus e que vive no espirito da lei, jamais teria necessidade de jurar, bastando o simples sim ou não. Jesus interpreta o espírito da lei, o ideal da humanidade. Lembrando-nos disso, pode-se afirmar que a simples interpretação das palavras de Jesus, seria exatamente esta: «De modo algum jureis, nem pelo céu...» etc. Contudo, infelizínente a sociedade não-regenerada não pode atingir tal ideal perfeito, porque há grande número de indivíduos indignos de confiança, e não seriam suficientes as simples palavras «sim» ou «não» para inspirar ,e garantir confiança nos tribunais de justiça. Assim, posto que a sociedade humana é imperfeita, tornam-se necessários osjuramentos. Jesus nâo insistiria, por exemplo, para que o indivíduo que se irasse contra outrem fosse morto (vs. 22) e nem que o homem que cobiçasse outra mulher que nâo a sua arrancasse (literidmente) O seu olho direito. Assim sendo, Jesus também nâo proibiria juramentos exigidos pela lei, que fazem parte do costume legalem muitos lugares. Cristo proíbe o espirito imprudente e orgulhoso com que faziam grandiosas mas falsas declarações em nome de Deus, em nome do lugar onde Deus habita (os céus), ou em nome de algum lugar associado ao seu nome, como o templo de Jerusalém. Deus não é obrigado a apoiar esses juramentos imprudentes, e o homem santo nâo pode esperar que Deus o faça. O emprego do nome de Deus, nessas condições, não passa de uma forma de profanação. Como ideal perfeito, a proibição absoluta contra qualquer forma de juramento deve ser a interpretação correta; mas esse ideal não impediria o fato de ser. esse o costume dos fribunais, que trata com homens imi«rfeitos e desonestos. Provavelmente Cristo expunha o ideal para o indivíduo, não incluindo os costumes próprios dos tribunais, isto é, não estava legislando.
Alguns comentaristas mostram que o próprio Jesus respondeu sob juramento (ver Mat. 26:63,64). E os apóstolos usaram juramentos nas Escrituras (Gál. 1:20; II Cor. 1:23; Rom. 1:9; FU. 1:8; I Cor. 15:31). O Anjo do Senhor também jurou (Apo. 10:6). Essas referências mostram que a lei dos juramentos nâo é norma absoluta para todas as circunstâncias.
«Nem pelo céu». Nâo podemos jurar pelo céu, porque está assoçiado ao* nome e à pessoa de Deus. O juramento pelo céu; portanto, é uma maneira de jurar pelo nome de Deus. Tal juramento foi e ainda pode ser uma forma de profanação. Deus não está obrigado a cumprir os desejos só porque usam o seu nome, especialmente quando profanam o seu nome.
«Nem pela terra». Porque a terra também está diretamente ligada a Deus, por ser o «estrado de seus pés». (Ver Is. 66:1). A cidade de Jerusalém é a cidade do grande Rei, isto é, Deuç. (Ver Sal. 48:2). Jurar por Jerusalém, pois, é uma maneira indireta de jurar pelo nome de Deus. Jesus diria que o cumprimento de todos esses juramentos seriam obrigatórios porque estâo vinculados ao nome de Deus; mas também diria que, especificamente, o homem nâo tem o direito de usar o nome de Deus para garantir a validade de qualquer juramento. Oufrossim, o homem honesto não tem necessidade de confirmar o juramento com qualquer outro nome além do seu.
•Nem jures pela tua cabeça». Esse juramento provavelmente nâo era reputado como vinculado a Deus; por isso era usado como meio de jurar sem cometer profanação. Mas mesmo assim alguns opinam que tal juramento inclui profanação do nome de Deus, por ser o homem uma criatura feita por Deus à sua própria imagem. Essa é uma verdade, mas o restante do versículo mostra que não foi por essa razão que Jesus destacou esse juramento como exemplo. Cristo ilustra que o juramento feito pela própria cabeça constitui uma forma de profanação, apesar de nâo usar o nome de Deus, pois em realidade ninguém exerce controle sobre a própria vida e nâo pode mudar, pela sua vontade, nem mesmo a cor de seus cabelos. Se o homem nâo pode nem ao menos mudar a cor de seus cabelos, como seria possível a ele confirmar ou garantir qualquer juramento feito por sua cabeça? Portanto, isso é uma tolice. Não podemos tratar de coisas sérias, como os juramentos, de maneira superficial (e a despeito do fato que alguém pode pensar não tratar-se de questão séria). Além disso, a simples palavra do homem honesto deve ser suficiente. A cor de seus cabelos está fora do controle do hõmem, e por isso nâo pode servir de base para juramento algum.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 1. pag. 314.
Juramentos (5.33-37). A lei mosaica dizia: Não perjurarás (33; Lv 19.12; Nm 30.2; Dt 23.21), isto é, “jurar falsamente” - no Novo Testamento, este verbo só é encontrado aqui. Mas Jesus disse: De maneira nenhuma jureis (34). Ele proibiu especificamente jurar pelo céu, pela terra, por Jerusalém, ou pela nossa própria cabeça (34- 36). Os judeus defendiam que jurar pelo nome de Deus vinculava aquele que fazia o juramento, mas jurar pelo céu não trazia nenhum vínculo. Assim, os itens acima eram substituídos como uma forma de subterfúgio, para não se dizer a verdade. Bengel cita o ditado rabínico: “Como o céu e a terra passarão, assim também o juramento passará, pois os conclamou como testemunhas”.36 Jesus defendeu que Deus está sempre presente quando os homens falam; por esta razão, todos devem falar honestamente.
O mandamento de Cristo foi: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não (37)
- ou, como Beck apresenta: “Simplesmente diga: ‘Sim, sim; não, não’ ’’.Apropria prática de jurar é um triste reflexo do caráter humano. Jesus exige honestidade o tempo todo, esteja um homem sob juramento ou não. Não há um padrão duplo para o cristão.
Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Mateus. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 60-61.
Mt 23.16-19 Jesus destacou a hipocrisia dos líderes com relação ao poder e à obrigatoriedade gerada pelos juramentos feitos a Deus, tanto para a consagração ao serviço, como para as contribuições ligadas às posses. Os líderes deveriam ter sido guias para os cegos, mas em lugar disto eles mesmos eram cegos. São dados dois exemplos dos limites ridículos até onde o sistema excessivamente legalista tinha ido: jurar pelo Templo ou pelo ouro, e jurar pelo altar ou pela oferta. Em um caso o juramento náo poderia ser quebrado, no outro sim.
Jesus exemplificou as minuciosas (e ridículas) diferenças.
Mt 23.20-22 Jesus tinha explicado que os seus seguidores não precisavam fazer nenhum juramento, pois fazer isto implicaria que não se poderia confiar na sua palavra (5.33-37). Os líderes, tentando criar diferenças nos juramentos, tinham perdido de vista o fato de que todos os juramentos são feitos diante de Deus e deveriam ser igualmente obrigatórios. Em outras palavras, nenhum juramento deveria ser feito com uma brecha.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 137.
IV. O SENHOR JESUS PROIBIU O JURAMENTO?
1. OBJETIVO DO TERCEIRO MANDAMENTO.
O Ideal. Como ideal mais elevado, provavelmente seria melhor não jurar, especialmente na comunidade cristã. O homem honesto, aprovado por Deus e que vive no espírito da lei, jamais teria necessidade de jurar, bastando o simples sim ou não. Jesus interpreta o espírito da lei, o ideal da humanidade. Lembrando-nos disso, podemos afirmar que a simples interpretação das palavras de Jesus seria exatamente esta: «De modo algum jureis, nem pelo céu...» etc. Contudo, infelizmente a sociedade não-regenerada não pode atingir tal ideal perfeito, porque há grande número de indivíduos indignos de confiança, e não seriam suficientes as simples palavras «sim» ou «não» para inspirar e garantir confiança nos tribunais de justiça. Assim, posto que a sociedade humana é imperfeita, tornam-se necessários os juramentos. Jesus não insistiria, por exemplo, para que o indivíduo que se irasse contra outrem fosse morto (vs. 22) e nem que o homem que cobiçasse outra mulher que não a sua arrancasse (literalmente) o seu olho direito. Assim sendo, Jesus também não proibiria juramentos exigidos pela lei, que fazem parte do costume legal em muitos lugares. Cristo proíbe o espírito imprudente e orgulhoso com que faziam grandiosas mas falsas declarações em nome de Deus, em nome do lugar onde Deus habita (os céus), ou em nome de algum lugar associado ao seu nome, como o templo de Jerusalém. Deus não é obrigado a apoiar esses juramentos imprudentes, e o homem santo não pode esperar que Deus o faça. 0 emprego do nome de Deus, nessas condições, não passa de uma forma de profanação. Como ideal perfeito, a proibição absoluta contra qualquer forma de juramento deve ser a interpretação correta; mas esse ideal não impediria o fato de ser esse o costume dos tribunais, que trata com homens imperfeitos e desonestos. Provavelmente Cristo expunha o ideal para o indivíduo, não incluindo os costumes próprios dos tribunais, isto é, não estava legislando.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4599-4600.
Sim, sim... não, não». A repetição da palavra é a confirmação ou não da verdade. A garantia da honestidade do indivíduo deve ser a confiança na sua simples palavra. Provavelmente Jesus insistiria que tal honestidade deve ser inspirada pela consciência da presença de Deus e a relação do homem para com o Senhor. O homem cônscio da presença de Deus e que sente responsabilidade para com Deus, não mente. Tal honestidade não requer a confirmação de qualquer juramento. Eojuramento feito—pelo homem desonesto—não tem valor. A desonestidade de nossa natureza se expressa não apenas na tendência em nos desviarmos da verdade pura, mas também na esperança de que nossos semelhantes façam a mesma coisa. A prática dos juramentos apenas agrava efsa situação, porque o próprio juramento é usado para enganar, confirmando de maneira séria uma desonestidade.
«Vém do maligno:». Alguns interpretam *do diabo», que é o ser maligno (Eut., Zig., Cris., Teof., Beza, Zwinglio, Fritzche, Meyer e outros). Ninguém negaria que, segundo as idéias básicas do N.T., todo mal tem origem na pessoa do diabo, direta ou indiretamente; mas a referência aqui é à perversidade dos homens que empregam o juramento com o fito de enganar e cumprir propósitos desonestos, profanando o nome de Deus nesse processo. Dificilmente tais homens usam de juramentos sem algum tipo de maldade. O próprio juramento tende a provocar a maldade. Não jures. Aquele que jura, mente. Aquele que mente, rouba. Que mais não faria o homem?
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 1. pag. 316.
De acordo com Jesus, na vida diária não há necessidade nenhuma de juramento para asseverar e confirmar a verdade. Somente a sinceridade total, sem um juramento de garantia, assegura a verdadeira fraternidade. É que os escribas também recorriam, a toda hora, aos juramentos, inclusive para assuntos da vida cotidiana (p. ex., juro que almocei).
Jesus afirma: Vocês sequer devem jurar, i. é, vocês não devem fazer uso de todos esses juramentos de corroboração e juramentos compromissivos e não compromissivos. Vocês se enganam se pensam que, com essas artimanhas, podem escapar da maldição divina.
Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Mateus. Editora Evangélica Esperança.
2. A PROIBIÇÃO ABSOLUTA.
Esta passagem conclui com o mandamento de que quando alguém deve dizer sim, tem que dizer sim, e nada mais; e quando deve dizer não, tem que dizer não, e somente não.
O ideal é que ninguém precise de juramentos para garantir a verdade ou dar prova de sua vontade de cumprir uma promessa. O caráter da pessoa deveria fazer com que os juramentos fossem totalmente desnecessários. Sua garantia e suas testemunhas deveriam ser sua própria integridade. Sócrates, o grande orador e mestre grego, disse: "Deveríamos viver de tal maneira que nossas ações inspirassem mais confiança em nós que qualquer juramento." Clemente de Alexandria sustentava que os cristãos deveriam viver de tal modo e ser de tal caráter que ninguém jamais sonhasse sequer em pedir-lhes um juramento. A sociedade ideal seria aquela em que a palavra de qualquer indivíduo não necessitasse de juramento alguma para garantir sua verdade, e as promessas não precisassem de juramentos para garantir seu cumprimento.
Proíbem estas palavras de Jesus que os cristãos jurem em situações tais como quando vai dar testemunho em um processo legal, ou no juramento à bandeira? Tem havido dois grupos que se negaram categoricamente a toda forma de juramento. Os primeiros foram os essênios, uma antiga seita judia. Josefo escreve respeito a eles: "São eminentes por sua fidelidade e são ministros de paz. Algo que digam é tão firme como um juramento. Evitam todo juramento, e o têm em mais baixa estima ainda que o perjúrio. Porque afirmam que quem não pode ser de confiança se não jurarem, já estão condenados."
E também estão, ainda em nossos dias, os quackers. Os quackers se negam rotundamente, qualquer que seja a situação em que se encontrem, a pronunciar juramentos. George Fox, um dos fundadores desta seita, o máximo que chegava era aceitar o uso da palavra "verdadeiramente". Escreveu: "Nunca enganei a ninguém durante toda aquela época (a que passou ocupado em negócios). Em todas as minhas transações importantes usava a palavra ‘verdadeiramente’." E muitos diziam: "Quando George Fox diz ‘verdadeiramente’ não há maneira de que mude." Na antiguidade os essênios não tinham pronunciado nenhum juramento, e até nossos dias, os tais estão na mesma postura.
Têm estes razão ao assumir esta atitude? Houve ocasiões nas quais o apóstolo Paulo jurou, como quando afirma: "Eu, porém, por minha vida, tomo a Deus por testemunha de que, para vos poupar, não tornei ainda a Corinto" (2 Cor. 1:23). "Ora, acerca do que vos escrevo", diz na epístola aos Gálatas, "eis que diante de Deus testifico que não minto" (Gál. 1:20). Nestes casos Paulo se está colocando sob juramento. O próprio Jesus não protestou quando o sumo sacerdote o pôs sob juramento: "Conjuro-te pelo Deus vivo" – ponho-te sob juramento em nome de Deus – "que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus" (Mateus 26:63).
Qual é então a situação?
Voltemos para a última parte do versículo 37. As versões correntes dizem: "O que disto passar vem do maligno." O que significam estas palavras? Somente podem significar duas coisas.
(a) Se for necessário pedir a alguém que jure, a necessidade surge do mal que se aninha no coração do homem. Se não houvesse mal no homem os juramentos seriam desnecessários. Em outras palavras, o fato de que seja necessário às vezes tomar juramento é uma demonstração da persistência do mal na natureza humana.
(b) O fato de que às vezes seja necessário pôr as pessoas sob juramento obedece a que o mundo em que vivemos é mau. Em um mundo perfeito, no Reino de Deus, jamais seria necessário prestar juramento de nenhuma espécie. Faz-se necessário somente a causa do mal que há no mundo.
O que Jesus afirma é: o homem verdadeiramente bom não precisará jurar para que outros confiem nele; a veracidade de suas palavras e a firmeza de suas intenções não necessitam de tal garantia. Mas o fato de que ainda seja necessário às vezes tomar juramento das pessoas se deve ao fato de que os homens não são bons e este mundo tampouco o é.
Interpretado deste modo, a afirmação de Jesus nos obriga de duas maneiras. Obriga-nos a viver de tal maneira que, vendo nossa transparente bondade, ninguém creia necessário exigir que juremos para poder confiar em nossa palavra; e nos põe na obrigação de fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para que o mundo seja um lugar tal que não haja capacidade nele para a falsidade e a infidelidade, ao ponto de que possa abolir-se toda forma de juramento.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 173-175.
Mt 5.33-37. Quarta ilustração: juramentos. O alicerce do V.T, é Lv. 19:12 e Dt. 23:21 (confira com Êx. 20:7). Jurarás falso. Jurar em falso. O abuso que os judeus faziam dos juramentos, levou Jesus a dizer, de modo nenhum jureis. É difícil achar uma brecha nesta diretiva (veja também Tiago 5:12). Assim, o crente não deveria jurar para autenticar suas declarações. Até mesmo o Estado deveria geralmente permitir uma afirmação em lugar do juramento exigido. Pelo céu. Os judeus usavam a sua engenhosidade para classificar os diversos juramentos, e geralmente perdoavam aqueles que não mencionassem Deus especificamente. Jesus mostrou que tal raciocínio enganosamente sutil era falso, pois Deus continua implicado quando os homens invocam os céus, a terra, ou Jerusalém; e até quando se jura pela própria cabeça está implicado Aquele que tem poder sobre a mesma. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim. Uma solene afirmação ou negação é o suficiente para o crente. O que passa disto. Acrescentando juramentos às nossas declarações, ou admitimos que não se pode confiar em nossas palavras costumeiras, ou nos rebaixamos ao nível de um mundo mentiroso, que vem do maligno. Confira com Jo. 8:44.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular. Mateus. pag. 25-26.
De maneira nenhuma jureis (34). É a proibição contra qualquer juramento. A lei mosaica introduziu o juramento, sob condições bem definidas, como proteção contra a desonestidade do coração humano. Mas o Senhor veio transformar o coração do homem, de sorte que o juramento não é mais necessário. Ele pode restaurar o quinhão primitivo e, assim, proíbe por completo o juramento e cumpre plenamente o propósito da lei.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Mateus. pag. 25.
3. A PROIBIÇÃO RELATIVA.
Mt 5.34. De maneira nenhuma, jureis é a tradução correta (ordem indireta e infinitivo aoristo). Claro que Jesus não proíbe juramentos em tribunais, porque ele mesmo respondeu a Caifás sob juramento (Mt 26.63,64). Paulo fez apelos solenes a Deus (1 Co 15.31; 1 Ts 5.27). Jesus proíbe todas as formas de profanação. Os judeus eram mestres na arte de perder-se em minúcias sobre juramentos permissíveis ou formas de profanação, exatamente como fazem os cristãos de hoje sob o pretexto de uma grande variedade de “palavras de baixo calão”.
A. T. ROBERTSON. Comentário Mateus & Marcos. À Luz do Novo Testamento Grego. Editora CPAD. pag. 74.
A determinação de Cristo sobre este assunto é:
1. Que não devémos jurar, de.maneira nenhuma, exceto quando estivermos devidamente obrigados a isto, e quando a justiça ou a caridade para eom o nosso irmão, ou o respeito pela comunidade tornarem necessário o juramento para o fim da contenda (Hb 6.16). O magistrado civil deve ser, normalmente, o juiz desta necessidade.
Nós podemos ser jurados, mas não devemos jurai'; podemos ser intimados, e desta maneira estar obrigados ao juramento, mas não devemos nos atirar a ele em busca de alguma vantagem terrena.
2. Que não devemos jurar superficial e irreverentemente, nas conversas comuns. E um pecado muito grande fazer um apelo absurdo à gloriosa Majestade do céu, que, sendo sagrada, sempre deve ser muito séria. E uma grande profanação do santo nome de Deus, e uma das coisas sagradas que os filhos de Israel santificam ao Senhor. Este é um pecado queoiãO tem disfarce; não há desculpa para ele, e, portanto, é um sinal de um coração desprovido da graça do Senhor, onde reina a inimizade contra Deus: “Os teus inimigos tomam o. teu nome. em vão” .
3. Que devemos, de uma maneira especial, evitar juramentos ao fazer alguma promessa, dos quais Cristo particularmente fala aqui, pois estes juramentos devem ser cumpridos. A influência de um juramento afirmativo cessa imediatamente quando descobrimos fielmente a verdade e toda a verdade; mas um juramento de promessa compromete por tanto tempo, e pode ser rompido de tantas maneiras, pela surpresa e pela força de uma tentação, que não deve ser usado, exceto em algum caso de grande necessidade. O uso freqüente de juramentos se reflete sobre os cristãos, que deveriam ter uma fidelidade reconhecida a ponto das suas palavras sóbrias serem tão sagradas quanto os seus juramentos solenes.
4. Que não devemos jurai por nenhuma outra criatura.
Parece que havia alguns que,, como cortesia (pensavam eles) ao nome de Deus, não fariam uso dele nos juramentos, mas juravam pelo céu, ou pela terra etc. Isto Cristo proíbe aqui (v. 34), e mostra que não há nada por que possamos jurar, mas que isto está de uma maneira ou de outra relacionada com Deus, que é a origem de todos os seres, e. portanto, é igualmente perigoso jurar por eles, quanto jurar pelo próprio Deus. E a veracidade da criatura que é posta em jogo: isto não pode ser um instrumento de testemunho, mas tem relação com Deus que é a Verdade principal.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 56-57.
De maneira nenhuma jureis (v. 34). A própria existência de um voto introduz um padrão de duplicidade. Fica implícito que a palavra da pessoa poderia nada valer, a menos que se fizesse acompanhar de algum tipo de garantia verbal.
Segundo a tradição judaica, os juramentos sob o nome de Deus eram válidos, tinham força, mas os que excluíssem o nome de Deus nada valiam.
Jesus agora nos ensina que os dois preceitos são enganosos, visto que necessariamente Deus se envolve em cada transação — o céu é o seu trono, a terra é o estrado de seus pés, a cidade de Jerusalém é a cidade do grande Rei, e nós não conseguimos controlar nem mesmo a cor de nossos cabelos. (Barclay, vol. 1, pp. 159-60). Os que os seguidores de Jesus devem fazer é simplesmente dizer sim ou não, e honrar a palavra empenhada. Schweizer escreve: “Quando a palavra humana se deteriora de tal modo que sob certas circunstâncias sim pode significar não, e não sim, a comunidade está destruída” (p. 128). Estar sob o governo de Deus (isto é, em seu reino) é ser digno de confiança absoluta e honesto de modo transparente. Afastar-se desse princípio é cair sob a influência do maligno.
Por toda a história da igreja tem havido crentes que acham que é errado fazer juramentos, sejam eles de que natureza forem. Entretanto, Jesus permitiu ao sumo-sacerdote que o colocasse sob juramento (Mateus 26:62-64), e Paulo invocou aDeus, para que lhe servisse de testemunha (2 Coríntios 1:23; cp. Gaiatas 1:20). O assunto sob consideração em Mateus não é tanto a questão de se fazer um juramento, mas a necessidade de se falar a verdade em todas as ocasiões. E inevitável que Jesus penetre a fundo na legislação, para chegar aos princípios essenciais que ela pretende ensinar. Codificar o ensino de Cristo é o mesmo que destruí-lo. As “regras” do Senhor vão muito mais longe do que toda nossa habilidade para regulamentar o exterior de modo satisfatório. Os princípios de Jesus nada exigem senão a entrega interior, total, aos propósitos e à natureza de Deus.
Peter H. Davids. Comentário Bíblico Contemporâneo. Mateus. Editora Vida. pag. 58-59.
ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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