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9° LIÇÃO 3 TRI 20113 CONFRONTANDO OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO


CONFRONTANDO OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO
Data: 01/09/2013                            HINOS SUGERIDOS 139, 141, 186.
TEXTO ÁUREO
Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3.18).
VERDADE PRATICA
A cruz de Cristo é o ponto central da fé cristã: sem ela não pode haver cristianismo.
LEITURA DIÁRIA
Segunda       - Jo 12.32,33.                      A “atração" da cruz.
Terça             - Mt 27.32--28.10.               À cruz segue-se a glória.
Quarta           - At 8.18-23.                         Identificando o falso mestre.
Quinta            - Cl 2.4-8.                             A vigilância quanto aos falsos mestres.
Sexta             - G1 6.14.                             A glória do crente.
Sábado          - Fp 3.20.                             A nossa pátria é o céu.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 3.17-21
17 - Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam.
18 - Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.
19 - O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos, que só pensam nas coisas terrenas.
20 - Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
21 - que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.
17 Brethren, join in imitating me, and mark those who so live as you have an example in us.
18 For many, of whom I have often told you and now tell you even with tears, live as enemies of the cross of Christ.
19 Their end is destruction, their god is the belly, and they glory in their shame, with minds set on earthly things.
20 But our commonwealth is in heaven, and from it we await a Savior, the Lord Jesus Christ,
21 who will change our lowly body to be like his glorious body, by the power which enables him even to subject all things to himself.
INTERAÇÃO
No capítulo três da Carta aos Filipenses, Paulo faz uma severa advertência contra os judaizantes, denominados pelo apóstolo de "inimigos da cruz de Cristo". Estes apregoavam o legalismo, a lei e os códigos de conduta, porém não conheciam a cruz de Cristo. Todavia, Paulo chama a atenção não somente a respeito dos judaizantes, mas também quanto os irmãos que não viviam de acordo com o modelo de serviço e sacrifício de Cristo. Paulo pede aos filipenses que lutem contra estes inimigos a fim de que não venham sucumbir na fé. Esta advertência de Paulo deve ser levada a sério pela igreja na atualidade, pois atualmente também muitos são os inimigos da cruz de Cristo.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se a respeito da necessidade de se manter firme em Cristo.
Saber quais são os inimigos da cruz de Cristo.
Aprender a respeito do futuro glorioso daqueles que amam a cruz de Cristo.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, para a apresentação do tópico II da lição sugerimos que o quadro da página seguinte seja reproduzido de acordo com as suas possibilidades. Divida a turma em grupos e distribua cópias e canetas. Em seguida faça as seguintes indagações: “Quem são os inimigos da cruz de Cristo?" “Como combater estes inimigos?" Ouça a todos com atenção e em seguida peça que em grupo preencham o quadro. Reúna novamente os grupos. Solicite que mostrem o quadro completo e discuta com os alunos as respostas. Conclua enfatizando que para identificarmos e combatermos os inimigos da cruz de Cristo precisamos conhecer a Palavra de Deus e perseverar na doutrina dos apóstolos.
PALAVRAS-CHAVE
Inimigos: Na lição são os judaizantes e aqueles que não tinham comunhão com a cruz de Cristo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Das advertências de Paulo à igreja em Filipos, a exortação para que permanecessem firmes na fé e mantivessem a alegria que a nova vida em Cristo proporciona, é uma das mais importantes. O apóstolo assim os estimula, por estar ciente dos falsos cristãos que haviam se infiltrado no seio da igreja. Tais eram, de fato, inimigos da cruz de Cristo.
I - EXORTAÇÃO À FIRMEZA EM CRISTO (3.17)
1. Imitando o exemplo de Paulo (v.17a). Quando Paulo pediu aos filipenses para que o imitassem, não estava sendo presunçoso. Precisamos compreender a atitude do apóstolo não como falta de modéstia, ou falsa humildade, mas imbuída de uma coragem espiritual e morai de colocar-se, em Cristo, como referência de vida e fé para aquela igreja (1 Co 4.16,17; 11.1; Ef 5.1). Paulo mostrou que a verdadeira humildade acata serenamente a responsabilidade de vivermos uma vida digna de ser imitada.
Que saibamos refletir sobre isso num tempo em que estamos carentes de referências ministeriais.
2. O exemplo outros obreiros fiéis (v.l7b). O texto da ARA tem uma tradução melhor dessa passagem: “observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós”. Paulo estava reconhecendo o valor da influência testemunhal n de outros cristãos, entre os quais Timóteo e Epafrodito, que eram referências para as suas comunidades. O apóstolo chama a atenção dos cristãos filipenses para . observarem os fiéis e aprenderem ! uns com os outros objetivando a não se desviarem da fé.
3. Tendo outro estilo de vida. Muitas vezes somos forçados a acreditar que somente os obreiros devem ter um estilo de vida separado exclusivamente a Deus. Essa dualidade entre “clero’' e “leigos” remonta à velha prática eclesiástica estabelecida pela Igreja Romana, na Idade Média, onde uma elite (o clero) governa a igreja e esta (os leigos) se torna refém daquela. É urgente resgatar o ideal da Reforma Protestante, ou seja, a “doutrina do sacerdócio de todos os crentes’’, ou “Sacerdócio Universal”, reivindicada em 1 Pedro 2.9. Todos nós, obreiros ou não, temos o livre acesso ao trono da Graça de Deus por Cristo Jesus. Não tentemos costurar o véu que Deus rasgou!
SINOPSE DO TÓPICO (1)
Todo crente, obreiros ou não, tem livre acesso ao trono da Graça de Deus por Cristo Jesus.
II - OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO (3.18,19)
1. Os inimigos da cruz (v.18). Depois de identificar os inimigos da cruz de Cristo, Paulo mostra que o ministério pastoral é regado com muitas lágrimas. A maior luta do apóstolo era com as heresias dos falsos cristãos judeus. Paulo chama os judaizantes de “inimigos da cruz de Cristo”. O apóstolo conclamou a igreja a resistir tais inimigos, mesmo que com lágrimas, pois eles tinham como objetivo principal minar a sua autoridade pastoral. O apóstolo já havia enfrentado inimigos semelhantes em Corinto (1 Co 6.12). Agora, em Filipos, havia outro grupo que adotava a doutrina gnóstica. Este grupo de falsos crentes (3.18,19) afirmava erroneamente que a matéria é ruim. Logo, não há nenhum problema em pecar através da “carne”, pois toda e qualquer coisa que fizermos com o corpo, e através dele, não afetará a nossa alma. Essa ideia herética e diabólica é energicamente refutada pela Palavra de Deus (1 Ts 5.23).
2. “O deus deles é o ventre” (3.19). O termo “ventre” aqui é figurado e representa os “apetites” carnais e sensuais. Os inimigos da cruz viviam para satisfazer os prazeres da carne — glutonaria, bebedice, imoralidade sexual, etc. — satisfazendo todos os desejos lascivos, pois acreditavam que tais atitudes “meramente carnais” não afetariam a alma nem o espírito. Porém, o ensino de Paulo aos gálatas derruba por terra esse equivocado pensamento (Cl 5.16,17).
3. "A glória deles” (3.19). Paulo sabia que aqueles falsos crentes não tinham qualquer escrúpulo nem vergonha. Entregavam-se às degradações morais sem o menor pudor e, mesmo assim, queriam estar na igreja como se nada tivessem feito de errado. O apóstolo os trata como inimigos da cruz de Cristo, porque as atitudes deles invalidavam a obra expiatória do Senhor. A declaração paulina é enfática acerca daqueles que negam a eficácia da cruz de Cristo: a perdição eterna.
O castigo dos ímpios será inevitável e eterno (Ap 21.8; Mt 25.46). Um dia, eles ressuscitarão para se apresentarem diante do Grande Trono Branco, no Juízo Final, e serão julgados e lançados na Geena (o lago de fogo), que é o estado final dos ímpios e dos demônios (Ap 20.11-15).
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Paulo conclamou a igreja a resistir os inimigos da cruz de Cristo, mesmo que com lágrimas. Estes inimigos tinham como objetivo principal minar a fé dos irmãos.
III - O FUTURO GLORIOSO DOS QUE AMAM A CRUZ DE CRISTO (3.20,21)
1. “Mas a nossa cidade está nos céus” (Fp 3.20). Os inimigos da cruz de Cristo eram os crentes que viviam para as coisas terrenas. Paulo, então, lembra aos irmãos de Filipos que “a nossa cidade está nos céus”. Quando o apóstolo escreveu tais palavras, ele tomou como exemplo a cidade de Filipos. Segundo a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, “Filipos estava localizada na principal rota de transportes da Macedônia, uma extensão da Via Ápia, que unia a parte oriental do império à Itália”.
O apóstolo faz questão de mostrar que aquilo que Cristo tem preparado para os crentes é algo muito superior a Filipos (v.20). O apóstolo mostra que o cidadão romano honrava a César, porém os crentes de Filipos deveriam honrar muito mais a Jesus Cristo, o Rei da pátria celestial. Em breve o Senhor virá sobre as nuvens do céu com poder e glória, para arrebatar a sua igreja levando-a para a cidade celeste, a Nova Jerusalém (Mt 24.31; At 1.9-11).
2. “Que transformará o nosso corpo abatido” (Fp 3.21). O estado atual do nosso corpo é de fraqueza, pois ainda estamos sujeitos às enfermidades e à morte. Mas um dia receberemos um corpo glorificado e incorruptível. Os gnósticos ensinavam que o mal era inerente ao corpo. Por isso, diziam que só se deve servir a Deus com o espírito. Eles afirmavam ainda que de nada aproveita cuidar do corpo, pois este se perderá. Erroneamente, acrescentavam que o interesse de Cristo é salvar apenas o espírito.
A Palavra de Deus refuta tal doutrina. Ainda que venhamos a sucumbir à morte, seremos um dia transformados e teremos um corpo glorioso semelhante ao de Cristo glorificado (Fp B.21; 1 Ts 5.23; 1 Co 15.42-54).
3. Vivendo em esperança. Vivemos tempos trabalhosos e difíceis (2 Tm 3.1-9). Quantas falsas doutrinas querem adentrar nossas igrejas. Infelizmente, não são poucos os que naufragam na fé. Nós, contudo, à semelhança de Paulo, nutrimos uma gloriosa esperança (Rm 8.18). Haja o que houver, aconteça o que acontecer, o nosso coração estará seguro em Deus e em sua promessa (Ap 7.17; 21.4).
SINOPSE DO TÓPICO (3)
À semelhança de Paulo precisamos ter a confiança de que o futuro daqueles que amam a cruz de Cristo será glorioso.
CONCLUSÃO
Precisamos estar atentos, pois muitos são os inimigos da cruz de Cristo. Eles procuram introduzir, sorrateiramente, doutrinas contrárias e perniciosas à fé cristã. Muitos são os ardis do adversário para enganar os crentes e macular a Igreja do Senhor. Por isso, precisamos vigiar, orar e perseverar no “ensino dos apóstolos” até a vinda de Jesus. Eis a promessa que gera a gloriosa esperança em nosso coração.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
AUXILIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Teológico
“Cidadania e unidade celestial.
A visão cósmica e apocalíptica de Paulo da realidade é enfatizada pelo conceito de cidadania celestial do crente (3.20). Em Filipenses 1, esse conceito vem à tona no verbo politeuestlne (Viver como cidadão’). Seu cognato, politeuma (‘nação; comunidade’), aparece no capítulo 3 de Filipenses. O termo sugere relação com polis (‘Cidade-estado’), isto é, a nova comunidade de Cristo, cuja origem é o céu. Por isso, Paulo escreve: ‘Nossa nação [cidadania] está no céu’ (3.20). Paulo afirma que esta cidadania existe hoje; não é apenas uma esperança futura. O termo, como tal, expressa uma orientação e uma identidade fundamentais dos crentes.
[...] Filipenses 1.27-30 apresenta o ponto de que a vida do crente deve ser digna dessa origem; ela deve ser digna de sua relação com o evangelho de Cristo. Isso quer dizer que se deve perseguir a união, enquanto a comunidade permanece unida ‘num mesmo espírito’ (v. 27) no evangelho. Na verdade não é mais necessário temer os oponentes, embora o chamado para essa nova comunidade seja para crer e para sofrer. Os filipenses, ao se entregar a esse chamado, compartilhariam a mesma luta (agõna) que Paulo empreende, e, por essa razão, eles teriam comunhão com ele e demonstrariam sua união com ele e com Cristo em humilde serviço (1.29—2.11)’'. (ZUCK, Roy B (Ed.). Teologia do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p.362).
AUXILIO BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Teológico
Uma advertência solene (Fp 3.1 7-19)
Nos versos 1-4, Paulo adverte seus leitores contra um erro do lado judaico, a saber, o legalismo, que é submeter a vida à escravidão das leis de Moisés. Nos versos 17-21, adverte-os contra o perigo do lado pagão, a saber: a frouxidão moral.
‘Sede meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós5 (cf. 1 Co 11.1. Rm 1 6.1 7). O que deviam imitar? Nos versos 7-13, lemos que Paulo não tinha confiança no seu eu — próprio, que estava disposto a sacrificar todas as coisas por Cristo, que reconhecia a sua própria imperfeição e que estava grandemente desejoso para avançar com o Senhor. Sua advertência é necessária, porque há aqueles que tomam uma atitude diferente. São ‘inimigos da cruz de Cristo’, não por causa de qualquer hostilidade da parte deles, mas por causa das vidas que vivem. Interessam-se mais em satisfazer os seus apetites do que servir af Deus (‘o deus deles é o ventre’) e jactam-se das liberdades que tomam na licenciosidade e vidas impuras (2 Pe 2.19). ‘Só pensam nas coisas terrenas’ — alegam estar no caminho do Céu, mas amam as coisas mundanas; ‘o destino deles é a destruição’. Contraste com o verso 14” (PEARLMAN, Myer. Epístolas Paulinas: Semeando as Doutrinas Cristãs. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1 998, pp. 1 41 -42).
EXERCÍCIOS
1. O que Paulo pretendia ao pedir que os filipenses o imitassem?
R: Paulo pretendia mostrar que a verdadeira humildade acata serenamente a responsabilidade de vivermos uma vida digna de ser imitada.
2. O que a dualidade entre “clero” e "leigos” remonta?
R: Remonta à velha prática eclesiástica estabelecida pela Igreja Romana, na idade Média, onde uma elite (o clero) governa a igreja e esta (os leigos) se torna refém daquela.
3. O que significa o termo "ventre" empregado por Paulo?
R: O termo “ventre” tem um sentido figurado e representa os “apetites" carnais e sensuais.
4. A exemplo dos cidadãos romanos que honravam a César, quem os filipenses deveriam honrar?
R: Os crentes de Fiíipos deveriam honrar muito mais a Jesus Cristo, o Rei da pátria celestial.
5. O teu coração está seguro em Deus? Há esperança em você?
R: Resposta pessoal.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n°54, p.40.
Agora Paulo chega a uma parte muito importante da sua carta, ele exorta os cristãos filipenses para serem firmes em Cristo na observância do Evangelho. A preocupação do apóstolo era com os falsos mestres que se aproximavam dos crentes filipenses. Estes mestres eram considerados por ele "inimigos da cruz", pessoas que trabalhavam para esvaziar o sentido da Cruz de Cristo. O apóstolo havia os enfrentado noutras ocasiões. De acordo com especialistas do Novo Testamento, é difícil identificar os inimigos da cruz, propriamente dito, na carta de filipenses. Mas pelo teor do ensino de Paulo contra uma concepção legalista de cristianismo e uma perspectiva libertina da graça, judaizantes e gnósticos são as identidades mais aceitas.
Os assuntos que Paulo trata com os filipenses não são novos, ele havia tratado desses mesmos assuntos em ocasião anterior (3.1). Mas nesta seção ele se "desespera" só de imaginar a possibilidade de os filipenses entrarem em contato com tais ensinos. A sua preocupação é que a igreja de Filipos, recém formada, enverede pelo caminho do lega- lismo ou da libertinagem. Ambos são frontalmente contrários a natureza genuína do Evangelho.
A expressão "O deus deles é o ventre" denota aqueles que adoram a carne através das práticas sensuais desenfreadas. Eles viviam o aqui e o agora, e jamais pensavam na eternidade comamos e bebamos que amanhã morreremos. Esta postura visava destruir o Evangelho e todo o progresso dele na vida dos filipenses. Além de sensuais, os falsos mestres invalidavam a suficiência da Cruz de Cristo com suas atitudes degradantes e sem quaisquer escrúpulos. Paulo diz que para eles, não há outro destino, se não, o da perdição eterna.
Por isso o apóstolo dos gentios conclama aos filipenses a não darem ouvidos para esses falsos ensinamentos, ainda que apareçam de maneira lisonjeira. Paulo não exita de lembrá-los que a esperança cristã está nos céus, esperando o Salvador, Jesus Cristo. O discípulo do Mestre Amado não pode viver como se Deus não existisse. O crente tem uma promessa: "[Deus] transformará o nosso corpo abatido". Ainda que vivamos tempos trabalhosos e difíceis, o nosso coração deve estar seguro em Deus, confiante em sua promessa de que um dia Ele restaurará todas as coisas. O que sofremos hoje não se compara com a glória que em nós, o povo de Deus, há de ser revelada (Rm 8.18).
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
O capítulo 3 é um capítulo que retrata o apóstolo Paulo como um homem sensível, que chora, mas não se deixa esmorecer ante Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo a ameaça à fé dos filipenses promovida pelos falsos obreiros. Ao mesmo tempo que vemos Paulo chorando, nós o vemos exortando a igreja a que não desanimasse e não perdesse a alegria do Espírito. Ele faz advertências e exortações conscientizando a igreja de que a doutrina de Cristo não pode sofrer o dano das heresias dos grupos judaizantes e dos gnosticistas. Ele os trata com muito amor e respeito e os incentiva a que permaneçam firmes na fé, mantendo a alegria que a nova vida em Cristo proporciona. No texto dos versículos 17 a 21, o apóstolo Paulo apela aos filipenses para que fiquem atentos com os falsos cristãos infiltrados no seio da igreja, que eram, de fato, inimigos da cruz de Cristo.
Precauções com os Inimigos da Cruz de Cristo
O apóstolo Paulo trata os falsos obreiros, semeadores de sementes daninhas na seara do Senhor, como “inimigos da cruz de Cristo”. E uma linguagem metafórica que ilustra aquelas pessoas que não comungam a fé cristã como experiência. Antes de identificá-los, o apóstolo exorta a igreja a que se mantenha firme na fé em Cristo (4.1).
Avançamos no texto com a exortação de Paulo, quando diz aos filipenses: "... estai assim firmes no Senhor”. O verbo estar significa “achar-se, ou manter-se; permanecer”. Paulo usa o verbo no imperativo “estai” ou “permanecei” em relação ao sentido de estar firme na fé recebida para poder lutar contra as astutas ciladas do Diabo (Ef 6.11,13,14). Para confrontar os inimigos da cruz, é necessário que as convicções da obra redentora por meio da cruz de Cristo sejam mais fortes que os ataques do Inimigo de nossas almas. Em toda a carta, a alegria é a chave de superação sobre os problemas.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 110-111.
Admoestação contra o antinomianismo (3.15-21)
O antinomianismo (grego: anti — “contra”; nomos - “lei”) seria o extremo oposto do legalismo. É uma forma de oposição à Lei que representa a inferência ou dedução, feita por alguns a partir da doutrina da justificação pela fé, de que a Lei não impõe nenhuma obrigação sobre os crentes, inclusive quanto a aspectos morais. O termo hoje aplica-se a todas as doutrinas e práticas que parecem condenar ou desfavorecer as obrigações morais. Foi para corrigir esse falso postulado que Paulo escreveu o argumento que se encontra em Romanos, capítulo 6. “Evidentemente, neste ponto o apóstolo deixa de lado os partidários do legalismo para concentrar sua atenção nos defensores da libertinagem. Parece que ele tem em mente os mestres antinomianos, quer em Roma, quer em Filipos, ou em qualquer outro lugar onde pregassem uma perfeição simulada e não cristã. Suas pretensas afirmações de ter alcançado conhecimento e liberdade superiores os levaram a um comportamento indulgente que logo degenerou num declarado estado pecaminoso. É contra os tais perversores do legítimo Evangelho que Paulo invoca seu protesto, fazendo sérias admoestações” (Walker).
Ele se dirige (v. 15) aos que são “perfeitos”, isto é, a “homens maduros” e não a “crianças”. Não descartamos a possibilidade de Paulo estar empregando um pouco de sarcasmo, dirigido contra alguns que se consideravam “perfeitos”, gabando-se de conhecimentos superiores aos demais, quando, no entanto, seu comportamento diário, evidentemente, era incompatível com sua profissão.
A todos, porém, Paulo insiste na aderência ao princípio que acabara de formular, “ ...esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim” (v. 13). Diante dele estavam as melhores coisas — o prêmio que todos desejavam (cf. v. 14). Para alcançá-lo, todos deveriam andar segundo a mesma regra, sob um mesmo sentimento (v. 16). Quanto a isso, não se constrangia em claramente admoestá-los a serem seus imitadores (v. 17), pois ele também imitava a Cristo (1 Co 11.1). Em tudo seu exemplo era coerente, pois tinha em vista o alvo: Jesus.
Cristo era o padrão, e o segui-lo, a regra. Conformar-se a Cristo não era opcional, não constituía uma prerrogativa irresponsável da liberdade, a menos que não se rotulassem cristãos.
Enquanto assim escrevia, seu coração estava contristado a ponto de chorar quando contemplava a maneira indulgente de vida por parte dum bom número de crentes que, apesar de professarem a Cristo, na realidade viviam na glutonaria, embriaguez e sensualidade (vv. 18,19). “O grupo a que ele se refere era constituído provavelmente por aqueles que distorciam o evangelho da graça e a doutrina da justificação pela fé, transformando-os em capa para um afrouxamento pecaminoso na maneira de viver. Por outro lado, era possível haver alguns que, apesar de defensores obstinados da Lei e extremistas, viviam abertamente no pecado. Isso porque o fanatismo cego, ligado ao culto das exterioridades muitas vezes se deixa acompanhar pelo mundanismo e a imoralidade” (Walker). O fim deles era a perdição, pois só pensavam nas coisas terrenas. Cumpre ressaltar aqui quão grave é perder a perspectiva da eternidade. Ninguém pode prosseguir para o alvo que está em Cristo Jesus, nem aguardá-lo com esperança, se vive preso às coisas do mundo.
A palavra “nossa”, no versículo 20, pela sua posição gramatical, demonstra enfaticamente o contraste entre a vida descrita nos versículos anteriores e aquela que Paulo passa a descrever. “Eles viviam uma vida terrena e vergonhosa, o que não acontece conosco, porque a nossa metrópole está no céu, e ali estão os nossos interesses. O nosso alvo é alcançar o céu” (Idem). “Mas a nossa cidade está nos céus” (v. 20): “cidade” significa “pátria”, “comunidade”, “metrópole” à qual pertencemos como cidadãos. Somos representantes dessa pátria, enquanto estivermos aqui na Terra. Somos embaixadores em terra estrangeira (cf. 2 Co 5.20), aguardando ardentemente o aparecimento no céu do nosso Senhor e Salvador. Nossa redenção será completada por Ele, que transformará o nosso corpo de humilhação.
A referência “de humilhação” que Paulo faz a nosso corpo confirma as consequências da queda de Adão e Eva. A promessa divina é que nosso corpo será transformado (no grego significa que tomará sua forma verdadeira e permanente) e feito conforme o corpo da sua glória, isto é, semelhante ao corpo ressuscitado de Cristo. Neste ponto o leitor deve pesquisar as referências alusivas à ressurreição de Cristo: Mateus 28.1-20; Marcos 16.1-20; Lucas 24.1-53; João 20.1-31; Atos 1.9.
A consumação dessa promessa nos é assegurada, pois Ele é poderoso para sujeitar a si todas as forças contrárias, sejam elas quais forem. Para os que têm sua esperança nos Céus, Jesus voltará e transformará seus corpos abatidos, segundo a eficácia do seu poder pelo qual nos dará um corpo igual ao seu, glorioso (v. 21). Ele agirá na sua onipotência.
Boyd. Frank M. Comentário Bíblico. Gálatas. Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus. Editora CPAD. pag. 72-75.
As pessoas que fazem um impacto no mundo, invariavelmente, têm um compromisso único de espírito para alcançar seus objetivos. Se esses objetivos são conquistar o mundo, ter sucesso nos negócios, ou ganhar um campeonato, eles estão dispostos a fazer renúncias que são necessárias para alcançá-los. Por outro lado, aqueles que são consumidos com as suas próprias necessidades e conforto raramente conseguir muito mais.
O mesmo acontece na vida cristã. Não há segredos escondidos, truques, ou atalhos para uma vida que faz um impacto sobre o mundo para a verdade de Jesus Cristo. Essas vidas são o resultado direto de um esforço máximo para alcançar os objetivos espirituais da semelhança de Cristo na vida e ministério. Muitos nobres servos de Deus sofreram muito para atingir essas metas. Muitos ainda pagaram com suas vidas. Todos tinham uma coisa em comum: o seu próprio conforto era menos importante para eles do que ser como o Senhor Jesus Cristo neste mundo. Eles deixaram sua marca na igreja através de sua devoção eterna com Ele e seus esforços incansáveis para o Seu evangelho.
Infelizmente, poucos na Igreja hoje têm esse nível de compromisso com a causa de Cristo. Há muitas razões para isso, não menos do que é a psicologia humanista devastador impacto fez na igreja. Um dos pressupostos básicos da psicologia moderna é que as pessoas existem para sua própria satisfação. O principal objetivo da vida, então, é que as pessoas têm todas as suas necessidades e desejos atendidos. Só então eles vão ser felizes, contentes e satisfeitos.
Apresentações contemporâneas do evangelho muitas vezes refletem essa filosofia humanista. Deus tornou-se uma espécie de gênio utilitarista, que existe para conceder as pessoas o que for preciso para torná-los felizes e realizados. Escritura apresenta Jesus Cristo como soberano Senhor e Salvador, diante do qual todo joelho se dobre em absoluta submissão e obediência (Fp 2:10). Mas apresentações gospel contemporâneo oferecer-lhe como a cura rápida para todos os problemas da vida, apesar da Sua própria advertência: "No mundo tereis aflições" (João 16:33; cf Atos 14:22;. 1 Tessalonicenses 3:4; 2. Tim. 3:12). O exemplo mais flagrante da abordagem centrada no homem atual é o evangelho da prosperidade, com a sua busca descarada das coisas do mundo. Essas atitudes de satisfação egoísta são o oposto da atitude da verdadeira espiritualidade, que é humilde, discreto consciência do pecado e profunda gratidão pelo menor expressão da graça de Deus.
O narcisismo que permeia o cristianismo contemporâneo também corrompido a doutrina da santificação. Jesus ensinou: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me" (Lucas 9:23). Em contraste, a ênfase hoje é na satisfação das necessidades das pessoas e satisfação de seus desejos. Só então, argumenta-se, eles podem ser cristãos eficazes. Este é o foco de muita pregação, ensino e escrita.
Comentando sobre este novo paradigma para a vida cristã, Tony Walter escreve, Está na moda a seguir a opinião de alguns psicólogos que o auto é um conjunto de necessidades e de que o crescimento pessoal é o negócio da progressivamente atender a essas necessidades. Muitos cristãos ir junto com essas crenças ....
Uma marca do sucesso quase total desta nova moralidade é que a Igreja cristã, tradicionalmente interessados em mortificar os desejos da carne, em crucificar necessidades do eu em busca de [a semelhança de Cristo], foi avidamente adotaram a língua das necessidades por si mesma. Nós agora ... ouvir que "Jesus vai atender todas as suas necessidades", como se Ele fosse uma espécie de psiquiatra divina ou detergente divino, como se Deus fosse lá simplesmente para atender a nós. (Precisa: A New Religion [Downers Grove, Illinois: Inter Varsity, 1985] Prefácio, 5)
Adoção da igreja da mentalidade necessidade da psicologia humanista leva a uma teologia centrada no homem, um homem centrado quase-salvação, e um substituto centrada no homem para a santificação. Para muitos, o objetivo da vida cristã está tendo suas necessidades atendidas, sendo cumprida, ser feliz, ter uma boa auto-imagem, e eliminando todos os problemas da vida. O foco está nas pessoas, e não Cristo.
Mas o sub-cristã "teologia necessidade" é diametralmente oposta ao que a Bíblia ensina. A satisfação das necessidades humanas não é o objetivo de salvação ou santificação. O objetivo da salvação é para os crentes para serem conformes à imagem do Filho de Deus (Romanos 8:29). Assim, a santificação cristã olha para fora, para Cristo, não para dentro, para as necessidades dos crentes sentiram. O objetivo da vida cristã não é a satisfação dos crentes, mas de Deus. Na verdade, os crentes prosperar quando eles estão sobrecarregados com fraqueza (2 Coríntios. 12:9-10).
Que os cristãos devem ser como Jesus Cristo é a verdade simples que tende a ser obscurecida pela multiplicidade de teologias, seminários, livros, fórmulas, e as fitas que se propõem a desvendar o segredo do crescimento espiritual. Algumas dessas ofertas podem ser úteis, mas apenas na medida em que equipar os crentes para se tornar mais parecido com Jesus Cristo.
O comando repetido do Senhor Jesus Cristo, "Follow Me" (Mt 4:19;. 8:22; 9:9; 16:24, 19:21), não foi substituído ou melhorado. É a obrigação mais básica de um crente. Paulo expressou esta mesma verdade aos Gálatas: "Meus filhos, com quem eu sou novo em trabalho de parto até que Cristo seja formado em vós" (Gl 4:19) e aos Coríntios: "Sede meus imitadores, como eu também sou de Cristo "(1 Cor. 11:1). O apóstolo João ensinou que "aquele que diz que permanece nele, esse deve-se a andar da mesma maneira como Ele andou" (1 João 2:6).
Quando Paulo disse aos filipenses: "Uma coisa que eu faço" (3:13), ele reduziu a vida cristã para esse objectivo. Por exemplo, os cristãos são para glorificar a Deus, mas só pode fazê-lo na medida em que eles são como Jesus Cristo. Quando eles evangelizar os perdidos, eles estão imitando o Senhor, que veio para "buscar e salvar o que estava perdido" (Lucas 19:10). Como crentes amadurecer espiritualmente eles "crescer na graça e no conhecimento da [sua] Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pedro 3:18). Quando eles "morrer para o pecado e viver para a justiça" (1 Pedro 2:24) eles se tornam mais e mais como Jesus ", que não conheceu pecado" (2 Coríntios 5:21;.. Cf Hb 7:26; 1. Pedro 2:22, 1 João 3:5).
Há simultaneamente um objectivo e um recurso subjetivo para perseguir o prêmio de Cristo. O recurso objetivo é a Palavra de Deus. A Bíblia é a revelação de Cristo ", no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento" (Cl 2:3). Quando Paulo escreveu que os crentes têm "a mente de Cristo" (1 Cor. 2:16), ele estava se referindo à revelação da Escritura dado pelos apóstolos e os escritores do Novo Testamento que lhes estão associados.
O poder subjetivo para se tornar mais parecido com Jesus Cristo é a obra do Espírito Santo. Ele usa o conhecimento de Cristo recolhida a partir das Escrituras para mudar progressivamente os crentes à imagem de Cristo (2 Cor. 3:18). O Novo Testamento é claro que os resultados de crescimento cristãos de estudo da Escritura e submissão ao Espírito Santo.
Nesta passagem, Paulo dá três elementos práticos de buscar a semelhança de Cristo: seguir-exemplos, fugindo dos inimigos, e centrado nas expectativas.
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
I - EXORTAÇÃO À FIRMEZA EM CRISTO (3.17)
1. Imitando o exemplo de Paulo (v.17a).
Em nossos tempos modernos, Paulo seria criticado e tratado como presunçoso, mas é preciso entender com que atitude ele concitou aos irmãos de Filipos que o imitassem na fé e no testemunho pessoal. Não foi falta de modéstia, nem a demonstração de uma falsa humildade, mas foi a coragem moral e espiritual para se colocar como referencial de vida e fé em Cristo (1 Co 4.16,17). Falta em nossos tempos referenciais de obreiros verdadeiros que se coloquem como padrão de conduta cristã. A verdadeira humildade serenamente aceita a responsabilidade de viver uma vida ministerial digna de ser imitada.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 112.
Fp 3. 17. «...Irmãos, sede imitadores meus, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós...» Isso pode ser comparado com o trecho de I Cor. 11:1, que é passagem muito similar a esta, e onde se desenvolve o tema da importância e do poder do exemplo.
«...imitadores...» Temos aqui um a correta tradução do vocábulo grego «sumimetai», que é melhor do que «seguidores», embora qualquer pessoa que imite a outrem seja necessariamente seu seguidor, quanto ao padrão de vida em geral. O trecho de I Cor. 11:1 dá a entender que quando alguém imitava a Paulo, imitava, ao mesmo tempo, o Ideal maior, o próprio Senhor Jesus.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 55.
1 Cor 11.1 Paulo havia deixado exemplo de como se deve agir para com todos os homens (ver o versículo anterior), visando a salvação de todos quantos fosse possível salvar. Ele se fazia de tudo para todos, a fim de que pudesse ao menos conquistar alguns para Cristo. (Ver I Cor. 9:21,22). Ele olhava para o benefício espiritual deles; não agradava a si mesmo; pouco se importava com seu conforto físico e com sua prosperidade individual. Pelo contrário desgastava as suas energias para obter a vantagem espiritual de outros.
Ora, isso é o cumprimento prático da lei do amor. Paulo dava porque amava; da mesma maneira que Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu próprio Filho unigênito. E essa atitude de Paulo é digna de ser imitada e seguida, de ser considerada como um exemplo da conduta cristã ideal. Por sua vez, o apóstolo seguia a Jesus Cristo. Esse serviço tão destituído de egoísmo não era ideia dele, de Paulo, não era invenção sua. O próprio Senhor Jesus é o exemplo supremo dessa atitude e ação de que Paulo fala aqui. (Ver João 13:12-16, mormente o décimo quinto versículo, sobre a questão do «exemplo de Cristo». Ver também os versículos seguintes sobre o tema do exemplo·. Mat. 11:29; 16:24; 13:15; Rom. 15:5; II Cor. 10:1; Fil. 2:5; Col. 3:13; Heb. 3:1; 12:2; I Ped. 2:21; II Tes. 3:9; I Tim. 4:12; Tiag. 5:10. Acerca dos maus exemplos que devem ser repelidos, ver Lev. 20:23; Pro. 22:24,25; Heb. 4:11 e II Ped. 3:17. Há notas expositivas especiais dadas sobre o «exemplo de Cristo», que precisa ser emulado pelos crentes, em Rom. 15:3).
A.B. Davidson disse de certa feita a seus estudantes: «Uma vida ordinária, mas bem vivida, é o maior de todos os feitos». (Esse autor foi um célebre comentador escocês das Sagradas Escrituras). Sim, essa forma de vida é a maior prova que existe acerca da doutrina e da teologia moral, maior que muitos volumes escritos, melhor que os mais hábeis argumentos.
Esse foi o grande e real argumento daqueles pescadores simples da Galiléia, como Pedro, Tiago e João. As pessoas tinham de dar atenção a eles, quando andavam pelas ruas (ver Atos 4:13), não porque fossem enumerados entre os eruditos rabinos, mas porque tinham aprendido certa sabedoria secreta, tendo estado em companhia do Senhor Jesus, e essa sabedoria havia transformado as suas vidas.
«É fato bem reconhecido que a fé cristã depende da crença em algum guia ou conselheiro espiritual, que se eleve com mais eficácia do que qualquer realidade meramente religiosa. As aspirações pelas quais lutamos podem ser reforçadas, as dúvidas vagas podem ser solucionadas, e a lealdade à causa pode ser revivificada e purificada, na medida em que os homens forem capazes de ver seu fim almejado na personalidade de alguém para quem possam prestar homenagens gratas». (Moffatt, in loc.).
Não podemos deixar de ficar impressionados com a desproporção entre a duração da vida de um homem e a duração de sua influência nas gerações futuras.
«E, assim sendo, -a influência de um homem se propaga, não como uma corrente, elo após elo, em uma sucessão inquebrantável, mas antes, como um incêndio, fagulha após fagulha, saltando de vida para vida,
atravessando continentes e cruzando os séculos. Estêvão apanhou esse fogo de seu Senhor, e passou-o para Paulo; e de Paulo se tem espalhado entre homens e mulheres em cada recanto do mundo». (Gerald R. Cragg, comentando sobre Atos 8:3).
«Cada vida humana é uma profissão de fé, exercendo uma propagação inevitável, embora silenciosa... Tende por transformar o universo e a humanidade segundo a sua própria imagem... Cada indivíduo é um centro de irradiação perpétua, semelhante a um corpo luminoso, semelhante a um farol que atrai o navio contra os recifes, se porventura não o guia em direção ao porto. Todo homem é um sacerdote, ainda que involuntariamente; a sua conduta é um sermão mudo, mas que ele não cessa de pregar a outros, mas existem sacerdotes de Baal, de Moloque e de todos os demais deuses falsos.
Tal é a elevadíssima importância do exemplo». (D iá r io de Amiel, Londres: Macmillan and Co., 1890, págs. 24 e 25).
«...imitadores...» Temos aqui uma correta tradução, que é melhor do que «seguidores», conforme dizem outras traduções. Vemos aqui alguém que duplica um padrão de conduta, que reproduz alguma coisa, que é cópia fiel de uma ideia, de uma atitude.
«...como também eu sou de Cristo...» Nenhum espírito de arrogância levou o apóstolo dos gentios a solicitar que outros crentes o imitassem.
Antes, assim agia a fim de que a imagem de Cristo se formasse neles, visto que era imitando a ele, o apóstolo de Cristo, que poderiam imitar automaticamente a Jesus Cristo. Tão-somente ele lhes mostrava um exemplo prático de como essa imitação é possível para o crente. Note-se que Paulo nos deixou um exemplo de auto-sacrifício; porque esse é o aspecto da imitação de Cristo que realmente impressiona os homens, como também é comum que esse era o aspecto da vida e da personalidade de Cristo que é exposta aos leitores do N.T. como o nosso grande exemplo. (Ver Rom. 15:2,3; II Cor. 8:9; Efé. 5:2 e Fil. 2:4,5). A vida cristã, quando é bem vivida requer uma dedicação suprema às realidades espirituais, com a negação de tudo quanto é meramente material e terreno. O crente precisa reconhecer e desenvolver os poderes de sua alma remida, para glória de Jesus Cristo. O Exemplo Do Viver Espiritual
1. Cristo deixou-nos exemplo, na perfeição (ver Heb. 7:26), na santidade (ver I Ped. 1:15), na pureza (ver I João 3:3), na humildade (ver Fil. 2:5,7), na obediência (ver João 15:10), na autonegação (ver Rom. 15:3), na ministração às necessidades alheias (ver Mat. 20:28).
2. O exemplo deveria ser dado por cada crente, para os demais crentes, nos campos da santidade (ver Gál. 5:22,23), do zelo (ver I Cor. 15:10), e da vida segundo a lei do amor (ver I João 5:7).
3. O exemplo supremo se verifica no terreno do altruísmo, em imitação a Cristo. Os místicos que têm atingido elevados níveis de desenvolvimento espiritual informam-nos que, quanto ao lado prático da fé religiosa, ninguém pode deixar de lado a necessidade simples de amar e ser amado.
4. Estabeleçamos o exemplo da diligência: cada indivíduo é ímpar e se reveste de uma missão ímpar (ver as notas em Apo. 2:17).
Lemos que «...também Cristo não se agradou a si mesmo...»(Rom. 15:3); pelo contrário, deu-se a si mesmo por nós, tendo deixado de lado toda a sua glória, a fim de completar a sua missão divina entre os homens, a fim de libertar as almas do jugo do pecado, a fim de livrar os homens para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. (Ver Efé. 5:2 e Fil. 2:4 e ss.).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 166.
....Paulo é aquele que dá o exemplo de doutrina e de vida (3.17). O apóstolo Paulo era um paradigma para os crentes tanto na questão da doutrina quanto na questão da ética. Ele era modelo tanto na teologia quanto na vida. Seu ensino e seu caráter eram aprovados.
Sua vida confirmava sua doutrina, e sua doutrina norteava a sua vida. Ele recomendou a Timóteo, seu filho na fé: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina...” (lTm 4.16).
Ralph Martin diz que Paulo chama a atenção para si mesmo, em face de sua profunda percepção apostólica como homem do Espírito (lC o 2.16; 7.40; 14.37), opondo-se àqueles que afirmavam ter conhecimento superior dos caminhos de Deus. Assim, Paulo chamava os crentes à obediência à autoridade apostólica, algo mais do que um convite a que se imite o modo de vida do apóstolo.
Nessa mesma linha de pensamento, J. A. Motyer diz que, quando Paulo nos ordena a seguir o seu exemplo (3.17), ele acrescenta uma explicação: “Pois...” (3.18). O elo de ligação entre estes dois versículos é o seguinte: Paulo ordena os crentes a imitá-lo porque, fazendo assim, eles estariam vivendo de acordo com a verdade da cruz (3.18) e da segunda vinda de Cristo (3.20). Em outras palavras, quando as verdades sobre a cruz e a segunda vinda de Cristo são assimiladas, certamente um caminho de vida segue naturalmente.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 211.
Pela terceira vez neste capítulo Paulo carinhosamente trata dos Filipenses, como a irmãos (cf. vv. 1, 13). A frase juntar-se em seguir o meu exemplo literalmente lê no texto grego "ser imitadores companheiros comigo." Paulo exortou os Filipenses a imitar a maneira como ele viveu. Ele não estava se colocando em um pedestal de perfeição espiritual (cf. a discussão de vv. 12-16 no capítulo anterior deste volume). Em vez disso, ele estava encorajando os filipenses a segui-lo, um pecador imperfeito, como ele perseguiu o objetivo de Cristo. Falhas do Novo Testamento registros de Paulo, bem como seus triunfos. Indignado com o tratamento abusivo nas mãos do sumo sacerdote, ele gritou: "Deus vai golpear, parede branqueada! Você senta para tentar me de acordo com a Lei, e em violação da ordem Lei que eu seja ferido? "(Atos 23:3)-uma explosão para que ele prontamente pediu desculpas (Atos 23:5).
Por causa de sua luta com orgulho, o Senhor deu a Paulo um espinho na carne (2 Coríntios. 12:7). Três décadas depois de sua conversão, ele ainda pensava de si mesmo como o principal dos pecadores (1 Tm 1:15.).
Se ele tivesse sido perfeito, Paulo não teria sido um exemplo crentes poderia seguir. Precisamos seguir alguém que não é perfeito para que possamos ver como superar as nossas imperfeições, alguém que pode nos mostrar como lidar com as lutas da vida, suas decepções e seus ensaios, alguém que pode nos mostrar como lidar com o orgulho, a resistir tentação, e colocar pecado para a morte. Cristo é o padrão perfeito, modelo e padrão para os crentes para emular. Mas Cristo nunca perseguiu a perfeição; Ele sempre foi perfeito. Paul era um companheiro de viagem no caminho para a perfeição inatingível espiritual, e, portanto, um modelo para os fiéis a seguir. Ele modelou moralidade virtude, superando a carne, a vitória sobre a tentação, a adoração, o serviço de Deus, paciência do sofrimento, lidar com posses, e das relações de manipulação.
Movendo além de si mesmo, Paulo ordenou aos filipenses também para observar aqueles que andam de acordo com o padrão que você tem em nós. Skopeō (observar) é a forma verbal do substantivo traduzido como "meta" no versículo 14, e poderia ser traduzida como "fixar o olhar em." Paul está em vigor, dizendo: "Concentre-se aqueles cuja caminhada (conduta diária) é de acordo com a -padrão correto que você tem em nós. "Isso incluiria Timóteo e Epafrodito, a quem os filipenses sabia, assim como os bispos e diáconos em Filipos (cf. 1:1). A palavra nos, no entanto, é mais provável um plural literária, uma forma humilde para Paulo para se referir a si mesmo.
O exemplo de Paulo estava disponível para os Filipenses em impressão, assim como é para os crentes hoje. Mas eles também haviam observado a sua vida em primeira mão durante a sua estadia em Filipos. Os crentes têm sempre necessários exemplos de vida piedosa como padrões.
Esses exemplos são os pastores e presbíteros da igreja, que são para "mostrar [próprios] exemplos daqueles que creem" (1 Tm 4:12). Pela humildade de modelagem, serviço altruísta, disposição para sofrer, a devoção a Cristo, coragem, e dedicação para o crescimento espiritual. Aqueles que ensinar e pregar a Palavra deve segurá-lo com precisão. Isso é especialmente importante hoje, quando a correta interpretação das Escrituras tem sido irremediavelmente embaçada e, aparentemente, qualquer ponto de vista é tolerada. Paulo exortou a Timóteo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não precisa estar envergonhado, exatamente manipulação a palavra da verdade" (2 Tm. 2:15). Mas o ensino precisa da verdade deve ser apoiada por uma vida piedosa.
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
2. O exemplo outros obreiros fiéis (v.l7b).
Sem dúvida, uma das alegrias de Paulo era a influência positiva de irmãos da igreja que andavam segundo o padrão de conduta e demonstração de fé que ele mesmo se fizera referencial.
O texto na Edição Revista e Atualizada expressa melhor, quando diz: “e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós”. Paulo não estava atraindo para si o mérito de referencial, de exemplo, mas estava reconhecendo o valor da influência do testemunho de outros cristãos, entre os quais, Timóteo e Epafrodito. Ele chama a atenção dos cristãos filipenses no sentido de observarem e considerarem os fiéis, por causa dos maus exemplos de maus obreiros (3.2) que procuravam desviar a fé dos fiéis. A verdadeira humildade quando vivida serenamente torna-se modelo de vida e comportamento. Lamentavelmente, existem muitos obreiros fraudulentos com o evangelho cujo exemplo seria desastroso seguir. O apóstolo Paulo se apresenta como modelo a ser imitado, bem como o de outros fiéis servos de Deus que, como ele, seguem o modelo supremo que é Cristo.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 112.
«...observai os que andam segundo o modelo...» Temos aqui um duplo mandamento, a saber: 1. Observai a minha conduta e imitai-me; e 2. Há outros cuja conduta também serve de modelo, aos quais deveis imitar. Portanto, é com o se Paulo houvesse escrito: «Andai como eu ando, imitando-me, e andai de modo a serdes imitadores de outros que andam como também eu ando».
A palavra « ...nós...» pode referir-se diretamente a Paulo e a seus associados, como Timóteo e Epafrodito, e talvez também a outros líderes cristãos conhecidos pelos crentes filipenses. Paulo haveria de m andar Epafrodito quase imediatamente, com esta epistola aos Filipenses (ver Fil. 2:25); e Timóteo seguiria pouco mais tarde. Os filipenses, pois, deveriam dar atenção a esses dois obreiros do evangelho, desviando-se dos legalistas para que pudessem continuar seguindo a Cristo, para que pudessem mostrar-se intensos em sua inquirição espiritual. E havia outros crentes exemplares que poderiam ser imitados, conforme Paulo aqui exorta.
«...andam...» Desta feita temos o termo grego mais comum, «peripateo», embora uma vez mais seja indicada simbolicamente a conduta geral e o padrão de vida seguidos. (Ver as notas expositivas a respeito disso, no versículo anterior).
«...modelo...» No grego se lê a palavra «tupos», que quer dizer «impressão visível», «cópia», «imagem», «padrão», «modelo». Paulo dava a outros o modelo da vida moral a ser seguida, da inquirição espiritual intensa exigida dos crentes, por ser ele mesmo um «modelo» desse exemplo, incorporando os elementos essenciais do que significa alguém ser discípulo de Cristo, posto que o próprio Cristo é o «modelo perfeito». (Esse vocábulo grego também é usado nos trechos de Rom. 5:14; 6:17; I Cor. 10:11 e I Tes. 1:7).Originalmente, esse termo significa «impressão deixada por um a ‘pancada’» (verbo, «tuptein»). Daí passou a indicar qualquer forma de imagem, cópia ou modelo. A impressão da imagem de Cristo fora deixada na vida de Paulo pelo ‘golpe’ da influência de Cristo. E m Paulo, por conseguinte, podia ser visto aquilo que Cristo espera de um homem remido.
(Quanto à frase «...imitadores meus...» ver igualmente I Cor. 4:16; 11:1; I Tes. 1:6 e II Tes. 3:9).
«...observai...» A ideia deste vocábulo é o de manter os olhos fixos em alguma coisa, com cuidadosa observação. No grego é «skopeo», derivado do termo básico «skopos», um alvo ou m arca. Talvez Paulo tivesse querido preservar a metáfora da carreira, que já havia em pregado no quarto versículo deste capítulo, para indicar a ideia de «pressionar em direção ao alvo». Que os crentes filipenses vissem Paulo correndo bem na direção da «meta», que lhe imitassem o exemplo, a fim de que, juntam ente com ele, pudessem atingir o alvo final, a saber, a herança da salvação.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 55.
3. Tendo outro estilo de vida.
...vós... E como se o autor sagrado tivesse dito: ·Vós. meus leitores...» em contraste com os indivíduos incrédulos e irreligiosos, que se encaminham para o merecido julgamento. Ao descrever o ·novo Israel», a Igreja, embora essa entidade atualmente se componha principalmente de gentios, Pedro agora confere vários títulos à Igreja, que antes pertenciam ao antigo povo de Israel.
·...raça eleita...» Assim é chamado o antigo povo de Israel, em Isa. 43:20.
(Quanto à «eleição cristã», ver as notas expositivas em Efé. 1:4 e I Ped. 1:2).
O vocábulo grego «genos» indica ·raça», um agrupamento de gente com vida e descendência comuns. Espiritualmente falando, a igreja tem uma vida comum, porquanto a vida de Cristo (e, portanto, a vida de Deus Pai) e compartilhada por todos; e também possuem uma descendência comum, já que todos participam do novo nascimento, 0 que faz deles filhos de Deus.
Os crentes são uma nova raça, destinada a habitar na pátria c na cidade celestial: a nação ideal. Por conseguinte. Israel continua existindo, a despeito da rejeição ao Messias, por parte da nação terrena de Israel. O Senhor ainda não os abandonou de todo, entretanto, mas antes, eventualmente reverterá o erro que cometeram, e isso visando ao bem-estar eterno deles. (Ver Rom. 11:26 e as notas expositivas ali existentes).
*...sacerdócio real...» Já tivemos ocasião de observar, no quinto versículo, que todos os crentes são sacerdotes. Ali eles são chamados de sacerdócio
«santo». Neste ponto, são chamados ·régios». São sacerdotes que pertencem à família real. Notemos como, em Heb. 4:14, o Sumo Sacerdote (Cristo) é visto entronizado, o que dá a ideia de um Rei Sacerdote. Assim também Melquisedeque era sacerdote, mas, igualmente, era rei de Salem (ver Heb. 7:1,2). E Cristo pertence à ordem sacerdotal de Melquisedeque (ver Heb. 7:17). A ideia que os sacerdotes cristãos também são reis acrescenta ênfase à elevada posição e ao privilégio de que desfrutam. O trecho de Êxo. 19:6 chama Israel de reino de sacerdotes. Em Apo. 1:6 e 5:10, os crentes também são chamados de reis e sacerdotes. Ali talvez seja indicado como, na eternidade futura, elevadas posições de governo poderão ser alcançadas, tanto no milênio como já no estado eterno, por parte do povo de Deus. tal como existem muitos elevados seres angelicais governantes. Seja como for, o verdadeiro crente desde agora já «reina em vida· (ver Rom. 5:17).
*...nação santa...· Essa descrição também é extraída de Exo. 19:6.
O termo grego ·<<laos>> (povo, nação ), mui provavelmente não deve ser entendido noutro sentido que tem o termo ·genos». São meros sinônimos.
(Ver, no quinto versículo deste capitulo, onde o sacerdócio é chamado «santo»). A necessidade de santidade, adquirida através do processo de santificação, é novamente frisada ante nossos olhos. E impossível alguém exagerar o imperativo moral, porquanto é através da transformação mora) que vamos sendo transformados segundo a imagem metafísica de Cristo. (O leitor pode consultar as notas expositivas sobre o quinto versículo, quanto a esse tema). Somos «santos» porque fomos «separados» do mundo, de seus vícios e corrupções. A ideia de «separação do mal» e de «separação para Deus» faz parte inerente do termo grego agios, «santo». O vocábulo grego básico é «agos», que indicava qualquer coisa que provocava o «respeito» religioso. Essa palavra veio a ser vinculada aos «sacrifícios» oferecidos aos deuses, por serem sacrifícios «separados» para esse propósito. E assim a ideia de «separação» passou a fazer parte de seu significado. Porém, «pureza» de ordem moral e espiritual é a ideia fundamental desse vocábulo, o qual, algumas vezes tem. e outras vezes não tem a ideia de separação. A nação santa deve ser uma nação «separada» de outras nações, tanto na conduta da vida como na natureza da alma.
«...povo de propriedade exclusiva de Deus...» O grego diz aqui, literalmente, um povo para aquisição», ou então «um povo para a possessão·. Essa nação devia ·pertencer a Deus* vorazmente, demonstrando isso por seus atos agradáveis ao Senhor, ao passo que os povos estrangeiros seriam possuídos por forças espirituais da maldade, conduzindo-se como bem entendessem. O povo ·possuído», portanto, deve ser santo, porquanto faz parte das possessões de Deus. Idêntico argumento pode ser visto em I Cor. 6:19.20. Não «pertencemos a nós mesmos»; em outras palavras, não podemos agir como melhor nos pareça; pelo contrário, fomos *comprados por preço», a saber, ao custo da expiação pelo sangue de Cristo. Assim sendo, pertencemos a ele. de corpo c alma. Nosso ser, pois, torna-se a localidade da glória de Deus, porquanto seu Santo Espirito habita em nós.
Ver Isa. 43:21. que declara: «... .ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor».
Deus torna esse povo remido uma possessão exclusivamente sua. a fim dc que todos os seres inteligentes possam receber uma lição objetiva de como, cm Cristo, se acha a vida c a existência de todos. (Ver Efé. 3:10. e as notas expositivas ali existentes, quanto a essa verdade). Nisso Deus demonstra sua sublime sabedoria, a qual, finalmente, se mostrará eficaz e operante em todas as porções de sua criação. Então Cristo ocupará o lugar que lhe convém, no universo, c será ·tudo em todas as coisas». (Ver Efé. 1:23).
*...afim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz...» Essas virtudes declaramos agora mediante a pregação do evangelho; mas também as declaramos por nossas vidas dedicadas ao Senhor. No dia da eternidade também haveremos de proclamá-las. No dizer de Hunter (in loc.): «Um privilégio envolve responsabilidades: o novo povo de Deus deve tomar a peito a sua tarefa, que não foi cumprida pelo antigo povo, a saber, a declaração das excelências (dos feitos admiráveis) de Deus, que os chamou das trevas do paganismo para a maravilhosa luz da salvação.
·...virtudes... - No grego é ׳areie*, ·excelência moral·, ·manifestação do poder divino», ׳milagre ׳ . (Comparar com Isa. 43:21 c 42:12: ·...anunciai a sua glória nas terras do mar·, onde. na Septuaginta, é usado o mesmo vocábulo grego que se acha aqui).
O crente deve exibir, em suas palavras e em sua vida. não meramente a bondade de Deus, mas também a sua glória, a sua grandeza, todos os seus nobres atributos, como a justiça, a sabedoria e a força· (Bigg, in loc.).
Naturalmente, este versículo tem certo sentido evangelizador: a ·exibição» das excelências divinas é feita mediante a pregação do evangelho, por meio do que Deus mostra a sua bondade para conosco, por intermédio de Cristo.
·...trevas...* Esse é o símbolo do pecado, em seu poder segador e em seus efeitos prejudiciais. As metáforas da luz» e trevas» são comentada s amplamente cm Efé. 5:8, onde a ideia do presente versículo é bem esclarecida. (Comparar também com Col. 1:13, onde se lê: ·Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor·).
O reino do Filho, naturalmente, é o reino da luz. (Ver também João 1:9, quanto ao poder iluminador de Cristo, a Luz do Mundo). Cristo ilumina aos crentes, até nos tornarmos filhos da luz, possuidores da mesma natureza dele. Sua iluminação nos espiritualiza.
Pedro convoca os seus leitores originais a uma ação corajosa. Já vinham sofrendo por apresentarem Cristo e a sua luz aos homens. Mas agora são exortados a envidarem ainda maiores esforços na exibição clara do que está envolvido nessa lealdade.
«...maravilhosa luz...» No grego o adjetivo e «thaumastos», que significa ·maravilhoso», «admirável·, ·notável», aquilo que causa admiração e respeito, devido à sua grandiosidade, poder ou raridade. Assim é que o evangelho narra a obra extraordinária de Deus por meio de Cristo, mediante o que foi realizada a redenção.
A ideia oposta à luz, ♦trevas», é usada porque o pecado é a ignorância de Deus, o contrário exato da iluminação espiritual. O pecado é assim chamado porque geralmente é praticado em segredo, escravizando a impiedade oculta que os olhos puros não podem contemplar. O pecado é a privação daquilo que é bom e saudável, cm que o pecador se oculta de Deus e da luz da majestade de sua presença.
Luz. No dizer de Alford (in loc.): ·Esta expressão dificilmente significa apenas a luz de nossa vida cristã; antes deve indicar aquela luz da própria presença de Deus e de seu Scr. conforme a qual deve ser amoldado o nosso próprio andar na luz: a luz à qual aludiu o apóstolo João. quando disse: ...se andarmos na luz, como ele está na luz... .
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 110-111.
1 Pd 2. 9. Os vv. 9-10 apresentam uma descrição da “identidade corporativa” dos cristãos; aqui eles são vistos como grupo, como coletividade, como comunidade e corpo de Jesus Cristo. Os termos e as imagens têm como pano de fundo passagens bíblicas dos livros de Êxodo e Isaías (2- parte), sem que haja uma citação direta. Formalmente, tal caracterização dos crentes é oposta à caracterização dos não-crentes, no v. 8b (aqueles que tropeçam por desobedecer à palavra). Vemos, assim, que nos vv. 7-10 há quatro descrições dos dois grupos em que se divide a humanidade a partir do evento de Cristo: As duas primeiras descrições falam da consequência da aceitação ou rejeição de Cristo, sendo a ordem: crentes - descrentes. As duas últimas descrições falam da posição dos mesmos em relação à Palavra, dessa vez na ordem inversa: descrentes - crentes.
Vós. porém, estabelece um contraste com o fim do versículo anterior, sendo subentendido “vós, porém, que obedeceis à palavra...” (ao contrário daqueles), cf. 1.22. Isto é confirmado pela ausência de verbo principal no v. 9. A estrutura do versículo forma uma série de quatro designações do “caráter corporativo” dos crentes, seguida de uma descrição da missão para a qual foram chamados. Raça eleita pode soar um tanto estranho neste contexto. Claramente não se está pensando no povo judeu, embora se utilize uma expressão que a ele é aplicada em Is 43.20 (também nos acréscimos da Septuaginta ao livro de Ester, Et 8.12t; ver BJ). Genos tem aqui, sem dúvida, o sentido de “povo”, “raça” (Bauer; ARC tem “geração eleita”, cf. Barth). Os cristãos, então, são vistos como formando uma nova raça, diferente tanto de judeus como de gentios.
Este novo povo assume os privilégios e a promessa que pertenciam ao povo judeu, por este ter desobedecido à Palavra e rejeitado o Messias (2.7-8). Perderam também o sacerdócio que lhes pertencia, para, por meio dele, serem uma bênção a todos os povos (em cumprimento da promessa feita a Abraão, Gn 12.2,3). Este passou agora às mãos daqueles que o exercerão no espírito do seu Sumo-sacerdote, Jesus (para este tema, ver a epístola aos hebreus). Aqui ainda é acrescentado um ingrediente novo a este sacerdócio: é um sacerdócio-real (cf. Ex 19.6). E real porque serve ao Rei da terra, e assim Tem parte na Sua natureza real. E real porque é serviço em prol da basileia, do Reino de Deus. Também no livro de Apocalipse, os cristãos são apresentados como participantes da realeza de Cristo (cf. Ap 1.6; 5.10; 20.4,6; 22.5).
Além da raça eleita e sacerdócio real, ele são também nação santa (gr. ethnos hagion). Não está muito claro qual é a diferença entre genos (raça) e ethnos (nação); muitas vezes, na prática, os termos são sinônimos.
Por fim, os cristãos são povo de propriedade exclusiva de Deus. No gr. isto é laos eis peripoiêsin, lit. “povo para aquisição (posse)”, mas não há dúvida de que ARA (cf. também BJ: “o povo de sua particular propriedade”) capta bem o sentido da expressão, que é moldada em Is 43.21.
Analisando as quatro designações como um todo, e na relação entre elas, podemos constatar o seguinte: a) sempre se pressupõe a unidade dos cristãos; eles são uma raça, uma nação, um povo, uma comunidade de sacerdotes. Esse dado deve levar o grupo internamente a uma maior coesão; b) pensando estritamente na relação com Deus, podemos considerar a primeira e quarta designações: são povo só de Deus, são eleitos por Ele. Igualmente, podemos considerar as outras duas designações mais em relação aos outros homens, à sociedade humana: são sacerdotes do Reino de Deus para o mundo e santos (mantendo sua distinção e separação, dentro do serviço prestado ao mundo). Como pudemos notar, essa passagem está repleta de motivos tirados do Antigo Testamento. Isto revela basicamente uma convicção que tem profundas repercussões teológicas.
A igreja se apropria dos títulos do povo de Deus do AT, entendendo se como a sua continuação na história. As antigas promessas estão cumpridas, e os que creem neste cumprimento tornam-se novo povo de Deus, herdeiro da bênção e da eleição de Israel é agora realidade” (Schelkle). Um ultimo fator digno de nota e a que já observamos anteriormente, é a proximidade dos temas bíblicos aqui refletidos com o motivo do êxodo. Tanto nos textos de Êxodo como da parte citada do livro de Isaías, gira-se em tomo desse tema. Aqui, no entanto, o enfoque parece ser diferente. O êxodo continua a ser visto como ponto formador do povo de Deus (no caso, é o novo povo de Deus que é formado), pela libertação das pessoas dos laços que as prendiam ao pecado e às estruturas da sociedade (1.14, 2.1, 2.11; 4.3). Tomam-se livres para Deus e livres para o serviço e missão na sociedade, conforme veremos na sequência do versículo.
Este povo descrito em termos tão magnificentes e repletos de conteúdo tem uma missão no mundo. No grego, a fim de é hopõs, aqui usado como conjunção com sentido de propósito, finalidade (Bauer). A missão é de proclamardes as-virtudes (de Deus). Virtudes é aretas, um termo amplamente difundido na época, e muito importante na concepção ética e religiosa do helenismo. Aqui, poderia estar por trás da palavra uma concepção judaica, o que estaria em linha com a coloração veterotestamentária de todo o trecho. Assim, Bauer crê poder ver por trás do termo o hebr. tehillah (louvor); talvez isto esteja refletido na BJ, que traduz por “excelências” (cf. também IBB: “grandezas”). Estão em vista, então, as grandes obras de Deus na história do Seu povo (cf. BLH: “os feitos maravilhosos de Deus”, uma bela tradução). Tenha-se em mente, em todos os casos, que “aqui é expresso algo de caráter inteiramente dinâmico, e não estático, como é o nosso conceito de virtude” (Rienecker).
Mesmo se o termo estiver refletindo mais a concepção helenista sobre os grandes feitos dos deuses (como insistem vários pesquisadores), a diferença não é grande. Que seriam, principalmente, estes “grandes feitos de Deus”? Goppelt, reportando-se aos vv. 1.18ss., descreve-os como “a morte e ressurreição de Jesus como a transformação libertadora do homem e do seu mundo”, acrescentando: “Trata-se do êxodo, que Isaías 43 tem em mente, em uma forma escatológica”. O feito maior de Deus, sem dúvida, é a vida e obra de Jesus, que abre definitivamente diante do homem o futuro, o êxodo, a libertação, vencendo todas as barreiras que podiam impedi-lo de se tornar realidade concreta.
Os feitos de Deus devem ser proclamados (Barth: “propagados”).
O gr. evangelho é mais intensivo do que simplesmente “anunciar”. Deus é apresentado aqui como Aquele que vos chamou das trevas para a luz conforme o costume judeu de substituir o nome por algum dos Seus atributos ou feitos. Volta aqui o tema do “chamado” de Deus (cf 1.15). A salvação dos leitores é descrita em forma figurada como “passar das trevas para a luz”. Trevas ékotos bastante usado em sentido metafórico, designando especialmente o “entenebrecimento religioso e moral, o obscurecimento causado pelo pecado” (Bauer), conforme Jo 3.19-21; At 26.18; Rm 2.19; 1 Jo 1.6. Neste sentido, o termo é, como aqui, contrastado com a luz (gr. fõs) como a esfera da salvação, da retidão, da presença de Deus (é a Sua luz). Esta luz é ainda caracterizada como maravilhosa (NTT: “admirável”). O termo gr., thaumaston, sugere admiração.
Vemos, assim, que aos grandes feitos de Deus na vida e morte de Jesus, aqui exaltados, acrescentam-se os Seus grandes feitos hoje, na vida dos crentes, fazendo-os passar “do império das trevas para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13; no v. 12 isto é en to foti, “na luz”); ou, na linguagem de 1 Pedro, “regenerando-os” para a salvação.
Ênio R. Mueller. 1 Pedro Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 134-138.
2.9 - Os cristãos às vezes falam do “sacerdócio real” Nos tempos do AT. as pessoas não se aproximavam de Deus diretamente.
Um sacerdote agia como intermediário entre Deus e os seres humanos pecadores. Com a vitória de Cristo na cruz, tal padrão foi mudado. Agora podemos estar diretamente na presença de Deus. sem medo (Hb 4.16), e recebemos a responsabilidade de aproximar outras pessoas a Ele (2 Co 5.18-21). Quando nos unimos a Cristo como membros de seu corpo, nos unimos à sua obra sacerdotal de reconciliar as pessoas com Deus.
2.9,10 - As pessoas frequentemente baseiam seu conceito próprio em suas realizações. Mas o nosso relacionamento com Cristo é muito mais importante do que o nosso trabalho, sucesso,
riqueza ou conhecimento. Fomos particularmente escolhidos por Deus e chamados para representá-lo ãs outras pessoas. Lembre-se de que seu valor se origina de você ser um filho de Deus, e não daquilo que você pode alcançar. Você tem valor pelo que Deus faz, não por aquilo que você faz.
APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1766.
II - OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO (3.18,19)
1. Os inimigos da cruz (v.18).
A identificação dos inimigos da cruz de Cristo
Havia na igreja alguns cristãos advindos do judaísmo que não conseguiam se desvencilhar da velha religião. Queriam acrescentar a Lei de Moisés à obra da redenção realizada por Cristo. Queriam manter alguns ritos e costumes como elementos indispensáveis à obra de salvação realizada por Cristo Jesus. Eram coisas ligadas às leis alimentares que faziam parte da estrutura moral e social da lei mosaica. Portanto, o apóstolo Paulo identifica aqueles judaizantes como “inimigos da cruz de Cristo”, porque eles negavam o valor da cruz de Cristo (G1 5.11; 6.12,14). Paulo dá a resposta a esses falsos cristãos quando diz que “o deus deles é o ventre” (3.19). Essa batalha doutrinária era travada não só em Filipos, mas em todas as igrejas da Ásia Menor, como em Éfeso, Tessalônica, Colossos, Bereia, Corinto, Antioquia e outras mais. Porém, percebe-se que naquele momento Paulo se deparava com duas frentes antagônicas e perigosas. Uma em Corinto, com um grupo que proibia o casamento (1 Co 7.1), e outro grupo constituído por libertinos que defendiam a ideia de que “tudo é permissível” (1 Co 6.12). Agora, em Filipos, outro grupo de cristãos adotava a falsa doutrina da separação entre carne e espírito, no sentido de que entre ambos não havia choque. Com a carne serviam à carne, sem afetar o espírito, e com o espírito, serviam ao espírito sem afetar a carne. Essencialmente, essa ideia do gnosticismo é falsa e refutada na Bíblia. Paulo disse aos tessalonicenses: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). Eram pessoas voltadas para o materialismo e para a satisfação carnal da glutonaria, por isso, o “deus deles é o ventre” (3.19).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 113-114.
As palavras «...muitos andam entre nós...» servem de prova que Paulo falava de cristãos professos. Deve-se notar novamente aqui o verbo comum, no grego, «peripateo», que quer dizer «andar», usado metaforicamente para indicar a conduta de vida, ainda que aqui apareça como algo negativo.
As acusações aqui feitas pelo apóstolo indicam a corrupção tanto de doutrinas como da prática diária. Doutrinariam ente, porque os tais eram «inimigos da cruz de Cristo...», de gradando o valor da expiação consumada de Cristo, através da adição dos méritos humanos, adquiridos mediante as observâncias legalistas (o que era ação dos «judaizantes» legalistas, no seio da igreja cristã), ou mesmo ignorando totalmente a expiação pelo sangue de Cristo (o que era ação possível de elementos vindos do paganismo, filósofos, mas. que não compreendiam a expiação do Rei crucificado). Todavia, o vs. seguinte aponta definidamente para um a vida diária corrupta. Assim, pois, alguns indivíduos eram meramente legalistas e pregavam outro evangelho (ver Gál. 1:8,9), embora não se caracterizassem por defeitos morais profundos; mas havia aqueles que eram moralmente perversos. E também havia quem fosse doutrinária e moralmente pervertido. No entanto, todos se encontravam nas fileiras cristãs, professando a Jesus como o Messias e como o Salvador. Em todos os tais, entretanto, Paulo via um exemplo negativo, que precisa ser evitado.
No original grego não figuram as palavras aqui traduzidas por «...entre nós...», embora se trate de um a inferência justa, pois Paulo atacava elementos pertencentes à igreja cristã, e não associados possíveis dos crentes, no mundo. Talvez houvesse alguns indivíduos de tendências gnósticas, que reduziam a posição elevadíssima de Cristo a um dos «aeons» ou seres angelicais, os quais, conforme diziam os gnósticos, exerceriam domínio sobre certos centros, mundos, lugares celestiais, etc. Alguns gnósticos reduziam Cristo a apenas um dos muitos chamados «deuses», cuja esfera de autoridade é esta terra; e vários deles nem ao menos reputavam Cristo como o maior desses deuses. Outros gnósticos eram extremamente libertinos em seus atos, porquanto pensavam que o corpo é a origem mesma do pecado, ao passo que o espírito seria inatingido pelo pecado. Ainda conforme diziam, o corpo participa da matéria crassa, pelo que não pode ser remido; ao morrer o corpo físico, terminaria o problema do pecado, e o espírito ficaria inteiramente livre do mesmo. Ora, o resultado lógico e prático disso é que os gnósticos imaginavam que aquilo que acontece ao corpo é destituído de importância, podendo ele ser usado para qualquer finalidade vergonhosa e imoral, porque isso em nada afetaria ao espirito. Também havia os filósofos epicureus, a maioria dos quais não cria na imortalidade, pelo que também enfatizavam os prazeres dos sentidos, o que os conduzia a muitos atos de imoralidade. É bem possível que houvesse muitos pagãos dessa natureza, que realmente nunca se tinham convertido, que se associavam à igreja, deixando-se atrair pela mensagem cristã ou pelos prodígios feitos entre os crentes, mas que na realidade nunca se haviam arrependido e nem viviam realmente a vida cristã.
«...repetidas vezes eu vos dizia...», isto é, por meio de cartas, porque houve outras epístolas escritas aos crentes de Filipos, além desta (ver Fil. 3:1). Mas Paulo também dera tal instrução pessoalmente, quando de seu ministério entre eles. A gora, pois, estavam sem desculpa a dar por tolerarem erros tão grosseiros no seio da igreja, por seguirem a tais indivíduos, ao invés de imitarem o exemplo dado pelo apóstolo dos gentios.
«...vos digo até chorando...» No dizer de Vincent (« loc.): «Essa profunda emoção seria provocada mais provavelmente por crentes traidores do que por pagãos cuja sensualidade e mundanismo eram tão conhecidos do apóstolo. Certamente ele se sentia mais profundam ente afetado ante a vergonha e ao dano feito contra a igreja, por cristãos professos, devido às condições infelizes e perigosas dos mesmos». Isso pode ser confrontado com as declarações de Paulo concernentes à sua necessidade de escrever com grande severidade para os crentes coríntios: «...no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração vos escrevi, com muitas lágrimas...» (II Cor. 2:4).
«A tristeza especial (do apóstolo), sem dúvida alguma, se derivava da devassidão própria do antinomianismo que se abrigava debaixo de sua pregação de liberdade e da superioridade do Espírito acima da lei». (Barry, in loc.).
«Suas lágrimas... servem de evidência que ele não estava motivado pela inveja ou pelo ódio aos homens, e nem por qualquer disposição de escárnio, e nem pela insolência do mau temperamento, e, sim, pelo zelo piedoso, porquanto também via que a igreja estava sendo miseravelmente solapada por elementos tão pestíferos. Sem dúvida convém que nos preocupemos se virmos que o lugar dos pastores é ocupado por pessoas ímpias e sem valor.
Cumpre que suspiremos e evidenciemos nossa tristeza, pele menos com
nossas lágrimas, dando a entender que sentimos profundamente a calamidade da igreja». (Calvino, in loc.).
«...são inimigos da cruz de Cristo...» De que maneira particular eram aqueles indivíduos inimigos da cruz, tem sido motivo de intensa especulação por parte dos comentadores. Consideremos os pontos abaixo:
1. Alguns estudiosos pensam que são focalizados aqui aqueles que pregavam a lei como motivo da justificação, e não a cruz de Cristo, com sua expiação e graça.
2. Outros eruditos preferem apontar para o temor das perseguições como a causa dessa inimizade, posto que a cruz era ofensiva para muitos (ver Gál. 6:12, onde Paulo acusa os legalistas dessa ação de covardia).
3. Alguns pensam que o ódio à cruz era expresso por meio de palavras, e não apenas íntimo e sem exteriorização, porquanto alguns não queriam crucificar o próprio «eu»; e assim, a vida diária que tinham era um opróbio à cruz de Cristo.
4. O versículo décimo nono deve descrever tais elementos, pelo menos em parte; ali vemos pecados morais, onde o «eu» é transformado em um «deus», onde os apetites sensuais ocupam o primeiro lugar, com o aquilo que satisfaz e agradasse esses apetites sensuais são particularmente designados neste ponto.
Mas não podemos ter dúvidas que Paulo também pensava sobre aqueles cuja doutrina errônea degradava a cruz de Cristo de algum a maneira.
«Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo ... » ׳(Gál. 6:14). E foi mediante a cruz que o mundo ficou crucificado p ara o apóstolo dos gentios, e ele p ara o mundo, conforme se lê na continuação desse citado versículo. Até mesmo sob o disfarce da total aceitação de tudo quanto Cristo representa, acompanhado pela aceitação total de um credo ortodoxo, os crentes se fazem inimigos daquele que afirmam-se o seu maior Amigo. Aqueles que negam o poder da cruz, na prática diária, não são melhores, espiritualmente falando, do (que aqueles que a negam através de erros doutrinários. Pois sem a santidade, ninguém jamais verá a Deus (ver Heb. 12:14).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 55-56.
.... O pastor é aquele que protege, dos falsos mestres o rebanho (3.18). Paulo pregou a verdade e denunciou o erro. Ele promoveu o evangelho e combateu a heresia. Não fazia relações públicas acerca da verdade para agradar às pessoas. Ele chamou esses falsos mestres de inimigos da cruz de Cristo.
Quem eram esses inimigos da cruz de Cristo? Warren Wiersbe acredita que Paulo está falando dos mesmos judaizantes já descritos em Filipenses 3.2, uma vez que eles acrescentavam a Lei de Moisés à obra da redenção que Cristo havia realizado na cruz. Também, por causa de sua obediência às leis alimentares do Antigo Testamento, “... o deus deles é o ventre” (Fp 3.19) e sua ênfase sobre a circuncisão corresponderiam a gloriar-se em algo que deveria ser motivo de vergonha (G1 6.12-15).376 Os judaizantes eram inimigos da cruz de Cristo porque esta deu cabo da religião do ritualismo como meio de chegar até Deus. Com a morte de Cristo, o véu do templo foi rasgado, e agora o homem tem livre acesso a Deus por meio de Cristo, o novo e vivo caminho (Hb 10.19-25). O que eles consideravam uma linha divisória entre os homens, a circuncisão, Cristo derrubou por meio da sua morte (Ef 2.14-16).
William Hendriksen, entretanto, de forma diferente, pensa que Paulo não está aqui falando dos judaizantes, mas dos libertinos e sensualistas glutões e grosseiramente imorais. A natureza pecaminosa é propensa a saltar de um extremo a outro, ou seja, do legalismo à libertinagem.
Assim, esses falsos mestres eram aqueles que transformaram a liberdade cristã em libertinagem (G1 5.13; IPe 2.11). Na Carta aos Romanos, Paulo apresenta advertência contra aqueles que dizem: “Pratiquemos males para que venham bens” (Rm 3.8b); “Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante” (Rm 6.1b). “... porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suas palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos” (Rm 16.18).
Na igreja de Corinto, Paulo enfrentou tanto os ascetas que proibiam o casamento (IC o 7.1) quanto os libertinos que diziam que tudo é permissível (IC o 6.12). De modo idêntico, ainda hoje, a graça de Deus é recebida em vão por aqueles que continuam a viver sob a lei e pelos que pensam que devem permanecer no pecado, para que a graça aumente.
... O pastor é aquele que exorta com firmeza e com lágrimas (3.18). Paulo tem firmeza e doçura. Ele exorta com a clareza da sua mente e com a profundidade do seu coração. Ele tem argumentos irresistíveis que emanam da sua cabeça e convencimento pelas lágrimas grossas que rolam da sua face. Paulo não é um apologeta ferino e frio, mas argumenta com irresistível clareza e com a eloquência das lágrimas. Paulo chora sobre aqueles a quem ele ensinou e sobre aqueles a quem repreendeu (At 20.19,31; 2Co 2.4). Em Paulo, havia uma sincera união de verdade e amor. Ele advertiu sobre o erro e chorou sobre aqueles que permaneceram nele.
O zelo pastoral de Paulo o levava às lágrimas na defesa de suas ovelhas. Ele se comovia ao perceber que algum perigo os ameaçava. O apóstolo era não só um homem de agudo discernimento e inquebrantável decisão, mas também de emoção ardente.380 E bem provável que esses mestres estivessem posando como “modelos” de liderança cristã e, como consequência, minando a autoridade de Paulo. O apóstolo está emocionalmente comovido, enquanto escreve, até chorando, talvez muito mais por causa de crentes que abandonaram suas igrejas (2Co 2.4) do que pelos mestres que os desencaminharam.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 211-213.
O apóstolo advertiu que, na busca do prêmio espiritual da semelhança de Cristo é preciso reconhecer que há muitos exemplos a serem evitados. Os inimigos da qual Paulo advertiu não parecem ter sido abertamente hostis à fé cristã. Como seu mestre do mal, Satanás, que eram enganosas, disfarçando-se como mensageiros de Cristo, anjos de luz, e funcionários da justiça (2 Coríntios. 11:13-15). Eles se tornaram parte da Igreja, possivelmente, até mesmo em papéis de liderança. Sua sutileza fez excepcionalmente perigosa.
O Novo Testamento constantemente alerta para o perigo representado por falsos mestres. No Sermão da Montanha, Jesus advertiu: "Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores" (Mateus 7:15). No Sermão do Monte Ele acrescentou: "Vede que ninguém engane vocês. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Eu sou o Cristo', e enganarão a muitos "(Mateus 24:4-5).
Atos registra os falsos mestres Simão, o Mago (Atos 8:9-24) e Elimas (At 13:8-11), enquanto Paulo lidou com Himeneu e Alexandre, em Éfeso (1 Tm 1:20.). O apóstolo advertiu tanto Timóteo (1 Tm. 1:4) e Tito (Tito 3:9) para evitar falsos mestres que se envolveu em mitos e genealogias. Tanto Pedro (2 Pedro) e Jude escreveu sobre o perigo dos falsos mestres. John também alertou seus leitores a terem cuidado com os falsos mestres: Amados, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se eles são de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Por isso, você sabe o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus, e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus, este é o espírito do anticristo, do qual você tem ouvi dizer que ele está chegando, e agora já está no mundo. (1 João 4:1-3)
Em sua segunda epístola, ele acrescentou: "Muitos enganadores saíram pelo mundo, aqueles que não reconhecem Jesus Cristo veio em carne e osso. Este é o enganador eo anticristo "(2 João 7).
Infelizmente, por causa da apatia para a verdade e conhecimento bíblico superficial, a igreja de hoje carece de discernimento. É surpreendente e preocupante ver as coisas cristãos acreditam e as pessoas que eles seguem.
A falta de informações consistentes e de longo prazo precisa exposição bíblica do púlpito levou a uma falta de pensamento bíblico preciso e discernimento. O resultado trágico é a vitimização generalizada da Igreja pelos inimigos da cruz de Cristo. (Para uma discussão mais aprofundada da falta de discernimento na igreja, ver John MacArthur, Faith Reckless: Quando a Igreja perde a sua vontade de Discernir [Wheaton, Illinois: Crossway, 1994].)
Ao contrário dos exemplos piedosos do verso 17, a caminhada (conduta diária) dos falsos mestres não é para ser imitado. Alguns veem a frase de quem repetidas vezes vos disse como uma referência a 1:28. Mais provável, no entanto, refere-se às advertências Paul deu à Igreja de Filipos, quando ele estava com eles em pessoa. Ele deu um aviso semelhante aos anciãos da igreja de Éfeso:
Estar em guarda para vós e para todo o rebanho, entre os quais o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus que Ele adquiriu com o Seu próprio sangue. Eu sei que depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vós, que não pouparão o rebanho; e entre seus próprios homens eus irão surgir, falando coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, esteja em alerta, lembrando que dia e noite por um período de três anos não cessei de admoestar cada um com lágrimas.
(Atos 20:28-31)
Paulo advertiu aos filipenses que os falsos mestres são inimigos da cruz de Cristo. Mas fê-lo não com alegria, mas com choro. Este é o único lugar no Novo Testamento que Paulo fala de si como chorando no tempo presente. Ele era um homem sensível, apaixonado, e o sofrimento dos pecadores perdidos ou a ameaça a suas congregações amados, muitas vezes o levou às lágrimas (cf. Atos 20:19, 31; Rm 9:2;.. 2 Cor 2:4). Paul estava de coração partido quando ele reconheceu a destruição dos falsos mestres poderia causar na igreja de Filipos. Ele, sem dúvida, também chorou sobre o destino dos falsos mestres dos (cf. Rom. 9:2). A condenação dos inimigos da cruz, o seu impacto destrutivo sobre a igreja, ea repreensão que trouxe a causa de Cristo causou Paulo tristeza.
Paulo descreveu os falsos mestres como inimigos da cruz de Cristo. A cruz termo não se limita ao instrumento real de madeira de morte (1 Co 1:17- 18, 23;. 2:2; Gl 3:1;. 6:14;. Ef 2:16; Col. 1:20 , 2:14, 1 Pedro 2:24), mas significa a morte expiatória de Cristo em todos os seus aspectos. Os falsos mestres eram contra a salvação!
Paulo não rotular os inimigos específicos da cruz de Cristo que estavam incomodando os filipenses. Existem, no entanto, apenas duas opções: eram judeus ou gentios, ou ambos. Os mestres judeus falsos que se identificavam com a Igreja eram conhecidos como os judaizantes (cf. Atos 15). Eles argumentaram que o evangelho por si só era insuficiente para salvar; circuncisão e guardar a Lei também eram necessárias. Paul vigorosamente os denunciou em 3:2 como "cães, ... trabalhadores mal", e "circuncisão do falso." Embora eles pensavam de si mesmos, como ovelhas no pasto de Deus, os judaizantes eram realmente sarnento, mestiços scroungy. Seus descendentes espirituais de aqueles que adicionar obras para a salvação-praga a igreja até hoje.
Uma vez que Paulo não especificamente identificar esses inimigos da cruz como judaizantes, eles podem ter sido gentios. Alguns professores gentios falsos realizada à filosofia dualista predominante no pensamento grego contemporâneo. Esses hereges, precursores do perigoso do segundo século heresia conhecida como gnosticismo, ensinava que o espírito era bom e a matéria era mau. Desde que o corpo é feito de matéria, é intrinsecamente mau. Salvação, em última análise resgate envolve não o do corpo, mas a libertação a partir dele. Assim, uma vez que o corpo é mal incurável, não importa o que se faz com ele. Seus desejos podem ser saciados, uma pessoa pode ser um glutão, um bêbado, um homossexual, ou adúltero. Todas essas coisas, ensinou os hereges, eram inconsequentes, uma vez que eles afetaram apenas o corpo, não o espírito. Os judaizantes adicionado ao evangelho, os gentios professores falsos subtraído dela.
Esse mesmo espírito de libertinagem antinomiano vive hoje. Há aqueles na igreja contemporânea que ensinam que a fé salvadora não precisa resultar em uma vida de santidade. Desde a morte pagou por crentes Jesus pecados, argumentam eles, não importa como eles vivem. Alguns até mesmo ensinam que todos os que professam a fé em Cristo são salvos, mesmo que mais tarde se tornar ateus.
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
2. “O deus deles é o ventre” (3.19).
“O deus deles é o ventre” (3.19)
A expressão “o deus deles é o ventre”, exegeticamente, pode ser analisada em duas perspectivas. Uma perspectiva é aquela voltada para o sentido físico em que o comer e beber obedecem à ética e às purificações rituais das tradições judaicas. Os seguidores desses rituais entendiam que o deixar de comer carne de porco e de outros animais proibidos na lei mosaica lhes garantia uma religiosidade exemplar de relação com Deus. Por outro lado, a segunda perspectiva refere-se à busca do prazer físico no comer e beber. O termo “ventre” tem um sentido figurado que representa os apetites, os desejos carnais e sensuais. Paulo acusa esses falsos judeus de viverem para satisfazer os prazeres da carne, da glutonaria, da bebedice, da imoralidade sexual, satisfazendo todos os desejos lascivos. O pastor Hernandes Dias Lopes, em seu comentário da Carta aos Filipenses, escreveu: “Eles vivem encurvados para o próprio umbigo”. Essas pessoas eram consideradas como inimigas da cruz de Cristo porque queriam que a Lei de Moisés, com seus rituais, fosse um meio de chegar a Deus. Ora, se o cumprimento da lei não pode conduzir ninguém a Deus, pelo contrário, condenou a todos, então, somente a graça do Senhor Jesus Cristo é capaz de salvar o homem dos seus pecados. Os adeptos da filosofia gnóstica, fingindo-se cristãos, tentaram injetar suas heresias no seio da igreja. Entendiam essas pessoas que o que fizessem com a carne não afetaria as coisas do Espírito, mas o mesmo apóstolo falou aos gálatas: “Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõe-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (G1 5.16,17).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 114-115.
As palavras «...é a perdição...» indicam o julgamento dos ímpios. (Ver os trechos de Apo. 14:11; I Ped. 3:18-20 e 4:6, quanto a notas expositivas que procuram descrever o que isso significa, até onde nosso entendimento^ nos tem levado). Para muitos, Deus está morto, em qualquer aplicação prática à esta vida, se não mesmo em suas declarações doutrinárias. Esses são os «ateus práticos», isto é, aqueles que conduzem suas vidas como se Deus não existisse, ainda que professem acreditar na existência de algum ser supremo. Muitas pessoas mostram-se assim decaídas; e apesar de professarem ter fé religiosa, e até mesmo fé em um Cristo ortodoxo, ainda assim jamais se converteram a ele, pelo que também são ateus práticos em sua existência diária.
Perdendo D e Vista O Propósito Da Existência
1. O trecho de Efé. 1:10 por certo ensina que Deus fará algo de muito significativo, visando o bem dos não-eleitos. (Ver as notas sobre a «missão universal de Cristo», em João 14:6).
2. Porém, a verdadeira vida consiste da participação na própria natureza de Cristo (ver II Cor. 3:18); e aqueles que fracassam quanto a esse alvo, perdem de vista o propósito da vida humana. Esse é o principal aspecto da perdição eterna, porquanto aponta' para a destruição no tocante ao propósito mesmo da vida. Não há, nas páginas do N.T., qualquer indício de que um a alma humana deixará de existir.
« ...perdição...» No grego tem os o termo «apoleia», em seu sentido primário de «destruição», que pode ser absoluta ou parcial. Quando aplicada ao julgamento, essa palavra usualmente é considerada, pela teologia cristã, como «ruína para o propósito original». (Ver notas sobre o julgamento em Apo. 14:11). Assim sendo, quem vai para a perdição não poderá cumprir o destino que lhe estava reservado, mas fica arruinado, até onde diz respeito esse destino. As ideias de sofrimento e retribuição também estão associadas ao julgamento, tal como na figura simbólica do «fogo».
Assim será porque todas as dívidas terão de ser pagas até ao último ceitil, visto que aquilo que um homem semear, isso também colherá, sem importar se se trata de um incrédulo, de um crente ou de um pseudocrente,
No entanto, o juiz o divino também será disciplinador e restaurador, conforme vemos em I Ped. 4:6, já que os decretos divinos mais severos também têm por intuito «restaurar através da adversidade». (Ver Rom. 11:32 e as notas expositivas ali existentes, sobre esse tema).
«...o deus deles é o ventre...» Isso significa que o summum bonum deles, o seu maior bem , a inquirição de suas almas, ainda que disfarçada pela inquirição espiritual, na realidade não passa da tentativa de satisfação de seus apetites físicos. E orgulham-se da qualidade e da quantidade de tais satisfações que têm podido juntar, como a prostituta que costuma manter o registro de sua clientela, talvez guardando até mesmo um a fotografia de cada cliente, conforme algumas delas fazem. E muitos se gloriam em sua vergonha de infinitas maneiras diversas. Essa atitude pode ser com parada à atitude dos ciclopes, no relato de Eurípedes, os quais representam tão bem essa atitude: «Meus rebanhos eu sacrifico para mim mesmo, e não para os deuses; pois o meu ventre é o maior dos deuses: porquanto comer e beber todos os dias, e não sentir perturbação alguma, esse é o deus de todos os homens sábios». (Ciclop. , 334 - 338). Xenofonte (Mem. i.6,8 e ii. 1,2) falou sobre os «escravos do ventre».
Não parece haver aqui qualquer alusão indireta às leis cerimoniais judaicas, que tanto salientavam alimentos; mas antes, são apontados aqui os apetites físicos, não se podendo limitar essa alusão aos excessos de comida e de bebida tão-somente, porquanto ela envolve todos os pecados dos sentidos.
«Está em foco a sensualidade na comida, na bebida, no sexo, que, tanto naquela época como agora, domina alguns homens». (Robertson, in loc.).
Aquele que dá tanta importância a seu corpo, não pode desenvolver seus recursos espirituais, e nem pode ocupar-se da nobre luta espiritual, nem participar da exaustiva carreira cristã, conforme Paulo havia mostrado ser necessário para quem quiser obter o prêmio (ver os versículos nono a décimo quarto deste capítulo). Pois todos os seus esforços se dirigem para si mesmo; e, até mesmo nesse caso, para o seu «ego» inferior, para os seus apetites carnais. Tal pessoa não pode chegar aos lugares celestiais, agindo desse modo.
Até mesmo um ministro do evangelho que labute em troca da recompensa financeira que assim pode receber, de maneira indireta, estará servindo a seus próprios apetites, e não a Deus.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 56.
... O pastor é aquele que não se engana acerca dos falsos mestres (3.19). O apóstolo Paulo destaca quatro características dos falsos mestres:
Eles adoram a si mesmos. Paulo diz: “... o deus deles é o ventre...” (3.19). Eles vivem encurvados para o próprio umbigo. Visto que a palavra koilia, “ventre”, pode significar “útero” ou “umbigo”, Paulo pode estar simplesmente comentando o egocentrismo deles. Assim, tudo quanto fazem é fixar os olhos no próprio umbigo. O deus deles é eles mesmos. A vida deles é centrada neles mesmos. São adoradores de si mesmos. Em vez de procurar manter seus apetites físicos sob controle (Rm 8.13; lC o 9.27), compreendendo que nosso corpo é o templo do Espírito Santo, no qual Deus deve ser glorificado (lC o 6.20), essas pessoas se entregam à glutonaria e à licenciosidade.
Paulo está rechaçando a ideia de que o homem vive para comer, em vez de comer para viver. Jesus rejeitou a proposta do diabo em transformar pedra em pão, dizendo que não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus (Mt 4.4). A glutonaria é obra da carne, assim como a prostituição, a idolatria e a feitiçaria (G1 5.19-21).
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 13-14.
O DESTINO QUE ELES IRAM ENFRENTAM
Quanto a estes, o seu destino é a perdição (3:19a)
Tendo rejeitado a verdade única e da salvação, a cruz de Cristo, todos os falsos mestres enfrentar o mesmo destino. O seu fim (a palavra grega telos se refere aqui ao seu destino final) será a destruição eterna (castigo tormento), no inferno (Mt 25:46;. 2 Tessalonicenses 1:9). Os judaizantes merecia esse destino porque eles adicionaram obras humanas para a cruz de Cristo. A acreditar que a verdade sobre ele, mas também acreditar que as obras humanas são necessárias para a salvação deve ser condenado para sempre. Os hereges gentios merecido o seu destino, porque tiraram a cruz de Cristo do seu poder de transformar vidas. O resultado é uma fé morta, incapaz de salvar (Tiago 2:14-26).
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
3. "A glória deles” (3.19).
“A glória deles está na sua infâmia” (3.19)
O que Paulo diz incisivamente é que eles deveriam se envergonhar das coisas das quais se gloriavam. A Edição da Bíblia Viva traduz o texto com estas palavras: “eles têm orgulho daquilo que deveria envergonhá-los”. A palavra infâmia tem vários sentidos, tais como: aquilo que fere a honra; torpeza, vileza, abjeção. Paulo sabia que aqueles falsos cristãos não tinham qualquer escrúpulo, nem vergonha. Entregavam-se às degradações morais sem o menor pudor e queriam estar na igreja como se nada fizessem. Paulo os trata como inimigos da cruz de Cristo, porque com seus comportamentos, a obra expiatória de Cristo passava a não ter valor algum. Esses falsos mestres escarneciam da virtude e exaltavam o opróbrio. Eram inimigos da cruz de Cristo porque invertiam os valores e desfaziam os padrões morais estabelecidos para a igreja. Ora, aprendemos que a santidade implica na separação total da vida de pecado.
“O destino deles é a perdição” (3.19)
A declaração de Paulo é enfática acerca daqueles que negam a eficácia da cruz de Cristo: a perdição eterna. O fim e a recompensa final daqueles que rejeitam a cruz de Cristo é perdição total, ou seja, a perda da vida eterna. O castigo dos ímpios será inevitável e eterno (Ap 21.8; Mt 25.46). Um dia, eles ressuscitarão para se apresentarem diante do Grande Trono Branco do Juízo Final, quando serão julgados e lançados no Geena (o Lago de fogo), que é o estado final dos ímpios e dos demônios (Ap 20.11-15).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 115.
«...a glória deles está na sua infâmia...» A «...glória...» dessa gente não
consiste de algum lugar nos lugares celestiais (ver Efé. 1:3), e nem consiste da cruz (ver Gál. 6:14), e nem mesmo de Cristo e de Deus Pai (ver I Cor. 1:30,31). Antes, gloriam-se em si mesmos; mas na parte superior de seu ser, como no intelecto ou em alguma realização de valor, mas antes, em sua «...infâmia...» O que é vergonhoso é que lhes serve de glória; porquanto é nisso que têm prazer e pelo que anelam. Conforme se lê em II Tim. 3:6:
«...entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas, sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões». A literatura moderna glorifica os prodígios sexuais, a superpotência e as modernas produções teatrais e ps filmes exploram continuamente os temas sexuais; e quase todos se inclinam perante esse falso «deus». No A.T., «vergonha» é um termo que se refere pejorativamente à idolatria (ver Juí.6:32 e Osé. 4:7). E a glorificação dos apetites do corpo é o deus falso mais poderoso que se adora no mundo, hoje em dia.
«Aquilo no que essa gente se gloria é em sua desgraça. A Sua chamada liberdade não passa da servidão a concupiscências escravizadoras». (Vincent, in loc.).
Sim , aquilo em que se orgulham , que lhes confere certo senso de bem-estar, bem como propósito na vida diária aquilo que lhes serve de «glória», na realidade é o que os conduz à perdição, e não à vida eterna, conforme é o verdadeiro destino do homem. (Isso pode ser comparado com o trecho de Efé. 5:12, que diz: «Porque o que eles fazem em oculto, só em referir é vergonha». Ou com a passagem de Rom. 1:32: «Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais cousas praticam, não somente as, fazem , mas também aprovam os que assim procedem»).
É possível que até mesmo aqui essa declaração paulina inclua indivíduos supostamente religiosos. Aqueles que afirmam que não importa o que se faz por intermédio do corpo, como se este fosse a fonte do pecado, do qual o homem só pode livrar-se por ocasião da morte física; talvez pensam que estão defendendo até mesmo um elevado «princípio espiritual», pregando a doutrina libertina como se fora a própria verdade de Deus. Para esses, essa doutrina distorcida é a sua «glória», mas, de fato, é a sua «infâmia». Talvez até ocultem tal prédica sob termos paulinos, que indicam que estamos «livres da lei», que Cristo é o fim da lei, etc., embora deem a essas palavras uma pervertida interpretação.
«...visto que só se preocupam com as cousas terrenas...» Falta-lhes totalmente aquela intensa inquirição espiritual, descrita pelo apóstolo Paulo nos versículos nono a décimo quarto deste capítulo; mas fazem do próprio «eu» e das coisas terrenas o grande alvo de sua existência. Por isso mesmo, suas inclinações e seu temperamento são mundanos, sendo essa a raiz verdadeira de sua depravação. Esse é o «exemplo negativo» que os crentes devem observar e evitar. Tais indivíduos são descritos aqui como mundanos, e não como celestiais, como cidadãos do mundo, e não como cidadãos da pátria celeste (ver o vigésimo versículo), sendo indignos de ser seguidos pelos crentes. Isso pode ser contrastado com a passagem de II Cor. 4:18, onde se lê: «...não atentando nós nas cousas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas».
O que é corpóreo e carnal inevitavelmente perece, porquanto isso faz parte de sua natureza perecível, foi através de tais admoestações, portanto, que Paulo quis fazer-nos compreender a natureza destruidora do egoísmo dominador, que nos leva a servir a nós mesmos, mediante a busca de coisas meramente terrenas, «E significativo... fazer o maior número possível de pessoas perceber o  que realmente são; o que estão perdendo; o que lhes está acontecendo; o que já perderam; por que se sentem solitárias, inseguras, ansiosas, sem nenhum propósito fixo, sem nenhuma bússola que os norteie, sem um verdadeiro ‘eu’, sem um mundo real. Os homens ainda assim podem sentir que deixaram de ser homens. E esse sentimento é a pressuposição de toda a reconstrução espiritual». (Paul Tillich, The Protestant Era, pág. 267).
«Pensai nas cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra...» (Col. 3:2).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 56-57.
Eles invertem os padrões morais. Paulo continua: “... e a glória deles está na sua infâmia...” (3.19). Eles deveriam ter vergonha daquilo em que se gloriavam. Eles escarneciam da virtude e exaltavam o opróbrio. Ao mal, chamavam bem, e ao bem, mal; faziam das trevas luz, e da luz, trevas; colocavam o amargo por doce, e o doce, por amargo (Is 5.20). Eles não apenas levavam a bom termo seus maus desígnios, mas ainda se vangloriavam disso (Rm 1.32). A glória desses falsos mestres é a infâmia. A recompensa deles é fugaz. A decepção deles é certa. A ruína deles é veloz.
Eles têm suas mentes voltadas apenaspara as coisas materiais, em vez das espirituais. O apóstolo é enfático, quando diz: “... visto que só se preocupam com as cousas terrenas” (3.19).
Eles vivem sem a dimensão do eterno. O coração deles está sedento de coisas materiais, em vez de buscarem as riquezas espirituais.
Essa história se repete hoje. Muitos líderes religiosos, sem temor, têm-se empoleirado no púlpito, usando artifícios e malabarismos, com a Bíblia na mão, arrancando dinheiro das pessoas, fazendo promessas que Deus não faz em Sua Palavra. Esses obreiros fraudulentos, sem nenhum escrúpulo, mercadejam o evangelho da graça, para alimentar a sua ganância insaciável. Hoje, a religião, para muitos, tem sido um bom negócio, uma fonte de lucro, um caminho fácil de enriquecimento. O mercado da fé tem produto para todos os gostos. A oferta é abundante. A procura é imensa. A causa é a ganância. A consequência é o engano.
O resultado é a decepção. O fim da linha é o inferno.
Eles caminham inexoravelmente para a perdição.
O apóstolo é claro em afirmar: “O destino deles é a perdição...”. Não há salvação fora da verdade. O caminho da heresia desemboca no abismo. O destino dos hereges é a perdição. William Hendriksen corretamente afirma que “perdição” não é o mesmo que aniquilamento. Não significa que cessarão de existir. Ao contrário, significa punição eterna (2Ts 1.9).
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 14-15.
A DIVINDADE QUE SERVEM
o seu deus é o estômago (3:19b)
Appetite traduz koilia, que refere-se anatomicamente ao abdome, particularmente o estômago. Aqui ele é usado metaforicamente para se referir a todos sem restrições sensuais, desejos carnais, corporais (cf. 1 Cor. 6:13).
Os falsos mestres foram condenados porque não adorar a Deus, mas inclinou-se aos seus impulsos sexuais. Poderia ser uma referência a ênfase os judaizantes dos em manter as leis dietéticas judaicas. Ou se os falsos mestres, tendo em vista que eram gentios, ele poderia se referir a sua busca desenfreada de prazeres sensuais. Jude descrito tais pessoas como "homens ímpios, que transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negar a único Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (Judas 4).
A DESGRAÇA QUE ELES CARREGAM
e têm orgulho do que é vergonhoso; (3:19c)
Surpreendentemente, os falsos mestres ostentava nas mesmas coisas que trouxeram vergonha. Esta é a forma mais extrema de maldade, quando a conduta mais miserável do pecador diante de Deus é o seu ponto mais alto de auto-exaltação. Os judaizantes se vangloriou no seu "lixo" (3:8), como o próprio Paulo havia feito antes, ele aprendeu a contar tudo o que ", como perda por causa de Cristo" (3:7). Os libertinos gentios também se orgulhava de sua suposta liberdade para perseguir desejos sensuais. Eles eram os mais orgulhosos de suas piores perversões (cf. 1 Cor. 5:1-2).
A MOTIVAÇAO QUE ELES TRANSMITEM
eles só pensam nas coisas terrenas. (3:19d)
Seu foco terrena oferece evidências de que os falsos mestres não foram salvos. James perguntou: "Você não sabe que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus "(Tiago 4:4). "Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele" (1 João 2:15). Os judaizantes focado em cerimônias, festivais, festas, sacrifícios, nova-luas "coisas que são uma mera sombra do que há de vir, mas a substância pertence a Cristo" (Colossenses 2:17). Os libertinos focada nos prazeres passageiros sensuais do mundo.
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
III - O FUTURO GLORIOSO DOS QUE AMAM A CRUZ DE CRISTO (3.20,21)
1. “Mas a nossa cidade está nos céus” (Fp 3.20).
O Estado Final dos Amantes da Cruz de Cristo
Ser “amante da cruz de Cristo” não significa ser adorador da cruz. Para os evangélicos, a cruz é tão somente um símbolo do cristianismo. O que amamos da cruz de Cristo é o próprio Cristo, que nos garante a vida eterna. A palavra da cruz é “loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1 Co 1.18). Perante a cruz de Cristo não há meio termo. Ou se reconhece a Cristo como o Deus todo poderoso, Senhor e Salvador nosso, ou se vive para as paixões da carne, como os que fazem do “seu ventre, o seu deus”. Para esses não há futuro, nem esperança, mas para os salvos em Cristo há uma esperança de vida eterna. Os inimigos da cruz de Cristo nunca se fazem cidadãos dos céus, do Reino celestial preparado para os salvos em Cristo.
Qualquer cidadão pertencente a um país para adquirir direito de cidadania em outro país passa por um processo legal de mudança de cidadania para conseguir esse direito. Paulo faz menção da cidadania celestial (v. 20) e declara que para obter esse direito a pessoa precisa corresponder à transformação de vida exigida. Somente pela obra de regeneração do Espírito Santo será possível ter direito e acesso à “cidade celestial” onde habita o Senhor. A palavra “cidade” é, também, traduzida por “pátria”. Quando Paulo escrevia essas palavras estava pensando no “status” cívico de Filipos, tão importante como colônia romana. A despeito das benesses materiais da cidade de Filipos e de tudo quanto se oferecia à sociedade, Paulo fala de uma cidade que está nos céus. Trata-se de algo superior e espiritual “de onde também esperamos o Salvador” (3.20). O ato de esperar traduz a esperança dos crentes. O cidadão romano honrava a César como o salvador geral do império, enquanto o cristão honra e serve ao Senhor Jesus Cristo, o Rei da pátria celestial. Se a cidadania romana representava vantagens materiais e sociais para os filipenses, muito mais os crentes em Cristo obtêm vantagens com a cidadania celestial. Ralph Herring escreveu que “a igreja local devia ser como uma colônia do céu. Leis celestiais e modos celestiais deviam distinguir seus membros, diferenciando-os dos demais ao redor”. Nossa esperança aponta para a cidade que está nos céus. Em breve o Senhor Jesus virá sobre as nuvens do céu com poder e glória (Mt 24.31; At 1.9-11; 1 Ts 4.16; 2 Ts 1.7).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 116-117.
A palavra «...pátria...» é tradução do vocábulo grego «politeuma», que significa «comunidade», «estado». Também podia significar «função de cidadãos», «ato administrativo» ou «cidadania». Alguns estudiosos veem nesta palavra uma alusão à «conduta» dos crentes, como cidadãos que são da pátria celestial. Mas, notemos que essa «comunidade» é a «dos céus», e não é verdade que nosso comportamento atual ocorre nos céus, embora deva ser influencia do pelos céus. Também não está em foco o «reino» a ser estabelecido à face da terra, o reino messiânico. Antes, o nosso «estado» , o «país de onde somos cidadãos», e, por conseguinte, a nossa «cidadania», está ligada aos céus.
Somos um povo pertencente a um outro mundo, e não um povo mundano, como aqueles que fazem de si mesmos o seu deus (ver o décimo nono versículo). Portanto, somos obrigados a agir como um povo celestial. «Aquela cidade da qual somos os fundadores, e que existe apenas idealmente; pois não acredito que exista tal país em alguma parte da terra.
Mas nos céus, repliquei eu, há à nossa espera o seu modelo. E penso que aquele que assim desejar fazê-lo, poderá contemplá-lo, e, contemplando-o, poderá fixar-se ali». (Platão: República, 592).
«Tal como todos os cidadãos de Filipos, colônia romana, eram cidadãos da distante cidade imperial, assim também os crentes filipenses, agora mesmo, eram cidadãos do melhor país dos céus». (Barry, in loc.). (Pode-se comparar o trecho de Efé. 2:19 com o que se lê aqui, pois ali as mesmas ideias são expostas). Por conseguinte, somos peregrinos nesta terra, não nos podendo preocupar em demasia com suas coisas e com as suas vantagens.
«Conduzi-vos como cidadãos, conforme é próprio para o evangelho de Cristo...» (tradução livre de Fil. 1:27, onde a forma verbal do substantivo aqui usado é empregada).
«...céus...» Deve-se observar aqui o uso do plural. H á muitas regiões celestes. (Ver as notas expositivas completas em Efé. 1:3, acerca desse conceito, que reflete um a ideia judaica comum, de muitas regiões celestiais, de muitas dimensões de existência espiritual. Essa ideia também se reflete nas muitas «mansões» referidas pelo Senhor Jesus, em João 14:2).
« ...de onde também aguardamos o Salvador...» (Quanto a notas expositivas completas sobre a «salvação», que o Senhor Jesus nos outorga, ver Heb. 2:3; quanto a «Cristo como Salvador», ver Mat. 1:21; Efé. 5:23; João 4:42; I Tim. 3:2 e Fil. 2:10). A referência de I Tim. 3:2 é onde damos as notas expositivas completas a respeito. O Salvador é igualmente o «Senhor». (Quanto a notas expositivas sobre o «senhorio de Cristo», e esse título, ver R om . 1:4). Ninguém possui a Cristo com o seu Salvador se também não o admite como seu Senhor.
A parousia está aqui em foco. Paulo ainda esperava viver fisicamente até ao segundo advento de Cristo, ou «parousia». (Ver as notas expositivas sobre I Cor. 15:51 acerca desse fato). O fato que Cristo poderia reaparecer a qualquer momento servia de força poderosa; e isso tem por intuito servir de motivo para todos os crentes de todos os séculos, e não meramente para aqueles durante cuja vida o Senhor Jesus realmente voltará. Essa é a «esperança purificadora», conforme a passagem de I João 3:3 enfatiza; e é nesse tipo de contexto que essa ideia é usada, no presente versículo e seu contexto. (Quanto a notas expositivas completas sobre a «parousia» ou segundo advento de Cristo, ver I Tes. 4:15).
O Rei da pátria celeste não tardará a voltar; e essa esperança deveria impelir os seus súditos a se conduzirem de modo a se tornarem dignos de recebê-lo.
«A religião consiste de apostarmos a própria vida naquilo que é inatingível, que ultrapassa nossos sentidos e nossa razão. Na epístola aos Efésios há excelente declaração sobre essa extraordinária atitude do homem: ‘Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória...» (Efé. 3:20,21). No século XIX, Tolstoy conseguiu arrancar-se do ceticismo aferrando-se ao fato inegável que mais está sendo feito conosco e por nosso intermédio do que podem os explicar...
Naturalmente apelamos para o que é sobrenatural e fora de nosso alcance porque nosso Criador dotou-nos da capacidade ímpar de nos elevarmos para além do que agora somos e para além de onde nos encontramos, para sermos vinculados com algo maior e melhor do que tudo quanto podemos sonhar. Todo o desenvolvimento e descobrimento dependem dessa capacidade. Faz com que cada indivíduo se torne mais significativo que o que está contido em seu corpo. Isso dá ao homem um lugar central no universo, como um a criatura sem-par, por meio de quem o Criador revela as possibilidades latentes de sua criação... Mediante essa capacidade da alma, conferida por Deus, o que é inatingível tem uma maneira de chegar até nós, perturbando-nos, usando-nos e confrontando-nos com um chamamento incondicional para o que é mais profundamente verdadeiro para o que é mais profundam ente bom. A religião clássica sempre insistiu em que nunca experimentemos encontrar a Deus, se porventura ele a inda não nos encontrou... Até mesmo as pessoas que se consideram irreligiosas podem ter essa devoção ao que é inatingível, sem verem nisso subentendidos religiosos». (Wicks, in loc.).
«...aguardamos...» No original grego terhos a palavra «apekdechomai», que significa «esperar ansiosamente». É termo■ usado também em Heb. 9:28, para indicar a espera por Cristo, que aparecerá novamente; e também em R om . 8:19, para indicar a expectação ansiosa da criação, pela manifestação dos filhos de Deus. Nas páginas do N.T., esse vocábulo é frequentemente usado para indicar a expectação das bênçãos e manifestações celestiais.
Aprende-se nas Escrituras que o Rei celestial retornará como Salvador e Senhor; e, no vigésimo primeiro versículo deste capítulo, Cristo aparece como o poder transformador que não som ente vem até nós, desde as dimensões celestes, mas que também nos espiritualiza, de modo a nos tornarmos capazes de habitar ali, preparados para as mansões celestiais, revestidos de sua própria natureza celestial.
«Tal como os israelitas ficaram do lado de fora do tabernáculo, esperando pela volta de Aarão (ver Luc. 1:21), assim também devemos ficar olhando para os céus, esperando Cristo dali». (Faucett, in loc.). Sim, esperamos a pessoa de «Cristo» e a glória que ele nos proporcionará, e não a «perdição», aquilo que é esperado pelos impenitentes, sem importar se fazem parte das fileiras do cristianismo ou não.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 57.
O apóstolo Paulo, depois de descrever o presente, falando da sua corrida rumo ao prêmio e após demonstrar o seu zelo pastoral, alertando acerca dos falsos mestres, lança o seu olhar rumo ao futuro e destaca três gloriosas verdades que são as âncoras da nossa esperança:
Em primeiro lugar, o céu é a nossa Pátria (3.20). O apóstolo Paulo diz: “Pois a nossa Pátria está nos céus...” (3.20). Paulo utiliza o substantivo politeuma, “pátria”, que não se encontra em parte alguma do Novo Testamento. Essa palavra descreve, sobretudo, a conduta dos crentes filipenses no mundo. Se a pátria deles está nos céus, a conduta deles também deveria ser compatível com essa cidadania.
Assim como Filipos era uma colônia de Roma em território estrangeiro, também a Igreja é uma “colônia do céu” na terra.386 Somos peregrinos neste mundo. Não somos daqui. Nascemos de cima, do alto, de Deus. O céu é a nossa origem e também o nosso destino. O nosso nome está arrolado no céu (Lc 10.20), está registrado no livro da vida (4.3). E isso que determina nossa entrada final no país celestial (Ap 20.15).
Por causa da expectativa de habitar em uma cidade superior, Abraão contentou-se em viver em uma tenda (Hb 11.13-16).
Por causa da expectativa da recompensa do céu, Moisés dispôs-se a abrir mão dos tesouros do Egito (Hb 11.24-26). Por causa da esperança de vivermos com Cristo no céu, devemos buscar uma vida de santidade hoje (ljo 3.3). A cidadania é importante. Quando viajamos para outro país é essencial ter um passaporte que comprove a nossa cidadania. Ninguém quer ter a mesma sina que Philip Nolan no conto clássico O homem sem país. Nolan amaldiçoou o nome do seu país e, por isso, foi condenado a viver a bordo de um navio e nunca mais ver a sua terra natal, sem sequer ouvir o seu nome ou receber notícias acerca do seu progresso.
Passou cinquenta e seis anos em uma viagem interminável de navio em navio, de mar em mar e, por fim, foi sepultado nas águas do oceano. Nolan foi um “homem sem pátria”.
O céu é um lugar e um estado. E o lugar da morada de Deus e da sua Igreja resgatada e um estado de bem-aventurança eterna, onde jamais entrarão a dor, a lágrima, o luto e a morte.
Em segundo lugar, a segunda vinda de Jesus é a nossa esperança (3.20). O apóstolo ainda afirma: “... de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”.
Três verdades devem ser aqui destacadas:
Aquele que vem é o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele é o Salvador e o Senhor. Nele nossa salvação foi realizada e consumada. Ele venceu a morte, ressuscitou, ascendeu ao céu e voltará.
Aquele que vem está no céu, assentado à destra do Pai. Jesus está no céu em uma posição de honra. Ele está no trono e tem o livro da História em suas mãos. Ele governa e reina soberanamente sobre a Igreja e todo o Universo.
Aquele que vem é o conteúdo da nossa esperança. A Igreja é a comunidade da esperança. Somos um povo que vive com os pés no presente, mas com os olhos no futuro. Vivemos cada dia na expectativa da iminente volta de Jesus. F. F. Bruce diz que cada geração sucessiva da Igreja desfruta o privilégio de viver como se fosse a geração que haverá de saudar o retorno de Cristo. A esperança do regresso de Cristo tem poder santificador: “E a si mesmo se purifica todo aquele que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (l Jo 3.3).
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 215-217.
A motivação subjacente para a prossecução semelhança de Cristo é a esperança do retorno de Jesus Cristo. Uma vez que Cristo está no céu, aqueles que o amam devem estar preocupados com o céu, ansiando por Cristo para voltar e levá-los para estar com Ele (1 Tess. 4:17).
Paulo tinha pouco interesse em os confortos e prazeres deste mundo, como as seguintes passagens indicam:
Somos atribulados por todos os sentidos, mas não desanimados, ficamos perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também podem ser manifeste em nosso corpo. (2 Coríntios. 4:8-10)
Em tudo nos recomendamos como ministros de Deus, na resistência muito, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas insónias, na fome, na pureza, no conhecimento, na paciência, na bondade, no Espírito Santo, no amor verdadeiro, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça para a mão direita e à esquerda, por honra e por desonra, por más notícias e boa fama, considerado como enganadores e ainda verdadeiro; como desconhecido, mas bem conhecida, como morrendo ainda, eis que vivemos; como castigados ainda não condenado à morte, como entristecidos mas sempre alegres, como pobres mas enriquecendo a muitos, como nada tendo e possuindo tudo. (2 Coríntios. 6:4-10)
São ministros de Cristo?-Falo como se insano, eu mais ainda, em trabalhos muito mais, nas prisões muito mais, batido vezes sem número, muitas vezes em perigo de morte. Cinco vezes recebi dos judeus 39 açoites.
Três vezes fui flagelado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo. Eu estive em viagens frequentes, em perigos de rios, perigos de salteadores, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos; Estive em trabalhos e fadigas, através de muitas noites sem dormir, com fome e sede, muitas vezes sem comida, frio e nudez. Para além de tais coisas exteriores, há a pressão diária em mim de preocupação para todas as igrejas. Quem é fraco sem o meu ser fraco? Quem é levado ao pecado sem a minha preocupação intensa? (2 Coríntios. 11:23-29)
Essa visão levou à convicção de que o levou a escrever: "Eu sou muito pressionada de ambos os sentidos, tendo desejo de partir e estar com Cristo, por que é muito melhor" (1:23).
É consistente para que os crentes têm um foco celeste, porque a nossa pátria está nos céus. Politeuma (cidadania) aparece somente aqui no Novo Testamento, embora Paulo usou o verbo relacionado em 1:27. Refere-se ao lugar onde se tem um estatuto oficial, a comunidade onde o próprio nome está gravado no registo dos cidadãos. Embora os crentes vivem neste mundo, eles são cidadãos do céu. Eles são membros do reino de Cristo, que não é deste mundo (João 18:36). Seus nomes estão registrados no céu (Lucas 10:20;. Cf. Fl 4:3;.. Hb 12:23; Rev. 13:8; 21:27); seu Salvador está lá (Atos 1:11; 1 Ts. 4:16), os seus santos companheiros estão lá (Hb 12:23); sua herança está lá (1 Pedro 1:4); sua recompensa está lá (Mt 5:12), e seu tesouro está lá (Mt 6:20). Embora eles ainda não vivem no céu, os crentes vivem no reino celestial (Ef 2:6); eles experimentam em algum grau a vida celeste aqui na terra. Eles têm a vida de Deus dentro deles, estão sob o domínio do rei do céu, e viver por causa do céu.
A referência de Paulo à cidadania pode ter sido especialmente significativa aos Filipenses, uma vez que Filipos era uma colônia romana.
Os filipenses eram cidadãos romanos, embora obviamente vivendo fora de Roma, assim como os crentes são cidadãos de viver o céu na terra. É do céu que aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Para os discípulos que assistiram como Cristo subiu ao céu os anjos disseram: "Homens da Galiléia, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que foi levado de vocês para o céu, há de vir exatamente da mesma maneira como você tem visto ele ir para o céu "(Atos 1:11). Em João 14:2-3 O próprio Jesus prometeu: "Na casa de meu Pai há muitas moradas, se assim não fosse, eu vos teria dito, pois vou preparar-vos lugar. Se eu for e preparar um lugar para você, eu voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou, estejais vós também. "Por causa dessas promessas, os crentes devem ser" aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo "(1 Cor. 1:7), e" para esperar o seu Filho do céu, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, que é Jesus, que nos livra da ira vindoura "(1 Ts. 1:10). Até Ele voltar, os crentes "gememos em [si], esperando ansiosamente para [sua] a adoção de filhos, a redenção do [o] corpo" (Rom. 8:23).
A esperança do retorno de Cristo oferece aos crentes motivação, segurança, responsabilidade e. Neste promessa há motivação positiva para ser encontrado fiel quando Ele voltar para recompensar os crentes, para prestar contas a Deus por viver uma vida que produzem ouro, prata e pedras preciosas em vez de madeira, feno e palha (1 Coríntios 3:12. ). Há uma realidade negativa correspondente, como João escreveu: "Acautelai-vos, que você não perder o que temos feito, mas que você pode receber uma recompensa completa" (2 João 8). Finalmente, a promessa do retorno de Cristo oferece segurança, já que Jesus prometeu: "Esta é a vontade daquele que me enviou, que de tudo o que ele me deu eu perder nada, mas que o ressuscite no último dia. Porque esta é a vontade de meu Pai, que todos os que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia "(João 6:39-40).
Os crentes não devem esperar por volta de Cristo com as atitudes de resignação passiva ou desinteresse entediado. Em vez disso, eles são aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Os crentes não estão esperando por um evento, mas uma Pessoa. Apekdechomai (aguardamos) é frequentemente usada para falar de esperar por segunda vinda de Cristo (por exemplo, Rm 8:19, 23, 25; 05:05 Gal;;. 1 Coríntios 1:7... Hb 9:28). Ele descreve não só ansiedade, mas também paciência.
Como mencionado acima, o retorno de Cristo marca o fim da perseguição dos crentes lutando do prêmio ilusório de perfeição santos, porque é então que Ele transformará o nosso corpo de humilhação, para ser conforme ao corpo da Sua glória. É então que a redenção aguardado do corpo terá lugar (Rm 8:23). É "quando ele aparecer [que] nós seremos semelhantes a Ele, porque nós vamos vê-Lo como Ele é" (1 João 3:2). Até então, a nova criatura (. 2 Coríntios 5:17) está preso na humanidade não redimida ("o corpo desta morte",. Rm 7:24) a partir do qual deseja ser libertada.
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
"Não", disse Paulo, "não podemos jamais ser perfeitos enquanto vivermos nesta terra. Mas podemos nos tomar mais e mais como Cristo se tivermos seu estilo de vida como nosso alvo, lutando por este ideal, segundo bons exemplos em vez de maus, e sempre mantendo uma atitude de aprendizado."
Mas a história não acaba aí. Algum dia todos os crentes estarão com Cristo e terão corpos "como o seu corpo glorioso". Esta foi a palavra final de Paulo aos Filipenses acerca de perfeição e santificação.
Paulo lembra aos Filipenses, uma vez mais, que sua cidadania realmente encontrava-se no céu—não em Filipos como membros de uma colônia romana (1:27). O seu salvador não era o imperador romano, que, desde a época de Júlio César, era proclamado por alguns seguidores como "o salvador da humanidade"; pelo contrário, o Senhor Jesus Cristo era o seu Salvador. E verdade.
Cristo já os havia salvo de seus pecados; mas algum dia ele viria para tirá-los totalmente do mundo. O mesmo poder que capacitava a Cristo a "levar tudo sob seu controle" os transformaria em sua imagem. Este, disse Paulo, será nosso prêmio final e de maior valor ao término da corrida. Neste sentido, não haverá perdedores.
GETZ. Gene A. A Estatura de um Cristão, Estudos em Filipenses. Editora Vida. pag. 84.
2. “Que transformará o nosso corpo abatido” (Fp 3.21).
A doutrina da transformação do nosso corpo envolve dois eventos importantes. O primeiro evento diz respeito à transformação dos vivos no Arrebatamento da igreja e em seguida, no mesmo evento, à transformação dos mortos em Cristo (1 Ts 4.13-18). Essa doutrina não é uma utopia, mas de fato vai acontecer.
O estado atual de nossos corpos é de humilhação, porque é temporal. Os libertinos (gnosticistas) achavam que o mal era inerente ao corpo, por isso, ensinavam que só se servia a Deus com o espírito. Ensinavam que de nada serve cuidar do corpo, porque se perderá mesmo e que Cristo salvará apenas o espírito. Refutamos essa doutrina porque a Bíblia ensina o contrário. Esse corpo de humilhação poderá sucumbir à morte, mas, por fim, se levantará transformado e glorioso, igual ao corpo glorioso de Cristo depois de sua ressurreição (Fp 3.21; 1 Ts 5.23; 1 Co 15.42-52).
A transformação que vai ocorrer implica uma metamorfose instantânea e sobrenatural operada pelo Espírito Santo. O versículo 21 diz que “o nosso corpo abatido” será transformado “para ser conforme o seu corpo glorioso”. O corpo ressurreto de Cristo era literalmente “um corpo” que foi revestido de espiritualidade, não mais limitado pela massa física, porque a lei de gravidade não mais podia afetar seu corpo glorioso. Assim, será o nosso corpo mortal, depois da transformação. Teremos corpos espirituais revestidos da habitação celestial (1 Co 15.22,23,40-44).
A Bíblia diz que o poder de transformação dos corpos ressurretos e dos corpos dos vivos na sua vida será segundo a eficácia do poder que Ele tem de subordinar a si todas as coisas (Fp 3.21). A transformação
não dependerá do homem, mas do poder de Cristo (Ef 1.22).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 117.
As palavras «...transformará o nosso corpo...» falam ou do arrebatamento da igreja (conforme se lê em l Tes. 4:17 e I Cor. 15:51), e isso sem que o crente experimente a morte física, mas antes, sendo «revestido» do corpo glorificado (ver II C or. 5 :4), ou então fala da «ressurreição dentre os mortos», quando às almas crentes será conferido um veículo inteiramente novo, elevado e celestial, totalmente espiritual, apropriado para a existência nos lugares celestiais. Literalmente, no presente contexto, Paulo pensava sobre o processo de transformação, sem o qual o crente terá de passar pela morte física, porquanto a guardava o retorno de Cristo, o Rei transformador, ainda durante a sua vida terrena. (Notas expositivas completas são dadas sobre o tem a da «ressurreição do corpo», em I Cor. 15: 20,35,40).
O corpo ressurreto dos remidos não será nem corpóreo e nem atômico, mas antes, dotado de uma substância inteiram ente espiritual, passando a agir como o veículo da alma, que também é de natureza espiritual. E provável que graus variados de glorificação também indicam graus variados de espiritualização do corpo, de acordo com aquilo que melhor se adapte ao progresso espiritual de cada crente individual, conforme pensavam alguns dos pais da igreja. E isso apesar do estado de espiritualização não ser estagnado, mas antes, sempre será sujeito a progresso, atingindo sempre novos níveis de espiritualização, de glorificação m ais elevada, o que caracterizará a existência de todos os seres celestiais, no estado eterno.
O conceito básico do homem, defendido por Paulo, é que o homem já é um ser espiritual, e que o corpo físico é apenas a sua tenda ou veículo terreno. Platão se referia ao corpo como a «prisão da alma»; e Pitágoras o apelidava de «sepulcro da alma». Na realidade, o homem não pertence a esta dimensão terrena; pelo contrário, por seu demérito é que veio a cair nela. Porém a estatura de seu ser o torna apto para habitar nas dimensões celestiais e espirituais. Não fora o pecado, e mui provavelmente o homem seria da estatura dos anjos, quanto à sua natureza e quanto aos seus poderes. Entretanto, em Cristo, devido à gigantesca transformação que ele está operando em nós, os remidos serão elevados muito acima dos próprios anjos, porque compartilharão da própria natureza de Cristo, segundo o resto deste versículo deixa bem claro.
...corpo de humilhação...» Algumas traduções dizem aqui «corpo vil»; porém, tal tradução não é correta. O vocábulo grego «tapeinosis» significa «humilhação», «estado humilde», não dando a entender qualquer maldade inerente e corrupta. O N.T. jamais vê nosso corpo físico como mau por si mesmo, embora o exponha como presa fácil do princípio do «pecado-morte», conforme se vê por todo o sexto capítulo da epístola aos Romanos. Porém, uma alma eterna, presa em um corpo, se encontra em estado de «humilhação», tal como a mesma palavra (em forma verbal) é empregada para descrever o estado de Jesus Cristo em sua encarnação (ver F il. 2:8). A encarnação foi uma humilhação para o Filho de Deus, trazendo-o a um estado muito abaixo de seu verdadeiro valor. Como fato inarredável, esta terra é lugar próprio para a vida animal, mas fica muito aquém da dignidade verdadeira do homem. E o homem se encontra aqui som ente porque se rebaixou até a uma posição animalesca. Mas a inquirição espiritual tem por fito elevar-nos para fora desse estado aviltante, a fim de compartilharmos da própria natureza de Cristo, para sermos seres dotados de sua natureza e de seu poder extraordinários.
Na biografia do arcebispo Whately, conta-se que durante sua última enfermidade, um de seus capelães, expressando a sua simpatia, fez menção do presente texto, usando a tradução errônea da «King James Version» (versão mais comum da Bíblia entre os povos de fala inglesa): «O qual transformará nosso corpo vil». O arcebispo o interrompeu, e disse: «Leia as palavras». O capelão, usando essa citada versão, tornou a dizer «...nosso corpo vil». Então o arcebispo ajuntou: «Leia as palavras mesmas de Deus «querendo dar a entender a correta Palavra de Deus)». E o capelão corrigiu:
«...nosso corpo de humilhação». E o arcebispo finalizou: «Agora sim. Não ‘vil’—nada de tudo quanto Ele fez é vil».
«...transformará...» No grego temos o vocábulo «metaschem atidzo», que significa «mudar de forma», «transformar». Dentro do vocabulário paulino e neotestamentário, esse verbo significa «modificar de um a natureza para outra», embora isso não esteja necessariamente implícito no próprio termo grego. Não sabemos dizer se os «elementos» de nosso antigo corpo serão transformados, ou se outro corpo nos será conferido; mas isso não se reveste de importância apreciável. A ressurreição poderá ser um a «nova criação», mas pode ser nova criação do corpo, devolvido ao espírito. O que se sabe é que a ressurreição será «do corpo». No caso da transformação repentina dos crentes vivos, por ocasião do segundo advento de Cristo, pode-se supor a transformação real dos elementos do antigo corpo. (As notas expositivas sobre o־ trecho de I Cor. 15:20 abordam mais particularmente esse problema, o qual, na realidade, não se reveste de grande importância). O que realmente importa é que possuiremos o corpo celestial, o veículo da alma nos lugares celestiais.
«...para ser igual (conformado) ao corpo da sua glória...»
O Corpo Espiritual e a Alma Glorificada
1. A teologia judaica geralmente usava o termo «corpo» em alusão ao «ser inteiro». Portanto, quando se diz que nossos corpos serão transformados para serem iguais ao corpo celestial de Cristo, devemo-nos lembrar de que esse conceito inclui, por semelhante modo, a glorificação do espírito. De fato, esse é o aspecto essencialmente em pauta, porquanto o corpo espiritual (ver notas completas a respeito, em I Cor. 12:20) será apenas um veículo apropriado para a alma, ao passo que a alma (ou espírito), será sempre a pessoa essencial.
2. Por ocasião do arrebatamento, quando da ressurreição, a alma remida receberá um novo veículo de expressão, o corpo espiritual. Esse corpo será igual ao tipo de veículo espiritual possuído pelo próprio Cristo. Isso significa que o próprio espírito será transformado, de modo a com partilhar da modalidade de vida, da natureza e da imagem do próprio Cristo. Isso é claramente ensinado em Rom. 8:29, onde expomos um a nota de sumário sobre o tema.
3. Posto que o Filho compartilha da mesma forma de vida com o Pai, isso quer dizer que os filhos de Deus, igualmente, compartilharão da natureza divina (ver II Ped. 1:4), com os atributos divinos que dela fazem parte (ver Efé. 3:19), o que, nesta passagem, é intitulado de «a plenitude de Deus».
4. O corpo celestial constituirá um a «antítese» do corpo físico atual. E a combinação formada por «corpo físico-alma», constitui um a antítese do futuro homem remido, que se comporá de «alma-corpo espiritual». Isso significa que tudo quanto é temporal será removido. O homem não mais será um ser mortal. Será imortal, um verdadeiro filho de Deus, tal como o próprio Cristo é o Filho. Tal homem com partilhará da mais elevada forma de vida, a saber, da natureza do próprio Deus. Isso será por ele compartilhado em grau finito, mas em proporções sempre crescentes, pois a glorificação será um processo eterno. (Ver as notas em I Cor. 8:6 sobre esse conceito).
5. Uma outra antítese pode ser observada neste texto. O «corpo de humilhação» será substituído pelo «corpo de glória». O homem, que anteriormente era terreno, tornar-se-á então um ser celestial, dotado de um veículo apropriado para a sua manifestação nos lugares celestiais, tal como o seu corpo físico era um veículo apropriado p ara este nível terreno. Nessa transformação, o homem redimido será elevado muito acima dos mais exaltados arcanjos, porquanto será a própria plenitude de Cristo (ver Efé. 1:23).
Sumário.
1. O começo da salvação, em seus estágios intermediários, bem como a súmula de tudo quanto somos em Cristo, estão referidos no nono versículo.
2. A justificação pela fé, a nossa união mística com Cristo, a justiça de Deus que nos é dada mediante a fé, encontrada em Cristo, também aparecem no nono versículo.
3. Isso nos leva à união mística com Cristo, o «conhecê-lo», no sentido mais verdadeiro e espiritual, quando somos conformados com a sua morte.
4. A vida presente é assinalada idealmente pelo esforço intenso de alcançarmos esse alvo, posto à nossa frente, e que é a razão mesma pela qual Cristo nos salvou.
5. Nossa união vital com Cristo torna-nos membros de sua comunidade celestial, o outro mundo, de onde também esperamos a volta do Senhor. 6. Finalmente, haverá aquela grande transformação, a glorificação, quando então receberemos nossos corpos celestiais, ao entrarmos no estado eterno, onde haveremos de participar da própria imagem, da natureza e das perfeições do Filho de Deus.
7. É importante lembrar que a alma, e não o corpo espiritual, é a real agência da transformação espiritual, pois a alma é o homem, a entidade real. Logo, a alma está sendo transformada agora, e eventualmente tom ará a «natureza divina», como Cristo a tem. A alma terá como seu veículo, o corpo espiritual, que não será atômico, ou físico em qualquer forma, mas pura e altamente espiritual em sua composição. Provavelmente Paulo usa o termo «corpo» para incluir a ideia da «entidade total», como era comum no vocabulário teológico judeu. Logo, quando fala em com partilhar do «corpo espiritual» de Cristo, ele também quer dizer que deve com partilhar da Sua própria natureza metafísica, a essência da divindade.
«...poder que ele tem de até subordinar a si todas as cousas. . . » Tendo falado sobre algo extraordinário que será realizado, em seus estágios iniciais, o apóstolo passa agora a revelar-nos como isso poderá tornar-se um a realidade. O grande Rei possui toda a autoridade, nos céus e na terra.
Normalmente, nas páginas do N .T., o poder é ilustrado sob a figura da ressurreição. E note-se que o poder que foi necessário para ressuscitar a Cristo dentre os mortos, e que fará então que sejamos a plenitude de Cristo, quando ele for declarado como o Cabeça de todo o universo (ver Efé. 1:19 e ss), começou a agir quando de sua ressurreição, tendo aumentado quando de sua ascensão, e tendo chegado ainda a maiores alturas quando de sua glorificação. Esse poder tem, como um de seus subprodutos, a sujeição de todas as coisas e de todos os seres criados ao nome de Cristo, tanto daquilo que está nos céus, como daquilo que está na terra, como principados, poderes, domínios, etc. O trecho de Fil. 2:10 acrescenta as palavras «... debaixo da terra...», dando a entender o lugar dos espíritos dos mortos, o hades. Por conseguinte, está aqui em foco o poder que nos ressuscita juntam ente com Cristo, e que subjugará todas as coisas a ele, a saber, o poder de Deus, que opera de diversas maneiras, mas todas elas de natureza benéfica. Tudo será sujeita d o a Cristo.
Essa sujeição de todas as coisas a Cristo é o tem a do «mistério da vontade de Jesus», quando todas as coisas serão restauradas em torno de Cristo, tendo ele como Cabeça. (Ver as notas expositivas sobre esse tema, em E fé. 1:10, que é apenas outra maneira de dizer o que se lê neste versículo).
Ninguém pode duvidar, portanto, que o poder que Cristo tem de transformar um homem, segundo a sua própria imagem, por maior que isso possa parecer, é real; pois ele tem o poder de sujeitar a si mesmo todas as coisas, não se podendo limitar esse poder. A eternidade inteira servirá de comprovação dessa grande verdade.
Nossa presente «ressurreição espiritual», nossa transformação moral, a inquirição espiritual séria, tudo serve de garantia da vitória final e da nossa transformação em tudo quanto Cristo Jesus é e tem. Sem essa «garantia», não teríamos qualquer esperança do cumprimento de tão elevado alvo. Sem o menor, não poderíamos esperar o maior, porquanto o menor, na realidade, ê o começo do maior, e sem começo não pode haver conclusão.
«Leitor, a terra e seus interesses não se perdem na refulgência dessa glória?! Levanta-te e vai-te, porquanto este não é o teu descanso».  (Adam Clarke, in loc.}.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 58-59.
... a glorificação éa nossa certeza inequívoca (3.21). O apóstolo Paulo destaca alguns pontos: O nosso corpo será glorificado na segunda vinda de Cristo (3.21). Quando a trombeta de Deus soar, e Cristo vier com o Seu séquito de anjos, acompanhado dos santos glorificados, os mortos em Cristo ressuscitarão com corpos imortais, incorruptíveis, gloriosos, poderosos e celestiais (IC o 15.43-56). Os vivos, nessa ocasião, serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor (lTs 4.13-18).
O nosso corpo será semelhante ao corpo da glória de Cristo. Nosso corpo de humilhação, sujeito à fraqueza, à enfermidade e ao pecado, será revestido da imortalidade e brilhará como o sol no seu fulgor, brilhará como as estrelas no firmamento, e será um corpo tão glorioso quanto o corpo da glória de Cristo. Seremos “... conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). “... devemos trazer também a imagem do celestial” (IC o 15.49). “Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (ljo 3.2b).
A glorificação do nosso corpo se dará pelo poder infinito de Deus. Paulo afirma: “... segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as cousas” (3.21). William Hendriksen diz que maravilhosa é a energia da dinamite de Cristo, isto é, de Seu poder. Essa energia é Seu poder em ação, o exercício de Seu poder.389 O termo “subordinar” significa “organizar em ordem de dependência, do inferior ao superior”. Warren Wiersbe aplica:
Esse é o problema hoje em dia: não colocar as coisas na devida ordem de prioridade. Uma vez que nossos valores encontram-se distorcidos, desperdiçamos nosso vigor em atividades inúteis, e nossa visão está de tal modo obscura que a volta de Cristo não parece ter qualquer poder para motivar nossa vida.
Não há nada impossível para Deus. Ele pode tudo quanto Ele quer. Ele tomará nosso corpo de fraqueza e fará dele um corpo de glória. Aqui há continuidade e descontinuidade.
Será outro a partir do que existe, mas outro totalmente novo.
Paulo conclui este capítulo de Filipenses atingindo o grau mais alto da escada. Desde a conversão, com o seu repúdio a todos os méritos humanos (3.7), a justificação e a santificação, como alvo da perfeição sempre em mira (3.8-19), atinge a grande consumação, quando alma e corpo, a pessoa por inteiro, em união com todos os santos, glorificará a Deus em Cristo nos novos céus e nova terra, pelos séculos dos séculos. E tudo isso pela soberana graça e poder de Deus e para a Sua eterna glória, diz William Hendriksen.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 217-219.
Para os crentes que morrem antes do retorno de Cristo, a morte significa a separação temporária do espírito do corpo. O corpo vai para a sepultura, enquanto o espírito vai imediatamente para a presença de Deus (1:21, 23;. 2 Coríntios 5:6, 8). O céu é atualmente ocupado por "os espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hebreus 12:23). Os crentes que vivem desde o Pentecostes até o Arrebatamento terão seus espíritos se juntou a seus corpos ressurretos no arrebatamento (1 Ts. 4:15-17). Os crentes do Antigo Testamento e os salvos durante a Tribulação receberão seus corpos ressurretos a segunda vinda de Cristo (Dan. 12:2; Rev. 20:4).
Cristo vai transformar totalmente os corpos de todos os crentes, cada grupo a seu tempo determinado (cf. 1 Cor. 15:22-23), para torná-los aptos para o céu. Corpos dos crentes terá um esquema novo, eles vão ser refeito e redesenhado. Cristo vai mudar o atual corpo de nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da Sua glória. Como o corpo da ressurreição de Cristo, os corpos dos crentes ressuscitados serão reconhecíveis. Eles serão capazes de comer, falar e andar, mas não terá as restrições físicas de nossos corpos atuais. Após sua ressurreição, Cristo apareceu e desapareceu à vontade, mesmo entrando em uma sala com as portas trancadas (João 20:19). Paulo dá a descrição mais detalhada dos corpos dos crentes da ressurreição em 1 Coríntios 15:35-49:
Mas alguém dirá: "Como ressuscitam os mortos? E com que tipo de corpo vêm? "Insensato! Aquilo que você semeia não vem para a vida, senão ela morre, e o que você semear, você não semeias o corpo que é para ser, mas o simples grão, talvez de trigo ou de qualquer outra coisa. Mas Deus lhe dá um corpo assim como ele desejava, e para cada uma das sementes um corpo próprio. Nem toda carne é uma mesma carne, mas uma é a carne dos homens, e outra a carne dos animais, e outra a carne de aves, e outra de peixe.
Também há corpos celestiais e corpos terrestres, mas a glória dos celestes é um, e da glória do terrestre é outra. Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere de estrela em glória. Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se corpo perecível, ressuscita um corpo incorruptível, que é semeado em desonra, ressuscita em glória, que é semeado na fraqueza, ressuscita em poder; é semeado um corpo natural, ressuscitará espiritual corpo. Se houver um corpo natural, há também um corpo espiritual. Assim também está escrito: 'O primeiro homem, Adão, tornou-se uma alma viva. "O último Adão, espírito vivificante. No entanto, o espiritual não é o primeiro, mas o natural; depois o espiritual. O primeiro homem da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, assim também são aqueles que são de terra, e, qual o celestial, tais também os celestiais. Assim como trouxemos a imagem do terreno, vamos trazer também a imagem do celestial.
A combinação de um espírito redimido e um corpo glorificado permitirá que todos os crentes perfeitamente manifestar a glória de Deus. O pecado, fraqueza, tristeza, dor, decepção, sofrimento, dúvida, tentação, medo, ódio e fracasso dará lugar a alegria perfeita (Mateus 25:21), prazer (Sl 16:11), conhecimento (1 Coríntios. 13:12), conforto (Lucas 16:25), e do amor (1 Coríntios. 13:13).
A salvação envolve muito mais do que mera libertação do inferno. Objetivo final de Deus nos crentes resgate é transformar seus corpos em conformidade com o corpo de Sua glória. Eles vão "tornar-se conformado [summorphos; a mesma palavra traduzida em conformidade v. 21] para a imagem de Seu Filho" (Rm 8:29;. Cf 1 Jo 3:2). "Assim como trouxemos a imagem do terreno, vamos trazer também a imagem do celestial" (1 Cor. 15:49).
Seus corpos transformados permitirá crentes, finalmente, para ser a criação perfeita de Deus pretende que elas sejam para a alegria da comunhão perfeita com Ele para sempre. Descrevendo o céu, João escreveu: "Eu ouvi uma voz vinda do trono, dizendo: 'Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, e Ele irá habitar no meio deles, e eles serão o seu povo, eo mesmo Deus estará entre eles "(Ap 21:03;. cf João 14:1-3;. 1 Tessalonicenses 4:17).
Esses corpos também irá permitir que os crentes para ver Deus. Nas bem-aventuranças Jesus disse: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus" (Mateus 5:8), enquanto que João escreveu que no céu "não haverá mais qualquer maldição, e do trono de Deus e de Cordeiro vai estar nele, e seus servos o servirão, e verão o seu rosto, eo seu nome estará em suas testas "(Ap 22:3-4). Corpos dos crentes da ressurreição também será perfeitamente adequado para o serviço eterno eles vão dar a Deus (cf. Ap 7:15).
Para não alimentar qualquer dúvida de Cristo para transformar corpos dos crentes, Paulo diz que Ele irá realizá-lo pelo esforço do poder que Ele tem até sujeitar todas as coisas para si mesmo. Hupotassō (sujeito) significa "para organizar por ordem de classificação", ou Cristo tem o poder de governar o reino milenar (Ap 12:5, 19:15; cf Is 9:6; 32 "para gerenciar"...: 1; Zc 14:9)..
Pelo Seu poder Cristo também vai transformar a topografia da terra (Zacarias 14:4-8) e o reino natural (Is. 11:6-9). O ponto de Paulo é que, se Cristo pode sujeitar o universo inteiro ao Seu controle soberano (cf. 1 Cor. 15:24-27), Ele tem o poder de transformar corpos dos crentes em Sua imagem.
À medida que a corrida espiritual (Hb 12:1), os crentes devem olhar para exemplos piedosos de inspiração e instrução. Eles também devem olhar para esses inimigos da verdade que os levaria ao erro. Finalmente, devem concentrar-se na gloriosa esperança que é deles com o retorno de Cristo, a transformação de seus corpos em conformidade com a Sua. Então, totalmente regenerado, em alma e corpo, que será adequado para a glória eterna, santa e alegria.
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
3. Vivendo em esperança.
ESPERANÇA No AT várias palavras heb. são traduzidas como "esperança", que significa "confiança", "expectativa", ou "perspectiva". Tanto no AT como no NT o objeto da esperança de uma pessoa varia de acordo com os desejos humanos (Pv 13.12; por exemplo, ganho, Atos 16.19; salvação física, Atos 27.20; um marido, Rt 1.12). O principal uso teológico do termo "esperança" era o da confiança no sobrenatural, especificamente em Jeová como o Deus de Israel (por exemplo, SI 130.5; 146.5; Jr 17.7,13). Esta confiança estava às vezes relacionada à segurança contra os inimigos (SI 71.4,5; Jr 14.8,9), tendendo, em um uso posterior, à libertação no futuro dia do Senhor (Zc 9.12). Porém, de uma forma principal, a esperança dos israelitas piedosos era uma expectativa e confiança na bênção e provisão de Deus na vida presente (Ed 10.2; Jó 11.18,20; 14.7,19; SI 33.18,19,22; 119.49,50; Lm 3.22-24).
No NT, a esperança do crente é Cristo (1 Tm 1.1). Ela reside em Deus (Rm 15.13; 1 Pe 1.21), que elegeu um povo (Fp 1.20; Ef 1.18) e lhes deu esperança através do Evangelho (Cl 1.23). De um modo próprio, isto não é meramente uma antecipação humana de dias melhores (e até mesmo a salvação, de certo modo, é "esperada", ainda não realizada, Rm 8.24; 13.11), mas da consumação final da salvação na ressurreição (At 23.6; Rm 8.18-25) e na revelação de Jesus Cristo (1 Pe 1.13). A habitação de Cristo no crente através do Espírito torna-se a "esperança de glória" do cristão (Cl 1.27; cf. 1 Jo 3.1-3). Esta esperança é descrita de forma variada, ela está "reservada nos céus" (Cl 1.5); é uma esperança de vida eterna (Tt 1.2); é viver (1 Pe 1.3); e é melhor do que as esperanças anteriores (Hb 7.19).
No NT a esperança está associada à aflição e à paciência. É certo que a aflição virá sobre o fiel; ela produz a paciência (Rm 5.3-5), e a paciência, a esperança. Tal esperança é uma âncora para a alma (Hb 6.18ss.). A esperança em tais contextos torna-se virtualmente sinónimo de confiança em Deus, uma certeza que reside além da dúvida terrena (cf. Rm 5.5 com 9.33). Em vista de sua esperança, os cristãos devem ser puros (1 Jo 3.3) e estar prontos para dar a "razão" sua de sua esperança (1 Pe 3.15). Enquanto vivem vidas sóbrias, retas e piedosas, os cristãos devem aguardar o cumprimento de sua esperança abençoada, o aparecimento glorioso de seu grande Deus e Salvador Jesus Cristo (Tt 2.12,13).
WYCLIFFE. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 679.
ESPERANÇA MESSIÂNICA
Ver o artigo geral sobre o Messias. Ver também sobre Jesus, o Messias predito nas Escrituras. A esperança messiânica é a expectação de que haverá uma figura messiânica, que, finalmente, estabelecerá o seu reino messiânico. O Antigo Testamento e as obras pseudepígrafas encerram em seu bojo essa antecipação. Ver Isaías 7:14 e Daniel 7, bem como a mensagem geral sobre os reinos deste mundo, de Daniel 9:24 ss. Muitos dos salmos também são considerados messiânicos. Para exemplificar, ver os Salmos 2 e 110. A teologia dos hebreus, após o exílio, aguardava a futura renovação de um imenso e exaltado reino de Israel,—que haveria de emergir no reino de Deus (que vede), embora essa esperança não estivesse
ligada, claramente, com a figura messiânica. O trecho de Isa. 9:6 ss é uma das mais claras passagens veterotestamentárias desse tipo, incluindo a idéia do Príncipe da Paz,—que haveria de governar sentado no trono de Davi. Os judeus dos dias de Jesus estavam esperando, até fanaticamente, por um Messias político. Mas, a espiritualidade de Jesus desapontou até João Batista. Jesus parecia não ser suficientemente político em sua ênfase. A rebelião assinalava a atitude dos judeus, porquanto eles queriam libertar-se do jugo dos romanos; e isso resultou em duas grandes destruições de Jerusalém e da Judéia, em 70 e em 132 D.C.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4266.
Quanto maior for o sofrimento, maior será a glória que podemos ficar esperando para 0 futuro celeste, porquanto nos foi prometido que o mais intenso sofrimento seria eclipsado pela glória a ser revelada em nós.
A passagem de Atos 14:22 relembra-nos que «...através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus». Diz Theodore P. Ferris (in loc.), acerca do trecho.de Atos 14:22: «Certamente Paulo era homem que podia falar por experiência própria, no tocante à veracidade dessa declaração. Desde o dia de sua conversão que sua vida se caracterizou por uma tribulação após outra. Por toda parte por onde ia, enfrentava a oposição. Os discípulos desconfiaram dele, o partido da circuncisão procurava desfazer a sua obra, sempre que podia fazê-lo. João Marcos o abandonou, e o povo o apedrejou. Se alguém já soube do que consiste a tribulação, Paulo certamente o soube. Não obstante, era ele quem procurava fortalecer a seus convertidos da Ásia Menor que o único modo de entrar plenamente na vida é pela vereda da tribulação».
Essa passagem da epístola aos Romanos declara a necessidade do sofrimento, mas igualmente mostra seu glorioso resultado. Até mesmo no presente o sofrimento tem o seu valor, conforme se vê na lista abaixo.
1. Torna-nos mais conscientes do fato que somos criaturas dependentes. Somente Deus é independente e uma lei para si mesmo. Todos os demais seres dependem de sua bondade e poder. Enfermidades severas, choques severos, tristezas avassaladoras, angústias, desapontamentos—todas essas coisas ensinam-nos a depender de nosso Deus, e não de nós mesmos.
2. As tribulações também nos aproximam mais dos outros seres humanos, em grau maior do que qualquer outra experiência humana. As tribulações unem as igrejas e as famílias, e até mesmo as comunidades e as nações assumem unidade de propósitos em meio à tribulação.
3. As tribulações ajudam-nos tanto a compreender como a ajudar a outras pessoas que também estejam em tribulação. Tais dificuldades tornam-nos melhores e mais sábios conselheiros e guias.
4. As tribulações e perseguições podem servir-nos de excelente disciplina, ensinando-nos os valores espirituais que nos convêm, pois, em meio a essas aflições, aprendemos a reconhecer o que é importante e vital, distinguindo-o do que não se reveste dessas qualidades. Por igual modo, quando estamos sofrendo tribulações profundas, podemos aprender lições de humildade, e assim somos espiritualmente fortalecidos.
5. As tribulações, e até mesmo as perseguições, podem ser resultados de uma semeadura má e mesmo insensata. Nesses casos, a tribulação serve-nos de punição. Nisso vemos a aplicação da lei divina e universal da colheita segundo a semeadura. Tomemos por exemplo a experiência de Israel e suas perseguições, por parte de diversas nações estrangeiras. Aquelas experiências dos israelitas com frequência foram castigos e medidas disciplinares aplicadas por Deus. Alguns eruditos, por essa mesma razão, têm pensado que as severas perseguições, sofridas pelo apóstolo Paulo, foram resultantes, pelo menos em parte, da «semeadura» que agora colhia; pois, embora judicialmente perdoado do que fizera, tinha de recolher os efeitos maléficos de ter sido amargo e incansável perseguidor da igreja de Cristo. E o ponto de vista desses eruditos mui provavelmente está com a razão. A experiência humana mesma prova a sua veracidade. Conheci em Manaus, no estado do Amazonas, Brasil, o diácono de uma igreja que procurava ter uma vida piedosa. No entanto, trazia no corpo uma grave enfermidade física que resultava de sua vida anterior de dissipações mundanas. Faleceu comparativamente jovem; perdoado de seus pecados, é verdade, mas sem ter podido escapar dos inevitáveis resultados dos mesmos, fisicamente falando.
6. As tribulações e perseguições podem ensinar-nos algo sobre a seriedade e a malignidade do pecado. Homens maus perpetram ações desumanas contra os seus semelhantes, ações baseadas no ódio, no egoísmo e na cobiça. Porém, podemos aprender a odiar à maldade observando os seus péssimos resultados, em nossas vidas e nas dos outros. Grande parte da perseguição que há nas modernas igrejas evangélicas não se derivam do exterior, e, sim, de seu próprio meio. Um chamado crente se volta contra outro, ou alguns membros de uma igreja se voltam contra o pastor. Ê até mesmo verdade que, algumas vezes, pessoas inocentes e impotentes são perseguidas pelos oficiais de uma igreja, por motivo de ofensa sem importância, ao passo que membros de prestígio, ou seus familiares, não sofrem qualquer medida disciplinar.
7. A tribulação pode expurgar tanto o pecado como outros elementos estranhos de nossas vidas, elementos esses que, apesar de não serem pecaminosos em si mesmos, servem de obstáculos ao nosso progresso e ao nosso bem-estar espiritual. O bisturi da tristeza e da tribulação é muito mais afiado do que o fio expansivo da felicidade, e pode desarraigar falhas de caráter e de ação com muito maior prontidão do que qualquer sentimento de euforia.
8. As tribulações e perseguições podem produzir uma entrada mais jubilosa, em nossa herança celestial, do que poderia ter sido do outro modo, se não houvéssemos experimentado a adversidade. Este versículo da epístola aos Romanos, entre outras coisas, ensina-nos exatamente isso.
9. Nossa expressão espiritual é aprofundada e fortalecida pelas tribulações, de uma maneira que é praticamente impossível para ser duplicada por outros meios. Os sofrimentos deixam uma marca boa, e não má, naquele que os sofreu com paciência, se tais sofrimentos puderam ensinar-lhe a ter simpatia para com outras pessoas, bem como a exercer confiança para com Deus. Uma «alma profunda» é aquela que já sofreu. Uma alma superficial, por outro lado, é aquela que ainda não experimentou o sofrimento. A «alma profunda» é melhor, tanto para o seu próprio benefício como para benefício do próximo.
10. Devemos lembrar que até mesmo o Senhor Jesus «...aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu» (Heb. 5:8). Outrossim, ele foi «aperfeiçoado» através do sofrimento (ver Heb. 2:10). Ora, se o próprio Cristo precisou experimentar o sofrimento, quanto mais o precisam os seus discípulos! (Ver as notas expositivas, nesses versículos, acerca das várias questões que ficam subentendidas nessas declarações. Ver o trecho de Fil. 2:7 quanto ao importantíssimo ensino acerca da humanidade de Jesus, e o que isso significa para nós).
11. O sofrimento, conforme nos mostra este versículo da epístola aos Romanos, é uma espécie de garantia da magnitude da glória que se seguirá, pois, a despeito da profundeza do sofrimento, fica-nos assegurado que o mesmo jamais poderá ser tão grande como a glória que, necessariamente, se seguirá. Paulo, pois, pensava tanto sobre a grandeza como sobre a certeza da glória futura; e é o sofrimento que nos faz lembrar essas realidades.
12. Ninguém pode disputar acerca da «realidade» do sofrimento, e essa realidade, por si mesma, serve de garantia da realidade da glória futura de que usufruiremos.
As Escrituras nos asseguram que, de alguma maneira, o «problema do mal» redundará em bem, e que o bem ultrapassará grandemente ao mal; e isso é uma declaração que reflete uma fé profunda na providência e plano eterno de Deus.
«.. .tempo presente...» Ou seja, o tempo do sofrimento, o qual é temporal e está associado a este mundo. Isso faz contraste com a «glória» que é celestial e pertence à eternidade.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 3. pag. 715-716.
Rm 8.18 — As aflições do presente são leves quando comparados com a glória que há de vir. Paulo chama os sofrimentos que passamos nesta vida de leve e momentânea tribulação, quando comparados ao peso eterno de glória mui excelente (2 Cor. 4.17).
O plano de compensação divino é tal que aquele que suporta os sofrimentos receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna (Mt 19.29).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 384.
Ap 7.16.17 - Deus proverá as necessidades de seus filhos em sua morada eterna onde não haverá fome. sede ou dor. e Ele enxugará todas as lágrimas. Quando você estiver sofrendo, ou terrivelmente desesperado, procure confortar-se com essa promessa de total proteção e alivio.
Ap 7.17 - Nos w . 1 -8 vemos os crentes recebendo um selo que irá protegê-los através dos tempos de grande tribulação e sofrimento; nos vv. 9-17 vemos os crentes finalmente no céu. Ao lado de Deus. Todos os que foram fiéis, através dos séculos, estão cantando perante seu trono celestial. Suas tribulações e tristezas estão terminadas: não haverá mais lágrimas pelo pecado, pois todos os pecados foram perdoados; nem pelo sofrimento. porque todo sofrimento terminou; nem pela morte, porque todos os crentes foram ressuscitados para nunca mais morrer.
APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1816.
A ALEGRIA DOS BEM-AVENTURADOS
Apocalipse 7:16-17
Poderia muito bem dizer-se que para muitos estes são os dois versículos que constituem a razão de ser do Apocalipse.
Seria impossível contar a quantidade de pessoas que encontraram consolo nesta passagem nos momentos de luto ou ao confrontar a morte.
Aqui encontrados uma promessa espiritual. É a promessa da satisfação final de toda fome e sede da alma. É uma promessa que aparece repetidas vezes no Novo Testamento e especialmente nas palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6). Jesus disse: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (João 6:35). “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4:14). Jesus disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (João 7:37). Em Jesus Cristo está a satisfação de toda fome ou sede que possa experimentar a alma humana. Deus nos fez para si — segundo disse Santo Agostinho — e nossos corações estarão inquietos até que não descansem nEle.
Mas talvez convenha que não espiritualizemos totalmente esta passagem e sua promessa. Nos dias da Igreja Primitiva muitos dos membros da igreja eram escravos. Sabiam o que significava estar mal alimentados e com fome todo o tempo. Sabiam o que era ter sede.
Sabiam o que significava estar sob um Sol abrasador enquanto trabalhavam, sem poder buscar sombra para descansar. Sem dúvida, para eles o céu devia ser um lugar onde não se sofresse de fome e sede e onde o Sol não os torturasse. O maior desta promessa é que nela alguém pode tomar a parte que mais lhe cabe e ficar com ela. É a promessa de que em Cristo está o fim da fome do mundo, da dor do mundo, do sofrimento do mundo. As dores do corpo, do coração e da alma sã curadas por Ele Vale a pena lembrar que João, por assim dizer, não "inventou" esta passagem, mas sim a encontrou nas palavras do profeta Isaías. Isaías ouviu que Deus prometia, a seu povo: “Não terão fome nem sede, a calma nem o sol os afligirá; porque o que deles se compadece os guiará e os conduzirá aos mananciais das águas” (Isaías 49:10). Este é um exemplo perfeito de um velho sonho humano, que já aparece formulado no Antigo Testamento, que encontra seu cumprimento em Jesus Cristo.
O PASTOR DIVINO
Apocalipse 7:16-17 (continuação)
Aqui temos a promessa do cuidado que o Pastor Divino brindará a seu rebanho.
A imagem do Bom Pastor deleita tanto o Antigo como o Novo Testamento. O mais querido de todos os salmos começa dizendo: "O Senhor é meu pastor" (Salmo 23:1, veja-se também Salmo 80:1. Isaías 40:11, Ezequiel 34:23, 37:24). Jesus tomou para si o título de pastor. "Eu sou o Bom Pastor", diz em João 10:11 14 (veja-se também 1 Pedro 2:25 e Hebreus 13:20).
A imagem é muito bela em qualquer época ou geração; mas era mais significativa na Palestina nos tempos antigos, pelo que pode ser para os que hoje nasceram e vivem em cidades modernas. Judéia era uma espécie de meseta estreita bordejada por zonas bastante perigosas.
Apenas se tinha uns poucos quilômetros de um a outro extremo. Sobre um dos bordes estavam os precipícios e desfiladeiros rochosos por onde se podia descer rumo ao Mar Morto; sobre o outro os precipícios que terminavam na região selvagem de Sefelá. Não tinha alambrados nem cercas e o pastor tinha que vigiar todo o tempo a seu rebanho, e especialmente a ovelha que se separava do montão.
Sir George Adam Smith compara ao pastor palestinense com os pastores que qualquer de nós pode ter visto, no Ocidente:
"Nós em geral deixamos que as ovelhas se virem sozinhas. Não lembro ter visto no Oriente um rebanho que não tivesse o seu pastor. Numa zona como a palestinense, onde o pasto está disperso por uma vastidão sem cercados, cheia de armadilhas para o animal desprevenido, mesmo em nossos dias frequentada pelas feras, que se perde imperceptivelmente no deserto, o pastor, e o caráter que todo pastor deve ter, são imprescindíveis.
Em alguma meseta desértica de certa altura, onde as hienas chiam de noite, não é estranho encontrá-lo, vigiando, capaz de penetrar com seus olhos as trevas, armado com seu cajado, no qual se apóia, vigiando a suas ovelhas, cada uma delas em seu coração. Por isso não é difícil dar-se conta como na Judéia os pastores chegaram a ocupar um lugar bem destacado na história; por que deram seu nome aos reis e por que se converteram em símbolos da Providência: porque Jesus Cristo tomou o pastor como tipo e imagem do sacrifício impetuoso de si mesmo."
Aqui temos as duas grandes funções do Pastor Divino. Conduz o seu povo às fontes de água viva (veja-se Salmo 23:2 e 36:9). Sem água o rebanho pereceria e na Palestina os poços eram poucos e estavam muito longe uns de outros. Que o Pastor Divino guie a fontes de água viva quer dizer que nos dá aquelas coisas sem as quais a vida seria impossível.
Além disso, seca as lágrimas de todo olho. Ao mesmo tempo que alimenta nossos corpos, reconforta nossas almas; porque sem a presença, o consolo e a ajuda de Deus as tristezas da vida seriam insuportáveis.
Sem seu poder haveria tempos nos quais não poderíamos seguir vivendo.
O Pastor Divino nos oferece alimento para nossos corpos e consolo para nossos corações. Com Jesus Cristo como pastor nada nos poderia suceder que não sejamos capazes de suportar.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. APOCALIPSE. pag. 259-262.
COMUNHÃO COM DEUS
Apocalipse 21:3-4
Aqui temos a promessa da comunhão com Deus, à qual são acrescentadas todas os seus preciosos resultados. A voz é de um dos anjos da Presença.
Deus construirá o seu tabernáculo com os homens. A palavra tabernáculo (em grego skene) significava originalmente tenda ou carpa Mas no pensamento teológico judeu este termo tinha chegado a perder por completo sua conotação de moradia provisória ou desmontável. Há duas ideias principais que merecem ser sublinhadas.
(1) Trata-se do Tabernáculo que os judeus levantavam no deserto enquanto viajavam à terra prometida. Este tabernáculo era, é obvio, uma tenda ou carpa. O tabernáculo era o lugar da presença de Deus no meio de seu povo. Aqui, então, nos é dito que Deus fez-se presente no meio dos homens para sempre jamais. Neste mundo, e em meio das experiências que nos traz a vida cotidiana, a presença de Deus conosco é espasmódica, transitiva, difícil de conseguir. Está, por assim dizer, submetida aos vaivéns tanto de nossa própria espiritualidade como das condições que cria a realidade que nos rodeia. Mas no céu a presença de Deus será permanente.
(2) Há duas palavras que não têm nada a ver uma com a outra quanto a seu significado ou origem, mas que soam de maneira bastante parecida segundo suas respectivas pronúncias. No pensamento cristão primitivo estas duas palavras estiveram intimamente relacionadas. Uma dessas palavras era skene, que significava tenda, carpa ou, diretamente, o Tabernáculo. A outra era o termo hebraico shequiná, que significa "glória". Pela semelhança nos sons, nenhum judeu ou cristão poderia deixar de pensar na glória de Deus quando se falava do tabernáculo. Dizer que Deus fará o seu Tabernáculo com os homens, portanto, equivalia a dizer que a glória de Deus morará entre os homens. Nos tempos antigos a shekiná era uma espécie de nuvem luminosa que vinha e ia embora. Lemos, por exemplo, que essa nuvem apareceu quando Salomão dedicou o Templo de Jerusalém (1 Reis 8:10-11). No tempo vindouro a glória de Deus não será uma nuvem transitiva e misteriosa, mas sim uma presença real e visível de Deus no meio dos homens, que virá para ficar e não desaparecer jamais.
COMUNHÃO COM DEUS
Apocalipse 21:3-4 (continuação)
A promessa de Deus a Israel é que será seu povo e Ele seu Deus.
Esta promessa tem ecos em todo o Antigo Testamento: Levítico 26:11- 12; Jeremias 31:33; Ezequiel 37:12. A mais elevada expressão desta promessa a encontramos nas místicas palavras de Cantares (6:3), quando se descreve uma relação na qual verdadeiramente Deus e o crente possam dizer: "Eu sou de meu amado, e meu amado é meu." Esta comunhão com Deus, na idade dourada, vai acompanhada de certas coisas. Desaparecerão as lágrimas, a dor e o pranto. Este também foi um dos sonhos dos profetas de Israel: Isaías 35:10; 65:19. Também desaparecerá a morte. Os profetas anteciparam, do mesmo modo, esta maravilhosa realidade: Isaías 25:8.
Trata-se, então, de uma promessa para o futuro. Não chegamos ainda a essa era quando desaparecerá toda dor, quando não haverá lágrimas e quando a morte não terá mais poder. Mas até neste mundo é verdade que os que choram são bem-aventurados, porque encontram consolação, e que a morte é tragada na vitória de Cristo para todos os que o conhecem e compartilham sua comunhão, a comunhão com seus sofrimentos e o poder de sua ressurreição (Mateus 5:4; Filipenses 3:10).
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. APOCALIPSE. pag. 440-442.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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