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5° LIÇÃO 3 TRI 2013 AS VIRTUDES DOS SALVOS EM CRISTO


AS VIRTUDES DOS SALVOS EM CRISTO
Data: 4 de Agosto de 2013                                   HINOS 106, 426, 446
TEXTO ÁUREO
“Porque Deus e o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2,13).
VERDADE PRATICA
A salvação e obra da graça de Deus garantida à humanidade mediante a morte expiatória de Jesus.
LEITURA DÁRIA
Segunda       - Hb 12.2,3               A salvação é garantida na cruz.
Terça             - Ef 2-8                     A salvação é pela graça.
Quarta           - Ef 2.9,10                As boas obras evidenciam a salvação.
Quinta            - 1 Ts 4.1 5-18         A consumação da salvação.
Sexta             - Fp 2.1 5,16            Não corremos em vão.
Sábado          - Rm 1,16,17            A salvação é pela fé.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 2.12-18.
12 - De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor;
13 - porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.
14 - Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas;
15 - para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;
16 - retendo a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.
17 - E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós.
18 - E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo.
12 Therefore, my beloved, as you have always obeyed, so now, not only as in my presence but much more in my absence, work out your own salvation with fear and trembling;
13 for God is at work in you, both to will and to work for his good pleasure.  
14 Do all things without grumbling or questioning,
15 that you may be blameless and innocent, children of God without blemish in the midst of a crooked and perverse generation, among whom you shine as lights in the world,
16 holding fast the word of life, so that in the day of Christ I may be proud that I did not run in vain or labor in vain.
17 Even if I am to be poured as a libation upon the sacrificial offering of your faith, I am glad and rejoice with you all.
18 Likewise you also should be glad and rejoice with me.
INTERAÇÃO
Há muitos significados que poderíamos tomar emprestado para conceituar o termo "obediência” Como, por exemplo, "sujeitar-se a vontade de”, "estar sob autoridade de” e "estar sujeito". Estes manifestam o sentido estrito e real da expressão obediência. Há de se destacar; porém, que o apóstolo Paulo quando fala de obediência, refere-se à virtude — uma disposição firme para praticar o bem — de uma pessoa que abraçou a fé mediante o Evangelho de Cristo. Aqui, obedecê-lo é encarnar os valores do Reino de Deus numa perspectiva de se espalhar o bem no mundo. Para Paulo, a melhor forma de fazer isso é semeando o Evangelho, a mais bela das notícias para a humanidade.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conhecer a dinâmica da salvação. Analisar a operação da salvação.
Analisar a operação da salvação.
Saber que a salvação opera alegria e contentamento no crente.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, reproduza o esquema da página seguinte para os alunos. Faça-o de acordo com as suas possibilidades. Esta atividade vai auxiliá-lo na introdução do tópico I, cujo assunto é a “dinâmica da salvação”. Esclareça ao aluno que o propósito de explicar a dinâmica da salvação é meramente didático, pois nos é impossível catalogar um assunto da natureza do mistério da salvação. Seria muita pretensão nossa pensar que podemos dar conta de tão importante aspecto da salvação através de um instrumento didático. Boa aula!
PALAVRA CHAVE:
Virtude: Na lição é a disposição firme e constante para prática do bem.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, aprenderemos que a obediência a Deus é uma virtude que deve ser buscada por todos aqueles que são salvos em Cristo.
O apóstolo Paulo não duvidava da obediência dos irmãos filipenses, contudo, ele reafirma aos crentes a verdade de que a submissão ao Evangelho de Cristo é uma das principais virtudes dos salvos. Assim, a intenção do apóstolo é estimular os cristãos de Filipos a continuar perseverando na obediência ao Santo Evangelho.
I - A DINÂMICA DA SALVAÇÃO (2.1 2,1 3)
1. O caráter dinâmico da salvação. No texto de Filipenses 2,1 2, podemos destacar três aspectos da salvação operada em nossa vida pelo Senhor Jesus. O primeiro refere-se à obra realizada e consumada de forma suficiente na cruz do Calvário. É a salvação da pena do pecado. Não somos mais escravos, e sim libertos em Cristo (Rm 8.1).
O segundo aspecto diz respeito ao caráter progressivo da salvação na vida do crente. Mesmo que o nosso corpo ainda não tenha sido transformado, resistimos ao pecado e este não mais nos domina (Rm 8.9; cf. 1 Jo 2.12).
Não obstante o fato de a salvação eterna vir de Deus, Paulo diz que o Senhor nos chama a zelar e a “desenvolvê-la” em nosso cotidiano. Por último, o texto trata da plenitude da salvação, quando finalmente o nosso corpo receberá uma redenção gloriosa e não mais teremos dor, angústia ou lágrima, pois estaremos para sempre com o Senhor (1 Ts 4.1 4-1 7).
2. Deus é a fonte da vida. Por si só o crente não pode ser salvo (Fp 2.13), pois é o Espírito Santo quem “opera” no homem a salvação (Jo 16.8-1 1). Sem o Senhor, a humanidade está cega, morta no pecado e carente da iluminação do Espírito para o arrependimento. Se na vida dos ímpios Satanás opera instigando-os à prática das obras más (2 Ts 2.9), é o Espírito de Deus quem opera nos crentes a vida eterna Jo 16.7-12; cf. Rm 8.9,14). Dessa forma, o salvo torna-se um instrumento de justiça num mundo corrompido.
3. A bondade divina. A ideia que a salvação tem um caráter seletivo não é bíblica. Todos têm o direito de recebê-la. O querer e o efetuar de Deus não anulam esse direito, pelo contrário, a operação do Eterno habilita qualquer pessoa à salvação através da iluminação do Evangelho (Jo 1.9), tornando-se posteriormente útil ao Corpo de Cristo (Ef 4,11-16; I Co 1 2.7),
SINOPSE DO TÓPICO (1)
Por si só o crente não pode ser salvo, pois é o Espírito Santo quem “opera” no homem o desejo de salvação.
II - OPERANDO A SALVAÇÃO COM TEMOR E TREMOR (2.12-16)
1. “Fazei todas as coisas serra murmurações nem contendas. No versículo 1 4, o apóstolo Paulo destaca duas posturas nocivas à predisposição dos filipenses:
a) Murmurações. O Antigo Testamento descreve a murmuração dos judeus como uma atitude de rebelião. Quando os israelitas atravessaram o deserto, sob a liderança de Moisés, passaram a reclamar da pessoa do líder hebreu. Para eles, Moisés jamais deveria ter estimulado a saída do povo judeu do Egito (Nm 11.1; 14.1-4; 20.2-5). Esse ato constrangeu o homem mais manso da face da terra, e os israelitas receberam dele a alcunha de “geração perversa e rebelde” (Dt 32.5,20). Tal “titulação” não se aplicava aos filipenses, pois eles não eram rebeldes nem murmuradores, ainda assim o apóstolo Paulo os exortou a fazer todas e quaisquer coisas sem murmurações ou queixas, tal como convém aos mansos.
b) Contendas. Em o Novo Testamento, a expressão grega para contendas á dialogismos. Essa expressão descreve as disputas e os debates inúteis que geram dúvidas e separações na igreja local. É o mesmo que discussões, litígios e dissensões. Infelizmente, muitos hoje as promovem levando, inclusive, seus irmãos aos tribunais (1 Co 6.1-8). Esta, definitivamente, não é a vontade de Deus para a sua Igreja.
2. “Sejais irrepreensíveis e sinceros”. O apóstolo apela aos filipenses para que se achem irrepreensíveis e sinceros. Ser irrepreensível significa conduzir-se de forma correta e moralmente pura, não necessitando ide repreensão. E alguém que dominou a carne, pois anda no Espírito (Cl 5.16,17). A sinceridade é outra virtude que se opõe ao mal, ao dolo, ao engano e à má fé. A pessoa sincera pauta-se pela lealdade, a lisura e a boa fé. Nada menos que isso é o que o Eterno espera do seu povo.
3. ‘‘Retendo a palavra da vida”. Para o apóstolo, reter a Palavra de Deus não é apenas assimilá-la mas, sobretudo praticá-la, pois o S| poder da Palavra gera vida (Hb 4.1 2). Por isso, Paulo encoraja os filipenses a guardarem a Palavra, pois além de promover a vida no presente, ela ainda nos garante esperança e vida eterna para o futuro próximo.
SINOPSE DO TÓPICO (2)
De acordo com o ensino do apóstolo Paulo, quem guarda a Palavra não murmura, não cria contendas e vive em sinceridade.
III - A SALVAÇÃO OPERA O CONTENTAMENTO E A ALEGRIA (2.1 7,18)
1. O contentamento da salvação operada. O apóstolo Paulo reporta-se ao Antigo Testamento para mostrar aos filipenses como, a fim de servi-los, ele entregou sua vida: “ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé” (v. 17). O apóstolo está ciente das privações que impôs a si mesmo para edificar o Corpo de Cristo em Filipos. Ele, porém, se regozija e alegra-se pelo privilégio de servir aos filipenses. Em outras palavras, a essa altura, o sacrifício e os desgastes do apóstolo são superados pela alegria de contemplar, naquela comunidade, o fruto da sua vocação dada por Cristo Jesus: a salvação operada em sua vida também operou na dos filipenses.
2. A alegria do povo de Deus. O apóstolo estimula os filipenses a celebrarem juntamente com ele esta tão grande salvação (Hb 2.3). O apelo de Paulo é contagiante: “regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo” (v. 18). A alegria de Paulo é proveniente do fato de que uma vez que Jesus nos salvou mediante o seu sacrifício no Calvário, agora o Mestre nos chama para testemunharmos a verdade desta mesma salvação operada em nós (v. 13). Portanto, alegremo-nos e regozijemo-nos nisto.
SINOPSE DO TÓPICO (3)
A salvação opera no povo de Deus a alegria e o contentamento.
CONCLUSÃO
O Evangelho nos convoca a desenvolvermos a salvação recebida por Deus através de Cristo Jesus. Devemos ser santos, como santo é o Senhor nosso Deus. Para isso, precisamos nos afastar de todas as murmurações e contendas e abrigarmos nos no Senhor, vivendo uma vida irrepreensível, sincera e que retenha a palavra da vida (Fp 2.16). Somente assim a alegria do Senhor inundará a nossa alma e testemunharemos do seu poder salvador para toda a humanidade.
A DINÂMICA DA SALVAÇÃO
1. Obra realizada e consumada na cruz. O brado de Cristo na cruz - “Está consumado!”- representa o significado atemporal da salvação. Nele, somos salvos do passado, guardados do presente, mas esperançosos no futuro. O pecado não tem mais poder sobre a vida do discípulo de Cristo: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
2. O progresso da operação da salvação. É bem verdade que não estamos plenamente redimidos porque habitamos num corpo corrompido. Mas as palavras de Agostinho de Hipona têm muito a nos dizer sobre como devemos lidar com essa tensão: "A permanência da concupiscência em nós3 é uma maneira de provarmos a Deus o nosso amor a Ele, lutando contra o pecado por amor ao Senhor; é, sobretudo, no rompimento radical com o pecado que damos a Deus a prova real do nosso amor"
3. A plenitude da salvação. Vivemos a vida cristã numa tensão entre o “jã1 e o “ainda não”. Isto é, o reino de Deus está entre nós, mas não se manifestou plenamente. Temos a esperança de uma transformação gloriosa que permeará toda a terra quando da vinda de Jesus: “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 8.1 9).
VOCABULÁRIO
Alcunha: Cognome depreciativo que se põe a alguém; apelido.
AUXILIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Filosófico Cristão
“Que é virtude?
A Bíblia dá maior importância à virtude moral e ao caráter, do que às regras de conduta. O homem justo e o puro de coração são eternamente bem-aventurados. E o fruto do Espírito Santo descrito em Gálatas 5 são as virtudes [...].
Que é virtude? Há pouco me referi aos motivos, intenções e disposições subjacentes, o que têm em comum, visto que são estados interiores e não comportamentos visíveis; e porque são estados afetivos e não puramente cognitivos. Virtude é uma disposição interior para o bem, e disposição é uma tendência a agir de acordo com certos padrões. A disposição é mais básica, duradoura e penetrante do que o motivo ou intenção existente por trás de uma certa ação. É diferente de um impulso momentâneo, por ser um hábito mental estabelecido, um traço interior e muitas vezes reflexivo. As virtudes são traços gerais do caráter que formulam sanções interiores sobre nossos motivos, intenções e conduta exterior” (HOLMES, Arthur F. Ética: As decisões Morais à Luz da Bíblia. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, pp.138-39).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Bibliológico
“O ALCANCE DA OBRA SALVÍFICA DE CRISTO
Há entre cristãos uma diferença significativa de opiniões quanto à extensão da obra salvífica de Cristo. Por quem Ele morreu? Os evangélicos, de modo global, rejeitam a doutrina do universalismo absoluto (isto é, o amor divino não permitirá que nenhum ser humano ou mesmo
o diabo e os anjos caídos permaneçam eternamente separados dEle). O universalismo postula que a obra salvífica de Cristo abrange todas as pessoas, sem exceção. Além dos textos bíblicos que demonstram ser a natureza de Deus de amor e de misericórdia, o versículo chave do universalismo é Atos 3.21, onde Pedro diz que Jesus deve permanecer no Céu ‘até aos tempos da restauração de tudo’. Alguns entendem que a expressão grega apokastaseõs pantõn (‘restauração de todas as coisas’) tem significado absoluto, ao invés de simplesmente ‘todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas’. Embora as Escrituras realmente se refiram a uma restauração futura (Rm 8.1 8-15; 1 Co 1 5.24-26; 2 Pe 3.13), não podemos, à luz dos ensinos bíblicos sobre o destino eterno dos seres humanos e dos anjos, usar esse versículo para apoiar o universalismo. Fazer assim seria uma violência exegética contra o que a Bíblia tem a dizer deste assunto.
Entre os evangélicos, a diferença acha-se na escolha entre o particularismo, ou expiação limitada (Cristo morreu somente pelas pessoas soberanamente eleitas por Deus), e o universalismo qualificado (Cristo morreu por todos, mas sua obra salvífica é levada a efeito somente naqueles que se arrependem e creem). O fato de existir uma nítida diferença de opinião entre crentes bíblicos igualmente devotos aconselha-nos a evitar a dogmatização extrema que temos visto no passado e ainda hoje. Os dois pontos de vista, cada um pertencente a uma doutrina específica da eleição, têm sua base na Bíblia e na lógica. Nem todos serão salvos. Os dois concordam que, direta ou indiretamente, todas as pessoas receberão benefícios da obra salvífica de Cristo. O ponto de discórdia está na intenção divina: tornar a salvação possível a todos ou somente para os eleitos?” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal 10. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp. 358-59).
EXERCÍCIOS
1. Quais são os três aspectos da salvação operada pelo Senhor Jesus?
R: O primeiro refere-se a obra realizada e consumada de forma suficiente na cruz do Calvário. O segundo diz respeito ao caráter progressivo da salvação na vida do crente. E por último a redenção gloriosa quando da vinda do Senhor Jesus.
2. Quem opera a nossa salvação?
R: O Senhor Jesus Cristo.
3. 0 que significa ser irrepreensível?
R: Significa conduzir-se de forma correta e moralmente pura, não necessitando de repreensão. É alguém que dominou a carne, pois anda no Espírito (Gl 5.1 6,1 7).
4. Transcreva o texto bíblico que mostra como Paulo entregou sua vida para servir aos filipenses.
R: "Ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé” (Fp 2.17).
5. Você tem se regozijado em Cristo pela sua salvação?
R: Resposta pessoal.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
HOLMES, Arthur F. Ética: As decisões Morais à Luz da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
ARRINGTON, French L; STRONS- TAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4. ed. Vol. 2, Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
Revista Ensinador Cristão, CPAD, n° 55, p.38.
Quem opera a salvação no homem é Deus através do Espírito Santo que convence o homem do seu estado de pecado. Quando isto acontece o homem está livre para dizer sim a graça de Deus. O arrependimento e a fé em Deus são brotados no coração do homem pelo próprio Pai. Isto faz do Senhor o autor da salvação humana. Esta verdade precisa ficar clara para os alunos.
Uma vez lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro o ser humano é livre para colocar em prática a consequência da salvação. O discípulo de Jesus foi chamado para produzir frutos. João 15.8 diz: "Nisto é glorificado meu Pai: que deis muitos frutos; assim serei meus discípulos". Frutos, aqui, não é ascetismo, arroubos exteriores e comportamentais, mas é amar "uns aos outros, assim como eu vos amei" (Jo 15.12). Esta característica é que distinguirá quem é o discípulo de Jesus: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13.35). Ou seja, é pela prática do amor as outras pessoas que o mundo saberá ou não quem é discípulo de Jesus.
É com esse olhar que devemos ler a Epístola de Paulo aos filipenses. Então compreenderemos a sua conclamação: "operai a vossa salvação com temor e tremor". A ideia desta expressão não é a de reforçar que o crente é responsável de ir ou não para o inferno segundo as suas ações. Ali, o apóstolo quer mostrar que o crente recebeu uma tão grande salvação que é inimaginável ele não por em prática esta nova realidade devida, pois é "Deus que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade".
O prezado professor deve destacar para a classe que o operar a salvação é a mesma conotação vista acima no Evangelho de João para produzir frutos. É por isso que o apóstolo usa expressões tão fortes que tem haver com a relação com o próximo: "Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas"; "sejais irrepreensíveis e sinceros"; "retendo a Palavra da vida".
Paulo espera ver a igreja de Filipos operando a sua salvação, pois segundo o apóstolo, não pode haver outro resultado, se não, um profundo contentamento e alegria do povo de Deus. Os crentes são chamados a praticar as boas obras. Estas foram preparadas por Deus para os nascidos de novo andarem por elas. Enfatize essa grande verdade aos alunos: não somos salvos pelas obras, mas somos salvos para produzi-las. Era inimaginável para o apóstolo um crente sem obras (amor).
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A salvação é perfeita juridicamente em relação ao que Cristo fez no Calvário ao pagar a pena do nosso pecado. Porém, ela é dinâmica e progressiva no que se refere a mantê-la através da santidade de vida. A consumação de nossa salvação está na dependência de Deus. Por isso, a salvação, quanto ao ato penal, é perfeita e completa, mas quanto a sua preservação é condicional. Pode-se perder a salvação, caso não seja preservada através de uma vida santa e dedicada ao Senhor. A obediência ao evangelho de Cristo é um modo de garantir a salvação.
A partir da escritura do versículo 12, o apóstolo Paulo expressa o sentimento do seu coração no sentido de que a obediência dos filipenses não dependesse da sua presença física em Filipos. O apóstolo deseja que os filipenses entendam que a salvação é dinâmica, ativa e contínua, no sentido de que cada cristão deve procurar desenvolver sua vida cristã em santidade e obediência. Quando ele exorta, dizendo: “operai a vossa salvação”, não está ensinando, em absoluto, uma salvação pelas obras. O versículo 13 esclarece bem essa questão: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar”.
A doutrina da Salvação ganha espaço nos pensamentos do apóstolo Paulo no texto em destaque. Paulo refuta a ideia de uma salvação estática ou elitista, baseada apenas no direito divino de eleger a quem Ele quer, dos calvinistas. Esta última ideia entende que o eleito não corre o risco de perder sua salvação. Porém, o texto apresenta a obra da salvação de modo dinâmico. O que dá importância a este pensamento é a forma plural do verbo operar ou do verbo desenvolver. Na ARC temos o imperativo “operai”, e na ARA temos o mesmo imperativo “desenvolvei”. Isso não sugere que a obra justificadora de uma pessoa diante de Deus precise de alguma obra complementar, como se estivesse incompleta a obra que Jesus fez por todos os pecadores. O verbo dá um sentido dinâmico à salvação.
Como podemos entender a obra de salvação como doutrina? Paulo entendeu e ensinou a doutrina dimensionando-a em três tempos distintos: a obra no passado com a justificação do pecador mediante sua fé em Cristo; a obra presente da salvação mediante a santificação como um processo contínuo e crescente do crente na presença de Deus; e em terceiro lugar, a obra futura da salvação mediante a glorificação, ou seja, o estado de glória conquistado na vida além-túmulo. Ora, o sentido dinâmico da salvação é demonstrado pela forma verbal do verbo “operar”, porque o crente pode crescer em Cristo Jesus (Ef 4.15,16).
Neste ensinamento, o apóstolo Paulo retoma a exortação apostólica e enfatiza a obediência dos filipenses, que também caracterizou Cristo em sua vida terrena. Ele destaca essa virtude da obediência de Cristo demonstrada nos versículos 5 a 11 para que os crentes em Cristo o tivessem como exemplo. Paulo não duvida da obediência dos filipenses, mas fortalece a ideia de que a obediência é o caminho do aperfeiçoamento da salvação recebida. A forma imperativa do verbo “operar” pode ser entendida, por “desenvolver”. Desenvolver o quê? A salvação! A salvação que é uma obra dinâmica na vida do crente. Paulo sentia liberdade para falar e exortar aos filipenses, reafirmando sua autoridade apostólica para com eles e estimulando-os a desenvolver a salvação.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 72-73.
Paulo elogia os filipenses por sua obediência – sem dúvida a Deus, primeiramente, e depois a ele mesmo, quando esteve em Filipos. Paulo deseja que a salvação e a santidade deles não dependam da sua presença; como nós também devemos ter a nossa própria experiência com Deus e não depender além da conta dos pastores e amigos, ainda que os mais consagrados (v. 12). Cada um deve buscar a santidade, porque esta é a vontade de Deus para conosco (Walker).
Esta passagem (“operai a vossa salvação”) não ensina, em absoluto, uma salvação pelas obras. O versículo seguinte o esclarece muito bem: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar...” O sentido do texto como um todo “constitui um apelo aos homens justificados a diligentemente zelarem pelo progresso de sua santificação, a qual se consumará brevemente na ‘glória a ser revelada” ’. A consumação de nossa salvação, pois, está em nossa dependência de Deus (v. 13), mas como Ele habita em nosso interior devemos agir com “temor e tremor” (v. 12). O apóstolo, com isso, ressalta que devemos ter permanentemente o cuidado de não ofender a Deus, buscando em tudo fazer o que é reto - uma forma de confirmar (não de obter) a nossa salvação. Complementando os versículos 12 e 13, os santos de Deus devem fazer “todas as coisas sem murmurações nem contendas” (v. 14), pois tais atitudes evidenciam um espírito arrogante, digno de censura. Mas nós, como filhos de Deus, devemos nos tornar irrepreensíveis e sinceros (grego: “sem liga” , “não adulterado”) em todas as áreas, especificamente quanto ao caráter. Paulo afirma que devemos ser “inculpáveis” (literalmente: “sem falha, mancha ou culpa”) para que a luz do nosso testemunho de Cristo resplandeça em meio às trevas dum mundo transviado e corrupto (vv. 15,16).
Boyd. Frank M. Comentário Bíblico. Gálatas. Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus. Editora CPAD. pag. 66-67.
A teologia não é especulação filosófica; ela produz vida. James Montgomery Boyce diz que a verdade conduz à ação.
Ralph Martin diz que, em seguida ao hino soteriológico (Fp 2.6-11), Paulo prossegue, a fim de fazer uma aplicação penetrante. “Assim, pois” é uma expressão voltada para a conclusão da seção mencionada. Paulo não está começando um novo assunto, mas fazendo uma aplicação do assunto anterior. O chamado é para a obediência.
O conhecimento e a experiência não têm nenhum valor se não nos ajudam a viver nos vales da vida e se não nos capacitam a viver em amor. Depois que Paulo tratou do exemplo de Cristo, falando acerca da Sua humilhação e exaltação, volta a exortar a igreja à obediência e à unidade. Paulo é um pastor e, por isso, antes de exortar os crentes, revela a eles o seu amor, chamando-os de “amados meus” (1.7,8; 2.12). Paulo tem tato e diplomacia ao lidar com as pessoas, especialmente quando vai exortá-las à obediência (G1 6.1).
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 145-146.
I - A DINÂMICA DA SALVAÇÃO (2.12, 13)
1. O caráter dinâmico da salvação.
O Apelo para Desenvolver a Salvação (2.12)
1. A salvação tem um caráter dinâmico
O texto do versículo 12 diz: “operai a vossa salvação”. O verbo operar sugere a ação de fazer, de movimentar, a salvação recebida. Envolve uma dinâmica de desenvolvimento da nova vida recebida. O princípio que rege o desenvolvimento da salvação é a obediência. Paulo lembra o exemplo maior de obediência de Cristo como um estímulo a que façamos o mesmo. Teologicamente, a salvação tem três tempos distintos na sua operação. O primeiro tempo refere-se à obra da salvação realizada, completa e perfeita no Calvário. E a salvação da pena do pecado que Jesus pagou por todos nós. O segundo tempo da salvação refere-se à dinâmica da salvação que se efetua no dia a dia de forma progressiva. E a salvação do poder do pecado que age em nosso redor e em nossa natureza pecaminosa para que percamos a salvação. O terceiro tempo da salvação é futuro, e se refere à salvação do corpo do pecado, na morte física ou no Arrebatamento da Igreja.
2. A exortação para operar a salvação recebida (2.12)
A doutrina de “uma vez salvo, salvo para sempre” não dá espaço para desenvolver a salvação. Na realidade, ela tem um caráter de estagnação. Porém, o verbo, no imperativo — “operai” da ARC ou “desenvolvei” da ARA — coloca em movimento a vida cristã. A ideia de “uma vez salvo, salvo para sempre” anula a importância da igreja, que existe para “desenvolver” a salvação recebida em Cristo. O imperativo verbal “desenvolvei” tem o sentido de levar a bom termo, ou de completar algo que está por terminar. A obra salvadora realizada é perfeita e completa quanto ao seu aspecto jurídico e penal, porque Cristo cumpriu toda a lei exigida. Porém, essa obra perfeita e completa de Cristo requer, também, ação exterior em termos de atividade espiritual e social na vida comunitária da igreja. A salvação, da parte de Deus, foi operada interiormente pelo mérito da obra do Calvário. Porém, o sentido de “operar a própria salvação” refere-se à demonstração dessa salvação fazendo a obra de Deus e cuidando-se de modo a torná-la firme até o dia final, quando estaremos para sempre com o Senhor.
3. O poder da obediência (v. 12)
O apóstolo Paulo coloca o verbo obedecer no pretérito passado (“obedecestes”) para reforçar o fato de que a obediência é o elemento essencial para manter a salvação recebida. De certo modo, Paulo dá testemunho da obediência dos filipenses quando diz: “sempre obedecestes”. Tratava-se de uma obediência espontânea, não vigiada, quando Paulo estava presente e agora quando ele está ausente. Nesta escritura do versículo 12, o cristão é estimulado a movimentar a sua salvação, no sentido de continuar no caminho da obediência. A obediência dos filipenses aos princípios do evangelho era percebida por Paulo. Mas o apóstolo pede aos filipenses que operem a salvação com temor e tremor, no sentido de preservar a riqueza maior de suas vidas. Aprendemos que a soberania divina não anula a responsabilidade humana em manter e preservar a salvação recebida.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 73-75.
Com a palavra «...pois...», Paulo vincula a exortação que faz aqui com o que dissera imediatamente acima. Pois a ideia principal é que os crentes vivam na presença de Deus, adquirindo a posição de glória mediante a atitude de humildade, sob a condição de trabalharem juntamente com Cristo, de modo a serem verdadeiros «filhos de Deus» e «luzes do mundo».
Em tudo isso transparece a verdadeira semelhança, ainda que imperfeita, da deidade que habita na humanidade de nosso Senhor, a qual é exaltada através da dupla humilhação até uma glória indizível». (Barry, in loc., que poderia ter adicionado que a deidade residente em Cristo lança sua luz ética nesta secção, em nossa própria humanidade; e que ambas as ideias, a participação de Cristo e a nossa participação, aparecem juntas em Col. 2:9,10, sendo enfatizadas em Efé. 1:23 e 3:19. Trata-se de conceitos admiravelmente elevados, que falam da própria essência do evangelho, conforme o apóstolo vê as coisas.
«...amados meus...» é expressão de afeto genuíno. Alguns problemas tinham surgido, pois havia crentes que procuravam dominar a outros, transformando a igreja em um teatro de glorificação própria; e Paulo agora repreende tal erro. Mas, ao mesmo tempo, reconhece sua conexão íntima com eles, porquanto estavam todos vinculados em amor fraternal e no amor de Cristo. Deve-se notar, por conseguinte, que essa reprimenda é suavizada com expressões de afeto; pois a repreensão, sem o tempero do amor, é destrutiva, e não auxiliadora. Pode-se observar, por igual modo, que, na sua severa epístola aos Gálatas, Paulo com frequência suavizou suas exortações e correções por termos reiterados de afeto. (Ver Efé. 1:11; 3:15;
4:12,28, 31 e 6:1,17, onde os chama de «irmãos»; ver Efé. 4:19, onde os chama de «filhinhos»). A palavra «irmãos» aponta para os crentes como participantes da família divina, em que Deus aparece como Pai, ao passo que Cristo figura como Irmão mais velho, e onde a igreja ê o lugar onde o amor fraternal deve agir como norma orientadora. (Ver as notas expositivas sobre essa questão, em João 15:10,21).
«.. .sempre obedecestes...» « ...obedecestes...» vem do termo grego «upakouein», que subentende a obediência em resultado do ouvir alguma ordem, no que concerne à sua origem, embora fosse termo comumente usado para qualquer forma de obediência. Era vocábulo usado como termo técnico para indicar um «porteiro», cujo dever era ouvir os sinais daqueles que desejavam admissão, permitindo-lhes a mesma, se tivessem tal direito.
Também era palavra usada para indicar «estar sujeito a», «seguir». A conduta dos crentes filipenses, no passado, sempre fora exemplar, porquanto seguiam o padrão deixado por Cristo, e davam estrita atenção às injunções apostólicas. Mas houve tempo em que contavam eles com o apoio da presença, da autoridade e do encorajamento de Paulo. Agora, na ausência física do apóstolo, tinham de estar suficientemente amadurecidos no espírito para que pudessem manter-se sozinhos, prestando contas diretamente a Cristo. Por essa razão é que Paulo exortou-os a que aplicassem a salvação que possuíam, pondo-a em ação quanto ao seu lado moral, o que poderiam fazer rendendo-lhe a própria vontade e aplicando todos os meios mediante os quais os homens são transformados segundo a imagem moral de Cristo, e, por conseguinte, segundo a sua imagem metafísica.
A necessidade final de cada crente ficar de pé por si mesmo: Temos aqui uma grande verdade. Cada crente terá de finalmente manter-se sozinho, em seu desenvolvimento espiritual, prestando contas exclusivamente a Deus.
Todos nós temos tido professores e outros elementos influenciadores em nossas vidas; e todos eles desempenharam uma função necessária. Porém, o que fazemos com as suas instruções, como as aplicamos, sobretudo acerca das instruções espirituais que temos recebido, depende inteiramente de cada um de nós, como indivíduos. Quantos são os jovens que se conduzem bem, estando na companhia de seus pais ou de seus mestres, para se afastarem inteiramente do reto caminho quando esse apoio lhes é retirado!
Sim, chega um ponto, na vida de cada crente, em que ele tem de enfrentar o seu Deus sozinho. Chegado esse ponto, não poderá mais depender das experiências de outros crentes. É uma tendência, até mesmo uma necessidade das crianças e aprendizes de todos os ofícios, se aproveitarem das experiências alheias. Mas chega o tempo em que isso não pode continuar a ser feito. O crente precisa tornar-se aquilo que ele deve ser sozinho, dependendo diretamente de Cristo em sua própria alma.
Em batalha ou negócios, qualquer que seja o jogo, Pela lei ou pelo amor, é sempre, sempre o mesmo. Em luta por poder ou por ganhos desonestos, Deixe que isto seja seu guia:
Confie em si mesmo.
Por qualquer que seja o prêmio  quer medalha ou trono, O vencedor é aquele que segue lutando sozinho.
«...muito mais...» Sem contarem com a presença pessoal de Paulo, os crentes filipenses precisavam resguardar-se, pois não podiam mais contar com a ajuda e sustento dele. Em sua ausência, um maior zelo e cuidado se tomava mister. No dizer de Braune (in loc.): «Ele (Paulo) exorta-os a uma maior necessidade de esforço próprio, porquanto agora estariam sozinhos, sem a assistência do apóstolo, agora distante».
« ...desenvolvei a vossa salvação... » A primeira dessas palavras, no original grego, é «katergadzomai», que significa «produzir», «conseguir», «atingir». «Desenvolver» é uma suavização da ideia; de fato, trata-se de uma interpretação, e não de uma tradução.
Efetuai A Vossa Salvação!
Que significa essa declaração? Será não-paulina?
1. Não é ideia não-paulina, porquanto não há nela qualquer pensamento de merecer a salvação a través de boas obras, ritos, cerimonias, sacramentos. Isso seria inteiramente oposto à teologia paulina.
2. Não obstante, o original grego indica mais do que apenas «desenvolver» nossa porção espiritual, por havermos sido salvos por Deus. Além disso, significa muito mais do que «expressar externamente» a salvação que possuímos internamente, ou «dar evidências» de que somos convertidos.
3. Pelo contrário, Paulo mostra que realmente pomos em funcionamento a nossa salvação, em ^termos não-legalistas.
a. O processo (do princípio ao fim, da conversão à glorificação), na realidade terá de ser efetuado mediante o exercício da vontade humana, que «acolhe e encoraja» a vontade divina, para que esta opere. Ã acolhida à vontade divina, denominamos «fé». Portanto, em certo sentido, nosso «desenvolvimento» de nossa salvação é o exercício da fé inicial e contínua.
b. Essa fé, entretanto, é encarada como um princípio vivo e ativo, o qual transforma um homem segundo a imagem moral e metafísica de Cristo.
Paulo dizia: «Deveis ter um a fé genuína; também deveis permitir e encorajar o Espírito, para que realize a sua obra; deveis ser verdadeiramente santificados; deveis realmente desenvolver as virtudes morais; deveis ser transformados; deveis viver a vida caracterizada pelo amor. Do contrário, não haverá a salvação em vós». Tudo isso se refere ao lado humano, e como cooperamos com o Espírito de Deus.
c. Desenvolvemos nossa salvação porque cada avanço na espiritualidade é realizado por nós, na medida em que vamos cooperando com o poder divino. Nenhum avanço pode ser atingido sem essa cooperação.
d. A essência dessa ideia é a de que «somos responsáveis» por cada passo de nossa salvação, incluindo a conversão (quando nos achegamos a Cristo), a santificação (quando permitimos que o seu Espírito nos torne santos) e as boas obras (quando pomos em prática a lei do amor).
e. O versículo seguinte, naturalmente, expõe o lado divino de todo esse processo. Não poderíamos querer a vontade de Deus, e nem querer pô-la em prática, e realmente praticá-la, a menos que o seu Santo Espírito' nos inspirasse e nos capacitasse a tanto. Assim sendo, o pêndulo baloiça de volta à pura graça divina. A graça se acha no alicerce de todo o nosso ser e de tudo em que estamos nos tornando. (Comparar isso com I Cor. 4:7 e 15:10).
4. Notemos como até mesmo as «boas obras» de um indivíduo, as suas atividades, a sua bondade expressa por meio de atos, e aquelas coisas que ele faz para cumprir a sua missão, tudo foi preordenado e agora recebe de Deus a energia (ver as notas em Efé. 2:10). Por conseguinte, devemos ao Senhor as nossas próprias boas obras. Deus faz cada homem tornar-se um ser singular, em si mesmo e em sua missão (ver as notas em Apo. 2:17).
Nada existe no homem decaído no pecado, que possa produzir tais resultados, sem a intervenção divina.
5. Como a nossa vontade e a determinação divina operam conjuntamente, não sabemos dizê-lo. O trecho de Fil. 2:12,13 diz-nos que assim sucede. Há em tudo isso um profundo mistério, pelo que as explicações aqui oferecidas são inadequadas, embora, por certo, se revistam de certo significado.
Ê possível o fracasso? O versículo deixa entendido que uma pessoa, uma vez convertida, pode falhar na aplicação de sua santificação, perdendo assim sua conversão, voltando ao mundo. De fato, esta passagem, ficaria sem sentido, como uma advertência, que se toma mais vigorosa pela adição das palavras «...com temor e tremor...» O trecho de II Ped. 1:10 menciona a possibilidade de «queda»; a passagem de I Cor. 9:27 mostra-nos que até mesmo um grande pregador poderia se* finalmente «desqualificado». Isso, naturalmente, cria o problema da reconciliação entre os ensinos bíblicos da «segurança eterna do crente» e da «possibilidade de desvio», conforme se percebe claramente em passagens como o nono capítulo da epístola aos Romanos e o décimo capítulo do evangelho de João. A posição deste comentário é que a possibilidade de desvio é relativa, mas a segurança é absoluta. Como isto pode ser ver as notas em Rom. 8:39.
«Posto que a graça nos é dada, devemos trabalhar. O dom da graça se manifesta quando o indivíduo se torna cooperador de Deus (ver I Cor. 3:9).
A salvação dada mediante a graça deve ser posta em funcionamento pelo homem, com a ajuda da graça divina (ver Rom. 6:8-19 e II Cor. 6:1). O que esse desdobramento da salvação requer é visto em Fil. 3:10; 4:1-7; Efé. 4:13-16,22 e ss. e Col. 2 :6 ,7. Para tanto, o crente precisa ser constantemente fortalecido pelo Espírito. A possibilidade de sucesso transparece na oração feita por Paulo, em Efé. 3:16-20... A obra de Deus precisa ser exteriorizada por nós mesmos». (Vincent, in loc.).
«Qualquer que seja o descanso que o cristianismo providencie para os filhos de Deus, certamente-jamais é visto como algo que elimina a necessidade do esforço pessoal. E qualquer descanso que dê margem à indiferença será imoral e irreal, fabricará parasitas, e não homens. Ê exatamente porque Deus opera nele, como evidência e triunfo desse fato, o verdadeiro filho de Deus põe em execução a sua própria salvação, tendo-a recebido, agora a põe em funcionamento, e não como algo sem importância, como um labor supérfluo, mas antes, como temor e tremor, como é razoável e indispensável que os filhos de Deus o sirvam». (Drummond, Natural Law and the Spiritual World, pág. 335).
As palavras do autor citado acima concordam com a lei universal da colheita segundo a semeadura, porquanto essa lei não se aplica apenas aos incrédulos, mas também aos remidos. (Ver Gál. 6 ,7 ,8 ). Note-se na referência citada que a «vida eterna» é o alvo e o fruto da boa semeadura. O trecho de Gál. 5:22,23 ensina-nos que os vários aspectos do «fruto do Espírito Santo» são implantados em nós pelo Espírito de Deus, sendo aceitos, buscados e aplicados por nós; e essa é uma outra maneira pela qual apontamos para o caráter daquilo que está sendo «realizado» por nós, mediante o poder de Deus.
«...salvação...» é palavra que deve ser aqui entendida em seu sentido absoluto e primário—a salvação da alma, eterno bem-estar nos lugares celestiais. Essa salvação começa quando da conversão, envolve a santificação e culmina na glorificação, envolvendo tudo quanto as Escrituras atribuem a esse processo. (Ver o trecho de Heb. 2:3 quanto a notas expositivas completas sobre esse tema).
Uma perseverança enérgica é necessária para que a salvação seja vivida ou executada em nossas vidas, até ao seu glorioso fim. Isso é exatamente o que o apóstolo ensinava aqui.
«Certo professor, que sofrera de exaustão nervosa, recebeu de presente um livro sobre o controle do pensamento, onde supostamente encontraria saúde e tranquilidade. Encontrou muita coisa útil; mas também lhe foi dito ali que não trabalhasse demais, que não carregasse uma parcela muito grande de responsabilidade, que não se incomodasse com situações perturbadoras. E assim chegou à conclusão que estava sendo sutilmente atraído para uma vida de acomodação, que ele não desejava para si».
«O cristianismo não foi esquematizado para conservar-nos em naturalidade, em paz, em felicidade e em contentamento. Seu intuito verdadeiro é exatamente o de perturbar o ‘eu’, tomando-nos tão enfermos e envergonhados de nós mesmos que queiramos abandonar toda a ideia de auto-suficiência, permitindo que algo da atitude de desprendimento de nosso Criador assuma o comando de nossas almas atormentadas consigo mesmas». (Wicks, in loc.).
«...com temor e tremor...» Essas palavras servem para mostrar que Paulo não falava acerca de coisas indiferentes. As duas palavras gregas aqui usadas pelo apóstolo, «phobos» e «tromos», aparecem juntas com frequência na versão da Septuaginta (tradução do original hebraico do A.T. para o grego, completado cerca de duzentos anos antes da era cristã), como se vê em Gên. 9:2; Êxo. 15:16 e Isa. 19:16; como também são de uso frequente nas páginas do N.T. (Ver I Cor. 2:3; II Cor.6:15; Efé. 6:5, onde a expressão é comentada). Apesar de ser verdade que nenhum terror abjeto nos é recomendado, mas tão-somente uma cautela séria, contudo, não há razão para acreditarmos que Paulo não estivesse pensando em um temor genuíno, porquanto estamos aqui abordando uma questão temível., No dizer de Weadlaw (in loc.), temos aqui «...temor, auto desconfiança, consciência sensível, vigilância contra a tentação; uma inspiração que se opõe à altivez de espírito, o cuidado para que se não caia, a constante apreensão ante o fato que o coração é tão enganoso, o temor devido ao poder insidioso da corrupção no íntimo». Essa expressão é empregada no trecho de Efé. 6:5, para aludir à atitude que os escravos devem ter p ara com os seus senhores.
Um respeito são é aqui recomendado, e até mesmo o temor, no sentido ordinário do termo, porquanto nosso Senhor é o Rei dos reis. Segundo se lê em Pro. 1:7: «O temor do Senhor é o princípio do saber...» Oferecemos aqui uma ilustração acerca do temor devido a Deus. Foi feito um levantamento de opinião pública pelo Ladies’ Home Journal, uma revista norte-americana que se interessa por crenças religiosas; e os resultados colhidos foram entregues à apreciação de representantes eruditos das fés protestante, católica-romana e judaica, com os seguintes resultados:
1. Noventa e cinco por cento das pessoas professaram crer na existência de Deus (uma coisa boa), mas apenas vinte e seis por cento pensavam que Deus tem qualquer relação pessoal com sua conduta diária (o que é mau); e isso representa a posição do «deísmo», em contraste à posição do «teísmo».
O teísmo assevera que Deus existe e mantém contato com os homens, estando interessado por recompensá-los ou puni-los. Já o deísmo afirma que Deus existe, mas assim que criou tudo se divorciou inteiramente de sua criação, tendo-a deixado ao encargo de «leis naturais», porquanto não está interessado em galardoar ou castigar aos homens. (Ver as notas expositivas sobre as «diversas ideias concernentes à natureza de Deus», em Atos 17:27).
2. Noventa e um por cento das pessoas procuravam ter uma vida piedosa (uma coisa boa), mas oitenta e dois por cento delas admitia que sua suposta «luta» pelo bem raramente interferia com aquilo que queriam fazer (o que é mau); portanto, a vida piedosa era tão-somente um «ideal», e não um fato real em suas vidas.
3. Noventa por cento das pessoas pensava que a aplicação do amor, na sociedade humana, resolveria os problemas da mesma sociedade, e oitenta e dois por cento delas mostrava-se o suficientemente egoísta p ara pensar que estavam obtendo um bom grau de sucesso na aplicação dessa lei. Contudo, oitenta por cento de tais pessoas estava certa que a maioria de suas tribulações eram provocadas por outras pessoas, e não por elas mesmas; portanto, não pareciam ser sinceras na aplicação da lei do amor. Aqui, pois, vemos pessoas obcecadas, sem nenhum temor a Deus diante dos olhos, em qualquer sentido prático. O temor a Deus derruba o ‘eu’ do trono e ali entroniza a Deus; e isso é que torna possível nosso andar na santificação. Conforme diz Robertson (in loc.): «Paulo não sentia qualquer simpatia com uma ortodoxia fria e morta, com o formalismo que desconhece luta e desenvolvimento. Ele nos exorta como se fosse um arminiano dirigindo-se aos homens. Mas ora como se fosse um calvinista, dirigindo-se a Deus, sem sentir qualquer incoerência nessas duas atitudes.
Paulo não faz qualquer tentativa de reconciliar o senhorio divino com a livre agência do homem, mas antes, proclama ousadamente ambas essas verdades». O autêntico temor a Deus nos confere «...uma ansiedade nervosa e tremente para praticarmos o que é direito». (Lightfoot, in loc.).
Precisamos temer ao Senhor a fim de que, tendo recebido tão grande graça, tão profundo conhecimento, tão multiplicados privilégios, acima de nossos semelhantes, no que concerne às realidades espirituais, venhamos a «falhar», não dando o devido prosseguimento à salvação, não a levando a bom termo, até onde esta vida terrena oferece oportunidade para tal aperfeiçoamento.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 33-34.
Devemos cumprir um propósito (Fp 2:12,14-16)
"Desenvolvei a vossa salvação" (Fp 2:12) não é o mesmo que "conquistai a vossa salvação".
Em primeiro lugar, Paulo está escrevendo a leitores já "santos" (Fp 1:1), ou seja, que já aceitaram a Cristo e foram separados para ele. O verbo "desenvolver" tem o sentido de "trabalhar até a consumação", como quem trabalha em um problema de matemática até chegar ao resultado final. No tempo de Paulo, esse termo também se referia a "trabalhar em uma mina" extraindo dela o máximo possível de minério valioso, ou "trabalhar em um campo" obtendo a melhor colheita possível. O propósito que Deus deseja que alcancemos é a semelhança a Cristo, "para [sermos] conformes à imagem de seu Filho" (Rm 8:29). A vida acarreta problemas, mas Deus nos ajuda a lidar com eles.
Assim como uma mina ou um campo, nossa vida tem um potencial tremendo, e Deus quer nos ajudar a usar esse potencial ao máximo.
Cindy não estava muito contente quando foi visitar a família nas férias da faculdade. Os pais notaram seu comportamento estranho, mas tiveram a sabedoria de esperar até que ela lhes contasse o que estava acontecendo. Terminado o jantar, ela disse:
- Pai, mãe, preciso lhes dizer algo, mas temo que vou magoá-los. - Conte-nos o que está em seu coração e nós entenderemos - disse o pai. – Queremos orar sobre a questão, seja ela qual for. - Vocês sabem que, quando eu estava no ensino médio, sempre falava em fazer enfermagem. Acho que pelo fato de a mamãe ser enfermeira, imaginei que vocês gostariam que eu seguisse a mesma carreira.
Mas não posso mais fazer isso. Deus não quer que eu seja uma enfermeira! A mãe sorriu e segurou a mão de Cindy.
- Ah! meu amor, nosso maior desejo é que a vontade de Deus se cumpra em sua vida. Se você fizer qualquer outra coisa fora da vontade dele, todos nós ficaremos infelizes!
Cindy havia tomado uma decisão corajosa; encarou a vontade de Deus e decidiu que desejava desenvolver a própria salvação – a própria vida cristã não uma carreira à qual outra pessoa desejava que ela se dedicasse. Uma das coisas maravilhosas da vida cristã é saber que Deus tem um plano para nós (Ef 2:10) e que nos ajudará a levar esse plano a cabo para a glória dele. Nosso Deus é um Deus de variedade infinita! Se não existem duas flores ou dois flocos de neve exatamente iguais, por que dois cristãos deveriam ser idênticos? Todos devemos ser semelhantes a Cristo, mas também devemos ser nós mesmos, A oração "desenvolvei a vossa salvação" provavelmente é uma referência aos problemas específicos da igreja de Filipos, mas também se aplica a cada cristão como indivíduo.
Não devemos ser "imitações baratas" de outras pessoas, especialmente dos "grandes homens e mulheres de fé". Devemos seguir somente o que vemos de Cristo na vida dessas pessoas. "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" (1 Co 11:1). Todo "santo exemplar" tem pés de barro e, por fim, pode acabar nos desapontando, mas Cristo jamais nos desapontará.
Em Filipenses 2:14, 15, Paulo contrasta a vida do cristão com a dos que vivem no mundo. Os não salvos queixam-se e discutem, mas o cristão se regozija. A sociedade em que vivemos é "pervertida e corrupta", mas o cristão é reto, pois orienta a vida segundo a Palavra de Deus, o parâmetro perfeito. O mundo é escuro, mas os cristãos brilham como luzes resplandecentes. O mundo não tem coisa alguma a oferecer, mas o cristão oferece a Palavra da vida, a mensagem da salvação por meio da fé em Cristo. Em outras palavras, ao permitir que Deus cumpra seus propósitos em nossa vida, tornamo-nos testemunhas mais aptas para um mundo que precisa desesperadamente de Cristo. Ao aplicar essas características a Jesus, podemos ver como ele teve uma vida perfeita em um mundo imperfeito.
É importante observar que esse propósito é alcançado "no meio de uma geração per- vertida e corrupta" (Fp 2:15). Paulo não admoesta os cristãos a se isolarem do mundo nem a viverem em "quarentena espiritual".
Os fariseus eram tão alienados e isolados da realidade que desenvolveram uma justiça própria artificial, inteiramente distinta da justiça que Deus desejava que cultivassem em sua vida. Em decorrência disso, sujeitaram o povo a uma religião de medo e de servidão (ver Mt 23) e crucificaram a Cristo, porque ele ousou opor-se a esse tipo de religião. Não vemos os propósitos de Deus se cumprirem em nossa vida quando nos isolamos do mundo, mas sim quando ministramos ao mundo.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 99-100.
2.12 - De sorte que. Paulo deseja que os filipenses respondam de um modo positivo à sua admoestação quanto a terem a mente de Cristo (v. 5-8). A ordem é para todo o grupo, uma vez que o sujeito oculto (vós) é plural. O tema é a salvação mútua e coletiva deles (Fp 1.19,28; Lc 22.24-30). O termo grego traduzido como operai alude à presente libertação dos filipenses. Ele foi usado por Estrabão, autor do século 1, como referência à escavação de minas de prata. Portanto, a salvação pode ser comparada a um grande presente que precisa ser aberto para a total alegria do indivíduo. Observe que Paulo está incentivando os filipenses a desenvolverem e operarem sua salvação, mas não a trabalharem para obtê-la. Demonstrar a graça e o poder de Deus ao mundo por meio de nossa unidade e nosso amor (compare com Jo 13.34,35) é uma responsabilidade muito séria, por isso requer temor e tremor.
Não se trata do medo como covardia, mas de respeito pelo grande valor da tarefa. Os filipenses deveriam esforçar-se e tratar de cumprir suas obrigações corretamente. Não deveriam ter medo da responsabilidade, mas tratá-la como uma comissão de primeira ordem. Os resultados determinariam sua posição de privilégio e de glória no Reino de Cristo.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 529.
Destacamos três pontos:
Em primeiro lugar, o exemplo de Cristo é o nosso maior estímulo à obediência (2.12). O problema da igreja de Filipos era a desarmonia entre os crentes produzida pelo egoísmo. Os crentes estavam se atritando a ponto de alguns trabalharem na igreja para a promoção pessoal ou o maior reconhecimento do seu grupo (Fp 2.3). A base dessa atitude mesquinha era o egoísmo (Fp 2.4). Então, Paulo exorta os crentes a olharem o exemplo de Cristo e terem o mesmo sentimento que houve Nele (Fp 2.5). Depois que Paulo detalhou os estágios da humilhação e exaltação de Cristo, cobrou da igreja um posicionamento. Lightfoot diz que Paulo mostrou o exemplo da humilhação de Cristo para guiá-los, e o exemplo da exaltação de Cristo para encorajá-los.
A preposição “pois” no versículo 12 é um elo de ligação entre o que Paulo estava falando e o que agora vai falar.
Assim como Jesus obedeceu ao Pai, os cristãos também devem obedecer. Ele diz que o exemplo de Cristo, a Sua humilhação e a recompensa de Sua exaltação são a principal razão para a igreja viver em obediência. O que nós cremos precisa se refletir em nosso modo de vida. Nossa teologia precisa produzir vida.
Em segundo lugar, a doutrina sempre tem propósitos práticos (2.12). Essas gloriosas doutrinas expostas em Filipenses 2.5-11 têm um propósito prático. A doutrina tem a finalidade de conduzir a igreja na verdade. Ela é a base da ética e o alicerce da vida. Ainda ecoam em nossos ouvidos a verdade celestial acerca do Filho de Deus que desceu da glória para a vergonha da cruz, e isso por amor de nós, pecadores. Somos exortados a agir à luz desse vasto e insondável amor. O ensino de Paulo nos mostra que a doutrina sempre conduz ao cristianismo prático.231 Quanto mais estudamos teologia, tanto mais humildes deveremos ser. Quanto mais luz temos na mente, tanto mais amor deveremos ter no coração.
Em terceiro lugar, a obediência do cristão é ultra circunstancial (2.12). Alguns crentes estavam muito dependentes da presença física de Paulo em Filipos para viverem de conformidade com a Palavra. Esses crentes sofriam de uma espécie de nostalgia, vivendo um saudosismo dos tempos áureos que Paulo esteve com eles (Fp 1.27). Contudo, Paulo estava preso em Roma, e eles deveriam manter o mesmo compromisso, apesar da sua ausência. Eles deveriam pôr a sua confiança em Deus, e não na presença do apóstolo entre eles.
William Hendriksen diz que a obediência dos filipenses não deveria ser motivada pela presença de Paulo, nem durar só enquanto ele estivesse em seu meio.232 O cristão obedece não porque o pastor está presente, ou para agradar a esse ou àquele grupo. Sua obediência independe das circunstâncias e das pessoas.
Examinaremos esse texto e extrairemos dele três gloriosas verdades, acerca da nossa salvação.
A salvação recebida (2.12)
A salvação não é uma conquista do homem, mas um presente de Deus. Ela é nossa, não por direito de conquista, mas por dádiva imerecida. A salvação não é um prêmio pelas nossas obras, mas um troféu da graça de Deus. Há duas verdades que merecem ser destacadas aqui:
Em primeiro lugar, a salvação é um presente de Deus a nós, e não uma conquista nossa (2.12). Quando o apóstolo Paulo diz: “... desenvolvei a vossa salvação...” (Fp 2.12; grifo do autor), ele não está afirmando que ela nos pertence por direito de conquista. Ela é nossa porque nos foi dada. Ela é nossa porque alguém a comprou por um alto preço e no-la deu gratuitamente. A nossa salvação foi comprada por um alto preço. Ela não foi comprada por prata ou ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo (IPe 1.18,19).
Em segundo lugar, a salvação verdadeiramente nos pertence (2.12). Muitos cristãos, por não estarem arraigados nas doutrinas da graça, ficam inseguros acerca desse ponto, pensando que a salvação nos é dada num momento e tomada em outro; que podemos estar salvos num dia e perdidos no outro. Isso é absolutamente impossível. A salvação é um presente que nos foi dado para sempre (Rm 8.1). Uma vez salvo, salvo para sempre (Rm 8.31-39). Uma vez membro da família de Deus, jamais seremos deserdados (Rm 8.17).
Uma vez ovelha de Cristo, jamais alguém poderá nos arrancar da mão de Cristo (Jo 10.28).
Paulo diz: “... desenvolvei a vossa salvação...” (Fp 2.12; grifo do autor). O estudioso da língua grega H. C. G. Moule diz que a palavra “vossa” é fortemente enfática.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 146-148.
2. Deus é a fonte da vida.
O Poder que Dinamiza e Preserva a Salvação Recebida (2.13)
1. O caráter soberano e seletivo de Deus não anula o direito do crente em desenvolver a sua salvação.
A ideia de que a salvação tem caráter seletivo em detrimento do direito universal de todas as pessoas em receber a salvação oferecida em Cristo Jesus é inaceitável. Entende-se com clareza que Deus não divide a obra salvadora com o homem, porque o querer e o efetuar são exclusividade dEle. A honra e a glória da nossa salvação pertencem exclusivamente a Deus. A nós compete aceitar a oferta de salvação por Cristo Jesus e reconhecê-lo como único Salvador e Senhor. Pelo contrário, o poder da salvação operado pelo Espírito Santo habilita o crente a desenvolver a sua salvação para ser útil na vida cotidiana da igreja. O Espírito Santo opera a salvação realizando aquilo que a lei mosaica não consegue realizar. O Espírito supre o crente com poder para realizar a obra de Deus (Rm 8.3,4; 2 Co 3.4-6). Nesse sentido, somos cooperadores de Deus porque o Espírito trabalha nos crentes para operarem a salvação.
2. O poder de Deus é a fonte de energia do crente (2.13)
Por si só o crente não tem como desenvolver sua salvação. Ele precisa da energia divina mediante a obra do Espírito Santo, que o torna capaz de agir. Se Satanás opera na vida dos ímpios as obras más (2 Ts 2.9), Deus opera nos crentes em Cristo por meio do Espírito Santo as boas obras (Rm 8.9,14). Na realidade, o crente torna-se instrumento de justiça no mundo corrompido que vivemos e o faz um vencedor. O limite para a manifestação do poder divino na vida do crente é “a sua boa vontade”. A vontade soberana de Deus é a expressão de seus atributos divinos de onipotência e presciência.
Se Deus é quem opera e efetua a obra espiritual na vida das pessoas, sabemos, também, que Satanás opera nos filhos das trevas (2 Ts 2.9). No crente, Deus opera por meio do Espírito Santo que habita nele (1 Ts 2.13). O ato de Deus operar em nós significa que Ele nos torna instrumentos em suas mãos para realizar a sua obra na terra.
3. Qual o efeito do poder de Deus no querer e no realizar? (2.13)
A expressão “opera em vós” identifica a obra exclusiva de Deus. E Ele quem opera, quem realiza, quem efetua “tanto o querer como o efetuar”. Essa declaração descreve um propósito de Deus para com os cristãos. Ele efetua nos crentes o querer, a vontade de obedecer e desenvolver a salvação. O “efetuar” ou “o realizar” implica a capacidade que Ele dá para fazer sua obra. E Ele quem nos capacita a realizar mais do que pedimos ou pensamos, como está declarado na Epístola aos Efésios: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Ef 3.20).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 75-76.
As palavras «...porque Deus é quem efetua...» mostram o lado «divino» da salvação, tal como o versículo anterior mostra-nos o lado «humano». Ambos esses aspectos dizem uma verdade; e ap e s a r de parecerem contraditórias essas declarações, até certo ponto, na realidade não são assim as coisas. Pois Deus salva, mas o homem é salvo ao corresponder à graça divina, nos termos descritos no versículo anterior. A Imensidade Da Obra Requer O Concurso Da Graça 1. Novs. 12, vimos que há um lado humano no processo salvatício. Paulo se apressa por mostrar-nos o lado divino do mesmo, e isso nos assegura de que o lado humano é totalmente dependente das operações divinas.
2. «Porque Deus é quem efetua», diz Paulo. Deus é o verdadeiro autor da salvação. Estar salvo significa que o remido chega a com partilhar da imagem e da natureza de Cristo (ver Rom. 8:29), da natureza do Pai e seus atributos (ver Efé. 3:19). Como poderia o homem atingir esse alvo prodigioso, se dispusesse apenas de seus próprios recursos?
3. A imensidade da obra requer a intervenção do princípio da graça divina (ver as notas em Efé. 2:8). Paulo nega todo e qualquer legalismo, sacramentalismo ou cerimonialismo, como fontes de salvação. «Porque é Deus quem a efetua em nós», diz ele.
Sentimos que nada somos, pois tudo és Tu e em Ti; Sentimos que algo somos, isso também vem de Ti; Sabemos que nada somos — mas Tu nos ajudas a ser algo.
Bendito seja o Teu nome — Aleluia!
(Alfred Lord Tennyson, «The Human Cry»).
«.. .efetua em vós...» No grego temos aqui o verbo «energeo», que significa «operar», «atuar», «trabalhar», «vitalizar», «produzir». Tudo quanto houver de bom em nós vem pela operação de Deus. E como poderia mesmo ser de outro modo? A passagem de Gál. 5:22,23 descreve os diversos aspectos do «fruto do Espírito», demonstrando-nos que faz parte da atuação divina fazer habitar em nós toda a natureza moral de Cristo. O trecho de II Cor. 3:18 ensina-nos que o Espírito Santo nos transforma de «glória em glória», isto é, de um estágio de glória para outro, levando a imagem de Cristo a ser finalmente duplicada em nós. Ora 'isso antevê não apenas uma modificação poética na natureza de nossos seres, mas uma modificação real, de modo a dar-lhe a mesma essência do ser de Cristo. Ora, é totalmente impossível que homem faça isso em seu próprio proveito, trata-se de uma operação divina, e não humana. Em seus aspectos práticos, a concretização do poder de Deus, que em nós reside, nos fornece «a base do encorajamento» (Crisóstomo), bem como um.
«incentivo para humanidade» (Calvino); pois sabemos que essa estupenda realização, chamada «salvação», pode ser levada a seu término perfeito em nossas almas, posto tratar-se de uma realização divina, e não humana. Ora, sabendo disso, seremos levados ao espírito de humildade e ação de graças, especialmente quando vemos que esse poder vai aumentando diariamente em nossas vidas. Essa operação de Deus, nos crentes, tem dois aspectos: 1.O próprio «desejo» de fazer o que é da vontade de Deus, aquilo que o agrada; e 2. a «realização» desse desejo, conforme o restante deste versículo nos mostra.
«...em vós...» Não temos aqui «entre vós», segundo dizem erroneamente algumas versões. (Ver igualmente I Cor. 12:6; II Cor. 4:12; Efé. 2:2 e Col. 1:29). Isso fala sobre o poder pessoal e residente de Deus, por intermédio do seu Santo Espírito, tal como se vê em Efé. 2:21,22. E o que é que nos leva a ter bons pensamentos, desejando cumprir a vontade de Deus, procurando os dons espirituais, se não a influência benfazeja do Espírito Santo em nós?
Essa influência é algo muito sutil, nem sempre dada de maneira externa e patente. Na realidade, o mesmo Espírito de Deus influencia o mundo inteiro; e não fora isso, este mundo seria lugar impossível de ser habitado, mas antes, há muito se teria tornado uma floresta selvagem e negra. Nos crentes, entretanto, essa influência do Espirito é muito mais intensa e marcante, mais vívida e vital, de tal modo que os crentes ficam como que «estragados para o mundo», sentindo-se um miserável em sua própria alma, a menos que tenha confiança no Senhor Jesus, para a salvação e segurança de sua alma.
«...o querer...» Vemos aqui os impulsos íntimos do coração, mediante o que um homem pode dizer «eu quero», «eu espero», «eu resolvo». Todas essas afirmativas refletem a disposição, o «desejo» do indivíduo. Portanto, o que é dito aqui reflete o resultado direto da influência do Espírito Santo.
Essa influência, algumas vezes, assume formas místicas-visíveis, como sonhos, visões, dons espirituais diversos; mas, de outras vezes, através de um anelo sutil e íntimo, o qual, apesar de inconspícuo, nem por isso deixa de ser real. Portanto, um homem pode dizer: «Quero ser como Jesus». E isso vem da parte do Espírito de Deus. E em seguida tal crente se torna mais e mais semelhante ao Senhor Jesus. E isso também vem da parte do Espírito de Deus. Tudo é uma questão mística, isto é, verifica-se mediante contatos genuínos do divino com o humano. As inclinações, os pendores, os desejos, os anelos, quando se voltam para as realidades espirituais, resultam da operação íntima do Espírito de Deus. E isso é para nós um a verdade grandiosa e reconfortante.
Teu toque tem ainda o poder antigo, Nenhuma palavra tua cai por terra inútil; Ouve, nesta solene hora da noite, E em tua compaixão, cura-nos a todos. (Hino de Henry Twill).
«...o realizar...» No grego temos o verbo «energein», o mesmo vocábulo usado para indicar a operação divina em nós. Deus leva a bom termo aquelas coisas que desejamos e queremos, contanto que elas envolvam bênçãos espirituais autênticas. Nós «aprovamos o que é bom»; e então começamos a realizá-las (ver Rom. 7:14-23); e ao cumprirmos assim a vontade de Deus, nós mesmos vamos sendo transformados, de tal modo que passamos a praticar o bem, pelo impulso de nossas próprias naturezas (mas sempre sob a orientação do Espírito de Deus), tal cojno Cristo, por sua própria natureza, praticou o bem. Assim, pois, desejamos e praticamos o bem, e igualmente vamos sendo transformados em pessoas bondosas.
«Portanto, Deus leva à perfeição aquelas disposições de piedade que ele mesmo implantou em nós, a fim de que não sejamos improdutivos, conforme ele nos prometeu por intermédio de Ezequiel: . . .para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem...’ (Eze. 11:20). Disso se pode inferir que a perseverança, por igual modo, é um dom gratuito de Deus». (Calvino, in loc.).
«Nós desejamos, mas é Deus quem implanta em nós esse desejo. Portanto, agimos, mas Deus é quem age em nós». (Agostinho).
O «fazer», no presente contexto, diz respeito àquelas coisas que acompanham a salvação e a levam à perfeição, a vida moral, a santificação; mas, de maneira geral, todas as coisas contribuem para compor uma vida leal a Cristo, sendo isso que determina o grau de glorificação que receberemos, quando nos adentrarmos nos lugares celestiais. A existência nos lugares celestiais, entretanto, desconhecerá estagnação, porquanto o crescer em Cristo será algo que ocupará toda a nossa existência na eternidade.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 34-35.
2. 13 - O próprio Deus está agindo em nossa vida, e tudo o que Ele faz nela se dá segundo a Sua boa vontade (Rm 8.28). Deus se agrada em fazer o bem a nós, mas Ele só pode abençoar-nos quando há obediência à Sua vontade (Jo 15.10).
Nosso maior objetivo deve ser agradar-lhe em tudo o que fizermos. O Senhor supre tanto o desejo como a capacitação para cumprirmos Sua vontade. Só precisamos apropriar-nos da providência dele.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 529
3. A bondade divina.
“... segundo a sua boa vontade” (2.13)
Vários aspectos das manifestações da vontade Deus nos mostram que Ele está em um plano elevado e, para compreendê-lo, precisamos da sua revelação, e não de algum tipo de especulação. Ele revela sua vontade pelas coisas que estão criadas e pela sua Palavra (Rm 1.18,19). Entre os vários tipos da vontade Deus, a Bíblia os denomina como: vontade perfeita (Rm 12.2); boa vontade; agradável vontade de Deus; vontade permissiva de Deus; vontade moral; vontade soberana; etc. Nesta escritura aos filipenses, Paulo falou da ”boa vontade de Deus” (Fp 2.13). A “boa vontade de Deus” diz respeito à “concretização de seus propósitos soberanos e graciosos para com os homens, na redenção humana, oferecida na pessoa de Cristo. Essa é a vontade de Deus, e esse é o seu beneplácito”, escreveu Russell Norman Champlin em seu comentário no Novo Testamento Interpretado (vol. 5, p. 35).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 76.
«...segundo a sua boa vontade...» Literalmente, diríamos aqui «...em favor de sua boa vontade...» O sentido destas palavras precisa ser norteado pelo sentido que o trecho de Efé. 1:5,9 lhe dão: a concretização de seus propósitos soberanos e graciosos para com os homens, na redenção humana, oferecida na pessoa de Cristo. Essa é a vontade de Deus, e esse é o seu beneplácito. E isso se manifesta de muitas maneiras em nossa vida diária. Portanto, aprendemos que a vontade divina não envolve uma preferência arbitrária, mas antes, tem alvos específicos e benéficos atinentes aos homens. Tudo está unido ao amor paternal de Deus, operando em nós na qualidade de filhos seus. As palavras «...boa vontade...», no original grego, são uma palavra só, «eudokia», que significa «favor», «beneplácito», «boa vontade». Todas essas expressões referem-se à benevolência de Deus; e suas operações em nós levam-nos ao bem-estar final, a saber, a salvação de nossas próprias almas.
«Estes versículos servem de reprimenda contra todo o egoísmo e contra toda a vanglória». (Kennedy, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 35.
O acréscimo que o apóstolo faz é muito confortador: segundo seu beneplácito. É por causa de e com vista à execução de seu beneplácito que Deus, como fonte infinita de energia espiritual e moral, faz que os crentes operem sua própria salvação. “Fá-los” – ainda que sem anular, de modo algum, sua própria responsabilidade e atividade. Note, além disso, o termo beneplácito. O Dr. H. Bavinck (em The Doctrine of God, tradução inglesa, p. 370) diz: “A graça e a salvação são os objetos do deleite divino; Deus, porém, não tem prazer no pecado nem se compraz na punição.” Esta declaração está em harmonia com a Escritura (Lm 3.33; Ez 18.23; 33.11; Os 11.8; Ef 1.5,7,9).
HENDRIKSEN. William. Exposição de Filipenses. Editora Cultura Cristã. pag. 496-497.
A graça divina interior procede para com ambas a vontade e a ação, de modo semelhante. Deste modo, tanto o querer como o efetuar são operações da graça divina, produzidas pela boa vontade de Deus (13). O apóstolo emprega o mesmo vocábulo grego eudokia, em 1.15, para descrever a atitude de outros para com ele mesmo.
Aqui ele o emprega, como em Ef 1.5,9; 2Ts 1.11, para significar o beneplácito da vontade de Deus.
MOODY. Comentário Bíblico Moody. Filipenses. pag. 24.
... a obra da salvação é resultado da vontade de Deus (2.13). A salvação é realizada por Deus em nós não contra a Sua vontade, mas em consonância com ela. A nossa salvação é o resultado da expressa vontade soberana de Deus. Tudo provém de Deus. Nossa salvação tem início e consumação na boa, perfeita e agradável vontade de Deus.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 155.
de acordo com a boa vontade dele. (2:13e)
A última realidade essencial sobre parte de Deus na santificação dos crentes é a irrefutável verdade de que Deus trabalha em sua santificação para seu próprio prazer. Sua vontade para os crentes é que eles pensam e fazer o que Lhe agrada. Apesar de que é realizado principalmente pelo seu próprio poder, quando Seus filhos buscar a Sua vontade e fazer a Sua obra, que traz grande prazer dele. Traduz boa vontade eudokias, que expressa um grande prazer e satisfação. Porque Deus é infinitamente auto suficiente, não se pode, mas pergunto como algo ou alguém, especialmente um ser humano pecador, pode adicionar a seu contento. No entanto, esse é claramente o que Paulo está dizendo. Mesmo quando eles eram fracos, vacilante, e com medo, Jesus garantiu aos discípulos: "Não seja rebanho, pouco de medo, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino" (Lucas 12:32). Dar um lugar em Seu reino a Seus filhos traz a Deus grande prazer.
Porque a santificação dos crentes traz-lhe satisfação, Deus concede lhes os recursos para persegui-lo. Paulo escreveu aos Efésios, que "o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo ... nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo ... [e tem] fez-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo a sua intenção tipo que Ele propôs em Cristo "(Ef 1:3, 9). Aos tessalonicenses, ele acrescentou que Deus vai "cumprir todos os desejos de bondade e obra da fé com poder" (2 Ts. 1:11).
Mesmo quando se rebelar contra Ele, Deus ainda deseja abençoar Seu povo se vira e obedecer. Isaías respondeu a estas palavras de encorajamento para Israel desobediente: "Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e deixá-lo voltar para o Senhor, e Ele terá compaixão dele, e nosso Deus, porque grandioso é em perdoar "(Is. 55:6-7). Por intermédio de Oséias, o Senhor disse a Seu povo amado, "Como eu posso dar-te, ó Efraim? Como posso entregar-lhe, ó Israel? ... Meu coração é entregue dentro de mim, todas as minhas compaixões à uma se acendem. Eu não vou executar minha ira, não vou destruir Efraim novamente. Pois eu sou Deus e não um homem, sou Santo no meio, e não vou entrar em ira "(Oséias 11:8-9).
Propósito dos crentes supremo é obedecer, adorar e glorificar a Deus, e seu cumprimento desse propósito traz prazer a ele. Que a verdade magnífica é uma das muitas realidades únicas do cristianismo. O Deus soberano do universo tem prazer pessoal em que Ele mesmo inspira e capacita seus filhos redimidos de ser e fazer.
Todo cristão deve entender que a santificação leva o seu esforço mais árduo, mas ainda assim é totalmente dependente do poder de Deus.
Como muitas outras verdades das Escrituras, essas realidades aparentemente irreconciliáveis são difíceis de entender. Tendo feito tudo que podem, os crentes devem dar a Deus todo o crédito. Assim como o Senhor instruiu, depois de terem feito "todas as coisas que são comandados," eles são a confessar: "Somos escravos inúteis, fizemos apenas o que devíamos ter feito" (Lucas 17:10).
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
II - OPERANDO A SALVAÇÃO COM TEMOR E TREMOR (2.12-16)
1. “Fazei todas as coisas serra murmurações nem contendas”.
A Demonstração da Salvação (2.14-18)
1. A praticabilidade da obediência
A demonstração da salvação recebida está na essência da obediência ao evangelho. Os versículos 12 e 13 indicam que a salvação é desenvolvida por ação efetiva, no sentido de que o cristão ocupa-se em tornar sua salvação um testemunho de fé e obra. Uma vez que os filipenses já tinham recebido a salvação, a obediência a Cristo era demonstrada em ação na comunidade da igreja.
2. A salvação prejudicada por atitudes impróprias (2.14,15)
Essa conduta apontada por Paulo deve ser o fruto do querer e do efetuar do crente de modo positivo. Quaisquer atitudes negativas como “murmurações e contendas” (vv. 14,15) afetam e prejudicam o desenvolvimento da salvação. São dois pecados que agem como ácido que corrói a alma.
“murmurações ’ (v. 14). Na língua grega aparecem os termos gon-gysmos ougongystes, que dão a ideia daquele que rosna, ou seja, significa o ato de rosnar, como o cachorro que rosna. Na verdade, “murmurar” sempre esteve presente com pessoas invejosas e rebeldes (Jo 7.12; At 6.1; 1 Pe 4.9). A murmuração feita pelos israelitas que atravessaram o deserto, sob a liderança de Moisés, e passaram a reclamar e murmurar contra ele, dizendo que jamais deveriam ter saído do Egito (Nm 11.1- 6; 14.1-4; 20.2; 21.4,5) deixando Moisés muito constrangido. Moisés os chamou de “geração perversa e rebelde” (Dt 32.5,20). Os filipenses não eram rebeldes nem murmuradores, por isso, Paulo exorta-os a que fizessem “todas as coisas sem murmurações e contendas”.
“contendas” (v. 14). São aquelas briguinhas e disputas que criam desarmonia. Na língua grega do Novo Testamento, a palavra contendas é dialogismoi, que descreve as disputas e debates inúteis que têm como objetivo criar dúvidas e separações. É o mesmo que dissensões e litígios que muitos cristãos hoje em dia promovem, levando seus irmãos aos tribunais para resolver essas situações (1 Co 6.1-11).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 77-78.
Tendo declarado o grande princípio geral que toda a boa vontade e toda a realização da mesma vem de Deus, embora isso requeira a reação favorável apropriada por parte do homem, para que aquele processo seja válido, o apóstolo começa agora a entrar em particularidades. Paulo condena categoricamente as inclinações que havia na congregação cristã dos filipenses para o ciúme, o descontentamento e as facções. (Ver Fil. 1:15,17).
Paulo se preocupava ante o fato que, na vida de alguns, a graça divina não estava despertando a reação favorável apropriada, pois, a despeito de se jactarem de desenvolvimento espiritual, na realidade exibiam a sua carnalidade, procurando dominar a outros, exaltando-se a si mesmos, e colocando-se em posições ridículas, com o que ameaçavam a unidade e a harmonia no seio da igreja, visto que o amor cristão era por eles abafado.
«...fazei tudo...» Temos aqui uma declaração geral «...tudo...», em sentido «particular», «pessoal», na família, no lar, etc., como também em sentido «público», isto é, na comunidade cristã. A vida, em todos os seus aspectos diários, tem alguma relação com a salvação que estamos executando, obtendo, exteriorizando—e isso é algo que jamais deveríamos olvidar. Não há como separar a vida terrena, diária e prática, daquilo que se seguirá nos lugares celestiais.
«...murmurações...» No original encontramos a palavra «goggusmos», que quer dizer «queixume», «desprazer», «muchocho», «sussurros de descontentamento». A forma verbal dessa palavra significa «murmurar», «sussurrar», «queixar-se». Obviamente Paulo tinha em mente a atitude dos antigos israelitas, no deserto, quando por ali vaguearam por quarenta anos.
Dificilmente houve alguma coisa, feita por Moisés, que os satisfizesse. Queixavam-se constantemente «em segredo», contra ele. Mas, ao assim fazerem, na realidade queixavam-se de Deus, pois o Senhor é quem os tinha colocado onde se encontravam. Portanto, Paulo denuncia aqui o «espírito amargoso», o descontentamento secreto que sempre envenena as relações entre as pessoas. Essa atitude, no seio da igreja, causa descontentamentos e desajustes, e geralmente se manifesta mediante ataques ferinos contra os líderes espirituais, provocando levantes e rebeliões, bem como a exibição da carnalidade mais egoísta. (Ver os trechos de I Cor. 10:10; Jud. 16 e João 6:41, quanto a outros empregos dessa mesma palavra). Em última análise, as murmurações demonstram uma atitude azeda para com a vontade de Deus. Pertence isso ao « ...espírito de más inclinações, fraco e ainda rebelde...» (Braune, in loc.).
«...contendas...» No grego temos o vocábulo «dialogismos», em sentido positivo, que indica apenas «pensamentos», «opiniões», «raciocínios» (é de onde vem nosso vocábulo moderno «diálogo»). Mas aqui o temos em sentido negativo, de «dúvida», «disputa», «contenda». Alguns intérpretes preferem o sentido de «disputas», ao passo que outros acham melhor a ideia de «dúvidas». Alguns veem aqui uma «rebelião intelectual» contra Deus; porquanto as «murmurações» podem falar da rebeldia «moral». Indagações ditadas pelo ceticismo ou pelo espírito de crítica podem estar aqui em foco, ou então apenas várias facções «em luta», no seio da igreja, as quais «disputavam» umas com as outras, lutando por alcançar posições de poder e auto-exaltação. Essa palavra pode indicar uma e outra coisa; e ambas essas errôneas atitudes devem ser repreendidas e descontinuadas. É possível que, em Filipos, houvesse indivíduos influenciados por ideias de tipo gnóstico; bastaria isso para criar algumas dúvidas e o ceticismo, no tocante a diversas doutrinas cristãs. Além disso, havia os judaizantes, os quais procuravam elevar Moisés ao mesmo nível de Jesus Cristo, e que assim causavam facções e disputas em defesa de suas ideias. Isso pode ser confrontado com a passagem de Tito 3:9, onde se lê: «Evita discussões insensatas, genealogias, e contendas, e debates sobre a lei; porque não têm utilidade e são fúteis...» As disputas de toda a sorte com frequência se originam do sentimento de «vanglória», o qual é condenado no terceiro versículo deste capítulo, juntamente com as «contendas».
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 35.
14. A exortação contra murmurações e contendas (dialogismos foi usado em papiros para indicar litígios) reflete como um antecedente as murmurações dos israelitas em sua peregrinação pelo deserto. (Entretanto, colocar Paulo conscientemente comparando-se com Moisés quando ele pronunciou suas últimas injunções é mais imaginativo que provável.)
MOODY. Comentário Bíblico Moody. pag. 17.
14 Na sequência descreve-se melhor o que significa “desenvolvimento da salvação”. “Tudo fazei sem murmurações nem dúvidas.” Novamente precisamos levar em conta que esses vocativos(“vós”) não se dirigem aos vários indivíduos em si, cada um dos quais realizando sozinho o que foi demandado, mas à irmandade de uma igreja. Na irmandade a vontade de Deus pode e deve ser reconhecida tão atual e claramente que a obediência “sem dúvidas” possa acontecer com plena certeza. “Dúvidas” tolhem e paralisam. “Dúvidas” mostram que ainda continuo restrito a mim mesmo nas decisões que tomo e que não vivo sob a clara condução de meu Senhor vivo. Isso não precisa ser assim! Paulo não veio a Filipos de maneira insegura e hesitante, porém “certo de que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho” (At 16.10). Além das “dúvidas” pode surgir em nosso coração também uma objeção intencional contra a instrução de Deus. O caminho de Deus é difícil demais, Deus exige demais de nós. É essa a “murmuração” que pode se manifestar, mas que, profundamente oculta no coração, também degrada e paralisa nossa obediência. Visto que é o próprio Deus quem cria em nós o querer e o realizar, podemos agarrar e praticar esse querer e realizar concedidos por Deus, de forma que uma obediência sincera e plena “sem murmurações nem dúvidas” se desenvolva. Era dessa forma tão “perfeccionista” que Paulo pensava! Ou será que havia uma segunda intenção por trás destas frases dirigidas aos filipenses: é evidente que jamais chegaremos a tanto, e que continuaremos todos sendo míseros pecadores que nunca se livrarão da murmuração e das dúvidas? Descortina-se aqui uma ampla perspectiva bíblica que com certeza esteve diante de Paulo, que também escreveu 1Co 10.1-11. O povo de Israel foi salvo do “Egito” pela poderosa graça de Deus, a fim de passar a pertencer ao Deus vivo com confiança e obediência. Então, porém, a “murmuração” começou com avassaladora rapidez quando a caminhada com Deus se tornou tão diferente do que o desejo humano imaginava: Êx 16.2-9; 17.1-7; Nm 11.1; 14.27-32; 16.11; 17.5; Sl 106.24s. Consequentemente, na história do povo libertado que peregrinava pelo deserto a “murmuração” aparece como o verdadeiro oposto da “fé”, impedindo o cumprimento do plano de salvação divina, de modo que os milagrosamente resgatados não puderam de fato “entrar no descanso” na terra da promissão (Hb 3.7-19). Tudo depende da circunstância de que o povo de Deus da nova aliança não sucumba à mesma tentação, ainda mais que sua caminhada passa por “tribulações” ainda maiores (At 14.22). Por isso, quando Paulo escreve aos filipenses atribulados pelos adversários: “Tudo fazei sem murmuração nem dúvidas”, não se trata apenas de uma exortação isolada, feita à margem, mas de rejeitar por princípio a ameaça decisiva à obediência de fé. Por causa da murmuração constante Israel se tornou a “geração pervertida” da qual já falava Moisés. A igreja, porém, pode continuar sendo a multidão de filhos autênticos e obedientes diante dessa geração pervertida.
Werner de Boor. Comentário Esperança Cartas aos Filipenses. Editora Evangélica Esperança.
2. “Sejais irrepreensíveis e sinceros”.
"... irrepreensíveis e sinceros” (v. 15). A palavra “irrepreensível” deriva da palavra grega memptos, que significa “culpado, faltoso”. Porém, quando acrescentado o prefixo “a” ao termo memptos, temos a palavra “amemptos”, que significa “sem culpa, impecável, inculpável, sem precisar repreensão”. Ser irrepreensível significa ser alguém que não precisa passar pela repreensão. Sua conduta é correta e de pureza moral. Significa alguém que sabe controlar a força da carne, porque anda no Espírito (G1 5.16,17). A sinceridade é outra qualidade que corresponde a viver sem a mistura do mal e que é livre do dolo, do engano e da má fé.
"... sinceros” (v. 15). A sinceridade é outra qualidade que corresponde a viver sem a mistura do mal e que é livre do dolo, do engano e da má fé. Existe uma lenda romana para a palavra “sincero”. Os escultores, nos tempos do Império Romano, trabalhavam muito com esculturas de pedra. Porém, quando alguma obra de escultura sofria alguma falha na sua estética exterior, os escultores colocavam “cera” nas falhas. Lixavam a escultura e as falhas não apareciam. Geralmente, as obras expostas nas praças a céu aberto recebiam a força do sol e a cera era derretida, expondo as falhas da escultura. Então, diz a lenda, surgiu a palavra “sincero” que significava “sem cera”, ou seja, a obra tinha que ser perfeita, sem cera. No original grego, akeraios, significa “sem mistura, inocente, inofensivo, simples”. A ideia que Paulo quis passar é a de que o cristão verdadeiro deve ter um caráter puro, sem mistura. Jesus usou a palavra “símplice” quando disse aos seus discípulos: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16). O apóstolo Paulo escreveu aos romanos: “Quanto à vossa obediência, é ela conhecida de todos. Comprazo-me, pois, em vós; e quero que sejais sábios no bem, mas símplices no mal” (Rm 16.19).
“...filhos de Deus inculpáveis” ( v. 15). Por meio de Jesus Cristo, nos tornamos “filhos de Deus” por adoção com todos os direitos de filhos legítimos (G1 4.5). Fazemos parte da família de Deus e, por isso, nossa postura deve ser de filhos sem defeitos ou sem mácula. A ideia de filhos inculpáveis refere-se à origem do termo inculpável nos sacrifícios de animais sem defeito para a expiação dos pecados (Lv 22.21,22). O estado espiritual de “inculpável” tem a ver com o privilégio de ser filho de Deus, dando-lhe a garantia de sua salvação. Antes éramos culpados, mas fomos feitos “filhos de Deus” em Cristo. Ele, Jesus, foi o sacrifício perfeito pelos nossos pecados porque era totalmente sem pecado e sem culpa (1 Pe 1.18,19). Por isso, estamos guardados por Ele no meio de uma geração pervertida, vivendo uma vida sem mácula.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 78-79.
O termo «...irrepreensíveis...» é tradução do vocábulo grego «memptos», que significa «culpado», «faltoso». Mas o original usa o prefixo grego «a», que dá a ideia exatamente do oposto. Portanto, não devemos praticar qualquer vício e nem ter qualquer atitude que leve outros a se escandalizarem ou a «censurarem» as nossas ações. Paulo exige aqui uma elevada integridade moral.
«...sinceros...» No original grego temos «akeraiso», que literalmente significa «sem mistura», ou seja, «puro», «inocente», alguém cujos motivos são inatacáveis, acima de qualquer reprimenda, alguém que vive para agradar ao Senhor, que não visa auto exaltar-se, que serve a seus semelhantes por puro altruísmo, sem qualquer atitude egoísta ou perversa.
Essa palavra tenciona falar do «puro caráter intrínseco» de pessoas boas. (Ver os trechos de Mat. 10:16 e Rom. 16:19, onde se vê que os crentes devem ser «singelos», e não complexos, no tocante ao mal, sem «racionalizarem» a maldade, como se não houvesse ruindade nela, sem se desculparem por estarem praticando algo condenável). É possível que uma vez mais o apóstolo dos gentios estivesse pensando no antigo povo de Israel, cujo caráter Moisés lamentou em seu c ântico de despedida, dizendo:
«Procederam corruptamente contra ele, já não são seus filhos, e, sim, suas manchas: é geração perversa e deformada» (Deut. 32:5). Paulo queria que os libertos crentes filipenses vivessem muito acima do mau exemplo dos israelitas libertados do Egito.
Essas duas palavras, por conseguinte, irrepreensíveis e «sinceros», aludem à natureza «interna» e à natureza «externa». Internamente deveriam ser «puros», «singelos», «sem mistura»; e externamente deveriam ser «inculpáveis», não atraindo qualquer censura da parte de Deus ou dos homens. Paulo, pois, queria que os crentes filipenses fossem inculpáveis tanto no tocante à sua reputação como no concernente à realidade diária.
«...filhos de Deus...» Temos aqui o termo grego «tekna», e não «uioi». Com frequência essas duas palavras são empregadas como sinónimos; porém, quando se tenciona estabelecer alguma distinção, «teknon» subentende relação natural, isto é «filhos gerados», ao passo que «uios» indica a posição legal ou ética. (Ver as notas expositivas sobre «tekna», em João 1:12; e comentários sobre ambos esses termos em Rom. 8:14). A pureza interna e a reputação inatacável era a de filhos de Deus, que se mantinham nessa condição devido ao respeito que tinham por Deus Pai, devido à comunhão desfrutada com ele, porquanto Deus é a origem suprema de toda a santidade. É a santidade de Deus que estamos absorvendo gradualmente (ver Mat. 5:48 e Rom. 3:21).
«Aqueles que exibem uma autêntica disposição filial são descritos como ‘gerados’ ou ‘nascidos’ de Deus... (ver João 1:13; 3:3,7; I João 3:9; 4:7; 5:1,4,18). Também é verdade que, com frequência, Paulo reputou as relações cristãs de um ponto de vista puramente legal, como se fora uma adoção. Somente ele emprega o termo ‘uiosethia’ (ver Rom. 8:15,23; Gál. 4:5 e Efé. 1:5). Entretanto, em Rom. 8:14,17, temos tanto a palavra ‘uioi’ como a palavra ‘tekna’. Aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são ‘uioi’; e o Espírito Santo testifica com eles que são ‘tekna’ de Deus. Mas essas são questões éticas». (Vincent, in loc.). (Quanto a notas expositivas completas sobre a doutrina bíblica da «adoção», ver Rom. 8:15).
«...inculpáveis...» No grego temos o termo «amomos», «sem culpa», termo usado para indicar a ausência de qualquer defeito nos animais que deveriam ser sacrificados em holocausto, bem como para indicar a pessoa de Cristo como o Cordeiro que foi sacrificado (ver I Ped. 1:19). Portanto, o mais elevado grau de pureza nos é requerido. (Ver o trecho de Efé. 1:4, onde essa palavra também é comentada; e ver Efé. 5:27, onde ela ocorre novamente, aludindo à «pura noiva de Cristo», como uma «virgem pura e casta»). O trecho de II Cor. 11:2 também expressa a necessidade que os crentes têm de pureza. Essa expressão explica melhor ainda as duas expressões anteriores. Quanto à «reputação», os c rentes devem ser «inculpáveis»; e isso porque, no tocante à sua vida «real», são «sem defeito».
Devem ser crentes «sinceros», «sem mácula», «puros», e isso internamente, visto que realmente não tem defeito.
Variante Textual: Os melhores manuscritos dizem aqui «amomos», conforme se vê nos mss P(46), ABC e em alguns outros de menor importância. Mas a forma «amometa» aparece nos mss DFGKLP, bem como na maior parte da tradição posterior dos manuscritos em «koiné». Essa variação (que é um sinónimo) provavelmente se deve ao fato que aparece o termo «mometa», em Deut. 32:5, na Septuaginta, de onde essa citação foi extraída.
«...geração pervertida...» No grego original temos aqui a palavra «skolia», que significa «sem escrúpulos», «desonesto», «duro», «injusto», «distorcido», ou seja, moralmente perverso. Isso descreve «...um comportamento externo desonesto e pervertido; mas o segundo termo descreve o caráter intimo distorcido». (Braune' in loc.). (Quanto à primeira dessas palavras, ver igualmente os trechos de Atos 2:40; I Ped. 2:18; Sal. 78:8 e Pro. 2:15).
«...corrupta...» No grego temos o termo «diestrammenos», uma forma do verbo «diastreRho», que quer dizer «distorcer», «perverter», ou, em sentido moral, «depravar». Essa palavra denota uma condição moral «anormal»; e assim parecia o paganismo aos olhos de Paulo. Ele advertiu aos filipenses, portanto, que não se fizessem participantes com os pagãos, em seus pecados morais.
«...resplendeceis como luzeiros no mundo...» (Quanto a um total desenvolvimento das metáforas da «luz» e das «trevas», como símbolos representativos do «bem» e do «mal», ou daqueles que são «bons» ou «maus», ver as notas expositivas sobre Efé. 5:8'. Quanto às pessoas que vivem no pecado, as quais são «trevas» por si mesmas, ver a mesma referência). Os crentes foram feitos «...luzeiros...» no Senhor. (Quanto à ideia que aquilo que é iluminado transforma-se em «luz» por si mesmo, e não apenas um reflexo da luz, ver as notas expositivas sobre Efé. 5:13. No tocante a Cristo como «a luz do mundo», ver João 1:9). Devido à graça de Deus, os homens iluminados não somente se fazem lâmpadas que transportam luz; mas eles mesmos são luz, adquirindo a natureza mesma do divino Iluminador. E assim podem habitar nas regiões da luz, a saber, as regiões celestes.
«...luzeiros...» No grego temos o vocábulo «phoster», que significa «corpo luminoso», geralmente usado para indicar as estrelas, ou até mesmo o sol. Os crentes, por conseguinte, são mais que meras «lâmpadas» que levam a luz, mas que não são a própria luz. Por semelhante modo, não se assemelham à lua, que reflete a luz do sol mas não produz luz própria. Pelo contrário, os crentes são fontes luminosas, que compartilham da natureza da Luz. Os crentes precisam ser corpos luminosos, fontes de luz, em meio às trevas deste mundo.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 36.
15. Não murmurando, eles se tornariam (ginomai) irrepreensíveis (diante dos outros) e sinceros (akeraios, lit. autênticos – exibindo simplicidade de caráter). Inculpáveis, amômos, na LXX, foi quase que invariavelmente usado para os sacrifícios de animais. Uma geração pervertida e corrupta (uma adaptação de Dt. 32:5) é o resultado da distorção moral e intelectual. Neste mundo -de trevas os cristãos devem brilhar como astros (cons. Mt. 5:16).
MOODY. Comentário Bíblico Moody. pag. 17.
O propósito da exortação aos filipenses para que operem sua própria salvação é no sentido de que vos torneis irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus inculpáveis (15). Este deve ser o desígnio deles e o alvo da Providência divina. A vida dos filipenses na sociedade dos santos deve ser unificante, trazendo unidos cada indivíduo, família ou grupo, e não dispersiva, devido às ofensas. Como filhos de Deus estão eles destinados a ser astros do mundo (15; ARA «luzeiros»). A figura é de uma estrela resplandecendo em uma noite escura. Seu brilho atrativo fere a imaginação do apóstolo e ele os vê, num instante, irradiando as palavras da vida e dissipando as trevas espirituais, no meio de uma nação perversa («geração», cf. Dt 32.5).
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Filipenses. pag. 24-25.
3. ‘‘Retendo a palavra da vida”.
“... retendo a palavra da vida” (v. 16). O sentido de reter é o de preservar a palavra da vida. Qual é a Palavra da vida? Indiscutivelmente, é a Palavra de Deus. O autor da Carta aos Hebreus declarou isso de forma incisiva, dizendo: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12). A palavra “preservar” no grego é epechein, usada para oferecer vinho a um convidado ou hóspede em casa. Os filipenses são estimulados pelo apóstolo a oferecer o evangelho de vida abundante, vida eterna. A igreja não deve se esconder nem se isolar do mundo, mas deve mostrar a vida e a luz que existe em um mundo de trevas.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 79.
A palavra «...preservando...», no original grego é «epecho», que significa fixar a atenção, «segurar com firmeza». Fica subentendido que os crentes devem «aplicar» a palavra da vida, «fixando nela a sua atenção», e não primariamente «apresentando-a a outros», segundo algumas traduções dão a entender, ainda que no grego clássico o vocábulo tivesse exatamente esse significado, como quando alguém oferece vinho a outrem e estende o cálice para ele. Por essa razão é que diferentes intérpretes têm emprestado a este termo certa diversidade de sentidos, a saber:
1. Alguns pensam que essa palavra significa «segurar», como quando se oferece algo a outrem; e isso refletiria a função de um corpo luminoso que dá a luz de Deus aos homens. Assim pensam Ellicott, Alford, e outros.
2. Mas outros opinam em favor de «preservar» para nós mesmos, no sentido de sermos persistentes na aplicação da verdade às nossas próprias vidas. Assim diziam Lutero, Bengel e De Wette.
3. Ter em possessão, como fonte da piedade e da força, é a opinião que fazem deste vocábulo Meyer, Weiss, e outros.
4. Fixar a atenção, de modo a derivarmos benefício das suas qualidades purificadoras, que nos enlevam o espírito, e assim seja desenvolvido o caráter do crente, é o que o presente texto requer como sentido da palavra em foco. Esta última posição mui provavelmente reflete o significado verdadeiro do termo, embora as demais posições reflitam posições legítimas, verdadeiras e úteis.
«...palavra da vida ...» Trata-se daquela palavra que traz vida aos homens, a saber, o «evangelho», a mensagem divina da redenção que há em Cristo Jesus.
«...inculpáveis...» No grego temos o termo «amomos», «sem culpa», termo usado para indicar a ausência de qualquer defeito nos animais que deveriam ser sacrificados em holocausto, bem como para indicar a pessoa de Cristo como o Cordeiro que foi sacrificado (ver I Ped. 1:19). Portanto, o mais elevado grau de pureza nos é requerido. (Ver o trecho de Efé. 1:4, onde essa palavra também é comentada; e ver Efé. 5:27, onde ela ocorre novamente, aludindo à «pura noiva de Cristo», como uma «virgem pura e casta»). O trecho de II Cor. 11:2 também expressa a necessidade que os crentes têm de pureza. Essa expressão explica melhor ainda as duas expressões anteriores. Quanto à «reputação», os c rentes devem ser «inculpáveis»; e isso porque, no tocante à sua vida «real», são «sem defeito».
Devem ser crentes «sinceros», «sem mácula», «puros», e isso internamente, visto que realmente não tem defeito.
Variante Textual: Os melhores manuscritos dizem aqui «amomos», conforme se vê nos mss P(46), ABC e em alguns outros de menor importância. Mas a forma «amometa» aparece nos mss DFGKLP, bem como na maior parte da tradição posterior dos manuscritos em «koiné». Essa variação (que é um sinónimo) provavelmente se deve ao fato que aparece o termo «mometa», em Deut. 32:5, na Septuaginta, de onde essa citação foi extraída.
«...geração pervertida...» No grego original temos aqui a palavra «skolia», que significa «sem escrúpulos», «desonesto», «duro», «injusto», «distorcido», ou seja, moralmente perverso. Isso descreve «...um comportamento externo desonesto e pervertido; mas o segundo termo descreve o caráter intimo distorcido». (Braune' in loc.). (Quanto à primeira dessas palavras, ver igualmente os trechos de Atos 2:40; I Ped. 2:18; Sal. 78:8 e Pro. 2:15).
«...corrupta...» No grego temos o termo «diestrammenos», uma forma do verbo «diastreRho», que quer dizer «distorcer», «perverter», ou, em sentido moral, «depravar». Essa palavra denota uma condição moral «anormal»; e assim parecia o paganismo aos olhos de Paulo. Ele advertiu aos filipenses, portanto, que não se fizessem participantes com os pagãos, em seus pecados morais.
«...resplendeceis como luzeiros no mundo ...» (Quanto a um total desenvolvimento das metáforas da «luz» e das «trevas», como símbolos representativos do «bem» e do «mal», ou daqueles que são «bons» ou «maus», ver as notas expositivas sobre Efé. 5:8'. Quanto às pessoas que vivem no pecado, as quais são «trevas» por si mesmas, ver a mesma referência). Os crentes foram feitos «...luzeiros...» no Senhor. (Quanto à ideia que aquilo que é iluminado transforma-se em «luz» por si mesmo, e não apenas um reflexo da luz, ver as notas expositivas sobre Efé. 5:13. No tocante a Cristo como «a luz do mundo», ver João 1:9). Devido à graça de Deus, os homens iluminados não somente se fazem lâmpadas que transportam luz; mas eles mesmos são luz, adquirindo a natureza mesma do divino Iluminador. E assim podem habitar nas regiões da luz, a saber, as regiões celestes. «...luzeiros...» No grego temos o vocábulo «phoster», que significa «corpo luminoso», geralmente usado para indicar as estrelas, ou até mesmo o sol.
Os crentes, por conseguinte, são mais que meras «lâmpadas» que levam a luz, mas que não são a própria luz. Por semelhante modo, não se assemelham à lua, que reflete a luz do sol mas não produz luz própria. Pelo contrário, os crentes são fontes luminosas, que compartilham da natureza da Luz. Os crentes precisam ser corpos luminosos, fontes de luz, em meio às trevas deste mundo.
A Palavra Da Vida
1. A alusão não é às Escrituras do A.T., e, menos ainda ao Novo Testamento, que ainda não recebera a forma de coletânea, pois muitos de seus livros ainda não haviam sido registrados, quando Paulo escreveu essas palavras.
2. Quase todas as expressões do N.T. que incluem o vocábulo «palavra», são de cunho evangélico. Isto é, referem-se ao «evangelho», de diferentes maneiras. (Veja-se isso amplamente ilustrado em Efé. 6:17, sob o título «A Palavra de Deus»). Aqui, pois, Paulo se refere à mensagem de salvação que ele pregava.
3. Este versículo pode ser comparado ao trecho de João 6:68, que se refere a «palavras de vida eterna».
4. Aqui podemos notar como a palavra do evangelho, que traz «vida», é vinculada à metáfora da «luz» (do versículo anterior). Assim também, em João 1:4, temos a «vida» espiritual, que se deriva da vida física, através do processo da «iluminação» do Espírito.
5. Aprendemos que as palavras de Cristo e o evangelho, produzem vida através da iluminação.
6. Biologicamente, nada pode existir sem luz. Esse é um fato científico. Espiritualmente, nenhuma vida poderia existir sem a iluminadora palavra da vida. Esse é um fato espiritual.
7. Por essas mesmas razões é que Jesus é, pessoalmente, intitulado «vida» (ver João 14:6) e «luz» (ver João 1:9).
8. A «vida» aqui referida é, naturalmente, a vida eterna. (Ver esse tema comentado em João 3:15). A vida eterna é a «salvação» (o que é anotado em Heb. 2:3).
9. Se é o evangelho que traz vida aos homens, quão importante é a sua propagação! (Ver Rom. 10:14).
«...n o dia de Cristo ...» Está em pauta, neste ponto, a «parousia», o segundo advento de Cristo, e que os cristãos primitivos esperavam que ocorresse ainda durante a sua vida terrena (ver I Cor. 15:51), e que o N.T., por toda a parte, retrata como aquilo que assinalará o dia do juízo (ver II Cor. 5:10). (Quanto a notas expositivas completas sobre o «arrebatamento», notas essas que entram nos problemas dos elementos anteriores e posteriores à «tribulação», ver I Tes. 4:15. Quanto ao «segundo advento de Cristo», ver Apo. 19:11). Fil. 1:10 é passagem onde já foi usada a expressão «dia de Cristo», dentro desta epístola, e as notas expositivas a respeito devem ser consultadas pelo leitor. Isso pode ser comparado com a expressão «dia da redenção», utilizada em Efé. 4:30. (Quanto a um paralelo deste presente versículo, que mostra a preocupação do apóstolo dos gentios para que seus convertidos lhe possem uma glória, e ele mesmo lhes fosse uma glória, naquele dia, ver I Cor. 1:14, onde esse dia é denominado de «dia do Senhor Jesus»). A expressão mais comum é «dia do Senhor», em Apo. 1:10).
Essa expressão, «dia do Senhor», é extremamente frequente nas páginas do A.T. (Ver Soí. 1:7,14,18 e Mal. 4:3).
«Dia do Senhor» é expressão que indica qualquer período específico de tempo durante o qual Cristo opera algo de especial; porém, mais frequentemente ainda, o «dia do juízo» está em foco quando essa expressão é usada. E quando ela se modifica para a forma «dia de Cristo», refere-se ao segundo advento de Cristo, incluindo tudo quanto está envolvido nesse acontecimento futuro, inclusive o julgamento dos crentes e dos incrédulos.
«...eu me glorie de que não corri em vão.. . » Paulo aplica aqui uma metáfora baseada na linguagem do atletismo, e em que a vida cristã é comparada com uma «carreira». Assim, pois, Paulo desejava terminar sua carreira com sucesso e triunfo; e esse triunfo seria assinalado pelo que ele fosse capaz de fazer em prol de seus semelhantes, a fim de que a imagem de Cristo fosse formada neles. Dessa maneira, portanto, Paulo poderia ufanar-se legitimamente da vida dos crentes filipenses, bem como em suas próprias realizações apostólicas, se porventura o «dia de Cristo» demonstrasse que ele fora bem-sucedido em sua missão. Por essa razão é que o apóstolo os exortou a levarem vidas que tornassem esse alvo possível, quando fossem examinados ante o tribunal de Cristo.
«O sucesso deles (dos crentes filipenses) no desenvolvimento de sua salvação e na proclamação do evangelho a outros, seria causa da ufania de Paulo. Isso pode ser comparado com I Cor. 1:14 e I Tes. 2:19». (Vincent, in loc.).
«‘Correr’, a primeira expressão, que nos faz lembrar das competições próprias dos ‘estádios’ antigos, das corridas, denota o zelo e o largo alcance das atividades de Paulo (que não se confinavam à uma só localidade); e a segunda expressão «derivada de ‘kopos’, ‘labuta’), indica o labor e o esforço que o seu ministério envolve». (Braune, in loc.).
«...em vão...» (Ver Gál. 2:2, onde Paulo fala sobre «correr em vão», e onde este advérbio, no grego, é «kenos», que significa «vazio», «sem propósito», «sem resultado»), Paulo não queria que o pesado labor de seu ministério não contribuísse para o avanço, para o bem, mas antes, que fosse infrutífero.
«...com...» No original grego esse verbo é posto no aoristo, porque é proferido do ponto de vista do «dia de Cristo», como se Paulo estivesse rememorando todos os esforços de sua vida, reduzidos a um único instante.
Este versículo não indica que Paulo esperava viver até àquele dia, em contraste com o versículo seguinte, onde ele expõe tal possibilidade, e embora seja verdade que Paulo, até ao fim mesmo de sua vida terrena, tivesse esperado poder viver até ver o retorno de Cristo. (Ver as notas expositivas sobre I Cor. 15:51 a esse respeito).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 36-37.
16. Se Paulo está continuando a mesma metáfora, epikontes, etc. será traduzido para ofereçam (como uma tocha que se segura com a mão estendida) a palavra (que produz) vida; mas se a cláusula final do versículo 15 é parentética (Lightfoot) e o apóstolo está contrastando os cristãos com a geração perversa, será traduzido para apeguem-se (retende). Corri reflete a atividade do estádio. Esforcei. Deissmann vê aqui a frustração de se ter tecido um pedaço de pano só para vê-lo rejeitado (LAE, pág. 317). Talvez Herklotz esteja certo em se referir a Paulo como "o mestre das metáforas confusas" (H. G. G. Herklotz, Epistle of St. Paul to the Philippians, pág. 74).
MOODY. Comentário Bíblico Moody. Filipenses. pag.17.
III - A SALVAÇÃO OPERA O CONTENTAMENTO E A ALEGRIA (2.17,18)
1. O contentamento da salvação operada.
“... ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício” (v. 17). Paulo deu exemplo de abnegação (2.17,18), e essa escritura indica que ele buscou no Antigo Testamento a figura dos sacrifícios, ao usar palavras como “libação”. Ele quis fortalecer a ideia de que valia a pena oferecer sua vida como libação pelos filipenses mediante o “sacrifício e serviço da fé” deles. “Libação” era uma oferta de óleo (azeite puro), ou perfume ou vinho, que era derramado em redor do altar de sacrifício do animal morto para aquele rito. Nesse sentido, ele tinha o gozo do sacrifício em sua alma, porque entendia que valia a pena sofrer pelos cristãos filipenses.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 79-80.
O «dia de Cristo», no conceito de Paulo, não se demoraria; mas, no momento, estando ele encarcerado e estando a sua vida ameaçada, percebia ele que talvez não pudesse chegar em vida àquela data. No entanto, isso em nada alterava a sua ordem; porque ele iria alegremente ao extremo do martírio, se porventura isso contribuísse para os crentes avançarem na fé.
Até mesmo por causa desse fato—e não apenas por causa do dia triunfal da parousia. Paulo se enchia de júbilo, regozijando-se com eles, devido àquilo que fora feito neles e em favor deles. E assim o simbolismo da carreira é eixado de lado, pois Paulo é arrancado rude e repentinamente da competição, transformando-se em um sacrifício oferecido a Cristo. Naturalmente, até mesmo em face dessa adversidade, ele triunfava em sua carreira, embora não tenha declarado isso especificamente, e embora isso não seja naturalmente dado a entender na metáfora por ele utilizada.
«...oferecido por libação sobre o sacrifício...» Temos aqui alusão ao holocausto em que as vítimas eram oferecidas sobre o altar, após terem sido mortas. Entre as várias cerimonias efetuadas na ocasião, havia a «...libação...», isto é, uma bebida era vertida sobre o altar; e essa bebida era o sangue da própria vítima, numa espécie de gesto final de consagração do sacrifício. Paulo não negava o sangue de sua própria vida (não pretendia evitar o martírio), contanto que isso fizesse a fé dos crentes filipenses avançar. E nisso se pode ver, como é óbvio, a extraordinária dedicação do apóstolo dos gentios, tal como, em Rom. 12:1, cada um de nós é convocado para ser um «sacrifício vivo».
Alguns compreendem esta metáfora como se Paulo fosse o sacerdote, como se a fé dos crentes filipenses fosse o sacrifício, e como se as atividades apostólicas de Paulo fossem a oferta do sacrifício. E sobre tudo isso o sacerdote derramaria o seu próprio sangue, como se fosse um ato final de consagração. E isso realmente não complica desnecessariamente a metáfora; pois, apesar do próprio Paulo ser o sacrifício, e apesar do ato final de consagração ser o derramamento do seu próprio sangue, quando fosse martirizado, contudo, há uma dupla referência aqui, um duplo sacrifício em foco. Nesse caso, as autoridades civis romanas é que ofereceriam o sacrifício—a vida de Paulo. Mas a metáfora não deve ser levada ao extremo de obrigar-nos a identificar o «sacerdote». O próprio «sacrifício» é que deve prender nossa atenção, para que o mesmo fique completo. Todavia, alguns eruditos pensam que os crentes filipenses seriam o «sacerdote», que ofereceria a sua fé a Deus, em meio a uma sociedade ímpia, que já havia perseguido ao apóstolo dos gentios e até der Tamara seu sangue. Na realidade, porém, Paulo é quem oferecia a sua fé em sacrifício a Deus, e não os crentes filipenses.
A expressão «...da vossa fé ...» parece indicar que a fé dos crentes filipenses é que deveria ser reputada como o «sacrifício» (genitivo objetivo).
E, se assim realmente é o caso, então o apóstolo Paulo é aqui pintado como o sacerdote que oferece a Deus a fé dos crentes filipenses, em sacrifício, e em seguida, como oferta adicional, derrama seu próprio sangue em libação.
(Ver o trecho de Rom. 15:16, onde Paulo retrata a si mesmo como sacerdote que oferece os gentios como holocausto aceitável e santificado a Deus.
Aquela passagem é paralelo exato desta, exceto que aqui o apóstolo é visto a oferecer-se a si mesmo, como sacrifício adicional). (Ver os trechos de Êxo. 29:40 e Núm. 28:7, que falam sobre as «libações», e de onde Paulo tomou por empréstimo a metáfora aqui empregada).
«...alegro-me...» Ainda que ocorrência tão drástica como o seu martírio tivesse lugar, ainda assim Paulo se regozijaria, porquanto tudo contribuiria para o bem-estar espiritual dos crentes, como algo agradável a Deus. A «alegria» é uma das notas chaves da presente epístola; e aqui vemos que essa «alegria» continua até mesmo em face do sofrimento físico e da morte, contanto que tal circunstância redunde em bem. (Ver as notas expositivas, em Fil. 1:4, onde são dadas as várias referências à «alegria», nesta epístola.
Ver igualmente os trechos de João 15:11 e 17:3, sobre a «alegria», onde há poemas ilustrativos; e ver também o trecho de Gál. 5:22; onde a «alegria» figura como um dos aspectos do «fruto do Espírito»),
«...com todos vós me congratulo...» No grego temos aqui o vocábulo «sugkairo», «regozijo-me juntamente com». Sim, Paulo se regozijava consigo mesmo, e, ato contínuo, se regozijava em companhia dos crentes filipenses.
Uma alegria mútua é assim descrita, porquanto a fé daqueles crentes servia de sacrifício sagrado, agradável a Deus, como também o seu próprio martírio seria agradável ao Senhor. Essa palavra também significa «congratular», no sentido que o apóstolo queria «louvá-los» devido à vida cristã que levavam, devido à frutificação espiritual deles, tudo o que lhe servia de motivo de ufania. Alguns intérpretes realmente pensam que assim se deve compreender o trecho. Na realidade, não há como determinar o sentido exato da passagem. Mas, seja como for, ambas essas possibilidades concordam com a verdade. A repetição da ideia, no versículo seguinte, não significa que um regozijo mútuo não seja focalizado aqui, mas tão-somente que essa mesma ideia é reiterada em outras palavras.
«...fé...» Isso indica que os crentes filipenses haviam «entregue a própria alma» aos cuidados de Cristo. Também ficam indicados os resultados práticos disso, na forma de seu desenvolvimento na espiritualidade, no desenvolvimento de sua salvação, que os levava de fé em fé (ver o décimo segundo versículo deste mesmo capítulo). (Quanto a notas expositivas completas sobre a «fé», ver Heb. 11:1).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 37.
17. Uma metáfora elaborada sobre o ritual sacrificial. A fé dos filipenses (e tudo o que envolve em termos de vida e atividade) era seu sacrifício e serviço. A energia vital de Paulo seria uma libação derramada sobre suas ofertas. Se era isto o que o futuro reservava, então até nisso Paulo se regozijava. Ele se regozijava com todos (sigkairô) porque um sacrifício duplo proporcionava a oportunidade para futura comunhão.
MOODY. Comentário Bíblico Moody. Filipenses. pag.17.
O apóstolo Paulo usa três exemplos de altruísmo. Ele começa consigo. Quando trata de si mesmo, usa apenas um versículo (Fp 2.17), mas quando fala de Timóteo e Epafrodito usa seis versículos para cada um. Destacamos três verdades a seu respeito:
Em primeiro lugar, Paulo era um homem pronto a morrer pela causa do evangelho (2.17). O apóstolo Paulo estava preso em Roma, sob algemas, com esperança de ser absolvido em seu julgamento por meio das orações da igreja (Fp 1.19; Fm 22). Paulo era um homem que nutria a sua alma de esperança (Fp 2.24). Ele se considerava prisioneiro de Cristo, e não de César. Não eram os homens maus que estavam no controle da sua vida, mas a providência divina.
Ele não estava travando uma luta pessoal, mas estava pronto a morrer pelo evangelho.
Em segundo lugar, Paulo era um homem pronto a dar sua vida como libação a favor de outros (2.17). O apóstolo Paulo usa a figura da libação, um rito comum tanto no paganismo quanto na religião judaica (Nm 15.1-10), para expressar sua disposição de dar sua vida pelo evangelho e pela igreja (2Tm 4.6).
William Barclay diz que uma libação no paganismo consistia em derramar um cálice de vinho como oferenda aos deuses. Cada comida pagã começava e terminava com a dita libação como uma espécie de ação de graças. No judaísmo, a libação era o derramamento de vinho ou azeite sobre a oferta do holocausto (Nm 15.5,7,10). A vida e o trabalho dos cristãos poderiam ser descritos como um sacrifício (Rm 12.1). A oferta dos filipenses a Paulo foi considerada como oferta agradável a Deus (Fp 4.18).
Paulo olhava para a vida em uma perspectiva espiritual.
Ele não pensava numa libação dos cultos pagãos, mas na entrega fervorosa de sua vida a Deus. Ele via a prática cristã dos crentes de Filipos como um sacrifício para Deus e via sua morte a favor do evangelho como uma oferta de libação sobre o sacrifício daqueles irmãos.
Nessa mesma trilha de pensamento, H. C. G. Moule diz que Paulo via os crentes de Filipos como um altar de sacrifício, onde a vida e o serviço deles eram como uma oferta a Deus; e sobre esse altar de sacrifício, ele via o seu sangue que seria em breve derramado como uma oferta de libação.
Ralph Martin diz que “sacrifício” e “serviço” é combinação de duas palavras, uma das quais é leitougia. Os dois termos formam uma única ideia  Leitourgia é uma palavra de culto, associada a thysia (sacrifício), e juntas referem-se a um culto sacrificial, realizado pela fé dos filipenses, ao sustentar ativamente o apóstolo, mesmo sendo pobres (2Co 8.2).
As dádivas deles eram como oferta fragrante a Deus (Fp 4.18).
Em terceiro lugar, Paulo era um homem pronto a dar a vida por outros não por constrangimento, mas com grande alegria (2.17,18). O apóstolo Paulo demonstra uma alegria imensa mesmo estando na ante-sala da morte e no corredor do martírio. Suas palavras não são de revolta nem de lamento. Ele foi perseguido, apedrejado, preso e açoitado com varas. Ele enfrentou frio, fome e passou privações. Ele enfrentou inimigos de fora e perseguidores de dentro. Ele, agora, está em Roma, sendo acusado pelos judeus diante de César, aguardando uma sentença que pode levá-lo à morta mas, a despeito dessa situação, sua alma está em festa, e seu coração está exultante de alegria.
Paulo está usando a figura da libação para mostrai que a morte dele completaria o sacrifício dos filipenses.
O martírio coroaria sua vida e seu apostolado. Contudo, Paulo deseja que esse sacrifício seja colocado como crédito aos filipenses, e não a seu próprio favor. Sendo assim, não haveria motivo para lágrimas.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 166-168.
2. A alegria do povo de Deus.
Os crentes filipenses poderiam reputar o martírio de Paulo como uma grande derrota, como uma tragédia, algo que não se harmonizasse com a alegria que os crentes desfrutam em Cristo. Não era assim, garante Paulo neste ponto, pois o martírio de um homem de Deus pode redundar em grande glória para Deus, uma espécie de sacrifício ao Senhor oferecido. Portanto, deveriam os crentes filipenses regozijar-se ante tal possibilidade. Todas as adversidades que atingem ao crente são bênçãos disfarçadas, e não maldições. Assim, pois, do mesmo modo que Paulo estava resolvido a regozijar-se ante tudo, assim também queria que os crentes compartilhassem verdadeiramente daquela bênção mútua da alegria. Por isso, reiterou a ideia, a fim de destacá-la. Paulo se regozijava com os crentes em face do «sacrifício da fé» deles; e agora conclama os crentes a se regozijarem ante o sacrifício do seu próprio martírio. Essa parece ser a leve diferença entre este e o versículo anterior.
«...pela mesma razão...» Em outras palavras «...pelo progresso de vosso desenvolvimento espiritual, que vos leva à salvação plena e perfeita». Por todos os meios que esse avanço fosse efetuado, a situação continuaria sendo tal que podia motivar um júbilo mútuo.
«...alegrai-vos e congratulai-vos comigo...» Essa «congratulação», tal como no versículo anterior, também pode significar «regozijai-vos comigo».
(Ver as notas expositivas sobre o versículo anterior). Parece algo fora de lugar, bem como contrário à gramática grega, pensar que os filipenses é que deveriam congratular a si mesmos; assim também se dá aqui, ainda que talvez não no versículo anterior, parece preferível entendermos esta frase como «regozijai-vos comigo». É verdade que alguns estudiosos têm até pensado, em «congratulai-me», o que expressa a ideia que os crentes filipenses deveriam louvar a Paulo devido às suas grandes realizações espirituais em Cristo, a ponto de estar ele prestes a obter a coroa do martírio. Isso exibiria a estrutura gramatical em que o dativo seria o objeto do verbo («moi», no presente caso), o que é possível. Isso é muito melhor do que pensar que os crentes filipenses deveriam congratular-se a si mesmos, o que exigiria que ficasse «subentendido» o objeto do verbo, «vós», o que não é muito provável.
Portanto, Paulo tencionava livrar os crentes filipenses da tristeza e do desespero naturais que naturalmente sentiriam, em face da morte súbita e violenta do apóstolo dos gentios, a fim de que pudessem rejubilar-se em Cristo, o qual nos concede a vitória até mesmo sobre a morte. Em outras palavras, Paulo ofereceu às almas dos crentes filipenses uma «âncora» em que se firmasse o batel da vida deles. (O presente versículo pode ser comparado com o notável incidente histórico no qual se vê os romanos formarem um coro, entoando um cântico de sacrifício, ao mesmo tempo que formavam um círculo em torno de In ácio, que estava sendo martirizado. (Ver Inácio, Rom. 22; Trall. i.).
Existe uma certa alegria que ninguém nos pode tirar (ver João 16:22). O apóstolo já tinha ensinado que a morte seria lucro para ele, como algo preferível, porquanto assim teria admissão à presença de Cristo, seu Senhor (ver Fil. 1:21-23). Conquistara coroa do martírio não era realização pequena, porquanto, para Paulo representava um ato de dedicação suprem a. E podemos estar absolutamente certos de que Deus nota e recompensa tal dedicação, a despeito de como ela se manifeste. Deveríamos viver «a vida de mártires», e não meramente exaltar a morte dos mártires. E essa vida é um sacrifício vivo (ver Rom. 12:1), o que certamente será galardoado pelo Senhor.
Uma Aranha Silenciosa e Paciente
Uma aranha silenciosa e paciente,
Observei, onde estava isolada, em uma pequena elevação,
Resolvida a explorar as cercanias vazias.
Foi lançando após si, filamentos, filamentos, filamentos,
Sem desenrolá-los, tecendo-os incansavelmente.,
E tu, ó minha alma, onde estás,
Cercada, isolada, em oceanos incomensuráveis de espaço,
A cismar incessantemente, a aventurar-se, a projetar-se, buscando esferas que liguem tudo,
A fé que se forme a ponte de que precisas, até que segures a ancora dúctil,
A fé que a teia que teces se agarre em algo, ó minha alma.
(Walt Whitman, 1819 - 1892).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 37-38.
Essa perspectiva levou Paulo a dizer: “... alegro-me e, com todos vós, me congratulo. Assim, vós também, pela mesma razão, alegrai-vos e congratulai-vos comigo” (Fp 2.17,18). Nessa mesma linha de pensamento, William Hendriksen escreve:
O derramamento do sangue de Paulo é motivo de alegria para ele, sempre que seja considerado como uma libação que coroará a oferenda sacrificial apresentada pelos filipenses.
Paulo está dizendo à igreja que, sendo ele absolvido (Fp 1.25) ou morrendo (Fp 2.17), ela deveria alegrar-se. Plutarco usa essa mesma expressão utilizada por Paulo para falar do mensageiro da batalha de Maratona que, depois de uma longa corrida chegou a Atenas e deu a notícia da vitória do seu povo na batalha: “Alegrai-vos e congratulai-vos comigo”. E caiu morto.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 168.
Paulo não só é um modelo para o serviço, abnegado sacrifício, mas também pela alegria que produz serviço. Como ele escreveu aos Coríntios:
"Estou cheio de consolação, eu estou transbordando de alegria em todas as nossas tribulações" (... 2 Coríntios 7:4; cf Ef 3:13) e aos Colossenses: "Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e na minha carne, eu faço a minha parte em nome de Seu corpo, que é a igreja, ao preencher o que falta aos sofrimentos de Cristo "(Colossenses 1:24). Ele assegurou aos tessalonicenses que "por esta razão, irmãos, em toda a nossa necessidade e tribulação ficamos consolados com você através de sua fé, porque agora nós realmente vivemos, se estais firmes no Senhor. Para que ação de graças podemos render a Deus por você em troca de toda a alegria com que nos regozijamos diante do nosso Deus em sua conta "(1 Ts. 3:7-9). Da mesma forma, James advertiu:
"Considere que toda a alegria, meus irmãos, quando passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé produz perseverança. E a perseverança deve ter a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma "(Tiago 1:2-4). Da mesma forma, Pedro aconselhou os seus leitores, "Na medida em que você compartilhar dos sofrimentos de Cristo, manter a alegria, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis com alegria" (1 Pedro 4:13). Assim foi com integridade e sinceridade que Paulo podia dizer, eu me alegro e compartilhar minha alegria com todos vocês. Sunchairō (partes alegria ...) é um composto (e, portanto, intensificada) forma do verbo anterior (chairo, alegrai-vos) e descreve uma reciprocidade profunda de propósito e de sentimento. Foi usado por Lucas para descrever os vizinhos e parentes de Elizabeth, que "estavam se alegrando com a sua" sobre o nascimento de João Batista (Lucas 1:58). Foi usado por Jesus sobre o homem que alegrou em encontrar sua ovelha perdida (Lc 15:6) e da mulher que, da mesma forma, alegrou em encontrar sua moeda perdida (15:9, cf 1 Cor 12..: 26; 13:6). Como Paulo e os filipenses haviam sacrificado e servido juntos, eles foram capazes de se alegrar juntos. Usando a mesma palavra (sunchairō) que ele havia usado apenas de si mesmo, agora ele os adverte, Você também, exorto-vos, alegrai-vos da mesma maneira e compartilhar de sua alegria comigo.
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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