Google+ Followers

Seguidores do Blog

13° LIÇÃO 3° TRIMESTRE 2014 A ATUALIDADE DOS ÚLTIMOS CONSELHOS DE TIAGO


A ATUALIDADE DOS ÚLTIMOS CONSELHOS DE TIAGO
Caro professor, mais um trimestre se finda. Nesta oportunidade é hora de fazermos um balanço da nossa atividade de magistério cristão. E necessário que algumas perguntas sejam feitas, tais como: Tenho alcançado os objetivos propostos em cada lição? Os meus alunos têm crescido espiritualmente e como pessoas? Estas são perguntas que só você pode fazê-las e respondê-las.

O autoexame sincero é fundamental para nortear o nosso árduo trabalho no magistério cristão.
Antes de iniciar a última lição faça uma síntese dos temas tratados ao longo de todo o trimestre. É importante o professor fazer este procedimento para que os alunos percebam o fio condutor da lição trimestral e saibam que cada lição está concatenada desde a primeira até a décima terceira. Escolha os temas que, como professor, você achar mais importante fazendo um sintético comentário sobre eles. Então poderás anunciar o assunto da última lição que é a conclusão da carta de Tiago, destacando os últimos conselhos que servem de auxílios atuais para a vida cristã hoje. E necessário destacar os quatro os conselhos principais expostos na presente seção da carta de Tiago (5.7-20): o valor da paciência; a proibição de juramentos; a unção dos enfermos e a disposição de converter um irmão do erro.
Vale a pena também recordar que no início da epístola o tema da tentação foi evocado por Tiago como um evento que gerava Paciência. Agora a paciência é retomada no capítulo cinco. Aqui, um conselho de Tiago chama atenção: "Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima". Num tempo marcado pela dor, em que o povo de Deus vive, este conselho do meio-irmão do Senhor continua atual e em plena vigência: "fortalecei o vosso coração". Mas para quê? Para não se enfraquecer com as ilusões da vida, os escândalos divulgados, sabendo que o tempo que precede a vinda de Cristo é um tempo marcado pela falta de fé e pela falta de esperança em Deus. Por isso, o conselho para sermos pacientes!
Com paciência vamos peregrinando a nossa vida aqui no mundo, amando a Deus e ao próximo. Buscando viver a autenticidade da fé segundo o Evangelho de Cristo. Não abrindo mão da nova aliança estabelecida por Deus a todos os quantos creem no seu Filho.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 59, p.42.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Chegamos à parte final dos conselhos de Tiago. Seu estilo direto e prático nos obriga a meditar sobre a forma como temos nos conduzido na esfera cristã, tanto dentro da igreja quanto fora dela. Neste capítulo, Tiago deixa seus últimos conselhos para a Igreja, encerrando assim um ciclo de pequenos sermões práticos.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 146.
A PACIÊNCIA EM MEIO AO SOFRIMENTO / 5.7-12
Os crentes, cuja maioria era pobre, eram frequentemente explorados pelos ricos e perseguidos por causa da sua fé. Esta pressão externa levava a problemas na igreja à medida que a sua frustração atingia o ponto de ebulição. Tiago encorajou os crentes para que tivessem paciência até à volta do Senhor. Mas a paciência que ele descreve não é passiva. É uma paciência que envolve ação. Nesta seção, Tiago exemplifica alguns recursos úteis para uma aplicação pessoal. Depois de falar sobre a necessidade da paciência, ele passa a revelar algumas lições diferentes que reforçam e aplicam este tema. O princípio da paciência não significa muito, a menos que nós possamos aplicá-lo à nossa vida. Examinando a vida com os olhos de Tiago, descobrimos que há muitas maneiras pelas quais Deus nos dá direção e encorajamento.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 689.
Tiago começa sua carta com uma chamada à perseverança sob as provações (1.2-4) e termina exortando os crentes a serem pacientes até à vinda do Senhor (5.7,8). As provas, e não as experiências místicas, são o caminho da santificação e do aperfeiçoamento (1.4)." Tiago se volta agora dos ricos para os pobres que estavam sendo oprimidos e dá-lhes uma palavra de encorajamento. Eles devem ser pacientes, sabendo que é a Deus que estão servindo e que de Deus é que vem a recompensa." Os pobres são encorajados a confiar no provedor e não na provisão.
Tiago diz para os crentes da dispersão que a recompensa é a coroa da vida (1.12); agora, afirma que a recompensa é a vinda de Cristo (5.7,8). No começo, o caminho da perfeição é a oração (1.5) e no final da carta, ele volta ao mesmo tópico (5.13-18). No começo oramos por nós, no fim oramos pelos outros.
Tiago fala da segunda vinda de Cristo sob dois aspectos: como uma alegre esperança (5.7,8 e 10,11) e como uma temível expectativa (5.9,12). Para os salvos, o Senhor vem trazendo compaixão e misericórdia (5.11); para os ímpios o Juiz vem trazendo julgamento (5.9,12)."^ Tiago diz que a vinda do Senhor está próxima (5.8) e o juiz está às portas (5.9). Ao mesmo tempo em que a vinda do Senhor será um dia glorioso para o Seu povo, será também o terrível dia do Senhor para os ímpios.
Certo fazendeiro zombava dos crentes, trabalhando em frente à igreja no domingo. Colheu mais que os crentes e mandou uma carta para o jornal explicando sua posição: “Enquanto os crentes iam para a igreja eu trabalhei. Colhi mais que eles. Deus não me castigou. O que vocês pensam disso?” O jornalista publicou a carta e colocou uma nota de rodapé: Deus não ajusta suas contas na colheita."® James Boyce ainda diz: “Nós podemos passar por perseguições, enfrentar problemas, atravessar períodos de angústia, ver os maus prosperando, enquanto nós estamos sofrendo. Mas isso não é tudo. Um dia Deus acertará as contas”.
A vinda do Senhor é um sinal de alerta sobre o perigo do mau uso da língua. Devemos ter cuidado para não nos queixarmos uns dos outros (5.9). Também devemos ter cuidado para não fazermos juramentos impróprios (5.12). É mais fácil fazer um voto do que cumpri-lo. Mas ao fazermos um voto, devemos cumpri-lo, porque Deus não gosta de tolos (Ec 5.4). E mais importante ser real do que dramático. Nosso sim deve significar sim e o nosso não deve significar não. Devemos ser íntegros em nossa palavra. Não podemos ser pessoas divididas internamente. Devemos nos livrar da mente dupla. Devemos ser íntegros com Deus e com os homens e praticar uma devoção à verdade, se é que ela habita em nós.
A vinda do Senhor está próxima (5.8), está às portas (5.9). Enquanto Jesus não volta não esperamos vida fácil neste mundo (Jo 16.33). Paulo nos lembra que é em meio a muita tribulação (At 14.22).
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 109-111.
I - O VALOR DA PACIÊNCIA E A PROIBIÇÃO DO JURAMENTO (Tg 5.7-12)
1. O valor da paciência e da perseverança (vv.7,8).
Tiago começa esta seção de sua carta recomendando a paciência aos crentes. Ele diz que essa paciência deve durar até a vinda do Senhor. Exercer essa paciência deveria ser um grande desafio para aqueles crentes, e não é menos desafiador para nós. Vinte e um séculos se passaram desde que o Senhor Jesus prometeu retornar para buscar os seus, e a Igreja do Senhor tem tido de conviver com um mundo que muda a forma de pensar sempre para pior, e que diariamente descobre novas formas de transgredir os mandamentos divinos.
Devemos ser pacientes diante de todos esses fatores? Sim, mas lembre-se de que o foco da recomendação à paciência é no tocante à vinda do Senhor. Isso implica uma renovação diária da nossa confiança nas promessas de Jesus. E a orientação de Tiago à paciência não inclui a conivência com o pecado e com este mundo decaído.
A paciência tem sua recompensa. O exemplo desta é apresentado na comparação que Tiago faz sobre o lavrador e o fruto da terra. Da mesma forma que o trabalho do lavrador é árduo, deve ser árduo também o nosso esforço em nos lembrar de que a Vinda de nosso Senhor Jesus não tardará.
Tiago destaca ainda nessa comparação um terceiro elemento: a chuva temporã e a serôdia. E qual seria a importância desses fenômenos naturais para o agricultor? Elas representam a ajuda divina para o trabalho humano.
Martin Vincent comenta que a chuva temporã caía em outubro, novembro e dezembro, e prolongava-se até janeiro e fevereiro. Estas chuvas não vêm repentinamente, mas gradualmente, de modo que o agricultor pode semear seu trigo ou sua cevada. As chuvas vêm principalmente do oeste ou sudoeste (Lc 12.54), duram dois ou três dias a cada vez, e caem principalmente à noite... A chuva serôdia, que é muito menos intensa, cai em março e abril. A chuva na ocasião da colheita era considerada um milagre.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 147-149.
Tg 5.7 Os crentes devem ser pacientes mesmo em meio às injustiças. Os crentes precisam ter perseverança, confiar em Deus em meio às suas dificuldades, e se recusarem a procurar a vingança pelas injustiças que são cometidas contra cada um deles (veja também 1.2,12; Sl 37). Mas a paciência não significa inatividade. Havia trabalho a ser realizado — servir a Deus, cuidar uns dos outros, e proclamar as Boas Novas. Existe um ponto final, uma ocasião em que a paciência não será mais necessária - a vinda do Senhor. Nesta ocasião, tudo será corrigido. A igreja primitiva vivia em constante expectativa da volta de Cristo, e nós devemos fazer o mesmo. Como nós não sabemos quando Cristo irá retornar, para trazer a justiça e remover toda a opressão, devemos esperar com paciência (veja 2 Pe 3.8-10).
Como um exemplo de paciência, Tiago fala do lavrador, que precisa esperar o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência. A paciência deve ser exercitada e desenvolvida no período entre as chuvas. Até mesmo aqueles que não são lavradores têm muitas oportunidades para desenvolver a paciência. A espera da chegada de um bebê, o início em um novo emprego, a conclusão dos estudos, a espera pela visita de alguém querido, a melhora lenta da saúde durante uma enfermidade prolongada – todas estas situações colocam a nossa paciência à prova. Nós iremos exercitar a paciência quando nos concentrarmos no resultado final da nossa espera. O caminho de Deus raramente é o caminho mais rápido, mas é sempre o caminho completo.
Tg 5.8 Em lugar de serem como os ricos do versículo 5, que “engordaram” seus corações na riqueza deste mundo, os crentes devem permitir que a certeza do retorno de Cristo os ajude a ser pacientes e a fortalecer o seu coração, isto é, ter coragem. Quaisquer que sejam as circunstâncias, Tiago nos encoraja a sermos firmes na nossa fé e a termos uma alegria inspirada pela fé que impregne todas as partes da vida (veja 1.2-4). Como o lavrador, nós investimos muito tempo na nossa esperança futura. O lavrador está à mercê do clima - ele está fora do seu controle. Mas nós realmente sabemos que a vinda do Senhor está próxima.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 686.
Tg 5.7,8 Cristo Está Voltando,
Tiago não tenta provar a doutrina da Segunda Vinda, nem anunciá-la. Para ele, a Segunda Vinda é uma esperança viva para a Igreja Primitiva. Ele cita a iminência e realidade da vinda (parousia) do Senhor como um motivo para os cristãos permanecerem firmes: Sede, pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor (v. 7).
Dois tipos de paciência são sugeridos. O primeiro diz: Sede [...] pacientes (v, 7) — não se apressem em retaliar contra as injustiças cometidas contra vocês por homens descritos nos versículos 1-6. O segundo diz: Sede [...] pacientes (v. 8) — aceitando pacientemente a demora de Deus em relação ao retorno do nosso Senhor.
A ilustração da época de plantio e colheita foi tirada da experiência palestina. O fruto da terra é a colheita de grãos. Ele era precioso porque a vida do lavrador e sua família dependiam dele. Na Palestina, o grão é plantado no outono e recebe a chuva temporã no final de outubro. Ele recebe a chuva [...] serôdia em março e abril, pouco antes de estar maduro. Durante todo esse tempo, o agricultor espera pacientemente pela colheita. A razão da sua paciência é sua esperança confiante na colheita.
Tiago interpreta sua própria parábola: Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima (v. 8). A vinda do nosso Senhor era uma grande fonte de esperança para os primeiros cristãos. Porventura temos essa mesma expectativa em relação à vinda do Senhor? Tasker escreve:
Se a volta do Senhor parece muito distante, ou se a relegamos a um futuro tão remoto que não exerce nenhum efeito sobre a nossa perspectiva ou nossa maneira de viver, fica claro que deixou de ser para nós uma esperança viva. E possível que tenhamos permitido que a doutrina da sua volta em glória para julgar os vivos e os mortos tenha sido abafada pelo ceticismo ou se transformado em algo diferente, talvez como a transformação gradual da sociedade humana por valores cristãos, que parou de exercer qualquer tipo de influência em nossas vidas. Na medida em que permitimos que isso aconteça, cessamos de ser cristãos do Novo Testamento.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 191-192.
– O grande futuro ajuda a viver corretamente no presente (v. 7s).
Mas como podemos perseverar na fé, até mesmo quando somos alvo da injustiça descrita no v. 6?
Tg 5.7 “Perseverai, pois, irmãos, até à chegada do Senhor”:
a) “Irmãos”: Enquanto os v. 1-6 se referem principalmente a pessoas do mundo ao redor da igreja, aqui o texto se dirige àqueles que ouviram o chamado de Jesus e se tornaram filhos de Deus por arrependimento e fé e pelo Espírito Santo (Rm 8.14s).
b) “Chegada”, em grego parusia, “do Senhor”: a palavra, frequentemente traduzida como “volta”, significa literalmente “presença”, “chegada” (parusia tem ambos os significados: estar presente e tornar-se presente). A palavra expressa aqui que Aquele que no passado veio discretamente como ser humano e que agora está presente de modo invisível, inclusive por meio sua palavra e Espírito, virá e se manifestará súbita e dominantemente em divindade explícita (Jo 1.14; Mt 18.20; 28.20; 25.31s; Lc 17.24; 1Co 1.7; Fp 3.20; Tt 2.13).
Essa grande esperança e certeza constituem por assim dizer o horizonte dominante de nossa vida cristã. Sabemos, para onde correm a história do mundo e da salvação. Essa esperança determina nossa atualidade. O brilho da alegria prévia se estende até o dia mais sombrio. Ao mesmo tempo isso representa um forte compromisso para nós. “A expectativa esperançosa do futuro torna-se rigorosa disciplina para a atualidade” (Heinrich Rendtorff). A questão dominante é se estamos prontos para a chegada dele (Mt 24.44; Lc 12.35). Seja como for, cabe dizer “que somente poderemos falar de uma vida cristã quando o olhar para o Senhor vindouro dominar todas as coisas. Vida cristã de forma alguma se esgota em exemplaridade moral” (Kurt Hennig).
c) “Suportai, pois, com paciência”: no NT grego consta um verbo formado por makrothymia = “longanimidade”, “perseverança”. Por sabermos que Deus pronunciou a primeira palavra sobre este mundo e que também pronunciará a última, podemos ter fôlego resistente. Por termos conhecimento de como tudo “se apaga” em nossa vida pessoal e no mundo todo, podemos aguentar firmes.
Nossa paciência vive da paciência e longanimidade que Deus tem e precisa ter conosco. “Considerai como vossa beatitude a longanimidade de nosso Senhor” (2Pe 3.15). Deus espera até que sua casa esteja cheia (Lc 14.22s), até que tenha entrado o “número pleno dentre as nações” previsto por ele (Rm 11.25). Não é Deus quem nos faz esperar, mas somos nós que o fazemos esperar. A morosidade não é de Deus, mas nossa (2Pe 3.9,14s). Necessário é que os chamados também sejam preparados para que o Filho possa apresentar-nos ao Pai (Ef 5.25-27; Fp 1.6; 2Co 4.14; Cl 1.22,28; 1Ts 5.23). No NT a trajetória da igreja de Jesus pela história universal é comparada com o caminho de Israel do Egito à terra prometida (1Co 10.1-13; Hb 3.7-19; etc.). Israel poderia ter chegado mais rapidamente ao alvo se tivesse sido mais fiel. Será que nós também poderemos chegar mais depressa ao alvo se formos mais fiéis em vista de outros e nós mesmos? “Esperai e correi” em 2Pe 3.12 igualmente pode ser traduzido como “esperai e acelerai”. Apesar de todas as exortações à paciência certamente temos também a permissão e a ordem de suplicar pela vinda próxima de Jesus (Ap 22.17; Rm 8.18-27). Também Lc 18.7s se refere, conforme o contexto, à intervenção de Deus em seu grande dia para redimir os seus e eliminar o inimigo (cf. também Rm 16. 20; Ap 20.1-3).
d) De uma forma geral, as pessoas estão acostumadas a aguardar algo que na verdade não têm em mãos, mas do que não duvidam, em última análise por confiarem na fidelidade de Deus: “Eis que o lavrador aguarda.” Espera por duas coisas:
d.1) Pelo resultado de seus esforços: “o precioso fruto da terra”. Constitui grande milagre que a terra dê, com antiga fidelidade, a cada ano, o que o ser humano precisa. Quando falha apenas um ano, isso representa, até mesmo na atual era industrial, a maior catástrofe. Mas, após um crescimento praticamente imperceptível, a terra produz fielmente suas dádivas, embora as plantinhas sejam
inicialmente muito pequenas e ameaçadas. O próprio Deus se mantém fiel a nós nessa questão: “Enquanto durar a terra não cessarão semeadura nem colheita” (Gn 8.22; cf. Mc 4.26-29).
d.2) Espera que a planta receba o que precisa para crescer e amadurecer: “as primeiras e as últimas chuvas”, a chuva no outono para a semeadura e a germinação, a chuva na primavera para o crescimento e a maturação. O agricultor pratica com denodo e cuidado o que sabe e pode fazer. Deixa o restante serenamente por conta de alguém outro.
8 e) “Suportai vós também com paciência”: também no caso do reino de Deus temos uma colheita (Mt 13.23,30; Ap 14.15s; Sl 126.5s; Gl 6.9). Também nele é preciso semear e trabalhar a lavoura (Mt 13.3,24; 1Co 3.9; Gl 6.9). Porém o próprio Senhor tem de conceder o crescimento (1Co 3.6). Por meio da metáfora do lavrador se expressam duas coisas:
e.1) Não se preocupem, um dia haverá uma colheita. Os cardos e abrolhos, o inço semeado pelo inimigo não poderão sufocar tudo (Mt 13.8,23,30).
e.2) A lavoura recebe de Deus aquilo de que tem necessidade, “as primeiras e últimas chuvas”, sua palavra e seu Espírito (bem como as pessoas que prestam o serviço, hoje e amanhã – 1Co 3.6). “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). Por isso nós também podemos estar tranquilos. Faremos com esmero e fidelidade aquilo que podemos e devemos. O restante deixaremos por conta de nosso Senhor. O fato de que a extraordinária semente tenha caído no solo já não poderá ser revertido pelo inimigo com sua astúcia e violência, nem com todo o seu exército (Jo 12.24). Pelo fato de nosso Senhor ter sido morto e ressuscitado, a colheita para Deus pode amadurecer em nossa vida e também na vida de outros, por meio de nós. Já não será em vão o que fizermos (1Co 15.58).
f) Como, porém, sustentaremos essa paciência e serenidade? Tiago convoca: “Fortalecei os corações.” E Paulo escreve: “Sede fortes no Senhor” (Ef 6.10). A “bateria” de nossa própria força se esgotaria rapidamente. Somente quando perseveramos na “fonte energética” da força dele somos capazes de resistir. Cuidar desse contato significa “fortalecer os corações”. Jesus expressa isso por meio da ilustração da videira e dos ramos: “Permanecei em mim, e eu em vós, e dareis muito fruto. Porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 1.3s). – Tiago afirma: toda a questão pode ser vista em conjunto. Afinal, não é possível continuar infinitamente assim: “A chegada do Senhor está próxima”.
De acordo com os presságios da volta de Jesus citados pelas Escrituras temos a impressão de que poderíamos formular, também segundo a cronologia humana: “A chegada do Senhor se aproximou”.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
2. O valor da tolerância de uns para com os outros (v.9).
Ainda dentro de uma visão muito prática, Tiago recomenda que não nos queixemos uns contra os outros, para que não sejamos condenados. A expressão queixar-se, citada logo depois da recomendação à paciência, deve nos levar a crer que o hábito de queixar-se pode ser uma consequência da impaciência. Pessoas impacientes tendem a ser queixosas, e esquecem- se com facilidade de que Deus tem seu próprio tempo para realizar seus feitos.
E possível entender também que o queixar-se uns contra os outros demonstra o ato de as pessoas falarem mal uns dos outros. Além da impaciência que induz às queixas, deveria haver pessoas cristãs que em suas queixas apontavam os pontos negativos de outras pessoas. Isso por si é um ato digno de condenação da parte de Deus. Criamos muitas expectativas em relação a outras pessoas, esquecendo-nos de que todos somos limitados e propensos a falhas. Se como cristão aponto os erros de outras pessoas de forma intencional ou acidental, certamente serei julgado por Deus por causa desse ato.
Aqui entra a questão da tolerância. Não devemos aqui incentivar a tolerância para com o pecado — isso não está em questão no texto, e sim dos irmãos uns para com os outros. Lembremo-nos ainda de que esses crentes estavam tendo sua fé provada por meio de diversas tribulações. Mesmo nesses momentos, não podiam ser descuidados com suas palavras, nem demonstrar ressentimentos ou frustrações contra seus irmãos.
Ainda sobre o quesito paciência nos sofrimentos, Tiago apresenta alguns exemplos de aflição e paciência: os profetas que falaram em nome do Senhor e Jó, o patriarca. Tiago não cita os nomes dos profetas, mas sabe que seus leitores estão familiarizados de tal forma com a história de Israel. Esses leitores vão se lembrar dos exemplos daqueles que foram enviados por Deus para fazer com que o povo de Israel andasse de acordo com a vontade divina.
Os profetas eram pessoas que pagaram um alto preço para manifestar a vontade de Deus de forma inconfundível. Não raro, Deus ordenava a esses homens que fizessem coisas muito diferentes para dar ênfase à sua mensagem.
E o que dizer de Jó? Ele era o homem mais rico do Oriente. Tinha 10 filhos, boa saúde, e era temente a Deus. Quando trata de Jó, Tiago destaca o fim que Deus deu a ele, e como foi misericordioso e piedoso. Mas ele destaca também a paciência de Jó ante a suas tribulações. Como sabemos, Jó era um homem rico, e perdeu todos os seus bens. Tinha uma grande família, e perdeu todos os seus filhos. Tinha uma boa saúde, e ficou doente de tal forma que sua aparência assustava. Mesmo sendo um homem íntegro, foi acusado de ter pecado contra Deus. Passou o tempo de sua tribulação sem respostas sobre o motivo pelo qual passava por aquilo, e teve de aturar amigos que interpretaram errado os acontecimentos de sua vida. Passar por tudo isso exige paciência, e muita. Não há registros de que ele tenha pecado contra Deus em todas essas coisas. Mesmo na pior das situações, envergonhou Satanás e seus propósitos malignos de demonstrar que o homem só pode ser fiel quando tem dinheiro ou quando tem boa saúde. Jó venceu, e Deus também.
Aqui cabe uma palavra. Deus não retirou o que Jó tinha: família, riquezas e saúde. Mesmo assim, o Criador retribuiu em dobro o que o patriarca possuía e havia perdido. Curioso é notar que Jó não pediu nada de volta em dobro. Sua postura foi dizer “Deus deu, e Deus tirou”. Ele não fez exigências como se Deus tivesse obrigação de dar de volta o que tinha antes, como algumas músicas em nossos dias ensinam. E não há respaldo bíblico para tal prática, de pedir em dobro o que perdemos, como se fosse obrigação divina o reembolso de nossos bens.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 149-151.
Tg 5.9 Estes crentes, que estavam enfrentando a perseguição de fora e os problemas de dentro da igreja, naturalmente poderiam se achar resmungando e criticando uns aos outros. Tiago não quer que eles se encham de ressentimentos e amarguras uns em relação aos outros — isto somente destruiria a unidade de que eles precisam tão desesperadamente. Recusar-se a se queixar uns contra os outros faz parte da virtude de ser paciente (5.7). Queixar-se uns dos outros indica uma atitude descuidada em relação às palavras. Devido aos perigos criados pelas nossas palavras (veja Tg 3.I-I2), não podemos ser descuidados na maneira como falamos uns com os outros e uns dos outros. Tiago já mencionou o grande Juiz (4.12).
Este Juiz não está longe, mas já está à porta. Tiago está advertindo os crentes a que não estejam envolvidos em julgamentos, brigas. críticas ou mexericos quando aquele a quem deveriam servir retornar. O conhecimento da presença de Cristo não é apenas confortante; ele também pode ser condenador – especialmente quando nós começamos a nos comportar como se Ele estivesse longe.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 689-690.
A Pressão nos Induz à Impaciência, 5.9
O foco aqui muda da paciência com os pecadores fora da igreja para a paciência um com o outro dentro da Igreja. Alguém escreveu o seguinte: Caminhar em amor com os santos de cima Será uma maravilhosa glória; Mas, caminhar com os santos aqui em baixo, Bem, isso já é uma outra história!
Em tempos de dificuldades, a paciência é provada e somos tentados a nos queixar (v. 9; lit., gemer, ou seja, reclamar ou resmungar) uns contra os outros. Tiago adverte os cristãos a não apontarem para os erros de outra pessoa, para que não sejais condenados. A proximidade da vinda de Cristo serve como advertência contra o fracasso do cristão bem como para a consolidação da sua constância. Além do mais, o juiz está à porta. O retorno de Cristo está próximo; Ele será o Juiz de todos os homens; portanto, não devemos assumir o papel de julgar os outros, quer fora quer dentro da Igreja (cf. Mt 7.1-5).
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 192.
Como o grande dia da salvação ainda poderia se tornar uma desgraça para nós (v. 9).
De que nos valeria a esperança pelo grande dia se, quando ocorrer, não fôssemos encontrados prontos?
Tg 9 Tiago diz como isso pode acontecer precisamente na época em que a “injustiça toma conta e o amor esfria em muitos” (Mt 24.12): “Não vos queixeis uns aos outros, irmãos”: a queixa pode se dirigir contra o entorno, mas também contra os co-cristãos (“uns aos outros”). Tempos de perseguição sempre foram também tempos de confusão interior nas igrejas. Isso duplica o sofrimento. Amigos se afastam e nos atacam pelas costas. Alguns não querem ceder nem um milímetro. Outros gostariam de fazer acordos dizendo ser “prudência de serpente” (Mt 10.16), como a definem. O inimigo sempre manejou de forma excelente a arte de “dividir e dominar”. Alguém que persistir fielmente em seu lugar certamente ficará amargurado e gemerá por causa de seus amigos. Desse modo, porém, em pensamento já estará julgando (cf. acima o comentário a Tg 4.11s). E nosso Senhor declara: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1). Também Tiago nos diz o que está em jogo nesse pensamento (como tal muito bem inteligível): “Para que não sejais julgados” (novamente notamos que Tiago está próximo do Sermão do Monte). Em vista do grande juízo final temos de escolher se enveredaremos pela “via judicial” (“exijo o meu direito!” – contudo desse modo não somos capazes de “responder nem a uma de mil coisas”, Jó 9.3), ou, então, pela “via da graça”. Nosso Senhor franqueou este caminho com seu sacrifício e nos convida, consequentemente, a apresentar nosso “pleito por graça”. “Quem invocar o nome do Senhor será salvo” (Jl 2.32). Quando julgamos ao próximo, “queixando-nos” dele e buscando proceder contra ele pela “via judicial”, abandonamos também para nós mesmos a “via da graça”. Jesus, por exemplo, declara: “Com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também” (Mt 7.2; cf. Mt 18.23-35). – “O Juiz está diante da porta”: nosso Senhor virá em breve. Isso faz com que tudo seja ainda mais atual.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
3. Aflição, sofrimento e juramento (vv. 10-12).
Quem nunca ouviu a expressão “juro por Deus”? Geralmente as pessoas costumam usar juramentos para dar crédito ao que estão falando. É como se um juramento fosse a garantia de que o discurso tem validade, que é confiável. Na prática, esse hábito não é bom, pois a Bíblia nos adverte a que tenhamos um discurso mais exato em nossa vida, e essa exatidão está vinculada à forma como vivemos. Se minha vida exala exatidão em agir conforme a vontade de Deus, certamente minhas palavras acompanharão a minha vida.
Não precisamos jurar por Deus nem por ninguém para que sejamos levados a sério. Jurar por Deus é considerado uma forma de usar o nome do Senhor em vão, quando isso é usado de forma leviana. Falar de forma desonesta usando o nome do Senhor não garante a bênção dEle em nossas vidas.
Havia permissão na lei de Moisés para se fazer juramentos? Sim. “O Senhor, teu Deus, temerás, e a ele servirás, e pelo seu nome jurareis.” (Dt 6.13). E Jeremias 12.16 fala: “E será que, se diligentemente aprenderem os caminhos do meu povo, jurando pelo meu nome: Vive o Senhor, como ensinaram o meu povo a jurar por Baal, então edificar-se-ão no meio do meu povo”. Na prática, fazer juramentos em nome dos deuses era comum para os homens antigos, e mesmo o povo de Israel poderia jurar em nome do Senhor. Entretanto, essa prática não poderia substituir uma vida de integridade e a vontade de cumprir os votos prometidos. Um israelita poderia usar o nome do Senhor em um juramento, mas apenas se temesse a Deus e o servisse, conforme consta em Deuteronômio. E esse tipo de prática poderia ser estendido a outros que aprendessem os caminhos do Senhor e o servissem. Portanto, quem temia ao Senhor e o servia com integridade poderia usar o nome do Senhor para jurar e cumprir o juramento depois.
A preocupação de Tiago não passa por essa questão, e sim com a desonestidade de algumas pessoas na congregação que aproveitavam o nome do Senhor para convencer outras. Por isso, é bom que em vez de usarmos juramentos, que tenhamos atitudes que garantam nossas palavras.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 151-152.
Tg 5.10 Os cristãos de origem judaica conheciam as histórias dos profetas, muitos dos quais sofreram enormemente ou foram mortos por proclamar a mensagem de Deus (veja, por exemplo, o caso de Elias, em 1 Reis 19.1 ss.; o caso de Jeremias, em Jeremias 38; e o caso de Amós, em Amós 7). Tiago está lembrando os seus leitores de que mesmo aqueles que falaram em nome do Senhor tiveram que ter paciência na sua aflição. O significado parcial é que Deus não preserva aqueles a quem Ele chamou do sofrimento; antes, Ele os preserva no sofrimento. Eles tornam-se um exemplo para todos os crentes por causa da sua obediência e fidelidade, a despeito das dificuldades que suportaram.
Tg 5.11 Aqui Tiago está levando seus leitores à aplicação das lições de pessoas do Antigo Testamento. Por exemplo, Jó pode nos oferecer um olhar fascinante à história antiga e uma biografia interessante, mas a melhor obra de Jó é como um professor: alguém que sofreu e que pode nos ajudar a suportar o sofrimento. A sua vida é um exemplo que nós precisamos seguir. Jó pode ter reclamado, mas ele não deixou de confiar em Deus, ou de obedecer ao Senhor (veja Jó 1.21; 2.10; I6.I9-2I; 19.25-27). E o Senhor o alertou e o restaurou (veja Jó 42.12). Os crentes, depois de todo o sofrimento que tinham suportado até então, eram encorajados a não desistir - Deus os libertaria e os recompensaria. Nós podemos ver claramente, com base na vida de Jó, que a perseverança não é o resultado do entendimento. Jó nunca recebeu uma explicação de Deus sobre o seu sofrimento.
Isto deve-se, em parte, ao fato de que a dor é frequentemente uma parte da vida que deve ser suportada sem explicações. Existem muitas coisas que nós conseguimos entender, mas não todas. O objetivo de Deus não é que nós simplesmente desenvolvamos uma mente cheia de explicações e respostas; o seu objetivo é trazermos a um ponto em que nós confiemos nele.
Deus não gosta de ver o seu povo sofrendo. Ele permite que o seu povo enfrente a dor porque um bem maior será produzido. Enquanto isto, Tiago encoraja os seus leitores a confiarem em Deus, a esperarem pacientemente, a perseverarem, e a se lembrarem de que Deus é muito misericordioso e piedoso.
Tg 5.12 Tiago está se referindo às palavras de Jesus em Mateus 5.34-37. Jurar era um costume comum, e Tiago queria que esta prática fosse suspendida entre os crentes. As pessoas ofereciam garantias verbais desrespeitosas ou arrogantes que elas mesmas podiam reverter através de alguns detalhes legais. Como garantias em negrito em um texto de boa impressão, estes juramentos tinham a intenção de criar uma impressão de verdade - mas as pessoas que os pronunciavam não esperavam realmente ficar presas a eles. Os cristãos não deviam fazer nenhum juramento para garantir a veracidade daquilo que diziam. A nossa honestidade deve ser inquestionável. Os crentes não precisam fazer juramentos, pois as suas palavras devem ser sempre verdadeiras. Não deve haver motivo para que eles precisem reforçar as suas palavras com um juramento. Deus irá julgar as suas palavras.
Será que devemos fazer juramentos no tribunal? Os juramentos proibidos aqui são aqueles das conversas normais, e não os juramentos formais feitos em um tribunal. Os juramentos legais têm o objetivo de colocar quem os faz em uma obrigação legal. O perjúrio é um crime grave. A maioria dos estudiosos conclui que Tiago não deseja que nós nos recusemos a fazer juramentos no tribunal.
Uma pessoa que tenha a reputação de exagerar ou de mentir não pode conseguir que alguém creia nela somente através de sua palavra. Por exemplo, esta pessoa poderia dizer: “Eu prometo!”, ou: “Eu juro!” Os cristãos não devem nunca ser assim. Seja sempre honesto, para que os outros creiam nos seus simples “sim” e “não”. Evitando as mentiras, as meias-verdades, e as omissões da verdade, você ficará conhecido como uma pessoa digna de confiança.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 690.
Tg 5.10,11 Exemplos de Paciência,
Exemplos de piedade e devoção sempre servem de encorajamento para o cristão. Tiago provavelmente tinha as palavras de Jesus em mente: “bem-aventurados sois vós quando vos [...] perseguirem [...] por minha causa. Exultai [...] porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5.11-12). E por isso que ele diz: Eis que temos por bem-aventurados (v. 11, “Eis que temos por felizes”, ARA). “Nós, semelhantemente a Jesus, pronunciamos uma bem-aventurança aos profetas que foram homens tão pacientes”. Tiago nos lembra do nosso privilégio bem como do nosso sofrimento. Se sofremos por Deus, estamos em boa companhia. Por que os profetas, em vez de Jesus (cf. 1 Pe 2.21), foram escolhidos por Tiago como exemplos de paciência? Mayor considera diversas possibilidades, entre elas que “Tiago deseja que eles vejam Jesus como o Senhor da glória em vez de o padrão de sofrimento”.
Dos profetas que sofriam com paciência e que falaram em nome do Senhor (v. 10), Tiago volta-se agora para um homem que tem sido conhecido como “o maior exemplo” de paciência. Essa é a única referência a Jó no Novo Testamento, embora Tiago entenda que seus leitores estejam familiarizados com a história de Jó: Ouvistes qual foi a paciência de Jó (v. 11). A paciência dos profetas era uma atitude de longanimidade em relação aos seus compatriotas que os perseguiam. A palavra usada para descrever a paciência de Jó (hypomene) significa persistência ou tolerância.4 A paciência singular de Jó podia ser reconhecida na sua determinação em suportar quaisquer que fossem os infortúnios, sem perder sua fé em Deus. A frase o fim que o Senhor significa “o alvo do Senhor”. O apóstolo sabia que o propósito final de Deus sempre é bênção para o homem que suporta com paciência a aflição. Provavelmente, citando dos Salmos, ele conclui: “porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (v. 11, ARA; cf. SI 103.8; também Êx 34.6).
Tg 5.12 O Juramento é Proibido,
Superficialmente, a admoestação desse versículo não parece estar relacionada com o contexto. Há, no entanto, uma conexão com o pensamento do versículo 9. Debaixo da pressão das circunstâncias, há uma tendência de se falar explosivamente e se usar o nome de Deus em vão com juramentos precipitados e irreverentes. Talvez seja com relação ao versículo 9 que Tiago diz: Mas, sobretudo — i.e., acima de todas as formas desprotegidas do falar emocional e queixoso — não jureis. Nesse mandamento o autor está parafraseando as palavras de Jesus (Mt 5.34-37).
Nem Tiago nem Jesus tinham a intenção de proibir o juramento sério ou oficial ordenado nas Escrituras (cf. Dt 6.13; 10.20; Is 65.16; Jr 4.2; 12.16). Ambos estavam preocupados com o uso irreverente do nome de Deus e advertiam contra o falar desonesto que requeria um juramento para apoiar cada afirmação. O caminho para evitar ofensa desse tipo é fazer uso de uma linguagem simples e sincera — que a vossa palavra seja sim, sim e não, não.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 192-193.
Outros foram exemplos para nós na perseverança (v. 10s).
Tg 5.10 Não somos os primeiros que passam por coisas desse tipo. Em outros que trilharam o caminho antes de nós podemos constatar o que acontece com uma pessoa, como ela procede corretamente e a que alvo Deus a leva: “Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor”: se tivessem silenciado, nada lhes teria acontecido. Se tivessem dito o que as pessoas gostam de ouvir, teriam sido aplaudidos. Contudo perseveraram em sua missão. Por isso, no lugar em que se encontravam estava também seu Senhor (cf. 1Rs 18.36). Pessoas como elas são incômodas para o inimigo. Mas ele sempre encontra outras pessoas que também se deixam usar como instrumentos dele contra aquelas. Elas passam a atacar duramente os mensageiros de Deus. Por isso eles não ficam isentos do sofrimento. Porém, confiando em seu Senhor, preservam e comprovam paciência, perseverança e rumo claro. Também os que foram crentes antes de nós não passaram sem tribulação por este mundo. Não esperemos algo diferente!
Tg 5.11 “Temos por felizes os que perseveraram firmes”: no entanto não adianta somente declará-los felizes. Temos de seguir o exemplo deles. Não basta ler biografias cristãs. É necessário que em nosso lugar e nossa época também nós sejamos aprovados no sofrimento e na paciência.
Em Hb 11.17-40 cita-se por nome uma série de pessoas que andaram o caminho antes de nós e cruzaram a meta. Tiago, porém, menciona somente uma: Jó. “Tendes ouvido da paciência de Jó”: atingiam-no, golpe após golpe, as “notícias sinistras”. Ele, porém, dizia: “O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1.21), bendito apesar de tudo! A pessoa mais próxima dele, sua esposa, aconselhou-o a renegar a fé: “Amaldiçoa a Deus e morre!” (Jó 2.9). Ele, porém, ficou firme: “Temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?” (Jó 2.10). Ao prosseguir na leitura do livro, notamos: nem mesmo Jó estava livre de dúvidas. Às vezes passava bem perto da ira contra Deus. Também os líderes espirituais de nosso país não desempenharam sempre um papel tão admirável como poderíamos imaginar a partir de diversas biografias. E tampouco nós o desempenharemos. “… para que diante dele ninguém se glorie” (1Co 1.29).
“Vistes o fim do Senhor; que o Senhor é rico em terna misericórdia e cheio de compaixão”: O “fim do Senhor” é, na acepção lingüística ativa, uma expressão hebraica peculiar e significa o fim (positivo) que Deus deu à atribulada trajetória de Jó, o alvo para o qual ele o conduziu (Jó 42.10-16). Deus declarou-se admiravelmente favorável a Jó. Como razão de tudo isso Tiago cita somente uma coisa: “que o Senhor é rico de terna misericórdia e cheio de compaixão” (cf. acima o comentário sobre Tg 2.13; 3.17 acerca da misericórdia de Deus).
Pergunta-se se essa palavra também se refere a Jesus. Nesse caso significa: o destino de Jó foi uma das prefigurações da trajetória de Jesus. De forma muito diferente de Jó ele também comprovou a perseverança paciente. E o desfecho positivo nele foi ainda mais significativo (Fp 2.5-11). Nós “vimos” que Deus se declarou milagrosamente a favor dele na Páscoa e na Ascensão. Igualmente “vimos”, ou seja, experimentamos, que “o Senhor é rico de terna misericórdia e cheio de compaixão”. Por ter passado por tudo isso, nosso Senhor nos compreende completamente e tem maior compaixão com nossa fraqueza (Hb 4.15).
É possível uma ou outra interpretação da passagem. Seja como for, a mensagem é: é verdade que passamos por consideráveis sofrimentos e testes de paciência, porém temos um Senhor misericordioso que não nos quer torturar, mas conduzir a um fim glorioso (Is 28.29; 1Co 10.13).
4 – Nenhum desvio da atitude de humildade e paciência (v. 12).
Tg 5.12 “Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes, seja o vosso sim sim, e o vosso não não, para não cairdes em juízo” (cf. também Mt 5.34-37). A palavra “jurar” tem vários significados:
a) O juramento visa alicerçar uma declaração acerca de algum conhecimento em vista de um acontecimento passado. É nesse sentido que os tribunais às vezes exigem o juramento das testemunhas.
b) O juramento deve alicerçar a declaração de uma vontade em vista de um comportamento pessoal futuro. É essa a característica do juramento profissional ou à bandeira.
c) Existem também em diálogos do cotidiano asseverações em forma de declarações semelhantes a um juramento, p.ex., para confirmar ou não um conhecimento. No Oriente Médio elas devem ter sido particularmente frequentes (cf. Mt 5.34-37).
Atenuaríamos a recém-mencionada palavra de Jesus do Sermão do Monte e também a de Tiago se restringíssemos a interpretação apenas à alternativa c. Faz parte da natureza dos discípulos de Jesus, que não desejam seguir ao “pai da mentira” (Jo 8.44), mas ao Senhor da verdade (Jo 14.6; 18.37), que digam a verdade por causa de Deus e das pessoas com singeleza e pureza, e que tampouco recorram, para corroborar sua declaração, ao nome do santo e grande Deus, indisponível para eles. Pelo contrário, esperam com paciência que ele se posicione favorável a eles e à palavra deles. Por isso um cristão às vezes se opõe com sua frágil palavra, totalmente indefeso, a um mundo mentiroso e desconfiado. Em certas ocasiões os cristãos precisam parecer “gente inaceitável”, para que fique patente como o mundo é “inaceitável”.
De acordo com o contexto de Tg 5.6ss deve-se considerar também a seguinte situação: um cristão foi difamado, desonrado e deserdado, e até ameaçado de morte. Por muito tempo agiu segundo o modelo de seu Senhor e a palavra: “Ele não ofereceu resistência” (Tg 5.6). Agora, porém, explode de repente: “Tão certo como existe um Deus no céu, estou sofrendo injustiças! Não continuarei tolerando isso!” Por mais compreensível que seja uma reação dessas, ela não deixa de representar um afastamento da atitude da fé e da paciência, da trajetória predefinida pela Escritura: não vos vingueis a vós mesmos… Deus retribuirá (cf. Rm 12.19). Jesus não agiu assim. Com tais coisas distanciamo-nos dele e por fim perdemos tudo. Por isso: “Acima de tudo, meus irmãos…” Alguém pode realizar e suportar muitas coisas, mas dificilmente tolerar a injustiça revoltante. Contudo seria pena se por isso perdêssemos até mesmo o prêmio de vitória naquele dia. Por isso diremos com simplicidade nossa palavra no sentido do “sim – sim”, “não – não” (Mt 5.37). Se não nos derem crédito, nós o suportaremos como sofrimento de Cristo.
d) O termo grego neste texto significa ao mesmo tempo também “conjurar”. O mundo helenista tentava controlar os poderes do destino por meio de fórmulas de esconjuro, para que passassem a atuar, p.ex., no sentido de ajudar a própria pessoa ou de castigar outra. No tempo de perseguição os cristãos podem ter corrido o risco de falar de forma similar com o Deus vivo (“jurar” tem em vista o falar com pessoas, e “conjurar”, o falar com Deus). Sob intensa pressão algo assim também poderá eclodir de nós: “Tão certo como vives, tens de me ajudar agora!” Ou também: “Tão certo como és Deus, não permitas mais que ele o faça! Corta-lhe o caminho!” Assim o ser humano tenta dispor de Deus e forçá-lo a ajudar imediatamente a si mesmo ou castigar a outros. Dessa forma nos arvoraríamos em acusadores e juízes sobre esses outros. De Mt 7.1 sabemos (cf. também o comentário a Tg 4.11s; 5.9) que assim traríamos o juízo de Deus sobre nós mesmos. Por isso Tiago diz igualmente aqui: “para não cairdes em juízo.” Também na época escatológica que nos deixa amargurados, pretendemos permanecer inteiramente nos sulcos de seu ser e seu caminho, seja no que diz respeito ao nosso relacionamento com Deus, seja também no tocante ao nosso semelhante. Nosso Senhor há muito declarou nas horas da mais dura luta: “Não como eu quero, mas como tu queres!” (Mt 26.39). E: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
II - A UNÇÃO DE ENFERMOS E COMO DEUS OUVIU A ELIAS (Tg 5.13 18)
1. Oração e cânticos (Tg 5.13).
À medida que vai terminando sua carta, Tiago continua dando conselhos práticos aos leitores. Ele já recomendou paciência na tribulação, e agora apresenta um tratamento contra a aflição: a oração. Está alguém aflito? Ore. Nada melhor que pedir paciência a Deus em oração. Essa oração pode ser também pelo fim do sofrimento, pois ninguém, em sã consciência, gosta de passar períodos contínuos de sofrimento.
Precisamos entender que não somos imunes ao sofrimento, em qualquer de suas esferas, mas nem por isso estamos impedidos de pedir que Deus nos alivie do sofrimento. Jesus rogou ao Pai que se possível, retirasse dEle o cálice do sofrimento, e Paulo rogou ao Senhor que tirasse dele o espinho na carne. Faz parte da nossa natureza a busca pelo alívio do sofrimento, e isso em si não é errado. Entretanto, podemos entender que é errado passar pelo sofrimento murmurando e queixando-se de tudo e de todos. Tiago recomenda que oremos, portanto, quando estivermos em aflição. Assim, além de buscarmos conforto em Deus, evitamos pecar com a murmuração.
Como já sabemos, a vida do servo de Deus não é apenas de sofrimentos. Temos refrigério e muitos momentos de alegrias e vitórias concedidas por Deus, e devemos demonstrar nossa gratidão e alegria entoando louvores ao Senhor. Essa é uma forma de adoração a Deus que chama a atenção das pessoas à nossa volta. Adoramos a Deus com nossas atitudes, nossas orações e contribuições, mas também por meio de nossos louvores. Tiago repreende de forma enérgica a murmuração, mas incentiva a adoração e os cânticos.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 152-153.
Tg 5.13 Há muitas respostas para o sofrimento.
Alguns de nós preocupam-se; alguns juram vingança contra aqueles que causaram o sofrimento; alguns deixam a ira arder no seu interior; alguns queixam-se. Mas Tiago diz que a resposta correta para o sofrimento é continuar orando sobre ele (veja também Sl 30; 50.15; 91.15). Esta não será necessariamente uma oração pedindo o fim do sofrimento, mas pedindo paciência e forças para suportá-lo. Se formos suficientemente bem-aventurados, a ponto de nos sentirmos felizes, devemos agradecer a Deus cantando louvores ao Senhor (veja também 1 Co 14.15; Ef 5.19; Cl 3.16). Pelo fato de nosso louvor ser dirigido a Deus, cantar é, na verdade, uma outra forma de oração.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 691.
Tg 5.13 A continuidade e a relação mútua desses versículos finais da epístola não estão inteiramente claras. Eles são, portanto, interpretados de formas diferentes. Alguns os consideram essencialmente sem conexão e denominam essa seção simplesmente de “Admoestações finais”. Mas uma leitura cuidadosa mostra que há uma progressão lógica, visto que Tiago fala aqui das necessidades espirituais dos cristãos.
Oração e Louvor, 5.13
Nos versículos 7-12, o apóstolo estava exortando seus leitores em relação à conduta cristã diante da aflição. Aflito (kakopathei) aqui tem o mesmo significado de “aflição” (kakopatheias) no versículo 10. Na provação, como em cada circunstância da vida, o dever mais elevado do cristão bem como o seu privilégio mais nobre é a comunhão com Deus. Por isso, Tiago escreve: Está alguém entre vós aflito? Ore. Para que os seus leitores possam ter uma perspectiva correta e lembrar-se de Deus nas horas alegres, ele acrescenta: Está alguém contente? Cante louvores. O louvor deveria estar em nossos lábios quando a vida proporciona alegria; e deveria haver louvor mesmo debaixo de pressão quando nos lembramos da bondade de Deus (cf. Ef 5.18-20). Cante louvores (“cante salmos”, KJV) é uma tradução do grego restrita demais; ela se tornou a Versão Autorizada provavelmente por causa do costume de cantar salmos na Inglaterra em 1611, quando a KJV foi escrita. Quase todas as traduções mais modernas trazem “cante louvores”. Reicke nos alerta que há lugar tanto para os cânticos evangélicos mais recentes como para os hinos cristãos tradicionais. Ele diz: “Vale salientar que aqui o cântico cristão é supostamente um meio de expressar os sentimentos alegres bem como os sentimentos mais sérios”.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 194-195.
“DE TUDO FAÇA UMA ORAÇÃO!” – TG 5.13
Tudo deve e precisa servir ao aprofundamento de nossa comunhão com o Senhor. Paulo, p.ex., escreve: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28).
Tg5.13 1 – “Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração!”: quando o ser humano comum sofre, acusa Deus e o mundo, fica irado e diz: “Agora é que não creio em mais nada.” Apesar de toda a compreensão pela angústia interior de pessoas que sofrem pesadamente, não se pode deixar de dizer: quem fala assim provavelmente nunca terá crido de verdade. O sofrimento nos impele na mesma direção na qual já estamos caminhando: quando vivemos de costas para Deus, ele nos impele ainda mais para longe de Deus. Quando estamos voltados para Deus, o sofrimento nos impele para perto de Deus. Quantos personagens da Bíblia se deixaram levar à oração por intermédio da aflição: Jacó às margens do Jaboque (Gn 32.23-32), Moisés na dor por causa do pecado de seu povo (Êx 32-34), Davi e outros por causa da própria culpa (Sl 51;130), Daniel pela culpa e aflição de seu povo (Dn 9.1-19). Em nosso Senhor Jesus Cristo, o sofrimento fez com que sua comunhão com o Pai e sua obediência se destacassem de forma ainda mais maravilhosa: “Aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8).
Quando também nós somos levados pelo sofrimento a uma comunhão mais profunda com nosso Deus, ele nos presta um bom serviço. Deus alcançou assim o que pretendia alcançar. O sofrimento nos presta um serviço rumo à oração. E a oração nos presta um serviço no sofrimento: ele não precisa nos deixar desesperados e embotados. Afinal, sempre resta uma saída aberta para nós, a saída em direção ao grande e misericordioso Deus.
2 – “Está alguém alegre? Cante salmos”: graças a Deus que também existem épocas na vida em que não é difícil estar “alegre”. No entanto, o que produzem elas em nossa vida? Assim como o sofrimento nos impele para frente, assim a felicidade nos atrai para frente na direção em que de qualquer maneira já nos movemos. Quando um ser humano vive de costas para Deus, os tempos de felicidade facilmente se tornam tempos de superficialidade, de indiferença e de glorificação pessoal: “Vejam, basta saber se virar, e tomar a vida pelo lado positivo!” Então as horas de “alegria” não raramente se transformam também em horas de leviandade, petulância, orgulho e flagrante pecado. Naquele, porém, que vive voltado para Deus, a alegria também é revertida em oração, gratidão e louvor. – “Cante”: é verdade que está escrito “Cantai ao Senhor em vossos corações” (Cl 3.16). Isso, porém, não exclui que também se cante com os lábios. O mundo descrente hoje quase não canta mais. Tão somente ouve a música boa ou ruim feita por outros. Será bom que se reconheçam cristãos pelo fato de cantarem. Tempos de nova vida no cristianismo sempre foram também tempos de novas canções (ainda mais belo é quando se agradece a Deus “com corações, lábios e mãos”). Um cântico desses sempre é ao mesmo tempo uma confissão perante o mundo em redor e um convite para que se acheguem ao bom Deus: louvarei ao Senhor “para que os míseros ouçam e se alegrem” (Sl 34.2). Uma velha mãe que passara por muitos sofrimentos declarou a outras mulheres mais jovens que carregavam uma cruz: “Se existe uma coisa na vida de que me arrependo é de sempre ter me preocupado.” Essas palavras também foram um desses louvores convidativos a Deus. – “Salmos”: são palavras que já existiam prontas para a oração, hinos que haviam sido transmitidos por gerações anteriores do povo de Deus, ou também canções que foram produzidas pelo jovem cristianismo nos dias de Tiago (cf. Fp 2.5-11). Também nós temos o direito de nos dirigir a Deus com palavras próprias, de acordo com o que sentimos no coração. Da mesma forma, porém, podemos usar as palavras de outros, os salmos da Bíblia e os hinos da igreja de Jesus Cristo. Também um hino antigo torna-se “cântico novo” se por meio dele amarmos e louvarmos autenticamente a Deus.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
2. A oração da fé (vv. 14,15).
Ainda abordando a questão da oração, surge o tema da oração pelos enfermos. Havia certamente pessoas na congregação que adoeciam por diversos motivos, fossem eles genéticos, advindos de hábitos prejudiciais à saúde ou outros fatores.
Desde a queda, o ser humano convive com doenças que se não matam em pouco tempo, debilitam ou tiram a capacidade de as pessoas trabalharem ou terem vida social.
A Bíblia relata diversos casos de doenças. A lepra era uma das mais conhecidas nos tempos bíblicos. Além de afastar a pessoa de sua família e amigos, ia apodrecendo os membros do corpo do doente. Fluxos de sangue também eram conhecidos, a ponto de a Lei de Moisés alertar sobre a forma como uma pessoa deveria ser tratada nesse tipo de situação. Uma pessoa com fluxo de sangue se tornava anêmica, fraca e debilitada, além de carregar em si um pesado estigma social. É evidente que havia formas de curas nos tempos antigos, mas nem todas as doenças eram conhecidas e igualmente tratadas para que o enfermo fosse curado.
A oração da fé isenta o doente de buscar auxílio médico? De forma alguma. Buscar auxílio médico não deve ser interpretado como sinal de incredulidade. Tomemos por exemplo o caso de Jesus e os dez leprosos de Lucas 17. Jesus estava indo para Jerusalém e passou entre Samaria e Galileia. Entrando em uma aldeia, encontrou-se com dez leprosos que imploraram a cura do Senhor, e Ele os mandou apresentarem-se ao sacerdote. Por que isso? Primeiro, porque o sacerdote era quem declarava a pessoa leprosa, mas ele igualmente declarava a pessoa curada. E o curado deveria agradecer a Deus com uma oferta trazida por sua cura.
Não estamos isentos de buscar ajuda médica, no mínimo para descobrir que tipo de mal está nos acometendo e que tipo de tratamento nos pode ser ministrado. Mas não podemos nos esquecer de que servimos a um Deus que tem poder sobre todas as doenças, e que nos pode curar.
A oração da fé deve ser ministrada pelos presbíteros da igreja, que deveriam ungir o enfermo com azeite em nome do Senhor. O poder da cura estava em o nome do Senhor Jesus Cristo. Os presbíteros não realizavam a cura, mas deveriam orar ao Deus que tem o poder de curar.
O verso 15 de Tiago traz mais uma característica desse caso específico de oração pela cura: o perdão dos pecados. E possível haver conexão entre um pecado e uma doença, mas da mesma forma essa conexão pode não existir. Por isso, Tiago não diz “está doente porque cometeu pecado”, mas diz “... se houver cometido pecados. Tiago não vincula doenças a pecados, mas entende que esse vínculo pode existir.
Se este é o caso em tela, ou seja, se uma pessoa peca e fica doente, podemos entender que a busca pelos presbíteros da igreja — para que orem pelo enfermo — pressupõe um arrependimento do pecado cometido e a busca pela restauração física e espiritual. Sabemos que esses casos devem ser tratados de forma individual, pois Tiago não criou essa regra. De qualquer forma, por meio da oração, os pecados serão perdoados. O bem-estar físico e o espiritual são bênçãos de Deus para seus filhos, e Ele age de forma completa em todos os sentidos.
O que não pode faltar em qualquer desses dois casos é a fé. Se uma pessoa está doente por causa de um pecado, ou se está doente por outros fatores, ela deve buscar ajuda do alto com fé. Esse elemento é indispensável tanto para o doente quanto para os presbíteros que hão de orar. E a oração da fé, não a unção com azeite, que salvará o enfermo. A unção tem o sentido terapêutico e não pode ser dispensada, mas é a fé que trará a vida ao doente. Nossa oração, portanto, não pode ser apenas para receber a cura divina, mas também para que a nossa comunhão com Deus seja restaurada e nossos pecados, perdoados.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 153-155.
Tg 5.14 Uma característica da igreja primitiva era a sua preocupação com os doentes e o cuidado para com eles. Aqui Tiago incentiva os doentes para que chamem os presbíteros da igreja, pedindo aconselhamento e oração. Os presbíteros eram pessoas espiritualmente amadurecidas, responsáveis pela supervisão das igrejas locais (veja 1 Pe 5.1-4). Os presbíteros iriam orar sobre a pessoa doente, pedindo a cura ao Senhor. A seguir, eles a ungiriam com azeite em nome do Senhor. Enquanto oravam, os presbíteros deviam pronunciar claramente que o poder da cura residia no nome de Jesus. A unção era frequentemente usada pela igreja primitiva nas suas orações pedindo cura. Nas Escrituras, o azeite era tanto um remédio (veja a parábola do bom samaritano, em Lucas 10.30-37) como um símbolo do Espírito de Deus (como quando usado para ungir reis; veja 1 Sm 16.1-13). Desta forma, o azeite pode ter sido um sinal do poder da oração, e pode ter simbolizado a separação da pessoa enferma para a atenção especial de Deus.
Tg 5.15 A oração deve vir do coração, ser sincera, e estar fundamentada na confiança em Deus e na obediência a Ele, e não pode haver dúvidas, como em 1.5-8. Ter fé é uma responsabilidade dos presbíteros que estão orando, e não da pessoa doente (nada é dito a respeito da sua fé). É possível que a fé da pessoa doente seja exercida ao chamar os presbíteros. Além disto, se há a necessidade da confissão, os presbíteros poderão ministrá-la a esta pessoa. O processo assegura a dependência que os crentes têm uns dos outros. Não são os presbíteros que realizam a cura, nem é o azeite, mas é o próprio Senhor. Será que isto significa que todas as orações em que se pede a cura garantem que Deus fará a pessoa doente melhorar? Deve ser enfatizado aqui que a oração oferecida é uma oração oferecida em fé - não somente a fé que crê que Deus pode curar, mas também a fé que expressa a confiança absoluta na vontade de Deus. Uma verdadeira oração de fé irá reconhecer a soberania de Deus na resposta que Ele decidir conceder àquela oração. A vontade de Deus nem sempre é curar aqueles que estão enfermos (veja 2 Co 12.7-9).
Uma oração em que se pede uma cura deve ser feita juntamente com o reconhecimento de que a vontade de Deus é suprema. O pecado pode ou não ser a causa da doença, mas é dada uma oportunidade para a confissão, e os presbíteros estão ali para recebê-la. Não se faz nenhuma exigência de confissão, mas a oportunidade é dada a qualquer pessoa que houver cometido pecados. Esta condição é importante porque, com excessiva frequência, nós temos a tendência de supor que o pecado é a causa do sofrimento de alguém. A Bíblia ensina que o pecado pode causar enfermidades (veja Mc 2.1-12; 1 Co 5.5; 11.27-30), mas ela também observa claramente que este não é sempre o caso (veja jó 9.2,3).
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 691.
Tg 5.14,15ª O Privilégio da Cura Divina
A oração em tempos de enfermidade é nosso dever e nosso privilégio em Cristo. Provavelmente, deveríamos observar essa prática cristã mais do que fazemos. Tiago diz: Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele. Os presbíteros eram líderes reconhecidos ou apontados na congregação local desde os anos 40- 50 d.C. (cf. At 11.30; 14.23). Sua função era um tanto semelhante à do pastor dos nossos dias. Orar sobre ele significava orar estando em pé ao lado (“sobre”) do leito do enfermo. Um significado secundário da palavra sobre (epi) poderia ser orar junto a em vez de sobre ele.
A prática de ungir com azeite em conexão com cura é mencionada somente mais uma única vez no Novo Testamento (Mc 6.13). Para nós essa unção serve como um símbolo de obediência à admoestação da Palavra de Deus e provavelmente como uma forma de encorajamento à fé do doente. Nos tempos do Novo Testamento, esse pode ter sido um tratamento medicinal natural usado em cooperação com a oração. Sabemos que a unção do corpo com óleo era uma prática medicinal comum na Palestina do primeiro século. O verbo ungindo (aleipsantes) significa literalmente “tendo ungido”. Moffatt entende essa ação como untar o corpo do paciente com óleo. Parece claro, no entanto, que se a unção era um meio natural de cura, ela também tinha um significado espiritual, porque era para ser administrado em nome do Senhor. Em todo caso, Tiago nos assegura que é a oração da fé (“oração oferecida com fé”, NEB) que salvará o doente, e o Senhor o levantará (v. 15).
A Bíblia ensina a doutrina da cura divina e cabe a nós procurar fazer a oração da fé pela cura do doente. No entanto, recursos e intervenções providenciais, quando necessários, não deveriam ser rejeitados. Aqueles que não conhecem a Cristo recorrem à medicina e cirurgia sem oração. Nós que confiamos nEle devemos usar todos os meios salutares que a ciência moderna tem nos oferecido e ao mesmo tempo confiar a nossa cura inteiramente ao seu soberano poder.
Easton comenta: “O autor deixa essa promessa sem qualificação, embora tanto ele quanto seus leitores soubessem perfeitamente bem que nem todos os casos de enfermidade seriam curados; aqui, como em todos os casos, quando a eficácia da oração é ensinada, a condição ‘conforme a vontade de Deus’ deve ser entendida de forma implícita. Contudo, todos sabem que quando existe uma fé viva e profunda, como era o caso na época em que Tiago foi escrito, curas extraordinárias acontecem”.
Tg 5.15b,16ª Cura e Perdão
Entre os judeus, a doença geralmente era atribuída ao pecado. Jesus rejeitou essa visão como um princípio universal (Jo 9.1-2), mas em outro texto sugere o que sabemos ser um fato, que em muitos casos o pecado é a causa de uma enfermidade específica (cf. Jo 5.14).
Nesses casos, presume-se que a pessoa que procura a cura também se arrependeu do seu pecado e está procurando o perdão divino. No versículo 16, a ordem da oração está invertida. Aqui a pessoa é admoestada: “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados” (v. 16, NVI, grifo do autor). Quando uma pessoa vem sinceramente a Deus com uma necessidade, receberá ajuda. Essa ajuda aumenta sua fé em Deus, e ela provavelmente também encontrará ajuda para outras necessidades.
Easton3 ressalta que a admoestação Confessai as vossas culpas uns aos outros (v. 16) não deve ser entendida como uma prática universal cristã mas, sim, ser entendida em seu contexto, ou seja, a confissão sendo feita pelo doente e a oração pelos visitantes. Embora essa pareça uma interpretação razoável, a gramática permite uma exegese mais ampla. É certamente verdade que quando reconhecemos que agimos erradamente e oferecemos orações mútuas de intercessão, isso fortalecerá grandemente toda a vida espiritual da igreja e abrirá o caminho para bênçãos crescentes de Deus.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 195-196.
1 –  O cristão e a enfermidade (v. 14).
Tg 5.14 “Está alguém entre vós doente?”: para muitos é um tormento que haja enfermidade também na vida do cristão.
a) A Bíblia vê a enfermidade relacionada com o pecado humano. “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23), e a enfermidade como precursora da morte é igualmente decorrência do pecado. É verdade que Jesus baniu a conclusão de que o portador de uma enfermidade especial também deve ter pecado de maneira especial (Jo 9.2ss). No entanto, alguém pode constatar em si mesmo a doença como decorrência de seu pecado e curvar-se debaixo dela – dando razão ao julgamento de Deus.
b) Acontece, porém, que os pecados nos foram perdoados em decorrência do sofrimento expiatório de Jesus. Será que nesse caso não deveriam ter sido retiradas também todas as consequências do pecado? Afinal, Jesus não carregou também todas as nossas enfermidades (Is 53.4)? “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo” (Ec 3.11). Na consumação não haverá mais enfermidade nem morte, nem “sofrimento” (pela perda de entes queridos), “clamor” (de lamentação e acusação, de falta de paz e de guerras), “dor” (da doença e das feridas). “E a morte não existirá mais” (Ap 21.4). Com a primeira vinda de Jesus, Deus dá o primeiro passo e cura, sempre que for acolhido, a causa oculta do mal: perdoa o pecado e concede a sua paz. Com a segunda vinda, Deus dá o segundo passo e também anula todos os efeitos visíveis do pecado: discórdia entre pessoas, enfermidade e morte (Ap 21.4). Afinal, se Jesus não vier antes, também nós teremos de morrer. Vivemos em uma época de “não ver e, apesar disso, crer” (Jo 20.29; 1Pe 1.8; 2Co 5.7; 1Co 13.12; Rm 8.24; 1Jo 3.2). Crer sem ver é o principal tema do exame de toda a nossa vida cristã em nosso mundo.
c) Isso não exclui que Deus conceda desde já aperitivos do que há de vir, uma primeira prestação (cf. v. 15): os milagres de Jesus outrora e hoje são “sinais” (Jo 2.11; 3.2; 11.47) que mostram o que ele fará um dia de forma grandiosa e geral. As noites do “não ver e, apesar disso, crer” não são tão escuras que não luzam nelas também as estrelas. E Deus com certeza estaria disposto a nos dar mais se confiássemos nele.
d) Logo vale a regra: a salvação é presenteada por Deus em todos os casos a cada um que o pedir (Jl 2.32; Rm 10.13), mas a cura exterior, durante a presente era, é presenteada onde e quando lhe aprouver. – Por isso ambas as posições estão biblicamente erradas: d.1) A frase comum em vários “grupos pentecostais”: “Quem crê não está enfermo, e quem está enfermo não crê corretamente.” d.2) A opinião já existente desde o tempo do Iluminismo: “Que adiantará, pois, a oração contra a enfermidade e outras dificuldades? Afinal, a vontade de Deus é perfeita.” Ou: “Obviamente a oração não muda nada; apenas nos torna mais dóceis para a vontade de Deus.” Por isso a única oração que deveria existir seria: “Seja feita a tua vontade!” Isso tem conotação muito lógica e devota, mas não corresponde à comunhão de vida que o Pai no céu concede a seus filhos neste mundo conforme as Escrituras. Temos o privilégio de lhe dizer o que move nosso coração, e lhe dirigir preces, deixando então por conta de sua sabedoria paterna o que ele fará com essas orações. Jesus declara: “Peçam, e receberão” (Mt 7.7). Toda oração correta é atendida, embora com frequência de modo diferente e em momento diferente do que imaginamos, porém de forma melhor e em tempo mais acertado.
2 – O enfermo e a igreja (v. 14)
Enfermidade traz solidão. Isso é particularmente doloroso para um cristão cujo lar é a igreja. Tiago escreve que o próprio membro enfermo da igreja deve tomar a iniciativa: “Chame os presbíteros da igreja”. Não é dito: “Fique resmungando em seu canto e pense: vejamos quanto tempo demorará até que alguém tenha a ideia de me visitar.” Tiago quer que o enfermo convide os visitadores da igreja com a mesma naturalidade com que chama o médico. De acordo com o v. 14, o que cabe aos visitadores fazer poderá ocorrer unicamente mediante o consentimento do enfermo. Se o próprio enfermo chamou os anciãos, tudo fica claro nesse aspecto desde o princípio. – O NT também fala do dom especial da graça (em grego chárisma) de cura dos enfermos (1Co 12.9,28,30). Havia, nas igrejas, cristãos em que a efusão do Espírito de Deus trouxe consigo esse dom, da maneira como outros recebiam outras dádivas. Aqui não se fala de um carisma especial. É possível que esses “anciãos”, em grego presbýteroi (literalmente: “mais idosos”), naqueles primórdios do cristianismo e nas igrejas às quais Tiago escreveu, ainda nem sequer fossem detentores de um cargo regulamentado, mas que simplesmente se tratava de cristãos mais antigos, mais maduros. Confiando nessa palavra da Bíblia também hoje, na hora da enfermidade, podemos chamar à nossa casa tais cristãos, a fim de que nos prestem esse serviço.
3 – A igreja e seus enfermos (v. 14).
“Estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor”:
a) Quando alguém não puder vir à igreja, a igreja tem de ir até ele: “Se um membro sofre, todos os membros participam do seu sofrimento” (1Co 12.26 [TEB]). Por meio dos anciãos a igreja visita o enfermo. O próprio Jesus atribuiu uma importância especial à visita a enfermos e concedeu à oração conjunta uma promessa especial (Mt 25.36; 18.19).
b) Os anciãos da igreja oram, não apenas, mas também por saúde. – Eles “ungem com óleo”. Esse era também um remédio caseiro contra doença e contusão (Lc 10.34). Contudo o ungem “em nome do Senhor”. Nesse sentido o óleo na Escritura sempre representa um sinal para o Espírito Santo. Foi por isso que no AT reis e sacerdotes eram ungidos (Êx 29.7; Nm 35.25; 1Sm 9.16; 10.1; 16.12). E João escreve: “Recebestes a unção” (1Jo 2.27). O Espírito Santo concede força (Rm 15.13; 1Co 2.4; 2Tm 1.7) começando pelo íntimo e chegando ao físico.
Será que não é suficiente impor a mão como sinal de bênção? É obrigatório que suceda ainda uma unção com óleo? Em várias outras passagens da Escritura constatamos que há imposição de mãos para bênção e cura sem a unção com óleo (At 5.12; 14.3; 19.11). Sem dúvida podemos aderir a essa regra. Contudo, quando alguém por simples obediência à presente palavra da Bíblia deseja recorrer à unção com óleo ou a solicita para si, ele de qualquer forma tem em seu favor uma boa razão da Escritura.
4 – A tríplice promessa dada a essa oração (v. 15).
Tg 5.15 “A oração da fé” é a oração que se origina da fé. É a oração de um crente, ou seja, de uma pessoa que está “em Cristo”, na comunhão de vida com ele, e que se dirige ao Senhor com toda a sua confiança. É para uma oração desse tipo que foram dadas estas promessas:
a) “A oração salvará o enfermo”: se Deus quiser, também da morte física – podemos orar também por isso. Em todos os casos, porém, salva da “segunda morte” (Ap 2.11; 20.6,14; 21.8), a eterna e consciente morte definitiva para Deus. É isso que o NT entende consistentemente por “redenção”. A oração conjunta com aquele que jaz enfermo – inclusive com confissão do pecado (v. 16) – obtém como resultado que o doente chegue plenamente à presença de Deus.
b) “O Senhor o levantará” (não fazem isso os que oram), concedendo-lhe alívio ou cura no corpo. Deus está disposto a fazer mais do que geralmente imaginamos. Isto pode acontecer presenteando-o interiormente com a força de suportar os sofrimentos com paciência para o louvor de Deus (cf. Jó 1.21; Jo 21.19).
c) “Se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”: o serviço dos presbíteros não é mero serviço de médico. Quem tem apenas o objetivo de “se livrar” o quanto antes da enfermidade não compreendeu Tg 5.14. Quando, porém, alguém leva a totalidade de sua miséria a Jesus na presença dos irmãos, tem sua vida colocada em ordem também na totalidade. Não se trata aqui apenas de cuidado pelo corpo, mas ao mesmo tempo e acima de tudo de cuidado espiritual.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
3. Oração e confissão (v. 16-18).
O assunto oração continua sendo a tônica da parte final da Carta de Tiago. Ele já recomendou orar nos momentos de aflição, e para os doentes, que recebam a oração da fé feita pelos presbíteros da igreja. Agora Tiago trata da confissão feita por irmãos.
Confessar as culpas uns aos outros é uma prática que deveria ser mais comum em nosso meio. Isso não ocorre tanto porque, não raro, o confessante partilha detalhes de sua vida com pessoas que nem sempre possuem a maturidade necessária para ouvir e reter o que ouviram. E constrangedor quando uma pessoa se sente culpada de alguma falta e partilha o fato com alguém que logo depois de ouvir, passa a conversa adiante, expondo ao desprezo e ao escárnio, o confessante.
Tiago diz que devemos confessar as culpas uns aos outros. Ninguém está isento de pecar, nem mesmo na igreja ou no ministério. A confissão recíproca coloca confessor e ouvinte no mesmo polo, de forma que ambos se verão como pessoas que não poderão se orgulhar de seus feitos, e que precisarão orar uns pelos outros, como diz Tiago. Quem confessa e quem ouve deve orar um pelo outro, para que ambos sejam curados e restaurados.
A prática da confissão recíproca pode aliviar os sentimentos de culpa, desde que a confissão seja acompanhada da oração. Confissão sem oração em seguida, pode se tornar motivo de piadas, expondo o culpado a uma situação futura constrangedora. E quem ouve deve estar ciente de que não basta orar pelo confessor, mas que também não pode ele, o ouvinte, se tornar um canal de divulgação de pecados alheios. Isso pode esvaziar a intenção da confissão, pois se uma pessoa na congregação peca e busca ajuda em confissão e oração, ela espera que sua história se encerre ali mesmo. Portanto, usemos de sabedoria nessas horas.
Há casos em que a repercussão de um pecado pode trazer dificuldades à congregação. Nesses casos, é preciso que hajamos com sabedoria para não deixar de aplicar uma correção que sirva de exemplo a todos, mas que também possa recuperar o crente que pecou, de forma que ele não se afaste dos caminhos do Senhor.
Tiago trata também da oração de Elias, mas ele a utiliza como um exemplo para o fim do verso 16: “...a oração de um justo pode muito em seus efeitos”. Quando o apóstolo trata de Elias e sua oração, ele ainda está discorrendo o assunto da confissão recíproca dos pecados e da oração para que o confessor seja sarado.
Elias, suas limitações e sua oração são apresentadas a seguir. Elias é um dos profetas mais conhecidos do Antigo Testamento, e seu testemunho é impressionante. Vindo de uma localidade chamada Tisbi, de difícil localização nos mapas de geografia bíblica, Elias confrontou o rei Acabe por causa de seus pecados e deixou claro que não choveria em Israel por três anos e meio, conforme sua oração. Depois orou novamente, e Deus mandou chuva sobre Israel, ao ponto de a terra produzir novamente seus frutos. Mas como Tiago começa tratando de Elias? “Elias era um homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando pediu que não chovesse...”. O que Tiago quer realmente nos ensinar com isso? Que a nossa oração faz diferença, a oração de um justo pode muito em seus efeitos, e Deus espera que oremos a Ele.
Podemos não ter o ministério profético como Elias tinha. Podemos não ter um destaque na história bíblica, e ser tentados de todas as formas a ceder ao pecado, mas quando nos inclinamos diante do altar do Senhor, Ele nos ouve e vem em nosso Socorro. Não há como negar que a realidade à nossa volta pode ser modificada por meio da oração.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 154-155.
Tg 5.16 Não é o plano de Deus que o seu povo esteja só. Os membros do corpo de Cristo devem poder contar com os outros para apoio e oração, especialmente quando estão doentes ou sofrendo. Os presbíteros devem estar preparados para atender à necessidade de oração de qualquer membro, e a igreja deve estar alerta para orar pela cura de qualquer pessoa que esteja enferma.
Porém, somos frequentemente culpados não apenas por hesitarmos em nos apoiar uns aos outros nas nossas enfermidades e fraquezas. Somos ainda mais responsáveis por não confessarmos as nossas culpas uns aos outros. A ênfase recente sobre os grupos pequenos dentro das igrejas tem crescido, em grande parte, devido a uma necessidade de reaver algumas das características básicas da vida no corpo de Cristo que foram negligenciadas. Quando os cristãos estão realmente trabalhando para “compartilhar os problemas uns dos outros”, o mundo observa e nós nos aproximamos mais de nossa tarefa de cumprir a “lei de Cristo” (veja Gl 6.2). Amar ao seu próximo como a si mesmo inclui, acima de tudo, orar pelo próximo.
A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos porque a pessoa que está orando é justa. A pessoa não está livre de pecados, mas ela confessou a Deus os pecados de que tem consciência e está completamente comprometida com o Senhor, procurando fazer a sua vontade. Outra vez, podemos dizer que a pessoa justa consegue o que quer em oração porque ela quer aquilo que Deus quer.
O recurso mais poderoso do cristão é a comunicação com Deus por meio da oração. Este é o instrumento de cura e perdão e é uma arma poderosa nas guerras espirituais. Os resultados são frequentemente maiores do que nós pensávamos que seriam possíveis. Algumas pessoas veem a oração como o último recurso a ser tentado quando tudo mais falhar. As nossas prioridades são contrárias às de Deus. A oração deve vir em primeiro lugar. Deus alegra-se por usar as nossas orações para realizar os seus objetivos e deleita-se em atender às nossas necessidades, mas Ele nunca está limitado pelas nossas orações. O poder de Deus é infinitamente maior do que o nosso, de modo que só faz sentido confiar neste poder – especialmente porque Deus nos encoraja a fazê-lo.
Tg 5.17,18 A oração é verdadeiramente poderosa - você se lembra de Elias? A sua história é encontrada em I Reis 17.1-18.46. Elias tinha grande poder na oração. Uma seca veio como sinal, para o iníquo rei Acabe, de Israel, de que o ídolo Baal não tinha poder sobre as chuvas. E Elias, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. Depois, ele orou pedindo chuva, e o céu deu chuva. Tiago usou pessoas do Antigo Testamento para exemplificar cada um dos seus temas principais:
• A natureza da fé é encontrada na vida de Abraão e Raabe (2.21-25).
• A perseverança é exemplificada por Jó (5.11).
• A oração eficaz é exemplificada por Elias (5.17,18).
A vida de cada uma destas pessoas é importante para nós. São exemplos a ser seguidos. Quando nós escolhemos todos os nossos modelos a partir de pessoas contemporâneas, eventualmente podemos ficar desapontados pelas suas falhas. Outras gerações de crentes não podem nos desapontar. Elas cometeram seus erros, perseveraram e agora são testemunhos de que a vida pode ser vivida para Deus.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 691-692.
Tg 5.16b-18 Oração Eficaz
Quando devemos esperar que nossas orações sejam respondidas por Deus? Tiago deixa claro que orações desse tipo devem vir de um justo (v. 16), i.e., alguém que está num relacionamento correto com Deus e o homem. Uma tradução da última frase do versículo
16 é a seguinte: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (ARA). A única oração de um injusto que Deus promete ouvir é a oração de arrependimento. Baseado na palavra traduzida por “oração fervorosa” (Bíblia Viva, energoumene), Mayor escreve a sua própria interpretação: “Somos tentados a considerar como passivas as formas que geralmente são consideradas médias e dessa forma entender a força aqui de uma oração operada ou inspirada pelo Espírito, como ocorre em Romanos 8.26 (Benson traz ‘inspirada’; Macknight, ‘oração entretecida’; Bassett, ‘quando ativada pelo Espírito de Deus’)”.
Cada pessoa que ora sabe que há tempos em que o Espírito Santo a ajuda em sua oração. Mas Tiago deixa claro que as pessoas que têm suas orações respondidas não precisam ser santos sobre-humanos, diferente das pessoas comuns. O autor aqui apresenta um exemplo de oração do Antigo Testamento como já tinha apresentado anteriormente exemplos de fé nos versículos 10-11. “Elias era humano como nós” (v. 17, NVI. Cf. 1 Rs 17.1; 18.1, 42-45).5 Ele era um homem exatamente igual a nós — com os mesmos recursos disponíveis de Deus que estão disponíveis para nós. Todo verdadeiro cristão que serve a Deus, como os presbíteros, é encorajado a orar a oração da fé. A admoestação de Tiago para orar por cura do doente e sua ilustração da oração de Elias por chuva nos assegura que Deus responde à oração num domínio natural. A oração não apenas nos transforma, mas por meio dela, Deus também muda as coisas.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 196.
A premissa de perdão e cura (v. 16).
Tg 5.16 a) “Confessai, pois, os pecados uns aos outros”: aqui o foco principal é o enfermo. Que nos dias de enfermidade não apenas esperemos uma “aprazível visita”, mas aproveitemos essa situação limítrofe em que nos encontramos para um desnudamento total de nossa vida perante Deus, na qual os irmãos são testemunhas e parceiros de oração! E melhor ser envergonhado um pouco agora do que ser obrigado, por ocasião do grande dia, a “ser manifesto com isso perante o tribunal de Cristo” (2Co 5.10). Quando ele perdoa nossos pecados, eles serão eternamente esquecidos (cf. Mq 7.18s; Is 38.17; Sl 32.1s). Por um lado, os irmãos visitantes não precisam (toda vez que prestam esse tipo de serviço) também fazer uma confissão completa acerca de sua vida, mas por outro deve ficar explícito que aquele que está sentado à beira do leito depende do perdão de Deus tanto quanto o acamado.
b) “E orai uns pelos outros”: não devemos deixar os companheiros cristãos que sofrem (e tampouco os semelhantes em geral) tão sozinhos como ocorre com frequência, mas temos de visitar e apoiá-los por meio desse serviço sério de oração. – No presente versículo fica explícita a estreita ligação entre intercessão e arrependimento, ou confissão dos pecados. Nossos pequenos círculos de intercessão poderiam ser mais vigorosos e frutíferos se cada qual não tentasse preservar a imagem perante o outro. Na verdade não temos de fazer constantes confissões de toda a vida (basta que o
façamos uma vez – se Deus não lembra mais nossos pecados, tampouco nós temos de recordá-los). Mas é benéfico que no diálogo prévio ou na própria oração seja expresso o que não foi correto em nossa vida, talvez em relação ao assunto abordado nesta ou na última visita. Tiago escreve: “Todos falhamos em muitas coisas” (Tg 3.2).
Uma frase genérica sobre a oração no presente contexto (v. 16).
“A oração de um justo”: Tiago não tem em mente a oração de quem defende a “justiça própria”, de quem pensa que pode produzir pessoalmente sua justiça (cf. Lc 18.11s). Ele diz: “Deus dá graça aos humildes” (Tg 4.6). E Paulo escreve: “Cristo foi feito pecado por nós, para que nele nos tornássemos a justiça de Deus” (2Co 5.21). Tiago tem em vista a justiça perante Deus, que nos foi conquistada e presenteada por Jesus. Em Jesus somos “justos”, direitos para Deus. – “De muito é capaz, quando tornada eficaz, a súplica do justo”: Como isso acontece?
a) Por parte do ser humano. No v. 17 afirma-se a respeito de Elias que ele orava “fervorosamente”. Muitas vezes oramos mais seriamente em causa própria do que na prece em favor de outros. Até mesmo em vista de nós mesmos às vezes temos de ser conduzidos para a mais grave aflição, até que um grito de oração autêntica saia de nosso coração.
b) Por parte de Deus. Nossa oração é “tornada eficaz” por intermédio do grande sumo sacerdote Jesus Cristo, que intervém em nosso favor (Rm 8.34; 1Jo 2.1; Hb 4.14; 7.25s; 8.1), e através do Espírito Santo, que nos “assiste em nossa fraqueza” e nos representa perante Deus “como lhe convém” (Rm 8.26s).
Um exemplo de oração atendida da história do povo de Deus (v. 17s).
Tg 5.17s “Elias era homem semelhante a nós.” Apenas em uma coisa se diferenciava de muitos: “Ele orava com instância.” Aqui se afirma o que não é mencionado expressamente em 1Rs 17.1, que Elias também rogou pelo juízo. Sem dúvida não se tratava de oração para amaldiçoar: “Nada será suficientemente ruim para Acabe e o povo esquecido de Deus!” Mas percebeu que somente uma disciplina rigorosa é capaz de deter o povo diante do abismo, para que não perca totalmente sua característica de eleito, tornando-se apenas um povo “como os demais povos” (1Sm 8.5). Consequentemente, pais também podem interceder assim pelos filhos: “Ó Pai, conduze-os sempre em beatitude, ainda que por milagres.” Em seguida, porém, Elias orou – isso é relatado expressamente em 1Rs 18.42s – principalmente pela suspensão do juízo, pela chuva tão urgentemente necessária. Para ele vigorava (pelo menos em certas épocas – cf. também 1Rs 19.3) como para praticamente nenhum outro: “Perante humanos uma águia, perante Deus um verme.” Que atitude a dele sobre o monte Carmelo, contrariando o rei e o povo inconstante! E como se prostrou mais tarde em oração perante Deus (1Rs 18.21,42)! Como podemos ser gratos pelo fato de que ao lado das palavras sobre a fé a Escritura coloca os exemplos de pessoas reais que a vivenciaram! Dessa maneira a fé se torna mais concebível para nós em qualquer situação. Façamos nós também “com instância” a oração de que hoje, do ponto de vista espiritual, “o céu dê chuva e cresçam frutos”! Também a miséria material no mundo da discórdia, da injustiça e da pobreza, das dores e da morte constitui, quando somos habitados pela compaixão de Deus, uma aflição que comove nosso coração. Tanto mais se impõe a nossos lábios a súplica pelo socorro integral: “Vem logo, ó Jesus!” (cf. Ap 22.17,20).
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
Ill - A IMPORTÂNCIA DA CONVERSÃO DE UM IRMÃO (Tg 5.19,20)
1. O cuidado de uns para com os outros (v.19).
Tiago completa seu ensino olhando agora para as pessoas que um dia estiveram em nossas congregações e se desviaram da verdade. Ele não aborda o motivo pelo qual uma pessoa se desviou. Ele não entra no debate de ter sido justo ou não o motivo pelo qual a pessoa não congrega mais. Ele apenas diz: “... se alguém o converter. São dizeres complexos, pois implicam que uma pessoa pode ter comunhão com os santos e um dia, ainda assim, se afastar. Esse texto pode ser de difícil entendimento para os que entendem que se uma pessoa estava na igreja e se desviou, na verdade ela nunca foi salva.
Pensemos nas implicações desse texto. Tiago diz que “... se algum dentre vós se tem desviado da verdade...”, e isso dá claramente o entendimento de que uma pessoa que aceitou a Jesus pode um dia se desviar dos caminhos do Senhor. Discussões à parte, Tiago oferece uma grande solução, mais do que um grande problema: quem converte do erro um pecador salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados.
Essa é uma mensagem que nos manda ser mais zelosos no cuidado para com os outros, seja fortalecendo os fracos em nossas congregações, seja evangelizando para apresentar Jesus aos que não o conhecem. Quem se desvia dos caminhos do Senhor pode receber o mesmo perdão que é oferecido àquele que nunca teve o conhecimento de Jesus Cristo.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 157-158.
Tg 5.19 “Algum dentre vós” refere-se a um crente que se afastou da fé ao se envolver com idolatria ou heresias. Ninguém do grupo está protegido contra o desvio da verdade. A pessoa designada como “algum” pode ser cada um de nós, “Desviar-se” significa um grave afastamento da fé - também conhecido como “apostasia”. A “verdade”, como usada aqui, não se refere às preocupações doutrinárias externas, mas à verdade central da fé cristã - isto é, que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Senhor e Salvador, que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou dos mortos. Escolhas e ações que nos levam a negar a soberania do Cristo vivo nos afastam da verdade.
Quando alguém se desvia, a igreja ou a comunidade cristã deve tentar fazê-lo voltar (versão NTLH), não para ser julgado, mas para o arrependimento e a restauração. Quando um crente está ciente do desvio de outro crente, este conhecimento traz consigo a responsabilidade para a ação. Todas estas imagens retratam uma comunidade em que as pessoas se importam profundamente umas com as outras, e em que não se permite que os desviados escorreguem pelas fendas desapercebidos. Nós estamos dispostos a trazer de volta alguém que se desviou, ou simplesmente retorcemos as mãos enquanto a pessoa se perde nas trevas?
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 693.
Tg 5:19 Finalmente, Tiago está pronto para encerrar sua carta, mas, ao fazê-lo, segue o costume generalizado de mencionar seu propósito. Dirigindo-se aos crentes (meus irmãos), Tiago lhes propõe uma situação: se algum dentre vós se desviar da verdade, e alguém o converter. Falar de desviar-se é falar de um abandono sério da verdade, como a idolatria (e.g., Isaías 9:16). A vida cristã pode ser descrita como um modo de viver oposto à morte; desviar-se do caminho da vida é perambular pela larga estrada que conduz ao inferno (Mateus 7:13-14). Os caminhos da vida e da morte nunca se cruzam, visto que, como Tiago sustenta (4:4), o mundo e Deus excluem-se mutuamente. Esta ilustração nos traz à memória O Peregrino de Bunyan.
A verdade não diz respeito a fatos intelectuais, mas a um modo de vida. Tiago não está interessado em erros doutrinários, não quer “pôr os pingos nos is” escatológicos, não almeja “arregaçar as mangas”, mas preocupa-se com uma verdade central: Jesus é Senhor! O livro todo procura demonstrar o que significa o senhorio de Jesus na vida concreta do povo de Deus. Se Jesus não for obedecido, o crente terá perdido a verdade central, e ficará atolado num pantanal de pecado e morte.
Se um crente se desvia, o resto da comunidade não deve simplesmente permitir-lhe que vá, mas deve tentar trazê-lo de volta (se alguém o converter). Como ensinaram Paulo (Gálatas 6:1) e João (1 João 5:16-17), o objetivo não é o julgamento, mas a restauração. Entretanto, a restauração e o perdão não podem sobrevir sem o arrependimento (cf. Lucas 17:3-4). Por isso, a primeira tarefa não é “aceitar” alguém que vai afundando, mas alcançar essa pessoa, fazê-la cair em si, levá-la a dar as costas para seu mau caminho e reconduzi-la ao bom caminho.
Peter H. Davids. Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida. pag. 161-162.
A situação (v. 19).
Tg 5.19 “Alguém entre vós”: nessa palavra não está em questão o serviço missionário a pessoas que jamais se defrontaram com o evangelho e o seguiram, mas a tarefa diante daqueles que deram o passo em direção a Jesus e sua igreja e que depois desertaram do grupo de seguidores de Jesus. Em uma época em que a grande “apostasia” (2Ts 2.3) se manifesta cada vez mais nitidamente, essa palavra da Escritura se reveste de singular atualidade.
“Que se desviou da verdade”: o próprio Jesus é essa “verdade” (Jo 14.6). Pode haver diversas razões por que alguém se separe de Jesus: a) a opinião e o espírito da época colocam trilhos que levam as pessoas para longe de Jesus; o indivíduo não reflete muito; há poderes ocultos que dirigem as pessoas. b) A razão pode ser – agora de forma mais consciente para a respectiva pessoa – dúvidas intelectuais e o escândalo que se sente diante da demanda de Jesus: tolera-se alguém que se empenha em prol do bem das pessoas, porém rejeita-se aquele que reivindica vir da parte de Deus e representar a salvação do mundo. Tolera-se alguém que soluciona a “questão do pão”. Abandona-se alguém que reclama ser pessoalmente o “pão da vida” (Jo 6.48,66). c) Uma pessoa pode estar sendo atraída mais pelos prazeres sensuais, pelos bens e pelo poder do mundo que por Jesus: “Demas passou a amar o presente século” (2Tm 4.10). d) A pessoa simplesmente tenta manter a vida sob seu controle pessoal, ao invés de seguir a Jesus. Por exemplo, Deus declara sobre Saul: “Ele deixou de me seguir” (1Sm 15.11). – De todos os lados a apostasia se apresenta de forma atraente aos cristãos de hoje. É necessário que cerquemos particularmente as pessoas jovens com nossa intercessão.
“Desviar-se da verdade” também é possível por ocasião do anúncio da mensagem do evangelho, na doutrina: quando alguém fala como se Deus não fosse o Senhor pessoal, que criou e preserva o mundo e que nos coloca nesta vida, que governa sobre nós, que visa conduzir-nos à comunhão pessoal com ele, que um dia nos chamará para prestarmos contas e que consumará tudo gloriosamente; como se Jesus não tivesse vindo a nós da parte de Deus, não tivesse morrido por nosso pecado, não ressuscitado verdadeiramente e não estivesse conosco todos os dias e não retornasse; como se a Escritura não fosse para nós a palavra confiável e compromissiva de Deus; como se o ser humano não fosse corrompido pelo pecado e por isso pudesse e tivesse de criar pessoalmente sua salvação, o grande futuro e a consumação de tudo. Quando alguém não somente crê e vive equivocadamente, mas também ensina falsamente, isso tem consequências especialmente desastrosas: não apenas se desvia sozinho, mas também desencaminha a outros.
“Desviar-se da verdade” constitui uma aflição muito maior do que a enfermidade grave que acomete alguém (v. 14).
2 – O serviço (v. 19).
“E alguém o converter”: naturalmente também Tiago sabe que apenas Deus pode converter uma pessoa, i. é, levá-la a arrepender-se e retornar para casa. Contudo Deus precisa de instrumentos humanos. A “mão” do bom pastor que se estende aos perdidos tem “dedos” humanos. Jesus mostra em Mt 18.15-17 como esse serviço acontece.
De acordo com essa palavra é primordial e prioritariamente necessário falar com os desviados. Não gostamos de fazê-lo. Afinal, com isso não conquistamos amigos. Em nossas igrejas, congregações e grupos existe um certo acordo tácito: “Não digo nada incômodo a você, e você tampouco me diz algo incômodo.” Com essa atitude nós e os outros poderemos obter a perdição.
Tentamos justificar nosso silêncio. Por exemplo, quando se trata de verificar se o outro crê corretamente: afinal, não podemos ver seu íntimo. Mas Jesus declara: “Em seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16; cf. também Tg 2.17; 3.12). – Em relação à doutrina falsa dizemos: não devemos ser “juiz da inquisição” nem realizar uma “aferição” dogmática. Afinal, já no NT nos deparamos com um pluralismo muito grande, com uma forte diversidade de opiniões entre as testemunhas. No entanto, todos eles tentam, em grande concórdia e completando-se um ao outro de forma recíproca, tornar importante e dileto para nós a Jesus, o eterno Filho de Deus que veio da parte de Deus, o Salvador do mundo. A configuração plural dos testemunhos bíblicos de forma alguma permite justificar a arbitrariedade doutrinária de hoje. – Em vista da vivência errada afirma-se: não nos cabe estabelecer preceitos morais para outros. No entanto a Escritura demanda enfaticamente a obediência de fé (Tg 2.14ss; Rm 1.5; 12.1ss; 16.26).
Portanto, persuadimo-nos de que temos o direito e o dever de nos calar, enquanto Paulo “exortava dia e noite com lágrimas” irmãos desviados, “para que permanecessem na fé” (At 14.22; 20.30s). Se nessa época de apostasia (2Ts 2.3) não quisermos nos tornar culpados coletivamente e um em relação ao outro, precisamos aprender de maneira nova a falar uns com os outros, a nos exortarmos e a lutar uns pelos outros, enfim, a exercer o aconselhamento espiritual. – Verdade é que de forma alguma podemos nos colocar como juízes sobre outros (Mt 7.1s; Tg 4.11s). Também nós estamos a caminho e ainda não chegamos ao alvo. “Quem pensa que está de pé, cuide para que não caia” (1Co 10.12). Os antigos afirmaram que um bom conselheiro pastoral precisa ser tão humilde que “ninguém possa colocar-se abaixo dele”.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
2. A proximidade do ensino de Tiago com o de Jesus.
Tg 5.20 O erro do pecador desgarrado é tão grave a ponto de levar à morte — à morte eterna e espiritual -, se ele não for trazido de volta (veja I Co 11.30; I Jo 5.16). Mas, quando o crente se arrepende e retorna para junto de Deus, Deus irá perdoar apagar e esquecer os pecados desta pessoa (veja Sl 32.1; 1 Pe 4.8). O contexto é um tanto obscuro sobre a identidade do desgarrado. Trata-se de um crente desviado, ou é uma pessoa do grupo que não creu verdadeiramente e está se desviando? Os cristãos discordam se é ou não possível que as pessoas percam a sua salvação, mas todos concordam que aqueles que se afastam da sua fé ou que não a confessam genuinamente tem problemas sérios e precisam se arrepender. Entretanto, fica claro o que este versículo quer dizer: nós devemos trazer de volta o desgarrado - não discutir sobre se a pessoa estaria ou não perdida se não o fizéssemos.
O que começou com um incentivo para suportar as dificuldades com alegria agora tem a sua conclusão com um apelo para que uns cuidem dos outros. Os crentes devem prosseguir na sua fé juntos. É Deus quem salva e protege, mas Ele permite que estejamos envolvidos com a vida de outros cristãos.
É um a experiência inesquecível testemunhar a acolhida cristã oferecida a alguém que se desviou e retornou, ver o perdão de Deus trabalhando por intermédio do corpo de Cristo quando os crentes aceitam a pessoa que está arrependida. Sob o ponto de vista da eternidade, deve ser realmente como se uma coberta fosse estendida sobre uma multidão de pecados. A carta de Tiago é o cristianismo com as mangas arregaçadas para o trabalho. É o guia prático de trabalho para a vida na fé cristã. Ela expressa o que significa seguir a Jesus Cristo no dia a dia. Tiago enfatiza a fé em ação. As teorias são para os teólogos, mas Tiago está interessado na vida! A vida correta é a evidência e o resultado da fé.
A igreja deve servir com compaixão, falar afetuosamente e sinceramente, viver em obediência aos mandamentos de Deus, e amar uns aos outros. O corpo de crentes deve ser um exemplo dos princípios do céu aplicados na terra, levando as pessoas a Cristo por meio do amor a Deus e do amor que uns têm pelos outros. Se nós verdadeiramente acreditarmos na Palavra de Deus, nós a viveremos dia após dia. A Palavra de Deus não é meramente alguma coisa que nós lemos, ou algo sobre o que refletimos, mas é algo que colocamos em prática.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 693.
Tg 5:20 Essa tarefa de recuperar o pecador, levando-o ao arrependimento, não fica sem sua recompensa: sabei que aquele que fizer converter um pecador do erro do seu caminho salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados. Tiago reconhece que a pessoa que abandonou a verdade é um pecador, cujo caminho é o erro. Assim começa o Didaquê: “Há dois caminhos — um da vida e o outro da morte. E é grande a diferença entre os dois caminhos” (1:1). Este fato seriíssimo é fundamental, visto que provém de Jesus (de modo especial do sermão do monte). Em havendo confusão entre os dois caminhos, não se pode iniciar o esforço de recuperação.
Além do mais, a alma do pecador corre grave risco de morte. Conquanto Tiago possa estar referindo-se à morte física, que ele sabe ser às vezes o resultado do pecado (5:14-16; 1 Coríntios 11:30), é muito provável que esteja referindo-se à morte espiritual, eterna (Judas 22 e 23). Tiago reconhece a seriedade da situação do pecador, e sua convicção o leva a um esforço por salvá-lo. Tiago escreveu 108 versículos apenas para tentar salvar alguns crentes de uma situação que ele sabe que significa morte.
Entretanto, a história não termina aqui. O que se desviara foi reconduzido ao caminho da vida. Deus não deseja que o ímpio morra, mas que se arrependa. A graça de Deus ainda fica disponível, não importando a extensão de nossa rebelião contra o Senhor (4.6). O pecador é, pois, livrado da morte. As mandíbulas do inferno fecham-se sobre o vazio, enquanto o crente mais uma vez passa a trilhar o caminho da vida. A libertação resultou no perdão de uma multidão de pecados, que agora estão “cobertos”, isto é, perdoados.
Tal crente não será marcado na igreja como alguém que certa vez se desviou e se perdeu, mas como alguém que faz parte de uma comunidade formada de pecadores perdoados. Este é o objetivo de Tiago ao escrever sua carta. Tiago salienta o caminho errado, na esperança de que as pessoas o abandonem, e seus pecados lhes sejam perdoados para sempre. Com essa nota de graça e de perdão, Tiago encerra sua carta.
Peter H. Davids. Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida. pag. 162-163.
Tg 5.20 “Deve saber”: é importante ponderar o que está em jogo nessa questão. A situação não é igual a, p.ex., um membro de um clube que decidiu se desligar e é convencido a ficar. É isso que o mundo descrente vê quando nos empenhamos para que alguém permaneça em nossa igreja, nossa comunhão, ou mais: junto de Jesus (nos próprios clubes há um esforço para manter membros que se tornaram indecisos).
“Quem converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados”. Trazer de volta a Jesus e ao discipulado decidido uma pessoa que se havia separado de Jesus e agora segue ideias e exemplos falsos, que vive como todo o mundo e ainda afasta outros do Cristo bíblico por meio de palavras ensinadas pelo espírito contemporâneo: isso significa resgatar uma pessoa da morte, da “segunda morte” (Ap 2.11; 20.6,14), da morte após o falecimento, da morte consciente, eterna e terrível, distante de Deus.
Em geral, as pessoas correm com todas as forças quando há risco de morte! Em um pronto-socorro, todos agem com rapidez e sensatez quando um acidentado grave é trazido! Todo o resto é deixado em segundo plano! Quanto mais nós cristãos temos de estar mobilizados, deixando todo o resto em segundo plano quando está em jogo a vida eterna de uma pessoa, talvez de alguém a que estamos afeiçoados de forma natural humana! Quando alguém deixa um acidentado grave abandonado na rua, poderá eventualmente ser levado ao tribunal por “omissão de socorro”. Quando não nos deixamos levar por nosso Senhor a um serviço desses, de resgatar as almas das pessoas, essa atitude um dia se transformará em acusação perante o tribunal eterno.
“E cobrirá multidão de pecados”. Ninguém precisa pensar: “O que passou, passou e persiste; pela vida toda terei de arcar com o fardo sombrio de meus erros.” Achegar-nos ao Senhor crucificado por nós e descobrir diante dele, arrependidos, nossa culpa, significa que ele a cobrirá para toda a eternidade (cf. Mq 7.18s; Is 38.17; Sl 32.2; Is 1.18b; 1Jo 1.7; Pv 28.13).
O texto original também pode ser entendido como segue: quem converte um pecador de seu descaminho há de salvar da morte sua própria alma e cobrir uma porção de seus próprios pecados. Em sua carta Tiago não deixou dúvidas de que aquilo que fazemos não nos faz merecer nossa bem-aventurança, nem mesmo nosso zelo missionário. Alcançamo-la unicamente por meio daquilo que nosso Senhor realiza e realizou. A pessoa que pensa unicamente em sua própria salvação, acreditando que não precisa ser “tutor de seu irmão” (Gn 4.9), quem nega a obediência da fé, perde novamente a salvação. Também nisso Tiago não nos deixa em dúvida (Tg 2.14ss; cf. também Mt 18.23-35). Somente conservamos para nós a misericórdia que passamos adiante. Somente perdão e paz que presenteamos a outros se desenvolvem e atuam plenamente em nossa vida. Somente quando estivermos a serviço de nosso Senhor continuamos como verdadeiros participantes do serviço dele. Quem se ocupa em resgatar outros do abismo, para que cheguem aos braços do Bom Pastor, permanece com isso pessoalmente nos braços dele. Quem ao lado de outros se humilha de coração em vista do pecado deles (e dessa maneira se conscientiza cada vez mais de seu próprio pecado), alcança tanto mais plenamente o perdão da própria culpa. Esforçar-nos, na época da grande apostasia, com coração, lábios e mãos para que outros não fiquem aquém das expectativas de Jesus faz com que nós mesmos não fiquemos aquém delas, mas superemos esse tempo repleto de tentações. É como quando alguém se agita em uma noite fria de inverno, na qual todos correm o risco de adormecer e congelar, visando mantê-los acordados; assim permanece pessoalmente acordado e é salvo. – Na verdade a carta não encerra com um voto de bênção, como outras cartas do NT, mas é com essa importante observação que Tiago conclui sua carta tão benéfica para nosso cotidiano como cristãos e particularmente para a multidão que corre em direção do alvo.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Um comentário:

  1. gostei muito de sua exposicao acerca da carta de tiago

    ResponderExcluir