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10° LIÇÃO DO 3 TRI DE 2013 A ALEGRIA DO SALVO EM CRISTO


A ALEGRIA DO SALVO EM CRISTO
Data: 08/09/2013                            HINOS SUGERIDOS 139, 141, 186.
TEXTO AUREO
Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos” (Fp 4.4).
VERDADE PRATICA
Em tempos trabalhosos e difíceis, somente a alegria do Senhor pode apaziguar a nossa alma.
LEITURA DIÁRIA
Segunda       - SI 92.1-5.               A alegria do Senhor traz gratidão.
Terça             - Ne 8.8-12.             A Palavra de Deus traz alegria.
Quarta           - Fp 4.4.                    Alegrai-vos no Senhor.
Quinta            - Fp 4.4-7.                Alegria apesar das circunstâncias.
Sexta             - SI 43.4,5.               O Deus que nos alegra.
Sábado         - At 4. 24-31.            Alegria em meio a tribulação.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 4.1-7.
1 - Portanto, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim firmes no Senhor, amados.
2 - Rogo a Evódia e rogo a Síntique que sintam o mesmo no Senhor
3 - E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.
4 - Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos.
5 - Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor.
6 - Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças.
7 - E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo jesus.
Chapter 4
1 Therefore, my brethren, whom I love and long for, my joy and crown, stand firm thus in the Lord, my beloved.
2 I entreat Eu-o'dia and I entreat Syn'tyche to agree in the Lord.
3 And I ask you also, true yokefellow, help these women, for they have labored side by side with me in the gospel together with Clement and the rest of my fellow workers, whose names are in the book of life.
4 Rejoice in the Lord always; again I will say, Rejoice.
5 Let all men know your forbearance. The Lord is at hand.
6 Have no anxiety about anything, but in everything by prayer and supplication with thanksgiving let your requests be made known to God. 7 And the peace of God, which passes all understanding, will keep your hearts and your minds in Christ Jesus.
INTERAÇÃO
Paulo enfrentou muitas dificuldades e humilhações no serviço do Mestre. Em 2 Coríntios 11.23-29 ele faz uma pequena relação de algumas das dores e perigos que teve que encarar por amor a Cristo. Todavia, o apóstolo não se deixou abater pelas dificuldades. Ele não permitiu que as aflições roubassem sua alegria. O contentamento de Paulo não dependia das circunstâncias, pois advinha da sua comunhão com Cristo. Quem tem a Jesus tem a alegria da salvação e pode se regozijar em toda e qualquer situação. Na obra do Senhor enfrentamos momentos ruins, mas a alegria concedida pelo Eterno nos dá forças para seguirmos em frente. Talvez professor, você esteja enfrentando momentos difíceis em seu ministério de ensino ou em sua família, porém não perca a força nem o ânimo. Confie no Senhor e permita que a alegria d Ele inunde sua alma trazendo paz e esperança.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Exortar a respeito da alegria e firmeza da fé.
Compreender que a alegria divina sustenta a vida cristã.
Conscientizar-se a respeito da singularidade da paz de Deus.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor para introduzir a lição reproduza o quadro da página seguinte de maneira que cada aluno tenha uma cópia. Em classe, leia juntamente com os alunos, o texto bíblico de 2 Coríntios 1 1.23-29. Enfatize as muitas provações enfrentadas por Paulo. Depois faça a seguinte indagação: “Como ter alegria em meio à tribulação?” Ouça os alunos com atenção e explique que a nossa alegria independe das circunstâncias externas. Ela é fruto de Cristo em nós, faz parte da nossa salvação. Em seguida leia o quadro com os alunos explicando os ensinos bíblicos a respeito da alegria.
PALAVRAS-CHAVE
Alegria: Estado de viva satisfação, de vivo contentamento; regozijo, júbilo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Alegria, regozijo e contentamento são expressões comuns ao longo da Epístola de Paulo aos Filipenses. Paradoxal- á mente, elas revelam o coração do apóstolo na prisão de Roma.
Paulo não se desesperou com o seu cativeiro, mas alegrou-se no Senhor. Ele sabia que estava nas mãos de Deus e contentava-se com as notícias de que a igreja de Filipos, fruto do seu árduo ministério, caminhava muito bem. O apóstolo não deixou se abater com as tribulações do seu ministério, pois nelas, ele via a providência amorosa do Altíssimo.
1 - EXORTAÇÃO À ALEGRIA E FIRMEZA DA FÉ (4.1-3)
1. A alegria de Paulo. O primeiro versículo do capítulo 4 de Filipenses inicia-se com um “portanto”, justamente por ser continuação do capítulo 3, quando o apóstolo tratara do perigo dos “inimigos da cruz”. Aqui, Paulo diz que os crentes de Filipos são a sua “alegria e coroa” e aconselha-os a continuarem firmes no Senhor (v.1). A permanência dos filipenses em Cristo bastava para encher o coração do apóstolo de alegria. Por isso, ele manifestou o seu orgulho e os mais íntimos sentimentos de amor e carinho para com os irmãos de Filipos.
2. A alegria nas relações fraternas. Nem tudo, porém, era maravilhoso e perfeito na igreja de Filipos. Ali, estava ocorrendo um grande problema de relacionamento entre duas importantes mulheres que cooperaram na implantação da igreja filipense: Evódia e Síntique (v.2). Esse problema estava perturbando a comunhão da igreja e expondo a saúde espiritual do rebanho.
A fim de resolver a questão, Paulo se dirige a um obreiro local (Timóteo ou Tito, não sabemos) que, com Clemente e os demais cooperadores, procuraria despertar e restabelecer o relacionamento harmônico e fraterno entre Evódia e Síntique. Como verdadeiro pastor, o apóstolo tratou as duas mulheres com o devido cuidado e respeito, pois as tinha em grande estima pelo fato de ambas terem contribuído muito para o seu apostolado.
3. A alegria de ter os nomes escritos no Livro da Vida. O versículo 3 demonstra algo muito precioso para o cristão: a alegria de ter o nome escrito no livro da vida. Paulo menciona tal certeza, objetivando reafirmar a felicidade e a glória de se pertencer exclusivamente ao Reino de Deus.
Os filipenses tinham cidadania romana porque eram originários de uma colônia do império. Mas quando o apóstolo escreve sobre cidadania refere-se a uma muito mais importante que a de Roma. Nossa verdadeira cidadania vem do céu, e o “mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.1 6). Você tem convicção de que o seu nome está arrolado no Livro da Vida? Você compreende o valor disso?
SINOPSE DO TÓPICO (1)
O apóstolo não deixou se abater com as tribulações do seu ministério, antes procurou servir ao Senhor com alegria.
II - A ALEGRIA DIVINA SUSTENTA A VIDA CRISTÃ (4.4,5)
1. Alegria permanente no Senhor. A versão bíblica ARC emprega a palavra “regozijar” no lugar de “alegria” (v.4). O que é regozijar-se? É alegrar-se plenamente. A declaração paulina afirma que a fonte da alegria cristã é o Senhor Jesus, que promoveu a nossa reconciliação com Deus (Rm 5.1,1 1). Através dEle somos estimulados a permanecer firmes na fé (Rm 5.2). Que alegria!
É a presença viva do Espírito Santo em nós que produz essa certeza (Jo 1 6.7; Rm 14.1 7; 1 5.13). Nada neste mundo é capaz de superar as vicissitudes da vida como a alegria produzida em nosso coração pelo Senhor (Tg 1.2-4; Rm 5.3). O apóstolo sabia da batalha que os filipenses enfrentavam contra os falsos mestres. Estes fomentavam heresias capazes de criar dúvidas quanto à fé. E, por isso, Paulo imperativamente reitera aos filipenses: “Regozijai-vos sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos”.
2. Uma alegria cuja fonte é Cristo. A alegria cristã tem como fonte a pessoa bendita do Senhor Jesus. É por isso que, mesmo em meio às adversidades sofridas em Filipos, o apóstolo teve grandes experiências de alegrias espirituais (At 1 6; cf. 1 Ts 2.2). Isso só foi possível pelo fato de ele conhecer pessoalmente Jesus de Nazaré. Quando o apóstolo foi confrontado interiormente e pediu a Deus para que fosse tirado o “espinho de sua carne”, o Senhor lhe respondeu: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9a). Após esse episódio, Paulo então pôde afirmar: “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (2 Co 1 2.9b).
3. Uma alegria que produz moderação. O texto bíblico recomenda que a nossa “equidade [deve ser] notória a todos os homens”, pois “perto está o Senhor” (v.5). Na versão ARA, o termo “equidade” é traduzido como “moderação”. Ambas as palavras são sinônimas porque dizem respeito à amabilidade, benignidade e brandura. Levando em conta o contexto de Filipenses, os termos referem-se à pessoa que nunca usa de retaliação quando é provada ou ameaçada por causa de sua fé.
O apóstolo Paulo espera dos filipenses autocontrole e não um comportamento explosivo, próprio de pessoas destemperadas ou sem domínio próprio. Ele assim o faz, por saber que, aquele que tem a alegria do Senhor no coração, possui uma disposição amável e honesta para com outras pessoas, particularmente em relação àquelas inamistosas e más. William Barcklay escreve que “o homem que tem moderação é aquele que sabe quando não deve aplicar a letra estrita da lei,
quando deve deixar a justiça e introduzir a misericórdia”.
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Nada neste mundo é capaz de superar as vicissitudes da vida como a alegria produzida em nosso coração pelo Senhor.
III - A SINGULARIDADE DA PAZ DE DEUS (4.6,7)
1. A alegria desfaz a ansiedade e produz a paz. Além de gerar equidade, a alegria do Senhor desfaz a ansiedade, pois esta contraria a confiança que afirmamos ter em Deus. Nada pode tirar a nossa paz, perturbando-nos a mente e o coração. As nossas petições devem ser feitas humildemente, com ação de graças em reconhecimento à misericórdia do Senhor (v,6), ao mesmo tempo em que confiamos na providência do Pai Celeste.
2. Uma paz que excede todo o entendimento. No versículo 7, o apóstolo fala acerca da “paz de Deus, que excede todo o entendimento”. Ficando claro que a alegria e a paz são recíprocas entre si. Não há alegria sem paz interior. Esta é decorrência daquela. Essa paz vem do próprio Jesus: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá” (Jo 14.27).
Em síntese, a paz de Deus transcende qualquer compreensão humana, pois não há como discuti-la filosófica ou psicologicamente. Há casos em que somente a paz de Deus acalma os corações perturbados. É a paz divina que excede — ultrapassa ou transcende — a todo o entendimento, pois não depende das circunstâncias.
3. Uma paz que guarda o coração e os sentimentos do crente. Ainda no versículo 7, lemos que essa paz, dada por Cristo, “guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus”. O texto fala de “coração e sentimento", cidadelas dos pensamentos e das emoções que experimentamos no cotidiano.
A paz de Deus é uma espécie de muro em torno de uma casa, objetivando protegê-la dos perigos externos. Ela torna-se um guarda fiel para o crente. Que saibamos, em Cristo, ouvir o belo conselho do sábio: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Pv 4.23).
SINOPSE DO TÓPICO (3)
A paz divina que o Senhor nos concede excede a todo o entendimento, pois não depende das circunstâncias.
CONCLUSÃO
A Carta aos Filipenses, em sua completude, destaca a alegria do Senhor como uma virtude de sustentação da vida cristã. Não se trata de alegria passageira ou meramente emocional. A alegria do Senhor alimenta a nossa alma e produz paz e segurança, porque essa “paz é como uma sentinela celestial” que nos guarda do mal. Ora, a alegria também é “fruto do Espírito” (GI 5.22), pois a presença dela em nós produz uma vida interior que supera todas as nossas vicissitudes.
OS ENSINOS BÍBLICOS A RESPEITO DA ALEGRIA INCLUEM:
(1) A alegria está associada à salvação que Deus concede em Cristo (1 Pe 1.3-6; cf. SI 5.1 1; Is 35.10).
(2) A alegria flui de Deus como um dos aspectos do fruto do Espírito (SI 1 6.1 1; Rm 15.13; Gl 5.22). Logo, ela não nos vem automaticamente. Nós a experimentamos somente à medida que permanecemos em Cristo Co 1 5.1 -11). Nossa alegria se torna maior quando o Espírito Santo nos transmite um profundo senso da presença e do contato de Deus em nossa vida (cf. Jo 14.1 5-2 1).
(3) A alegria, como deleite na presença de Deus e nas bênçãos da redenção, não pode ser destruída pela dor, pelo sofrimento, pela fraqueza nem por circunstâncias difíceis (Mt 5.12; 2 Co 12.9).
Texto extraído da Biblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p. 1823.
VOCABULARIO
Arrolado: Relacionado em listagem.
ARC: Almeida Revista e Corrigida.
Vicissitude: Instabilidade dos acontecimentos. Eventualidade, revés.
Inamistosas: Hostis, adversárias. Cidadela: Local seguro.
AUXILIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Teológico “Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. O termo grego epieikes, equidade, descreve restrição de paixões, sobriedade ou aquilo que é apropriado. Pode significar boa disposição para com as pessoas (cf. Rm 1 4). Em 1 Timóteo 3.3 e Tito 3.2, a palavra é usada com um adjetivo que significa ‘não propenso a brigar’. A ideia é de ser tolerante, não insistindo em direitos próprios, mas agindo com consideração uns com os outros. Em questões que sejam dispensáveis, os crentes filipenses não devem ira extremos, mas evitar
o fanatismo e a hostilidade, julgando uns aos outros com indulgência. Perto está o Senhor pode ser aviso que a igreja primitiva costumava usar. Neste caso, Paulo está dizen- | do: ‘Qual é o propósito das rivalidades? Sede tolerantes uns com os outros para que Deus seja tolerante convosco quando o Senhor vier’. A frase também era entendida como promessa da proximidade do Senhor, e interpretada com relação ao versículo seguinte. Não estejais inquietos por coisa alguma [...] Embora possamos planejar o futuro (1 Tm 5.8), não devemos ficar ansiosos quanto a nada (Mt 6.25). O segredo desta qualidade de vida é a oração e as súplicas. ‘Cuidado e oração [...] são mais opostos entre si que fogo e água’. Oração é geral e baseia-se nas promessas divinas, envolvendo devoção ou adoração. Súplicas são rogos especiais em tempos de necessidade pessoal e apelam para a misericórdia de Deus” (Comentário Bíblico Beacon. 1. ed. Vol. 9. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.277).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Teológico
“Pessoal (4.2,3)
A advertência de Paulo nestes dois versos marca uma ocorrência incomum em suas cartas. É comum o apóstolo enfrentar os problemas, as objeções ou as falsas doutrinas dentro de suas Igrejas. Porém, esta é uma das poucas ocasiões onde ele realmente nomeia as pessoas envolvidas (1 Tm 1.20). Na maioria das vezes, Paulo prefere manter os envolvidos em controvérsias no anonimato. O fato de mencionar aqui estes indivíduos reflete a seriedade da situação, seu relacionamento íntimo com os filipenses e sua alta consideração para com as duas irmãs a quem fez este sincero apelo. Obviamente ele considera estas mulheres, bem como o restante da congregação, como suficientemente maduros para lidarem com este assunto publicamente.
Paulo propõe um sério apelo às duas mulheres na congregação em Filipos, Evódia e Síntique (possivelmente diaconisas naquela igreja). As mulheres desempenharam um papel muito importante na fundação daquela igreja na macedônia (veja At 16.1 4).
[...] Paulo fala com cada uma das mulheres separadamente, possivelmente para mostrar sua imparcialidade na situação.
[...] Estas mulheres, juntamente com Clemente e outros cooperadores, têm combatido com Paulo como se estivessem em um combate de gladiadores (1.27), por amor ao evangelho. Agora, nestas ocasiões em que existem relacionamentos hostis, Paulo pede a este ‘verdadeiro companheiro’ que seja um parceiro para estas duas senhoras, a fim de trazer uma solução. É significativo que os termos ‘cooperadores’, ‘contender’ e ‘ajudar’ contenham a preposição ‘com’ (syn), enfatizando o papel vital da comunidade cristã e do trabalho em equipe, no pensamento de Paulo” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 4.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 505).
EXERCÍCIOS
1. A quem o apóstolo Paulo se refere como sua “alegria e coroa”?
R: Os crentes de Filipos.
2. Entre quais mulheres estava ocorrendo um problema de relacionamento na igreja de Filipos?
R: Evódia e Síntique.
3. Qual era a cidadania dos filipenses? Mas a qual devemos valorizar?
R: Os filipenses tinham cidadania romana. A cidadania que vem do céu.
4. Em sua completude, o que a Carta aos Filipenses destaca sobre a alegria?
R: A alegria divina sustenta a vida cristã.
5. De acordo com a lição o que a alegria divina é capaz de desfazer e produzir?
R: A alegria desfaz a ansiedade e produz a paz.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. I. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento, l. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
Revista Ensinador Cristão CPAD, n°54, p.41.
O apóstolo Paulo abriu o capítulo 4 reconhecendo que os filipenses eram sua alegria e coroa. A alta estima que Paulo tinha à igreja de Filipos fazia com que o apóstolo não economizasse no vocabulário, riquíssimo de nobres sentimentos. Por isso, ele exortava os filipenses a estarem firmes no Senhor, numa espécie de redundância ao assunto exposto no capítulo anterior.
Em seguida conclama a Evódia e Síntique que sentisse o mesmo sentimento no Senhor. Amor, carinho, ternura e compaixão eram sentimentos que deviam está no coração dessas duas irmãs, pois afinal de contas, elas eram crentes fundadoras daquela comunidade. Estavam no início de tudo, lado a lado com o apóstolo na labuta da fé. Mas algo de errado ocorrera com estas duas preciosas irmãs no cotidiano da igreja.
Imediatamente Paulo pede a um obreiro local que auxilie essas irmãs, mas não somente ele, Clemente também e muitos outros cooperadores no Evangelho. Aquele era o momento onde os oficiais da comunidade local deviam socorrer e conciliar o relacionamento daquelas duas irmãs pioneiras. O objetivo dessa medida pastoral era que ao final de tudo, juntamente com toda igreja, Evódia e Síntique pudessem atender a convocação paulina: "Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos".
Este relato ensina de maneira singular o quanto que o discípulo de Jesus deve valorizar o bom relacionamento com os irmãos. A comunhão entre irmãos é um instrumento de Deus para levar alegria ao coração daqueles que se sentem solitários ou deprimidos. Muitos são os irmãos que não tem a oportunidade de comungar com o outro irmão da mesma fé. A luz do relato de Evódia e Síntique, o crente em Jesus é estimulado a resolver a diferença com o seu próximo e viver a alegria de Deus com os irmãos.
O ambiente que promove união e comunhão é propício para não haver inquietações das almas e confusão de espírito. Neste ambiente se torna propício em Deus as petições dos santos serem conhecidas pelos outros com oração e súplicas e ação de graças. Então a paz de Deus que excede todo o entendimento guardará os corações e os sentimentos dos discípulos de Cristo Jesus, o nosso Senhor. A igreja local precisa ser este ambiente. Um lugar de Comunhão, Paz, Oração e Ação de Graças entre os irmãos.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
O capítulo quatro dessa carta é um capítulo em que Paulo, depois de várias exortações de estímulo à perseverança, demonstra a ternura do seu coração pelos filipenses. Ele destaca alguns desses irmãos e refere-se a eles com carinho e grande respeito.
Esse capítulo ganha um sentido especial e pessoal da parte do apóstolo Paulo. Ele dava um tratamento especial aos cristãos de Filipos e, por isso, exorta-os e ao mesmo tempo apresenta seus protestos de carinho e amor fraternal para com aqueles irmãos, fruto de missão evangelizadora.
Sua carta está cheia de palavras como: alegria, gozo, regozijo e contentamento as quais são como um perfume que exala em todo o texto. São palavras que nutrem a alma do apóstolo e consolam o seu coração, mesmo estando prisioneiro numa prisão em Roma. Ele sentia a alegria do Senhor por saber acerca da igreja de Filipos. O seu contentamento era demonstrado na aceitação das coisas boas e más que estavam acontecendo com ele próprio e com a igreja em Filipos, e as via como providência amorosa de Deus, que sabe o que é melhor para nós e busca o nosso bem. O texto que selecionamos para este capítulo destaca o apóstolo Paulo estimulando aos crentes para que sejam firmes na fé que é a força motora das nossas convicções no evangelho de Cristo Jesus. Essa força motora impulsionava os filipenses a se manterem firmes em Cristo.
Ralph A. Herring, em seu livro Carta de Paulo aos Filipenses, escreveu o seguinte: “Vimos que esta Carta pode ser dividida em três seções: a seção do amor (1.1-11), a seção da alegria (ou gozo espiritual) (1.12-3.21); e a seção da paz (4.1-23)”. Essa ideia de Herring nos dá uma visão ampla do conteúdo da Carta. O capítulo 4, tratado aqui, faz a fusão dessas três virtudes, para mostrar aos filipenses que não havia ressentimentos no coração de Paulo. Pelo contrário, o apóstolo entendia que continuava a ser o pastor deles e, por isso, preocupava-se com o seu bem-estar espiritual. Paulo faz, então, com essa confiança em seu coração, admoestações finais de sua carta. Os versículos 7 e 8 revelam o sentimento que estava em seu coração. Tudo o que ele desejava e admoestava era: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (4.8).
A ideia que prevalece nesse capítulo é o da “paz”, não uma paz comum, mas a paz produzida pelo Espírito Santo mediante a obra que Cristo fez por todos no Calvário.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 119-120.
A igreja de Filipos era A alegria e a coroa do ministério de Paulo. Essa igreja nasceu num parto de dor, mas lhe trouxe muitas alegrias. Essa igreja associou-se a Paulo desde o início para socorrê-lo em suas necessidades. Era uma igreja sempre presente e solidária.
Paulo agora está fazendo suas últimas recomendações a essa igreja querida, a quem ele chama de “minha alegria e coroa”.
Na língua grega, há dois tipos diferentes de coroa: diadema significa “coroa real”, e stefanos, “a coroa do atleta” que saía vitorioso dos jogos gregos. Essa era uma coroa de louros que o atleta recebia sob os aplausos da multidão que lotava o estádio. Ganhar essa coroa era a ambição suprema do atleta. No entanto, também, stefanos era a coroa com a qual se coroava os hóspedes quando participavam de um banquete nas grandes celebrações. Esta última palavra é a que Paulo usa neste texto.
E como se Paulo dissesse que os filipenses são a coroa de todas as suas fadigas, esforços e empenhos. Ele era o atleta de Cristo, e eles, a sua coroa. E como se dissesse que, no banquete final de Deus, os filipenses seriam a sua coroa festiva. Ralph Martin, nessa mesma linha de pensamento, diz que o ambiente escatológico de Filipenses 3.20,21 contribui para a bela metáfora de um prêmio celestial a ser concedido a Paulo por seu trabalho pastoral.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 223-224.
Se havia alguém com desculpas de sobra para se preocupar era o apóstolo Paulo. Seus amigos cristãos queridos desentendiam-se entre si, e ele não estava por perto para ajudá-los. Não dá para ter ideia do motivo da contenda entre Evódia e Síntique, mas se sabe que causava divisão na igreja. Além dessa possível dissensão em Filipos, Paulo também teve de tratar das desavenças entre os cristãos em Roma (Fp 1:14-1 7). E, de mais a mais, ainda pairava no ar a possibilidade da própria execução! Sem dúvida, Paulo tinha boas desculpas para ficar ansioso - mas não foi o que fez! Em vez disso, concentrou-se em explicar a seus leitores o segredo da vitória sobre a preocupação.
O que é ansiedade? A palavra grega traduzida por ansiosos, em Filipenses 4:6, significa "atraídos para direções diferentes". Nossas esperanças nos puxam para um lado, nossos medos para o outro, e a tensão torna- se insuportável. O sentido da palavra ansiedade é associado a angústia, que pode significar "estreiteza, aperto". Quando ficamos ansiosos, sentimo-nos "apertados" e "estrangulados" a ponto de ter sintomas físicos bastante claros: dores de cabeça, no pescoço e nas costas e úlceras. A preocupação afeta o raciocínio, a digestão e até mesmo a coordenação motora.
Do ponto de vista espiritual, a ansiedade é constituída de pensamentos (a mente) e de sentimentos (o coração) incorretos acerca de circunstâncias, pessoas e coisas. A ansiedade é a grande usurpadora da alegria. No entanto, não basta dizer a si mesmo: "pare de se preocupar". A força de vontade não é capaz de pegar esse ladrão, pois ele tem a colaboração de elementos internos. Para vencer a ansiedade, é preciso ter mais do que boas intenções. O melhor antídoto é a segurança: "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus" (Fp 4:7). Quando temos segurança, a paz de Deus nos guarda (Fp 4:7) e o Deus da paz nos guia (Fp 4:9). Com esse tipo de proteção, que motivo há para ficar ansioso?
A fim de vencer a ansiedade e de experimentar segurança, devemos cumprir três condições que Deus determinou: orar corretamente (Fp 4:6, 7), pensar corretamente (Fp 4:8) e viver corretamente (Fp 4:9).
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 123.
1 - EXORTAÇÃO À ALEGRIA E FIRMEZA DA FÉ (4.1-3)
1. A alegria de Paulo.
1. A alegria e coroa do ministério de Paulo (4.1)
A palavra “portanto” (v. 1) é ligada por Paulo ao assunto do capítulo 3. Ele os trata como cidadãos dos céus e isso era suficiente para encher seu coração de gozo. Ele exprime sua alegria e orgulho por seus amigos e os encoraja a que permaneçam firmes em Cristo (1.27). O apóstolo exprime seus sentimentos mais íntimos de amor e carinho pelos irmãos quando diz que eles são “sua alegria e coroa” (4.1).
Nesse versículo, Paulo expressa a sua alegria pela igreja. Essa alegria tinha um caráter futuro, porque Paulo sentia que o fruto do seu ministério era real e verdadeiro. Ele podia sentir e relembrar que valia a pena tudo quanto sofreu para plantar aquela igreja em Filipos. Ele tinha a alegria da certeza da vida futura e a sua convicção do seu lugar na presença de Cristo na sua vinda. Esse gozo que experimentava lhe dava forças para não desistir do objetivo final de seu ministério.
O apóstolo Paulo acrescenta a palavra “coroa” depois da “alegria” (v. 1). Que coroa é essa? A que se referia o apóstolo? Naqueles tempos, especialmente no mundo grego e romano, havia dois tipos de coroas. Na língua grega do Novo Testamento, deparamo-nos com diadema e stefanos. Um tipo referia-se à coroa do atleta (stefanos), premiação máxima dos atletas, especialmente, dos corredores nas famosas maratonas gregas e romanas. O outro tipo referia-se à coroa da realeza, símbolo de soberania (diadema). Naturalmente, Paulo se referia à coroa do atleta, que era o laurel concedido ao vencedor nos famosos jogos. O sentimento que dominava o coração do apóstolo era algo presente e ao mesmo tempo futuro. Ele se referia ao que sentia naquele momento com as notícias dos irmãos em Filipos. Mas também se referia ao sentimento de que seu tempo de ministério estava chegando ao fim e tudo quanto esperava naquele momento era a vitória final na presença de Cristo. Isso constituía gozo e coroa na vida do apóstolo. Paulo sabia que a coroa, ou seja, o prêmio pela sua vitória final, além do sentimento de amor pelos filipenses, era, de fato, a coroa de glória que ele receberia na vinda do Senhor (1 Ts 2.19). E a recompensa pelo serviço fiel, quando todos os cristãos receberão seus galardões no Tribunal de Cristo: “Porque todos devemos comparecer ante o Tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2 Co 5.10).
2. A exortação à firmeza cristã (4.1)
“Estai assim firmes no Senhor” (4.1). É a parte final desse versículo que demonstra o contínuo cuidado do apóstolo pela vida espiritual dos filipenses. Era, na realidade, uma forma imperativa do cuidado apostólico de que os filipenses não se deixassem dominar pelos falsos ensinos que tentavam roubar-lhes a esperança e adulterar o ensino que lhes fora dado quando estava com eles. Antes, no capítulo três (3.20,21), Paulo os trata como cidadãos dos céus e, por isso, deviam permanecer firmes no Senhor. A preocupação de Paulo, mais uma vez, era com a entrada das heresias doutrinárias que podiam corroer a esperança e provocar divisão e desarmonia no seio da igreja. Ele usa a palavra stekete no grego bíblico quando fala de firmeza. Essa palavra, de fato, era aplicada ao soldado no campo de batalha que ardorosamente tinha que ficar firme quando se deparasse com um inimigo. O crente em Cristo precisa ficar firme na fé quando se depara com falsas doutrinas ensinadas por falsos mestres. A igreja deve “ficar firme” porque possui uma herança que deve ser preservada mediante a fidelidade ao Senhor até a sua vinda (Fp 3.20,21). A firmeza em Cristo implica a convicção de alcançar algo já garantido. Significa o ato de permanecer nos mesmos princípios que regem a vida cristã. A ideia de estar “firmes no Senhor” era, também, no sentido de colocar todas as coisas debaixo do controle do Senhor. Não deveria haver hesitação em servir a Ele.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 120-122.
A palavra «...portanto...» vincula o presente versículo ao pensamento da última secção do terceiro capítulo, que fala sobre o destino elevadíssimo que os crentes têm em Cristo, de tal modo que virão a participar de sua própria natureza e herança. «Em vista» desse alto chamamento e dessa esperança sublime—permanecei sempre firmes em Cristo, que é o vosso Senhor.
Jamais devereis ceder às pressões do mundo ou da carne, mas vivei sempre aquela intensa inquirição espiritual (descrita em Fil. 3:9-14). Pode-se observar aqui a grande similaridade entre esta passagem e o trecho de I Cor. 15:58, no que respeita à mensagem que a precede: «Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão». Essas palavras de I Coríntios aparecem após a secção daquela epístola que aborda a questão da imortalidade, mediada pela transformação (quando do arrebatamento da igreja ou da ressurreição), envolvendo ainda a grandiosa vitória sobre a morte. Portanto, essas duas passagens são quase idênticas, exceto que a passagem da primeira epístola aos Coríntios é mais elaborada. (Ver as notas expositivas sobre I Cor. 15:58, quanto a pensamentos adicionais).
O presente versículo, assim sendo, é tanto a conclusão do terceiro capítulo como a introdução de novos pensamentos. Na realidade, poderia ser melhor colocado no fim do terceiro capítulo desta epístola, tal como I Cor. 15:58 encerra o décimo quinto capítulo daquela epístola.
«...meus irmãos, amados e m ui saudosos...» No grego temos o termo «agapetoi», que significa «amados», e que com frequência tem o sentido intensificado de «únicos amados», que se reveste de um significado mais ou menos como nossa expressão moderna «mui querido» ou «caríssimo». Os crentes filipenses eram concidadãos de Paulo (ver Fil. 3:20), como também pertenciam à mesma família divina; e na família divina há amor mútuo entre todos os seus membros. (Ver as notas expositivas sobre João 14:21 e 15:10, onde o «amor» aparece como «norma orientadora da família divina», e do que todos os remidos compartilham). Paulo queria que soubessem os crentes filipenses que, a despeito de ter ele atacado tão severamente ao legalismo, que evidentemente havia influenciado a alguns deles, o seu amor por eles em nada havia diminuído.
«...mui saudosos...» No grego temos o termo «epipothetos», «desejado», «ansiado», cuja forma verbal significa «desejar», «anelar», «ansiar por». Essa palavra é usada exclusivamente aqui, em todo o N .T., ainda que a sua forma verbal também apareça nesta mesma epístola, em Fil. 1:8: «Pois minha testem unha ê Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus». Isso identifica tal emoção como produto do desenvolvimento espiritual, como um dos aspectos do fruto do Espírito (ver Gál. 5:22), por tratar-se de um a expressão do amor cristão. Portanto, Paulo amava aos crentes filipenses m ais do que um homem qualquer ama ordinariamente a seus semelhantes, porque isso era produto de seu desenvolvimento espiritual em Cristo. Assim Paulo viera a experimentar e a demonstrar o próprio amor de Cristo, espiritualmente inspirado. Todos os pastores deveriam ter essa espécie de amor, que só surge como resultado do nosso crescimento em Cristo. Por essa razão é que Paulo amava tanto era extraordinariamente bem desenvolvido, espiritualmente falando.
Nessa calorosa demonstração de amor se pode encontrar o sumário desta epístola inteira, porquanto esta é uma epístola de ação de graças, de apreciação e de amor pelos crentes filipenses, por tudo quanto tinham feito em favor do apóstolo (financeiramente e em outros sentidos).
«...minha alegria...» Sim, porque neles Paulo encontrava provas de que vinha correndo bem, visto que pertenciam a Cristo, o que era demonstrado em suas vidas. A «alegria» é um a das notas chaves desta epístola. (Ver as notas expositivas a esse respeito, em Fil. 1:4). Neste ponto essa alegria é personalizada, como se não se tratasse m eram ente de alguma coisa que possuíam, mas também como se fizesse parte do caráter deles, até onde suas relações com Paulo diziam respeito. Sabe-se muito bem que as realizações de outros com frequência provocam certas pessoas à inveja; e há até quem inveje as realizações espirituais dos irmãos. Não se dava assim no caso de Paulo; pelo contrário, ele se sentia particularmente jubiloso porquanto sabia que aquele avanço espiritual de seus convertidos glorificava ao nome do Senhor, ao qual ele também procurava glorificar.
«...coroa...» No grego temos «stephanos«, palavra comum para indicar «coroa». (V er I T es. 2:19, onde ocorre quase exatamente a mesma expressão, incluindo tanto a «alegria» como a «coroa», mas em relação aos crentes tessalonicenses. Ali, entretanto, aqueles crentes são também chamados de sua «esperança»), E bem provável que a «coroa» seja a da vitória em alguma competição esportiva, tal como em uma corrida, porquanto a metáfora da carreira está por detrás das palavras de Paulo. Paulo havia corrido tão bem que recebera a coroa da vitória; e aqueles crentes eram a sua coroa; pois, nessa carreira, mediante os seus esforços, na qualidade de apóstolo dos gentios, eles eram criação sua. Mui provavelmente, portanto, devemos pensar aqui na coroa de louros do vitorioso, que era também usada como sinal de honra, em um banquete oferecido pelos convivas. Normalmente essa coroa de louros era feita de ramos de certas plantas ou árvores, como a palmeira. Já a coroa do Senhor Jesus era feita de espinhos. A oliveira brava, a salsa verde, o louro ou o pinheiro, também eram usados. Há um a outra palavra grega, diadema, que usualmente se refere à coroa dos reis, mas que, no grego helenistas (do qual o N.T. é um representante), nenhum a distinção se podia observar entre essas duas palavras gregas, de tal modo que a palavra «stephanos», também era usada para indicar coroas feitas de metais diversos. Apesar de que o «tempo presente» está particularmente em foco, neste ponto, pois Paulo os considerava seu motivo de alegria e sua coroa desde quando escreveu, contudo, há provavelmente uma referência futura.
Quando do «tribunal de Cristo», aqueles crentes filipenses seriam tais para o apóstolo, conferindo-lhe motivo de regozijo e demonstrando o sucesso de sua missão terrena, de modo a lhe servirem de coroa de vitória. (Quanto a essa referência futura, com parar com os trechos de Fil. 2:16 e I Tes. 2:19). «...permanecei.:, firmes no Senhor...» Paulo já os havia exortado para que fossem dignos cidadãos da pátria celeste, mostrando-lhes qual era o seu grandioso destino. Em face disso, deveriam agora permanecer firmes, preservando a própria fé e defendendo a doutrina pura, levando um a vida diária recomendável, em nada cedendo ante a doutrina dos legalistas, e nem aos hábitos condenáveis dos epicureus. Pelo contrário, deveriam mostrar-se inabaláveis, a fim de resistirem aos ataques do mal, dos ensinamentos falsos e da imoralidade—em suma, deveriam fazer finca-pé, como bons soldados, reunindo forças para poderem obter a vitória. Isso pode ser comparado com o trecho de Efé. 6:10, onde se lê: «...sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder...» . E também como trecho de E fé. 6:11, o qual reza: «Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo». Está em foco aquele dia mau, dia de teste e tentação especiais. Os crentes, pois, tendo feito tudo, devem permanecer firmes.
Havia várias condições em Filipos, como a atmosfera pagã, a pressão dos legalistas, etc., que poderiam pressionar os crentes filipenses à lassidão espiritual, à fadiga no combate, à deserção espiritual, ou mesmo ao abandono da luta por inteiro. Contra tais possibilidades é que Paulo aqui os advertia. Isso pode ser comparado com a passagem de Fil. 1:27, onde se vê que o apóstolo já os tinha exortado a estar «...firmes em um só espírito, como um a só alma, lutando juntos pela fé evangélica». É também naquele primeiro capítulo desta epístola que Paulo mostra que o crente está envolvido em um conflito eivado de perigos verdadeiros (ver Fil. 1:30). Os crentes filipenses, a despeito das dificuldades que enfrentavam, serviam de evidência positiva que Paulo estava correndo com sucesso a sua carreira, e o apóstolo queria que eles continuassem servindo de prova disso.
«...no Senhor...» A saber. 1. Em união com Cristo, como Senhor. 2. Em comunhão com Cristo, através do Espírito Santo. 3. Portanto, a firmeza se daria através da fortaleza conferida pelo Senhor. Essa expressão ê usada pelo apóstolo dos gentios por mais de quarenta vezes, assemelhando-se à expressão «em Cristo», que ele utiliza por nada menos de cento e sessenta e quatro vezes, a qual expressa tanto a nossa união como a nossa comunhão íntima com Cristo, bem como os resultados daí decorrentes. Em Cristo temos a esfera onde essa firmeza do crente deve ser demonstrada.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 59-60.
A firmeza no Senhor, uma necessidade imperativa (4.1)
O apóstolo Paulo ainda continua com o mesmo raciocínio. Porque os crentes são cidadãos do céu, eles devem ter coragem na terra para serem firmes. Na igreja de Filipos, havia perigos internos e externos. A igreja estava sendo atacada por falsos mestres e por falta de comunhão. A heresia e a desarmonia atacavam a igreja. Existiam problemas que vinham de dentro e problemas que vinham de fora; problemas doutrinários e relacionais. A igreja estava sendo atacada por fora e por dentro. Diante desses perigos, Paulo exorta a igreja a permanecer firme no Senhor.
A palavra grega que Paulo usa para “estar firmes” é stekete. Essa palavra era aplicada ao soldado que permanecia firme em seu ímpeto na batalha ante a um inimigo que queria superá-lo. Em vez de dar atenção aos falsos mestres ou se entregar às desavenças internas, a igreja deveria pôr a sua confiança no Senhor Jesus.
A igreja deve permanecer firme no Senhor por causa de sua herança (1.6) e vocação celestial (3.20,21). Ela deve permanecer firme, a despeito da hostilidade dos legalistas (3.2) e dos libertinos (3.18,19). Deve permanecer firme diante dos sinais de desarmonia nos relacionamentos (2.3,4) e dos desacordos de pensamento (4.2).
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 224-225.
Portanto, meus irmãos, amados e mui saudosos, minha alegria e coroa, sim, amados, permanecei, deste modo, firmes no Senhor. A exortação a permanecerem firmes liga-se ao chamado anterior (3:17) aos leitores de Paulo, para que se unam e imitem aos apóstolos, e seus companheiros e, assim, sejam fortificados contra os sectários (segundo a maior parte dos comentaristas). Lohmeyer é exceção. Ele considera o versículo 1 como introdução solene e formal àquilo que se segue. É possível, também, que este versículo se refira a admoestações anteriores, tais como a de 1:27,28, e que Paulo esteja refletindo sobre a necessidade de esta igreja unir-se, num front comum, contra o mundo hostil ao seu redor.
De qualquer forma, este versículo contém alguns dos termos mais afetuosos e carinhosos que Paulo usou para com suas igrejas. Amados e mui saudosos (gr. epipothêtoi, lembra o verbo de 1:8, e expressa o desejo de Paulo de vê-los outra vez; é termo que só se encontra aqui, no NT) é expressão seguida de minha alegria e coroa, semelhante a 1 Tessalonicenses 2:19, 20; 3:9. Coroa (gr. stephanos) pertence ao mundo esportivo, em que o vitorioso era coroado com uma grinalda de louros, e a usava como coroa festiva (1 Co 9:25). Cf. 2 Ciem. 7:3: “Lutemos, pois, para que possamos todos receber a coroa”. Talvez Paulo esteja voltando à imagem de 3:14. Muito provavelmente tem ele a igreja em vista; sua “coroa” será, então, o grande sucesso que advirá a seus trabalhos apostólicos e a consequente firmeza da igreja sob provação, como em 2:16. “Coroa” sugere o reconhecimento de uma vida fiel, de serviço, trazendo este significado já em Pv 12:4; 16:31; 17:6 (LXX). O ambiente escatológico de 3:20,21 contribuiria à bela metáfora de um prêmio celestial a ser concedido a Paulo se seu trabalho pastoral em Filipos for “coroado” de sucesso (veja-se W. Grundmann, TDNT vii, pp. 615-36). Daí o apelo: permanecei deste modo, firmes no Senhor como seus amigos amados (repetido no versículo).
Ralph P. Martin, Ph. D.. Filipenses Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 164-165.
2. A alegria nas relações fraternas.
Sabedor de conflitos existentes na relação entre alguns irmãos, Paulo se dirige a alguns deles para solucionar o problema. Ele conhecia a maioria dos irmãos da igreja e reconhecia a importância deles na cooperação do evangelho, e conhecia, também, as fraquezas de alguns deles.
Nesse contexto, Paulo se dirige a duas mulheres especiais no seio da igreja em Filipos, mas que estavam tendo algum tipo de conflito. Ele apela a essas duas mulheres, Evódia e Síntique, que parassem para pensar acerca das verdades que Paulo havia ensinado ao longo da história daquela igreja. Quando ele lhes diz que “sintam o mesmo no Senhor” (v. 2) estava, na verdade, preocupado com que a incompatibilidade de Evódia e Síntique provocasse ruptura na unidade da igreja. O apóstolo Paulo se dirige a alguém que era de sua total confiança para que apaziguasse as discórdias existentes. Esse “companheiro de jugo” referia-se a algum obreiro local, como podia ser Timóteo ou Tito. Essas discórdias afetavam a harmonia fraternal da igreja e abria espaço para as divisões. Paulo soube que essas discórdias estavam acontecendo entre duas mulheres da igreja, as quais foram muito importantes no início da implantação da igreja em Filipos. Ele cita os nomes de Evódia e Síntique que eram discordantes entre si acerca de pequenas coisas que afetavam a comunhão da igreja. Paulo se preocupou com elas e as aconselhou que tivessem o mesmo sentimento de amor e respeito no seio da igreja, para não quebrar a comunhão e a unidade da igreja. Como autêntico pastor, Paulo tem cuidado no trato com as duas mulheres, mas as exorta com firmeza com a autoridade pastoral que requeria o problema. O apóstolo valoriza essas mulheres no seu apostolado, pois elas muito contribuíram para a formação da igreja.
4. Clemente, um fiel servidor (4.3)
Existem muitas especulações históricas acerca de Clemente, um membro ativo no seio da igreja de Filipos. Ao citar o seu nome, Clemente, deduz-se que se trata de alguém de origem grega, porque o nome era comum entre os gregos. Podia ser um crente comum daquela igreja e que gozava do carinho e da amizade do apóstolo. Os historiadores da igreja se dividem nas opiniões acerca desse Clemente como alguém que depois da morte de Paulo tenha se tornado obreiro da igreja. A história do cristianismo fala de certo Clemente que foi considerado como o mais eminente dos “pais da igreja”, servindo especialmente em Roma. Entretanto, não há comprovação suficiente para afirmar essa opinião. O que importa é que Paulo cita o seu nome como alguém comprometido com o evangelho e com a preservação da unidade da igreja onde servia a Cristo.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 122-123.
PERFIL EVÓDIA E SÍNTIQUE
As cartas de Paulo fornecem uma noção da estrutura social das pequenas comunidades cristãs incipientes no mundo grecoromano.
Em sua epístola à igreja filipense, as duas primeiras pessoas que o apóstolo menciona pelo nome são mulheres:
Evódia e Síntique (Fp 4.2). Ao descrevê-las como essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho e incluí-las na categoria de cooperadores (Fp 4.3), Paulo mostra que elas se uniram a ele como companheiras de igual valor em sua atividade e em seu ensino missionário.
A natureza exata do papel de liderança que Evódia e Síntique exerciam na igreja em Filipos é incerta. A autoridade delas era suficiente, no entanto, para Paulo incentivá-las a procurar harmonia uma com a outra (Fp 4.2). Ele até pediu a alguém a quem chama de verdadeiro companheiro que ajudasse essas mulheres (Fp 4.3). Provavelmente a preocupação dele era que a competição entre elas pela lealdade e pelo afeto aos filipenses pudesse dividir a jovem igreja. Talvez a igreja se reunisse na casa dessas duas mulheres; a disputa entre elas, então, teria sido uma tentação.
A ânsia de Paulo era que Evódia e Síntique sentissem o mesmo no Senhor (fp 4.2). Entretanto, talvez seu cuidado não fosse tão grande. Ele acreditava que o nome de Evódia e o de Síntique estivessem no livro da vida (Fp 4.3), com o de Clemente.
Contudo, elas precisavam buscar a mente de Cristo, não a delas.
As mulheres desempenhavam funções de liderança importantes nas igrejas, sendo dois exemplos Febe, na igreja de Cencréia (Rm 16.1), e Prisca, em Éfeso (1 Co 16.19). Particularmente na Macedônia, onde as mulheres muitas vezes assumiam posições de destaque em cultos religiosos, era natural encontrá-las como líderes em uma igreja. Paulo apoiou o papel das mulheres nas comunidades cristãs e instruiu os cristãos: Não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus (G I3.28).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 534.
«...Evódia...» Nome feminino que significa «excelente viagem». Sua forma verbal significa « ajudar na estrada», dando a entender, originalmente, as mulheres que tomavam conta de hospedarias e ajudavam os viajantes, etc. Mas, tal como se dá com os nomes modernos, muitos nomes próprios eram aplicados sem referência alguma ao seu significado original. Ambos os nomes que figuram neste versículo aparecem em inscrições, e invariavelmente são nomes próprios femininos. Essa é a única menção desta mulher, em todo ο N .T., ainda que o trecho de Atos 17:4,12 também mencione as atividades de mulheres da Macedônia, que tinham cooperado como apóstolo, quando ele fundara o trabalho cristã o na Europa.
Vários intérpretes supõem que essa mulher ocupava a posição de diaconisa, sendo, por conseguinte, um a das principais figuras femininas da igreja de Filipos. O evangelho, naquela área, foi pregado inicialmente para mulheres (ver Atos 16:13). E a igreja de Filipos teve suas primeiras reuniões na casa de um a mulher (ver Atos 16:14,40).
Muitos nomes próprios femininos aparecem nas epístolas de Paulo, com notas de recomendação, como Febe, Priscila, M aria, Trifena, Trifosa, Pérside, Júlia, a mãe de Rufo, a irmã de Nereu. (Ver Rom. 16:1-15). Não resta dúvidas que a posição delas e a sua importância era muito maior no cristianismo do que no judaísmo, que considerava as mulheres como seres degradados. (Q uanto a notas expositivas acerca dessa atitude dos judeus para com suas mulheres, ver João 4:27,29, onde se vê que as condições das judias eram simplesmente chocante). Já na Macedônia, a posição das mulheres era muito melhor que na Palestina, porquanto algumas chegaram até mesmo a ocupar cargos públicos.
Os nomes próprios dos filhos eram derivados de suas mães, e não de seus pais. Às mulheres da Macedônia era permitido terem propriedades, além de gozarem de outros privilégios desconhecidos às mulheres de outras áreas, pois, em comparação com as mulheres da Macedônia, as mulheres judias tinham como companheiros constantes as crianças e os escravos. Algumas esculturas representando mulheres de alguma importância têm sido encontradas, evidentemente pessoas bem conhecidas. (Ver as notas expositivas sobre a posição favorável das mulheres, na Macedônia, em Atos 17:4). Em Jesus Cristo, o ideal é que não haja distinção entre homem e mulher (ver Gál. 3:28), embora isso não tenha sido plenamente aplicado no seio da igreja cristã primitiva. (Ver as notas expositivas a respeito, em I Cro. 11:11, 12, onde se destaca o fato da «interdependência entre homens e mulheres». Ver também I Cor. 11:7, quanto a notas expositivas sobre como a subordinação da mulher não se aplica ao estado eterno. Essa subordinação visa apenas propósitos práticos, não sendo questão de ética doutrinária. Por conseguinte, tal subordinação tem suas exceções, dependendo das circunstâncias, porquanto é muito melhor obedecer a Deus do que ao homem. Quanto a notas expositivas sobre as «diaconisas», ver Rom. 16:1).
«...Síntique...» Seu nome significa «acidente», sendo difícil dizermos por que lhe foi dado tal nome, a menos que também queira dizer «chance feliz», segundo dizem alguns estudiosos. Não é mesmo impossível que alguns bebês do sexo feminino fossem chamadas de «acidente», como se houvessem nascido inesperadamente, sem terem sido planejados. «...rogo... rogo...», isto é, «exorto», palavra reiterada em um único versículo. Note-se que Paulo exortou a cada mulher individualmente, para salientar ainda mais o seu ponto.
«...pensem concordemente...», ou seja, «pensem a mesma cousa» (ver Fil. 2 :2, onde a mesma coisa é recomendada a todos os crentes, no que tange às suas relações pessoais na comunidade cristã e uns com os outros). Aquelas duas mulheres crentes deveriam estar em «harmonia». Não estamos informados sobre qual teria sido o motivo da discórdia, embora possamos perceber que não se tratava de razão séria, pois, de outro modo, Paulo mui provavelmente ter-se-ia mostrado mais específico a respeito. Alguns eruditos pensam que cada um a delas abrigava um a congregação em sua casa, tendo-se tornado rivais; e outros chegam ao ponto de sugerir que um a dessas congregações era do tipo judaico e que a outra era do tipo gentílico.
Mas, na realidade, tudo não passa de conjectura.
A tradição, como é usual, acrescenta aqui alguns detalhes, mui provavelmente falsos. Alguns intérpretes pensam que um a das pessoas nomeadas era do sexo masculino, e ainda outros acham que eram ambos homens. Mas o terceiro versículo deixa claro que eram am bas mulheres.
Seus nomes próprios, encontrados em diversas inscrições, sempre se referem a mulheres. Também há quem suponha que eles eram «marido e mulher», e que alguma disputa em família está aqui em foco; mas tal opinião é sem fundamento.
«...no Senhor...» (Ver o sentido dessa expressão, que também aparece no primeiro versículo deste capítulo, onde é comentada). A harmonia entre aquelas duas mulheres deveria ser a harmonia que caracteriza aos que são leais ao Senhor subordinando a ele seus sentimentos e preferências pessoais.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 60.
A harmonia no relacionamento, uma súplica intensa (4.2,3)
Paulo não somente advertiu os crentes de Filipos acerca de erros doutrinários (3.1-19), mas também acerca dos problemas de relacionamento (4.2,3). A desarmonia entre dois membros da igreja não era um problema de pequena monta para o apóstolo.
Evódia e Síntique eram duas irmãs que ocupavam posição de liderança na igreja, que haviam se esforçado com Paulo no evangelho e cujos nomes estavam escritos no livro da vida, mas, agora, estavam em desacordo na igreja. Elas tinham nomes bonitos (Evódia significa “doce fragrância”, e Síntique, “boa sorte”), mas estavam vivendo de maneira repreensível.
Em vez de buscar os interesses de Cristo e da igreja, lutavam por causas pessoais. Punham o eu acima do outro. Em vez de seguir o exemplo de Cristo e de Seus consagrados servos (2.5,17,20,30), imitavam aqueles que trabalhavam por vanglória e partidarismo (2.3,4). F. F. Bruce diz que o desacordo entre essas duas irmãs, não importando a sua natureza, representava uma ameaça à unidade da igreja, como um todo.
Paulo solicita ajuda de um líder da igreja, que ele não nomeia, para auxiliá-las a fim de construírem pontes, em vez de cavar abismos. Precisamos exercer na igreja o ministério da reconciliação, em vez de jogar uma pessoa contra a outra. Precisamos aproximar as pessoas, em vez de afastá-las. A igreja é um corpo, e cada membro desse corpo deve trabalhar em harmonia com os demais para a edificação de todos.
Paulo exorta essas duas irmãs a pensarem concordemente no Senhor. Não podemos estar unidos a Cristo e desunidos com os irmãos. Não há comunhão vertical sem comunhão horizontal. A lealdade mútua é fruto da lealdade a Cristo. A irmandade humana é impossível sem o senhorio de Cristo. Ninguém pode estar em paz com Deus e em desavença com os seus irmãos. Por isso, a desunião dos crentes num mundo fragmentado é um escândalo.
J. A. Motyer, comentando esta passagem bíblica, enumera algumas razões pelas quais os crentes devem viver unidos.
A desarmonia é contrária ao sentimento do apóstolo (4.1).
Paulo se dirige a toda a igreja, dizendo que os crentes eram a sua alegria e coroa. Ele chama os irmãos de “amados” e “mui saudosos”. A divisão na igreja ergue muros onde se deveriam construir pontes; separa aqueles que devem permanecer sempre juntos.
A desarmonia é contrária à fraternidade cristã (4.1). Paulo dirige-se à igreja total, chamando os crentes de “irmãos”. Eles pertenciam a uma só família, a um só rebanho, a um só corpo. Portanto, deveriam viver como tal.
A desarmonia é contrária à natureza da igreja (4.3). A igreja deve ser marcada pelo trabalho conjunto, pelo auxílio recíproco e pela esperança futura. Há uma realidade celestial acerca da igreja. O nome dos crentes está escrito no livro da vida, e lá no céu não há divisão. A igreja na terra deve ser uma réplica da igreja do céu. A igreja que seremos deve ensinar a igreja que somos. É contrária à natureza da igreja confessar a unidade no céu e praticar a desunião na terra.401 Todos os crentes, lavados no sangue do Cordeiro, têm seus nomes escritos no livro da vida e serão introduzidos na cidade santa (Lc 10.17-20; Hb 12.22,23; Ap 3.5; 20.11-15). O fato de irmos morar juntos no céu deveria nos ensinar a viver em harmonia na terra.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 225-227.
Fica claro que nem tudo é harmonia e alegria, na igreja, em face do apelo a Evódia e Sintique. Eram, evidentemente, membros da igreja, mulheres em desavença. É bem sabido que as mulheres macedônias eram conhecidas por sua forte personalidade (veja-se anteriormente p. 21). O relato de Lucas sobre o evangelismo inicial em Filipos contém a narração de duas conversões de mulheres (Lídia e a jovem escrava). (Veja-se W. D. Thomas, “The Place of Women in the Church at Philippi”, ExpT 83 (1971-2), pp. 117-20.) Além do mais, os nomes Evódia (significa “agradável”, a mesma palavra grega de 4:18) e Síntique estão presentes em numerosas inscrições, tendo sido, evidentemente, nomes comuns (AG, s.v.). Por estas razões, não há necessidade de tomar-se seriamente a hipótese da escola de Tübingen de que esses nomes foram usados, aqui, alego ricamente, a fim de representarem duas facções, a judia e a gentílica, na vida daquela igreja. Nem deveríamos especular mais, sobre as razões do desentendimento entre essas mulheres. W. Schmithals (Paul and the Gnostics, pp. 112-14) acha que a desavença entre elas foi causada por agitação gnóstica, e que elas poderiam ter quebrado a unidade da igreja ao dar hospitalidade a falsos (intrusos) mestres (cf. 2 Jo 10). Não sabemos qual foi o pano de fundo exato da disputa entre elas, embora seja provável que fosse parte da doença geral da igreja, a que 2:1-3 se refere, e onde á mesma expressão grega, traduzida “penseis a mesma coisa” (auto phronein) (neste versículo é traduzida “pensem concordemente”) é usada. É provável, ainda, que tinha algo que ver com a liderança da igreja, se 2:14 se relaciona a uma “nódoa de desavença” em Filipos, envolvendo os líderes, “os bispos e diáconos” (1:1). De qualquer maneira, o apelo é para que tenham “o mesmo sentimento” no Senhor, isto é, como membros do corpo de Cristo. O desaparecimento destas duas mulheres do cenário indicaria que o apelo de Paulo foi atendido (Collange).
Ralph P. Martin, Ph. D.. Filipenses Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 166-167.
3. A alegria de ter os nomes escritos no Livro da Vida.
VIDA, LIVRO DA No NT, o livro da vida corresponde a um registro que contém os nomes daqueles que foram salvos e que irão herdar a vida eterna.
Ele é mencionado por esse nome em Fp 4.3; Apocalipse 3.5; 13.8; 17.8; 20.12,15; 21.27 (22.19 deve ser entendido como "árvore" da vida e não "livro" da vida). Esse conceito também é encontrado em Lucas 10.20 e possivelmente em Hebreus 12.23. A frase também ocorre no AT (SI 69.28; cf. Êx 32.32,33; Dn 12.1). Porém no AT, este conceito parece estar relacionado com a lista daqueles que estão vivos nesse mundo, embora alguns entendam que no AT ele também significa uma lista dos herdeiros da salvação. Se a primeira hipótese for correta, quando o AT fala sobre ser apagado do livro da vida ele está referindo-se à morte física e à extinção da linhagem de uma família. O texto em Apocalipse 3.5 também fala sobre ser apagado "do livro da vida". Neste caso, o livro da vida significa a lista daqueles que foram salvos. Alguns dizem que tal exclusão é possível e está implícita. Muitos acreditam que afirmar que uma pessoa já salva possa perder a salvação contradiz aquelas passagens onde está presente a segurança do crente em relação a Cristo. Consequentemente, esses intérpretes devem ter adotado uma das seguintes abordagens: (1) Apocalipse 3.5 não diz explicitamente que o nome de alguém será apagado; (2) esse registro contém originalmente o nome de todos, mas quando alguém rejeita totalmente a Cristo, seu nome é apagado; (3) no Apocalipse, o livro da vida corresponde ao registro da profissão de fé da qual alguns nomes serão
apagados, enquanto o livro da vida do Cordeiro (Ap 13.8; 17.8; 20.12,15; 21.27, referindo-se ao livro da vida do Cordeiro, embora não apresentando esse nome especificamente em todos os versos) contém apenas o nome dos verdadeiros crentes e do qual nenhum nome pode ser apagado.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 2017.
Ele diz o seguinte a respeito dos seus cooperadores: “...cujos nomes estão no livro da vida”; ou, então, eles eram escolhidos de Deus desde a eternidade, ou registrados e inscritos na corporação e sociedade a quem o privilégio da vida eterna pertence, aludindo aos costumes entre os judeus e gentios de registrar os habitantes ou os homens livres da cidade. Assim lemos que os nomes deles estão escritos nos céus (Lc 10.20), e que o Senhor não riscará os seus nomes do livro da vida (Ap 3.5), e que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro (Ap 21.27). Observe: Existe, de fato, um livro da vida; há nomes nesse livro e não somente figuras e condições. Não podemos examinar aquele livro ou conhecer os nomes que estão escritos lá; mas podemos concluir que aqueles que trabalharam no evangelho, e são fiéis aos interesses de Cristo e das almas, têm seus nomes escritos no livro da vida.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 627.
LIVRO DA VIDA - [Do gr. bíblou tou zoe] Registro que o Senhor Deus mantêm desde a mais remota eternidade, no qual acham-se registrados os nomes de todos os que, pela fé. aceitaram o sacrifício vicário de Cristo.
Moisés já tinha ciência desse livro. Tanto é que, num momento de aflição e angústia, disse ao Senhor ao interceder pelos filhos de Israel: “Agora, pois, perdoa o seu pecado; ou se não, risca- me do teu livro, que tens escrito” (Ex 32.32). A resposta do Senhor veio pronta: “Aquele que tiver pecado contra mim, a este riscarei do meu livro” (Ex 32.33).
Os homens tanto podem ser inscritos no Livro da Vida quanto deste serem excluídos (SI 69.28). No Juízo Final, os que não forem nele achados serão lançados no suplício eterno (Ap 20.15).
ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Dicionário de Escatologia Bíblica. pag. 101-102.
...cujos nomes se encontram no livro da vida...» As cidades antigas mantinham o registro dos nomes de seus cidadãos; e esse fato foi transportado para a linguagem espiritual, indicando que, na nossa «pátria» ou «cidade celestial» esses registros também são conservados. Ë provável que esse pensamento fosse aceito literalmente por certos crentes, ao passo que outros o compreendiam figuradamente. Não há razão para supormos que haja algum livro literal de rol de nomes. Trata-se antes de um uso metafórico, que indica aqueles que «realmente pertencem aos céus, como cidadãos», em contraste com outros, que não podem ser assim reconhecidos.
Ter alguém o seu nome registrado nesse «livro» é a mesma coisa que dizer que ele possui a «vida eterna», porquanto é um dos cidadãos do Reino Eterno. A referência mais antiga que temos, acerca dessa antiga prática de registrar nomes dos cidadãos aparece em Êxo. 32:32, o que nos mostra tratar-se de um costume antiquíssimo. (Ver também Isa. 4:3; Eze. 13:9 e Dan. 12:1). Paulo já se havia referido aos crentes filipenses como cidadãos dos céus, e isso que aqui encontramos é um desenvolvimento natural daquele pensamento, embora se trate da única ocorrência da expressão em todo ο N.T., excetuando seu uso comum no livro de Apocalipse. (Ver Apo. 3:5; 13:8; 17:8; 20:12,15; 21:19). As passagens de Apo. 13:8 e 17:8 se revestem de certo sabor de predestinação, como se os nomes ali escritos ou não escritos estivessem determinados antes da história da humanidade. Mas isso não pode ser pressionado demasiadamente. Seja como for, o N.T. ensina tanto a doutrina da predestinação como a doutrina do livre-arbítrio hum ano, sem fazer qualquer tentativa de reconciliar as duas ideias entre si.
São lados opostos de alguma grande verdade, e ambos esses lados são necessários. Não nos devemos esquecer que Deus se utiliza do livre-arbítrio humano sem destruí-lo, embora não saibamos oferecer um a explicação convincente sobre o seu modo de agir. (Ver Luc. 10:20 e Heb. 12:23, que aludem a esse conceito, embora sem mencionarem diretamente algum «livro»).
Essa expressão também aparecia comumente nos escritos dos rabinos, como, por exemplo, no Targum (ou «comentário») sobre Eze. 13:9, onde se lê: «No livro da vida eterna, que foi escrito para arrolar os justos da casa de Israel, eles não serão escritos». Os escritos rabínieos pintam Deus assentado em seu tribunal, com os livros dos vivos e dos mortos abertos à sua frente. (Quanto a notas expositivas sobre a «vida eterna», ver o trecho de João 3:15).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 61.
II - A ALEGRIA DIVINA SUSTENTA A VÍDA CRISTÃ (4.4,5)
1. Alegria permanente no Senhor.
A alegria permanente: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (4.4)
A versão Almeida Revista e Corrigida usa a palavra regozijar e diz: “Regozijai-vos”. A exortação contém o advérbio “sempre” para denotar que não se tratava de uma despedida, ou de uma experiência momentânea. Tratava-se de algo permanente e contínuo. Nenhuma outra fonte de alegria efêmera possui esse caráter, porque todas as fontes externas do mundo secam e se esvaem. Quando Paulo volta a dizer “outra vez digo”, é uma repetição que tinha por objetivo reforçar a exortação de que nada é mais precioso e consolador do que o gozo, a alegria ou o regozijo cuja fonte é o Senhor. Por que é importante e indispensável essa alegria no Senhor Jesus? Ora, E porque por meio dEle temos recebido a reconciliação com Deus (Rm 5.11); temos sido alimentados da esperança da glória que nos estimula a continuar firmes na fé (Rm 5.2). Se no Antigo Testamento a presença do Espírito de Deus era manifestada de tempo em tempo, de acordo com as necessidades dos servos de Deus, agora, no Novo Testamento, na nova aliança, a presença do Espírito Santo é permanente e imanente, porque Jesus o enviou, da parte do Pai, para habitar no espírito do crente, isto é, na vida interior do crente, e produzir essa alegria (Jo 16.7; Rm 14.17; Rm 15.13). Nada comparável no mundo será capaz de superar a tristeza e as vicissitudes da vida como só a alegria do Senhor pode produzir (Tg 1.2-4; Rm 5.3). Paulo sabia que os filipenses estavam sendo ameaçados por falsos mestres com heresias capazes de criar dúvidas quanto à fé. Ele, então, fez uma exortação com caráter de ordenança apostólica aos filipenses e o fez de modo imperativo: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra digo: Regozijai-vos”.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 124.
A alegria é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo, Por conseguinte, trata-se de um a qualidade espiritual, como subproduto do desenvolvimento do crente em sua vida espiritual. Portanto, temos aqui o chamamento não apenas para o regozijo, mas também para um desenvolvimento espiritual superior, o que nos confere confiança, alegria e o senso de bem-estar, a despeito de nossas circunstâncias externas. Sim, a «alegria» é um a das notas chaves desta epístola, o que é comentado no trecho de F il. 1:4, onde também são alistadas todas as referências onde essa ideia é frisada nesta epístolas. (Outras notas expositivas sobre a alegria, com poemas ilustrativos, se encontram em João 15:11 e 17:13). Os crentes filipenses, que naquela época começavam a entrar na terrível era das perseguições contra os cristãos primitivos, e que já eram testem unhas dos. sofrimentos e das perseguições que tinham atingido o apóstolo dos gentios, precisavam de raízes e spirituais profundas para que pudessem enfrentar a tudo, inabaláveis, com confiança e alegria.
«...sempre...» Há aqui um volver de olhos para o futuro, quando as tribulações se tornavam muito severas. Não somente agora, em período de calma relativa, mas também no futuro, quando os testes mais difíceis atingissem aos crentes filipenses, eles precisavam da «alegria» produzida pelo desenvolvimento espiritual. De fato, não há nenhum a ocasião em que nossa ocasião com Cristo venha a ser maculada de modo a remover de nós a alegria.
«...outra vez digo, alegrai-vos...» Por que Paulo reiterou assim a ideia, dentro de um mesmo versículo? 1. Alguns pensam que ele havia pensado subitamente em tristezas iminentes, quando então te ria escrito: «...contudo, a despeito disso, tal como já disse antes, regozijai-vos». 2. Outros acham que Paulo reiterou a ideia meramente a fim de enfatizá-la. Todavia, Bengel pensa que a palavra «...sempre...» indica um segundo mandamento. Portanto, teríamos: «Regozijai-vos»; e em seguida: «Regozijai-vos sempre».
É interessante que a palavra aqui traduzida por «...alegrai-vos...» também tinha o sentido de «adeus» (ver Fil. 3:1). E alguns estudiosos pensam que Paulo empregou o termo em duplo sentido, neste ponto. Por conseguinte, Paulo tê-los-ia convidado e se regozijarem, mas, ao mesmo tempo, se despede deles. Isso faria esta passagem ser similar, em ideia, ao trecho de João 14:27, onde o Senhor Jesus, ao mesmo tempo que lhes invoca a «paz», se despede dos seus discípulos.
«...no Senhor...» Em virtude de nosso contato e identificação com Cristo, e, por conseguinte, com o seu poder, e também sob a sua inspiração, é que devemos ter aquela «alegria» que é um a das facetas do «fruto do Espírito»(ver Gál. 5:22). Ora, isso nos faz recordar que a vida, para o crente, não é mais expressão da vontade própria, sujeita à chance e aos caos. Ë como se disséssemos: Quando realmente vivo, não sou eu, mas a graça de Deus comigo; e não posso tomar para mim mesmo o crédito por essa vida, simplesmente me alegro ante o fato que estou sendo aperfeiçoado, sem que tenha de indagar como, porque ou com que finalidade.
E sempre que eu falhar, serei lembrado que eu mesmo é quem fracasso; mas somente para esquecer-me da falha ao entregar-me novamente a Deus, para que renove a sua obra em mim». (Wicks, in loc.).
Se tivermos a atitude aqui exposta por Wicks, poderemos desfrutar de alegria permanente. Todavia, teremos de ser honestos em nossa inquirição, pois à alegria espiritual, em meio a um a carreira cristã deficiente é uma alegria falsa.
«Pode-se compreender facilmente que a alegria do crente difere da do mundo, a qual é ilusória, frágil e apagada. Cristo chega mesmo a reputá-la maldita, em Luc. 6:25. Portanto, só é autêntica aquela alegria em Deus que nunca nos pode ser tirada». (Calvino, in loc.).
«Paulo duplica a sua recomendação para tirar ocasião ao escrúpulo daqueles que poderiam dizer: ‘Como nos alegraremos nas aflições?’» (G. Herbert).
«Essa reiterada exortação se torna tanto mais notável quando nos lembramos que Paulo, ao escrever ou d itar esta epístola, estava com o braço direito acorrentado ao braço de um soldado romano, ou que, mesmo que assim não fosse, era prisioneiro sob a vigilância constante de um a sentinela, que nunca o abandonava». (Braune, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 61.
A alegria, a marca distintiva do povo de Deus (4.4)
O apóstolo Paulo fala sobre três características da alegria:
Em primeiro lugar, a alegria é uma ordenança, e não uma opção. Ser alegre é um mandamento, e não uma recomendação. Deixar de ser alegre é uma desobediência a uma expressa ordem de Deus. O evangelho trouxe alegria, o Reino de Deus é alegria, o fruto do Espírito é alegria, e a ordem de Deus é “alegrai-vos”.
Em segundo lugar, a alegria é ultracircunstancial. Paulo diz que devemos nos alegrar sempre. Como a vida é um mosaico em que não faltam as cores escuras do sofrimento, nossa alegria não pode depender das circunstâncias. Na verdade, nossa alegria não é ausência de problemas. Não é algo que depende do que está fora de nós. Neste mundo, passamos por muitas aflições, cruzamos vales escuros, atravessamos desertos esbraseados, singramos águas profundas, mas a alegria verdadeira jamais nos falta.
Em terceiro lugar, a alegria ê cristocêntrica. Nossa alegria é uma pessoa, e não ausência de problemas. Nossa alegria está centrada em Cristo. Quem tem Jesus, experimenta essa verdadeira alegria. Quem não tem Jesus, pode ter momentos de alegria, mas não a alegria verdadeira. Quem tem Jesus, tem a alegria; quem não O tem, jamais a experimentou.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 227.
2. Uma alegria cuja fonte é Cristo.
A alegria espiritual é cristocêntrica
Expressões como “alegria do ou alegria no Senhor” são constantes para indicar a fonte dessa alegria. Essa alegria é, portanto, cristocêntrica. Quando usamos a palavra cristocêntrico, estamos afirmando que tudo, em relação à igreja, é gerado por Ele. Ele é a nossa alegria. E uma pessoa; não é uma coisa; não é uma mera experiência emocional. Cristo é a fonte da alegria que nutre nossa alma e que dá energia ao nosso espírito para confiar nEle. Não há tristeza nEle, porque Ele “tomou sobre si”, como “cordeiro de Deus”, as nossas dores e tristezas (Is 53.4,5). Ao enfrentar muitas vezes as oposições dentro e fora da igreja por causa do evangelho que pregava, o apóstolo Paulo sabia lidar com essas situações por causa do gozo do Senhor. Ao chegar a Filipos pela primeira vez como apóstolo, Paulo tinha na memória as dificuldades que enfrentou naquela cidade para pregar o evangelho. Ele e Silas suportaram afrontas e rejeições e foram presos por causa da mensagem do evangelho. A oposição religiosa foi ferrenha contra os dois, mas eles semearam o evangelho e logo tiveram a colheita na conversão de pessoas como Lídia, a vendedora de púrpura, e a família do carcereiro que os havia açoitado na prisão (At 16).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 124-125.
2 Co 12. 9; A fraqueza é necessária para a grandeza? Paulo foi um instrumento especial do poder de Deus, mediante o qual a igreja cristã foi levantada no mundo gentílico. Tudo isso era patente para muitas pessoas de seus dias. O próprio fato que ele pôde triunfar, a despeito de suas muitas fraquezas, foi uma glória para o poder de Cristo, a demonstração que Paulo era «agente de Cristo», não sendo grande por sua própria força., Tudo isso era uma demonstração necessária para o bem da humanidade. Como indivíduo, pois, submetendo-se à causa de Cristo, que era superior a ele mesmo, Paulo teve de continuar a suportar seus problemas físicos,, teve que continuar afligido com as suas fraquezas. Ao ver o propósito por detrás do problema, Paulo alegremente acedeu a esse plano divino.
«O pedido especifico de Paulo não lhe foi proporcionado; no entanto, recebeu melhor resposta do que poderia ter antecipado. Tal como em tudo o’ mais, em sua vida cristã e em seu serviço, ele dependeu da graça e do poder divinos, posto que a nossa ‘suficiência vem de Deus’ (ver II Cor. 3:5); porquanto, nessa tribulação ele recebeu o poder suficiente para tolerar o sofrimento e a tensão. E isso, conforme pôde entender, era melhor para si mesmo e para o seu trabalho. O poder divino não pode ajudar e nem usar o homem auto-suficiente; mas o poder de Deus ‘se aperfeiçoa na fraqueza’.
Por isso é que Paulo dizia que ‘ao invés’ de continuar pedindo o seu livramento daquela enfermidade, se gloriaria em suas fraquezas, a fim de que o poder de Cristo pudesse repousar sobre ele, para sustentá-lo e dar-lhe a eficácia necessária como ministro, e sem o que nem mesmo Paulo poderia fazer corretamente o que era de sua incumbência». (Filson, in loc.).
Com base nessas circunstâncias de Paulo aprendemos que uma resposta negativa da parte de Deus não é uma recusa caprichosa, que não resulta em qualquer benefício, como um «não» dado às crianças, por seus pais, algumas vezes pode ser.
Os homens podem dar respostas negativas a seus semelhantes, ou até mesmo a seus filhos, por motivo de algum capricho, sem qualquer base na razão e no raciocínio. Mas Deus não é frívolo como o homem. Um «Não», quando vem da parte de Deus por conseguinte, sempre tem algum propósito definido e é eficaz, não menos do que um «Sim», tudo dependendo das circunstâncias. Assim é que, às vezes, uma negativa é preferível a uma resposta afirmativa.
Emerson disse que «Assim como nenhum homem jamais sè orgulhou de alguma coisa que não lhe seja prejudicial, assim também nenhum homem jamais teve algum defeito que, de alguma maneira, não lhe seja útil».
(Ensaio sobre as Compensações).
São extremamente numerosos os exemplos de como isso opera. Moisés tinha um problema de elocução das palavras. Jeremias parece ter-se visto a braços com um senso de insuficiência. A luta para derrotar as fraquezas, para vencê-las, para ultrapassá-las, com frequência têm sido o próprio meio pelo qual um homem realiza grandes coisas.
Deus o forte, Deus o beneficente,
Deus, sempre cônscio de toda luta e aperto,
O qual por nosso bem, torna extrema a necessidade,
Ate que opera com seu poder e salva.
(Robert Browning).
Necessidades extremas têm podido conduzir muitos homens aos pés de Cristo; e as histórias pessoais de Isaías, de Saulo de Tarso, de Lutero e de Agostinho ilustram bem esse ponto. As necessidades extremas também podem fazer os crentes grandes em Cristo.
«O Criador obtém as tarefas determinadas de seus servos, através de muitos métodos. Para alguns é suficiente dar-lhes amor, albores e crepúsculos, como prímulas nos bosques, na primavera; mas outros precisam ser açoitados com chicotes sangrentos ou levados quase à loucura pelos sonhos... antes que fáçam aquilo que Deus determinou para eles... Podemos dizer sobre homens, como João Bunyan, que não foi a força deles que os tornou grandes, notáveis e preciosos, mas antes, foi o conflito entre a fortaleza e a fraqueza que assim fez deles». (W. Hale White, John Bunyan,
Nova Iorque, Charles Scribner’s Sons, 1904, págs. 25 e 26).
Pouco mais adiante, diz esse citado autor: «Quando Deus adiciona, subtrai; e quando subtrai, adiciona». Deus pode liberar o seu poder através da fraqueza, e algumas vezes essa é a maneira mais eficaz de fazê-lo.
Profundas simpatias se criam naqueles que sofrem profundamente; cores delicadas e belas se desenvolvem em flores que crescem nas sombras. O consolo dado pelas respostas divinas·. «Aquilo pelo que oramos algumas vezes nos é negado, porque algo melhor nos precisa ser conferido... Esse dom divino (da sua graça) é perpetuamente suficiente e bom para esta vida inteira». (Plummer, in loc.).
À aflição de Paulo não lhe serviria de empecilho, e a resposta às suas orações foi-lhe assegurada. Isso serve de grande consolo. O que é importante nesta vida é o cumprimento de nossas missões. Serve-nos de consolo saber que Deus nos outorga os meios para nos desincumbirmos de nossas tarefas. Nossas debilidades não precisam ser obstáculos. Podem até mesmo servir de ajuda. E assim podemos ter a certeza de que podemos fazer aquilo que nos tem sido determinado. E isso serve de importantíssimo consolo.
«.. .De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas...» Essa passou a ser a nova atitude’ de Paulo, ao invés de continuar a fazer uma oração inútil. Se ele tivesse prosseguido em sua atitude anterior, talvez tivesse recebido, finalmente, uma resposta afirmativa, mas com resultados adversos para si mesmo. Em face disso, o apóstolo cedeu pronta e jubilosamente, porquanto assim o sucesso de sua missão ficava assegurado, a despeito do seu «espinho na carne». De fato, tal problema até lhe serviria de ajuda. E isso o enchia de satisfação, e ele pôde triunfar na graça divina.
«Ele (o apóstolo Paulo) encontrou não somente consolo, mas até mesmo deleite, em sua consciência de fraqueza, porquanto tudo foi contrabalançado pelo senso que o poder de Cristo habitava em sua pessoa e ao seu derredor. A palavra aqui traduzida por ‘...repouse...’ é aqui a mesma palavra que poderia ser literalmente traduzida, em João 1:14, por ‘morar em uma tenda’; e tal palavra sugere o pensamento que o poder de Cristo era para Paulo como a nuvem de glória (do deserto do Sinai), que o acompanhava e protegia». (Plumptre, in loc.).
A vitória é de natureza espiritual, afinal de contas. Uma coisa aprendemos do presente texto e do exemplo do apóstolo Paulo—a vitória espiritual, o êxito no labor espiritual depende, em última análise, não das condições do corpo, e, sim, das condições da alma e do trabalho que Deus tem feito em nós e para fazer por nosso intermédio.
Oh! homem, propõe-te este teste -Teu corpo, no que tem de mais excelente, Até que ponto pode projetar tua alma no caminho solitário?
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 415-416.
ALEGRIA, (contentamento, alegria; regozijo Júbilo; exultação, alegria, exuberante; deleite). As palavras hebraicas são especialmente vividas, simhah, a mais comum, tendo a raiz significando “brilhar” ou “ser brilhante,” e gel, que parece querer dizer circular ou andar em volta, enfatiza atividade ou movimento.
1. Velho Testamento. Há um uso geral do termo alegria no AT, aplicado ao estado de espírito em qualquer experiência agradável. O uso particular, porém, é uma emoção religiosa. Isto é mais notável nos Salmos, onde aparece como uma consequência natural da comunhão individual com Deus, que é a fonte de alegria (Sl 16.11; 51.12). Vários atributos e obras de Deus evocam esta alegria, tais como seus julgamentos (Sl 48.11), e seu governo sobre a terra (Sl 97).
A alegria era proeminente na vida total nacional e religiosa de Israel. A emoção interna encontrava expressão externa na exclamação, no cantar, no pular e no dançar. A ocasião ou motivação mais completa para esta alegria religiosa era a experiência da salvação, que chegava à intensidade particular na contemplação do estado futuro (Is 49.13; 61.10s.).
A alegria não é unicamente uma qualidade do homem. Deus é descrito como regozijando-se em suas obras (Sl 104.31), e se deleitando em fazer seu povo prosperar (Dt 30.9).
2. Novo Testamento. O NT é ainda mais rico na sua descrição da alegria. As poderosas obras redentoras de Deus, especialmente a vinda do seu Filho (Lc 2.10), e a ressurreição de Cristo (24.41), foram motivos de exultação. A alegria no NT não é meramente uma emoção, mas uma característica do cristão. E um fruto produzido pela obra interior do Espírito Santo (G1 5.22), sendo dinâmico em vez de estático. Não é afetado pelas circunstâncias, por mais que sejam adversas e dolorosas; aliás, a alegria pode ser o resultado do sofrer por causa de Cristo (Cl 1.24).
Jesus foi caracterizado pela alegria na tarefa e objetivo postos perante ele (Hb 12.2). O Pai é descrito como regozijando-se pela salvação de um pecador perdido em três parábolas: da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho perdido (Lc 15.3-34). Paulo também encontrou alegria no desenvolvimento espiritual e na firmeza dos conservos (Fp 4.1).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 180.
3. Uma alegria que produz moderação.
A alegria do Senhor produz moderação (4.5)
“Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor.” Nesse texto temos a palavra “equidade” e na ARA temos “moderação”. Ambas as palavras, equidade e moderação, são sinônimas porque o significado diz respeito a amabilidade, benignidade e brandura. Há uma tradução da palavra moderação no grego bíblico (epiekês) que se traduz como “doce razoabilidade”, ou seja, a capacidade de enfrentar uma atitude de oposição com domínio temperamental. Pode ser definida, também, como “manso”, “brando”, “gentil”, “paciente”. Percebe-se que no contexto da palavra de Paulo uma pessoa moderada é aquela que abre mão da retaliação quando se é provado ou ameaçado por causa da fé. Paulo apela ao controle de temperamento com pessoas explosivas, destemperadas e sem domínio próprio. O crente que tem a alegria do Senhor no coração tem uma disposição amável e honesta para com outras pessoas, principalmente com aquelas pessoas provocadoras. William Barclay escreveu que “o homem que tem moderação é aquele que sabe quando não deve aplicar a letra estrita da lei, quando deve deixar a justiça e introduzir a misericórdia”. Pessoas destemperadas pagam caro o preço da intransigência, da inflexibilidade. Paulo apela à igreja de Filipos a que os crentes sejam moderados nas ações. Paulo declara que “o Senhor está perto” (4.5) para ajudar aos que são atribulados e ameaçados por causa da sua fé.
A convicção de que “perto está o Senhor” (4.5)
“Perto está o Senhor” (v. 5) é uma declaração que tem sentido presente e futuro. No presente, a palavra “perto” refere-se a lugar e tempo. No grego bíblico, o termo é engys, que reforça essa ideia de lugar e tempo, para indicar que, nas lutas da vida cristã, o Senhor sempre está perto para guardar e proteger aqueles que servem a Cristo (SI 34.19). Porém, a expressão tem um caráter escatológico para referir-se à vinda do Senhor. Nesse sentido, todo cristão autêntico vive em função da esperança de que em breve o Senhor voltará para buscar a sua igreja.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 125-126.
Sim, o Senhor não se demorará a voltar para nós. Portanto, que o crente não se deixe assaltar por ansiedades e dúvidas a respeito de qualquer coisa.
Que não faça nada em excesso, mas que pratique a moderação. Vincent (in loc.) parafraseia este versículo como segue: «Que todos os homens percebam vosso espírito moderado; e sob hipótese alguma vos mostreis ansiosos, porquanto o Senhor está próximo».
«...moderação...» No grego original temos o termo «eiekes», que significa «clemência», «gentileza», «graciosidade», «complacência». Também podia significar «autocontrole» ou «restrição paciente». Aristóteles (em Nich. Eth. v. 10) faz o contraste entre essa qualidade com o «julgamento severo». A .exortação parece combater posições obstinadas e demonstrações de severidade demasiada sobre qualquer coisa. Por conseguinte, nos é recomendada aqui a gentileza, que é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo. (Ver Gál.5:22,23).
«Essa palavra indica imparcialidade, a disposição de dar e receber, ao invés de defender rigidamente os próprios direitos». (Scott, in loc.).
Aquela atitude que normalmente se entende por «moderação», segundo o vocabulário moderno, e que indica não ser extremado em qualquer coisa, era expressa pela palavra grega «sophrosune», e não pelo termo empregado no presente texto. (Sophrosune é vocábulo usado em I Tim. 2:9,15 e Atos 26:25). Essa qualidade eleva o indivíduo acima da necessidade de viver insistindo sobre os seus próprios direitos, o que só serve para endurecer lhe o espírito.
·...de todos os homens...· Não apenas aqueles que fazem parte da igreja, mas também aqueles que são do mundo. Se o crente controlar seu temperamento e exibir gentileza para com todos, mostrando-se gracioso e cortês, os outros homens entenderão que ele goza da influência de Cristo em sua vida. Outrossim, a vida de tal crente será mais tranquila, posto que tal crente não viverá entrando em disputas e contendas. Além disso, o espírito calmo e gentil pode aquietar almas agitadas. «Teu espírito doce e cordato» (Matthew Arnold) servirá de boa propaganda da tua fé cristã». Essa atitude eleva o crente «.. .acima do rigor e da ansiedade da mente (ver o sexto versículo)». (Alford, in loc.). «Minha mente é tranquila, porquanto tudo acolho com boa atitude».
(Cícero, A tt. 7.7). «Ninguém é tão mal-educado que não seja gentil com alguém, por algum motivo, em alguma ocasião: o crente deve sê-lo 'para com todos os homens’ e em todas as ocasiões» (Faucett, in loc.).
«...a mansidão, sob a provocação, a prontidão para perdoar as ofensas, a atitude justa na realização dos negócios, a candura no julgar o caráter e as ações dos outros, a doçura de disposição e o inteiro controle das paixões». (Macknight).
«...Perto está o Senhor...» Isso indica a proximidade quanto ao «tempo», dando a entender não demorar muito mais a sua «parousia» ou segundo advento; não está em pauta a proximidade espacial, sua presença conosco.
(Com parar com o trecho de 1 Cor. 16:22, onde se leem as palavras «maranatha», palavras aramaicas que significam «Nosso Senhor vem». No dizer de Lightfoot (in loc.):
«Esse era o lema do apóstolo».
A Esperança De Paulo
Paulo esperava poder escapar à morte física, por ocasião do arrebatamento (ver as notas a respeito em I Tes. 4:15). Essa é a esperança refletida em I Cor. 15:51. Mas, se chegasse a morrer fisicamente, ainda assim participaria daquele notável evento futuro (ver I Tes. 4:14). Seja como for, ele pensava que o período de tempo que restava era curtíssimo, e que a glória do retorno de Cristo já estava raiando em sua própria alma.
Nossa Advertência
Paulo não foi capaz de perceber a longa era da graça (quando a igreja está sendo convocada), que interviria antes do retorno de Cristo. Mas, o que ele esperava para seus dias, certamente sucederá nos nossos. Este comentário toma a posição de que o anticristo já está vivo, e que nossos dias são os últimos dias. Muitos dos que agora estão vivendo, verão o fim do presente ciclo das coisas.
Nosso Consolo
Embora as nuvens de tempestade se estejam juntando, embora primeiramente tenha de haver a violência que caracterizará o fim desta época, a era áurea haverá de seguir-se de imediato, assim como o dia vem após a noite. Por conseguinte, enquanto a tempestade se concentra, já podem os perceber os primeiros raios da madrugada do dia eterno.
Vivamos, portanto, para esse novo dia.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 61-62.
A moderação, a doce razoabilidade a ser demonstrada (4.5)
O apóstolo Paulo fala à igreja sobre a necessidade de cuidarmos das nossas atitudes internas e das nossas reações externas. A moderação tem que ver com o controle do temperamento.
Um crente não pode ser uma pessoa explosiva, destemperada e sem domínio próprio. Suas palavras precisam ser temperadas com sal, as suas atitudes precisam edificar as pessoas, e a sua moderação precisa refletir o caráter de Cristo.
A palavra grega para moderação é epieikeia. William Hendriksen diz que não há em nossa língua uma única palavra que expresse toda a riqueza contida nesse vocábulo grego. Essa palavra foi usada por Aristóteles para descrever aquilo que não apenas é justo, mas melhor ainda do que a justiça. William Barclay diz que o homem que tem “moderação” é aquele que sabe quando não deve aplicar a letra estrita da lei, quando deve deixar a justiça e introduzir a misericórdia.
Epieikeia é a qualidade do homem que sabe que as leis e prescrições não são a última palavra. Jesus não aplicou a letra da lei em relação à mulher apanhada em flagrante adultério. Ele foi além da justiça. Ele exerceu a misericórdia (Jo 8.1-11).
Ralph Martin, nessa mesma trilha de pensamento, escreve:
Moderação é uma disposição amável e honesta para com outras pessoas, a despeito de suas faltas, disposição essa inspirada na confiança que os crentes têm em que após o sofrimento terreno virá a glória celeste.
Ser uma pessoa moderada é ter o espírito pronto para abrir mão da retaliação quando você é ameaçado ou provado por causa da sua fé. William Hendriksen corretamente afirma: A verdadeira bem-aventurança não pode ser alcançada pela pessoa que rigorosamente insiste em seus direitos pessoais. O cristão é aquele que crê ser preferível sofrer a injustiça a cometer a injustiça (ICo 6.7).
Paulo diz que devemos ser moderados porque o Senhor está perto. O advérbio grego engys pode significar “perto” quanto a lugar ou quanto a tempo.407 O Senhor está a nosso lado nas lutas e também em breve virá para defender a nossa causa e nos recompensar. A razão desse espírito pacífico, não-abrasivo, portanto, não é fraqueza, ou o desinteresse em defender a posição legítima de alguém. Essa atitude covarde é condenada (1.27,28). Ao contrário, devemos ser moderados, pois o Senhor virá para defender a nossa causa.
Paulo diz: “Perto está o Senhor” (4.5).
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 228-229.
III - A SINGULARIDADE DA PAZ DE DEUS (4.6,7)
1. A alegria desfaz a ansiedade e produz a paz.
A alegria do Senhor desfaz a ansiedade (4.6)
Em sua vida terrena, Jesus falou da ansiedade como um mal que precisa ser extirpado da vida cotidiana. Em seu famoso Sermão do Monte, Jesus aconselhou: “Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos [ansiosos] quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?” (Mt 6.25).
A ansiedade pela vida, o medo do futuro, a preocupação pelo que pode acontecer não são atitudes positivas de quem confia no Senhor. O que aprendemos com o Mestre, nosso Senhor Jesus Cristo é que a ansiedade desfaz a confiança em Deus e que o dia de amanhã não deve anteceder o dia de hoje. Por isso Ele disse: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mt 6.34). O apóstolo Pedro escreveu em sua Epístola: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5.6,7). A ansiedade contraria a confiança que devemos ter no Senhor e na sua proteção. Nada deveria perturbar a mente e o coração daqueles irmãos. Pelo contrário, eles deveriam fazer suas petições a Deus com atitude humilde e reconhecimento pelo que o Senhor é e faz (4.6). A ansiedade é a falta de paz, a paz de Deus. Por isso, o apóstolo declara com segurança que a paz de Deus guardará os fiéis. Todos os seus sentimentos estarão guardados por aquEle que pode dar a paz verdadeira (4.7).
A importância da oração na vida cristã (4.6)
O texto diz: “antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças” (4.6). E indiscutível o valor da oração na vida do cristão. È o canal mais eficaz de comunicação com Deus. O poder da oração sincera diante de Deus anula a força da ansiedade, porque conduz o crente à presença de Deus. Por isso, a oração deve estar na vida cotidiana do crente como um elemento disciplinador da nossa vontade para aceitar, de boa mente, a vontade de Deus. Ora, a vontade de Deus baseia-se no pré-conhecimento que Ele tem de nós. Por isso, Ele sabe o que é melhor para cada um de nós. O apóstolo Paulo declara que essa comunicação em oração não tem restrições, porque Deus é Pai pronto a ouvir todas as nossas petições. Paulo usa a expressão “em tudo” significando que não precisamos pedir audiência para falar com Deus, mas todas as nossas necessidades, em todas as situações e circunstâncias, podem ser dirigidas a Deus em oração. O contexto dessa escritura indica que a oração é o modo de aliviar nossa ansiedade. Paulo destaca, pelo menos, três modos distintos de orar no versículo 6. Primeiro, ele fala de orar com “petições”, isto é, todas as nossas necessidades podem ser apreciadas pelo Senhor. Segundo, “com súplicas” diz respeito àquela oração feita com rogos, com pedido insistente e humilde. Terceiro, a oração com “ação de graças”, que significa aquela oração de gratidão por tudo o que o Senhor é. Sempre devemos nos lembrar dos benefícios divinos (SI 103.1-6).
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag.
Não devemos ansiar por coisa alguma porque a vinda do Senhor está próxima, havendo ainda à nossa disposição o recurso da oração, que é um poder criativo, que pode alterar os acontecimentos e conferir-nos forças para enfrentar a adversidade. (Notas expositivas completas sobre a oração aparecem no trecho de Efé. 6:18). Por meio da oração, a força espiritual se faz presente, porquanto põe à nossa disposição o mesmo Senhor, que algum dia retornará.
«A oração contínua serve de salvaguarda contrato da e qualquer ansiedade, e Paulo a descreve em um a sentença comprimida, falando sobre a natureza da oração autêntica. Antes de tudo, envolve a atitude de esperar em Deus; em seguida, indica ele que, em nossa debilidade, rogamos a sua ajuda; e, "finalmente, fica esclarecido que devemos deixar bem claro aquilo que queremos da parte de Deus, confiando que ele nos atenderá os pedidos. E paralelamente a tudo isso deve haver a atitude de ação de graças. Não podemos rogar a Deus novas demonstrações de misericórdia, a menos que tenhamos consciência clara daquilo que já nos foi outorgado pelo Senhor. O homem ingrato não pode orar, porquanto não tem ideia verdadeira da bondade de Deus». (Scott, in loc.).
A oração serve de elemento disciplinador e de determinador da vontade
de Deus: É óbvio que a oração não opera como um a lâmpada mágica, que precise apenas ser esfregada para que um gênio apareça, capaz de atender a todo e qualquer pedido que lhe fizermos. Pois, antes de mais nada, a oração age como fator de disciplina, levando-nos a reorientar as nossas prerrogativas, à medida em que formos crescendo na graça, de tal modo que coisas importantes sejam pedidas, que contribuam para o progresso do Reino de Deus à face da terra, bem como para o progresso espiritual de nós, mesmos e de outras pessoas, ao invés de visarmos apenas satisfazer impulsos egoístas. Portanto, na qualidade de um a disciplina, a oração nos impedirá de ser egoístas em nossos alvos, e, portanto, em nossas solicitações.
Nessa disciplina haverem os de a prender que as nossas orações ocasionalmente podem ser respondidas com um Não; pois um a resposta afirmativa, às vezes, não seria tão boa como um a negativa, embora nos seja difícil ver o motivo disso. O Senhor Jesus, em agonia no jardim do Getsêmani, buscou um a impossível resposta «afirmativa», o que significaria que escaparia da agonia da cruz. Mas isso teria destruído o significado de sua missão; e ele não demorou um segundo a reconhecer isso, tendo-se entregue aos cuidados da vontade do Pai. Portanto, na qualidade de fator disciplinador, a oração nos confere a realização da vontade de Deus; e isso, afinal de contas, é exatamente o que buscamos, tanto em nossas orações como em tudo o mais que fazemos. Entretanto, a oração também serve de força criadora porque apela para um poder infinito, fazendo o impossível, conforme se verifica em incontáveis casos através da história. Por essa razão é que nos é recomendado o uso desse extraordinário poder da oração. Ela pode transformar-nos, bem como pode transformar as condições em que vivemos.
«...ansiosos...» No grego tem os o termo «merimnao», que significa «ansiar», ficar «indevidamente preocupado». Paulo não se refere aqui ao ideal estóico da «apatia», a falta de reação emocional. Mas grande é a verdade da declaração que a maior parte de nossas circunstâncias, por si mesmas, em nada nos prejudicam. O que realmente nos prejudica é a nossa reação emocional às nossas circunstâncias; e isso é um fato bem conhecido dentro dos estudos psicológicos, e não somente como um preceito religioso.
Além disso, as circunstâncias, em face do imediato retorno de Cristo, e em face do poder da oração, que ajuda a modificar essas circunstâncias, ou que nos ajuda a aceitá-las como expressões da vontade de Deus, não devem ser já recebidas e as bênçãos esperadas, sempre deve dar graças e sempre deve rogar. A memória e a súplica são os dois elementos necessários de toda a oração verdadeiramente cristã». (Rilliet, in loc.).
Todavia, a natureza exata dessas ações de graça não é definida aqui. Muitas coisas nos perturbam , mas, certamente, sabemos que a vontade de Deus visa ao nosso bem, não sendo caótica e nem destituída do desígnio.
Todavia, esse é um elevado alvo espiritual, que não é fácil de ser alcançado. Só pode ser atingido através do desenvolvimento espiritual; e um a porção importante desse desenvolvimento é a oração, pois, quando oramos, nos disciplinamos a nós mesmos e entramos em contato com o ser de Deus.
o...de cousa alguma...» Essas palavras fazem violento contraste com as nossas orações, que devem ser associadas com «tudo», com todas as situações. Conforme comenta Vincent (in loc.): «Em tudo, e não por qualquer motivo (embora essa ideia também esteja inclusa, em Efé. 6:18 e 1 Tes. 5:17); mas estão em foco todos os interesses, grandes e pequenos, porquanto nada é grande demais para o poder de Deus; e nem nada é pequeno demais para merecer o seu cuidado paternal».
·,...oração e...súplica...» Esses dois substantivos indicam a «oração em geral» e os «pedidos específicos», respectivamente, conforme também se observa em Efé. 6:18, onde a questão é comentada. (Ver também essas duas palavras, usadas em conjunção, em IT im . 2:1 e 5:6. Ver igualmente Fil. 1:4, onde a distinção reaparece). Desse modo é que nossas ansiedades são vencidas, porquanto a oração inclui idealmente todas as circunstâncias,  acalmando todas as águas agitadas.
Já pensaste que tu mesmo não continuarias?
Já temeste essas ameaças terrenas?
Já temeste que o futuro nada seria para ti?
Hoje i nada? o passado sem começo nada é?
Se o futuro nada é, então certamente aqueles nada são.
(Walt Whitman).
A oi ação oferece-nos um abrigo onde nos podem os ocultar das preocupações mundanas, um lugar onde ficamos a sós com Deus, um refúgio onde renovamos a esperança, onde nossos cuidados ficam amortecidos. Paulo ensina-nos a lançar mão do recurso da oração.
«...com ações de graça...» É mister que nos lembremos, com gratidão no coração, das bênçãos e das vitórias passadas, sabedores que a mesma esperança que nos enchia o peito no passado, é boa para o futuro. As ações de graça devem acompanhar nossas orações «...em tudo...» (com parar com Col. 3:17).
Certamente, o texto fala das lutas do passado, mas também envolve as circunstâncias difíceis do presente, mediante as quais podemos aprender lições necessárias. Por isso é que em Efé. 5:20 se lê, «...dando sempre graças por tudo...», ao passo que em ITes. 5:18 lemos,«...Em tudo dai graças...».
Posto que muitas pessoas com frequência oram erradamente a Deus (de forma diferente do que deveriam fazer), com muitas queixas e reclamações, como se tivessem motivo justo de acusarem-no, ao passo que há outros que não podem tolerar demoras na resposta, quando Deus não quer satisfazer imediatamente aos seus desejos, por isso mesmo é que Paulo vincula a atitude de agradecimento às nossas orações...porquanto é inquestionável que a gratidão exercerá sobre nós o efeito de desejarmos que a vontade de Deus seja cumprida em nossas vidas, como o maior alvo a ser obtido.
«...petições...» No grego tem os a palavra «aitema», que significa «pedido», aquilo que é solicitado, pois, em certo sentido importante, a oração consiste de «pedir e receber». Estão em foco as coisas particulares que desejamos, nem um a delas grande demais p ara o poder do Senhor, e nem pequena demais para escapar à atenção de seu amor paternal.
«...sejam conhecidas...» Temos aqui o verbo «gnoridzo», «fazer conhecido», «declarar», «revelar». D á a entender que é como se Deus não soubesse quais os nossos desejos, e que, ao confiarmos em fazer-lhe tais revelações, de coração sincero, de mistura com a ação de graças, tocaríamos no poder divino, de modo a realizar-se aquilo que desejamos. Isso pode ser comparado com as próprias instruções do Senhor Jesus, acerca da oração, em João 16:24-27. E Deus Pai quem nos dá tudo, devido ao amor que nos tem, visto que amamos a Cristo Jesus.
«...diante de Deus...» Tudo deve ser feito na «presença» do Senhor, em que o crente «se dirige a ele». Fica subentendido que Deus está sempre perto de nós, pronto a ouvir-nos. Portanto, apreensões ditadas pela ânsia não têm razão de ser para o crente, pois nosso Pai está sempre pronto para ajudar-nos.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 62-63.
A ansiedade, uma doença perigosa (4.6)
A ansiedade é a maior doença do século. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 50% das pessoas que passam pelos hospitais são vítimas da ansiedade. A ansiedade atinge adultos e crianças, doutores e analfabetos, religiosos e ateus. Warren Wiersbe diz que a ansiedade é um pensamento errado e um sentimento errado a respeito das circunstâncias, das pessoas e das coisas.409 Ralph Martin diz que ansiedade é falta de confiança na proteção e cuidado de Deus.
Várias são as causas da ansiedade:
Em primeiro lugar, a ansiedade é o resultado de olharmos para os problemas, em vez de olharmos para Deus. Os crentes de Filipos não estavam vivendo em um paraíso existencial, mas num mundo cercado de perseguições (1.28). O próprio Paulo estava preso, na ante-sala do martírio, com os pés na sepultura. Nuvens pardacentas se formavam sobre sua cabeça. Quando olhamos as circunstâncias e os perigos à nossa volta, em vez de olharmos para o Deus que governa as circunstâncias, ficamos ansiosos.
Em segundo lugar, a ansiedade é o resultado de relacionamentos quebrados. As pessoas nos fazem sofrer mais do que as circunstâncias. Nós desapontamos as pessoas, e elas nos desapontam. As pessoas têm a capacidade de roubar a nossa alegria. Há pessoas que carregam uma alma ferida e são prisioneiras da amargura, pois os relacionamentos estão estremecidos (2.1-4; 4.2).
Em terceiro lugar, a ansiedade é o resultado de uma exagerada preocupação com as coisas materiais (3.19). Aqueles que só se preocupam com as coisas materiais vivem inquietos e desassossegados. Aqueles que põem a sua confiança no dinheiro, em vez de pô-la em Deus, descobrem que a ansiedade, e não a segurança, é a sua parceira.
Três são os resultados da ansiedade:
Em primeiro lugar, a ansiedade produz uma estrangulação íntima. A palavra “ansiedade” traz idéia de estrangulamento.
Ficar ansioso é como ser sufocado. E como cortar o oxigênio de uma pessoa e tirar dela a possibilidade de respirar. A ansiedade produz uma fragmentação existencial. A pessoa é rasgada ao meio. Ela produz uma esquizofrenia emocional. A pessoa ansiosa perde o equilíbrio. Warren Wiersbe diz que a palavra “ansiedade” significa ser “puxado em diferentes direções”. As nossas esperanças nos puxam em uma direção; os nossos temores nos puxam em direção oposta; assim, ficamos rasgados!
Em segundo lugar, a ansiedade rouba nossas forças. Uma pessoa ansiosa normalmente antecipa os problemas. Ela sofre antecipadamente. O problema ainda não aconteceu e ela já está sofrendo. A ansiedade esgota a energia antes de o problema chegar. E quando o problema chega, se chegar, a pessoa já está fragilizada.
Em terceiro lugar, a ansiedade é uma eloquente voz da incredulidade. A ansiedade é a incapacidade de crer que Deus está no controle. A ansiedade ocupa o nosso coração quando tiramos os olhos da majestade de Deus para fixá-los na grandeza dos nossos problemas.
A oração, o remédio divino para a cura da ansiedade (4.6)
Deus não apenas dá uma ordem: “Não andeis ansiosos”, mas oferece a solução. Não apenas diagnostica a doença, mas também oferece o remédio. Se a ansiedade é uma doença, a oração é o remédio. William Hendriksen diz que o antídoto adequado para a ansiedade é abrir efusivamente o coração a Deus.
Lidamos com a ansiedade não com livros de auto-ajuda, mas com a ajuda do alto. Triunfamos sobre ela não batendo no peito em uma arrogância ufanista, mas caindo de joelhos e lançando sobre Cristo a nossa ansiedade. Onde a oração prevalece, a ansiedade desaparece. William Barclay corretamente afirma: “Não existe nada demasiadamente grande para o poder de Deus nem demasiadamente pequeno para o Seu cuidado paternal”.
O remédio de Deus deve ser usado de acordo com a prescrição divina. Paulo fala sobre três palavras para descrever a oração: oração, súplica e ações de graças. A oração envolve esses três elementos:
Em primeiro lugar, Paulo diz que precisamos adorar a Deus quando oramos. A palavra grega proseuche é o termo genérico para oração. Essa palavra é um termo geral usado para se referir às petições que fazemos ao Senhor. Tem a conotação de reverência, devoção e adoração. Sempre que nos vemos ansiosos, a primeira coisa a fazer é ficar sozinhos com Deus e adorá-Lo. Precisamos saber que Deus é grande o suficiente para resolver os nossos problemas.
A oração começa quando focamos a nossa atenção em Deus, e não em nós mesmos. O ponto culminante da oração é o relacionamento com Deus, mais do que pedir coisas a Deus. Orar é estar em comunhão com o Rei do Universo. Adoramos a Deus por quem Ele é. Em vez de ficarmos ansiosos, devemos meditar na majestade de Deus e descansar nos Seus braços. Se Deus é quem Ele é, e se Ele é o nosso Pai, não precisamos ficar ansiosos.
Em segundo lugar, Paulo diz que podemos apresentar a Ele as nossas necessidades quando oramos. A palavra grega deesis enfatiza o elemento de petição, a súplica em oração.
Devemos apresentar todas as nossas necessidades a Deus em oração, em vez de acumular o peso da ansiedade em nosso coração. O próprio Senhor Jesus nos ensinou: “Pedi, e dar-se-vos-á...” (Mt 7.7) e “... tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei” (Jo 14.13). Tiago escreveu: “Nada tendes, porque não pedis” (Tg 4.2).
Em terceiro lugar, Paulo diz que devemos agradecer a Deus quando oramos. Devemos olhar para o que Deus já fez por nós para não ficarmos ansiosos (SI 116.7). Todavia, devemos agradecer também o que Deus vai fazer. Deus desbarata os nossos inimigos quando nos voltamos para Ele com ações de graças (2Cr 20.21). O próprio Paulo, quando plantou a igreja em Filipos, foi açoitado e preso.
Não obstante a dolorosa circunstância, agradeceu a Deus, cantando louvores na prisão (At 16.25). Quando o profeta Daniel foi vítima de uma orquestração na Babilônia, longe de ficar ansioso, orou a Deus com súplicas e ações de graças (Dn 6.10,11). Daniel foi capaz de passar a noite, em perfeita paz, com os leões, enquanto o rei no seu palácio não conseguiu dormir (Dn 6.18).
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 229-233.
2. Uma paz que excede todo o entendimento.
A Paz que Excede todo o Entendimento (4.7)
A paz de Deus é dom que procede dEle para aqueles que o servem. Essa paz é algo poderoso para aquietar o coração inquieto e ansioso, porque sobrepuja tudo e todo o entendimento. E algo que a psicologia não pode explicar, porque é experiência divina. E aquela paz inexplicável, que está acima do natural. E algo sobrenatural que se manifesta na nossa vida natural, porque é sentida e vivida por aqueles que a experimentam (1 Co 2.9; Ef 3.20).
Há certa reciprocidade entre alegria e paz. Não haverá alegria sem paz interior. Não se trata de uma simples paz, mas de uma paz que vem de Deus. Os discípulos de Jesus experimentaram essa paz especial quando Ele disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá” (Jo 14.27).
1. O tipo de paz “que excede todo o entendimento”
Em síntese, essa paz é algo que transcende qualquer compreensão. Não tem como discuti-la filosoficamente, nem no campo da psicologia. Os adeptos do gnosticismo que defendiam a ideia de possuírem algo superior em termos de inteligência, conhecimento e entendimento são confrontados por Paulo quando sugere algo mais alto e mais profundo que o entendimento humano. E a paz de Deus que excede todo o entendimento.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 128.
(Quanto a notas expositivas completas sobre a «paz», verG ál. 5:22, onde essa virtude aparece como um dos aspectos do «fruto do Espírito Santo», ou seja, produto do desenvolvimento espiritual. Ver tam bém os trechos de João 14:27 e 16:33, onde há poemas ilustrativos, igualmente inclusos nessas anotações. Ver o trecho de Rom. 5:11 e as notas expositivas ali existentes, sobre a doutrina da «justificação pela fé», porquanto essa «paz» resulta de nossa justificação diante de Deus).
«...paz de Deus...» Essa paz é atribuída a Deus porque 1. trata-se de um a qualidade espiritual, que nos é divinamente conferida, da parte do Espírito Santo; e 2. porque Deus é a sua fonte originária. Este é o único trecho onde essa expressão figura em todo 0 N-.T. (Com parar com a expressão «Deus da paz», que figura no nono versículo deste mesmo capítulo).
A paz é vista aqui como um subproduto da oração; e isso é natural, posto que a comunhão com Deus acalma todas as águas perturbadas.
A paz consiste de «...relações saudáveis e harmoniosas, que prevalecem na vida interior, em resultado da reconciliação com Deus, por meio de Jesus Cristo...Deixarmos nossas ansiedades com Deus é algo que destrói o poder corrosivo da ansiedade, ficando nós acalmados pela sua paz. A paz é usada no Talmude como um dos nomes de Deus». (Kennedy, in loc.).
« ...que excede todo o entendimento...» Essa expressão tem dois significados possíveis: 1. Pode significar que a paz de Deus é insondável, não estando sujeita ao poder de raciocínio do homem , visto que o transcende; podendo existir até mesmo quando não há razões aparentes para a sua existência, como quando nos vemos em meio às tribulações, porquanto Deus é quem no-la dá, não sendo produto de circunstâncias favoráveis, como a tranquilidade humana geralmente o é. Também está fora do alcance de nosso entendimento, ainda que tenhamos consciência de sua presença e de seus efeitos. 2. Ou então, se compreendermos a palavra grega «nous» com o «mente», no sentido de «engenho» ou «astúcia», o sentido pode ser que «Deus pode fazer mais por nós, conferindo-nos a paz, do que poderíamos obter através de qualquer planejamento nosso, por mais cuidadoso que esse fosse». Mas o primeiro desses sentidos é o preferido pela maioria dos intérpretes.
«...entendimento...» é tradução do vocábulo grego «noos», que tem os dois significados dados acima, isto é, «com preensão» ou «poder do raciocínio». A paz é algo perfeitamente real, a despeito de não podermos compreender como ela pode subsistir até mesmo quando o crente está sob circunstâncias difíceis. Ou então ela pode ser algo que nos é conferido por Deus, mas que está totalmente fora do alcance hum ano, entregue aos seus próprios recursos. A primeira dessas duas possibilidades é a que mais provavelmente está aqui em foco.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 63.
A paz de Deus, uma bênção a ser recebida (4.7)
Pela oração, a paz de Deus ocupa o lugar que antes a ansiedade tomava conta. A oração aquieta o nosso interior e muda o mundo ao nosso redor. Por meio dela, nos elevamos a Deus e trazemos o céu à terra. A ansiedade é um pensamento errado e um sentimento errado, por isso a paz de Deus guarda mente e coração. O mesmo coração que estava cheio de ansiedade, pela oração agora está cheio de paz. F. F. Bruce diz que a paz de Deus pode significar não apenas a paz que Ele mesmo concede, mas a serenidade em que o próprio Deus vive: Deus não está sujeito à ansiedade.
O apóstolo destaca três verdades importantes sobre a paz:
Em primeiro lugar, a paz que recebemos é uma paz divina, e não humana (4.7). E a paz de Deus. A paz de Deus não é paz de cemitério. Não é ausência de problemas. Essa paz não é produzida por circunstâncias. O mundo não conhece essa paz nem pode dá-la (Jo 14.27). Governos humanos não podem gerar essa paz. Essa paz vem de Deus. Bruce Barton afirma: “A verdadeira paz não é encontrada no pensamento positivo, na ausência de conflito, ou em bons sentimentos; ela procede do fato de saber que Deus está no controle”.
Em segundo lugar, a paz de Deus transcende a compreensão humana (4.7). Essa paz é transcendente. Ela vai além da compreensão humana. A despeito da tempestade do lado de fora, podemos desfrutar bonança do lado dentro. Ela coexiste com a dor, com as lágrimas, com o luto e com a própria morte. Essa é a paz que os mártires sentiram diante do suplício e da morte. Essa é a paz que Paulo sentiu ao caminhar para a guilhotina, dizendo: “A hora da minha partida é chegada. Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé. Agora, a coroa da justiça me está guardada...” (2Tm 4.6-8).
Em terceiro lugar, a paz de Deus é uma sentinela celestial ao nosso redor (4.7). A palavra grega fivurein é um termo militar para estar em guarda.418 Assim, “guardar” traz a ideia de uma sentinela, um soldado na torre de vigia, protegendo a cidade. A paz de Deus é como um exército protegendo-nos dos problemas externos e dos temores internos. Paulo diz que essa paz guarda os nossos corações (sentimentos errados) e nossas mentes (pensamentos errados), as nossas emoções e a nossa razão. William Hendriksen, comentando este texto, escreve:
Os filipenses estavam acostumados a ver as sentinelas romanas montarem guarda. Assim também, se bem que em um sentido muitíssimo mais profundo, a paz de Deus montará guarda à porta do coração e da mente. Ela impedirá que a torturante angústia corroa o coração, que é o manancial da vida (Pv 4.23), a fonte do pensamento (Rm 1.21), da vontade (ICo 7.37) e do sentimento (1.7). O homem de fé e oração tem-se refugiado naquela inexpugnável cidadela da qual ninguém jamais poderá arrancá-lo; e o nome dessa fortaleza é Jesus Cristo.
Ralph Martin comenta que o uso que Paulo faz de um verbo militar demonstra que ele está pensando na segurança da igreja, e seus membros, num ambiente hostil, cercados de inimigos.
LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 233-234.
3. Uma paz que guarda o coração e os sentimentos do crente.
Um tipo de paz que protege o crente em Cristo Jesus
A parte b do versículo 7 diz: “guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus”. É um tipo de paz como um muro de proteção ao redor de uma casa que protege dos perigos de fora. A paz de Deus torna-se guarda de proteção para o crente fiel. O texto fala de “coração e mente”, que são cidadelas dos pensamentos e emoções que experimentamos na nossa vida cotidiana. A proteção é feita por Jesus Cristo, Salvador e Senhor nosso. Portanto, a alegria do Senhor alimenta a nossa alma e produz paz e segurança, porque “essa paz é como uma sentinela celestial” que nos protege do mal.
CABRAL. Elienai. FlLIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Editora CPAD. pag. 128-129.
«.. .guardará os vossos corações. ..» A palavra «coração» é aqui utilizada para dar a ideia de «alma», indicando o «verdadeiro homem», e não apenas o seu intelecto ou as suas emoções. Assim, pois, 0 verdadeiro homem é guardado pelo poder pacificador de Deus, ainda que o homem mortal venha a ser severamente assediado por dificuldades de toda a sorte, externas ou íntimas. A paz de deus «guarda» nosso homem interior. Esse verbo, no original grego, é «proureo», que significa exatamente isso, «guardar», «confiar», «manter sob custódia». Neste ponto, a ideia é de montar guarda, para finalidade de proteção. A paz é pintada como a sentinela de Deus, que patrulha e guarda 0 homem interior.
É declarado aqui que a paz de Deus ‘guarnece’ o coração e a mente do crente. O crente vive tão bem rodeado de benditos privilégios que fica em segurança como quem se acha em um castelo inexpugnável». (Gurnall, in loc.).
*...mentes...» Essa palavra pode significar: 1. ou os pensamentos; ou 2. as mentes, no sentido de um processo intelectual e das reações emotivas. Provavelmente ambas as coisas estão em foco, dando a entender a mente e as suas funções em geral. Alguns estudiosos consideram que a palavra «coração», neste ponto, indica a «sede das emoções», ao passo que a «mente» seria a sede do processo de raciocínio. As emoções às vezes dizem-nos que um a crise é fatal, ou causa de intensa ansiedade. E o processo de raciocínio concorda com isso, pesando as coisas conforme elas parecem ser, objetivamente. No entanto, a paz de Deus altera tudo isso, mantendo o coração e a m ente sob guarda, não permitindo que as circunstâncias invadam e destruam a nossa tranquilidade, que se alicerça sobre a certeza do bem espiritual, 0 que nenhum a circunstância terrena pode alterar.
O coração é a sede das emoções, em contraste com a inteligência (ver Rom. 9:2; 10:1; II Cor. 2:4; 6:11 e Fil. 1:7); mas também pode referir-se à ação mental ou inteligência, em outros contextos (ver Rom. 1:21 e Efé. 1:18), também indicando questões de moral e escolhas morais (ver I Cor. 7:37; II Cor. 9:7). O coração é igualmente a sede de nosso contato com o Espírito de Deus (ver Rom. 5:5; II Cor. 1:22; Gál. 4:6; Col. 3:15; I Tes. 3:13; II Tes. 2:17 e 3:5). O coração é igualmente a sede da fé (ver Rom. 10:9), bem com o do amor de Deus (ver R om . 5 :5), sendo também o instrumento do louvor espiritual. (Ver Col. 3:16). Pode-se ver, assim sendo, que apesar desse termo não subentender necessariamente a alma, em todas as suas funções, quando então se torna local onde Deus entra em contato com o espírito hum ano, como a sede da fé e do amor, somente a alma pode estar aqui em foco. Porquanto é com o homem interior, a alma, o homem essencial, que esse contato tem lugar. Portanto, «kardia» é palavra grega que pode ser sinônimo de «psuche» ou de «pneuma».
«...em Cristo Jesus...» Em outras palavras, em comunhão e união com Jesus, por estarmos identificados com ele, porque Deus Pai cuida de nós como cuida de seu Filho. Essa é a «esfera» onde a proteção divina é oferecida àqueles que pertencem a Cristo, onde também desfrutam de união mística com ele. (Com parar com isso a expressão «em Cristo», que é usada por cento e sessenta e quatro vezes nas páginas do N .T ., com notas expositiva sem I Cor. 1:4; e com a expressão «no Senhor», usada por mais de quarenta vezes no N .T., a qual é comentada no primeiro versículo deste 1 capítulo).
Um dos importantes elementos sociais do período helenista foi o guarnecimento militar de muitas cidades da Grécia e da Ásia Menor, pelos sucessores de Alexandre, o Grande. Os leito res de Paulo certamente, estariam familiarizados com a proteção militar oferecida às cidades. Ora, Deus oferece-nos a sua proteção às nossas almas. A paz é a sentinela que garante que tudo vai bem. No mundo temos tribulação, mas em Cristo temos paz.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 63.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

3 comentários:

  1. a paz do senhor irmão Alessandro todas as lições são abençoadas mais principalmente as do 2° trimestre afamilha crista no seculo XXI protegendo seu lar do ataques do inimigo isto que estamos precisando, ora por nos.

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  3. Sensacional querido, Deus te abençoe.

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