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7° LIÇÃO 3 TRI 2013 A ATUALIDADE DOS CONSELHOS PAULINOS


A ATUALIDADE DOS CONSELHOS PAULINOS
Data:18/08/2013                             HINOS SUGERIDOS 388, 398, 502
TEXTO ÁUREO
Resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor" (Fp 3.1a).
VERDADE PRÁTICA
Para quem ama a Deus o mais importante é ter um coração renovado peia ação do Espírito Santo
LEITURA DIARIA
Segunda       - 1 Ts 5.16.               Regozijai-vos sempre
Terça             - SI 32-11.                Alegrai-vos no Senhor.
Quarta           - Ne 8.10.                 A alegria do Senhor é a nossa força.
Quinta            - Rm 8.31-39.          A alegria de saber que Deus é por nós.
Sexta             - Atos 1 3.50-52.     Alegria em meios às perseguições.
Sábado         - Fp 3.3.                    A verdadeira circuncisão cristã.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE Filipenses 3.1-10
1 - Resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós.
2 - Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão!
3 - Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.
4 - Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu:
5 - circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu.
6 - segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível,
7 - Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo.
S - E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo.
9 - e seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé;
10 - para conhecê-lo, e a virtude da sua ressurreição, e a comunicação de suas aflições sendo feito conforme a sua morte.
1 Finally, my brethren, rejoice in the Lord. To write the same things to you is not irksome to me, and is safe for you.
2 Look out for the dogs, look out for the evil-workers, look out for those who mutilate the flesh.
3 For we are the true circumcision, who worship God in spirit, and glory in Christ Jesus, and put no confidence in the flesh.
4 Though I myself have reason for confidence in the flesh also. If any other man thinks he has reason for confidence in the flesh, I have more:
5 circumcised on the eighth day, of the people of Israel, of the tribe of Benjamin, a Hebrew born of Hebrews; as to the law a Pharisee,
6 as to zeal a persecutor of the church, as to righteousness under the law blameless.
7 But whatever gain I had, I counted as loss for the sake of Christ.
8 Indeed I count everything as loss because of the surpassing worth of knowing Christ Jesus my Lord. For his sake I have suffered the loss of all things, and count them as refuse, in order that I may gain Christ
9 and be found in him, not having a righteousness of my own, based on law, but that which is through faith in Christ, the righteousness from God that depends on faith;
10 that I may know him and the power of his resurrection, and may share his sufferings, becoming like him in his death.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, para concluir o tópico III da lição, reproduza o esquema da página seguinte de acordo com as suas possibilidades. O objetivo desta atividade é estabelecer uma diretriz bíblica e clara a respeito do que o apóstolo Paulo estava falando a respeito da "verdadeira circuncisão cristã”. À luz do texto de Fílipenses 3.1-4 o apóstolo mostra que a “circuncisão” que é realizada pelo Espírito nada tem com a circuncisão imposta pela “carne”. Afirme para a classe que o crente em Jesus não se gloria dos seus atributos exteriores, pois sabe que eles não têm o poder de influenciar nada, a não ser para gerar uma falsa piedade, falsa humildade e falsa disciplina com o corpo. Portanto, não são de valor algum para a espiritualidade, senão para a “satisfação da carne” (Cl 2.20-23).
PALAVRA-CHAVE
Conselho: Parecer, juízo, opinião. Advertência que emite; admoestação, aviso.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
No capítulo três de sua carta aos Filipenses, Paulo continua revelando preocupação a respeito dos “maus obreiros”. Estes se aproveitavam de sua ausência para introduzir falsas doutrinas na igreja. A fim de precavê-la, por três vezes o apóstolo diz: “guardai-vos’ (v.2). Nesta lição, veremos que Paulo também não deixou de exortar os filipenses a que, mesmo diante das adversidades, se alegrassem no Senhor (v.1), pois a alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8.10),
I - A ALEGRIA DO SENHOR
1. Regozijo espiritual. A expressão “resta, irmãos meus” (v.1), aparece no texto grego como to loipon, que é traduzido como “finalmente”. Ela sugere que Paulo estava concluindo sua carta, mas ainda havia algo importante a dizer aos irmãos da igreja em Filipos.
O apóstolo ensina aos irmãos filipenses que a alegria do Senhor é a força que nos faz superar toda e qualquer adversidade. O contentamento que Jesus nos oferece é um reforço para a nossa fé em tempos de adversidade.
2. Exortação ao regozijo. A alegria do Senhor é produzida pelo Espírito Santo no coração do crente. Esta alegria independe das circunstâncias, pois é divina e faz com que o cristão supere as dificuldades. Paulo mostra aos filipenses que esse sentimento de felicidade, concedido pelo Senhor, é uma capacitação divina que fortalece a igreja a suportar as adversidades. Para o apóstolo, que se encontrava na prisão, a alegria !do Senhor era como um precioso consolo, capaz de trazer descanso e quietude para a sua alma.
3. Alegria em meio às preocupações e aflição. Paulo percebeu que, em virtude do sofrimento, os irmãos de Filipos poderiam ser tomados pelo desânimo. Por isso, ele os exortou a se alegrarem em Deus, pois a alegria vinda da parte do Senhor nos fortalece (Ne 8.10). Triunfante por causa de sua confiança no Cristo ressurreto, o apóstolo sabe que somente aquele que conhece e confia no Senhor, e em sua Palavra, é capaz de regozijar-se diante das dificuldades, tal como ele e Silas o fizeram (At 16.24,25). Deus é o nosso conforto. Nele podemos confiar e regozijar-nos sempre (1 Ts 5.16).
SINOPSE DO TÓPICO (1)
A alegria do Senhor, a que Paulo se refere, se manifesta em meio às preocupações e as aflições da vida.
II - A TRÍPLICE ADVERTÊNCIA CONTRA OS INIMIGOS (3.2-4)
1. “Guardai-vos dos cães”. A hostilidade de Paulo contra os maus obreiros era forte e decisiva, pois eles causavam muitos males à igreja, em especial aos novos convertidos. Paulo chama os judaizantes de “cães”, pois estes acreditavam e ensinavam que os gentios deviam obedecer a todas as leis judaicas, um fardo legalista que nem mesmo os próprios judeus suportavam (Cl 2.14). Os judaizantes eram como “cães” que atacavam os novos convertidos durante a ausência de Paulo. O apóstolo repelia-os com veemência e orientava os filipenses a que deles se resguardassem.
2. “Guardai-vos dos maus obreiros”. Estes também são denominados por Paulo como “cães” e os da “circuncisão”. Eles espalhavam falsos ensinos, não se importando com a sã doutrina ensinada pelos apóstolos. Pregavam um falso evangelho (G1 1.8,9). Afirmavam que para que os gentios se tornassem cristãos deveriam seguir a lei mosaica e, pior, as tradições judaicas. Todavia, no concílio da igreja em Jerusalém, conforme Atos 15, os apóstolos já haviam discutido sobre o papel da lei judaica em relação aos gentios. Segundo as deliberações do “concílio de Jerusalém” os gentios cristãos não deveriam comer alimentos oferecidos aos ídolos, carne com sangue e sufocada (Lv 1 7.14). Deveriam também evitar as práticas sexuais imorais. Não obstante, os “maus obreiros” faziam questão de discordar do ensino paulino, a fim de impor aos gentios as práticas judaicas.
3. “Guardai-vos da circuncisão”. Um dos costumes judaicos que aqueles “maus obreiros” queriam impor era a prática da “circuncisão”. Eles ensinavam, erroneamente, que a circuncisão tornaria os gentios verdadeiramente cristãos. Paulo então passa a ensinar aos filipenses que a verdadeira circuncisão é aquela operada no coração; logo não é algo da carne, mas do Espírito Santo. De acordo com o Comentário Bíblico Pentecostal, editado pela CPAD, “os cristãos filipenses não deveriam ter como motivo de orgulho quaisquer j sinais físicos que demonstrassem sua condição de comunhão, porém, antes, deveriam orgulhar-se em Cristo e na sua obra’.
SINOPSE DO TÓPICO (2)
“Guardai-vos dos cães”, “guardai-vos dos maus obreiros”, “guardai-vos da circuncisão”; são advertências paulinas a que a igreja se cuidasse com os judaizantes.
III - A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO CRISTÃ (3.3)
1. A circuncisão no Antigo Testamento. Sabemos que a circuncisão era um rito religioso com caráter moral e espiritual, consistindo em um sinal físico de que a pessoa pertencia ao povo com o qual Deus fez um pacto. Era também um sinal de obediência a Deus (Gn 17.11; At 7.8). Porém, os seguidores de Jesus não precisam da circuncisão para serem identificados como pertencentes a Ele. A circuncisão do cristão é espiritual e interior, operada pelo Espírito Santo, no coração, mediante a fé em Jesus Cristo (Rm 4.9-11).
2. A verdadeira circuncisão não deixa marcas físicas. Paulo ensina aos colossenses que a verdadeira circuncisão em Cristo não é por intermédio de mãos humanas, mas “no despojo do corpo da carne” (Cl 2.11,12). É um ato espiritual, levado a efeito pelo Senhor Jesus que remove a nossa velha natureza e nos concede uma nova (2 Co 5.17). É uma circuncisão do coração (Rm 2.29).
3. A verdadeira circuncisão não confia na carne (3.3-7). Os cristãos judaizantes que participavam da igreja em Filipos confiavam muito mais na carne e na circuncisão do que em Cristo. Por isso, Paulo narra a sua história como judeu. Ele declara ter sido circuncidado ao oitavo dia (v.5) e ter seguido todos os ritos da lei (v.6). Mas o apóstolo enfatiza que ao encontrar-se com Cristo, renunciou a tudo da velha religião para servir apenas a Cristo. Paulo declara: “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne” (3.3). A salvação é somente pela fé em Jesus. Nenhum rito religioso é capaz de trazer salvação.
SINOPSE DO TÓPICO (3)
A verdadeira circuncisão não confia na carne nem deixa marcas físicas, pois ela é gerada pelo Espírito.
CONCLUSÃO
Paulo ensinou aos filipenses que a confiança em Cristo nos garante alegria. Tal felicidade independe das circunstâncias e faz-nos enfrentar todas as dificuldades comuns às demais pessoas com uma diferença: temos esperança! Paulo também mostrou aos filipenses que as leis do Antigo Testamento e seus ritos tinham sua importância, todavia, a obediência a tais leis e ritos não garantiam a salvação de ninguém. O que deve ser considerado pelo crente é o seu relacionamento com o Cristo ressurreto.
SEGUNDO O ENSINO DO APÓSTOLO PAULO AOS FILIPENSES, O VERDADEIRO CRISTÃO É DE FATO A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO, NÃO O COSTUME DO JUDAÍSMO. O APÓSTOLO USA TRÊS CONCEITOS PARA IDENTIFICAR TAIS CRISTÃOS:
1) Eram aqueles “que adoravam pelo Espírito de Deus". A palavra traduzida na NÍV como “adoração” {laxreuo) é usada na LXX [septuaginta] e no livro de Hebreus para se referir ao serviço dos sacerdotes no templo (Êx 23.25; Dt 6.1 2; Hb 8.5; 10.2). A palavra é também usada em Romanos 12.1, onde Paulo incita seus ouvintes a oferecerem seus corpos a Deus como sacrifício, bem como um “ato de adoração espiritual1'. Paulo continua a encorajar os cristãos romanos a permitirem que suas mentes sejam renovadas e suas vidas capacitadas peio poder do Espírito, exercitando seus dons para servirem uns aos outros (1 2.2-8).
2) Os cristãos filipenses não deveriam ter como orgulho quaisquer sinais físicos que demonstrassem sua condição de comunhão, porém, antes, deveriam orgulhar-se em Cristo e na sua obra. Não deveriam depositar a sua confiança em regra e rituais respeitados ou valorizados por aqueles que viviam sob a lei Mosaica. O motivo de orgulho do cristão nunca deveria consistirem ser irrepreensível com respeito aos mandamentos da lei (3.4). A verdadeira circuncisão é formada por aqueles que colocam sua fé somente em Cristo, e que têm nEle seus motivos de orgulho.
3) “A [verdadeira] circuncisão” são aqueles que não depositam nenhuma confiança na carne, Para Paulo, a ideia de “carne" (sarx) significou frequentemente um “local natural” de existência humana (Rm 9.3; I Co 10J8), mas usa frequentemente a palavra em um sentido teológico para se referir à condição da humanidade em rebelião contra Deus. A consequência final de ser dominado pela carne é a morte (Rm 8.6). O cristão é chamado a crucificar a carne e as suas obras e viver de acordo com o Espírito (Gl 5.1 6ss). Deste modo, sarx traz consigo um significado duplamente nítido em Paulo: (a) É renúncia sincera a toda e qualquer observância da lei cerimonial, como a circuncisão, que alegue poder alcançar a salvação; (b) Paulo, à luz do uso mais amplo do termo sarx, expõe as ações dos judaizantes ao que realmente são: obras realizadas em rebelião contra Deus.
Paulo mostra que a espiritualidade dos judaizantes está em manter a lei; sua glória está em suas realizações; e sua confiança em cerimônias e costumes religiosos exteriores. Caso alguém pense que Paulo tenha exagerado nesta ênfase, basta olhar para sua vida e veremos que ele sabe o que está dizendo. Antes de se tornar um cristão, ele mesmo aceitava as convicções judaicas.
Texto extraído e adaptado do ''Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento’ voi2, editado pela CPAD.
AUXILIO BIBLIOGRÁFICO
Subsídio Sócio-Cultural
A Alegria em Filipenses
Todos querem ser felizes. Isto era tão verdadeiro no século I quanto hoje. E, nesta área, várias filosofias ofereciam sistemas éticos que prometiam guiar os estudantes a uma vida completa e feliz. Estes sistemas eram sofisticados demais para confundir £sentir-se feliz’ com felicidade. E assim os filósofos começaram a redefinir o termo, porque embora não pudessem ajudar ninguém a se sentir feliz, era certamente possível convencê-los de que seu estado era feliz, não importa como pudessem se sentir!
Os filósofos consideravam a alegria {chara) uma subdivisão do prazer (hedone). Como uma emoção, chara era vista com desconfiança pelos estóicos, que sob a pressão da opinião comum posteriormente a classificaram como ‘um bom humor’ da alma. [...]
O que é admirável no uso do NT deste conceito, seja na forma de substantivo (chara) ou verbo (chairo), é que ela retém uma força secular básica. Contudo, a forma como se experimenta este estado de espírito forte, positivo, confiante e exaltado está diretamente ligada a um outro paradoxo da fé. Mesmo sabendo que o caminho para a exaltação é a humilhação voluntária, ilustrada em Filipenses 2.6-11, a alegria do cristão é frequentemente experimentada em circunstâncias que ninguém consideraria feliz! (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.441).
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
ARRINGTON, French L.; STRONS- TAD, Roger (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4.ed. Vol. 2 Rio de Janeiro: CPAD, 2009. RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1 .ed. Rio de janeiro: CPAD, 2007,
EXERCÍCIOS
1. Quem produz a verdadeira alegria em nossos corações?
R: O Espírito Santo.
2. Quem são os inimigos mencionados por Paulo em Filipenses 3.2?
R: Os judaizantes.
3. O que os judaizantes acreditavam e ensinavam aos cristãos gentios?
R: Eles acreditavam e ensinavam que os gentios deviam obedecer a todas as leis judaicas, um fardo legalista que nem mesmo os próprios judeus suportavam (Gl 2.14).
4. De acordo com a lição o que era a circuncisão no Antigo Testamento?
R: A circuncisão era um rito religioso com caráter moral e espiritual, consistindo em um sinal físico de que a pessoa pertencia ao povo com o qual Deus fez um pacto. Era também um sinal de obediência a
Deus (Gn 1 7.1 I; At 7.8).
5. Defina a verdadeira circuncisão para o cristão.
R: A circuncisão do cristão é espiritual e interior, operada pelo Espírito Santo, no coração, mediante a fé em
Jesus Cristo (Rm 4.9-1 1).
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 55, p.39.
No capítulo três, após o apóstolo Paulo enviar o obreiro Epafrodito à Filipos, ele abre esta seção destacando a seguinte frase: "Resta, irmãos meus, que regozijeis no Senhor". O tema da alegria está implícito em toda a epístola. Um dos motivos de Paulo redigir esta carta é o sentimento nobre de alegria do apóstolo em relação aos crentes filipenses, pois estes o amavam demonstrando atos de amor. A alegria do Senhor dominara o coração do apóstolo. Por isso ele convoca os filipenses a se alegrarem no Senhor, pois apesar de tudo 8 da prisão, da perseguição e do sofrimento H o Evangelho está sendo pregado e o relacionamento de amor entre o apóstolo e a Igreja estava intensificando-se. Mas os filipenses devem se prevenir do ensino judaizante para preservar esta alegria.
Este ensino era poderoso para enterrar o regozijo do Espírito e despertar um assombroso e obscuro sentimento de tormento. Não por acaso, o apóstolo dá uma ordem imperiosa: "guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros". Estes pregavam ainda a antiquada interpretação distorcida da doutrina mosaica, ignorando a decisão apostólica registrada em Atos 15. O apóstolo ficava enciumado pela capacidade desses falsos mestres transformarem a mensagem libertadora de Jesus numa sentença aprisionadora judaica. Para a alegria verdadeira imperar nos corações dos filipenses, estes, por sua vez, deviam se prevenir dos ensinos judaizantes e encarnar nas suas vidas não a circuncisão da carne, mas a do coração.
A circuncisão do coração não deixa marca física, não confia na carne, mas depende do Espírito exclusivamente. O crente circunciso de alma e coração sabe exatamente o valor e a suficiência do calvário. Neste, ele tem a certeza de que os seus pecados passados foram perdoados, em Cristo Jesus, o nosso Senhor. Os presentes e futuros estão e serão perdoados pela suficiência do sacrifício de Cristo. A consciência do discípulo é tocada pelo Espírito, pois a lei do Senhor não está registrada apenas num papel, mas na mente e no coração do crente. Esta é a certeza da fé que gera alegria no coração do discípulo. Assim, o discípulo deve ficar longe dos ensinos legalista que roubam esta certeza de vida em Cristo Jesus.
Não há nada no céu ou na terra que posa subjugar a alegria do crente quando este se acha completamente entregue a suficiência do Calvário. "Regozijai-vos sempre", diz o apóstolo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Neste capítulo, a preocupação do apóstolo Paulo é focada na preservação da fé em face de a Igreja em Filipos estar sob ataque de falsas doutrinas. Embora não haja nenhuma evidência de que a igreja estivesse sucumbindo às falsas doutrinas, e não se tinha notícias de que algum irmão na fé tivesse se desviado do evangelho, Paulo sabia que as ameaças eram evidentes. Ele, então, descreve suas experiências no judaísmo e sua conversão a Cristo, tornando-o um verdadeiro representante do evangelho.
O texto do capítulo 3 fala dessa preocupação do apóstolo Paulo e, especialmente, com os “maus obreiros” que se aproveitavam da sua ausência para injetar as falsas doutrinas no seio da igreja. Por três vezes Paulo diz: “... Acautelai-vos... Acautelai-vos... Acautelai- vos” como alerta para o perigo dessas falsas doutrinas. Inicialmente, Paulo dá a impressão de que estava concluindo a carta. Contudo, em sua mente afloraram outras preocupações, levando-o a continuar tratando dos assuntos em questão.
A Alegria que Fortalece a Fé (3.1)
Prevalece em toda a Carta a alegria que alimentava a alma do apóstolo frente a todas as adversidades que enfrentava. Em meio à tribulação, às ameaças e ataques dos inimigos, Paulo tinha a sensação de contínuo triunfo, a exultação de se sentir mais que vencedor à medida que os sofrimentos iam proporcionando o gozo do Espírito no seu interior. Na verdade, Paulo faz um prelúdio solene do gozo que sentia para falar de outros assuntos.
“Resta, irmãos meus” (3.1) é uma frase que aparece no texto grego como to loipon, traduzida como “finalmente” ou “algo restante”. Esse “algo restante” havia deixado sua mente em polvorosa porque ele sabia dos falsos mestres que haviam entrado na igreja com falsas doutrinas. Ele tinha ainda algo a dizer aos irmãos da igreja em Filipos. Porém, para falar de assuntos tão graves, ele apela ao regozijo espiritual como reforço da fé. Quando ele diz que “resta ainda...” era porque muita coisa escreveria até ao final da carta demonstrando seu cuidado com os ataques judaizantes que tentavam perverter o evangelho ensinado por Paulo.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 90-91.
Advertência contra o judaísmo (3.1-8)
Novamente Paulo repete a frase “regozijai-vos no Senhor”, que se destaca em toda a epístola. Ele não acha penoso repetir (“escrever-vos as mesmas coisas”) essa verdade tão vital e prática, sabendo que ela oferece “segurança” contra os erros (v. 1).
As advertências nos versículos seguintes são contra a insistente propaganda dos mestres judaizantes, que pregavam que a simples fé na obra consumada de Jesus, no Calvário, não era suficiente e precisava ser complementada pelas obras da Lei, isto é, a circuncisão, as festas cerimoniais, os jejuns etc. Nesta mensagem, Paulo dá um golpe fatal na religião que se deixa determinar por exterioridades. Ele classifica as pessoas que pervertem o Evangelho como “cães” e “maus obreiros” (sua obra era má, tanto nos seus propósitos quanto nos resultados, perceptíveis no esforço que despendiam para fazer prosélitos e colocar os gentios convertidos debaixo do jugo da Lei). Paulo os identifica claramente com a circuncisão, considerada por ele como prática inócua no que se refere à graça.
A palavra grega empregada para circuncisão é peritomê (“fazer incisão em volta”). O objetivo de Paulo é explicar que a cerimônia da circuncisão não passava duma “incisão” na carne como qualquer outra. Não que a circuncisão em si não fosse honrosa - mas só enquanto vigorava o pacto que lhe deu origem. Vindo a Nova Aliança, porém, estabelecida por Cristo e rejeitada pelos judeus, a “circuncisão” (carnal) deles acabou se tornando um meio de privá-los da (verdadeira) circuncisão, a do espírito. A cerimônia tornou-se mera “incisão” na carne, sem efeito espiritual, enquanto a verdadeira “circuncisão” atinge o coração, os lábios e os ouvidos do cristão (Jr 4.4; 6.10; 9.25,26).
A verdadeira circuncisão é uma prática espiritual, significando um serviço apresentado a Deus pelo Espírito Santo e que glorifica somente a Cristo. O coração circuncidado não cede lugar ao egoísmo ou à vangloria (vv. 2,3).
O apóstolo, em seguida, passa a citar algumas razões em que poderia gloriar-se nas coisas naturais, se o quisesse. Ele se coloca na posição vantajosa de ser judeu, a fim de reforçar seu argumento e expor o erro dos judaizantes.
“Paulo gozava duma posição irrepreensível, segundo qualquer critério judaico, quanto à raça, nascimento e seita. Ele era ‘ultra judeu’ e ‘ultra fariseu’. Contudo, tais honras só são por ele mencionadas para que possa colocá-las no pó, aos pés de Cristo, abandonando-as ali como coisas da mais total inutilidade” (Walker).
Com todo o direito e sem medo de contestação, como o Dr. Walker diz, Paulo podia gloriar-se das seguintes coisas:
• Sua posição quanto à Aliança: “circuncidado ao oitavo dia”. Estava “por dentro” .
• Sua raça: “da linhagem de Israel”. A pessoa podia ser circuncidada e não passar dum prosélito. No caso de Paulo, ele não era alguém de fora, “enxertado” na árvore, mas da verdadeira linhagem judaica. Corria em suas veias o puro sangue judaico.
• Sua família: “da tribo de Benjamim”. A famosa tribo de Benjamim, o filho de Raquel, esposa preferida de Israel (Jacó).
• Seu patriotismo: “hebreu de hebreus”. Paulo não era helenista (dado apreciar e adotar a cultura grega), pois dera prioridade ao idioma, maneiras e costumes judaicos.
• Sua ortodoxia: “segundo a lei, fui fariseu”. Era dos mais zelosos de sua religião.
• Seu zelo religioso: “segundo o zelo, perseguidor da Igreja”. Era como um fanático, partidário apaixonado por suas convicções.
• Sua autojustiça: “segundo a justiça que há na lei, irrepreensível”. Paulo era o próprio tipo da piedade hebraica. Mas, de que valera tudo isso? Do ponto de vista hebraico, ele é como o orgulhoso possuidor de fabulosa riqueza - mas havia algum ganho? Não, não havia nenhum ganho quando suas posses religiosas eram contrastadas com a “excelência do conhecimento de Cristo Jesus”. Em lugar de ganho, havia perda. Sim, seu tesouro acumulado dentro do judaísmo não passava de esterco (vv. 7,8).
Boyd. Frank M. Comentário Bíblico. Gálatas. Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus. Editora CPAD. pag. 68-70.
A verdade de Deus sob ataque (Fp 3.1-11)
No capítulo 1 de Filipenses, Paulo mostrou a supremacia de Cristo (1.21). No capítulo 2, ele mostrou a primazia do outro (2.4). Agora, no capítulo 3, Paulo volta a sua atenção para a questão da verdade que estava sendo atacada pelos falsos mestres.
Mais do que nunca, este texto é atual, oportuno e urgente. Também em nossos dias, a verdade de Deus tem sido atacada. Esses ataques não vêm apenas dos insolentes críticos da fé cristã, mas daqueles que se infiltram na igreja, com falsa piedade e perigosas heresias.
Estamos vendo, com profunda dor, a igreja evangélica brasileira deixando o antigo evangelho, o evangelho da cruz, para abraçar um evangelho híbrido, sincrético e místico. Um evangelho centrado no homem, e não na consumada e bendita obra de Cristo. Precisamos também nos acautelar!
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 183-184.
I - A ALEGRIA DO SENHOR
1. Regozijo espiritual.
Paulo sabia, por experiência própria, que seria difícil aos filipenses suportar o aborrecimento produzido por aqueles falsos obreiros. Era um aborrecimento que afetaria a fé e diminuiria o entusiasmo por Cristo. Portanto, a solução mais eficaz para superar essas dificuldades era manutenção da alegria espiritual. Quando ele diz: “Resta ainda”, indicava que algo havia acontecido e que ele era conhecedor disso. Por isso, Paulo demonstra e apela para que o regozijo na presença de Deus fosse a força maior de superação de todas as tribulações que estavam enfrentando.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 90.
Uma Conclusão Interrompida. 3:1-11.
Quando Paulo começa a concluir sua carta, alguma interrupção quebrou o fio de seus pensamentos. Quando ele retoma a ditar, divaga advertindo os filipenses contra os judaizantes e contra o antinominianismo autocomplacente. À altura do 4:4 (ou 4:8) ele já retorna ao seu tema original.
1. Quanto ao mais (finalmente). W. S. Tindal é citado dizendo que Paulo é "o pai de todos os pregadores que usam 'finalmente, meus irmãos' como indicação de que recuperaram o seu fôlego" (Herklotz, op. cit., pág,16). As mesmas coisas. Aquelas verdades centrais da vida e doutrina às quais Paulo faz repetidas referências. No presente contexto podem se referir ao seu ministério doutrinário enquanto estivera com eles ou à correspondência anterior da qual não temos nenhuma informação. A teoria de que uma tal carta tenha sido encaixada no texto, explicando a mudança abrupta no estilo e assunto em 3:2 (ou 3:16?), não é de modo nenhum necessária para explicar o que não passa de apenas uma "divagação curiosa" (Plummer, pág. 66. Cons. "Lost Epistles to the Philippians", Lightfoot, págs. 138-142; Vincent, xxxi f.)
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular  Filipenses. pag. 20.
Finalmente, meus irmãos, alegrem-se no Senhor! (3:1a)
Finalmente (para loipon) é melhor traduzida como "além disso", "assim, então," ou "agora então." É uma palavra de transição não, a conclusão, uma vez que metade dos Filipenses segue. Joy é um tema importante, tanto em Fl (cf. 1:4, 18, 25, 2:2, 17-18, 28-29; 4:1, 4, 10) e no resto do NT, onde ela aparece em sua substantivo e formas verbais cerca de 150 vezes. Aqui, como em 4:4, 10 (cf. Lucas 1:47), Paul liga para alegrar um relacionamento, comandando os crentes a se alegrar no Senhor. A esfera em que a alegria existe é na sua relação com o Senhor Jesus Cristo.
A alegria de que Paulo escreve não é o mesmo que a felicidade (a palavra relacionada ao "acaso" prazo), o sentimento de alegria associada com eventos favoráveis. Na verdade, a alegria persiste em face da fraqueza, dor, sofrimento, até mesmo a morte (cf. Tiago 1:2). Alegria bíblica produz uma profunda confiança no futuro que se baseia na confiança no propósito de Deus e poder. Isso resulta na ausência de qualquer medo final, uma vez que a relação em que se baseia é eterna e inabalável (Sl 16:11;. John 16:22). Nem é uma emoção humana produzida; que os comandos de Paulo mostra que alegria é um ato da vontade em escolher obedecer a Deus. O resultado é uma emoção sobrenatural produzido, fruto de andar no Espírito (Rm 14:17; Gal 5:22.). Assim, regozijando-se marcas de verdadeiros crentes (cf. Pss 9:14;. 13:5; 32:11; 33:1, 21; 35:9; 40:16; 51:12; 70:4, Lucas 10:20; João 15:11; 17:13, Rm 15:13;. 1 Tessalonicenses 5:16)..
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
2. Exortação ao regozijo.
Qual o sentido da expressão “regozijai-vos”?
“'que vos regozijeis no Senhor” ( 3.1). Trata-se de uma exortação especial no sentido de que a alegria do Senhor é produzida pelo Espírito Santo no coração do crente. Essa alegria não era uma alegria comum, mas era algo sobrenatural que lhe dava condições de superar as dificuldades. Paulo entendia que esse regozijo era como uma parede de proteção e segurança de que aquilo que haviam recebido do Senhor era genuíno e verdadeiro. Para o apóstolo Paulo, na prisão, a alegria do Senhor era algo que alimentava a sua alma tensa e preocupada com a vida cristã dos filipenses.
O regozijo no Senhor é um gozo produzido por Ele. E diferente da alegria da carne que explora apenas a adrenalina nas veias do corpo, ou a alegria apenas superficial que se acaba facilmente. A alegria do Senhor é algo permanente que torna o crente apto a superar as adversidades da vida. Paulo era alimentado em suas emoções com esse gozo espiritual nos seus sofrimentos. Por isso, ele podia falar desse gozo como uma experiência que produzia capacidade de suportar os sofrimentos, não apenas físicos, mas aqueles que produzem tristeza, angústia, dissabor e mágoa. Uma das qualidades do fruto do Espírito é “gozo” (G15.22), que na língua grega é chara. Esse gozo nada tem a ver com alguma emoção passageira. O Comentário Bíblico Pentecostal apresenta o termo gozo de Gálatas 5.22 dizendo que o gozo do Espírito “é aquele conhecimento arraigado de que somos salvos no presente, ainda que a nossa redenção plena resida no futuro” (1 Jo 3.2). Esse gozo produz no crente uma confiança prazerosa de que, independentemente das circunstancias pessoais, o seu destino está garantido pelo Senhor.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 91-92.
Aqui Paulo dá importância a dois pontos.
(1) Estabelece o que poderíamos chamar a indestrutibilidade da alegria cristã. Deve haver sentido que tinha feito um grande desafio à Igreja de Filipos. Para seus fiéis existia a possibilidade da mesma classe de perseguição e até da mesma classe de morte que ameaçavam a Paulo. Estavam imersos na luta e na disciplina da vida cristã. De um ponto de vista pareceria que ser cristãos fosse uma empresa muito lúgubre. Entretanto, era tudo alegria. “A vossa alegria ninguém poderá tirar”, disse Jesus (João 16:22).
Há certa inalterabilidade na alegria cristã; e é assim porque é alegria no Senhor. O cristão está sempre na presença e na companhia de Jesus Cristo. Pode perder tudo, posses e amizades, mas jamais pode perder a Cristo. E por isso até em circunstâncias em que a alegria pareceria impossível e nas quais parecesse não haver mais que dor e mal-estar, a alegria cristã perdura, porque todas as ameaças, terrores e desconfortos da vida não podem separar o cristão do amor de Deus em Cristo Jesus, seu Senhor (Romanos 8:35-39).
Em 1756 John Wesley recebeu uma carta do pai de um filho pródigo. Quando o avivamento sacudiu a Inglaterra, o filho estava detento no cárcere dos York. "Prouve a Deus", escrevia o pai, "não deixá-lo morrer em seus pecados. Deu-lhe tempo para arrepender-se, e não só isso, mas também a vontade de arrepender-se". O moço estava condenado à morte por suas maldades; e a carta do pai continua: "Sua paz se acrescentava dia a dia até que no sábado, dia em que tinha que morrer, saiu da cela dos condenados vestido com sua mortalha e subiu à limusine. A seu passo a jovialidade e compostura de seu semblante assombraram a todos os espectadores". O jovem tinha encontrado uma alegria que nem sequer o patíbulo lhe podia tirar.
Acontece com frequência que os homens se mantêm com toda integridade frente às grandes tribulações e provas da vida, mas ficam prostrados, fora de si ou irritados pelos inconvenientes mais mínimos. Mas a alegria cristão faz com que os homens aceitem absolutamente tudo com um sorriso.
John Nelson foi um de vos mais famosos entre os primeiros pregadores de Wesley, com quem empreendeu uma missão no Cornwall perto do Land's End. Nelson nos narra o seguinte: "Todo este tempo Wesley e eu dormíamos no solo: ele tinha meu casaco por travesseiro e a minhas eram as notas de Burkitt sobre o Novo Testamento. Depois de estar aqui perto de três semanas, uma manhã, por volta das três, Wesley virou-se e encontrando-se acordado me tocou, dizendo: 'Irmão, tenhamos bom ânimo: Ainda tenho um lado inteiro, porque estou esfolado. . . mas só de um lado!' ". Tinham muito pouco para comer. Uma manhã Wesley tinha pregado com muito resultado: "Quando retornávamos Wesley deteve seu cavalo para recolher amoras, dizendo: 'Irmão Nelson, devemos dar graças porque há amoras em abundância; este é o melhor país que vi para ter estômago, mas o pior de todos para conseguir alimento!' "
A alegria cristã fazia com que Wesley fosse capaz de aceitar os grandes golpes da vida e até de saudar com uma brincadeira as moléstias menores. Se o cristão caminhar com Cristo deve partir necessariamente prazeroso.
(2) Aqui encontramos em Paulo o que poderíamos chamar a necessidade de repetição. Diz que se propõe escrever-lhes sobre coisas das que já antes lhes tinha escrito. Isto conduz a interessante hipótese de que Paulo tivesse escrito mais de uma carta aos filipenses e que essas cartas se perderam, o que não seria nada surpreendente. Paulo escreveu cartas do ano 48 até o 64: durante dezesseis anos. Nós só possuímos treze cartas. A não ser que tenham transcorrido longos anos ou períodos em que Paulo não empunhasse a pena, muitas de suas cartas devem haver-se perdido. Não é nada estranho que Paulo se refira a cartas anteriores que nós já não possuímos.
Como todo bom professor Paulo nunca temeu a repetição. Bem pode ser que um de nossos enganos seja o desejo de novidade. Mas as grandes verdades salvadoras do cristianismo não mudam. Jamais podemos ouvir o suficiente delas. Os mantimentos essenciais não nos cansam: esperamos comer pão e beber água cada dia de nossa vida. Por isso, também devemos ouvir sempre de novo a verdade que é pão e água para a vida. Que nenhum mestre se inquiete por voltar renovadamente às grandes verdades básicas da fé cristã: este é o caminho para assegurar e proteger a vida de seus ouvintes. Podemos ter desejo das comidas, mas enfim vivemos de mantimentos básicos. A pregação, o ensino e o estudo de coisas marginais podem ter seu atrativo e têm seu lugar, mas as verdades fundamentais nunca se proclamarão e ouvirão com a suficiente frequência como para oferecer absoluta segurança espiritual.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 63-65.
3.1 - Para resumir tudo o que disse sobre uma vida digna de Cristo, Paulo acrescenta que vos regozijeis no Senhor. Este regozijo é no Senhor, não nas circunstâncias. Deus sempre está no comando, por isso, mesmo na prisão, Paulo pode regozijar-se. Consequentemente, ele não se aborrece (incomoda) de incentivar os filipenses a regozijar-se. Seria uma garantia para a conduta deles porque eles tomariam a atitude correta. A preocupação de Paulo era que os filipenses não caíssem na armadilha preparada por aqueles que estavam dentro da igreja e apoiavam a heresia, por isso o apóstolo disse que seus conselhos são segurança.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 531.
Ele os exorta a “...que vos regozijeis no Senhor” (v. 1), a descansarem satisfeitos no interesse que tinham nele e no benefício que esperavam dele. E do caráter e da motivação de cristãos sinceros regozijarem-se em Cristo Jesus. Quanto mais aproveitarmos o conforto da nossa religião tanto mais vamos nos agarrar a ela; quanto mais nos regozijarmos em Cristo tanto mais dispostos estaremos a realizar e sofrer por Ele e tanto menos perigo correremos em ser afastados dele. “A alegria do Senhor é a nossa força” (Ne 8.10).
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 621.
3. Alegria em meio às preocupações e aflição.
Como manter a alegria em meio às preocupações?
Paulo foi contundente e radical no trato com os falsos mestres. As suas preocupações foram manifestadas com uma hostilidade forte contra aqueles que tentavam destruir tudo quanto ele havia construído doutrinariamente. A igreja de Filipos estava sofrendo, e os irmãos poderiam estar tristes e desanimados. Ele, então, apela aos sentimentos daqueles irmãos para a alegria do Espírito que muito bem conheciam e seria capaz de superar a maldade desses inimigos da obra de Cristo. O teólogo Ralph A. Herring, em seu comentário da Carta aos Filipenses, escreveu que “o cântico de alegria do apóstolo cessa abruptamente como o trinar dum passarinho que repentinamente vê bem próxima a sombra dum gavião”. Na verdade, quando ele pensava na segurança dos cristãos de Filipos, também pensa no perigo que correm, e “interrompe seu cântico” para advertir a igreja do perigo.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 92.
At 16. 25. A paciência e a alegria cristãs em meio aos sofrimentos: Quando Paulo e Silas foram lançados na masmorra, os demais prisioneiros escutavam-nos a cantar e bendizer a Deus, com prazer e interesse. «Foi uma nova experiência para os prisioneiros, e um entretenimento extraordinariamente atrativo para eles» (Robertson, in loc.). O testemunho penetrante do evangelho, nas mãos do apóstolo Paulo, atingia incansavelmente todos quantos chegassem ao alcance de ouvi-lo. Não se tratava meramente de algo que ele fizesse como uma coisa extra, ou como um dever que ele cumprisse em porções suficientes, a fim de poder chamar-se um bom cristão; mas era a paixão e a ocupação de sua vida. Foi desse modo que Paulo implantou, quase sozinho, a igreja cristã, no antigo mundo dos gentios.
Os missionários cristãos oraram e louvaram, sem distinguirem necessariamente atos distintos, pois isso já seria o cântico de salmos. (Ver Luc. 1:39 e ss., 67 e ss. e 2:28 e ss.). Antes, esses louvores e essas orações eram entremeados por outras formas de louvor. O historiador Plínio menciona essa forma de adoração prestada pelos cristãos, que oravam a Jesus como se ele fosse um «deus», no dizer desse escritor antigo (ver Epístola x.96).
«...recebiam tais consolos da parte de Deus que podiam enfrentar quaisquer circunstâncias não somente como toleráveis, mas até como deleitosas. Primeiramente oraram, pedindo a graça para suportarem os sofrimentos, e depois pedindo perdão e salvação aos seus perseguidores; e então, secundariamente, entoavam louvores a Deus, que os chamara para o estado de salvação em que se encontravam, tendo-os considerado dignos de sofrerem opróbrios por causa do testemunho de Jesus». (Adam Clarke, in loc.).
«Façamos outro tanto, e abriremos para nós, não uma prisão, mas o próprio céu. Se orarmos, seremos capazes até mesmo de abrir os céus. Elias tanto fechou como abriu os céus, através da oração». (Crisóstomo, Homília xxxvi).
Por que os missionários cristãos entoaram hinos e oraram em voz alta? «...poderiam ter feito a sua oração com um gemido secreto, com um sussurro em seus corações, conforme estavam acostumados a fazer; ou poderia ter orado ao Senhor calma e suavemente. Portanto, por que elevaram a voz? Certamente não fizeram isso movidos pela ambição em qualquer sentido; mas a fim de que pudessem professar que, confiando no acerto da causa que defendiam, se elevassem sem temor ate Deus. Por conseguinte, nessas orações se incluiu a confissão de fé, que dava testemunho de um exemplo comum, e que também preparou, tanto os corações dos malfeitores como os corações dos familiares do carcereiro, a considerarem aquele milagre.
Na vida cristã piedosa reside a cura para a angústia mental. «A causa fundamental da angústia mental não está no mundo exterior, e, sim, reside na vontade íntima de um indivíduo, que capitula ante as circunstâncias sondadoras e permite que o seu espírito se perturbe. ‘Portanto, o que é que perturba e confunde às multidões? Serão o tirano e seus guardas? Não, de forma alguma! Pois é impossível que aquilo que por natureza é livre seja perturbado ou sofra obstáculo por qualquer coisa senão por si mesmo. São os próprios juízos de um indivíduo que o perturbam. Pois quando o tirano diz. a um homem: Mando acorrentar-te por uma perna, aquele que dá valor às suas pernas talvez diga: «Não, mas tenha misericórdia»; porém, aquele que preza mais a liberdade, dirá: «Assim faz, se te parece mais proveitoso isso». «Não me queres dar ouvidos?» «Não, não te dou ouvidos. Vou mostrar-te que sou meu próprio senhor», (Epicteto, Discursos). Assim sendo, pois, é a vontade que é o fator supremo, no íntimo de um homem, que é capaz de coar todos os elementos externos, tendentes a produzir a ansiedade, para que não perturbem a sua personalidade. Trata-se de uma realização conseguida pela avaliação da vontade acima de todos os objetos externos; essa desvalorização de tudo quanto é externo à nossa personalidade é o único meio efetivo de protegermos, como uma barricada, o espírito interior do mundo tumultuoso exterior, assim fortalecendo a própria mente contra os assaltos das perturbações externas». (William S. Shakian, Realms of Philosophy, que encerra uma citação de Epicteto).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 3. pag. 343.
Paulo. Notamos três coisas a respeito dele.
(1) Podia cantar hinos estando no cepo na cela interior à meia-noite. O que nunca se pode tirar de um cristão é a presença de Deus e de Jesus Cristo. Com Ele há liberdade até na prisão e até a meia-noite há luz.
(2) Estava disposto a abrir a porta da salvação ao carcereiro que lhe tinha fechado a porta da prisão. Paulo nunca lamentou. Pregou ao próprio homem que lhe tinha ajustado os cepos.
(3) Podia manter sua dignidade. Exigiu seus direitos como cidadão romano. Açoitar a um cidadão romano era um delito que se punia com a morte. Mas Paulo não apelava à sua dignidade para sua própria segurança, mas sim pela dos cristãos que teria que deixar em Filipos. Queria que se levasse em conta que contavam com amigos influentes.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Atos. pag. 112-113.
A «alegria» é um dos aspectos do «fruto do Espírito Santo», um dos produtos do desenvolvimento ou avanço espiritual. (Ver as notas expositivas sobre isso, em Gál. 5:22). A alegria do crente é posta em contraste com a alegria mundana, porquanto a alegria espiritual não depende de circunstâncias externas favoráveis, para que exista e se expresse, ao passo que a alegria terrena normal é resultado direto de circunstâncias externas favoráveis. A alegria no Espírito Santo se deriva do bem-estar espiritual, do bem-estar da alma, que as circunstâncias- externas não podem abalar ou alterar, do mesmo modo que um homem não pode atingir o sol lançando contra ele uma pedra.
«...regozijai-vos...» No grego é «chairo», palavra usada por setenta e quatro vezes no N.T., das quais vinte e nove vezes nos escritos paulinos. Só na epístola aos Filipenses o termo é empregado por nove vezes, sendo aquela a «epístola do regozijo». (Ver Fil. 1:18; 2:28; 3:1; 4:4,10, quanto à ênfase posta sobre a «alegria»; e ver Fil. 4:4, que contém ordem quase idêntica àquela encontrada no presente texto). A base e o elemento da alegria aparecem ali, isto é, «no Senhor», ou seja, por causa de nossa união mística com ele, devido aos benefícios espirituais que isso nos proporciona, que são constantes e que transcendem a tudo quanto é meramente terreno.
«...sempre...» No grego é «paníote», palavra essa que pode significar «continuamente», «a todos os instantes» ou «em cada ocasião». Encontra-se igualmente no versículo anterior, modificando a idéia de seguirmos o «bem». Em I Tes. 1:2 fala sobre o quanto Paulo se sentia grato pelos crentes tessalonicenses. Em I Tes. 2:16, expressa as ações continuamente malfazejas dos adversários judeus de Paulo, os quais procuravam criar obstáculos ao evangelho. E em I Tes. 3:6 refere-se ao fato que os crentes tessalonicenses nunca se olvidaram do apóstolo, mas continuavam a lembrar-se dele. Há perseguições externas, e também há dúvidas e temores no íntimo; pois a igreja se encontra em um mundo hostil; mas isso não deveria servir de empecilho para a manifestação da alegria cristã. Paulo escreveu sua grande epístola da alegria, a epístola aos Filipenses, estando encarcerado em uma prisão romana , quando a sua própria vida estava sendo ameaçada. No entanto, ninguém podia fazer mal à sua alma imortal, que se encontrava segura nos braços eternos e benditos do Senhor Jesus. O Cristo em nós residente é tanto a origem como a garantia de nossa eterna alegria. (Ver Fil. 4:4).
«Há certo fio que liga o que aqui se lê com o conselho anterior .O alvo inevitável que é sermos bons e de fazermos o bem a todos os homens, está vinculado à fé na bondade infalível de Deus para com os homens, o que permite ao crente animar-se, aceitando os desapontamentos e os sofrimentos da vida social. Essa fé só pode ser conservada através da oração, isto é, mediante a constante ligação de todo o decurso da Vida a Deus. E essa oração deve consistir de muito mais do que de mera resignação, pois subentende o espírito de imorredoura gratidão a Deus, ao invés de uma atitude de suspeita e rebeldia». (Moffatt, in loc.).
A alegria do crente é no Espírito Santo (ver Rom. 14:17); é uma das facetas do fruto do Espírito (ver Gál. 5:22,23). Portanto, o Espírito de Deus é tanto a causa originária como a esfera onde se manifesta a alegria cristã.
«Se porventura nos sentirmos faltos de alegria, por causa das dificuldades que temos em vencer o mal com o bem, então nos devemos elevar acima daquilo que nos deprime através da oração». (Auberlen, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 219-202.
Os versículos 16-18 nos dão três rasgos característicos de uma Igreja autêntica.
(1) É uma Igreja feliz. Há nela essa atmosfera de alegria que faz com que seus membros se sintam inundados de tal. O verdadeiro cristianismo anima, não deprime.
(2) É uma Igreja que ora. Talvez as orações de nossa Igreja fossem mais efetivas se lembrássemos que "oram melhor juntos os que também oram sozinhos".
(3) É uma Igreja agradecida. Sempre há algo pelo que devemos dar graças. Até no dia mais tenebroso se recebem bênçãos. Devemos lembrar sempre que se dermos a cara ao Sol as sombras cairão atrás de nós, mas se lhe damos as costas todas as sombras cairão diante.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. 1 Tessalonicense. pag. 34.
Destacamos dois pontos nesta introdução:
Em primeiro lugar, a alegria cristã é centrada em Cristo (3.1). J. A. Motyer diz que a ordem de Paulo dada em Filipenses 3.1, alegrai-vos no Senhor”, age como uma ponte entre o que ele ensinou e o que ele está para ensinar. Jesus foi glorificado como Deus, Salvador, Exemplo e Senhor. Portanto, devemos nos regozijar Nele. Ele deve ser nosso prazer, nossa mais preciosa possessão e nossa mais intensa ambição.
Assim, depois de falar sobre relacionamentos no capítulo 2, e antes de introduzir o novo assunto, Paulo reafirma para a igreja o tema básico dessa carta, a alegria. A alegria cristã não é ausência de problemas nem circunstâncias favoráveis.
A alegria cristã está centrada não em coisas ou situações, mas na Pessoa de Cristo. Ele é a nossa alegria. Nossa alegria é cristo Centrica!
Bruce Barton diz que essa verdadeira alegria nos capacita a vencer as ondas revoltas das circunstâncias adversas, porque essa alegria vem de um consistente relacionamento com o Senhor Jesus.
Em segundo lugar, a repetição é um poderoso recurso pedagógico (3.1). Paulo não está trazendo ensino novo, mas reafirmando as mesmas verdades. E ele diz que isso não lhe desagrada, pois sabe da necessidade de a igreja ouvir sempre as verdades fundamentais do evangelho. Sabe, também, que isso produz segurança para a igreja. Não devemos correr atrás de novidades, mas nos firmar cada vez mais no antigo evangelho. A verdade deve ser o nosso pão diário.
William Barclay corretamente diz que os alimentos essenciais não nos cansam; esperamos comer pão e beber água cada dia da nossa vida. Por isso, também devemos escutar sempre de novo a verdade que é pão e água para a vida. Que nenhum mestre se inquiete por voltar renovadamente, as grandes verdades básicas da fé cristã.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 184-185.
II - A TRÍPLICE ADVERTÊNCIA CONTRA OS INIMIGOS (3.2-4)
1. “Guardai-vos dos cães”.
Paulo Desmascara e Adverte sobre Falsos Mestres no Seio da Igreja (3.2-4)
Obreiros do mal tinham se infiltrado no seio da Igreja aproveitando a ausência física do apóstolo Paulo. Eram obreiros que falsificavam a doutrina genuína e lançavam ideias judaizantes, seduzindo e desviando da verdade. Paulo ergue sua voz de alerta, provando que ele mesmo, muito mais que outros, confiara no judaísmo com suas leis, ritos e dogmas. Entendiam estar servindo a Deus confiados apenas na carne (Fp 3.4), isto é, em procedimentos humanos. Mas, ao encontrar a Cristo, entendeu que esse fundamento do judaísmo era nulo e que toda a vantagem pessoal que tivera no judaísmo lhe dava agora a oportunidade de descobrir que a “justiça que é de Deus é pela fé” (Rm 1.17; Fp 3.9).
“guardai-vos dos cães” (3.2). A hostilidade de Paulo contra os maus obreiros era forte e decisiva pelo mal que eles causavam à obra de Deus na igreja. O judeu ortodoxo tratava o gentio de cão, mas Paulo chama aos judeus opositores do evangelho de “cães”. Por que Paulo os chama de cães? Eram judeus que se diziam convertidos a Cristo e tentavam lançar seus tentáculos judaizantes na mente dos cristãos filipenses. Ideias inaceitáveis em relação à doutrina dos apóstolos (At 2.42). Paulo chama-os de “cães” porque era uma palavra desprezível entre os judeus. Segundo Ralph Herring, esses judeus eram falsos cristãos que insistiam em tomar o fardo do lega- lismo judaico e colocá-lo sobre os cristãos. Eram como “cães” que agiam, rosnando atrás deles e mordendo seus calcanhares, atacando os novos convertidos quando Paulo estava ausente. Eram como cães porque eram carnívoros e mutiladores, no mesmo sentido da mutilação física no rito da circuncisão. Paulo os repelia com veemência e pediu aos filipenses que se acautelassem dessas pessoas, porque queriam, de fato, dominá-los com suas doutrinas falsas.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 92-93.
No grego, « ...acautelai-vos...» é «blêpo», verbo de uso com um que significa «ver», embora também usado com o sentido de «considerar», «observar», «dirigir a atenção para», ou, mais forte ainda, «acautelar-se», tal como se vê nesta tradução. (Ver também Marc. 13:9, onde o termo é usado para indicar o cuidado que o ministro do evangelho deve ter em tempos de crise, sobretudo nos últimos dias, porquanto aqueles capítulos do evangelho de Marcos encerra o «pequeno Apocalipse»). Essa palavra também é utilizada em Marc. 8:15, como advertência contra o «fermento» dos fariseus; e ainda em Marc. 12:38, acerca da necessidade de se acautelarem os discípulos dos escribas e sua hipocrisia.
«...dos cães...» Pode-se notar aqui o artigo definido. Por conseguinte, o apóstolo destacava um grupo particular de homens religiosos, os quais deveriam ser vigiados especialmente, para que suas doutrinas e suas práticas não viessem a macular a pureza da comunidade cristã de Filipos.
De acordo com a lei levítica, o cão era um animal imundo; era um termo comum entre os judeus, como designação dos gentios. O cão era reputado animal de pouco valor; o preço de compra de um deles era equiparado com o preço do uso de uma prostituta. Um israelita não podia fazer penetrar na casa de Deus nem os cães e nem as prostitutas, porquanto isso seria considerado um a abominação, segundo se lê em Deut. 23:18. (Ver o termo «cão», usado em M at. 15:27, para indicar os gentios). O trecho de Rom. 22:15 menciona que os «cães» ficarão fora da cidade celestial; e isso indica os corruptos. Nos escritos de Homero esse termo é usado para falar de pessoas audazes e desavergonhadas, especialmente mulheres. No presente texto está em foco o caráter moral dos falsos mestres, sem importar se eram «judaizantes» ou não, em contraste com a pureza que se espera nos verdadeiros crentes.
O cão é um animal sem-vergonha, voraz, aproveitador, desordeiro, vagabundo, briguento; e é possível que algum as dessas qualidades negativas devam ser compreendidas acerca daqueles sobre quem Paulo falava assim indiretamente. Helena, na Ilíada (vi. 344), chama o seu cunhado de «cão enganador». Teucer referiu-se a Heitor, dizendo: «Não posso atingir esse cão raivoso». (Ilíada, viii. 298).
Ao procurarmos compreender a força desse termo, ajuda-nos lembrar que, nas sociedades antigas, os cães não eram domesticados como hoje; antes, com frequência, andavam em matilhas, como lobos, mostrando-se quase tão ferozes quanto estes. Lê-se em um livro de Thompson, «Landand Book», pág. 593: «Jazem os cães pelas ruas em tais números que é difícil e até mesmo perigoso alguém tentar passar entre eles, um a raça magra, faminta e sinistra. Não têm dono, m as, com base em algum princípio conhecido exclusivamente por eles, combinam-se em bandos, cada um dos quais assume a jurisdição sobre uma rua particular; e a tacam com a ferocidade mais terrível todos os intrusos caninos em seu território. Nessas brigas, e especialmente durante a noite, não cessam de ladrar e de uivar, tal comoraram ente se ouve em qualquer cidade europeia. As imprecações de Davi contra os seus inimigos derivam sua significação, portanto, nesta referência, a um a das mais odiosas importunações orientais».
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 44.
O apóstolo apresenta uma exortação necessária aqui: “Guardai-vos dos cães” (v. 2). O profeta chama os falsos profetas de cães mudos (Is 56.10), aos quais o apóstolo parece se referir aqui. Cães, por causa da sua maldade contra os confessores fiéis do evangelho de Cristo, latindo e mordendo esses cristãos.
Eles exaltavam as boas obras em vez da fé em Cristo; mas Paulo os chama de maus obreiros: eles se orgulhavam do fato de serem da circuncisão, dilacerando a igreja de Cristo; ou, então, contendiam por um rito cancelado, um mero cortar insignificante da carne.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 621-622.
Depois de comandar os filipenses a alegrar-se, Paulo se volta para o seu próximo tema importante na epístola. Sua advertência forte e direto implica uma outra marca distintiva dos verdadeiros crentes: a sua capacidade de discernir. Ninguém pode ser salvo, que não entende as verdades fundamentais do evangelho (Rm 6:17; 10:14, 17). Mas desde que o discernimento, como a fé, precisa crescer e amadurecer, pastores e presbíteros devem alertar a igreja de falsos mestres (Ef 4:11-14). Assim, para Paulo a escrever as mesmas coisas de novo não era problema para ele, porque era uma salvaguarda necessária para a Filipenses. Os falsos mestres, anunciando a salvação através do ritual, o legalismo cerimônia, e, representa uma séria ameaça para eles.
Salvaguarda (asphalēs) significa, literalmente, para não tropeçar, tropeçar, ou ser derrubado. Paul advertiu fielmente os filipenses para que eles não tropeçar (cf. Atos 20:31).
A frase para escrever as mesmas coisas novamente indica que Paulo está prestes a elaborar sobre algo que ele tenha mencionado anteriormente. O apóstolo, sem dúvida, tem em mente a sua exortação em 1:27-28: Conduzir-se de um modo digno do evangelho de Cristo, de modo que se eu vir vê-lo ou permanecer ausente, eu vou ouvir de vocês que estais firmes num só espírito, com uma mente lutando juntos pela fé do evangelho; em nada alarmado com o seu adversário, que é um sinal de destruição para eles, mas de salvação para você, e que também da parte de Deus.
Nesta passagem, Paulo disse aos filipenses não devem se alarmar com os seus adversários; na presente passagem, ele diz-lhes como reconhecê-los. Ele descreve esses falsos mestres que se opunham ao evangelho por meio de três termos, cada um introduzido por uma forma imperativa do verbo blepō (cuidado).
Paulo primeiro descreve os falsos mestres como cães. Ao contrário dos cães de estimação (kunarion) descritos em Mateus 15:26-27, Kuon (cães) refere-se aos catadores selvagens que assolaram cidades antigas. Esses canalhas vagavam em bandos, alimentando-se de lixo (Ex. 22:31; 1 Reis 14:11; 16:4; 21:23-24) e, ocasionalmente, atacar seres humanos. Foram desprezados, e "cão" era frequentemente usado como um termo depreciativo (cf. Dt 23:18; 1 Sm 17:43, 24:14; 2 Sam 9:8; 16:9; 2 Reis 8...: 13;. Sl 22:16; Rev. 22:15). De fato, os judeus nos tempos bíblicos comumente chamado com desprezo para os gentios como cães. Surpreendentemente Paulo, um judeu, chamou a estes judeus (ver a discussão abaixo) cães falsos professores. Ele advertiu os filipenses a tomar cuidado com aqueles que chamam outros cães, mas na realidade são cães. A descrição do apóstolo é montagem. São cães imundos e sujos? Assim são os falsos mestres. São cães ferozes e perigosos, e devem ser evitados? Assim são os falsos mestres. Assim são todos aqueles que ensinam a salvação pelas obras.
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
2. “Guardai-vos dos maus obreiros”.
“guardai-vos dos maus obreiros” (3.2). Antes de tudo, Paulo os chama de “cães” que rosnavam para impor suas ideias. Em seguida, ele os chama de “maus obreiros” para dar um caráter humano a essas pessoas. Eram, de fato, obreiros da iniquidade. A estes obreiros, Jesus dirá um dia: “Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai- vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade” (Lc 13.27). Em relação aos falsos obreiros no seio da igreja de Filipos, Paulo os trata como maus; eram pessoas ativas na vida da igreja, mas que espalhavam erros doutrinários não se importando com a sã doutrina ensinada pelos apóstolos. Pregavam um falso evangelho (G1 1.8,9). No Concílio da igreja em Jerusalém, conforme Atos 15, os apóstolos discutiram sobre o papel da lei judaica em relação aos gentios. O resultado determinado por aquele Concílio envolvia quatro requisitos principais: a abstenção dos alimentos oferecidos aos ídolos, do sangue, de comer carne sufocada e a abstenção de práticas sexuais imorais. Porém, alguns “maus obreiros” faziam questão de discordar do ensino recebido para impor práticas judaicas que tinham a ver apenas com o sistema judaico. Esses maus obreiros foram denominados por Paulo de “falsos apóstolos, obreiros fraudulentos” (2 Co 11.13).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 93-94.
«...maus obreiros...» Esses fingiam ser pregadores do evangelho, tendo
conseguido galgar as posições de autoridade no seio das igrejas locais; mas, na realidade, eram obreiros iníquos, porquanto desfaziam do evangelho da graça, substituindo a graça de Deus pelos méritos humanos. Essa expressão pode ser confrontada com aquela outra de II Cor. 11:13, « ...obreiros fraudulentos...», que Paulo aplicou à mesma classe. Não obstante, há intérpretes que crêem que os termos aqui usados não são dirigidos contra qualquer classe de judeus cristãos, mas antes, aos judeus incrédulos, que perseguiam aos cristãos do lado de fora. Porém, apesar de que isso situa Paulo sob a luz mais favorável, talvez desculpando a severidade da sua linguagem, isso é contrário ao tom geral da epístola, bem como contrário ao propósito do envio de Timóteo. Havia problemas com o legalismo em Filipos, tal como em Corinto ou na Galácia; e os termos de Paulo não são muito mais severos aqui do que aqueles que ele usou contra outros que procuravam solapar a sua autoridade apostólica entre os crentes, e que pretendiam transformar as igrejas locais em outras tantas sinagogas.
Nada há de mais evidente, nas epístolas de Paulo, do que o fato que quando ele ficava indignado, acerca daqueles que procuravam solapar e destruir a igreja cristã , mostrava-se severo e até mesmo vulgar na escolha de sua linguagem. Sem importar se sua atitude é justa ou não, o fato é que ele falou assim por um bom número de vezes. É vemos que os indivíduos de princípios morais duvidosos (os «cães») eram igualmente prosélitos, isto é, tentavam conquistar outros para os seus pontos de vista distorcidos. Paulo caracterizou tal atividade chamando-os de maus obreiros, porquanto sua ação era deletéria. Há em II Cor. 2:17 a alusão àqueles que corrompiam a «palavra de Deus«, talvez indicando aqueles que tentavam dar um colorido judaico à mensagem cristã.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 44.
"Maus obreiros." Esses homens ensinavam que a salvação do pecador dava-se pela fé mais as boas obras, especialmente as obras da Lei. Mas Paulo declara que suas "boas obras", na verdade, são obras perversas, pois são realizadas pela carne (velha natureza), não pelo Espírito, glorificando ao obreiro, não a Jesus Cristo. Efésios 2:8-10 e Tito 3:3-7 deixam claro que ninguém pode ser salvo por suas boas obras, mesmo que estas sejam de cunho religioso. As boas obras de um cristão constituem consequência de sua fé, não os alicerces de sua salvação.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 109.
Destacamos aqui dois pontos:
Em primeiro lugar, a necessidade de cautela acerca dos falsos mestres (3.2). Por três vezes, o apóstolo Paulo repetiu o verbo grego blepete: “Acautelai-vos”. Essa palavra é extremamente forte e sua repetição carrega uma forte, ênfase. Ele quer que a igreja mantenha seus olhos abertos e seja vigilante para que esses lobos não entrem no meio do rebanho (At 20.29,30). A heresia tem muitas faces, mas seu veneno é sempre mortal.
Em segundo lugar, a necessidade de identificar os falsos mestres (3.2). O apóstolo Paulo descreve esses falsos mestres, dando-lhes três adjetivos (cães, falsos obreiros e falsa circuncisão), mas é muito provável que ele esteja falando do mesmo grupo com nuanças diferentes. William Hendriksen chega mesmo a ser categórico: “Paulo tem em mente uma única espécie de inimigo, e não três tipos diferentes. Ele se refere apenas a um único inimigo: a mutilação em contraste com a circuncisão”.
E E Bruce diz que as pessoas contra quem os gentios cristãos deveriam permanecer em guarda, e a quem Paulo denuncia em outras passagens, usando o mesmo tipo de palavreado contundente empregado aqui, são as que visitavam as igrejas gentias e insistiam em que a circuncisão era condição essencial e indispensável para serem justificadas perante Deus.
Esses mestres judaizantes queriam inserir na mensagem do evangelho a obrigatoriedade da circuncisão como condição indispensável para a salvação (At 15.1). Assim, a salvação deixava de ser pela fé somente e passava a depender do esforço humano. Os judaizantes atacavam pela base a doutrina da salvação unicamente pela graça e tratavam de substituí-la por um misto de favor divino e mérito humano, com ênfase sobre este último. Paulo, mesmo sob algemas, não cala sua voz. Ele denuncia e desmascara esses mestres com veemência como já fizera outras vezes (G1 1.6-9; 3.1; 5.1-12; 6.12-15; 2Co 11.13).
Que descrição Paulo faz desses falsos mestres? Os falsos mestres são cães. Ralph Martin diz que os cães eram considerados animais imundos na sociedade oriental. Werner de Boor ainda diz que no antigo Oriente o cão não era o companheiro fiel e amado do ser humano, mas um animal semisselvagem que vagueava em matilhas, caçando a presa aos latidos. E assim que Paulo vê seus adversários metendo o nariz e latindo suas heresias em todas as regiões.
Cães ainda é o termo que os judeus usavam em relação aos gentios. Eles os consideravam indignos e abomináveis.
Eles viam os gentios apenas como combustíveis do fogo do inferno. Agora, porém, Paulo inverte os papéis e se refere aos falsos mestres como cães, ou seja, aqueles que viviam perambulando ao redor das igrejas gentias, tentando “abocanhar” prosélitos, ganhar novos adeptos para seu modo de pensar e viver (Mt 23.15).
No tempo de Paulo, esses mestres judaizantes eram como cães, como os animais imundos que vagavam pelas ruas latindo e rosnando a todos que encontravam, revirando o lixo e atacando os transeuntes. Paulo usa essa metáfora para se referir a esses falsos mestres como insolentes, astuciosos c vadios que procuravam se infiltrar nas congregações cristãs para espreitarem a liberdade dos novos crentes (Gl 2. 3-8). Warren Wiersbe diz ainda que esses judaizantes mordiam os calcanhares de Paulo e o seguiam de um lugar para outro ladrando suas falsas doutrinas. Eram agitadores c infectavam as vítimas com ideias perigosas.
Os falsos mestres são maus obreiros. Eles são obreiros da iniquidade (Lc 13.27) e obreiros fraudulentos (lCo I 1.13). Ralph Martin os chama de emissários gnósticos judeus cristãos, armados com um objetivo propagandístico de arrebanhar os convertidos por intermédio do ministério de Paulo, induzindo-os a crer na necessidade da circuncisão.
William Hendriksen diz que eles eram maus obreiros, pois, em vez de cooperarem para a boa causa, a prejudicavam. Desviavam a atenção de Cristo e de Sua redenção perfeita e a fixavam em rituais ultrapassados e em obras humanas. Eles trabalhavam contra Deus e para desfazerem a obra de Deus. Laboravam para o erro e para desviarem as pessoas da verdade. Para esses mestres judaizantes, agir com justiça era observar a Lei e segui-la em seus múltiplos detalhes e cumprir suas inumeráveis regras e prescrições. Mas Paulo estava seguro de que a única classe de justiça que agrada a Deus consiste em render-se livremente à Sua graça.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 185-187.
3. “Guardai-vos da circuncisão”.
“guardai-vos da circuncisão" (3.2). No hebraico do Antigo Testamento, a palavra “circuncisão” é “mula”, e vem da raiz mül. Na língua grega do Novo Testamento, a palavra relativa é peritome, que dá a ideia de “cortar em derredor” ou “mutilar, remover”. Portanto, entre os judeus, a circuncisão implica uma cirurgia em que o prepúcio masculino é removido, mediante um rito de caráter medicinal, ético e moral. Os judeus adotaram esse rito também com um caráter religioso. Um homem tinha que ser circuncidado para ter direito a ser membro da comunidade de Israel. Alguns eruditos fazem da circuncisão um ato de mutilação. Os judeus convertidos ao cristianismo, muitos deles, não conseguiram se libertar das travas do judaísmo e queriam que esse rito fosse adotado entre os cristãos. Os principais opositores de Paulo eram advindos do judaísmo e queriam impor costumes judaicos, entre os quais a circuncisão. O que existe de importância ética e moral para o judeu na prática de circuncisão não o é para os cristãos. Os judeus cristãos, não todos, que defendiam esse rito no cristianismo, tiveram a resposta do apóstolo Paulo, que lhes mostrou que a circuncisão verdadeira no cristão é a do coração.
Segundo o Comentário Bíblico Pentecostal, da CPAD, “os cristãos filipenses não deveriam ter como motivo de orgulho quaisquer sinais físicos que demonstrassem sua condição de comunhão, porém, antes, deveriam orgulhar-se em Cristo e na sua obra”. Portanto, não seria o cumprimento da lei mosaica a que deveriam ser irrepreensíveis, mas deveriam ser fiéis à fé recebida de Cristo Jesus. A verdadeira circuncisão é aquela que é operada no coração, e não é algo da carne, mas do Espírito.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 94-95.
« ...falsa circuncisão...» No original tem os o termo «katatome», em contraste com «peritome», «circuncisão». A palavra aqui empregada pode significar apenas «falsa circuncisão». Esses reivindicavam para si mesmos o título de «circuncisão», com o que queriam dar a entender que eram o verdadeiro povo de Deus, os herdeiros da provisão do pacto abraâmico, dentro do qual o rito da circuncisão era o sinal oficial da identificação do povo de Deus. No entanto, segundo a opinião de Paulo, não mereciam ser chamados de «a circuncisão»; por isso é que o apóstolo lançou mão de um termo diferente , para mostrar que tão-só mente se sujeitavam a um a operação física, mas sem que isso tivesse qualquer valor espiritual.
Considerai estes, pois os temos condenado; Lideres de nenhuma terra certa, guias de norte perdido, Ou em liga com ladrões, que mudam os sinais indicativos, Que desrespeitam aos antigos, irresponsáveis aos herdeiros. Nascidos estéreis, que pouco crescem, raízes apodrecidas, A florirem sem fruto, cuja folhagem sufoca; Sua seiva é lenta, e rejeitam ao sol. (C. Day Lewis)
A palavra grega katatome com frequência significava «incisão», embora também pudesse significar «cortar em pedaços», «mutilar». De conformidade com a severidade das palavras de Paulo neste ponto, a maioria dos intérpretes pensa que este termo quer dizer «mutilação». Assim, pois, eles se «mutilariam», e não se circuncidariam, realizando um a operação física dolorosa, mas inútil, destituída de qualquer significação espiritual. Esse termo é empregado exclusivamente aqui, em todo o N.T., mas, na versão da Septuaginta, é usado para indicar as «mutilações» proibidas pela lei mosaica. (Ver Lev. 21:5). Por outro lado, isso pode ser comparado com a amarga declaração de Paulo, em Gál. 5:12: «Oxalá até se mutilassem os que vos incitam à rebeldia». Nesta última passagem Paulo dá a entender que gostaria que os defensores da circuncisão se emasculassem, embora fique subentendida a ideia que deveriam ser inteiram ente removidos do seio do cristianismo, para que não mais servissem de elemento perturbador. Não pode haver dúvidas, no caso da epístola aos Gálatas, que os indivíduos aludidos possuíam autoridade no seio da igreja. Os sacerdotes de Cibele se mutilavam ao ponto até mesmo de se castrarem, e Paulo chega quase a identificar com eles os falsos mestres do cristianismo. Os pagãos costumavam mutilar o próprio corpo de várias maneiras (ver i Reis. 18:28), e isso era proibido aos judeus pela lei judaica (ver Lev. 21:5). Paulo, portanto, acusou os seus oponentes de imitarem os pagãos. (Quanto a notas expositivas completas sobre a «circuncisão», ver Atos 7:8 e Rom. 2:25. Quanto ao «partido da circuncisão», ver as notas expositivas sobre o trecho de Atos 11:2).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 44-45.
Os falsos mestres são defensores da falsa circuncisão. A palavra grega para circuncisão é peritome, mas Paulo se recusou a usá-la aqui; em vez disso, usou a palavra grega katatome, utilizada para descrever a mutilação da carne nos ritos pagãos.
Muito embora não houvesse nada de errado com a circuncisão em si, Paulo sustentou que era errado ensinar que a circuncisão era uma condição indispensável para a salvação. Nesse sentido, a circuncisão se tornara um rito vazio e sem sentido.
Os mestres judaizantes trocaram a graça de Deus por um rito físico. Eles se vangloriam de uma incisão na carne, em vez de uma mudança no coração. Eles cortavam o prepúcio do órgão sexual masculino, porém não cortavam o prepúcio do coração. Paulo escarnece dessa falsa confiança deles no rito da circuncisão, em vez de confiarem na graça de Deus.
William Barclay diz que esses dois verbos gregos, embora muito semelhantes, peritemnein, que significa “circuncidar”, e katatemnein, que significa “mutilar”, descrevem duas coisas bem diferentes. Enquanto o primeiro verbo descreve o sinal sagrado e o resultado da circuncisão, último, katatemnein, usado por Paulo para descrever os falsos mestres, descreve a mutilação própria que se proibia, como a castração e coisas semelhantes (Lv 21.5). Assim, Paulo a para esses arrogantes hereges que eles não estavam circuncidados, mas apenas mutilados (G1 5.12). Se tudo o que eles tinham para mostrar era a circuncisão da carne, uma marca física, então, realmente, não estavam circuncidados, mas apenas mutilados. Porque a circuncisão real é a consagração a Deus do coração, da mente, do pensamento e da vida.
A circuncisão foi instituída por Deus como símbolo do Seu pacto com Abraão (Gn 17.9,10), e Paulo interpretou a circuncisão como o selo da justiça da fé (Rm 4.11 -13) e disse que o sacramento do batismo substituiu esse rito judeu (Cl 2.11-13). O próprio Antigo Testamento já ensinava sobre o princípio espiritual desse rito, falando da circuncisão do coração (Dt 10.16), dos ouvidos (Jr 6.10) e dos lábios (Ex 6.20). O apóstolo Paulo diz que só a circuncisão do coração torna alguém espiritualmente judeu (Rm 2.28,29). Somente aqueles que creem são filhos espirituais de Abraão (G1 3.29).
William Hendriksen corretamente exorta: O conceito de que Deus, ainda hoje, reconhece dois grupos favoritos - de um lado a Igreja e do outro os judeus - é completamente antibíblico.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 187-189.
III - A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO CRISTÃ (3.3)
1. A circuncisão no Antigo Testamento.
CIRCUNCISÃO
Esboço
I. A Palavra
II. Antiguidade e Uso Largamente Espalhado
III. Origem e Propósitos
IV. No Judaísmo
V. Considerações no Novo Testamento
I. A palavra
O vocábulo português deriva-se do latim, que significa, literalmente, «cortar em redor.., referindo-se à pequena operação cirúrgica mediante a qual o prepúcio do pênis masculino é removido.
II. Antiguidade e uso Largamente Espalhado
A circuncisão é a amputação do prepúcio masculino, sendo um dos mais antigos costumes da antiguidade, praticado por diversos povos. É ou era, prática a circuncisão (embora com muitas variações quanto ao método, a idade e a realização do rito etc.), entre os judeus, islamitas, egípcios, polinésios e indígenas do Novo Mundo, bem como por muitas tribos primitivas da África e da Austrália. De fato, calcula-se que um sétimo da população masculina do mundo é circuncidada.
Ill. Origem e Propósito.
Diversas teorias têm sido apresentados como explicação da origem e do propósito dessa medida, a saber: a. teria finalidades higiênicas; b. seria um sinal de afiliação tribal; c. seria uma preparação para a vida sexual; d. seria um teste iniciatório da coragem, antes de um jovem ser aceito pela tribo; e seria um meio que santifica as faculdades geradoras; f. seria uma sacrifício que redime o varão do deus que lhe outorgou a vida.
IV. No Judaísmo
1. O Pacto com Abraão
Para os judeus, a circuncisão é um dos mais importantes dos seus seiscentos e treze mandamentos. Geralmente é interpretada como sinal de pacto entre Deus e a nação de Israel, e, por conseguinte, indispensável como sinal característico de que alguém pertence à mesma. (Conf. com Gên, 17~10-14 e Êxo. 12:44-49).
No Talmude, coletânea de comentários rabínicos, muitas prescrições são estabelecidas, regulando o ato da circuncisão. Podia ser realizada a circuncisão até, mesmo em dia de sábado, se isso coincidisse com o oitavo dia após o nascimento da criança. Conforme dizem os judeus, a circuncisão consiste dos seguintes passos: a. O «milah », ou seja, a amputação do prepúcio; b. o «periah», em que a grande é descoberta. e c. o emetizitzah .., em que o fluxo de sangue é estancado. Bênçãos apropriadas eram recitadas antes e depois da circuncisão da criança, após o que o menino recebia o seu nome próprio. A cerimônia da circuncisão usualmente é acompanhada por uma refeição festiva, em que uma ação de graças especial é recitada, em alusão ao acontecimento. (Encyclopedia of Religion, editada por Vergilius Ferm, pâg, 175).
O pacto abraâmico estava vinculado bem de perto ao símbolo da circuncisão, o que era, com efeito, a eliminação da natureza carnal (Gên. 17:11), apontando para o propósito ético de Deus, separando a nação israelita para si mesmo. Parte do destino do homem é que seja transformado moralmente, para que finalmente venha a participar das perfeições morais da natureza divina, mediante a presença habitadora do Espírito Santo, no íntimo do crente. (Ver Gál. 5:22,23 e Mat. 5:48).
O pacto abraãmico; pois, prometia a inauguração de uma nova nação, uma nação santa, para a qual Deus pudesse revelar os seus caminhos, e através da qual pudesse enviar o seu Messias ou Ungido. Ora, esse propósito divino só poderia ser perfeitamente concretizado se essa nação viesse a participar da santidade de Deus; e isso envolve a necessidade da remoção da natureza carnal. Assim, pois, a circuncisão verdadeira, de natureza espiritual, é a do coração, não sendo apenas um ato externo, segundo também o apóstolo Paulo nos informa (ver Rom. 2:28). E isso, naturalmente, fala da expressão total do ser do crente, sendo equivalente à regeneração, pelo menos no que diz respeito aos seus aspectos morais.
Para os judeus, como é claro, era um sinal nacional de identidade como povo de Deus, como uma nação separada para Deus, subentendendo o que Paulo escreve no segundo capítulo de sua epístola aos Romanos. Portanto, esse rito subentendia a operação da graça, mediante a qual Deus seleciona e assinala homens como seus.
O próprio ato físico da circuncisão era realizado em obediência a uma ordem divina; porém, por si mesmo, não tinha qualquer mérito e nem efeito espiritual, conforme Paulo demonstrou em Atos 7:8. Era um «sinal», ao passo que a verdade simbolizada era a diferença real que a graça de Deus faz no ser essencial do indivíduo. No trecho de Cal. 2:11,12 encontramos uma vinculação um tanto frouxa entre o rito da circuncisão e o batismo cristão, de tal modo que, pelo menos em sentido bastante limitado, o batismo cristão tomou o lugar da circuncisão judaica.
Isso nos é muito instrutivo, porque deixa óbvio, com base nas asseverações de Paulo, em Rom. 2:28 e ss, que os sinais externos, tal como o da circuncisão, não são agentes da graça, mas tão-somente símbolos daquela graça que verdadeiramente transforma o homem interior. E essa graça interior aparece como operação do Espírito Santo.
Contudo, o exagero posto nessa vinculação entre a circuncisão judaica e o batismo cristão têm criado a errônea doutrina do «batismo infantil», porquanto eram as crianças judias, - aos oito dias de idade, (quando do sexo masculino), que eram circuncidadas.
Seja como for, a ausência da realidade espiritual torna inútil tal «sinal».
2. Considerações Especificas.
a, Em Gênesis 17:10-14, Yahweh é declarado introdutor da circuncisão, como sinal do pacto estabelecido com Abraão. Naquele texto, parece estar indicado que Deus cedeu a Abraão novos poderes procriativos, no meio de sua esterilidade de velhice, para que ele pudesse tornar-se o pai de muitas nações, especificamente de Israel, através da qual a mensagem espiritual haveria de ser comunicada. Em outras culturas, encontramos a circuncisão como algo sacramental, talvez para identificar alguma casta sacerdotal. E possível que o povo de Israel compartilhasse dessa noção. A ciência moderna tem-nos ensinado que circuncisão é uma medida higiênica. O homem circuncidado apanha menos infecções em seu aparelho genital, e, consequentemente, corre menor risco de ficar canceroso. A lavagem diária do pênis, sobretudo com um sabão desinfetante, produz o mesmo benefício, e isso poupa à mulher muitas infecções vaginais, visto que mais de trinta variedades de infecção podem ser transmitidas sexualmente, do homem para a mulher. Apesar de que os hebreus não conheciam essas coisas por vias científicas, podem tê-las conhecido mediante a observação e a prática. Por essa razão, é bem possível que, para eles, a circuncisão fosse um ato higiênico, e não apenas religioso. Heródoto informa-nos que os egípcios praticavam a circuncisão com finalidades de higiene. O prepúcio atua como incubador e transportador de bactérias; e, se os antigos não tinham uma teoria sobre germes, eles eram perfeitamente capazes de calcular por que tantas infecções estavam se espalhando.
b. A marca tribal. Entre os antigos, essa era uma das razões comuns para a prática da circuncisão, sendo possível que isso fizesse parte dos motivos da prática, entre os israelitas.
c. Sinal de maturidade. Um menino termina por tornar-se um homem. Em várias culturas antigas, a circuncisão assinalava a transição. Mas a ideia dificilmente poderia ser aplicada a Israel, visto que ali era praticada a circuncisão de infantes, idealmente aos oito dias de idade. Os convertidos ao judaísmo, vindos do paganismo, eram circuncidados; mas isso marcava a participação deles na aliança com Deus, e não qualquer maturidade física.
d. Sacrifício humano. - Em vez de sacrificar a pessoa inteira, um homem podia ser sacrificado simbolicamente, mediante a perda de uma pequena porção do seu corpo físico, como o prepúcio. Apesar dessa ser a razão da circuncisão em algumas culturas antigas, não parece haver motivo para pensarmos que a ideia tivesse qualquer coisa a ver com o povo de Israel.
V. Considerações no Novo Testamento
1. Considerações Sobre Valores
«No que diz respeito ao valor espiritual deste ato, o N. T. é taxativo: sem a obediência, a circuncisão se transforma em incircuncisão (ver Rom. 2:25-29). Esse sinal externo se reduz à insignificância, quando confrontado com as realidades da observância dos mandamentos (ver I Cor. 7:18,19), da fé que opera por meio do amor (ver Gál. 5:6), e da nova criação (ver Gál. 6:15). Não obstante, o crente não tema liberdade de escarnecer desse antigo símbolo. Embora o crente deva evitar a circuncisão (ver Gál. 5:2 até o fim), no que diz respeito à expressão da suposta salvação através das obras (ver Cal. 2:13; conf. Com Isa. 52:1), contudo, segundo nos mostram estas passagens, ele precisa de seu significado interno. Em consequência, existe uma 'circuncisão de Cristo', o despir do corpo (mas não somente de uma parte-o prepúcio) da carne, em uma transação espiritual que não é realizada por mãos humanas, mas que consiste da relação com Cristo Jesus, em sua morte e ressurreição, selada pela ordenação iniciatória do novo pacto (ver Cal. 2:11,12). Em resultado disso, os crentes são 'a circuncisão' (ver Fil. 3:3) ... (Extraído de The New Bible Dictionary , Douglas, pág. 234).
O décimo quinto capítulo do livro de Atos mostra-nos claramente que até mesmo muitos cristãos primitivos, e, portanto, especialmente os judeus ordinários, eram da opinião de que a circuncisão era uma medida necessária para a salvação. Conforme a mentalidade judaica raciocinava, a circuncisão fazia parte do pacto abraâmico, e qualquer indivíduo que de alguma forma não fosse beneficiário do mesmo, não poderia ter esperança de que seria salvo. Ver o artigo sobre o Pacto Abraãmico, Quanto a comentários sobre o chamado «partido da circuncisão.., os legalistas da igreja cristã primitiva, cujas atividades provocaram a escrita das epístolas aos Romanos e aos Gálatas, ver Atos 11:2 no NTI.
A circuncisão tem valor, Rom. 2:25. Qual era o valor autêntico da circuncisão? De acordo com o que diziam os judeus, tinha um valor absoluto, isto é, era uma garantia virtual da salvação, porquanto entre eles se pensava que todos os circuncidados, que eram israelitas por nascimento, já estariam automaticamente absolvidos de todo o julgamento. Entretanto, no dizer das Escrituras, qual era o real valor da circuncisão?
a. A circuncisão era o sinal do pacto abraâmico (ver notas no NTI em Atos 3:25), além de ser um dos muitos privilégios de Israel, o que fazia deles uma sociedade superior. (Ver Rom. 9:4,5).
b. Tinha valor como preparação para melhores coisas vindouras. Também falava sobre a santificação. Isso teria lugar em Cristo. Falava de identificação com a geração de Abraão, e isso, por sua vez, tipificava o que Deus faria através do filho de Abraão, Jesus, o Messias.
c. Falava de um povo que seria separado para a santidade e a salvação. Tomava os homens cônscios de que existiam esses privilégios, e, sabendo-o, talvez os buscassem, se ao menos fossem suficientemente sábios.
d. A circuncisão afetava o órgão gerador, e isso simbolizava a produção de vida. A vida eterna está em Cristo e os homens, por darem atenção à mensagem de Deus e tomando parte em seu conceito, podem aprender acerca da real fonte da vida.
e. Há uma real circuncisão, de ordem absoluta, isto é, a circuncisão do coração. A santificação genuína leva os homens à salvação. Isso Paulo mostra no vs. 29 do segundo capítulo da epístola aos Romanos.
f. A circuncisão era mero sinal. A verdade simbolizada era a salvação. Por semelhante modo, o batismo é apenas um sinal, um símbolo, e não a substância, ou qualquer parte da substância essencial da salvação. (Ver as notas no NTI em Col. 2:11).
2. Buscando a realidade
a, A lei podia ter um efeito ilusório, conforme se ver em Rom, 7:11. Os homens esperavam demais da lei. Dela esperavam aquilo que ela não podia fazer, libertá-los. Afirmavam eles: «A vida vem pela lei», e isso com apoio de certos versículos do A. T. Mas Paulo demonstra que tudo isso era pura imaginação.
b. A circuncisão simbolizava todos os privilégios dos judeus, por ser o sinal do pacto abraâmico. Portanto, também fazia tropeçar os homens que eram superficiais em seu entendimento espiritual.
c. O caminho da lei era difícil por demais. Requeria a perfeição, mas não tinha o poder para conferir essa perfeição. - Conferia altos. privilégios, mas os homens, observando as coisas externas, e substituindo por elas as verdades que haveriam de seguir-se, terminaram possuidores de uma espiritualidade inferior e inadequada.
d. A lei apontava para a realidade em Cristo.
3. Externalidades Da Religião
«O ponto aqui focalizado é simples, mas importante.
Certos indivíduos vivem sujeitos à tentação constante de confundirem as externalidades incidentais tais com as realidades essenciais. Têm a confiança de ocupar um lugar, dentro da comunidade cristã, por terem sido batizados ou por serem membros nominais de alguma igreja local; e ficam altamente indignados quando alguém sugere que realmente não são crentes. Em adição a essa suposição superficial de que os sinais externos são suficientes como substitutos da participação ativa na vida da fé, é mister observarmos uma forma paralela assumida pela confiança nos sinais externos, conforme tal coisa frequentemente ocorre. Usualmente é a pessoa que confia em suas realizações religiosas externas que sente que os sinais visíveis da religiosidade são importantes. Não é necessário que isso seja produto de algum orgulho humano; pode, simplesmente, resultar de um ponto de vista limitado, que não leva em conta a distinção que há entre as verdades essenciais e as coisas inconsequentes», (Gerald R. Cragg em Rom. 2:25).
«o sinal característico, que destacava os judeus, tinha dois lados; um era externo e formal, e o outro era interno e real. Sua essência dependia desse último aspecto, porquanto, sem essa circuncisão interna, tudo quanto era externo nada valia. Não é necessário alguém ter nascido judeu para possuir essa verdade essencial. Precisamente a mesma linguagem pode ser aplicada no caso dos sacramentos cristãos... (W. Sanday, em Rom. 2:25).
4. O Partido da Circuncisão, Facções e Luta
Ver o artigo separado sobre a Circuncisão, Partido da. Esse artigo apresenta o argumento em favor da circuncisão, do ponto de vista do judaísmo antigo, o que nos confere a compreensão do motivo pelo qual o assunto revestia-se de tanta importância para a Igreja primitiva. Também são apresentados ali os modernos substitutos. Os homens continuam confiando em meras externalidades religiosas. Os homens confiam em ritos e cerimônias, atribuindo aos mesmos um valor atinente à eterna salvação da alma, Muitas denominações evangélicas ainda não conseguiram deixar esse sinal de primitivismo, em sua fé religiosa.
Muitos homens ainda não chegaram a entender que a salvação, em todos os seus aspectos, está envolvida na transformação da alma por meio do Espírito de Deus.
Esses aspectos podem ser simbolizados por meio de cerimônias, mas nenhum deles toma-se uma realidade por meios ritualísticos. Não admira que certos autores do Novo Testamento ainda se aferravam a certos primitivismos em sua fé, como a ideia da regeneração batismal, que, quase certamente, reflete-se em passagens como Atos 2:38 e Marcos 16:16. Creio, porém, que a teologia paulina afastou-se em muito de tal conceito. O trecho de Colossenses 2:11 subentende certo elo entre o batismo e a circuncisão, pelo que aquilo que a circuncisão significava para os judeus, o batismo continua a significar para alguns cristãos. Porém, tanto a circuncisão quanto o batismo em água são externalidades, são meros símbolos. Ver o artigo sobre o Batismo. (AM B BULT E ID NTI Z)
CIRCUNCISÃO, FESTA DA
O dia primeiro de janeiro assinala o dia da celebração.do sinal da  circuncisão, que confirmava o pacto estabelecido entre Deus e a nação de Israel.
Essa festa comemora a reverência de Cristo pela lei, ao submeter-se ele ao rito da circuncisão, oito dias após o seu nascimento. Tal festa tinha por intuito ajudar a substituir os excessos imorais do paganismo, vinculados à adoração ao deus Janus, naquele mesmo dia. Ver também Celebrações do Ano Novo.
CIRCUNCISÃO FALSA
A expressão aparece na nossa versão portuguesa da Bíblia, em Filipenses 3:2. Outras traduções dizem «mutilação» ou algum sinônimo. Paulo empregou a expressão dentro de um jogo de palavras com o termo «circuncisão», a fim de estigmatizar o «partido da circuncisão», que procurava tomar a circuncisão uma norma obrigat6ria dentro da Igreja cristã. No Antigo Testamento grego (Septuaginta), o vocábulo grego em questão, katatomé, é usado para indicar as lacerações feitas no corpo, como no caso dos profetas de Baal (I Reis 18:28). O argumento de Paulo é que, em Cristo, a circuncisão foi abolida, Portanto, aqueles que insistem sobre a circuncisão tomam-se mutiladores da carne. Aquele que está em Cristo já recebeu a circuncisão espiritual, e não pode derivar qualquer vantagem da mutilação da carne literal. Ver Colo 2:11. Paulo escreveu essas palavras com ironia e desgosto, em uma das passagens bíblicas onde seu espirito mostra-se indignado. (B NTI)
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 746-748.
Quais são, pois, os signos da verdadeira circuncisão? Paulo enumera três.
(1) Nós que no Espírito adoramos a Deus. O culto cristão não é questão de ritos ou da observância de detalhes e prescrições legais; o culto cristão é questão do Espírito e o coração. É perfeitamente possível que o homem cumpra uma liturgia elaborada, antiga e impressionante, e entretanto, se mantenha afastado de Deus no íntimo de seu coração. É perfeitamente possível que a pessoa observe meticulosamente todas as práticas externas da religião e, entretanto, siga abrigando em seu coração ódio, amargura, orgulho e rancor. O verdadeiro cristão, o verdadeiramente circuncidado, o homem que de fato se mantém numa relação fiel com Deus, rende culto a Deus não pela observância de práticas externas, mas por uma devoção verdadeira e uma autêntica sinceridade de coração. Seu culto é o amor de Deus, o serviço do homem, a profunda humildade que reconhece seu pecado e cujo deleite é servir.
(2) Em Jesus Cristo está nossa única glória. A única glória do cristão não é o que faz por si mesmo, mas sim o que Cristo faz por ele. O único orgulho do cristão é que Cristo morreu por ele. Sua única vergonha é sua própria pecaminosidade, e sua glória, a cruz.
(3) O cristão não confia na carne nem no meramente humano. O judeu depositava sua confiança no sinal físico e carnal da circuncisão e nas realizações humanas das prescrições e deveres da Lei. O cristão só coloca sua confiança na misericórdia e na graça de Deus, e no amor de Jesus Cristo. O judeu confiava essencialmente em si mesmo; o cristão confia essencialmente em Deus.
A verdadeira circuncisão não é uma marca na carne; é o culto verdadeiro, a verdadeira glória e a verdadeira confiança na graça de Deus em Jesus Cristo nosso Senhor.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 69.
O Sinal do Pacto: a Circuncisão (17.10-14)
O Pacto Abraâmico foi uma iniciativa essencialmente divina, unilateral e in- condicional. Contudo, havia essa condição da circuncisão. Esta serviria de sinal. Todavia, os teólogos judeus não demoraram a tornar a circuncisão um ponto essencial, e intérpretes posteriores (até mesmo alguns cristãos) chegaram a dizer que a circuncisão é necessária para a salvação da alma, um exagero (Atos 15.1- 5). Além disso, alguns antigos cristãos transformaram 0 batismo em água em algo mais do que um sinal, tornando-o imprescindível à salvação. Os homens sempre acham difícil distinguir a substância de seu mero sinal, pois pensam que o sinal é a substância da verdade. Não é provável que Abraão tenha sido o primeiro homem a ser circuncidado. Essa é uma questão que vem desde os tempos mais remotos, de antes da época de Abraão. Mas o rito foi aplicado a ele como um sinal de que participava do pacto com o Senhor.
Alguns críticos opinam que, visto que a circuncisão envolve o órgão masculino da reprodução, provavelmente esse rito se originou nos cultos de fertilidade, de desconhecida antiguidade. Seja como for, sabemos que a circuncisão era larga- mente praticada nas religiões semíticas primitivas. E os egípcios também a praticavam. O termo incircunciso veio a ser aplicado aos povos não-semitas, como os filisteus (I Sam. 17.26,36; 18.25-27; II Sam. 1.20). Originalmente, a operação era efetuada durante a puberdade e servia de rito de iniciação, quando 0 garoto assumia plenas responsabilidades religiosas e civis, entrando assim no estado adulto. Ver Jos. 5.2,3,8,9, que sugere que Josué, de maneira especial, tornou a circuncisão um dever obrigatório em Israel. Infantes eram circuncidados desde os tempos mais antigos, conforme fica entendido em Êxodo 4.25.
Em Êxodo 4.24-26 achamos uma curiosa passagem acerca desse rito. Moi- sés tinha-se esquecido da necessidade da circuncisão. Assim, 0 poder divino ameaçou tirar-lhe a vida, por causa dessa negligência. Mas sua esposa, Zípora, salvou-lhe a vida, realizando apressadamente 0 ato da circuncisão no próprio filho do casal. Alguns estudiosos pensam que as palavras “aos pés de Moisés”, que figuram nesse texto, provavelmente são um eufemismo para as partes genitais. Assim sendo, Moisés teria sido salvo mediante uma circuncisão vicária. Esse episódio permite-nos entender algo da importância da questão em Israel. No Dicionário apresento um artigo detalhado sobre a Circuncisão, que destaca vários outros fatos. Esse verbete vincula a questão ao Pacto Abraâmico, como também, de modo geral, a Israel e a outras nações. Os estudiosos da teologia histórica dos judeus informam-nos que 0 mandamento acerca da circuncisão só perdia em importância diante do sábado, na hierarquia de valores dos hebreus.
17.10 Todo macho... será circuncidado. No vs. 11 essa operação é chamada de “sinal de aliança entre mim e vós”. Ver os comentários no Dicionário a esta seção, anteriormente, bem como, no Dicionário, 0 artigo intitulado Circuncisão.
O Valor dos Sinais. Os homens transformam os sinais na essência que eles simbolizam. “.. .um rito como a circuncisão pode ter um vasto poder em favor do bem, pois leva 0 indivíduo ao campo magnético das sugestões e das influências, que impressionam mais do que a nua verdade simbolizada. Isso sucede no caso dos sacramentos de todas as religiões. A dificuldade é que 0 rito pode perder sua força de inspiração, quando se reduzir a uma forma tradicional que perdeu todo 0 significado. Ou seu suposto significado pode cristalizar*se tanto e tornar-se algo meramente proforma, que fica paralisado todo crescimento e expansão do espírito. Era isso que tendia por acontecer no judaísmo” (Cuthbert A. Simpson, in loc.). Ver Mateus 3.9 quanto a uma afirmação desse sentimento. Não basta ter Abraão como “pai” histórico, no sentido físico. Cada indivíduo deve ter sua própria (e genuína) espiritualidade.
“Deus Todo-poderoso, que fizeste Teu Filho bendito ser circuncidado e ser obediente à lei, em lugar do homem, concede-nos a verdadeira circuncisão do Espírito, para que nossos corações e todos os nossos membros, sendo mortifica- dos de toda concupiscência mundana e carnal, nos leve a obedecer em todas as coisas à Tua bendita vontade” (Livro de Oração da Comunidade Anglicana).
“A propriedade da circuncisão servia de sinal da entrada no pacto, e especial- mente em um pacto onde somente filhos eram admitidos, consistia no fato de ser um emblema do novo nascimento, mediante o despojamento do velho homem e da dedicação do novo homem à santidade. A carne era posta de lado, a fim de que o espirito fosse fortalecido. E a mudança do nome Abrão e (posteriormente) de Sarai, tipificou essa mudança de condição. Eles tinham nascido de novo, e precisavam receber um novo nome” (Ellicott, in loc.).
Heródoto (II, 104) descreveu a circuncisão praticada entre os egípcios. Os críticos pensam que Abraão pode ter herdado deles a ideia, durante sua peregrinação naquele pais (Gên. 12.10 ss.). Parece que, naquela nação, 0 rito limitava- se aos sacerdotes, conforme Orígenes pensava (Epis. ad Rom. 2.13). Parece que os etíopes e os sírios aprenderam a prática da parte dos egípcios. É evidente que a Heródoto faltavam informações sobre 0 rito entre os hebreus. Ele não sabia tudo. Alguns eruditos supõem que os próprios egípcios tenham aprendido 0 rito da parte de José, filho de Jacó, 0 que fica entendido por um de seus lexicógrafos (Baal Aruch in Rad. foi. 91.1).
17.11 “Mediante esse símbolo, Deus impressionou-os com a impureza da natureza e com a dependência a Deus para a produção de toda forma de vida. Eles deveriam reconhecer e lembrar que: a. toda impureza nativa deve ser rejeitada, sobretudo no casamento; b. a natureza humana é incapaz de gerar a semente prometida. Os israelitas que se recusassem a deixar-se cortar fisicamente desse modo, seriam cortados (separados) dentre 0 povo (vs. 14), por motivo de desobediência ao mandamento de Deus” (Allen P. Ross, in loc.). E assim, essa operação tornou-se emblema de separação pessoal e de distinção entre aqueles que per- tenciam e aqueles que não pertenciam ao pacto. O termo é usado em sentido metafórico em Deuteronômio 30.6, onde lemos sobre corações circuncisos. Paulo usou essa metáfora (Rom. 2.28,29; cf. Rom. 4.11). A incredulidade é como ter 0 coração incircunciso (Jer. 9.26; Eze. 44.7-9).
Causas Originais da Operação. É provável que os antigos tivessem consciência de enfermidades e infecções causadas nos homens que não eram circuncida- dos. A lavagem diária elimina tais problemas, mas aqueles que não se higienizam devidamente vivem com problemas. A circuncisão, pois, é uma boa medida de higiene, sendo possível que a causa original da circuncisão tenha sido 0 desejo de não ser vítima de certas doenças físicas. Daí não foi difícil pensar na saúde espiritual, e a operação tornou-se um rito religioso que fala de higidez ou higiene espirituais, de santificação e separação de qualquer causa que provoque enfermidades espirituais.
A carne do vosso prepúcio. Aquela parte do pênis que recobre a ponta, a qual, se não for higienizada diariamente, cobre-se de bactérias que causam infecções. Essa parte ofensora, pois, precisava ser cortada fora. Assim, essa pequena cirurgia tornou-se um sinal do Pacto Abraâmico para os israelitas. A santificação é vital à espiritualidade; separar-se do pecado é vital à espiritualidade.
Às vezes, a separação degenera no fanatismo e no exclusivismo. Muitos fariseus eram pessoas preconcebidas, embora circuncidadas. Qualquer bem pode degenerar em mal. Os prisioneiros da mente são prisioneiros e merecem nossa compaixão, como qualquer outro prisioneiro. A separação pode degenerar em legalismo. Neste caso, a lei reina; o espírito se estiola. Esse rito, como qualquer outro, pode degenerar em algo fraudulento. O sinal externo é transformado na essência da religião, conforme se vê em certas interpretações cristãs que dos memoriais fazem sacramentos.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 128.
O versículo 10. Todo filho homem será circuncidado. Aqueles que desejam invalidar a prova da origem divina da lei mosaica, redondamente afirmar que os israelitas receberam o rito da circuncisão dos egípcios. Seu apóstolo neste negócio é Heródoto, que, lib. ii., p. 116, Edit. Steph.1592, diz: "O Colchians, egípcios e etíopes, são as únicas nações do mundo que usaram a circuncisão απ’ απφηρ a partir do período mais remota, e fenícios e sírios? que habitam a Palestina reconhecem que recebeu este dos egípcios. " Heródoto não pode significar judeus por fenícios e
sírios, se ele faz, ele é incorreta, pois nenhum judeu jamais fez ou jamais poderia reconhecer isso, com a história de Abraão em sua mão. Se Heródoto tinha escrito antes dos dias de Abraão, ou pelo menos antes da peregrinação dos filhos de Israel no Egito, e nos informou que a circuncisão tinha sido praticado entre eles απ’ απφηρ desde o início, não existiria, então, a possibilidade de que os israelitas, enquanto permaneceu entre eles havia aprendido e adotou este rito. Mas quando sabemos que Heródoto floresceu apenas 484 anos antes da era cristã, e que Jacó e sua família peregrinou no Egito mais de 1800 anos antes de Cristo, e que todos os descendentes de Abraão mais circuncisão conscientemente observado, e fazê-lo até hoje, em seguida, a presunção é de que os egípcios receberam dos israelitas, mas que era impossível este último poderia ter recebido do ex, como haviam praticado tanto tempo antes de os seus antepassados tinham vivido no Egito. Versículo 11. E será um sinal leoth, por um sinal das coisas espirituais, pois a circuncisão feita na carne foi projetado para significar a purificação do coração de toda a injustiça, como Deus mostrou particularmente na própria lei. Veja Deuteronômio 10:16, ver também; Romanos 2:25-29; 2:11. E foi um selo de que a justiça ou justificação que vem pela fé, Romanos 4:11. Que alguns dos judeus tinham uma noção apenas da sua espiritual intenção, é claro de muitas passagens nas paráfrases Caldeu e os escritores judeus. Me emprestar uma passagem do livro Zohar, citado por Ainsworth: "Em que momento um homem é selado com este selo santo (da circuncisão), a partir daí, ele vê o santo louvou a Deus corretamente, e a alma santa está unida a ele se ele não seja digno, e não guarda este sinal, o que está escrito? Ao sopro de Deus perecem , Jó 4:9), porque este selo do santo louvou a Deus não foi mantido. Mas, se for digno, e mantê-lo, o Espírito Santo não está separado dele. "
CLARKE. Adam, Comentário Bíblico de Adam Clarke. Genesis.
A primeira palavra de Deus reiterou a realidade da relação do concerto (4), mas a promessa de uma semente foi aumentada: Serás o pai de uma multidão de nações.
O concerto foi reforçado pela mudança do nome de Abrão para Abraão (5). A promessa foi ampliada incluindo uma posteridade de reis (6). Outra adição foi a garantia de que a relação seria perpétua (7). Também seria pessoal, para que a semente de Abraão afirmasse que seu Deus era o Deus que havia feito o concerto. Isto foi possível, porque o próprio Deus estabeleceu a relação e não porque eles tomaram a iniciativa de buscá-lo. Nova observação também foi acrescentada na promessa da terra: seria em perpétua possessão (8).
“A Fé que Espera é Recompensada” é o tema de 17.1-9. 1) O caráter de Deus e o nosso dever, 1; 2) O sinal do concerto, 5; 3) A substância do concerto, 2,4,7,8 (Alexander Maclaren).
A segunda palavra se concentrou na manutenção do concerto (9) e no sinal do concerto (11). Era uma série de ordens. A estipulação básica foi: Todo macho será circuncidado (10). O tempo normal para circuncidar a criança seria aos oito dias (12) de vida. Não haveria distinção de classes, pois no concerto quem estava escravizado tinha posição igual aos homens livres. Os servos poderiam participar no concerto perpétuo (13), mas diriam a quem não fosse circuncidado: Aquela alma será extirpada dos seus povos (14). Até onde se sabe, a instituição do rito da circuncisão entre o povo de Abraão foi o primeiro golpe contra o mal da escravidão e a favor da igualdade humana diante de Deus.
George Herbert Livingston, B.D., Ph.D. Comentário Bíblico Beacon Vol. 1 Gênesis a Deuteronômio. pag. 64-65.
2. A verdadeira circuncisão não deixa marcas físicas.
Trata-se de uma qualidade espiritual, não apenas dos homens, mas também das mulheres. Paulo ensina aos colossenses que a verdadeira circuncisão em Cristo não é por intermédio das mãos, mas no despojamento do corpo da carne” (Cl 2.11,12), que significa, de fato, o despojamento da força da carne mediante o batismo por imersão. Paulo disse aos efésios que “fomos selados pelo Espírito Santo”, isto é, fomos marcados com o Espírito Santo em nossa vida (Ef 4.30).
2. A verdadeira circuncisão é operada no coração do crente (Fp 3.3; Rm 2.25-29). Na escritura do versículo 3, o apóstolo Paulo fala dos que confiam na carne, referindo-se aos cristãos que procuravam demonstrar seus méritos pessoais, físicos ou materiais para garantir bênçãos espirituais. Paulo refutou essa ideia equivocada de espiritualidade entre os cristãos. Eles não precisavam da circuncisão para garantir a salvação em Cristo.
O texto de Romanos 2.25-29 está explicado em meu livro Romanos, da Série Comentário Bíblico:
“Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei” (Rm 2.25). É declaração do apóstolo Paulo. Os judeus se escudavam na prática da circuncisão. Era, na verdade, assunto e regra mal compreendida, porque não entendiam o espírito da lei da circuncisão.
Era um rito religioso judaico permitido por Deus, porém, era um rito envolvendo uma ação exterior, na carne. Era uma exigência da lei que, observada, colocava a responsabilidade sobre o circuncidado de guardar toda a Lei. Entretanto, Paulo diz em Gálatas 5.3: “Todo homem que se deixar circuncidar... está obrigado a guardar a Lei”. Escudar-se na prática da circuncisão e não praticar o resto da Lei de nada valia.
Os gentios não precisavam dessa prática da circuncisão, pois esse rito dizia respeito apenas aos judeus. Paulo, recebendo a insinuação dos judeus cristãos contra os gentios cristãos, desfaz a pretensão judaica e mostra que a verdadeira circuncisão é feita espiritualmente no coração. É operação do Espírito, não na carne, mas no espírito do crente.
O ideal da circuncisão aos judeus é louvável. Tinha o propósito de diferençar o judeu do gentio. Já a circuncisão espiritual diferencia o crente do incrédulo, o salvo do perdido, (p. 43)
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 95-96.
Este versículo mostra, quase certamente, que os gnósticos de Colossos haviam incorporado a circuncisão judaica em seu sistema, dando-lhe certo valor místico, tal como os judeus comuns pensavam que a circuncisão fosse necessária para a salvação, conforme nos mostra o trecho de Atos 15:1.
Paulo toma sobre essa questão a posição que ele sempre teve, ou seja, a verdadeira circuncisão é uma operação moral, mediante a qual a vida antiga é extirpada, e a nova vida se toma dominante. (Ver Rom. 2:28,29, que apoia amplamente essa ideia. Há notas expositivas completas sobre a «circuncisão», em sua origem e significado, dentro do judaísmo, em Atos 7:8 e Rom. 2:25. Quanto ao «partido da circuncisão», que havia na igreja cristã primitiva, ver Atos 1 1 :2. Quanto à questão legalista que surgiu na igreja primitiva, ver Atos 10:9).
A Circuncisão Espiritual
1. Ela existe inteiramente à parte de seu «símbolo» (a circuncisão física). 2. Ela fala de «procriação», isto é, de uma «nova raça», a raça espiritual, a saber, o novo Israel (ver Gál. 6:16).
3. Ela fala de santificação, aquela operação espiritual que remove a natureza carnal indesejável. (Ver as notas sobre a «santificação», em I Tes. 4:3).
4. Há um povo que, coletivamente, se chama «a circuncisão espiritual», um povo que não se jacta de si mesmo, e nem da carne, mas que adora a Deus em Espírito e se gloria em Jesus Cristo. Essa é a mensagem de Fil. 3:3.
5. No versículo doze, essa circuncisão é vinculada ao batismo (tal como a circuncisão física é ligada ao batismo em água). Neste caso, prevalecem as mesmas distinções que há ali. Há uma circuncisão física, que nada tem a ver com a salvação. Há um batismo físico, que nada tem a ver com a salvação. Também há uma circuncisão espiritual que, em certo sentido, se equipara à salvação. E há um batismo espiritual vinculado à salvação. Em nenhum caso, o «símbolo» tem qualquer poder salvatício em si mesmo.
«...no despojamento do corpo da carne ...» Essas palavras têm um «sentido ético»,' pelo que devemos considerar os pontos abaixo:
1. Não está em foco a natureza física, o corpo humano literal. Para Paulo, o corpo humano não era perverso, conforme pensavam erroneamente os mestres gnósticos.
2. Também não está em foco a ideia das paixões carnais, embora essas devam ser incluídas.
3. Antes, está em foco a personalidade humana corrupta, considerada como um todo, isto é, aquilo que o homem é, à parte da graça regeneradora—a natureza velha, o velho homem. Trata-se da natureza inferior inteira, a qual deve ser despida quando da conversão e no processo de santificação. (Ver as notas expositivas em João 3:3, sobre a «conversão»; e ver I Tes. 4:3, acerca da «santificação»). Naturalmente, Paulo alude aqui ao fato que não basta cortar o prepúcio de um homem para que haja alguma vantagem espiritual, porquanto tal operação física não transmite qualquer experiência mística. A depravação do homem requer uma operação muito mais significativa é profunda do que isso, a saber, um toque divino, que atinja a própria alma e a transforme.
Referências e ideias. A auto negação:
1. Cristo é nosso exemplo supremo de autonegação (ver Mat. 4:8-10; 8:20; João 6:38; Bom. 15:3 e Fil. 2:6-8).
2. A autonegação é prova de nossa devoção a Cristo (ver Mat. 10:37,38 e Luc. 9:23,24).
3. Ela é necessária para quem segue a Cristo (ver Luc. 14:26-33).
4. Ê necessária na luta dos santos (ver II Tim. 2:4).
5. É necessária para o triunfo dos santos (ver I Cor. 9:25-27).
6. Os ministros são especialmente chamados à autonegação (ver II Cor. 6:4,5).
7. A autonegação deve ser exercida negando-se a impiedade e as paixões mundanas (ver Rom. 6:12 e Tito 2:12).
8. Deve ser exercida no controle dos apetites (ver Pro. 23:2).
9. Na abstenção das paixões carnais (ver I Ped. 2:11).
10. Para que não mais vivamos segundo as paixões dos homens (ver I Ped. 4:2).
« ...que è a circuncisão de Cristo. . . d Consideremos aqui os pontos seguintes:
1. O genitivo é «subjetivo»: é Cristo quem efetua tal circuncisão. Trata-se de uma operação sua, que ele leva a efeito por meio do seu Espírito. Desse modo é que somos transformados e nos dedicamos a Deus, que é o primeiro passo em sua direção, além de ser o primeiro elo da corrente de ouro que vincula a terra aos céus. Há certa circuncisão que «pertence a Cristo», que nos é conferida mediante a união com Cristo, em contraste com «Moisés». A circuncisão carnal removia apenas uma pequena porção do corpo físico. A verdadeira circuncisão espiritual remove a natureza corrupta por inteiro, a qual é aqui pintada como um corpo.
2. Alguns estudiosos veem aqui o sentido dessas palavras como a «circuncisão de Cristo», como aquela que lhe pertence, a qual consiste do despojamento da carne, em sua morte, da qual partilhamos espiritualmente.
Isso é uma verdade, embora pareça estranho que sua morte seja chamada de «circuncisão», pelo que o mais provável é que não é isso que está em foco neste ponto.
3. Ainda mais remota e ridícula é a ideia que está em pauta a circuncisão literal, do menino Jesus, da qual os crentes participariam vicariamente.
Variante Textual: As palavras «corpo dos pecados da carne» aparecem nos mss Aleph(3), D(2), E(2) KL e são seguidos pelas traduções K J e PH, dentre as catorze traduções usadas para efeito de comparação, neste comentário. (Ver a identificação aas mesmas na lista de abreviações que há na introdução geral). O texto mais simples e mais antigo, que certamente é o original, diz «corpo de carne», que aparece nos mss P(46), Aleph(l), D(l) FGP. A adição é uma glosa escribal interpretativa.
«...tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo...» Paulo agora iguala o «batismo espiritual» à «circuncisão espiritual». Embora não devamos pressionar em demasia o simbolismo, há certa conexão entre a circuncisão do A.T. e o batismo do N.T. Ambos são sinais de algum pacto.
Nossa identificação com Cristo na morte ao pecado e na vida para a retidão nos torna participantes do novo pacto. (Ver I Cor. 11:25,26 e 12:13 quanto a notas expositivas sobre as ideias da morte de Cristo e de nossa união com essa morte). Portanto, a circuncisão e o batismo são os ritos principais dos sistemas religiosos representados pelo Antigo e pelo Novo Testamentos, pelo que se poderia pensar que um substituiu ao outro.
Porém, inferir a propriedade ou necessidade do batismo de infantes, porque a circuncisão era para infantes, é exagerar a conexão, sendo uma ideia aceita por alguns grupos, mas não ensinada pelas próprias Escrituras. O conceito inteiro do batismo, no N.T., é contrário ao batismo infantil, pois o mesmo simboliza a identificação espiritual na morte e na ressurreição de Cristo, mediante a fé (os elementos essenciais da salvação), o que não se pode aplicar a infantes, antes de terem chegado em uma idade em que têm fé em Cristo. Notemos aqui que esse batismo é acompanhado pela «fé na operação de Deus», o que nenhum infante pode exercer. Portanto, apesar do batismo infantil ter um precedente vetotestamentário na circuncisão, não tem precedente nenhum no conceito básico do que o batismo simboliza no N.T., o que é muito mais importante. O Batismo E O Batismo Espiritual
1. Como agente de salvação, o batismo em água não tem mais poder que a circuncisão física.
2. Ambas essas realidades físicas são apenas «símbolos» (mas não parte da essência) do novo pacto.
3. O batismo espiritual é a «realidade simbolizada» pelo batismo em água. Trata-se da identificação com Cristo, em sua morte e ressurreição, e portanto deriva benefícios de tudo que está envolvido naquelas experiências de Cristo. (Isso é amplamente comentado em Rom. 6:3).
«...no qual, igualmente, fostes ressuscitados...» Antes de tudo, devemos pensar na «ressurreição moral», a transformação em um novo ser, na conversão e na regeneração, continuadas na santificação , que são realidades produzidas pela nossa união mística com Cristo. Mas também é antecipada a ressurreição de nosso corpo, além de nossa entrada no glorioso estado dos lugares celestiais, do que a «ressurreição moral» é a garantia, é a experiência espiritual preliminar. Nisso é que? e manifestam a vida e a alegria reais.
«Algum dia as pessoas aprenderão que as coisas materiais não trazem felicidade e têm pouca utilidade em tornar homens e mulheres criativos e poderosos. Então os cientistas do mundo transformarão seus laboratórios em lugares de estudo de Deus, da oração e das forças espirituais». (Charles P. Steinmetz).
Referências e ideias. A vida espiritual:
1. Deus é o autor da vida espiritual (ver Sal. 36:9 e Col. 2:13).
2. Jesus Cristo é seu autor (ver João 5:21,25; 6:33,5j.-53; 14:6 e I João 4:9).
3. O Espírito Santo é seu autor (ver Eze. 37:14 com Rom. 8:9-13).
4. A Palavra de Deus é seu instrumento (ver Isa. 55:3; II Cor. 3:6 e I Ped. 4:6).
5. Está oculta em Cristo (ver Col. 3:3).
6. O temor de Deus é vida espiritual (ver Pro. 14:27 e 19:23).
7. A mente espiritual é vida espiritual (ver Rom. 8:6).
8. A vida espiritual é mantida por Cristo (ver João 6:57 e I Cor. 10:3,4).
9. Pela fé (ver Gal. 2:20).
10. Pela Palavra de Deus (ver-Deut. 8:3 com Mat. 4:4). 11. Pela oraçãó (ver Sal. 69:32).
« ...mediante a fé na operação no poder de Deus...» Quanto a essa declaração, convém considerarmos os pontos seguintes:
1. Não está em foco a fé que o poder de Deus opera, o que é uma verdade, contudo (pois a fé é um dos aspectos do fruto do Espírito; ver Gál. 5:22).
2. Também não está em pauta a fé descrita como operação divina (genitivo adjetivo).
3. Também não se deve pensar no genitivo de aposição, «fé, que é operação de Deus» (o que também expressa uma verdade, embora não esteja em foco aqui).
4. Antes, devemos pensar no genitivo objetivo, «fé na operação de Deus».
«...poder...» No grego temos «energeia», o «poder ativo de Deus», que opera ativamente nos crentes, através do Espírito Santo, o qual os converte, regenera, santifica e transforma segundo a imagem de Cristo. A fé se apossa dessa realidade e a aplica, entregando a própria alma a Cristo, mediante, o que se concretiza toda e qualquer espiritualidade. O trecho de Efé. 2:8-10 lhe é paralelo. Tudo nos vem pela graça, mas a fé é que se apropria da graça, e é assim que nos tornamos «feitura» dele. (Quanto a notas expositivas completas sobre a «graça», ver Efé. 2:8; quanto a notas expositivas sobre a «fé», ver Heb. 11:1). A fé inclui certas crenças, como acerca da ressurreição, da divindade de Cristo, etc., mas, antes de tudo, consiste da outorga da própria alma aos cuidados de Cristo, uma transação entre a alma e Deus, em que um homem se entrega totalmente a Cristo. Isso produz a «circuncisão espiritual», o que é um dos aspectos do «batismo espiritual», a saber, o despojamento da natureza carnal, por ocasião da conversão e da santificação.
«...que o ressuscitou dentre os mortos.. .»Essa cláusula tem duas funções, como modificadora, a saber: 1. Mostrar que a morte foi conquistada, e que uma vida nova nos foi conferida, através do poder de Deus. A fé se apossa dessa realidade. 2. Mostrar que o poder divino é eficaz, porquanto ressuscitou a Cristo dentre os mortos, pelo que podemos confiar nele quanto à «ressurreição moral» e quanto à «ressurreição literal», no último dia. A fé se apropria desse milagre. (Ver Efé. 2:19 e ss. onde o poder da ressurreição também ilustra essa poderosa operação, mediante a qual Deus faz os homens se tornarem a plenitude de Cristo, e Cristo tornar-se o Cabeça de todo o universo). Nas páginas do N.T., a ressurreição normalmente implica na ascensão e na glorificação, mesmo quando esses aspectos não são especificamente mencionados, porquanto isso é apenas continuação do poder da ressurreição. (Quanto a notas expositivas sobre esse tema, ver Atos 2:32,33).
«O poder de Deus, ao ressuscitar os mortos à vida, é o mesmo em nosso Senhor e em nós, o poder físico exercido nele serve não somente de garantia do mesmo poder físico, que será exercido em nós, mas também é condição e certeza de um poder espiritual que já atua em nós, mediante o que, em espírito, somos ressuscitados juntamente com Cristo, sendo incluída a ressurreição física, como parte daquela ressurreição maior». (Alford, in loc.). O poder exibido no Cabeça, pois, também será exibido no corpo. Não poderia mesmo ser de outro modo.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 119-121.
O rito da circuncisão como administrada em Israel representa o que nos aconteceu (11). A circuncisão física era um corte da carne; a circuncisão espiritual é da mesma sorte uma operação pela qual é cortada toda a natureza carnal, descrita aqui como «o despojamento do corpo da carne» (Cf. Rm 6.6).
A transição da ideia da circuncisão espiritual para aquela do batismo é uma coisa natural. Aqui temos outro quadro da experiência do crente. A figura usada é aquela da imersão. Houve um sepultamento do crente com cristo e uma ressurreição para novidade de vida. (Cf. Rm 6.4). Não se deve supor que o apóstolo considera que o simples ato do batismo faz isto, ex opere operato. É «mediante a fé no poder de Deus» (12) que o rito ganha significação e eficácia.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Colossenses. pag. 16-17.
11,12. No N.T. não por intermédio de mãos é um termo quase técnico usado em relação às realidades da nova dispensação comunitária em contraste às instituições e rituais da antiga aliança. Refere-se com muita frequência à Igreja na qualidade do verdadeiro templo de Deus dado à luz na morte e ressurreição de Cristo (Mc. 14:58; Jo. 2:19, 22; Atos 7:48; II Co. 5:1; Hb. 9:11, 24). Aqui identifica a morte e ressurreição de Cristo como sendo a verdadeira circuncisão (cons. Fp. 3:3), na qual os cristãos, na qualidade de Corpo de Cristo, participaram. Ambos os conceitos são, para Paulo, expressões da realidade comunitária implícita na fé dos cristãos – união com a morte e ressurreição do Salvador (veja Introdução).
No despojamento do corpo da carne. Veja comentário sobre 2:15.
Batismo pode se referir primeiramente ao batismo da morte de Cristo (cons. Mc. 10:38; Lc. 12:50), embora o batismo cristão não deve ser excluído (cons. Rm. 6:4). Não há uma analogia direta entre o batismo cristão e o rito da circuncisão da "velha dispensação". Circuncisão aqui é a morte de Cristo, pela qual Ele operou o rompimento da velha dispensação, purificando do pecado e reconciliando com Deus (cons. Dt. 30:6; Jr. 4:4; 9:25, 26). É com isso que o batismo cristão tem de ser relacionado.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular  Colossenses. pag. 19.
O apóstolo Paulo atinge, nesta altura de suas considerações, o seu conceito mais profundo e decisivo. Até aqui havia tratado, com mais particularidade, da obediência ou desobediência externa à lei, isto é, abordara ações que contradizem a intenção da lei mosaica. Ainda não entrara no aspecto dos motivos, dos desejos e dos impulsos que partem do íntimo, que se originam na natureza sem regeneração, ou no aspecto oposto, isto é, os desejos íntimos, os impulsos e os motivos da natureza má, que podem fazer-se presentes, até mesmo quando as ações externas estão rigorosamente de conformidade com a lei, as quais, portanto, poderiam ser reputadas como manifestações da justiça, embora a realidade íntima seja bem outra.
Porém, é ao chegar nesta altura que o apóstolo estabelece a importante distinção entre a justiça externa e a justiça interna, distinção essa que já fora subentendida e que servira de conceito subjacente em grande parte de seu argumento anterior, embora ele ainda não 0 tivesse desvendado claramente. A partir deste momento, entretanto, Paulo haveria de mostrar-nos que a obediência meramente externa não é suficiente, ainda que alguém, através de um esforço hercúleo, pudesse cumprir todas as obrigações impostas pela lei. E isso não seria suficiente porquanto continuaria de pé a necessidade do indivíduo ser um judeu no íntimo, dotado da circuncisão do coração. Assim, pois, Paulo destacava os seguintes pensamentos:
1. Somente aquela justiça que se deriva da alma regenerada é que prevalecerá no julgamento de Deus, pelo menos naquele julgamento que proferirá a absolvição e garantirá a entrada do indivíduo absolvido nos lugares celestiais, isto é, que envolve a salvação e os seus resultados tencionados.
2. Ainda que alguém possa cumprir todas as condições impostas pela lei, no que concerne às ações externas, tal indivíduo apesar disso seria considerado culpado por causa de seus pensamentos íntimos, imperfeições, desejos pervertidos e motivos egoístas.
3. Se seguirmos corretamente esse argumento, é evidente que alguém pode ter uma vida externa correta, no que tange às suas obras, e, no entanto, ser impelido por motivos errôneos. E o que poderia ser mais comum na experiência humana, do que isso?
Existe um sistema de ética, intitulado egoísmo, que afirma que todas as ações humanas de alguma maneira se baseiam no egoísmo, pois qualquer indivíduo, até em seus momentos de maior nobreza, só olha para o que pode aproveitar pessoalmente em qualquer situação. Apesar de ser verdade que algum altruísmo autêntico existe entre os homens, contudo, qualquer observação sobre a conduta humana, até mesmo superficial, convence-nos que o egoísmo é 0 fator básico de quase todas as ações humanas. Ora, tal atitude não prevalecerá diante do tribunal de Deus.
4. Deus requer o altruísmo mais autêntico em todas as nossas ações, arraigado em nossas atitudes íntimas; e isso equivale a dizer que nossas ações devem estar alicerçadas no «amor». E o trecho de Gál. 5:22 deixa claro que o amor, o amor verdadeiro, o tipo de amor que Deus tem, é uma dádiva e fruto do Espírito Santo. E com base nisso ficamos sabendo que nenhuma ação pura, nenhuma ação que seja impulsionada por motivos sinceros, pode ser realizada sem alguma influência do Espírito Santo.
5. Porém, a posição do crente diante de Deus é mais do que meramente judicial; também se deriva de sua santidade real, isto é, a perfeita santidade de Deus que se vai formando em todos os remidos, através da atuação transformadora do Espírito Santo, que lhe veio habitar no íntimo. Ora, na forma de uma ação específica, continuamente aplicada, que o impulsione na direção do alvo da perfeição em Cristo, o incrédulo não possui tal obra de transformação, ainda que, a exemplo de todos quantos vivem neste mundo, sofra da influência do Espírito Santo, podendo fazer muitas coisas sob seu impulso. E a passagem de João 16:7-11 deixa subentendido exatamente isso. .
6. Há dois tipos de judeus. Um deles é o que o é externamente. Esse ouve a lei de Moisés e tenta obedecê-la, e, naturalmente, tem o sinal da circuncisão. Nada disso, porém, fez grande coisa para transformar-lhe a alma. Sente-se orgulhoso de suas realizações religiosas, mas suas obras, na verdade, 0 condenam, porquanto age como se fora pagão. De fato, a lei o iludiu (ver Rom. 7:11).
׳ Também há o judeu que o é internamente. Esse não tenta merecer a sua salvação, e talvez seja até gentio de raça e não traz em si o sinal da circuncisão física. Em sua alma, porém, foi circuncidado, isto é, santificado, separado para Deus. Esse homem não observa os ritos da lei mosaica, mas Cristo transformou a sua vida. Trata-se de um autêntico seguidor de Moisés, porque conhece e segue a Cristo, aquele acerca de quem Moisés escreveu, simbolizado pelo próprio Moisés.
«O sentido dessas palavras é que o judeu autêntico não pode ser designado por ascendência natural, por mera profissão ou por algum símbolo externo, pois a circuncisão que constitui um judeu verdadeiro não consiste apenas de algum símbolo exterior, mas antes, de uma realidade interior, da alma. E o que 0 apóstolo aqui conclui, no tocante à circuncisão legítima, é baseado em diversas passagens das Escrituras, e até mesmo de seu ensino em geral; porquanto por toda a parte os homens são comandados a circuncisarem os seus próprios corações, sendo exatamente isso o que 0 Senhor promete fazer. O prepúcio era cortado, realmente não como se fora pequena corrupção de uma parte do ser, mas como a amputação de toda a natureza má. A circuncisão, portanto, indica a mortificação da natureza carnal em sua totalidade». (Calvino, in loc.)■
«A circuncisão do coração é uma ideia já bem familiar nas páginas do A.T. Do livro de Deuteronômio (ver Deut. 10:16; e quanto ao sentido, comparar com Deut. 30:6), passou para os escritos proféticos - Jer. 4:4. A expressão contrária—a incircuncisão do coração e da carne—também pode ser encontrada nas Escrituras: Jer. 9:26 e Eze. 44:7». (Denny, in loc.)■ «...uma circuncisão (está aqui em foco) que não estaca na conformidade externa à lei, mas que se estende à esfera da vida interior». (Gifford, in loc.).
«O trecho de Marc. 12:33, bem como outros exemplos, comprovam que esse ponto de vista não era desconhecido dos escribas». (Tholuck, in loc.).
«...o propósito de Paulo dá um novo sentido a uma distinção familiar. Ele havia derrubado por terra a arrogância dos judeus, que depunham a sua confiança apenas em externalidades. E o apóstolo confirma 0 seu ponto de vista comprovando quão relativo são os termos ‘judeus’ e gentios’, mostrando que os gentios sinceros tomavam a precedência sobre os judeus indignos». (Gerald. R. Cragg, in loc.).
«O nome judeu, e o rito da circuncisão tinham por finalidade serem símbolos externos de uma separação entre eles e o mundo ímpio e irreligioso, na forma de uma santa devoção do coração e da vida ao Deus da salvação. Onde quer que isso seja uma realidade, os sinais são repletos de significação; porém, onde tal realidade não se faz presente, tais sinais são piores que inúteis...Assim como nenhum privilégio ou sinal externo de discipulado é capaz de proteger os ímpios da ira de Deus, assim também a ausência dessas coisas não impede quem quer que seja de entrar no reino dos céus, contanto que as pessoas envolvidas tenham experimentado a transformação de coração que sela o pacto, e que aqueles sinais têm por intuito simbolizar. A vista do grande Sondador dos corações, do Juiz dos vivos e dos mortos, a renovação do coração, no coração e na vida, representa tudo. Em face dessas verdades, não precisam tremer todos os discípulos batizados e sacramentados do Senhor Jesus, os quais ‘professam conhecer a Deus', mas são ‘inimigos da cruz de Cristo’?» (Brown, in loc.).
«Essa verdade não tem por intuito afastar-nos da observância das instituições externas, e sim, para não confiarmos nelas». (Matthew Henry, in loc.)■
«...e circuncisão a que é do coração...» (Quanto a notas expositivas sobre o uso da palavra «coração», nos escritos paulinos, ver Rom. 1:21). O homem interior, a personalidade essencial, a alma, que é a sede da inteligência, deve ser a área onde se deve exercer a negação ao princípio do pecado. O homem interior é que deve ser renovado e regenerado, tornando-se então participante da vida divina, segundo se lê em II Ped. 1:4. Sem essa renovação, os sinais externos são inteiramente inúteis, não passando de um escárnio e mesmo de uma blasfêmia contra Deus. (Ver Rom. 2:24).
«É extremamente fácil aceitarmos a circuncisão por si mesma, obedecendo a todas as outras provisões externas da lei; porém, a lei solicita de nós muito mais do que isso - de fato requer a santidade interna - e é exatamente essa exigência que sentimos tanta dificuldade em cumprir». (John Knox, m loc.).
O ponto que Paulo queria frisar, naturalmente, é mais profundo do que esse. Tal obediência, a não ser que seja prestada através do impulso do Espírito Santo, não somente é difícil como também é simplesmente impossível. E é isso que mostra com clareza a necessidade que temos de Cristo.
A circuncisão do coração, em seus efeitos práticos, consiste da «...separação de tudo quanto é imoral da vida interior» (Meyer in loc.), o que significa, naturalmente, 0 desaparecimento dessas mesmas coisas erradas da vida exterior. No entanto, consiste também «...da mortificação interna, ou seja, da quebra do princípio naturalmente egoísta da vida, mediante a fé, como o princípio da consagração e da orientação teocrática». (Lange, in loc.). .
«E isso Deus requer, e ele mesmo promete conferir, como se lê em Deut. 10:16 e Jer. 4:4. E acerca desta última passagem, um notabilíssimo judeu (rabino Davi Kimchi, in loc. iv.4) tem a seguinte observação a fazer: essa é a circuncisão do coração, a própria frase que o apóstolo Paulo usa aqui...Os antigos judeus tinham a noção desse uso típico do termo ‘circuncisão’. Por isso é que 0 judeu Filo diz que a circuncisão ensinava ‘a extirpação de todos os prazeres e afeições’...a ‘remoção da arrogância, aquele gravíssimo pecado da alma’. E em outro trecho ele chama a ‘pureza’ e a ‘castidade’ de ‘a circuncisão da circuncisão'». (John Gill, in loc., citando Filo, De Migrat. Abraham, pág. 402 e De Circumcisione, pág. 811).
«...no espírito...» são palavras que também podem ser gravadas como «no Espírito». Acerca desta expressão há certa variedade de interpretações, a saber:
1. Estaria em foco o Espírito de Deus, como agente de toda a autêntica circuncisão do coração, que produz 0 judeu interno. Embora seja verdade que a doutrina cristã do «novo nascimento» ainda não fora apresentada em qualquer maneira formal, contudo é óbvio que por detrás de todo o raciocínio de Paulo, nesta secção, que o assunto é fundamental; e o Espírito Santo aparece aqui como o agente desse novo nascimento. Por conseguinte, qualquer interpretação sobre o presente versículo deve incluir necessariamente essa possibilidade, ainda que a referência não diga respeito, especificamente, ao Espírito Santo.
2. Também poderia estar em vista o «espírito humano», em contraste com a natureza carnal do homem. Assim pensava Wordsworth (in loc.), quando escreveu: «...0 homem interior, em oposição à carne».
3. Alguns pensam que temos aqui a declaração que isso ocorre no espírito do judaísmo autêntico, em contraste com aquilo que é somente de acordo com a letra; seria um tipo do espírito da verdadeira santidade e da verdadeira retidão, que os santos autênticos do A.T. possuíam, e que todo o verdadeiro crente, de todas as épocas, também possui. Assim sendo, estaria em foco a «espiritualidade», em contraste com 0 que é ritual e sacramental, ou, conforme diz Calvino (in loc.), «...0 desígnio espiritual do rito». Não há que duvidar que isso faz parte do pensamento de Paulo aqui expresso, conforme fica transparente no fato que há um confronto imediato com a «letra».
4. Outros estudiosos pensam que Paulo aqui focalizou o novo princípio da vida, insuflado no homem pelo Espírito de Deus.
5. Diz Lange, in loc.: «Quando o ‘pneuma’ (espírito) é posto em antítese com a ‘grammati’ (letra), ou seja, a vida ‘no espírito’ em contraste com a vida ‘na letra’, isto é, a vida considerada como uma existência externa, dependente de meras prescrições externas da lei, de conformidade com a letra, então, com a palavra ‘espírito’ devemos compreender que não está em foco nem o Espírito de Deus’, considerado por si mesmo, e nem o ‘espírito do homem’, mas antes, 0 ‘espírito da vida’, a ‘forma espiritual’ da vida íntima, mediante a qual o espírito humano se move na atmosfera do Espírito de Deus, e o Espírito de Deus se move na atmosfera do espírito humano».
A última dessas posições, a de número (5) é a mais provável das interpretações, combinando-se, realmente, com algo que fica subentendido nas outras quatro interpretações, ao mesmo tempo que fica retido um sentido novo para a palavra ‘espírito’, pelo menos no que diz respeito ao uso desse vocábulo neste versículo. Assim, o que é enfatizado é «o poder vivo»
(no dizer de Alford, in loc.), com o qual a esfera íntima do indivíduo é cheia, e através do que as suas ações externas são inspiradas.
«...não segundo a letra...» Ou seja, não como uma obediência formal ao que era exigido pela legislação mosaica, ficando negligenciada aquela santidade autêntica do íntimo, que altera os motivos, os desejos e as intenções. Esse tipo de obediência, portanto, é contrastado com a obediência «no espírito», conforme acabamos de esclarecer. Com isso pode-se comparar o trecho de II Cor. 3:6, onde «a letra» é contrastada com «o espírito», o qual confere «vida». A «letra», portanto, inclui a legislação mosaica, juntamente com a circuncisão, que se tornou a parte mais importante dessa legislação, e seu sinal distintivo (ainda que a circuncisão já houvesse sido instituída séculos antes da outorga da lei mosaica).
«.. .cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus...»Essa afirmativa de Paulo também tem sido sujeitada a várias interpretações, conforme o esboço que oferecemos abaixo:
1. Destaca-se aqui um jogo de palavras, porquanto a palavra «judeu» significa louvado. Por conseguinte, aquele que é verdadeiramente louvado não é o «judeu externo», e, sim, o «judeu interno». Assim, pois, os verdadeiros judeus, aqueles que foram circuncidados no coração, e não apenas na carne, serão louvados por Deus, e não pelos homens.
2. As religiões que se inclinam para o ritualismo, para o formalismo e para 0 legalismo, têm sempre encorajado os homens a louvarem a outros homens, como também a procurarem ser louvados pelos homens; porquanto havia grande multidão de preceitos e cerimônias a serem observados, e muita oportunidade de exibicionismo, ante os homens, nessa religião de externalidades como se tomou o judaísmo da época dos profetas e dos apóstolos.
3. Outrossim, faz parte dos «judeus externos» buscarem o louvor humano, ao mesmo tempo que pouco ou nada lhes importa o louvor de Deus, que realmente tem valor. Acerca do Judá terreno, foi dito: «Judá, teus irmãos te louvarão...» (Gên. 49:8). Em contraste com isso, sobre o Israel espiritual foi dito como aqui: «...cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus».
Paulo abordava, uma vez mais, a questão da ética egoísta. Os homens fazem muitas coisas com o propósito de agradarem aos seus semelhantes; e, por detrás de tal atitude brilha o desejo e o motivo de obter louvor, fama, boa reputação e posição social. Os que assim agem, entretanto, são apenas «judeus externos», a despeito da magnificência de suas obras. Já os «judeus internos» aprendem a elevar-se acima desse nível vicioso, caracterizando-se por uma genuína preocupação pelo que Deus pensa acerca de sua vida e de suas ações, porquanto esse interesse é algo inspirado e agitado pelo próprio Espírito de Deus.
Cansado estou de pecar, pés inchados e exausto,
A vereda tenebrosa aumentou espantosamente,
Mas agora uma luz surgiu, animando-me;
Descobri em Ti a minha Estrela, o meu Sol,
Tua preciosa vontade, ό Salvador triunfante,
Agora me circunda e me rodeia;
Calaram-se todas as discórdias, minha paz é um rio,
Minha alma é como um pássaro cativo que foi solto.
(Sra. C.H. Morris)
O Batismo E Os Ritos
1. Quem pode deixar de perceber, através da discussão do presente capítulo, que os ritos e as cerimônias cristãs (denominemo-los sacramentos, se assim quisermos fazê-lo) devem ser situados dentro da mesma categoria dos ritos do judaísmo? O batismo ou a eucaristia não podem fazer parte necessária à salvação, e nem são requeridos para a salvação, embora a simbolizem de modos vividos.
2. Parece que alguns cristãos não podem perceber isso com clareza. O homem sempre tem de agarrar-se a algo que possa fazer ou observar, a fim de sentir-se bem no tocante às possibilidades de sua salvação. Porém, tal atitude é contrária à teologia paulina, não passando de vã imaginação.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 3. pag.603-605.
Rm 2. 25-29. Aqui o apóstolo aponta para o que ele considera um verdadeiro judeu. Ele mostra que o gentio que guarda (a palavra ohylasso também pode ser traduzida para observa, ou segue) os preceitos da lei (v. 26) é um verdadeiro judeu. O rito da circuncisão só declara que um homem é judeu se este praticar a Lei. Para um judeu, tornar-se transgressor da Lei é, realmente, diante de Deus, tornar-se incircunciso. Além de um gentio ser um verdadeiro judeu, se observar os preceitos da Lei, ele, que é fisicamente incircunciso, se assentará para julgar o judeu que tem as qualificações físicas, mas nenhuma obediência (v. 27). Esta é uma declaração de Paulo, não uma pergunta. No versículo 27 Paulo destaca que o judeu que será julgado pelo gentio, é aquele judeu que é transgressor da Lei, não obstante a letra e a circuncisão (cons. dia, Arndt, III, 1, c, pág. 179). Eis aí a tragédia daquele que tem uma lei escrita objetiva, e o sinal exterior da aliança de Deus com o seu povo, mas que no entanto nunca se apropriou da realidade. Numa última palavra ao judeu, Paulo destaca que não é o exterior, mas a condição interior do coração que toma um homem verdadeiramente judeu, isto é, filho de Deus (v. 29). A verdadeira circuncisão é uma espécie de circuncisão do coração (cons. Lv. 26:41; Dt. 10:16; 30: 6; Jr. 4:4; 9:26; Atos 7:51). Esta verdadeira circuncisão não está na esfera da legalidade - um código escuto - mas antes na esfera do espírito, isto é, na área da vontade.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular Romanos. pag. 26-27.
3. A verdadeira circuncisão não confia na carne (3.3-7).
O contraste com os falsos cristãos
Os autênticos cristãos são aqueles que adoram a Deus no Espírito (3.3). A adoração a Deus em Espírito é uma marca autêntica dos que foram redimidos por Cristo. A forma de servir a Cristo difere daqueles que precisam da materialização para sua adoração. Os judeus entendiam que a circuncisão era um sinal para o povo que adora a Deus. A igreja de Cristo adora a Deus e o faz mediante a presença e habitação do Espírito na vida dos crentes. Na língua grega, adoração é latreia, que se refere ao culto que se presta a Deus.
Os autênticos cristãos são aqueles que se gloriam em Jesus Cristo (3.3). Os adeptos da circuncisão se gloriavam desse rito para se identificarem como “filhos de Abraão”. Os filósofos gnosticistas se gloriavam da sua espiritualidade baseada na sabedoria. Porém, o cristão se gloria apenas em Jesus Cristo. O judeu tradicional via no rito da circuncisão uma forma de adoração e dedicação exclusiva a Deus (Gn 17.10; Dt 10.16; Js 5.2). A finalidade da circuncisão era deixar um sinal físico que representasse a circuncisão do coração (Dt 30.6; Jr 4.4). O rito religioso envolvia a mutilação, ou seja, a remoção do prepúcio masculino. Paulo advertiu os cristãos de Filipos a que não aceitassem qualquer imposição dos adeptos da circuncisão na vida cristã. Que eles tivessem cuidado com os mutiladores da fé cristã, que não depende de coisas físicas ou materiais.
Os autênticos cristãos são aqueles que não confiam na carne (3.3). Não “confiar na carne” significa não confiar na natureza humana, que é pecaminosa e tende a opor-se às coisas espirituais. Não se trata da carne no sentido genético ou étnico, nem na raça a que pertence. Trata-se de confiar em Cristo, e não em ritos. A vaidade judaica da circuncisão na carne não serve para o cristão, porque nossa identidade não é física, mas espiritual. Os cristãos judaizantes eram aqueles cristãos que não conseguiam se desvencilhar do judaísmo. Viviam no seio da igreja em Filipos, mas confiavam muito mais na carne e na circuncisão do que em Cristo. A lição maior que aprendemos nessa postura de Paulo é que a salvação não se conquista com as obras.
Paulo demonstra a inutilidade da confiança dos judeus na carne (3.4-6)
Nos versículos 4 a 6, Paulo conta a sua história de judeu circuncidado ao oitavo dia, mas que, ao encontrar-se com Cristo, renunciou a tudo que era da velha religião para servir apenas a Cristo. Paulo tinha a experiência do judaísmo a qual apresenta com detalhes para demonstrar o zelo que tivera enquanto religioso judeu. Mas agora a situação é outra: ele encontrou a Cristo, que cumpriu toda a Lei, e, por isso, estava livre das exigências da lei mosaica.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 96-97.
....o povo de Deus é identificado pela sua decisão de não confiar na carne (3.3). Segundo Werner de Boor a palavra “carne” aqui representa toda a religião produzida pessoalmente nas profundezas do coração e do estado de espírito. Essa “carne” pode ser sempre reconhecida no fato de que o ser humano continua voltado para si mesmo, confia em si mesmo e se gloria em si mesmo.
“Carne” é a sua natureza centrada em si mesma. Mesmo quando exerce a moral e a religião, o ser humano fica preso a seu eu, cultiva e o gloria, até mesmo quando cita o nome de Deus.
Os falsos mestres estavam confiados na carne, em rituais, em cerimônias externas, em realizações humanas. Contudo, a igreja é um povo que põe a sua confiança em Deus e sua fé na Pessoa bendita de Jesus Cristo. O cristianismo não é aquilo que nós fazemos para Deus, mas o que Deus fez por nós. Não confiamos no que fazemos ou deixamos de fazer, mas no que Deus fez por nós em Cristo Jesus.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 190-191.
OS PRIVILÉGIOS DE PAULO
Filipenses 3:4-7
Paulo termina de atacar os mestres judeus afirmando que são os cristãos, não os judeus, os que estão circuncidados de verdade, os que constituem o verdadeiro povo da aliança e os que efetivamente estão numa relação especial e única com Deus. Se seus adversários tivessem tentado refutá-lo, pode ser que dissessem: "Mas você é cristão; portanto não sabe do que está falando; não sabe o que é ser judeu". De modo que Paulo mostra suas credenciais. Não o faz para gabar-se nem para que se dê crédito a sua pessoa senão para mostrar que desfrutava de todos os privilégios de que um judeu podia desfrutar e que tinha alcançado tudo o que um judeu podia obter. Sabia o que era ser judeu no mais alto significado da palavra e deliberadamente, com pleno conhecimento e voluntariamente o tinha abandonado por causa de Jesus Cristo. Cada frase deste catálogo de privilégios de Paulo tem um significado especial; passemos revista uma por uma.
(1) Tinha sido circuncidado ao oitavo dia. Abraão tinha recebido o seguinte mandato de Deus: “O que tem oito dias será circuncidado entre vós” (Gênesis 17:12); e esta prescrição se repetiu como uma lei permanente em Israel (Levítico 12:3). Com esta declaração Paulo deixa claro que não é um ismaelita, porque estes se circuncidavam aos treze anos (Gênesis 17:25). Nem era um prosélito que tinha ingressado tardiamente à fé judia recebendo a circuncisão na idade amadurecida, Aqui sublinha o fato de ter nascido na fé judia; conhecia seus privilégios e tinha observado suas cerimônias desde seu nascimento.
(2) Era da linhagem de Israel. Quando os judeus desejavam sublinhar sua relação especial com Deus num sentido único e exclusivo usavam a palavra israelita. Israel era o nome especial que Deus deu a Jacó depois de lutar com ele (Gênesis 32:28). No sentido estrito da palavra a herança privilegiada do povo eleito tinha seu ponto de partida em Israel. Os ismaelitas podiam traçar sua descendência até Abraão, já que Ismael também tinha sido engendrado por Abraão, em Agar. Os idumeus podiam traçar sua ascendência até Isaque, porque Esaú, o fundador da nação Iduméia também tinha sido filho de Isaque. Mas só os israelitas podiam traçar sua descendência até Jacó a quem Deus lhe tinha dado o nome de Israel. Chamando-se a si mesmo israelita, Paulo sublinhava a pureza absoluta de sua raça e de sua descendência.
(3) Era da tribo de Benjamim; quer dizer, não só era israelita, como que pertencia à elite de Israel. A tribo de Benjamim tinha um lugar especial na aristocracia israelita. Benjamim era o filho do Raquel, a esposa predileta de Jacó. Dos doze Patriarcas só Benjamim tinha nascido na terra prometida (Gênesis 35:17-18). Da tribo de Benjamim provinha o primeiro rei de Israel: Saul (1 Samuel 9:1-2). E não há lugar a dúvidas de que por esse mesmo rei tinha recebido Paulo seu nome original, Saulo. Quando sob Roboão o reino se rasgou e dividiu e dez das tribos se separaram com Jeroboão, a tribo de Benjamim foi a única coisa que permaneceu fiel ao Judá (1 Reis 12:21). Quando a nação voltou do exílio, o novo núcleo nacional provinha das tribos de Benjamim e Judá (Esdras 4:1). A tribo de Benjamim tinha o lugar de honra na linha de batalha até tal ponto que o grito de guerra de Israel era: “Após ti, ó Benjamim” (Juízes 5:14; Oséias 5:8). A importante festa de Purim, que cada ano se celebrava com grande regozijo, comemorava a libertação que narra o choro do Ester e cuja figura central era o benjamita Mardoqueu. Quando Paulo afirma que pertence à tribo de Benjamim, não só afirma ser um verdadeiro israelita, mas também pertencer à mais alta aristocracia de Israel.
Assim, pois, Paulo demonstra que era desde seu nascimento um judeu temente a Deus e um observador da Lei; sua linhagem era o mais puro dentro da nação judia; pertencia à mais aristocrática tribo dos judeus. Estas eram suas vantagens de nascimento e seus privilégios de berço e formação.
OS MÉRITOS DE PAULO
Filipenses 3:4-7 (continuação)
Até aqui Paulo deixou assentados os privilégios devidos a seu nascimento judeu. Agora passa a enumerar os méritos que conquistou por livre escolha dentro da fé judia.
(1) Era hebreu de hebreus. Isto não é o mesmo que afirmar que era um verdadeiro israelita. O acento é outro. A história dos judeus os mostra dispersos por todo mundo. Em cada povo, em cada cidade e em cada país havia judeus. Havia dezenas de milhares em Roma; em Alexandria mais de um milhão. Agora, esses judeus recusavam obstinadamente assimilar-se às nações entre as quais viviam. Conservavam fielmente sua religião, seus costumes e suas leis. Mas acontecia com freqüência que esqueciam seu idioma. Chegaram a falar o grego porque deviam viver e mover-se num meio ambiente grego. Mas o hebreu não era só o judeu de pura estirpe mas também aquele que deliberadamente mantinha o conhecimento da língua hebreia  Tal judeu falava a língua do país em que vivia mas ao mesmo tempo aprendia com esmero o hebreu, a língua de seus antepassados e tomava suas precauções para não esquecê-la. Paulo afirma não só que é judeu puro-sangue, mas também um judeu que falava o hebreu. Tinha nascido na cidade pagã do Tarso mas foi a Jerusalém para ser educado aos pés de Gamaliel (Atos 22:3). Podia falar com as turfas de Jerusalém em sua própria língua hebreia (Atos 21:40). Assim, pois, a suas afirmações adiciona o fato de que era um judeu tão leal que tinha aprendido o idioma hebreu e não o tinha esquecido.
(2) No que respeita à Lei Paulo era fariseu. Paulo faz mais de uma vez esta afirmação (Atos 22:3; 23:6; 26:5). Os fariseus não eram muitos; nunca foram mais de seis mil. Mas eram os corifeus espirituais do judaísmo. Seu próprio nome significa os separados. Os fariseus se separaram da vida comum e das tarefas comuns com a finalidade de consagrar suas vidas à observância dos detalhes mais mínimos da Lei.
Paulo não só reclama ser um judeu que reteve sua religião ancestral, mas além disso ter consagrado sua vida inteira a sua observância mais rigorosa e incondicional. Ninguém conhecia melhor por experiência pessoal o que era a religião judia em seu significado mais alto e em suas maiores exigências.
(3) Com respeito ao zelo pela religião, tinha sido um perseguidor da Igreja. Para o judeu a maior qualidade religiosa era o zelo. Finéias tinha salvado o povo da ira de Deus e recebeu um sacerdócio eterno por este zelo por seu Deus (Números 25:11-13). O salmista exclama: “O zelo da tua casa me consumiu” (Salmo 69:9). Um zelo ardente por Deus era o emblema de honra e o distintivo da religião judia. Paulo tinha tido tanto zelo que tinha tentado varrer os adversários do judaísmo. Tratava-se de algo que Paulo nunca pôde esquecer. Sempre volta ao tema (Atos 22:2-21; 26:4-23; 1 Coríntios 15:8-10; Gálatas 1:13). Paulo nunca trepidou em confessar sua vergonha, em dizer que num tempo tinha odiado ao Cristo que agora amava, que tinha tratado de eliminar a Igreja que agora servia. Paulo declara assim ter conhecido o judaísmo em toda sua intensidade e até em seu ardor fanático.
(4) Quanto à justiça que podia obter-se pela lei, era irrepreensível. A palavra usada é amemptos.
J. B. Lightfoot nota que o verbo memfesthai, de onde provém o substantivo, significa culpar por pecados de omissão. O que Paulo afirma, pois, é que não existe nenhuma exigência da Lei que ele não tenha completo; pode dizer que no atinente à Lei estava à margem de todo reprovação.
Desta maneira Paulo expressa suas qualidades. Era um judeu tão leal que nunca esqueceu a língua hebraica; não só era um judeu religioso, mas também membro da seita mais estrita e disciplinada dos judeus; tinha tido um zelo ardente pelo que pensava que era a causa de Deus; e tinha uma folha de serviços no judaísmo, na qual ninguém podia assinalar uma falta.
Tudo isto Paulo teria podido considerar como um crédito a seu favor no balanço de sua vida; mas quando se encontrou com Cristo, considerou tudo como nada mais que dívidas inúteis e prejudiciais. As coisas em que tinha crido poder glorificar-se eram em realidade completamente inúteis. Toda realização humana devia ser deposto para poder aceitar a livre graça de Cristo. Teve que despojar-se de toda pretensão de honra para poder aceitar, na mais completa nudez e humildade, a misericórdia de Deus em Jesus Cristo.
Desta maneira Paulo demonstra a esses judeus que tinha direito a falar. Não condena o judaísmo de fora como alguém que não tem conhecimento e experiências pessoais do mesmo. Tinha-o vivido em sua máxima expressão e sabia que era nada em comparação com a paz e a alegria de Cristo. Sábia que o único caminho rumo à paz era abandonar de uma vez para sempre o caminho dos logros humanos para aceitar o caminho da graça.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 70-74.
CRÉDITOS RELIGIOSOS QUE NÃO IMPRESSIONAM A DEUS
circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.
(3:5–6) Paulo relaciona sete itens que ele já colocou em sua coluna proveito espiritual, mas agora coloca em sua coluna perda. Quando ele entendeu o evangelho de Cristo, o apóstolo percebeu que todos essas credenciais, realizações, privilégios e direitos não valiam nada. Paulo não está dizendo que eles não são de nenhum valor social, cultural, educacional, ou histórico.
Em vez disso, ele está dizendo que eles não são de nenhum valor salvífica, que não podiam salvá-lo ou qualquer outra pessoa.
SALVAÇÃO NÃO É POR RITUAL
circuncidado no oitavo dia de vida, (3:5a) Paulo começa com a circuncisão, porque essa era a principal questão para os judaizantes (cf. Atos 15:1;. Gal 6:12-13). O apóstolo passou por definir o rito do judaísmo (Gen. 17:10-12;. Lev 12:3), quando ele foi circuncidado ao oitavo dia após seu nascimento. O texto grego diz literalmente: "no que diz respeito à circuncisão uma Dayer oitava." Ao contrário de alguns dos judaizantes, Paulo não era um prosélito gentio ao judaísmo. Ele era um judeu de nascimento e seguiu os rituais judaicos desde o início. No momento adequado, ele tinha ido a cerimônia que iniciou-o em o povo da aliança. Ele, assim como a maioria dos judeus, tinha esquecido há muito tempo que a circuncisão era retratar de forma dramática como pecador e precisa de limpeza são as pessoas, e tinha feito a cirurgia um emblema da justiça.
No entanto, Paulo inclui a circuncisão, o rito mais importante no judaísmo, em sua coluna perda espiritual. A salvação não vem por qualquer ritual ou cerimônia, se a circuncisão judaica, a missa católica romana, criança ou o batismo de adultos, ou a observância protestante da Ceia do Senhor.
SALVAÇÃO NÃO É POR RAÇA
pertencente ao povo de Israel (3:5b) Declaração de Paulo de que ele era da nação de Israel apoia a ideia de que alguns dos judaizantes eram gentios convertidos ao judaísmo. Mas Paul era por nascimento membro do povo escolhido de Deus, de quem Deus declarou: "Você só eu escolhi entre todas as famílias da terra" (Amós 3:2;.. Cf Ex 19:5-6;. Sl 147 :19-20). Ele herdou todas as bênçãos de ser parte da nação aliança. Escrevendo aos Romanos, o apóstolo delineadas algumas dessas bênçãos:
Então, que vantagem tem o judeu? Ou qual é a utilidade da circuncisão? Grande em todos os aspectos. Em primeiro lugar, que lhe foram confiados os oráculos de Deus. (Rm 3:1-2)
Porque eu poderia desejar que eu me fizeram anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus parentes segundo a carne, que são israelitas, a quem pertence a adoção de filhos, ea glória, e os convênios e entrega da lei e do culto, e as promessas, quais são os pais, e de quem é o Cristo segundo a carne, que é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amem.
(Rm 9:3-5) Paulo era um descendente físico de Abraão, Isaque e Jacó, uma herança que o povo judeu invocados, juntamente com a circuncisão, para a salvação. Mas herança racial, como a circuncisão, é incapaz de salvar ninguém, nenhuma posição diante de Deus é adquirida por nascimento.
SALVAÇÃO NÃO É POR IMPORTÂNCIA
à tribo de Benjamim, (3:5c) Outra das credenciais aparentemente impressionantes de Paulo é que ele era um membro da tribo de Benjamin, uma das tribos mais proeminentes em Israel. Benjamin era o mais novo dos dois filhos nascidos de mulher favorito de Jacó, Rachel. Ele também foi o último dos filhos de Jacó para nascer e o único nascido na Terra Prometida. Saul, primeiro rei de Israel, era um membro da tribo de Benjamin (1 Sam 9:21;. 10:21, Atos 13:21). Quando a Terra Prometida foi dividida entre as doze tribos, a cidade santa de Jerusalém foi incluída no território de Benjamim (Jz 1:21). Quando o reino dividido após a morte de Salomão, só Benjamin e Judá permaneceu leal à dinastia davídica. O grande líder Mordecai, usado por Deus junto com Ester para salvar os judeus do genocídio, também era da tribo de Benjamin (Est. 2:5). Assim, a tribo de Benjamim foi um dos mais nobres de Israel.
Durante o dia de Paulo, muitos judeus já não sabia a que tribo a que pertenciam. Casamentos durante os anos de exílio turva as linhas tribais. Mas a família de Paulo Benjamim permaneceram puros. Que novamente elevou acima alguns dos judaizantes, que provavelmente não sabiam sua descendência tribal. Mas o status privilegiado de Paulo como homem de Benjamim não impressionam a Deus. Situação familiar nada tem a ver com a salvação.
SALVAÇÃO NÃO É POR TRADIÇÃO
Verdadeiro hebreu dos hebreus; (3:5d) Paulo não contribuir pessoalmente qualquer coisa para ganhar os três primeiros privilégios na sua lista, mas os herdou de seus pais. Os quatro últimos são coisas que ele próprio alcançados. A afirmação do apóstolo para ser um hebreu de hebreus é melhor entendida como uma declaração de que à medida que crescia para a idade adulta Paulo estritamente mantida herança tradicional da sua família judia. Ele nasceu em Tarso, uma cidade na Ásia Menor, e não em Israel. Mas ao contrário de muitos judeus na diáspora (dispersão), Paulo permaneceu firmemente comprometidos com a linguagem (Atos 21:40), as tradições ortodoxas, e os costumes de seus antepassados. Ele não se tornou um judeu helenizado (cf. Atos 6:1; 9:29), aquele que havia sido assimilado a cultura greco-romana. Em vez disso, ele deixou Tarso para Jerusalém para estudar com o famoso rabino Gamaliel (Atos 22:3; 26:4).
Com tanta força que Paulo se apegam à sua herança judaica que ele poderia declarar com confiança, "Então, todos os judeus conhecem meu modo devida desde a minha juventude, que desde o início foi gasto entre o meu povo e em Jerusalém" (Atos 26:4 ). Devoção zelosa Paulo a sua herança judaica era muito conhecido. No entanto, depois que ele viu a glória de Cristo, tornou-se apenas mais um item transferido do ganho para a coluna de perda.
SALVAÇÃO NÃO É POR RELIGIÃO
quanto à lei, fariseu (3:5e) Paulo exercia a sua herança judaica ao extremo. Ele era tão zelosos da lei que ele se tornou um fariseu. Para o Sinédrio Paulo declarou: "Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus" (At 23:6). Na sua audição perante Agripa, Paulo testemunhou: "Eu vivia como um fariseu conforme a mais severa seita da nossa religião" (Atos 26:5). Para se tornar um fariseu era alcançar o maior nível em devoto, o judaísmo legalista. Os fariseus foram supremamente devotado à Lei, incluindo o Antigo Testamento e todas as tradições que haviam sido adicionadas a ela. Na verdade, a palavra fariseu provavelmente deriva de um verbo hebraico "separar", significando que eles foram separados para o Direito. A Lei termo não se limita ao Pentateuco ou Velho Testamento, mas inclui todo o sistema rabínico de prescrições. Jesus disse que eles tinham realmente substituído essas tradições para a Lei de Deus (Mateus 15:1-9).
A origem dos fariseus não se sabe ao certo, mas a seita provavelmente surgiu formalmente durante o período intertestamentário. Ele vinha se desenvolvendo desde a época de Esdras, quando a preocupação com a lei de Deus foi revivida (Neemias 8:1-8). Apesar de relativamente poucos em número (o primeiro do século escritor judeu Flávio Josefo estimada seu número em 6.000), que teve a maior influência religiosa sobre as pessoas comuns. Para ser um fariseu era para ser um membro de um grupo de elite, influente e altamente respeitado de homens que viveram meticulosamente a conhecer, interpretar, guarda, e obedecer à lei.
Estado querido Paulo como um fariseu era apenas mais um item em sua coluna perda espiritual. Nenhum sacerdote, monge, estudioso teológica, ou membro de uma seita devoto pode alcançar a salvação por esse envolvimento.
SALVAÇÃO NÃO É POR DEDICAÇÃO
quanto ao zelo, perseguidor da igreja (3:6a) Como outra prova de seu zelo pela sua herança judaica, Paulo confessou que tinha sido um perseguidor da igreja. Os judeus visto zelo, como a suprema virtude religiosa. É uma moeda de duas faces; um lado é o amor, o ódio aos outros. Para ser zeloso é amar a Deus e odiar o que ofende. Amor zeloso, mas equivocada de Paulo de Deus o levou a odiar e perseguir o cristianismo.
A intensidade do seu zelo pode ser visto no grau em que perseguiu a igreja. Depois do martírio de Estêvão, Paulo "começou a devastar a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres fora, ele iria colocá-los na prisão" (Atos 8:3). Então devastadoramente eficaz foi a perseguição que a Igreja de Jerusalém se espalhou: "Portanto, aqueles que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra" (Atos 8:4). Mais tarde, "Saulo [Paulo], respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote, e pediu cartas dele para as sinagogas de Damasco, de modo que, se encontrasse alguns pertencentes ao Caminho, tanto homens e mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém "(Atos 9:1-2). Sua perseguição foi tão violento que, após a conversão de Paulo "toda a audição daqueles ele continuou a se surpreender, e diziam: 'Não é este o que em Jerusalém destruído os que invocavam este nome, e que tinha vindo aqui com o propósito de trazê-los vinculado aos principais sacerdotes? "(Atos 9:21). Ele lembrou a multidão enfurecida, em Jerusalém, "E persegui este caminho até à morte, prendendo, e pondo homens e mulheres em prisões, como também o sumo sacerdote e todo o conselho dos anciãos podem testemunhar. A partir deles que também recebi cartas para os irmãos, e começou a Damasco, a fim de trazer até mesmo aqueles que estavam lá para Jerusalém como prisioneiros de ser punida "(Atos 22:4-5). Descrevendo a sua perseguição aos cristãos em sua defesa perante Agripa, Paulo declarou: Então, pensei para mim mesmo que eu tinha que fazer muitas coisas hostis ao nome de Jesus de Nazaré. E este é apenas o que eu fiz em Jerusalém, não só eu bloquear muitos dos santos nas prisões, havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, mas também quando eles estavam sendo condenados à morte eu dava o meu voto contra eles. E como, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, eu tentei forçá-los a blasfemar; e sendo furiosamente furioso com eles, eu continuei perseguindo os até nas cidades estrangeiras. (At 26:9-11) A vergonha do que tinha feito ficou com Paul para o resto de sua vida. Em 1 Coríntios 15:09, disse: "Porque eu sou o menor dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus". Aos Gálatas ele escreveu: "Porque você já ouviu falar da minha modo de vida anterior no judaísmo, como eu costumava perseguir a igreja de Deus além da medida e tentou destruí-lo "(Gl 1:13). No final de sua vida, ele confessou a Timóteo: "Eu antigamente era um blasfemo, perseguidor, e um agressor violento. No entanto, eu alcancei misericórdia, porque agi por ignorância, na incredulidade "(1 Tm 1:13.).
Em termos de zelo, Paulo foi um dos judaizantes melhor. Eles só proselitismo da Igreja, ele havia perseguido-lo. Seu zelo por Deus levou-o a implacavelmente, inexoravelmente, e impiedosamente tentar acabar com o cristianismo. Paulo era sincero, mas errado. O mundo está cheio de pessoas que, como ele, são sinceros em suas crenças religiosas. Eles vão fazer qualquer esforço, pagar qualquer preço, e sacrificar algo em suas tentativas de agradar a Deus. Eles podem ser devotos, judeus ortodoxos, fiéis católicos romanos que assistir à missa regularmente, ou mesmo os protestantes que estão envolvidos em cultos e cerimônias. Eles podem orar, jejuar, ou viver na pobreza, e procurar fazer o bem humano. Mas o zelo religioso não garante nada. Essas pessoas podem estar absolutamente errado. Quando Paulo enfrentou a realidade de Jesus Cristo, o zeloso perseguidor da igreja percebeu que sua paixão desvairada era um assassino espiritual e pertencia na coluna perda espiritual.
SALVAÇÃO NÃO É POR JUSTIÇA LEGAIS
quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. (3:6b) Antes de sua conversão, Paulo exteriormente conformes à justiça que há na lei. Novamente, Paulo usa a Lei no sentido amplo da tradição judaica, não apenas o Antigo Testamento. Aqueles que observaram a sua vida teria encontrado o seu comportamento irrepreensível. Ele não era, naturalmente, negando que ele pecou. Isso seria uma contradição, tanto a teologia judaica e seu testemunho em Romanos 7:7-11: Que diremos, pois? É a lei pecado? Que isso nunca aconteça! Pelo contrário, eu não teria chegado a conhecer o pecado senão pela lei, porque eu não teria sabido sobre a cobiça se a lei não tivesse dito, mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, produziu em "Não cobiçarás". me cobiça de todos os tipos, para além do pecado lei é morta. Certa vez eu estava vivo além da Lei, mas quando veio o mandamento, o pecado reviveu e eu morri, e este mandamento, que viria a resultar na vida, provou resultar em morte para mim, porque o pecado, tomando uma oportunidade através do mandamento, enganou-me e por isso me matou.
Mas por todas as aparências, Paulo foi para as pessoas que o conheceram um judeu que viveu modelo pela lei judaica. Ele não foi, no entanto, como Zacarias e Isabel, que "eram ambos justos diante de Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e as exigências do Senhor" (Lc 1:6).
Paul aparentemente tinha tudo. Ele tinha sofrido os rituais apropriados, ele era um membro do povo escolhido de Deus, ele era de uma tribo favorecida em Israel, ele tinha escrupulosamente mantido sua herança ortodoxa, ele foi um dos legalistas mais devotos do judaísmo, ele era  zeloso ao ponto que ele perseguia os cristãos, e ele rigidamente conformados com as exigências externas do judaísmo. No entanto, ele viu que como inúteis para a salvação e a realidade da salvação pela graça mediante a fé em Jesus Cristo foi revelado a ele. O apóstolo não veio a acreditar que essas coisas eram boas, mas Cristo era melhor, em vez disso, ele viu todos eles tão ruim. Eles eram mortais, porque o enganou em pensar que ele estava certo com Deus. A religião falsa engana a mente e, consequentemente, condena a alma.
JOHN MACARTHUR, JR. Novo Testamento Comentário Filipenses Comentário Expositivo.
3.4-7 - Paulo fala como se pudesse confiar na carne para mostrar que a razão por que ele não confiava nas credenciais judaicas não era o fato de que não as tinha, mas de que elas não poderiam cumprir a justiça que somente Deus podia prover.
3.5 - Circuncidado ao oitavo dia. Os pais de Paulo obedeceram à Lei de Deus e circuncidaram-no no dia apropriado após seu nascimento (Lv 12.2,3). O povo de Israel era chamado povo de Deus. O fato de Paulo afirmar que faz parte da linhagem de Israel indica que ele pode remontar suas origens à verdadeira descendência desse povo, a Jacó, e não a Esaú. A tribo de Benjamim era muito respeitada pelos israelitas porque essa linhagem havia gerado o primeiro rei de Israel e permanecido leal a Davi. Além disso, essa tribo havia se unido a Judá após o exílio para formar o alicerce para a nação restaurada (1 Sm 9.15-21; lR s 12.21-24).
Hebreu de hebreus. Esta descrição de Paulo pode indicar que (1) seus pais eram judeus, (2) ele era um judeu exemplar ou (3) ele foi totalmente educado como um judeu. Quanto ao termo fariseu, este se refere a líderes judeus muito instruídos que encabeçaram a oposição contra Jesus enquanto Ele esteve na terra e, tempos depois, contra a Igreja. Seguiam à risca e defendiam a carta da Lei judaica. O próprio Paulo veio de uma linhagem de fariseus (At 23.6) e havia estudado com Gamaliel, um fariseu muito respeitado daquela época (At 22.3).
3.6 - Perseguidor da igreja. Antes de tornar-se um cristão, Paulo atacava energicamente aqueles que criam em Cristo, a ponto de levá-los à morte (At 7.58—8.3;9.1,2).
3.7 - Para saber o significado do termo ganho, veja o comentário de Filipenses 1.21. A palavra perda indica aquilo que foi danificado ou não serve para mais nada (v. 8; At 27.10,21). Aquelas coisas que Paulo considerava importantes perderam a importância depois que ele confrontou o Messias ressurreto.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 532.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Um comentário:

  1. Absolutamente necessária a demonstração sobre circuncisão. Muito bem exposta.

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