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7° LIÇÃO 2 TRIMESTRE 2014 O MINISTÉRIO DE PROFETA


O MINISTÉRIO DE PROFETA
Data: 18 de Maio de 2014                        HINOS SUGERIDOS 141, 215, 438.
TEXTO ÁUREO
“E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (1 Co 12.28).

VERDADE PRÁTICA
O ministério de profeta é fundamental para a Igreja de Cristo nos dias atuais.
LEITURA DIÁRIA
Segunda       - At 3.22                  Jesus - o profeta prometido
Terça             - At 11.2 7              Profetas na igreja primitiva
Quarta           - Lc 11.49               Profetas enviados por Deus
Quinta           - 1 Co 14.3              O ministério do profeta
Sexta             - 1 Ts 5.20              Não despreze as profecias
Sábado         - Ap 3.22                O Espírito fala às igrejas
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 Coríntios 12.27-29; Efésios 4.11-13.
1 Coríntios 12
27 - Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular.
28 - E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.
29 - Porventura, são todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? São todos operadores de milagres?
Efésios 4
11 - E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
12 - querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra g do ministério, para edificação do corpo de Cristo,
13 - até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.
INTERAÇÃO
O ministério de profeta é um dom de Deus para a igreja atual. O profeta é chamado para faiar segundo o coração do Pai. Nem sempre sua mensagem é aceita. No Antigo Testamento alguns sofreram perseguições terríveis por trazer aos israelitas a mensagem divina.
Em o Novo Testamento os profetas não perderam a preeminência. Eles, juntamente com os apóstolos, eram as colunas da Igreja. Atualmente, temos a Bíblia, a profecia maior; porém o Senhor continua a levantar e a usar seus porta-vozes para revelar a sua mensagem ao seu povo.
OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
Descrever a função do profeta no Antigo Testamento.
Compreender o ofício do profeta em o Novo Testamento.
Discernir o verdadeiro do falso profeta
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, para introduzir o terceiro tópico da lição reproduza na lousa a seguinte afirmação: “De todos os dons espirituais, um dos que mais devemos desejar é seguramente o de discernimento. Nós ouvimos muitas vozes e não podemos seguir todas elas (Gilbert Kirby) [por outro lado] a palavra de Deus ensina que a nossa razão é parte da imagem divina na qual Deus nos criou" (Cristianismo Equilibrado, CPAD, pp. l 2,22.). Após a leitura, discuta com os alunos sobre o texto ora lido. Em seguida, à luz de Mateus 7.1 5-20, argumente sobre a necessidade de identificarmos a figura do falso profeta e não deixarmos enganar por ele.
PALAVRA-CHAVE
Profeta: Porta-voz oficial da divindade.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A lição desta semana versa sobre o dom ministerial de profeta. Estudaremos alguns aspectos deste dom à luz da Bíblia, mas também considerando o contexto histórico e cultural do Antigo e do Novo Testamento.
0 ministério de profeta é altamente importante para os nossos dias, pois de acordo com o ensino dos apóstolos, tal ministério tem um valor excelso para a igreja de qualquer tempo e lugar.
1 - O PROFETA DO ANTIGO TESTAMENTO
1. Conceito. O profeta do Antigo Testamento era a pessoa incumbida para falar em nome de Deus. O Altíssimo fazia dele o seu porta-voz, um embaixador que representava os interesses do reino divino na Terra. Quando Deus levantava um profeta, designava-o a falar para toda a nação israelita, e até mesmo a povos ou nações estranhas Gr 1.5). Ao longo de toda a história veterotestamentária o Senhor levantou homens e mulheres para profetizarem em seu nome: Samuel, o último dos juízes e o primeiro dos profetas para a nação de Israel (1 Sm 3.19,20), Elias e Eliseu (1 Rs 1 8.1 8-46; 2 Rs 2.1-25), a profetisa Hulda (2 Rs 22.14-20) e muitos outros, como os profetas literários Isaías, Jeremias e Daniel.
2. O ofício. Através da inspiração divina o profeta recebia uma revelação que desvendava o oculto, anunciava juízos, emitia conselhos e advertências divinas. Expressões como “veio a mim a palavra do Senhor” e “assim diz o Senhor” eram fórmulas usuais para o profeta começar a mensagem divina (Jr 1.4; Is 45.1). Símbolos e visões também eram formas de Deus falar através dos profetas ao seu povo Gr 31.28; Dn 7.1). Num primeiro momento, o profeta exercia um importante papel de conselheiro no palácio real (Natã, P cf. 2 Sm 12.1; 1 Rs 1.8,10,11). Contudo, após a divisão do reino de Israel, o profeta passou a ser perseguido, pois sua profecia confrontava diretamente a prepotência da nobreza, a dissimulação dos sacerdotes e a injustiça social Jr 1.18,19; 5.30,31; Is 58.1-12).
3. O profetismo. De acordo com o Dicionário Teológico (CPAD), o profetismo foi um movimento que surgiu no período aproximado do século VIII a.C. tanto em Israel quanto em Judá. O objetivo desse movimento era “restaurar o monoteísmo hebreu”, “combatera idolatria”, “denunciar as injustiças sociais”, “proclamar o Dia do Senhor” e “reavivar a esperança messiânica”. Foi nesse tempo que os verdadeiros profetas em Israel foram cruelmente surrados, presos e mortos.
SINOPSE DO TÓPICO (1)
Os profetas do Antigo Testamento faiavam em nome de Deus, em primeiro lugar para a nação de Israel, em segundo, para povos estranhos.
II-0 PROFETA EM O NOVO TESTAMENTO
1. A importância do termo “profeta” em o Novo Testamento. Como já vimos, em Efésios 4.11 são mencionados cinco ministérios que exerciam papéis fundamentais na liderança da Igreja Antiga: apóstolo, profeta, evangelista, pastor e doutor. Não por acaso, o termo “profeta” aparece na segunda posição da lista apresentada em 1 Coríntios 12.28; Efésios 4.11. O profeta é identificado três vezes na epístola aos Efésios como alguém que acompanhava os apóstolos (2.20; 3.5; 4.11). A Bíblia afirma que os “concidadãos dos Santos e da família de Deus estão edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas [...]” (Ef 2.19,20). Aqui, a Bíblia denota a importância do ministério de profeta na liderança da Igreja do primeiro século.
2. O ofício do profeta neotestamentário. Seu ministério no Novo Testamento não consistia em predizer o futuro, adivinhar o presente ou ficar fora de si. Não! De acordo com o Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, o profeta neotestamentário era dotado por Deus para receber e mediar diretamente a Palavra do Altíssimo. Apesar de ele algumas vezes predizer o futuro, conforme instrui-nos a Bíblia de Estudo Pentecostal seu ofício consiste em proclamar e interpretar a Palavra de Deus, por vocação divina, com vistas à admoestação, exortação, ânimo, consolação e edificação da igreja (At 3.12-26; 1 Co 14.3). “Era dever do profeta do NT, assim como para o do AT, desmascarar o pecado, proclamar a justiça, advertir do juízo vindouro e combater o mundanismo e frieza espiritual entre o povo de Deus (Lc 1.14-17)". Por causa da mensagem de justiça que o profeta apresenta em tempos de apostasia e confusão espiritual, inclusive na igreja, não há outro jeito: ele fatalmente será rejeitado e perseguido por muitos.
3. O objetivo do dom ministerial de profeta. A função do profeta do Novo Testamento é apresentada por Paulo no mesmo bloco de versículos em que ele menciona os cinco ministérios em Efésios (4.1 1-16). Ou seja, o profeta é chamado por Deus a levar a igreja de Cristo a uma plena maturidade cristã, pois como um organismo vivo, a Igreja, o Corpo de Cristo, deve desenvolver-se para a edificação em amor (v.16). Para que tal seja uma realidade, os profetas do Senhor devem desempenhar suas funções, capacitados e dirigidos pelo Espírito Santo.
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Os profetas em o Novo Testamento desempenhavam um importante papel de liderança nas igrejas locais.
III – DISCERNINDO O VERDADEIRO PROFETA DO FALSO
1. Simplicidade x arrogância. Duas características do verdadeiro profeta são a simplicidade e o amor. Ainda que a Palavra seja de juízo, o coração do profeta transborda de amor e a sua conduta simples demonstra a quem ele está servindo: o Deus de amor. Lembremo-nos de Jeremias (38.1 4-27), Oseias (8.1 2) e do próprio Senhor Jesus (Mt 23.37). Já o falso profeta só pensa em si, em seu status e benefícios. Profetiza objetivando a autopromoção. Ele mente, ilude e engana. Lembremo-nos de Hananias, o profeta mentiroso que enfrentou Jeremias (Jr 28.10-1 2).
2. Pelos frutos os conhecereis. Uma advertência séria de Jesus para os seus discípulos foi acerca da precaução com os falsos profetas. Como reconhecê-los? Jesus disse que os reconheceríamos “pelos seus frutos” (Mt 7.15,20), pois o resultado, ou “fruto”, do que o profeta "diz” e “faz”, revela o seu caráter.
Logo você conhecerá de onde procede a “árvore” (o profeta). Lembre-se de que não devemos diferençar o verdadeiro profeta do falso peia “performance” ou pelo “espetáculo”, mas pelos frutos que eles produzem.
3. Ainda sobre o falso profeta. Apesar de o falso profeta ser arrogante e iníquo, ele fala com grande eloquência, e isso basta para que ele seja tido como verdadeiro. Na obra Assim Diz o Senhor? (CPAD), John Bevere diz que falsos profetas “são aqueles que ministram em nome de Jesus nas nossas igrejas e conferências, os que partem o coração dos justos, [e que] embora o ministério seja apresentado em nome de Jesus, não é desempenhado pelo seu Espírito”. Não tenha medo! Na autoridade do Espirito de Deus, “acautele-se” dos falsos profetas. Seja prudente! O Espírito Santo mediante o Evangelho te fará discernir a procedência desses enganadores. Não se deixe conduzir por eles!
SINOPSE DO TÓPICO (3)
Uma das formas de reconhecer o falso profeta é identificar a sua arrogância e a podridão dos seus frutos.
CONCLUSÃO
Acabamos de estudar o exercício do ministério de profeta no Antigo e no Novo Testamento. Vimos que tal ministério, juntamente com o dos apóstolos, era um dos pilares na liderança da Igreja do primeiro século (Ef 2.20). Apesar de ao longo da história da igreja o ministério de profeta ter perdido preeminência, sabemos o quanto ele é importante para a vida espiritual da Igreja de Cristo. O profeta do Senhor, com autoridade e sabedoria divina deve desmascarar as injustiças, o falso profetismo e primar pela edificação da Igreja do Senhor Jesus. Que Deus levante os legítimos profetas!
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO
Subsídio Teológico
“Os verdadeiros Profetas e os Falsos Profetas (7.15-23)- O Evangelho de Mateus torna o fruto dos profetas a verdadeira prova de tais ministérios. O caráter é essencial. O evangelista comenta muitas vezes o tema de árvores boas e ruins e seus frutos; seu interesse em produzir justiça o compele a repetir o tema. João Batista fala que a Impenitência dos fariseus e saduceus é como árvores ruins (cf. Mt 3.8-12). Em Mateus 12.33,35 Jesus une a acusação dos fariseus (de que Ele faz o bem pelo poder do mal) com dar maus frutos e a chama de blasfêmia contra o Espírito Santo. [...] Em algumas comunidades a prova para as profecias lidava com a negação protognóstica da carne de Jesus Cristo (1 Jo 4.1-3) ou com ] o espírito de legalismo (Gl 1.8,9). Aqui Mateus identifica que o fruto do erro é o antinomismo, chamando estas pessoas de : ‘Vós que praticais a iniquidade’ (Mt 7.23). Mesmo que eles [os profetas] façam milagres, a doutrina e o estilo de vida são os critérios para discernimento” (STRONSTAD, Roger; ARRINGTON, French L. (Eds,) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Vol. 1. 4.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp.61-62).
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
STRONSTAD, Roger; ARRINGTON, French L. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Vol, 1: Mateus a Atos. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
MENZIES, William W.; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. 5.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
EXERCÍCIOS
1. De acordo com a lição, defina o conceito de profeta no Antigo Testamento.
R: O profeta do Antigo Testamento era a pessoa encarregada de falar em nome de Deus.
2. O que foi o profetismo?
R: O profetismo foi um movimento que surgiu no período aproximado de VIII a.C. tanto em Israel quanto em Judá.
3. Quais são os cinco ministérios mencionados em Efésios 4.11?
R: Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Doutores.
4. Em que consistia o ofício de profeta no Novo Testamento?
R: Seu ofício consiste em proclamar e interpretar a Palavra de Deus, por vocação divina, com vistas à admoestação, exortação, ânimo, consolação e edificação da igreja.
5. Cite duas características do verdadeiro profeta.
R: A simplicidade e o amor.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 58, p.39
O ministério de profeta ainda é válido para os nossos dias? Esta pergunta é polêmica em alguns lugares. Há pessoas que dão por encerrado esse ministério. Se fosse verdade, algumas perguntas seriam inevitáveis: Quando encerrou? Quem o encerrou? E como ficam as experiências do exercício do ministério de profeta relatadas pelo Novo Testamento e ao longo da História da Igreja?
Os exemplos são diversos. Em o Novo Testamento Ágabo e outros profetas exerciam o ministério em Antioquia (At 11.27-30; 21.10-12). As filhas de Filipe eram profetisas (At 21.8,9). Apesar de usar o ministério para o mal, a mulher em Apocalipse, de codinome de Jezabel, dizia-se profetisa (Ap 2.20) - por isso achava-se respeitada na comunidade cristã de Tiatira induzindo a muitos para a prostituição.
Outros exemplos são profusos na história da Igreja. Podemos começar por um documento cristão antigo datado do segundo século: "Didaqué: A Instrução dos Doze Apóstolos". Apesar de se chamar "A instrução dos Doze", o documento não foi escrito pelos doze apóstolos de Cristo, mas formulado pelas lideranças da igreja do segundo século objetivando orientar os fiéis sobre vários assuntos da vida cristã. No capítulo 11, sobre "A Vida em Comunidade", os versículos 7-12 do documento falam do pleno exercício do ministério de profeta conforme registrado em Efésios 4.11.
Empurrado para o ralo da heresia pela igreja romana e pelos cessacionistas, e devido à autonomia profética e carismática, Montano é um grande exemplo do exercício profético entre os séculos II e III na Ásia Menor, tendo inclusive atraído um dos mais importantes pais latinos da Igreja: Tertuliano.
O que dizer sobre Catarina de Siena, Tereza Dávila - mulheres que denunciaram profeticamente a corrupção de Roma John Huss, John Wycliffe e tanto outros gigantes da história que aprouve ao Senhor nosso Deus levantá-los como verdadeiros profetas e profetisas?
À semelhança do Antigo Testamento, o ministério dos profetas neotestamentários, e na história da Igreja, sempre foi exercido nas raias da marginalização. Indo no caminho contrário ao que foi institucionalizado como certo, quando na verdade estava corrompido e longe dos desígnios de Deus. Foi assim no Antigo Testamento; assim ocorreu em o Novo Testamento; e vem acontecendo ao longo da rica história eclesiástica. Por que teria de ser diferente na contemporaneidade?
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Neste capítulo, discorremos sobre o dom ministerial de profeta, na igreja cristã. É um assunto que envolve dificuldades de interpretação, tendo em vista alguns aspectos que parecem não estar bem claros, no texto neotestamentário. Quando se estuda a missão dos profetas, no Antigo Testamento, normalmente, não há grandes questionamentos. Mas, no âmbito do Novo Testamento, persistem algumas indagações. Há dúvidas acerca da correlação entre o dom de “profeta” e o dom espiritual de “profecia”. O profeta, na igreja atual é um dom ou é um ofício? E um cargo ministerial, como alguém utiliza, acima dos demais? Já existem igrejas em que seu titular já foi pastor, bispo, apóstolo e, atualmente, é chamado de “o profeta”!
A Igreja Primitiva é o modelo ideal a ser seguido pelas igrejas cristãs ao longo da História. Mesmo considerando algumas especificidades ministeriais, face ao contexto histórico e cultural de sua época, o que foi ensinado por Jesus e por seus apóstolos, ao longo do desenvolvimento das igrejas locais, tem valor essencial para quaisquer igrejas, em todos os tempos e lugares, no mundo em que vivemos. Desse modo, constatamos que tanto o dom de profecia como o ofício ou o dom ministerial de profeta eram naturalmente reconhecidos pelos cristãos primitivos.
Em momentos cruciais, quando as adversidades ameaçavam a comunidade cristã, homens de Deus eram levantados para transmitir a mensagem de orientação, necessária para sua estabilidade. Os profetas do Novo Testamento não eram pessoas procuradas por irmãos ou grupos de irmãos, com a finalidade de buscarem orientações pessoais. Eles eram usados, em momentos especiais, quando havia uma necessidade de uma palavra especial da parte de Deus. E o faziam de modo espontâneo, sem qualquer ideia de premeditação ou direcionamento da parte do profeta, como ocorre, infelizmente, em alguns lugares, nos dias presentes. Também não tinham o ofício de profeta, idêntico ao dos profetas do Antigo Testamento.
O profeta do Antigo Testamento era um homem que, além de transmitir a mensagem de Deus, tinha outras atribuições de ordem nacional. Na unção dos reis, eram os profetas que tinham a incumbência de derramar o azeite santo da unção sobre a cabeça dos governantes (1 Sm 16.1; 1 Rs 19.16).
No Novo Testamento, o profeta tem função essencialmente voltada para o âmbito da igreja local. Mas, de modo geral, o profeta da igreja cristã atende à necessidade de edificação, exortação e consolação dos crentes (1 Co 14.3). Uma pessoa pode ter o dom espiritual de profecia sem ter o dom ministerial de profeta. Não se pode dizer que a igreja do século XXI não precisa mais de profetas. Considerando que, antes da Vinda de Jesus, está prevista terrível manifestação da apostasia (2 Ts 2.3), é indispensável que a igreja local tenha a presença da manifestação do Espírito Santo, tanto através do dom de profecia, como a palavra sábia e edificante dos profetas de Deus.
O profeta de hoje não tem a missão de ungir reis ou profetas em seu lugar, mas tem a grave responsabilidade de transmitir a mensagem de Deus, nos momentos necessários, no tempo certo, para pessoas ou para a comunidade cristã. Essas mensagens são de grande valia, para denunciar as ameaças ou existência de pecados que comprometem a integridade espiritual do Corpo de Cristo.
Nas igrejas, é comum surgirem irmãos que têm o dom de profecia ou o dom ministerial de profeta, e, com o passar do tempo, tornarem- se soberbos, achando que são superiores aos demais, e até aos líderes. Ê o começo da queda. A Bíblia diz que depois do orgulho vem a queda (Pv 16.18). Quem tem um dom de Deus deve ter consciência de que é apenas um servo e não um senhor dos outros.
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 82-83.
1. (a) prophètès (Píndaro, Nemeanos 1, 60:9, 50; e Hdt., 8, 36-37, 135) é um substantivo composto da raiz – phe, “ dizer, “proclamai” , que sempre tem uma conotação religiosa, e o prefixo pro-, um adv. de tempo que tem o significado de “ antes”, “ de antemão”. Sugere-se, assim, o significado de “ aquele que prediz” , “ aquele que conta de antemão” , que parece ser confirmado pelo emprego de prophèmi, “predizer” , “ proclamar de antemão” . Apesar disto, prophémi somente se acha bem mais tarde, não tendo, portanto, qualquer valor como evidência etimológica. Na realidade, ao examinar-se a combinação de pro- com verbos para “ falar” nos escritos mais antigos, fica evidente que em caso nenhum o objeto do vb. indica o futuro. Acham-se vários outros vbs.: proagoreuõ (Hdt., 3, 61-62; Tuc., 2, 13); prolegõ (Hdt., 8, 136; Tuc. 1, 139); prophôneõ (Eur., Hippolytus 956). O significado destes verbos é claramente ‘‘proclamar abertamente”, “declarar publicamente”, “proclamar em voz alta” . Sugerese, portanto, que prophèteuõ deve ser traduzido da mesma maneira, o que é confirmado pelo emprego, já no século V a.C., de prophètès no sentido de “declarador”, “locutor” (Píndaro, Peã 6, 6; Eur., Baccae 211). O sabor religioso da raiz -phè- empresta à palavra um peso especial, e expressa a autoridade que pode ser reivindicada para a palavra do profeta.
(b) Deste subs. derivam o fem. prophètis (Eur., Ion 42, 321), o subs. Prophèteia (que não se acha antes do século II d.C.), e o adj. prophètikos e o vb. Prophèteuõ (Píndaro, Fragmento 150)»
2. A natureza do profeta gr. averigua-se mais facilmente mediante a posição que ocupa na vida pública do que pelas considerações etimológicas. As palavras que derivam desta raiz estão firmemente ligadas com o oráculo gr. O oráculo mais famoso foi o de Delfos, presidido por Apoio (sobre isto, ver especialmente H. W. Parke e D. E. W. Worrell, The Delphic Oracle, I-II, 19562). Nesta conexão, encontramos as paíavras com dois sentidos.
A Pítia era chamada prophètis, mas tinha o título adicional de promantis (Eur., Ton 681; Hdt., 6, 66). Este cargo pertencia originalmente a uma, duas ou três moças tiradas da população local, mas, pelo menos em tempos posteriores, a Pítia era de idade avançada. A Pítia sentava-se num tripé em cima de uma cavidade na terra, de onde emergia um “ espírito oracular” (pneuma mantikon) na forma de fumaça, dandolhe a inspiração. Esta aumentava quando ela mastigava folhas de louro (a planta de Apoio). Como resultado, irrompia em sons inarticulados enigmáticos, semelhantes à glossolalia (Palavra, art. glõssa). Estes diziam respeito aos eventos futuros, conforme sugere o título promantis, e tinham conexão direta com a pessoa que consultava o oráculo, e que vinha a ele por causa de um problema que a deixava confusa, acerca do qual procurava ajuda na forma de instrução. Apresentaria por escrito uma pergunta que se levantara na sua própria vida. As perguntas talvez tocassem em assuntos dos negócios, da religião, da política, da ética ou da educação, e nelas achamos refletida a gama total da vida no mundo da antiguidade.
Visto que a resposta da Pítia usualmente era incompreensível para o visitante, porém, havia necessidade de outros oficiais no santuário, cuja tarefa era traduzir a expressão vocal em dito que pudesse ser entendido com clareza e lembrado. Esta tarefa era realizada por anciãos sábios e altamente respeitados, que o oráculo conclamara a esta posição, e que também eram conhecidos como “profetas”. Não operavam por inspiração direta; se fosse este o caso, teriam recebido o título adicional de mantis. Pelo contrário, a sua transmissão do recado incluía o emprego do seu entendimento (logís mos). Recebiam os oráculos pitianos, testavam-nos, completavam-nos, interpretavam-nos formulavam o dito final. Logo, nunca falavam por iniciativa própria, mas, sim, depois de um visitante ter apresentado uma pergunta e depois de a Pítia ter pronunciado o oraculo (Sobre o oráculo de Delfos, que pode ser considerado típico, cf. Platão, Timaeus. 71e-72b. Deve ser notado que Platão idealiza o profeta para encaixá-lo nos seus próprios conceitos filosóficos) Podemos usar como exemplo a pergunta feita ao oráculo délfico pelo espartano Glauco (Hdt, 6, 86). Um forasteiro depositara com ele uma soma de dinheiro. Se Glauco cometesse perjúrio, poderia apropriar-se da soma.
Seria, portanto, permissível para ele perjurar? A resposta profética foi que poderia dar-se o luxo de cometer este ato de perjúrio, e que tal coisa nunca voltaria a ocorrer.
Poderia ter a impressão de não ter sido castigado, mas o falso juramento haveria de persegui-lo (Maldição). Se não caísse sobre ele, cairia sobre seus filhos e os filhos dos seus filhos. Não descansaria até destruir a totalidade da família.
Tendo por fundamento este exemplo, podemos notar os seguintes aspectos básicos:
(a) O profeta expressa alguma coisa por cujo conteúdo não é responsável, visto que ele o recebeu indiretamente do deus. No caso de a inspiração ser direta, privilégio que, pelo menos em Delfos, é reservado exclusivamente para a Pítia, o profeta tinha o título adicional de mantis. Destarte, a Pítia tinha o título de promantis além daquele de “ profetisa” . A inspiração indireta vem através das expressões vocais inartícuíadas de uma Pítia, ou mediante symbola tais como o soprar do vento, o farfalhar dos carvalhos sagrados, o retinir dos címbalos, ou o estremecer de uma imagem de um deus, levada pelos sacerdotes. Os profetas, portanto, são “ intérpretes das expressões vocais e visões misteriosas” (Platão, Timaeus 72b),
(b) O profeta não dá conselhos a não ser que alguém lhos peça. A iniciativa é exclusivamente de quem faz a pergunta, e não do deus nem do profeta.
(c) Por esta razão, as palavras do profeta gr. sempre se dirigem a uma situação presente, concreta, histórica e única na vida do cliente. O conselho que então se dá passa a abranger a gama total de aconselhamento de ajuda que se torna necessária, até nos dias de hoje, por causa dos problemas dos homens e das mulheres.
(d) O profeta é chamado ao seu cargo pela instituição oracular e, portanto, não por um deus.
Resumindo; o profeta é uma pessoa, empregada pelo oráculo, que, mediante inspiração direta ou interpretação de sons e presságios, declara a vontade dos deuses a uma pessoa que pede conselhos. Logoyprophèteuô significa “proclamar o conselho e a vontade dos deuses”, a respeito de uma situação presente, concreta e histórica, em resposta a uma pergunta específica feita pelo cliente.
3. Nos tempos antigos, o poeta também tem o título de “profeta” (Píndaro, Peã 6, 6; cf. Homero, i7., l t 1; 2, 484-492), visto que realiza na sua poesia uma coisa que, de outra forma, seria impossível aos mortais e que, portanto, forçosamente deriva a sua sabedoria, sua sophia, dos deuses (Píndaro, Peã Tb, 11-15).
4. O profeta deve ser claramente distinguido do vaticinador (mantis, “vidente”, “vaticinador”). Reconhece-se que os dois títulos podem pertencer a uma só pessoa (ver supra); referem-se, no entanto, a funções bem diferentes. Se é correto pela etimologia dizer que mantis deriva de mainomai “ enfurecer-se” , “ estar fora dos sentidos” , “ estar em êxtase” , talvez sugira que o vaticinador é originalmente aquele que faz uma proclamação a partir de um estado de êxtase, ou enquanto está assim. 0 profeta, do outro lado, fala “ com sua razão” . A sua adivinhação é intermediária, i. é, recebe as informações dos deuses, através de algum médium (e.g. a Pítia).
O conteúdo do vaticínio, assim como no caso da profecia, nunca é uma verdade perpétua de validez universal, mas, sim, uma mensagem que deriva de eventos específicos e individuais. Diferentemente da profecia, que às vezes tratas de assuntos religiosos, o vaticínio nunca diz respeito a este campo (Platão, Charmides 173c), O vaticínio prediz eventos futuros, ao passo que a profecia visa corrigir o comportamento de uma pessoa, tendo em vista os eventos que se pode esperar. O impulso principal por detrás do vaticínio é a curiosidade humana (cf. J. Haeckel em L, Adam e H, Trimborn, eds., Lehrbuch der Völkerkunde, 1958, 62),
R. Laird Harris; Gleason L. Archer, Jr; Bruce Waltke. Dicionário Internacional do Novo Testamento. Editora Vida Nova. pag.1877-1879.
1 - O PROFETA DO ANTIGO TESTAMENTO
Gostaria de reiterar a deficiência da lição em que é colocado Samuel como primeiro profeta.
A Bíblia, nossa regra de fé e pratica menciona como Primeiro PROFETA Abraão (Gn 20.7); e depois segue uma lista de profetas como Arão, Moises.
Gn 20.7 mulher ao seu marido, porque P. é e rogará por
Êx 7.1 sobre Faraó; e Arão, teu irmão, será o teu P..
Nm 11.29 todo o povo do Senhor fosse P., que o Senhor
Nm 12.6 se entre vós houver P., eu, o Senhor,
Dt 13.1 Quando P. ou sonhador de sonhos se levantar no
Dt 13.3 as palavras daquele P. ou sonhador de
Dt 13.5 E aquele P. ou sonhador de sonhos m orrerá, pois
Dt 18.15 teu Deus, te despertará um P. do meio de ti,
Dt 18.18 Eis que lhes suscitarei um P. do meio de seus
Dt 18.20 Porém o P. que presumir soberbamente de falar
Dt 18.20 falar em nome de outros deuses, o tal P. morrerá.
Dt 18.22 Quando o tal P. falar em nome do Senhor, e tal
Dt 18.22 com soberba a falou o tal P.-, não tenhas
Dt 34.10 mais se levantou em Israel P. algum como Moisés,
Jz 6.8 enviou o Senhor um P. aos filhos de Israel, que

ISm 3.20 que Samuel estava confirmado por P. do Senhor.
1. Conceito.
No Antigo Testamento, o ofício do profeta era de âmbito nacional. Quando Deus levantava um profeta, conferia-lhe a missão de falar em seu Nome para toda a nação e até para povos estranhos.
1. A IMPORTÂNCIA DOS PROFETAS
O Antigo Testamento foi marcado pela atividade e testemunho dos profetas. Quando Jesus se despedia dos seus discípulos, lhes disse: “São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos” (Lc 24.44). Os escritos dos profetas faziam parte da tríplice divisão da Bíblia hebraica.
1) Profetas no Pentateuco. Nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, vemos a presença de Abraão, o pai da nação Israelita, que foi considerado um profeta (Gn 20.7); quando Moisés, o líder do Êxodo, estava em aperto, na sua chamada para tirar o povo do Egito, Deus lhe disse que Arão, seu irmão, seria seu profeta (Êx 7.1); os 70 homens, levantados por Deus para ajudar Moisés profetizaram só uma vez; dois israelitas, Eldade e Medade, que ficaram na tenda, também profetizaram, provocando ciúmes em Josué (Nm 11.24-29). Em Números, Deus diz como usaria um profeta, em visão ou sonhos (Nm 12.6). Em Deuteronômio, vemos Deus ensinando ao povo como distinguir os verdadeiros e os falsos profetas (Dt 13.1-5). Aqueles homens não tinham um ministério profético. Foram usados por Deus em mensagens ou missões de caráter profético. Seus nomes não fazem parte dos “Profetas”, na divisão da Bíblia hebraica, porque a profecia não era a sua missão principal.
2) Profetas em diversos livros do Antigo Testamento. Nos livros históricos, o papel dos profetas foi muito relevante. Os livros de 1 e 2 Samuel foram escritos pelo último dos juízes e o primeiro dos profetas, realmente dedicados à missão de falar ao povo mensagens da parte de Deus de modo marcante e consequente (1 Sm 8.10-17); ele também era vidente (1 Sm 9.15, 19,20; 10.1-5). Foi usado para ungir Saul, o primeiro rei de Israel e Davi, seu sucessor (1 Sm 10.24; 16.13). Nos livros de 1 e 2 Reis, houve profetas de destaque, como Natã, que ungiu Salomão (1 Rs 1.39); o profeta Aias, que profetizou a divisão do Reino de Israel (1 Rs 11.31, 32); houve um profeta desconhecido, que vaticinou o nascimento de Josias, e foi enganado por um “profeta velho”, que mentiu, e, mesmo assim, foi usado por Deus (1 Rs 13.1-3; 11-26). Quando Deus quer, usa a quem Ele quer.
Dentre os profetas de 1 Reis, destacou-se o profeta Elias, que denunciou os pecados do rei Acabe e sua mulher ímpia, Jezabel (1 Rs 17.1; 18.1) e confrontou os profetas de Baal e Asera, cultuados pelo casal real (1 Rs 18.18-46). Seu sucessor foi o profeta Eliseu, que foi usado com grande poder (2 Rs 2.9-11), com grandes sinais e maravilhas (2 Rs 2.19-25). Isaías foi profeta de grande valor em 2 Reis (2 Rs 19.2, 6,7, 20-37). Naquele tempo, a profetiza Hulda foi usada por Deus para exortar o povo em sua desobediência (2 Rs 22.14-20).
Esdras, líder da reconstrução do Templo em Jerusalém, após o cativeiro babilônico, foi ajudado por profetas (Ed 5.2). Na reconstrução dos muros, por Neemias, levantou-se a falsa profetisa Noadias, que, juntamente com outros profetas conluiaram-se contra Neemias, o líder da reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 6.4).
2. OS PROFETAS MAIORES
Integram uma lista de 5 livros, de Isaías a Daniel. São chamados de “maiores” não por importância pessoal dos profetas, mas pelo volume ou tamanho de seus livros bem como a abrangência das profecias. Aqueles mensageiros de Deus foram usados para transmitir mensagens do Senhor ao povo de Israel, no seu tempo, e também foram usados de maneira profética para vaticinar acontecimentos futuros, escatológicos.
3. OS PROFETAS MENORES
São 12 livros, de Oseias a Malaquias. De igual modo, seus autores são chamados de “menores”, não por serem inferiores aos outros, mas pelo menor volume de seus livros e menor extensão de suas profecias. Os profetas do Novo Testamento apenas foram citados, no texto bíblico, em referência a sua participação na história da Igreja, mas não tiveram a condição de serem incluídos no cânon bíblico. Os profetas do Antigo Testamento tinham um ministério voltado para toda a nação.
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 84-85.
O LUGAR DOS PROFETAS NA HISTÓRIA DE HEBREUS. (1) Os profetas do AT eram homens de Deus que, espiritualmente, achavam-se muito acima de seus contemporâneos. Nenhuma categoria, em toda a literatura, apresenta um quadro mais dramático do que os profetas do AT. Os sacerdotes, juízes, reis, conselheiros e os salmistas, tinham cada um, lugar distintivo na história de Israel, mas nenhum deles, logrou alcançar a estatura dos profetas, nem chegou a exercer tanta influência na história da redenção. (2) Os profetas exerceram considerável influência sobre a composição do AT. Tal fato fica evidente na divisão tríplice da Bíblia hebraica: a Torá, os Profetas e os Escritos (cf. Lc 24.44). A categoria dos profetas inclui seis livros históricos, compostos sob a perspectiva profética: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis. É provável que os autores desses livros fossem profetas. Em segundo lugar, há dezessete livros proféticos específicos (Isaías até Malaquias). Finalmente, Moisés, autor dos cinco primeiros livros da Bíblia (a Torá), era profeta (Dt 18.15). Sendo assim, dois terços do AT, no mínimo, foram escritos por profetas.
PALAVRAS HEBRAICAS APLICADAS AOS PROFETAS.
(1) Ro’eh. Este substantivo, traduzido por “vidente”, em português, indica a capacidade especial de se ver na dimensão espiritual e prever eventos futuros. O título sugere que o profeta não era enganado pela aparência das coisas, mas que as via conforme realmente eram — da perspectiva do próprio Deus. Como vidente, o profeta recebia sonhos, visões e revelações, da parte de Deus, que o capacitava a transmitir suas realidades ao povo.
(2) Nabi’. (a) Esta é a principal palavra hebraica para “profeta”, e ocorre 316 vezes no AT. Nabi’im é sua forma no plural. Embora a origem da palavra não seja clara, o significado do verbo hebraico “profetizar” é: “emitir palavras abundantemente da parte de Deus, por meio do Espírito de Deus” (Gesenius, Hebrew Lexicon). Sendo assim, o nabi’ era o porta-voz que emitia palavras sob o poder impulsionador do Espírito de Deus. A palavra grega prophetes, da qual se deriva a palavra “profeta” em português, significa “aquele que fala em lugar de outrem”. Os profetas falavam, em lugar de Deus, ao povo do concerto, baseados naquilo que ouviam, viam e recebiam da parte dEle. (b) No AT, o profeta também era conhecido como “homem de Deus” (ver 2Rs 4.21 nota), “servo de Deus” (cf. Is 20.3; Dn 6.20), homem que tem o Espírito de Deus sobre si (cf. Is 61.1-3), “atalaia” (Ez 3.17), e “mensageiro do Senhor” (Ag 1.13). Os profetas também interpretavam sonhos (e.g., José, Daniel) e interpretavam a história — presente e futura — sob a perspectiva divina. HOMENS DO ESPÍRITO E DA PALAVRA. O profeta não era simplesmente um líder religioso, mas alguém possuído pelo Espírito de Deus (Ez 37.1,4). Pelo fato do Espírito e a Palavra estarem nele, o profeta do AT possuía estas três características: (1) Conhecimentos divinamente revelados. Ele recebia conhecimentos da parte de Deus no tocante às pessoas, aos eventos e à verdade redentora. O propósito primacial de tais conhecimentos era encorajar o povo a permanecer fiel a Deus e ao seu concerto. A característica distintiva da profecia, no AT, era tornar clara a vontade de Deus ao povo mediante a instrução, a correção e a advertência.
O Senhor usava os profetas para pronunciarem o seu juízo antes de este ser desferido. Do solo da história sombria de Israel e de Judá, brotaram profecias específicas a respeito do Messias e do reino de Deus, bem como predições sobre os eventos mundiais que ainda estão por ocorrer.
(2) Poderes divinamente outorgados. Os profetas eram levados à esfera dos milagres à medida que recebiam a plenitude do Espírito de Deus. Através dos profetas, a vida e o poder divinos eram demonstrados de modo sobrenatural diante de um mundo que, doutra forma, se fecharia à dimensão divina.
(3) Estilo de vida característico. Os profetas, na sua maioria, abandonaram as atividades corriqueiras da vida a fim de viverem exclusivamente para Deus. Protestavam intensamente contra a idolatria, a imoralidade e iniquidades cometidas pelo povo, bem como a corrupção praticada pelos reis e sacerdotes. Suas atividades visavam mudanças santas e justas em Israel. Suas investidas eram sempre em favor do reino de Deus e de sua justiça. Lutavam pelo cumprimento da vontade divina, sem levar em conta os riscos pessoais.
O PROFETA E O SACERDOTE. Durante a maior parte da história de Israel, os sacerdotes e profetas, constantemente, entravam em conflito. O plano de Deus era que houvesse cooperação entre eles, mas os sacerdotes tendiam a aderir ao liberalismo e deixavam de protestar contra a decadência do povo de Deus. (1) Os sacerdotes muitas vezes concordavam com a situação anormal reinante, e sua adoração a Deus resumia-se em cerimônias e liturgia. Embora a moralidade ocupasse um lugar formal na sua teologia, não era enfatizada por eles na prática. (2) O profeta, por outro lado, ressaltava fortemente o modo de vida, à conduta, e as questões morais. Repreendiam constantemente os que apenas cumpriam com os deveres litúrgicos. Irritava, importunava, denunciava, e sem apoio humano defendia justas exigências e insistia em aplicar à vida os eternos princípios de Deus. O profeta era um ensinador de ética, um reformador moral e um inquietador da consciência humana. Desmascarava o pecado e a apostasia, procurando sempre despertar o povo a um viver realmente santo.
STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD.
I. Termos e Definições.
A palavra hebraica para «profeta» que vem da raiz verbal naba. Essa palavra significa «anunciador», «declarador», e, por extensão, aquele que anuncia as mensagens de Deus, frequentemente recebidas por alguma revelação ou discernimento intuitivo. Ademais, os profetas usavam vários meios de adivinhação e envolviam-se em oráculos. Os termos hebraicos roeh e hozeh também são usados. Ambos significam «aquele que vê», ou seja, «vidente». Todas as três palavras aparecem em I Crô. 29:29. Os eruditos procuram estabelecer distinções entre elas, mas talvez sejam meros sinônimos, usados para emprestar variedade literária às composições escritas. Nabi é termo usado por mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. Alguns poucos exemplos são Gên. 20:7; Êxo, 7:1; Núm. 12:6; Deu. 13:1; Jul. 6:8; I Sam. 3:20; 11 Saro. 7:2; I Reis 1:8; 11 Reis 3:11; Esd. 5:1; Sal. 74:9; ler. 1:5; Eze. 2:5; Miq. 2:11. e possível que essa palavra também fosse usada para designar a missão profética. Um titulo comumente aplicado aos profetas era «homem de Deus», que ocorre por cerca de setenta e seis vezes no Antigo Testamento. Cerca de metade dessas ocorrências é usada em referência a Eliseu, e outras quinze dizem respeito a um profeta cujo nome não é dado (I Reis 13). Além disso, a expressão é usada para designar Moisés, Elias, Samuel, Davi e Semaias. Por sua vez, roeh figura por doze vezes no Antigo Testamento: I Saro. 9:11,18,19; II Sam. 15:27; I Crô. 9:22; 26:28; 29:29; 11 c-e. 16:7,10; Isa. 30:10. Sete dessas ocorrências aplicam-se a Samuel. Hozeh figura por dezenove vezes: I Crô, 21:9; 25:5; 29:29; II Crô. 9:29; 12:2,15; 19:2; 29:25,30; 33:18,19; 35:15: II Sam. 24:11; 11 Reis 17:13; Isa, 29:10; Amós 7:12; Miq. 3:7. Ainda outros títulos dados aos profetas são: Atalaia (no hebraico, sophim): Jer. 6:16; e Eze, 3:17; e pastor (no hebraico, raah}: Zac. 11:5,16.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 423-424.
PROFETAS NÃO LITERÁRIOS.
1. No Reino Unido:
Natã (11 Sam, 7:2-17; 12:1-25), na época de Davi, ou seja, 1000 A.C.
Gade (I Sam. 22:5; II Sam. 24:11-19), na época de Davi, ou seja, 1000 A.C.
Alas, O silonita (I Reis 11:29-40) na época de Salomão, ou seja, 971 - 931 A.C.
2. Em Juda
Semalas (lI Crô. 11:2-4; 12:5-8), na época de Reoboão, ou seja, 931 - 913 A.C.
Azarias, filho de Obede (11 Crô. 15:1-7), na época de Asa, ou seja, 911 - 870 A.C.
Hanani (11 Crô. 16:7-10),na época de Asa, ou seja, 911 - 870 A.C.
Jeâ, filho de Hanani (lI Crô. 19:2,3), na época de Josafá, ou seja, 873 - 848 A.C.
Jaaziel (11 Crô. 20:14-17), na época de Josafá, ou seja, 873 - 848 A.C.
Eliezer, filho de Dodava (II Crô. 20:37), na época de Josafá, ou seja, 873 - 848 A.C.
Elias (11 Crê, 21:12·15), na época de Jeorão, ou seja, 853 - 841 A.C.
Zacarias, filho de Joiada (II Crô. 24:20-22), na época de Joâs, ou seja, 835 - 796 A.C.
Hulda (11 Reis 22:14-20), na época de Josias, ou seja, 641 - 609 A.C.
Urias (ler. 26:20-23), na época de Joaquim, ou seja, 609 - 598 A.C.
3. Em Israel:
Alas, O silonita (I Reis 11:29-39; 14:1-18), na época de Jeroboão I, ou seja, 931 - 910 A.C.
Um profeta cujo nome não foi dado, vindo de Judâ (I Reis 13:1-32), na época de Jeroboão I, ou seja, 931 - 910 A.C.
Jeú, filho de Hanani (I Reis 16:7,12), na época de Baasa, ou seja, 909 • 886 A.C.
Elias (I Reis 17:2 - 11 Reis 2), na época de Acabe (874 - 853 A.C.) e de Acazias (853 - 852 A.C.).
Micalas (I Reis 22:13-28), na época de Acabe, ou seja, 874 - 853 A.C.
Eliseu (I Reis 19:16 - II Reis 13:21), na época dos reis Acazias (853 A.C.), Jeorão (852 - 841 A.C.),
Jeú (841 - 814 A.C.), Jeoacaz (814 - 798 A.C.),
Jeoâs (798 - 782 A.C.).
Obede (11 Crõ. 28:9-11), na época de Peca, ou seja, 752 - 732 A.C.
O cativeiro assírio pôs fim (em 721 A.C.) à linhagem dos profetas do reino do norte, Israel, e o povo de Israel continuou através da nação de Judá, Realmente, as dez tribos de Israel perderam sua identidade.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 426.
2. O ofício.
OITO CARACTERÍSTICAS DO PROFETA DO ANTIGO TESTAMENTO. Que tipo de pessoa era o profeta do AT?
(1) Era alguém que tinha estreito relacionamento com Deus, e que se tornava confidente do Senhor (Am 3.7). O profeta via o mundo e o povo do concerto sob a perspectiva divina, e não segundo o ponto de vista humano.
(2) O profeta, por estar próximo de Deus, achava-se em harmonia com Deus, e em simpatia com aquilo que Ele sofria por causa dos pecados do povo. Compreendia, melhor que qualquer outra pessoa, o propósito, vontade e desejos de Deus. Experimentava as mesmas reações de Deus. Noutras palavras, o profeta não somente ouvia a voz de Deus, como também sentia o seu coração (Jr 6.11; 15.16,17; 20.9).
(3) À semelhança de Deus, o profeta amava profundamente o povo. Quando o povo sofria, o profeta sentia profundas dores (ver O LIVRO DAS LAMENTAÇÕES). Ele almejava para Israel o melhor da parte de Deus (Ez 18.23). Por isso, suas mensagens continham, não somente advertências, como também palavras de esperança e consolo.
(4) O profeta buscava o sumo bem do povo, i.e., total confiança em Deus e lealdade a Ele; eis porque advertia contra a confiança na sabedoria, riqueza e poder humanos, e nos falsos deuses (Jr 8.9,10; Os 10.13,14; Am 6.8). Os profetas continuamente conclamavam o povo a viver à altura de suas obrigações conforme o seu concerto estabelecido com Deus, para que viesse a receber as bênçãos da redenção.
(5) O profeta tinha profunda sensibilidade diante do pecado e do mal (Jr 2.12,13, 19; 25.3-7; Am 8.4-7; Mq 3.8). Não tolerava a crueldade, a imoralidade e a injustiça. O que o povo considerava leve desvio da Lei de Deus, o profeta interpretava, às vezes, como funesto. Não podia suportar transigência com o mal, complacência, fingimento e desculpas do povo (32.11; Jr 6.20; 7.8-15; Am 4.1; 6.1). Compartilhava, mais que qualquer outra pessoa, do amor divino à retidão, e do ódio que o Senhor tem à iniquidade (cf. Hb 1.9 nota).
(6) O profeta desafiava constantemente a santidade superficial e oca do povo, procurando desesperadamente encorajar a obediência sincera às palavras que Deus revelara na Lei. Permanecia totalmente dedicado ao Senhor; fugia da transigência com o mal e requeria fidelidade integral a Deus. Aceitava nada menos que a plenitude do reino de Deus e a sua justiça, manifestadas no povo de Deus.
(7) O profeta tinha uma visão do futuro, revelada em condenação e destruição (e.g., 63.1-6; Jr 11.22,23; 13.15-21; Ez 14.12-21; Am 5.16-20,27, bem como em restauração e renovação (e.g., 61–62; 65.17–66.24; Jr 33; Ez 37). Os profetas enunciaram grande número de profecias acerca da vinda do Messias.
(8) Finalmente, o profeta era, via de regra, um homem solitário e triste (Jr 14.17,18; 20.14-18; Am 7.10-13; Jn 3–4), perseguido pelos falsos profetas que prediziam paz, prosperidade e segurança para o povo que se achava em pecado diante de Deus (Jr 15.15; 20.1-6; 26.8-11; Am 5.10; cf. Mt 23.29-36; At 7.51-53). Ao mesmo tempo, o profeta verdadeiro era reconhecido como homem de Deus, não havendo, pois, como ignorar o seu caráter e a sua mensagem.
A MENSAGEM DOS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO. A mensagem dos profetas enfatiza três temas principais: (1) A natureza de Deus. (a) Declaravam ser Deus o Criador e Soberano onipotente do universo (e.g., 40.28), e o Senhor da história, pois leva os eventos a servirem aos seus supremos propósitos de salvação e juízo (cf. Is 44.28; 45.1; Am 5.27; Hc 1.6). (b) Enfatizavam que Deus é santo reto e justo, e não pode tolerar o pecado, iniquidade e injustiça. Mas a sua santidade é temperada pela misericórdia. Ele é paciente e tardio em manifestar a sua ira. Sendo Deus santo, em sua natureza, requer que seu povo seja consagrado e santo ao SENHOR (Zc 14.20; cf. Is 29.22-24; Jr 2.3). Como o Deus que faz concerto, que entrou num relacionamento exclusivo com Israel, requer que seu povo obedeça aos seus mandamentos, como parte de um compromisso de relacionamento mútuo. (2) O pecado e o arrependimento. Os profetas do AT compartilhavam da tristeza de Deus diante da contínua desobediência, infidelidade, idolatria e imoralidade de seu povo segundo o concerto. E falavam palavras severas de justo juízo contra os transgressores. A mensagem dos profetas era idêntica a de João Batista e de Cristo: “arrependei-vos, senão igualmente perecereis”. Prediziam juízos catastróficos, tal como a destruição de Samaria, pela Assíria (e.g. Os 5.8-12; 9.3-7; 10.6-15), e a de Jerusalém por Babilônia (e.g., Jr 19.7-15; 32.28-36; Ez 5.5-12; 21.2, 24-27). (3) Predição e esperança messiânica. (a) Embora o povo tenha sido globalmente infiel a Deus e aos seus votos, segundo o concerto, os profetas jamais deixaram de enunciar-lhe mensagens de esperança. Sabiam que Deus cumpriria os ditames do concerto e as promessas feitas a Abraão através de um remanescente fie. No fim, viria o Messias, e através dEle, Deus haveria de ofertar a salvação a todos os povos. (b) Os profetas colocavam-se entre o colapso espiritual de sua geração e a esperança da era messiânica. Eles tinham de falar a palavra de Deus a um povo obstinado, que, inexoravelmente rejeitavam a sua mensagem (cf. Is 6.9-13). Os profetas eram tanto defensores do antigo concerto, quanto precursores do novo. Viviam no presente, mas com a alma voltada para o futuro.
STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
ÄT 1, A palavra heb. para “profeta”, nãbi, usualmente é considerada uma derivada do vb. acad. nabü, ‘‘chamar”, “proclamar”, No passado, no entanto» os estudiosos, na sua maioria, encaravam a etimologia como paralela ao Gr,, e entendiam palavra no sentido ativo, “aquele que chama”, “anunciador”, “pregador” (cf. H. J. Kraus Worship in Israel, 1966, 102), Um desenvolvimento paralelo no Acad., porém, indica que nãbi deve ser entendido, não ativamente, mas, sim, passivamente: “ aquele que foi chamado”, “aquele que foi nomeado” (W, F. Albright, From the Stóne Age to Christianity, [1940] 1957, 303 e segs.). Por detrás da forma passiva, Deus consta como agente; aqui: “ Aquele que chama” . Mais tarde, nãbi veio a ser um termo técnico, e foi esquecido o significado literal.
Deste substantivo deriva o vb. nãbã que significa “mostrar”, “ apresentar” , ou “expressar-se”, “falar como profeta”. Acha-se no hith. e no niph. Nos textos mais antigos, o emprego mais predominante fica no hith., com o significado de “ comportar-se como profeta” que subentende a adoção de comportamento extático. Nos textos posteriores, predomina o niph. e, na maioria dos casos, deve ser traduzido “ falar profeticamente” (1 Sm 10:5-6,10 e segs.; 19:20; 1 Rs 22:10, 12). Este fato recebe apoio de uma segunda observação: o vb. se acha nos Profetas escritores mais antigos somente em Amós, mas em nenhum dos posteriores senão Jeremias, Ezequiel, Joel e Zacarias. Sugere-se, assim, que nos tempos antigos a profecia era dominada pelo comportamento extático que mais tarde se tomou suspeito. Ainda mais tarde (de Jeremias em diante) o vb. Já deixara de sugerir o êxtase, e podia ser empregado sem embaraços.
(a) O subs. nãbi ocorre 309 vezes no AT, das quais há 92 ocorrências somente em Jeremias. O plur. significa, nos Livros Históricos, “grupos de profetas”; o sing., nos textos mais antigos, refere-se a tipos consideravelmente diferentes de pessoas, e somente nos textos posteriores, “ aquele que fala em prol de Javé” . Nos textos anteriores, o profeta pode também ter o título de *is hã elõhim, “homem de Deus" ou rô'eh ou hõzeh, ‘Vidente” “Homem de Deus parece ter sido um título de distinção, que também é dado a grandes líderes: Moisés (Dt 33:1), Davi (Ne 12:24, 36, etc.), mas, acima de todos, Eliseu (29 vezes), e o profeta de Judá cujo nome não é registrado, em 1 Rs 13:1-31(15 vezes). Este título expressa a estreita associação da respectiva pessoa com Deus.
O vidente tem a capacidade de revelar segredos ocultos e eventos futuros (1 Sm 9: 6-20). No caso dele, ressaltam-se as visões, ao passo que no caso do profeta, enfatizam-se as palavras (Is 30:10).
(b) Várias figuras na história de Israel receberam o título de nãbi: Incluem Abraão (Gn 20:7), Moisés (Dt 34:10) e Arão (Êx 7:1). Miriã recebeu o título de “profetisa” (Êx 15:20), que sem dúvida tem conexão com o cântico de Moisés no Mar Vermelho, que foi usado como hino ritual (ver abaixo 2(c)).
2, Antes da profecia plenamente desenvolvida dos assim-chamados “Profetas Escritores " tomar corpo, certas formas anteriores se acham no AT.
(a) Urna destas formas é o aparecimento de grupos de extáticos que andavam livremente pelo país afora, usando instrumentos musicais para se colocarem em estado de transe e, nesta condição, entregarem as suas mensagens (cf. os fenômenos no período do NT em 1 Co cap. 14). Este êxtase era infeccioso, de modo que Saul também veio a ser contado “entre os profetas” (1 Sm 10:5 e segs.; cf. 19:18 e segs.). Os profetas de Baal também eram extáticos (1 Rs 18:19-40). O extático que podia temporariamente tornar-se “outro homem” (1 Sm 10:6) constituía-se em certa atração para os israelitas (1 Sm 10:5), Em outras ocasiões, no entanto, estes “ insensatos loucos” (Os 9:7) causavam repulsa. Em Nm 11:10-30, quando os 70 anciãos foram tomados pelo Espírito de Deus e entraram em êxtase, relata-se que Josué criticava. Moisés, no entanto, respondeu: “Oxalá todo o povo do SENHOR fosse profeta, que o SENHOR lhes desse o seu Espírito!” (Nm 11:29), (b) Outra forma primitiva é aquela dos grupos de profetas em comunidades monásticas. Estes grupos se formavam em derredor de uma figura de destaque (e.g. Eliseu, 2 Rs 2:3 e segs.; 4:38; 6:1), a quem chamavam de “mestre” ou “pai” , a cujos pés se assentavam e aprendiam, e com quem moravam em habitações comunitárias* Elias e Eliseu eram chefes de grupos separados de profetas (2 Rs 2:1 e segs). Tais grupos sempre se achavam em conexão com um santuário (1 Rs 13:11; 2 Rs 2:1,4, 5, Gilgal, Jericó). Aqui, o êxtase desempenha um papel notavelmente reduzido (acham-se sinais dele em 2 Rs 3:15). Parece que o dom do Espírito, preferivelmente, manifestava-se pela operação de -► milagres (2 Rs 2:19-22; 2:23-25; 4:1-7, 18-37). Até mesmo estes relatos populares, no entanto, apesar de enfatizarem os feitos milagrosos, revelam que Elias também era um homem da Palavra, que dava conselhos espirituais (2 Rs 4: 1-7, 8-37; 5:1-14) e políticos (2 Rs 13:14 e segs., “Carros de Israel, e seus cavaleiros!” cf. 6:12; 8:7-15).
(c) Deve ser mencionada mais uma forma primitiva: os profetas rituais que eram empregados como oficiantes no santuário nacional. Devem ser claramente distinguidos dos profetas escritores (de modo contrário a S. Mowinckel, The Psalms in IsraeTs Worship l-II, 1961), sendo que estes últimos criticavam fortemente o ritual (e.g. o templo, Os 8:14, RV mg. = “ templos” e não “palácios”; Mq 3:9-12; Jr 7:1-15; os sacrifícios, Am 3:14; Os 5:6; Is 1:10-17; os sacerdotes, Os 4:4; Mq 3:11; Jr 2:8).
Além disto, agiam e falavam de modo estranho ao ritual (G. von Rad, op. cit., II, 54-55). O profeta ritual tinha seu lugar lado a lado com o sacerdote no culto. Decerto, sua tarefa era pronunciar oráculos como resposta às lamentações comunitárias, e especialmente para o rei. Por esta razão, tinha grande influência na corte real (1 Rs 1:8), onde falava como homem de Deus(l Rs 22:24 e segs.), com severidade surpreendente (2 Sm 12:1 e segs.). Os profetas rituais eram temidos, porque a sua -> palavra poderosa poderia trazer sucesso ou desgraça (1 Sm 16:4; 1 Rs 17:18). As suas palavras de salvação devem ter sido formuladas conforme a maneira de provérbios. Em Is 33:1-24 foi conservada uma liturgia profética (H. Gunkel, “Jesaia 33, eine prophetische Llturgie”, ZAW 42, 1924, 177-208), que nos oferece uma vista interna da linguagem destas profetas. Entre os profetas rituais, podemos contar Simei(l Rs 1:8); Zedequias (1 Rs 22:24), e talvez também Natã (2 Sm 12:1 e segs.; 1 Rs 1:11 e segs.) que trabalhava em estreita associação com a corte mas que, mesmo assim, desfrutava de um grau assombroso de independência. Nenhum livro veio até nós da parte destes profetas, a não ser que incluamos Naum e Habacuque que têm, pelo menos, alguma afinidade com eles. Há, porém, sinais inconfundíveis do profeta ritual em Zacarias e ainda mais em Ageu.
3. A profecia, no sentido característico que se associa com a altura profética do AT começou em Israel com a monarquia. Não se pode, no entanto traçar uma nítida linha divisória. O êxtase, o vaticínio e a operação de milagre* vão desaparecendo no segundo plano, enquanto a palavra vem sempre mais pra o primeiro plano. Os laços com o ritual, com as instituições e com a monarquia, ficam progressivamente mais frouxos. Desde Amós até Malaquias, a palavra era o meio predominante de proclamação. As únicas ações dos profetas eram ações simbólicas» Estas não eram a rigor, ilustrações: eram a encenação do conteúdo da palavra (Os 1:4; 6:9; Is 7:3; 8:34; 20:2; Jr 16:2, 5, 8). Os profetas clássicos atuaram durante três períodos: os tempos da dissolução do Reino do Norte (cerca de 721 a.C.), do Reino do Sul (c, a.C 597-587 a.C.), e os tempos do exílio (c. de 539 a.C., o fim da supremacia babilónica).
Em relação à história, a mensagem deles tinha uma dimensão horizontal (a nação e as nações) e uma dimensão vertical (passada, presente e futura). A dimensão futura revestia-se da natureza de uma advertência, no caso de o futuro ter ligação com a situação presente do ouvinte. Não era predição, onde, como no caso do vaticínio, a atenção é desviada do presente para um ponto no futuro ao anunciar-se o que há de acontecer no futuro. Os temas incluem os seguintes:
(a) A profecia de julgamento. Especialmente antes do exílio, era tarefa dos profetas advertir o povo, seus representantes ou um grupo de pessoas, acerca do julgamento que se aproximava. Este podia revestir-se das várias formas, tais como secas, terremotos e guerras. Visto, porém, que os profetas também eram responsáveis pela exortação e o aconselhamento do povo, e pregavam tendo em mira o arrependimento a ameaça era acompanhada por uma explicação da razão do julgamento. Logo, o julgamento vem a surgir por causa do -► pecado da nação, do rei, ou de um grupo dentro da nação. Para os profetas, o pecado é o comportamento humano que está em desacordo com as ações de Deus. Quanto aos detalhes, isto significa, em Isaías, que o povo não está confiando em Javé exclusivamente; em Amós e Miquéias, que o povo está desrespeitando a Lei e os mandamentos de Javé; em Oséias, Jeremias e Ezequiel, enfatiza-se muito mais a infidelidade do povo na idolatria.
(b) A profecia da salvação. As profecias da salvação não tiveram sua origem na curiosidade sobre o que aconteceria depois do julgamento divino. Baseavam-se na vontade amorável de Deus (em contraste com as profecias de julgamento, que eram o resultado do comportamento errado dos homens), conforme indicam as várias formas que a palavra de salvação ou de promessa podia assumir: a “garantia” ou “compromisso” é claramente a resposta a uma queixa anterior e, destarte, não está muito removida do oráculo favorável (Is 43:1 e segs.); a “proclamação” ou “anúncio” promete o socorro divino futuro (Is 41:17 e segs.; Jr 28:2 e segs.); a “ descrição” retrata a realidade futura da salvação que Deus levará a efeito (Is 11:1 e segs.;Zc 8:4-5). As profecias da salvação predominam durante e após o exílio. A salvação fica sendo uma realidade na renovação do relacionamento entre Israel e Deus, no Rei escatológico (o Messias), nas novas ordenanças para o culto, na renovação do estado e na libertação política da nação. A representação majéstica da salvação frequentemente é seguida por uma explicação acerca do fundamento na qual se baseia: não na fidelidade ou santidade do povo, no seu zelo por Deus e pela aliança, mas, sim, exclusivamente na fidelidade, santidade, zelo e amor incondicional de Deus.
Resumindo: o profeta do AT é um proclamador da palavra, a quem Deus vocacionou para advertir, para exortar, para consolar, para ensinar e para aconselhar; tendo vinculações exclusivamente com Deus, desfrutando, portanto, de uma liberdade que não tem igual.
4. Embora a tradição posterior tenha acrescentado o Livro de Daniel aos profetas, trata-se, na realidade, de um exemplo da apocalíptica judaica. Esta última se distingue da profecia por “pseudonimidade, impaciência escatológica e cálculos exatos acerca das últimas coisas, o alcance e fantasia das suas visões, a preocupação com a história do mundo e um horizonte cósmico, simbolismo numérico e linguagem esotérica, doutrinas de anjos, e a esperança da vida no porvir” (W. Baumgartner, “Ein Vierteljahrhundert Danielforschung” , ThR 11, 1939, 136-7). A apocalíptica, portanto, não é uma continuação direta da profecia, embora ambas compartilhem do elemento de expectativa futura. Seu apogeu surge depois dos tempos dos profetas, entre o século II a.C. e o século II &C. A transição pode ser claramente vista em Zacarias: nas sete visões da noite (1:7 — 6:8), o profeta fica sendo vidente a quem se revela o futuro escatológico das nações e de Israel (cf. Is caps. 24 — 27; Ez caps. 38-39; Joel).
5. Os rabinos, naturalmente, viam na apocalíptica a sucessora legítima da profecia, “Até este ponto [i.é, até Alexandre Magno] os profetas pregavam através do Espírito Santo. Desde então, curva o teu ouvido e ouve as palavras dos sábios [i.é, os escritores apocalípticos]” (Seder ’Olam Rabbah 30). Extingue-se a profecia propriamente dita.
Nos escritos rabínicos, a “ voz do céu” (~* Palavra, art. phònê) começa a obter importância lado a lado com a apocalíptica. Deus continuava falando, mas isto apenas através do eco da Sua voz (bat qôt) (SB II 125 e segs.; cf. J. Jeremias, New Testament Theology, I, 1971, 80 e segs.). Josefo (Ant. 13, 311 e segs.), do outro lado, relata que os essênios tinham grande número de profetas, que eram tidos em alta estima.
A cessação da profecia indica-se em SI 74:9 e 1 Mac. 9:27 (cf. 4:46; 9:27; 14:41). Do outro lado, alguns estudiosos vêem evidência de uma expectativa de um profeta escatológico em conexão com a pessoa de Moisés, tendo por fundamento Dt 18:15-18 (cf. At 3:22-23; 7:37; e Jo 6:14; 7:40) e em conexão com a pessoa de Elias, tendo por fundamento Ml 3:1 (cf. Mt 11:10; Mc l:2;Lc 1:17, 76;7:27) e 4:1-6 (Tm 3:19-24; cf. Mt 17:11; Mc 9:12; Lc 1:17).
Aplicava as profecias aos eventos dos seus próprios dias, que encarava como sendo o “fim dos dias” (i.é, o tempo do fim). O Mestre da Justiça revela os segredos das palavras proféticas (lQpHc 7:1-5), e, portanto, assume o papel de um verdadeiro profeta. O evento escatológico que aguardava a comunidade de Cunrã era a vinda “do Profeta e dos Messias de Arão e de Israel” (1QS 9:11). Sugere-se aqui um triunvirato, e não um soberano com tríplice ofício (cf. Test. Lev, 18:9 e segs.; cf. K. G. Kuhn, “Die beiden Messias Aarons und Israels”, NTS 1, 1954-55, 168 e segs.; f. F. Bruce, The Teacher of Righteousness in the Qumran Texts, 1956,13).
R. Laird Harris; Gleason L. Archer, Jr; Bruce Waltke. Dicionário Internacional do Novo Testamento. Editora Vida Nova. pag. 1878-1882.
3. O profetismo.
1.         A origem da profecia
Há pelo menos três fontes, das quais podem surgir uma mensagem profética:
a. Divina. Isto é, a inspiração que parte diretamente do coração de Deus, fonte de todo bem (Jr 23.28,29; Tg 1.17; 1 Pe4.11).
b. Humana. Neste caso a mensagem parte do coração do próprio profeta, que fala sem autorização do Senhor (2 Sm 7.2-17; Jr 23.16).
c. Demoníaca. A falsa profecia parte diretamente de "um espírito enganador", ou mesmo de "um demônio" (1 Tm 4.1-3; Ap 16.13,14).
O valor da profecia
A palavra de Deus ou "palavra profética", foi sempre de "muita valia" para o povo de Deus em geral (1 Sm 3.1). Talvez por isso Moisés tenha exclamado: "Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu espírito!" (Nm 11.29).
O profeta Joel, ao vaticinar o grande derramamento do Espírito sobre toda a carne, fala de uma efusão profé¬tica: "Vossos filhos e vossas filhas profetizarão" (Jl 2.28).
Finalmente, Paulo manifesta o mesmo sentimento, aconselhando os coríntios a procurar "com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar" (1 Co 14.1). Nos versículos seguintes, o apóstolo reafirma sua admoestação em outros termos, como por exemplo:
"E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas; mas muito mais que profetizeis, porque o que profetiza é maior do que o que fala línguas estranhas" (v. 5); "Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar" (v. 39).
Segundo alguns escritores neotestamentários, parece que na igreja de Corinto ensinadores usavam "palavras persuasivas de sabedoria humana", tornando-se quase impossível aos "indoutos" alcançar o pensamento desses requintados pregadores (cf. 1 Co 2.1-13). Diante de tal circunstância o Espírito de Deus supria esta lacuna, usando alguém com o dom de profecia. Daí o comentário do apóstolo: "Mas se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar [no templo], de todos é convencido, de todos é julgado. Os segredos [as dúvidas] do seu coração ficarão manifestos [respondidos], e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós" (1 Co 14.24,25).
SEVERINO Pedro da Silva. A Existência e a Pessoa do Espírito Santo. O Espírito Santo é um Ser real que age e vive entre nós. Editora CPAD.
Indivíduo que. inspirado por Deus. predizia o futuro e encarregava-se de proclamar o conhecimento e a vontade de Deus nos tempos bíblicos. Era o que falava por Deus e em lugar de Deus. Era o porta-voz da divindade, cuja missão era preservar o conhecimento e a vontade do Único e Verdadeiro Deus em momentos de crise.
O profeta bíblico era uma autoridade inquestionável em matéria de fé e prática. Teólogo por excelência, sua missão era declarar o desígnio divino para que a comunidade dos fiéis se mantivesse como a agência do Reino de Deus na Terra.
Quando predizia o futuro não era para satisfazer a curiosidade do povo, mas para alimentar a esperança dos santos em tempos de aflição e angústia. Assim lembrava aos fiéis que. apesar das dificuldades presentes. Deus continuava no comando de todas as coisas, reservando as bem-aventuranças aos que lhes guardam os mandamentos e lhe fazem a vontade.
Claudionor Corrêa de Andrade. Dicionário Escatologia Bíblica. Editora CPAD. pag. 133.
II-O PROFETA EM O NOVO TESTAMENTO
1. A importância do termo “profeta” em o Novo Testamento.
Em o Novo Testamento, só há um livro profético — O Apocalipse. Nenhum personagem neotestamentário, além de João, o Evangelista, escreveu outro livro com esse caráter. Mas, ao longo de seus livros, encontramos referências a profetas, que tiveram papel relevante. Vamos refletir um pouco sobre eles.
UM DOM MINISTERIAL
Em sua carta aos coríntios, o apóstolo Paulo fala da importância do corpo de Cristo, enfatizando que os crentes são “seus membros em particular” (1 Co 12.27). E o faz, depois de demonstrar a necessidade da unidade do corpo de Cristo, fazendo uma analogia com o corpo humano, mostrando que nenhum membro do corpo pode dispensar a função do outro. “Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Agora, pois, há muitos membros, mas um corpo” (1 Co 12.18-20). Daí, porque nenhum dom ministerial é maior que o outro. A ordem dos dons, no texto, é questão de prioridade.
Com essa visão, da unidade do corpo de Cristo, que é a Igreja, o apóstolo apresenta uma lista de dupla referência. Primeiro, fala de homens a quem Ele põe na igreja, ao que tudo indica, numa ordem de prioridade. São “homens-dons”, por assim dizer. Nessa lista, os “profetas” aparecem em segundo lugar. Sem dúvida, não é por acaso, mas segundo o entendimento do Espírito Santo. Os profetas eram os homens usados por Deus para transmitir mensagens divinas para a comunidade dos que eram ganhos para Cristo. Eram mensagens sobrenaturais. Os doutores eram os que cuidavam do ensino ou do discipulado, estudando, interpretando e ensinando os fundamentos da fé cristã com profundidade.
Na segunda parte do texto, vemos Paulo apresentar uma lista de ministérios, indispensáveis à unidade, a edificação, ao fortalecimento e à própria administração da igreja local: “depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (1 Co 12.28 b), e faz indagações que enfatizam o valor do uso dos dons de modo integrado e não fragmentado (1 Co 12.29-31). Se um dom fosse maior que o outro, não promoveria a unidade indispensável do corpo de Cristo.
Escrevendo aos efésios, Paulo é mais didático ou explícito, em relação aos dons ministeriais. “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo ” (Ef 4.11-13 — grifos nossos). Observe que, à semelhança do texto de 1 Coríntios 12.28, os profetas vêm em segundo lugar.
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 86-87.
No Novo Testamento, a palavra comumente usada é prophétes, que aparece por cento e quarenta e nove vezes, que exemplificamos com Mat. 1:22; 2:5,16; Mar. 8:28; Luc. 1:70,76; 7:16; Joio 1:21,23; 3:18,21; Rom. 1:2; 11:3; I Cor. 12:28,29; 14:29,32,37; Efé. 2:20; Tia. 5:10; I Ped. 1:10; 11 Ped. 2:16; 3:2; Apo. 10:7; 11:10. O substantivo prophetela, «profecia », é usado por dezenove vezes no Novo Testamento: Mat. 13:14; Rom. 12:6; I Cor. 12:10; 13:2,8; 14:6,22; I Tes. 5:20; I Tim. 1:18; 4:14; 11 Ped. 1:20,21; Apo. 1:3; 11:6; 19:10; 22:7.10,18,19. Essas palavras derivam-se do grego pro, «antes.., «em favor de.., e phemi; «falar.., ou seja, «alguém que fala por outrem.., e, por extensão, «intérprete.., especialmente da vontade de Deus. Tais palavras gregas, naturalmente, estão por detrás do termo português «profeta... Apesar da ideia de predição do futuro fazer parte inerente do oficio profético, incluindo acontecimentos nacionais, comunais e individuais, o oficio profético envolvia as atividades de exortação, ensino, pastoreio e liderança espiritual em geral. Os profetas eram tidos como representantes de Deus, libertadores e intérpretes da mensagem divina. Eles serviam de elo vital na questão das revelações, bem como veículos do conhecimento espiritual. As revelações por eles recebidas, por ordem do Senhor em alguns casos tomaram-se concretas nos livros que escreveram. Esses livros, por sua vez, foram canonizados, com a passagem do tempo, sendo então aceitos como Escrituras Sagradas. Isso põe-nos frente a frente com o conhecimento através do misticismo (vide), do qual a profecia é uma subcategoria.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 424.
Ef 2. 19-20. “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros” (v. 19). Isso ele menciona em contraste com o que tinha observado deles no seu paganismo: eles já não eram mais separados da comunidade de Israel. Os judeus estavam acostumados a considerar todas as outras nações da terra estrangeiros para Deus, mas agora eles também eram “...concidadãos dos Santos e da família de Deus”, isto é, membros da igreja de Cristo, e tendo direito a todos os privilégios dela.
Observe aqui: A igreja é comparada a uma cidade, e cada pecador convertido está livre do seu pecado. Ela também é comparada a uma casa, e cada pecador convertido faz parte dela, é membro da família, servo e filho na casa de Deus. No versículo 20, a igreja é comparada a um edifício. Os apóstolo e profetas são o fundamento desse edifício. Eles podem ser chamados assim em um sentido secundário, onde Cristo é o fundamento principal. Mas, nós temos de entender esse aspecto no contexto da doutrina anunciada pelos profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo. Lemos então: “...de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina”.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 585.
Estes versículos expõem quatro aspectos da metáfora. Primeiro, os apóstolos e profetas são as pedras da fundação do templo (20a). Recebem esta designação, porque sua função é proclamar a Palavra do Senhor. Wesley observa que “a palavra do Senhor, declarada pelos apóstolos e profetas, sustenta a fé de todos os crentes”. Certos estudiosos veem uma contradição no pensamento de Paulo ao usar esta metáfora aqui e em 1 Coríntios 3.11. Lá, Cristo é o fundamento. O problema se resolve quando nos damos conta de que ele emprega a metáfora em sentidos diferentes. Na passagem coríntia, o pensamento gira em torno de si mesmo e de outros como construtores. Na relação aqui está claro que Cristo é o fundamento sobre o qual eles constroem. Paulo está enfatizando as pedras usadas na construção. Nesta relação, Cristo é a pedra da esquina. Todos os outros são pedras de menor significação. Mas, mesmo sendo de menor importância, os apóstolos e outros ministros na igreja são pedras de fundação no edifício de Deus.
O segundo aspecto é que Cristo é a principal pedra da esquina do templo (20b,21). A palavra principal não precisava aparecer aqui. Os léxicos concordam que a palavra grega significa “pedra angular”. A história deste pensamento remonta ao próprio Cristo (Mc 12.10). Ele o retirou do Salmo 118.22, que diz: “Apedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça de esquina”. Duas opiniões prevalecem sobre o lugar preciso desta pedra nas estruturas construtivas de antigamente. 1) Era a pedra colocada na fundação em um canto, não só para firmar tudo, mas para estabelecer o alinhamento para os muros. Esta opinião está de acordo com 1 Pedro 2.7 e apóia a idéia de que Cristo é aquele de quem a construção depende. 2) Era a pedra colocada no “topo do edifício, como vértice e conclusão”. Bruce favorece esta interpretação, quando escreve: “A pedra angular é cortada de antemão, e não só firma a estrutura quando é colocada no lugar, mas serve de ‘pedra de teste’ para mostrar que o edifício foi construído segundo as especificações do arquiteto”. Seja qual for a interpretação que aceitemos, a intenção do apóstolo é afirmar que Cristo controla a configuração e a forma da igreja.
O terceiro aspecto é que os crentes em Cristo são as pedras vivas, que bem ajustadas, crescem para templo santo. Os manuscritos mais antigos diferem quanto a uma frase aqui (21). Alguns têm a expressão pasa he oikodome, todo o edifício (i.e., o edifício inteiro); outros têm expressão pasa oikodome, “todo edifício” (i.e., cada edifício). Para certos comentaristas, a segunda tradução dá a entender um complexo de edifícios (cf. BAB). Portanto, Paulo fala da construção de outros edifícios relacionados ao santuário principal. Por outro lado, é mais provável que Paulo esteja interessado em mostrar que a igreja ainda está no processo de construção. Por isso, emprega a metáfora do crescimento. Mackay comenta: “E permanente o acréscimo de outras pedras vivas ao edifício inacabado. As pedras que já estão e as que ainda serão postas na estrutura sagrada devem ‘crescer para templo santo no Senhor’”. Este crescimento ocorre e fica bonito somente quando seus novos membros, “pela qualidade do seu discipulado em manter-se estritamente fiel ao Senhor, contribuem para a unidade, força e perfeição da igreja”.
O quarto aspecto é que o templo no qual os gentios são edificados é a habitação de Deus (22). Na antiga ordem, o Tabernáculo e o Templo existiam apenas para proporcionar um lugar para o Santo de Israel.31 Mas Paulo escreveu aos crentes coríntios: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16). No novo concerto, Deus não só chama um povo, mas mora com eles. Como afirma Mackay: “A Igreja Cristã, quando é verdadeiramente a Igreja, é a Casa da Presença”.
Nos versículos 4 a 22, temos o assunto: “A Igreja, a Morada de Deus”. A unidade da Igreja Invisível é o tema de fundo. 1) A fundação da Igreja, 20; 2) A construção da Igreja: inclusiva, 11-19; exclusiva, 4-11; de projeto simétrico — bem ajustado; cresce até à conclusão — cresce para templo santo no Senhor, 21; 3) “Em Cristo”, a Igreja é a morada de Deus no Espírito, 22 (G. B. Williamson).
Willard H. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 143-144.
Ef 2.19 O reconquistado acesso a Deus para os que antes estavam longe acarreta uma conseqüência significativa: “Logo já não sois estrangeiros e peregrinos”.
Em Gn 23.4 (cf. também Gn 24.37; Sl 39.12) Abraão se classifica como “forasteiro e ocupante” em Canaã, a terra da promessa. Essa formulação é interpretada em Hb 11.13 com vistas à trajetória da fé: os patriarcas estavam a caminho da celestial terra da promessa (Cf. Hb 11.14ss). Do mesmo modo os cristãos são “estrangeiros e peregrinos” (1Pe 1.1; 2.11), porque não têm neste mundo “cidade permanente, porém buscam a que há de vir” (Hb 13.14). Por essa razão seu modo de vida também precisa corresponder a essa situação básica: não devem prender-se de forma definitiva a coisas desta vida, mas “ter como se não tivessem” (1Co 7.29ss).
A locução dupla “estrangeiros e peregrinos” adquire mais um sentido em relação à posição de gentios e judeus cristãos. Enquanto os gentios estavam “naquele tempo… alienados da comunidade da promessa” (Ef 2.12), porque eram mantidos afastados do Deus de Israel pela cerca da lei, essa situação foi eliminada e radicalmente alterada em Cristo: são agora “concidadãos dos santos e familiares de Deus”.
Isso não significa que os gentios cristãos sejam incorporados à “cidadania de Israel” (em grego: politeia; Ef 2.12) como “concidadãos” (em grego: sympolitai). A “comunidade” da igreja gerada em Cristo é uma criação completamente nova, na qual são acolhidos adeptos tanto judeus como gentios. Por um lado, é totalmente incorreto pensar que a atuação de Cristo praticamente suspendeu a história de Deus com seu povo, tornando-a nula, ou seja, que a igreja substituiu Israel sem compensação. Para qualquer pensamento nessa direção vale a admoestadora recordação de Paulo: “sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz, a ti”, o ramo de oliveira outrora brava, mas agora enxertada (Rm 11.17s). Por outro lado, essa situação na história da salvação de Israel não propicia aos membros do povo da aliança veterotestamentária uma posição especial, na qual pudessem trilhar um caminho singular à parte da fé em Jesus Cristo. Os “santos”, cujos “concidadãos” os destinatários da carta se tornaram, não são formados nem por judeus nem por judeus cristãos, mas por todos os crentes que já integram a igreja de Jesus Cristo.
Como essa cidade (grego: polis) de Deus é celestial (cf. Hb 12.22), o direito de cidadania (grego: politeuma) também está no céu (Fp 3.20). É a herança (Ef 1.14,18), da qual os cristãos já participam em Jesus Cristo (Ef 2.6).
Com a ilustração da cidade (“concidadãos”) está associada a metáfora da casa: “familiares de Deus”. A igreja é “casa espiritual” (1Pe 2.5; cf. 4.17), à qual pertencem “familiares da fé” (Gl 6.10).
Ef 2.20 Nos v. 20-22 a ilustração da casa é desenvolvida por meio da metáfora da construção: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas”.
O edifício espiritual possui um fundamento que o próprio Deus lançou na história. Essa construção não é de forma nenhuma correspondente à situação eclesial atual, mas é uma construção básica que repousa durante os séculos sobre um fundamento claramente descritível: conforme 1Co 3.11, trata-se do próprio Cristo. “Está posto”, i. é, Deus o lançou. Ao lado dele não existe outra possibilidade de fundamentar a igreja de Jesus Cristo.
Em decorrência, é preciso considerar esse pano de fundo para entender a afirmação de que a igreja é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas”. Estes não sustentam a construção em si, mas recebem a revelação divina do evangelho de Jesus Cristo (Ef 3.5s). Nisso, no entanto, reside sua importância “fundamental” para a igreja. Pelo fato de que aprouve a Deus desvendar o “mistério de Cristo” por meio dessas testemunhas primeiro à igreja formada de judeus e gentios e que possui Jesus Cristo como alicerce e alvo, por isso sua palavra possui uma função alicerçadora. Pelo fato de valer para todos os tempos, a igreja é tanto “apostólica” como também “católica”, i. é, universal. Todas as palavras expressas dentro dela precisam submeter-se à avaliação pela norma desse fundamento.
A partir da escolha dos doze discípulos por parte de Jesus, bem como da lista das testemunhas oculares em 1 Co 15.3-5 e da menção dos “colunas” em Gl 2.9 fica claro quem faz parte do grupo dos apóstolos. Paulo é acrescentado como “nascido fora do tempo” (1 Co 15.8).
Ao longo da história da interpretação, os “profetas” citados depois dos apóstolos geralmente foram entendidos como os profetas do AT. No entanto, aqui se tem em mente os profetas do primeiro cristianismo que interpretavam o evangelho de Jesus Cristo em relação à situação atual (para uma noção concreta, cf. 1 Co 14.24s). Como premissa os profetas possuem a revelação divina, e em sua proclamação são reféns dessa revelação.
Também a segunda parte do versículo foi alvo de diferentes explicações: “cuja pedra final é Cristo Jesus”. Duas traduções são viáveis, que concebem de maneira distinta a relação entre Jesus Cristo e a construção: “Jesus Cristo é a pedra angular dele (= do fundamento)”: i. é, como pedra angular Jesus Cristo é parte essencial do fundamento; ou: “Jesus Cristo é a pedra angular/final dele” (= do edifício), i. é, Jesus Cristo se contrapõe ao fundamento como pedra conclusiva da obra.
Para podermos decidir essa questão é preciso inicialmente esclarecer a tradução “pedra angular” ou “pedra final”.
A comprovação bíblica dessa interpretação está em Is 28.16 e Sl 118.22. Em 1Co 3.10s aplica-se claramente a Cristo o significado de “fundamento”. O “crescimento do edifício” (Ef 2.21) parte da pedra angular.
O último argumento, no entanto, também pode ser usado para justificar a tradução como “pedra final”: justamente na carta aos Efésios tem-se em vista a conclusão da construção, que se dá pela pedra final (de destaque particular na arquitetura). Como Cristo é o cabeça, os crentes devem crescer em direção dele (Ef 4.15s). Assim fica evidente que ambas as possibilidades são inegavelmente válidas e que também são usadas por Paulo nas duas acepções de acordo com a ilustração (construção, ou corpo). Nós preferimos a interpretação “pedra final”, visto que o encadeamento das idéias dos v. 20-22 destacam primordialmente o aspecto da evolução desse edifício do fundamento ao prédio concluído – com Cristo como a pedra final que coroa e mantém tudo unido.
Eberhard Hahn. Comentário Esperança Efésios. Editora Evangélica Esperança.
2. O ofício do profeta neotestamentário.
Entendendo o Texto
“Principalmente o [dom] de profetizar” (1 Co 14.1- 5). A natureza exata do dom da profecia, como exercido na igreja do século I, é muito debatida. Alguns consideram que 13.8 (na versão ARA), “profecias... desaparecerão” significa que, depois de completados os escritos do Novo Testamento, revelações especiais dadas por meio de membros das congregações locais não seriam mais necessárias, e que, sendo assim, o “dom da profecia” original foi transformado em um dom de pregar a Palavra. Outros sustentam que é o dom da revelação. Não que a profecia substitua a Palavra de Deus, mas que, de certa maneira, ela suplementa a Escritura ao mesmo tempo em que se mantém subordinada a ela.
A visão de Paulo foi clara. “Profecia” é uma instrução emitida em linguagem clara e comum, para que todos possam entender, e que fortaleça os crentes. A despeito do que a profecia seja, em detalhes, ela fazia para a igreja a mesma coisa que uma mãe faz ao falar sobre Deus à criança enquanto a coloca na cama. Ela fazia para a igreja a mesma coisa que uma família faz ao ler um livro devocional e falar sobre o seu significado. Ela fazia para a igreja a mesma coisa que um professor da Escola Dominical faz ao explicar como uma passagem da Bíblia se aplica à nossa vida diária.
Você pode não pensar em si mesmo como um profeta. Mas pode ter um ministério de profeta — e recompensa — ao partilhar sua fé com sua família e amigos.
Lawrence O. Richards. Comentário Devocional da Bíblia. Editora CPAD. pag. 817-818.
O valor da profecia
A palavra de Deus ou "palavra profética", foi sempre de "muita valia" para o povo de Deus em geral (1 Sm 3.1). Talvez por isso Moisés tenha exclamado: "Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu espírito!" (Nm 11.29).
O profeta Joel, ao vaticinar o grande derramamento do Espírito sobre toda a carne, fala de uma efusão profé¬tica: "Vossos filhos e vossas filhas profetizarão" (Jl 2.28).
Finalmente, Paulo manifesta o mesmo sentimento, aconselhando os coríntios a procurar "com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar" (1 Co 14.1). Nos versículos seguintes, o apóstolo reafirma sua admoestação em outros termos, como por exemplo:
"E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas; mas muito mais que profetizeis, porque o que profetiza é maior do que o que fala línguas estranhas" (v. 5); "Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar" (v. 39).
Segundo alguns escritores neotestamentários, parece que na igreja de Corinto ensinadores usavam "palavras persuasivas de sabedoria humana", tornando-se quase impossível aos "indoutos" alcançar o pensamento desses requintados pregadores (cf. 1 Co 2.1-13). Diante de tal circunstância o Espírito de Deus supria esta lacuna, usando alguém com o dom de profecia. Daí o comentário do apóstolo: "Mas se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar [no templo], de todos é convencido, de todos é julgado. Os segredos [as dúvidas] do seu coração ficarão manifestos [respondidos], e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós" (1 Co 14.24,25).
A finalidade da profecia
O dom de profecia tornara-se o mais desejado da igreja em Corinto, provavelmente, como observa Faucett, pelas seguintes razões:
•          A profecia visa a edificação da igreja, tema quase que central do capítulo 14 de 1 Coríntios, e não apenas a edificação do crente individual, como é o caso das línguas quando não interpretadas.
•          A profecia serve para exortação.
•          A profecia serve também para consolar.
•          A profecia é um meio de transmitir revelações e doutrinas, quando vazadas na revelação plenária.
•          A profecia faz soar o "toque" da mensagem cristã que leva o crente a preparar-se para a batalha espiritual.
•          A profecia é uma voz clara num mundo de vozes confusas e desassociadas.
•          A profecia é um canal de bênção, principalmente de ação de graças, do qual a comunidade inteira pode participar. Por conseguinte, assemelha-se às línguas e até lhes é superior, porque beneficia a todos, e não somente ao que fala.
• A profecia é um dom espiritual que abençoa os crentes em qualquer lugar onde Deus assim o queira.
•          A profecia é uma maneira de ensinar os sentimentos espirituais à alma sincera e anelante pela presença de Deus.
•          A profecia deve ser ministrada segundo a medida da fé. Em outras palavras, deve ser transmitida de acordo com as regras e padrões estabelecidos na Palavra de Deus.
•          A profecia deve ser transmitida sob os cuidados da direção ministerial (1 Cr 25.2).
•          A profecia é um alerta contra o pecado: "Não havendo profecia, o povo se corrompe" (Pv 29.18).
Note que a profecia citada neste capítulo não é o ministério profético que o mesmo Paulo menciona em Efésios 4.11, evidentemente também chamado "dom". Mas é um "dom de governo", ligado diretamente à área ministerial. Enquanto que a profecia, ainda que ligada também ao ministério profético, é um "dom do Espírito Santo" outorgado à igreja para "edificação, exortação e consolação". Os profetas mencionados no Antigo Testamento eram pessoas revestidas do "ministério profético", e geralmente iniciavam a mensagem profética, dizendo: "Assim diz o Senhor" ou: "Veio a mim a palavra do Senhor".
No caso do dom de profecia, a mensagem parte sempre diretamente de Deus e é transmitida como se o próprio Deus estivesse falando. No exercício do ministério profético propriamente dito, dificilmente profetizavam dois ou mais profetas ao mesmo tempo e em um só lugar, como acontece com o dom de profecia. Paulo orienta: "Falem dois ou três pessoas, e os outros julguem. Mas se a outro [profeta], que estiver assentado, for revelado al¬guma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros... E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas" (1 Co 14.29-32).
O ministério profético e o dom de profecia encontram-se associados em ambos os Testamentos. Em Números 11.25,26, o Espírito de Deus repousou sobre setenta anciãos de Israel, concedendo-lhes uma espécie de dom de profecia. Eles profetizaram ali, e depois, nunca mais. Entretanto, "no arraial ficaram dois homens; o nome de um era Eldade, e o nome do outro, Medade; e repousou sobre eles o Espírito (porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda), e profetizavam". Eldade e Medade receberam o ministério profético, enquanto os setenta anciãos receberam apenas uma porção deste ministério, ou seja, o dom de profecia. A palavra hebraica para "profeta" é nabil, e foi usada pela primeira vez em Gênesis 20.7; depois, aparece mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. No Novo Testamento, a palavra prophetes aparece 149 vezes. Sete dessas ocorrências, nas Escrituras, são aplicadas a figuras femininas, ou "profetisas": Miriã, Débora, Hulda, Noadias, a mulher do profeta Isaías, Ana e Jezabel (Êx 15.20; Jz 4.4; 2 Rs 22.12; Ne 6.14; Is 8.3; Lc 2.36; Ap 2.20).
Atos 20.8,9 também revela que Filipe, o evangelista, era pai de "quatro filhas donzelas que profetizavam".
Toda e qualquer profecia, seja plenária (2 Pe 1.19-21) ou uma revelação momentânea operada através do dom, diante de qualquer necessidade da igreja deve trazer em seu conteúdo "o testemunho de Jesus", que é o "espírito de profecia" (Ap 19.10).
SEVERINO Pedro da Silva. A Existência e a Pessoa do Espírito Santo. O Espírito Santo é um Ser real que age e vive entre nós. Editora CPAD.
3. O objetivo do dom ministerial de profeta.
O DOM DE PROFETA NÃO É PARA TODOS
Examinando o contexto do capítulo 12 de 1 Coríntios, podemos verificar e concluir que os dons ministeriais não são para todos os crentes, na igreja local. Diz o texto: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (1 Co 12.18). Note-se que o texto diz que “a uns pôs Deus na igreja”. Isso mostra que Deus não pôs todos, mas “uns”.
Na lista de Paulo aos efésios, vemos escrito: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11,12). Quando o escritor diz “uns” e “outros” fica bem claro que tais dons não estão à disposição de todos os crentes. Diz a Bíblia de Estudo Pentecostal: “Como dom de ministério, a profecia é concedida a apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas’ (grifo nosso).
1) O aperfeiçoamento dos santos. A finalidade dos dons ministeriais é “o aperfeiçoamento dos santos” (1 Pe 1.15), ou seja, dos crentes fiéis, santificados e comprometidos com o Reino de Deus, “para a obra do ministério”. Há o ministério ordenado, regular, integrado pelos pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos ou cooperadores, ordenados, consagrados ou separados para atender às necessidades da comunidade cristã. E há ministérios diversos, que não são realizados pelos ministros ou obreiros do corpo ministerial. Na música, no louvor, no ensino, nos serviços gerais, na segurança, na operação de equipamentos e outros, que, quando executados por pessoas que são chamadas por Deus, e assumem tais atividades, conscientes de que estão prestando um serviço à igreja, são verdadeiros ministérios.
2) Para a “obra do ministério”. O ministério se constitui dos diversos cargos e funções, necessárias ao desenvolvimento da vida eclesiástica; são os diversos serviços e atividades eclesiásticas e administrativas que norteiam a administração espiritual, humana e organizacional da igreja local. Essa obra requer orientação segura da parte de Deus.
3) A edificação do Corpo de Cristo. Os dons ministeriais também atendem à necessidade da “edificação do Corpo de Cristo”, que é a Igreja (invisível), que se torna visível, no conjunto de salvos, na igreja local. Os crentes salvos são considerados “edifício de Deus” (1 Co 3.9). A metáfora é bem adequada. Os salvos são considerados “pedras vivas”, na construção desse edifício espiritual. Diz o apóstolo Pedro: “vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pe 2.5). Nessa edificação, o papel dos que têm o dom ministerial de profeta é de grande valia.
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 87-88.
PROFETAS. Os profetas eram homens que falavam sob o impulso direto do Espírito Santo, e cuja motivação e interesse principais eram a vida espiritual e pureza da igreja. Sob o novo concerto, foram levantados pelo Espírito Santo e revestidos pelo seu poder para trazerem uma mensagem da parte de Deus ao seu povo (At 2.17; 4.8; 21.4).
(1) O ministério profético do AT ajuda-nos a compreender o do NT. A missão principal dos profetas do AT era transmitir a mensagem divina através do Espírito, para encorajar o povo de Deus a permanecer fiel, conforme os preceitos da antiga aliança. Às vezes eles também prediziam o futuro conforme o Espírito lhes revelava Cristo e os apóstolos são um exemplo do ideal do AT (At 3.22,23; 13.1,2).
(2) A função do profeta na igreja incluía o seguinte: (a) Proclamava e interpretava, cheio do Espírito Santo, a Palavra de Deus, por chamada divina. Sua mensagem visava admoestar, exortar, animar, consolar e edificar (At 2.14-36; 3.12-26; 1Co 12.10; 14.3). (b) Devia exercer o dom de profecia  (c) Às vezes, ele era vidente (cf. 1Cr 29.29), predizendo o futuro (At 11.28; 21.10,11). (d) Era dever do profeta do NT, assim como para o do AT, desmascarar o pecado, proclamar a justiça, advertir do juízo vindouro e combater o mundanismo e frieza espiritual entre o povo de Deus (Lc 1.14-17). Por causa da sua mensagem de justiça, o profeta pode esperar ser rejeitado por muitos nas igrejas, em tempos de mornidão e apostasia.
(3) O caráter, a solicitude espiritual, o desejo e a capacidade do profeta incluem: (a) zelo pela pureza da igreja (Jo 17.15-17; 1Co 6.9-11; Gl 5.22-25); (b) profunda sensibilidade diante do mal e a capacidade de identificar e detestar a iniquidade (Rm 12.9; Hb 1.9); (c) profunda compreensão do perigo dos falsos ensinos (Mt 7.15; 24.11,24; Gl 1.9; 2Co 11.12-15); (d) dependência contínua da Palavra de Deus para validar sua mensagem (Lc 4.17-19; 1Co 15.3,4; 2Tm 3.16; 1Pe 4.11); (e) interesse pelo sucesso espiritual do reino de Deus e identificação com os sentimentos de Deus (cf. Mt 21.11-13; 23.37; Lc 13.34; Jo 2.14-17; At 20.27-31).
(4) A mensagem do profeta atual não deve ser considerada infalível. Ela está sujeita ao julgamento da igreja, doutros profetas e da Palavra de Deus. A congregação tem o dever de discernir e julgar o conteúdo da mensagem profética, se ela é de Deus (1Co 14.29-33; 1Jo 4.1).
(5) Os profetas continuam sendo imprescindíveis ao propósito de Deus para a igreja. A igreja que rejeitar os profetas de Deus caminhará para a decadência, desviando-se para o mundanismo e o liberalismo quanto aos ensinos da Bíblia (1Co 14.3; cf. Mt 23.31-38; Lc 11.49; At 7.51,52). Se ao profeta não for permitido trazer a mensagem de repreensão e de advertência denunciando o pecado e a injustiça (Jo 16.8-11), então a igreja já não será o lugar onde se possa ouvir a voz do Espírito. A política eclesiástica e a direção humana tomarão o lugar do Espírito (2Tm 3.1-9; 4.3-5; 2Pe 2.1-3,12-22). Por outro lado, a igreja com os seus dirigentes, tendo a mensagem dos profetas de Deus, será impulsionada à renovação espiritual. O pecado será abandonado, a presença e a santidade do Espírito serão evidentes entre os fiéis (1Co 14.3; 1Ts 5.19-21; Ap 3.20-22).
STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
Profecia
    A profecia é uma manifestação do Espírito de Deus e não da mente do homem, e é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso: 1 Co 12.7.
    Embora o dom da profecia nada tenha a ver com os poderes normais do raciocínio humano, pois é algo muito superior, isso não impede que qualquer crente possa exercitá-la: “Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados”, 1 Co 14.31.
    Ainda que nalguns casos o dom da profecia possa ser exercido simultaneamente com a pregação da Palavra, é evidente que esse dom é dotado de um elemento sobrenatural, não devendo, portanto, ser confundido com a simples habilidade de pregar o Evangelho.
Dada a importância desse dom em face dos demais dons espirituais, e dentro do contexto da doutrina pentecostal, necessário se faz uma análise cuidadosa, no sentido de conceituá-lo no seio da Igreja hoje.
    O apóstolo Paulo adverte os crentes a procurar “com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (1 Co 14.1); isto por razões que ele mesmo enumera:
    a. Porque “o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação... O que profetiza edifica a igreja”, 1 Co 14.3,4.
    “Edificação”, “exortação” e “consolação” são os três elementos básicos da profecia, são a razão de ser e de existir desse dom. É evidente que isto contraria a crença tão popular entre nós, de que o principal elemento da profecia é o preditivo (predição do futuro). Certamente, que tanto o Antigo quanto o  Novo Testamento contêm numerosas profecias preditivas, muitas das quais já se cumpriram, e outras estão se cumprindo, e outras ainda se hão de cumprir, No entanto, no conteúdo geral das Escrituras, o elemento preditivo da profecia é relativamente o menor.
    b. Porque ‘‘se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. Os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós”, l Co 14.24,25.
    Há algo mais que precisamos ter em mente quanto ao dom de profecia e o seu uso na Igreja hodiemamente:
    a) O dom de profecia nunca deve exercer propósitos diretivos ou de governo sobre a Igreja. No Antigo Testamento, Israel era governado por reis e o culto era dirigido pelos sacerdotes, mas nunca por alguém que se tivesse distinguido por um ministério cem por cento profético. Os profetas eram apenas colaboradores na condução do povo. O mesmo aconteceu com a Igreja dc Novo Testamento: o seu governo sempre esteve sob a responsabilidade dos presbíteros ou bispos, ou pastores, mas nunca sob a responsabilidade de profetas.
    Escreveu o missionário Eurico Bergstén, que “quando alguém, por meio de profecia, penetra na direção da igreja, mostra que é dominado por influências estranhas. Abre-se, então, uma porta para a perturbação... Quando alguém se faz ‘oráculo de profeta’, para responder a perguntas e orientar os crentes, está usando indevidamente o dom de profecia... O dom de profecia não atinge, nesta dispensação, a faixa de consulta, pois tem uma outra finalidade: a edificação da Igreja”.
   b) Devido a possíveis abusos quanto ao uso do dom da profecia, este dom está sujeito a análise e a consequente julgamento. Recomenda o apóstolo Paulo: “...falem dois ou três profetas, e os outros julguem”, 1 Co 14.29.
   Paulo arremata suas advertências quanto ao dom de profecia, dizendo: “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor”, 1 Co 14.37.
  O dom de profecia não deve ser desprezado (1 Tm 4.14), mas despertado (2 Tm 2.16), a fim de que a Igreja seja enriquecida: 1 Co 1.57.
Raimundo F. de Oliveira. A Doutrina Pentecostal Hoje. Editora CPAD.
O apóstolo então nos relata quais foram os dons de Cristo na sua ascensão: “E ele mesmo deu uns para apóstolos...” (v. 11). Na verdade, Ele enviou alguns desses antes da sua ascensão (Mt 10.1-5), mas um foi acrescentado depois (At 1.26). E todos eles foram mais solenemente empossados e publicamente confirmados, em seu ofício, pelo seu derramar visível do Espírito Santo de uma forma extraordinária. Observe: O grande dom que Cristo deu à igreja na sua ascensão foi o ministério da paz e da reconciliação. O dom do ministério é o fruto da ascensão de Cristo. E ministros têm seus vários dons, que são todos dados pelo Senhor Jesus. Os ministros que Cristo deu à sua igreja eram de dois tipos - os extraordinários, investidos de um ofício superior na igreja: tais eram apóstolos, profetas e evangelistas. Os apóstolos eram os dirigentes. Cristo os investiu com dons extraordinários, poder para operar milagres e uma infalibilidade para anunciar sua verdade. Tendo eles sido testemunhas dos seus milagres e doutrina, Ele os enviou a espalhar o evangelho e a implantar e governar igrejas. Os profetas expunham os escritos do Antigo Testamento e prediziam as coisas do futuro. Os evangelistas eram pessoas ordenadas (2 Tm 1.6) que os apóstolos levavam como companheiros de viagem (Gl 2.1), e os enviavam para estabelecer igrejas que eles, os apóstolos, tinham implantado (At 19.22). Os evangelistas não estavam presos a nenhum lugar específico; por isso, deveriam continuar o seu trabalho até que fossem chamados de volta (2 Tm 4.9). Também existem os ministros ordinários, empregados em uma esfera mais restrita tais como pastores e mestres. Alguns entendem que esses dois nomes significam um ofício só, envolvendo as tarefas de governar e ensinar. Outros entendem que eles representam dois ofícios distintos, ambos regulares e de uso permanente na igreja. Os pastores são colocados como dirigentes principais de igrejas particulares, com o intento de guiar, instruir e alimentar os membros de acordo com as instruções de Cristo. Eles são frequentemente chamados de bispos e anciãos. Os mestres eram aqueles que também pregavam o evangelho e instruíam o povo por meio da exortação. Vemos aqui que é prerrogativa de Cristo designar oficiais e ofícios em sua igreja.
A igreja é rica pelo fato de ter tido uma diversidade tão grande de oficiais e continuar tendo uma diversidade tão grande de dons! Como Cristo é amável com sua igreja! Quão grande é o seu cuidado por ela e pela sua edificação! Quando Ele subiu, enviou o dom do Espírito Santo; e os dons do Espírito Santo são vários: alguns receberam mais, outros, menos; mas todos os dons são para o bem do corpo, o que nos leva ao terceiro argumento:
3. A grande finalidade e desígnio de Cristo em relação aos dons. Os dons de Cristo eram para o bem da sua igreja e para promover seu Reino e interesse entre os homens. Tudo isso tinha um fim comum e era um bom motivo para que todos os cristãos quisessem viver em amor fraternal e não invejar os dons dos outros. Todos os dons são para “...o aperfeiçoamento dos santos” (v. 12); isto é (de acordo com o original), conduzir a um estado espiritual ordenado aqueles que tinham sido desordenados e separados pelo pecado, e então fortalecer,
confirmar e promovê-los nisso, para que cada um, em seu devido lugar e função, possa contribuir para o bem do todo. “...para a obra do ministério” (ou para a obra da dispensação), isto é, para que pudessem repartir as doutrinas do evangelho e cumprir as diversas partes da sua função ministerial, “...para edificação do corpo de Cristo”, isto é, a edificação da sua igreja, que é o corpo místico de Cristo, pelo aumento da graça deles e um acréscimo de novos membros. Todos são designados para preparar-nos para o céu: “...até que todos cheguemos...” (v. 13). Os dons e ministérios (alguns deles) que foram mencionados devem continuar na igreja até que os santos sejam aperfeiçoados, o que não acontecerá “...até que todos cheguemos à unidade da fé (até que todos os verdadeiros crentes se unam, por meio da mesma preciosa fé) e ao conhecimento do Filho de Deus”, o que não quer dizer um conhecimento meramente especulativo, ou o reconhecimento de Cristo como o Filho de Deus e o grande Mediador, mas como deveria ser observado, com apropriação e afeto, com a devida honra, confiança e obediência; “...a varão perfeito”, para o crescimento completo dos dons e graças, livre das fragilidades imaturas às quais estamos sujeitos no presente mundo; “...à medida da estatura completa de Cristo”, tornando-nos cristãos maduros em todas as graças providas pela plenitude de Cristo. Ou, de acordo com a medida dessa estatura que é completar a plenitude de Cristo e seu corpo místico. Nunca chegaremos a ser o varão perfeito, até que cheguemos ao mundo perfeito. Há uma plenitude em Cristo, e uma plenitude a ser obtida dele; uma certa estatura dessa plenitude e uma medida dessa estatura são determinadas no conselho de Deus para cada crente, e nunca chegaremos a essa medida até chegarmos ao céu. Os filhos de Deus, enquanto estiverem neste mundo, estão crescendo. O Dr. Ligthfoot entende que o apóstolo está falando aqui dos judeus e gentios ligados na unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, constituindo, dessa forma, um homem perfeito, e a medida da estatura completa de Cristo. O apóstolo também mostra, nos versículos seguintes, qual era o desígnio de Deus em suas instituições sagradas e quais efeitos deveriam ter sobre nós. (1) “...para que não sejamos mais meninos...” (v. 14); isto é, para que não mais sejamos meninos em conhecimento, fracos na fé e inconstantes em nossos julgamentos, facilmente cedendo a cada tentação, prontamente concordando com o capricho de cada um. Crianças podem ser facilmente iludidas. Devemos cuidar para não sermos inconstantes (ou “agitados de um lado para outro”, versão RA), como navios sem lastro, levados, como nuvens no céu, em relação a doutrinas que não têm verdade nem solidez em si, mas que, mesmo assim se espalham por todo lado, e são, portanto, comparados ao vento, “...pelo engano dos homens”: essa é uma metáfora tirada de jogadores trapaceiros e traz a ideia da sutileza enganosa dos sedutores; “...que, com astúcia”, pelo que dispõem sua habilidade em encontrar maneiras de seduzir; pois segue-se: enganam fraudulosamente, como em uma emboscada, para iludir os fracos e afastá-los da verdade. Observe: Somente homens muito perversos e impiedosos buscam seduzir e enganar os outros por meio de doutrinas falsas e erros. O apóstolo os descreve aqui como homens perversos, que usam manhas e astúcia diabólica para alcançar seus objetivos. O melhor método que podemos usar para nos proteger e nos fortalecer contra essas pessoas é estudar os oráculos sagrados e orar pela iluminação e graça do Espírito de Cristo, para que possamos conhecer a verdade em Jesus, e ser firmados nela. (2) Para que sigamos “...a verdade em caridade” (v. 15), ou falemos a verdade em amor, ou sejamos sinceros em amor com os nossos irmãos em Cristo. Enquanto nos devotamos à doutrina de Cristo, que é a verdade, devemos viver em amor uns com os outros. O amor é uma coisa excelente, mas devemos ser cuidadosos para preservar a verdade junto com ele. A verdade é uma coisa excelente; no entanto, é necessário que a falemos com espírito de amor e não em contenda. Esses dois aspectos devem andar juntos: verdade e paz. (3) Para crescermos “...em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. Crescer em tudo em Cristo quer dizer estar mais arraigado nele. Em todas as coisas - no conhecimento, no amor, na fé e em todos os aspectos do novo homem. Devemos crescer rumo à maturidade, que é o oposto de continuar sendo meninos. Aqueles que crescem em Cristo são cristãos saudáveis. Quanto mais crescermos no conhecimento de Cristo, na fé nele, no amor a Ele e na dependência dele, tanto mais prosperaremos em graça. Ele é a cabeça, e nós devemos crescer de tal forma que estejamos em condições de honrar essa cabeça.
O crescimento cristão sempre será para a glória de Cristo. (4) Devemos auxiliar uns aos outros, como membros do mesmo corpo (v. 16). Aqui o apóstolo faz uma comparação entre o corpo natural e o corpo místico de Cristo, esse corpo do qual Cristo é a cabeça. Paulo observa que do mesmo modo que há comunhão e comunicação mútua dos membros do corpo entre si, para o seu crescimento e melhoramento, assim deve haver amor e unidade mútua, junto com o fruto apropriado, entre os cristãos, para que ocorra o melhoramento e crescimento espiritual na graça, “...do qual, diz ele (isto é, de Cristo, seu cabeça, que transmite influência e alimento para cada membro específico), todo o corpo, bem ajustado e ligado (estando unidos firme e ordenadamente, cada um em seu devido lugar), pelo auxílio de todas as juntas (pelo auxílio que cada uma das partes, assim unidas, dá ao todo, ou pelo Espírito, fé, amor, sacramentos etc., que, semelhantemente às veias e artérias no corpo, servem para unir os cristãos a Cristo, seu cabeça, e uns aos outros como membros desse corpo), segundo a justa operação de cada parte (isto é, dizem alguns, de acordo com o poder que o Espírito Santo exerce para tornar os meios designados por Deus eficazes para esse grande fim, em relação à medida que Cristo julga ser suficiente e apropriada para cada membro, de acordo com seu respectivo lugar e ministério no corpo; ou, como outros pensam, segundo o poder de Cristo, que, como cabeça, influencia e aviva cada membro; ou, de acordo com o trabalho eficaz de cada membro em comunicar aos outros o que recebeu; assim o alimento é levado a todos na devida proporção e segundo o estado e exigência de cada parte) faz o aumento do corpo”, em conformidade com a necessidade do corpo. Observe: Cada cristão recebe seus dons e graças de Cristo para o benefício de todo o corpo.
“...para sua edificação em amor”. Podemos entender isso de duas maneiras: uma maneira é que todos os membros da igreja podem alcançar uma medida de amor maior para com Cristo e uns para com os outros; a outra maneira é que eles são movidos a agir na forma mencionada do amor a Cristo e uns aos outros. Observe: O amor mútuo entre os cristãos é um grande aliado do crescimento espiritual; ao passo que “...um reino dividido contra si mesmo não pode subsistir” (veja Mc 3.24).
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 592-593.
A Classificação dos Dons (4.11)
Tudo indica que Paulo, quando escreveu estas palavras, tinha em mente a lista dos ministérios relacionados em 1 Coríntios 12.28. A passagem coríntia compreende uma lista mais longa de dons espirituais (charismata). Mas nesta passagem, Paulo está interessado em apresentar os ofícios necessários para a expansão e sustento da igreja. Cristo deu à igreja os apóstolos: os ministros supremos, os doze que haviam visto o Senhor ressurreto e recebido suas tarefas diretamente dele. Os profetas têm posição proximal à dos apóstolos, e o seu dom especial era o de ministério inspirado. Foulkes afirma que a função primária dos profetas era similar à dos profetas do Antigo Testamento: “anunciar” a palavra de Deus. Porém, ocasionalmente prediziam acontecimentos futuros, como em Atos 11.28 e 21.9,ll.30 Os evangelistas eram pregadores itinerantes, que iam de lugar em lugar para ganhar os incrédulos (cf. 2 Tm 4.5), de modo muito semelhante como se faz hoje.
Certos intérpretes sugerem que as primeiras três categorias se aplicam à igreja universal, ao passo que as outras duas se ajustam especificamente à igreja local. Pastores são pastores de um rebanho de comunicantes; a palavra grega (poimen) empregada aqui significa, literalmente, “pastor de ovelhas”. A tarefa dos pastores é alimentar o rebanho e protegê-lo dos perigos espirituais. Doutores pode ser uma outra função do pastor. Bruce afirma que estes dois termos “denotam a mesma e uma única classe de homens”.31 Contudo, pode ser que os doutores representem uma classe de responsabilidade um tanto quanto menor que os pastores, mas que, mesmo assim, detêm lugar especial na igreja. Os cinco ministérios são concedidos pelo Espírito e dados por Cristo à sua igreja.
O Propósito dos Dons (4.12-16)
Falando principalmente da vida interior da comunidade cristã, Paulo descreve o propósito para o qual Cristo deu à igreja estes ministérios. Pelo menos quatro dimensões do propósito divino são distinguíveis.
a) Estes ministérios são dados para edificar ou construir o corpo de Cristo (12). As três frases neste versículo, cada uma separada por uma vírgula (RC), dão a impressão de que o apóstolo expressa um propósito triplo. No idioma original, a ênfase está na última frase: “Ele fez isso para preparar o povo de Deus para o serviço cristão, a fim de construir o corpo de Cristo” (NTLH). O objetivo destes servos especiais é ocasionar um aperfeiçoamento (katartismos, lit., “adaptação” ou “equipamento”) para a obra do ministério (diakonias). A expectativa é que haverá um trabalho ativo e frutífero para o Senhor, com o resultado de que a igreja será edificada. A medida que as almas são ganhas, a vida da comunidade se aprofunda e se fortalece pelo serviço unificador da igreja.
b) Estes dons ministeriais são dados para promover maturidade. O versículo 13 rememora o anterior e oferece explicação adicional da “edificação” da igreja. Uma vez mais, Paulo usa três frases, cada uma iniciada com a preposição grega eis: 1) à unidade da fé; 2) a varão perfeito; 3) à medida da estatura completa de Cristo. Estas não são ideias paralelas. A primeira fala do meio da maturidade, a segunda fala da realidade da maturidade e a terceira fala da medida da maturidade. Uma tradução melhor do versículo seria esta: “Assim, todos finalmente atingiremos a unidade inerente em nossa fé e em nosso conhecimento do Filho de Deus, e chegaremos à maturidade, medida por nada menos que a estatura completa de Cristo” (NEB).
A unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus constitui o meio do amadurecimento (cf. RA). A unidade é um dom do Espírito (cf. 3), mas requer-se fé e conhecimento para recebê-la. Neste texto, a fé é a resposta que damos ao Filho de Deus e a nossa confiança nele — Deus manifestado na carne que morreu no Calvário em nosso benefício. Aqui, conhecimento (epignosis) é semelhante à fé no ponto em que significa “compreensão, familiaridade, discernimento”. Não devemos equipará-lo a conhecimento intelectual, mas a relações pessoais. A unidade se origina dessa intimidade com o Filho proporcionada pela graça. Paulo não está falando da experiência inicial com Cristo. O apóstolo se preocupa com o crescimento e aumento em entendimento e compreensão dos propósitos e vontade de Deus conforme estão revelados em associação com Cristo. Os membros da igreja podem e devem ter tal crescimento em maior medida enquanto o servem.
A varão perfeito refere-se ao nível de maturidade coletiva e individual na igreja, no qual o poder de Deus se manifesta inteiramente em santidade e justiça. Tal estado será atingido em seu significado máximo futuramente, quando possuirmos a graça de Cristo na perfeição da ressurreição (cf. Fp 3.7-16).
A medida da estatura completa de Cristo é o padrão de medida que determina a maturidade cristã. Hodge escreve: “A igreja se torna adulta, homem perfeito, quando alcança a perfeição de Cristo”. A chave para interpretar o versículo é a expressão estatura completa de Cristo. Qual é esta estatura? Salmond diz que é “a soma das qualidades que fazem o que ele é”. Quando a igreja está à altura da maturidade plena do seu Senhor, ela é perfeita. E à medida que cresce em direção a essa maturidade, ela fica mais próxima de sua meta em Cristo. Precisamos também destacar que não há crescimento na igreja separadamente de nosso crescimento individual como crente. É cada um de nós individualmente que tem de se dirigir com empenho à estatura completa de Cristo.
c) Estes ministérios são dados para garantir a estabilidade na igreja diante de doutrinas divergentes e do engano de homens (14). Esta é consequência natural da maturidade, como Paulo indica por sua frase introdutória: Para que não sejamos mais meninos. Uma das evidências claras de imaturidade é a incapacidade de resistir, de forma inteligente e espiritual, as declarações das falsas doutrinas. As palavras de Paulo são pitorescas. O termo inconstantes só ocorre aqui no Novo Testamento e é derivado de kludon (“vagalhão” ou “onda”). Por conseguinte, o verbo significa literalmente “ser lançado pelas ondas”. Cristãos imaturos são como barcos açoitados pela tempestade. Levados em roda vem da palavra grega periphero, que tem a ideia de oscilar violentamente. Boas traduções dos dois termos são: “levados de um lado para outro pelas ondas” e “jogados para cá e para lá por toda nova rajada de ensino” (cf. BJ, NVI). Atarefa dos ministros é pôr mão forte no leme da igreja, mantê-la firme e fornecer o lastro doutrinário mediante um ministério fiel de pregação e ensino.
Aqueles que introduzem falsos ensinos, nos quais os crentes instáveis caem vítimas, enganam a si mesmos e também enganam fraudulosamente os outros. Esta fase é mais bem traduzida por “fazem uso de todo tipo de dispositivo inconstante para induzir ao erro” (Weymouth). Eles usam de engano (lit., “jogo de dados”). Metaforicamente, veio a significar “artimanha” (BJ, RA). Moule declara corretamente o aviso de Paulo: “Há pessoas próximas de vós que não só vos desviam, mas o fazem de propósito, pondo armadilhas premeditadas e organizando métodos bem-elaborados, com o objetivo de afastá-los de Cristo a quem eles não amam”. A única proteção adequada contra a sutileza da heresia é uma fé crescente e um conhecimento progressivo da verdade. Os ministros têm de proporcionar a oportunidade de tal maturação para assim garantir a estabilidade na igreja.
d) Estes ministérios são dados para possibilitar o crescimento em Cristo. Seguindo a verdade (15) é derivado do verbo grego aletheuo, geralmente traduzido por “falar a verdade” (cf. CH, NTLH). Mas há mais no pensamento de Paulo do que proferir sons articulados. Ele pensa em termos de viver e agir. Dale comenta: “A verdade tem de ser a vida de todos os cristãos. A revelação de Deus em Cristo tem de influenciar e inspirar todas as atividades dos cristãos. A verdade tinha de se encarnar nos efésios, tinha de se corporificar neles. [...] Não era apenas para falar, mas para vivenciá-la”.38 E esta vida era para ser vivida em caridade (“em amor”, ACF, AEC, BAB, BJ, CH, NVI, RA), quer dizer, com os motivos e inclinações que o amor evoca. As pessoas confessam e vivem asperamente certa porção de verdade, mas a comunidade cristã sempre tem de se expressar em amor. O resultado será o movimento progressivo em direção à perfeição de Cristo, a cabeça da igreja. Repare que esta ideia é essencialmente idêntica ao pensamento do versículo 13. Além disso, esta ação positiva é a melhor defesa contra os efeitos do erro descritos no versículo 14.
No versículo 16, o apóstolo retorna à analogia do corpo e se serve disso para enfatizar a unidade que Cristo, a cabeça, traz para a igreja. Ele visualiza a estrutura maravilhosa e intricada do corpo humano com suas partes unidas de modo bem ajustado e ligado (“bem unido e consolidado”, NEB).39 Na analogia, juntas referem-se aos ligamentos pelos quais as partes do corpo se unem. Quando o corpo está funcionando segundo ajusta operação de cada parte, quer dizer, quando cada parte é ativada de acordo com o seu propósito, a harmonia prevalece e o crescimento é certo. Cristo é, obviamente, o centro e a origem de toda a vida espiritual. Ele dá “coesão e poder vital para o crescimento”.40 Este crescimento resulta na edificação ou “construção” (BAB) da igreja em amor (cf. 1.4; 3.17; 4.2; 5.2). A estrutura tem a ver principalmente com o desenvolvimento espiritual interno, mas quando a igreja é interiormente forte ela aumenta numericamente.
Em suma, Paulo vê a unidade da igreja em termos orgânicos e não organizacionais. A verdadeira unidade é interior e resultado de um organismo saudável. O Espírito cria essa unidade; não é obra de homens, por mais inteligentes ou apessoados que sejam. Quando esta unidade prevalece, compartilhada por cada membro e motivada pela fidelidade de ministros talentosos, a igreja cresce em simetria e beleza, para espanto do mundo não-crente.
Nos versículos 4 a 16, o pensamento da medida da estatura completa de Cristo sugere o tema “O Alvo Ultimo do Cristão”. 1) O meio para esse fim. Ensinar e pregar a Palavra de Deus, 11,12; 2) O compêndio do ideal, 4-7,15. A fé incorporada e o corpo incorporado, 16; 3) A proximidade da meta num caráter estável, 14. Cristo no trono do coração. A igreja unida (G. B. Williamson).
Willard H. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 160-163.
III – DISCERNINDO O VERDADEIRO PROFETA DO FALSO
1. Simplicidade x arrogância.
CARACTERÍSTICAS DO VERDADEIRO PROFETA
Deus vale-se de homens ou mulheres, para usá-los em mensagens proféticas. No Antigo ou em o Novo Testamento, através de profetas ministros, ou do dom de profecia, a mensagem de Deus é transmitida para sua igreja, com fins proveitosos.
1) Ele só diz o que ouve da parte de Deus. O verdadeiro profeta fala a verdade de Deus, na mensagem que transmite. O profeta verdadeiro não transmite mensagem de sua mente, para agradar ou desagradar, propositadamente. Ele fala a Palavra de Deus “com verdade”.
O rei de Israel, mais prudente, procurou saber se não haveria ali um profeta do Senhor. “Disse, porém, Josafá: Não há aqui ainda algum profeta do SENHOR, ao qual possamos consultar?” (1 Rs 22.7). Certamente, o rei de Israel percebeu que aqueles profetas não mereciam confiança. O rei de Judá respondeu que havia um profeta, Micaías, mas o aborrecia, pois suas profecias sempre o desagradavam. Por sugestão do rei de Israel, o rei de Judá mandou chamar o profeta Micaías. Os mensageiros lhe advertiram que todos os profetas já haviam dado uma mensagem unânime em favor do rei, e que ele deveria fazer o mesmo. A resposta de Micaías define a postura de um verdadeiro profeta de Deus:
 “Porém Micaías disse: Vive o Senhor, que o que o Senhor me disser isso falarei” (1 Rs 22.14 — grifo nosso). E, contrariando todos os profetas do rei de Judá, Micaías predisse que Israel seria derrotado. Foi malvisto, preso, mas Deus cumpriu a palavra do profeta. O rei de Judá foi morto, e o exército sofreu pesada derrota.
2) Há evidências da confirmação de Deus. O verdadeiro profeta é confirmado por Deus. Sua mensagem é autenticada pelo Espírito Santo, e merece credibilidade. “E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado por profeta do Senhor” (1 Sm 3.20). Samuel era um jovem profeta, no tempo de Eli. E foi confirmado por Deus perante toda a nação de Israel.
3) Tem revelação e discernimento de Deus. O rei Jeroboão estava em pecado, e mandou sua mulher disfarçar-se e consultar o profeta Aias, diante da grave doença de um filho seu. A mulher disfarçou-se e foi ao profeta. Antes que chegasse à sua casa, Deus falou ao profeta, alertando-o pela chegada da mulher do rei. Quando ela pôs os pés na porta da casa, o homem de Deus a surpreendeu: “E sucedeu que, ouvindo Aias o ruído de seus pés, entrando ela pela porta, disse ele: Entra, mulher de Jeroboão! Por que te disfarças assim? Pois eu sou enviado a ti com duras novas” (1 Rs 14.6). E falou do mal que viria sobre o reinado do seu esposo, e da morte da criança, o que de fato aconteceu (1 Rs 14.17). O verdadeiro profeta de Deus não se deixa levar pelas aparências e muito menos pela bajulação de quem quer que seja.
4) O profeta não é insubstituível. O profeta Elias, fugindo de Jezabel, a ímpia mulher do rei Acabe, refugiou-se no deserto de Berseba. Recebeu ordem de Deus para levantar-se, pois ainda tinha muito a fazer. Quando pensava que só havia ele para ser usado, Deus lhe disse: “Também eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou” (1 Rs 19.18; Rm 11.4). Sete mil é a “média” que Deus tem de homens para substituir quem quer que seja. No tempo de Deus, Elias passou o cajado para Eliseu, após cumprir sua missão (2 Rs 2.9-14).
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 89-90.
I Da insolência daquele falso profeta. Para completar a afronta que Hananias fez a Jeremias, ele tirou o jugo que estava no pescoço de Jeremias, que ele levava como um memorial do que ele havia profetizado a respeito da escravização das nações a Nabucodonosor, e o quebrou, para que pudesse dar um sinal do cumprimento desta profecia, como Jeremias havia dado da sua, e para mostrar que ele o havia derrotado, e vencido a intenção da sua profecia. Veja como o espírito de mentira, na boca deste falso profeta, imita a linguagem do Espírito da verdade: “Assim diz o Senhor... quebrarei o jugo [do] rei da Babilônia”, não só do pescoço desta nação, mas do pescoço de todas as nações, “depois de passados dois anos completos”. Não é revelado se Hananias convenceu-se a crer nisto pela força de uma imaginação acalorada, ou se ele sabia que isto era falso, e somente os convenceu a acreditar. Mas fica evidente que ele fala com muita certeza. Os homens ímpios tentam fazer com que as mentiras sejam atribuídas ao Deus da verdade. Isto não é algo novo.
II Da paciência do profeta verdadeiro. Jeremias silenciosamente se foi, tomando o seu caminho, não devolvendo o insulto quando foi insultado. Não queria discutir com alguém que estava no auge de sua fúria e no meio dos sacerdotes e do povo, que havia sido violentamente incitado contra ele. O motivo de ter tomado o seu caminho não se deveu ao fato de não ter nada a responder, mas porque estava disposto a esperar até que Deus lhe desse uma resposta direta e imediata, que ele ainda não havia recebido. Ele esperava que Deus enviasse uma mensagem especial para Hananias, e não queria dizer nada até recebê-la. Eu, como surdo, não ouvia. Mas pelo fato de ouvires, certamente responderás por mim, Senhor. As vezes é mais sábio se retirar do que discutir. Currenti cede furori - Dai lugar à ira.
III Da justiça de Deus, ao julgar entre Jeremias e o seu adversário. “Jeremias... se foi, tomando o seu caminho”, como um homem em cuja boca não havia repreensão, mas Deus logo pôs uma palavra em sua boca. Porque Ele se manifesta àqueles que silenciosamente entregam sua causa a Ele. 1. A palavra de Deus, na boca de Jeremias, é ratificada e confirmada. Que devido ao fato de ter enfrentado uma oposição e contestação ousadas Jeremias não perca a confiança na verdade que havia entregado em nome de Deus. Se o que dissermos for a verdade de Deus, não deveremos retirar o que dissermos por causa da contestação dos homens. Porque grande é a verdade e ela prevalecerá. Ela permanecerá firme. Portanto, permaneçamos firmes nela, e não temamos que a incredulidade e a blasfêmia dos homens a invalidem. Hananias havia quebrado os jugos de madeira, mas Jeremias deveria fazer para eles jugos de ferro, que não poderiam ser quebrados (v. 13). Porque (diz Deus): “Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações”, que será mais pesado. Estes jugos ficam mais apertados sobre elas (v. 14), “para servirem... [ao] rei da Babilônia”, e para que, por mais que lutem, não possam tirar o jugo, porque, querendo ou não, eles o servirão. E quem é que pode contender com o conselho de Deus? O que foi dito antes é repetido novamente: “Até os animais do campo lhe dei”, como se houvesse algo significativo nisto. Os homens haviam se tornado, por sua maldade, como os animais que perecem. Portanto, deveriam ser governados por um poder arbitrário, como os animais são governados, e com esse poder Nabucodonosor os governou. Porque “a quem queria matava e a quem queria dava a vida”. 2. Hananias é sentenciado à morte por contradizer a verdade. E Jeremias, ao receber a ordem de Deus, corajosamente lhe diz isto em sua face, embora antes de receber a ordem tenha ido embora e não tenha dito nada. (1) Os crimes pelos quais Hananias é condenado consistiram em enganar o povo e afrontar a Deus: “Tu fizeste que este povo confiasse em mentiras, encorajando os homens a esperar ter paz, o que tornará a destruição ainda mais terrível para eles quando vier”. No entanto, isto não era o pior: “Pregaste rebeldia contra o Senhor” (versão RA). Ensinaste o povo a desprezar todo
o bom conselho que lhes foi dado em nome de Deus pelos verdadeiros profetas, e o tornaste ineficaz. Terão muito que responder aqueles que, dizendo aos pecadores que eles terão paz apesar de continuarem em seus pecados, endurecem os seus corações em desprezo às repreensões e admoestações da Palavra e dos meios e métodos que Deus usa para levá-los ao arrependimento. (2) O juízo dado contra ele é o seguinte: “Eis que te lançarei de sobre a face da terra”, como indigno de viver sobre ela. Tu serás enterrado nela. “Este ano, morrerás”, e morrerás como um rebelde contra o Senhor, a quem a morte virá com um aguilhão e uma maldição. Esta sentença foi executada (v. 17). Hananias morreu naquele mesmo ano, depois de dois meses. Porque a profecia que fala dele é datada no quinto mês (v. 1), e a sua morte no sétimo. Homens de bem podem ser repentinamente arrebatados pela morte no meio dos seus dias, e esta é uma misericórdia para eles, como foi para Josias. Mas a morte de Hananias, sendo predita como um castigo, e vindo a acontecer conforme fora profetizada, pode ser explicada, seguramente, como um testemunho do céu contra ele, e como uma confirmação da missão de Jeremias. E, se o coração do povo não tivesse sido miseravelmente endurecido pelo engano do pecado, teria impedido que fossem ainda mais endurecidos pelo engano dos seus profetas.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 485-486.
Os falsos profetas (28.1-17). Neste capítulo, Hananias representa todo o grupo de profetas profissionais. O incidente foi incluído aqui para realçar o erro desses homens, e para mostrar que o que eles faziam estava prejudicando a nação. Eles podem ter sido sinceros, mas estavam tremendamente errados.
No mesmo ano (1), i.e., no ano em que os acontecimentos do capítulo 27 ocorreram. No princípio do reinado de Zedequias significa “nos anos iniciais do seu reinado”, porque ele diz que foi no ano quarto. Os eventos nos capítulos 27 e 28 provavelmente ocorreram no mesmo tempo. Na verdade, o capítulo 28 pode ter precedido 27.16-22.
Jeremias parece ter profetizado nas ruas de Jerusalém durante vários anos, dramatizando sua mensagem ao levar um jugo sobre o pescoço. Ele foi subitamente confrontado na Casa do Senhor por um dos profetas profissionais. Hananias [...] de Gibeão (veja Gibeá, mapa 2), com um grande show de fervor religioso, contradisse a pregação de Jeremias diante de um grande ajuntamento dos sacerdotes e do povo. Ele clamou: Assim fala o Senhor dos Exércitos [...] Eu quebrei o jugo do rei da Babilônia. Depois de passados dois anos completos, eu tornarei a trazer [...] os utensílios da Casa do Senhor que deste lugar tomou Nabucodonosor [...] levando-os para a Babilônia. Também a Jeconias [Joaquim; veja Quadro A] [...] e a todos os do cativeiro de Judá (2-4).
A resposta de Jeremias foi um fervoroso Amém (6). Ele ardentemente desejava que a mensagem anunciada por Hananias pudesse ser verdade, porque Jeremias amava sua nação e seu povo. Mas ouve (7), disse Jeremias, essas palavras não estão de acordo com os profetas que profetizaram antes de mim e antes de ti (8). No passado, o verdadeiro profeta de Deus não profetizava coisas tranqüilas, sem ressaltar a responsabilidade do povo. Hananias e seus amigos estavam falhando nesse aspecto. O verdadeiro profeta falava da conduta ética e de verdades eternas. Ele sabia que Deus lidava com as pessoas numa base moral, não com o que parecia meramente agradável aos olhos humanos. E, visto que o coração do homem era “desesperadamente perverso” (cf. 17.9), os profetas da antiguidade falavam de guerra, e mal, e peste (8). A palavra do verdadeiro profeta deve apresentar uma combinação de predição negativa e positiva, porque somente então a palavra do Senhor é apresentada de maneira equilibrada. Consequentemente, um homem que falava somente coisas lisonjeiras era suspeito até que suas palavras provassem ser verdadeiras.
Sem aviso, Hananias arrancou o jugo do pescoço do profeta Jeremias e o quebrou (10). Ele repetiu ainda com mais veemência sua profecia anterior, declarando que o jugo [...] da Babilônia seria quebrado do pescoço de todas as nações num prazo de dois anos (11). Com isso, Jeremias se foi, tomando o seu caminho. Seu silêncio era mais eloquente do que qualquer coisa que pudesse ter dito. Ele poderia ter argumentado, mas com o ânimo da multidão e o estado agitado de Hananias, suas palavras se tornariam inúteis.
A última palavra, no entanto, não tinha sido pronunciada. Certo tempo depois, Deus deu uma mensagem a Jeremias para esse falso profeta: “Você quebrou jugos de madeira, mas em seu lugar você fará jugos de ferro” (13, lit.). O versículo 14 explica: Porque assim diz o Senhor [...]: Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, [...] e servi-lo-ão. A última frase ressalta como Hananias estava errado e como é definitiva a decisão de Deus.
O Senhor também tinha uma palavra pessoal para Hananias: não te enviou o Senhor, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras (15). Este ano, morrerás (16). E morreu Hananias [...] no sétimo mês (17). Kuist comenta: ‘ “Dois anos [...] dois meses...’ Fim cruel!”.
O pecado de Hananias foi que ele “com um coração despreocupado fez, em nome de Javé, promessas inconsistentes com a condição moral do povo, [que] portanto, não podiam ser cumpridas”. Hananias era um fanático. Ele esperava resultados sem colocar os devidos alicerces para alcançar esses resultados. “Com grande segurança ele estabelece um limite de dois anos na sua profecia: fanáticos sempre estão com pressa”.
C. Paul Gray. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 329-330.
Jr 28.9 O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra será conhecido como profeta. Um profeta de paz (ver Jer. 6.14; 8.11 e 28.9) só será reconhecido como verdadeiro profeta quando aquilo que ele tiver dito realmente suceder. Portanto, os eventos testarão a validade tanto de sua pessoa como de suas profecias. Jeremias falava caridosamente, pois ele sabia que aqueles “profetas de paz” eram mentirosos, e nada aconteceria para alterar essa avaliação. Os testes padronizados acerca dos profetas e suas profecias eram três: 1. O evento predito teria de ocorrer (ver Deu. 18.2). 2. As profecias e os profetas deveriam estar em acordo com a Palavra (lei) de Deus (ver Isa. 8.20). Os profetas falsos do tempo de Jeremias não se qualificavam em nenhum desses pontos. Devemos lembrar que o profeta não era mero previsor de acontecimentos. Era, igualmente, mestre do povo, e a lei mosaica era seu manual. A lei guiava a conduta do povo (ver Deu. 6.5 ss.). 3. O profeta era alguém enviado por Yahweh. Aqueles que tivessem inventado alguma forma de sincretismo, misturando o yahwismo com o paganismo, ou aqueles que tivessem caído no paganismo puro (ver Jer. 3.1-2,12-13), estavam desqualificados como profetas de Yahweh. Hananias clamava profetizar em nome de Yahweh, por ter sido comissionado por Ele; mas em breve tornar-se-ia evidente que ele estava mentindo, provavelmente auto-iludido sobre a questão inteira. Ver a reivindicação dele no vs. 2.
Jr 28.10 Então o profeta Hananias tomou os canzis do pescoço de Jeremias, o profeta, e os quebrou. Hananias mostrou-se muito atrevido e sórdido. Ele humilhou Jeremias defronte daquela gente, quebrando o jugo que este tinha feito (ver Jer. 27.2) e estava conspicuamente amarrado em torno do seu pescoço. Yahweh observava a cena desgraçada e continuava a falar com Jeremias. Jeremias estabeleceu também uma data: dentro de um ano, Hananias estaria morto (vs. 17). Ele não sobreviveria por muito tempo à sua insolência, nem suas profecias otimistas se cumpririam. Haveria um jugo de ferro, posto em volta do pescoço de Judá, que ninguém seria capaz de quebrar. Esse jugo substituiria o jugo de madeira. Ver os vss. 13-14. Hananias não conseguiu escapar com sua audácia ímpia, que, podemos ter certeza, estava plena de ódio contra Jeremias.
Jr 28.11 Deste modo dentro de dois anos quebrarei o jugo de Nabucodonosor. O ridículo Hananias explicou por que tinha quebrado o jugo de madeira que estava amarrado ao pescoço de Jeremias com tiras de couro. Ele continuava afirmando possuir a autoridade de Yahweh. Contudo, note o leitor: Hananias nada disse sobre o arrependimento, sobre a mudança de vida e sobre a fé sentida no coração. Tudo quanto ele conhecia era paz e prosperidade, segundo os termos do próprio povo de Judá. Ele vociferava palavras em voz alta contra Jeremias e contra Nabucodonosor, como se seus gritos estabelecessem alguma diferença nos acontecimentos mundiais. Ele era tão tolo que chegava a acreditar ter uma posição especial na presença de Yahweh, a ponto de dizer alguma coisa, e essa coisa acontecer. Na oportunidade, Jeremias não respondeu ao fanático barulhento, mas em breve o profeta do Senhor estava de volta com uma diatribe que fez seus ouvidos soar. O tribunal soaria com a voz de Yahweh (por meio de Seu profeta), cortando o ar com mais predições de condenação. Não haveria paz alguma. O poder incansável da Babilônia faria o que bem entendesse naquela parte do mundo, e nenhum Hananias, em Jerusalém, teria o menor poder para alterar o curso dos eventos.
Hananias queria a coroa sem a cruz. Declarou Tomás a Kempis: “O homem que carregar a sua cruz, será carregado por ela”. Jeremias carregou sua cruz, a missão de anunciar a condenação, e escapou ao cativeiro babilônico e desceu em segurança ao Egito, onde viveu o resto de sua vida. Hananias não quis carregar nenhuma cruz e terminou morto no decurso daquele mesmo ano. Jeremias foi o instrumento de Yahweh. Hananias era o autoproclamado instrumento de suas próprias ambições. Alguns grandes pregadores são homens espirituais minúsculos. Compare-se a mensagem de Hananias com a declaração de Jer. 27.7.
Resposta da Palavra de Deus (28.12-17)
Jr. 28.12 Mas depois que Hananias... quebrou os canzis de sobre o pescoço do profeta Jeremias. Não muito depois do ato insolente de Hananias, que quebrou o jugo de madeira que Jeremias tinha feito (ver os vss. 10-11), Yahweh comunicou a Jeremias uma severa palavra de julgamento contra o falso profeta e contra o povo de Judá.
Jr 28.13 Canzis de madeira quebraste, mas em vez deles farás canzis de ferro.
Hananias foi chamado por nome, e a profecia dirigiu-se primeiramente a ele, e em segundo lugar contra as profecias mentirosas que ele estivera espalhando. Esse homem havia quebrado o jugo de madeira, porquanto estava irado e porque isso lhe era possível fazer. Mas um jugo de ferro substituiria o jugo de madeira, e esse ninguém era capaz de quebrar. A condenação atingiria tanto Hananias quanto Judá, a despeito do otimismo mentiroso que estava sendo espalhado pelos falsos profetas. Hananias, com sua falsa profecia, forçaria a criação de um jugo de ferro. Mas a Septuaginta diz que “eu” (Yahweh) seria Quem faria o jugo de ferro, e alguns adotam isso como o texto original. O cativeiro babilônico seria o jugo de ferro, e isso faria, tanto de Judá quanto de todas as nações daquela região do mundo, escravos da Babilônia, conforme o versículo seguinte apressa-se em informar. Yahweh era o poder por trás da questão, o Deus de quem os falsos profetas tinham abusado com suas palavras. Hananias não foi o real artífice do jugo de ferro, mas o texto hebraico mostra que suas profecias mentirosas é que estavam provocando Yahweh a agir dessa maneira. Naturalmente, esse jugo de ferro é o que acabaria acontecendo, sem importar as ações dos falsos profetas.
Jr 28.14 Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações. Note o leitor o título divino de poder usado aqui, o mesmo que Hananias tinha empregado no vs. 2 e provavelmente era o título usualmente usado quando os profetas entregavam seus oráculos e profecias. Isso enfatiza o Poder do Céu, que faz as coisas da maneira como elas são entre os homens (cf. Isa. 13.6). O vs. 2 ilustra uma lista de referências desse título em Jeremias. Agora Yahweh é visto como o poder que aplica o jugo de ferro ao pescoço de Judá e das nações circunvizinhas. Era o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia. Todas as na- pões daquela região do mundo haveriam de servi-lo como escravas. Ele exerceria poder até sobre os animais dos campos. Ver Jer. 27.6 quanto à mesma declaração. A menção aos animais pretende dizer-nos quão completo e universal seria o governo de Nabucodonosor. Assim seria porque assim tinha sido decretado pelo Poder do Alto, e não porque Nabucodonosor fosse algo em si mesmo. Ver no Dicionário o verbete denominado Soberania de Deus. Todas as nações que contribuíram em sua conspiração para desfazer-se do jugo da Babilônia seriam presas pelo jugo de ferro. Ver Jer. 27.3.
Jr 28.15 Ouve agora, Hananias: O Senhor não te enviou, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras. Jeremias estava mais convencido do que nunca de que Yahweh não havia comissionado Hananias, dando-lhe uma mensagem profética. Hananias enviara a si mesmo, longe de ser enviado por Deus. Ele era porta-voz de seus próprios desejos e esperanças, e não do que Yahweh estava dizendo. Era um profeta mentiroso que tinha convencido muita gente a confiar em seu otimismo enganador. Isso impedia o povo de arrepender-se e mudar espiritualmente, o que teria detido a invasão babilônica e o cativeiro conseqüente. Hananias não tinha nenhuma autoridade ou credencial espiritual. Era um falso embaixador. Suas palavras fracassariam, e em breve tempo ele estaria morto. Cf. o versículo a algo similar em Jer. 29.31 e Eze. 13.22.
Jr 28.16 Eis que te lançarei de sobre a face da terra; morrerás este ano, O falso profeta Hananias perdeu o direito de viver. Ele sofreria morte prematura, algo que a mentalidade dos hebreus tanto temia. Sua morte seria um “lançamento fora” da parte de Yahweh, e não um acontecimento natural. Ele não morreria em paz, como um homem velho que tivesse cumprido sua missão. Em breve, uma enfermidade ou um acidente lhe arrebataria a vida, demonstrando assim o desprazer divino. Quando essas palavras foram ditas por Jeremias, o impotente Hananias tinha menos de dois meses de vida, conforme deixa claro o vs. 17. “Seria lançado sobre a face da terra em indignação e aborrecimento, por causa de suas ofensas hediondas. Ele não morreria uma morte natural, mas uma morte violenta, atingido pela mão de Deus” (John GUI, in loc.).
Jr 28.17 Morreu, pois, o profeta Hananias, no mesmo ano, no sétimo mês.
Hananias havia predito que, dentro de dois anos, o jugo de Babilônia seria retirado, os vasos do templo seriam devolvidos, e os cativos judeus voltariam da Babilônia. Em vez disso, em dois meses o profeta mentiroso estava morto. Eie disse sua profecia no quinto mês (vs. 1) e morreu no sétimo mês (vs. 17). Foi
assim que a retribuição divina de forma significativa, que muitos observariam, mas poucos devem ter temido. A providência divina continuou a trabalhar em um sentido tanto negativo quanto positivo, tocando em todos os eventos de qualquer importância na nação de Judá da época. Ver no Dicionário o artigo chamado Providência de Deus. Embora possa ter sido sincero em suas crenças, Hananias ensinou a rebelião (vs. 16) e foi removido da terra como uma lição objetiva de como não se deve agir. Essa morte por certo foi uma prova de que Jeremias era um verdadeiro profeta do Senhor, o que deveria ter feito os judeus dar atenção às suas profecias. O resultado disso tudo deveria ter sido o arrependimento, mas Judá era por demais pervertido para deixar-se influenciar por qualquer coisa, exceto por maiores males. “Deus vindicou seu verdadeiro profeta e julgou o profeta falso” (Charles H. Dyer, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3078-3079.
2. Pelos frutos os conhecereis.
CARACTERÍSTICA DO FALSO PROFETA
1) Ele não tem mensagem de Deus. No Antigo Testamento, o falso profeta era aquele que entregava mensagem do seu coração, para agradar a alguém, ou para fazer oposição. No primeiro caso, temos os profetas do rei Acabe. Todos profetizaram o que o rei gostaria de ouvir, que iria à guerra e seria vitorioso. Contrariando um profeta de Deus, o rei foi à guerra, foi derrotado e morreu (2 Cr 18.4,5; 27-34); no segundo caso, há o exemplo da falsa profetisa Noadias e outros profetas, que foram subornados para atemorizar Neemias, na reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 6.13,14).
2) Ele desvia o povo dos caminhos do Senhor. O falso profeta desenvolve capacidade carnal ou diabólica para enganar os servos de Deus. Consegue até fazer sinais e prodígios, para impressionar a mente dos incautos. Deus condenou tais mensageiros do Diabo e disse para seu povo não os ouvir, pois seriam condenados à morte (Dt 13.1-5). O falso profeta procura reunir simpatizantes e partidários, que lhe seguem as orientações muitas vezes carnais e interesseiras. Julga-se na condição de manipular a vida das pessoas e até da igreja local.
3) O falso profeta é soberbo. Sua palavra, “em nome do Senhor”, não se cumpre. (Dt 18.21, 22). A experiência mostra, ao longo do tempo, quantos profetas e profetisas orgulhosos se levantam, no meio da igreja local. Eles desprezam o pastor ou o dirigente, e costumam ter seus discípulos, que formam “grupinhos” de oração em torno dele (ou dela). Isso é pernicioso e não tem aprovação na Palavra de Deus. Deus não dá respaldo para isso. Pelo contrário, manda que os crentes honrem e respeitem seus pastores (1 Ts 5.13; Hb 13.17).
4) Os falsos profetas são como “lobos devoradores Jesus Cristo, no Sermão do Monte, fez um alerta de grande significado para sua Igreja. Ele advertiu seus seguidores contra os falsos profetas. “Acautelai- vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus” (Ver Mt 7.15-19).
5) Os falsos profetas vivem na iniquidade. Em seu Sermão, Jesus disse que “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21). É preciso ter cuidado com pregadores, que dizem eu “sou profeta de Deus”.
Por isso, Jesus disse: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome?” (Mt 7.22). E alegarão que expulsaram demônios e fizeram “muitas maravilhas”. Mas ouvirão de Jesus: “E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.23).
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 91-92.
JESUS ENSINA SOBRE OS FRUTOS NA VIDA DAS PESSOAS
Jesus advertiu os seus seguidores contra os falsos mestres. Muitos oradores eloquentes afirmam ter importantes ideias para os ouvidos dos cristãos. Existem, literalmente, centenas de seitas competindo para recrutar novos membros. Podemos acrescentar à lista aqueles que apresentam aspectos sociais sobre a doutrina da igreja, e que surgiram de pequenas e grandes denominações — existe uma fascinante exibição de escolhas. Jesus queria que seus seguidores fossem capazes de separar os bons (ensinos que levam a Cristo), dos maus (ideias paralelas, aparentemente saudáveis, que alguns tentam incluir no Evangelho), e daquilo que é pernicioso (os falsos ensinos).
Mt 7.15 O Antigo Testamento menciona frequentemente os falsos profetas (veja 2 Rs 3.13; Is 44.25; Jr 23.16; Ez 13.2,3; Mq 3.5; Zc 13.2). Os falsos profetas afirmavam receber mensagens de Deus, mas só profetizavam o que o rei e as pessoas queriam ouvir. Os falsos mestres também são tão comuns atualmente, quanto o foram naquela época. Jesus disse que devemos ter cuidado com aqueles cujas palavras podem parecer religiosas, mas que estão motivados pelo dinheiro, pela fama ou pelo poder.
Esses falsos profetas se introduzirão entre os crentes como lobos vestidos de inocentes ovelhas. Jesus preveniu seus seguidores de que os falsos profetas viriam (veja também 24.11; Mc 13.22,23). E, muito breve, essas palavras se tornaram realidade. Os falsos mestres se infiltraram na igreja primitiva, exatamente no momento em que o Evangelho estava sendo propagado (veja At 20.29; 2 Co 11.11-15; 2 Tm 2.14-19; 2 Pe 2.1-3, 17-22; 1 Jo 2.18,22; 4.1-6). Embora Jesus não tenha dado tantos detalhes sobre a forma desses falsos ensinos, podemos perceber através do contexto que eles iriam ensinar um caminho para a salvação que não incluía a porta estreita e um caminho difícil (7-13,14). Na verdade, muitos desses falsos mestres sobre os quais Pedro, João e Paulo preveniram mais tarde, estavam ensinando uma mensagem como esta. Os seguidores de Jesus precisariam de muita habilidade para discernir as verdadeiras ovelhas dos lobos vestidos de ovelhas. Como poderiam fazer isso? Jesus explicou nos versículos seguintes.
Mt 7.20 Mencionando 7.16, isto é, o método para discernir os falsos profetas, Jesus explicou que a maneira de identificar uma árvore ou uma pessoa é o tipo de fruto que ela produz. Os bons mestres exibem consistentemente um bom comportamento e um elevado caráter moral quando procuram praticar as verdades das Escrituras. Isso não quer dizer que devamos jogar fora os mestres da escola dominical, os pastores e outros que não forem perfeitos. Todos nós estamos sujeitos ao pecado, e devemos mostrar aos outros a mesma misericórdia que desejamos para nós. Quando Jesus falou sobre as árvores más, Ele estava se referindo aos mestres que deliberadamente ensinam uma falsa doutrina. Devemos analisar os motivos dos mestres, a direção que estão tomando, e os resultados que estão procurando. Aqueles que não deveriam estar ensinando, são facilmente reconhecidos pelos seus frutos.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 53-54.
Mt 7:15-20 Durante alguns séculos, antes da vinda de Cristo, acreditava-se de modo geral que a profecia havia cessado. O período entre os dois testamentos às vezes é chamado de período de silêncio. Vindo João Batista, retornou a voz profética, e no início do cristianismo a profecia floresceu. A multidão reunida no dia de pentecoste, Pedro explicou que o fenômeno das línguas era o cumprimento da promessa feita por Joel segundo a qual nos últimos dias Deus derramaria seu Espírito em todos, de tal modo que os moços teriam visões, os velhos teriam sonhos, e homens e mulheres proclamariam a mensagem (Atos 2:17-18; cp. 1 Coríntios 14:29-31).
A medida que a igreja crescia, o problema dos falsos profetas ia-se tomando agudo. Jesus havia-nos advertido contra o surgimento de falsos profetas que enganariam o povo (Mateus 24:11, 24). João também advertiu os crentes (1 João 4:1-3; Apocalipse 2:20). De que maneira os cristãos poderiam reconhecer um falso profeta? Nos tempos antigos o profeta ficava desacreditado se aquilo que ele houvesse proclamado em nome de Deus não se cumprisse (Deuteronômio 18:20-22). O didache apresenta alguns testes simples para identificar o falso profeta (se ele permanecer mais de dois dias ou se pedir dinheiro, 11:5-6). É “pelo comportamento dele, portanto, [que] o falso profeta é distinguido do verdadeiro” (didache 11:8).
Jesus nos adverte contra os falsos profetas. Eles chegam disfarçados em ovelhas (isto é, parecem pertencer ao rebanho de crentes; cp. Números 27:17 e Salmo 100:3, quanto afigura de linguagem; além disso, os profetas usavam roupas feitas de peles de animais, Zacarias 13:4; Mateus 3:4), mas interiormente são lobos devoradores (todas as atividades deles são motivadas pela ambição pessoal; matarão e destruirão os outros se isso for para seu lucro egoísta). Apresentar-se com vestes de profeta era o mesmo que vindicar essa posição. De início parecia que o ensino deles era verdadeiro, mas, quando se examinou o modo como viviam, descobriu-se que eram lobos (falsos profetas; cp. Ezequiel 22:27; Zacarias 3:3).
Os falsos profetas são conhecidos pelos seus frutos. Numa época em que Deus ainda estava revelando sua vontade mediante o ofício profético, era mais difícil dar validade a uma mensagem com base em seu conteúdo teológico, que deveria ser aceitável. Os falsos profetas podiam ser identificados de modo mais simples mediante o modo de vida deles. Colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Se não houver uvas é que não há videira. Se os frutos são maus, é que você não tem uma árvore boa. De modo semelhante, se a vida do profeta não se nivela à sua pregação, você estará diante de um falso profeta. “Tal pai, tal filho; o fruto se parece com a árvore” eram os ditados dos antigos. A boa teologia deve produzir retidão ética. A conduta revela o caráter.
ROBERT H. MOUNCE. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo Mateus. Editora Vida. pag. 76-77.
As duas árvores (vv. 15-20). Esta ilustração mostra que a verdadeira fé em Cristo transforma a vida e produz frutos para a glória de Deus. Tudo na natureza se reproduz segundo sua espécie, e o mesmo princípio também vale para o reino espiritual. O bom fruto vem de uma boa árvore, enquanto o fruto ruim vem de uma árvore ruim. A árvore que produz frutos podres será cortada e lançada no fogo. "Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7:20).
Eis o segundo teste: Minha decisão por Cristo mudou minha vida? Os falsos profetas que ensinam doutrinas falsas só podem produzir falsa justiça (ver At 20:29). Seus frutos (o resultado de seu ministério) são falsos e não duram. Eles mesmos são falsos; quanto mais perto chegamos, mais vemos a falsidade de sua vida e de suas doutrinas. Exaltam a si mesmos, não a Jesus Cristo, e em vez de edificar as pessoas, procuram explorá-las. O que acredita em falsas doutrinas ou segue um falso profeta nunca experimentará mudança de vida. Infelizmente, alguns só percebem isso quando é tarde demais.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 36.
3. Ainda sobre o falso profeta.
O CASTIGO DOS FALSOS PROFETAS
A responsabilidade do profeta, no Antigo Testamento, era primordial e de grande valor para o direcionamento da vida espiritual, social e moral do povo. Assim, um profeta era um homem de grande responsabilidade diante de Deus e do povo. Quando, aproveitando-se de sua condição de profeta, manipulava o povo, induzindo-o ao desvio dos caminhos do Senhor, recebia a condenação veemente da parte de Deus. Na Igreja cristã, a responsabilidade do profeta não é menor, seja ele pastor, evangelista, ou obreiro de outra ordem. Deus não muda em relação ao pecado e aos desvios de conduta de quem quer que seja.
1) Advertência contra o falso profeta. Diz o livro sagrado: “Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos, porquanto o Senhor, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o Senhor, vosso Deus, com todo o vosso coração e com toda a vossa alma. Após o Senhor, vosso Deus, andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis (Dt 13.1-4).
2) Pena capital ao falso profeta. Era assim, no Antigo Testamento: “E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o Senhor, vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito e vos resgatou da casa da servidão, para vos apartar do caminho que vos ordenou o Senhor, vosso Deus, para andardes nele; assim, tirarás o mal do meio de ti (Dt 13.5)”. A responsabilidade e o prestígio de um profeta, no Antigo Testamento, era muito grande. O povo o respeitava como sendo um verdadeiro arauto, que falava em nome de Deus. Sua palavra profética era considerada Palavra de Deus. No Novo Testamento, não é diferente. Daí, porque o castigo era severo contra os falsos profetas.
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 92-93.
FALSOS PROFETAS.
Essas palavras nos mostram que a atividade demoníaca se faz presente em indivíduos que a si mesmos se elevaram à posição de «profetas», dentro e fora da igreja cristã, apresentando a si mesmos como líderes espirituais, muitos deles supostamente «cristãos». Esses proferem «asseverações inspiradas» e entram em estados de êxtase. E algumas pessoas simples acreditam que quando algo místico se verifica na igreja, automaticamente, procede do Espírito Santo. O autor sagrado adverte que isso não é necessariamente a verdade. O trecho de Mat. 7:22 mostra que a igreja primitiva possuía exorcistas e operadores de milagres, como também «profetas», que eram indivíduos não «reconhecidos» pelo Senhor, a quem professavam servir.
PROVAI OS ESPÍRITOS.
Consideremos os pontos seguintes a esse respeito: 1. Cumpre-nos atender a essa ordem mediante o dom espiritual do «discernimento de espíritos», a maneira principal de detectar os espíritos; a igreja evangélica deveria orar, pedindo esse dom tão necessário. 2. Também podemos apelar para o raciocínio inteligente, inspirado pela maturidade espiritual. 3. O exame das doutrinas dos homens também é excelente método. A doutrina deles exalta à pessoa de Jesus Cristo ou se assemelha à doutrina dos gnósticos, que somente o degradava? No último caso, dificilmente as «declarações proféticas» de tais individuas podem proceder do Espírito de Deus, cuja finalidade é a de exaltar a Cristo (ver João 16:14). 4. Pelos seus frutos haveremos de conhecê-los (Mat. 7:20). Os gnósticos tinham vidas imorais, fazendo da imoralidade parte de seu sistema ético. Não criam que é errôneo o abuso do corpo. Supunham que o espírito humano não pode ser prejudicado pelo pecado, tal como o ouro, mergulhado na lama, não adquire nada da natureza da lama. Chegavam mesmo a imaginar-se impecáveis (porque seu espirito estaria livre do pecado, embora o corpo pudesse corromper-se). Ver I João 8:10.
Os profetas do N.T. eram homens que falavam por impulso imediato do Espirito de Deus, pela «inspiração». Não eram, essencialmente, homens que «prediziam» o futuro, embora isso também ocasionalmente ocorresse. (Ver Atos 21:10 e ss). Também eram mestres inspirados. Não dependiam do corpo de mestres reconhecidos, exclusivamente. Mas podemos supor que suas profecias concordavam, de modo geral, com os ensinamentos cristãos revelados e escritos, pois, do contrário, suas profecias seriam reputadas falsas.
MUITOS FALSOS PROFETAS
O movimento gnóstico era uma real ameaça à igreja cristã na Ásia Menor, e conseguia convertidos à sua causa dentro do próprio cristianismo. O N.T. conta com oito livros escritos para combater essa heresia, a saber, a epistola aos Colossenses, as três epístolas pastorais, as três epístolas de João e a epístola de Judas. Há outros livros do N. T. que refletem isso em parte, como a epístola aos Efésios, o evangelho de João e porções do livro de Apocalipse. O fato de que tanta literatura foi escrita contra esse sistema falso ê prova da seriedade da ameaça gnóstica. Se o gnosticismo tivesse ganho a batalha, o cristianismo ter-se-ia tornado apenas outra religião misteriosa greco-romana. (Ver o artigo sobre Gnosticismo). Naturalmente, também houve outros tipos de falsos mestres e hereges.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5.. Editora Hagnos. pag. 437-438.
Profetas falsos e verdadeiros. Era de se esperar que a verdadeira profecia sofresse a oposição dos imitadores (Dt 13.1-5). Alguns homens falavam em nome de outros deuses, mas alguns falavam falsamente em nome de Jeová. Um exemplo notável desses últimos foi Hananias, que falsamente profetizou a respeito do exílio (Jr 28). Para distinguir o verdadeiro profeta do falso, que declarava falar em nome de Deus, havia o teste do cumprimento da profecia: seu cumprimento versus seu não cumprimento (Dt 18.20-22; cf. Jr 28). No caso daqueles profetas que prenunciavam eventos em um futuro tão distante que não poderiam ser avaliados pelo teste do cumprimento, eles eram julgados pela sua doutrina, além de quaisquer eventos que pudessem ocorrer durante sua vida (cf. Jr 25.12; Dn 19.37). Às vezes, os falsos profetas eram apenas homens enganados (Lm 2.14; Ez 13.2-7), mas, em sua maioria, eram homens embriagados cuja principal preocupação era o dinheiro e os ganhos que poderiam auferir (por exemplo, Is 28.7; Mq 3.5-11).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1608-1609.
OS FALSOS PROFETAS. Há numerosas referências no AT aos falsos profetas. Por exemplo: quatrocentos falsos profetas foram reunidos pelo rei Acabe (2Cr 18.4-7); um espírito mentiroso achava-se na boca deles (2Cr 18.18-22). Segundo o AT, o profeta era considerado falso (1) se desviasse as pessoas do Deus verdadeiro para alguma forma de idolatria (Dt 13.1-5); (2) se praticasse adivinhação, astrologia, feitiçaria, bruxaria e coisas semelhantes (ver Dt 18.10,11 notas); (3) se suas profecias contrariassem as Escrituras (Dt 13.1-5); (4) se não denunciasse os pecados do povo (Jr 23.9-18); ou (5) se predissesse coisas específicas que não cumprissem (Dt 18.20-22). Note que os profetas, do novo concerto não falavam de modo irrevogável e infalível como os profetas do AT, que eram a voz primacial de Deus no que dizia respeito a Israel. No NT, o profeta é apenas um dos cinco dons ministeriais da igreja. Os profetas no NT tinham limitações que os profetas do AT desconheciam (cf. 1Co 14.29-33), por causa da natureza multifacetada e interdependente do ministério nos tempos do NT.
STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

3 comentários:

  1. Você é uma benção!!!
    Que Deus continue lhe abençoando por bondade e misericórdia,
    Você e toda a sua casa!
    A Paz do Senhor Jesus Cristo nosso SALVADOR!

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  2. Jovem e competente! Parabéns! Espero que seu desejo se realize. (y)

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  3. Deus te abençoe meu prezado ,este estudo está muito bom graça e paz.

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